CLEMILDO BRUNET DE SÁ

SONHO DE SER LOCUTOR DO LORD AMPLIFICADOR!

Tarcisio de Sousa Pereira
POR TARCÍSIO DE SOUSA PEREIRA*
 A concepção de herói, para uma criança, geralmente está associada a um sonho. Por exemplo: Por algum tempo, na minha infância, o meu sonho era ser locutor do LORD AMPLIFICADOR. Eu gostava do LORD como simples ouvinte, escutando as difusoras na rua, mas o LORD se tornou um lugar mágico a partir do instante em que comecei a ter acesso ao seu Studio.
Eu sempre estava nos programas de Evilásio e Evandro Junqueira. Já aos seus programas eu não entrava. Não que você não deixasse, aliás, nunca pedi, mas porque eu tinha medo. Tinha medo de entrar e que você me desse uma bronca. Por que o medo? Porque uma vez eu levei uma bronca de Clóvis, seu irmão, na padaria. Eu trabalhava com Cláudio na Padaria e, um dia, Clóvis me deu um grito porque me esqueci de fechar uma torneira e a água molhou parte da lenha que ficava atrás do forno, onde se assavam os pães. Ele tinha razão, mas aquele grito me traumatizou. Como você era irmão de Clóvis, achei que também pudesse me gritar se eu entrasse no LORD. Lembro que ás vezes, antes de entrar, eu perguntava a Evilásio: “Clemildo está aí?” Se não estava, a barra estava limpa e então eu acompanhava o programa até às nove da noite. Minha maior emoção foi no dia em que Evilásio ou Evandro não me lembra ao certo, permitiu que eu colocasse a agulha na faixa de um disco. Meu dedo tremia, enquanto arrastava o braço do pick-up. Era um disco de Roberto Carlos. Quando a música começou a tocar, me arrepiei com um sentimento de enorme poder. Que momento mágico: Porque eu sabia que, naquele instante, Pombal escutava uma música que eu tinha colocado! *TEATRÓLOGO E DIRETOR DO TEATRO SANTA ROSA - JOÃO PESSOA-PB.

postado por Clemildo Brunet às 05:58 em 31/08/2007

ROMERO CARDOSO: UMA INTELIGÊNCIA RARA!

CLEMILDO BRUNET* (Foto) Bom seria que nós seres humanos estivéssemos sempre prontos a falar coisas boas de nossos semelhantes e assim estaríamos cumprindo a recomendação do apóstolo Tiago quando diz: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz”. Tiago 4:11. Apesar de haver nascido em Pombal, a minha aproximação com o dileto amigo Romero Cardoso, dista de um dez anos aproximadamente. Foi através de entrevistas concedidas por ele em nossas emissoras de rádio, que conseguimos firmar nossa amizade. É que a comunicação entre as pessoas tem esta magia. Conversa vai, conversa vem, vamos através do diálogo, estabelecendo um elo de conhecimento. Romero Cardoso nasceu em 28 de setembro de 1969, na cidade Pombal Estado da Paraíba, filho de Maria de Lourdes Araújo Cardoso e Severino Cruz Cardoso. Menino de origem humilde, que segundo ouvi falar muito travesso, comum a idade semelhante aos demais de seu tempo. Por intermédio do esforço de suas tias ou primas, começou a freqüentar o banco escolar numa preparação para a vida. Graduou-se em licenciatura em geografia pelo Departamento de Geociências do Centro de Ciências Exatas e da natureza da Universidade Federal da Paraíba, campus I, João Pessoa PB. Cursou Especializações em Geografia e Gestão Territorial e em organização de arquivos. Submeteu-se no ano de 1998 a concurso público para docente do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Campus Central, Mossoró RN, obtendo o primeiro lugar. É professor Assistente-IV. Concluiu, em julho de 2002, mestrado em desenvolvimento e meio ambiente-PRODEMA-UERN, com dissertação versando sobre a importância da caprinovinocultura em assentamentos rurais de Mossoró-RN. Romero Cardoso, é assessor da Fundação Vingt-un Rosado “Coleção Mossorense”, onde fez o lançamento dos seguintes livros: Nas Veredas da Terra do Sol (1996), Terra Verde, Chapéu de Couros, e outros ensaios (1996), Aos Pés de São Sebastião – Novela Sertaneja (1998), Fragmentos de Reflexões-Ensaios Selecionados (1999), A descendência de Jerônimo Ribeiro Rosado e Francisca Freire de Andrade – A família de Menandro José da Cruz (2001). Essa inteligência rara, Romero Cardoso, é autor de inúmeras plaquetas, a exemplo de Mossoró e a Resistencia a Lampião (2002) e de Maria do Ingá a Maringá (2003). É sócio- correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, membro do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço e Sócio da Associação Paraibana de Imprensa, além de sócio fundador do Grupo Benigno Ignácio Cardoso D’Arão. Estudioso do semi-árido nordestino e dos movimentos sociais desta região, sempre na defesa, em busca de tecnologias que permitam melhor convivência do homem com os problemas regionais. Podemos dizer com certeza, que Romero Cardoso, é justamente aquele pensamento do apóstolo Paulo, quando afirma: “Quando era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino: quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino”. I Coríntios 13:11. Na última entrevista que me deu em 2004, no meu Programa: “Saudade Não Tem Idade” na Rádio Opção 104 FM de Pombal, pude observar bem, nos gestos e palavras de Romero Cardoso, a sua inquietação e desenvoltura própria dos homens destros, tendo na ponta da língua a resposta de todas as perguntas a ele dirigidas, aproveitando os intervalos acendia o cigarro e ia fumar lá fora. Romero Cardoso é uma pessoa simples e muito popular reside em Mossoró Rio Grande do Norte, quando vem a Pombal, procura saber das coisas da terra com o maior interesse, sempre almejando o melhor para a sua urbe, principalmente no que diz respeito à preservação do patrimônio histórico de sua cidade natal e o seu desenvolvimento, para que ela venha se tornar cada vez mais, uma cidade próspera no setor comercial e Industrial, além do seu significado em termos de cultura. Foi de Romero que ouvi pela primeira vez, que eu, era descendente direto do grande naturalista francês Louis Jacques Brunet, cientista renomado que foi o responsável pela descoberta e fomento na condução da carreira do maior artista plástico paraibano, o areiense Pedro Américo. Romero Cardoso, esta homenagem que lhe presto, não é simplesmente por ser seu amigo, poderia haver até razão de ser. Mas não é por esse lado. A verdade é que desde o dia em que travamos o nosso primeiro diálogo, descobrir a suficiência de sua capacidade e a maneira simples como você a expressa: Sem vaidade e sem orgulho. Daí a razão do título deste artigo. Romero Cardoso: Uma Inteligência Rara! *RADIALISTA. CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com/

PROGRAMA: A VOZ DO ESTUDANTE NA "VOZ DA CIDADE DE POMBAL" EM 1967!

CONTADA POR VERNECK ABRANTES* (Foto)
Em 1966 Clemildo Brunet instalou em Pombal uma rádio denominada: A Voz da Cidade; com grande sucesso de audiência. Em 1967, a direção da rádio abriu um espaço semanal, das 12:00 às 13:00 horas de cada domingo para Paulo Queiroz (com apoio de Arruda e Aluiso de Ubaldo) levar aos lares pombalense um programa denominado: A Voz do Estudante. Na época, o governo era militar, que exercia uma grande repressão política, principalmente sobre o partido comunista, sobre a música, literatura, cinema, etc. censurando, prendendo, exilando e ditando as ordens como bem lhe conviesse. Paulo, nada disso levava em consideração, sutilmente, entre uma música e outra de Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo, Elis Regina, recitais de João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Tiago de Mello, ele discretamente enaltecia a Revolução Russa e a Cubana, ocasionalmente falava e comentava textos de Karl Marx, Lênin, Leon Trotsky, falava em Carlos Lamarca, Che Guevara, e nunca foi incomodado. Imagina-se que o delegado da cidade, tenente Raposo, costumava dormir no horário do programa, desconhecia ou nunca lhe informaram sobre A Voz do Estudante.
*VERNECK ABRANTES - ENGENHEIRO AGRÔNOMO E ESCRITOR. CAMPINA GRANDE -PB.

O FOLCLORE E SUA RIQUEZA CULTURAL!

