CLEMILDO BRUNET DE SÁ

FÁTIMA JÓ: AMIGA DE SEMPRE!

Fátima Jó na Maringá (foto)
CLEMILDO BRUNET* A amizade é uma das melhores conquistas que se pode ter nesta vida, principalmente quando ela cresce de tal modo solidificado no respeito mútuo entre duas ou mais pessoas. “Como é bom a gente ser amigo/como é bom a gente ser querido”. Esta frase está na letra de uma música que Nelson Cavaquinho deu para Nelson Gonçalves gravar, como selo de uma amizade entre ambos. A minha homenagem hoje é dedicada a uma amiga que neste sábado 02 de agosto de 2008 está aniversariando. Fátima Jó, radialista afastada do meio radiofônico em razão de sua aposentadoria por problemas de saúde. Meu primeiro contato com ela se deu quando da instalação da Rádio Maringá de Pombal AM, pois veio fazer parte do corpo de funcionários como discotecário (a). Função esta que desempenhou com muita aptidão. Acompanhei de perto o seu trabalho na condição de diretor de programação da emissora e sou testemunha de seu desembaraço, seguindo a risca para cumprir sua missão com responsabilidade. A satisfação em sua fisionomia datilografando toda programação musical, carregando pilhas e mais pilhas de discos long-plays em tempo hábil para os programas que eram levados ao “AR” pela a Caboclinha do Sertão como era chamada carinhosamente a Rádio Maringá AM de Pombal. Seu nome de batismo: Maria de Fátima Santos Jó, filha de Francisco Jó e de Maria dos Santos Jó, casada com Nilo Gomes da Silva, cabeleireiro nesta cidade. Fátima nunca mediu esforços no trabalho, quando era chamada para qualquer serviço fora de sua área, atendia prontamente. O domingo que era sua folga, muitas vezes vinha para o labor em ocasiões especiais como: Dia dos Namorados, das mães, dos pais, estava sempre nessas oportunidades presente ao Programa “A Tarde é Nossa” auxiliando-nos tanto na arrumação dos pedidos de músicas, como na seleção musical, chegando até fazer dupla comigo na locução. Certa vez eu lhe disse: “solta essa voz sem medo você tem potencial” ela perdeu a timidez e oficialmente, veio a ser a primeira voz feminina no rádio pombalense. Fátima Jó era polivalente, seu trabalho no rádio se estendeu a outras tarefas: Foi recepcionista, caixa, operadora de áudio e na condição de locutora emprestou sua voz gravando vários comerciais para clientes da Rádio Maringá, levados ao “ar” na programação da emissora. Fez diversos programas radiofônicos como: “O Nosso Mundo Disco”, antes apresentado por Gregório Dantas (saudosa memória). Roberto Carlos e seus Convidados, As Canções do Rei e o Informativo 1.490 - Boletim de Notícias de 5 minutos que era dado de hora em hora no decorrer do dia. O Programa Manhã Revista foi sua marca maior pelo elevado índice de audiência. Era temperado com música, horóscopo, temas de novelas, arte culinária e assuntos relacionados à mulher. Depois de algum tempo fui trabalhar na Rádio Bonsucesso e Fátima Jó continuou na Maringá. Mesmo distante do ambiente de trabalho, a amizade permaneceu, pois a despeito de ser uma pessoa do sexo oposto, nosso relacionamento de amigos em todo tempo, era e é baseado no respeito e consideração mútua. Aqui cabe a citação bíblica “e há amigo mais chegado que um irmão”. Por deferência de seu genitor e meu amigo Chico Jó (Em Memória) tive o privilégio de acompanhá-la e ser padrinho na sua formatura em Cajazeiras, pois segundo a própria Fátima, o seu pai me escolhera para substituí-lo; decisão prontamente aceita pela formada. A empatia que tenho por ela vem de seu gesto no trato com as pessoas, pois me lembra muito bem idêntica atitude de minha irmã Claudete de saudosa memória. Em 14 de fevereiro de 1994 passei pelo vale da sombra da morte, Fátima Jó sendo sabedora do meu estado de saúde ao chegar em casa intercedeu a Deus a meu favor e mecanicamente abriu a bíblia, deparando-se no salmo 30 que diz: “Eu te exaltarei, ó Senhor, porque tu me livraste e não permitiste que os meus inimigos se regozijassem contra mim. Senhor, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste. Senhor, da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura”. Versículos de 1 a 3. É neste salmo que encontramos conforto nas seguintes palavras: “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã". Eu sei que muitas pessoas amigas pediram por mim naquele dia e eu agradeço a todas, no entanto, este é um fato real e verdadeiro contado por ela dias depois na minha convalescença. Fátima Jó, amiga de sempre! Receba esta singela homenagem no seu aniversário. Dia que Deus lhe concedeu – O milagre da vida. Medite agora nas palavras destes versos de autor desconhecido e que achei apropriado para este momento. Amigo (a) Estamos distantes e ao mesmo tempo tão perto... A amizade que nos une pode vencer todas as distâncias. Ela sim é mais forte que o tempo. Ela sim poderia atravessar a imensidão do espaço e transcender os limites da vida. Sim... Como ela é forte, Pois essa amizade nada nem ninguém destruirá. Que perdure enquanto nossas almas existirem... Que nem a distancia, nem o tempo e nem mesmo Os nossos erros, terminem a nossa amizade. Nada é mais valioso do que ela. *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetco@hotmail.com

TODO DOIDO TEM PASSAGEM LIVRE...

Professor Vieira (foto)
Profº Francisco Vieira* “É MELHOR SER CORNO DO QUE PREFEITO...” Esta é uma das façanhas de Mané Doido nas ruas de Pombal. E completava a frase. “... Prefeito é por quatro anos e cormo é a vida toda”. Seu palco preferido era a Cel. José Fernandes, antiga rua do rio. Era o centro comercial onde se concentrava maior número de gente. Ali estava seu público. O percurso começava no posto de Silvino Moura, próximo da linha férrea e numa reta se estendia até a residência do Sr. Norvino Soares, defronte a Escola João da Mata. Eu me sentia privilegiado, pois assistia a tudo da mercearia de meu pai onde me escondia de suas investidas. Era passagem obrigatória. Um vai e vem sem fim. Coisa de doido mesmo. Coisa de quem procurava em vão um objeto perdido. Os remanescentes da época ainda lembram. Lá estava ele, descalço e maltrapilho, carregando consigo um amontoado de jornais que fingia ler. Caminhava apressado e a passadas largas. Falava em voz alta para impor a autoridade de uma pessoa rica, valente, forte e poderosa. Na santa inocência ele era o próprio poder. Tinha de imediato uma resposta para qualquer indagação ou ofensa. Como se sabe, todo doido tem sua mania, senão vejamos. Certa vez alguém lhe repreendera por estar comendo um pão na rua. De imediato respondeu: “e eu vou alugar uma casa para comer um pão”. A maior de todas as suas proezas vale à pena narrar. Aconteceu num dos raros momentos de sua lucidez, evidentemente depois da fase lunar. Havia um grupo de meninos que brincava de “preso”, com Mané, todas as noites na Praça do Centenário. Incomodados com o barulho os moradores da rua do rio buscando providências comunicaram o incidente a Ten. Caxias – o nome exprime rigor, austeridade – delegado muito temido que encontrou a solução mais viável. Determinou: prenda o doido e o problema estará resolvido. A solução não poderia ser outra, pois o pau só quebra do lado mais fraco. Havia no grupo de “filhos de papai” e prendê-los seria delicado para não dizer uma afronta. Poderia lhe custar à remoção. Na mesma noite, um soldado de porte franzino que estava à espreita, abraçou Mané subitamente pelas costas dizendo a frase padrão “teje preso”. Mané, mesmo de costas, puxa o soldado pelos braços que gira sobre sua cabeça caindo fortemente no chão. Vendo que se tratava realmente de um soldado foi grande a surpresa. E, exclamou: “É DE VERA”, isto é, de verdade. Aí disparou na carreira deixando o soldadinho todo quebrado no chão. De todos, Mane foi o principal, pois conviveu mais tempo e teve uma participação mais ativa. Mas, houve outros que também fizeram histórias, deixaram marcas. Aí me vem à lembrança AÇOITE. Natural de Patos onde havia estudado no seminário no ideal de ser padre. Dizem que enlouqueceu de tanto estudar. Impressionava por falar francês, latim e ter decorado discursos dos grandes políticos paraibanos da época, João Agripino, Rui Carneiro e Ernani Sátiro. De origem desconhecida havia também “Barrão”. Era o mais temido e pornográfico. Quando perturbado pronunciava nomes obscenos em voz alta e se auto-mutilava com mordidas e pancadas na cabeça com qualquer objeto. Aí de quem ele lhe acertasse uma pedra. Tinha também Expedito. Louco por relógio, sem sequer saber as horas. Tinha como mania colocar rapadura em um pote e esperar que desmanchasse em garapa e dançar nas antigas Lojas Paulista. E, Nonato. Também não posso esquecer. Era a inocência em pessoa. Andava sempre limpo e bem vestido. Sua psicomania estava ligada a igreja. Sabia todas as orações e cantava todos os hinos. Mas, em contrapartida, soletrava com perfeição palavras obscenas. Era calmo, tranqüilo e obediente. Vejamos: Nonato, veja se estou na esquina. Após verificar dizia: “ta não”. Então, veja se já cheguei. Atendia tantas e quantas vezes fosse solicitado. Houve ainda “Zé Capitula”, que orgulhosamente exibia seus apetrechos. Eram relógios, anéis, pulseiras e colares feitos de arame por ele mesmo. Peças de péssima qualidade e sem nenhum valor – exceto para ele. Mesmo assim ainda trabalhava. Transportava água do rio e vendia nas casas, pois não havia ainda saneamento na cidade. Sua cacimba era a mais bem cuidada, salvo quando defecavam dentro dela. Lembrei-me também de Clóvis. Também inocente e sem maldade. Era fascinado por jogo do bicho e metido a decifrador de sonhos, mesmo sem nenhuma lógica. Costumava mandar jogar os 25 bichos. Era acerto garantido. Do lado feminino lembro-me de Luzia – Carne Assada. Sempre bem vestida, bolsa e lenço faziam a própria moda. Cada peça do seu vestuário tinha uma cor. A diversidade de cores ia além do arco-íris. Vinda, não sabe de onde, tinha Martina. Séria, calada e sisuda. Não dava atenção a ninguém. Falava somente o necessário. Era hóspede dos meus avós maternos na rua Prof. Horácio Bandeira – rua do Açougue – onde sua presença era infalível no almoço. Serví-la era delicado, pois sua zanga era fácil. Minha tia lhe atendia muito bem. E, Dina. Ah, como posso esquecer, ela fazendo marcas no chão com os pés durante horas sem parar. Era a freguesa fiel de “Toinho da Bodega” na rua do comércio. Muito exigente fazia sua “feira” onde de tudo se colocava um pouco. Comentam que enlouqueceu devido o calor das buchadas quentes que conduzia na cabeça a mando de sua mãe. “A quentura derreteu seu juízo”. Era o que diziam. Bem, é doido que não acaba mais. Mas, basta de falar tanto. Vou parar para não ser contagiado e incluído no rol que já é enorme. Quem sabe, depois estaria eu falando de mim mesmo. Contudo, devo ainda citar: Chico Catabio, Doido da Paulista, Pildo, Gerinha, Maria Piolho e outros. Estes, embora em menor intensidade, tiveram também influência e participação na história de Pombal. É, evidente, cada um com suas “DOIDICES”. Portanto, omitir seria negar a própria história. Que esse artigo não seja visto como uma atitude sarcástica, mas, como uma forma de divulgação da nossa cultura que na amplitude do seu sentido inclui folclore e tradições. Enfim, cultura é tudo que revela particularidade: é a marca de um povo ou de uma região. Independente de qualquer outra coisa deve-se lembrar que todo doido tem passagem livre. Portanto, todos merecem o nosso respeito. *Educador e ex-Diretor da Escola Estadual João da Mata.

