CLEMILDO BRUNET DE SÁ

SÁ CAVALCANTI: O MAIOR PREFEITO DE POMBAL

SÁ CAVALCANTI (Foto Arquivo Verneck)
MACIEL GONZAGA*
Não é novidade que os administradores públicos, em geral, e os prefeitos brasileiros, em particular, devem agir de acordo com a lei e sujeitar-se a oportuna e regular prestação de contas perante a sociedade e órgãos especializados destinados a esse fim. Lamentavelmente, aqui no Nordeste, estima-se que praticamente todos os ex-prefeitos estarão sendo questionados, na Justiça, no Tribunal de Contas ou pelo Ministério Público, ainda que por intermédio de inquéritos civis, por mau uso do dinheiro público.
Pois bem! No tempo da minha adolescência, na década de 60 em Pombal, ouvi muitas vezes a minha avó Bernardina Francisca do Livramento (Dona Bernardina, como era conhecida), que chegou a esta cidade em 1933, dizer: “O maior prefeito que eu conheci em Pombal foi Sá Cavalcanti”. Resolvi, então, abordar este assunto em artigo. Pesquisei bastante. Perguntei aos meus irmãos Massilon e Marcelina se ambos se lembravam das palavras da vovó. Marcelina nem tanto, mas “Nego” Massilon me confirmou: “Lembro sim!. Inclusive tenho conhecimento de que a nossa avó foi lavadeira de roupas da casa de Sá Cavalcanti, e sempre estava repetindo que ele foi o maior prefeito de Pombal”.
Não me contive. Procurei falar com o grande historiador Verneck Abrantes e buscar informações sobre esse homem público que, mais de 70 anos depois, dignifica a nossa cidade. Segundo “Nequinho” (gosto sempre de lhe tratar assim), em 1927 Francisco de Sá Cavalcanti, foi nomeado Prefeito Municipal de Pombal, ficando no cargo até o fim do ano de 1928, momento em que sucede a João Suassuna, no Governo do Estado, o Dr. João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que exonera todos os Prefeitos da Paraíba. Em sua primeira administração, instala a primeira Empresa de Luz de Pombal, na época a única cidade do sertão paraibano contemplada com tal beneficio.
Nasceu em 1896 na cidade de Sousa-PB. Chegou em Pombal no ano de 1921 e se casou em 1923, com Raimunda Queiroga de Sá (Dona Mirinha), filha do chefe político José Ferreira de Queiroga, ela com 14 anos de idade e ele com 27. Da união nasceram: Albaniza Queiroga de Sá, Albarosa, Albérico, Albiner, Alda, Albania e Alberuza. Quando residiu em Pombal, Sá Cavalcanti tinha uma loja para comercializar tecidos, chapéus, sapatos, bengalas e outros produtos do vestuário masculino.Em 1935, Francisco de Sá Cavalcanti é eleito prefeito de Pombal, para o período de 1936/ 1940, pelo Partido Autonomista de Pombal, assumindo a Prefeitura pela segunda vez. Derrotou Janduhy Carneiro, que concorreu e perdeu pelo Partido Progressista. Assim, Sá Cavalcanti foi o primeiro Prefeito de Pombal eleito diretamente pelo povo. Sua administração destaca-se pela eficiência do seu trabalho e honestidade. Na administração iniciada em 1936, constrói o Coreto e a Praça Rio Branco, hoje denominada de Bar Centenário e Praça José Queiroga. Edifica a Coluna da Hora, constrói a Praça Getúlio Vargas, o Açougue Público, inaugura a Usina de Luz do distrito de Malta, são criadas várias escolas primarias e o primeiro Código de Postura Municipal. Fez aquisição de um terreno e instalou um horto florestal para educação agrícola e arborização da cidade, entre outros investimentos pelo governo estadual, destacando a construção da Ponte do Areial sobre o Rio Piranhas, em 1939. Como prefeito, Sá Cavalcanti tinha como seu “braço direito” na administração (Secretário Municipal) um grande pombalense, um intelectual, homem de visão administrativa e com inestimáveis serviços prestados ao nosso município: Antônio José de Sousa, conhecido por “Toinho de Souza”, que, inclusive, o substituiu como prefeito por cerca de 30 dias, em 1940, quando Dr. Argemiro de Figueiredo é afastado da Interventoria da Paraíba, dando lugar para o novo Interventor Federal, Dr. Ruy Vieira Carneiro, o qual exerceu o cargo até 16/09/1945. Aqui abro um parêntese para afirmar que “Toinho de Souza” é o meu padrinho de batismo. O prefeito ainda delegou ao seu Secretário Municipal, organizar os limites intermunicipais entre os municípios vizinhos de Coremas, Sousa, Catolé do Rocha, Brejo do Cruz e Patos, sendo posteriormente, transformado em Lei Estadual.
Ao ser substituído pelo Interventor Dr. Paulo Alfeu de Miranda, que assume o cargo no dia 06/09/1940, Sá Cavalcanti viu logo todas as suas obras paralisadas, o que fez com que se tornassem mais fortes as desavenças partidárias em Pombal, conflitos de idéias e fortes discussões políticas, entre os partidários de Dr. Queiroga (José Ferreira de Queiroga) e da família Carneiro Arnaud. Assim foi que, no silêncio da noite, uma estátua de Argemiro de Figueiredo, em tamanho natural, instalada na recém construída Praça Rio Branco, foi quebrada e jogada no Rio Piancó. Meu pai, José Firmino de Luna, que tinha 23 anos na época, confidenciou-me certa vez que fez parte dessa “empreitada”.
A administração de Francisco de Sá Cavalcanti se destaca pela eficiência do seu trabalho e honestidade na aplicação dos recursos públicos. Com o seu afastamento do cargo, Pombal foi quem perdeu, observando-se que além das obras concluídas o prefeito ainda deixou grande quantidade de materiais para a construção dos mercados de Paulista, Malta e Lagoa (na época distritos de Pombal) e na cidade, para construção de um hospital, outra imensa quantidade de materiais. Sá Cavalcanti faleceu em 19/02/1968, com 72 anos de idade. Até hoje ainda é considerado o melhor Prefeito de Pombal.
*Jornalista, Advogado e Professor. Natal-RN.

