CLEMILDO BRUNET DE SÁ

HOMENAGEM A CLEMILDO BRUNET: O INSÍGNE PRECURSOR DO RÁDIO E DA COMUNICAÇÃO POMBALENSE.

Cessa Lacerda e o Troféu Imprensa 2007. (Foto)
Por Cessa Lacerda*
Ao nascer abrimos uma página em branco onde será escrita a nossa história! História única e irrepetível! Aniversário de VIDA é o acontecimento mais importante para o ser humano. Por quê? Porque a VIDA é a maior dádiva Divina! A vida deu a cada um de nós diversos encantos: O encanto de aceitar as diferenças; o encanto de poder compartilhar; o encanto de poder amar e ser amado, enfim, a sensibilidade de sonhar, pois nada disto é impossível ao homem realizar.
Clemildo está inserido neste contexto porque aceitou as diferenças dos que não souberam ou não quiseram lutar, compartilhando o seu amor para também ser amado. Sonhou para conquistar a esperança de se realizar e ser feliz. Vamos aplaudi de pé o nosso aniversariante do 1° de agosto próximo, que se torna com toda autoridade divina um sexagenário ou sessentão.
Para isto torna-se importante que façamos uma reprise da vida do nosso homenageado, no Rádio, na Imprensa Paraibana, sobretudo em Pombal, seu querido Torrão natal. “Radialista, com experiência radiofônica desde a adolescência; início de carreira em serviços de alto-falantes e propagandista de porta de loja e carro de som, passando depois a atuar no rádio como locutor, redator, comentarista, repórter e noticiarista de rádio; Foi Diretor Comercial das Rádios Maringá AM e Liberdade FM de Pombal. Foi por muitos anos Repórter Correspondente do Jornal Estadual da Rádio Tabajara da Paraíba. Criador e Apresentador de programas musicais nos gêneros: Romântico, Velha Guarda e Jovem Guarda. Os mais destacados e de grandes audiências foram: A Tarde é nossa; Cantinho da Saudade; Coração Apaixonado e Saudade Não Têm Idade.
Rádios onde exerceu sua profissão: Maringá AM, Bonsucesso AM, Liberdade FM, Opção 104 FM de Pombal e Alto Piranhas de Cajazeiras. Nesta última exerceu atividades Jornalísticas participando dos Programas: Rádio Vivo e Trem das Onze”. Clemildo é, por conseguinte, um homem de vida completamente dedicada a Imprensa e a Comunicação, fatores prioritários na vida de um povo. Ele exalta a sua terra, o seu povo e a história com brilhantismo e muito amor.
Consideramos Clemildo, um verdadeiro ícone da Imprensa paraibana e pombalense, pois sempre hasteou com garra e brio a Bandeira da Comunicação. Vale à pena, destacar uma bela frase que sempre se expressa: “NÓS TEMOS FORÇA E VOZ, SOMOS O PODER DA COMUNICAÇÃO”!
O nosso homenageado tem passado, tem história e tem mérito, pois este, não é privilégio de todos, é somente para aqueles que sabem doar de si o que os outros necessitam, pois confirmo o grande pensamento de Vinicius de Moraes, que: “A vida só se dá para quem se deu." Quem, por mais duro que seja não amou, e nem ama? Clemildo tem o amor como maior lema, unido a perseverança que sempre foi o seu Cajado na trajetória da Comunicação.