CLEMILDO BRUNET* (Foto) Já se diz que o poder emana do povo e em nome deste é exercido. O Exercício cultural também é emergente do povo, não importa raça, cor ou credo religioso. O Folclore por exemplo, data desde a antiguidade, vem de tempos remotos. Ele centraliza-se e tem sua sobrevivência em cada país e em cada região com o seu modo típico, superando até mesmo o avanço da tecnologia. O arqueólogo Willliam Johms Thoms, em 22 de agosto de 1846, designou o nome de folklore, para registros de contos, costumes, narrativas e usos antigos. Folk (povo), Lore (saber, ciência) “sabedoria do povo”. Ainda me vem à lembrança, quando foi inaugurada a primeira estação de rádio convencional em nossa cidade em 1982, Rádio Maringá de Pombal AM (atualmente fora do ar); No prefixo de abertura da emissora dizia assim: “Pombal terra de velhos costumes e tradições históricas”. O Dia 22 de agosto é o Dia Mundial do Folclore e Pombal está situado dentro desse contexto, dessa riqueza cultural, pela existência dos três grupos Folclóricos: Os Congos, que gostam de ser chamados os pretinhos do congo – Grupo de danças com entrecho dramático, cortejo, embaixada e de trajes exóticos. Geralmente se apresenta na Festa do Rosário. Negro dos Pontões, é outro grupo de danças que também se apresenta na mesma festa,Tem o maior número de participantes. Os homens desse grupo usam uma lança de madeira e na ponta um maracá enfeitado com fitas coloridas, camisas azuis e encarnadas e dançam acompanhados por uma banda cabaçal. Por ultimo, temos o Reisado, é constituído de folgazões, de um rei, Mateus, secretário e o general. A orquestração é composta de um violão, pandeiro e um apito, que, com a marcação do sapateado e do canto completa a parte musical. A nossa velha comunidade sertaneja, conserva em todo seu esplendor a Festa do Rosário, devoção de pretos escravos, com seus reis negros e tradições folclóricas, associadas a autos populares que foram comuns em quase todas as regiões onde houve trabalho escravo negro no Brasil. Folclore é o conjunto das tradições, conhecimentos ou crenças populares, expressas em provérbios, contos ou canções. E Pombal tem tudo isso. Só não tem o apoio dos poderes constituídos. Infelizmente, ontem e hoje; Os valores culturais de nossa terra são levados a um segundo plano. Teatro, cinema, grupos folclóricos, cancioneiros populares, comunicadores e organizações que prezam pela conservação da cultura, muitas vezes, não recebem o devido valor. Os grupos folclóricos de nossa cidade lutam enfrentando dificuldades para se manter e preservar a tradição. Não há incentivos ou apoios logísticos. Jaz no esquecimento e quando se apresentam é de maneira voluntária, pedindo contribuições a um e a outro, para pelos menos uma vez por ano, na Festa do Rosário, se fazer presente ao evento que reúne o maior número de pombalenses que residem fora de sua terra. Pombal cidade natal do Senador Ruy Carneiro, do Grande Economista Celso Furtado, do Poeta Leandro Gomes de Barros, do Grande Arruda Câmara e tantos outros filhos ilustres que dignificaram esta terra, poderia pelo menos, marcar em seu calendário a passagem desse dia com apresentações públicas dessa grande riqueza cultural do qual somos detentores. Ainda bem, que Pombal tem um Luizinho Barbosa, professor, cantor e compositor, que com o seu espírito altruísta, não deixa esta data passar em brancas nuvens e usando de todo seu potencial de cultura, todo o ano organiza uma programação para homenagear o nosso folclore. Nos Dois turnos amanhã e tarde da Escola Estadual “Arruda Câmara” foi realizada uma feirinha com comidas típicas regionais. A noite consta na programação do evento: Apresentação dos Negros dos Pontões, Quadrilha “Brilho da Lua” com exibição do xote das meninas, a burrinha de Salomão e outras atividades no gênero. Na Sexta Feira, exibições de Peças teatrais e no sábado no único teatro ao ar livre “O Murarte” apresentação da orquestra sinfônica Beradeiro (Gente que encanta) pertencente ao Instituto Beradeiro de Catolé do Rocha, fundada pelo cantor e compositor catoleense, Chico César, sob a coordenação da irmã Iraci Barbosa de Almeida. Dia Mundial do Folclore em Pombal é restrito somente a trabalhos culturais nas Escolas, faltando portanto a contemplação dos órgãos governamentais e das autoridades, para o reconhecimento e apoio as ações daqueles que conhecem e valorizam o nosso folclore e sua riqueza. *RADIALISTA WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

TRABALHOS DE CLEMILDO, SÃO INCORPORADOS AO ACERVO DO IHGP!

Fundado em 7 de setembro de 1905 Rua Barão do Abiaí, 64 – 58013 Email: ihgpb@bol..com.br João Pessoa, 25 de julho de 2007. Radialista Clemildo Brunet Ilustre Confrade: Acusamos o recebimento do CD Tributo ao Historiador Pombalense Wilson Nóbrega Seixas, onde se ouve a famosa canção Maringá, na oportunidade em que a Rádio Liberdade homenageia o grande historiador Wilson Seixas, nosso ex-sócio efetivo. Apreciamos com satisfação o seu artigo O desbravador da nossa História, destacando o pioneirismo das pesquisas daquele confrade restabelecendo a verdade histórica sobre a emancipação política do velho arraial. Seus trabalhos foram incorporados ao nosso acervo para apreciação dos nossos usuários. Atenciosamente, Luiz Hugu Guimarães Presidente

GENIVAL SEVERO: "O ETERNO COMUNICADOR"!

MACIEL GONZAGA* A leitura é um testemunho oral da palavra escrita, atividade extremamente importante para o homem civilizado, atendendo múltiplas finalidades. Podemos vincular o conceito de leitura ao processo de letramento, numa compreensão mais ampla do processo de aquisição das habilidades de leitura e escrita e, principalmente, da prática social destas habilidades. Deste modo, a leitura nos insere em um mundo mais vasto de conhecimentos e significados. A escrita precisa ter um sentido para quem lê, pois saber ler não pode ser representar apenas a decodificação de signos, de símbolos. Ler é muito mais que isso; é um movimento de interação das pessoas com o mundo e delas entre si e isso se adquire quando passa a exercer a função social da língua, ou seja, quando sai do simplismo da decodificação para a leitura e reelaboração dos textos que podem ser de diversas formas apresentáveis e que possibilitam uma percepção do mundo. Desde de cedo, ainda morando em Pombal, eu tive o prazer de conviver com um homem que gostava muito de ler: padre Oriel Antônio Fernandes, o nosso querido “Padre Orié”. Foi ele quem despertou em mim o interesse pela leitura e pela palavra escrita. Com o passar dos anos, busquei aperfeiçoar essa minha aptidão. Direcionei meus estudos para a área das Ciências Sociais e, principalmente da Ciência Jurídica. Descobri que, é por meio de narrativas que se pode conhecer outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, de outra ética, outra ótica... É ficar sabendo História. Para mim, ler e escrever é benéfico à saúde mental, pois é uma atividade neuróbica. Acho que até hoje não se inventou melhor exercício do que ler e escrever. Faço este preâmbulo apenas para justificar a razão de tanto estar escrevendo nesse “Novo Lord” de Clemildo. Mas, o que pretendo falar hoje é sobre uma pessoa que estimo muito e sempre mantive por ele uma afeição e consideração sem igual. Falo de Genival Severo. Fomos amigos de infância. É bem verdade que ele é mais velho do que eu. Mas, eu nunca vi uma pessoa de estado de espírito igual a Genival. Também, nunca o vi com raiva. Todos os seus amigos – e aí me incluo na linha de frente – tinham um apelido dado por ele. Vejam só: Clemildo era “Brack” – um cachorro – que Genival fazia questão de imitar o seu rosnar, inclusive fazendo o gesto das garras; Pássaro Preto era “Beiço”; Zeilto Trajano era “Baba” – numa alusão a orquestra Chaveron – na qual dizia que os músicos salivavam mais do que tocavam; Eurivo Donato era “a Bola” – porque gostava muito de futebol e comandava o São Cristóvão; Arrudinha era “o Cego” – porque não enxergava as mulheres que lhe olhavam nos passeios da Praça Centenário; o nosso saudoso educador padre Luiz Gualberto era “Balú”; Otacílio Trajano – irmão de Zeilto – era “Diazinha” – numa alusão ao seu velho pai “Diaza”. Com a relação a mim, ela chamava “Nego Blue Cap”, pois dizia que eu parecia com um dos integrantes do grupo musical Renato & Seus Blue Caps. Isso é apenas uma pequena demonstração pois, com o passar dos anos, ninguém escapa da falha da memória. Tinha mais gente com apelidos, como os prefeitos Azuil Arruda, Avelino Elias de Queiroga, o deputado Chico Pereira, o delegado, padre Oriel, padre Andrade, padre Martinho Salgado, o juiz da cidade, os promotores Arlindo Ugulino e Nilton, Toinho Ugulino, Cabina, Todos tinham tinha um apelido dado por Genival. Imagine só, no nosso ciclo de trabalho, que era o Rádio Pombalense, todos terem que ser chamados pelos nomes de acordo com as normas impostas por Genival Severo. O leitor pode perguntar: “E Genival como era chamado?”. Ele não aceitava ter apelido. Certo noite, eu e Arruda, que morávamos em um apartamento no Ginásio Diocesano, resolvemos por um apelido em Genival: PERIGO - numa alusão a uma paixão de infância dele. Não gostou, queimou ruim e fez o maior barulho, não admitindo a alcunha. Pois não é que pegou! Lembro-me que nas missas dominicais dos alunos do Colégio Diocesano, Arruda gritou muitas vezes dentro da Igreja Matriz: “Olha o Perigo!” - quando nos aproximávamos de quem de direito (a bela adormecida). Genival queimava ruim com a gente. A única reação dele era por a culpa em mim, dizendo: “Nego, Safado! Isso é coisa sua” – e colocava a mão no meu pescoço acenando que eu iria levar um murro. Mas, era só brincadeira e tudo continuava na paz, na alegria e na harmonia que reinava entre todos nós da “Voz da Cidade”. Lembro-me de certa vez quando eu me preparava para ir estudar em João Pessoa e morar na Casa do Estudante. Genival organizou uma “clack” para me intimidar, dizendo que iriam me soltar na orla marítima, próximo de uma favela, e eu nunca mais ira voltar para casa. Pois não é que eu fiquei com medo e acabei optando por ir estudar em Campina Grande, longe da turma dele. O tempo passou. Há décadas que não me encontro com Genival Severo. Apenas fica a lembrança do grande amigo, do homem honesto, digno, trabalhador e responsável que sempre foi – pois ainda jovem começou a trabalhar no cartório de José Avelino -; do comunicador inigualável na apresentação de programas de forró e, principalmente, daquele que nos levava alegria e descontração numa época em que não tínhamos violência, não havia droga, tudo era voltado para o estudo, o aprendizado, paz, amor, harmonia e sonhos, já que todos nós na flor da juventude, almejávamos algo na vida. Um abraço meu querido Genival, você é um PERIGO!
*JORNALISTA, APRESENTADOR DE TV, ADVOGADO E PROFESSOR. NATAL- RN