90 ANOS DO MERCADO PÚBLICO DE POMBAL

Verneck Abrantes*
Em 1910, a cidade de pombal tinha, praticamente, quatro ruas definidas e outras casas isoladas. A construção da rua principal obedecia á formação de um quadrado, com suas casas conjugadas, sem jardins. No meio dessa rua, a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Na parte de baixo, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e, também, compondo a parte urbanística da cidade estava à Casa do Mercado (hoje, o Pombal Ideal Clube), construído pelo português Bernardino José da Rocha, e que deu nome à antiga Rua do Comercio (hoje, Rua Coronel João Leite). A pequena população urbana usufruía a comercialização de diversos produtos do consumo básico, quando aos sábados, acontecia à feira dentro da Casa do Mercado e arredores. Naturalmente, a cidade não tinha automóveis, os produtos oriundos das atividades agropecuárias eram transportados em lombos de burros, cavalos, jumentos ou carros de bois, por estradas de terras e pelas veredas do sertão pombalense.
Em 1919, à medida que a esfera pública foi se estruturando, com o crescimento econômico e populacional da cidade, o então prefeito municipal, coronel João Vieira Queiroga, pensou na modernização e criação de um novo e mais amplo espaço público para servir de Mercado, que oferecesse mais organização e conforto para a população local. O projeto, artisticamente elaborado em um modelo moderno para os padrões da época, não constava, no entanto, à parte elétrica, banheiros nem instalações hidráulicas, naturalmente, porque não existia estrutura para isso, também, era algo que fugia ao costume local da época.
A obra deveria ser iniciada com recursos da prefeitura e colaboração de fazendeiros abastados da região, visto as dificuldades do governo Estadual e Federal em repassar recursos financeiros para os municípios. A oportunidade, no entanto, foi frustrada, porque no ano de 1919 as chuvas de inverno não aconteceram, caracterizando-se uma grande seca na região. Com os recursos escassos, e não tendo outra opção, o prefeito fez um empréstimo de vinte contos de réis à municipalidade. Para efeito de comparação, naquele ano os cofres públicos renderam doze contos de réis e fração a Prefeitura, as rendas municipais eram, realmente, insignificantes. Em meio à seca estabelecida, os trabalhos do Mercado Público foram iniciados com a mão de obra ociosa dos trabalhadores rurais emergenciados, chamados de “casacos”, e parou quando os recursos terminaram. Depois de um longo período com as obras paralisadas, em 1926, no governo municipal de Odilon José de Assis, foi o trabalho retomado e, logo depois, por falta de recursos, novamente paralisado.
Em 1932, o ano foi marcado por mais um período de escassez de chuvas, diante da situação, o então prefeito municipal, Dr. Janduhy Carneiro, aproveitando as verbas de emergência concedida pelo Governo Federal para sanar a calamidade pública local, realizou novos melhoramentos no Mercado Público, fazendo a cobertura de um dos pavilhões, incluindo-se a madeira respectiva. Em seguida, surge mais um longo período de paralisação, e novos melhoramentos só foram ocorrer na gestão do prefeito Francisco de Sá Cavalcanti, em 1940, mas a conclusão da obra ainda ficou pendente. Finalmente, assumiu como Interventor Federal do Governo da Paraíba, o pombalense Dr. Ruy Carneiro, conhecedor da morosidade da obra, repassa recursos para o prefeito municipal, Dr. José Gregório Medeiros, que não medindo esforços, concluiu a tão sonhada obra em 1942, depois de 23 anos de impedimentos administrativos.
Na inauguração do Mercado Público, no dia 31 de dezembro do referido ano, prefeito e autoridades discursaram, foi afixada uma placa comemorativa na lateral de um dos portões da frente do prédio, a banda de música tocou velhos dobrados, depois, saudosas marchinhas pelas ruas da cidade. A população irradiante, finalmente pode admirar a magnitude da obra, plena, acabada como havia sido idealizado em 1919. O Mercado Público está localizado em uma grande área do centro mercantil de Pombal, estrategicamente dividindo outros prédios com exclusividade comercial. Antigamente esses prédios tinham formas padronizadas em arte decorativa, uma influência que lembrava o modernismo da arquitetura de alguns prédios construídos na Europa.
O Mercado Público no seu acabamento final estava composto dos pavilhões sombreados, destacando-se oito torres divididas por quatros portões de entradas, em madeiras de lei, com a inserção de grades e ferros fundidos. Na rusticidade de suas paredes construídas com tijolos prensados, sobressaia o frontispício, a modernização dos desenhos em alto relevo se harmonizava com arquitetura projetada, destacando-se também às clarabóias – que serviam para ventilação e entrada de luz.
O Mercado abria aos sábados, dia estabelecido por Lei Municipal para ocorrência da feira. A comercialização acontecia em sua na parte interna, quando se ofereciam os produtos básicos da produção agropecuária regional: arroz, feijão, milho, farinha de mandioca, batata doce, mel de abelha, rapadura, queijo, manteiga, fumo de rolo, banana, manga, pinha, cajá, cajarana, goiaba, caju, melão, melancia, coentro, cebola, cebolinha, alho etc.
A falta de outro local mais apropriado, o Mercado ainda serviu para festas dançantes, na base de candeeiros, ao som da sanfona, triangulo e zabumba. Também, ali se brincou o carnaval. Nos anos de 1970, sem nenhum critério de preservação, o poder público municipal concedeu o direito de algumas modificações na estrutura do prédio. Em suas laterais foram abertos diversos pontos comerciais para parte externa, quebrando a beleza da sua originalidade. Na parte interna, suas dependências foram modificadas, a cobertura e os velhos portões alterados, indevidamente. Hoje, resta o conjunto estrutural do empreendimento e a lembrança de um espaço que foi orgulho dos pombalenses, um prédio majestoso, erguido na gestão de cinco prefeitos, fortalecendo os laços urbanos e rurais do nosso município.
*Escritor e Historiador pombalense.

VINTE ANOS SEM O AUTOR DE "A CIGANINHA"