PADRE LUIZ GUALBERTO: O EDUCADOR DE TODOS NÓS...

Maciel Gonzaga (foto)
Maciel Gonzaga de Luna* O Apóstolo Paulo, em sua segunda carta a Timóteo, descreve os nossos dias como “tempos trabalhosos” (2 Tm 3.1). Dois mil anos depois vemos a humanidade descambando-se aceleradamente para o abismo, a cada minuto e a cada instante. Há crise em todo lugar e em todos os níveis: moral, espiritual, social, etc. Mas, a pergunta que se faz é: De quem é a culpa? A quem devemos responsabilizar pelo caos no mundo? Seria fácil e cômodo atribuirmos a culpa aos líderes políticos e governamentais e ao próprio diabo. Jesus estabeleceu Sua igreja para ser uma força remidora da humanidade e neutralizadora da corrupção e degeneração da raça humana. Ela foi estabelecida para ser “o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5.13,14). A essa igreja, Jesus deu a responsabilidade de fazer discípulos de todos os povos da terra (Mt 28.19). Jesus foi um grande evangelizador, porém, os mais influentes líderes de sua época, bem como o próprio povo, que por vezes fora curado e abençoado por Ele, o identificaram como Mestre (Jo 3.2). Ele próprio exaltou acima de todos os seus ministérios, o de mestre (Jo 13.13). Dentre os dons de ministério que o Senhor dá à igreja, destaca-se o de Mestre (professor ou educador). João Locke reconheceu a importância do ensino quando disse: “— Creio que podemos afirmar que em cem homens, mais de novena são o que são — bons ou maus, úteis ou perniciosos à sociedade — pelo ensino que têm recebido”. Vivemos hoje em um mundo decaído e moralmente destruído, sem escrúpulos, despudorado. A maioria de nossos jovens não sabe o que é firmeza espiritual, por nunca tê-la experimentado, e quase sempre nós educadores, estamos omissos quanto ao problema. O quadro que vemos em nosso país é de fome, miséria, pessoas sem moradia, etc. Pensamos sempre que a razão do problema seja a má administração do dinheiro público ou a falta de planos de governo, claros e definidos. Mesmo que tudo isso também seja verdade, contudo, o verdadeiro problema que se desemboca na fome, miséria e nas calamidades que vemos por aí, no cotidiano, tem como causa a crise moral e a crise espiritual de nosso povo. A partir dessas considerações, quero chamar a atenção para a importância que teve o padre Luiz Gualberto de Andrade na educação da cidade de Pombal. Natural da cidade de São João do Rio do Peixe nasceu no dia 21 de outubro de 1921. No início dos anos 60 chegou a Pombal para substituir ao padre Vicente de Freitas, na direção do Colégio Diocesano de Pombal, que ainda funcionava no prédio ao lado da Cadeia Pública, próximo da Igreja do Rosário. Partiu para construção do novo colégio. Foi um educador incansável, afeito a desafios e teve uma grande participação no processo de desenvolvimento educacional, econômico e social da nossa cidade, patrocinado pela sua ação administrativa e visão profética. Como sacerdote e educador religioso, pregava a mensagem do Evangelho, como um bom pastor e questionava os principais problemas do País, dando ênfase à educação, tema que o apaixonava. Nós estudantes o respeitávamos muito, principalmente pela sua condição de pessoa vocacionada por Deus e confirmada pela Igreja para atuar especialmente no ministério na área de Educação Religiosa, de incutir em nossas mentes o bom relacionamento familiar; manter uma auto-imagem positiva; o bom relacionamento entre liderados, pastor e demais líderes. Levava nós estudantes católicos à Missa, celebrada por ele, aos domingos na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bonsucesso, o que se tornou por muitos anos uma tradição. Eu já não me encontrava mais em Pombal, mas, sim, estudando em Campina Grande, quando em 1969 o Padre Luiz Gualberto deixa a nossa cidade e é nomeado diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cajazeiras, iniciando um processo de construção de um pólo educacional na cidade que “Ensinou a Paraíba a Ler”. Dez anos depois, em 1979, no dia 1º de agosto, se torna o primeiro diretor do Campus V da UFPB, tendo sido o grande incentivador e principal interlocutor para que a Universidade Federal da Paraíba se instalasse em Cajazeiras. Enquanto exercia suas atividades, além da implantação do primeiro curso superior no interior da Paraíba, quando encontrou no caminho inúmeros obstáculos, superou a todos e saiu vitorioso. Também, no ensino de 1º e 2º graus, foi diretor do tradicional Colégio Diocesano Padre Rolim, que estava passando por uma grande crise, e poderia ter as suas atividades paralisadas. Assumiu a direção e resolveu o impasse. Era um superador de crises, um homem de soluções.Ainda, em Cajazeiras, com a saída das Dorotéias do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, Padre Gualberto foi convocado pelo Bispo Diocesano Dom Zacarias Rolim de Moura para resolver o problema. Assumiu ao mesmo tempo a FAFIC, o Colégio Diocesano e o Colégio Nossa Senhora de Lourdes, além de suas atividades religiosas. Era um homem obstinado pelo trabalho, um apóstolo da educação e da fé. Gostava de trabalhar com a juventude. Na minha vida profissional, devo muito ao Padre Luiz Gualberto. Certo dia, estando ele na casa de “Seu” Moreira, na Rua Nova, conversando com amigos, foi procurado certo dia pela minha mãe, Dona Roza Gonzaga de Luna, que foi lhe pedir uma bolsa de estudo para mim, no Colégio Diocesano de Pombal, que era uma escola privada. A sua resposta foi incontinente: “Procure Erotides na segunda-feira e faça a matrícula do menino”. E como eu dava sinais de que desejava seguir a carreira do sacerdócio, recebi um grande incentivo por parte do Padre Gualberto, que foi para mim um grande e insubstituível conselheiro e orientador. Um companheiro de todos os momentos. Também, arranjou um emprego para a minha mãe, a quem ele carinhosamente chamava de “Roza Rica”, no Hospital e Maternidade “Sinhá Carneiro”. Padre Gualberto me encaminhou ao Seminário Diocesano Nossa Senhora da Assunção, em Cajazeiras, no ano de 1964. Anos depois, quando resolvi desistir da carreira do sacerdócio, antes de tomar a decisão de deixar o Seminário, o procurei e ele me disse estas palavras: “Para você servir a Deus e ser Homem, não precisa ser padre não. Siga o seu caminho, mas sempre estudando”. Estamos certos de que, tudo o que relatamos neste artigo é muito pouco para definir a importância do padre Luiz Gualberto de Andrade na formação educacional religiosa dos pombalenses, ensinando-nos a importância de se levar o educando a um desenvolvimento completo e à uma experiência mais profunda com o Senhor. Foi ele um educador que, além de amar seus educandos, soube nos educar evangelizando e evangelizar educando.
*Jornalista, Advogado, Professor - Natal RN.

NOS 146 ANOS DE POMBAL A NOSSA HOMENAGEM A...