UM FELIZ ANIVERSÁRIO!

POESIA DA PROFESSORA E POETISA Mª DE LOURDES PEREIRA DE ARAÚJO (Foto), POR OCASIÃO DO ANIVERSÁRIO DE CLEMILDO NO PROGRAMA "SAUDADE NÃO TEM IDADE"PELA RÁDIO OPÇÃO 104 FM, EM PRIMEIRO DE AGOSTO DE DOIS MIL E CINCO.
Em mil novecentos e setenta Quando a Pombal retornei, Vi que algo havia mudado E logo observei. Um Lord Amplificador, Na cidade eu encontrei Um homem conceituado, Atendendo todas demandas, Com uma simples difusora, Fazia as propagandas Do comercio de Pombal, Com capacidade tamanha! Era você Clemildo Brunet. Que eu ainda nem conhecia, Mas sabia admirar, Tudo que você fazia. Com sua simplicidade Conquistou a radiofonia. E por ser um grande mestre, Rico de experiência, A outros radialistas, Fez provar a eficiência. Nos trabalhos realizados, Com maior número de audiência. Tendo Genival Severo, Dorival e Orácio Bandeira, Naquele Lord Amplificador Com a voz serena e pioneira, Vocês fizeram sucesso, E uma brilhante carreira. Fundaram-se então as rádios, Maringá, Liberdade, Bonsucesso, E a 104 FM, Em todas você tem acesso De um trabalho relevante. Na luta do seu Progresso. Hoje na Rádio 104 FM, Você tem um programa especial, Que resgata o passado, Com o brilho do seu ideal, O “Saudade Não Tem Idade”, É para nós essencial. Você é um homem renomado, Excelente professor. Na radiofonia pombalense, É respeitado com amor, Por Deus é abençoado, E amado com fervor. Por ser digno e eficaz, Já alcançou muitas vitórias, Você é precioso ser, E merece ter mais glórias, Pois, diante de tanto sucesso, Fiz um pouco de sua história. E o seu aniversário, Clemildo, Eu não poderia esquecer, Que o dia 1º de agosto, Traz um novo amanhecer E renova a sua vida, Para o amor renascer. Parabéns Clemildo Brunet, Pelas dádivas de felicidade, Para você e sua família, Desejo com sinceridade, Que Deus ilumine sempre sua vida, Seu dom, carisma e sinceridade. Deus proteja os seus caminhos, Sua vida, seu labor, Derrame todas as bênçãos, saúde, paz e amor, um feliz aniversario, e que reine sempre o esplendor.

NO TERCEIRO BATENTE DA COLUNA DA HORA.

CONTADA POR JERDIVAN NÓBREGA DE ARAÚJO* (Foto) Tudo o que eu queria da vida não era uma saudade, nenhuma ilusão perdida nem mesmo uma cerveja gelada. Sequer queria de volta meus verdes anos. Posso me contentar com menos... Eu queria me vê, sentado nos batentes da Coluna da Hora à sombra dos quatro relógios, cada um marcando a hora da sua vontade e nenhuma das horas concordando com a sirene da Brasil Oiticica. Eu queria agora poder olhar a minha frente e ver o passeio do Bar Centenário no sabor gostoso de um sorvete de morango lá na sorveteria de Bernardo. Ouvir os recados de Clemildo Brunet na Difusora Lord Amplificador e oferecer uma música a uma paixão que eu deixei escapar nas ruas de Pombal. Como é perverso o implacável tempo. As pessoas que meus olhos miravam não existem mais. A paisagem que meus olhos fotografaram e agora se revelam em relances não existem mais. O meu mundo é uma paisagem vista da janela. D'alguma janela de cor azul, entre aberta, numa casa da Rua de baixo, quando ainda havia a porta de baixo e a porta de cima. ― Ao sair feche a porta de cima, também. Gritava mãe Lourdes lá na Rua do Comércio. Eu queria poder levar um último recado á mãe Lourdes. Eu diria da falta que ela nos faz. Um moleque sentado no terceiro batente da Coluna da Hora não tinha ainda o tempo lhes cobrando o balanço das horas. Tempo que os relógios hoje me cobram, como fiscal das minhas ações. A minha esquerda, posso avistar a Barraca P e Cicero de Zé de Lau; a oficina de Mestre Álvaro e o Rotary Club, na prosa sem fim de Dr. Nelson e Jovem Assis. Via também, ali na esquina do Mercado Público, o meu pai sentado em um tamborete proseando com Eduardo Lacerda, Edvaldo relojoeiro e Benedito Leonel ― na parede da memória esse é o quadro que dói mais ―, enquanto ria de um bêbado que era seguido por malvadas crianças. Eram tantos os bêbados, loucos e vagabundos que perambulavam pelo centro da cidade. Os loucos da minha cidade tinham nomes e personalidades de loucos se é que isto existe. Eles, nas limitações das suas loucuras, serviam as famílias tradicionais, que os adotavam, as vezes por caridade outras por um parentesco distante e que muitas das vezes era escondido pela sua condição de trapos das ruas de Pombal. Nonato doido levava os recados de madrinha Nena. Nedina defendia "padrim" Toinho e Mané do Chicote levava os embrulhos de seu Félix até a Rua de Baixo. Tantas sombras que passam a minha frente: Chico Leque, Catita, Cachorra Véia , Antônio Ajado, Arrupiado , Acabraiado , Amor de Zé de Bú , Xí , Antonio Pinga , Beba, Butijinha, Biró de Beradeiro Cobra Verde, Chica de Jotão, Chica Pavi , Chico Ló, Chicota, Canudo, Cota, Cotinha, Curinha, Catingueira Antônio de Cota e Cabrinha. ― O meu povo tinha nomes esquisitos. Cícero de BemBem vendia os melhores peixes durante o dia e roubava galinhas e perus durante á noite. A minha direita a Igreja do Rosário. Ultimamente tenho olhado para ela como se fosse um imenso picolé a derreter no calor de Pombal. Padre Andrade desce a rua Nova cambaleando dentro da sua batina preta. Parece que nunca vai chegar ao destino. Dosinha me perguntou por Bobóia, que acaba de entrar no Cassino do Galego. Dali só sai quando perder o último centavo. Fonhonhon me conta uma história sem fim e Janduy da Banca do Bicho dá o palpite do dia: ― Vai ser veado, diz ele, com a certeza e a experiência de um profissional. Chico de Geraldo entra na casa de Severino Sadi enquanto Fonfon procura desesperadamente por Bezita. Fagundes, que vem caminhando trazendo de volta o cartaz do filme que foi exposto durante todo o dia no Mercado Central. ― Durango Kid de novo Fagundes? Não teremos outra opção: à noite estaremos todos de frente ao Cine Lux, se não para assistir ao filme, pelo menos para trocar livros de Faroestes, ouvir musicas e paquerar. "Eu faço samba e amor até madrugada por isso durmo até mais tarde.." O novo LP de Chico Buarque já faz parte da discografia sempre bem atualizada do Lord Amplificador. A grande Castanhola do João da Mata e o Flanboayan de seu Mizim, vermelho em flor, são espetáculos aos meus olhos sempre tão tristes. Não devo esquecer do Cruzeiro que me tira a visão dos miseráveis a espera de julgamento na velha e quente cadeia. A Coluna da Hora é o meu observatório do tempo. Não consigo ver o futuro dessa cidade. Apenas o passado trazendo ás suas ruas o meu povo e as minhas histórias. Quanta gente com nomes esquisitos passa por aqui. Zé Bonitinho, Raimundo Piaba, Pachota, Pecado, Papel, Pandeirinho, Pacote Ribinha, Sabonete, Saburá , Seu Lau , Soró do Mercado , Semba, Sófon, Mosquito, Vandeca, Febrim, Famoso, Fitita de Zé Canuto, Gago da Banda , Gerinha, Geraldinho de Chagueira, Godô, Guerrinha, Gera Mãe de Sofôn. Amanhã me sentarei de frente para Matriz. Quero observar as pessoas que descem a rua Nova. Quero contemplar as torres da Igreja Matriz que a um século contempla minha cidade. Quem sabe eu possa encontrar o irmão que partiu. O que é que e a vida afinal? "Era só isso que eu queria da vida uma cerveja um ilusão atrevida que mim dissesse uma verdade chinesa com a intenção de um beijo doce na boca a tarde cai a noite levanta a magia quem sabe a agente vai se ver outro dia..."
*ESCRITOR POMBALENSE.

