CLEMILDO BRUNET DE SÁ

LUIZINHO BARBOSA E O I FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR EM POMBAL

Luizinho Barbosa (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Não resta dúvida que a cultura é um dos elementos essenciais para se dar conta do que temos e através dela a descoberta de talentos entre a espécie humana para o aprimoramento e desenvolvimento de uma arte. A arte da música, por exemplo, é de suma importância para o gênero humano. Já imaginou como seria este planeta se a música não existisse? É na música de boa qualidade soando aos nossos ouvidos, onde podemos distinguir qual o seu significado em nossa existência aqui neste mundo cheio de problemas e preocupações. Até mesmo aqueles que gostam de gênero musical que não é o de nossa preferência e que repudiamos como (gosto de péssima qualidade), encontram suas razões para satisfazer seus egos. A música não tem fronteira nem idade.
Luizinho Barbosa talento primoroso da arte musical de nossa terra, na condição de Produtor Cultural e Professor de artes da Escola Estadual “Arruda Câmara”, como defensor incansável desse dom em sua terra natal e região, tendo promovido em outras oportunidades eventos semelhantes lá fora e em sua cidade sempre exaltou os expoentes de nossa agenda cultural; agora vem com mais uma iniciativa de sua idealização e com o apoio do Fundo de Incentivo a Cultura - FIC- Lei Augusto dos Anjos, sediará em Pombal a partir do próximo dia 07 de maio do corrente ano, o Primeiro Festival de Música Popular em Pombal – FEMPOP.
Este acontecimento terá uma dimensão interestadual. Cantores e compositores de vários Estados participarão do certame que tem como objetivos: Proporcionar o intercambio, o crescimento, a descoberta e a difusão de novos valores, bem como servir de estímulo para nossos bravos compositores, autores e intérpretes da nossa música regional, com direito a gravação de um CD das músicas classificadas.
Compositores de qualquer lugar deste país poderão se inscrever sem que haja restrições de estilos e gêneros, sendo-lhes assegurado o direito de igualdade na competição. As letras das músicas devem ser originais, inéditas e em português. Cinco jurados de reconhecida capacidade e experiência comprovada na cultura regional vão compor a Comissão julgadora. Tanto nas eliminatórias como na final as notas serão de zero a dez. A decisão dos jurados é soberana e não é permitido nenhum recurso para relevá-la.
70 inscritos estão cadastrados e segundo o coordenador do evento, Professor Luizinho Barbosa, quatro Estados do Nordeste tem representação: Bahia, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Ele considera que esse número de participantes superou as expectativas e acredita que o I Festival de Música Popular de Pombal – FEMOP terá uma boa competitividade, pois é o primeiro a se registrar em nossa cidade. Os dias 07 e 08 de maio ficaram reservados para a primeira e segunda eliminatórias, respectivamente; enquanto que a final se dará no dia 09 com o resultado das 12 músicas classificadas nas eliminatórias.
A premiação do I Festival de Música Popular de Pombal obedecerá à seguinte escala de classificação e valores: 1° colocado: Troféu e R$ 800,00; 2° colocado: Troféu e R$ 600,00; 3° colocado Troféu e R$ 400,00; melhor letra: Troféu e R$ 200,00 e melhor arranjo: Troféu e R$ 200,00.
O Primeiro Festival de Música Popular de Pombal contará com uma estrutura de palco e iluminação no Largo da Praça do Centenário de nossa cidade. Na elaboração do Projeto o Professor Luizinho Barbosa vem tendo a colaboração significativa de Laercinho e Mª Alvanira (Aparecida), Ronaldo Leite, Rosa Rejane, José Jerônimo Coelho Neto, Teinha Formiga e Francineide Wanderley Formiga (João Pessoa), Junior Telmo, Associação dos Estudantes Universitário de Pombal – AEUP, Centro Cultural BNB Sousa-PB e outros nomes.
A Cidade estará em festa e se regozijará com a realização do I Festival da Música Popular em Pombal. Parabenizamos o seu idealizador Luizinho Barbosa e queira Deus, que venham outros eventos culturais com o incentivo do Poder Público e das Empresas privadas de nossa terra. Desse modo, como Cajazeiras foi chamada aquela que ensinou a Paraíba a ler, Pombal passe a ser conhecida como terra da Cultura, já que é cidade berço da Paraíba.
SEJAM BEM VINDOS AO NOSSO PRIMEIRO FESTIVAL DE MÚSICA EM POMBAL –FMPOP.
*RADIALISTA.

COMENTÁRIO DA POSTAGEM, CARLÃO: UM AMIGO E TANTO!

Por Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Clemido,
Do que você escreveu a respeito do Carlão, pode-se acrescentar; tirar, porém, não. Carlão é um dos amigos que, ao visitar a Pombal não posso deixar de convidá-lo para um bom papo numa mesa de bar. O melhor é que a despesa é minima pois nenhum dos dois é muito de beber.
Carlão tem sempre bons “caosos” e boas histórias do cotidiano de Pombal, seja nos dias de hoje seja em um tempo passado e isso é muito bom, principalmente para quem pesquisa os acontecimento da nossa terrinha. Ele sabe quem foi preso e por que, quem ta levando cangalha quem já morreu em São Paulo além de possuir um repertorio de piadas com políticos locais de dá inveja.
Se Carlão desse ao trabalho de escrever suas histórias, teríamos muitos motivos para rir e conhecer mais a fundo a nossa terrina. Devo lembrar que ele é um fã e admirador dá carreira de Clemildo, de quem sempre fala com carinho. È um aprendiz dos seus ensinamentos. Pode até perder a amizade, mas, não perde a piada.
Outro dia em viagem, se não me engano para Vitoria do Espirito Santo, Carlão me pegou pelos braços e me levou até a livraria do Aeroporto, onde protagonizou o seguinte diálogo com o gerente da citada Livraria.
Carlão: - Boa noite. Me veja o livro “Sob o Céu Estrelado de Pombal”.
O vendedor, após digitar o nome do livro no computador, olhou para o Carlão e disse: Vendedor: Pelo o título não foi possível, pode me dá o nome do autor:
Carlão: Não é possível que você não tenha esse livro. Ele consta dos mais lidos da lista da Revista Veja. Consulte então pelo nome do autor: JERDIVAN NOBREGA DE ARAÚJO.( eu ao lado)
Mais uma vez o gerente vasculhou seu sistema, inclusive nas filiais e nada. Olhou para Carlão, que continuava sério, enquanto que eu ria com a “presapada”. O Gerente pegou um folha de papel e pediu mais informações, para, segundo ele, fazer o pedido desse livro “tão solicitado”.
Carlão: Trata-se de um escritor que ontem deu uma entrevista no Programa Jó Soares. Ele e já vendeu mais de dez mil livros só este ano, insistiu.
Acredito que ainda hoje o Gerente deve procurar esse livro e o seu autor no seu sistema. Carlão é assim: onde chegar faz a festa. Valeu pela lembrança.
*Escritor pombalense

CARLÃO: UM AMIGO E TANTO!

Clemildo e Carlão (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Seu nome é José Carlos Araújo conhecido por Carlão. Estatura alta, massa corpórea elevada, coração grande em generosidade e disposição em servir ao próximo. Querido e amado por todos que o cercam. Sujeito comunicativo e carismático a ponto de parar o transeunte que o ver conversando com alguém. O seu jeito é descontraído e carrega em sua bagagem humor, tendo em seu modo próprio de contar piadas e estórias, o realce de quem nasceu com esse dom. Nascido a 28 de abril de 1962 na cidade de Patos, mas, há muitos anos radicado em Pombal, veio a ser um pombalense de coração. Se casou com uma filha desta terra e constituiu família. Sua vida profissional é vinculada a comunicação. Submetendo-se a concurso público foi trabalhar como carteiro dos Correios e Telégrafos atividade essa, que por problemas de saúde teve de requerer sua aposentadoria. Paralelamente no início de seu trabalho junto aos Correios, de maneira voluntária ingressou no Lord Amplificador, (década de 70), oportunidade em que ao fornecer a hora certa por aquele Serviço de Alto Falantes, anunciava o filme do dia. Nesse tempo, todo dia, Carlão postava o cartaz do filme ao lado da porta principal do Mercado Público de nossa cidade, tendo por recompensa desse trabalho, acesso grátis permanente - para assistir as películas cinematográficas exibidas naquela casa de diversão. Depois o nosso Carlão veio projetar-se no meio radiofônico e como excelente cronista esportivo, filiou-se a Associação dos Cronistas Esportivos da Paraíba. Pela sua desenvoltura nessa área tornou-se conhecido de seus companheiros de rádios participando de diversas jornadas futebolísticas com transmissões realizadas para emissoras do sertão Paraibano.
Atualmente com o apoio da Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte da Prefeitura Municipal de Pombal que tem como Secretário o jovem Romero Freitas, e com suporte comercial de várias empresas privadas, o nosso Carlão ao lado de Valmir Lima outro profissional do rádio, mantém bem informado os nossos desportistas em um programa de segunda a sexta feira no horário de 17 ás 18 horas na Rádio Maringá 98 FM de Pombal. Ultimamente este amigo e tanto, vem prestando voluntariamente sua colaboração como locutor/apresentador, do Programa – “Seresta ao Vivo /Luar do Sertão” sob a coordenação de Severino Espalha, todos os sábados das 21 às 22 horas pela Rádio Liberdade 96 FM de Pombal. Tenho uma profunda admiração a este companheiro e reconheço suas qualidades de servir ao próximo em tudo aquilo que esteja ao seu alcance.
Carlão está aniversariando neste dia 28 de abril. Movido por um sentimento de amizade sincera a este amigo e tanto, presto-lhe esta simples homenagem em seu natalício. Faço minhas as palavras do grande poeta e compositor brasileiro Vinícius de Morais:
“A GENTE NÃO FAZ AMIGOS, RECONHECE-OS”
Parabéns, Feliz Aniversário!
*RADIALISTA

