CLEMILDO BRUNET DE SÁ

AINDA ESCUTO A DIFUSORA DO LORD AMPLIFICADOR

JERDIVAN NÓBREGA DE ARAÚJO (Foto)
"Quando eu for embora para bem distante e chegar à hora de dizer a adeus " A difusora do Lord Amplificador não dá tréguas aos meus ouvidos. Cada música ali tocada expõe em carne viva a saudade que arrebenta no meu peito, dilacerado pelo tempo e pela distancia. Eu ficaria horas aqui neste batente da Coluna da Hora, meu observatório do tempo, vendo as meninas que voltam do Josué Bezerra e os rapazes que vão ao Arquidiocesano; o repique do Sino da Matriz; o jeep de Padre Oriel e Fagundes com o cartaz do Cine Lux nas costas. O meu pai bem ali a prosear com tio Cândido e toda esta monotonia bucólica da minha terra. Vejo com tristeza a saída de mais um ônibus da Aviação Gaivota, cheio de pombalenses a deixar tudo que era de seu para trás. O meu pai sempre dizia que não havia outra alternativa aos filhos de Pombal, senão embarcar no "bacurau", só voltando uma vez a cada dois anos, na Festa do Rosário, para rever os amigos e parentes mesmo que fosse no Cemitério. - Há os que fazem questão de anunciar no Lord Amplificador que estão na cidade, mas têm também os que o Lord faz questão de anunciar a sua chegada na Terra de Maringá. Dizia meu pai. O Clemildo advinha a nossa aflição e, intuitivamente, joga no "prato da radiola", nos nossos ouvidos e nos nossos corações, o ultimo sucesso de Agnaldo Timóteo, antes de anunciar a volta de mais um filho de Pombal. "Se algum dia a minha terra eu voltar quero encontrar as mesmas coisas que deixei. Quando o trem parar na estação eu sentirei no coração a alegria de chegar, de rever a terra em que nasci e correr como, em criança, nos verdes campos do lugar...". Sabe-se da importância de uma organização para um povo ou para uma cidade quando esta organização passa ser referencia para seu povo. O Lord Amplificador de Pombal teve uma dimensão tamanha para a nossa geração, nos idos anos de 1970, que era de fato uma referencia. Esperavam-se as horas anunciadas pelas difusoras do Lord. Anunciavam-se os extremos do nascimento e da morte de filhos de Pombal e o convite a missa de sete e trinta dias. A musica oferecida por toda a família pelo aniversariante daquele domingo também estava na difusora do Lord Amplificador. - Não fosse o anuncio do Lord Amplificador eu não teria comprado àquela bicicleta em 24 vezes nas Lojas Paulistas. - Eu tenho um segredo para te contar. Dizia a fofoqueira de plantão. - Essa não é novidade. Já deu até no Lord. A minha mãe sempre alertava para que eu estivesse em casa antes da Difusora do Lord sair do ar. Assim eu fazia. Quando em uma conversa, intuitivamente levantávamos a voz, o interlocutor alertava: - Coloca logo no Lord, se quer que todo mundo saiba. A vida simples e boa da minha cidade, onde eu tinha tempo de sentar em um batente apenas para ouvir uma nova música de Roberto Carlos, faz de mim um homem preso ao passado. A sombra das algarobas me traz a lembrança do som de um "bozó" a tilintar em um copo de alumínio e ser jogado, não sem antes assoprar, em um tabuleiro de Ludo, onde eu e mais outros companheiros matávamos o tempo, ao som da difusora do Lord Amplificador de Pombal: O Som Direcional da Comunicação

HISTÓRIA DA RÁDIO MARINGÁ AM DE POMBAL!

CONTADA POR FÁTIMA JÓ (Foto) Clemildo! Parabéns pelo seu aniversário e que Deus multiplique os anos de vida com muita saúde, paz e felicidade juntamente com todos os seus. Ter um amigo como você é um grande privilégio, pois apesar de trabalharmos pouco tempo juntos, nunca perdemos o contato. Você sempre esteve presente nos bons e nos momentos difíceis de minha vida. Você Clemildo é a simplicidade em pessoa; trata a todos com a mesma atenção. Prova disso, era a amizade que você tinha com o meu pai, uma das pessoas mais simples que já convivi e que teve o prazer de te conhecer melhor. Ele não usava a nossa linguagem de pai da comunicação mas, no seu simples linguajar, ele dizia foi Clemildo quem criou o Rádio aqui Pombal e muita vez falava-me da Difusora do LORD AMPLIFICADOR. Como ele te admirava! E transferiu prá mim, toda essa admiração e respeito pela sua pessoa, pela sua profissão que mais tarde ensinaria não só a mim, mas a tantos outros radialistas. Não é toda cidade que possui um Clemildo Brunet, que lutou com toda garra para trazer o primeiro Rádio a nossa cidade. E foi com humildade que no meio de pessoas tão importantes, tornou-se importante para a nossa história. Tudo que você fez, foi com muito amor e muita intensidade, porque quando se propõe fazer algo se entrega por completo. Clemildo, precisa ter mérito para ser lembrado e admirado em vida, e você conseguiu essa proeza, mais do que justo, pois fez por merecer. Homenagem é essa que fazemos em vida; que nos emociona e nos faz reviver bons momentos e sentirmos gratificados por existirmos e por ter a certeza de que valeu a pena lutar pelos nossos ideais. O esforço, a dedicação de cada trabalho que você realizou e que se Deus quiser, ainda o fará por muito tempo. Parabéns! Mais uma vez por você ser um iluminado, predestinado e escolhido de Deus. Pois faz questão de colocá-lo acima de tudo. Nunca pisou ninguém prá ser o que é, tornou-se esse ícone da comunicação pombalense por mérito próprio e você conseguiu essa proeza desempenhando bem o seu papel de comunicar com seriedade, coragem, criatividade, verdade e respeito para com o seu público. Você Clemildo! Tem um papel muito importante na minha vida em dois momentos: 1º - Quando me tornei Radialista e por motivo da minha timidez, eu era um pouco travada e fazendo uma Tarde é Nossa com você; você me disse: “Solta essa voz sem medo que ela é bonita e você tem potencial”. Ouvi isto de você foi como se eu tivesse feito um teste e tirado um dez. Apartír daí me senti mais segura e acreditei em mim mesma e não demorou para que eu me tornasse a 1ª Mulher Radialista Pombalense. Comecei como controlista, discotecário, recepcionista, caixa, fiz vários comerciais, até chegar a apresentação de Programas, em fim; me apaixonei pelo o Rádio e fui uma polivalente. É porque o Rádio possui esse poder de sedução. Fiz vários Programas como “O Nosso Mundo do Disco”, antes, apresentado pelo saudoso Gregório Dantas; “Roberto Carlos e seus Convidados” As Canções do Rei, Conjuntos Musicais, Informativos de hora em hora, e Músicas que Marcaram Época. Tive a oportunidade de fazer o Jornal Maringá duas vezes com você que nesse tempo era o Diretor da Rádio Maringá AM, e comandava todas as manhãs no horário nobre a minha marca registrada: O Programa “Manhã Revista” de grande audiência, por ser um Programa bem diversificado que ainda hoje tenho o orgulho de tê-lo apresentado. O 2º - momento importante da minha vida que você participou deixei prá final e fazer-te uma surpresa! Talvez, você nem lembre dessa foto. Foi muito marcante tê-lo como meu padrinho de formatura. Desculpe mais uma vez lembrar-me do meu pai, mas, é que ele o escolheu como seu substituto para me conduzir até o palco para receber meu Diploma e com muito orgulho acatei sua decisão. Até que não sou tão travada para escrever, porque se fosse escrever tudo que vivenciamos de bom no trabalho, levaria folhas e folhas de papel, porque nossa profissão era uma diversão. O prazer de bater a máquina toda Programação Musical e ser seguida a risca, de carregar pilhas e mais pilhas de discos para o Studio, de correr a pé atrás de uma notícia, de começar uma “A Tarde é Nossa” às duas da tarde, Dia das mães, dos Pais, dos Namorados etc. e só parar quando não houvesse mais nenhuma carta a ser lida, de fazer uma cobertura de Eleição sem ir em casa nem almoçar, era muito gostoso a equipe toda feliz, cada um com sua missão pronta para detonar. E o melhor vinha depois de tudo realizado, o prazer, a gratificação de ouvirmos dos donos e do povo: Parabéns! Vocês arrasaram! Imagine se tivéssemos a tecnologia de hoje. Clemildo, obrigada por ter tido a chance de trabalhar com você e aprender o pouco que sei. Obrigada por você ter sido um grande Professor. Obrigada por você ser meu amigo de verdade e torcer sempre por mim. Obrigada por você existir e de juntos fazermos parte da História Radiofônica de Pombal. Mil Parabéns! E cento e muitos anos de vida prá você. Com um abraço respeitoso. Fátima Jó. RADIALISTA