Zé Avelino (foto)
ZÉ AVELINO DO CARTÓRIO: AMIGO DILETO! CLEMILDO BRUNET* Conhecidíssimo por toda Pombal como Zé Avelino do Cartório, seu nome de batismo herdou de seu avô, coronel José Avelino da Fazenda Conceição no Município de Paulista Paraíba: JOSÉ AVELINO DE QUEIROGA NETO. Filho de Avelino Assis de Queiroga (saudosa memória) e de Bernadete Lourdes de Assis (dona Dete) nasceu no dia 04 de novembro de 1939 em Pombal Estado da Paraíba. Encontrou a sua cara metade em Maria Elias de Queiroga (Ivone), com quem casou em 22 de outubro de 1968 tendo os seguintes filhos: Joana Darc, Paulo Ney Sobrinho, Janaina e André Luiz. Após 38 anos de feliz união conjugal, faleceu a 18 de junho de 2006. Sua primeira escola foi o Grupo Escolar “João da Mata”, onde terminou o curso primário. Concluiu o curso ginasial no Colégio Diocesano de Patos. Mudou-se para Recife vindo a estudar naquela capital no mesmo Colégio com o Desembargador Antonio Elias de Queiroga, seu dileto primo. Aos 18 anos de idade serviu o exército brasileiro no Décimo Quarto Regimento de infantaria (14 R.I.) na capital Pernambucana. Terminado seu tempo de corporação regressou a sua terra Natal. Ainda no Recife Zé Avelino fez vestibular para medicina. Não quis dar continuidade aos estudos e chegando a Pombal, lecionou como Professor de Ciências no antigo Colégio Josué Bezerra. Zé Avelino foi Secretário geral da Prefeitura de Pombal em três administrações: Elry Medeiros Vieira (1955/1958) Dr. Azuil Arruda de Assis (1959/1962) e Dr. Avelino Elias de Queiroga (1963/1967. Em 1965 Foi nomeado Professor de Ciências físicas e biológicas do Colégio Diocesano sob a direção do Padre Luiz Gualberto de Andrade, ficando até o ano seguinte. Em 1966, por ato do Exmº Senhor Governador de então, Dr. João Agripino Filho, foi nomeado Tabelião e Escrivão Titular do Cartório do 2º Ofício da Comarca de Pombal, substituindo o seu pai Avelino, que se aposentou em razão da idade. Zé Avelino exerceu o cargo de Tabelião com muita galhardia recebendo elogios pela sua atuação frente a este ofício, sendo merecedor da confiança dos seus amigos pela eficiência de seus trabalhos notariais. Na condição de escrivão da 2ª Vara tendo por determinado tempo ficado a frente do Cartório Eleitoral, foi referenciado como exemplo de dignidade por juízes e corregedores da mais alta corte deste Estado. Era discreto no exercício do seu labor não revelando a ninguém a sua tendência política partidária, exceto na intimidade em família. Por isso, era respeitado e acatado por todas as facções políticas. Grande amigo, meu contato direto com ele se deu através de outro amigo da minha época, Genival Severo. A amizade que já desfrutava com Genival, possibilitou minha aproximação a Zé Avelino que se revelou depois um grande amigo. O Cartório do 2º Ofício a Rua Cel. José Fernandes nesta cidade, foi exatamente o local onde freqüentemente ia conversar com Genival. E nessa troca de palavras, Zé Avelino entrava sempre na nossa conversa. Pouco a pouco fui sentindo o grau de amizade que era nutrido por este cidadão e deste modo, eu não era mais simplesmente uma pessoa que ficava só na recepção do Cartório, agora tinha acesso às outras dependências do prédio No cotidiano de minhas atividades desde a Voz da Cidade, Lord Amplificador até as rádios de Pombal como radialista e jornalista, graças a Zé Avelino como tabelião público e escrivão do júri da Comarca de Pombal, fui apresentado a diversos magistrados que passaram por aqui, recebendo também o beneplácito da justiça comum e eleitoral em assuntos de furos de reportagens. Referindo-se a um juiz ou a um promotor, Genival sempre me dizia, o Dr. Fulano de Tal gosta muito de você. Acredito que isso se dava em razão das boas referências que eram transmitidas a esses defensores da justiça, pelo grande amigo José Avelino de Queiroga Neto. Todos nós como cidadãos comuns estamos propensos por circunstâncias alheias a nossa vontade enfrentar casos que são resolvidos na justiça. Por exemplo: Uma (questão de foro íntimo) que aconteceu comigo. Depois que o Divórcio virou Lei em nosso País contei com a valiosa colaboração do grande amigo Zé Avelino na elaboração da peça do processo, escolhendo ele mesmo um advogado amigo nosso, para tratar do caso. Conversando com dona Ivone ela me disse que seu esposo era uma pessoa maravilhosa, super educada, fino no trato com as pessoas, tanto fazia ser de casa ou não. Disse-me ela, que ele não sabia falar mal de ninguém e que não era do seu feitio conversar sobre a vida dos outros. Seu único problema era beber, pois gostava da boemia desde o tempo de jovem. Segundo Ivone, Zé Avelino tinha um carinho especial para com os filhos, lamentando tão somente o fato da bebida, coisa que somente prejudicava a ele mesmo. Falando sobre seu esposo, Ivone declarou que ele tinha medo da morte e por esta razão não ia a velório ou enterro por mais que a pessoa falecida fosse sua amiga. Não passava em frente de Cemitério e temia aparição de alma. Quando era informado da morte de um conhecido dormia segurado na mão dela. Ela ainda contou que certa vez, Epitácio Queiroga (saudosa memória), muito amigo do seu marido, preparou uma peripécia para Zé Avelino, convidando-o para uma festa de aniversário na casa de uma pessoa amiga; chegando ao local tratava-se de um velório, quando Zé deu de cara com o caixão, qual não foi à surpresa e o medo que sentiu! Nesta singela homenagem que presto ao dileto amigo Zé Avelino de saudosa memória, transcrevo os versos de autoria da dona Ivone, viúva do homenageado, que diz assim: Zeloso no trato com os amigos Eras tu uma estrela a brilhar, Ante a vida boemia de outrora Voz suave de eterno encantar, Embalando teus sonhos marotos Lenitivo era o teu trabalhar, Inconstante às vezes olvidavas Nossas vidas de humores mutantes Onde o amor nunca “fez esperar”. Certa ocasião ele participou do quadro “Minha Música Preferida” do Programa Saudade Não Tem Idade na Rádio Opção 104 FM. Na entrevista pedi que ele contasse sobre sua vida. Assumiu que era um boêmio desde a época que serviu o Exército brasileiro em Recife. Costumava aos sábados na sua folga, chegar ao bairro de Casa Amarela onde morava e ouvir a música “A Flor do Meu Bairro” na voz de Nelson Gonçalves tocada em uma difusora que havia naquele local. Era dentre outras como: Minha Rainha com Noite Ilustrada, essa, ele lembrava o sofrimento de dona Ivone pela vida de boêmio que levava e Farrapo de Calçada com Roberto Muller, suas músicas preferidas. Pela vida de boêmio varando as madrugadas manteve contatos com vários cantores populares de projeção nacional, uns que se apresentaram aqui, outros de passagem. Conheceu Nelson Gonçalves no bar de Zé Preto, Augusto Calheiros no bar de Pedro Junqueira, Bienvenido Granda no Grande Hotel, Altemar Dutra no Barraco de Biró pai do promotor Severino Coelho Viana, Alcides Gerardi em um banho no rio juntamente com Maurício Bandeira e Cláudia Barroso na companhia do radialista Zeilto Trajano. Ainda na entrevista ao Programa “Saudade Não Tem Idade”, Zé Avelino fez referências ao amigo Genival Severo, tendo-o na conta de não um funcionário seu, mas de um amigo do peito, pois havendo viajado diversas vezes para o Rio de Janeiro, entregava o Cartório aos cuidados dele (Genival), com total confiança, também considerava seu amigo do peito, como se fosse um irmão. Tenho em meus arquivos a gravação desse programa que foi levado ao “AR” pela segunda vez, após seu falecimento, como homenagem póstuma. Assim foi Zé Avelino do Cartório como era conhecido. Homem simples, dedicado a sua família e a seu trabalho. Fez grandes amizades. Lembrar Zé Avelino do Cartório é honrar o nome de um homem que deve ser imortalizado na história de Pombal e que prestou relevantes serviços ao judiciário e cartorário do nosso Município. *RADIALISTA. WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

PARABÉNS POMBAL 146 ANOS DE CIDADE!

TRECHO DA ENTREVISTA DO CANTOR RAIMUNDO FAGNER AO NOSSO PORTAL, POR OCASIÃO DO CENTÉSIMO QUADRAGÉSIMO SEXTO ANIVERSÁRIO DE POMBAL. Clemildo: Fagner que achou de Pombal é a primeira vez que vem a nossa cidade? Fagner: prá fazer show com certeza, adorei; festa bonita, público muito bacana, muito receptivo, querendo ouvir as músicas que já conhece, a gente também tocou outras que eles não conheciam, uma festa muito legal, adorei. Clemildo: Por que Você gosta de São Miguel no Rio Grande do Norte? Fagner: Há muitos anos que eu vou lá, muitos amigos que do Rio Grande do Norte que moravam em Fortaleza que começavam a me levar de férias lá pra São Miguel e mantive essas amizades, e mantendo durante muitos anos, é uma coisa muito legal na nossa vida é manter as amizades de tradição, o tempo que vai passando e a gente finca mais esses laços. Um lugar muito especial na minha vida. Clemildo: Como você encara hoje as bandas eletrônicas de Forró, que não tem aquele ritmo do forró nordestino, do forró do Gonzagão? Fagner: Isso faz parte da modernidade, faz parte da juventude de querer fazer música pra meninada dançar mais eufórica ainda. Mas, mesmo assim tem aqueles que mantêm a tradição, tem aqueles que continuam fazendo aquele forró nosso autêntico e fazem muito bem feito, como essa moçada também faz música eletrônica faz muito bem feito. Acho que é uma concorrência meia com axé que dominou muito o Nordeste durante muitos anos e eles tiveram a resposta deles mesmo através do forró. Tem que ser louvável, cada um sabe fazer o que pode e o que deve fazer. Eu gosto mais da música das lições de Luiz Gonzaga, ouvindo aprendi com ele também fazer muito essa música, mas a gente tem que respeitar, é a coisa da moda, a moçada a juventude se espelha também. A gente tem que louvar também. Clemildo: Quando se deu o início de carreira e qual foi a música que o projetou nacionalmente? Fagner: Início de minha carreira foi no começo dos anos 70 e a música que me projetou foi Mucuripe que a Elis Regina gravou, Roberto, essa foi a música carro chefe minha mesmo, não é nem um grande sucesso assim de público, mais ela reconhecida como minha melhor música. (Clemildo interrompe) Você teria essa música como um hino nacional de sua carreira, ou haveria outra? Fagner: Ah! Têm várias. Pra mim essa foi uma. Clemildo: Muito obrigado pela sua entrevista e seja sempre bem vindo a Pombal. Fagner: Muito obrigado!

HOMENAGEM A BIRÓ: O HOMEM, O POETA, O POLÍTICO!