SÉRGIO LUCENA: O COMUNICADOR METEÓRICO!

CLEMILDO BRUNET*
SÉRGIO LUCENA (Foto)
Tão rápida foi sua passagem aqui na terra a semelhança de um fenômeno atmosférico de aparição brilhante e de curta duração. Uma estrela cadente! Inspiração essa, para o título deste artigo em homenagem a um colega que se foi e que brilhou no trabalho radiofônico como comunicador não somente de Studio de rádio, mas também em aparições públicas com o carro de som que ele administrava com zelo e ousadia. Profissional autêntico na missão de cumprir com amor tudo que lhe vinha às mãos para fazer. Sérgio Giulliano de Sousa Lucena, nasceu em Pombal em 08 de dezembro de 1973, filho de Cristiano Pereira de Lucena e Rita Maria de Sousa Lucena (saudosa memória); tendo como irmãos: Violeta, Vanda, Valnéia e Gilberto. Casou-se em 29 de junho de 1991 com a jovem Francisca de Araújo Assis e dessa união nasceu o casal de irmãos, Cristhyane Assis Lucena e Cristiano Pereira de Lucena Neto. Faleceu no dia 18 de agosto de 2004 na capital do Estado, acometido de uma enfermidade que precocemente lhe dizimou a vida. Apesar das circunstancias e do tratamento que vinha recebendo, a notícia da morte de Sérgio Lucena, nos pegou de surpresa. Ouvi o comunicado pelo rádio no momento em que o locutor anunciava que acabara de falecer um profissional da comunicação da nossa cidade, nem me passou pela cabeça que se tratava de Sérgio Lucena. Ao declinar o nome, tomei um susto, sentindo-me abalado em minha saúde. Um verdadeiro impacto para minha sensibilidade, estremeci por dentro, fiquei melancólico e sombrio, a tristeza invadiu meu ser e chorei silenciosamente. De imediato procurei os meus arquivos e comecei a pensar como prestar a minha homenagem a um colega, mais do que isso, um amigo na expressão máxima da palavra, cujos primeiros passos de locução foram dados nos microfones do Serviço de Alto Falantes “LORD AMPLIFICADOR” de minha propriedade. Dirigir-me a Rádio Maringá, da qual Sérgio Lucena era funcionário, para me inteirar da Programação que já havia sido modificada naquele dia e que por sugestão minha quando lá cheguei, convidei os demais colegas para ao meio dia, realizar um programa especial em homenagem ao confrade falecido.Todos atenderam o nosso chamado. Nesse momento houve concordância de que iríamos receber o cortejo fúnebre na cidade de São Bentinho, fato ocorrido por volta das 14 horas. A Tristeza dominava os corações das pessoas que se postavam na entrada da cidade, observando a passagem do corpo de Serginho. Certamente, muitos de seus ouvintes, que vinham naquele momento prestar a última homenagem ao nosso comunicador querido. Tive a oportunidade de receber Sérgio Lucena na Rádio Maringá de Pombal quando era Diretor Comercial da emissora, e logo depois de algum tempo, Sérgio seguiu para João Pessoa, tinha potencial para isso, e foi militar no rádio na capital do Estado, passando uma temporada por lá, regressou; e veio novamente prestar serviço a Rádio Maringá, chegando a falecer como funcionário da mencionada emissora. Agradeço a categoria de profissionais de nossa cidade, por me haver escolhido para falar em nome da classe, no momento da missa de corpo presente. Foi um momento muito difícil. Era manhã do dia 19 de agosto, data que nunca me sairá da lembrança. No Cenáculo, o silêncio dominava, e no inicio de minha oratória disse: “Há momentos em que o silêncio fala mais alto que as palavras. Eu gostaria que este fosse assim”. E continuei: Mas, como silenciar? Se nós somos comunicadores, se somos aqueles que utilizamos o microfone para falar... Para comunicar. Como silenciar? Meus amigos, família enlutada aqui presente. Depois de saudar cada um da família, continuei: Como silenciar? Se quem inventou a comunicação foi o próprio Deus! O texto sagrado diz: Deus falou, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos fala através do seu filho Jesus Cristo. E enfatizei: Deus falou muitas vezes. Ele é o inventor da comunicação! A comunicação de Deus dirigida a nós, é essa: “vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”. Isto aqui é comunicação de Deus! Ele fala da nossa transitoriedade. Este é o quadro que presenciamos agora, verdadeira reflexão sobre a vida! Por fim, Falei naquela ocasião de três características que Sergio Lucena possuía: Simplicidade: As pessoas o procuravam e ele as escutava com paciência. Sempre estava pronto a ouvir, sem interromper o seu interlocutor. Tinha um carisma especial, era comunicativo ao extremo. Franqueza: Ele usava dessa característica com quem quer que seja, em suas afirmações se sentia seguro naquilo que transmitia. Podemos dizer que na sua sinceridade usando a linguagem comum, Sérgio Lucena não abria nem para o trem! Era difícil arrancar do nosso comunicador meteórico uma palavra. Mas no momento de falar, era tranqüilo e consciencioso. Lealdade: Essa era outra qualidade de Sérgio Lucena. Nunca recusou fazer serviço prá ninguém. Não se escusava com desculpas amarelas. Atendia prontamente todos que lhe procuravam para alguma atividade no ramo radiofônico. Sérgio Lucena; foi curta a sua passagem por este planeta, mas, deixaste um legado importante para a comunicação: A sua desenvoltura para o trabalho cumprindo fielmente a missão que lhe foi entregue. Você nos faz lembrar o sentido da mensagem bíblica quando diz: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.” Eclesiastes 9:10 (Bíblia- Revista e atualizada no Brasil, traduzida por João Ferreira de Almeida) *RADIALISTA CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com/

SAUDADES DO LORD AMPLIFICADOR!