A CRISE NOS TRÊS PODERES DA REPÚBLICA

Maciel Gonzaga*
Não adianta se querer tapar o sol com uma peneira. Todos os três Poderes da República – Executivo, Legislativo e Judiciário – estão em crise. E crise da braba! A Democracia está em jogo, porque os seus pilares não se respeitam. A República padece da pior das crises: a crise de credibilidade e de confiança. Fica claro para a população, que o comportamento indecoroso de alguns agentes públicos expõe ao desgaste as instituições do Estado aprofundando o descrédito que já o fragiliza perante a sociedade. E mais: a grande carência de Justiça no País tem feito com que a crise se acentue e, com ela, há falta de credibilidade nas instituições e nos homens públicos. A população tem a sensação de que este é o País da impunidade. A voz das ruas é uma só: perdemos a compostura!
A troca pública de ofensas entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa criou uma crise interna na Corte. O clima no tribunal está pesadíssimo, é de impasse, e há total imprevisibilidade se o STF conseguirá concluir outros processos polêmicos em sua pauta, como a votação da Lei de Imprensa prevista para os próximos dias.
A situação poderia estar mais grave caso fosse aprovada uma nota de advertência nominal ao ministro Joaquim Barbosa, discutida durante reunião reservada dos ministros com o presidente Gilmar Mendes, para analisar o ocorrido na sessão. Seria uma tentativa de corrigir os destemperos do colega de Corte que já teve embates e fez grosserias com quase a metade dos ministros do STF. Essa citação poderia ensejar um problema considerado mais grave: o início de um processo formal contra um ministro do STF. Uma advertência nominal contra Joaquim Barbosa poderia ser utilizada formalmente por qualquer pessoa para pedir no Senado a abertura de um processo de impeachment - algo inusitado e inédito na história do STF.
Os dois ministros são contemporâneos. Ambos têm origem humilde, fizeram a mesma faculdade de Direito (na Universidade de Brasília), prestaram o mesmo concurso público (para o Ministério Público) e nunca se entenderam. Gilmar Mendes acha Joaquim Barbosa fraco para o STF, o que deixa esse último indignado. O ministro Joaquim Barbosa não recebe advogados em seu gabinete, o que, de certa forma, o isolou na classe jurídica. Chega a taxar de "tráfico de influência" alguns pedidos de advogados para que ele os receba antes de determinados julgamentos, como é comum em todos os tribunais.
Não há porque se negar que houve certo destempero nos ataques proferidos no plenário do STF. O presidente Lula, por exemplo, chegou a afirmar que a troca de ofensas entre os ministros no plenário do tribunal não representa uma "crise institucional". Mas, será que esse tipo de briga, assistida por toda a sociedade brasileira, ajuda à sociedade e a democracia? Não acredito. Um ministro dizer que o presidente da Suprema Corte do País está destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro é normal? O mal se espalhou pelo Legislativo, onde os políticos se divorciam cada vez mais do povo, que não confia mais neles e hoje os despreza! Temos crise financeira, crise de moral e crise ética interna.
Uma Democracia Republicana não sobrevive sem os seus três poderes saudáveis! Um país onde o Executivo, Legislativo e Judiciário se encontram no estado lamentável do nosso é para nos preocuparmos com sua estabilidade! Os horizontes são sombrios! Está aberto um perigoso caminho que ninguém sabe para onde vamos. Por isso, entendo, é necessário que seja iniciado um processo “limpeza” por parte de todos, incluindo os segmentos de opinião da sociedade, em defesa do BRASIL E DA DEMOCRACIA.
*Jornalista e advogado Natal RN.

COMENTÁRIO: HOMENAGEM A RAPHAEL CARNEIRO ARNAUD

Por Paulo Abrantes*
Parabéns meu caro Clemildo, Comemoramos, neste dia, 25 de Abril, mais um aniversário natalício do nosso especial e dileto amigo Des. Rafhael Carneiro Arnaud. Representa um dia inesquecível para ele e seus familiares e, igualmente inesquecível para todos nós, pois temos a honra de sermos seus conterrâneos e gozarmos de sua terna amizade.
Aniversário é a passagem da vida, onde afloram os mais belos e vivos sentimentos de poesia e de ternura. È o melhor dia dos sorrisos, dos abraços, da emotividade.
Queremos Doutor Rafhael Carneiro Arnaud, exaltar tua personalidade, com as expressões de autenticidade e admiração de seus conterrâneos, rendendo-lhe nossa homenagem enternecida e orgulhosa. Depositário de uma fidalguia incomparável e credor de nossa estima estendem nossa gratidão pelos gestos sempre prontos de generosidade, de atendimento e de acolhida quando estivestes à frente dos altos cargos alcançados na sua trajetória de vida.
Não precisamos dizer que foi aqui em Pombal, nesta bela plaga onde nasceste, onde foram acalentados os ideais da tua adolescência, aqui onde muito jovem alcançou uma cadeira de vereador, aqui foram emoldurados os sonhos de sua vida, impregnados de amor e coragem a trajetória de tuas esperanças, promessas e conquistas.
Como professor de Direito, irradiou luzes por várias gerações e, uma saga orientadora de sucesso, continua a iluminar.
Como Magistrado, sua pena, extrema, profícua e percuciente, penetrou fundo, todos os meandros, todos os matizes, todas as análises, no vasto campo jurídico. Apontou com raro brilho e acuidade, as inúmeras variáveis solucionadoras dos conflitos sociais e direitos do homem. De outra parte, o Des. Rafhael, não foi menos brilhante como cronista, escritor e poeta. Ressurge de suas Obras Literárias e Jurídicas, uma inexcedível compreensão pelo belo, pela verdade, pelo bem e pela valorização do homem, sentimento demonstrado no trabalho escrito sobre “Alcides Carneiro – A Excelsa Oratória poética da Paraíba” em junho de 2006.
Lembramos entre muitos escritos, na solenidade de despedida do Pleno do TJ, no dia 18 de Abril de 2007, após o término de sua caminhada à frente do honroso e altíssimo posto de Presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, afirmou sabiamente: ”Sempre busquei, diuturna e intransigentemente, manter toda a independência na busca e valimento da verdade real, sem permitir que o emocionalismo suplantasse a genuína prestação jurisdicional”.
Vindo de uma edificante trajetória, já bem delineada pelo nosso Clemildo Brunet, tem nobre conterrâneo, Des. Rafhael Carneiro, a flama da honra, a altivez dos desassombrados e a colheita segura e primorosa dos grãos amadurecidos de nosso rincão sertanejo de Nossa Senhora do Bonsucesso.
Receba, digno mestre, os parabéns e a admiração de todos os seus conterrâneos. Sejas feliz e realizado junto a teus dedicados filhos, à beleza e ao charme de dona Mozarina, aos teus amigos e queridos irmão, Dr. Antonio Carneiro Arnaud, Zélia, Gilka e Giselda, para que, possas cultuar, ao longo da existência, o merecido oásis dos vencedores e felizes. Que Deus te abençoe neste dia e sempre.
*Engenheiro Civil e Professor Licenciado em Ciências pela UFPB

HOMENAGEM A RAPHAEL CARNEIRO: "HONRADEZ DA MAGISTRATURA PARAIBANA"