Biró (foto)
PARABÉNS POMBAL PELOS 146 ANOS DE CIDADE!
CESSA LACERDA FERNANDES*
POMBAL, cidade condecorada de honoráveis filhos, ilustrando a sua rica história de 310 anos. Berço do naturalista Arruda Câmara, do guerreiro Padre Nobre e do herói Argemiro, ícones do nosso Hino, verdadeira evocação a nossa história, poema dedicado a Pombal pelo imortal poeta, Pai da Educação Pombalense: Professor Newton Pordeus Seixas. Hino do Município de Pombal oficializado pela Câmara Legislativa, Lei número 103, de 18 de janeiro de 1956. Valendo ressaltar, que Francisco Ribeiro, renomado músico, foi o compositor da bela melodia. Pombal, pátria do renomado economista Celso Furtado, de honrados Políticos, brilhantes escritores, dinâmicos literatos, jornalistas, professores e destacáveis vates: Leandro Gomes de Barros, Belarmino de França, Silvestre Honório e tantos outros. Em plena comemoração das homenagens a nossa terra amada, escolhi quatro vates da minha admiração e o sorteado para prestarmos a nossa homenagem, é: O HOMEM, O PÓETA, O POLÍTICO, Severino de Sousa Silva, (Biró, Beradeiro ou Beira-mar). Acredito que estes três personagens que ele assumiu, tenham sido batizados por ele próprio, sendo BEIRA-MAR, o que mais se identifica com o vate espirituoso que ele é. O nosso homenageado nasceu no sítio Jurema, município de Pombal, em 15 de novembro de 1923. Filho de agricultores, João Correia da Silva (Joca) e Maria Próspera de Araújo (Duca). Biró nasceu e criou-se forte, acostumando-se ao trabalho do campo como é peculiar a todo filho de agricultor ou talvez embevecido nas características do clássico pensamento euclidiano, “O sertanejo é antes de tudo um forte”. Veio para a cidade de Pombal, já rapazinho e aqui, se auto-descobriu poeta. Pois o poeta é assim, já nasce feito. Teria ele, que despertar, um dia, mesmo por força das circunstâncias ou dos prazeres que lhe envolviam. Desenvolveu o seu brilhante intelecto. Casado com a prendada senhora Maria de Almeida Silva, constituindo um lar feliz, com uma prole de quatro filhos: José Araújo, filho adotivo e sobrinho do nosso vate; Severino de Sousa Filho (Dr. Birozinho); Francisco Sales de Almeida Silva (Dr. Sales) e o caçula, Cláudio Almeida de Sousa Silva. Família pequena, porém recheada de noras e belos netos. Nos idos de 53, Biró, já despertava as belezas do seu intelecto. Poeta popular de uma envergadura cultural extraordinária. Correligionário dos chefes políticos Janduy e Ruy Carneiro, do antigo PSD, de quem recebeu grande influência política, mantendo-se sempre fiel em todas as campanhas partidárias para a escolha dos seus representantes. Quando na campanha para prefeito, em 1955, em que Dr. Avelino e Nelito concorreram com Elry Medeiros e Cândido Queiroga foi que Biró ingressou com entusiasmo nas campanhas e animava-as com brincadeiras procurando conquistar o eleitor. Em 1963, quando Dr. Avelino foi novamente candidato a prefeito pelo PSD, Biró ingressou na política com muito vigor, usando sua verve poética para proclamar os seus candidatos. Nessa época conquistou as atenções de todos, correligionários e também adversários. Manteve destaque em todas as concentrações políticas com a poesia e a música. Fez três paródias para o seu candidato. Cito uma com plágio do frevo de (Gagárim). Avelino é candidato de conceito Com Nelito vão marchar para a vitória O povo já lhes considera eleitos Vai ser o nosso prefeito Que vai ficar na história. Pombal agora Vai dar um passo a frente Duas figuras decentes Vão governar sem demora. É Avelino e Nelito que o povo quer Vai ser nosso prefeito Em Pombal, se Deus quiser. Ingressou na Militância Política como Vereador por dois mandatos, do prefeito e vice-prefeito, Francisco Pereira e Hildo de Assis Arnaud, de 1973 a 1976 e no governo de Paulo Pereira e Aureliano Ramalho, de 1977 a 1982, este, por seis anos, por prorrogação de mandato do referido prefeito. Conferindo assim, dez anos sua militância como Vereador. Vale ressaltar que foi nessa época que ele compôs BEIRA-MAR, fazendo a sua propaganda. (Refrão Beira-Mar, Beira-Mar, Beira-Mar. PMDB tá botando pra quebrar. (bis) (1ª Estrofe) Eu lhe peço, por favor. Pedindo um voto eu estou, Quero ser vereador. Se o povo me ajudar Meu número vou publicar. Quinze seiscentos e oito Que sou candidato afoito Pra derrotar mangangá... .É louvável citar alguns testemunhos de pessoas, que, mesmo adversárias de Biró admiravam os seus versos. Quando alguma pessoa chegava a seu Chico Pereira contando bisbilhotice de Biró, ele, com mansidão (qualidade própria), dizia: “Deixe Biró fazer os versinhos dele, que eu acho até muito bonito, aquele Beira-Mar”, e, a pessoa saia desconfiada com a bela lição. Meu pai era adversário de Biró, porém tinha uma grande admiração por ele principalmente por sua veia poética. Biró, ainda militou na política como Vice-prefeito, cumprindo com Levi Olímpio, um mandato de seis anos, 1983 a 1988. Neste ínterim, quero registrar a sua participação como vice-prefeito no JORNAL DE POMBAL, ANO I - EDIÇÃO ESPECIAL ANIVERSÁRIO DA CIDADE. - 21 de julho de 1984. “Parabéns Pombal, por hoje estar completando mais um ano não só de aniversário, mas também de luta, e que essa luta seja transformada em UNIÃO, PAZ E AMOR”. (arquivo de Cessa). Extremamente devotado a sua terra, prestou admirável contribuição ao nosso município. Compôs ainda muitas paródias nas campanhas políticas, e, fez belas poesias com os amigos, a exemplo de Dr. Avelino, quando morreu, fez a linda poesia, intitulada, de: MEU ADEUS A AVELINO. Era assim que Biró fazia política e suas campanhas, com carro de som e a ilustração da sua poesia, animando o povo e conquistando votos. Hoje, tudo mudou. As pessoas, não se portam com democracia, com respeito ao adversário, praticam coisas incoerentes, retirando a paz dos que têm senso de fé cristã, que confiam ainda numa sociedade justa, constituindo um todo para o bem comum. Biró tem passado e tem história, marcando ainda o patrimônio cultural com predominância ou inclinação pelas coisas do espírito, da inteligência premiada por Deus. Hoje, faz parte do ilustrado Quadro dos grandes vates pombalenses. Atualmente pertence à ASSOCIAÇÃO POÉTICA POMBALENSE, “PROF. NEWTON PORDEUS SEIXAS”, honrando por mérito o cargo de Presidente Emérito da mesma. Para narrarmos a vida do nosso homenageado seria precisa compilar outro livro, além de MEMÓRIAS DO BEIRA MAR, autoria do escritor Wertevan Fernandes, onde se encontra uma parte da sua história. E para distrairmos um pouco, comprovando a beleza do seu improviso, apenas uma de suas Sétimas que declamou ao encontrarmos um dia. MOSCA E MURIÇOCA. A mosca e a muriçoca São dois insetos que aborrecem. A mosca durante o dia, De noite desaparece Mas quando ela faz a troca É a vez da muriçoca Até que o dia amanhece. Eis ai, O HOMEM, O POETA, O POLÍTICO, importante patrimônio da nossa terra. Parabéns, BIRÒ, pelo que você representa para nós e para nossa Pombal. Receba com carinho esta homenagem dos seus irmãos poetas: ASSOCIAÇÃO POÉTICA POMBALENSE, “PROFESSOR NEWTON PORDEUS SEIXAS”. *Professora e escritora. Contato: cessalacerdapb@hotmail.com

CONSIDERAÇÕES DE Mª DO BONSUCESSO DE LACERDA FERNANDES, SOBRE O TEXTO EM HOMENAGEM A JANDUHY CARNEIRO!

D. Cessa (foto)
"Médico Competente, Parlamentar Atuante"
Admirado Clemildo! Obrigada pelo belo texto que você me presenteou sobre Dr. Janduy Carneiro, ilustre conterrâneo que muito merece aplausos, e, neste texto complexo que você fez com muita propriedade de conhecimento e com muito fôlego, é que cremos verdadeiramente no homem que representou para Pombal e tem que ser conhecido e imortalizado. Acredito que não poderia ser diferente esta narrativa produzida por você, pois apesar de jovem ainda manteve contato com ele. Conhecia muito da sua história, porém o que você escreveu agora é um currículum vitae. É mais um texto seu para o meu arquivo. Pois sou fã dos seus escritos. Clemildo, são tantos os nossos conterrâneos que merecem nestas festas serem elogiados e aclamados, porém irão sendo divulgados através de nós, que gostamos de escrever e que escrevemos com transparência. O seu trabalho merece ser divulgado em amplitude, isto é, lido no jornal do meio dia, na rádio, para que todo pombalense e sertanejo possam conhecer a história dele, principalmente a juventude que nos representa no momento e que haverão de representar no futuro. Abraços cordiais. CESSA

HOMENAGEM A JANDUHY CARNEIRO NOS 146 ANOS QUE POMBAL É STATUS DE CIDADE!

