CLEMILDO BRUNET DE SÁ

ÚLTIMO ADEUS A ANKITO, ASTRO DA CHANCHADA NACIONAL

Ankito tinha 85 anos (Foto)
MACIEL GONZAGA*
Um fraterno amigo, companheiro de prosas e causos, me telefona na tarde da segunda-feira (30) e, sem nenhum cumprimento, vai logo me perguntando: “Sabe quem morreu?”. Pensei um pouco respondi-lhe: “Diga logo, porque não tenho mais coração para surpresas”. E ele não perdeu tempo e disse: “Foi Ankito”. A minha reação foi dizer: “Deus o tenha em bom lugar”.
Anchizes Pinto, ou simplesmente Ankito - o Usinhor, do programa "Zorra Total", da Rede Globo – foi um dos grandes nomes da chanchada nacional - os filmes de humor que fizeram grande sucesso na década de 50. Ankito sofria de câncer de pulmão e estava se tratando há um ano e cinco meses. A causa da morte, segundo os médicos, foi uma neoplasia pulmonar. Havia parado de trabalhar há apenas dois meses, quando o quadro de sua saúde se complicou. Na noite de domingo (29), ele passou mal e foi levado para o Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde morreu nesta segunda. O enterro do corpo do ator está marcado para as 11h desta terça-feira, no Cemitério do Catumbi, no Rio de Janeiro.
Seu primeiro trabalho no cinema foi "É fogo na roupa", de 1952, que tinha a cantora Emilinha e a vedete Virginia Lane, entre outros, no elenco. Nascido em São Paulo, em 1924, Ankito foi um ator brasileiro, considerado um dos cinco maiores nomes das chanchadas. De família circense, era filho do palhaço Faísca e sobrinho do famoso palhaço Piolim.. Passou a atuar profissionalmente no circo aos sete anos de idade, no globo da morte. Onze anos mais tarde, passou a atuar em shows no Cassino da Urca, como acrobata, na época considerado um esporte, e que lhe rendeu cinco vezes o título de campeão sul-americano. Em seguida ingressou no teatro, substituindo por uma noite o ator principal da companhia, porém fez sucesso e permaneceu no elenco. Contracenou com Grande Otelo no show Bahia Mortal e, a essa altura, sua carreira já estava consolidada. Com o sucesso no teatro, em 1952, foi convidado para fazer três dias de filmagem no filme “É Fogo na Roupa”, mas o sucesso foi tanto que os três dias passaram a ser 39, tendo inclusive sido colocado o seu nome em primeiro lugar nos créditos do filme. Continuou a fazer shows pelo Brasil com uma companhia de vedetes, em clubes e cinemas, que sempre exibiam um filme dele antes de cada espetáculo.
Protagonizou 56 filmes, todos recordes de bilheteria, entre eles “Três Recrutas”, “Marujo por Acaso”, “Um Candango na Belacap”, “Rei do Movimento”, “O Feijão é Nosso”, “O Grande Pintor”, “Angu de Caroço”, “O Boca de Ouro”, “Sai dessa Recruta” e “Metido a Bacana”, onde a dupla Ankito e Grande Otelo apareceu pela primeira vez. Em 1966, participou do filme em episódios “As Cariocas”, de Fernando de Barros, Walter Hugo e Roberto Santos. Atuou também em “O Escorpião Escalarte” de Ivan Cardoso e “Beijo 2348/72”, de Walter Rogério, ambos em 1990.Na televisão, participou de muitos programas humorísticos. Fez parte do elenco da TV Tupi, da Record e da Bandeirantes. Mais tarde, na TV Globo, além das participações nos humorísticos, fez parte do elenco das telenovelas Gina, com a Cristiane Torloni e Edson Celular, e A Sucessora, de Manoel Carlos. Em 2005, fez o personagem "Falecido", na telenovela Alma Gêmea. Atuou também em inúmeras minisséries "Carga Pesada", "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes", "Sob nova direção" e "Engraçadinha, seus amores e seus pecados", e participou da primeira versão do Sitio do Pica-pau Amarelo, onde fez os personagens "Soldadinho de Chumbo” e o “Curupira”.
Quem da nossa época em Pombal não vibrava com os filmes de Ankito no Cine Lux? Um dos seus maiores fãs era o vigário-coadjutor da Paróquia de Pombal, Cônego Francisco Ferreira de Andrade – o nosso querido Padre Andrade. Como jornalista tive eu o enorme prazer de entrevistar Ankito, em Natal/RN, quando disse para ele que aquele momento para mim era de muita alegria e emoção “pois eu estava diante de um dos ídolos preferidos da minha adolescência na cidade de Pombal”. Na despedida, pedi-o para que deixasse um recado para os seus inúmeros fãs. Ankito disse apenas: “Que todos tenham muita fé em Deus, sempre, e também muita confiança em si mesmo”. Que Deus o tenha em bom lugar!.
*Pombalense, Jornalista e Advogado – Natal RN.

O BAIÃO E O PRECONCEITO ( I )

ONALDO QUEIROGA*
O sertanejo — homem rústico ou mesmo rude por natureza — é, sem dúvida, o símbolo maior da coragem que se observa numa área chamada Sertão. Caipira que vive da roça, tem ele um jeito de ser único, verdadeiro e sincero. Com seu vestir simples e linguagem própria, é sempre visto com um olhar diferenciado, às vezes pejorativo e, noutras ocasiões, vê-se considerado como ser inferior por alguns desinformados.
Carrega o matuto nordestino o rosto enrugado pelo sol causticante, os pés rachados pela terra quente, a filharada para dar de comer e a fé inquebrantável em Padre Cícero e Frei Damião. Esse ser humano, apesar de toda sua bondade e pureza, tem quase sempre contra si olhares preconceituosos. Com efeito, ficamos imaginando o quanto não foi duro o preconceito lançado contra os nordestinos que chegavam ao eixo Rio/São Paulo em todo o transcorrer do Século XX, principalmente no início desse fluxo migratório.
Com um matulão às costas, de pau-de-arara, o sertanejo cumpria sua sina de buscar o sonho de um mundo melhor. Enfrentava as dificuldades de um lugar estranho, mas trazia consigo, também, o conceito de Euclides da Cunha, de que o sertanejo é antes de tudo um forte.
Foi em meio a esse cenário que Luiz Gonzaga chegou à capital do então Estado da Guanabara, o Rio de Janeiro, que era também a Capital brasileira. Pediu licença e sentou praça com seu baião. Corriam os primeiros anos da década de 1940, com a Segunda Guerra Mundial e o intenso vaivém dos navios trazendo os gringos que desciam todos em busca da região da Lapa, da zona do baixo meretrício, onde Gonzagão arrastava sua sanfona, no Bar do Espanhol.
Era o tempo em que Luiz tocava tangos, boleros, valsas e chorinhos. Daquela sanfona ainda não se podia ouvir o som originário de seu pé-de-serra. Mas, um dia, incentivado por Armando Falcão, Gonzaga retornou ao programa de calouros do compositor Ary Barroso, na Rádio Nacional, e resolveu, então, tocar algo do seu Sertão – o “Vira e Mexe”. Por incrível que pareça, os ventos viraram e mexeram tanto com a vida daquele matuto que ele terminou sendo contratado pela Rádio Nacional, pela RCA Victor — e, por fim, conquistou o mundo.
De 1941 a 1945, por imposição da RCA Victor, Luiz só gravou como instrumentista: achavam que ele tinha voz ruim. Mas, neste mesmo ano (1945), Gonzaga conseguiu romper o preconceito e terminou por gravar uma primeira canção, usando sua voz, por meio da música “A Dança da Mariquinha”. Em seguida, o “Lua” viu que Pedro Raimundo, cantor e compositor gaúcho, só se apresentava nos programas da Rádio Nacional com roupas típicas do Sul do país. Aquilo lhe chamou a atenção. Teve ele, então, a idéia de produzir uma roupa com características que lembrassem o sertão nordestino.
E um belo dia o Luiz “Lua” Gonzaga chegou à Rádio Nacional com um chapéu de couro na cabeça e vestido de gibão. O traje, misto de roupas de vaqueiro e de cangaceiro, provocou outra feroz reação preconceituosa. Luiz foi impedido de se apresentar vestido com tal roupa. Ele não aceitou a imposição, pois não entendia por que: Pedro Raimundo podia se apresentar com os trajes típicos do Sul — mas ele, Luiz Gonzaga, não podia se exibir com aquele traje que fazia referência ao Nordeste.
Puro preconceito. Então, Luiz resolveu enfrentá-lo. Continuou se apresentando em circos, cinemas e nas praças públicas com aquele traje, até que um dia a Rádio Nacional se deu por vencida e permitiu sua apresentação com a nova indumentária, que o identificaria para sempre como o Rei do Baião, símbolo maior da música verdadeiramente brasileira e como representante-mor de nossa Cultura de raiz.
Viva o Baião!!!
*Juiz de Direito em João Pessoa – PB.

CLEMILDO FEZ ESCOLA - II - "ÉPOCA EM QUE O RÁDIO ERA FEITO DE IMPROVISO"!

