O TRABALHO DIGNIFICA O HOMEM ?

CLEMILDO BRUNET* (Foto) Creio que sim. Para nós brasileiros o trabalho tem seu significado maior quando o salário é compensatório. No entanto nem sempre estamos satisfeitos com a medida do ter. Queremos mais! A história nos mostra que o trabalhador para conquistar o que almeja, precisa fazer manifestações nas ruas. Uma das primeiras se deu em 1886 nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América com o fim de obter a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias. Houve greve geral, conflito com a polícia, resultando com mortes de alguns manifestantes. Em razão dos acontecimentos do dia anterior, no dia seguinte 4 de maio, nova manifestação , na qual sete agentes foram atingidos com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que procuravam dispersar os manifestantes. Três anos depois em Paris é convocada anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pelas 8 horas de trabalho. A data escolhida foi 1º de maio. Aqui no Brasil foi à era Vargas que eclodiu esse movimento. As agremiações de trabalhadores mesmo não sendo um grupo político forte em virtude da pouca industrialização do País, fez movimentar a classe operária por influência do anarquismo e mais tarde do comunismo. Getúlio Vargas chega ao poder e de maneira gradativa consegue dissolver esse movimento passando os trabalhadores urbanos a serem influenciados pelo que se chamou de trabalhismo. Antes, o Dia do Trabalhador era considerado pelos movimentos anteriores (anarquistas e comunistas) como protesto e crítica às estruturas sócio-econômicas do país. A divulgação trabalhista do Presidente Vargas, de maneira sutil, muda para um dia determinado a celebrar o trabalhador, no Dia do Trabalho. O Dia do Trabalho, mesmo de modo aparentemente superficial, sofre mudanças, a cada ano. Ao invés de ser marcado por piquetes, passeatas e protestos o Dia do trabalho é comemorado com festas populares e desfiles. Até a força sindical, organização que congrega sindicatos de diversas áreas, ligada a partidos políticos como o PTB, promove grandes eventos com realizações de shows de artistas da música popular brasileira, sorteando casas e similares. O Dia do Trabalho passa então a ser chamado Dia do Trabalhador. É o nosso 1º de maio, dando o pontapé inicial para se comemorar durante este mês: Flores, noivas, mães. Semana do lar nas denominações Evangélicas e na Igreja Católica Apostólica Romana, Maria mãe de Jesus. Embora um esteja ligado ao outro, acredito ser mais apropriado chamar a data 1º de maio, Dia do Trabalhador, de uma vez que Dia do Trabalho não vai bem para o significado do dia; pois se trata de um feriado nacional, onde, (diga-se de passagem), no Brasil neste dia ninguém trabalha, dedica-se ao lazer em detrimento da atividade laboratorial. Ainda bem que temos um Presidente da República otimista, para pelos menos em discurso dizer: Os brasileiros “nunca tiveram na vida” como agora tem tantos motivos para comemorar o Dia do Trabalho. Segundo ele, há acordos salariais sendo firmados acima da inflação, garantindo benefícios para os trabalhadores, além de mais oportunidades de empregos e crescimento do salário mínimo. (Folha Online desta quarta 30 de abril). Como presente para os trabalhadores, Lula lançou a Carteira de Trabalho informatizada e o Cartão de Identidade do Trabalhador. A expectativa é emitir quatro milhões de novos documentos por ano e não haverá nenhum ônus para o trabalhador. O trabalho dignifica o homem? A bíblia faz alusão ao trabalho executado pela formiga, que não tendo chefe, nem oficial nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega junta seu mantimento, mandando que o preguiçoso considere os seus caminhos e exclama! “Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?... Assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão e a tua necessidade, como um homem armado” Pv. 6:9,11. Realmente, o trabalho dignifica o homem, pois a palavra de Deus confirma: “Digno é o trabalhador de seu salário”. I Tm. 5:18b Parabéns trabalhadores brasileiro pelo seu dia maior. *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

CARLÃO: SINGELA HOMENAGEM AO AMIGO!