Raphael e Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Ao escrever estas linhas me vêm à lembrança textos bíblicos relacionados ao comportamento humano perante as autoridades constituídas. Paulo o apóstolo diz: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus e as autoridades que existem foram por ele instituídas”. Rm.13:1. Seguindo este pensamento o apóstolo Pedro diz: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem”. I Pe. 2:13,14.
Partindo deste princípio, é minha pretensão homenagear nesta coluna, ao meu amigo e conterrâneo, Dr. Raphael Carneiro Arnaud, pelo transcurso de seu aniversário que ocorre – neste sábado 25 de abril. Nasceu em Pombal no dia 25 de abril de 1937. Filho de Chateaubriand de Sousa Arnaud e Dalva Carneiro Arnaud (em memória). Foi na cidade onde nasceu que aprendeu as primeiras letras na Escola de Custódia Nóbrega, conhecida por Dona Nem. Cursou o primário no Grupo Escolar João da Mata de sua terra natal. O curso ginasial foi no Colégio Diocesano de Patos e o 2º Grau no Colégio Padre Félix, em Recife Pernambuco; sendo que em 1962, graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, pela antiga Faculdade de Direito do Recife. Especialização: Cursos de Criminologia, ministrado pelo Prof. Antonio de Brito Alves, na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco. Literatura Luso-Brasileira, estudos sobre Segurança Nacional e Desenvolvimento Econômico, promovido pela Associação dos Diplomados na Escola Superior de Guerra, Direito Processual Civil, pelo Departamento Geral de Seleção e Desenvolvimento de Pessoal (DESED) do Banco do Brasil, realizado em Brasília (DF)., Participou do Seminário sobre a Lei das Sociedades Anônimas promovido pelo Banco do Brasil S.A., em Salvador Bahia.
Tese escrita sobre “Admissibilidade Legal, em um único instrumento, de Escrituras de Compra e Venda e Abertura de Crédito com Garantia Hipotecária. Tese escrita sobre “Autonomia e Executoriedade do Contrato de Desconto de Títulos de Créditos. Trabalhos escritos: O Magistrado e a Carta Magna (1998), Arma de fogo de uso proibido e de uso permitido (2004), Protesto por Novo Júri (2004), A Inércia Estatal e a prescrição Penal (2004), Do Sigilo Bancário, Fiscal e Telefônico – Implicações Jurídicas (2004), Sistema de Justiça e a Luta pela implementação dos Direitos da Criança e do Adolescente (1998), Juízo de Admissibilidade dos Recursos Cíveis (1998), Declaração dos Direitos Humanos -50º Aniversário (1998), “Epitácio Pessoa; O Estadista; O Jurista”, comemorando os 140 Anos de nascimento do Eminente Estadista Paraibano, proferido no Auditório Alcides Carneiro em 2005. Trabalho escrito sobre “Alcides Carneiro – A Excelsa oratória poética da Paraiba” em junho de 2006.
O Dr. Raphael Carneiro Arnaud ostenta 14 títulos de cidadania de diversos municípios paraibanos, começando por Campina Grande – cidade que ele considera sua segunda terra natal. Professor de Direito Processual Civil na Faculdade de Direito da Universidade Estadual da Paraíba. Presidente do Depto. Jurídico-Assistencial da Faculdade de Direito da UFPE, Assistente Técnico-Informativo do Patronato dos Liberados, Conselho Penitenciário de Pernambuco; Integrante do Escritório de Advocacia do Prof. Mário Neves Batista, em Recife-PE. Advogado do Instituto Nacional da Previdência Social, Conselheiro da OAB – Secção da Paraíba; Presidente da Comissão de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Paraíba; nomeado Desembargador, no quinto constitucional de advogados em 04 de maio de 1988 e empossado no dia 27 de maio do mesmo ano. Presidente por (quatro vezes) da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça; Corregedor-Geral da Justiça no biênio 1991-1992. Autor do anteprojeto do vigente Regimento de Custas Judiciais e Emolumentos Extra-Judiciais na Paraíba (Lei n° 5.672, de 17.11.92). Autor do anteprojeto que explicita dispositivos da Lei Federal n° 8.935, de 18-11-94, que regulamentou o art. 236 da Constituição da República (1966), sobre os serviços notariais e de registro do Estado da Paraíba, atual Lei n° 6.402, de 23/12/96.
O vasto e rico currículo de jurista e magistrado, que é possuidor o nosso estimado desembargador Raphael Carneiro Arnaud, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, ex-vice e ex-presidente do Tribunal Regional Eleitoral, começou a se destacar desde o início de sua carreira profissional na área jurídica. Exerceu várias funções. Em 1964 com as qualidades que lhe são peculiares de excelente orador e redator, assumiu as atividades de advogado do Banco do Brasil, destacou-se muito bem nessa função, ocupando-a durante 18 anos e 6 meses.
Em seguida em 1981, o Dr. Raphael, foi nomeado Chefe de Assessoria Jurídica Regional do mesmo banco em João Pessoa e nessa função durante 6 anos demonstrou sua competência de administrador nato, fazendo excelente trabalho que como resultado de sua ação, ganhou grande conceito junto a Direção Geral da empresa. Pode-se dizer que o Dr. Raphael deixou um marco de saudade naquela casa bancária e lições valiosas de como agir e administrar com diligência. É sempre lembrado como pessoa competente, íntegra e justa.
Raphael, Clemildo e Carneiro Arnaud (Foto)
Em 1976, o Dr. Raphael Carneiro Arnaud, candidatou-se a Prefeito de Pombal pela legenda MDB 2. Foi justamente nessa época que tive o privilégio de conhecê-lo e estreitar nossa amizade. Seu irmão, médico Antonio Carneiro Arnaud, contratou os meus serviços profissionais como locutor, para a campanha eleitoral daquele ano na cidade de Pombal. Desde esse tempo que nutro esta amizade, que é também extensiva a toda família, das campanhas memoráveis da política de seus saudosos tios Deputado Janduhy Carneiro e Senador Ruy Carneiro, sentindo-me privilegiado e honrado por ter participado desse convívio.
Certa vez o Dr. Raphael confidenciou-me, que em 1959 foi eleito vereador em Pombal pelo antigo PSD. Disse-me ele, que foi o vereador da mais curta investidura de recém eleito, pois antes de assumir, teve de renunciar – constrangido, satisfazendo o interesse da legenda deixou a vaga para outro companheiro que havia ficado na suplência.
Em 12 de outubro de 1995, foi inaugurado o Fórum Dr. Francisco Nelson da Nóbrega de Pombal e na mesma data houve a inauguração do Pólo de Informática da Justiça Eleitoral - Desembargador Raphael Carneiro Arnaud, homenagem essa, que o Dr. Raphael chegou a citar em seu discurso, que poderia ter sido dada a outro filho desta terra, o Desembargador Francisco Floriano Peixoto da Nóbrega Espínhola, (saudosa memória). Na sua modéstia, relutou para receber tão grande reconhecimento. Agradecendo a honra que lhe fora dada, o nosso desembargador disse que recebia com orgulho e satisfação a homenagem, pois, ficaria como lembrança de sua passagem pelo Poder Judiciário da Paraíba.
Não seria apenas emprestar seu nome simplesmente a um Pólo de informática em Pombal que marcaria a sua passagem pelo Poder Judiciário de nosso Estado. É óbvio. Impossível relatar tudo na íntegra o que Dr. Raphael fez na Magistratura Paraibana. Procuraremos entre todas, enumerar algumas, quando administrou com muita garra o Poder Judiciário da Paraíba na condição de Presidente do Tribunal de Justiça do nosso Estado e de Presidente do Tribunal Regional Eleitoral.
Um programa que há muito tempo estava para ser posto em evidência foi concretizado na Administração profícua do Dr. Raphael, frente ao Poder Judiciário da Paraiba. A implementação da casa do juiz. Residências destinadas aos juízes com recursos próprios do Poder Judiciário, priorizando as comarcas mais carentes.
Restauração do Palácio da Justiça preservando traços e linhas originais da Sede do Poder Judiciário, obra feita em parceria com a Fundação Banco do Brasil. Construção de poço artesiano no pátio interno do Palácio da Justiça, possibilitando economia de água. Novas Centrais telefônicas nas comarcas de Mamanguape, Rio Tinto, Sapé, Araruna, Itaporanga, Monteiro, Princeza Isabel e Areia, duplicando o sistema na comarca de João Pessoa.
Criação do CAO – Que consiste em assistir as crianças e adolescentes dos 12 a 18 anos que cometem infrações leves são escolarizados recebendo assistência odontológica, orientação psicológica e formação profissional, com o fim de reintegrá-los à sociedade. Com o objetivo de definir políticas publicas em defesa da Criança, o Dr. Raphael, promoveu em três comarcas, encontro com juízes, promotores de justiça, defensores públicos e técnicos do sistema de Justiça da Infância e da Juventude.
Interligação (Modem) e de rede própria com o Tribunal de Justiça, a Intranet. Serviço esse que disponibilizou via computadores à comunicação com órgãos que atuam na defesa dos direitos da criança e do adolescente ligados ao Ministério Público, Defensoria Pública, segurança e serviço social especializado. Cadastro dos móveis e imóveis pertencentes ao Poder Judiciário, Banco de dados com cadastro da população carcerária do Estado e, ainda acesso a informações sobre mandados de prisão. Realização dos 50 – Concurso de Juiz substituto da Paraíba, suprindo as necessidades das comarcas do Estado.
Em 1º de fevereiro de 2000, o Desembargador Raphael Carneiro Arnaud assumiu a Presidência do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. Justamente, aquele era o ano de eleições para Prefeito, Vice Prefeito e Vereadores em todos os Municípios do Estado. Desnecessário se faz registrar o que o Dr. Raphael, realizou em favor da Justiça Eleitoral na Paraíba. Suas as palavras seguras que foram ditas em trechos de seu discurso de Posse, refletiram o que veria ser sua brilhante administração à frente do TRE da Paraíba. “Por não me considerar um noviço neste Colendo Tribunal Regional Eleitoral, eis que no exercício da vice-presidência e por algum tempo, no da corregedoria, submeti ao crivo da minha análise pessoal os mecanismos da sua dinâmica de atividades, podendo afirmar, com segurança, que, de todos os órgãos que a compõem, já formulei conceitos próprios, do ponto de vista de sua eficiência, operacionalidade e objetivos. Os que me conhecem sabem que sou daquela espécie de timoneiro que busca, na responsável condução do barco, aprestá-lo suficientemente para sopear todos os percalços da viagem”
A Câmara Federal tem em seu registro os discursos de dois parlamentares da Paraíba, Álvaro Neto e Roberto Paulino, que enalteceram as realizações do Presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, Desembargador Raphael Carneiro Arnaud. Entre elas: A construção, aparelhamento, modernização e reforma de 20 fóruns, em igual número de municípios do interior do Estado ao litoral. Álvaro fez referência à obra desafio do novo Fórum “Afonso Campos” em Campina Grande. Já Roberto Paulino em pronunciamento no Plenário da Câmara destacou a construção do Fórum de Guarabira.
Dr. Raphael foi também homenageado no Senado Federal pelo então Senador Ronaldo Cunha Lima, ocasião em que o nosso Desembargador estava prestes a deixar a Presidência da Corte maior do nosso Estado. Transcrevo aqui um trecho do discurso de Ronaldo Cunha Lima na Sessão de 11.01.99, do Senado Federal. “A dignidade do Poder Judiciário como um sustentáculo da República e do estado democrático de direito tem em Raphael Carneiro Arnaud um paladino”. E arremata: “Deixa Raphael Carneiro Arnaud a Presidência do Tribunal de Justiça da Paraíba com a merecida grandeza que sempre exigiu a si mesmo. Voltará ao assento de juiz, o qual desempenha com sabedoria bíblica, seguindo o caminho dos escolhidos”.
Em 1968, Dr. Raphael, recebeu homenagem da Assembléia Legislativa da Paraíba, recebendo em sessão especial, a Medalha de Epitácio Pessoa. O Deputado Tião Gomes autor da propositura, no momento da solenidade, referindo-se a Raphael, declarou: “Tenho acompanhado sua trajetória e a gigantesca tarefa que vem encetando para mudar a face da justiça paraibana. Já estive observando que os nossos juízes têm estado mais presente nas discussões dos problemas que envolvem a sociedade e que tratam de questões antes tão distantes da autoridade judiciária”
Dr. Raphael foi também agraciado com a Medalha da Ordem do Mérito Militar, solenidade ocorrida no dia 17 de abril de 1998, durante as comemorações do Dia do Exército, no 1º Grupamento de Engenharia e Construção, onde ele foi recebido com honras militares emprestadas a chefes de estado. A Ordem do Mérito Militar (que tem o Presidente da República como Grão-Mestre) é a mais alta distinção honorífica do Exército. Nesse ato o Presidente do TJ foi admitido no Grau de Oficial.
Por sua participação e atuação nas reuniões do Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais de Justiça brasileiros, o Dr. Raphael foi agraciado com a Medalha do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, reunião realizada em agosto de 1998. A Associação Brasileira de Magistrados e Promotores de Justiça da Infância e da Juventude com sede em Santa Catarina, outorgou-lhe também a Medalha do Mérito da Proteção Integral, a entrega aconteceu em Campina Grande no dia 28 de novembro de 1998. Já em 18 de dezembro a Câmara Municipal de João Pessoa, em sessão solene, outorgou-lhe o Título de Cidadão pessoense e a Medalha de Mérito “Cidade de João Pessoa”.
Em Pombal no dia 14 de novembro de 2007, na Festa em comemoração ao Dia do Radialista, o Desembargador Raphael Carneiro Arnaud, foi agraciado - recebendo o Troféu Imprensa – Radialista Clemildo Brunet, pleito de reconhecimento dos comunicadores da terra de Maringá ao conterrâneo, que honrou de modo digno à categoria de Profissionais do Rádio e a Justiça paraibana, quando de sua passagem pelos diversos graus hierárquico do Poder Judiciário.
De espírito empreendedor, o Dr. Raphael foi alvo de atenção, respeito e reconhecimento da Imprensa, de representantes da classe política, dos meios jurídicos e diversas instituições. Foram muitos os testemunhos, títulos, medalhas e comendas recebidas por ele.
DESEMBARGADOR RAPHAEL CARNEIRO ARNAUD, a Paraíba agradece e Pombal - sua natal sente-se orgulhosa da pujança do trabalho desenvolvido por Vossa Excelência, em todas as esferas do Poder Judiciário de nosso Estado.
PARABÉNS, FELIZ ANIVERSÁRIO.
*RADIALISTA.