Paulo Abrantes de Oliveira*
Após o fechamento da emissora de rádio “A Voz da Cidade” em Pombal, as notícias auspiciosas de emprego, em outras emissoras de rádio, e súbito sucesso desses competentes profissionais, invade os bastidores das principais emissoras do sertão e revela o quanto foi importante para Pombal esta iniciativa pioneira de Clemildo na radiodifusão em nossa cidade. Carlos Abrantes, um de seus discípulos, idealista e empreendedor, sempre compreendeu ser a voz humana o natural meio de comunicação. Era não só um locutor, mas, um sonhador voltado a grandiosas realizações. Veio para João Pessoa, disputado pelas emissoras de rádio da capital, trabalhou em todas elas, até que se formou em Direito. Criou a rádio alternativa do Cristo Redentor, com sucesso, mas nunca esqueceu sua origem em Pombal.
DEPOIMENTO DE CARLOS ABRANTES: “Nesta história do rádio em Pombal, o nome de Clemildo Brunet de Sá, ou simplesmente Clemildo Brunet, está definitivamente inscrito como um dos seus grandes instituidores! Sua extensa maratona radiofônica, iniciada como propagandista de lojas comerciais, apresentações de solenidades, shows e bingos, culminou com a criação e implantação daquela que, na época dos anos 60, foi o maior sucesso de comunicação em Pombal: A emissora de rádio A Voz da Cidade.
Enquanto existiu, esta emissora teve um papel decisivo no aprimoramento de profissionais, e de suas congêneres e, mesmo depois de extinta, sua história ainda influiu muito no desenvolvimento desse controvertido e contagiante universo das comunicações de massa no rincão sertanejo. Clemildo recebeu merecidamente a outorga de comendas importantes, em Pombal e outras cidades do sertão, por onde atuou, pelos relevantes serviços prestados a radiodifusão, por entender que o rádio move sob o trinômio: educar, divertir e informar. Daí, chamarmos de escola a que Clemildo implantou em Pombal. Não foram poucos os estudantes que como eu, buscaram no rádio, meio de sustento até a formatura. Alguns nunca mais conseguiram atuar em outra área que não a comunicação. Outros deixaram as emissoras assim que colocaram a mão no diploma superior, mas jamais esqueceram a vida de radialistas. Para estes profissionais, o rádio esteve envolvido numa atmosfera de grandeza extraordinária, genuinamente contagiante.
E mais ainda, disse Carlos Abrantes: O rádio, fruto deste século, rapidamente tomou conta do mundo inteiro, estabelecendo um contato praticamente imediato entre o acontecimento, o fato, a informação, a notícia enfim e o grande público. Isso nos dá, portanto, a idéia de que “rádio é audiência”! Como já afirmou um comunicador. Porém, a finalidade do rádio é atingir todas as classes sociais, razão pela qual deve apresentar variedade em sua programação, ratificando assim, o sucesso da VOZ DA CIDADE, porque “rádio é audiência”! E ela teve demais.
Clemildo, foi o pioneiro do rádio em Pombal, devo a ele, por ter me dado, como a tantos outros valorosos companheiros, a chance de fazer parte desta profícua escola de radiodifusão em Pombal. Foi lá que pude aprofundar conhecimentos a respeito do sem-fio e trilhar com brilho os objetivos definidos na comunicação.
Concluindo, quero afirmar o legado que o grande Roquette Pinto declarou: - “ O rádio é o jornal de quem não sabe ler; é o mestre de quem não pode ir à escola; é o divertimento gratuito do pobre; é o animador de novas esperanças; o consolador dos enfermos; o guia dos sãos, desde que o realizem com espírito altruísta e elevado”.
Parabéns Clemildo!
*Engenheiro Civil e Professor Licenciado em Ciências pela UFPB.

COMENTÁRIO DE CESSA LACERDA SOBRE O TEXTO "DR. ELISEU: O BOM SAMARITANO!

Prezado amigo, Clemildo!
A paz do Senhor!
Extensiva a toda família!
Ao contemplar o seu magnífico texto de homenagem ao Dr. Eliseu, escrito com muita propriedade de amizade e honra ao mérito até no estímulo do tema: "O BOM SAMARITANO!", faço jus os meus aplausos por este 28 de março, simbólico ao seu aniversário de nascimento, desejando que Deus derrame sobre ele muito graças para continuar o dinâmico e admirável médico.
O meu primeiro contato com Eliseu foi quando me deparei numa sala de aula com aquele garoto inteligente, forte e bonito. Numa segunda oportunidade, vendo e admirando aquele jovem de formação cristã, em parceria no trabalho de Catequese da nossa Igreja.
Confirmo que o nosso homenageado não poderia fugir aos ditames de sua vida dedicada ao próximo com capacidade e muito amor. Submeteu-se ao vestibular, contemplado que foi em Medicina, futuro brilhante! Saiu de sua cidade com o intento de galgar caminhos preciosos para o futuro na esperança que a sua terra fosse também contemplada com os seus abnegados trabalhos.
Eis que de súbito, surge o jovem corajoso, perspicaz e sensível a uma causa social: “Cuidar da SAÚDE DO POVO”! Enfrentou a campanha em prol do Hospital e Maternidade “Sinhá Carneiro”, e continua com coragem e muito desvelo, estando próximo de ver, o SUCESSO de sua conquista. Parabéns, Dr. Eliseu, por esta tão brilhante iniciativa, pela sua coragem e pelo seu procedimento altruístico, que fez e faz diferença a tantos outros filhos de Pombal que não souberam amar e dignificar a sua terra.
Parabéns com fervor por este dia e votos de felicidades para sempre, dizendo ainda que:
Celebra a tua vida. Com alegria de fazer anos de esperança. Conta teus anos não pelo tempo, mas pelo espaço que fazes no teu coração. Não pela amargura de uma dor, mas pela ressurreição que ela traz. Não pelos troféus de tuas conquistas, mas pelo gosto das aventuras de tuas buscas. Não pelas vezes que chegaste, mas pelas vezes que tiveste coragem de partir. Não pelos frutos que colheste, mas pelo terreno que preparaste e as sementes que lançaste. Não pela quantidade dos que te amam, mas pela medida do teu coração, capaz de amar a todos. Não pelas desilusões que tiveste, mas por aquilo que fazes em teus anos. Não pelas vezes que celebraste aniversário, mas pelas vezes que teu aniversário se tornou celebração de VIDA!
Parabéns para hoje e felicidade para sempre, Bibia, Cessa e família
Pombal, 27/03/09.

DR. ELISEU: O BOM SAMARITANO!

Dr. Eliseu - Urologista (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Costuma-se dizer que este mundo é imenso; mas, diz-se também que ele é pequeno. Quase tudo gira a nossa volta! Dr. Eliseu e eu não somos contemporâneos. Ele ainda garoto morando no sítio Pitombeira Município de Pombal nos idos dos anos 80, ouvia a minha voz através da Rádio Maringá de Pombal AM, no Programa “A Tarde é Nossa” (programa esse no gênero musical brega romântico). Eu não o conhecia naquele tempo, entretanto, ele já sabia de minha existência. O rádio tem essa magia, você não vê a imagem, ouve apenas a voz e com isso quem está em casa apenas imagina como são os traços fisionômicos da pessoa que está falando. Hoje, depois de conhecê-lo pessoalmente e nos tornado amigos; sempre que o visito em sua clínica seja para uma consulta ou não, ele por sua bondade relata essa história de seu tempo de menino, me deixando mais ainda lisonjeado, quando declara que é meu fã desde “A Tarde é Nossa”.
O dia 28 de março é uma data importante para o Dr. Eliseu. Trata-se de seu aniversário. Foi precisamente nesta data no ano de 1968 que ele nasceu às 4 horas da manhã na Comunidade Cachoeira Município de Pombal. Filho do casal Francisco Fragoso de Sousa e Iracê de Melo Fragoso. Uma família constituída de onze irmãos. A sua infância começou no cultivo da lavoura no Sítio Pitombeira junto aos seus dez irmãos. Mas a vontade era vencer e avançar nos estudos, preparando-se para o futuro. Sentindo-se vocacionado para a medicina, foi à alternativa que escolheu entre ser Sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana ou o exercício da Odontologia.
Mas, para que chegasse a ser médico, o garoto do sítio Pitombeira teve que ralar muito. Foram anos e mais anos a fios, e desses, em alguns, foi necessário trabalhar por conta própria para manter seus estudos. Em 1991, Eliseu José de Melo Neto – (este é seu nome de batismo), se submetia a dois vestibulares em Campina Grande. Odontologia na UEPB e Medicina na UFPB. Foi aprovado em ambos.
Quem não ouviu falar na história do bom samaritano contada por Jesus? Lucas 10:25-37. O pontual dessa parábola é identificar o próximo e usar de misericórdia para com ele. Foi um intérprete da Lei que levantou a questão, perguntando: Quem é o meu próximo? E Jesus contou esta história: Um homem descia de Jerusalém para Jericó, acha de cair em determinado trecho da estrada nas mãos de salteadores. Roubaram-lhe tudo e ainda por cima o espancaram, deixando-o quase morto.
Por aquele lugar passa um representante da religião, vê o viajante caído e toma distancia do moribundo. Em pouco tempo também passa por ali um que representa a lei. Procede do mesmo modo que o anterior.
Em seguida quem passa é certo samaritano, não tem posto de hierarquia na religião ou exercício de autoridade, nem tão pouco sabe interpretar a lei. Compadecido, aproxima-se do viajante caído, aplica óleo e vinho em seus ferimentos, o coloca em seu animal e o leva a uma hospedaria pagando a despesa. Em seguida recomenda ao hospedeiro que cuide bem daquele homem, declarando que na volta pagaria outro gasto a mais. No final Jesus pergunta: “Qual desses três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos malfeitores”? A resposta do intérprete da lei foi: “O que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus respondeu: “Vai e procede tu de igual modo”.
Este é o proceder do bom samaritano: Usar de misericórdia para com o seu próximo. Ainda que não o conheça. Não importa se esse próximo, é desta ou daquela religião ou se pertence a este ou aquele partido político, se é plebeu ou nobre, se mora em choupana ou no palácio. É fazer o bem sem olhar aquém.
Dr. Eliseu pródigo no saber da ciência sob o juramento de Hipócrates, na sua atividade diária tem sido esse samaritano, pois como médico humanitário, zela e cuida de seus pacientes não só na hora da consulta, mas também no acompanhamento. É de sua índole aliviar a dor e o sofrimento de seu próximo. Quantos dos nossos patrícios já foram a sua procura e atendido prontamente? Quantos já não passaram pelo o seu bisturi e obtiveram sucesso? Muitos e muitos.
Cerca de alguns anos atrás - Pombal não tinha um médico nessa área complexa da medicina que é a Urologia – “Parte da medicina que se ocupa das doenças dos rins que demandam intervenção cirúrgica e das doenças dos demais órgãos das vias urinárias” (Aurélio). Nessa área, muitos dos nossos conterrâneos iam buscar tratamento lá fora.
Em seu exercício de médico, o Dr. Eliseu realiza atendimento nas seguintes localidades: Clínica Santa Cecília em Pombal, Odontoclínica em Catolé do Rocha, Clínica Santa Bárbara em São Bento, Centro Clínico “Dr. Avelino Elias de Queiroga” em Pombal, Hospital e Maternidade de Pau dos Ferros no Rio Grande do Norte e no Hospital Regional de Patos “Janduhy Carneiro” como urologista desta unidade hospitalar. Nesses locais o atendimento do nosso bom samaritano atinge a média de 500 pacientes mensais.
Como se não bastasse, apesar das dificuldades, tem sido constante a luta do Dr. Eliseu em prol da abertura do Hospital e Maternidade “Sinhá Carneiro”, cuja obra, desde o ano passado está com a maior parte de sua reforma concluída. No momento estão sendo feitos os serviços de acabamento da lavanderia e da cozinha. Ele acredita que “ainda este ano esta unidade hospitalar”, haverá de abrir as suas portas para atender a população de Pombal e Municípios circunvizinhos. Só assim será ampliada a rede de hospitais desta região no que vai beneficiar em muito a saúde de nossa gente.
Entre as inúmeras preocupações desse nosso urologista e bom samaritano, é o cuidado que ele tem para com os idosos. Por este motivo em 2007 fez parte da primeira turma de pós graduação em Geriatria da Paraíba, curso esse que prepara o profissional no tratamento médico que deve ser dispensado a pessoa nessa faixa de idade.
Como prestador de serviço na medicina Dr. Eliseu tem cumprido fielmente sua tarefa, executando ações pertinentes a do bom samaritano da parábola de Jesus. Aplica a dosagem certa do medicamento curando as feridas do paciente aliviando seus sofrimentos, numa demonstração sobre tudo - de amor a Deus e ao próximo como a si mesmo.
Parabéns Dr. Eliseu. Que Deus o cubra de bênçãos neste e em outros aniversários!
*RADIALISTA.