ANTONIO JOSÉ DE SOUSA: O ESCRITOR AUTODIDATA!

CLEMILDO BRUNET* (Foto) Vez em quando a natureza nos presenteia com pessoas dotadas de inteligência natural, vindo depois manifestar o seu conhecimento, revela-se como expoente marcante na trajetória política, social, religiosa e cultural de sua gente. Assim foi com o historiador e escritor Antonio José de Sousa. De origem humilde, procedente da zona rural do município de Lagoa Paraíba,chegou a Pombal com 12 anos de idade. Vindo a falecer em 1986 aos 95 anos de Idade. Em seu livro “Apanhados Históricos Geográficos e Genealógicos do Grande Pombal”, no Prefácio feito pelo bacharel em direito e ex-Secretário de Educação da Paraíba, Dr. José Medeiros Vieira, ele diz que Antonio José de Sousa, era amigo do seu pai que foi um autêntico virtuoso em conversas na calçada. “Antonio José de Sousa, teve, anos a fio, sua cadeira cativa nas rodas que se formavam, todas as tardinhas, lá em casa, no velho Pombal, para comentários habituais sobre figuras e acontecimentos políticos da época” No Capítulo Explicação Necessária em seu livro, Antonio José de Sousa em um trecho escreveu o seguinte: “A partir de 1912, venho narrando fatos do meu conhecimento pessoal, como testemunha presencial. Porque, iniciando-me em política naquela época e passando a ser político militante, modesto, até a presente data tenho tomado parte no que de mais importante, no setor político-administrativo do nosso município, se tem registrado, desprezando, todavia, detalhes e minúcias, que muito nos interessariam em particular” Filho de José Trajano de Sousa e Francisca Izabel de Moura, que eram considerados por ele “O expoente das virtudes” e sua genitora que apesar de pobre era chamada pela vizinhança “A mãe da Pobreza”. Teve uma infância labutando na agricultura, aluno de primeiras letras do professor Simplício, famoso de palmatória na mão, desasnando muitas gerações naqueles ermos afora. Antonio José de Sousa, indiferente as atitudes de crianças e adolescentes de seu tempo, começou sua vida na cidade de Pombal, nos balcões da botica de João Queiroga, com estágios posteriores em outros estabelecimentos comerciais. Antonio José de Sousa, era corajoso e firme na maneira de escrever. De 1935 até o fim de 1939 foi Secretário da Prefeitura, na gestão do então Prefeito Francisco de Sá Cavalcante, Este, o incumbiu de responder as constantes indagações partidas do Governo Federal, querendo informações sobre assuntos históricos do município de Pombal, procurou em seu arquivo velhos almanaques e coleções de leis do Estado da Paraíba, além de vários compêndios da História da Paraíba, como de: João Lira Tavares, Coriolano de Medeiros, Dr. Manoel Tavares Cavalcanti, Irineu Pinto, Celso Mariz e Luiz Pinto. Número grande de correspondência informativa, foi dirigida ao IBGE, Agencia da Paraíba, ao Dr. Felinto Muller, então chefe de Polícia do Governo Getúlio Vargas. Antonio José de Sousa, ao tempo da Administração Francisco de Sá Cavalcanti, recebeu delegação do chefe do executivo pombalense, para organizar os limites intermunicipais e os interdistritais. Com o aval do Prefeito, marcou encontro com todos os Prefeitos dos municípios vizinhos: Coremas, Sousa, Catolé do Rocha, Brejo do Cruz, Patos, Malta. E Assim ficou traçado os limites do município de Pombal com os seus vizinhos, que depois de firmados nos apontamentos necessários, Antonio José de Sousa, redigiu o Decreto Lei, que foi assinado por ele e pelo Prefeito Francisco de Sá Cavalcanti sendo posteriormente, transformado em Lei Estadual. Antonio José de Sousa que também exerceu o cargo de Secretário da Prefeitura na gestão do Prefeito Dr. José Ferreira de Queiroga, disse que uma das preocupações deste gestor era mandar escrever a história de Pombal e como Prefeito acertou com o historiador Celso Mariz a execução do seu plano. Celso Mariz esteve em Pombal proferindo palestra sobre a nossa história, o que seria parte principal do seu livro, ficando na obrigação do secretário a remessa de alguns dados, que foram enviados através de várias correspondências. Com a morte do Dr. Queiroga, o livro não foi editado, sendo devolvido o material ao seu lugar de origem. Daí, aos setenta e quatro anos de idade, Antonio José de Sousa escreveu o livro: “Apanhados Históricos, Geográficos e Genealógicos do Grande Pombal”. Diz o prefaciador desta obra literária: “O livro não obedece a um plano definido, nem sequer uma sistematização de matérias. O autor não tem maiores pretensões e é bom que assim seja. Confessa-se desde logo um homem de primeiras letras – o antigo aluno do Professor Simplício- e isso não é nenhum desdoro, sobretudo para quem conseguiu superar-se a si mesmo,à custa de seus próprios esforços, nesse autodidatismo contingente que presidiu a formação intelectual dos homens do seu tempo, alguns dos quais incluídos na galeria de paraibanos ilustres com direito a retrato na parede em salões nobres até de instituições culturais. Ele próprio, diz José Medeiros Vieira, já o vi a receber menção honrosa das mãos do Governador do Estado, em noite de cultura, ao lado de artistas e escritores paraibanos de nomeada”. O nosso escritor autodidata, foi Tabelião Público e lugar-tenente do Dr. Queiroga, nas duras lutas e entraves das refregas políticas municipais. Participou ativamente das festas sociais e religiosas. Na atividade política era o responsável pela publicação de boletins e manifestos subscritos pela direção partidária, no entanto nunca quis ser candidato a cargo de qualquer natureza. Era de inteira confiança dos seus partidários, mas, atraia para si o rancor dos adversários, dias que eram marcados pela violência. A sua satisfação era a porfia em si mesma, levado pela emoção no campo da batalha. De repente se transfigurava, o leão voltava a ser o cordeiro, protegido nas asas da religião, atendendo o chamado do sino da Igreja matriz para o novenário da Padroeira. Antonio José de Sousa, era um profundo admirador de Epitácio Pessoa. Por ocasião do Centenário do paraibano de Umbuzeiro, foi realizada uma sessão especial no auditório do Cine Lux, presidida pelo Dr. Ananias Gadelha, juiz de então, da comarca de Pombal, quando nosso escritor autodidata foi o orador oficial da solenidade. Nos Vinte e cincos anos de ordenação do Monsenhor Abdon Pereira, foi realizada a maior festa cultural que já houve em Pombal, fazendo parte dela. D. José Medeiros Delgado, arcebispo do Maranhão, D. José Mousinho, bispo de Cajazeiras e mais de sessenta padres e seminaristas, sob a presidência de Antonio José de Sousa, na condição de representante do Prefeito de então Dr. José Ferreira de Queiroga. Para finalizar esta homenagem que presto a Pombal nos seus 145 Anos de Elevação a cidade, através dos nossos historiadores e escritores, que ocuparam esta minha coluna, quero mais uma vez enfatizar os dotes recebidos pelo nosso homenageado de hoje, quando na sua humildade assim se expressa: “Escrevendo a história de Pombal, notadamente de meio século a esta data, escrevo, não há dúvida, a história da minha vida pública. Se não como fez Joaquim Nabuco no seu grande livro A MINHA FORMAÇÃO, faço-o dentro dos estreitos limites de minha obscura capacidade intelectual e da minha humilde formação”. PARABÉNS POMBAL PELOS 145 ANOS DE ELEVAÇÃO A CATEGORIA DE CIDADE! *RADIALISTA CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/

UMA SAUDADE INCONTIDA!

