CLEMILDO BRUNET DE SÁ

EURIVO DONATO, O RÁDIO E A BOLA!

MACIEL GONZAGA*(Foto) Tem sido uma das preocupações de Clemildo Brunet solicitar sempre daqueles que escrevem neste Blog para nos ater prioritariamente a escritos sobre o Rádio Pombalense. E não podia ser diferente, em se tratando desse intrépido homem de comunicação. Mas, na ciência do direito é salutar para a boa defesa de uma tese se encontrar as brechas na lei ou, em outras palavras, os caminhos jurídicos. E é isso, data vênia, o que eu vou procurar fazer neste artigo ao buscar meios de contrariar a norma. Mas, tudo por uma boa causa. Quero falar hoje de uma figura que, na verdade, foi preponderante no nosso rádio da época: Eurivo Donato. Tinha um amor profundo pelo rádio e pelo futebol. Foi talvez, a mais mordaz e espirituosas das pessoas que eu já conheci na minha vida. O seu espírito brincalhão chegava ao extremo, mas ninguém tinha raiva dele. Muito pelo contrário, quando encerrávamos o horário da “Voz da Cidade”, ficávamos todos até altas horas da noite sentados, uns no banco da Praça do Relógio, outros ao chão, para ouvir as conversas e estórias de Eurivo. Era conhecido pelo apelido carinhoso de “Mixuruca”, que ele mesmo definia o termo como: “insignificante, pequeno, de má qualidade, de pouco ou nenhum valor”. Era natural de Campina Grande e chegou a Pombal como funcionário da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Casou-se com uma pombalense e teve dois filhos. Aparentava ter experiência no rádio, embora havia entre nós alguém que contestasse isso. Mas, confesso, todos nós aprendemos muito com o velho “Minxa” como era carinhosamente chamado por todos os seus amigos íntimos. Era o mais velho de todos e o nosso orientador maior. Lembro-me de um colega nosso – Clemildo sabe quem – que, por inocência, dava o prefixo da rádio nos seguintes termos: “Os senhores OUSSEM a Voz da Cidade”. “Mixuruca” caia ao chão e ficava se esperneando, ria até cansar, mas tinha o cuidado de, depois de fazer toda a gozação, procurar em tom sério o dito cujo e orientá-lo para que falasse o português correto. Mas, na ausência, não deixava de tirar a sua casquinha. Depois, se transferiu para Cajazeiras, a convite de Zeilto Trajano, e foi trabalhar na Rádio Alto Piranhas, onde lá ficou até o fim da sua vida. Portador de uma úlcera estomacal, Eurivo Donato estava sempre se alimentado de leite, que era preparado no restaurante de “Cabina”, e que ele se referia como “leite de onça”. As estórias de Eurivo eram muitas. Contava ele que, quando jogador de futebol, disputava uma partida no estádio Presidente Vargas, do Treze Futebol Clube, em Campina Grande, época que ainda nem era cercado e estava em obras. Ao tentar bater um escanteio, o árbitro da partida mandou que ele (o jogador) colocasse a bola no lugar certo. Ao repetir a determinação pela terceira vez consecutiva, “Minxa” pegou a bola, colocou debaixo do braço, subiu numa “caieira de tijolos” que tinha nas proximidades e perguntou para o árbitro: “Posso bater daqui de cima?”. Fica claro o exagero! Mas, como já disse em artigo anterior, Genival Severo não perdoava ninguém com os seus apelidos. Eurivo Donato era chamado de “a Bola”, numa referência à sua paixão pelo futebol. Não há a menor dúvida de que o futebol da cidade de Pombal deve muito a Eurivo. Foi ele quem, no início da década de 60, deu um impulso impressionante ao “esporte rei” na nossa terra. Era presidente do São Cristóvão Futebol Clube, diretor de esportes, treinador, massagista, “babá” de jogador e até, na falta de um juiz, apitava os jogos amistosos do seu time. Imaginem só! O treinador apitando o jogo do seu próprio time. Ocorre, que toda vez que Eurivo apitava o jogo, o São Cristóvão perdia, pois ele roubava para o time de fora e, ainda chamava os nossos jogadores de pernas-de-pau. Lembro-me de alguns nomes que marcaram época no futebol pombalense, sob o comando de Eurivo: os goleiros Zé Canário, Menininho e Nego Aderson, Perequeté, Zaqueu, Carrinho de Doutor Lourival, João Rapadura, Chico Sales, Tuzinho, Lacon, o maior de todos eles, Carlos César (o “Meu César” de Severino Pedro) e tantos outros. Era voz corrente na cidade, que “Minxa” pedia ao delegado Tenente Marcílio – leia-se, coronel Marcílio Pio de Queiroz Chaves – para prender Nego Aderson, o goleiro do time, no sábado à noite, para que ele não fosse se embriagar na Linha do Trem (“o cai pedaço” do bairro dos Pereiros). Na manhã do domingo, o homem forte do time ia todo poderoso soltar e reclamar da prisão do seu goleiro, em seguida levava-o para sua própria casa e mantinha-o em regime de total vigilância até a hora do jogo. Aliás, essa história me foi confirmada por um pombalense, Mané Preto (irmão de Carmino e Anselmo), um funcionário do ex-DNER, em Campina Grande. Pois é! No jogo que podia ser contra o Corintians (a grafia é assim mesmo) de Caicó, o Caicó Esporte Clube, o Centenário de Parelhas, a Sociedade de Souza, o time de Coremas, de Itaporanga, de Piancó, de Conceição, Malta ou de qualquer outra cidade, Nego Aderson fechava o gol e nós ganhávamos sempre o jogo. É que claro, com a ajuda da arbitragem do tenente Marcílio e os gols de Tuzinho e “Meu César”. Certa época houve uma cisão no São Cristóvão e surgiu o Pombal Esporte Clube. O bicho pegou quando houve o desafio para um jogo entre as duas equipes. A partida foi marcada com direito a muita divulgação, mas com um único objetivo: desmoralizar “Mixuruca”. O Pombal Esporte levou os melhores jogadores do time alvi-negro, inclusive o goleiro Nego Aderson, o artilheiro “Tuzinho”, Carlos César, entre outros. “Minxa” não contou conversa. Na calada da noite foi até Campina Grande e de lá conseguiu importar alguns grandes nomes do Galo da Borborema – é verdade que, alguns, em final de carreira – entre eles o goleiro Elias, um dos maiores goleiros que eu já vi atuar na minha vida, o meio-campo Géu, ambos com passagem destacada pelo futebol pernambucano, entre outros que não lembro o nome agora. Esses jogadores chegaram à cidade, ficaram escondidos no Grande Hotel de Chicó, sob a proteção total de “Cabina” e só se apresentaram na hora do jogo. Campo lotado, muita expectativa. O São Cristóvão entra em campo, com “Mixuruca” à frente, apresentando as caras novas do time. A torcida do São-Cri-Cri, ansiosa, queria saber quem eram aqueles jogadores. São Cristóvão x Pombal Esporte foi um grande jogo de futebol que, no final, apresentou o placar de 1 x 1. Após o jogo, “Mixuruca” foi comemorar na Praça do Relógio, cercado de amigos e desafetos, não o resultado do jogo em si que ele dizia que não gostou, mas, a sua “não-desmoralização” pois o São Cristóvão não perdeu como a diretoria do adversário apregoava. Deu uma demonstração de ser uma “raposa”, o que hoje é comum se chamar de “cartola experto” no futebol. Certa vez, pelas mãos de Eurivo Donato, o São Cristóvão enfrentou o Milionários de Campina Grande. Lá estava o grande ponteiro-esquerdo Rinaldo, ex-Treze, ex-Palmeiras de São Paulo, e ex-Seleção Brasileira convocado para a Copa de 66, e o ponteiro Direito Miruca, ex-Treze, ex-Náutico e ex-São Paulo. Mané Cego e Mané Preto, que eram os maiores entendidos de futebol nessa época faziam sempre questão de dizer: “Rinaldo esteve aqui em Pombal”. Na minha concepção, tanto no Rádio como na “Bola” “Mixuruca” foi grande pela sua coragem, obstinação, sagacidade e, principalmente, pela sua alegria e presença de espírito. Morreu por volta das 21h (uma quinta-feira), dia 18 de junho de 2005, no Hospital Regional de Cajazeiras. Trabalhou em várias emissoras de rádio de Cajazeiras e da Paraíba, marcando época na radiofonia e nos deixando um grande legado. Que o Deus o tenha em bom lugar *JORNALISTA, APRESENTADOR DE TV, ADVOGADO E PROFESSOR.