(Foto do Homenageado) CLEMILDO BRUNET* Há amigos de perto, de longe, amigos de infância, contemporâneos de escola, amigos de mesa de bar, amigos verdadeiros e falsos e até amigos chegados mais que um irmão como diz a bíblia. JOSÉ CARLOS DE SOUSA ARAÚJO, mais conhecido por (Carlão), um amigo e tanto... A quem neste artigo presto minha singela homenagem pelo transcurso de seu aniversário neste dia 28 de abril. Conheci Carlão no meio radiofônico. Embora no início não houvesse uma aproximação, sempre o admirei pela maneira como ele trata as pessoas. O seu comportamento e postura fizeram-me seu fã. Carlão é um sujeito por demais comunicativo dotado de um carisma que chama a atenção de quem conversa com ele. Tem um jeito descontraído e humorístico interessantes. Talvez a razão desse apego aos meios de comunicação: Difusora, rádio e Correios e Telégrafos. Inteligente como ele só, Carlão tem uma peculiaridade na arte humorística. Ele sabe contar piadas e fazer gracejos em seus contos de tal maneira que não há quem resista a uma boa gargalhada, até mesmo se a pessoa for sisuda. Diríamos que para Carlão não há tempo ruim. Gosta de servir ao próximo em tudo aquilo que esteja ao seu alcance. Se for uma viagem para atender a necessidade emergencial de alguém ele está pronto, não tem dia nem hora. Fez concurso público e conseguiu êxito assumindo a função de carteiro dos Correios. Paralelamente Carlão começou a freqüentar os studios do LORD AMPLIFICADOR (1970), onde anunciava o filme do dia que seria exibido no Cine Lux. Prestando serviço a esta casa de diversão, conduzia o cartaz do filme diariamente e o colocava na porta principal do Mercado Público, tendo como pagamento o direito de assistir gratuitamente as películas cinematográficas. Posteriormente, o nosso Carlão veio a ser cronista esportivo do rádio. Hoje faz parte da Associação de Cronistas Esportivos da Paraíba. Tem se destacado no desempenho de suas funções nesta arte. Sempre é convidado pelas rádios da região; Tanto para fazer narrações como também comentários do nosso futebol. Tive o meu momento de aproximação a este cara, quando da realização da Festa do Troféu Imprensa 2007. Ele se dispôs a meu convite, no sentido de fazer o design e arte de todo material necessário para o evento. Aí então pude sentir o peso da amizade que tenho nutrido por ele. Sinceridade, lealdade e firmeza, são apenas alguns dos muitos predicados inerentes ao nosso Carlão. Agora digo como disse o compositor Vinícius de Moraes: “A gente não faz amigos, reconhece-os”. E ainda como escreveu Machado de Assis: “Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir. Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende. Amigo a gente sente”! Carlão, meus sinceros parabéns. Feliz aniversário! Esta é uma Singela homenagem a você. *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

OUVINTE DO PROGRAMA "BROTOLÂNDIA"!

VALDIR MENDONÇA* (Foto) Em Pombal, decorria o ano de 1966, e quase todos os lares daquela Rua Domingos de Medeiros (antiga rua da rodagem) onde eu morava na casa 269 ao lado da Mercearia Ideal de meu pai, Severino Espalha, sintonizava-se ao meio dia a emissora Voz da Cidade, que sob o comando do jovem Clemildo Brunet e sua turma de locutores, entre eles: os irmãos Maciel e Macilon Gonzaga, José Costa, e outros mais, apresentavam o programa de maior audiência daquela rádio, o “Brotolândia”. Ícone do que melhor existia pelas redondezas, um programa de variedades musicais com os grandes expoentes da Jovem Guarda (Roberto Carlos, Erasmo, Jerry Adriani, Wanderléia, Renato, Os Fevers, Golden Boys, Eduardo Araújo, Os Incríveis, Agnaldo Timóteo e muitos outros integrantes daquele movimento musical dedicado a juventude. Outras emissoras de renome como a Alto Piranhas (cajazeiras) e Espinhara (patos) não ofuscavam naquele horário a audiência da Voz da Cidade, com seus pequenos, mas potentes transmissores. Era um programa bem dinâmico na apresentação daqueles jovens que começavam a despontar no rádio, mostrando seus valores individuais no maior veículo de comunicação de massa, ainda até hoje o rádio. Tinha lá meus 15 anos, já com algumas namoradinhas, uma possante bicicleta monark comprada no Imperador das Novidades de seu Zuza Nicácio, calça calhambeque, camisa tremendão adquirida na loja de Tiquinho (camisaria ideal) e botas meio cano, na sapataria Chic, isso sem deixar de lado a cabeleira tipo Roberto Carlos e sua turma de cabeludos. Lembro-me que até invejava a maior cabeleira daquele momento em Pombal, a de Cirilo Formiga irmão de Manoel Pedro, mas que eu não conseguia igual proeza, porque os comentários maldosos dos conservadores não paravam. Mas voltemos a Voz da Cidade, que sob a batuta de Clemildo Brunet, iniciava o programa apresentando em alto e bom som a sinopse de mais um programa, e em seguida outros apresentadores deixando sua marca pessoal, dando o melhor de si, para tornarem-se profissionais do rádio, e buscando um futuro promissor através desse maior meio de comunicação, onde cada um ficava a espera de um futuro que não estava muito distante. No desenrolar daquele êxtase musical, o programa se adentrava nos lares pombalenses, tudo naquele ritmo frenético, tocando os grandes sucessos da jovem guarda, sempre atualizado com os lançamentos musicais do momento, naquela discoteca bem sortida da emissora, com grande quantidade de LP’s (bolachões) e os discos compactos - formato menor, adquiridos pelo Clemildo em Campina Grande ou João Pessoa, e aí uma alavanche de pedidos musicais provenientes daqueles poucos telefones existentes na cidade, o que inegavelmente era um objeto de luxo naquela época. A maioria dos pedidos musicais era mesmo por escrito (bilhetinhos) antes e durante o programa no ar, muitas vezes coincidia em atender vários pedidos prá se pedir a mesma música, que de tanto ser executada, só faltava mesmo “furar o disco”, como dizíamos. Muitos estudantes após o regresso de suas aulas marcavam presença naquele pequeno studio, por trás da rua nova. Lembro-me que nas paredes daquela modesta emissora, tinha vários posters dos artistas, tanto daquela corrente musical quanto da velha guarda, era pra todo gosto, imagine o poster do Waldick Soriano sorrindo pra Rosemary, ou Carlos Alberto pertinho da Wanderléa. Era interessante aquela integração musical e visual daqueles posters, que de vez em quando tinhamos a impressão de que aquele cantor fazia uma apresentação somente prá galera presente, era só fazer o pedido e o sonoplasta atender. Uma melodia do Jerry Adriani, “és meu amor” me traz boas recordações até hoje, porque foi um marco da minha partida dois anos após, oferecimento de uma namoradinha, num momento que antecedeu minha viagemas terras desconhecidas. Pedi para aumentar mais o volume daquele velho rádio "mullard” que de tão alto, só faltava estourar o auto falante, sintonizando aquele grande sucesso do ídolo, entre outras mais, hino também daqueles casais de namorados que se amassavam à sombra das algarobas da praça central (coluna da hora-igreja matriz), momento também que eu e alguns colegas desocupados, aproveitava os intervalos comerciais, pra beber uma “meiota de pitu” no bar centenário ou na bodega mais próxima que nos servisse, isso tudo muito rápido a "golada", as vezes não dava tempo nem de cuspir, pelo receio de algum fuxiqueiro nos entregar em casa, e isso não terminava muito bem. Depois que rumei prá cidade grande, não sei mais quanto tempo durou aquele inesquecível programa, mas a minha única certeza é de aqueles bons momentos musicais proporcionado pelas ondas da Voz da Cidade, ecoam até hoje na minha memória. *Funcionário Público Federal Ministério da Agricultura contato: valdir.mendonca@agricultura.gov.br Brasília - DF

