CLEMILDO BRUNET DE SÁ

O DESBRAVADOR DA NOSSA HISTÓRIA

Clemildo Brunet*
A cidade de Pombal vai viver mais uma vez agora no mês de Julho, sua festa de Aniversário completando 145 anos de elevação a categoria de cidade. Digo isso porque, por muitos anos a data de 21 de julho era citada como se fosse de emancipação política do Município. Até mesmo, a quem vamos homenagear hoje nessa coluna, pensava assim, e escreveu o livro “O Velho Arraial de Piranhas” lançado por ocasião do Centenário de Pombal em 1962, como data de emancipação política do Município, vero engano, baseado em outros historiadores que assim o afirmavam. Wilson Nóbrega Seixas como historiador resolveu pesquisar a nossa história e foi em busca de provas documental chegando ao ponto de desmistificar “histórias tidas como oficiais”, que eram verdades amparadas pela Igreja Católica, como é o caso do Padre Manuel Otaviano, que por ser Sacerdote, deu uma conotação sem provas e sem documentos a religião que professava, referindo-se aos acontecimentos que antecederam a fundação da cidade de Pombal. Até o historiador Celso Mariz bebeu dessa fonte. Wilson Seixas, apesar de ter aceito essa primeira versão do Padre Manuel Otaviano, por correspondencia foi até o Ultramarino em Portugal para buscar em documentos oficiais as provas que contariam de maneira correta a história da luta entre os índios confederados; panatis, Coremas e Ariús e os conquistadores. Posteriormente, o desbravador da nossa história, em artigo publicado a respeito de suas novas pesquisas, chegou a admitir com muita propriedade, ter errado, quando das informações no seu livro “O Velho Arraial de Piranhas” em 1962, pela gráfica A Imprensa. Noutra ocasião em outra revista do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba (IHGP), lançada nos quinhentos anos do descobrimento do Brasil, ele volta a tratar do assunto. Mesmo com a saúde abalada, o desbravador da nossa história, grande estudioso, ficou cada vez mais frágil quando pegando em documentos de arquivos de cartórios e câmaras adquiriu fungos e o trabalho tornou-se árduo e cansativo e já não atendia a necessidade de seus anseios. Era da vontade de Wilson Seixas, reeditar “O Velho Arraial de Piranhas” e conseguiu resgatar esse inicio de história de Pombal, contando com seus amigos também escritores e historiadores: Verneck Abrantes, Evandro Nóbrega e Jerdivan Nóbrega de Araújo. E o livro foi reeditado, numa edição revisada e atualizada como era do gosto de Wilson Seixas, porém não contou com a presença do seu autor no lançamento, pois já havia partido para eternidade. Faleceu na capital do Estado em 11 de março de 2002. Se vivo estivesse, iria completar 91 anos no próximo dia 15 de julho. Wilson da Nóbrega Seixas, o desbravador da nossa história,teve como o seu primeiro professor o seu pai Newton Seixas, autor da letra do Hino de Pombal. Demonstrando ambos os amores a nossa terra e a nossa gente, desbravando a cultura para o nosso povo. Wilson da Nóbrega Seixas com as pesquisas realizadas que o debilitou, conseguiu deixar este legado para a História de Pombal, fazendo com que a Câmara Municipal de nossa cidade mudasse o perfil da Lei Orgânica do Município, restabelecendo as datas mais importantes, do município mais antigo do sertão Paraibano. Hoje a população de Pombal é ciente de que, agora em julho, dia 21, não se trata da data de emancipação Política, e sim a data em que a vila de Pombal é elevada a Categoria de Cidade. Muitos políticos alheios a essa história, ainda repete em seus discursos hoje, ser essa data emancipação política. As três datas importantes que marcam a história de Pombal, são essas: 04 de maio de 1772 Ocorre a elevação do Arraial a categoria de Vila, com a denominação de Vila de Pombal, na mesma data, também ocorre sua emancipação política. 27 de Julho de 1698- No sertão das Piranhas, lugar conhecido como Povoação do Piancó, Teodósio de Oliveira Lêdo fundou o Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó (Pombal). E 21 de Julho de 1862. A Vila de Pombal é elevada a categoria de cidade. Portanto, em 2007 Pombal Comemora: 309 Anos de Fundação; 235 anos de vila e emancipação política e 145 anos de sua elevação a categoria de cidade. (Livro: Um Olhar Sobre Pombal Antiga- 1906 a 1970 de Verneck Abrantes). Uma certa feita, Wilson Seixas declarou: “Posso assegurar ter encontrado aqui em Pombal, uma fonte histórica que nos oferece campo vasto para as narrativas mais antigas da nossa colonização Sertaneja”. No artigo, Edição definitiva para Seixas da revista UNIPÊ 2005 de João Pessoa, em um dos trechos diz o seguinte: “O livro que, em face da esmerada pesquisa documental, em fontes principais, permite exata visualização da ocupação do sertão paraibano e parte do nordestino, veio à luz enriquecido por vários textos de interpretação”; numa referencia ao Velho Arraial de Piranhas que teve a sua edição ampliada e revisada, cujo lançamento em Pombal foi feito em 09 de setembro de 2004, devido ao zelo e cuidado da viúva e colaboradora do autor, Sra. Zélia Carneiro Arnaud Seixas. É difícil dimensionar o valor do desbravador da nossa história,pois em sua obra de historiador e escritor deixou os seguintes títulos: O Municipalismo e Seus Problemas,Os Pordeus no Rio do Peixe, Viagem Através da Província da Paraíba, o Velho Arraial de Piranhas (Pombal) e Odontologia na Paraíba. Este último define bem a sua especialidade na vida secular, pois era cirurgião dentista formado pela Faculdade de Odontologia do Recife. O historiador paraibano, Professor José Otávio de Arruda Melo, falando sobre Wilson Seixas disse assim: “Pombal possui uma estrela de primeira grandeza nos céus da literatura brasileira” Não somente os historiadores paraibanos, mas também os mais destacados a nível nacional, mencionaram as obras literárias de Wilson Seixas como fonte autêntica. É isso que lhe dá ares de imortalidade e ser chamado o desbravador da nossa história.