LOUCOS DAS RUAS DE POMBAL NOS ANOS 70

Por Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Cabelos vermelhos enlaçados em bobes coloridos, batom escarlate, unhas pintadas e muito pó de arroz no rosto, sapato alto, branco em contraste com uma bolsa chanel em verniz vermelho trajando saia plissada, Luzia Carne Assada é a síntese da deselegância e desce, a passos rápidos, pela Rua do Comércio resmungando palavrões. Atrás, uma procissão de moleques a segue como se seguisse a um carro alegórico. Com sua "verbagem" imprópria, ela não deixa por menos e solta os mais apropriados palavrões.
Bisel jura que não tomou o vinho do Padre Oriel... Mais do que um hábil sacristão que não se esquece de tocar o sino acompanhando a Sagrada oferta, ele é a própria imagem de São Sebastião, sendo diariamente flechado pelas línguas dos que não se conformam em vê-lo, passar em direção à Matriz com o seu “cassete” em punho exibindo seus lábios leporinos, para auxiliar na missa.. Bisel do Padre, Casco de Burro e muitos outros apelidos o têm acompanhado fazendo eco pelas ruas de Pombal.
Bihino e Mussun foram casados e batizados com a fumaça e a cachaça barata dos botecos do Cabaré de Love, onde ele, quando jovem era sanfoneiro, tocando um fole de oito baixos. Mané Doido ou Mané do Chicote é mais respeitado. A sua arma é presença de espírito que não deixa seus algozes sem a devida resposta. Por este particular, é preferível deixá-lo seguir seu caminho em paz, a ter uma resposta mais sã do que a provocação.
Por não ter residência fixa e “mora” nas imediações do Mercado Público. Certa vez, observava atento o cartaz do Cine Lux, exposto ao lado do Mercado Público, enquanto rasgava saborosamente, com os seus dentes podres, um belo pedaço de pão. Vendo aquela cena e não querendo desperdiçar a oportunidade de soltar pilhéria, o Neném da Farmácia, provocou: — Mané doido, comendo pão no meio da rua? O filósofo louco, mais que de imediato, respondeu: —E o senhor quer que eu alugue uma casa só para comer um pão? O velho louco e filósofo quando via duas ou mais pessoas jogando conversa fora, deduzia que estavam mentindo e, como forma de entrar na conversa, chegava bem no meio dos “confabulantes” e dizia: — A conversinha e essa e o bode de Maria de Deca não aparece... Ninguém sabia que bode de Maria de Deca era esse que não aparecia, mas, a máxima tornou-se popular de forma que muita gente passou a usá-la quando queria dizer que pessoas estão falando da vida alheia.
Clóves sabe que o bicho pode ser de águia a vaca e se você insistir pode ser até que seja “a rapariga da sua mãe”. “Nina Pata Choca” acredita que “nessa cidade de fio da puta” só Dr. Avelino é homem de bem”.
“Barrão 70 ganhou este apelido ainda nos anos sessenta; é, entre todos, o mais violento”. Expedito doido e Gerinha são mais pacientes, não são muito de responder aos seus agressores. — Que horas são? — Não sei. O relógio da Coluna Hora nunca tem a hora certa quando se precisa. — Mas quem a terá?
Baixinho, gordo para o sofrimento que carrega sempre vestido com seu completo e surrado terno escuro, com algumas bugigangas dependuradas e apoiando seus quase setenta anos numa refulgente bengala, Zé Capitula mais parece um personagem fugido das histórias de Ariano Suassuna.
Seguido por uma penca de moleques, vem ele lentamente. Se alguém pergunta as horas, e muitos o fazem, ele coloca o anel contra o sol, e diz.... E se você realmente tem um compromisso, não tenha a menor dúvida que ele acertou cada minuto. Como? É a pergunta que fazia em Pombal.
Quando mais novo Zé Capitula era vendedor de água. Cortava Pombal com seus cinco jumentos oferecendo o precioso líquido para os que tinham o prazer de ser seus fregueses. Só vendia água a “doutores” Conta-se que ele era o vendedor de água mais confiável da cidade, no que se diz respeito à higiene e qualidade do produto que se propusera a comercializar, portanto. Sua clientela ela selecionada.
Xica Pavi vende água e bolo na “pedra da estação de trem”. O caneco é amarrado a um cordão. Se o trem parte ela arranca o caneco da boca do cliente de um só puxão, o que nem sempre dá certo... — Fio duma puta: cortou o cordão e levou meu caneco... Bença padim Tonhim me dê uma quarta de café. Nonato só tem respeito mesmo por Tonhim da bodega. Não é agressivo e caminha rápido pelas ruas e avenidas de Pombal como se vivesse sempre atrasado e como as mãos juntas como se dedilhasse um Rosário. Leva e trás recados para Terezinha de Nathan. Às vezes o pego parado por horas a fio, olhando a estrada de ferro que se perde no horizonte, como se naquela estação fosse um dia chegar o seu consciente. Embucharam Maria Buchim mais uma vez, e, mais uma vez, não se sabe quem é pai do rebento. Já Maria do Menino jura que seu filho é a cara de Padre Gualberto. Não tenho noticias de Gerinha faz dias. Bode Véi fede mais que pai de chiqueiro, daí o apelido oportuno. Parrela é cobra de Farmácia, conservado no álcool e Bico Doce continua a enterrar os infelizes defuntos de Pombal.
Talvez seja o sol quente. Talvez seja a ociosidade e a cachaça de graça. A verdade é que Pombal é bem provida de loucos. Cada cabeça um mundo ou cabeças em nenhum mundo. Não sei. São nossos Dom Quixotes em busca de moinhos de vento ou Napoleões e Joanas D’Arcs caídos dos seus cavalos nessa aventura não menos louca que é viver numa cidade esquecida no meio do sertão paraibano nos anos sessenta.
*Escritor Pombalense.

POMBAL: COISAS QUE O TEMPO LEVOU!