NO TEMPO DO RIO PIANCÓ!

JERDIVAN NOBREGA DE ARAUJO* (Foto) Houve um tempo em que, de uma a outra margem do Rio Piancó, em alguns trechos, chegava-se a medir até cem metros de espelho d’água. Formavam-se ilhas, que chamávamos bancos de areia, onde jogávamos futebol de areia, muito antes desse esporte se popularizar na tela da TV. Ali surgiram craques como Mosquito, Almivam, Negro Tostão, Vandeca, Negro Breu, Nininha, entre outros. Houve um tempo que os melhores locais de se tomar banho, saboreando peixe, cachaça e rubacão com galinha roubada na noite anterior eram conhecidos por nomes próprios, e podíamos escolher se a diversão domingueira na Ponte Vermelha, no Pilar, nas Oiticicas de Ana, no Araçá, na Panela, na Camboa ou na Ponte do Areal. Nesse tempo chegava-se ao Rio Piancó por três caminhos que chamávamos simplesmente de "Corredor do Rio". O primeiro era o que começa por trás do Grande Hotel e se bifurcava para o banhista sair antes ou na ponte; outro iniciava por trás da casa de seu Ugulino (esse não era da nossa preferência por ser "mal assombrado"; e, o mais usado, o que iniciava na Rua de Baixo entre a casa de dona Noca e a de seu Joaquim. Ladeada pelas cercas do capinzal de Seu Delmiro Inácio e a roça de tia Mila, indo terminar bem ao lado da frondosa Marizeira (alguém ainda lembra-se dessa espécie de árvore que, como o Trapiazeiro, foi extinta na nossa região?) Nesse tempo, quando ainda havia o Cine Lux, as matinês eram, quase sempre, filmes de Tarzan. As margens do Rio Piancó eram protegidas por árvores como a Ingazeira e oiticiqueiras. Em alguns trechos do velho rio as ingazeiras e as oiticiqueiras se fechavam na copa em um abraço fraternal, criando centenas de metros de sombras no espelho da água corrente. Se olhássemos para cima não as podia ver sequer a luz do sol que era escondida pelos arvoredos. Os galhos mais rasteiros acariciavam com carinho as águas gelada do nosso rio. Os frutos caiam das árvores alimentando os peixes. Nesses locais podia-se jogar o anzol que com certeza garantia-se o acompanhamento da cachaça. Era também nestas arvores que amarrávamos as cordas e brincávamos de Tarzan, saltando de um a outro galho. O conversar das lavadeiras, os aguadores enchendo as ancoretas o lance da tarrafa que vinha prateado de piabas e podia-se ainda ter a surpresa de um Pitu ou um Cascudo para o almoço, paisagem comum aos nossos olhos. Houve um tempo que era assim! Um tempo em que não nos preocupávamos com o tempo a correr nos ponteiros dos relógios da Coluna da Hora. Um tempo em que era inútil o toque estridente da sirene da Brasil Oiticica, pois, para nós, pouco interessava o balanço das horas. Nesse tempo, aos domingos, o rio tinha o seu aroma peculiar de comida improvisada em alguma panela que fervia a sombra das Ingazeiras ou das oiticicas como, da mesma forma, o rio Piancó emitia o som gostoso de um violão e do coro desentoado das canções que eram embaladas entre um e outro salto nas águas gostosas do nosso Piancó. Quem se lembra desse tempo? Acho que estou ficando velho. Acho que estou aos poucos me tornando o último da minha espécie. Tantas lembranças de aventuras vividas nas ruas de Pombal me garantem a certeza que tive uma infância movimentada, vivida e aproveitada a cada minuto. Acho que se aproxima o dia que terei escrever as crônicas do meu tempo apenas para mim. Não há quem acredite que existiu a Pombal que eu relato. Quem hoje ver a cidade e tem acesso aos meus textos me rótula de fantasioso. Não é possível, dizem eles, que em tão pouco tempo o rio Piancó tenha se transformado em apenas um risco no meio do nada, que a cidade de Pombal tenha perdido em tão pouco tempo o seu bucolismo, mudado sua arquitetura, assoreado a sua história esquecido o seu passado. Não sei explicar o que houve. Só sei que um dia foi assim... *ESCRITOR POMBALENSE

"CRÉU": ASSIM JÁ É DEMAIS!