CLEMILDO BRUNET*
Vinte anos são passados, foi no dia de 30 de janeiro de 1989, que faleceu vítima de acidente automobilístico após um show na cidade de Pesqueira - PE, o cantor e compositor Carlos Alexandre, cujo nome de batismo era Pedro Soares Bezerra; natural de Nova Cruz – RN. Nasceu no dia 01 de junho de 1957. Já adulto foi morar em Natal, onde deu início a sua carreira artística.
Segundo seus amigos ele era por demais família. Apesar da insistência dos que o acompanhavam para não viajar logo após o show, pois queriam descansar, ele respondeu de modo taxativo – “o que é isso? Descanso só depois de morto! Enquanto tiver forças, saio dos shows e vou direto para casa, não agüento ficar longe de Solange e dos meninos”. Infelizmente, chegou em casa sem vida.
Carlos Alexandre foi ajudante de padeiro e costumava nas horas vagas cantar em comícios. Numa dessas ocasiões o deputado Carlos Alberto (RN), animador de programa de auditório e conhecido como o Sílvio Santos do Nordeste, ficou convencido que o ajudante de padeiro seria sucesso no disco; com livre trânsito que tinha nas gravadoras conseguiu um contrato experimental na RGE, tendo Carlos Alexandre correspondido às expectativas. Daí então, a partir de 1978, nunca mais deixou as paradas de sucesso.
Seu disco de estréia foi um compacto com a música “Arma de Vingança” e no ano seguinte estourou com a música “Feiticeira” vendendo mais de 500 mil cópias, o que lhe valeu o primeiro disco de ouro da sua carreira. Garante o seu antigo divulgador Aarão Perlov, que essa música era a cara do Carlos Alexandre e foi com ela que o cantor ficou conhecido em todo país. Passou mais de um ano nas paradas e se tornou o prefixo musical da entrada da saudosa jurada Aracy de Almeida no show de calouros do programa Silvio Santos. E assim fez sucesso, um atrás do outro. “A ciganinha” emplacou. Foi o seu segundo maior sucesso; a letra da música, conta a história de um rapaz que deseja pedir uma cigana em casamento. “Índia e Cartão Postal” também freqüentaram a lista das mais tocadas. O sucesso do cantor teve uma dimensão tamanha que em vida chegou a ganhar 15 discos de ouro. Cantores como Bartô Galeno e Giliard chegaram a gravar músicas do cantor. Suas composições ganharam destaques também em outras vozes, recebendo os aplausos do público romântico de Barros de Alencar, Ismael Carlos, Bartô Galeno, Giliard e tantos outros. O Quinto LP da Carreira de Carlos Alexandre, “Revelação de um sonho” 1982, foi em homenagem ao cantor popular Evaldo Braga, morto em 1973, em acidente automobilístico, sete anos depois Carlos Alexandre, também nas mesmas condições, viria a óbito. O disco fez com que reascendesse a saudade dos fãs do ídolo negro e foi o mais vendido na época. O cantor explicou para a repórter Ângela Toledo, da revista Sétimo Céu, a razão da homenagem: “Como Evaldo Braga estava muito esquecido, me propus a fazer um trabalho para reabilitar sua memória e depois porque sempre me identifiquei com o que ele cantava” Seguindo a linha de Evaldo Braga, Carlos Alexandre, inseria sentimento de traição, vingança e revolta nas letras das músicas que cantava nos moldes de uma interpretação dramática.
Outra curiosidade na vida do artista foi a promoção do Cantor mascarado da Buzina do Chacrinha. Carlos Alexandre cantava a música “Feiticeira” com o rosto encoberto e Chacrinha distribuía prêmios para quem acertasse o nome do cantor mascarado; este foi o maior incentivo ao sucesso do ídolo popular, pois, o quadro na Buzina do Chacrinha, repetiu-se por várias semanas.
Em 1999, seu filho Carlos Alexandre Júnior, fez um tributo ao pai com a música “Tributo ao Meu Pai” primeiro CD pela gravadora GEMA lançado em 2000. Mas, a mais importante homenagem prestada ao cantor depois de morto, foi a peça realizada pelo Produtor Cultural, Marcelo Veni no dia 02 de junho de 1999, no Teatro Alberto Maranhão, em Natal. O espetáculo recebeu o nome de “Vem Ver Como Estou” (título de uma música de Carlos Alexandre e Nando Cordel), do disco que leva o mesmo nome gravado em 1984). Nesse show, cantores da nova geração do Rio Grande do Norte, fizeram uma releitura da obra do artista homenageando-o, fazendo enfeites nas músicas velhas, com blues, rock e pop. Nomes conhecidos como: Júnior Baiano, Cristina Holanda, Cantus do Mangue, General Junkie, Cleude Freire, Babal, Além de Carlos Alexandre Júnior e Marina Elali, cantora conhecida no Brasil pelo sucesso na trilha sonora da novela “Páginas da Vida”, homenagearam o ídolo.
No dia 20 de setembro de 1985, Carlos Alexandre esteve em Pombal pela segunda vez e concedeu entrevista ao programa “A Tarde é Nossa” da Rádio Maringá AM. Ainda tenho guardado no meu acervo a gravação do Programa, oportunidade em que acompanhado de um violão, ele interpretou ao vivo, várias músicas de seu vasto repertório. Nessa ocasião, o cantor tinha vindo fazer um show no Gram Tyanito Circus, que se encontrava armado na Rua de Baixo ao lado do Colégio Josué Bezerra.
“Carlos Alexandre era e fazia questão de ser popular, por isso se tornou um dos maiores vendedores de música brega do país”, afirmou José Eudo, disck-jóquei de uma rádio de Natal. Concordo plenamente. Eu mesmo testemunhei, ao convidá-lo para fazer uma vinheta do meu programa com sua voz, no que fui prontamente atendido. Tendo como fundo musical a melodia “Cartão Postal”, Carlos Alexandre assim se expressou: “Oi Gente. Aqui quem fala é Carlos Alexandre, escreva muitas vezes para o programa A tarde é Nossa, o programa do nosso amigo Clemildo Brunet e ganhe no final do mês um LP meu, tá... Carlos Alexandre”.
Neste dia 30 de janeiro vamos lembrar mais uma vez do nosso Carlos Alexandre, são vinte anos que ele se foi, no entanto, podemos matar saudades, ouvindo as músicas de seu grande repertório recheado de sucessos. “Eu estou distante, mas estou lembrando de você amor/ Estou lhe escrevendo com o coração partido de dor/ Pois estou sentindo uma vontade louca de beijar teus lábios, abraçar seu corpo e ficar quase morto com um beijo seu/ lhe falar de mim e não repetir a palavra adeus”...
*RADIALISTA