*Radialista

LORD AMPLIFICADOR 1968 A 1985

O Lord Amplificador surgiu da necessidade que Pombal tinha de um meio de comunicação, após a desativação da “Voz da Cidade” em 1967. Em fevereiro de 1968, o comunicador Clemildo Brunet, instalou no centro da cidade, o Lord Amplificador, cujo nome LORD, no sentido figurado de “elegante” e do inglês “Senhor”, que tinha como slogan: O Som Direcional da Comunicação e o mais perfeito serviço de alto falante, foi instalado inicialmente na Rua João Capuxú (rua estreita) passando depois a funcionar no Box 48 ao lado sul do Mercado Publico. Era o único veículo de comunicação com o público na época. Em pontos estratégicos foram fixados os chamados projetores de som (cornêtas) de 20 polegadas. Com a Exigencia da empresa concessionária de energia elétrica de nossa cidade que determinou a retirada dos alto falantes da postiação, o Prefeito de então, Dr. Atencio Bezerra Wanderley, atendendo solicitação do Dr. Francisco Nelson da Nóbrega promotor Público aposentado, permitiu a localização dos citados projetores de som nos prédios públicos do Município, a começar pelo Mercado Público, direcionado a rua João Pessoa, Açougue Público em direção ao Bairro da Estação Ferroviária, e no Bar Centenário direcionado as Praças José Ferreira de Queiroga e Getúlio Vargas. Por deferência do Sr. Severino Ugulino, foi instalado um desses projetores ao lado da Loja dos Pobres, direcionado a Rua Cel. José Fernandes(rua do rio). Pouco tempo depois, o Lord Amplificador passou a oferecer uma nova modalidade de serviços ao seu público. Numa parceria com Genival Severo, também comunicador, Clemildo, trouxe o Lord Amplificador volante, que consistia em realizar propagandas e convites instalado em unidade móvel percorrendo as ruas da cidade. Na desenvoltura de fazer jus ao nome que lhe fora dado pelo seu proprietário, o Lord Amplificador, participava de maneira imparcial das atividades, econômicas, sociais, políticas e religiosas de nossa terra. Mantinha em sua programação a semelhança das emissoras de rádio, Jornalismo,Futebol, Música e outros entretenimentos, sempre com a sua discoteca atualizada e foi uma verdadeira escola na formação de locutores, pois para adentrar ao seu quadro de comunicadores era necessário um rígido teste a fim de avaliar a capacidade dos pretensos candidatos a locutor. O quadro artístico formado pelo seu proprietário Clemildo Brunet e ainda Genival Severo, Orácio Bandeira,José Ribeiro(Funcionário do BNB), Cezario de Almeida(Professor da UFCG), Evilásio Junqueira(Tv Borborema), Evandro Junqueira(Magão),Ernesto Junqueira( de saudosa memória), João Costa(Portal-paraiba.com.br),Massilon Gonzaga(Professor UEPB). Grandes exemplos foram marcantes, para se ter uma idéia, uma das primeiras locutoras que se destacou pelo seu timbre de voz, dicção, e interpretação de textos, era chamada na intimidade de Zefinha e chegou a receber elogios do Prefeito de então, Hildo de Assis Arnaud. O Lord Amplificador foi destaque na Copa do Mundo de 1970, realizada no México. Transmitiu o evento via sinal de rádio. Na Praça do Centenário a Prefeitura instalou um Televisor para o público assistir a cobertura da Copa. Pois bem, o povo via a imagem pela televisão, mas o áudio preferido era o do Lord Amplificador, pois abrangência do som atendia a demanda dos telespectadores. È verdade que o Lord Amplificador se foi, mais aqui e acolá tudo que se relaciona ao público daquele tempo esse Serviço de Alto Falantes está presente. Às cinco horas da tarde era transmitido diariamente um Boletim Policial, um número considerável de pessoas se reunia em frente ao Mercado público, para saber as últimas novidades da Delegacia de Polícia. Anúncios do filme do dia era uma constante do Lord Amplificador. Com o advento da Rádio Maringá AM e outras que chegaram logo depois,o Serviço de Alto Falantes Lord Amplificador emudeceu em 1985, deixando na história de Pombal um marco, como o mais perfeito Serviço de Alto Falantes daquele tempo. Pombal, 10 de maio de 2007. Clemildo Brunet – Radialista.