MACIEL GONZAGA*(Foto) O conceito de "qualidade", ou a definição do que seria bom ou mau no que se referia à música, era, nos séculos XVI a XVIII, bastante objetivo e claro. Falava-se em música boa e má usando-se parâmetros muito bem determinados e que iam além da beleza do produto final, da intenção de quem o produzira e, até mesmo, da finalidade da obra. No período do barroco, "boa música" estava associada ao princípio da ordem e do número. Falava-se em "harmonia sonora", uma arte baseada em regras bem determinadas. O princípio da ordem, musical ou não, era divino. O princípio do caos, musical ou não, era satânico. Satanás era, aliás, o principal desestruturador da ordem divina. A música que recebia aceitação e aprovação como "boa" era aquela possível de ser racional e intelectualmente decodificada. Devia "falar ao intelecto". Quando isto acontecia, então se podia falar em uma verdadeira Ars, ou seja, em Arte no sentido mais restrito da palavra. A Ars Musica baseava-se no princípio da ordem e do número. Se não o fosse, era objetivamente má. As raízes desta concepção vão até a Idade Média, ou ainda mais longe. Não só a música, como também outras formas de expressão artística, pareciam tentar refletir essa dualidade quase maniqueísta do bem e do mal, do bom e do ruim. Por causa da sua estrutura ordenada numericamente, a música era apropriada para refletir e até mesmo para representar o cosmos, o universo, a criação divina, que, da mesma forma, estavam ordenados a partir do número. Já no tratado anônimo de música, surgido antes do ano 900, Musica Enchiriadis, encontra-se o princípio: "Na formação da melodia, o que é gracioso e gentil será determinado pelo número, aos quais os tons se condicionam. O que a música oferece [...], tudo é formado a partir do número. Os tons passam rapidamente, mas os números [...], esses permanecem". Em 1538 escreveu Lutero em seu "Encomion musices": "Nada há sem [...] o número sonoro". Quase dois séculos mais tarde, em 1707, na época de J. S. Bach, Andreas Werckmeister escreveu: "As proporções musicais são coisas perfeitas que o intelecto pode compreender. Por isso são agradáveis. Mas o que o intelecto não compreende o que confunde e perturba, isso o ser humano abomina". Eis aí, em todos esses registros, de diferentes períodos históricos, a definição de boa música e de música má. Segundo os entendidos da arte sonora, o brasileiro, ao longo de sua história, tem sido um povo musical por natureza. De Villa-Lobos a Pixinguinha e tantos outros criadores geniais, o denominador comum tem sido a feliz e boa mistura de movimentos eruditos e populares, indígenas e africanos, europeus e americanos, tradicionais e de vanguarda. A boa música praticamente já não existe mais. Os músicos de outros países não mais procuram imitar nosso estilo. Não temos mais critérios objetivos que nos ajudem a falar de um tipo de música brasileira. Não sei o que aconteceu com a criatividade dos artistas brasileiros, que na maioria lançaram discos ainda em long-play, com musicas de boa qualidade, há quinze ou vinte anos, e hoje, apesar das facilidades da tecnologia que permite a gravação de alta qualidade por baixo custo, não conseguiram mais criar um repertório de músicas de qualidade para lançar em CD. Quando dei os meus primeiros passos no Rádio Pombalense, na “A Voz da Cidade”, sob o comando desse intrépido Clemildo Brunet, tomei gosto pela boa música. Fui aluno de Zeilto Trajano, no “Almoço à Brasileira”, um programa levado ao ar no horário do almoço, que só veiculava música de boa qualidade. Os tempos passaram e quis o Supremo Criador que eu pudesse dar a minha parcela de contribuição como compositor musical e busquei inspiração em dois grandes nomes da música nordestina: Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. No entanto, após o movimento do Pagode e do Forró Cearense, com exceção de alguns poucos artistas, a música brasileira, principalmente a popular, vem perdendo qualidade e sendo descaracterizada do contexto tradicional da boa música brasileira. Se fosse vivo, que diria Luiz Gonzaga? Infelizmente, o mundo está globalizado, os tempos são outros e a massificação está em larga escala. As músicas de hoje têm um fundo eminentemente comercial, são de apelo fácil. Na verdade, o Rádio tem uma parcela considerável de culpa nessa história toda. O número elevado de execuções faz com que uma música de baixa qualidade, a exemplo de CRÉU (A Dança do Créu), de um tal de “MC Créu”, seja considerada, de forma errônea, um sucesso. Esta música está tocando em todas as rádios do país inúmeras vezes por dia. É de baixa qualidade, apenas de fácil assimilação. Data vênia, lamentavelmente, o Brasil já não é mais “referência musical”. Ouvir “CRÉU” para mim é o final dos tempos! *JORNALISTA,ADVOGADO E PROFESSOR.

FELIZ IDÉIA, JUSTA HOMENAGEM !