SAUDADE - UMA MISTURA DE SENTIMENTOS

FRANCISCO VIEIRA*
A saudade tem o seu DIA ESPECIAL – 30 de janeiro. Contudo, ela é vivida diariamente por nós. É que, todos os dias sentimos saudade de algo que aconteceu em nossas vidas e ficaram marcadas em nossa memória, portanto, são partes da nossa história.
Segundo o sentido etimológico, a palavra saudade vem do latim: solitate, que literalmente significa solidão. Numa visão mais ampla, o termo vem de solitude ou saudar de tal forma que quem sofre é a pessoa que fica esperando alguma coisa ou alguém. Assim, entende-se como melancolia em decorrência de uma lembrança ou recordação.
Na verdade o termo saudade tem sentido bastante vasto e uma amplitude dimensional. Por conseguinte, dentro dessa abrangência, podemos encontrar a seu respeito as mais diversas e célebres definições, todas ligadas à memória como sentimento de melancolia, causada pela ausência de algo ou de alguém precioso, pelo afastamento de um lugar ou coisa importante. Saudade é em suma uma mistura de lembranças recheadas de nostalgia e suavidade, que sentimos das pessoas seguidas do desejo ardente e incontido de vê-las ou possuí-las outra vez A palavra saudade consiste num termo próprio da língua portuguesa definida como substantivo abstrato. Enquanto isso, em outros idiomas, como: inglês, francês, alemão e até mesmo no castelhano é enorme a dificuldade em defini-la ou dar-lhe um significado preciso. Dada a sua complexidade por mais que tentem não conseguem explicar o que realmente sentimos. Parece até que nós brasileiros somos privilegiados. É como se nossos sentimentos tivessem mais pureza, por isso, somente nós através da riqueza da nossa língua conseguimos defini-los. Diante, pois de tantas imprecisas definições devemos vivê-la em toda sua plenitude, lembrando sempre que o presente será saudade no futuro e que o hoje será saudade amanhã.
É evidente que a saudade se manifesta de formas diferentes e nasce de fontes diversas. Sentimos saudades de momentos vividos, pessoas distantes ou falecidas, lugares, fatos e, principalmente, de um grande amor. Em suma, não há um vivente sequer que não a tenha sentido. Seja qual for à origem da saudade ela é uma só, mesmo ditas em diferentes palavras.
A saudade é o sentimento que mais toca a sensibilidade humana. Ora alegra, às vezes maltrata. Por isso, tem sido um tema bastante divulgado em filmes, teatro, prosa e versos. Realmente tornou-se crônico, independente do gênero literário, do estilo e até mesmo do autor. Afinal, a expressividade é um sentimento pessoal onde cada um se manifesta conforme é capaz. Particularmente, embora desprovido de veia poética, destaco a poesia. É nela que se encontra a expressão mais íntima, portanto, mais profunda. Em versos, com a sabedoria própria dos poetas – privilegiados de DEUS – eles manifestam como ninguém o sentimento da alma. Eles e somente eles, conseguem unir harmoniosamente pontos divergentes, como: alegria e tristeza, amor e ingratidão, passado e presente, bem e mal.
Almejando a todos um DIA DA SAUDADE repleto de boas lembranças, ouso mencionar uma sextilha de autor para mim desconhecido. Na estrofe, o poeta evidencia o lado perverso da saudade que maltrata e corrói a sensibilidade humana. Ciente disso e extremamente cuidadoso recomenda cautela, prevenção. Senão vejamos: “Se quiser plantar saudade/ Escalde primeiro a semente/ Plante num lugar bem seco/Onde o sol seja bem quente/Pois se plantar no molhado/Machuca o coração da gente.”
Aprofundando-se na vastidão do sentido da palavra verificamos o uso da frase: “matar a saudade”. Entende-se esta expressão como sendo uma forma de designar o seu desaparecimento. É como se relembrando fatos fosse possível tirá-los da lembrança, apagá-los da memória. Entretanto, observamos que ao tentar inutilmente “matar a saudade” estamos na verdade trazendo as lembranças á tona e assim, dando-lhe mais vida. É que a saudade não morre. Apenas adormece para despertar depois e machucar nosso ego.
Bem, vou parar por aqui e me recolher ao meu relicário de saudades. Vou alimentá-la com pensamentos. Vou flutuar ao som de melodias e embriagar-me no odor de perfumes inesquecíveis. Vou imaginar fotografias, lugares, momentos vividos. Vou também reviver velhos amores, e me deleitar nos braços daquela que me conquistou ao ponto de me levar ao altar e jurar espontaneamente união indissolúvel – LENICE.
Bem, vou mesmo parar, pois já estou com saudades.
*Professor e ex Diretor da Escola Estadual João da Mata.

JORNALISMO SÉRIO E RESPONSÁVEL

MACIEL GONZAGA*
Um assunto por demais delicado, que ainda não foi abordado com a devida seriedade pela chamada grande imprensa, mas que merece ser questionado com mais profundidade para que se possa separar o joio do trigo. Trata-se indiscutível a proliferação dos blogs e sites no mundo moderno, onde o uso de ferramentas tecnológicas passou a ser imprescindível no dia a dia das pessoas de todas as classes sociais. Essa tendência é uma realidade hoje, já que ter um ou mais computadores em casa será tão normal quanto a aquisição de eletrodomésticos como geladeiras ou televisores.
A informação on line chegou para ficar e tende, pois, se expandir além do que viermos a imaginar. Entretanto, e sem a preocupação de estar cometendo qualquer injustiça, deveria haver determinados limites a serem obedecidos para os que utilizam da nova tecnologia, não na expressão do seu pensamento ou na emissão de opiniões ou de narrativas sobre o que ocorre à sua volta. Refiro-me, sobretudo, aos inescrupulosos que se dizem valer de informações “quentes” e que se aproveitam desses novos mecanismos para ludibriar, macular, ultrajar e até para ameaçar de extorsão os que supostamente atravessam seu caminho. Muitos não são jornalistas ou radialistas. Nada sabem sobre a ética profissional, nem muito menos têm o menor compromisso com ela. Aliás, a nossa profissão, como as demais, não está imune ao pecado da safadeza e do mau caratismo, mas é inquestionável que a grande maioria exerce a atividade com consciência e respeito à sociedade.
Um weblog, blog, ou caderno digital é uma página da Web, cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos de tamanho variável, chamados artigos ou "posts". Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, costumam abordar a temática do blog e podem ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog. No nosso caso aqui, PORTAL CLEMILDO, COMUNICAÇÃO E RÁDIO, é um exemplo para a cidade de Pombal, a Paraíba, o Brasil e o Mundo de seriedade, responsabilidade, ética e profissionalismo.Quero esclarecer que a minha função, nesse exato instante, é de completa isenção em relação aos blogueiros, embora reconheça que esteja sendo impulsionado pela razão e pela emoção. Mas, é inadmissível que se use os meios que se tem para fins escusos e intoleráveis.
*Jornalista, Advogado e Professor. Natal – RN.

SEVERINO COELHO VIANA RESSALTA POSTAGEM, O JOVEM CLUBE DE POMBAL...