POESIA DE UM EX-INTEGRANTE DO LORD AMPLIFICADOR NOS IDOS DOS ANOS SETENTA! Acordei com saudade da minha infância saudosa, Tão distante no tempo e tão próxima na memória, O cheiro do umbuzeiro ainda conservo forte E trago na boca o gosta do cajá mais maduro e doce; Não esqueço o olhar severo e corretivo da professora, Naquela escola improvisada na igreja do Rosário, Dos colegas são poucos os rostos que lembro ainda, Recordo da menina na primeira fila olhando-me sorrindo; O banho no rio com os moleques do meu tempo, O jogo de bola de pano num terreno qualquer, A feira aos sábados e o meu primeiro emprego, Detalhes de uma vida que não posso esquecer; O som do Lord Amplificador na coluna do relógio, Produzido no lado sul do mercado público municipal É uma marca indelével que ficou do meu passado, São marcas profundas da minha querida Pombal.
Sergio Kante www.kantepoemas.com.br

DONA CESSA: A ESTRELA, ESCRITORA, NOSSA MADRINHA!

CLEMILDO BRUNET* Quando pensamos em estrela, pensamos em algo que brilha, que se destaca e que é sinônimo de um astro que possui luz própria. Se olharmos para o céu veremos milhões e milhões delas a brilhar no infinito. Cada estrela resplandecente, tem uma missão a cumprir. Estrela é nome dado também a celebridades de cinema, TV, teatro e das artes em geral. A nossa homenagem neste artigo, vai para uma estrela pombalense, que com sua verve poética já lançou três obras primas e na sua desenvoltura já lhe assegura o direito a um espaço na área literária. Maria do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes, dona Cessa, como é carinhosamente tratada pelos amigos. Escritora, poetisa, artista plástica, fundadora e presidenta da Academia de Letras de Pombal, madrinha dos radialistas de nossa terra, o que é uma honra para nós, título que lhe foi dado pelo radialista pombalense, Orácio Bandeira. Fundadora da Associação Poética Pombalense ASPONPS, “Professor Newton Pordeus Seixas”, Fundadora e Coordenadora do Tinju- Teatro Infanto Juvenil. Casada com Francisco Fernandes da Silva (Bibia), tem um lar feliz, mantido com a força do amor, da compreensão e de verdadeira doação, premiados por Deus, com cinco filhos: Francisco, Francimar, Antonio Neto, Rômulo e Cândida Florêncio. Dona Cessa, é graduada em letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Cajazeiras e fez ainda pós graduação em língua portuguesa. Dela disse o emérito historiador e escritor pombalense, Wilson Nóbrega Seixas: “A nossa poetisa Cessa, já nasceu assim, porque trouxe nas veias, o sangue dos primitivos habitantes das Algarves, distrito e província de Portugal, que povoaram os sertões da Paraíba, na segunda metade do século XVIII; em qualquer época teria naturalmente de manifestar a sua vocação poética e a sua inteligência privilegiada, como um fruto que já brotasse amadurecido, ou uma rosa que já surgisse aberta em pétalas” A professora Diana Maria de Oliveira Assis, também falou sobre dona Cessa: “A imortal poetisa Cessa, foi também agraciada com os dons belos de Deus, reforçados com a dinâmica e rica influencia da arte poética, emitida por seu patrono, professor Newton”. Escada de Sentimentos (1991), primeiro livro de Dona Cessa. A poetisa traduz em versos: Paz...Tristeza... Saudade... Felicidade... Amor... Onde ela exprime seu pensamento: “A minha vida consolida-se na maior oração; AMAR. Oração expressa por um verbo de ação ilimitada, indissolúvel e invejável. Exemplo edificante de Cristo. Força que nos ascende ao Paraíso Celestial. O amor para mim, é o tribunal de paz, justiça e de felicidade”. Sentenciou a poetisa. Parabéns, Pombal! História Viva da Comunicação (1999), Um verdadeiro documentário onde dona Cessa retrata as homenagens prestadas aos comunicadores de Pombal, em um programa de rádio, evento de iniciativa de dois líderes comunitários, Salomão da Silva Oliveira e Vicente Liberato Filho das Comunidades: Jardim Petrópolis e Nova Vida, baseados em pesquisas feitas nos diferentes seguimentos da sociedade de Pombal, promoção essa transmitida pela Rádio Bonsucesso no dia 19 de dezembro de 1998. Nessa ocasião houve entrega de comendas e a palavra foi facultada a cada homenageado. Convidado pela produção do programa, o radialista Orácio Bandeira fez a entrega do título de Rainha do Rádio e dos Comunicadores a estrela, escritora e nossa madrinha, Maria do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes. Homenagem e Resgate (Prosa e Poesia) (2001) No Centenário de nascimento do Senador Ruy Carneiro, dona Cessa lança essa obra literária, numa alusão a Ruy Carneiro e a Canção Maringá. A poetisa mostrando também as suas habilidades nas artes cênicas, monta neste livro uma peça de teatro, intitulada “O Hino do Sertão”, com a participação de estudantes de nossa terra, para formação do elenco representativo dos seguintes protagonistas da história da Canção Maringá. Jourbert de Carvalho – médico e compositor, Jaime Távora, Secretário do Ministro da Aviação José Américo de Almeida; Ruy Carneiro Chefe de gabinete do Ministro e Carlos Galhardo, como intérprete da música. Essa peça, resgata a verdadeira história da canção Maringá e foi exibida primeiramente em Pombal no auditório da Escola Estadual Arruda Câmara e no dia 25 de agosto de 2001, em João Pessoa capital do Estado, a Convite da Presidenta da Academia Paraibana de Poesia, Dra. Helena Raposo Carneiro Cunha, ocasião da celebração do Centenário de nascimento do Senador Ruy Carneiro, foi apresentada com muita galhardia no auditório da própria academia, na presença de familiares de Ruy Carneiro, autoridades, dos acadêmicos, e caravana de Pombal. Neste livro Homenagem e Resgate (Prosa e Poesia), dona Cessa mostra sua versatilidade de pesquisadora autêntica, dissipando dúvidas sobre a origem da canção Maringá. Na exibição da peça em João Pessoa, foi mostrada uma faixa, na qual estava escrita: “Ruy Carneiro é uma moeda encastoada em ouro no coração da Paraíba” de autoria da Professora Ivanil Salgado de Assis. Em 23 de agosto de 2001, época em que eu fazia o Comentário do Dia, no programa Orácio Bandeira, da Rádio Liberdade FM, escrevi uma crônica homenageando dona Cessa, sob o título: “A Estrela e a Cor da Canção”, no arremate do texto finalizava dizendo:“Brilha Pombal, vai brilhar no ponto mais oriental das Américas, com a estrela e a cor da canção”! Dona Cessa, Pombal está comemorando 145 anos de elevação a categoria de cidade, creio que, pela primeira vez a senhora, nossa madrinha, se ausenta de nossa terra em razão de problema de saúde que estás enfrentando na capital do Estado. A senhora faz parte de nossa história, estamos todos numa corrente torcendo pela sua recuperação, a sua ausência é sentida por todos nós neste momento, em que a sua cidade natal está aniversariando. Volte logo, este é o nosso anseio, aí então, a estrela vai brilhar novamente e desta vez, será no sertão da Paraíba. *RADIALISTA. CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com/

CESSA LACERDA, PARABENIZA POMBAL PELOS 145 ANOS DE CIDADE!