"A VOZ DA CIDADE DE POMBAL" UMA TRINCHEIRA DE LUTA

PROTESTO CONTRA O RACISMO! CONTADA POR MACIEL GONZAGA* (Foto) A emissora de rádio “A Voz da Cidade”, criada em meados da década de 60 pela inspiração desse intrépido da comunicação pombalense que é Clemildo Brunet de Sá, ainda que incipiente e não autorizada pelo ex-Dentel, pela forma como atuou durante toda a sua existência, tornou-se não só uma formadora de futuros profissionais que galgaram posteriormente posições na vida, mas, também, uma trincheira de luta em defesa das causas maiores da nossa sociedade da época. Antes de mais nada, a Rádio adotou o caminho de trilhar por um sério trabalho, um trabalho de revisão de idéias e de valores morais. E não foi por falta de esforço e sofrimento que esse árduo trabalho pode cumprir a sua missão. Muitas idéias que à época pareceriam fazer parte integrante do nosso ser moral estavam inseridas no conceito e na proposta de Clemildo. Pois bem! Vou contar um episódio que aconteceu naquela época, omitindo, é claro, deliberadamente, os nomes dos personagens envolvidos por uma questão ética. Mas, tenho certeza, que Clemildo, Genival Severo e tantos outros, sabem muito bem de quem estou falando. O Pombal Ideal Clube estava no seu nascedouro e organizou uma grande festa trazendo uma banda musical de fora. A festa foi amplamente anunciada na “Voz da Cidade” e tornou-se uma grande expectativa para a sociedade pombalense. A Rádio ganhou uma mesa ou, talvez, mais de uma, para acolher todos os seus funcionários, amigos e simpatizantes em clima de confraternização. No momento da entrada, alguém da diretoria do clube teve a infeliz idéia de determinar a proibição de pessoas de COR NEGRA. O alvo era atingir alguém. O racismo ainda não era crime prescrito na Constituição Federal, mas era algo historicamente inconcebível claramente aos olhos de toda a sociedade brasileira. Estávamos em plena época da ditadura militar. Mas, com total e irrestrito apoio de Clemildo, que era o nosso comandante maior, apesar de toda a sua juventude, houve uma verdadeira revolução. Arruda, que era o mais radical de todos nós, convocou de imediato um batalhão de estudantes - a maioria deles universitários que estudavam em João Pessoa -, todo o pessoal da Rádio e dezenas de outras pessoas simpatizantes à causa. Foi iniciada ali mesmo, por volta das 22 horas, na porta do Clube, um protesto onde os oradores falavam e se revezavam sem trégua. A confusão foi grande. Até a Polícia, cuja delegacia era ao lado do Clube, foi chamada ao local e a diretoria do Pombal Ideal Clube teve que recuar da decisão e abrir as portas para todos os negros portadores de senhas ou convites. A batalha foi vencida. Ocorre que no dia seguinte, um domingo, a Rádio não calou a sua voz. Não se conformando, pois não é que Clemildo e sua trupe resolveram reascender o problema através dos microfones da emissora. Arruda mais uma vez convoca os estudantes e, a partir do meio-dia, dá início a uma verdadeira carnificina contra a direção do Clube. O diretor (a) responsável pela decisão teve a sua vida totalmente exposta e elevada a um posto de total degradação tudo em nome do combate a um mal que surgiu na Cultura Ocidental, ligado a certas concepções sobre a natureza humana. Naquela época tínhamos a consciência de que mesmo com o negro alcançando a igualdade jurídica com a abolição, mantinha-se, como até hoje, não só a desigualdade econômica e social em relação ao branco, mas ainda a antiga ideologia que definia bem a diferença entre os dois e reservava ao negro uma posição de submissão. Nós protestamos veementemente contra isso. Há quem diga que esta radical posição assumida contra o preconceito racial, talvez, tenha sido o motivo principal da denúncia feita ao Dentel, em João Pessoa, contra o funcionamento da rádio ilegal, o que teria motivado o seu posterior fechamento. Mas, o que fica claro nesse episódio é a coragem e a determinação de Clemildo em colocar o seu patrimônio a serviço de uma causa nobre e justa. Como já disse, muitos daqueles estudantes que participaram do movimento estão aí vivos para comprovar o que estou afirmando e sabem muito bem de quem estou falando e que foram os personagens envolvidos. Os anos se passaram e fica aqui o registro para a história. “A Voz da Cidade” tem realmente um passado glorioso, uma trajetória de luta em defesa das mais justas causas da sociedade pombalense.
*JORNALISTA, APRESENTADOR DE TV, ADVOGADO E PROFESSOR. NATAL-RN.

CONVIVENDO COM O IDOSO!

CLEMILDO BRUNET*(Foto) Ninguém em sã consciência por mais que esteja vendo a realidade dos fatos, admite ou assume aquilo que se chama envelhecer. A maioria das pessoas de meia idade não gosta que a chame de velhas, isso é um choque para elas quando as tratam assim. A população de idosos desde 1994 em nosso país tem aumentado consideravelmente e a nossa Paraíba encravada na região mais pobre desta nação, é hoje proporcionalmente, a segunda maior população de idosos e divide o segundo lugar no Brasil com o Rio Grande do Sul. Já o Rio de Janeiro tem um pouco mais, 10,9% ocupando o primeiro lugar em número de idosos. Num país de velhos,o mais desgastante é que nossa sociedade não está preparada e não aprendeu como tratá-los numa convivência harmoniosa. A situação é grave! São mais de trezentos mil; além das limitações impostas pela idade, eles sofrem o preconceito de um grande número de pessoas, que ainda não se adaptaram a conviver com eles. Faltam especialistas no assunto, principalmente na área de saúde para orientar e atender o idoso. Em João Pessoa capital do Estado, conta-se nos dedos os serviços na área de saúde que oferecem assistência global a terceira idade. Para alguns especialistas, o envelhecimento da população brasileira foi muito rápido. Os Estados Unidos passou 70 anos para atingir o percentual de velhos que o Brasil alcançou em 10 anos, que é em torno de 10%. De modo geral, o idoso sofre discriminação, muito das vezes não são priorizados.”Se tiverem de optar entre salvar a vida de um jovem ou de um velho, salvam o jovem” palavra da gerontóloga Miriam Trindade. Daí a necessidade da criação do Estatuto do Idoso, a Lei 10.741, de 01-10-2003, Estabelecendo que “O Poder Público poderá criar Varas especializadas e exclusivas do idoso”. E assim assegura as pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos, o direito a proteção da lei, disciplinando e regulando uma política de procedimento e respeito ao idoso. É preciso ter consciência dos fatores causais que mexem com o Idoso, para que se saiba como lidar com ele. Mudanças no corpo (envelhecimento), maior consciência das limitações da morte, das falhas do passado e do temor do futuro, confrontação das fantasias do jovem adulto com a realidade, queda na alta imagem. As questões existenciais voltam fortes nesse período: Quem sou eu? O que faço? Qual será meu destino? Existe uma sensação que o melhor da vida está no passado. Há um vazio e um sentido de urgência. E agora, diante de tudo que escrevi, eu pergunto: VOCÊ TEM UM IDOSO EM CASA? COMO É O SEU TRATAMENTO COM ELE? SEJA QUAL FOR! SE DEUS LHE CONCEDER ANOS DE VIDA, VOCÊ UM DIA SERÁ IDOSO TAMBÉM, E SENTIRÁ NA PELE A NECESSIDADE QUE OUTROS SENTIRAM E SÓ ASSIM COMPREENDERÁ COMO FOI BOM CONVIVER COM O IDOSO. Atentem para as palavras do sábio Salomão quando diz: “Ainda que o homem viva muitos anos, regozije-se em todos eles; deve lembrar-se de que há dias de trevas, porque serão muitos. Tudo quanto sucede é vaidade.... Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer” Eclesiastes: 11:8 e 12:1 *RADIALISTA CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com/

HOMENAGEM AO LORD AMPLIFICADOR 68/85.