CLEMILDO FEZ ESCOLA - I -

"ÉPOCA EM QUE O RÁDIO ERA FEITO DE IMPROVISO"
Paulo Abrantes de Oliveira*
Clemildo Brunet de Sá, que revolucionou o rádio na década de 60, jamais poderia imaginar a contribuição incalculável que estava dando à cultura popular sertaneja. A emissora de rádio “A Voz da Cidade”, criada por ele, em Pombal, cultuava um propósito de programação séria, arrojada, de tópicos informativos e culturais que rapidamente atingiu o sucesso entre todas as camadas sociais. Tinha programação certa para todos.
Clemildo, possuidor de uma habilidade comercial fantástica, herdado de seu pai, Napoleão Brunet, tinha uma visão holística do futuro, apesar de muito moço ainda. Tinha a época, apenas 16 anos. Fez escola, confiou à responsabilidade de locuções de programas, a quantas figuras fosse, na certeza tranqüila de que teriam a qualidade criativa, além do próprio Clemildo, de um Genival Severo, Zeilto Trajano, Carlos Abrantes, Eurivo Donato, José Geraldo, Edimivam Monteiro, José Costa, Maciel Gonzaga e Genildo Torres.
E não errou. Pombal possuía na sua emissora de rádio, a melhor discoteca e o mais invejável plantel de locutores e controlistas da região sertaneja. A música trombeteava solta com uma maciez surpreendente, apesar de acoplado a um pequeno transmissor de “0C”, na freqüência de 3.722Klsc-faixa de 45 metros. Isto porque seus controlistas: Otacílio Trajano e Genivan Fernandes (Pássaro Preto), além de excelentes locutores, não se prendiam às formas rígidas, secas, de programação. Improvisando sobre os temas, foram aos poucos dando características próprias aos programas, até que todos se tornassem sucessos, como de fato se tornaram.
Clemildo, em depoimento, revelou que a Rádio “A Voz da Cidade”, atingiu um elevado índice de audiência até hoje nunca alcançado pela emissora Maringá e Bom Sucesso de Pombal. “A nossa discoteca era mais atualizada do que o Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras”, diz Clemildo. Criada em 1966, “A Voz da Cidade” atuava clandestinamente, até que, no ano seguinte, em 1967, no auge da ditadura militar, a Censura Federal descobriu e imediatamente mandou tirar do “Ar”. Lembro desse fatídico dia, o Tenente Ferreira, Chefe do Serviço da Junta Militar, chegou com a notícia à casa de Seu Vicente Farias: “Chegou ordem pra fechar a Rádio”. Ficamos calados, olhando um para o outro, como se quiséssemos perguntar: Que mal nos faz?...
Os Programas mais ouvidos nos contam Genival Severo, foram: “Brotolândia” com Clemildo Brunet, “Noite de Saudade”, com Eurivo Donato, “A Pombal Boa Noite”, com José Geraldo e Zeilto Trajano, e “Varandão da Casa Grande”, com Genival Severo.
O certo é que durou pouco, mas o suficiente para Clemildo fazer escola de profissionais competentes por esses brasis afora: José Cezário de Almeida (Rádio Maringá), Eurivo Donato e Zeilto Trajano (Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras e Correio da Paraíba), Massilon Gonzaga (Rádio Caturité), João de Sousa Costa Jornal Correio da Paraíba), Gregório Dantas (Rádio Bonsucesso Pomba, José Barbosa Coelho, Evilásio Junqueira, Magão do Lord, Sérgio Lucena(FM-98- João Pessoa), Otacílio Trajano, irmão do saudoso locutor Zeilto Trajano (Rádio Correio da Paraíba, Sanhauá) João Pessoa, Bertrand Chaves (Beto Chaves-Rádio Arapuá-FM), Carlos Abrantes de Oliveira(“A Voz da Cidade”, Rádio Correio da Paraíba, Rádio Tabajara, Rádio Arapuan, atualmente, Advogado e Mestre de Cerimônia do Palácio da Redenção).
*Engenheiro Civil e Professor Licenciado em Ciências pela UFPB.

HOMENAGEM A POESIA

14 DE MARÇO – DIA NACIONAL
21 DE MARÇO- DIA MUNDIAL
Cessa Lacerda Fernandes*
O Dia Nacional da Poesia, não foi por acaso, coincide com a comemoração do nascimento do grande escritor baiano Castro Alves. Poeta do Romantismo, autor de belíssimas obras, como o “Navio Negreiro” e “Espumas Flutuantes”. Sua arte era movida pelo amor e pela luta por liberdade e justiça.
Poesia é uma arte literária e, como arte, recria a realidade. O poeta Ferreira Gullar diz que o artista cria um outro mundo “mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata”. Para outros, a arte literária nem sempre recria. É o caso de Aristóteles, filósofo grego que afirmava que “a arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra”.
Declamando ou escrevendo, fazer poesia é expressar-se de forma a combinar palavras, mexer com o seu significado, utilizar a estrutura da mensagem. Isto é a função poética.
A poesia sempre se encontra dentro de um contexto cultural e histórico. Os vários estilos poéticos, as fases de cada autor, os acontecimentos da época e tantas outras interferências muitas vezes se misturam à obra e lhe dão novos significados.
A poesia é a arte da linguagem humana, do gênero lírico, que expressa sentimento através do ritmo e da palavra cantada. Seus fins estéticos transformaram a forma usual da fala em recursos formais, através das rimas cadenciadas.
As poesias fazem adoração a alguém ou a algo, mas pode ser contextualizada dentro do gênero satírico também.
Existem três tipos de poesias: as existenciais, que retratam as experiências de vida, a morte, as angústias, a velhice e a solidão; as líricas, que trazem as emoções do autor; e a social, trazendo como temática principal as questões sociais e políticas.
A poesia ganhou um dia específico, sendo este criado em homenagem ao poeta brasileiro Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), no dia de seu nascimento, 14 de março. Poeta brasileiro homenageado com o dia da poesia
Castro Alves ficou conhecido como o “poeta dos escravos”, pois lutou grandemente pela abolição da escravidão. Além disso, era um grande defensor do sistema republicano de governo, onde o povo elege seu presidente através do voto direto e secreto.
Sua indignação quanto ao preconceito racial ficou registrada na poesia “Navio Negreiro”, chegando a fazer um protesto contra a situação em que viviam os negros. Mas seu primeiro poema que retratava a escravidão foi “A Canção do Africano”, publicado em A Primavera. Cursou direito na faculdade do Recife e teve grande participação na vida política da Faculdade, nas sociedades estudantis, onde desde cedo recebera calorosas saudações.
Castro Alves era um jovem bonito, esbelto, de pele clara, com uma voz marcante e forte. Sua beleza o fez conquistar a admiração dos homens, mas principalmente as paixões das mulheres, que puderam ser registrados em seus versos, considerados mais tarde como os poemas líricos mais lindos do Brasil.
Este grande poeta brasileiro também foi agraciado na Academia de Letras de Pombal, honrando como Patrono Imortal, dono da Cadeira N ̊ 07, ocupada pelo Jurista Francisco Martins de Oliveira.
Neste 21 de março, comemoramos o DIA MUNDIAL DA POESIA, criado pela UNESCO em 21 de março de 2000.
É de grande importância comemorar estas duas grandes datas no mês de março,14 e 21, para também ocupar o seu tempo desenvolvendo o seu talento.
A poesia é a própria vida e é também aquela que fica quando tudo se acaba.
*Professora e Poetisa