Foto: Nelson Gonçalves Caro Clemildo. Parabenizo-lhe pela brilhante idéia de homenagear o inesquecível cancioneiro popular, NELSON GONÇALVES, por ocasião do 10º Aniversário de seu falecimento. Na vida existem coisas tão maravilhosas que não podem ser descritas em palavras. Daí nos limitamos a admirá-las e apreciá-las em toda sua plenitude, pois explicá-las é exclusividade de DEUS. Nesse contexto incluímos a arte da música e os grandes intérpretes como Nelson Gonçalves. Infelizmente a nossa música e os grandes cantores perderam sua importância em detrimento aos interesses econômicos que em função dos lucros assassinam nossa cultura oprimindo e marginalizando nossos talentos. Contudo, contrariando seus vis interesses, Nelson Gonçalves jamais será esquecido. Seguramente sua incomparável voz que embalou muitos corações ao interpretar com maestria linda canções do nosso vasto repertório, será sempre lembrado pelos inúmeros admiradores. Portanto, na condição de saudosista assumido e admirador incondicional desse grande artista, a quem inclusive reputo maior cantor do mundo, me associo a tão merecidas homenagens. Enfim, reafirmo, que enquanto houver resquícios de amor, saudade e paixão, com certeza a nossa música sobreviverá. Parabéns. Abraços: vieira. FRANCISCO DE ASSIS VIEIRA NUNES – PROFESSOR E EX-ADMINISTRADOR ESCOLAR. POMBAL PB.

DEZ ANOS SEM NELSON GONÇALVES !

CLEMILDO BRUNET* Já se disse que a memória de nosso povo é curta. Como compreender a natureza humana neste aspecto do esquecimento? Parece que só acontece com a gente? Um povo que não tem passado pode ser lembrado nas gerações futuras? A nossa homenagem neste artigo será dedicada a um cantor e intérprete das mais expressivas letras musicais já cantadas e ouvidas por nossa gente: NELSON GONÇALVES! Ele faleceu no dia 18 de abril de 1998. São passados dez anos de sua morte e muitos já o esqueceram. A nossa mídia o esqueceu. No entanto, foi considerado o cantor da voz mais bonita do Brasil. Nelson Gonçalves certa vez disse: “O Brasil é um país sem memória. Alguém se lembra de Francisco Alves”? E acrescentou: “uma semana depois de morto, estarão fazendo xixi sobre a minha tumba”. A gravadora RCA VICTOR hoje BMG LTDA, onde Nelson Gonçalves iniciou sua carreira artística e permaneceu até o final de sua vida, deu ao artista o prêmio Nipe pela convivência de trabalho com mais de 50 anos na Companhia. Nelson foi considerado pela direção da gravadora como o cantor mais importante a nível mundial, dividindo essa deferência com o cantor Elvis Plesley. Depois da morte de Nelson, a BMG resolveu prestar um tributo ao cantor com um gênero áudio visual pouco explorado no Brasil, o “docudrama” (documentário que contém partes encenadas por atores) sendo possível contar um pouco da vida do cantor sem depender exclusivamente, de depoimentos e cenas de arquivo. Segundo a Produção, Nelson Gonçalves foi um homem excessivo em sua arte e em tudo que fez. Antonio Gonçalves Sobral este é o nome de batismo, nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, em 25 de junho de 1919, mudou-se com a família para São Paulo com endereço no Brás. Antes da fama, ganhou a vida como jornaleiro, mecânico, garçom e lutador de boxe na categoria peso médio. Depois de muitas tentativas nas emissoras de São Paulo; em 1939 foi para o Rio de Janeiro enfrentar filas de Programas de calouros, tendo sido aconselhado por Ary Barroso a procurar outra profissão. Em 1941 Nelson Gonçalves conseguiu gravar seu primeiro disco em um compacto simples com as músicas “Sinto-me bem” samba de Ataulfo Alves e a valsa “Se eu pudesse um dia”, de Osvaldo França e Orlando Monello, pela RCA VICTOR. No dia 27 de maio de 1942, Nelson chega ao estrelato com a música “Renúncia” de Roberto Martins e Mário Rossi. Foi um fino freqüentador do Café Nice ponto de encontro de grandes compositores, intérpretes, músicos e pessoas ligadas ao meio artístico. Chegando ao auge do sucesso nas décadas de 40 e 50. Recebeu o título de rei do rádio com sucessos que se tornaram imortais nas cabeças de muitas gerações. Na década de 90, gravou músicas de Ângela Rô Rô, “Simples Carinho”, Kid Abelha, “Nada por Mim”, Lulu Santos, “Como Uma Onda” e até do rei Roberto Carlos “Como é Grande o Meu Amor Por Você”, entre outros. Sonia Carvalho artista de rádio que abandonou a carreira pelo marido, reconhecedora de talentos durante um encontro com o cantor, foi objetiva: Eu sei que seu nome é Antonio Gonçalves. É sim senhora. Era! Agora você se chama Nelson Gonçalves. O escritor Marco Aurélio Barroso que em 2002 lançou o livro “A Revolta do Boêmio”, afirmou: A começar pela voz, de tudo, Nelson teve em excesso: Dinheiro, fama, sucesso, patrimônio, família, residência, problemas, vício, medo, insegurança, mulher... Uma coisa, porém, Nelson teve muito pouco: amor próprio.Era atrapalhado por sua gagueira que lhe valeu o apelido de metralha. Contudo, foi extraordinário cantor que deu voz à boemia. Um dos fenômenos de sua carreira foi o samba canção “A volta do Boêmio”, onde fez sua trajetória de supercampeão de vendas, que arrebanhou um milhão de compradores no longínquo 1957. A parceria de Nelson com o seu principal compositor, o português Adelino Moreira (em memória), renderia outros clássicos da canção de amor destemperado. Flor do meu bairro, Meu vício é você, Fantoche, Doidivana, Escultura, Fica comigo esta Noite e Deusa do Asfalto. Esta última me traz doce lembrança de um fato ocorrido na minha infância: Certo dia, na companhia de um casal a quem meu pai havia confiado os cuidados, foi de jipe acompanhando a caravana, para esperar a chegada de um político importante em São Bentinho. A espera tornou-se enfadonha; quem estava sendo esperado demorou. E o Casal resolveu esticar a viagem até Condado. Não querendo desgrudar do jipe com medo de me perder, não saí de dentro do veículo. Chegando a Condado por volta das 6 horas da noite, ouvi a música através da difusora local. Toda vez que ouço “Deusa do Asfalto” lembro-me desse episódio. Nelson Gonçalves ficou conhecido por sua voz forte e suave, até que no dia 18 de abril de 1998, em razão de um infarto agudo do miocárdio, aos 78 anos, morreu. E assim, os dias vão passando. No entanto, Nelson permanece entre nós, graças ao milagre da tecnologia; Pois passados dez anos, ainda podemos ouvi sua voz e matar saudades! *RADIALISTA WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