BANER DO LORD AMPLIFICADOR DE POMBAL!
FOTOS DA ESQUERDA PARA DIREITA: ERNESTO FILHO (IN MEMORIAM) LENDO TEXTOS COMERCIAIS NO STUDIO; JOSÉ RIBEIRO, COLOCANDO O DISCO PRÁ TOCAR; CLEMILDO BRUNET DIRETOR FUNDADOR, FOTO AOS 16 ANOS DE IDADE. ABAIXO: CARTEIRA FUNCIONAL DO LORD AMPLIFICADOR COM A FOTO DE MASSILON GONZAGA - REPÓRTER POLICIAL. CONHECIDO COMO O MAIS PERFEITO SERVIÇO DE ALTO FALANTES, O LORD AMPLIFICADOR TINHA COMO SLOGAN: 'O SOM DIRECIONAL DA COMUNICAÇÃO' E FUNCIONAVA NAS DUAS MODALIDADES, FIXO E VOLANTE. FOI O RESPONSÁVEL DIRETO NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DA COMUNICAÇÃO CONTEMPORANEA, PARA O INGRESSO DOS MESMOS NA RADIODIFUSÃO EM POMBAL E OUTRAS REGIÕES DO ESTADO; BEM COMO, EM OUTRAS UNIDADES DA FEDERAÇÃO. LORD AMPLIFICADOR FOI UM MARCO NA NOSSA HISTÓRIA, QUANDO NÃO HAVIA AINDA MEIOS DE COMUNICAÇÃO MAIS MODERNOS. CLEMILDO BRUNET (RADIALISTA)

RÁDIO BONSUCESSO

UMA HISTÓRIA VERDADEIRA DE LUTA E AMOR ANTONIO CARNEIRO ARNAUD*(Foto) “Pombal minha terra amada”, eis como, sinteticamente, o compositor do hino de nosso município expressou com clareza o sentimento existente no âmago do coração de todos que nasceram no Velho Arraial de Piranhas. Filho de Pombal e, portanto, orgulhoso desta condição, sempre tive e tenho o pensamento voltado para a terra que me viu nascer. Por onde atuei durante toda a minha vida pública, sempre estava a pensar na minha terra natal e nos meus irmãos conterrâneos. No meu consultório médico, na Diretoria do Hospital Napoleão Laureano, na Superintendência do Instituto Nacional de Previdência Social (INSS), na Diretoria da Clínica São Camilo, na Câmara dos Deputados e na Prefeitura Municipal de João Pessoa, Pombal, minha terra amada, sempre esteve em meus pensamentos e, para ela, almejei como ainda hoje desejo, tudo de bom e, de igual maneira, para todos os seus filhos. Com esse firme e leal propósito e desde algum tempo, sempre lutei para Pombal obter mais uma estação de rádio transmissão. Observava à época, e cheguei a constatar que as cidades de Patos, Sousa e Cajazeiras, também localizadas no nosso sertão, na mesma região onde Pombal se situa, todas elas tinham duas e até três estações de rádio, e, assim indagava a mim mesmo: por que Pombal apenas possuía uma emissora de rádio, ou seja, a Rádio Maringá? Na condição de Deputado Federal colaborei decisivamente para a redemocratização do País. Participei com meu voto para a eleição do inesquecível Tancredo Neves para Presidente da República. Ele foi o grande brasileiro das Minas Gerais que, lamentavelmente não assumiu o cargo maior de Chefe de nossa Nação, pois, com o seu brusco e lastimável falecimento, aquele insigne posto foi ocupado pelo Vice-Presidente José Sarney. Nessa memorável marcha cívica o Brasil iniciava o seu retorno ao regime democrático pleno, pelo que o Congresso Nacional, de igual forma, restabelecia a escolha dos Prefeitos das Capitais dos Estados através do voto direto e secreto. Com essa conquista histórica e memorável, em 1985 fui eleito Prefeito da cidade de João Pessoa. Não obstante as minhas inúmeras atividades e preocupações inerentes ao cargo para o qual fui eleito, isso não fez arredar o meu ideal voltado para o bem estar e progresso da minha terra natal. Assim sendo, e aproveitando as inúmeras viagens que fiz a Brasília, ali mantive entendimentos pessoais com o Senhor Ministro das Comunicações, Dr. Antonio Carlos Magalhães, líder baiano recentemente falecido. A ele expus o meu desejo de contemplar Pombal com mais uma estação de rádio transmissão. Prontamente, convencido de minha exposição de motivos a ele feita, o Senhor Ministro, convencido das minhas razões expendidas, determinou à sua assessoria que me fornecesse todas as instruções a fim de podermos nos habilitar àquela pretendida concessão de serviço público, meu velho sonho a favor da terra de Maringá. Regressando a João Pessoa, iniciei todas as providências ao preparo da documentação indispensável às exigências legais pertinentes. Dentre elas, a primeira foi a constituição, no dia 26 de fevereiro de 1986, de uma sociedade comercial com a finalidade de explorar aquela concessão ou permissão de serviço público a favor da cultura paraibana, a ser outorgada por ato dos Poderes Públicos federais, de modo à efetivação da relevante prestação de tais serviços de radiodifusão sonora, em onda média e freqüência modulada, na minha sempre querida cidade de Pombal. Tal sociedade recebeu o nome de Rádio Bonsucesso Ltda, com sede na rua Coronel João Carneiro, nº 288, em Pombal – PB. A empresa identificava-se com o nome de fantasia: “Rádio Bonsucesso. Organização Carneiro Arnaud”. Por sinal, o nome Rádio Bonsucesso veio de uma sugestão do meu cunhado, o historiador pombalense Wilson Seixas. A sua inicial formação foi composta das seguintes pessoas: Antonio Carneiro Arnaud, Moema Carneiro Guedes Arnaud, Dalva Guedes Arnaud e Raphael Carneiro Arnaud. Em 25 de março de 1986, o seu contrato social foi legalmente arquivado na Junta Comercial de João Pessoa-PB. Em 02 de julho de 1986, a Diretoria Regional do DENTEL, encaminhou ao Sr. Prefeito Municipal de Pombal o Oficio número 20 solicitando divulgar o Edital nº 135/86, publicado no Diário Oficial da União de 23 de junho de 1986, referente a exploração do mencionado serviço de radiodifusão sonora de onda média, naquela cidade sertaneja paraibana. A sociedade Rádio Bonsucesso assim, e atendidos todos os demais pressupostos legais, credenciou-se à concorrência da mencionada concessão de exploração para prestar esses serviços de radiodifusão sonora, concessão essa também pretendida por outros grupos que desejavam conseguir aquela autorização legal. Decorrido algum tempo, encontrava-me na sede da Prefeitura pessoense, no expediente matutino, quando a Sra. Gerlane Cavalcanti, Chefe de Gabinete, me comunicou que o Senhor Ministro Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Senador Marcos Maciel, queria falar comigo. Ao telefone, o Dr. Marcos Maciel que era e é amigo e foi contemporâneo do meu irmão Raphael Carneiro Arnaud na Faculdade de Direito do Recife, me transmitiu a seguinte notícia: “Meu caro Prefeito Arnaud, por determinação especial do Presidente Sarney, quero lhe comunicar que Sua Excelência assinou agora a concessão de funcionamento da Radio Bonsucesso de Pombal.” Apresentei os meus agradecimentos, pedindo estende-los ao senhor Presidente da Republica. No mesmo dia, no turno da tarde, um outro telefonema me foi feito de Brasília, pelo Senhor Ministro das Comunicações, Dr. Antonio Carlos Magalhães, me transmitindo a alviçareira noticia da concessão de funcionamento da Rádio Bonsucesso. As suas palavras foram assim ditas: “Amigo Arnaud, o Presidente Sarney assinou a autorização da concessão da Rádio Bonsucesso de Pombal, atendendo ao seu pedido. Parabéns e bom êxito.” Comecei com os membros da referida Sociedade Rádio Bonsucesso a trabalhar para a instalação da emissora. Em 18 de fevereiro de 1987 foi assinado pela sociedade comercial um contrato de Comodato particular, pelo prazo de cinco anos, de um terreno, medindo 130 m de largura por 130 m de comprimento, para uso gratuito, na Fazenda Bolandeira, pertencente ao Sr. Mauricio Bandeira de Sousa, onde seriam instalados a antena e os transmissores da Radio Bonsucesso. Em 20 de abril de 1992 esse contrato, inclusive, foi renovado por mais cinco anos. Tudo mais que se fez e se fazia necessário para o funcionamento da referida estação de radiodifusão em nossa querida Pombal, foi realizado com muito carinho e extrema dedicação. Registre-se, por uma questão de justiça, a valiosa colaboração e magnânimo gesto do nosso saudoso amigo Mauricio Bandeira de Sousa. No dia 9 de abril de 1988 a inauguração da Rádio Bonsucesso de Pombal foi realizada, cujas instalações foram abençoadas pelo nosso inesquecível amigo, Padre Solon Dantas de França, então vigário da paróquia de Pombal. Na ocasião aconteceu uma bonita e significativa festa popular com as presenças de autoridades e de diversos amigos. Para animar e abrilhantar tão significativo evento, o cantor Capilé fez um show e na solenidade de inauguração também estava presente a Banda de Música 5 de Agosto, da Prefeitura de João Pessoa. Após o ato inaugural, um almoço foi oferecido para todos os convidados no Maringá Campestre Clube daquela cidade. Em 18 de maio de 1988, o sócio Raphael Carneiro Arnaud, tendo sido nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba, antes de assumir aquele honroso cargo, desligou-se da mencionada sociedade transferindo suas cotas para o Sr. Francisco Antonio Correia Carneiro. No Diário oficial da União, edição de 10 de agosto de 1993, foi publicada a autorização de transferência da concessão do mencionado serviço, em razão da cessão da maioria das cotas da Rádio Bonsucesso, para um outro sócio cotista. Esta é a real história da criação, instalação, inauguração e funcionamento da Rádio Bonsucesso de Pombal. Fiz questão de citar datas, fatos e, até mesmo, certos detalhes dos acontecimentos para que não paire nenhuma dúvida sobre a veracidade da concessão de funcionamento da Rádio Bonsucesso. Soube, anos depois, que algumas pessoas maliciosamente espalharam boatos cavilosos e mentirosos de que a referida estação de rádio era do PMDB, e teria sido obtida pelo Senador Humberto Lucena, e que eu conseguira desviá-la para a nossa sociedade comercial. Para desmascarar tais boateiros, e restabelecer a verdade, não maculando, pois, a verdadeira história da criação daquela radio, eu apenas indago: alguém, na Paraíba ou no Brasil, conhece alguma estação de Radiodifusão que tenha sido concedida a qualquer partido político? Ora, se nenhuma agremiação partidária conseguiu até hoje autorização para fazer funcionar uma estação de rádio transmissão, como a Radio Bonsucesso de Pombal seria de propriedade do PMDB? Ainda: como a concessão de seu funcionamento poderia ser conseguida pelo Senador Humberto Lucena, se nenhum outro seu amigo se habilitou a tal empreendimento? Também: em que órgão oficial foi publicado o ato de tal concessão desse serviço a favor do PMDB? Ainda: Em que Cartório do Registro Civil de Pessoas Jurídicas, ou em que Junta Comercial foram arquivados os atos autorizadores e constitutivos da concessão de tais serviços radiofônicos a favor do PMDB? Recentemente, como continuo fazendo com frequencia, estive em Pombal e recebi a agradável visita do dileto amigo Clemildo Brunet, ele que tanto colaborou com a Rádio Bonsucesso, na época que a dirigia, pedindo-me que escrevesse algo sobre a verdadeira história da criação e funcionamento da Rádio Bonsucesso de Pombal. Alegou-me que estava preparando um documentário sobre a história da radio difusão pombalense. Fiquei deveras contente, não só com o convite que me foi formulado, mas, sobretudo pela auspiciosa oportunidade que me foi proporcionada de demonstrar a todos que tenham acesso a este escrito, conhecer a verdadeira história de nascimento e funcionamento da Rádio Bonsucesso de Pombal, que nasceu com muita luta e amor. *MÉDICO, EX-DEPUTADO FEDERAL E EX-PREFEITO DE JOÃO PESSOA.