A MENTIRA

CLEMILDO BRUNET*
Apesar de fazer tanto mal a humanidade o ser humano se utiliza da mentira como que buscando um subterfúgio ou fórmula de escape de algo que lhe foge a compreensão e que, depois ao vir à tona - a verdade, fica exposto à ignomínia. A largada da mentira teve seu começo no Jardim do Éden e se deu em uma conversa entre a serpente e a mulher. Deus havia dito aos nossos primeiros pais que todas as ervas que dão semente e toda árvore que há fruto foram-lhes dados para mantimento. Eles tinham tudo de graça para se manter e estarem bem alimentados. “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” Gn.1:31.
A serpente chega para a mulher com uma pergunta insinuando uma mentira: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim”? Gn.3:1b. A mulher respondeu que podia comer de toda árvore que há; e revelou que Deus apenas proibiu comer do fruto da árvore que está no meio do jardim; só que o Senhor lhes havia feito uma advertência: Se comesse morreriam! Nesse momento a serpente solta a mentira: “É certo que não morrereis”. Gn.3:4. Apocalipse diz que o dragão, a antiga serpente é o diabo. Apocalipse 20:2. Jesus disse que “o diabo é homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade, quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”. Jo. 8:44. O salmista exclamou: “Eu disse na minha perturbação: Todo homem é mentiroso” Sl. 116:11. A bíblia classifica os mentirosos chamando-os de ímpios: “Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras”. Sl.58:3.
1º de abril é conhecido como dia da mentira e geralmente as pessoas aproveitam para contar mentiras a seu próximo como se fosse verdade. Sobre o surgimento desse dia, a história conta que começou de uma brincadeira e surgiu na França. Quando teve início o Século XVI o ano novo era festejado em 25 de março marcando abertura da primavera. Os festejos duravam uma semana e terminavam em 1° de abril.
O Rei Carlos IX de França em 1564, depois do calendário Gregoriano, determinou que o ano novo fosse comemorado em 1° de janeiro. Houve resistência dos franceses em aceitar esta data e ficaram com o calendário antigo comemorando o começo do ano em 1° de abril. Os franceses foram ridicuralizados por aqueles que gozavam com eles, enviando-lhes presentes estranhos e convidando-os para festas inexistentes. Essas brincadeiras receberam o nome de “Plaisanteries”. Na França e Itália esse dia é conhecido de peixe de abril e em países da língua inglesa, o dia da mentira é chamado dia dos tolos.
Bentinho, em Dom casmurro, conclui que “a mentira é muitas vezes tão involuntária como a transpiração” surpreendendo a si próprio escondendo da mãe o amor por Capitu. Como sempre, Machado de Assis retrata uma verdade: Mentimos o tempo todo, até sem perceber. E quem não mente neste mundo? Aliás, mesmo aquele que pratica a mentira constantemente, não tolera de forma alguma ser chamado de mentiroso. No entanto, se diz por aí, a mentira tem pernas curtas.
Há pessoas que mentem pelo prazer de viver mentindo, outras, porém para se safar de situações embaraçosas, há ainda aquelas que mentem não querendo em hipótese alguma que alguém venha saber que ela mente. O filho mente para o pai, a filha para a mãe, o marido mente para esposa e vice versa. Os pais também mentem para os filhos. Os amigos mentem para os amigos, os políticos para o povo e por sua vez o eleitor também mente para os políticos. É na realidade um emaranhado de mentiras que não acaba mais.
A bíblia diz que os homens se perverteram tanto que mesmo tendo conhecimento de Deus, não o conheceram como Deus. “Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível... Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém”! Rm. 1: 22,23,25.
Ultimamente a Imprensa dispondo de meios ao seu alcance para checar e chegar com a notícia de modo veloz em todo mundo, tem se ocupado não somente em dar a informação, mas também fazer com essa informação seja por ela mesma investigada em busca da verdade dos fatos; tudo isso a despeito de muitas versões mentirosas ou com recheios de mentiras.
O escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900) disse certa vez: “O objetivo do mentiroso é simplesmente encantar, deliciar, dar prazer. Ele é a própria base da sociedade civilizada”.
A revista Época de 23 de fevereiro/2009 traz como destaque de capa: Por que as pessoas Mentem. A reportagem mostra os erros cometidos pela advogada brasileira Paula Oliveira, que vive na Suíça, acusada de ter forjado uma agressão de neonazistas no dia 9 e conta como uma história nascida de uma pequena mentira se transformou num escândalo internacional. Um grupo de amigos de Paula recebeu email com foto. Três homens teriam talhado sua pele com um estilete e a feito abortar os gêmeos que estaria esperando. Descobriram que a ultrassom da gravidez de dois gêmeos, não era da advogada e sim que ela havia copiado da Internet. Os ferimentos em seu corpo havia sido autoinfligidos pela brasileira. Uma das amigas da advogada disse ter visto Paula mentir em outras ocasiões. Segundo a reportagem de Época, essa ex-colega descreveu o comportamento de Paula como de uma fabuladora, uma pessoa acostumada a acrescentar detalhes fictícios à história pessoal.
A reportagem diz ainda que a ciência confirma uma relação entre mentira e esforço intelectual. Em 2000 foi feita uma pesquisa na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que certas regiões do cérebro mostram maior atividade diante da mentira. A área ligada à atenção e a concentração era mais estimulada quando os voluntários não diziam a verdade. A conclusão seria: O default do cérebro é a sinceridade. Mentir requer esforço extra de organização. O filósofo americano no seu livro por que mentimos? Diz que “a mentira acompanhou a evolução do homem”.
Será a mentira espalhada pelo mundo que tem trazido o caos a humanidade? Lembre-se que a desobediência a Deus veio produzida pela mentira de satanás: “È certo que não morrereis”. E a sentença divina passou a todos os homens: “E o pó volte á terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” Ec. 12: 7.
No livro da revelação há uma verdade muito profunda a respeito de quem ama e pratica a mentira: “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. Ap.21:8. Deus tenha misericórdia de nós!
*RADIALISTA.

QUARESMA - TEMPO DE ENCONTRO COM DEUS

CESSA LACERDA FERNANDES*
A palavra Quaresma vem do latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV.
Na quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira (até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive - Diretório da Liturgia - CNBB) da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais.
Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência.
Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.
O significado dos quarenta dias. Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e 07 dirigindo o coração para algo que vai acontecer.
A Igreja católica propõe, aos cristãos por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma conseqüência da penitência.
Ainda é costume de jejuar na Quaresma, porém, ele é válido em qualquer época do ano. O jejum é uma forma de sacrifício, mas também como uma maneira de educar-se, de ir percebendo que, o que o ser humano mais necessita é de Deus. Desta forma se justifica as demais abstinências, elas têm a mesma função. Oficialmente, o jejum deve ser feito pelos cristãos batizados, na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa. Pela lei da igreja, o jejum é obrigatório nesses dois dias para pessoas entre 18 e 60 anos. Porém, podem ser substituídos por outros dias na medida da necessidade individual de cada fiel. O percurso da Quaresma é acompanhado pela realização da Campanha da Fraternidade a maior campanha da solidariedade do mundo cristão. Cada ano é contemplado um tema urgente e necessário.
A Campanha da Fraternidade deste ano 2009. O Tema: FRATERNIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA. E o Lema: A PAZ É O FRUTO DA JUSTIÇA.
A Campanha da Fraternidade é uma atividade ampla de evangelização que ajuda os cristãos e as pessoas de boa vontade a concretizarem, na prática, a transformação da sociedade a partir de um problema específico, que exige a participação de todos na sua solução. Ela tornou-se tão especial por provocar a renovação da vida da igreja e ao mesmo tempo resolver problemas reais.
Seus objetivos permanentes são: despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor: exigência central do Evangelho. Renovar a consciência da responsabilidade de todos na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária. Os temas escolhidos são sempre aspectos da realidade sócio-econômico-político, do país marcada pela injustiça, pela exclusão, por índices sempre mais altos de miséria.
A Campanha da Fraternidade foi realizada pela primeira vez na quaresma de 1962, em Natal-RN, com adesão de outras três Dioceses e apoio financeiro dos Bispos norte-americanos. No ano seguinte, 16 Dioceses do Nordeste realizaram a campanha. Não teve êxito financeiro, mas foi o embrião de um projeto anual dos Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral (Evangelizadora) da Igreja em nosso País. Este projeto se tornou nacional no dia 26 de dezembro de 1963, com uma resolução do Concílio Vaticano II, a maior e mais importante reunião da igreja católica. O projeto realizou-se pela primeira vez na quaresma de 1964.
A Campanha da Fraternidade tem relação com a Quaresma porque é um instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão e renovação interior a partir da realização da ação comunitária, que para os católicos, é a verdadeira penitência que Deus quer em preparação da Páscoa. Ela ajuda na tarefa de colocar em prática a caridade e ajuda ao próximo. É um modo criativo de concretizar o exercício pastoral de conjunto, visando à transformação das injustiças sociais.
Desta forma, a Campanha da Fraternidade é maneira que a Igreja no Brasil celebra a quaresma em preparação à Páscoa. Ela dá ao tempo quaresmal uma dimensão histórica, humana, principalmente comprometida com as questões específicas de nosso povo, como atividade essencial ligada à Páscoa do Senhor. As celebrações seguem os mesmos rituais e as tradições tendo início no Domingo de Ramos, que significa a entrada triunfal de Jesus, começo da Semana Santa. Os ramos simbolizam a vida do Senhor.
Depois, celebra-se a Ceia do Senhor, realizada na quinta-feira santa, conhecida também como o Lava Pés. Ela celebra Jesus criando a Eucaristia, a entrega de Jesus e, portanto, o resgate dos pecadores. Creio que foi o maior ato de humildade de Jesus. Depois, vem a celebração da Sexta-feira da Paixão, também conhecida como sexta-feira santa, que celebra a morte do Senhor, às 15 horas. Na sexta à noite geralmente é feita uma procissão ou ainda a Via Sacra, que seria a repetição das 14 passagens do sofrimento de Jesus.
No sábado à noite, o Sábado de Aleluia, é celebrada a Vigília Pascal, também conhecida como a Missa do Fogo. Nela o Círio Pascal é acesso, resultando as cinzas. O significado das cinzas é que do pó viemos e para o pó voltaremos sinal de conversão e de que nada somos sem Deus. Um símbolo da renovação de um ciclo. Os rituais se encerram no domingo, data da Ressurreição de Cristo, com a Missa da Páscoa, que celebra o Cristo vivo.
*Professora e poetisa pombalense.