Francisco Vieira*
Caminhando despretensiosamente pelas ruas centenárias de Pombal, constatei mudanças que ocorreram ao longo dos anos. Na verdade, um quadro inusitado, melancólico e desagradável, pintado pelo tempo que tornou a cidade mais carente.
Refletindo preocupado, conclui entre outras coisas que a máquina do tempo não pára, é dinâmica. Que seu movimento constante produz resultados diversos; ora positivos ou negativos. Ele é sutil, quase imperceptível. Entretanto, às vezes passa como um vendaval e com uma força incomum, destrói preciosidades, deixando em troca marcas que o próprio tempo, como o tempo, não consegue apagar É que ele aniquila tudo, exceto as lembranças.
Quão grande foi minha surpresa ao ver o DNER, a SAMBRA e BRASIL OITICICA, desativados, e o que é pior, transformados em ruínas. Que diriam seus administradores: Jovem Assis, Seu Inácio, Zé Leite, Zé Assis e Lessa, que comigo e a população, assistiram a formação de filas gigantescas de veículos e utilitários ao longo da rua, João Pessoa, transportando a matéria-prima – oiticica – extração vegetal ainda abundante na região.
Como gostaria de ver novamente o “Avião da Brasil”, trazendo seus diretores, todos americanos. Dava gosto vê-los em “convertation”, embora que de inglês não entendesse patavina. Mas, não gostaria de lembrar que o mesmo avião, ceifou impiedosamente a vida de Afonso Mouta, proprietário do Cine Lux, enlutando a cidade.
Tamanha foi à admiração com o fechamento do único cinema da cidade. Logo o Cine Lux, que fora palco de grandes exibições cinematográficas, shows de artistas renomados e de calouros, onde o patrocínio das Lojas Paulistas, Café Dácio, Macarrão Martoci, Loja dos Pobres significava a garantia do prêmio, a recompensa. Antes, ponto de encontro e referência como o melhor em som e projeção do estado, motivo de orgulho para todos; hoje, prédios residenciais. Somente lembranças. Sua fachada ainda intacta lembra e machuca muito mais.
Com idêntica estranheza vi em lugar do Ginásio Diocesano, outra escola, tal qual o Colégio “Josué Bezerra” – antes Escola Normal “Arruda Câmara” – ambos extintos. Prática dessa natureza ratifica o adágio popular: “descobriram um santo para cobrir outro”. Dos males é o menor em comparação com o Grupo “José Avelino”. Infelizmente o “Grupo do Rói”, como era popularmente conhecido, foi reduzido ao nada. E, por falar nisso, nem mesmo o baixo meretrício existe mais. Em seu lugar o progresso – se é que posso assim chamar – oferece um ambiente mais aconchegante denominado de motel, destinado a casais para encontros amorosos.
Também a Casa da Cultura – antiga Cadeia Velha – não foi poupada. Como que no ostracismo sofreu os efeitos maléficos da exclusão. Durante algum tempo no abandono, seu acervo que deveria ser guardado como bem patrimonial, foi esquecido, sinal evidente de insensatez, desrespeito e desvalorização à nossa história. A cadeia velha, outrora palco de grandes episódios, inclusive de encenações do primeiro filme paraibano de longa metragem: “Fogo - O Salário da Morte” ficou a mercê do descaso de autoridades que ignoram a sua importância. Entregue ao desprezo, oferecia livre acesso aos cães e gatos que se utilizavam de suas dependências mal cuidadas ou descuidadas para satisfazer suas necessidades, até mesmo para procriar e morrer. Resultado: o que já era pouco e limitado reduziu-se a quase nada. Grande parte da nossa história se foi não sei prá onde e nem sei prá que. De certo para não mais voltar.
Atônito, constatei também, que até mesmo a Festa do Rosário – nossa festa maior – não é mais a mesma. Infelizmente o espírito de religiosidade está cedendo espaço para os interesses econômicos e profanos. Como é estranho não contar com a presença do Parque Maia; não ouvir Manuel, com sua voz melodiosa e tonalidade acentuada animando as noites, divulgando as diversas opções de divertimento e anunciando os sucessos musicais mais recentes – todos em vinil – que eram oferecidos pelos casais apaixonados, como prova de amor. E, entre tantas, a mais hilariante dedicatória: “alguém oferece a outro alguém”. Nem mesmo “O GRILO”, jornalzinho de fofocas de responsabilidade de Dr. Lourival Pereira de Oliveira, infelizmente não circula mais. Até mesmo o espírito esportivo da festa o tempo destruiu. Hoje, o que existe de fato é um jornal de caráter político, escrito exclusivamente com fins promocionais em benefício dos que se acham no poder. Nele o que menos se fala é na festa do rosário.
Prosseguindo a caminhada, continuei na busca perdida do que não mais existe. Busquei à toa as grandes festas dançantes do Pombal Ideal Clube e Sede Operária. Esperei em vão na plataforma da estação ferroviária a chegada do trem de passageiros que se foi e não mais voltou. Também busquei sem encontrar a primeira concessionária da Chevrolet do sertão, instalada na década de 40, à rua, Joubert de Carvalho. Seu gerente é atualmente diretor proprietário das tradicionais Casas José Araújo – “onde tudo é mais barato”. Da mesma forma procurei perdidamente as agências do Paraiban, Bradesco e Algodoeira “Paulo Pereira.”, transformada em cooperativa e hoje em estado de liquidação, onde suas dependências se transformaram em depósitos de ferro velho.
Em que pese ser uma cidade centenária, Pombal mostrou-se acomodada no passado; assistiu indiferente o desenrolar do progresso em sua volta, ação passiva que lhe custou à perda de espaços e subordinação a outros municípios. A propósito, citamos como exemplo: Receita Federal, Núcleo de Saúde, Região de Ensino, Delegacia do Serviço Militar e Cagepa, sediadas em Sousa, assim como a Superintendência da Receita Estadual em Catolé do Rocha. E, Pombal, embora mais antiga, rendeu-se a elas, contrariando o ditado de que “antiguidade é posto”. Como que num sentido figurado, hipotético e alegórico, tornou-se costumeiro se dizer: “o que é bom não chega a Pombal, vai sempre para outro lugar”. Seguindo esse pensamento, Joquinha Queiroga, com seu espírito jocoso, ironizou dizendo: “Pombal tem a sorte tão mesquinha, que até uma tromba d’água que lhe foi destinada, foi desviada para a cidade vizinha. Que moleza”.
Enfim, um alento: o “Sinhá Carneiro”, primeiro hospital da região, construído pelos esforços do saudoso Mons. Vicente Freitas”, fechado há anos, acha-se de cara nova, graças ao trabalho incansável de Dr. Eliseu José de Melo Neto, portanto, digno do nosso respeito, aplauso e louvor. Com certeza, depois de reformado esta criança terá muitos pais.
Infelizmente, quase nada mudou. O descaso continua. Assim é que vemos com tristeza e revolta a torre da Igreja de N. S. do Bom Sucesso – nosso maior templo religioso - prestes a ruir. Enquanto isso, as autoridades permanecem de braços cruzados esperando o pior acontecer. Louve-se aqui o esforço do pároco Padre. Ernaldo José de Sousa e a população unida no sentido de solucionar o problema e evitar que mais um marco histórico seja destruído e caia no rol do esquecimento.
Diante desse quadro constrangedor e revoltante me vem naturalmente à indagação lógica: que razões motivaram tais atitudes que inibiram nosso desenvolvimento e desnortearam nossa história? Disposto a não ferir com a descrição da verdade nem tampouco desagradar com justiça, prefiro não fazer referências a ninguém. Enfim, somos todos responsáveis. Acredito ser esta a resposta mais coerente. O mínimo que podemos fazer é reclamar das autoridades constituídas; atitudes sempre constantes de Jerdivan Araújo, Inácio e José Tavares, Romero Cardoso, Werneck Abrantes e outros que também amam Pombal. Somos todos fidelíssimos escudeiros do nosso patrimônio histórico.
Seguindo a mesma visão lendária da Cabocla Maringá, inspiração poética e musical de Joubert de Carvalho e que se tornou mais que uma canção – um Hino, pergunta-se: qual seria a sua reação se ela aqui voltasse? Certamente, não seria outra, senão, revolta e indignação. Decepcionada por não encontrar o desenvolvimento que o tempo, em tanto tempo não construiu, seria retirante outra vez e deixaria novamente o coração do caboclo desassossegado.
Bem, basta de lamentações; chega de pessimismo, pois sentimentos dessa natureza só nos levam ao sofrimento. Acreditemos que novos ares virão e com eles o progresso para justificar nosso amor e orgulho pela terrinha. Afinal, ainda vale a pena ser pombalense.
Portanto, guardemos de Pombal as mais remotas e jubilosas lembranças de tudo que o tempo levou. E, lembrando, o façamos como alerta na esperança de que os erros cometidos no passado servirão de lições para uma arrancada em busca do desenvolvimento que não veio. Não deixemos o tempo destruir nossa história. Nós somos responsáveis.
SALVE POMBAL, A TERRA DE MARINGÁ.
*Professor e Ex-Diretor da Escola Estadual João da Mata

OS SERESTEIROS: UMA BREVE HISTÓRIA

Reminiscências 03 Por Ignácio Tavares.
A serenata funcionava como um forte apelo romântico/sentimental quando se buscava reanimar os namoros interrompidos. Servia ainda para declarar uma paixão enrustida, guardada a sete chaves, não revelada por absoluta timidez. Era também um modo de fazer galanteios, em plena madrugada, àquela jovem indiferente aos acenos de uma proposta de namoro, entre outras coisas mais.
A tradição oral registra que, aqui na terrinha, o hábito de fazer serenata vem dos velhos seresteiros de então. Eram jovens apaixonados que, de violões em punho, quebravam o silencio da madrugada ao som de primas e bordões, acordes e canções dolentes que faziam amolecer o mais duros dos corações. Caminhavam pelas ruas de chão batido ao clarão de lampiões de gás, a cantarolar canções de amor ao gosto da Sinhá Mocinha, que, recolhida em sua alcova punha-se a jogar bilhetinhos românticos pelas brechas das janelas.
Os bardos seresteiros, movidos pela paixão, entregavam-se ao sereno da noite para demonstrar quão grande era o amor que nutriam por suas respectivas namoradas. Eram jovens notívagos, românticos, vivendo as delicias da vida que a juventude lhes proporcionava. Cantavam modinhas e valsas apaixonadas ao gosto da época. Entre os mais conhecidos, pelo menos em nomes, destacam-se: Zé Venâncio, Júlio Benigno, os irmãos Déca e Anísio Medeiros, Ruy e Chico Carneiro, Nô Formiga, China, Chico Espalha, Custódio Santana, entre outros.
Ao encerrar o ciclo dos velhos seresteiros, um pouco mais a frente, já nos anos quarenta e parte dos anos cinqüenta, outros cantores da madrugada entraram em cena seguindo a mesma linha melódica dos cancioneiros dos anos trinta. Refiro-me aos irmãos Doutor e Severino Espalha, seus sobrinhos Bideca e Chico de Doura, ainda, Adamastor, Pixica, Joaquim Cândido, Manoel de Donária e tantos outros. Conheci essas fascinantes criaturas. Cheguei até a participar de alguns saraus com a presença desses monstros sagrados da seresta nossa de cada madrugada.
(Foto ilustrativa)
A terceira geração de seresteiros surgiu no final dos anos cinqüenta ao começo dos anos sessenta. Fomos a geração dos anos dourados. Ao ingressarmos no clube dos cantores da madrugada, contamos com a ajuda de um grande mestre, de saudosa memória, remanescente da geração anterior. Refiro-me a Chico de Doura que já não está mais entre nós. Exímio violonista que foi não se furtava, quando necessário, a nos ensinar as batidas do violão quando nos propúnhamos acompanhar um colega que gostava de cantar músicas e letras antigas. Sempre que saíamos pela madrugada estava Chico de Doura ao nosso lado, atento para tudo que fazíamos no manuseio do violão. Grande Chico, grande mestre, descanse em paz na casa do amor sem fim.
Em pouco tempo conseguimos vida própria, à exemplo dos outros grupos que partilhavam as madrugadas com os mesmos objetivos, qual seja, cantar para a mulher amada ou para uma jovem indecisa a uma proposta de namoro. Havia vários grupos de seresteiros, mas, dois, se destacaram. Um grupo reunia Pedoca de Déca, Silas, Ignácio Tavares, Ubirajara de Neo Barbeiro, Tarcisio Formiga, Sebastião Nery (nego Nero), Raimundo de dona Paulina, Xixico, Zé Avelino Vilar e tantos outros. O outro grupo era o de Zé Cleôncio, Sales de Biró Marques, Arnaldo Medeiros, entre outros que me fogem a memória.
Vez por outra o nosso grupo recebia algumas figuras especiais que também gostavam da madrugada. Zé Avelino de Dete, Edrizio Roque, engrossavam às vezes as nossas fileiras. Vez por outra a gente tinha que enfrentar o senhor delegado que tentava impedir a presença de seresteiros pelas ruas da cidade. Realmente isso aconteceu e nos deixou preocupados.
O sargento Mota, responsável pelo policiamento noturno, proibiu, a realização de serenatas. A gente nunca levou a sério essas loucuras de Mota, por isso estávamos sempre a ser seguido por policiais, contudo, sem maiores problemas. Aconteceu certo dia, o Dr. Nias Gadelha, então Juiz de Direito da Comarca de Pombal, resolveu acabar de uma vez por toda com essa história. Aceitou fazer uma serenata com a gente.
Nias tocava saxofone e era chegado a uma boa noitada. Tudo bem. Encontramos-nos em lugar previamente marcado, com os violões e o alforje cheio bebidas e tira gosto. Fomos ensaiar em frente ao sobrado que pertenceu a Aníbal Herculado, situado à Rua Domingos Medeiros. Num dado momento, Nias estava a solar uma valsa, qual foi a nossa surpresa quando ouvimos uma voz de prisão. Um pelotão de seis soldados marchou em nossa direção tendo a frente o sargento Mota.
Ao aproximar-se falou em voz alta: ¨teja preso todo mundo¨! Fomos cercados, só que o sargento ficou surpreso quando viu o Dr. Nias. Sem entender nada falou: Ô xente! É o Senhor Dr. Nias? ¨Vixe Maria! Como o Senhor toca bem¨! ¨Estou todo arrepiado¨! Nias permaneceu em silêncio, nada falou. O sargento rodopiou, deu meia volta e se retirou com seus comandados. O certo é que Mota nunca mais proibiu serenata. Nias foi o nosso amigo de todas as horas que sempre reservou parte do seu tempo para vivermos alguns momentos de lazer e alegria.
Com efeito, sem proibições mergulhávamos noite adentro a cantarolar ¨boleros¨ ¨samba canção¨, ¨bossa nova¨, músicas da ¨jovem guarda¨, em vez das modinhas, valsas, muito em voga na época dos seresteiros que nos antecederam. As madrugadas nos pertenciam, principalmente nas noites enluaradas. Foi muito bom e divertido enquanto durou. Infelizmente, o ciclo das serestas terminou com a nossa geração.
A cidade cresceu, as opções de lazer multiplicaram-se, os seresteiros aposentaram os violões, a exceção por ocasião de festinhas íntimas, porem sem o brilho do toque das primas e bordões e dos acordes, ao longo das madrugadas. Tudo terminou para não mais voltar. Modernidade e romantismo não andam de mãos dadas.
Hoje, os namoros começam através de um simples e-mail e termina também através de um indiferente e-mail. Não existe mais o ritual da conquista, através do qual se pactuava o inicio de um namoro, que quase sempre resultava em casamento. Tudo está consumado, só nos resta gravar no jazigo do finado ¨bons tempo, o epitáfio seguinte: ¨Confesso que Vivi e fui Feliz¨. Aos amigos seresteiros que resistem a ação do tempo e ainda estão por aqui, um forte abraço.
João Pessoa, 19 de Abril de 2009
Ignácio Tavares