Dr. Janduhy (foto)
MÉDICO COMPETENTE, PARLAMENTAR ATUANTE! CLEMILDO BRUNET* A história do município de Pombal está pautada com personagens que se destacaram não somente aqui na Paraíba, mas que tiveram seu enlevo a nível nacional, fato desconhecido pela maioria de nossa gente. Estamos vivendo neste mês de julho de 2008, o Centésimo Quadragésimo Sexto Aniversário que Pombal foi elevado à categoria de cidade, 21 de julho de 1862 e 310 anos de sua fundação, 27 de julho de 1698. Sua Emancipação Política se deu quando de Arraial foi elevada à categoria de Vila de Pombal há 236 anos, 04 de maio de 1772. Hoje vamos falar de um vulto da nossa história que exerceu a arte da medicina e teve projeção a nível nacional pela sua atuação parlamentar como Deputado Federal participando ativamente da Constituinte de 1946, tendo apresentado várias emendas e dois discursos versando sobre a “Democratização do uso da Medicina no Brasil”. Este personagem é nada mais nada menos do que o filho ilustre de nossa terra, Dr. JOSÉ JANDUHY VIEIRA CARNEIRO. Nasceu em 20 de julho de 1903, véspera da data do aniversário de Pombal, mormente em que Pombal completou no ano de seu nascimento, 41 anos da passagem de Vila à Cidade. Filho de João Vieira Carneiro (Joca Carneiro) e Maria Carvalho Carneiro (Sinhá Carneiro). Janduhy Carneiro teve o seu primeiro contato com as letras na escola do Professor Newton Pordeus Seixas na cidade de Pombal. Cursor o secundário no Colégio Padre Rolim em Cajazeiras e ainda nos Colégios São Luiz e Castelo em Fortaleza – Ceará, onde concluiu o curso. Iniciou na Faculdade de Medicina da Bahia, seu curso de médico, fazendo o primeiro ano, indo depois para a Faculdade de Medicina da Praia Vermelha da Universidade do Brasil. Recebeu o diploma de médico aos 23 anos de idade no ano de 1926. Já formado e dedicando-se extremamente ao estudo da medicina, Janduhy Carneiro gozava de elevado conceito no Rio de Janeiro, onde se radicara e venceu as lutas de pós graduação. Nesse tempo foi nomeado pelo Professor Henrique Roxo assistente extranumerário de psicologia da cadeira de Clínica Psiquiátrica da Faculdade de Medicina, cargo que exerceu durante dois anos. Com a morte de seu pai em 1929, a mãe Mª de Carvalho Carneiro e as filhas ainda solteiras, Dalva, Araci e Mirtes tiveram de dar suporte a família. Em face dos acontecimentos Janduhy Carneiro voltou a Pombal. Chegando aqui viu que o exercício de sua especialidade na psiquiatria não era compatível com as necessidades da região. Resolveu então voltar ao Rio de Janeiro onde se preparou em Ginecologia e Obstetrícia e muito mais, ampliou os seus conhecimentos médicos em Pediatria e Doenças Infectocontagiosas. Só assim deste modo pode voltar a sua terra natal e exercer a sua profissão de médico. Certa vez, o Dr. Janduhy foi chamado para atender uma gestante em trabalho de parto. Era numa pequenina casa de taipa, nem luz de lamparina tinha na casa, imediatamente para atender essa dificuldade demoliu a parede da frente que dava para o quarto, fazendo penetrar a claridade dos faróis de seu próprio carro e assim realizou o parto, salvando mãe e filho. A pobreza daquela casa era tão grande que Dr. Janduhy deu a sua bata de médico para abrigar o recém nascido e aceitou ser padrinho da criança. Maria do Socorro Dias de Almeida, hoje residindo em Belém do Pará, filha de Manoel Dias e Maria Dias de Almeida, diz que sua história é pouco conhecida dos pombalenses, através de E-mail que me foi enviado, expressa sua gratidão a Janduhy Carneiro, narrando um fato acontecido em sua vida quando morava em Pombal. “Minha genitora com seis meses de gestação contraiu uma doença que a tornou paralítica, este homem usado pelas mãos divinas lhe deu toda assistência com a maior preocupação com a criança que com certeza seria prejudicada, foi incansável sempre acompanhado por minha madrinha Dalva sua irmã; até a hora de meu nascimento no dia 23 de dezembro de 1939, ás 11h40min da manhã, cheguei a este mundo, logo foi por ele observado um problema nos olhos se não tratado poderia levar a cegueira. Este homem apesar dos poucos recursos na medicina na época me tratou como também a minha genitora e sou uma pessoa normal de perfeita visão, graças a Deus e a Dr. Janduhy Carneiro. Há pouco tempo precisei de exames profundos, ou seja, uma tomografia ocular tendo sido constatado um problema sério, porém tratado e aqui Dr. Janduhy Carneiro desejando que nos altos esteja recebendo em glórias tudo que fez de bom em sua jornada terrestre interceda a Jesus pelos nossos governantes que venham mais Janduhy Carneiro para defesa dos menos favorecidos” Janduhy era possuidor de um carisma excepcional, pois exercia sua função de médico com muita dedicação e carinho para com as pessoas. Muitos o tiveram como líder e desta forma atraído pelo povo, de maneira natural ingressou na política partidária. Em 1929 quando João Pessoa candidatou-se à Vice Presidente da República pela Aliança Liberal, Janduhy Carneiro nesta campanha orientou o movimento político de seu Município. Neste pleito, o Cel. José Pereira de Princesa Isabel rebelou-se contra o resultado das eleições em que saiu vencedora a Aliança, comandando a insurreição armada na Paraíba decidiu invadir Pombal com o fim de aumentar o seu domínio. Janduhy junto a amigos, armados, impediram a façanha. A trama continuou até a vitória da Revolução de 1930. No Nordeste o movimento era comandado pelo chefe militar Juarez Távora e a ponte de ligação com os paraibanos foi Ruy Carneiro, na época Diretor do Jornal Correio da Manhã. No dia 05 de outubro de 1930, Janduhy Carneiro era nomeado Prefeito de Pombal pelo Dr. José Américo de Almeida, Interventor do Estado da Paraíba. Janduhy Carneiro como Prefeito de Pombal fez importantes obras no Município, como o Grupo Escolar João da Mata, O Matadouro e o Mercado Público, estradas carroçáveis para os povoados de Paulista e Várzea Cumprida dentre outras. Mais somente em 1945, após a decretação do Estado Novo, foi que Janduhy Carneiro fundou o Partido Social Democrático juntamente com o seu irmão Ruy Carneiro e outros companheiros. Ruy Carneiro em 1940 ao assumir o cargo de Interventor Federal na Paraíba, convidou seu irmão para o cargo de Diretor do Departamento de Saúde Pública do Estado o equivalente hoje a Secretaria de Saúde da Paraíba. Durante o tempo em que Janduhy Carneiro esteve à frente do Departamento de Saúde, foi construído o primeiro Manicômio Judiciário do Nordeste. Instalou também o Serviço de Verificação de óbitos permitindo que ninguém fosse sepultado sem o diagnóstico da causa mortis. Quando Deputado Federal Janduhy Carneiro, pertenceu por cinco anos, a Comissão de Saúde da Câmara, tendo sido relator do Plano Salte, setor saúde, no Governo Dutra. Participou também da Comissão de Finanças, onde permaneceu por muitos anos. Como parlamentar pronunciou em plenário diversos discursos sobre medicina pública, política e economia. Autor de vários projetos que foram transformados em leis, destacando-se a que criou a Campanha Nacional Contra a Lepra e a que abriu ao Ministério da Saúde o crédito especial de cem milhões de cruzeiros, para a luta contra o câncer, possibilitando a conclusão do Instituto Nacional do Câncer no Rio de Janeiro. Como resultado de suas atividades na Câmara dos Deputados, Janduhy Carneiro por meio de verbas orçamentárias, fundou Hospitais e Maternidades, Postos de Saúde e de Puericultura, na Paraíba, nas cidades de Uiraúna, Malta, Itaporanga, João Pessoa, Santa Rita, Cabedelo, Patos, Santa Luzia e Pombal. Nestas últimas, Os Hospitais e Maternidades “Sinhá Carneiro”. Foi Presidente da Fundação Laureano e grande Patrono do “Hospital Napoleão Laureano em João Pessoa para tratamentos de doentes do câncer. Verbas orçamentárias trazidas pelas mãos benfazejas de Janduhy Carneiro ajudaram a construir Escolas Normais em nosso Estado e muitas outras instituições de cunho filantrópico. Ele, embora não tenha obtido vitória em dois pleitos, o primeiro quando se candidatou em eleições diretas para Prefeito de Pombal, perdendo para Sá Cavalcanti em 1935 e o segundo para Pedro Moreno Gondim na disputa pelo Governo do Estado em 1960, foi integrante da bancada federal do seu Estado, durante oito mandatos consecutivos; desde a primeira legislatura depois do Estado Novo instalada em 1946, ali permaneceu até 1975 pela legenda do antigo Partido Social Democrático, posteriormente, pelo Movimento Democrático Brasileiro. Lembro-me que em 1968 quando o Dr. Atencio Bezerra Wanderley foi eleito Prefeito de Pombal pelo MDB, instalamos o transmissor da antiga Voz da Cidade na Sede Operária Beneficente (local da abertura das urnas), para cobrir apuração dos votos; face às despesas para a execução desse serviço pedir a colaboração do Deputado Janduhy Carneiro. Prontamente solícito ao nosso apelo o parlamentar nos ofertou a importância de duzentos mil cruzeiros. Também em 1968, por ocasião do movimento para se conseguir o registro de uma rádio para Pombal encabeçado por mim, tendo como coadjuvantes: Pastor Jônathas Barros de Oliveira, Padre Zélio, Genival Severo, Arruda, José Costa, Maciel Gonzaga, José Geraldo, Eurivo Donato, Otacílio Trajano e tantos outros companheiros; ele (Janduhy Carneiro) foi o nosso mediador junto ao Ministério das Comunicações para se inteirar de toda documentação necessária a oficialização de uma estação de rádio. O Ministério das Comunicações em resposta ao Deputado enviou a documentação contendo a minuta do contrato e as normas estabelecidas para exploração do serviço de radiodifusão. O nosso representante Federal colocou o seu gabinete em Brasília ao nosso dispor para dar andamento ao processo. Infelizmente, a diretoria da Sociedade Anônima já formada e composta por comerciantes e empresários para a constituição da emissora, fraquejou; ficando o projeto só no papel. Por um triz perdemos a chance do pioneirismo do rádio na região, visto que naquele tempo existiam somente as Rádios Alto Piranhas, Difusora de Cajazeiras e Espinharas da cidade de Patos. Janduhy Carneiro ficou conhecido na Paraíba como um dos Deputados, em todos os tempos, que mais carreou recursos para o nosso Estado. Faleceu no dia 07 de julho de 1975, em pleno exercício de seu 8º mandato, era casado com a senhora Diva Dunshe de Abranches Carneiro de tradicional família do Estado do Rio de Janeiro, que lhe deu cinco filhos: Sonia, José Ruy, Gilda, Susana e Janduhy. Pela sua brilhante atuação na vida pública, foi agraciado com a Medalha de Honra Osvaldo Cruz; a Ordem Nacional do Mérito Médico; a Comenda no Grau de Cavaleiro, da Ordem Militar e Hospitalar de São Lázaro de Jerusalém; e o Diploma de Professor Honoris Causa, da Faculdade de Ciências Econômicas da Paraíba. Era Patrono da cadeira nº 23 da Academia Paraibana de Medicina, hoje ocupada pelo Dr. Jackson Derville Araruna. No Centésimo Quadragésimo Sexto Aniversário de Pombal, a nossa sincera homenagem a Dr. José Janduhy Vieira Carneiro: Médico competente e Parlamentar atuante! *RADIALISTA. WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

POMBAL: NOME EM HOMENAGEM A UMA CIDADE DE PORTUGAL!

Verneck Abrantes

Centro de Pombal

Verneck Abrantes*

A Vila Nova de Pombal recebeu essa denominação em homenagem à antiga cidade de Pombal de Portugal, localizada no centro do litoral Português, a cerca de 150 km de Lisboa. Como muito se pensou, não foi em homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, primeiro ministro de Dom José I, Rei de Portugal, por dois motivos a considerar, simples, mas de fundamental importância histórica. 1º - No século XVIII ainda não estava em moda esse tipo de homenagem aos governantes. 2º - A Carta Régia de 22 de julho de 1766, que mandava erigir novas vilas na Capitania de Pernambuco e Paraíba, orientava os administradores de vilas a denominá-las com nome de localidades e cidades de Portugal.
Considerando esses fatos, a verdade é que, se nossa cidade fosse uma homenagem ao Marquês, com certeza seria denominada de: Vila do Marquês de Pombal, como isso não procede, é improvável, recebeu o nome de Vila Nova de Pombal, em homenagem a cidade de Portugal de mesmo nome.
Ressaltamos que em diferentes regiões do Brasil, outras vilas também receberam denominação de localidades de Portugal, a exemplo de: Amarante-MA, Aveiro-PA, Barcelos-AM, Bragança-PA, Guimarães-MA, Obidos-PA Montemor-o-Novo (antiga Mamanguapé-PB), Oeiras-PA, Estremoz-RN, Santarém-AM, Vila do Conde-PB, Trancoso-BA etc., etc.
Devemos lembrar que o Marquês de Pombal foi quem sugeriu ao rei criar novas vilas na Capitania de Pernambuco e Paraíba, isso com certeza teve influência na denominação da vila com o nome de Pombal, cidade portuguesa na qual viveu o Marquês de 1777 a 1782, quando veio a falecer. No entanto, devemos ressaltar que a homenagem foi à cidade de Pombal de Portugal e não ao Ministro do Rei, considerando os motivos acima.
A versão do nome como sendo uma homenagem ao Marquês de Pombal, foi tomada por Irineu Joffily, quando escreveu “Notas Sobre a Paraíba”, e acatada sem maiores averiguações por todos os autores que lhe seguiram, daí o equivoco. Cronologia da Elevação da Vila de Pombal.
Em 29 de dezembro de 1755, por resolução do Conselho Ultramarino de Lisboa, foi homologada por Carta Régia, anexação da Capitania da Parahyba à de Pernambuco. Tal subordinação perduraria até 1799. Em 1766, o futuro Marque de Pombal (que recebeu o título em setembro de 1769), orientou o Rei D. José I, assinar a Carta Régia de 22 de julho de 1766, autorizando o governador de Pernambuco, Conde de Vila Flor (Manoel da Cunha Meneses), a erigir novas vilas na área da sua jurisdição, que incluía também a Capitania da Parahyba.
Em 03 de março de 1772, o Ouvidor Geral da Parahyba, José Januário de Carvalho, encaminhou, em nome da povoação de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Pinhancó, propondo a instalação de uma vila no sertão da Paraíba, nos termos da Carta Régia de 22 de julho de 1766. Não demorou o sim do governador, datado de 11 de março de 1772. Logo depois, em 04 de maio de 1772, foi instalada a Vila Nova de Pombal. De imediato, fizeram-se eleições para o preenchimento dos cargos Oficias da Câmara e elegeu-se o primeiro Presidente e Juiz Ordinário da Câmara, cabendo a honraria ao Capitão-Mor Francisco de Arruda Câmara. Foi nesta data Pombal foi elevada à categoria de Vila e Emancipada politicamente, sendo também, a primeira vila instalada no sertão da Paraíba. No dia 21 de julho de 1862, a Vila Nova de Pombal foi elevada ao status de cidade.
*ESCRITOR E HISTORIADOR POMBALENSE