Severino Coelho Viana
Em carta enviada a Direção deste Portal, o Promotor de Justiça Severino Coelho Viana, ressalta o artigo, "JOVEM CLUBE DE POMBAL".
Considerando os fatos narrados por ele de suma importância para a história do aludido Clube, transcrevemos na íntegra sua missiva:
João Pessoa – Pb, 22 de janeiro de 2009.
Estimado amigo Clemildo Brunet: Lemos com muita atenção o seu artigo publicado no blog, intitulado de “JOVEM CLUB DE POMBAL”, quando você retratou com muita proficiência as atividades realizadas por aquela entidade composta de jovens idealistas que marcaram uma época e contribuíram para o crescimento cultural, esportivo e

O JOVEM CLUBE DE POMBAL


Clemildo Brunet*

“Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, vamos dá a meia volta, volta e meia vamos dá”. Quem não lembra essa cantiga de roda de crianças, fazendo um círculo e de mãos dadas com passos iguais acompanhando o ritmo da modinha? Pois bem, eu não fiz parte do Jovem Clube de Pombal, porém acompanhei a sua trajetória, em virtude da programação ter sido divulgada pelo Lord Amplificador, Serviço de Alto Falantes de minha propriedade, nos idos da segunda metade dos anos 70.
A análise que eu faço em relação ao jovem daquela época para os dos dias atuais: O jovem de ontem tinha uma postura de comportamento diferenciada das do jovem de hoje. A desenvoltura da classe estudantil que lutava por um ideal com manifestações populares, em defesa daquilo que almejava receber da sociedade de seu tempo. Há de se perguntar para onde foram o idealismo e

INAUGURAÇÃO DA REFORMA DA AGENCIA DOS CORREIOS DE POMBAL

Jerdivan Nóbrega de Araújo* Através do decreto n° 20.859,d e 26 de dezembro de 1931, o Ministério de Aviação e Obras Públicas criou o departamento de Correios e Telégrafos, através da fusão Diretoria Geral dos Correios com a Repartição Geral dos Telégrafos, e publicou a aprovação do regulamento da nova organização administrativa, sob a chancela do Ministro José Américo de Almeida e ato do Chefe do governo provisório da Republica dos Estado Unidos do Brasil, Getúlio Vargas.
Ruy Carneiro era o oficial de gabinete do Ministério de Aviação e Obras Públicas, convidado pelo Ministro José Américo de Almeida. Talvez por esse motivo a Paraíba foi contemplada com inúmeras obras publicas, como a construção das Agencia de Correios das cidades de Alagoa Grande, Areia, Cabedelo, Mamanguape, Monteiro, Patos, Itabaiana, Princesa Isabel, Santa Luzia, São João do Cariri, São João do Rio do Peixe, Soledade, Sousa, Taperoá, Teixeira e Pombal. Todas estas obras fizeram parte da ação do Governo utilizando a verbas destinada a obras emergenciais contra a seca que na época assolava o nordeste do Brasil .
No dia 15 de julho de 1829 foi criada agência do Correio Público de Pombal, regulamentada através da Diretoria Geral dos Correios do Império. O atual prédio dos Correios teve a sua construção iniciada no ano de 1932, pensada e construída com base em projetos padronizados, existentes em muitas cidades, o que instituiu a chamada arquitetura postal brasileira. Foram mantidas nesses prédios a incorporação de áreas destinadas a residencia. Ainda hoje em algumas localidades, não é mais o caso de Pombal, a agencia dos Correios ainda é ocupada, em seu pavimento superior, pelo gerente da Agencia.
O padrão utilizado para as agencias foi o de linhas art décor. Hoje não mais faz parte da politica do governo a construção de agencias e sim o aluguel, terceirização ou cessão por prefeituras de prédios para abrigar as agencias. Porém, a ECT retomou a politica de melhoria destas unidades com o objetivo de aprimorar a padronização do atendimentos, melhorando as condições de saúde e trabalho dos seus empregados.
A agencia dos Correios de Pombal, que será inaugurada nesse dia 30 de Janeiro, ainda funcionará com o mobiliário antigo, tendo em vista o lento processo licitatório, porém por pouco tempo, pois brevemente serão trocados todos os móveis e equipamentos feitos sob encomenda através de estudos técnicos de soluções ergonomia, beneficiando os empregados, o que acontecerá em todas as agencias de Correios do Brasil a uma custo final de três bilhões de reais, isto até o ano de 2012.
Esta reforma com a ampliação veio depois de 77 anos de inaugurada aquele prédio e era muito esperada pelos empregados, principalmente os Carteiros que trabalhavam em um local inadequado, em face de crescimento da cidade e foi realizada de forma a não alterar o projeto inicial uma vez que faz parte do centro histórico da cidade e foi tombado por decreto governamental no ano de 2001.
Ainda tenho em minha memória o velho Ribinha, único Carteiro da cidade, montado em sua velha bicicleta, fazendo seu malabarismo nos dias feiras, com uma mão no guidão da bicicleta e a outra a segurar um maço de cartas. Naquela época sabia-se de "có e salteado" o endereço dos moradores da cidade. As correspondências eram entregues em qualquer lugar onde o destinatário costumava frequentar e não necessariamente em seu endereço. Ribinha (José Ribamar Veríssimo), só para lembrar, trabalhou nos Correios de Pombal do dia dois de agosto de mil novecentos e cinquenta e dois a vinte e nove de fevereiro de mil novecentos e oitenta e quatro.
*Escritor pombalense.

HOMENAGEM AO GRANDE HOMEM, ILUSTRADO MAESTRO E ADMIRÁVEL AMIGO.