João Pessoa, 21/07/07 Prezado Clemildo, Abraços cheios de saudades! Li na net o texto do dia 19 deste que você publicou em referência a mim nas homenagens de aniversário da nossa terrinha querida. Não me surpreende você referenciar a minha pessoa nesta data tão importante, não obstante, me emociona e alegra. Conheço há muito tempo a sua idoneidade para com os fatos que ocorrem na comunicação da nossa terra, pois venho acompanhando os seus escritos, que sempre ilustram tudo e a todos com uma sensibilidade virtuosa, julgando os fatos que ocorrem no dia a dia de nossas vidas, transmitindo verdade e brilho. São estas qualidades admiráveis que constituem a sua identidade moral e profissional. Parafraseando o pensamento do saudoso e admirado Pe. Leo: “QUANDO A GRAÇA DE DEUS SE ENCONTRA COM UM ESPÍRITO PURO E BATALHADOR OS MILAGRES ACONTECEM”. A COMUNICAÇÃO e o RADIALISMO foram, portanto, os milagres que ocorreram na nossa terrinha através do brilho da sua inteligência e capacidade quando abraçou com dignidade e amor a causa da radiofonia pombalense. Você legou aos meus outros afilhados o brilho da comunicação, fator que me faz orgulhosa de ser madrinha de todos os radialistas e comunicadores da minha terra. Sou convicta de que a maior oração é amar e a gratidão é um dos maiores sentimentos do amor. Desta feita agradeço a preocupação que vocês dispensam à minha pessoa, apelando, ao mesmo tempo, pela continuidade de orações em prol do meu restabelecimento e volta à nossa terra amada. Nesta oportunidade enseja-me parabenizar Pombal nesta gloriosa data. Atenciosamente, Cessa Lacerda Fernandes.

SAUDOSAS LEMBRANÇAS!

CONTADA POR GENIVAL TORRES DANTAS
Meu caro amigo, Clemildo Brunet de Sá. Acuso recebimento do seu email relatando as informações que passei ao nosso caro amigo e conterrâneo José Tavares. Realmente as distantes lembranças pelo tempo passado, mas de um presente constante na nossa memória faz do Serviço de Alto Falantes Lord Amplificador o som de um passado vivo dentro da alma daqueles que conviveram com a sua existência, na vida radiofônica da nossa quase sesquicentenária, Pombal. Lembrar de fatos ligados ao serviço de som Lord Amplificador é reviver uma época de saudosos momentos, principalmente de lugares próximos que ouvíamos o som inesquecível, caso específico da Praça Centenário, local onde os enamorados procuravam o aconchego das melhores arvores para se recostarem e ali namorar ao som do Lord Amplificador, confesso que era um garoto, nem tão garoto assim, pois fui um entre tantos que viveram desses momentos gratificantes, para quem sonhava acordado, todo enamorado é um sonhador, seja qual for sua idade, e em qualquer praça, mas aquela praça, Centenário, com seus detalhes que só ela tinha, e embalado pelo Lord Amplificador, era muito mais romântica, naquelas horas de fantasias, quando junto com a namorada, e namorar na época tinha outra conotação, falávamos, principalmente aos finais de semana, das aulas e dos intervalos do Colégio Diocesano, das chanchadas no Cine Lux, das missas na matriz, era uma conversa cheia de vida e juventude. Meu caro Clemildo, lembranças que trago na minha memória e que não devem se apagar até que eu venha a desencarnar, são tantas que nem sei quantas, mas são saudades com sabor de ternura, ternura antiga, memoráveis saudades! Um abraço do amigo. Genival Torres Dantas

JERDIVAN NÓBREGA: O OBSTINADO ESCRITOR POMBALENSE!