Os anos vão se passando e o nosso homenageado continua pertinaz na importância do radialismo para o seu público ouvinte. Isto é uma preocupação admirável e grande prova de amor para com a radiofonia e o seu público. Num dos seus comentários da semana, “Seja outro o que te louve”. Com muita modéstia, característica que lhe é própria, ele revelou assim: “Peço vênia aos meus amigos para que neste artigo lhes revele a verdadeira razão pela qual idealizei a Festa do Troféu Imprensa 2007, em nossa cidade. Sou uma pessoa que amo o rádio, mas, impossibilitado de está em atividade por problema de saúde, resolvi criar um portal na Net e de minha casa entrar em contato com as pessoas. Nesse contato fui encontrando companheiros de jornadas antigas dos meios de comunicação que Pombal já teve. Daí nasceu à idéia de homenageá-los. O “Troféu Imprensa”, foi uma festa muito bonita e destacável.
Este Blog de Clemildo é hoje, um referencial abrangente a nível nacional, sobretudo ao nosso Estado e a nossa cidade. O nosso homenageado é um verdadeiro ÍCONE da Imprensa pombalense. Admirável Homem de credibilidade inabalável e de sucesso. Humilde e atencioso. Imparcial e verdadeiro. Considera a família a principal coluna de sua edificação pessoal e profissional. Grande idealizador mantendo sempre uma importante visão futurista. Admirável Líder profissional, desbravador e vencedor de obstáculos. Enfim, Clemildo é tudo isto e muito mais, pois conheço a sua idoneidade moral, profissional e social. Chegamos a conclusão que, não foi por acaso que um dos seus colegas o cognominou de: GENTE QUE FAZ A DIFERENÇA!
Elevamos também o seu nome de GRANDE BENFEITOR DE POMBAL, se bem que, a história da nossa radiofonia e da comunicação teve inicio e tem continuidade com a sua projeção e o seu rico intento. Meus queridos leitores e ouvintes, falar de Clemildo precisaríamos de muito tempo, pois conhecemos a sua capacidade de fazer e construir e todo o nosso estado e a nossa cidade conhecem os seus feitos. É muita honra para mim, dizer que sou uma venturosa de compartilhar cada dia da sua amizade e quando se cumpre cada ano tomo mais consciência do quanto é importante uma amizade fiel. Feliz Aniversário, amigo! Muitas felicidades! Hasteemos, portanto, a nossa linda e justa Bandeira de APLAUSOS AO INSIGNE PRECURSOR DA NOSSA COMUNICAÇÃO. Que Deus possa consentir sua saúde para contarmos com sua presença no meio de nós por muito tempo. São votos dos amigos Bibia Cessa e filhos. CESSA LACERDA FERNADES * Poetisa e escritora pombalense