O PELOTÃO ESPECIAL E AS HOMENAGENS A IMPRENSA POMBALENSE!

CLEMILDO BRUNET* Não a nada mais gratificante nesta vida do que o reconhecimento. E esta gratidão acontece, pois em seu peito a chama cala de maneira profunda no recôndito da consciência. Somos despertados para o gesto de retribuição daquilo que nos deram sem nos cobrar nada em troca. Neste ponto a palavra de Deus é enfática quando diz: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco”I Tessalonicenses 5:18. Este ano a Imprensa pombalense foi contemplada através das homenagens prestadas pelo “PELOTÃO ESPECIAL” da ESCOLA ESTADUAL ARRUDA CÂMARA no desfile cívico de 07 de setembro. Segundo o Professor de Educação Física, Piragibe Mota Romeu, coordenador do referido pelotão fundado em 1978, esta homenagem a Imprensa de Pombal, deve-se ao fato do trabalho desenvolvido pelos radialistas do presente e do passado, bem como, dos meios de comunicação utilizados nas diversas áreas; desde os chamados Serviços de Alto Falantes até as Emissoras atuais; pois, desde então, a relevância de informar e entreter tem o seu significado marcante no contexto da nossa história: Social, Cultural, Política e Religiosa, contribuindo bastante para o engrandecimento de nossa gente. O Pelotão Especial do Professor Piragibe, como é conhecido pela população de nossa terra, sempre teve desde que foi criado, a finalidade de homenagear: Unidades escolares, seleção brasileira, diversas copas do mundo e personalidades da história, a exemplo de Jorge Amado; Professor Arlindo Ugulino patrimônio histórico da nossa educação, PE. Solon Dantas de França (saudosa memória) este, vigário por mais de 30 anos a frente da paróquia do Bom Sucesso em Pombal. O Pelotão do Professor Piragibe como é mais conhecido por todos,Já fez apresentações na 10ª Região de Ensino na cidade de Sousa, desfilando por ocasião de competições esportivas (jogos); e de outra feita representando as escolas pertencentes ao CEPES de Pombal, recebendo o Troféu Honra ao Mérito daquela instituição. Participou do Encontro de Fanfarras na nossa cidade e várias vezes fez exibição na abertura da tradicional Festa do Rosário. É um pelotão formado por alunos de ambos os sexos. Este ano o uniforme característico do Pelotão, O BRASÃO DE POMBAL e os Caracteres: HOMENAGEM AOS RADIALISTAS POMBALENSES. A frente do desfile a faixa: PELOTÃO ESPECIAL HOMENAGEIA A IMPRENSA POMBALENSE. Em seguida a filha do radialista e Professor da UFCG- Campus de Cajazeiras, Cezário de Almeida, a interessante e simpática garota Tayane Deyse na condição de baliza, abrilhantava ainda mais a homenagem fazendo suas evoluções e acrobacias. Os Serviços de Alto Falantes que tiveram destaque no desfile do pelotão especial, foram LORD AMPLIFICADOR cujo diretor fundador o jovem Clemildo Brunet (1968 a 1985) e a DIFUSORA GUARANY tendo como diretor fundador o Sr. Manoel Bandeira. O estandarte do Lord constava fotos originais do Studio com os locutores: José Ribeiro e Ernesto Filho (Netão) este último, faleceu recentemente, ambos executando suas tarefas. E a foto do Diretor fundador Clemildo Brunet, aos 16 anos de idade, como também , uma Carteira Funcional com foto do Repórter Policial Massilon Gonzaga. Lord Amplificador um marco na história radiofônica em Pombal, responsável direto na formação de profissionais da comunicação contemporânea, servindo para o ingresso dos mesmos na radiodifusão em Pombal e outras regiões, tanto do Estado da Paraíba, como de outros Estados da Federação, época em que Pombal não dispunha de outros meios de comunicação de massa. Difusora Guarany- (1942 a 1947), em seu estandarte, duas fotos do Sr. Manoel Bandeira, que fez programa de calouros no próprio Studio, era um exímio animador de auditório, revelando os talentos musicais de seu tempo. Lembrados também em fotos individuais nas suas flâmulas os radialistas de saudosa memória: Zeilto Trajano de Sousa, Gregório Dantas e Sérgio Lucena. Finalizando as homenagens as estampas das Rádios: Bonsucesso AM, Maringá FM, Liberdade FM e Opção FM, todas em pleno funcionamento. O Pelotão Especial da Escola Estadual Arruda Câmara, foi destaque mais uma vez em suas homenagens, sendo aplaudido pelo público e alvo de elogios por parte de todos que assistiram o evento. De Parabéns está o cidadão pombalense, que mais uma vez, compareceu ao centro da cidade para prestigiar a Programação do Dia da Independência. Obrigado, ao Professor Piragibe Mota Romeu por tão brilhante idéia de nos oferecer esta homenagem. *RADIALISTA CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com/

ACORDA POMBAL --- 149 RÁDIO DIFUSORA DE POMBAL!