CLEMILDO FEZ ESCOLA ( III ) "No tempo que o rádio era feito de improviso"

Zeilto Trajano: 27 sete anos depois de sua morte.

Por Paulo Abrantes*

O Radialista Zeilto Trajano é considerado um dos mais completos comunicadores de rádio que o sertão já conheceu; conhecido como o homem dos sete instrumentos; possuía vários talentos, sobretudo o de músico, mas o que mais gostava e o envaidecia era o de radialista. Foi diretor de rádio, músico, garoto propaganda, animador de auditório, compositor, mestre de cerimônia, ele foi essencialmente um homem de rádio. Encantava no homem, de início, a simplicidade no trato e a humildade de quem era, sem dúvida, um dos maiores nomes do rádio no sertão da Paraíba. Nasceu em Pombal, a 16 de Abril de 1944, que se vivo estivesse, estaria completando hoje, 65 anos de idade. Morreu na cidade de João Pessoa, acometido de um aneurisma cerebral no dia 25 de agosto de 1982.

Segundo Verneck Abrantes, (foto) meu primo, em 1967, Zeilto Trajano tinha um programa musical na Rádio A VOZ DA CIDADE chamado “Almoço à Brasileira” de entretenimento e brindes a quem respondesse corretamente as perguntas que o mesmo fazia, sob o patrocínio do Cine Lux. Entre os brindes, Galdino Mouta ofertou dois ingressos para a entrada no Cine Lux a quem dissesse o nome da trilha sonora de um determinado filme. Decorridas duas semanas, depois de Zeilto ter repassado outros prêmios para os ouvintes participantes, não conseguia ofertar o brinde do Cine Lux, aparentemente porque as pessoas não tinham a resposta certa para a pergunta. Numa certa manhã, o adolescente Alexsander, filho de João e Neves de Serapião, estava junto com outros colegas na casa de seu Lelé, momento em que o rádio ligado no programa e Zeilto coloca a trilha sonora e pergunta mais uma vez o nome do filme. Uns ficaram olhando para o outro, e eu (Verneck), que ia chegando falei: É a música do filme: O Homem Que Sabia Demais. Alesxander rapidamente correu para o telefone e ligou para a Rádio informando o nome do filme. Zeilto, surpreso, diz que o filme é um clássico, tem uma das trilhas mais famosas da cinematografia mundial, é antigo, achava que ninguém ia responder. Então, perguntou como ele conseguiu a resposta. Alexsander todo garboso respondeu: É porque eu sou um intelectual, só gosto de filme de arte e de música clássica. Tinha na época, Alexsander, apenas 15 anos de idade; desinibido e cheio de energia, à noite foi assistir, de graça, mais uma obra prima dos filmes que Galdino costumava exibir no nosso saudoso Cine Lux.

Em depoimento, sobre sua morte, Clemildo escreveu: “Esse radialista emudeceu sua voz que arrebatava ouvintes e empolgava multidões”. Polêmico, vibrante, versátil, ativo e participante, um polivalente. “Expoente da Comunicação”! Enfatizou ainda: ”Zeilto era conhecido pela sua habilidade nas artes, era músico e como tal, fundou sua própria Orquestra, em Cajazeiras, cidade onde atuou como diretor da Rádio Alto Piranhas por longos dezoito anos, chamada Orquestra “CHAVERON”; formou mais duas orquestras: A CHAVEREQUE e a ORITIMBÓ, isto no decorrer de três anos, animando os carnavais na região e uma vez animou um carnaval no Pombal Ideal Clube. Compôs uma música de carnaval com o título: “Maroaje”. Amou tanto a terra de Padre Rolim, que criou dois slogans para enaltecer Cajazeiras: Costumava dizer nos microfones da Rádio Alto Piranhas: “Minha linda Cajazeiras” e em uma vinheta da emissora: “Rádio Alto Piranhas a única emissora em Cajazeiras que o Nordeste conhece”. Após dezoito anos na Rádio Alto Piranhas, Zeilto foi levar a sua voz para João Pessoa, assumindo a direção comercial da Rádio Arapuã e despertava os pessoenses com o seu Programa: “Café da Manhã”. Um dia, completou Clemildo: “No cumprimento de sua missão, Zeilto trilhou a sua última caminhada no rádio, estava cumprindo sua última jornada de trabalho, sem saber que aquele dia, seria o último de sua carreira. Compareceu ao aeroporto – Castro Pinto, para fazer a cobertura jornalística da visita do Presidente da República, João Batista de Figueiredo. Zeilto, com brilhantismo, fez o seu trabalho e ao finalizá-lo, de repente, se sentiu cansado, debruçou-se sobre a direção de seu carro e suspirou: “Está escurecendo”, foram suas últimas palavras”. Zeilto Trajano de Sousa, era filho do casal Otacílio e Nely (in memoriam), tendo como irmãos, Mª do Socorro, Zelita, Francisca Zita, Mª do Carmo e Otacílio Trajano, talentoso locutor, atuando em emissora de rádio nesta Capital. Zeilto, casou-se com Francisca de Lima Sousa, com teve quatro filhas: Nadja Rejane, Alba, Kátia e Márcia. Concluindo, devo afirmar que a figura de Zeilto Trajano perdurará como um exemplo, pois serviu exclusivamente, para os valores profissionais em que acreditou desde sua juventude, período em que iniciou sua carreira radiofônica na emissora de rádio “A VOZ DA CIDADE” e partiu em busca de novos horizontes. À medida que ele evoluiu, mais se cristalizou em seu pensamento a importância desses valores, aos quais mais se dedicou, desprendendo-se, por isso mesmo, dos valores materiais, para dar lugar aos espirituais. Sua vida teve o melhor sentido: o do aperfeiçoamento do valor humano, e – em nome desse ideal – não usufruiu as vantagens do comodismo ou do oportunismo. Seguindo o pensamento altruísta de Dr. Maciel Gonzaga de Luna, no propósito de homenagear Zeilto com uma estátua, para que perpetuasse a sua imagem, eu também gostaria de sugerir à Câmara Municipal de Pombal a criação da outorga do Troféu Zeilto Trajano. Suas contribuições aos meios radiofônicos garantirão sua imortalidade, já que suas aptidões permanecerão em lugar de honra, nessa enorme galeria dos desbravadores da nossa radiodifusão. Zeilto, a história saberá fazer justiça. *Engenheiro Civil. João Pessoa – Paraíba.

"O CAMPINHO DO GINÁSIO DIOCESANO"