postado por Clemildo Brunet às 06:13 em 17/07/2008

PARA DR. MACIEL, COMENTÁRIO DE DONA CESSA SOBRE O TEXTO DE MONS. ORIEL

Dona Cessa (foto)
Li com atenção e profunda emoção o seu texto referente ao nosso querido e inesquecível Mons. Oriel. Fiquei encantada com a sua brilhante e lúcida reserva memorial. É ótimo quando se encontram capacidades como a sua para resgatar os vultos importantes e imortais que deixaram feitos inacabáveis e lembranças de coisas boas, pois digo que, bonita foi a sua história em relação com ele, faz mesmo diferença, a fidelidade de bom pastor, de influenciador na nossa formação quando éramos crianças. Desconhecia o fato narrado por você, que foi coroinha a ponto de chamarem filho do padre, se orgulhe muito disto. Eu também devo muito aos seus legados, como padre, confessor espiritual e amigo. Sabia que sou fã dos seus escritos? Só que estava ainda calada. Mas, você me desenterrou agora com este texto emocionante. Querido Maciel, sei que você, Massiilon e sua irmã receberam boa formação dos humildes, mas, grandes pais. A saudosa Rosa era muita minha amiga e digo que, dela recebi forte influência para a criação dos meus filhos. Era também uma grande servidora e quando chegava a minha casa em que Júnior, o mais velho, entrava desconfiado por ter feito alguma coisa errada, se fosse briga de menino, ela com toda propriedade, dizia: não apanhe de nenhum colega, faça, é dar neles, ele ficava feliz porque também tinha o apoio da amada e inesquecível Edite. E mais, ela brigava quando eu batia neles. Quando você e Massilon, muito inteligentes, tiveram que sair a busca de progressão no rádio, eu já os admirava e tinha certeza desse crescimento que se concretiza hoje, e, ela confiou muito no meu incentivo, pois a beleza de vocês faz parte de mim, não esqueço e quero ainda dizer, que, amo muito vocês por tanta significação e afinidade. Parabéns pelo esplendor de vocês, hoje. Como sou feliz por isto, acreditando que ela também lá no céu sorri de felicidade por vocês. Obrigada, meu caro amigo, Maciel, pelo comentário postado no Blog de Clemildo, me parabenizando pela poesia na abertura do seu programa, “Saudade não tem idade”, só que na colocação do texto da Copa 58, você não foi claro, porque ficou em pé na janela do lado de fora da casa de meu pai, enfatizando ainda, que contava com 8 anos de idade. Acredito que você era uma criança inibida, porém deixou incógnita para seus leitores inclusive eu me senti triste. Agradecemos ao amigo Clemildo e a NET, por nos termos encontrado. Cordial abraço cheio de saudade! CESSA.

HOMENAGEM AO MONSENHOR ORIEL ANTÔNIO FERNANDES

Maciel Gonzaga (foto)
MACIEL GONZAGA* Quando Karl Marx afirmou que “a religião é o ópio do povo” é preciso
que se entenda o contexto de sua afirmação. Primeiro, Marx não diz que a religião é o narcótico, o entorpecente do povo, mas, sim, que é o ópio – um narcótico específico. Caracterizar a religião como uma droga que anestesia a dor, por mais chocante que seja para muitos, hoje, foi ainda mais radical em sua época. E, no entanto, mais do que condenando a religião em si, Marx na verdade estava criticando a condição de uma sociedade que levaria as pessoas a um entorpecimento. De qualquer modo, a partir daí, não paramos de ouvir as críticas aos comunistas sem Deus, implicando que o pensamento marxista não tem valores nem moralidade. Torna-se incontestável que o tema da educação religiosa está profundamente ligado à família. A formação religiosa deve começar e se consolidar na família, cuja extensão vem a ser a escola. Torna-se inadiável oferecer às crianças, adolescentes e jovens a educação religiosa, pois é impossível formar uma nova geração com caráter, bons costumes e amadurecimento da personalidade, se não houver uma formação que lhes sirva de suporte e, ao mesmo tempo, de iluminação. Pois bem, a partir destas reflexões, quero falar neste artigo sobre uma figura que, na minha vida, teve uma participação importantíssima para que eu pudesse conquistar princípios religiosos: Monsenhor Oriel Antônio Fernandes, o nosso querido “Padre Orié”, como era carinhosamente chamado por seus paroquianos, que nos deixou há 39 anos. Certa vez, o poeta Belarmino de França o desafiou com um enigma: “O que é, o que é? Pintadinho como um guiné; veste saia, mas não é mulher; pede esmola, mas não é esmolé”. O próprio vigário, do alto da sua sabedoria, pensou um pouco e respondeu: “Só pode ser Padre Orié”. Matou o enigma! Oriel Antônio Fernandes nasceu no sítio Quixaba, na vila de Belém, hoje cidade de Uiraúna, no dia 18 de novembro de 1911. Filho de Marcelino Josa Vieira (Major Salô) e Maria Emetina Fernandes das Chagas. Eram seus irmãos, José Marcelino Vieira (Zé de Salô), Ana Socorro Fernandes (Orcina), Maria Inês Fernandes e Francisca Emetina Vieira. Quando seminarista, saía de Uiraúna a cavalo para apanhar o trem da Rede Ferroviária Federal, em São João do Rio do Peixe, com destino à cidade de Itabaiana e, posteriormente, tomar outra locomotiva com destino João Pessoa. Ordenou-se no dia 20 de novembro de 1938, sendo oficiante Dom Moisés Coelho, Arcebispo da Arquidiocese da Paraíba. Celebrou a primeira missa solene em sua terra natal, no dia 8 de dezembro do mesmo ano. Servidor e acolhedor dos pobres, particularmente dos agricultores, com quem nutria profunda identidade afetiva, era devoto de Nossa Senhora do Carmo, sendo inclusive, membro da Ordem Terceira do Carmo. Sempre andava com uma mala, carregando e vendendo aos fiéis de sua paróquia bíblias ou textos evangélicos, catecismos, livros religiosos, terços, medalhas, santinhos. Era uma forma de fazer apostolado, sem visar nenhum lucro. Em Pombal, foi vigário da Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso durante 12 anos, deixando obras religiosas importantes: a construção da capela de São Bentinho, hoje cidade de São Bento, reforma e conclusão das capelas de São Domingos e Riacho dos Cavalos; idealizador do Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro; construiu uma grande Escola Paroquial na rua que tem atualmente o seu nome; participou do Sindicato Rural e do Rotary Clube local. Também exerceu o cargo de professor de religião na Escola Normal o no Colégio Diocesano. Era um bom orador e afeito à leitura. Gostava de política e não escondia sua simpatia pelo PSD de Ruy Carneiro, mas, respeitava a lei da igreja que o impedia de militar partidariamente e mantinha um bom relacionamento com o deputado Chico Pereira. Foi agraciado com o título de Monsenhor, conferido pelo Papa Paulo VI. Monsenhor Oriel foi um árduo defensor de sua igreja, de sua fé católica e um forte combatente de outras religiões, protestantismo, espiritismo, ou instituição como a maçonaria. Detestava falar sobre o comunismo. Depois de longa enfermidade que lhe afetou o pâncreas, faleceu no dia 16 de maio de 1969, aos 58 anos de idade. Seus restos mortais estão sepultados no interior da Matriz de Pombal, onde é hoje venerado pela população católica da cidade. Durante toda a minha infância em Pombal convivi bem de perto com o Padre Oriel. Foi para mim um “verdadeiro pai”, pois a partir de 8 anos de idade eu passei a morar na Casa Paroquial. Por isso mesmo, alguns contemporâneos de infância me chamavam de “filho do padre”. Confesso que nunca gostei, pois considerava a brincadeira pejorativa e até cheguei algumas vezes a reagir com pedradas. Fui coroinha e, depois, auxiliar dos sacristãos (Raimundo Lacerda e Odorico). Pude conhecer de perto a figura desse servo de Deus, que incutiu na minha cabeça uma formação verdadeiramente sólida, no que se refere à religião e, a partir dos seus ensinamentos, tomei gosto por disciplinas como Filosofia, Antropologia, Sociologia ou Ética procurando melhor compreender o homem diante do Infinito, a dimensão do ensino religioso e a compreensão que puder ter da infinita Sabedoria divina, que tudo criou, governa e sustenta a humanidade. Como vigário da Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, o Monsenhor Oriel ensinou aos seus paroquianos que, a cima de todos os valores humanos, estão os valores divinos, que Deus nos revela na Sagrada Escritura. A partir de sua Encarnação, Cristo nos transmite estes valores de forma vivencial e concreta, colocando-se como o exemplo a ser imitado e dando-nos, ao mesmo tempo, a graça necessária para realizá-lo. Monsenhor Oriel Antônio Fernandes, que Deus o tenha em um bom lugar! *Jornalista, Advogado e Professor. Natal R. G. do Norte
DE MACIEL GONZAGA: EM RESPOSTA AO COMENTÁRIO DE DONA CESSA. Prezado Clemildo! Tenho ressaltado em outras oportunidades que, se o historiador Wilson Nóbrega Seixas fosse vivo, com certeza abriria um espaço na sua Enciclopédia para enaltecer a importância de Clemildo Brunet de Sá na história da cidade de Pombal. Você é realmente um baluarte! A oportunidade que nós pombalenses estamos tendo, por seu intermédio, de nos comunicar e fazer história, é de grande alvitre. Da minha parte, sinto-me cônscio do dever cumprido em poder oferecer ínfima contribuição. Aproveito o ensejo para agradecer – em meu nome pessoal e dos meus irmãos Massilon e Marcelina – pelos elogios recebidos da digna professora Cessa Lacerda, filha de um dos homens mais probos da nossa terra, que foi o senhor Cícero Gregório. Quero dizer que a nossa família agradece penhoradamente a referência à nossa mãe (Roza Gonzaga de Luna) que foi uma “Mulher de Verdade”. Espero que o Supremo Criador nos dê saúde por muitos anos para que possamos continuar dando às gerações mais novas a oportunidade de conhecer a história da nossa TERRA QUERIDA. Por último, já fiz o esclarecimento por e-mail à professora Cessa e o faço agora de público, que a decisão de ouvir os jogos da Copa do Mundo de 58, pelo rádio, da janela da casa do Sr. Cícero Gregório, com apenas 8 anos de idade, foi de foro íntimo. Eu ficava à distância cuidando da Sacristia da Paróquia, que se encontrava em pleno expediente. Se alguém, por ventura lá chegasse, eu corria para atender. Esclareço ainda que, por várias vezes, o próprio Cícero Gregório, seus filhos e netos me mandavam entrar e sentar. Mas, muito me honra e pode hoje contar que ouvi os jogos daquela Copa do Mundo na residência de tão digna família. MACIEL GONZAGA DE LUNA – NATAL/RN

SR. NAPOLIÃO DA PADARIA...