CLEMILDO BRUNET*(foto)
Continuando com a série de artigos homenageando os nossos Historiadores e Escritores por ocasião do Centésimo Quadragésimo Quinto Ano da elevação de Pombal a categoria de cidade, prestaremos nossa homenagem ao pesquisador e escritor “Jerdivan Nóbrega de Araújo”. O que nos sugere colocarmos o título acima, é justamente a maneira do humor sutil como Jerdivan escreve as histórias relacionadas a Pombal. Jerdivan nasceu aqui, viveu as décadas de 60 e 70, atenado aos acontecimentos, ouvindo histórias e acompanhando a política cultural da nossa terra. Nos seus escritos ele conseguiu abrir para nós a janela do tempo com suas crônicas de fácil entendimento. Jerdivan Nóbrega de Araújo, é filho do casal Félix Tavares de Araújo (In Memoriam) e Gildethe Nóbrega de Araújo, casado com Thereza Christina e pai de Rodrigo Márcio, Márcia Danielle e Ramon Diego. Formado em Direito, pesquisador, funcionário dos Correios e Telégrafos, membro efetivo do grupo de estudos Benigno Cardoso dArão, onde publicou diversos títulos, sempre com o apoio do diretor da coleção mossorense. Com maestria de hábil escritor, Jerdivan sob narrar fatos interessantes que envolvem pessoas, lugares, organizações e patrimônios históricos da velha Pombal. O Livro “Sob o Céu Estrelado de Pombal” fragmentos recompostos, “os relatos” diz Verneck Abrantes, na apresentação da obra: “São mistos de emoção, humor, clareza e marcados pela verdade dos fatos, assim, dar-se mais um significativo passo para a memória pombalense, ávida de registros, do contrário, poucos poderiam compreender o significado do amor que se tem pela terra, especialmente aquele que nela nasceu, viveu e um dia partiu”. Já Jerdivan nesse livro em um capítulo que tem o título Ganhando o Mundo sem Perder Pombal, ele conta em um trecho o sentimento de saudade e melancolia: “Não houve tempo de me despedir dos amigos. Ainda Chegamos a combinar um rubacão na oiticica de Ana, mas não foi possível” Na viagem ele fazia planos de sua vida na nova e estranha terra. E pensou em pelo menos passar dez anos sem vir a Pombal. E no final do capítulo arremata: “Esquecer o passado é morrer em vida. É negar a própria existência... Esquecer a cidade onde nascemos, os amigos, os folguedos e as peripécias de criança é se tornar parte das pedras que calçam as ruas. Eu quero que saibam que, mesmo longe, eu sempre estarei em cada esquina desta velha cidade”. Esse livro lhe rendeu uma moção de aplausos da Assembléia Legislativa do Estado da Paraíba, propositura feita pelo Deputado Tião Gomes, filho de Pombal, no entanto, não é favorito de votos nessa região. Na justificativa o deputado Tião Gomes disse o seguinte: “Jerdivan uniu a memória e a pesquisa para resgatar as histórias e os costumes do povo mais simples de Pombal” Ele destacou o livro como uma obra de grande importância para o Município: “É uma obra que serve não apenas como leitura de entretenimento, mas como de um documento vivo da história para as futuras gerações” declarou o parlamentar. Por sua vez, a Câmara Municipal de Pombal, prestou uma homenagem a Jerdivan, por ocasião do lançamento do livro no dia 03 de outubro de 1997, na Festa do Rosário de nossa cidade. Na Tela do Cine Lux de Pombal, outra obra literária de Jerdivan.Esse teve o seu lançamento em Pombal no dia 02 de outubro de 2002, também por ocasião da Festa do Rosário. O Cine Lux que teve as suas portas fechadas em 1989, foi à razão maior das histórias contadas nesta obra. Depois de uma luta renhida de onze anos, tentando o tombamento do Cine Lux de Pombal junto ao IPHAEP, não conseguindo êxito, Jerdivan resolveu escrever esse livro, depois de ver derrubado o prédio do Cine Lux, perdendo Pombal a chance de transformá-lo em Teatro, sendo enorme o prejuízo para nossa cultura. Na história do livro, bêbados e loucos são colocados no lugar de Prefeito, primeira dama e vereadores, que como os políticos de verdade não puderam evitar que o velho cinema fosse destruído. Uma verdadeira sátira aos políticos de Pombal que deixaram o patrimônio artístico e cultural da cidade se transformar em pó,pois era hora, de se valorizar essa riqueza como atrativo do turismo sustentável. Jerdivan fez a apresentação do volume VIII da biografia do grande incentivador das artes: Vingt um Rosado Maia. Fez publicações de Crônicas nos Jornais: A União, Correio da Paraíba, O Norte e Correio das Artes e em 1998 “Os Trabalhadores em Correios e Telégrafos Vão a Luta”; o que identifica bem a área de seu trabalho no campo secular. Mais recentemente, com Verneck Abrantes e Evandro Nóbrega fez a revisão crítica do livro “O Velho Arraial de Piranhas” (Pombal) do ilustre historiador Wilson Seixas Nóbrega. Um buraco feito na parede da Igreja do Rosário, trouxe indignação a Jerdivan, que vendo as fotos do absurdo e atendendo pedido de seu amigo Verneck, foi até o IPHAEP fazer a denuncia por escrito. Nada serviu. Não havia dinheiro para a fiscalização chegar a Pombal. Jerdivan viu aquele buraco na Igreja como um desacato aos nossos antepassados e derramou toda sua indignação em um texto enorme e cheio de raiva foi até o Jornal Correio da Paraíba, levando as fotos. No dia seguinte estava tudo ali nas páginas do Jornal. Segundo Jerdivan, “o Padre revoltado mandou tapar o buraco, restando ainda à cicatriz para que chame atenção dos nossos jovens e nunca mais se repita tamanha insensatez.” Jerdivan conta que outra luta foi para tirar as barracas de frente a Cadeia Velha.Diz Jerdivan: “Eu sabia que os comerciantes que ali se instalaram tinham aquilo como meio de sobrevivência, numa cidade onde se vive de emprego público, porém, não é justo usar este argumento para deteriorar a nossa história e o nosso patrimônio. Jerdivan então fez um texto para o Jornal o Norte, edição de 27/05/97, com o título: “Pombal e o IPHAEP”, onde denunciou a situação do Patrimônio Histórico de Pombal. Em 28/06/97 o assunto foi ventilado novamente no mesmo Jornal. No mês de outubro a frente da Cadeia estava limpa, e aberta aos visitantes. Jerdivan ainda assistiu indignado a História de Pombal sendo transformada em pó, quando fez petição no IPHAEP, solicitando o tombamento do centro da nossa cidade, principalmente da Cadeia, Igreja, Sobrados e Cine Lux. A Resposta que recebeu é que não era possível enviar os engenheiros a Pombal, pois IPHAEP não tinha viaturas. “uma lástima, uma vergonha” sentenciou Jerdivan. E Aí fica a pergunta: Onde estão os que se dizem representantes do povo de Pombal as Vésperas das Eleições? Resgatar o apito da Brasil Oiticica que se confundia com o gemido do Trem Asa Branca na curva do rói, foi reabrir uma janela fechada pelo tempo. Trazer nomes de pessoas que já não estão entre nós e que fizeram história nesse tempo passado, foi reabri um velho álbum de família que é o povo de Pombal. Por isso que eu digo Jerdivan: Você é o obstinado escritor pombalense. *RADIALISTA.

ENSAIOS HISTÓRICOS DA RADIOFONIA POMBALENSE

CONTADA POR JOSÉ COSTA (O GAGO DE CHICÓ) Tudo começa nos anos 50, mais precisamente, em 51/52 com a chegada do então desconhecido compositor Rosil Cavalcanti. Veio a Pombal para trabalhar como funcionário da Brasil Oiticisa S/A. Chegando à cidade, já trazia dentro de si, a vocação e jeito para o rádio e assim, para as horas de lazer – sem objetivos comerciais - ele criou a primeira difusora batizada de Difusora Tupi que só tinha um horário de funcionamento, à noite, das l9 às 21 horas. Por razões pessoais, Rosil Cavalcanti retorna a Campina Grande onde tinha família e residência fixa e passa a difusora tupi para Manoel Bandeira, um colega também de vida radiofônica, que logo mudou o nome da difusora tupi para Difusora Guarany. Com stúdio instalado na rua Tenente Aurélio Cavalcanti, Manoel, deu vida comercial e até artística, criando dentro de suas próprias dependências, um programa de auditório aos domingos à tarde, onde surgiram os primeiros calouros como, Silas Gonzaga, Pedoca de Deca, Nilo Calheiros (cantores) Dedé Espalha (panderista e cantor), Chico de Dora, Doutor Espalha e Bideca (violonistas). Aqui se revela também um dos melhores locutores da cidade: Vicente Candeia que passa a comandar o programa de auditório e a locução comercial de studio. Por falta de recursos financeiros a Difusora Guarany fecha definitivamente sua programação. Em 1953, o Sr. Afonso Mouta, um comerciante recém chegado procedente do Ceará, abre a primeira sorveteria da cidade, a Sorveteria Tabajara e logo depois adquire a Difusora Guarany que passa a funcionar como Difusora Tabajara. Com nova direção, a Tabajara amplia o seu sistema de comunicação, implantando três alto-falantes em pontos estratégicos, atingindo assim, os pontos cardeais da cidade, levando a comunicação para toda comunidade. Na Difusora Tabajara surgiram outros bons nomes da locução a exemplo de Jurandy Urtiga e Zé Geraldo, e a primeira voz feminina na radiofonia pombalense; a locutora Lucrecia Moura. Para dar melhor ênfase à voz feminina, a Tabajara cria um programa exclusivo com cantoras do rádio: Ângela Maria, Emilinha Borba, Carmem Costa, Aracy de Almeida, Dalva de Oliveira, Elizete Cardoso e tantas outras da época. Em 1958 o Sr. Afonso Mouta se desfaz da Sorveteria Tabajara e passa a administrar o único cinema da cidade, o memorável e inesquecível Cine Teatro Lux, considerado o melhor cinema do sertão paraibano e leva consigo, a já conceituada Difusora Tabajara. A Difusora Tabajara é transferida para as dependências do cinema e ai cria-se o melhor programa de auditório da cidade, aos domingos, pela manhã, intitulado de Calouros Matinais sob o comando do locutor Vicente Candeia e do animador de auditório Manoel Bandeira, uma grata revelação, um comunicador por excelência. Com o programa de auditório vem também o conjunto musical da então Difusora Guarany. Durante os dias úteis da semana a Tabajara funciona nos três turnos e carece de elementos para compor seu quadro de locutores. Nesse momento, a convite de Zé Geraldo, surge então Zeilton Trajano, a grande revelação, e logo se conceitua como um grande radialista paraibano. A Tabajara continua sendo um órgão de comunicação comunitária por um bom tempo, até o sr. Afonso transforma-la num stúdio ambiente, servindo simplesmente para os interesses do cinema. Nesse período Jurandy Urtiga já fazia parte do quadro de radialistas da Rádio Espinharas de Patos. Aproveitando a ampliação e mudança dos equipamentos da Espinharas, Jurandy Urtiga, compra o primeiro transmissor da Rádio Espinharas que havia sido substituído por um outro mais potente. Com o transmissor instalado no 1º andar do Edfício Maringá, Jurandy criou a Radio Maringá (a primeira) em homenagem a histórica Maria do Ingá que deu inspiração à composição musical de Joubet de Carvalho, intitulada Maringá, música de inestimável valor historio para Pombal. Com um prefixo elegante e bastante charmoso ZYK - 13 RARIO MARINGÁ DE POMBAL, - criação do Dr. Wilson Seixas – a emissora oficializa o prefixo de fantasia, ZYK 13 e se conceitua como uma emissora, mesmo sendo clandestina pois não havia registros. Como não havia uma programação elaborada e nem tão pouco uma administração voltada para o seu engrandecimento, a emissora desativa o seu transmissor e sai definitivamente do ar. Surge então a Rádio Difusora de Pombal, uma emissora de confecção caseira, elaborada tecnicamente nas oficinas de uma revenda de componentes eletrônicos, situada na rua da Areia, na cidade de João Pessoa. Também clandestina, sem registros, passa a transmitir sua programação diretamente das dependências do antigo Grande Hotel. Seu proprietário, Nelson Pequeno, também um amante da locução, mantém a rádio com seus próprio recursos financeiros. A Rádio Difusora funcionou elegantemente com excelente padrão e excelente conceito, embora sem uma estrutura administrativa e financeira e sem uma programação bem elaborada, a rádio foi útil à comunidade como veículo de comunicação e entretenimento musical. A rádio permaneceu por uns dois anos no ar, fechando suas atividades mais por medo do que financeiro, a fiscalização já rondava à cidade. Vem então a mais conceituada, a mais forte e a mais difundida de todas: A Rádio Voz da Cidade. A terceira tentativa, um empreendimento de Clemildo Brunet, também de fabricação caseira, e portanto, clandestina; instalada seus stúdios numa pequena sala ao lado sul do mercado público, a Voz da Cidade teve força e domínio de audiência se destacando e se fazendo respeitar pelo bom nível de programação e pela boa qualidade artística de seus componentes. Líder absoluto de audiência em todos os horários, anulando quase por completo, a audiência das outras concorrentes, a Voz da Cidade é a pedra fundamental da radiofusão pombalense. Servindo também como laboratório, revelou vários talentos para o rádio paraibano: Zeilton Trajano (Alto Piranhas e Arapuã); Carlos Abrantes (Correio e Tabajara); Eurivo Donato (Piranhas e Rádio Difusora de Cajazeiras); Maciel Gonzaga (Caturité e o Jornal da Paraíba); Macilon Gonzaga (Caturité e Borborema); Genivan Fernandes (Caturité); Otacílio Trajano (Correio da Paraiba); Juarez Farias (Espinharas); Genival Severo (Maringá, Bomsucesso e Liberdade) e Clemildo Brunet, seu fundador e expoente máximo do rádio pombalense, elemento referencial de Mestrado em rádio comunicação, de brilhante passagem pelos rádios do sertão paraibano. Incompatibilizada com sua linha de atuação, não se sabe de onde, surge uma denúncia de clandestinidade, e a fiscalização oficial obriga a Voz da Cidade a desativar seus equipamentos, retirando-se do ar definitivamente.