LAMENTAÇÕES E SAUDADES !

(Foto arquivo Verneck Abrantes) AMIGO CLEMILDO. Recebi seu e-mail no qual relata a história da Rádio Maringá e lamenta com saudade o seu fechamento. Por via de regra, assim como a rádio, podemos citar o Cine Lux, o Ginásio Diocesano de Pombal, além de outros edifícios que também fizeram parte da nossa história e que uma vez destruídos, existem hoje apenas em nossas lembranças. È lamentável, mas deviam ainda estar intactos, exibindo sua monumental estrutura, despertando a atenção de todos e enriquecendo o patrimônio histórico de nossa querida Pombal. Como se não bastasse, e o que é mais descabido é lembrar que o Ginásio Diocesano, escola que detinha ótimo conceito e rica estrutura pedagógica, numa atitude que contraria a inteligência humana, foi demolida para dar lugar a construção da atual Escola Polivalente, o que podia ter sido feito em outro local. Se assim tivesse acontecido, Pombal só não teria ganho mais uma escola, como estaria proporcionando mais uma oportunidade a população no campo do conhecimento. A propósito, o fato é inusitado. Agiram no mínimo de forma estranha. Segundo a sabedoria popular, descobriram a cabeça de alguém para cobrir a de outro. É ilógico, pois haverá sempre alguém desprotegido. Face esse descaso, nós que amamos nossa terra e que somos fiéis as nossa origens, sofremos pela perda e pela saudade sentidas, pois todo saudosista é um amante em potencial. Sofremos porque a saudade é um sentimento de dupla ação, senão vejamos: se por um lado relembra algo importante, por outro, ao recordar, machuca a nossa sensibilidade. Seguindo esta lógica, há quem diga que recordar é sofrer duas vezes. De minha parte penso que sentir saudade é amar realmente. Enfim, lamento que atitudes dessa natureza ainda aconteçam nos dias de hoje. Exemplos desse tipo produzem efeitos desastrosos, pois destroem a nossa história colocando o nosso país na condição de tornar-se mais tarde uma nação sem memória. Assim, para evitar que o mal continue vamos preservar o que ainda temos. Abraços: VIEIRA. PROFESSOR FRANCISCO DE ASSIS VIEIRA NUNES EX-ADMINISTRADOR ESCOLAR.

MARINGÁ: AINDA LEMBRO-ME DELA!