Socorro Dias (foto)
SOCORRO DIAS,POMBALENSE DE NASCIMENTO QUE RESIDE EM BELÉM DO PARÁ,
EM RAZÃO DO ARTIGO QUE ESCREVI LOGO ABAIXO, FEZ ESTE COMENTÁRIO SOBRE SEU NAPOLIÃO...
Sr. Napolião da Padaria assim era chamado pelo povo de Pombal. Esse grande pombalense foi um personagem muito importante na história das crianças e adolescentes dos anos 50. Vou iniciar, falando do comerciante, que tratava sua clientela com dignidade e respeito. Esse homem só me traz recordações maravilhosas. Deixa-me confusa. Gostaria de colocar na pauta todo sentimento e admiração que sentia por este cidadão. Torna-me difícil, pois meu vocabulário é pouco, em relação às qualidades deste homem. Quando criança, sempre acompanhada pela turma da brasa Como ele nos chamava: Cessa de Cícero Gregório,Socorrinha de Mané Dias, Giselda Carneiro e outras. Entrávamos na padaria à procura quase sempre da mesma coisa Bolacha peteca. (A preferida), entre outras,comum, canela, e os pães: agoado, crioulo, carteira, e o da preferência. Pão doce. Todos de um sabor especial, temperado com o carinho e dedicação que ele tinha pelos seus fregueses mirins. Meu pai também comerciante na época, dono do Enchimento e fábrica de bebida, eram muito amigos. Não havia inveja, só amor. Eu tinha minha continha de caderno; Sempre que fazia minhas compras, sua preocupação era de anotar na minha presença, como que dando satisfação de sua honestidade. Cresci, e me tornei uma comerciante, procurei esse modelo, que nunca me saiu da memória. Clemildo se fosse falar de tudo que sinto por seu pai, levaria muito tempo... Parabéns Clemildo, pelo pai maravilhoso que você teve. Lembre dele, sempre com orgulho.. Um Abraço de quem muito lhe admira, Socorro de Pombal.

SEU NAPOLIÃO E A HONESTIDADE: UM SÓ PESO, UMA SÓ MEDIDA!


NAPOLIÃO BRUNET (Foto: Arquivo)


Primeira Reunião da Associação Comercial de Pombal Em 26-06-1962 (Foto direita)
CLEMILDO BRUNET* 

Falar sobre meu pai não é tarefa fácil. Isso porque, por ocasião de seu falecimento eu contava apenas 15 anos de idade. Era um adolescente que ainda não compreendia bem o sentido da vida e nem tão pouco o significado da morte. Estava na flor da idade começando a minha juventude. Éramos cinco irmãos: Clóvis, Carlos, Claudete, Cláudio e eu. Minha mãe Maria Brunet de Sá, conhecida por todos como dona Sinhazinha. 

Napolião Brunet de Sá nasceu em Pombal no dia 17 de novembro de 1906, filho de Julio Rabello de Sá e de Olindina Ramalho de Sá, sendo avôs paternos Aristides Rabelo de Sá e Olindina de Sá e maternos Napolião Carlos Brunet e Maria Ramalho. Casou- se com sua prima Maria Brunet de Sá (Sinhazinha), ela aos dezesete anos de idade e ele aos vinte um anos, no dia 30 de junho de 1928. 

Vítima de enfarto do miocárdio faleceu em sua residência a Rua Cel. José Fernandes, (rua do rio), ás 9 horas da noite do dia 28 de agosto de 1964. Naquele tempo quando uma pessoa tinha uma morte súbita o termo usado era colapso. 
Foi ele juntamente com José Nicácio Amorim (Zuza Nicácio), um dos fundadores da Associação Comercial de nossa cidade em 26 de junho de 1962, reunião essa realizada no auditório da Sede Operária Beneficente de Pombal. 

Em 08 de julho de 1934, participou também juntamente com o ex-Vereador José Benigno de Sousa (Lélé), da fundação da Sede Operária Beneficente de Pombal. Era partidário do antigo PSD e acompanhava de perto a política como correligionário do Deputado Janduhy Carneiro e do Senador Ruy Carneiro. Nunca mudou de partido. 

Guardo vagas lembranças do curto período que o conheci. Tinha uma massa corporal imensa chegando a pesar 110 quilos. Voz forte e grave. Certamente por ter um rosto cheio e redondo e pela corpulência de seu físico, quem o via pela primeira vez, tinha a impressão de que aquele homem fazia medo. Mas, não era nada disso. 

Meu pai nunca me bateu. Em meio às peripécias que eu fazia, bastava tão somente sua voz forte para atender de imediato ao que ele dizia. Nas madrugadas em que minha mãe me chamava para a aula de educação física do Colégio Diocesano e não atendia querendo dormir mais um pouco, ela falava para meu pai “Napolião! Clemildo não quer ir para a educação física”. Imediatamente ao ouvir sua voz forte, mesmo esfregando os olhos me levantava da rede como num passe de mágica. 

Certa ocasião estava eu e Claudete jogando ludo (tipo de jogo que as pedras se movimentam segundo o número indicado pelos dados), houve uma discussão e eu arremessei o copo com os dados na testa de Claudete que saiu chorando; Ele veio ao encontro da confusão e quebrou a tábua do ludo mesmo no meio acabando definitivamente com a competição. 

Numa enquete realizada com pessoas que conviveram com meu pai, pude ouvir sobre suas ações como cidadão e comerciante nesta cidade na década de 50 e início de 60. 

José Luiz de Sousa 90 anos de idade, lembra o tempo que trabalhou como balconista com seu Napolião na Padaria Vitória. Conheceu meu pai desde quando o mesmo morava no sítio Brioso. Na roça pai gostava de limpar o mato e certa vez sofreu uma picada de cascável. Dizem os mais antigos que a prática usada para curar a pessoa mordida de cobra era cuspir em algum líquido (mel ou leite) e dar a pessoa, esta por sua vez ficava curada. Seu Alexandre que já tinha sido mordido várias vezes de cobra morava no sítio Umarí de Antonio Martins, foi levado até meu pai que ficou livre dos ofídios venenosos da malacatifa. 

Conta José Luiz que foi convidado para trabalhar na padaria, mas ninguém quis lhe ensinar como mexer na massa, então pai mandou que ele ficasse trabalhando no balcão. 

Já o ex-operário Manoel Alves dos Santos, na intimidade Manoel das Broas, que trabalhou muitos anos com meu pai, conta que um dia Darciso, outro empregado da Padaria, chegou ressacado e começou a espanar as prateleiras. De repente derrubou uma caixa do perfume Miss France chegando a quebrar três vidros. O cheiro do perfume se espalhou e pai desconfiou. Indagado sobre o que estava acontecendo, Darciso resolveu confessar. Na ocasião pai ralhou com ele e disse que ia descontar no seu salário. No dia do pagamento Darciso recebeu seu salário integral, pois seu Napolião já o havia perdoado. 

Meu primo Onídio Brunet de Sá contou-me que no velório de meu pai o Padre Andrade chegou e disse assim: “O negociante mais honesto de Pombal era Napolião, o preço dele era um só”. 

Declarou Onídio que se alguém dissesse: “Seu Napolião acolá tem mais barato, ele respondia pode trazer a dúzia que eu compro”. E repetia diversas vezes. 

Segundo Onídio, Napolião, antes da padaria, possuía um caminhão ano 1941, nesta época ele fazia fretes levando cargas de algodão para Campina Grande e trazendo mercadorias para o comércio de Pombal. A estrada era de barro o percurso da viagem durava três dias entre ida e volta. 

Lembra Onídio, que trabalhou no balcão da Padaria e conheceu de perto os produtos de panificação. A famosa bolacha peteca, que ainda hoje se ouve falar. “Já não se faz bolacha peteca como a de seu Napolião”. 

Jerdivan Nóbrega em seu livro “Sob Céu Estrelado de Pombal” faz referência em um verso a “bolacha peteca de seu Napolião”. Outros tipos de bolachas: A comum e a canela- feitas com o mesmo tipo de massa e ainda os biscoitos cumpridos, além do pão, francês, doce e carteira. 

O estabelecimento comercial de seu Napolião era localizada a Rua Ten. Aurélio Cavalcante, 78 como Padaria e Mercearia e tinha a denominação de Padaria Vitória havendo seção de louças, alumínios e perfumes. 

Antonio de Cota, foi outro que conheceu meu pai no comércio. Ele disse que Napolião não tirava um tostão no preço da mercadoria, quando ia pagar sua conta ficava relutando pra ver se tinha um abatimento, mas, meu pai não cedia. Acontece que o método de seu Napolião era: Um só peso, uma só medida para um lucro honesto, aplicava tão somente 20% sobre o valor de custo. 

Outro testemunho que ouvi sobre seu Napolião foi do agropecuarista José Alves Feitosa (Zezinho Caboclo). Ele me disse que deve a educação de seus filhos a meu pai. O Sr. Chico Mendes pagou uma dívida a meu pai com uma casa que ele tinha no Bairro dos Pereiros. Certo dia seu Napolião foi à bodega de Zezinho Caboclo lhe ofereceu essa casa, Zezinho disse que não podia comprar; meu pai lhe entregou a chave dizendo: “a casa é sua você me paga da maneira que puder”. E assim, Zezinho Caboclo ficou com a casa que resgatou a dívida em três pagamentos. O valor total do imóvel foi de seiscentos mil reis. 

Segundo Zezinho Caboclo, meu pai era farrista dando a entender o modo brincalhão como ele tratava os amigos. 

José Cleonso Mouta me disse que Napolião gostava de um aperitivo antes do almoço e sempre passava pela Sorveteria Tabajara de propriedade de seu pai Afonso Mouta. As pessoas que o serviam sabiam do tamanho da dose que ele ingeria. Um dia José Cleonso estava só, nesse ínterim pai chegou e pediu o aperitivo. Ele pôs a dose na quantidade normal, pai então reclamou: “Eu não quero sobra menino”! E mandou encher o copo, só tomava uma e saía para almoçar. 

Depois de alguns anos acometido de problemas cardíacos, abandonou o aperitivo. Passou a frequentar os trabalhos da Igreja Presbiteriana, aos domingos participava da Escola Dominical e assim procedeu até o fim de sua existência.

Agradeço os depoimentos de dona Cessa, Socorro Dias, Afonso Josias, Juarez e tantos outros que não foram registrados aqui, mas que fizeram ótimas referências a meu querido pai. 

Assim era Napolião Brunet de Sá – Um só peso, uma só medida, para um lucro honesto! 

*RADIALISTA.

COMENTÁRIO DE MINHA PRIMA MARY LOIDE SOBRE NAPOLIÃO!