RÁDIO LIBERDADE FM 96.3Mhz INÍCIO-1993

DO SONHO À REALIDADE:
De um sonho de dois políticos (Luiz Clerot e Levi Olímpio), surgiu a idéia da concessão de mais uma emissora FM para Pombal. E no dia 02 de outubro de 1993, a Rádio Liberdade 96 FM levou ao ar, em caráter definitivo, sua programação. Inovadora, a Liberdade 96 FM desde seu começo, fez uso de uma linguagem dinâmica e irreverente que foram fundamentais para carimbar sua trajetória de sucesso. Sua equipe de profissionais tem como principais características o talento e o objetivo de novas conquistas, e o resultado disso é uma programação sempre capaz de levar diversão, entretenimento e informação aos seus milhares de ouvintes diariamente. Liderança em audiência, promoções, prêmios e interatividade aliada à independência jornalística e à boa qualidade de áudio e de seus profissionais, são a base do sucesso da Liberdade 96 FM, a Rádio do Sucesso. LOCALIZAÇÃO: A Liberdade 96 FM tem seu estúdio localizado à rua Coronel Cândido de Assis, 535, 1º andar, no centro de Pombal e seu transmissor localizado nas margens da BR 230, KM 405, saída para São Bentinho, zona rural de Pombal. PRIMEIROS DIRETORES: Os primeiros diretores executivos da Liberdade 96 FM foram Hebert Levi (filho de Levi Olímpio), Clemildo Brunet, Severino Barbosa e Roberta Fernandes. FUNCIONÁRIOS DA HISTÓRIA DA LIBERDADE 96 FM: Vários profissionais já fizeram parte do corpo funcional da nossa emissora. Os primeiros locutores foram Gregório Dantas e Barbosa Santos e os primeiros controlistas (operadores de áudio) foram: Valmir Lima (atual Bom Sucesso AM) e Davidson Formiga.O primeiro vigilante foi Aurélio Gomes. OS LOCUTORES QUE FIZERAM PARTE DA EQUIPE SUCESSO: Gregório Dantas; Juninho Pop; Clemildo Brunet; Orácio Bandeira; Tico Show; Valmir Lima; Jacinta Nogueira; Ceiça Nóbrega; Bertand Chaves; Afranildo Pereira; Carlinhos Mouse; Sirley Lima; Lena Azevedo; Jackson Travesso; Fábio Alves; Marcos Nascimento. ATUAIS FUNCIONÁRIOS: Deusiram Fernandes (Locutor e Diretor de Programação); Nil Alcântara (Apresentador, repórter); Naldo Silva (Jornalista) e Claudionou Dantas (Apresentador e Jornalista). Gilson Fernandes (vigilante) ATUAL DIRETORIA: Carlos Rogério Vieira e Neto Paixão (Diretores Administrativos) e Roumayne Fernandes Vieira (Diretora Executiva). INFORMAÇÕES TÉCNICAS: Identificação: ZYC 993Freqüência 96,3 MHzPotência de 2.500 WattsTorre (antena) com 105 metros de altura – uma das mais altas do estado – e quatro elementos irradiantes.Equipamentos modernos (Apel). Mesa de áudio de 24 canais.Estúdios aconchegantes de 30 metros quadrados. RESPONSÁVEL TÉCNICO: Engenheiro Eletrônico Robson Mangueira Bastos – CREA 6784 – D/PB AFILIADAS: A Liberdade 96 FM é hoje uma das emissoras mais conhecidas em todo estado, graças às grandes redes de rádios que ela faz parte.Afiliada da maior rede de rádios do Brasil: Estação SAT, transmitindo via satélite uma programação de qualidade e irreverente, a exemplo do Programa do Mução, imbatível na audiência no seu horário. Na área jornalística, faz parte também da rede de rádios que transmite o Programa “Conexão 92”, através da 92 FM de João Pessoa.E também da tabajara FM, emissora oficial, para transmissão de outros programas jornalísticos. PROGRAMAÇÃO NA INTERNET: A Liberdade 96 FM é a primeira emissora de rádio do sertão do estado a colocar, integralmente, sua programação através da internet. Foi a realização de sonhos, principalmente de conterrâneos que residem fora, que desejavam saber notícias da terrinha e ainda acompanhar a programação de uma emissora local, como se estivesse em Pombal. CONTATOS: Rua Cel. Cândido de Assis, 535, 1º andar, centro, CEP: 58.840-000 Pombal - PBFone: (83) 3431- 1108 – E-mail: mailto:liberdade96fm@pop.com.br

NOS ANOS 60

POMBAL SE COMUNICAVA ATRAVÉS DAS DIFUSORAS.
Jerdivan nobrega de araujo.