EMUDECEU O SOM DO NOSSO SAX DE OURO!
Toda história tem seu começo e fim. E, todo ser que nasce inicia a sua história única e insubstituível. Partindo destas premissas, notificamos que em 26 de dezembro de 1928, nasceu no nosso Torrão natal, uma criança que na expressão popular, clamaram: “é homem!” E, no Batismo recebeu o nome de Manoel de Souza. De origem humilde, Maria Luzia da Conceição, sua genitora, resolveu doá-lo a saudosa senhora Donária, que honrou a sua maternidade com muita dedicação e amor. Esta foi a razão de ficar conhecido por Manoel de Donária. Manoel recebeu uma formação condigna como filho e como um ser social. Conviveu com sua irmandade em plena harmonia recebendo todo carinho e amor. Com essa influência recebida ele tornou-se um rapaz educado e afetuoso. Vale ressaltar, que, Manoel, desde criança manifestou inclinação para a música. Lembro-me bem, quando em João Pessoa, há muitos anos passados, visitei Negreiro, filho adotivo de professor Newton. Ele com ansiedade de saber notícias de Pombal e dos seus amigos contemporâneos, perguntou por Manoel de Donária, quanto à música. Eu respondi que ele era um maestro de polpa, e, imediatamente Negreiro evidenciou um fato, que Manoel, aos oito anos, já tocava Brasileirinho num realejo, enfatizando ainda, que ele seria, com certeza, um grande músico.
O talento é dádiva de Deus e Manoel jamais fugiria dos ditames da sua infância, abraçando o desafio, unindo o seu pendor ao seu sentimento de prazer, procedeu no uso de instrumentos, repercutindo como um excelente saxofonista e grande maestro. Foi funcionário público federal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, em João Pessoa, localizado na Praça Pedro Américo. E, como de costume, nas horas de lazer, deleitava-se com a bela música. Expandiu a sua juventude feliz e realizada. Notadamente foi flechado pelo cupido, contraindo núpcias com a jovem Maria do Socorro Clemente, compondo uma família de quatro filhos: Maria de Fátima, Manoelzinho, (em memória), Maria da Glória e Marcélio, dos quais, obteve oito netos.
O segundo matrimônio, com a jovem Maria Clidismar Silva, em que, Bibia e eu, tivemos a honra de sermos testemunhas por força de amizade, sobretudo, com ela que era minha amiga desde a infância. Formando um par bonito e sensível ao amor, construiu uma prole de cinco filhos: Márcia Maria, Malba Delian, Magda Cilene, Marcelo e Márcio Wendel, estes, os coroaram com onze netos. Possuía ainda três filhos de relacionamentos extraconjugais: José Nildo, (em memória), Cleide e Maria.
Atuou como regente dos corais das Igrejas: “Nossa Senhora do Bom Sucesso”, “Igreja do Rosário” e a de “São Pedro” todas em nossa cidade.
O amor e a dedicação pela música fizeram de Manoel um brilhante músico na coordenação de eméritos maestros, a exemplo de João Pereira Fontes, Elizeu Veríssimo, João Alfredo de Sousa, destacando-se finalmente como um extraordinário maestro. Participou em diversas Bandas: “Santa Terezinha”, “João Alfredo”, estas, em nossa Terra e a da Prefeitura de Catolé do Rocha sendo o maestro desta, por volta de 1991 a 1997. Faço conhecer aos nossos leitores, que Manoel foi incumbido pelo seu maestro João Fontes, para copiar a partitura do Hino de Pombal, no “Velho Arraial de Piranhas” (Pombal), primeiro livro da história da nossa terra, escrito pelo emérito historiador e escritor sertanejo e paraibano, Wilson Nóbrega Seixas.
Evidencio ainda um fato muito importante do seu atendimento para comigo. Ao precisar da sua participação no acompanhamento instrumental, para uma montagem que realizei, registrando obras importantes da nossa terrinha, em que seria exibida numa Gincana, do Festival de Destaque da Cultura e da Arte, na cidade de São Bento de Brejo do Cruz, cuja tarefa predeterminada era apresentar as obras Culturais e Artísticas de sua cidade, em que um grupo de alunas do “Josué Bezerra”, recebeu aplausos e foi destacada a nossa cidade, principalmente pelo brilho deslumbrante de sua participação. O nosso trabalho, em epígrafe, . Homenagem pelo aniversário de nossa cidade, (participação minha); . Apresentação do livro: “O Velho Arraial de Piranhas”, (pelas alunas de (Pombal); . Execução do Hino de Pombal, (pelo Coral de São Pedro e grupo (Seresteiro); . Execução da Canção popular, Maringá, (por Bilino Queiroga); . Execução da Marchinha Rancho, “Meu Pombal”, da autoria do pombalense, Anísio Medeiros, que também era músico e poeta, executada pelos mesmos grupos de seresteiro e coral de São Pedro. Valendo a pena, dizer que, todos estes trabalhos foram acompanhados com brilhante maestria por Manoel, fazendo a nossa cidade em Destaque. (Ficarei devendo a exibição dessa montagem em CD, noutra oportunidade, por via rádio), para que nós pombalense possamos crer a importância do nosso querido e saudoso maestro, Manoel. Manoel foi sem duvida, um grande contribuinte como instrumentista nas Belezas da melodia da nossa terrinha.
Após os setenta anos entra em depressão, motivado pela saúde e lamentavelmente afastou-se de todo convívio amigo, até mesmo do maior, que era o seu sax. Foi acometido por uma insuficiência vascular cerebral que levou a morte, O HOMEM DE POUCAS PALAVRAS, MAS DE MUITOS AMORES E AMIGOS! UM AMANTE DA MÚSICA E DOS ANIMAIS! (filhos) O nosso querido maestro partiu para a morada eterna, naquele dia 8 de dezembro de 2008, simbolizado na figura de Nossa Senhora da Conceição, aos setenta e nove anos de idade, deixando o exemplo de sua bondade, humildade e de seu firme caráter de pombalense que amava a sua terrinha, abrindo nos nossos corações um espaço ocupado pela SAUDADE!
É necessário que se faça homenagem a este grande pombalense, pois homenagear é uma manifestação de sensibilidade daqueles que amam e reconhecem o mérito dos amigos! Conhecer o homem é preciso conviver com ele, procurando entendê-lo em todas as circunstâncias de vida. Ser amigo é saber transmitir confiança ao outro, é praticar a fidelidade no seu convívio, é amar com segurança, aceitando as diferenças dos outros.
Eis ai, com muita vigor de carinho, a nossa HOMENAGEM AO GRANDE HOMEM, ILUSTRADO MAESTRO E ADMIRÁVEL AMIGO! Carinhosamente dizendo que: EMUDECEU O NOSSO SAX DE OURO!
Maria do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes. Poetisa e escritora de Pombal. Para contato: cessalacerda@yahoo.com.br Para comentário: www.clemildo-brunet.blogspot.com

CRISE, ATÉ QUANDO?

CLEMILDO BRUNET*
Ouvimos tanto falar em crise que nos deixa a pergunta, até quando? É crise nos relacionamentos, na cidade, no meio rural, no comercio, na indústria, na economia etc. Existe até a chamada crise existencial plantada no interior de cada um de nós e só quem pode sondar é Deus. O salmista Davi exclama: “Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas”. Sl. 19:12.
Se não bastasse a crise nos relacionamentos, a televisão com suas novelas em horário nobre têm contribuído com sua dramaturgia com exemplos que incentivam o desmoronamento das famílias corroendo a célula mater da sociedade.
A cidade também não está imune a crise devido o seu crescimento populacional, com outra crise que se estabelece com o êxodo rural que se registra constantemente; o setor urbano sofre inchação e, por conseguinte a falta de moradia e estrutura básica faz com que gere uma crise sem precedente para os nossos governantes. Falta de emprego no setor público e privado tem ocasionado verdadeiro vexame para os que procuram os centros urbanos.
A revista Época de 12/01/2009 traz uma reportagem sobre um empresário alemão que se suicidou por causa da crise econômica. Adolf Merckle considerado um homem ultra reservado, virou notícia em quase todo mundo com sua morte. Segundo a família o motivo teria sido à “precária situação econômica de suas empresas provocada pela crise financeira, bem como as incertezas das últimas semanas”. A família encontrou o corpo do empresário, depois de ele se suicidar ao deitar sobre uma linha de trem, a 300 metros de sua mansão, em Ulm, sudoeste da Alemanha. A reportagem registra ainda que outros dez já fizeram o mesmo e pergunta será uma onda como em 1929?
Já existem indícios de um rescaldo dessa crise em nosso país. A crise econômica internacional que parecia tão longe e que o nosso presidente Lula se mostrou otimista considerando uma “marolinha” do tsunami externo para nós, hoje ela é vista de modo diferente. Há pouco tempo se pensava que estava distante, no entanto, está chegando com força ao Brasil.
A economia tem sido agravada numa velocidade sem tamanho nos últimos meses e tende a se estragar ainda mais nos próximos meses. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção industrial, caiu em 5,2% em novembro em relação a outubro. A maior queda registrada em 13 anos.
E os conflitos no oriente médio entre Israel e o Hamas. Outra crise e tanto que chama atenção da mídia pela quantidade de mortes. Em 2006 um grupo de origem terrorista obteve maioria no parlamento palestino era o Hamas, que tomou o poder do Fatah, partido político mais moderado. O fatah foi expulso de Gaza pelo o Hamas e se isolou na Cisjordânia. Daí então, o Hamas radicalizou seu discurso anti-Israel.
O Exército de Israel em novembro matou seis palestinos por ter descoberto um túnel em Gaza que seria supostamente usado para seqüestrar soldados israelenses. Em represália o Hamas retomou o lançamento de foguetes contra Israel, encerrando uma trégua que havia se estabelecido desde junho.
Não é de agora que o exército de Israel padece essa crise. O rei Davi revela o sofrimento de seu povo por causa do inimigo à porta e pergunta para Deus: “Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo?” Sl. 13:2b.
Finalmente, crise entre as muitas definições que o dicionário da nossa língua nos fornece pode ser: 1- estado de dúvidas e incertezas; 2 - tensão, conflito; 3 - fase difícil, grave, na evolução das coisas, dos fatos, das ideias; 4 - ponto de transição entre um período de prosperidade e outro de depressão. *RADIALISTA.