Foto arquivo:(Clemildo apresentando o Jornal Maringá 1982) CLEMILDO BRUNET* Ela veio em uma época bem distante de outras que tiveram sua denominação. Antes do seu aparecimento, outros já haviam utilizado o epíteto. Sempre alguém lembrava o nome. Edifícios e casas comerciais já tinham em seus frontispícios e o povo dizia: “Pombal, Terra de Maringá”. Ainda hoje a população se lembra. Vez por outra, alguém me conta fatos, referindo-se a serviços prestados por ela a nossa sociedade. Rádio Maringá de Pombal Ltda, foi pioneira na história de nossa cidade a ser registrada no Departamento Nacional de Telecomunicações do País. Sistema convencional de radiodifusão comercial, ondas médias, ZYI 180, freqüência 1490 kHz, amplitude modulada 1000 watts de potência na antena; um empreendimento do deputado estadual Francisco Pereira Vieira, que tinha, como sócios, os deputados Federal Adauto Pereira, estadual Aércio Pereira e o engenheiro eletrônico Paulo Pereira Filho, (todos em memória). No entendimento de seus proprietários essa emissora iria receber outro nome em seu registro. Não estavam dispostos a denominá-la de “Maringá” tendo em vista que esse nome tinha uma ligação com a vida do político Senador Ruy Carneiro, opositor do clã Pereira. Muitos apelos foram feitos nesse sentido. Mas, o grupo empresarial só se convenceu de dar o nome de Maringá, em razão de uma conversa demorada com o nosso ex-companheiro da Voz da Cidade (66-67), Edimivan Monteiro. A Rádio Maringá de Pombal foi ao ar pela primeira vez no dia 15 de dezembro de 1981, início do período experimental até o dia 1º de março de 1982, quando deu início sua programação normal, antes da data de sua da inauguração. Não era possível mais esperar o dia da inauguração, pois a fase experimental ultrapassara três meses e meio. O dia da inauguração da Rádio Maringá estava dependendo tão somente da agenda do Governador de então, Tarcísio de Miranda Buriti, convidado especial para prestigiar o evento. Chega finalmente à data da Inauguração 03 de abril de 1982. A cidade estava em festa, era sábado, dia de feira livre em Pombal. Muitos que residiam na zona rural começavam a visitar a sede da emissora localizada na rua Cel. José Fernandes nº 499 centro da cidade. Viajemos no túnel do tempo. Pombal cidade interiorana, baixo sertão do piranhas, micro-região nº 95, depressão do alto piranhas, fachada ocidental do Estado da Paraíba. Não tinha ainda oficialmente um meio de comunicação de concessão pública, liberado pelos órgãos competentes do Governo Federal para exploração de radiodifusão nesta região. De repente, recebe esse presente; para pelos menos neste sentido, se igualar as demais cidades ao redor, e no exercício da radiofonia, abrigar os que de modo voluntário, já exerciam profissão em sistemas sonoros de pequeno porte, ao mesmo tempo, Proporcionando aos Ouvintes de Pombal e adjacências, voltarem suas sintonias para a primeira estação de rádio legalizada em sua terra natal. A Rádio Maringá foi inaugurada às 17 horas, se encontravam presentes, o Governador do Estado Tarcísio de Miranda Buriti, Deputado Federal e pré candidato ao Governo Wilson Braga, Deputados Francisco Pereira, Adauto e Aércio, Dr. Ademar Pereira pré candidato a Prefeito, Prefeito Paulo Pereira Vieira de Pombal e muitas outras autoridades do Estado e do Município, além de grande número de pessoas. Na mesma data, o Prefeito Paulo Pereira Vieira entregou ao povo de Pombal o Terminal Rodoviário “Hermínio Monteiro Neto”, obra de sua administração. A fisionomia das pessoas que transitavam pela cidade deixava transparecer alegria estampada em seus rostos. Todos felizes com a implantação da primeira estação de Rádio oficializada em nossa cidade. A grade de programação da Rádio Maringá foi aceita de bom grado pelos que a ouviam. Programas como: Manhã Revista com Fátima Jó,a Crônica do Dia com o Professor Arlindo Ugulino, Jornal Maringá com Clemildo Brunet e Gregório Dantas, A Tarde é Nossa e Cantinho da Saudade – também com Clemildo Brunet e No Sertão da Paraíba (Forró) com Genival Severo, eram os de maiores audiências. No dia 11 de agosto de 1990, a Rádio Maringá foi incendiada destruindo parte de seus equipamentos. Como resultado desse sinistro ela fica fora do ar durante oito anos. Retornando as suas atividades em 1998, para em 2003 ser retirada do “ar”, e até hoje se encontra dessa maneira (Desativada). O advento das rádios FMs a Pombal sufocou as finanças da emissora AM, que teve de fechar suas portas. Se a Rádio Maringá de Pombal AM estivesse no “AR” nesse dia 03 de Abril de 2008, estaria celebrando o seu vigésimo sexto ano de atividades radiofônicas. Que Pena! Maringá: Ainda Lembro-me dela! *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

AURELIANO RAMALHO E A FIDELIDADE PARTIDÁRIA!