CONTADA POR JOSÉ ROMERO ARAÚJO CARDOSO* (Foto)
Nos dias de hoje, quando a radiodifusão se encontra impecavelmente estruturada em inúmeros municípios sertanejos, poucos lembram-se de trabalhos dinâmicos efetivados por grandes e inesquecíveis idealistas que disponibilizaram experiências inovadoras no âmbito do radialismo em diversos rincões espalhados no semi-árido, difundindo informações preciosas para esquecidas populações de ermos distantes, carentes de entretenimentos e novidades. Em um passado recente, a velha e tradicional cidade de Pombal, localizada no sertão central do estado da Paraíba, contou com inesquecível experiência radiofônica personificada no saudoso Lord Amplificador, cujas difusoras, extrategicamente localizadas no centro da cidade, irradiavam à população resultados concretos da fluente inteligência de pioneiros das atuais ondas dos rádios existentes na cidade, concretizadas através das importantes emissoras que engrandecem e enriquecem a cultura e o patrimônio da velha terra de Maringá. Impossível esquecer o carinho e a devoção do grande radialista Clemildo Brunet quando da efetivação dos inúmeros programas transmitidos pelo Lord Amplificador, o qual se constituiu indubitavelemnte em verdadeira escola para muitos profissionais que atuaram e ainda atuam no exercício digno de uma profissão merecedora de respeito e louvor. Clemildo, amigo dileto e extremamente dedicado às atividades radiofônicas, teve papel destacado na história da expressiva experiência desenvolvida em Pombal, a qual marcou indelevelmente o imaginário de gerações que tiveram o privilégio de desfrutar da concretização de ideiais nobres permeados pela devoção à radiofonia. Clemildo Brunet, descendente direto do grande naturalista francês Louis Jacques Brunet, cientista renomado que foi o responsável pela descoberta e fomento na condução da carreira do maior artista plástico paraibano, o areiense Pedro Américo, se destaca pelo amor ao rádio, pela responsabilidade primorosa para com sua gente, levando entretenimento e informações há décadas, transformou-se, graças à sua luta initerrupta, em patrimônjo histórico da terra de Maringá. Uma das escolas radiofônicas na qual militou o grande expoente da radiofonia pombalense, foi justamente o Lord Amplificador, inegavelmente um dos pontos de referência quando se trata da história do radialismo no sertão paraibano. Torna-se impossível esquecer o papel desempenhado pelo velho e saudoso Lord Amplificador quando das festas pombalenses, intercalando-se com as festividades em razão do uso profuso por parte da população incluindo concretizar informações, lazer e cultura em uma época em que a tecnologia ainda não tinha sido efetivada de forma proeminente na cidade de Pombal. Quando das festas do Rosário, boa parte da programação do Lord Amplificador estava articulada e direcionada aos encaminhamentos do evento religioso dos pombalenses. As difusoras marcavam siginificativamente a paisagem do centro de Pombal, quando ouvidos atentos se concentravam para as falas dos radialistas e para as notícias que, se não houvesse o Lord Amplificador, tenderiam a se tornar distorcidas ou cairem no marasmo do desconhecimento. Quando de minha infância em Pombal, tornou-se obrigatório dirigir atenção aos transmissores da experiência radiofônica pombalense, principalmente para a difusora instalada no mercado público, ponto central da urbe no qual as ondas eram captadas com maior proeminência pelos transeuntes. Indubitavelmente, a população do velho município sertanejo teve no Lord Amplificador, significativo referencial à melhor qualidade de vida em item correspondente às informações veiculadas que eram difundidas à população, pois conhecimento traduzido em ondas de rádio também significam, inegavelmente, cultura de qualidade, principalmente em virtude do compromisso sério e ético dos locutores que marcaram época quando da existência do velho Lord Amplificador. Hoje o município de Pombal conta com muitas estações radiofônicas, transmitindo através de AM e FM, mas há certo desconhecimento de gerações presentes sobre a importância assumida pelo trabalho impecável desenvolvido pelas diversas e bravas pessoas que desempenharam funções na saudosa experiência personificada no Lord Amplificador. O imaginário local foi significativamente marcado pelas notícias e seleções musicais veiculadas quando do período de intensas atividades que assinalaram a importância do inesquecível veículo de comunicação social da terra de Maringá. Relembrar o Lord Amplificador é o mesmo que remexer o baú do tempo, rememorar histórias que estão presentes na mente de diversas pessoas que viveram a época nostálgica que não volta mais em razão de que o advento impressionante da tecnologia estar presente de forma significativa no velho rincão que contribuiu e contribui para que o estado da Paraíba tenha tido enriquecimento na radiodifusão, devido a presença marcante de grandes profissionais que se destacam pelo caráter e pela expressividade do amor devotado à valiosa atividade na qual o rádio marca destacada presença na vida sócio-cultural de uma população brava que enfrenta cotidianamente os desafios e percalços apresentados pela contínua construção coletiva efetivada no semi-árido brasileiro. (*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor Adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial e em organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

A IMPORTÂNCIA DO RÁDIO!

MACIEL GONZAGA DE LUNA* (Foto) EX-INTEGRANTE DA "VOZ DA CIDADE"- DE POMBAL
Aproveitando a temática do Blog, decidi escrever algumas linhas, sobre a importância do rádio. Aliás, um tema muito bem abordado por outros “bloguistas”. Mas, nunca é demais falar sobre a importância do rádio na comunicação. Veiculo tradicional de comunicação de massas, o rádio tem seu público cativo, que não é pequeno. Como jornalista, homem de televisão e amante e praticante da Ciência do Direito, continuo acreditando na força do rádio como instrumento social de comunicação. Aliás, gosto sempre de caracterizá-lo como de massa, entendido sob dois aspectos: o quantitativo e o qualitativo. Uso aqui o quantitativo na relação com "massa" para chamar a atenção para o fato de que hoje são quase 4 mil emissoras de rádio espalhadas por todo o território nacional, segundo o Ministério das Comunicações, atendendo aos locais mais distantes, muitos dos quais desprovidos do sinal de televisão. O qualitativo é utilizado para destacar o fato de que as "massas", em uma acepção popular, têm no rádio um meio de amplo uso, já que ele atinge de forma mais direta as populações de baixa renda e a juventude. O Brasil tem um dos mais altos índices de analfabetismo do mundo – 22,8 milhões de brasileiros, o que corresponde a 13,8% da população com mais de 15 anos de idade. Pelos dados do IBGE, além dos analfabetos propriamente ditos (ou absolutos), que não sabem ler nem escrever, existem 30,5% de analfabetos funcionais, aqueles com menos de quatro anos de escolaridade. O rádio, é bom que se diga, é o único meio de comunicação de massa que efetivamente não exige alfabetização do receptor. Recente pesquisa publicada na Revista Meio & Mensagem, atesta que 87% das pessoas assistem televisão e 68% ouvem rádio. É a velha constatação de que o rádio é o segundo veículo de massa, embora não venha recebendo por parte das agências e anunciantes maiores investimentos de mídia, sobretudo atualmente com as mudanças na economia brasileira e com a estabilização da moeda provocando fortes reduções nas verbas de publicidade. Os planejadores de mídia são levados a dar mais ênfase a prioridades que beneficiam a televisão que, pelos seus elevados custos exaure vigorosamente as verbas, deixando o rádio mais secundário do que na verdade ele é. No entanto, o rádio é um veículo de massa da maior importância para a cobertura das necessidades de comunicação de qualquer produto. É o veiculo que, com custos absolutamente inferiores aos da televisão, tem assegurada penetração em todas as localidades do Estado, tornando-se indispensável ao processo de interiorização das mensagens. O universo de ouvintes de rádio é abrangente nas diversas camadas da sociedade, por sexo, classe social, faixa etária e suas diversas atividades. É o único veículo que tem a faculdade de ser percebido em todo lugar, nos carros, nas ruas, nos bares, com as pessoas andando ou trabalhando, conversando ou brincando, enfim, descompromissadas de qualquer postura para ouvi-lo. De um modo geral a importância do rádio, como mídia, é indispensável tanto para campanhas institucionais como para o varejo e, para determinados produtos como bebidas e refrigerantes, por exemplo, os resultados podem atingir até 100%. Entretanto, é preciso destacar que o rádio chega aonde a TV não vai, é prático e portátil e está em 98% das casas, enquanto a TV em apenas 75%. E mais, o horário nobre do rádio dura 13 horas, enquanto o da TV, apenas três. Tudo isso numa constatação que agrada quem paga a conta. Sim, porque uma produção no rádio custa 95% menos que a da TV. Foi a partir do rádio que construí toda a minha vida profissional, quer como jornalista, homem de televisão e, depois, nas Ciências Jurídicas. Comecei na “Voz da Cidade”, sob o comando de Clemildo Brunet, ao lado de inesquecíveis nomes como Zéilton Trajano, Eurivo Donato, Genival Severo, Massilon Gonzaga (meu irmão e hoje professor universitário de rádio), Gago de Chicó, Pássaro Preto, Dia, e tantos outros. Me transferi no final da década de 60 para a cidade de Campina Grande e lá chegando, em menos de 60 dias, estava trabalhando na Rádio Caturité, onde fiquei 12 anos. Depois, passei pela Rádio Borborema, Correio FM, Campina FM. No final da década de 80 me transferi para Natal/RN e, aqui, onde moro até hoje, fiz carreira na Televisão (TV Ponta Negra e TV Potengi, onde trabalhei por 16 anos), chegando ao último posto (Diretor de Jornalismo). Depois, passei por jornais, assessorias político-administrativa, marketing político, relações públicas, etc. Quando ingressei na Faculdade de Direito não tive nenhum problema de enfrentar o embate jurídico, por um único motivo: vinha do rádio, conhecia os caminhos da palavra e da oratória. Hoje, agradeço tudo na minha vida ao RÁDIO POMBALENSE, onde aprendi mais do que ser profissional, ser homem e saber trilhar os caminhos tortuosos da vida, com responsabilidade, dignidade, ética e moral. O filho de Dona Rosa e Zé Preto, criado tomando banho nas águas do rio Piancó e jogando bola no campo do São Cristóvão, pode hoje dizer ao povo da MINHA TERRA que, Pombal, através da semente plantada por Clemildo Brunet, formou um digno profissional. E para as gerações de hoje e de amanhã, deixo um lembrete: é do interior, dos grotões - como se fala nas capitais – que sempre saíram e continuam saindo as melhores estrelas do rádio. Pombal foi e continua sendo um grande celeiro de radialistas. *JORNALISTA, ADVOGADO, APRESENTADOR DE TV E PROFESSOR. Natal/RN, 25/07/2007

