CLEMILDO BRUNET DE SÁ

MORRE AÉRCIO, FILHO DE SEU CHICO!

Foto arquivo (no centro Seu Chico e Aércio) CLEMILDO BRUNET* Há uma letra de um hino que era cantado nas nossas Escolas Dominicais que diz assim: “Bem de manhã, embora o céu sereno”. Era assim que se encontrava a cidade de Pombal no amanhecer do dia 12 de fevereiro de 2008 após uma noite chuvosa com relâmpagos e trovões. O dia aparentava ser lindo! Tudo estava: Calmo, sereno e tranqüilo. De repente, a cidade é tomada de surpresa pela manchete de uma notícia triste transmitida pelo rádio: “Ex-deputado Aércio Pereira é encontrado morto em seu apartamento”. Vítima de enfarto agudo do miocárdio morre Aércio Pereira, ex-representante do nosso povo, filho de Pombal, filho de seu Chico! Era costume, nas campanhas políticas, os oradores nos comícios ao fazerem apresentação das credenciais do candidato para determinado cargo eletivo, tratando-se de um dos componentes do clã Pereira, afirmarem no final de seus discursos: “Sobretudo filho de seu Chico”! Francisco Pereira Vieira (seu Chico, saudosa memória), conhecido como o cacique branco do sertão, raposa velha na política, habilidade não lhe faltava para lidar com a coisa pública e principalmente pelo zelo e cuidado que tinha com a população. Queria sempre conquistar cada vez mais adeptos ao seu estilo de fazer política. Resolveu também encaminhar alguns de seus filhos para a vida pública. Primeiro Ademar, depois Adauto e em seguida Aércio. Chico Pereira não era homem chegado à tribuna. Seu trabalho parlamentar consistia nos bastidores visitando Secretarias e fazendo gestões em benefício de sua gente. Certamente, uma das razões de deixar para Aércio a incumbência de fazer discursos no parlamento. Aércio, homem de oratória fácil, inflamável em seus pronunciamentos, contundente nas palavras, destemido, corajoso, polêmico e decisivo nas ações. No transcurso de sua trajetória na Casa de Epitácio Pessoa durante seis legislaturas consecutivas de 1979 a 2002, perfazendo um total de vinte e quatro anos no exercício de legislador e representante do povo, Aércio com seu carisma conquistou muitos amigos entre seus pares. Porém, não deixou de ter adversários. No âmbito da política em sua terra natal, Aércio Pereira teve um enfrentamento com o seu arquiinimigo ex-deputado Leví Olímpio (saudosa memória). Era um verdadeiro tiroteio de palavras em rádios e também na Tribuna da Assembléia, ambos trocando farpas e fazendo acusações mutuamente entrando até na vida pessoal. As questiúnculas de ambos chegaram a tal limite, que a despeito de tanto acirramento, não foram à via de fato. Finalmente por interferência da mesa diretora e de alguns parlamentares cessaram as desavenças em plenário. Afora seu Chico, não tinha pessoa melhor para lidar com os amigos do que Aércio Pereira. Tratava bem a todos e a semelhança de seu pai, os atendia indistintamente. Freqüentemente era visto percorrendo às autarquias e órgãos do governo no sentido de fazer gestões em benefício das bases eleitorais onde era votado. Quando chegava a Pombal gostava de manter contatos com os seus amigos e correligionários e com sorriso nos lábios os abraçava. Estava sempre ligado aos problemas de seu povo e sempre fazia gestões para solucioná-los. Em 1978 fui contrato pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA), para prestar serviço em carro de som e comícios