Clemildo tenho uma história para contar do seu pai: Por ocasião das férias eu gostava de me hospedar em sua casa e um dia resolvi que ia fazer um pavê de castanha para o almoço, para minha surpresa quando perguntei se ele queria, respondeu " sirva logo todo o mundo e depois passa o pirex para cá, porque eu vou comer a metade. Rimos muito e assim foi, depois que coloquei a porção de cada um ele se apossou do pirex e comeu ali mesmo e era mais que a metade. Quando eu perguntei se ele gostou ele respondeu prontamente "Se gostei? Amanhã pode fazer mais!”Aí então, eu fazia sempre algo diferente e ele se admirava porque eu sabia fazer tanta coisa gostosa. Lembro que ele não andava na calçada, andava sempre no meio da rua. Lá da porta da sua casa, a gente o via saindo da padaria em direção a casa, lá vinha ele remando pelo meio da rua e os carros respeitavam e paravam para dar passagem a ele. Pessoas honestas nunca ficam ricas. Assim foi ele e o meu pai. Tinham o que herdaram e só. Mas podemos nos orgulhar da honestidade e honra que eles tinham. 
Abraços de Mary Loide

NÂO DEIXEMOS DE FAZER HOJE, O QUE PODERÍAMOS TER FEITO ONTEM!

Cessa Lacerda (Foto de Arquivo)
DEMO-NOS ÀS MÃOS POR UMA CAUSA JUSTA!
Sabíamos que o nosso Hospital e Maternidade “Sinhá Carneiro” se encontrava por um determinado tempo em estado de calamidade pública, motivo que o levaria a uma ruína total, prejudicando, sobretudo a nossa gente pobre. Cada pessoa que ali passava sentia uma profunda tristeza, porém nada podia fazer. E o povo pobre? O que seria dele? Sofrer esta grande desventura por falta de recursos ou até mesmo, de guerreiros que pudessem tomar às devidas providências para atender a necessidade do nosso povo, quanto à sua preciosa saúde. Vivenciando o dizer popular: “A verdade tem que ser dita!”. Eis que surgiu um jovem perspicaz, corajoso e sensível à causa social, sobretudo abrangente ao Quadro de sua profissão: “Cuidar da SAÙDE DO POVO”. Podemos até dizer, que foi um Milagre de Deus, com o salvador da pátria! Eliseu José de Melo Neto, jovem inteligente, nosso irmão pombalense, contemplando o vestibular para medicina saiu de sua terra com o intento de galgar caminhos precisos para o seu futuro, na esperança que também a sua terra fosse contemplada com os seus trabalhos. Assim aconteceu! Volta com dinamismo médico, admirável coragem de enfrentar certos desafios, assumindo a sua profissão com carinho e muito amor. Foi por ai que despertou o desejo de fazer mais por Pombal. Na mesma técnica de preocupação e tristeza do nosso povo, Eliseu desejou tomar para si os problemas que afligiam a nossa gente, usando meios que pudessem inverter o episódio que ocorria com a nossa Casa de Saúde. Ele passou pelos mesmos motivos do nosso grande Benfeitor Mons. Vicente de Freitas, que pensou na necessidade de construir uma Casa de Saúde para o atendimento da saúde do povo pombalense, muniu-se de uma força solidária, promovendo campanhas, conquistando aquele empreendimento. Restaurar esta pioneira Casa de Saúde de Pombal é dizer que somos fortes e solidários ao atendimento social. É também mergulhar nos sonhos daqueles notáveis heróis e benfeitores que realizaram a construção dessa obra há mais de cinco décadas. Restaurar este hospital é fazer ressurgir os feitos benevolentes dos dinâmicos e abnegados médicos da nossa história que legaram a posteridade, o belo exemplo de veneração e amor a nossa terra. E para que isto aconteça precisamos ainda mais das nossas participações ativas, pois a união faz a força. Vestir a camisa da coragem do Dr. Elizeu, Pe. Ernaldo e tantos outros que desempenham este melindroso, mas importante trabalho. Que Deus ilumine as nossas cabeças para agirmos de bom senso, unindo todos os segmentos sociais de Pombal, poderes competentes: executivo, legislativo e judiciário; grupos filantrópicos; entidades de classe: diretores, professores, alunos dos nossos colégios; empresas bancárias, particulares, radiofônicas e comerciais, enfim, alargarmos este apelo a todas as comunidades circunvizinhas. Esperamos que todos se empenhem nesta luta, ajudando com seu trabalho eficaz e suas calorosas doações, se bem que, Hospital é uma Casa de Saúde que presta serviços para o bem do povo, ora, unindo o útil ao agradável, ouvindo choro de tantas crianças que nascem como assim, abrigando tantos que sofrem. Abrimos um parêntese para ressaltar, nesta oportunidade, o nosso reverendíssimo Pe.Solon Dantas de França que esteve por muito tempo com esmero e dedicação à frente deste hospital, como Diretor, acolhendo o grande pensamento de Alcides Carneiro, “Esta é uma casa que por infelicidade se procura, mas por felicidade se encontra”. Vamos hastear em mastro seguro a Bandeira da Solidariedade considerando as memórias, dos médicos: Dr. Janduy, Dr. Isaias, Dr. Avelino, Dr. Atêncio, Dr. Azuil e tantos outros que floresceram em épocas passadas, fazendo realçar os que hoje abraçam esta causa justa, aplicando o método: Ver, Julgar e Agir para alcançarmos SUCESSO. Parabéns Dr. Eliseu, pela sua brilhante iniciativa, pela sua coragem e pelo seu procedimento altruístico que deixou-nos surpresos, fazendo diferença de tantos outros filhos de Pombal que não souberam amar e dignificar a sua terra. Obrigada por este grande feito! Continuemos a luta! DANDO-NOS ÀS MÃOS POR ESTA JUSTA CAUSA! Maria do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes Irmã e amiga pombalense.

REFERENCIAL AO LORD AMPLIFICADOR NA AGENDA POMBAL NA SUA 8ª EDIÇÃO!

LORD AMPLIFICADOR UM MARCO NA NOSSA HISTÓRIA!
Nossos agradecimentos a Visual Mídia Comunicação, por haver escolhido o Lord Amplificador para publicar neste ano em sua 8º Edição às páginas 08 e 09, uma síntese histórica daquele que foi o mais perfeito Serviço de Alto Falantes de Pombal no período 1968 a 1985. Aos amigos: Alain Delon, Romualdo Ribeiro, Júnior Telmo e Carlos Martins, Muito obrigado!
Clemildo Brunet e Genival Severo.

POMBAL: 146 ANOS DE CIDADE, 310 DE FUNDAÇÃO E 236 DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA!

CENTRO DE POMBAL (Foto)
CLEMILDO BRUNET* O que dizer de uma cidade que desde a data de sua fundação já é tricentenária? Edificada a margem direita do rio Piancó. Fundada por Teodósio de Oliveira Ledo no sertão das Piranhas conhecido como povoação de Piancó em 27 de julho de 1698, tendo sido denominado de Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó (Pombal). Sua emancipação política se deu em 04 de maio de 1772, quando elevada de Arraial a categoria de vila, sendo chamada Vila de Pombal, dando-se na mesma data sua Emancipação Política. Em 21 de julho de 1862 é elevada a categoria de cidade. Neste mês de julho Pombal comemora 310 anos de sua fundação. 21 de julho é a data do Aniversário de Pombal como cidade. Muita coisa se perdeu no tempo, pois segundo o nosso escritor pombalense Verneck Abrantes, documentos que tiveram registros de acontecimentos políticos com mais precisão, entre 1926 a 1928 e parte de 1930 a 1945, não foram encontrados nos arquivos da Câmara. Em seu livro A Trajetória Política de Pombal, o escritor cita que parte dessa memória foi queimada quando de um incêndio ocorrido na Prefeitura e outros desapareceram em razão de nos anos 80 ter havido uma reforma na Câmara Municipal e que pessoas sem conhecimento histórico tenham ateado fogo em antigos documentos dentro de um poço. Pombal já foi palco de grandes eventos que marcaram a nossa história. Um fato interessante e que talvez seja desconhecido pela maioria, Verneck diz que no final de 1926, foi organizado o primeiro time de futebol de nossa cidade, denominado de Itajay Futebol Clube. Os atletas tinham camisas listradas em preto e branco, mangas cumpridas, golas ajustadas com cadarços, calções nos joelhos, meiões, chuteiras e alguns jogadores usavam toucas. O campo era aberto localizado onde hoje é o Bar Centenário. O pioneiro time da terra tinha a sua torcida formada por homens da sociedade local que se vestiam de paletós brancos engomados, gravatas borboletas, chapéus de massa e bengalas. A banda de música enchia a rua com festivos dobrados e saudosas modinhas incentivando a torcida a comparecer a disputa futebolística. O dono desse time era o político e desportista, Vicente de Paula Leite, conhecido como Major Senhor. Há uma Rua em Pombal com o nome de Vicente Paula Leite e até bem pouco tempo, A Câmara de Vereadores quis dar o nome de outro cidadão a parte desta artéria urbana, revoltados os moradores se mobilizaram e fizeram abaixo assinados e faixas a fim de impedir tal façanha. Em todo esse tempo, Pombal é uma cidade marcada por perdas e ganhos. E nesse equilíbrio é difícil fazer uma avaliação das vantagens e desvantagens de tudo isso. Poderia ter avançado mais no curso da história. No entanto, alguns de seus monumentos que por descuido ou displicência de agentes políticos e autoridades desta terra, deixaram de ser tombados oficialmente como patrimônio histórico e foram demolidos literalmente por força do capital selvagem. O nosso escritor pombalense Jerdivan Nóbrega de Araújo, em um artigo publicado recentemente, fez a sua justificativa devido a questões relacionadas à realização do Pombal Fest no centro da cidade. Palavras textuais de Jerdivan: “A cidade de Pombal, com 300 anos, não tinha seu Centro Histórico Tombado e protegido por Lei. Indignado e vendo nossa história sendo transformada em pó, protocolei em 1991 uma petição ao IPHAEP, solicitando o tombamento do centro da nossa cidade” Ele recebeu como resposta uma negativa do próprio instituto dizendo que era impossível fazer o tombamento, pois o órgão alegava não ter condições de mandar engenheiros a Pombal, por não possuir viaturas. Jerdivan lamentou a desculpa dada pelo IPHAEP. Segundo ele, só foi possível tombar oficialmente o Centro Histórico de Pombal, quando assumiu a Presidência daquele Instituto o Professor José Otávio de Arruda Melo, que atendendo pedido do historiador pombalense Wilson Seixas (saudosa memória), deu continuidade ao processo. No dia 04 de abril foi publicado o Decreto nº 22.914 de 03 de abril de 2002, determinando o tombamento do Centro Histórico de Pombal. No final do relato Jerdivan afirma que “não somos contra a realização do “Pombal Fest”. Fazemos isso em memória dos nossos antepassados e em respeito às gerações futuras. Uma semana de festa não pode sobrepor-se e subjulgar a 300 anos de história” e arremata: “Não se trata de uma disputa e sim de uso da inteligência e do bom senso” Isso me faz pensar o quanto é penoso para nós pombalenses, se não preservarmos o que temos de patrimônio. Um povo sem história é um povo sem conhecimento. *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com