A IMPORTÂNCIA DO RÁDIO

CLEMILDO BRUNET*(foto)
Considero o Rádio, a despeito de outros meios de comunicação mais modernos, como o maior veículo de massa. Não há fronteiras nem limites que impeça o rádio penetrar a onde quer que seja no seu raio de ação. Seja no campo, na cidade, nos lugares altos e baixos, entre ricos e plebeus, independente de raça, tribo e nação, aí o rádio está presente. A história do rádio se confunde com a história de nossa gente. No inicio da comunicação do rádio afinalidade era o entretenimento e diversão. O Rádio era utilizado para trazer músicas aos seus ouvintes. As notícias eram levadas através de impressos. Depois de certo tempo, o rádio começou a transmitir mensagens em forma de noticiários, como uma forma de levar de modo mais rápido os acontecimentos que iam marcando a história dos povos. Foi através do rádio que os cantores e intérpretes do passado se projetaram no meio artístico. As Emissoras contratavam esses artistas que serviam como point de audiença da grande massa popular que desejava conhecer o seu ídolo preferido comparecendo aos programas de auditório, já que o áudio trazia só a voz sem visualizar por imagem quem estava cantando. Desta maneira, ficava no imaginário popular ao ouvir a voz do seu intérprete, como seria os traços fisionômicos de quem estava falando ou cantando. Apesar do avanço tecnológico em outras áreas da comunicação o rádio também evoluiu. Antes emissoras de ondas médias, curtas e tropicais as chamadas amplitudes moduladas. Depois, as rádios FM, conhecidas como Freqüência moduladas. Cada uma atuando de formas diferentes no seu contexto de ondas. Até mesmo hoje em dia, os links utilizados pela NET, muitos deles são via rádio, isto é o sinal vai pelo "AR", sem a necessidade de fios. Neste Portal pretendo contar a história da Comunicação e de rádio, principalmente de minha cidade natal, que é Pombal, para que as gerações de hoje e de amanhã, fiquem inteirados um pouco dessa história
*RADIALISTA

O QUE VOCÊ VAI FAZER DOMINGO À TARDE?

JERDIVAN NÓBREGA DE ARAÚJO(Foto)
A Difusora do Lord Amplificador anunciava o novo LP de Antonio Marcos. As seis faixas seriam rodadas sem intervalo para em seguida, abrir espaço para os ouvintes oferecer músicas aos corações apaixonados que perambulavam pelas imediações da Praça do Centenário. “Preciso saber o que você vai fazer domingo à tarde” O vazio que me traz os domingos de hoje, com a televisão às alturas para abafar o meu soluço e amenizar a minha solidão, me faz lembrar as tardes de domingo de Pombal. O planejamento começava na Sexta Feira; iríamos tomar banho no rio pela manhã ou catar cajá no Araçá? Será que os trapiás e as pinhas que colocamos dentro do pote lá na casa de farinha já estão maduros? Hoje faço outras indagações: Será que ainda existe o trapiá ou a casa de farinha lá na “Outra Banda”? Será que mestre Álvaro ainda faz telhas para aqueles lados? -Será que eu ainda existo? E essa música de Antonio Marcos que voltou do nada aos meus ouvidos? Será apenas o meu fantasma me puxando pelas mãos para passear nas ruas de Pombal, em um domingo à tarde de 1973? Os domingos à tarde em Pombal eram únicos. Não me refiro aos domingos pela manhã e sim os domingos à tarde. Não me lembro se era frio ou se fazia calor insuportável. Naquele tempo não tínhamos esta preocupação. As mãos marginais, por entre as grades da velha cadeia ainda me assustavam, mas, não tínhamos a preocupação de fechar as portas de casa ao sair para se divertir nas praças ou no rio. Tínhamos o futebol na calçada da Igreja do Rosário. O São Cristovão enfrentaria o Selecionado da Rua dos Pereiros, e a procissão de cachaceiros voltava da beira do rio fazendo algazarra. Aos domingos não tínhamos o vendedor de carvão, que era substituído pelo de Quebra-queixo. A Banda tocou uns dobrados no coreto, e os componentes já estão embriagados, contando farofa. As crianças mais privilegiadas eram vistas aprendendo andar de Bicicleta Monareta em volta a Praça do Centenário. Por que eu não tinha inveja deles? Hoje eu sempre quero um carro melhor do que o do meu vizinho. Dona Eliane me encontrava vadiando na praça central e me alertava para o “dever de casa” que até aquelas horas eu ainda não havia feito: como ela sabia? A professora sabia da minha vida! Uma matinê no Cine Lux estava na programação. O badalar do sino da Velha Matriz me convocava mas para ele eu nunca dei ouvidos. -Assumirei esta dívida.... “Por que chora, à tarde seu pranto entristece o caminho Por que chora, se tem a beleza do sol e da flor Por que chora, à tarde sabendo que existe outro dia E a alegria depois da tormenta, é dia de sol” Antonio Marcos continua a inebriar os corações com suas belas melodias e voz entorpecente.Era outra música que pulava de dentro de mim como se quisesse me arrastar aos domingos à tarde Pombal. Por que veio a minha mente duas músicas que falam de tardes memorosas? O que há dentro de mim que não me deixa em paz, trazendo de volta algo que preciso esquecer? “Por que chora, à tarde no rio salpicando o seu leito Por que chora, gritando ao vento angustias e dor É que à tarde já sabe que alguém carregou meu carinho Eu compreendo que também a tarde, soluça de amor” Não posso querer de volta o Cine Lux, o Circo Continental, ou as partidas de futebol do São Cristovão. Não me é de direito exigir que o tempo não passe para mim, se não é possível parar também para os outros. Se o fantasma que habita a minha lembrança trouxe de volta ás tardes de domingo de Pombal, fazendo ressurgir em minha mente as fisionomias jovens dos meus amigos; amigos que hoje carregam o peso do mundo em suas costas não é justo que eu tenha isto só para mim. “A Tarde está chorando por você Por que assiste a solidão no meu caminho A tarde entristeceu junto comigo E eu preciso desta tarde como abrigo” Eu choro pelos amigos e pelas paisagens da minha cidade. Choro pelos escombros do Cine Lux e dos velhos sobrados. Choro pelos amigos aquietados nos Cemitérios de Pombal. Eu choro pelos pais e mães que em uma tarde de domingo carregaram os seus filhos até o último endereço. “A tarde está chorando por você Ela sabe que o amor partiu para sempre Seus passos vão sumindo pela estrada E esta chuva faz a tarde tão molhada” Que não me venham à mente nunca mais as lembranças das tardes de domingo de Pombal. Eu não preciso destes sofrer gratuito. Eu prefiro esquecer e enterrar junto ao meu corpo frágil e debilitado pela solidão e saudade e as lembranças que tanto quero de volta. O que vamos fazer domingo à tarde?