da campanha eleitoral em que Aércio Pereira era lançado candidato a deputado estadual pela primeira vez. Embora o candidato da região de Pombal fosse ainda o velho Chico Pereira, em outras regiões do Estado Aércio seria votado a exemplo de Lagoa que foi distrito de Pombal, terra natal de Chico Pereira. Em 1982 foi inaugurada a Rádio Maringá AM de Pombal do grupo Pereira, cuja vinheta da emissora citava os nomes de Francisco Pereira, Adauto, e Aércio Pereira, como grupo organizacional da emissora. Para se medir a potencialidade política deste grupo na época, é preciso lembrar que quando a Rádio Maringá foi instalada, o Prefeito de então era o Sr. Paulo Pereira Vieira, irmão de seu Chico e tio de Adauto e Aércio. Paulo Pereira, no mesmo dia da inauguração da Rádio, entregou a Pombal o Terminal Rodoviário da cidade obra de sua administração, que foi batizado com o nome de seu filho Hermínio Monteiro Neto, (falecido) vítima de acidente de trânsito. A cidade de Pombal e o município haverão de lembrar sempre a atuação deste grupo. Por ocasião do sepultamento do Ex-deputado Federal Adauto Pereira em Pombal, Aércio em entrevista a uma emissora local, colocou seu nome a disposição do povo para se lançar candidato a Prefeito, segundo ele, para dar continuidade ao trabalho de seu pai que foi interrompido, quando eleito Prefeito de Pombal em 1972, renunciando ao cargo para ficar na Assembléia Legislativa a pedido do Governador de então, Ernane Sátiro. Infelizmente, Aércio não logrou êxito, perdendo as eleições de 2004 para Jairo Feitosa (saudosa memória). A população de Pombal lamentou o fato do corpo de Aércio Pereira não ter sido conduzido para esta cidade. Muitos de seus amigos e eleitores fiéis desejavam prestar-lhe a última homenagem e vê-lo sepultado ao lado de seu pai e de seu irmão no Cemitério Senhora do Carmo. Contudo, as Rádios Liberdade e Maringá, receberam as manifestações de pesar da população em um programa especial de homenagem póstuma ao pranteado morto. Por decisão da família seu corpo foi sepultado às 11 horas da manhã do dia 13 de fevereiro na capital do Estado, depois de ter sido velado no salão nobre da Assembléia Legislativa. Evoco agora declarações de alguns deputados a Imprensa, no velório de Aércio. Lindolfo Pires (DEM) colega de Aércio na Legislatura 1999 a 2002. “Aércio foi um dos melhores tribunos que já vi. Tinha atitude e posições fortes. Ele soube fazer a diferença na Assembléia. É uma perda grande para a Paraíba” Deputado Aguinaldo Almeida (PP): “Ele deu uma contribuição muito grande para a Paraíba. Suas ações eram contundentes. Foi um homem honesto e leal com os seus amigos, sempre respeitando as diferenças. Só tenho a lamentar sua morte e que Deus conforte sua família” Deputado Gervásio Filho (PMDB): “Ele teve uma ligação muito próxima com minha família, que são de cidades próximas – Pombal e Catolé do Rocha. Lamentamos a sua morte, mas temos que nos conformar”. Os Prefeitos de Pombal e Cajazeirinhas, Ugu Ugulino e José Almeida Silva respectivamente, decretaram luto oficial por três dias em seus Municípios em sinal de pesar pela morte do ex-deputado Estadual Aércio Pereira. Morre aos 64 anos de idade Aércio Pereira, filho de Pombal, filho de seu Chico! RADIALISTA* WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

GREGÓRIO DANTAS: "13 ANOS DE SILÊNCIO DO VERSÁTIL COMUNICADOR"!