Eronildo Barbosa (foto)
Por Eronildo Barbosa*
Estive em Pombal na semana passada. Fui matar a saudade dos amigos e familiares que não via há algum tempo. Minha passagem pela terrinha foi rápida, porém, suficiente para visitar vestígios de alguns lugares mágicos que tiveram grande importância na minha e na juventude de muita gente. A minha idéia é escrever alguns artigos sobre Pombal para que as novas gerações conheçam parte da história do município pelo olhar daqueles que viveram nele na década de 1970. Que assistiram a chegada da água encanada, da televisão, do rádio, das rodovias asfaltadas, do colégio estadual, do telefone, além de terem curtido os programas do Lord Amplificador e dançado ao som dos Águias no Pombal Ideal Clube.
Na verdade estou seguindo os passos de uma nova safra de pesquisadores da cidade como Wertevam, Jerdivam, José Tavares, Werneck, Luizinho, entre outros, comprometidos com o resgate da história oral e documental da sua terra. Escolhi, nessa oportunidade, o “campinho” do ginásio para tecer algumas considerações sobre as centenas de tardes que passei ali, ao lado de outros moleques da minha idade, cuja preocupação principal era se divertir jogando bola. A política não tinha entrado ainda no meu sangue. No início da década de setenta, para nossa turma, o campinho do ginásio era a mais importante praça de esporte da cidade.
Quem passa hoje pela lateral do antigo ginásio, agora Colégio Polivalente, não sabe que, todas as tardes, após às 15 horas, dezenas de jovens se reuniam ali para viver as emoções que só uma partida de futebol pode oferecer. A clientela era formada por adolescentes na faixa dos 13 aos 15 anos, mas participavam também atletas mais velhos, aqueles que não conseguiam vaga para jogar na quadra do ginásio, onde se reuniam os amantes do futebol de salão, entre eles, o diretor do ginásio, Padre Martinho Salgado, dono de uma discreta habilidade dentro das quatro linhas.
A nossa cancha, como chamavam os locutores da época, tinha algo em torno de 30 metros de fundo, por 15 de largura, era de terra batida, embora em alguns lugares tivesse restos de grama. As traves eram de pedras, mas serviam também as nossas sandálias, hawaianas, ou nossas camisas já que todo mundo jogava nu da cintura para cima. Os jogadores que vinham do centro da cidade entravam no campo por uma abertura que existia no antigo muro, antes, pórem, tinham que ultrapassar um riacho que margeava nossa arena (hoje ele corre dentro de uma galeria) se equilibrando em cima de pedras. Esse esforço era parte do processo de aquecimento dos boleiros. A bola não era de couro. Jogávamos com uma de plástico, muito boa, pesada, cuja marca eu acho que era Rivelino, entretanto, Dedé, meu primo, que mora em João Pessoa, jurou de pé junto que a marca era Canarinho. O problema é que ela não podia ver uma arame farpado ou espinho, coisas que não faltavam nas imediações do campo. As partidas tinham duração de quinze minutos, ou saía antes o time que tomasse dois gols. A equipe que ganhava continuava no jogo até perder ou desistir pelo cansaço. Dezenas de jogadores ficavam sentados na base do muro esperando a sua hora de entrar. Nesse interregno, entre outras coisas, aproveitavam para dar o famoso “nó de jabá” nas camisas dos que estavam em campo. Os mais grosseiros faziam xixi no lugar do nó o que dificultava ainda mais o desatamento. Não havia árbitro. Os jogadores é que definiam o que era falta e o que não era.
Havia alguma confusão, mas algo infinitamente menor dos que os jogos com juiz e bandeirinha que assistimos hoje. A vontade de continuar jogando era bem maior que qualquer falta sem maior comprometimento. Não tinha essa história de cair. O que queríamos era fazer gols. Todos sonhavam em ser um jogador de futebol como diz a bela melodia (é uma partida de futebol) da banda Skank. Havia algumas pequenas desavenças, é verdade, mas tudo no limite da ética peladeira. Terminava o jogo, terminava a “treta”. Qualquer diferença era resolvida ali mesmo. Do campo, só levávamos a vontade de voltar no outro dia, na mesma hora,com as mesmas pessoas, para fazer o que mais gostávamos: correr atrás de uma bola. Cada time era formado por cinco jogadores. Os craques, aqueles que todo mundo queria ter no seu time eram Tostão, Butijinha, Durão, Pacote, Memem, Preto, Careca e o negro Gato, pessoa boníssima e ótimo atleta.
Em outro nível, mais baixo, destacavam-se Diar, Didi, Kaka, Miguel, Marinho, Wilson, Dema, Macaco, Odilon, o autor, Zé de Margarida, Dabelo, Jurandir, Sousa, entre outros que o tempo, lamentavelmente, conseguiu apagar da minha memória, mas não do coração. A turma que chegava mais cedo, o autor entre eles, depois de algumas partidas ainda tinha disposição para ir assistir o final do treino do São Cristóvão no campo do Aveloz, antes, ainda mexia com os animais do circo que geralmente ficava armado nas imediações do ginásio. Não esquecia de localizar o melhor lugar para varar a cerca do circo, à noite, e, assim, assistir o espetáculo na “faixa”.
No campo do São Cristóvão vibrávamos com as jogadas de Ridinei, Condida, Mosquito e Panela, com os requebros de Vandeca, além das defesas do “nêgo” Adelson, que mesmo com baixa estatura, foi um dos mais festejados arqueiros da história de Pombal. Aliás, contam os mais velhos que, muitas vezes, na noite anterior ao jogo, a policia prendia “nêgo” Adelson, a pedido dos cartolas do São Cristóvão, só o liberando momentos antes do jogo. Esse recurso, condenável evidentemente, era adotado para evitar que ele enchesse a cara de cachaça no dia do jogo.
Voltando ao nosso campinho, quando o jogo terminava por volta das 17:30 horas, muitos iam beber suco ( que mais parecia tinta) no bar do Lelê, comer pão com creme na bodega do Toinho, ou tomar banho nas três pedras do rio, lugar que, até hoje, nunca consegui encontrar outro igual.
Esse campo de futebol, como outras coisas de Pombal, apesar de estar muito longe, moro em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, continua nas minhas lembranças, alertando-me, sempre, como um fiel guarda, que minhas raízes, fortes e boas, estão sediadas na terra de Maringá. Até o próximo. Um forte abraço aos velhos boleiros do campinho.
*Professor universitário. Campo Grande - Mato Grosso do Sul.
Em, 16/04/2009.

NO SERTÃO RENASCEM AS ESPERANÇAS...

UM SERTÂO TODO VERDE (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
A vida no semi-árido nordestino tem na pessoa do sertanejo o quadro prático de viver de esperanças. Paciência e perseverança - somadas juntas gera esperança; principalmente para quem exercita o cultivo da terra e dela tira o seu sustento e o da família. Numa alusão de se ter esperança na vinda do Senhor, o apóstolo Tiago usa a figura do lavrador. Diz ele: “eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas”. Tg. 5:7b.
Aqui não é diferente. Vivemos na expectativa de dias melhores aguardando com ansiedade um inverno promissor. Sempre nos primeiros meses do ano queremos saber como serão as precipitações pluviométricas; diga-se de passagem, nos últimos tempos tem se registrado mudanças até mesmo no ciclo da temperatura; variações na umidade do ar ocasionando mutações em que em outras épocas nesse mesmo período o clima era um só.
De uma década para cá, os meteorologistas vêm acertando pouco em suas previsões sobre o tempo. Parece que a natureza está a reclamar o modo como vem sendo agredida pela espécie humana, prioritariamente no que diz respeito ao descaso com o meio ambiente. O verão do ano passado para este ano, registrou alta de temperatura em graus elevados nunca visto em outras épocas.
Há prenúncios sobre chuvas em algumas localidades não somente no Nordeste, mas também no sul do País. Acompanhamos pela TV, há poucos meses, as enchentes em Santa Catarina, Minas Gerais, boa parte do Rio de Janeiro e em São Paulo. A meteorologia alertava na semana passada a Defesa Civil de nove Estados brasileiros da possibilidade de fortes precipitações acompanhadas de descargas elétricas em várias regiões do Norte, Sul e Nordeste.
É verdade que a natureza mostra sinais que podem indicar um bom ou regular inverno. Em meados do mês de março se fez uma longa estiagem, justamente onde a predominância do pensamento sertanejo era a esperança de que as chuvas haveriam de chegar a partir do dia 19, o chamado dia de São José; o que não aconteceu! Registre-se, pois, que esta falta de chuva por este tempo se deu na maior parte do semi-árido nordestino.
O homem do campo em suas observações prevê que sinais como as formigas trabalhando no verão, a rã raspando no fundo do pote, as mangueiras dando o seu fruto em grande quantidade na época de sua safra e lagartixa caindo do telhado, servem como indícios de um inverno promissor. São apenas indicativos que alimentam a esperança do homem do sertão, no entanto, não há explicações científicas.
Outros observam o tempo através do comportamento das nuvens e dos animais. Se durante a primeira lua cheia de janeiro for marcada por relâmpagos é sinal de bom inverno. Francisco de Assis Gomes - natural de Conceição, conhecido como Chico do rádio em Cajazeiras, é um dos mais populares profetas do sertão. Ele declara que para fazer suas previsões, todos os anos, baseia-se em mais de umas dezenas de experiências e observações, ouve a opinião de 12 velhos agricultores de vários municípios sertanejos.
É na crença das observações que o agricultor José Alves Monteiro, da região de Teixeira aqui na Paraíba, afirmou que desde 1953, costuma se orientar pelos planetas que em sua opinião são os astros do inverno. “Se a estrela Dalva estiver no poente com inclinação para o lado Norte, é um bom sinal para a chegada das chuvas”.
Mais nada disso acontecerá! Deus está no controle de tudo! A promessa que está na sua palavra é infalível: “Darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que recolhais o vosso cereal, e o vosso vinho e o vosso azeite. Darei erva no vosso campo aos vossos gados, e comereis e vos fartareis”.Dt.11:14 e 15.
Estamos em abril, desde o último dia 09 que reacenderam as esperanças dos lavradores, pois as precipitações pluviométricas voltaram. Mas é preciso lembrar também que as previsões climáticas nem sempre se concretizam. O aumento da emissão de poluentes provocado pelas queimadas, o aquecimento das águas oceânicas devido a erupções de vulcões submersos e fenômenos como o El Nino, pode fazer com que haja mudanças climáticas significativas.
No último dia 13 na cidade de Patos, lugar conhecido como morada do sol, o registro de precipitação pluviométrica em um só dia foi de 284 milímetros, onde dois açudes existentes na cidade sangraram. Casas e ruas foram tomadas pelas águas causando verdadeiro transtorno a população ribeirinha. Até o Governador José Maranhão veio a Patos juntamente com a Defesa Civil para inspecionar in loco os estragos causados pelas fortes chuvas caídas em um só dia. Segundo os especialistas no assunto, essa precipitação bem equacionada durante três meses, daria um bom inverno para a região das espinharas.
Cerca de 90% (noventa por cento) do nosso Estado é dominado pelo clima semi-árido, mesmo assim, apesar dos estragos causados pelas enchentes em algumas áreas, com as chuvas que estão chegando, no sertão renascem as esperanças!
*RADIALISTA.