No inicio dos anos sessenta, A Rádio Difusora Maringá, na voz de seu Raimundo Sacristão, convidava o pombalense à participar dos bingos nos sábados á noite no Imperador das Novidades , de propriedade do Senhor Zuza Nicárcio.Eram os reclames das lojas comerciais que iam se alternando entre uma e outra música, sempre disputando a atenção dos pombalenses que passavam horas nas esquinas, escutando um som de primeira qualidade e apreciando a boa música, que era transmitida aos quatro ventos de Pombal, através das suas difusoras, colocadas sempre nos lugares mais altos e movimentados da cidade, tais como a Coluna da Hora e o frontopício do açougue.Às vezes a música era interrompida por um anuncio de "convite enterro" em outras para comunicar à cidade o nascimento de mais um filho de Pombal que, com a ajuda providencial de Maria José ou Maloura, acabara de vir alegrar mais uma família pombalense. Eram os dois lados de uma mesma moeda se alternando e se renovando através da radiofonia pombalense.As músicas apaixonadas oferecidas por enamorados, ou a simples lembranças de um aniversário, era o suficiente para que os comentários se espalhassem pela cidade.—Não esqueça da hora certa e da corrida do bicho. Lembrou Doutor cambista.Pois sim, como esquecer?Além do proprietário, a locução da " Rádio difusora Maringá" era confiada a Zeilton Trajano e ao garoto Clemildo Brunet que já começava a demonstrar a sua vocação para a radiofonia.Hoje os tempos são outros. A festa de Nossa Senhora do Bonsucesso, que era realizada sempre nos mês de setembro, ali ao lado da Matriz dedicada a padroeira da cidade, não existe mais, foi completamente suplantada pela Festa do Rosário. A Rádio Difusora que nascera quase que apenas para animá-la, também já deixou de existir. Em substituição, foi criado o serviço de alto falantes "A voz da Cidade " que tem aproveitado a onda da Jovem guarda para ganhar audiência través dos seus programas.A "A voz da Cidade" é uma pequena rádio comunitária, acoplado a um transmissor de ondas curtas, operando na freqüência de 3.722 Klsc, faixa de 45 metros, o que chega a cobrir uma distancia considerável. Não há pesquisas de opinião, mas pode-se dizer que a "pequena emissora" está ganhando na disputa pela audiência com a potente rádio Alto Piranhas de Cajazeiras.A discoteca, por exemplo, deixa a sua rival das terras do Padre Rolim, morrendo de inveja. A sua atualização é feita quase que simultaneamente com as melhores emissoras de Campina Grande, de forma que o último longplay de Ângela Maria já pode ser ouvido na "A voz da cidade", enquanto que a " alto Piranhas" ainda continua mostrando o seu disco anterior, como sendo novidade.A cada trinta minutos, como querendo esnobar com os relógios parados da coluna da hora, "A voz da Cidade" anuncia à hora certa. Às dezoito horas, a cidade silencia para ouvir " A Hora do Ângelus" ao som de a "Ave Maria" de Schuber.Os programas que mais têm marcado a emissora são: Brotolândia, tocando músicas da Jovem guarda e é apresentado pelo seu proprietário, o jovem Clemildo Brunet; "Varandão da Casa Grande", no final da tarde, que tem a frente Genival Severo; "A Pombal Boa Noite", apresentado por José Geraldo e Zé Hilton Trajano e, encerrando a programação, Noite da Saudade onde Eurico Donato faz uma retrospectiva das mais belas obras do cancioneiro popular.Nos lares mais pobres, rádios ABC Canarinhos colocados dentro ou encima das cristaleiras ou petisqueiras, são tratados como peças raras, assim com os demais biscuis. Sempre "vestidos" com trabalhadas capas brancas, onde na parte frontal pode-se ver um canário amarelo com o bico aberto de onde saem acordes que acabam por formar a palavra Radio, de forma a não deixar duvidas que ali estar um dos utensílios doméstico mais importante daquele lar.É através de "A voz da Cidade" que Pombal se comunica e os matutos ficam sabendo dos queimas das Lojas Paulistas, Casas Bandeiras, Lojas Primavera e na Camisaria de Tiquinho, Loja dos Pobres, além de outras novidades que vão chegando à cidade no decorrer destes anos sessenta que, é preciso que se diga, têm sido uma década bastante agitada e muita rica do ponto de vista cultural.

ACORDA POMBAL 145

Ignácio Tavares
NO TEMPO DA RÁDIO DIFUSORA TUPÃ: Rosil Cavalcante No início dos anos cinqüenta, o cenário político de Pombal sofreu algumas alterações, no quadro de suas lideranças, devido a presença de novos atores, além dos já conhecidos. Doutor Queiroga, velho prócer da política local, foi eleito prefeito tendo como vice o vereador, representante do então distrito de Lagoa, o senhor Francisco Vieira Pereira e ainda criou condições favoráveis para a eleição do médico Isaias Silva para nos representar na Assembléia Legislativa. O Doutor Queiroga faleceu em pleno exercício do cargo e o senhor Frâncico Pereira assumiu a titularidade da administração municipal, dando inicio um novo ciclo de liderança política, que durou várias décadas. O PSD, partido social democrático, liderado pela família Carneiro, assistiu à ascensão da UDN, união democrática nacional, sob o comando da família Pereira. O quadro preferencial da população, no que respeita a um e outro partido, era bastante equilibrado. Assim