DIABETES - CUIDADO, VOCÊ PODE SER O PRÓXIMO!

Mª DO BOM SUCESSO LACERDA FERNANDES NETA*
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o diabetes, que já afeta cerca de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, consiste em uma doença crônica que ocorre quando o pâncreas deixa de produzir insulina de forma suficiente ou o organismo não utiliza esse hormônio adequadamente.
Considerado ainda um conjunto de distúrbios endócrino-metabólicos caracterizados por aumento da glicose sangüínea, o diabetes vem aumentando de maneira alarmante nos últimos anos, com destaque para a alta incidência em crianças e adolescentes, conforme a IDF (Internacional Diabetes Federation).
A insulina é um hormônio sintetizado ao nível das células-beta das ilhotas de Langerhans do pâncreas. Tal substância permite às células do organismo a captação de glicose (fonte energética) e sua posterior utilização, o que se dá através de receptores específicos. A ausência de insulina provoca um aumento na quantidade de glicose sangüínea – hiperglicemia – (pois esta não estará sendo utilizada pelas células) fato que caracteriza o diabetes.
Existem alguns tipos de diabetes, podendo ser destacados: tipo 1 (auto-imune), tipo 2 (redução da secreção de insulina, ou diminuição da ação do hormônio sobre os receptores específicos, o que caracteriza um quadro de resistência insulínica) e gestacional. O diabetes tipo 1, causado pela destruição das células produtoras de insulina no pâncreas, corresponde a 5%-15% dos casos; ocorre geralmente em crianças e adolescentes, com início repentino; nesse caso, o paciente necessita de injeções diárias de insulina. Já, o diabetes tipo 2 diz respeito a 85%-95% dos casos, acomete normalmente pacientes com mais de 40 anos de idade, podendo ser ou não necessário o uso de insulina; geralmente, é assintomático, demorando a ser detectado. No geral, a sintomatologia do paciente com diabetes é caracterizada por sede intensa, sudorese profusa, aumento da diurese, fome excessiva (polifagia), podendo evoluir para quadros mais graves.
Atualmente, em virtude do sedentarismo, da obesidade associada a péssimos hábitos alimentares, o número de jovens com diagnóstico de diabetes tipo 2 tem aumentado. Segundo Monteiro et. al. (2000), entre 1988 e 1996, observou-se um aumento do consumo de ácidos graxos saturados, açúcares e refrigerantes, em detrimento da redução do consumo de frutas, verduras e legumes (nas regiões metropolitanas do Brasil). Além disso, de acordo com Prentice & Jebb (1995) e Manson et. al. (1991), o sedentarismo é considerado importante fator de risco para obesidade e também para o diabetes.
Um dos maiores problemas é a descoberta da doença tardiamente, em especial no diabetes tipo 2, após aparecimento de alguma intercorrência, sendo uma das mais comuns o pé diabético. O paciente apresenta alguma ulceração que não cicatriza, por exemplo. Um paciente com histórico familiar de diabetes precisa estar atento, pois as chances de desenvolver a doença são maiores. Existem várias complicações acarretadas pelo diabetes, principalmente, danos à microcirculação. Problemas visuais (retinopatia diabética), cardíacos, cerebrais, renais (com destaque para a insuficiência renal), do trato gastrintestinal, dos nervos periféricos e até amputação de membros pode ocorrer em decorrência do diabetes.
Diante de tais riscos, é importante se prevenir. Reduzir a ingestão de açúcares e praticar exercícios físicos são boas maneiras de evitar o aparecimento da doença. Estudos mostram que o controle de peso e o aumento da atividade física diminuem a resistência à insulina, reduzindo as chances de se desenvolver o diabetes (Pan et. al., 1997). Resultados do Diabetes Prevention Program (Programa de Prevenção ao Diabetes) demonstraram uma redução de 58% da incidência dos casos de diabetes por meio do estímulo à dieta saudável e à prática de atividades físicas. (Diabetes Prevention Program Group, 2002). Caso o diabetes já tenha surgido, o controle rigoroso da glicemia se faz necessário.
Você diabético, cuide-se, evite maiores constrangimentos; e você que não tem essa patologia, previna-se, mantenha hábitos saudáveis! Quando negligenciado, o diabetes pode se tornar um pesadelo na vida de um ser humano. Pense nisso! Para maiores esclarecimentos, consulte um médico endocrinologista.
Em caso de dúvida, e-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
* Acadêmica do 6º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande.

ALCOOLISMO MAIOR MONSTRO QUE ASSOLA A HUMANIDADE!