VALE A PENA SE CUIDAR

Mª do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta* No mundo moderno, era da tecnologia e da liberdade de pensamento, observa-se que os jovens têm maior poder de escolha e também acesso privilegiado às informações. Muitos vivem na fase do “... eu quero mais é beijar na boca...”, seguindo “modismos” e, apesar de todo conhecimento que os cerca, esquecem que os ditados populares antigos, a exemplo do “melhor prevenir do que remediar” ainda são verdadeiros.
É pensando nessa forma de agir, na rápida disseminação de patologias mil e também na importância da prevenção, que será abordado o herpes simples, doença tão falada, mas, para alguns, pouco esclarecida.
Herpes simples é uma moléstia infecciosa, de grande contágio, causada por vírus da família Herpesviridae. Existem dois tipos principais: o Herpes Simplex Vírus 1 (HSV-1), o qual provoca, mais comumente, herpes labial e o Herpes Simplex Vírus 2 (HSV-2), que causa, mais frequentemente, herpes genital.
A transmissão se dá, preferencialmente, por contato íntimo, direto, com o indivíduo transmissor do vírus, a partir de superfície mucosa ou lesão infectante. O rompimento das bolhas, que surgem durante a manifestação dos sintomas, elimina líquido potencialmente transmissor. Embora raras as infecções por aerossóis ou objetos contaminados (o HSV é rapidamente inativado em temperatura ambiente e após secagem), elas podem ocorrer. (Guia de Bolso – Doenças Infecciosas e Parasitárias – Ministério da Saúde, 2008).
Há também a transmissão da mãe para o feto, que pode acontecer durante a gravidez ou no momento do parto (passagem pelo canal do parto). Nesses casos, a cesárea é recomendada. Além disso, é importante destacar que o herpes genital pode ser transmitido através de quaisquer práticas sexuais (oral, anal e vaginal) sem preservativo.
Outro fator que merece atenção: segundo a Dra. Cristina Abdalla (médica dermatologista que trabalha no Hospital Sírio-Libanês), um mesmo indivíduo pode ter vírus dos dois tipos, ou seja, desenvolver imunidade contra um não assegura imunidade contra o outro.
Acerca da ação do vírus, sabe-se que ele passa pelas terminações nervosas, atinge a pele, produz alterações e gera a formação de vesículas (bolhas), as quais, após cerca de 7 a 10 dias, ressecam, cicatrizam e desaparecem. Episódios semelhantes voltam a ocorrer porque o vírus, o qual se encontra latente, volta a agir, quando o indivíduo sofre algum traumatismo, apresenta estresse, se expõe ao Sol em demasia ou se encontra debilitado.
O indivíduo pode ser assintomático ou apresentar desde queixas brandas como: mal-estar, febre, desconforto, feridas em várias partes do corpo (acometidas pelo vírus) até problemas mais sérios, a exemplo de encefalite, que pode causar danos neurológicos. O diagnóstico é clínico, podendo ser acrescido de exames laboratoriais para confirmação.
É uma doença que apresenta tratamento, o qual é feito através de medicamentos antivirais orais e/ou tópicos, objetivando redução dos sintomas, prevenir complicações e reduzir a transmissão. Uma vez infectado, o indivíduo terá de lidar com o vírus ao longo da vida, podendo desenvolver sintomas ou não.
De acordo com estudos (Lupi O, 1996), a infecção pelo HSV-1 tem se tornado cada vez mais precoce na população de classe média européia e norte-americana, estando presente na forma latente em indivíduos cada vez mais jovens. Sendo assim, torna-se necessário tomar medidas que evitem o aumento da transmissão.
No tocante à prevenção, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Sociedade Brasileira de Infectologia, recomendam que o paciente tenha cuidados com a higiene, lave bem as mãos, evite contato direto com outras pessoas, identifique as causas que desencadeiam os surtos recorrentes para evitá-los, não fure as bolhas sob nenhum pretexto, evite beijar ou falar muito próximo de outras pessoas (se a localização for labial), evite relações sexuais (se a localização for genital), evite contato com lesões evidentes.
Diante do exposto, verifica-se que é preciso ter responsabilidade em cada atitude e que “ir na onda” nem sempre é uma boa opção, pois pequenos gestos provocam graves conseqüências, com agressão física e também moral. Pensem nisso.
Para maiores esclarecimentos, consulte um dermatologista ou um infectologista. Em caso de dúvidas, e-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
*Mais conhecida como Cessinha, acadêmica do 6º período de medicina da
Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande.

Comentário sobre "Páscoa" Texto Expositivo de Clemildo Brunet.

Cessa Lacerda (Foto arquivo)
Prezado Clemildo!
Desejos de Paz! Extensiva a família.
É interessante perceber que o seu texto narra a continuação de todo o martírio de Jesus constituindo uma fusão com o de Ubiratan. Ambos, bem escritos, com muita sabedoria de conhecimento e profunda segurança, sobretudo você, Clemildo, que conta os fatos recheando com tópicos bíblicos, não deixando nenhuma dúvida ao leitor, sobre o histórico narrado. Foram textos escolhidos com formação e informação cristãs. Vocês foram fiéis mentores no momento oportuno da Páscoa, para que todos nós possamos refletir as nossas incoerentes ações diante do nosso Deus. Valeu à pena depararmos com textos deste quilate, pois repercutiram valorosos efeitos no nosso comportamento cristão.
Foi ilustrativa a sua narração sobre a Páscoa, que é o ponto culminante da Semana Santa, pois significa “passagem da morte para vida”, isto é, Jesus ressuscitou para dar a vida a todos nós. É uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Após Sua morte na cruz, o corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu até a ressurreição, quando o Seu espírito e corpo foram reunificados. É o dia Santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.
A Semana Santa, como vocês narraram, teve início com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos, em que a multidão O proclamou Rei: “Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas”. Mt. 21:9. O Domingo de Páscoa é o dia em que até mesmo a mais pobre igreja se reveste com seus melhores ornamentos, pois é o ápice do ano litúrgico.
No século IV, algumas comunidades cristãs passaram a vivenciar a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo na exigência de três dias de celebração consagrados à lembrança dos últimos dias da vida terrena de Cristo.
Jerusalém por ter sido o local desses acontecimentos, é que deu início a essa tradição seguida pelas demais igrejas.
Assim, a sexta feira comemora especialmente a morte de Cristo na Cruz . O sábado era o dia de luto. E o domingo era a festa da ressurreição
Parabéns Clemildo, pelo Ilustrado e Importante texto. Feliz Páscoa extensiva a toda família.
Cessa Lacerda Fernandes
Pombal, 08/04/09.

PÁSCOA

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Sempre que chega o período dos dias conhecidos por semana santa, ouvimos falar de Domingo dos ramos, quinta feira do lava pés e santa ceia, sexta feira da paixão, sábado do silêncio e finalmente domingo de Páscoa ou da ressurreição de Jesus. Começa-se pela entrada triunfal de Jesus em Jerusalém onde a multidão o proclama rei: “Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas”. Mt. 21:9.
Logo a seguir essa mesma multidão persuadida pelos principais sacerdotes e anciãos, perante Pilatos, pede que solte Barrabás e crucifiquem a Jesus. Era costume durante a festa, o Governador romano soltar um dos presos conforme eles quisessem. Pilatos viu que Jesus era inocente e que os sacerdotes o haviam entregue por inveja.
O Governador apelou para a decisão do povo pensando que esta seria a oportunidade da multidão se manifestar contra os sacerdotes, pois, tinha visto a sedição que o malfeitor Barrabás havia feito na cidade, enquanto que Jesus só tinha praticado o bem.
De novo, perguntou-lhes o Governador: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás. Replicou-lhes Pilatos: que farei, então, de Jesus, chamado o Cristo? Seja crucificado! Responderam todos. Que mal fez ele? Perguntou Pilatos? Porém cada vez clamavam mais: Seja Crucificado!” Mt. 27:21-23.
O tumulto é grande e o Governador lava as mãos dizendo-se inocente do sangue deste justo e entrega a questão para o povo, que por sua vez responde: “Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos” Mt. 27:25.
João no seu evangelho destaca que neste diálogo entre Pilatos, sacerdotes e o povo, Pilatos dirige algumas perguntas a Jesus. Pilatos não vê em Jesus nenhum crime e manda que eles mesmos o crucifiquem. O Governador romano fica mais atemorizado ainda quando os judeus declaram: “Temos uma lei, e, de conformidade com a lei, ele deve morrer, porque a si mesmo se fez filho de Deus” Jo.19:7.
Pilatos procura saber de Jesus sobre a sua origem, ele não lhe dar resposta. Como que querendo mostrar a força de sua autoridade, Pilatos indaga: “Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?” Jo. 19:10.
Jesus responde a Pilatos que nenhuma autoridade ele teria se de cima não lhe fosse dada. Neste momento, o Governador romano se empenhava por soltá-lo. Foi então, que os judeus clamaram: “Se soltas a este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei é contra césar!” Jo.19:12. Com esta afirmação Pilatos apresenta Jesus como rei deles e faz a pergunta: “Hei de crucificar o vosso rei? Responderam os principais sacerdotes: Não temos rei, senão César. Então, Pilatos o entregou para ser crucificado. Jo.19:15,16.
A Páscoa tem o seu significado maior na morte do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. No Velho Testamento, a morte dos primogênitos egípcios trouxe a liberdade do cativeiro do povo judeu que se encontrava cerca de 430 anos como escravos no Egito, mas, agora em liberdade vão pelo deserto, à procura da terra que emana leite e mel.
A Páscoa Cristã enfatiza muito bem a liberdade da escravidão do pecado e a vitória sobre a morte - o último inimigo do homem; oferecida a nós pecadores por Cristo Jesus com a sua morte e ressurreição. O potencial de liberdade assegurada por Cristo para nós é de tamanho incomensurável e as escrituras sagradas nos dizem que após morte física, no dia da vinda do Senhor, haverá a ressurreição do corpo, que é muito mais do que uma simples sobrevida. Nosso corpo será semelhante ao de Cristo.
“Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” Fp. 3:20 e 21.
A revista Ultimato janeiro/fevereiro de 2007, órgão de Imprensa evangélica destinada à evangelização e edificação sem cor denominacional, na página 24, descreve de maneira sábia, baseado nos princípios bíblicos, como isso acontecerá. Transcrevemos na íntegra:
A ressurreição do corpo...
É a certeza mais absurda e mais segura de todas as certezas produzidas pela fé cristã. É a mais radiante luz no final do mais escuro e mais longo de todos os túneis da vida.
Não é gradativa, não é progressiva, não é evolutiva, não é dispersa. Ela acontecerá de repente, num abrir e fechar de olhos, de forma coletiva, perfeita e definitiva, tornando desnecessário qualquer outro avanço, qualquer outra experiência.
Marca o fim da história e celebra o grand finale, apoteose advinda pela vitória de Jesus sobre a morte, a matriz da dor mais intensa e da humilhação mais profunda.
Significa à morte da morte, o enterro da morte, o desaparecimento da morte. É a reconstrução do corpo criado originalmente à imagem e semelhança de Deus, mas que a queda tornou ao mesmo tempo pecador, corruptível e mortal.
É o retorno a vida de todos aqueles que foram sepultados e cremados, de todos aqueles que foram transformados em pó e cinzas, de todos aqueles que desapareceram no seio da terra, nas profundezas do mar e no espaço sideral sem deixar vestígio.
É a vitória final produzida pela ressurreição de Jesus, que derrubou por terra a prolongada e ostensiva vitória da morte. É a mais surpreendente, a mais oportuna e a mais desafiadora de todas as esperanças.
É melhor do que a cura de qualquer doença terminal e do que o livramento temporário da morte. Tanto a cura como o livramento são muito bem-vindos, mas são meros adiamento da morte, enquanto a ressurreição é a vitória consolidada da vida sobre a morte.
Como é difícil para o homem natural entender a doutrina bíblica da ressurreição, ele está morto em delitos e pecados. Não lhe chegou ainda a compreensão de aceitar o passamento da morte física e se conformar. Por isso reluta em vir para Cristo que é o autor e consumador da nossa fé.
É o próprio Jesus quem garante: “De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” Jo.6:40.
*RADIALISTA.