PÁSSARO PRETO: "O GALÃ DAS MENININHAS"

CONTADA POR MACIEL GONZAGA (Foto)
O Rádio Pombalense foi pioneiro na região do Alto Sertão da Paraíba. Nós só perdemos para Cajazeiras que, profissionalmente, através da Difusora Rádio Cajazeiras - de José Adegildo – e, posteriormente, da Rádio Alto Piranhas - do saudoso Padre Vicente de Freitas -, fizeram rádio dantes de nós. Em Pombal, muito antes de eclodir a Revolução de 64, como vários articulistas já falaram nesse Blog, um grupo de abnegados já fazia rádio, embora artesanalmente. Eram: Zeilto Trajano, Eurivo Donato, Genival Severo, Arrudinha, Maciel Gonzaga, Zé Geraldo, Gago de Chicó, Otacílio Trajano, Pássaro Preto, entre outros. Todos sob o comando de Clemildo Brunet de Sá, o nosso querido “Brack”. Aliás, o apelido de “Brack” foi posto por Genival Severo e, agora, passados tantos anos, não me lembro mais o motivo e a razão. Mais isso não vem ao caso. Na verdade, o que me proponho a falar nesse artigo é sobre uma dessas figuras, que já não está mais entre nós: Genivan Fernandes, um dos dois filhos do exímio pedreiro conhecido por “Velho Fernandes”, cidadão de bem, evangélico praticante da Assembléia de Deus, que veio de Campina Grande para trabalhar em Pombal. Posso dizer até que era homem da confiança do comerciante Napoleão Brunet de Sá. O “Velho Fernandes” era espirituoso ao extremo. Mordaz. Quando resolveu, ainda muito jovem, criar o seu próprio serviço de som, Clemildo Brunet começa a arregimentar pessoas para trabalhar e, talvez, um dos primeiros a entrar no ramo foi o garoto Genivan, ainda adolescente, o filho mais velho de “Velho Fernandes”. O menino passou a trabalhar como operador de som (controlista ou sonoplasta), por ser um apadrinhado de “Zefa”, a mãe de criação de Clemildo. O nome artístico “Pássaro Preto” foi dado pelo seu próprio pai, que fazia questão de chamar o outro filho mais novo – Gilson – de “Cara de Broa Preta”. Pássaro Preto fez sucesso no Rádio Pombalense daquela época. Recebia inúmeras cartas das menininhas, tinha muitas fãs, namoradas. Foi o primeiro galã de cor escura do nosso rádio. Estava sempre rindo. Era uma figura genial! Genival Severo, que nunca prestou na vida, muitas vezes chegou a dizer em seus programas de forró: “A escuridão aqui é grande. A única coisa branca que eu estou vendo são os dentes de Pássaro Preto”. Que maldade! Nos dias de hoje seria racismo brabo, que dá cadeia (Lei 7.716). Vamos andar um pouco no tempo. Em dezembro de 1968, a “Voz da Cidade” já havia sido fechada pela Ditadura Militar. Tínhamos apenas o Lord de Clemildo. Todos nós desejávamos crescer no rádio. Eu fui o primeiro a criar coragem, levantar vôo e buscar novos caminhos. Fui estudar em Campina Grande. Lá chegando, através do grande Gilson Souto Maior, que era amigo de um parente meu, fui levado poucos meses depois para trabalhar na Rádio Caturité Ltda, emissora católica pertencente a Diocese de Campina Grande. Poucos anos depois, recebo a visita de Pássaro Preto, que me dizia estar disposto a vir morar em Campina. Gilson Souto já não estava mais na Caturité e, sim, na Rádio Borborema. Apresentei Pássaro Preto a Gilsão e ele arranjou uma colocação na emissora dos Diários Associados, onde o nosso amigo ficou até se aposentar. Aí resolveu mudar de nome, passou a ser chamado de Genival (e não mais Genivan, que era o seu verdadeiro nome). Depois, com o passar do tempo, vieram de Pombal o meu irmão Massilon Gonzaga e, posteriormente, Evilásio Junqueira. Os dois foram trabalhar na Rádio Borborema. Mesmo bebendo, farrando muito, gostando de noitadas no Ypiranga Clube, Pássaro Preto era o conselheiro-mor dos pombalenses. Recebia a todos, arranjava emprego, procurava casa para as pessoas alugar. Era um verdadeiro cônsul de Pombal em Campina. Por conta de meus afazeres fiquei um pouco distante dele. No final da década de 80 me transferi para a capital do Rio Grande do Norte, onde passei a trabalhar na TV Ponta Negra (SBT). Certa vez, nos anos 90, fui visitar Campina Grande e encontrei Pássaro Preto trabalhando como operador de som na Rádio Universitária da UERN, um segundo emprego conseguido por Massilon Gonzaga. Ele foi logo me reclamando que havia dado conselhos ao meu irmão, sobre um filho que o mesmo tinha em João Pessoa e que estava de "castigo" - sem receber a "mesada" - porque havia chegado em casa bêbado. A reação de Pássaro foi esta: "Olhe Maciel, eu não aceito que Massilon vá punir o menino porque ele chegou bêbado em casa. Isso foi a única coisa que EU e ELE sempre fizemos durante toda a nossa vida”. Eu ri muito com suas palavras, procurei Massilon e contei a história de Pássaro. Massilon riu muito e fez as pazes com o filho, dizendo: “Vou perdoá-lo somente por causa de Pássaro”. E completou: “Eu só faço isso, para meu filho Márcio não repetir os erros que eu cometi na vida”. Pássaro Preto passava o dia na Rádio Borborema. Mesmo quando não estava trabalhando. Na ante-sala da emissora, no andar vazado do Edifício João Rique, recebia cantores, fãs, amigos e as menininhas que lá chegavam para entregar cartas, sempre com um largo sorriso. Era amigo, alegre e bondoso. Casou-se, teve um só filho, me parece que se chama Gildo. No final da sua vida, abandonou a cachaça e a vida boêmia e entregou a sua alma ao Criador. Era evangélico. Foi mais um que surgiu no Rádio Pombalense pelas mãos de Clemildo, que fez história fora da sua terra. Não podemos esquecê-lo. MACIEL GONZAGA - JORNALISTA, APRESENTADOR DE TV, ADVOGADO E PROFESSOR - NATAL RN.

ZEILTO: 25 ANOS, "UM EXPOENTE DA COMUNICAÇÃO"!


ZEILTO E O CANTOR NILTON CESAR (Foto Arquivo de Francisca Lima (Viúva) 

  CLEMILDO BRUNET* 


Acabam-se os nossos anos como um breve pensamento. Porque tudo passa rapidamente, e nós voamos. Palavras do grande Legislador de Israel e libertador do povo de Deus, chamado Moisés. 

Nossa vida jamais teria sentido, se não tivéssemos na memória o que fomos no passado. Esta possibilidade faz com que possamos reparar os nossos erros de outrora, corrigindo-os; para dar prosseguimento as nossas ações aqui. 

O Apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso declarou: “Que nada trouxemos para este mundo e nada levaremos dele” 

Nesta coluna vai a nossa homenagem a um expoente da comunicação pombalense, que merece todo nosso apreço, já que este ano, marca o jubileu de prata de sua partida para outra esfera. Há Vinte e cincos Anos que este comunicador, conhecido como o homem dos sete instrumentos, deixou o nosso convívio. 

Zeilto Trajano de Sousa, nasceu em Pombal no dia 16 de abril de 1944, filho do casal Otacílio e Nely (em memória), tendo como irmãos, Mª do Socorro, Zelita, Francisca Zita, Mª do Carmo e Otacílio Trajano, este último, ainda hoje milita no rádio. Contraiu núpcias com Francisca de Lima Sousa, nascendo dessa união quatro elegantes garotas: Nadja Rejane, Alba, Kátia e Márcia. 

Começou suas atividades em microfone desde os tempos áureos de Serviço de Alto Falantes, iniciando na Difusora Rádio Maringá de propriedade do Sr. Raimundo Lacerda (Conhecido por Raimundo Sacristão) no começo dos anos sessenta. Exerceu na sua labuta o tipo garoto propaganda, quando dos memoráveis queimas de tecidos das Lojas Paulista, fazia o seu périplo em um carro de som pelas ruas da nossa cidade e aos sábados animava as feiras na porta da loja, conclamando os transeuntes para comprar mais barato. 

Ainda me lembro de um queima de tecidos com a locução feita por Zeilto, que provocou uma fila enorme de pessoas para as compras. Ele dizia assim: “Quem quer vem, quem não quer manda, não mande ninguém em seu lugar, venha você mesmo comprar”. 

Tive a oportunidade de me aproximar de Zeilto, quando na Difusora de Raimundo Sacristão em 1962, eu fazia a vez dos que são chamados hoje de operadores de som (sonoplasta). No crepúsculo de uma tarde em que os raios de sol começavam a declinar, Zeilto me pedia para tocar sua música predileta: “Tu Précio” de Bienvenido Grande, e ia para a esquina, entre as ruas Francisco de Assis e João Pessoa, acendendo o cigarro, curtia a melodia que saía do Projetor de som do Mercado Público. 