(Gregório Dantas- Foto de arquivo) CLEMILDO BRUNET* Talvez para alguns ele tenha sido um desconhecido. Gregório Agabo Dantas Filho, nasceu em Pombal Paraíba no dia 07 de abriu de 1959, filho de Gregório Agabo Dantas (saudosa memória) e Mª da Glória de Sousa Dantas (Mariinha), tendo como irmãos Gliserildo (Sousa Júnior ex- cronista esportivo, atualmente árbitro da CBF), Mª Mércia, Madalena, Mércia Maria e Gutenberg (funcionário do Banco do Brasil). Seu primeiro banco escolar foi a Escola Sagrada Família da Professora Marinheira Cavalcanti, transferindo-se depois para o Instituto Senhor do Bonfim da Professora Mª José Bezerra (Neném de Misto). Fez o ensino fundamental e cursou até o 2º ano do ensino médio (antigo Científico), na Escola Estadual Arruda Câmara de Pombal. Em 28 de dezembro de 1990, Gregório, contraiu núpcias com a jovem Edna de Sousa Dantas, nascendo dessa união duas lindas filhas: Gledna e Gleilza. Vítima de enfarte fulminante o nosso comunicador versátil, emudeceu sua voz para sempre, aos trinta e cinco anos de idade, no dia 05 de fevereiro de 1995 no Hospital Maternidade Sinhá Carneiro de Pombal. Gregório teve uma infância semelhante às crianças de sua época, no sítio São João onde morava na condição de mais velho dos homens, sentiu-se na obrigação de ajudar os seus pais, carregando o leite do curral. Ainda jovem teve uma vida sofrida na zona rural; numa dessas ocasiões ao levar o leite para casa, deparou-se com o infortúnio de encontrar seu pai morto vítima de enfarte, e desesperado, isolou-se dos demais. Recuperado do trauma finalmente veio para a cidade. Desde cedo Gregório, descobrira sua inclinação para falar em microfone. Treinamento para locução começou no banheiro e lugares isolados, imitando o Valdir Amaral locutor esportivo da Rádio Globo do Rio de Janeiro. Segundo a madrinha dos Radialistas pombalenses, Professora Cessa Lacerda Fernandes, Gregório Dantas costumava dizer que foi com muita honra meu discípulo na comunicação. Na época do Lord Amplificador de minha propriedade, era nosso costume alugar o mencionado Serviço de Alto Falantes para as Vaquejadas na região. Diversas vezes contratei os serviços profissionais de Gregório para narrar as Festas da Vaqueirama, o que ele fazia com muita maestria e era aplaudido por todos. Mas, o nosso versátil comunicador teve suas atenções voltadas para o futebol e por conhecer bem a regra do jogo, tornou-se um exímio narrador de partida futebolística, era membro da Associação dos Cronistas Esportivos da Paraíba e realizou como narrador de futebol muitas transmissões em diversos jogos e campeonatos através das Rádios: Maringá AM, Bonsucesso AM, Liberdade FM e outras emissoras do sertão. José Carlos Araújo, o Carlão, cronista esportivo e companheiro de jornada de Gregório Dantas nas transmissões de futebol dar o seguinte testemunho, que transcrevemos na íntegra: Eis a narrativa, em negrito, de quem conheceu de perto o nosso saudoso Gregório Dantas. “Tive a honra de conhecer Gregório Dantas de perto no Lord Amplificador, apesar de ter laços de parentesco com o saudoso, mais só me familiarizei com o chefe Gregório Dantas, pois era assim nosso tratamento, sempre nos chamando de chefe após um contato naquele pequeno estúdio localizado ao lado sul do tradicional mercado público de Pombal. Depois de algum tempo tive a oportunidade de ter pequenas participações no seu programa de maior audiência o CIDADE TOTAL que era apresentado na Rádio Bom Sucesso todas as manhãs. Eu tinha uma pequena participação, contando piadas e imitando alguma das personagens da política na época. Depois tive a oportunidade de trabalhar com ele em transmissões esportivas como comentarista. Dentre esse pouco tempo de convivência, isso por que! A morte de Gregório foi prematura e pegou a todos de surpresa. Gregório