sendo, com o eleitorado bem dividido, era comum, a cada período eleitoral, haver alternância do poder. Isso foi bom porque gerou as condições ideais para que o povo pudesse fazer comparações do desempenho administrativo entre diversos gestores, que estiveram à frente do executivo municipal. Oxalá que continuasse assim, porque seria um excelente remédio para quebrar os grilhões da dominação política por grupos gananciosos e até certo ponto já viciados na prática de mutretas, extremamente prejudiciais ao tesouro municipal, através do mau uso do dinheiro do povo. Quero dizer com isso que, nessas situações os projetos prioritários são relegados a um segundo plano, em favor dos chamados projetos eleitoreiros. Por conta desse pequeno diferencial nas preferências do eleitorado, a disputa pela adesão de novos adeptos, pelos dois partidos, era bastante acirrada. O ambiente político tornou-se, até certo ponto agressivo, mesmo fora do período eleitoral. Foi nesse clima, que aportou em Pombal, um jovem radialista com o firme propósito de instalar um serviço de rádio-difusora moderno e diferenciado. Este jovem chamava-se Rosil Cavalcante. Para se estabelecer, queria um ponto bem central e próximo ao centro comercial da cidade. Esse ponto foi cedido por minha família, exatamente onde hoje funciona o serviço de reparação e conserto de refrigeradores do sobrinho Jerdy Nóbrega de Araújo. O prédio foi dividido em duas partes. Ao lado norte, funcionava a alfaiataria do nosso tio Lelé e ao lado sul o estúdio da Rádio Difusora Tupã. Pombal vivia um momento esplendoroso, do ponto de vista econômico, por conta da cultura do algodão, o ¨ouro branco¨, como era conhecido, por seu elevado valor de mercado. Circulava muito dinheiro no comercio e no bolso do povo. Não havia bancos, portanto o dinheiro era guardado no fundo do baú, em cofres de pessoas amigas ou em baixo do travesseiro. Dessa forma, em pouco tempo a Rádio Difusora Tupã, passou a ser o centro das atenções e logo conquistou corações e mentes do povo da terrinha. Assim sendo, a audiência era simplesmente espetacular. Rosil Cavalcante tornou-se querido e admirado por todas as classes sociais, posto que, o seu relacionamento com público, assim como a programação jornalística e musical, da Rádio Difusora Tupã, contribuíram para que ocorresem, consideráveis mudanças no modo de ser e pensar, em grande parte de população. Os políticos ficaram de orelhas acesas, em particular as espertas raposas da UDN. Dessa forma, não era apenas a programação musical e os comerciais que ocupavam os espaços da emissora. Isso porque de forma engenhosa e inteligente, o jovem empresário implantou um tipo de jornalismo até então desconhecido pelo povo. As noticias, que eram garimpadas e catalogadas pela sua secretaria e esposa, abrangiam todos os recantos do Brasil, do Estado, afora o noticiário local. As informações eram repassadas através de auto-falantes localizados em pontos estratégicos da cidade. Rosil não batia bem, politicamente, com o grupo da UDN. Isto porque o governo do estado, que pertencia aos quadros desse partido, com muita frequência cometia abuso de poder, por solicitações dos agentes locais, que, quase sempre resultavam em perseguições explicitas a funcionários e eleitores simpatizantes do outro lado. Coisas daquele tempo, que vez por outra ainda se repete em algumas administrações retrogradas e rancorosas. Com efeito, vez por outra, o jornalismo da Tupã, fazia algumas considerações desairosas à atuação do delegado de policia, que só prendia os adversários, assim como ao próprio governador do estado, o senhor Osvaldo Trigueiro, que transferia funcionários, a pedido dos seus correligionários, para lugares distantes de suas famílias, quando não podia demiti-los. A política em Pombal, assim como acontece nos dias de hoje, sempre estava na ordem do dia. Em ambos os lados haviam os partidários apaixonados. As rodas de discussões eram freqüentes e apimentadas com muitas futricas, envolvendo as lideranças políticos do município. Entre tantos apaixonados lembro-me do velho Sindô Gouveia, decano dos alfaiates da terra. Era um apaixonado pelo PSD. Um senhor de respeito, sorridente, brincalhão, de alegria transbordante, contagiante e por onde passava chamava atenção dos circunstantes. Por isso todo mundo admirava e gostava do velho Sindô ou Pai Dodô, como era chamado por filhos e netos. Acontece, que numa dessas discussões, o nosso saudoso Sindô, falou alguma coisa que aborreceu o núcleo duro e zangado da UDN. Não deu outra, emboscaram Sindô, numa boca de noite e bateram sem dó e piedade. A cidade ficou traumatizada e horrorizada com o nefasto acontecimento. Este ambiente de agressões a pessoas indefesas, deixou Rosil Cavalcante bastante motivado para dar ênfase ao jornalismo fundamentado nos acontecimentos da política local. Dessa forma, a questão do desrespeito a pessoa humana, passou a ser a âncora do jornal diário da Rádio Difusora Tupã. Centenas de pessoas acotovelavam-se em frente ao estúdio, para escutar os editoriais, que eram lidos antes do inicio do jornal de cada dia, escritos caprichosamente pelo editor do jornal. Rosil sabia muito bem o risco que estava correndo, diante