Zeilto, fez Programa de Calouros dentro do próprio Studio, onde havia grande ajuntamento de pessoas; eu fui um desses calouros e cantei a música sucesso da época: “Boneca Cobiçada” de Palmeira e Biá, gravada anos depois pelo cantor Antonio Marcos. Nesse tempo, comecei a soltar minha voz ainda infantil no microfone e as pessoas nas ruas indagavam: Quem é a menina que está falando na Difusora Maringá? 

Em 1966, veio o Serviço de Alto Falantes “A Voz da Cidade” de minha propriedade, tinha acoplado um transmissor de fabricação caseira em ondas curtas na freqüência de três mil e pouco kilociclos. Zeilto veio fazer parte e comandava alguns programas musicais, destaque para “Almoço a Brasileira” e Jornalístico: “O Positivo e o Negativo” além do “Comentário do Dia”, apresentava o Jornal da Emissora. 

Em 1967, Zeilto adentrava ao Studio da Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras e pouco tempo depois já exercia as funções de Diretor. Foi em Cajazeiras que Zeilto veio projetar-se no rádio sertanejo, e conquistou audiência na região com os programas criados por ele: “Discoteca Dinamite” de cunho jornalístico, o mais polêmico da época; o DDD e DDI, que apresentava crônicas em parceria com o médico Júlio Maria Bandeira, chegando a causar “frisson” na Polícia Federal, que especulava o significado dessas letras. “Nosso Encontro com Nelson” aos domingos, até hoje permanece.  Este programa ao completar 15 anos, Zeilto teve a proeza de trazer Nelson Gonçalves a Cajazeiras para um show no sábado a noite e o comparecimento ao vivo do cantor, ao Programa no domingo pela manhã para uma entrevista. 

Nos eventos que se registravam em Pombal, Zeilto trazia a Rádio Alto Piranhas. Ainda me lembro, como fui honrado por ele em uma transmissão da Rádio Alto Piranhas direto do Cine Lux na cobertura da Convenção Municipal do MDB. Na ocasião eu era o locutor do Partido e ele, depois de fazer a conexão com a emissora, virou-se pra mim e entregando-me o microfone disse: Se vire, e foi embora do local. 

De outra feita numa visita que eu fiz a Rádio Alto Piranhas, Zeilto me entregou uma Carteira funcional nomeando-me repórter correspondente da emissora em Pombal. Anos depois, em 1993, a Rádio Alto Piranhas, agora sob nova direção, contratava os meus serviços profissionais; tamanha foi a minha emoção ao sentir que estava em um meio de comunicação que Zeilto havia exercido suas atividades e ao colocar meus olhos no livro de registro, encontrei a página onde estava a foto dele e seu registro profissional, a emoção bateu mais forte ainda. 

A Festa do Rosário, tornou-se mais conhecida na região. Todos os anos, Zeilto a acompanhava transmitindo através da Rádio Alto Piranhas a parte religiosa da Festa. Outro evento que a Alto Piranhas se fez presente por intermédio dele, foi a Grande Festa realizada no Pombal Ideal Clube, intitulada: “A Paraíba em uma Noite”. Zeilto, ainda fez cobertura para a Rádio Alto Piranhas da Inauguração da Rodovia Federal BR 427 que liga a nossa cidade ao Rio Grande do Norte, quando da vinda a Pombal do Ministro dos Transportes de então, Mário Andreazza. 

Zeilto era conhecido pela sua habilidade nas artes, era músico e como tal, fundou sua própria Orquestra em Cajazeiras, chamada “CHAVERON”; e pela versatilidade que possuía, Zeilto formou mais duas orquestras: a Chavereque e a Oritimbó, isto no decorrer de três anos, animando os Carnavais e matinês dos Clubes de Cajazeiras. Por sinal tocou vários Carnavais na região e uma vez animou um Carnaval no Pombal Ideal Clube. Chegando até compor uma música de Carnaval com o título: “Maroaje”. 

Amou tanto a terra de Padre Rolim, que criou dois Slogans para enaltecer Cajazeiras: Costumava dizer nos microfones da Rádio Alto Piranhas: “Minha Linda Cajazeiras” e em uma vinheta da emissora: “Rádio Alto Piranhas a única emissora em Cajazeiras que o Nordeste conhece”. 

Após dezoito anos na Rádio Alto Piranhas, Zeilto foi levar a sua voz para João Pessoa capital do nosso estado, assumindo a direção comercial da Rádio Arapuã e despertava os pessoenses com o seu Programa: “Café da Manhã”. 

Um dia, no cumprimento de sua missão, Zeilto trilhou a sua última caminhada no rádio, estava cumprindo mais uma jornada de trabalho, sem saber que aquele dia, seria o último de sua carreira. Compareceu ao aeroporto – Castro Pinto em João Pessoa, para fazer a cobertura jornalística da visita do Presidente da República de então, General João Batista de Figueiredo, que veio a Paraíba cumprir agenda de compromissos do Governo Federal para com o nosso Estado. Zeilto com brilhantismo fez o seu trabalho e ao finalizá-lo, de repente, se sentiu cansado, debruçou-se sobre a direção de seu carro e disse: “Está escurecendo”, foram suas últimas palavras. Ficou em coma, acometido de aneurisma cerebral e após alguns dias, veio a falecer no centro de terapia intensiva da casa de saúde São Vicente de Paula em João Pessoa, no dia 25 de agosto de 1982. 

Seu sepultamento foi realizado no Cemitério Nossa Senhora do Carmo em Pombal com grande acompanhamento, principalmente de seus colegas de Profissão, tanto da Capital, como do interior. A Rádio Maringá, da qual Zeilto, através do convite que lhe fiz, presidiu o Cerimonial de Inauguração, transmitiu para uma rede de emissoras no Estado, a missa de corpo presente na Matriz do Bom Sucesso e acompanhou as homenagens no campo santo, ocasião em que o Radialista e Jornalista Nonato Guedes, falou em nome dos colegas. 

Zeilto cumpriu bem a sua missão sendo querido de todos os políticos que foram entrevistados por ele. Esse radialista emudeceu sua voz que arrebatava ouvintes e empolgava multidões. Polêmico, vibrante, versátil, ativo e participante, um polivalente. Expoente da Comunicação! 

Radialista ou Jornalista, vive da história dos outros. E isto me faz lembrar uma canção interpretada por Altemar Dutra, que leva o nome: “EU CANTO A MINHA DOR” composição de Toso Gomes e Antonio Correia, cuja letra diz assim: Eu pego o violão, e canto a dor alheia, Também minha alma anseia e Canto a minha dor, nesta canção. E tão emocional meus olhos rasos d’água, Me faz sentimental, meu coração ficou cheio de mágoa. Abre a janela e vem, ouvir a voz de quem Deu tudo que era seu E nada recebeu, E há de saber por quem a minha voz vagueia, Eu canto a minha dor, não canto a dor alheia. 

*RADIALISTA 

RUY CARNEIRO: O SÍMBOLO DA VIRTUDE NA POLÍTICA!