CONTADA POR IGNÁCIO TAVARES - FILHO DA TERRA. (Foto) Em conversa com o amigo e radialista Clemildo Brunet falei um pouco sobre a Radio Difusora de Pombal, que pertencia ao saudoso amigo Chico Almeida. O raio de alcance era bastante limitado. Se não me engano, havia apenas três autos-falantes distribuídos pelo centro da cidade. O estúdio ficava em frente ao antigo hotel de Chico Caetano, mais precisamente onde hoje funciona um mercadinho. Em cima do estúdio tinha uma difusora apontada para a direção Sul e no mercado central havia uma outra, direcionada para norte da cidade e uma terceira localizada no prédio da antiga Lojas Paulistas, apontada para região leste. Pois bem, no inicio dos anos sessenta, fui nomeado para prestar serviços junto ao Fomento Agrícola com encarregado de vendas de insumos e implementos agrícolas e tinha como companheiro de trabalho, o senhor Chico Almeida, o primeiro multimídia de Pombal. Era um misto de funcionário público, empresário do setor de comunicação, político, por sinal, um exímio animador de comícios e ainda comerciante no setor de confecções. Inteligente e irrequieto. Gostava da vida e muito mais da família. Certo dia, o Chico, me fez uma proposta, que, num primeiro momento deixou-me assustado. Pois estava muito ocupado e por isso, sozinho não tinha como fazer funcionar a sua Rádio Difusora. O tempo lhe era curto diante das suas atividades do dia a dia. Pediu-me que assumisse um horário como locutor e sócio da Rádio Difusora. Achei a coisa estranha porem, engraçada, pois não tinha a menor experiência no exercício da locução. Dessa forma, por esta e outras razões, recusei a proposta. Mas o Chico não era muito de desistir. Assim sendo, com o propósito de me convencer, falou-me que estava fechando um contrato com as Lojas Paulistas, por sinal muito bom e que dividiria ao meio os numerários correspondentes ao contrato. Ademais, ainda teria que assumir um outro horário de 16 às 18 e 30 horas, para atender outros contratos firmados com algumas casas comerciais do centro comercial. O Chico era também proprietário de uma casa comercial do ramo de confecções, que funcionava na lateral do Grande Hotel, onde hoje existe uma casa de venda de peças e bicicletas. O constante assédio de Chico me convenceu, dessa forma dividimos os horários, ficando ele com o horário da manhã e eu com o horário da tarde, além dos sábados, para atender o contrato firmado com as Lojas Paulistas. Esse contrato foi estipulado em dez cruzeiros, sendo que cinco era dele e cinco era meu. Era um bom dinheiro pra aquela época. O programa iniciava às 8 horas de manhã e se estendia às 4 da tarde, sem intervalo. Recebi um roteiro, assim como a listagem dos novos produtos e dos que estavam em promoções. Abria o programa usando o seguinte bordão: ¨Lojas Paulistas, sempre imitadas nunca igualadas¨. No decorrer do programa fazia uma refeição rápida enquanto o disco girava, num momento de seqüência musical. A minha amiga estimada Formiga, hoje, esposa de Agnelo, era quem me abastecia de cafezinhos e lanches fornecidos por Dasdores, dona de um café que ficava na Rua Estreita, onde hoje está instalada as Lojas Martins. Durante a semana, no horário da tarde, fazia a divulgação das promoções levadas a efeito por algumas lojas, inclusive a de Chico Almeida. A propósito, certo dia o Chico me passou uma listagem dos produtos que estavam em promoções, porem, sem as especificações. Falava apenas em roupas íntimas para mulheres e nada mais. Tomei a iniciativa de dar nome aos bois. Assim sendo, substitui a denominação roupas íntimas, por calcinhas, cuecas e sutiãs, entre outros. Quando menos esperava Chico riscou na porta do estúdio apavorado. Os dois bueiros da narina estavam alem do normal e para completar, os olhos esbugalhados denunciavam ares de assombração. Cauteloso, perguntei: o que é que está acontecendo Chico? Respondeu-me: você me pergunta ainda? Essa estória de calcinhas, cuecas, sutiãs vai prejudicar o meu comércio. Como então? Perguntei. Ora, nenhuma moça de responsabilidade vai querer entrar mais na minha loja. Aconteceu, que a coisa funcionou de forma inversa, porque a clientela feminina foi lá ver as calcinhas e os sutiãs, para surpresa do meu estimado sócio. Daí por diante, não houve mais problemas e continuei a anunciar os produtos conforme as especificações. A minha experiência no setor de radiodifusão foi passageira. O horário das quatro da tarde, impossibilitava-me de participar dos treinos do São Cristóvão, defendendo as cores do Maracatu. Assim sendo, entre o Maracatu e Rádio Difusora de Pombal, a minha preferência foi pelo o primeiro. Dessa forma ao cabo de cinco meses, desfiz o contrato e voltei as lides futebolísticas com a cara de filho pródigo. Mesmo assim confesso que valeu a experiência meu amigo Clemildo. Por outro lado convém ressaltar que, por se tratar de um serviço de comunicação que só cobria o centro da cidade, pouca gente tem conhecimento dessa minha experiência, a não ser as pessoas que trabalhavam nas Lojas Paulistas e no centro comercial. Foi bom, mas, confesso que, não era essa a minha praia, porque, o que mais me dava prazer era agitar a massa estudantil, por conseguinte inquietar as oligarquias carcomidas da terrinha. Este sim foi um trabalho que a gente fez com artimanhas e maestria, uma vez que a estudantada nos acompanhava, não obstante a reação de alguns segmentos da sociedade. Foi muito bom e divertido, pelo menos enquanto durou. Ate logo mais....... João Pessoa, 08 de setembro de 2007

ONDE ESTÁ A MÃE GENTIL?