VERNECK ABRANTES,"O HISTORIÓGRAFO NATO"

Clemildo Brunet


Por Clemildo Brunet* 

Neste mês de julho em que se comemora mais um aniversário da cidade, vamos prestar mais uma homenagem a um filho da terra, que apesar de sua formação acadêmica e Profissional não ter nada haver, com o título desse artigo. Verneck Abrantes, filho de um grande amigo de meu pai, que juntos fundaram A Sociedade Operária Beneficente de Pombal em 08 de julho de 1934. 

Filho de José Benigno de Sousa e Elisa Abrantes de Sousa, o nosso homenageado tem nível superior de engenheiro agrônomo formado pela CCT/UFPB - Campos III de Areia com formação profissional tendo cursos de especialização em Agro-Negócio, Agente de Inovação e Difusão tecnológica, e Irrigação e Drenagem, todos esses pelo Campus II da UFPB de Campina Grande. Ativo na sua área de trabalho participou de vários Seminários e Congressos. Sua consorte é Berta Leonia e da união conjugal nasceu Alana Alcântara Formiga de Abrantes. Atualmente Verneck exerce a função de Assessor Regional da Emater com sede em Campina Grande. Foi eleito em 2005 Coordenador Regional do Sindicato dos Engenheiros no Estado da Paraíba e Conselheiro do CREA-PB. Eleito este ano para Academia Brasileira de Extensão Rural, com sede em Brasília. È sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri Paraibano. Em 2005 fez viagem internacional chegando a conhecer, Portugal-Lisboa e Fátima; Itália-Roma, Pádua, Assis, Veneza; Suíça –Lucerna; França – Paris. 

O nosso homenageado demonstrando a sua vocação de escritor e historiador, começou a fazer pesquisas em torno da história de Pombal e desvendou alguns mistérios que deixavam dúvida se era verdade ou não. Por exemplo o caso da Cabocla Maringá. Diz Verneck: “uma Canção homenageia a cidade de Pombal. Maria é um nome comum nos sertões nordestinos. Ingá, uma cidade do agreste paraibano. A junção de Maria com Ingá deu formação à palavra Maringá, por exigência métrica de composição”. Em outro trecho do livreto Nossa História, Nossa gente Nº 03, ele retrata com precisão a existência dessa cabocla: “Acredita-se que ela morou no sertão da Paraíba nos idos da seca de 1921, mais precisamente em uma das ruas periféricas da então pequenina e graciosa cidade de Pombal, e depois de ali viver por indeterminado tempo, partiu numa leva de retirantes a caminho de outras paragens, onde o céu fosse mais complacente e a terra menos desventurada”. O certo é que Maria partiu deixando uma lacuna entre os pombalenses que ficaram, segundo informações de Ruy Carneiro na época um jovem que gostava de serestas aos 20 anos de idade. 

Segundo comentários, Ruy Carneiro, que depois daquela época viria a ser Interventor da Paraíba, Senador da República e que em 1932 era chefe de gabinete do então Ministro da Aviação e Obras públicas, José Américo de Almeida, teria comentado de forma sutil no Rio de Janeiro no momento de uma conversa informal os sentimentos de saudade por essa cabocla, quando no diálogo com um consagrado músico e um político, comentando as coisas do sertão; como as secas e as levas de retirantes. Ruy Carneiro instigou o poeta a compor uma música que falasse sobre a seca no sertão. Esse poeta era o compositor Joubert de Carvalho, que de inicio, pensou na cidade do Ministro; como a cidade de Areia não dava rima, virou-se para Ruy Carneiro e perguntou: onde você nasceu? Nasci em Pombal Sertão da Paraíba. Pombal da rima e ai Ruy começou a contar sobre a devastação da seca citando vários lugares, destacando a cidade de Ingá. 

E assim o compositor fez a junção das palavras e deu Maringá. “Há quem diga que Ruy Carneiro colaborou na letra e na música” Outro ponto da história de Verneck: Foi a questão do nome Vila Nova de Pombal, que segundo Irineu Joffily, quando escreveu, “Notas Sobre a Paraíba” deu a versão que era em homenagem ao Marquês de Pombal, I Ministro de Dom José I, rei de Portugal e que foi recebida sem averiguações por todos os autores que lhe seguiram, daí o equivoco. O nome veio em decorrência de se homenagear uma cidade de Portugal chamada Pombal. A carta Régia de 22 de julho de 1766, mandava erigir novas vilas e denominá-las com nome de localidades e cidades de Portugal. 

Em um de seus escritos publicado em 2004, Vernekc destaca a importância das três datas de Pombal. “Pombal foi o primeiro núcleo populacional do sertão paraibano, tem 306 anos de fundação, 232 de Vila e Emancipação Política e, 142 de cidade. Quanto mais antigo o lugar, maior referencial histórico e cultural para os seus filhos, portanto, é interessante valorizar e divulgar a data de sua Fundação, 27 de julho de 1698, a qual contempla Pombal com 306 anos de fundação. Propagar isso não é difícil, porque o dia do aniversário da cidade é 21 de julho e da fundação 27 de julho, as datas estão próximas, assim, na mesma semana poderemos comemorar as duas datas, claro, referenciando a maior e, logicamente, mantendo a tradição da festa no mês referenciado. Esperando a quebra do paradigma e a valorização da nossa história”. 

Verneck é um historiador que não somente se preocupa com a veracidade dos fatos, como também é um defensor intransigente do nosso patrimônio histórico. Numa determinada ocasião em uma Festa do Rosário, em um compartimento da velha Igreja, alguém entendeu de realizar uma reforma para o estabelecimento de uma cantina que serviria para a barraca da Igreja, ocasionando mudança no aspecto físico do imóvel sem o mínimo respeito ao patrimônio histórico; pois bem, Verneck juntamente com o seu amigo também escritor Jerdivan Nóbrega, protestou contra tal absurdo, ocupando emissoras de rádio e denunciando o fato aos órgãos competentes, até que medidas foram tomadas no sentido de repor tudo no seu devido lugar. 