das posições assumidas contra grupo em questão. Corajoso e destemido, em nenhum momento curvou-se à pressão da força repressora udenista, em assim sendo, continuou a deitar falação e denunciar firmemente os atos de barbárie cometidos contra as pessoas indefesos. O seu propósito era o de acabar, de uma vez por toda, com esse tipo de agressão perversa e gratuita. Não tardou, numa certa noite, quando encerrou a sua programação foi atacado por desconhecidos de forma brutal e humilhante. Diante do quadro de terror que se instalou na cidade, resolveu definitivamente sair de Pombal e decidiu fixar residência em Campina Grande. Mirado, no que conteceu com o saudoso Sindô e Rosil, há anos atrás e no que ocorreu recentemente, aqui na terrinha, envolvendo a esposa do senhor prefeito, pergunta-se: será que os velhos tempos estejam voltando? Custa-me acreditar, portanto, deixemos isso pra lá e continuemos a história da Rádio Difusora Tupã. Dessa forma, Pombal, perdeu o maior comunicador, sem desmerecer nossos jovens comunicadores de hoje, de toda sua história, mas em compensação o Brasil ganhou um grande compositor de música popular regional. Ao se estabelecer em Campina Grande, não sei se na rádio Caturité ou na Borborema, criou o famoso programa musical de caráter regional, conhecido como o ¨O Forró de Zé Lagoa¨. Foi a partir desse novo momento, que passou a tomar gosto pela música regional e resolveu compor letras e músicas para os cantores da região. Na segunda metade dos anos cinqüenta lançou ¨Sebastiana¨, que projetou JACKSON DO PANDEIRO, para todo Brasil. Depois fez o Cabo Tenório, Moxotó, Gabriela, Coco Social e tantas outras, gravadas por Jackson. Luiz Gonzaga, também gravou suas músicas, com retumbante sucesso, com destaque para o título ¨Véio Macho¨ e tantas outras. Mas, a mais importante composição de Rosil, em Parceria com Raimundo Asfora, que, no meu modo de pensar, é capaz de fazer parte de qualquer antologia da Língua Portuguesa, foi e ainda é, os ¨Tropeiros da Borborema¨. A beleza da letra e música é tanta que povo de Campina escolheu como a música do século passado. Rosil, jamais esqueceu Pombal. Em 1962, quando Dr. Avelino foi candidato a prefeito da terrinha, preparou um ¨Jingle ¨, aproveitando a música de Veio Macho e ajustada em parte, a uma outra letra bem apropriada para aquele momento. A letra era simples e por isso caiu no gosto do povo. Se não estiver enganado era ou menos assim: Cabra da peste nunca foi capacho, ô veio macho, ô veio macho, e assim por diante. Rosil, já está noutra dimensão. Mesmo assim meu caro e saudoso comunicador, poucos sabem o que você representou para o povo de Pombal, razão pela qual, escrevo este texto em homenagem a sua memória, que doravante, as novas gerações que nunca ouviram falar no seu nome, vão ficar sabendo que, no solo abençoado desta terra, ficaram as marcas do seu sangue, assim como de suas pegadas, que continuam abertas para que muitos possam trilhar pelo mesmo caminho. Digo, o caminho da dignidade e do respeito ao ser humano. Lá do alto, acredito que permaneça ainda com o olhar fixo no nosso velho burgo, revivendo boas e más lembranças, porem, na certeza de que aqui, ficaram plantados seus nobres ideais de justiça e liberdade. Ao velho, e saudoso Sindô, também as nossas lembranças e muito obrigado por ter vivido entre nós e ainda pelo seu temperamento brincalhão, pelo seu riso de criança feliz, permanentemente estampado no seu rosto e pela mensagem de paz e alegria que nos transmitiu, durante o tempo que viveu no nosso meio. Pai Dodô e Mãe Talina, é o nosso desejo que, vivam em paz na casa do Senhor. Até breve. João Pessoa, 06 de Junho de 2007 Ignácio Tavares - Filho da Terra de Pombal.

RÁDIO MARINGÁ AM DE POMBAL-1982


"RÁDIO MARINGÁ AM DE POMBAL-1982"
ClemildoBrunet*
Em 03 de abril de l982, um sábado a tarde, foi inaugurada em Pombal, a primeira estação de Radiodifusão convencional, emissora de amplitude modulada, onda média, frequência l490 quilohertz, batizada com o nome de Rádio Maringá – a caboclinha do sertão. Empresa pertencente ao Grupo Pereira, cujo, chefe do clã era o deputado estadual Francisco Pereira, pai do deputado federal Adauto Pereira que sendo empresário no ramo algodoeiro com usina instalada em Patos-Pb, assumiu a direção do empreendimento na condição de Diretor Presidente.
Na data acima citada, foi um dia de festa para cidade. Autoridades representativas do estado, a começar de sua excelência o Governador Dr. Tarcisio de Miranda Burity, do Prefeito do Municipio, Paulo Pereira Vieira, deputados estaduais e
Contada Por Verneck Abrantes: Quando Hildo Arnaud era prefeito, transformou o prédio da Sinuca de Pedoca em um Terminal Rodoviário. No dia da inauguração, a banda de música tocando velhos dobrados, discursos de agradecimentos e comes e bebes. Chega um ônibus procedente de João Pessoa e é grande a receptividade, o que faz o veículo de passageiros demorar mais que o normal. O motorista preocupado com o atraso, pede para o locutor oficial da festa anunciar a partida do ônibus, e ele fala em alto e bom som: - Atenção passageiros com destino a Cajazeiras, ocupe seus lugares que o ônibus já está num pé e noutro para partir.