Cessa e o Troféu Imprensa 2007 (Foto)
PARABÉNS! GRUPO “BOM SUCESSO” DE AA! 25 ANOS DE UNIDADE, SERVIÇO E RECUPERAÇÃO!.
CESSA LACERDA FERNANDES*
Após contemplar o brilhante e complexo texto, exposto neste conceituado Portal, por um dos nossos irmãos, sobre a Irmandade de “Alcoólicos Anônimos”, e, crente no desenrolar da história desta Divina e Santa Irmandade, senti-me encorajada para dizer algo sobre um grupo que caminha paralelo ao de AA: AL-ANON, grupo para familiares e amigos de Alcoólicos. Criado que foi por duas Norte Americanas, esposas dos fundadores de AA. Lois, esposa de Bill e Lee, esposa de Bob. Elas sentiram a necessidade de fazerem uma programação para ajudá-los e se auto ajudarem do sofrimento do álcool.
Logo ao ser criado o grupo “Bom Sucesso” de AA, em nossa cidade, as esposas dos membros formadores foram conhecendo a Literatura e os trabalhos para a recuperação dos seus entes queridos, tomando iniciativas de também poderem ajudá-los com alguma programação. Daí foi criado também o grupo de AL-ANON, que numa reunião após o lance de vários temas para escolha do nome foi contemplado Grupo AL-NON “Fé e Esperança”, com o significado sublime da grande fé e esperança em Deus de que todos os sofredores do álcool fossem curados.
O Al-Anon é uma associação paralela, mas independente do AA, que oferece apoio aos familiares dos alcoólicos. Há, também, grupos preparados para atender os filhos dos dependentes. São os AL-ATEEN.Essas instituições foram criadas porque a família torna-se co-dependente do álcool e precisa tratar da neurose que adquiriu na convivência com a pessoa que bebe. É o que reza a expressão popular: O ALCOÓLICO BEBE E A FAMÍLIA É QUE FICA TONTA.
Embora a doença manifeste-se igualmente em ambos os sexos, talvez por preconceito, os homens procuram mais o AA e as mulheres, o Al-Anon. Muitas vezes, quem busca o Al-Anon o faz em função do doente que tem em casa na esperança de encontrar um meio eficiente para afastá-lo da bebida. Engana-se, porém. No Al-Anon encontrará pessoas que estão ou foram afetadas pela maneira de alguém beber e que se preocuparão apenas com os familiares e/ou amigos dos alcoólicos conforme suas necessidades específicas. O melhor é que ali todos são iguais, pois todos foram atingidos pelo mesmo tipo de problema.O primeiro passo do tratamento é eliminar qualquer resquício de sentimento de culpa que cônjuges e pais possam carregar. Afastada a culpa, o relacionamento assume outra dinâmica e o alcoólico percebe a diferença. Mais fortalecida, não raro a família consegue que o dependente aceite ajuda.Normalmente, as pessoas que procuram o Al-Anon estão desestruturadas física e psicologicamente, sem esperança de vida melhor. Num ambiente de afeto e cumplicidade, elas descobrem que têm um doente em casa e que o problema atinge a todos que o cercam. Descobrem, também, que não está em suas mãos promover a recuperação do alcoólico, mas que está em suas mãos buscar caminhos mais felizes para quem vive ao lado de quem bebe.
A proposta do Al-Anon é ajudar a família a reprogramar a própria vida com comprometimento e responsabilidade, independentemente do que possa acontecer com o usuário de álcool.Por desconhecimento do processo, a família é atingida a partir da 2ª fase da doença, quando surgem os problemas paralelos, como acidentes de trânsito, violência, perda de emprego, decadência social, financeira e moral e a síndrome da co-dependência, isto é, a família torna-se também dependente da substância álcool. É uma dependência neurótica, um alcoolismo seco que provoca sofrimento e inúmeros desajustes.A essa altura, a dinâmica familiar passa a ser regulada pelo comportamento do usuário de álcool, na vã tentativa de controlar sua forma, quantidade e freqüência de beber, o que é impossível. Tocado por um sentimento de culpa injustificável (os pais são tão culpados de transmitir os genes do alcoolismo aos filhos quanto os da cor dos olhos, a família tem de conscientizar-se do problema e pedir ajuda.Fácil falar; difícil fazer.
Em geral, por preconceito ou vergonha, procura-se negar o fato e a resistência só é vencida quando a situação fica insustentável e a família inteira desestruturada. "O lar fica alcoólico", disse a esposa de um alcoólico que quanto mais doente estava, menos condição tinha de pedir socorro. Al-Anon segue também um programa com princípios: os Doze Passos, as doze Tradições e os Doze Conceitos. Al-Ateen é uma divisão de Al-Anon dedicada a pessoas mais jovens que são afetadas pelo hábito de beber. Seus membros compartilham suas experiências e buscam forças e esperança na tentativa de resolver seus problemas comuns. Eles acreditam que o alcoolismo é uma doença familiar e que mudanças de atitudes podem colaborar com a recuperação. Sempre no início de cada reunião fazem como os AAS. Rezam a forte e inspirada ORAÇÃO DA SERENIDADE Deus, concedei-me a serenidade para aceitarAs coisas que não posso modificar Coragem para modificar aquelas que podem E sabedoria para perceber a diferença.
O AL-ANON é muito importante e um grande recurso para a sociedade resolvendo situações das pessoas que são cúmplices do álcool e, sobretudo paras os profissionais. Primeiramente, temos que nos aproximar do grupo Al-Anon para tomarmos conhecimento da Obra. Conta a literatura que Lois, a mulher de Bill, fundador de Alcoólicos Anônimos, apesar de toda sua postura elegante, delicada, fina, teve seu momento de rompimento com aquela sua paciência e, em determinado dia, revidou a um argumento do marido jogando-lhe um sapato em suas costas. Refletindo sobre aquele momento, ela percebeu que era necessário algo mais. Nasceu em seguida Al-Anon. Da mesma forma que podemos recordar que a história do A.A. mostra que as relações de trabalho eram bastante atribuladas.
Alcoólicos Anônimos tem um enunciado de Bill, que diz: “Onde qualquer um, seja onde for, estender a mão pedindo ajuda, quero que a mão do A.A. esteja sempre ali; e por isto eu sou responsável”. Este anunciado chega ao Al-Anon e aos profissionais – médicos, psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, advogados, juízes, promotores, religiosos, profissionais de recursos humanos, que vivem o problema na prática do dia-a-dia.
Existem tantos casos reais a exemplo de um funcionário alcoólatra, que teve seu tratamento patrocinado pela empresa onde trabalhava e suspendeu a bebida, pelo menos por algum tempo. Hoje ele está bebendo. Existem outros que fizeram o mesmo tratamento que ele e estão sóbrios. Qual a diferença? 1. A mulher daquele que voltou a beber estava acostumada com o dinheiro, que tomava conta devido a questão judicial apresentada com apoio da empresa. Quando ele deixou de beber, claro que voltou a tomar conta do seu salário. 2. Tão logo terminou o tratamento, a mulher promoveu uma festa de 15 anos da filha, com farta bebida alcoólica. Ali ele não bebeu. 3. Numa visita que a assistente social fez em sua residência, já abstêmio, percebeu o ressentimento latente na mulher, ao ver alguém perguntar pelo seu marido: “tá lá dentro cuidando do outro” (O outro era um belo cachorro que ele resolvera criar). Por isso todas as categorias deveriam em algum momento, tratar do problema alcoolismo.
Os livros mostram também que o alcoolismo tem três aspectos estudados: é progressivo, incurável e fatal. Progressivo, porque vai se instalando paulatinamente e cada vez mais se acentuando a sua face. Incurável, porque ninguém descobriu uma forma de um alcoólatra beber moderada ou socialmente. Fatal, porque provoca a morte do alcoólatra e de outros, das mais variadas formas.
Esse componente progressivo tem um desdobramento em três fases: adaptação, tolerância e dependência. Na adaptação, a pessoa tem os primeiros contatos com o álcool, para criar coragem, sentir os efeitos, fazer gracejos, etc. Nesse ponto, os familiares, namoradas ou namoradas, maridos ou mulheres, também acham engraçado o que fazem naqueles momentos de desequilíbrio. Num segundo momento, os cientistas afirmam que se instala a tolerância, que se apresenta através da forma como o alcoólatra bebe. Muitos conseguem beber exageradamente e parece não ter problema. Os outros se embriagam e o alcoólatra continua bebendo. O organismo suporta muita bebida. Por fim, vem a dependência: aquele estágio onde o indivíduo não consegue viver mais sem o álcool.
Com toda força que têm as palavras, entre tudo que já vimos referente ao alcoolismo, o mais forte e interessante foi a expressão da vontade sincera, honesta e verdadeira do alcoólatra para se cuidar e deixar de beber: “Amanhã eu paro”. Mas não se da conta. Al-Anon ensina para o caso que devemos sempre “segurar o que amamos com a mão aberta”. Esse é o segredo. Não adiantam as atitudes possessivas. O caminho é a conscientização. Alcoólicos Anônimos é outro recurso, tão forte que já vimos médicos dizerem que depois que se esgotam todas as possibilidades de tratamento pela medicina, a solução é Alcoólicos Anônimos. Aqueles médicos até confessam que não sabem direito o que acontece naquela Irmandade, mas sabem que é um recurso que dá certo. É o verdadeiro milagre que acontece.
Como sabemos que o A.A. cuida do alcoólatra e o alcoolismo afeta a vida da família, o problema agravar-se-ia se o Al-Anon não tivesse participação nesse processo. Costuma-se dizer que o alcoolismo é uma doença reflexiva, vez que afeta não só o que bebe, mas também seus familiares, amigos, vizinhos, patrões, colegas de trabalho e muitos outros. Por tudo isso é recomendável que a pessoa tenha à mão todas as informações sobre o escritório e os grupos de AA e AL-ANON, endereços e horários de funcionamento. Pois através deles muitos problemas com o alcoólatra podem ser enfrentados resolvidos ou evitados. FELIZES SÃO OS QUE PROCURAM ESTES GRUPOS!
Pombal, 13 de março de 2009
*Professora e Poetisa Pombalense.

NÃO MATEM AS CRIANÇAS!

Foto Ilustrativa
Paulo Abrantes de Oliveira*
Mundo feliz é o mundo repleto de crianças. A conhecida frase “deixai vir a mim as criancinhas” expressa quanto amor dedicava Cristo a essas criaturas inocentes.
Inocentes e frágeis, as crianças haverão de ser a esperança do mundo, mesmo diante de tanta atrocidade e barbaridade contra elas cometidas ultimamente e impunemente. Nunca se viu tanta perseguição contra as crianças, como hoje em dia. Na Alemanha, ontem, dia 11 de março, um adolescente invadiu escola e abriu fogo contra estudantes e mata 16 (dezesseis) e por aí vai...
Deixai as crianças em paz, que elas vivam seu mundo feliz, de ingenuidade, a enfeitar parques e jardins, em pleno exercício de suas atividades lúdicas, e a colorir a vida de pais e mestres. Com razão Jerdivan Nóbrega, em seu artigo O QUE NOS FAZ FALTA, AGORA, quando diz:”Naquela época morrer era uma raridade, não se morria tão jovem como hoje. Eu diria, não se matava tanto jovem e criança como hoje.
Com razão Nikos Kazantzakis, quando diz: “Enquanto houver na terra flores, crianças e aves, podemos ter certeza de que a esperança não morreu”. Que a dolorosa tragédia da Alemanha, de ontem, perpetrada por fanático terrorista, seja o último ato covarde contra inocentes criaturas.
Façamos com que a vida das crianças seja uma permanente segurança entre os adultos; esses felizes pedacinhos de gente, alegria do mundo.
*Engenheiro Civil. João Pessoa – PB.

7 ANOS SEM O DESBRAVADOR DE NOSSA HISTÓRIA...

Wilson Nóbrega Seixas (Foto arquivo)
CLEMILDO BRUNET*
Há 7 anos, mais precisamente no dia 11 de março de 2002, faleceu na capital do Estado da Paraíba, Wilson Nóbrega Seixas, historiador pombalense, porque não dizer o desbravador da nossa história. Ele é descendente do tronco “Seixas, Aseixas, e Azeixas em Portugal, Brasil, Holanda, Inglaterra e Estados Unidos”, cristãos novos fazendo história desde o século XVI. Nasceu em Pombal a 15 de julho de 1916, filho primogênito de Newton Pordeus Rodrigues Seixas e Natália Nóbrega Seixas e irmão de Hedy Nóbrega de Araújo casada que foi com o coronel da PM Sebastião Calixto de Araújo, Newton e José Hely, que faleceram crianças, Maria das Graças esposa de Severino Vieira de Queiroga; e Maria de Lourdes.
Wilson Seixas casou-se com Zélia Carneiro Arnaud de família tradicional de Pombal e de grande projeção no Estado da Paraíba, filha de Dr. Chateaubriand de Sousa e Dalva Carneiro Arnaud, esta irmã do Senador Ruy Carneiro e do Deputado Federal Janduhy Carneiro. Eram cunhados de Wilson Seixas, dentre outros, o ex-Deputado Federal e ex-prefeito da capital Antonio Carneiro Arnaud, e o desembargador Raphael Carneiro Arnaud. Da união de Wilson e Zélia nasceram os seguintes filhos: Antonio Chateaubriand (Odontólogo), José Wilson (Arquiteto) e Ligia Maria (Psicóloga).
É muito importante que se diga alguns fatos relacionados à vida deste historiador e escritor pombalense. Em 1948, ao se formar em Odontologia pela Faculdade de Recife, Wilson Seixas veio para Pombal, instalou sua clínica Odontológica e fundou a Sociedade de Proteção e Amparo as Mães e Crianças carentes, entidade que tinha por objetivo educar as pessoas sobre a necessidade da higiene bucal. Construiu um Edifício no centro da cidade, o qual deu o nome de Edifício “Maringá” que serviu de sede a instituição. Foi nessa época que deu início a atividade de pesquisador, tendo sido grande colaborador com os seus escritos no Programa “A Voz dos Municípios” apresentado pela Rádio Borborema de Campina Grande.
Em 1962, nas comemorações do centenário de Pombal lançou a primeira edição do livro “O Velho Arraial de Piranhas” que teve grande repercussão, ensejando o seu ingresso no Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba. Em sessão solene tomou posse em 18 de março de 1965, ocasião em que foi saudado pelo jornalista e historiador Octacílio Nóbrega de Queiroz. Fez parte da Diretoria do instituto ocupando vários cargos e de algumas comissões de estudo. 68/71 – Bibliotecário-arquivista, 71/74 Bibliotecário, 74/77 Secretário Geral, 77/80 Tesoureiro. 80/83 Membro da Comissão de História e Arqueologia, 83/86 Membro da comissão de Geografia e Ecologia, 86/89 Secretário Geral, 89/98 Membro da comissão de Geografia e Ecologia e 1998/2001 Membro da Comissão de História e Arquelogia.
Wilson Seixas em suas pesquisas sobre município de Pombal desmistificou versões de outros autores no que diz respeito à fundação, emancipação e aniversário de Pombal, restabelecendo a verdade sobre as três datas importantes da história do velho arraial de Piranhas. Ao ter em mãos o resultado dessas novas pesquisas admitiu ter cometido um erro na primeira edição do livro “O Velho Arraial de Piranhas”. Resolveu reescrever a história em outro livro com o mesmo título, momento em que sua saúde foi agravada no manuseio de documentos antigos. Infelizmente, o autor do Velho Arraial de Piranhas não pode está presente ao lançamento da obra reeditada, pois já havia falecido.
Como conseqüência dessa nova realidade da nossa história, a Câmara Municipal de Pombal fez mudança na Lei Orgânica do Município, restabelecendo as datas comemorativas desde a fundação, emancipação política e elevação a categoria de cidade. Pode-se dizer que este foi um dos maiores contributos que Wilson Seixas deixou para conhecimento das gerações vindouras.
Agora falta tão somente o reconhecimento do nosso parlamento mirim, tomar a iniciativa de dar o nome a um logradouro público a este pombalense que na sua busca incessante de pesquisador mudou de certa forma os anais da nossa história.
A Wilson da Nóbrega Seixas, a nossa eterna saudade no sétimo ano de seu falecimento.
*RADIALISTA.