CLEMILDO BRUNET* (Foto)
Brasil nossa nação, País tropical que está no cancioneiro popular, possuidor do maior potencial hídrico do mundo,abençoado pela natureza, tendo sua riqueza: Na fauna, Flora, rios, mares e terras produtivas, além de um celeiro de coisas belas chamando atenção de turistas estrangeiros que nos visitam diariamente. É essa Nação que é chamada no seu hino de Mãe Gentil! Mais uma semana da Pátria, Mais um 7 de Setembro. Este é o centésimo octogésimo quinto da nossa Independência. A Cada ano que passa, sentimos um arrefecimento nas comemorações alusivas a Semana da Pátria. Os brasileiros já não sentem com tanto fulgor o calor dessas comemorações. Alcancei uma época em que a Semana da Pátria era comemorada em seus sete dias a começar de primeiro setembro, pelo menos me refiro a nossa cidade de Pombal. Nesse tempo as autoridades elaboravam juntamente com os diretores e professores das Escolas, tanto municipal, como estadual, uma vasta programação, começando pelos hasteamentos das Bandeiras: Nacional, Estadual e Municipal, no centro da cidade, largo da Praça do Centenário, com acompanhamento de Bandas Marciais, Alunos, Professores e povo em Geral. Hoje nem os mastros dos pavilhões representativos existem mais no mencionado local. A população desconhece o porquê da retirada desses mastros. Essas comemorações certamente ficaram restritas ao ambiente escolar de maneira isolada. Se é que as Escolas estão fazendo, não sendo do meu conhecimento esse fato. Onde Está a mãe Gentil? Declarada na letra do Hino! Segundo alguns historiadores, enquanto o Brasil foi colônia de Portugal, sua economia sempre esteve voltada para os interesses do comercio Europeu. Como maior nação industrial do mundo, a Inglaterra queria vender para os novos países os artigos que produzia e deles comprar a matéria prima de que necessitava. Boa parte do ouro e também dos diamantes do Brasil foi parar na Inglaterra. Um tratado feito entre Portugal e Inglaterra em 1703, acabou sendo vantajoso para os ingleses. Como Portugal comprava mais do que vendia, acabava usando o ouro e os diamantes do Brasil para saldar suas dívidas com os ingleses. Onde está a mãe gentil? A não ser o rompimento político com Portugal, a independência não trouxe nenhuma transformação para o Brasil. 1º - Os portugueses continuaram no exercício dos cargos públicos e até dos postos militares. 2º - Não houve a tão esperada nacionalização do comercio; os comerciantes na grande maioria, eram nascidos em Portugal. 3º - Não houve o rompimento dinástico: Tanto no Brasil como em Portugal, continuou reinando a mesma dinastia, a de Bragança. 4º - Não trouxe nem a abolição da escravatura nem o estabelecimento da República, como aconteceu nas colônias Espanholas. Finalmente, a Independência do Brasil para ser reconhecida por Portugal foi mediante uma indenização de 2 milhões de libras esterlinas. Onde está a mãe gentil? Na Saúde, Na Educação, no Saneamento básico, nos Governos em suas esferas: Municipal, Estadual e Federal, no Congresso Nacional e Legislativo em suas respectivas regiões? Saúde na UTI, Educação com salários baixos para os professores, saneamento básico em baixa, Governos, Congresso Nacional e similar, com seus escândalos e impunidades. Onde está a mãe gentil? Houve uma época neste país, em que os seus filhos lutavam pelo idealismo na crença de ver esta nação desenvolver a tal ponto de não ser preciso de nenhum deles terem de ir em busca do exterior com a finalidade de ter o seu sustento e o de sua família. O que vemos e ouvimos nos noticiários da Imprensa de um modo geral, é a inoperância das autoridades com relação à bandidagem que invade os nossos arraiás, praticando todo tipo de violência! É a má distribuição de renda, uns com muito, outros sem nada; salário defasado que não dar nem se quer para as despesas básicas, e como não bastasse tudo isso, o descaramento de alguns políticos que querem abafar suas maracutaias, ficando impunes dos crimes que cometem. Quem sabe, se não são essas coisas que afasta de nós brasileiros o estímulo a essas comemorações da Independência? Patriotismo, brasilidade, sentimentos esses que há muito tempo desapareceram do coração de nossos patrícios. Em meio a toda essa turbulência, em Pombal ainda se comemora o Dia 7 de Setembro, com desfile escolar. Há 25 anos que o Professor Piragibe Mota, professor de Educação física da Escola Estadual Arruda Câmara de Pombal, organiza a cada ano um Pelotão especial com a guarda de honra, homenageando pessoas e seguimentos da nossa sociedade. Este ano, a homenagem será aos órgãos de Comunicação da Cidade e radialistas. Ficamos aqui torcendo para que seja repetido o sucesso dos anos anteriores, já que o Professor Piragibe faz junto aos seus comandados, um desfile com muita galhardia, sendo aplaudido pelo público presente ao evento. Parabéns a nossa urbe, apesar das dificuldades que aumentam dia a dia, ainda tem tempo, para marcar as Comemorações alusivas a mais um Sete de Setembro. Prestigiemos pois esse evento, exercendo a nossa cidadania. *RADIALISTA CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com/

RAIMUNDO SACRISTÃO: UM PIONEIRO!

MACIEL GONZAGA* Pioneiro: diz-se daquele que abre ou descobre caminho através de região mal conhecida; precursor, que se antecipa ou abre caminho a outros iguais ou similares. Escolhi como tema para esse artigo, para homenagear uma pessoa que, inegavelmente, teve participação importante na história do Rádio Pombalense. Falo de Raimundo Gomes de Lacerda, conhecido por Raimundo Sacristão. Um cidadão de bem. Como relata Genival Severo, a história da radiofonia pombalense dista de longos anos. Começou com a Difusora Guarany, pertencente a Manoel Bandeira, no início da década de 40; depois aparece o Serviço de Alto-Falantes “Tupã” de propriedade de Rosil Cavalcante; em seguida o Serviço de Alto-Falantes – Difusora Tabajara, em meados da década de 50, de propriedade de outro homem de bem, Afonso Coelho Mouta, que depois mudou o nome para Difusora Rádio Lux, que permaneceu até o início da década de 60. Nesse período grandes locutores se destacaram, entre eles: Jairo Mota, Ivânio, João Rapadura, Anchieta de Lourenço José, Raminho de Antonio Bezerra, José Geraldo, Maria Alice, Lucrecia Formiga e Jurandir Urtiga.Agora vamos entrar no ápice da questão. No início da década de 60, Raimundo Sacristão cria o serviço de Alto-Falantes Rádio Difusora Maringá. O nome não poderia ser melhor, pois Raimundo tinha uma visão de futuro. E veio para inovar em todos os aspectos, inclusive fazia coberturas externas, como era o caso da festa da Padroeira Nossa Senhora do Bom Sucesso. A Difusora Rádio Maringá revelou nomes como José Geraldo, Zeilton Trajano e o pequeno Clemildo Brunet, que estreava com apenas 12 anos de idade, já demonstrando sua forte tendência para o rádio. A Difusora Maringá marcou época em Pombal, quando ainda não havia nenhuma emissora de rádio no Alto Sertão da Paraíba, através dos seus “cabaços” – o termo é de Genival Severo - colocados sempre nos lugares mais altos e movimentados da cidade, tais como a Coluna da Hora e o frontopício do açougue. Raimundo, que além de comandar a Difusora Maringá, exercia as funções de Sacristão da Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, daí ser conhecido como “Sacristão”, vinha do tempo do vigariato do Padre Vicente de Freitas e, depois, monsenhor Oriel Antônio Fernandes. Era amigo da minha família. No início da década de 60 eu já era seu ajudante como “coroinha” na Paróquia. Tocava o sino, ajudava nas missas, nos batizados e casamentos, etc. Mas, nas horas vagas o acompanhava até o estúdio da Difusora Maringá e lá ouvia e apreciava o trabalho dos locutores. Não hesitei e passei a me interessar pelo rádio. Estava me descobrindo. Quando Raimundo decidiu não mais levar à frente o seu projeto da Difusora Maringá e optou por disputar o cargo de vereador – que era o seu grande sonho, entregou o bastão para Clemildo Brunet, que logo criou o Serviço de Alto-Falantes “A Voz da Cidade”. Aí, eu não perdi tempo e tomei a minha primeira decisão na vida: abandonei o cargo de “Ajudante de Sacristão” e fui trabalhar com Clemildo, Zeilto, Zé Geraldo, Genival Severo, Eurivo Donato e tantos outros. Muitos anos depois, encontrei-me com Raimundo Sacristão em Campina Grande. Ele já estava doente por conta da bebida que nunca quis deixar. Ficou hospedado na minha casa, no bairro do Catolé, por dois ou três dias enquanto se submetia a exames médicos. Já trabalhando na Rádio Caturité o levei até a emissora e apresentei aos amigos. Lembro-me de uma frase dele se dirigindo ao diretor-superintendente da rádio, o ex-padre José Cursino de Siqueira: “Cuide bem desse neguinho. Ele é de ouro”. Quero aqui nesse artigo prestar não só a minha homenagem a Raimundo Sacristão, mas a homenagem de todos os que com ele iniciaram na comunicação. Foi um baluarte, um pioneiro, um destemido e, acima de tudo, um homem de visão. Graças a ele, todos nós seguimos essa profissão que ninguém ganha dinheiro, mas é divertida. Raimundo Sacristão, onde você esteja, que Deus lhe abençoe! *JORNALISTA, ADVOGADO, APRESENTADOR DE TV E PROFESSOR-NATAL-RN.

A CANÇÃO E A LENDA DA CABOCLA MARINGÁ!