MARINGÁ

Verneck Abrantes Maria de Ingá era uma linda cabocla que viveu na antiga cidade Pombal, no sertão da Paraíba, do lendário e glorioso Nordeste, que acossada pelo flagelo da seca partiu numa leva a caminho de outras paragens, onde o céu fosse mais justo e a terra menos desditosa. Ela deixou um vazio enorme na alma saudosa e apaixonada dos pombalenses que ficaram. MARINGÁ Uma Canção que Homenageia a Cidade de Pombal Maria é um nome comum nos sertões nordestinos. Ingá, uma cidade do agreste paraibano. A junção de Maria com Ingá deu formação à palavra Maringá, por exigência métrica de composição. MARIA DE INGÁ Maria de Ingá, entre tantas outras Marias, com certeza existiu e seria mais uma anônima retirante, entre centenas de outras retirantes, dos tempos passados, se não fosse por lembrança do Ruy Carneiro. Acredita-se que ela morou no sertão da Paraíba nos idos da seca de 1921, mais precisamente em uma das ruas periféricas da então pequenina e graciosa cidade de Pombal, e depois de ali viver por indeterminado tempo, partiu numa leva de retirantes a caminho de outras paragens, onde o céu fosse mais complacente e a terra menos desventurada. A juventude em flor, dona de uma beleza encantadora, corpo bem feito, pele morena, cabelos negros e olhos fascinantes, Maria deixou um vazio enorme na alma apaixonada e saudosa dos pombalenses que ficaram, segundo informações de Ruy Carneiro, na época um jovem seresteiro de 20 anos de idade. A verdade é que, na recantada Pombal de antigamente, Maria de Ingá, por sua singular beleza, chamou a atenção de Ruy e de outros seus conterrâneos. Comenta-se que o nosso futuro senador manteve, de forma sutil, uma inclinação afetiva pela cabocla, para depois guardar, durante muitos anos, no íntimo do coração, os sentimentos da saudade pela retirante que se fora. As particularidades dessas recordações foram narradas de uma forma descontraída, momento de uma conversa informal, ocorrida no Rio de Janeiro em 1932, quando ali dialogavam um consagrado músico e um saudoso político, a comentarem amenidades da região sertaneja, a exemplo da incidência das secas, as levas de retirantes, a música popular brasileira, composições poéticas, entre outros assuntos, verificando-se, assim, parte da história: Jaime Távora era secretário do Ministro da Aviação e Obras Públicas, José Américo de Almeida, também amigo comum do médico e compositor Joubert de Carvalho. Em um encontro casual num ônibus, que se deslocava pelas ruas do Rio de Janeiro, Jaime e Joubert, ao se depararem, surpresos, mostraram-se alegres, contentes mesmo, já que há muito tempo não se viam. Diante das muitas novidades que tinham para conversar, as horas se mostraram poucas para discorrerem sobre música, poesias, amigos e outras lembranças, o que motivou o secretário a sugerir um novo encontro na casa do compositor, agora com a presença do Ministro e outros convidados, o que foi aceito de imediato pelo poeta, mas antes, sem acreditar na proposta do amigo e para surpresa de Joubert, à noite lá estava em sua residência: o Ministro José Américo de Almeida, o chefe de gabinete Ruy Carneiro, o próprio Jaime e outros convidados. Alegres e descontraídos, cantaram e ouviram os grandes sucessos compostos e gravados por Joubert de Carvalho, a exemplo: Pra Você Gostar de Mim (Taí), De Papo Pro Ar, Zíngara, Pierrô, entre outros; depois dessa noite, Joubert de Carvalho tornou-se freqüentador do Gabinete do Ministro, até porque queria um trabalho de médico no Instituto dos Marítimos, onde terminou conseguindo o emprego e sendo mais tarde diretor desse hospital. Nessas visitas, por afinidade musical o poeta sempre procurava conversar com Ruy Carneiro - que foi um grande seresteiro pombalense, sabia cantar e tocar violão muito bem – momento em que o futuro senador instigou o poeta a compor uma música que falasse sobre a seca no Nordeste. Inicialmente, Joubert pensou na cidade do Ministro José Américo, mas ponderou, achando que o nome da cidade de Areia não dava boa rima, sabendo também que ali não ocorriam as prolongadas faltas de chuva, quando comparada à região sertaneja; então, voltou-se para Ruy e perguntou: - Onde você nasceu? - Nasci em Pombal, sertão da Paraíba. Dai começou a relatar as ocorrências das secas na região, a tristeza da devastação, a dispersão das famílias, os retirantes e, em meio a tudo isso, o encantamento de Maria de Ingá, que ali viveu e depois partiu deixando saudades... - Onde a seca foi mais rigorosa? Ruy citou vários lugares da Paraíba, entre outros falou da cidade de Pombal e de Ingá, por lembrança de Maria. - Então é Maria de Ingá. Pensando assim, Joubert ali mesmo fez a junção das palavras que poeticamente se tornou Maringá e, para deslumbramento de Ruy, ele cantou pela primeira vez a canção, que logo se tornou um verdadeiro hino para a cidade de Pombal e que a faz conhecida, em grande parte do País, como a Terra de Maringá. Há quem diga que Ruy Carneiro colaborou na letra e música. A CANÇÃO MARINGÁ Foi numa leva Que a cabocla Maringá Ficou sendo a retirante Que mais dava o que falar E junto dela Veio alguém que suplicou Pra que nunca se esquecesse De um caboclo que ficou Maringá, Maringá Depois que tu partiste Tudo aqui ficou tão triste Que eu garrei a maginá Maringá, Maringá Para haver felicidade É preciso que a saudade Vá bater noutro lugar. Maringá, Maringá Volta aqui pro meu sertão Pra de novo o coração De um caboclo assussegar Antigamente Uma alegria sem igual Dominava aquela gente Da cidade de Pombal Mas veio a seca Toda a chuva foi simbora Só restando então as águas Dos meus olhos quando chora. A GRAVAÇÃO A gravação original foi feita em disco RCA