GRUPO "BOM SUCESSO" DE A.A

25 ANOS SALVANDO VIDAS
No próximo dia 10/03/2009, o Grupo “Bom Sucesso” de Alcoólicos Anônimos da cidade de Pombal – Paraíba estará comemorando 25 ANOS DE FUNDAÇÃO. A da ta representa um momento significativo para a história da irmandade e do grupo em par ticular. Considerando, portanto, a importância desta data, a grandeza de A.A, e a gravidade do alcoolismo é de bom alvitre um comentário a respeito.
A história do alcoolismo é tão antiga quanto à criação do mundo. Segundo Gênesis, livro da Bíblia que narra à origem da humanidade consta que Noé no princípio do mundo sentiu os efeitos maléficos do álcool. Sabe-se que ele bebeu vinho, embriagou-se e dançou nu perante sua própria família. Foi no mínimo uma cena ridícula. Assim, teve início a história do alcoolismo, problema que cresce em ritmo desenfreado, portanto, de forma preocupante, sendo classificada hoje como a 3ª doença que mais mata, perdendo apenas para o câncer e as doenças cardiovasculares.
O alcoolismo segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde é definida como Síndrome da Deficiência Alcoólica, por conseguinte, consiste num conjunto de sintomas que se manifestam nas pessoas pela pré-disposição às bebidas alcoólicas e pela maneira incontrolada de beber. Entende-se ainda como uma doença psico-somática, isto é, que afeta o corpo e a mente. Sintetizando, alcoolismo é uma doença que manifesta as seguintes características: progressiva, irreversível, incurável e de terminações fatais. O uso do álcool é uma prática danosa à humanidade causando sérios prejuízos – alguns irrecuperáveis – nas diversas áreas da vida humana. Na área da saúde são muitas as conseqüências entre as quais se destacam os mais variados tipos de câncer, tais como: bucal, de esôfago, estômago e pulmonar, além de cirrose hepática e distúrbios cerebrais.
O álcool tem comprovadamente enorme influência no comportamento humano. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas se constitui agente determinante na alteração do caráter que leva o indivíduo a práticas irracionais que comprometem entre outras qualidades a dignidade. Nessa mesma linha danosa o álcool se constitui ainda causa de inúmeros suicídios, homicídios e acidentes no trabalho e no trânsito. E, como se não bastasse, é considerado como causa da desarmonia familiar, problema que culmina com a separação conjugal e conseqüente desagregação onde os filhos são as maiores vítimas Em suma, é uma doença diferente das demais, visto que o diagnóstico é dado pelo próprio paciente, além de atingir as pessoas indiscriminadamente. É a doença da negação onde a vítima se torna seu maior defensor. O alcoólatra é o maior advogado da bebida, pois na tentativa inútil de esconder sua dependência ele tenta justificar o injustificável.
Contudo, é uma doença tratável. Graças ao programa de recuperação sugerido pela Irmandade de Alcoólicos Anônimos, o alcoólatra pode conviver com a doença em permanente recuperação tendo como base evitar o 1º gole a cada 24 horas. Seguramente é o mais eficaz dos programas entre tantos existentes. É o que mais tem recuperado alcoólatras.
Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham entre si suas, experiências, forças e esperanças a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperarem do alcoolismo. Tem como propósito primordial manter a sobriedade dos seus membros, portanto, desligada de qualquer seita, religião ou partido político. Alcoólicos Anônimos surgiu na cidade de Akron no Estado de Ohio - Estados Unidos - no dia 10 de junho de 1935. Pasmem; seus fundadores Bill e Bob não foram santos. E o que é mais incrível, ambos eram alcoólatras. O primeiro era membro acionista da bolsa de valores e o segundo médico cirurgião bastante renomado naquele país, porém, ambos fracassados em decorrência do álcool.
Ao Brasil a irmandade de Alcoólicos Anônimos chegou em 1947, à cidade do Rio de Janeiro. A mensagem foi transmitida pelos companheiros Harold e Herbert, onde fundaram o primeiro grupo brasileiro que recebeu o nome da cidade. A mensagem de A.A chegou à Paraíba em agosto de 1964, primeira na cidade de Campina Grande e logo depois em João Pessoa, trazida pelo companheiro Draut V. que a levou posteriormente a cidade do Recife – Pe.
A irmandade salvadora de Alcoólicos Anônimos chegou à cidade de Pombal exatamente no dia 10 de março de 1984. A mensagem foi trazida pelo pombalense e membro da irmandade o Companheiro Nestor N. que contou com a ajuda dos companheiros de C. Grande, João Pessoa, Sousa e Catolé do Rocha. Nesta data realizou-se memorável Reunião Pública de Esclarecimentos na Escola “Josué Bezerra”, graças ao imprescindível apoio de sua diretora Prof. Ivonildes Bandeira que não mediu esforços nos cedendo gentilmente às dependências da citada escola para a realização do evento. A reunião contou ainda com a presença de grande parte da população, inclusive de autoridades na área da saúde que prestigiaram o acontecimento.
Nessa mesma noite, realizou-se ainda uma reunião fechada na qual ingressaram três pessoas que por coincidência se chamavam Francisco dos quais, dois permanecem sóbrios. Eram eles: Francisco C. Francisco F e Francisco V. que aceitaram a mensagem se tornando membros da irmandade e se uniram ao companheiro Anderson L. que havia ingressado em João Pessoa há alguns meses e caminhava sozinho na luta pela recuperação. Para o nome do grupo, em meio a muitas sugestões foi escolhido “Bom Sucesso”, cuja denominação deve-se a duas razões primordiais: primeira, como homenagem a Nossa Senhora do Bom Sucesso, padroeira do município e segunda, sob o fundamento de que vivendo em Alcoólicos Anônimos, tem-se realmente uma vida de sucesso.
Hoje, ao completar seu Jubileu de Prata, o Grupo “Bom Sucesso” de A.A, tem uma larga folha de serviços prestados no combate ao alcoolismo. São, portanto 25 salvando vidas, recuperando alcoólatras e reintegrando as famílias e a sociedade, pessoas antes desacreditadas e que ora readquiriram o respeito e a dignidade, outrora perdidos. Embora a irmandade não faça estimativa afirmamos que durante esses 25 anos passaram pelo nosso grupo cerca de 400 ingressantes dos quais 150 ainda permanecem na programação. É um número significativo, pois são 150 bêbados há menos e 150 famílias felizes. Cumprindo com o 12º Passo, que consiste em transmitir a mensagem aos que ainda sofrem, divulgamos a irmandade em diversas cidades da região. Graças a esse trabalho conseguimos fundar os seguintes grupos: Renascer – Paulista, Vida Nova – Coremas, Amor a Vida – Malta, Pedra D’água e Unidos – Condado e São Francisco – São Bentinho de Pombal, todos ainda em pleno funcionamento. O grupo sempre se manteve atuante e participativo em todos os eventos da irmandade em nível de estado e de Brasil. Graças a sua participação a cidade de Pombal foi sede do IX Encontro Estadual de Alcoólicos Anônimos realizado em agosto de 1990, e atualmente é sede do Distrito “Amigos Para Sempre” que abrange os municípios de Paulista, Coremas, São Bentinho de Pombal, Condado e Malta. Além do mais ainda conseguiu eleger três companheiros como Delegados Estaduais à Conferência Nacional de Servidores Gerais.
Alcoólicos Anônimos é de uma importância incalculável. Sua grandeza não se limita em ajudar ao alcoólatra manter-se abstêmio, mas na sobriedade, isto é, na forma consciente de parar de beber. Sua verdadeira essência está na reformulação de vida, resultado de uma rica programação espiritual sugerida através de sua vasta literatura que compreende 12 passos, 12 tradições e 12 conceitos mundiais. Assim é que Alcoólicos Anônimos tem se conduzido ao longo dos 75 anos de história, resgatando vidas e fazendo jus aos mais calorosos elogios. A propósito a Rússia, país que se destaca pela produção e consumo de vodka e, sobretudo pelos ideais comunistas ainda conservados, considerou a irmandade de A.A, como a obra do século XX, levando em conta o fato de ter sido a que mais benefícios proporcionaram a humanidade.
Em suma, esta é a história do Grupo “Bom Sucesso” de A.A, que hoje ao completar 25 anos de existência não se orgulha, apenas agradece consciente de que o prêmio por uma coisa bem feita é tê-la feito. Pela fé asseguramos que a cura e o milagre são obras de Deus. Que embora o alcoolismo seja incurável a irmandade se constitui um MILAGRE DIVINO. SALVE ALCÓOLICOS ANÕNIMOS – OBRA DE DEUS.
Pombal, 10 de março de 2009.
PROF. FRANCISCO VIEIRA.