COMENTÁRIO DE CESSA LACERDA SOBRE A POSTAGEM GENIVAL SEVERO , AMIGO DE FÉ, CAMARADA...

Prezado amigo, Clemildo! Parabéns, por mais um expressivo texto.
Não é surpresa, dizer que aprecio a leitura dos seus textos pela forma particular de se expressar com evidência os fatos que ocorreram e ocorrem com você e pessoas ligadas a sua amizade. Desta feita, a brilhante biografia ou bonita história do nosso amigo Genival Severo. Os relatos produzidos por você em textos anteriores não deixaram nenhuma hesitação aos seus leitores, porque foram escritos com transparência e muita propriedade de conhecimentos. Você escreve com amor, segurança e responsabilidade, construindo uma imagem nítida do fato narrado. A sua extraordinária memória nos fascina e estimula a ler os seus escritos com esmero e dedicação. Posso até dizer, que, você, Clemildo é um escritor que faz diferença, pois às mais das vezes, comprovamos a sua sensibilidade incondicional de narrar os fatos com veracidade, além de prová-los com muita propriedade cristã, através de belas lições bíblicas. Querido Clemildo! Sou cativa dos seus escritos porque conheço a sua idoneidade e sua pureza de amor ao que escreve. Obrigada a Deus por você existir, amigo fiel admirável e incomparável. Através do seu bom gosto de escrever e prestar homenagens foi que tivemos oportunidades de conhecer pessoas ilustres e destacáveis da nossa terrinha. E, desta feita, pude saber que o pai de Genival era xará do meu. Genival foi privilegiado por Deus, para solenizar todo abertura do ano, se bem que, nasceu no primeiro de janeiro. Parabéns! Mesmo atrasado, e, muitos anos de vida. Que bom ficar conhecendo a sua história. Menino inteligente que aos sete anos teve o primeiro contato com o rádio receptor e sempre manifestou o pendor para a comunicação. De índole genuinamente sertaneja e nordestina, fazia o que gostava, isto é, desde jovem dominava os programas de forró e de música popular brasileira, a exemplo de: “Varandão da Casa Grande” (forró), “ A Tarde é Nossa” ( música popular brasileira). Ainda hoje mantêm um programa aos sábados na rádio Liberdade 96 FM de Pombal. Gostei também de saber que você foi um Pagador de Promessa, e, perspicaz, voluntariamente construiu a sua cruz de madeira. Parabéns a Clemildo e Genival pela amizade fiel e conservadora, exemplo para muitos que não conhecem este valor.
Cessa Lacerda.

GENIVAL SEVERO, AMIGO DE FÉ, CAMARADA...