CLEMILDO BRUNET* (Foto)
Nas escolas da vida, geralmente as pessoas elegem aqueles que se destacam no modo de agir para com elas, lhes fazendo o bem e sempre levam ao conhecimento de terceiros em forma de elogios, os benefícios recebidos. Por outro lado, deveria haver no currículo do calendário escolar, uma disciplina que fizesse lembrar as gerações do presente e do futuro, os feitos daqueles que foram destaques no cenário político, ético, social e religioso em um Estado da Federação ou do País onde nasceu. Quantas vezes ouvimos falar no nome de pessoas dado a uma rua ou avenida e não sabemos nada a respeito do homenageado, cuja designação está em uma placa naquele logradouro público. Acontecendo o mesmo com nomes que são dados a sala de aula, edifícios, galerias etc. Ruy Carneiro, por exemplo, muitos sabem apenas que ele foi Senador,no entanto não foi somente isso, ele foi um político versado na ética e na arte da política, se vivo estivesse iria completar no dia 20 deste mês de Agosto, 106 Anos. Nos dias de hoje, os sinônimos menores que se possa pensar ou falar de um político são: Desonestos, ladrões, corruptos, mensaleiros e muitos outros designativos que coloca a classe política no fundo do poço. Os constantes escândalos que avassalam o Congresso Nacional (alta e baixa), casas Legislativas, o Poder Central e por extensão chegando até os Governos de Estado, Deputados, Prefeitos e edis mirins, são fatos que a Imprensa brasileira vem denunciando dia a dia nessa Nação. È claro que ainda mesmo sendo minoria existem políticos bons, mas o brado deles o efeito é de ouvido de mercador. Em um artigo sob o título “Aos Homens de Bem” que me foi enviado pelo radialista e advogado Ubiratan Lustosa lá do Paraná, em determinado trecho ele diz o seguinte: “Hoje em dia, estudam-se as leis para aprender as chicanas, evita-se assinar para não precisar responder pela assinatura, e a palavra – da qual tanto são pródigos – cada vez se emprega mais e vale menos”, no final ele conclama os homens de bem, para que se mantenham firmes em seus princípios e arremata: “Só com a união e mobilização dos homens sérios, dignos e decentes é que o bem continuará se sobrepondo ao mal”. Durante as comemorações do Centenário de nascimento do Senador Rui Carneiro em 2001, Carneiro Arnaud Ex-prefeito de João Pessoa, declarou duas qualidades fundamentais de seu tio Ruy Carneiro: “Lealdade e seriedade”, enfatizando que Ruy foi sempre leal com os partidos e partidário, nunca dando as costas para os verdadeiros amigos, situação rara na atual conjuntura política brasileira, onde a troca de legendas tornou-se um fato corriqueiro. A Maneira como Ruy Carneiro se envolveu com os humildes, fez com que exercesse sobre eles uma liderança incontestável através de anos em que depois que foi para o Senado da República sempre foi vitorioso e pela virtude das ações de cunho social, ficou conhecido como “Escravo Branco da Paraíba”, pelo fato de sempre acolher os seus conterrâneos, onde quer que eles estivessem. No Rio de Janeiro, na Paraíba ou no Mato Grosso. Certa feita ele foi buscar uma família que estava sendo mantida em regime de trabalho escravo em uma fazenda. Os primeiros estudos do senador Ruy Carneiro foram em Pombal e Catolé do Rocha, o secundário em Patos, Cajazeiras e João Pessoa. Formou-se em direito pela Faculdade de Recife. Foi nomeado por Getúlio Vargas, Interventor da Paraíba e assumiu o Governo no dia 16 de agosto de 1940. Foi fundador do Partido Social Democrático (PSD) em 1946. Com a extinção dos Partidos políticos em 1964 criou o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), atualmente PMDB. Outra marca de Ruy Carneiro na história política brasileira foi a sua permanência na direção partidária, 31 anos de liderança exercendo a presidência do partido até seu falecimento em 1977. Um fato curioso que chama atenção foi quando Ruy Carneiro era interventor na Paraíba. Conclamou os paraibanos de uma forma direta ou indireta participarem da II Guerra Mundial, promovendo campanha para a FEB – Força Expedicionária Brasileira; contribuíam com dinheiro (era a campanha do tostão), agasalhos, cobertores, roupas etc. A Cruzada Nacional, telegrafou ao interventor Ruy Carneiro, agradecendo o “Bônus de Guerra”, enviado pela Paraíba. A primeira vitória dos países aliados foi a libertação de Bayeux, cidade da França. A Paraíba por sugestão dos Diários Associados, para homenagear aos combatentes dos Estados Unidos, mudou o nome de Barreiras para Bayeux. O Governo De Gaulle, enviou uma mensagem ao Dr. Ruy Carneiro: “Quero exprimir a Vossa Excelência e pelo seu intermédio a Grande Nação Brasileira, os sentimentos de gratidão da cidade de Bayuex e da Nação Francesa profundamente tocadas pela fraternal amizade de sua iniciativa”. Chanceler Massigli – Ministro do Interior da França Livre. Os Jornais e a BBC de Londres, anunciaram o fato com grande destaque. O Embaixador da França – Jules François, em telegrama agradeceu: “Os filhos de Bayeux, da gloriosa Paraíba, onde sempre pulsaram os mais vibrantes sentimentos de liberdade, são todos defensores dos princípios inspiradores da cultura e da civilização. Bayeux cidade paraibana, é o símbolo de libertação que permanecerá nas plagas brasileiras como roteiro para os homens de bem”. Ficou na Paraíba, a presença simbólica da França”. Ruy Carneiro, exerceu um governo liberal, democrático, pluralista. Reorganizou a administração, normalizando o pagamento dos funcionários, criou o DSP Departamento do Serviço Público. Inaugurou o Manicômio Judiciário, a Colônia de Mangabeira, Estação Termal de Brejo das Freiras, Centro de Reabilitação para as mulheres delinqüentes e inúmeras outras obras, dentre elas, a construção do Mercado Público de Pombal. Ao transmitir o cargo em 20 de outubro de 1945, ao Dr. Samuel Duarte, oportunidade em que assinou o Projeto da Nova Carta Política do Estado, Ruy Carneiro proclamou aos paraibanos: “Outros poderão ter servido, e muitos outros servirão ainda a nossa terra, com brilho e mais sabedoria do que eu. Nenhum porém, a terá servido ou virá servi-la com maior carinho, maior devotamento e o mais rigoroso sentido de honestidade”. Os cento e seis anos do grande líder popular no dia 20 deste mês que tinha a sua maneira de comandar, é um desafio a classe política dos dias de hoje tão estremecida e abalada com os acontecimentos que mancham o nome dessa classe. Ruy Carneiro, exemplo de civismo; inspirar-se nesse civismo é saber eleger para si e para os outros o bem estar de todos. Para o Deputado Federal e ex-governador da Paraíba, Ronaldo da Cunha Lima, conviver com Ruy Carneiro foi um privilégio que o destino lhe ofereceu, “guardo dele atitudes dignas e corajosas” e que segundo Ronaldo, na política tenta, a todo custo, perseguir os exemplos de Ruy Carneiro. Como se não bastasse tudo isso, foi Ruy Carneiro quando chefe de gabinete do então Ministro da Aviação e Obras Públicas José Américo de Almeida, em 1932, que induziu o médico e compositor Joubert de Carvalho a compor a canção Maringá vindo anos depois servir de inspiração que deu o nome a uma cidade no Paraná. Dele disse o seu sobrinho Desembargador Rafael Carneiro Arnaud: “Ruy era dono de um carisma irrestível e se constituiu num símbolo das virtudes políticas de todos os paraibanos conscientes, que jamais lhe negaram o apoio e a confiança, consagrando-o como seu grande líder e leal condutor dos seus ideais políticos” Em Pombal as homenagens por ocasião do Centenário do Senador, a administração do Grupo Claudino do Armazém Paraíba, pois uma placa no imóvel onde hoje funciona uma de suas lojas, com a seguinte mensagem: “Nesta casa nasceu no dia 20 de agosto de 1901, o grande filho desta terra, o Senador Ruy Carneiro.” Outra homenagem prestada a Ruy Carneiro em Pombal é o Hospital Distrital que leva o seu nome pertencente a rede de Hospitais do Governo do Estado. Ruy Carneiro Entra para a história política brasileira como único parlamentar a ser eleito quatro vezes consecutiva para o Senado, em eleição direta. 1950, 1958, 1966 e 1974. Ficou ainda mais conhecido e lembrado por todos pela célebre frase: “FORTE É O POVO”. *RADIALISTA CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com WEB: <>

SEMPRE CLEMILDO!

POESIA DE CESSA LACERDA FERNANDES (FOTO) EM HOMENAGEM AO PROGRAMA RADIOFÔNICO "SAUDADE NÃO TEM IDADE" PELAS RÁDIOS LIBERDADE FM E BONSUCESSO AM DE POMBAL, QUANDO DE SUA ESTRÉIA EM 05-11-2000.
É sempre Clemildo que trás Músicas para recordar Aquele “CORAÇÃO APAIXONADO” Faz hoje, todos lembrar, Mexeu com agente, demais E que nos soube cativar Agora, é a SAUDADE que vem Dizendo: _ “Não tenho idade”, E que moverá toda cidade Com aquilo que a música tem, Provocando felicidade E grande alegria também. Começando está agora Este programa prá frente Foi chegado bem na hora De Clemildo promover agente Voltando com músicas de outrora. Deixando-nos muito contente! Devemos ficar contentes Para no domingo ouvir E de corações presentes Puder com amor, curtir A SAUDADE que mexe com agente Neste programa que vai abrir. Ele vai agradar a todos Nos domingos logo cedo Trazendo pois, as músicas Que prá nós, constituem segredos. Parabéns, parabéns, Clemildo Por esta idéia colossal. É isto que sempre aparece Nesta rádio de Pombal E também a cultura cresce Por aqueles que têm ideal De fazer o que ela merece Pois é sua cidade natal. Transbordando de alegria Aqui estamos a comemorar Este domingo que irradia E que faz o povo alegrar Com músicas e com minha poesia Que trouxe para participar. Parabenizo as rádios: Liberdade e Bonsucesso Com respeito e admiração E digo que continuem no progresso De sua divulgação Colhendo mais a mais, sucesso Em sua programação. A Clemildo, eu desejo Felicidade para este programa Paz, saúde, também almejo No decorrer desta chama E que Deus o proteja Naquilo que você proclama. CESSA LACERDA FERNANDES - POETISA POMBALENSE! Pombal, 05/11/2000.