Dantas sempre se mostrou uma pessoa humilde, simples e de grande dedicação no que fazia; sua missão sempre foi transmitir alegria e entretenimento nas ondas do rádio. Tinha um coração bondoso ajudava através do seu programa as pessoas carentes com campanhas beneficentes. Era um companheiro amigo fora e dentro dos studios das rádios por onde passou e aqui em Pombal, era polêmico quando via alguém injustiçado, mais qual é o comunicador que não é? Gregório Dantas era um grande narrador esportivo tivemos oportunidades de estar juntos em partidas importantes do cenário nacional, como: Brasil e Iugoslávia num amistoso realizado no Almeidão em João Pessoa, Brasil e Argentina no Arruda em Recife. E nesse último, aconteceu um fato interessante, estávamos ao lado do campo no treino da seleção Brasileira de reconhecimento do gramado, e um garotinho pediu a Branco um autógrafo, porém, o lateral fez pouco caso do pedido e pediu que ele afastasse, na época o Branco tinha entrado numa polêmica de um chá de folha de coca que havia tomado na Colômbia, daí o Gregório Dantas acabou tomando as dores do garoto e ainda bateu boca com Branco. Lembro-me de algumas palavras que foram trocadas entre eles, Gregório disse: “deixe de ser mascarado dê o autógrafo ao menino, todo mundo no Brasil estava torcendo por você viu chefe”. E o Branco ainda respondeu: “Eu estou trabalhando. Portanto, faça seu serviço de repórter e deixe-me fazer o meu”, algo mais ou menos assim. Mas, o interessante nisso tudo é que depois o Branco deu uma entrevista ao Gregório Dantas e em seguida o autógrafo do garoto. Gregório sempre foi um grande profissional, amigo e dedicado no que fazia. É uma pena que se comemora este mês o aniversário de morte, bom seria de vida! Com certeza seria momento de muita alegria para todos que o conheceu e conviveu com ele” José Carlos Araújo – Carlão. O Programa “Cidade Total” de grande audiência apresentado por Gregório Dantas todas as manhãs a partir das 9 horas tinha na sua abertura como características as músicas: Segura na mão de Deus e Oração de São Francisco. Este era o lado religioso do comunicador que sempre atendia ao pedido daqueles que o procuravam para campanhas no programa com o fim de obter ajuda para suas necessidades. Por outro lado, Gregório nutria grande amizade pelo Pe. Solon (saudosa memória), e dificilmente deixava de cumprir sua missão nas transmissões das Missas da Igreja Matriz do Bom Sucesso aos domingos. Estava sempre presente aos eventos religiosos da Igreja Católica Apostólica Romana, nas coberturas jornalísticas que a Rádio Bonsucesso fazia. Gregório era um versátil na comunicação: Trabalhou em carro de som nas diversas modalidades de propagandas: Anúncios comerciais, campanhas políticas, animador de comícios, chamador de leilões, narrador de vaquejadas e futebol. No rádio se destacou em programas musicais e era grande noticiarista. Fiz diversas vezes com ele o Jornal Maringá e o Jornal Bonsucesso, além de coberturas nas apurações de pleitos eleitorais. Sua partida há treze anos, deixou a comunicação pombalense mais pobre nas jornadas esportivas. Pois como se sabe, narrador de futebol é raro encontrar hoje em dia prá estas bandas, pois as nossas emissoras há muito tempo não realizam programas e transmissões esportivas. Perplexos com a morte prematura de Gregório, dois companheiros seus, se converteram ao evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Valmir Lima, hoje Presbítero da Igreja Congregacional de nossa cidade e Davidson Formiga de Lima cursou teologia, é Pastor da Igreja Batista. Gregório Dantas, 13 anos de silêncio do versátil comunicador! “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa” Tiago 4:14. *RADIALISTA WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

POMBAL E AS REMINISCÊNCIAS DE CARNAVAL!