Outro ponto importante a se destacar é quanto a referencia feita a maior festa frequentada por pombalenses que estão distantes e turistas, e que alguns por desconhecimento de causa a chamam de Festa de Nossa Senhora do Rosário, Verneck conseguiu nas suas pesquisas um dado importante: A Festa não é de Nossa Senhora do Rosário é simplesmente Festa do Rosário, numa alusão ao rosário e não a Santa do Rosário. 

Em 2004 Verneck Abrantes juntamente com o colunista José Tavares Neto, enfrentou uma luta em defesa da conservação da Casa da Cultura de Pombal que tem como sede o prédio da Cadeia Velha de nossa cidade. È que na época a Casa da Cultura estava uma lástima sofrendo um desprezo total por parte do Poder Público Municipal, já que os fundadores da instituição abandonaram de vez o órgão e estava entregue ao deus-dará. Foi publicado em livro e distribuído gratuitamente com a população um manifesto em defesa do Patrimônio Histórico, intitulado “A Cadeia Velha de Pombal”. Obra da lavra de Verneck e José Tavares, onde consta o protesto de muitos pombalenses em torno do assunto. Graças a essa manifestação o Poder Público Municipal resolveu tomar conta e restaurou a Casa da Cultura que hoje se encontra aberta para visitação de todos. Além das publicações em Revistas e Jornais desde histórias de Pombal as mais antigas até os dias atuais, 

Verneck tem também escrito sobre assuntos relacionados com o profissionalismo que ele exerce e a sua função na Emater em Campina Grande. Dentre os livros publicados do nosso homenageado, podemos destacar: A Cadeia Velha de Pombal - manifesto em defesa do patrimônio histórico com José Tavares.(Gráfica Andyara)2004; Um Olhar sobre Pombal Antigo- (Editora União)2002; A Trajetória Política de Pombal-(Editora Imprell)1999; O Velho Arraial de Piranhas (Pombal) de Wilson Seixas. Revisão crítica com Evandro da Nóbrega e Jerdivan Araújo-2004; Belarmino de França - Um Trovador do Sertão-com Irani Medeiros-2006; Série Nossa história, nossa gente- A Cadeia Velha de Pombal; A Cruz da Menina de Pombal e Maringá. 

Verneck tem uma atuação na vida cultural e social de Pombal, já atuou em teatro e até como figurante no longa metragem “O Salário da Morte”,assim como na Diretoria da Associação dos Estudantes Universitários de Pombal (AEUP). 

Nesta justa homenagem que prestamos ao jovem escritor e historiador, nada mais convincente para chamá-lo de o historiógrafo nato do que a frase de sua autoria: “Pombal foi o berço, a porta de entrada para a civilização sertaneja. Arraial, Vila e Cidade de Pombal; Os caminhos de luta fazem sua seqüência histórica”. 
postado por Clemildo Brunet às 18:12 em 04/07/2007
*RADIALISTA.

HISTÓRIA DO LORD

CONTADA POR JERDIVAN NÓBREGA DE ARAÚJO (FOTO)
Quando eu era criança, meus 11 ou 12 anos, entre as muitas coisas que eu gostava de fazer, além do banho no rio , jogar bola, assistir for west no cine Lux, era ir aos estúdios do LORD AMPLIFICADOR DE POMBAL ver os radialistas trabalharem. Sou do tempo dos irmãos Evilásio e Evandro Junqueira. Rosil Bezerra e Genival Severo, todos coordenados pelo Clemildo Brunet. Não sei nem se as musicas que ofereci as minhas "namoradas" foram ouvidas por elas.Que importa isto agora? O importante é que, de alguma forma, fiz parte da história do LORD, nem que seja como um curioso por trás de uma portiola de vidro esperando a luz vermelha apagar, para poder conversar com os amigos que ali trabalhavam, a respeito dos novos LPs que acabara de chegar ao mercado.

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS NA LIBERAÇÃO DO AGRÍCOLA

CONTADA POR JOSÉ ALVES (FOTO) PRIMEIRO REDATOR DA RÁDIO MARINGÁ AM DE POMBAL-1982 Na Rádio Maringá, tive a oportunidade de assumir meu primeiro emprego. Tão logo a emissora entrou em fase de experiência, fui contratado como redator. Na prática, meu trabalho ia além disso, pois também saía às ruas em busca de notícias e, quando faltava algum locutor, dava cobertura levando ao ar, de hora em hora, o informativo 1490. Em certa ocasião, cobria a reunião da Câmara Municipal, quando o Vereador Zé Elias fez uma denúncia gravíssima: segundo ele, para obter a liberação do custeio agrícola na agência local do Banco do Brasil, era preciso “deixar uma bola” para o gerente. Como manda o contraditório, princípio básico do jornalismo, no dia seguinte, de posse de um gravador, dirigi-me ao Banco para ouvir o outro lado da história. Para minha felicidade ou infelicidade, ainda não sei ao certo, o gerente geral da agencia, alvo da denúncia, estava de férias e no seu lugar estava o sub-gerente, conhecido pela sua rudeza no trato com as pessoas. Não desisti da entrevista. Solicitei a audiência e fiquei aguardando do lado de fora da sala da gerência, que, nesta época, era localizada no primeiro andar da agência. Naquele tempo , não era qualquer um que podia falar com o gerente do Banco do Brasil, o qual, juntamente com o Padre e o Prefeito, eram as autoridades da cidade. Somente depois de muito tempo, fui autorizado a entrar na Sala, onde fui recebido por um sujeito sizudo, que, sem levantar os olhos, foi logo me dizendo: -Diga; Coloquei o gravador em cima da mesa, apertei a tecla REC e chateado pelo chá de cadeira e entorpecido pela pouca experiência, fui direto e sapequei a pergunta: -É verdade que para obter a liberação do agrícola é preciso deixar “uma bola” para o Gerente? O cidadão que até então me atendia de vista baixa, manuseando seus papéis, arregalou os olhos, encarou-me com ar severo e, tomando o cuidado de antes desligar o gravador, ameaçou-me: -Moleque sem vergonha e atrevido. Retire-se da minha sala, senão mando o segurança expulsá-lo. Peguei o gravador, coloquei debaixo do braço e desci correndo as escadas, sem coragem de olhar para ver se alguém estava me seguindo. Nesta época, a Rádio Maringá participava, todos os dias, às seis da manhã, do circuito estadual da notícia, que ia ao ar sob a liderança da Rádio Tabajara da capital. Como não tinha a outra versão dos fatos, mas tão somente a denúncia do Vereador, no dia seguinte, em rede estadual, A Rádio Tabajara destacou a seguinte notícia: BANCO DO BRASIL DE POMBAL USA DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS NA LIBERAÇÃO DO CUSTEIO AGRÍCOLA. - Detalhes com o Repórter Clemildo Brunet, diretamente dos estúdios da Rádio Maringá, em Pombal. Até a Superintendência Estadual do Banco do Brasil em João Pessoa entrou na história para saber o acontecido. O certo é que, Fenelon Arnaldo, Chefe da carteira agrícola do Banco, sujeito fino no trato e elegante no dizer, procurou o diretor da Rádio, Clemildo Brunet, foi agendada uma entrevista e o assunto definitivamente encerrado. Anos depois, tive de sair de Pombal e ausentar-me do jornalismo. Por uma dessas coincidências da vida, fui aprovado no concurso do Banco, nomeado e designado para tomar posse, em Pombal. A preocupação era encontrar novamente e ter como superiores no novo emprego o sub-gerente valentão e o gerente “boleiro”. Para minha felicidade, quando lá cheguei pra tomar posse, só tive notícias de que o gerente tinha sido transferido pras bandas de Minhas Gerais e o sub-gerente estava aposentado.