Victor, por Gastão Formenti e orquestra sob a regência de João Martins, em 13 de julho de 1932. Carlos Galhardo, um dos melhores cantores da época, fez uma gravação em 1939 e outra de 1957, com a orquestra RCA Victor Brasileira, com grande sucesso de público e venda de discos; a música consagrou de vez o compositor. Canção concebida em estilo regionalista, Maringá, segundo pesquisadores, é uma criação pioneira, a primeira a tocar no tema seca; posteriormente, tão decantada no Nordeste e demais solos brasileiros. É considerada a mais expressiva das composições de Joubert de Carvalho, seu sucesso em rádio e disco foi tão grande que acabou por fornecer o nome a uma cidade do Estado da Paraná. A CIDADE Uma empresa denominada Companhia Melhoramento Norte do Paraná, com fins de desenvolvimento agropecuário do Estado do Paraná, decidiu construir uma cidade, loteando todo o território maringaense, cujos operários, em sua maioria nordestinos, trabalhavam cantando sempre a mesma canção: Maringá, isoladamente ou em grupos, instantes em que se reuniam durante a noite para amenidades do trabalho, lazer ou por lembrança da região de onde haviam partido. Quando esses homens terminaram sua missão, a cidade estava pronta para receber seus habitantes e suas leis. As terras da região com seus solos profundos, fertilidade natural, topografia suave, plana e, especialmente, com chuvas regulares e bem distribuídas no período do inverno, estavam prontas para receber as sementes de café, trigo, arroz, milho etc., destinadas ao plantio, aos trabalhos de tratos culturais, colheitas e comercialização desses e outros produtos ligados ao setor agropecuário. O NOME Uma cidade que homenageia a canção Maringá. Estavam em reunião os Diretores da Empresa para escolha do nome da nova cidade; eram várias sugestões, inclusive nomes que traziam denominações de vilas ou cidades da Inglaterra, uma forma de querer homenagem os fundadores do lugar. Diante das discussões, e verificando que não se chegava a um consenso, então a senhora Elizabeth – inglesa, mulher de Henry Thomas, Presidente da Companhia – começou a falar: - Estão procurando um nome para a cidade? Pois existe de uma canção brasileira lindíssima, denominada Maringá. E quando terminou de falar foi aplaudida demoradamente. A cidade já tinha um nome. A reunião dos diretores da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, por unanimidade logo batizou a cidade com a designação de Maringá. Um distrito criado em 10 de maio de 1947 e elevado a município pela Lei nº 790, de 14 de novembro de 1951, com área desmembrada do município de Mandaguari, no Paraná. CONCLUSÃO A canção Maringá foi uma magistral inspiração poética, que homenageia, com exclusividade, a cidade de Pombal, na Paraíba. O poema diz respeito à seca no sertão nordestino, sua gente, a saudosa retirante que partiu deixando saudades, poeticamente transformada em uma belíssima canção que o povo pombalense tem no coração como verdadeiro hino, momento em que sempre é cantada quando ocorrem os grandes encontros dos filhos da terra. No Estado do Paraná nascia, tempos depois, uma cidade onde os homens trabalhavam cantarolando a música, para mais tarde ser batizada com esse mesmo nome, ficando as duas cidades irmanadas pela mesma canção. Primeiro, a cidade de Pombal, que ofereceu a história para inspiração poética; segundo, a cidade de Maringá, pelo brilhantismo da adoção do nome, apesar da grande distância que a região tem com a realidade do sertão nordestino. Joubert Gontijo de Carvalho Nasceu no dia 6 de março de 1900, na cidade de Uberaba, Minas Gerais, filho do casal Tobias de Carvalho e Francisca Gontijo de Carvalho. Até os 13 anos de idade viveu ligado ao campo, quando se mudou para São Paulo com toda a família e fez o curso ginasial. Em 1920, Joubert seguiu para o Rio de Janeiro, a fim de estudar medicina. Na bagagem de seus 20 anos de idade iam também 20 músicas. Com uma mesada do pai de 500 mil réis e 600 mil réis que recebia das editoras de música, Joubert viveu como estudante rico. Formou-se em medicina em 1925, casou-se com Elza Farias de Carvalho em 1927, nascendo um único filho: Fernando Antonio. Joubert de Carvalho foi médico, excelente músico e também escritor. Faleceu em 20/09/1977. Ruy Vieira Carneiro Nasceu no dia 20 de agosto de 1901, na cidade de Pombal-PB, filho do rábula João Vieira Carneiro e Márcia Carneiro, conhecida como Sinhá Carneiro. Vindo para a capital, estudou no Liceu Paraibano. No ano de 1925 casou-se com Alice Almeida; não tiveram filhos. Foi Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife-PE, em 1927. Alguns cargos que exerceu: Diretor do Jornal Correio da Manhã, Oficial de Gabinete do Ministro da Aviação e Obras Públicas, Deputado Federal–1935 a 1937, Advogado do Banco do Brasil, Interventor Federal do Governo da Paraíba–1940 a 1945, Senador eleito em quarto mandatos consecutivos: 1950, 1958, 1966 e 1974, estabelecendo um caso único na história da República Brasileira. Ruy Carneiro faleceu no dia 20/07/1977; foi sepultado no cemitério da Boa Sentença, em João Pessoa-PB, sendo acompanhado por mais de 50 mil pessoas, entoando a canção MARINGÁ. UMA COINCIDÊNCIA Quando se observa a data do falecimento do senador e do poeta, 20/07/77 e 20/09/77, respectivamente, verifica-se que, em um intervalo de dois meses, a canção Maringá ficou duplamente órfã; no entanto, essa canção, considerada o mais comovente hino à saudade do homem sertanejo, agora e por todos os tempos, será eternamente uma lembrança no coração do povo pombalense e maringaense, graças a Ruy Carneiro e Joubert de Carvalho. Fonte: Nossa História, Nossa Gente N° 03 Verneck Abrantes.