Genival Severo (foto)
CLEMILDO BRUNET*
Genival Severo de Queiroga nascido em 01 de janeiro de 1946 no Povoado de Várzea Cumprida dos Leites Município de Pombal Paraíba, filho de Cícero Severo Lopes e Maria Urtiga de Queiroga, cuja família formada pelos irmãos: José Severo de Queiroga residente em Campina Grande e Geny Severo de Queiroga que reside em Pombal.
Aos cinco anos de idade seus pais se mudaram de Várzea Cumprida dos Leites, para o Distrito de São Domingos e lá Genival viveu sua infância e adolescencia. Aos sete anos de idade, Genival teve o seu primeiro contato com um rádio receptor. São Domingos não tinha energia elétrica, o pai de Genival adquiriu em Coremas um rádio de 4 faixas que funcionava a bateria, foi o primeiro aparelho de rádio que apareceu naquele distrito.
Era grande o movimento de gente na casa de seu Cícero só para ouvir o rádio. A preferência do Pai de Genival era pelos programas noticiosos e ouvia sempre A Voz do Brasil. Genival, no entanto, gostava de ouvir música e sintonizava a Rádio Dragão do Mar e Iracema emissoras de Fortaleza Ceará. Escutava também a Rádio Liberdade de Sergipe que tinha o programa “Carrossel da Alegria”, sendo ouvinte ainda das emissoras pernambucanas em ondas curtas Clube e Tamandaré. Apaixonado por música Genival ficava no pé do rádio até seu pai dizer: “Desligue esse rádio senão você vai acabar com a bateria”.
O Pai de Genival era simpatizante da religião protestante e não gostava de música popular, somente dos hinos que eram cantados na Igreja Presbiteriana de Imburaninha. Amigo que era dos pastores Ageu Lídio Pinto e Abel Cordeiro, seu Cícero costumava levar Genival para os Cultos em Imburaninha.
O transporte da época era o Jegue, cavalo só pra quem tinha alguma posse. Genival foi com seu pai em uma noite de Natal para Imburaninha. De longe o adolescente ouviu o som da difusora da Igreja trazido pelo vento; era a voz do cantor sacro Feliciano Amaral. Quando chegaram a Igreja foram bem recebidos. Genival corre e vai ao local onde a difusora estava funcionando. Admirado, vê um amplificador com o toca disco em cima rodando um disco de 78rpm. Foi neste momento que o meu amigo de fé, camarada, pensou: “No rádio deve ser assim também”. Desde então começou a nutrir sua admiração por difusora.
Seu Cícero faleceu e em 1961 a família de Genival, quando este tinha 15 anos de idade, resolveu vir morar em Pombal. Desembarcaram na Rua Preta por trás do Açougue. Na efervescência de adolescente, Genival, pregou uma peça para seu vizinho seu Romualdo pai do Dr. Cadaço e em cima da casa, colocava um ventilador em funcionamento cujo barulho assustava a todos.
Como todo garoto de seu tempo e manifestando o senso crítico que lhe é peculiar, Genival estudando no Ginásio Diocesano de Pombal, resolveu imitar o gesto do ator do Pagador de Promessa (Filme brasileiro exibido no Cine Lux), e apropriando-se de toras de madeira, fez uma cruz, carregando-a as costas na hora do recreio acompanhado pelos alunos do educandário, o que lhe rendeu uma suspensão de quinze dias, resultando na perda da série que estava cursando naquele ano.
O Cônego Luiz Gualberto diretor do Diocesano havia lhe dado a sentença e tinha por costume mandar bilhetes aos pais de alunos pelos mesmos, para as reuniões de pais e mestres. Genival escondeu de sua mãe a convocação. Mesmo suspenso, ele saia de casa de farda conduzindo os livros e cadernos simulando para sua genitora que estava assistindo aula.
O censo crítico de Genival chegou ao ponto de colocar apelido nos outros, antes que alguém antecipasse com um para ele. Conta-se que quando chegou a Pombal, pôs apelido em seus primos, a fim de se safar de um apelido que lhe deram lá em São Domingos.
Do conhecimento nasce a amizade,esta se consolida ao longo dos anos.Nem sempre o amigo é aquele que precisa está perto para ser amigo, pois a verdadeira amizade é cultivada mesmo a distancia. Minha amizade com Genival veio através do que temos em comum: Gostar de música e, por conseguinte admirar todo e qualquer instrumento que emita sons harmoniosos. Ele me disse certa vez que me tinha na conta de um irmão. Agradeci a honraria lhe dizendo que a recíproca é verdadeira. Genival Severo, amigo de fé, camarada. Amigo de fé - porque dentro de seus princípios de caráter soube manter até os dias de hoje sua fidelidade de amigo em assuntos informais, sempre comungando de modo fraterno dos ideais de ambos. Camarada - porque é amigo fraterno e cordial, colega, acessível, simpático. A despeito do exercício de outras atividades para seu sustento, ainda na adolescência demonstrou vocação para ingressar na radiofonia me acompanhando desde cedo nas difusoras e rádios de nossa cidade. Ainda hoje mantem um programa de rádio aos sábados na Rádio Liberdade 96 FM de Pombal.
Genival me conheceu quando certa vez ouvindo o som da radiola da casa de meus pais na rua do rio, resolveu se aproximar e falou comigo. Segundo ele, foi a primeira pessoa com quem fez amizade em Pombal levando em consideração que eu lhe ensinei o caminho do rádio. Sem demérito aos demais, para Genival, seus melhores amigos em Pombal, eu e José Avelino do Cartório (em memória).
Em 1966 instalei a Voz da Cidade serviço de alto falantes que tinha acoplado um transmissor de ondas curtas de fabricação caseira e nos dava a oportunidade de adentrar aos lares de nossa cidade. Genival a meu convite veio participar pela primeira vez do rádio; fazia o que gostava, pois comandava os programas como: “Varandão da Casa Grande” (forró) e “A Tarde é Nossa” ( música popular brasileira).
Depois, veio o Lord Amplificador, fizemos uma parceria no sistema sonoro volante no qual Genival era meu sócio. Em 1982 era instalada a Rádio Maringá de Pombal AM, do Grupo empresarial Francisco Pereira; Nessa época Genival trabalhava no Cartório de Zé Avelino. Como Diretor Comercial e Artístico daquela emissora, convidei-o para colaborar com a programação da mesma, apresentando o programa de forró, no “Sertão da Paraíba”.
Em janeiro de 1967 foi nomeado escrevente do Cartório do 2º Ofício de Pombal, onde permanece até hoje, apesar de aposentado desde 1994, pelo o então Presidente do Tribunal de Justiça Desembargador Antonio Elias de Queiroga. Genival é casado com Geane Lacerda sua prima e tem uma filha de seis anos e meio de nome Ana Clara. É fã das músicas dos cantores: Paulo Sérgio, Waldick Soriano e Roberto Muller. O dia 1º de janeiro foi seu aniversário natalício em razão disso lhe rendo minhas homenagens, como amigo de Fé, camarada.

Som e sofrimento

Amigo Ronaldo
Acabo de voltar de Pombal, minha cidade natal, onde fui passar estes feriados com os meus pais. Pensava encontrar uma cidade mais calma, sem a parafernália daqui, sem ter que ser vítima da “sono pornografia" a que você se refere. Na praça principal de Pombal, onde passei minha infância embalada pelas modestas canções em difusoras instaladas nos postes, fiquei cercado por uns dez carrões com suas tampas erguidas, e o que mais observei é que os garotões ficam disputando o maior volume de som para seus veículos. Que loucura. Na virada do ano, eu tinha que gritar "Feliz Ano Novo" a um ou outro conhecido, pois era impossível dizer em voz baixa. Também vi os passos autômatos daqueles jovens infelizes pensando que são felizes demais. E realmente sem companhia feminina, geralmente grupos de 4 a 5 rapazes, nus da cintura para cima e com meio palmo de cueca saindo pelo cós da calça jeans. Algumas garotas, quando surgiam, geralmente se retiravam antes do fim da festa. Claro. Como iniciar um namoro sem o papo, já que os sons estavam sempre altos? Os kits de Ron montilla, ao lado de cada carro, integravam a cenografia desse ambiente de solidão disfarçada. Como vê, a epidemia realmente existe. E já chegou em Pombal. Lá, existe um clube no centro da cidade de uma grande importância histórica e cultural para o município. Trata-se do Pombal Ideal Clube, o lugar onde brinquei meus carnavais e onde dancei agarradinho em muitos "assustados", como se diz em nossa terra. O que mais me chocou não foi o fato de ver o clube fechado no dia de ano novo, foi ver a porta do clube servindo de sanitário a esses tristes playboys com caras de felizes.> Quero parabenizá-lo por sua bela crônica, porque passei o meu ano atravessando esse mesmo inferno que você viu em Cabedelo. E também porque penso em escrever às autoridades de Pombal, manifestando o meu protesto. Não tenho sugestões, como você pede. Talvez tenhamos que denunciar mesmo, fazer abaixo-assinados, ou do contrário estamos condenados a nunca mais bater um papo na mesa. Um grande abraço do amigo, com votos de feliz ano novo e muita literatura.
Tarcísio Pereira