CONTADA POR: JOSÉ ROMERO ARAÚJO CARDOSO/GILBERTO DE SOUSA LUCENA. (Foto/fonte: Albuns da Web do Picasa - Jerdivan Nóbrega) Praça do Centenário - destaque Projetor de Som do LORD AMPLIFICADOR.
A obra musical deixada pelo compositor e médico mineiro Joubert Gontijo de Carvalho (1900-1977), repleta de valsas, marchas e sambas, revela imensa influência da cultura popular. Já no início da década de trinta, esse sensível artista emplacou seu primeiro grande sucesso: a famosa marchinha carnavalesca “Taí (Pra Você Gostar de Mim)”, gravada por uma então pouco conhecida menina de vinte anos chamada Carmen Miranda. Foi o início exitoso da formidável brazilian bombshell. Outras consagrações de Joubert dessa época foram “Pierrô” (1931) e, no mesmo ano, um conhecido cateretê que poucos sabem ser da sua autoria intitulado “De Papo Pro Á”. Era uma fase da música brasileira em que os compositores urbanos investiam nos chamados “gêneros regionais populares” e outra composição do talentoso mineiro fez muito sucesso ainda em 1931: “Zíngara”. Talvez pela enorme “divulgação romântica” que era então feita sobre a vida dos ciganos, além de também possuir elementos do cateretê, o compositor optou por retratar uma cigana acaboclada ou mesmo indígena. E a música caiu no gosto do povo. Pelo seu pioneirismo – em estilo também regionalista – abordando um tema bastante explorado posteriormente no nosso cancioneiro popular, a seca do Nordeste, “Maringá” (1932) se tornou a “mais expressiva” das composições de Joubert de Carvalho. Foi seu maior sucesso e acabou dando nome a uma hoje grande cidade do estado do Paraná. Recebeu dezenas de gravações (inclusive no exterior), tendo seu êxito em grande parte se devido à “gravação primitiva” do tenor paulista Gastão Formenti (1894-1974) e às excelentes interpretações do cantor de voz canora Carlos Galhardo (1913-1985), que a gravou por duas vezes em 1939 e 1957.O folclore sertanejo é riquíssimo e precisam ser resgatadas com grande interesse as lendas esquecidas com a névoa do tempo e pelos efeitos da aculturação, a exemplo da história (ou estória?) transmitida de boca em boca de Maria, uma cabocla sensual que migrou da região do Ingá (no agreste paraibano), para a cidade de Pombal (sertão da Paraíba) em uma grande seca ocorrida no século XIX. Reza a tradição que na famigerada estiagem de 1877 Maria deixou Pombal e procurou novas paragens, deixando naquele longínquo rincão sertanejo um caboclo apaixonado e com lágrimas nos olhos.Considerando a riqueza da cultura popular no sertão, da qual era admirador e grande conhecedor, o Dr. Ruy Carneiro (1901-1977) – no tempo em que exercia a chefia de gabinete do Ministério da Viação – encontrou no Rio de Janeiro Joubert de Carvalho. O político sertanejo falou-lhe sobre a lenda de Maringá (designação popular de Maria do Ingá, naquele momento ainda não conhecida por Joubert) e pediu-lhe para musicar a emocionante trajetória da linda cabocla que abalou a ribeira do Piranhas. A canção “Maringá” tem uma curiosa história. Era amigo de Joubert de Carvalho o senhor Jaime Távora, então secretário do paraibano José Américo de Almeida (1887-1980), na época Ministro da Viação do Presidente Getúlio Vargas (1883-1954) e grande apreciador da música do compositor mineiro (a quem ansiava conhecer pessoalmente). Távora comentou com Joubert sobre a vontade do Ministro, no que – “em tom de pilhéria” – ouviu: “Ora, se ele tem tanta vontade de me conhecer que vá lá em casa”. Tal informação foi passada por Jaime Távora a José Américo que, para grande surpresa de Joubert, resolveu fazer-lhe uma visita em sua residência no Rio de Janeiro. Com o Ministro também seguiram para o encontro o político pombalense Ruy Carneiro e alguns amigos. Joubert queria conseguir com José Américo um lugar de médico no prestigiado Instituto dos Marítimos e falou do seu desejo a Ruy, que lhe assegurou: “É fácil, peça você mesmo. [...] Por que você não faz uma canção falando dessa tristeza que há no Nordeste, dessa falta de água, lá não chove... Faça uma canção assim”. Joubert imediatamente foi inspirado pela imagem da seca e disse para o ilustre pombalense que acabava de vislumbrar o drama de uma cabocla partindo numa leva, deixando para trás um caboclo a chorar. Chamava-se Maria (nome popularíssimo no Nordeste). Quis saber a cidade berço do Ministro José Américo. “Areia”, disse-lhe o político paraibano. O compositor achou que Areia “não dava boa rima”. Quis saber a terra natal de Ruy: “Pombal”. Não satisfeito, Joubert quis saber dele onde a estiagem era mais rigorosa nas terras da Paraíba. Ruy citou-lhe vários lugares, dentre os quais o município de Ingá. Joubert exultou: “Então é a Maria do Ingá”. Naquela noite, na presença de Ruy Carneiro, de José Américo de Almeida, de Jaime Távora e de outros amigos a música foi composta. O título da canção “Maringá” (fusão ou “corruptela romântica” adotada pelo compositor por exigências métricas da composição) foi gravada em 1932, conforme já dito, pelo antigamente famoso tenor paulistano Gastão Formenti, tornando-se sucesso internacional e um clássico do nosso cancioneiro popular, levando a personagem e a cidade de Pombal ao conhecimento do público e, principalmente, fazendo com que o drama da seca comovesse a todos que desconheciam a realidade do Nordeste. A grande paixão supostamente ocorrida no sertão é o retrato mais fiel dos sofrimentos e desenganos da valente e nobre raça sertaneja, a qual se mantém impávida nos momentos de infortúnio, ainda conseguindo forças para expressar o maior de todos os sentimentos: o amor.Usurpada indevidamente pelos paranaenses da cidade de Maringá (nomeada em homenagem à famosa canção), os quais não possuem nenhum direito histórico ou geográfico sobre o que retrata a música eternizada pela emocionante genialidade do Dr. Joubert de Carvalho que, atendendo ao apelo e à inspiração de Ruy Carneiro, transformou “Maringá” num verdadeiro hino do povo pombalense. O que o poema tematiza diz respeito somente à cidade de Pombal e à realidade sertaneja, bastando-nos analisar alguns de seus belos versos: “Foi numa leva que a cabocla Maringá / Ficou sendo a retirante que mais dava o que falá / E junto dela veio alguém que suplicou / Pra que nunca se esquecesse de um caboclo que ficou”. Este trecho demonstra que, em tese, não há a menor relação da mensagem poética com a cidade paranaense de Maringá, a qual nunca foi constituída por caboclos, como o sertão da Paraíba (notar a ênfase da voz que narra no registro da fala do homem popular – “fala” ao invés da forma infinitiva falar), e sim por uma população de origem européia que, em sua maioria, certamente desconhece as levas de retirantes tão típicas dos freqüentes períodos de seca do Nordeste brasileiro. Contrariamente, o estado do Paraná tem o privilégio de não sofrer as estiagens que chegam a expulsar o homem nordestino do campo. Na realidade, a canção ficou lá conhecida apenas devido ao fato de ter sido com muita freqüência cantada nas horas de labuta e de lazer pelos operários da construção civil nordestinos que, fugindo do flagelo da seca, migravam para aquele rico estado brasileiro em busca de trabalho. Explicando que esse produto formidável da genuína cultura popular é por extensão patrimônio do povo brasileiro e, de modo especial, dos paraibanos e da conhecida Terra de Maringá, é necessário lembrar a degradação dos valores seculares sertanejos desconhecida pelas gerações que nunca ouviram a sublime homenagem de Joubert de Carvalho à bela cidade do sertão da Paraíba, berço de estimáveis valores culturais, que abriga vetustos testemunhos arquitetônicos do estilo barroco e se vangloria de poder justificar os versos do notável compositor contemporâneo quando afirma com ternura, dando voz ao humilde caboclo apaixonado: “Antigamente uma alegria sem igual / Dominava aquela gente da cidade de Pombal / Mas veio a seca, toda a chuva foi simbora / Só restando então as água dos meus óios quando chora / Maringá, depois que tu partiste / Tudo aqui ficou tão triste que eu garrei a maginá”.

O HOMEM QUE SABIA DEMAIS!