CLEMILDO BRUNET* O carnaval - a maior festa do mundo, ninguém sabe ao certo quando começou. Historiadores e pesquisadores afirmam que não tem como provar quando nasceu o carnaval. Existe apenas uma estimativa que seu ponto inicial tenha sido durante o reinado de pisistrato na Grécia entre 605 a 527 A.C.. Várias histórias são contadas de povos diferentes, o que dificulta a descoberta de uma data exata. O carnaval é marcado em nosso calendário pela Igreja Católica que se baseia na data da páscoa. No início não houve aceitação do carnaval pelo cristianismo que encontrou uma festa com características libertinas e pecaminosas. Desde 590 D.C. a Igreja adotou oficialmente esta festa, passando desde então, a programar seu calendário. (Portal Terra) Aqui no Brasil, o Carnaval é uma festa de âmbito nacional adquirindo formas próprias e distintas em cada região. Os navegadores portugueses davam início aos festejos carnavalescos com o entrudo. O festim originário da Índia consistia em uma “guerra” de excrementos, talcos e ovos jogados do alto das casas ou nas praças. Outra brincadeira: Os farristas agarravam um desafortunado qualquer, tiravam-lhe a roupa, davam um banho frio e o devolviam à rua. Assim eram os festejos na Bahia e no Rio de Janeiro, em fevereiro do século XIX. (Caderno dois Correio da Paraíba (21-02-2004). Pombal cidade de velhos costumes e tradições históricas, (quase sesquicentenária) já foi ponto referencial no passado de melhor carnaval do sertão. Na nossa cidade os blocos que mais se destacaram na década de 70 do século XX foram: O Formigão, Bloco do Sujo, Fuleragem, Caga- Fogo, Brasinha, Descarados, Antártica e o Fôiará, que só saia as terças feiras à tardinha. O Fôiará foi um bloco idealizado por Marcos Antonio Junqueira, técnico de rádio, mais conhecido por “Mastõe”. Era formado por pessoas pobres, não podiam pagar uma fantasia e por isso se vestiam de folhas de mato para desfilar ao redor das Praças Getúlio Vargas e Centenária. A noite não participava dos bailes noturnos, no entanto, na sua exibição trazia alegria para o centro da cidade. È o único bloco que ainda hoje, entre um carnaval e outro faz o seu percurso na festa de momo em Pombal. Há muito tempo o Carnaval perdeu sua identidade. O Frevo do Recife e as marchinhas do Rio de Janeiro, pouco a pouco foram perdendo lugar para o axé-music da Bahia e outros gêneros e ritmos inventados por lá. O carnaval fora de época, começando essa prática pela Bahia com a Micareta, chegando à Paraíba em Campina Grande com a Micarande e em Pombal inicialmente como Micabal, depois passando a ser chamado de Pombal Fest; tendo apresentação dos blocos dentro do cordão de isolamento, puxados ao som do trio elétrico, onde só participa o folião que estiver fantasiado com as cores que identifique a logomarca do seu grupo. Tudo isso e mais o fator econômico de nossa gente, arrefeceu em muito o interesse pelo carnaval conservador de outras épocas. Outra curiosidade que nos chama atenção em referência aos carnavais antigos dos anos 60 e 70 são as nossas gravadoras. Naquele tempo, três meses antes do carnaval, as gravadoras reuniam todo seu elenco e encomendavam aos cantores, músicos e compositores a prepararem o repertório musical para a Festa de momo. Davam ampla divulgação dessas músicas pelo rádio e o folião fazia coro com a orquestra que animava o baile de carnaval. Eu costumo chamar o carnaval antigo de Pombal. O carnaval das famílias. Cada grupo de pessoas formava seu bloco e produzia suas fantasias. Época dos confetes e serpentinas, do lança-perfume spray, embora proibido, havia sempre um ou mais foliões, que discretamente faziam uso, espargia o líquido no lenço e levava ao nariz para o porre, passando depois de mãos em mãos para repetirem o gesto. Alegria começava logo cedo no domingo pela manhã com o entrudo, o molha, molha, ou dando banho nas pessoas, não havia nem um contratempo, pois só eram molhados aqueles que se encontravam brincando. Cansei de presenciar nos bailes noturnos que eram realizados no Pombal Ideal Clube (baile dos ricos), e na Sede Operária (baile dos pobres), as diferenças partidárias desaparecerem, reunindo as maiores lideranças antagônicas do