CLEMILDO BRUNET* Aureliano Ramalho(Foto) Arquivo Verneck Abrantes A História é feita por homens e homens fazem a história. Há um ditado popular que diz: “Morre o homem e fica a fama”. Há muitos, porém, que ficam no anonimato. Muitas vezes fatos ocorridos com determinadas pessoas são entendidos de diversos modos dependendo da leitura de cada um. Vivemos mergulhados num mundo cheio de controvérsias, por esta razão é necessário a apuração dos acontecimentos, para que não incorramos no erro do uso da liberdade de expressão, vir a se transformar em libertinagem de expressão. Falando ou escrevendo devemos atentar bem para as palavras do sábio Salomão quando diz: “Estás enredado com o que dizem os teus lábios, estás preso com as palavras da tua boca”. E ainda: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” Pv. 6:2 e 18:21. Pretendemos neste artigo prestar a nossa homenagem a um agente político de nossa cidade, que faleceu na última Sexta feira dia 28 de março e sepultado no sábado no Cemitério Senhora do Carmo de Pombal. Aureliano Ramalho Cavalcanti o agropecuarista que entrou para o cenário político de nossa terra, tendo sido eleito para vereador em 1955 e reeleito em 1959,1963,1968 e 1972. Em 1976 foi eleito vice Prefeito. Começou na antiga UDN, ingressando posteriormente nos partidos sucedâneos dessa legenda. Fiel escudeiro, intransigente nas ações, polêmico, destemido e firmeza de caráter nas posições assumidas por sua facção política partidária, lhe valeram a confiança de seus aliados e das lideranças políticas que comandavam o grupo, tendo a frente o deputado estadual Francisco Pereira Vieira. Aureliano assumiu a Presidência da Câmara Municipal de Pombal em 1964 e pela segunda vez foi eleito para o mesmo cargo no biênio 73/74. O Brasil estava vivendo o período de exceção advindo com a Revolução de 64, estávamos debaixo de uma ditadura militar, na época duas facções políticas foram estabelecidas, MDB e ARENA. ARENA – Aliança Renovadora Nacional apoiava o regime implantado em nosso país. Aureliano Ramalho havia sido eleito vereador pela 5ª vez, agora filiado aos quadros da Arena. Aureliano Ramalho Cavalcanti foi eleito Vice Prefeito de Pombal em 1976 na chapa comandada por Paulo Pereira Vieira, ambos pela ARENA 1, para governarem os destino dessa terra no período de 1977 a 1982, época em que houve prorrogação de mandatos de Prefeitos por dois anos. Aureliano foi Prefeito interino durante sete meses na gestão Paulo Pereira, que se afastou para tratar de assuntos particulares. (Fonte Verneck Abrantes). Em 1972 foi eleito Prefeito de Pombal o deputado estadual Francisco Pereira, que renunciou o cargo para ficar exercendo as atividades de parlamentar. Aureliano como Presidente da Câmara Municipal de Pombal, ainda assumiu como Prefeito interino por um período curto enquanto o vice Prefeito Hildo de Assis Arnaud foi a Brasília fazer um curso de Administração. Segundo o vereador Severino de Sousa e Silva, conhecido por Biró, Beradeiro, Beira-mar,quando exercia o seu primeiro mandato na vereança pelo MDB em 1973 e de facção política adversária de Aureliano, aconteceu à cassação de toda bancada emedebista composta por quatro vereadores: Severino de Sousa e Silva, José Cândido(Zé enfermeiro),Antonio de Almeida Rodrigues e João Francisco Bezerra. Eles formavam minoria na casa. O exercício do presidente da Câmara era renovado a cada dois anos, Ao término, novas eleições. Acontece que Biró entendeu de se candidatar ao tomar conhecimento que o vereador Valdeci Martins que era da Arena, andava desgostoso com o partido por não ter recebido um grupo escolar que havia sido prometido para Santa Maria. Valdeci resolveu apoiar a candidatura de Biró, mesmo assim a eleição corria o risco de um empate. Diz Biró, que a situação não queria que ele fosse presidente. Resolveram então candidatar a Vereadora Carmita tendo como motivo a idade. Ela tinha um ano de diferença da idade de Biró e eles pensavam que com o empate Carmita venceria. Acontece que nessa diferença Biró era mais velho e ganhou a eleição. Conta Biró, que depois de eleito e empossado, a bancada da ARENA inconformada com o resultado do pleito, realizou algumas sessões secretas constando em ata, a ausência dos vereadores oposicionistas, perfazendo um total de três sessões consecutivas. Daí o motivo da cassação dos vereadores do MDB. Francisco Freitas Nóbrega, Presidente do MDB local, foi com os vereadores a procura do advogado Paulo Gadelha (hoje Desembargador do Tribunal Regional da 5ª Região sediado em Recife-PE), que observando a causa da cassação, descobriu que a lei que justificava o ato, tinha caducado e a justiça determinou a reintegração imediata da bancada emedebista. Aureliano,Fiel aos princípios de sua legenda e atendendo determinação de seus líderes políticos, orientado pelos que compunham a cúpula de sua facção partidária, fez manobras usando de estratégias para não atender o mandado da Justiça. Conta José Cavalcanti ex vereador e companheiro da época de Aureliano, que quando o oficial de justiça se aproximava da Câmara, ele (Zé Cavalcanti), avisava a Aureliano, para que o mesmo fugisse, a fim de não receber o mandado. Numa dessas escapatórias, Aureliano saiu a toda velocidade em seu jipe e encharcou de lama o oficial de justiça que vinha lhe entregar a notificação, pois havia chovido e a Rua da Câmara não era pavimentada. Finalmente, o mandado de reintegração dos vereadores chega às mãos do Presidente interino, no entanto, ainda não é dessa vez, que os vereadores tomam posse. O Juiz Duílio Wanderley,viu que o impasse estava criado. Resolveu lacrar a sede do Poder Legislativo de Pombal e vai ao Tribunal de Justiça da Paraíba, para que uma solução seja dada. Por determinação do Tribunal de Justiça do nosso Estado, o Poder Legislativo é reaberto e nomeado o Juiz Wilson Pessoa Cunha, que veio a Pombal, ouviu as partes e em seguida determinou a reintegração dos vereadores do MDB. O Mandado foi cumprido em Sessão solene Presidida por Aureliano Ramalho, acompanhado pelos olhares do Dr. Wilson Pessoa Cunha, Dr. Duílio Wanderley, Contingente da Polícia Militar da cidade de Patos e grande número de curiosos que se aglomeraram na sede e Rua da Câmara Municipal de Pombal. O que podemos deduzir desse episódio, é que a política partidária daquela época, apesar de ter esses embates, era uma diversão para o povo. Biró fez questão de registrar no livro “Memórias do Beira Mar” de Wertevan Fernandes, escritor pombalense, essa história; acrescentando que, apesar de Aureliano Ramalho ter sido um adversário seu naquele tempo, se deu muito bem com ele depois e o chama de amigo! Tão diferente do procedimento político que vem sendo adotado nos nossos dias. Onde há achincalhes, desrespeito a vida humana, levando para o campo pessoal e invadindo a privacidade do sujeito. *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com