O QUE NOS FALTA, AGORA

Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Sabe o que eu queria agora? Eu queria um tempo onde as pessoas ao se cruzarem nas ruas cumprimentassem-se pelo nome como faziam os meus pais no meu tempo de criança. Um tempo em que o pão e o leite eram deixados nas madrugadas frias, pelos padeiros e leiteiros, nas soleiras das portas e janelas, e ali ficariam até que os donos das casas acordassem, sonolentos, para tomar o seu café na mesa da cozinha com a sua numerosa prole. Ir à bodega com uma caderneta e trazer uma “quarta” de qualquer coisa, sem a preocupação de passar cartão disso, cartão daquilo ou consultas a Serasa.
Eu queria agora falar com alguém que me amasse sem antes perguntar quanto eu ganho, o que eu sou, o que eu tenho. Eu queira falar com alguém que me ouvisse sem me interromper, para só depois cairmos juntos em inexplicáveis gargalhadas. Não ter que mudar a sintonia do rádio de casa para que meus filhos não escutem certas letras de musicas: eu queria um tempo em que músicas maliciosas tinham letras como “procurando tú”, ou “ Eu tava na peneira tava peneirando, eu tava no namoro eu tava namorando”. A inocência dos namoros no escuro de um cinema do interior; serenatas numa janela entre aberta onde a amada encosta o ouvido nas frestas para ouvir os acordes de um violão ou o solo de um sax.
Se um olhar poderia dizer todo amor, também um olhar de reprovação de um pai dizia mais do que mil palmatoradas de um professor primário, pelo erro da tabuada de somar. Carro novo era Jeep, Rural, Fusca, Camionete era só da Chevrolet. Outros modelos diferente desses já se aglomeravam crianças e abriam-se janelas pela novidade. Cantador de Cordel era astro de feira livre e duplas de Poetas Violeiros eram estrelas que visitavam a cidade uma vez por ano. Comícios eram realizados encima de caminhão Fenemer 1965. Discursos de políticos eram igualmente mentirosos, mas, as promessas eram possíveis: emprego público, cesariana, apadrinhar crianças e comparecer a casamentos de filhas de eleitores.
Sabe o que eu queria agora? Morar no interior e poder sentar á sombra de uma árvore, lendo as poesias maliciosas de Manuel Bandeira como eu fazia no meu tempo de João da Mata. “Descoberta da rua! Os vendedores a domicílio. Ai mundo dos papagaios de papel, dos piões, da amarelinha! Uma noite a menina me tirou da roda de coelho-sai, me levou, [imperiosa e ofegante, para um desvão da casa de Dona Aninha [Viegas, levantou a sainha e disse mete. Depois meu avô... Descoberta da morte! Com dez anos vim para o Rio. Conhecia a vida em suas verdades essenciais. Estava maduro para o sofrimento E para a poesia! ” Eu pensava sempre que o Rio do poeta era o mesmo que eu já tinha, e que era só meu e que corria ali por trás da minha casa. As horas na sirene de uma fábrica, a maleta preta encardida do médico dá família, que aviava Penicilina para garganta , Estaphillase para afinar o sangue e Padrax para vermes. O moleque atravessando a rua nas carreiras para avisar a Parteira que havia chegado a hora. As difusoras dos postes que avisavam a hora dos enterros. Naquela época morrer era uma raridade: não se morria tão jovem como hoje. Eu queria agora morar lá no interior. Por onde andam as estrelas que eu contemplava no céu da minha cidadezinha? Aqui elas são tão raras. A vida é cara!
Sabe o que eu queria agora? O cheiro do café e do pão posto à mesa e a minha mãe me chamando para o lanche da tarde, o silêncio das 15 horas nas ruas desertas de Pombal, o cheiro de terra molhada nas primeiras chuvas de inverno, os lavradores comentando o início da plantação, e o “pé” de vento fazendo redemoinho na rua principal da minha cidade.
· Eu que por aqui nunca mais vi o Saci-pereré. Ainda colocavam-se fundos em latas, consertavam-se panelas de alumínio, fabricavam-se “copo de dente” para tirar água do pote e não se negava um copo d´água. Acho que ainda não estou maduro para o balançar dos tempo. Acho que ainda desconheço a “vida em suas verdades essenciais”.
*Escritor Pombalense.

MULHERES

Autor: Ubiratan Lustosa*
Um dia desses fui com minha mulher ao supermercado. Caminha pra cá, caminha pra lá e ela, naquela abençoada mania feminina de fazer economia, escolhia atentamente o que comprar. Eu a seguia, como de costume, exercendo a minha dignificante função de piloto de carrinho de supermercado. De repente, uma jovem e bela senhora, que estava perto de nós, falou em voz facilmente audível: - Amorzinho, aqui tem os seus biscoitinhos preferidos. Vamos levar pra você? Instintivamente olhei para trás a fim de ver quem era o inspirador de tanto carinho e atenção. Nossa, que surpresa. Era um cara grandão, gordo e barrigudo, com a barba por fazer. Feio como a desgraça. Mesmo assim, sua esposa carinhosamente, meigamente o chamava de amorzinho.
Na verdade, não havia porque me espantar. Essa é uma das inúmeras especialidades das mulheres. Elas conseguem deixar bonito o que é feio, transformar uma corriqueira compra em supermercado num momento de amor e ternura. As mulheres são assim, criativas por natureza, amorosas por vocação. São, de fato, seres misteriosos e abençoados. Sofrem bem mais do que nós e reclamam muito menos. Resistem mais à dor, são mais abnegadas, muito mais atentas e dedicadas, cumprindo com desvelo as obrigações mesmo que injustamente ganhem menos do que os homens.
Todos os anos, por iniciativa das Nações Unidas, comemora-se o "DIA INTERNACIONAL DA MULHER".A ocorrência que inspirou essa homenagem foi em 8 de março de 1.857. Consta que, numa histórica manifestação de protesto, as mulheres mostraram a sua indignação pela excessiva carga de trabalho e pelos baixos salários que recebiam. Eram operárias das fábricas de vestuário e têxteis de Nova Iorque. Houve caminhadas, greve, protestos. Dizem alguns que numa das fábricas as mulheres ficaram presas e 129 delas morreram durante a ação policial, vítimas de um incêndio criminoso. Seriam as mártires de um sonho. Essa ocorrência é negada por muitos que a têm como falsa, mas mesmo assim as mulheres de todo o mundo, pelo tempo afora, continuaram seus protestos e vêm lutando até hoje em busca de respeito e direitos iguais.E em 1.975 a ONU transformou o 8 de março no DIA INTERNACIONAL DA MULHER.
Elas merecem mais do que isso. O respeito por elas, as homenagens a elas, a defesa da dignidade delas, devem ser atos reais durante todos os dias de todos os anos.Afinal, além de tantas virtudes, só elas têm a abnegação de chamar de amorzinhos os gordos, barrigudos e barbados homens que têm a ventura de tê-las por companheiras.
*Jornalista e Advogado. Curitiba - Paraná.

"A excomunhão da Vítima"

Maciel Gonzaga*
Recebo de um amigo, ex-colega de turma na Academia, que reside em Recife-PE, um cordel do poeta “Miguezim de Princesa”, que considero uma obra-prima pela clareza e pelo tema oportuno. Trata-se de uma mistura de simplicidade, sagacidade e denúncia. É, sobretudo, um protesto sarcástico contra a hipocrisia e o falso moralismo de setores da Igreja Católica no episódio da garota de 9 anos que engravidou de gêmeos no interior pernambucano depois de molestada sucessivamente pelo padrasto monstro.
A criança obteve autorização para fazer o aborto e o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, tratou de excomungar todos os atores que se virem envolvidos na terrível cena. É vidente que o cordel não pode ser transcrito na íntegra, mas seguem alguns trechos: “Peço à musa do improviso/Que me dê inspiração,/Ciência e sabedoria,/Inteligência e razão,/Peço que Deus que me proteja/Para falar de uma igreja/Que comete aberração". O poeta prossegue a sua brilhante narração: "Depois que houve o estupro,/A menina engravidou./Ela só tem nove anos,/A Justiça autorizou/Que a criança abortasse/Antes que a vida brotasse/Um fruto do desamor". O nosso cordelista ainda manda o seu recado."O aborto, já previsto/Na nossa legislação,/Teve o apoio declarado/Do ministro Temporão,/Que é médico bom e zeloso,/E mostrou ser corajoso/Ao enfrentar a questão". O próximo versinho é simplesmente brilhante: "Dom José excomungou/A equipe de plantão,/A família da menina/E o ministro Temporão/Mas para o estuprador,/Que por certo perdoou,/O arcebispo reservou/ A vaga de sacristão". E para finalizar, o humor fino e irreverente diz o poeta: "É esquisito que a igreja,/Que tanto prega o perdão,/Resolva excomungar médicos/Que cumpriram sua missão/E num beco sem saída/Livraram uma pobre vida/Do fel da desilusão".
O caso é polêmico. É de se perguntar: Como silenciar diante de palavras e atitudes de um religioso que, em pleno século XXI, ousa afastar da comunhão da sua igreja todas as pessoas (mãe, familiares e médicos) que tiveram alguma participação ou ajudaram no irrecusável aborto feito em uma menina de apenas 9 anos de idade, violentada e engravidada por um monstro adulto, que abusou dela durante anos dentro de casa? Deixo a resposta para os leitores...
*Jornalista e Advogado – Natal RN.