Município, abraçados e pulando no meio do salão. Quão maravilhosas eram as tardes de carnaval em Pombal com a realização do corso, o Serviço de Alto Falantes “LORD AMPLIFICADOR” reproduzindo as músicas carnavalescas da época e os veículos automotores, preferencialmente Jipe sem capota, tendo sua lotação completa de foliões fantasiados de colombinas, pierrôs e palhaços. famílias tradicionais de nossa cidade, que davam esse colorido especial ao carnaval de rua, percorrendo as principais avenidas e vias de acessos a Praça Getúlio Vargas, Praça Centenária e a Rua Cel. José Fernandes (rua do rio). A Festa de momo em Pombal era feita de forma voluntária, segundo alguns testemunhos que pude colher em enquete junto a foliões que se sentiram a vontade para contar essa história. Manoel Bandeira funcionário público federal aposentado, fundador e comandante do bloco do sujo, me disse que: Os foliões agregados ao seu grupo, o faziam de forma espontânea. Este bloco apresentava-se somente nos festejos de rua. Quando convidado adentravam as residências dos amigos para beber e comer. Havia uma Kombi abastecida de bebida e comida, que os conduzia a vários locais da cidade e na hora da distribuição desses gêneros, todos de maneira harmoniosa obedeciam à fila. José Severo de Sousa (Zuca), empresário no ramo de funerária e guarda do fisco estadual aposentado. Ele fazia parte do bloco “O Formigão”, pertencente à família Formiga, que tinha como chefe do clã seu Chiquinho Formiga; Seu Zuca me disse que mesmo não sendo da família, mas, apenas amigo, foi convidado para o bloco. Pude ver em seu rosto alegria de falar da união existente entre os membros dessa agremiação carnavalesca formada por vinte casais. Este bloco marcava presença nos bailes e matinês do Pombal Ideal Clube. A cada exibição do “Formigão” uma fantasia diferente. Seu Zuca disse que até hoje guarda ainda algumas dessas fantasias, doces lembranças de carnavais vividos por ele. O Bloco Brasinha tendo como símbolo a figura de um diabinho, foi organizado por jovens da sociedade pombalense. Segundo um de seus organizadores, Joaquim Adonias Dantas Neto (Saburá), desde a sua fundação e durante quatro anos, esse bloco era composto apenas por elementos do sexo masculino. A sede para as reuniões e preparativos de saída do bloco ficava na antiga casa grande na rua nova, onde funcionou o Diretório Municipal do PMDB, atualmente é o edifício do Banco do Brasil de nossa cidade. Para o ingresso do folião a esse grupo havia o que eles chamavam de batismo, que constava de rubacão regado a cachaça as margens do rio piancó na sexta feira que precedia o carnaval. No sábado em arrastão o Brasinha, saia pelo comercio local pedindo bebida e outros apetrechos para brincar o carnaval. Durante os dias da festa de momo, esse bloco percorria as Palhoças Panatí, hoje no local, está o Hotel Rio Verde e a de Joaquim Sales a beira do rio a cinco quilômetros da cidade. A noite participava dos bailes no Pombal Ideal Club e de madrugada renovava sua energia tomando caldo de mocotó na residência de Eufrásio dos Santos, indo depois para o banho matinal na casa de seu Lelé, pai do escritor Verneck Abrantes. Esse bloco chegou a ser um dos maiores blocos carnavalescos da cidade, tendo alcançado o maior número de participantes, (60) sessenta casais. Outro testemunho é o do folião de velhos carnavais de Pombal, José Arruda dos Santos funcionário publico federal aposentado, ele fez parte do bloco Caga-fogo – apelido dado aos jogadores de dominó composto por doze amigos que gostavam desse hobby. Na sua avaliação os carnavais daquela época eram tranqüilos ao compasso das marchinhas, frevos e samba, muito diferente do que acontece hoje. José Arruda exaltou ainda a forma harmoniosa como os blocos se postavam em suas apresentações nos bailes do Pombal Ideal Clube. Entre os componentes do seu bloco estavam: Dr. Saraiva, Dr. Carrinho, Mauricinho, Zequinha Arruda, Dr. Nicácio Coutinho e Fiel, (os dois últimos já falecidos). Assim era o nosso Carnaval ou velhos e antigos carnavais da terra de Maringá, reminiscências de um passado glorioso que fica para registro da história. *RADIALISTA WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com