CONTADA POR VERNECK ABRANTES*(Foto)
No ano de 1967, Zeilto Trajano (in memoriam), tinha um Programa Musical, na Rádio A VOZ DA CIDADE chamado “Almoço à Brasileira”, de entretenimento e brindes a quem respondesse corretamente as perguntas que o mesmo fazia, sob o patrocínio do Cine Luz. Entre os brindes, Galdino Mouta ofertou dois ingressos para entrada no Cine Lux a quem dissesse o nome da trilha sonora de um determinado filme. Decorridas duas semanas, depois de Zeilto ter repassado outros prêmios para os ouvintes participantes, não conseguia ofertar o brinde do Cine Lux, aparentemente porque as pessoas não tinham a resposta certa para a pergunta. Numa certa manhã, o adolescente Alexsander, filho de João e Neves de Serapião, estava junto com outros colegas na casa de Seu Lelé, momento em que o rádio ligado no Programa e Zeilto coloca a trilha sonora e pergunta mais uma vez o nome do filme. Uns ficaram olhando para o outro, e eu que ia chegando falei: - É a música do filme: O Homem Que Sabia Demais. Alexsander rapidamente correu para o telefone e ligou para a rádio informando o nome do filme. Zeilto, surpreso, diz que o filme é um clássico, tem uma das trilhas sonoras mais famosas da cinematografia mundial, é antigo, achava que ninguém ia responder. Então, perguntou como ele conseguiu a resposta. Alexsander todo garboso respondeu: - É porque eu sou um intelectual, só gosto de filme de arte e de música clássica. Tinha na época, Alexsander, apenas 15 anos de idade; desinibido e cheio de energia, à noite foi assistir, de graça, mais uma obra prima dos filmes que Galdino costumava exibir no nosso saudoso Cine Luz.
*ENGENHEIRO AGRÔNOMO E ESCRITOR

SONHO DE GENTE GRANDE!

CLAUDIONOU DANTAS* (Foto)
Dizer que existe sonho de criança é pura ilusão, pois os sonhos mesmo depois que agente cresce, nos acompanham até o último dia da nossa passagem aqui nessa vida. Quando escrevi “Sonho de Gente Grande”, lembrei justamente do sonho que tive quando criança, “quero trabalhar em uma rádio”, e não estou mentindo quando digo que esse sonho não é só de criança, pois até hoje, esse sonho me acompanha, milito no rádio desde Novembro de 1988, mas até hoje, sendo repetitivo, meu sonho é “trabalhar em uma rádio”. Graças a Deus, estou fazendo o que amo que é fazer rádio, me lembro muito bem na tarde em que o saudoso deputado “Chico Pereira”, foi me buscar em casa perguntando: “cadê seu menino Bigá?” (meu pai), vou “levar ele pra trabalhar na rádio”. Aquelas palavras que meus ouvidos escutavam, pareciam músicas, de tanta alegria que fiquei, quando meu pai me chamou, já estava pronto para conhecer meu primeiro trabalho que mais tarde, se tornaria minha paixão, pois uma vez em uma rádio, em uma rádio sempre. Minha primeira função na Rádio Maringá AM 1.490 kHz, situada à Rua Cel. José Fernandes, 499, justamente a uns 100 metros da minha residência, foi de sonoplasta, naquela época chamado de controlista. No ano seguinte (1989), assumi o stúdio de gravação, passando a produzir todos os comerciais e vinhetas daquela emissora, graças a Josimar Medeiros (Tetê). Logo depois, as minhas primeiras palavras no microfone de uma emissora de rádio, com o apoio dos comunicadores Cesário de Almeida e J. Alves, fazendo uma participação no “Plantão de Notícias”, destacando as notícias do esporte. “Muito obrigado aos dois, pela oportunidade”. Em Agosto de 1990, uma manhã de Sábado, mais precisamente no dia 11 de Agosto, estava me preparando para uma viagem no carro de som de Adauto Pereira, pois era época de campanha eleitoral, quando meu pai (Bigá), entra em casa e diz: Nô, a rádio Maringá está pegando fogo... Aquelas palavras me cortaram o coração e sem pensar, saí correndo pra rádio. Tentamos, mas, só restou, após muito esforço, assistir a destruição e ver o choro do velho Chico Pereira, que ao lado dos seus filhos, Adauto e Aércio, observava seu patrimônio destruído. Depois da tragédia, morei em Brasília por 8 anos, lá tive umas experiências que me ajudaram muito na área da comunicação. No ano de 1998, justamente 10 anos após o convite do Cacique Branco do Sertão (Chico Pereira), eu retornava ao quadro de funcionários da Rádio Maringá, que agora era uma versão moderna, ou seja, FM, com a freqüência 98,7 MHz. Novamente assumia o stúdio de gravação, e com a chegada da Maringá AM novamente, assumia a direção de programação da mesma, que agora operava na freqüência 880 Khz. Fazia também um programa que nada mais, nada menos, era apresentado por Clemildo Brunet, “o pai da comunicação” em nossa cidade, que responsabilidade a minha, ainda mais, quando o próprio ligava e me pedia para tocar canções da sua época, pois estava na escuta, Clemildo nem imaginava o prazer em atender seus pedidos. Apresentei o Jornal Maringá, Toca Tudo, Cantinho da Saudade, As Canções do Roberto e Marcas do Que Se Foi. Fiquei naquela emissora, de 1998 até 2003, me transferindo para a rádio comunitária Opção 104 FM, lá apresentava o Manhã de Sucesso, Love Songs e o jornalismo Em Dia Com a Notícia, mas a minha alegria se completaria quando aos domingos, tive o prazer e a oportunidade ímpar de estar ao lado daquele que era meu ídolo no rádio, Clemildo Brunet, fazia sonoplastia para o seu programa Saudade Não Tem Idade. Tão grande era minha alegria, que fiz exigência a direção da rádio, para que eu trabalhasse aos domingos, pois queria estar ao lado de Clemildo (ele é testemunha disso). Fiquei de 2003 até o ano de 2006, quando recebi convite da rádio Liberdade 96 FM, a qual estou fazendo parte da equipe até hoje. Na 96, faço sonoplastia para o programa A Voz da Igreja, Rádio Romance e apresento o programa jornalístico, Liberdade Notícias. Contei essa pequena história, para que muitos que ainda pensam que rádio é sonho de criança, tirar da cabeça de vez, que rádio, é sonho e realização de gente grande. Espero que Deus me dê saúde e muita disposição, para que possa trabalhar e contribuir com muita gente que precisa dos nossos préstimos, porque na nossa profissão, também tem essa finalidade. Aqueles que usam a profissão de radialista para aparecer, cuidado, pois a imagem do radialista quando não agrada, logo é apagada, esquecida. Quando a profissão é usada para fins políticos, o profissional se torna um capacho, ou seja, perde credibilidade perante a sociedade, pois só faz o que lhe mandam fazer. Acordem, pois nossa missão aqui nessa profissão tão bela e desejada por muitos, é levar informação, alegria e principalmente transmitir segurança no que diz e faz. Lembre-se, credibilidade no rádio não se faz, se conquista. *RADIALISTA

SAUDADE NÃO TEM IDADE!

POESIA DECLAMADA POR Mª DE LOURDES PEREIRA DE ALMEIDA ARAÚJO* (Foto) POR OCASIÃO DO 1º ANIVERSÁRIO DO PROGRAMA: SAUDADE NÃO TEM IDADE – 1 ANO DE OPÇÃO, EM 16 DE NOVEMBRO DE 2003.
Um programa de emoção Resgatando a felicidade Trazendo recordação De um amor do passado Que vivido ou acabado É marcado no coração. Com alegria ou tristeza Quem ama vive a lembrar Daquelas chamas acesas Que não consegue a pagar E com sentimento profundo Grita sempre para o mundo Sempre irei te amar! Assim Clemildo Brunet Professor da radiofonia É feliz porque Deus quer Para a vida ser de alegria Praticando sempre o bem E viver sempre de parabéns Por ser homem de grande valia. Parabéns comunicador Pelo grandioso evento Que com o brilho do seu valor Resplandece seu talento Por isso hei de lhe exaltar E a Deus sempre louvar Por todos os belos momentos. No Saudade Não Tem Idade E também no Jornalismo Você tem veracidade Competência e dinamismo Por ser extraordinário Mais um ano de aniversário Contempla-se com brilhantismo. Um programa de atração Na Rádio Comunitária Tem hoje um ano de Opção Nesta cidade centenária Relevando a Cultura Com orgulho e bravura Na sua batalha diária. Que Deus conserve seu dom E muita força para seguir Fazendo sempre o que é bom Na sua vida a florir Parabéns de coração Também a todos da Rádio Opção Obrigada por me ouvir. *Professora e Poetisa.