ENTRE NATAL E POMBAL.

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Em nossa peregrinação neste mundo muita das vezes somos conduzidos a circunstâncias alheias a nossa vontade e não sabemos por que isso acontece. De repente por uma circunstância que não é do nosso desejo, percorremos um caminho que não foi o que escolhemos, mas que nos é imputado por uma força maior a qual nos submetemos ou então seremos sucumbidos.
Quer queiramos ou não, mesmo com as condições limitadas de ser humano, temos de abastecer a nossa fé e olhar para o alto e exclamar como o salmista: “Elevo os olhos para os montes de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra”... E no final acrescenta: “O Senhor te guardará de todo mal; guardará a tua alma. O senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre”.
Exatamente em momentos assim, passamos a meditar o que é a nossa passagem aqui neste planeta e nessa reflexão voltamo-nos ao passado procurando na luz de nossa consciência o que venha ser a providência divina em dirigir nossas ações.
Estive em Natal capital potiguar nos idos da década de 70 e me hospedava na casa de meu primo e engenheiro civil Lacides Brunet de Sá (saudosa memória), onde tinha a oportunidade de passear por esta cidade, ao lado dos demais primos: Rivando Ramalho Brunet, Heronides (saudosa memória), Beticeles e Leonides Brunet. Estes três últimos, irmãos de Lacides.
Hoje depois de tanto tempo volto a Natal, agora não mais para passear, e sim para buscar na medicina de ponta e avanços tecnológicos atuais de que esta cidade é possuidora, recursos clínicos para o pronto restabelecimento de minha saúde.
Quando estou longe da terrinha e chego a uma cidade grande, dentro do meu ser brota uma nostalgia que não tem tamanho. Contemplo os edifícios enormes, a cidade com suas praias belíssimas e pontos turísticos maravilhosos e sinto-me estranho em meio a tudo isso, batendo uma saudade imensa no meu peito do meu lugar de origem.
Deus é real e promove os meios pelos quais dirige os nossos passos nessa nossa caminhada. É verdadeiro, e na sua sapiência nos guia por onde quer que andemos!
Há dois anos passados, eu em Pombal e Maciel Gonzaga em Nova Parnamerim – Natal RN, há muito não mantínhamos contato. Ele me escreve ao tomar conhecimento que tenho um blog na Internet parabenizando a minha iniciativa e desde então, começa a enviar artigos com temáticas diversas para serem postados. Tempo esse oportuno, de nos aproximarmos na troca de emails, sem que eu soubesse o que estava sendo preparado para mim num futuro bem próximo.
Quis a providência divina que após dois anos, eu viesse a solicitar de Maciel e sua esposa a Dra. Euclimar Gonzaga, o encaminhamento da documentação necessária junto ao Serviço Único de Saúde (SUS), onde a mesma exerce a função de Coordenadora de um dos setores de saúde daquele Município; no que fui prontamente atendido. Registro aqui meu sincero agradecimento ao ilustre casal que tão gentilmente acolheu a nossa solicitação.
O primo Rivando e eu (Foto)
Devo também aos meus primos nesta cidade grande, a benevolência da hospedagem que estou tendo com carinho que eles me dispensam: A Carlucia e Beticeles Brunet que conseguiram um lugar aprazível para me receber juntamente com minha esposa. A Rivando Ramalho, essa figura especial que com o seu carisma tem me trazido conforto com suas palavras amáveis e o apoio, pois vez por outra me recebe no recesso de seu lar para algumas refeições.
Aos meus amigos todos, indistintamente, cujos nomes não vou citar, para não cometer gafe de omissão. São muitos que me dão a destra de companheirismo com palavras de auto estima e conforto - meu muito obrigado!
Termino por fazer minhas as palavras do Apóstolo São Paulo na segunda carta aos Coríntios capitulo 1 Versículos 3 e 4. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdia e Deus de toda consolação! É ele que nos conforta em toda nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus”.
Tudo isso é Providência de Deus!
*RADIALISTA

VERDADE E FOFOCA

Por Severino Coelho Viana
A narrativa de um assunto passa necessariamente por dois caminhos que nos levam a estes resultados distintos e diferentes, principalmente de onde e de quem emite o juízo de valor. Esses resultados rebuscam a criatividade do receptor sobre o acatamento daquilo que foi repassado pelo o autor da notícia, se verdadeira ou falsa.
A verdade começa exatamente quando afirmamos ou negamos sobre o conhecimento de um fato. Se a pessoa sabe afirma, se não sabe efetivamente nega, a certeza é não distorcer ou falsear a realidade dos fatos. Todo erro é uma causa de precipitação, por falta da devida advertência ou por uso de um fator passional. A verdade é adequação entre aquilo que se percebe da coisa, do fato em si, e aquilo que a respeito dele, se manifesta por qualquer sinal expressivo: o gesto, a palavra escrita ou oral. A mentira consiste exatamente em falsear propositadamente a identidade da mente e do sinal que exprime.
Entre verdades e mentiras existem aqueles mexericos, fofocas insinuosas, fuxicos maldosos, falácias perniciosas, enfim, uma gama de palavras sinônimas ou quase sinônimas cujos atributos são devastadores perante a ética. Socialmente falando, sem dúvida alguma, um dos maiores fenômenos ainda é a fofoca. A pessoa que escutou uma coisa e passou adiante e assim foi caminhando. Na maioria das vezes lidamos com a questão de que cada conto aumenta um ponto, ou seja, alguém que possivelmente espirrou no centro de uma grande cidade e logo este espirro provocou o “Tsunami”. Assim seguem os fatos, sejam eles verdades ou não, se tornam fatos pela constante comunicação feita sobre o mesmo tema. Fofocas, lengalengas, picuinhas ou qualquer forma de destilar o veneno antigamente eram tidas como privilégio ou assunto exclusivo de mulheres. Hoje em dia, muitos homens estão se sobressaindo melhor do que a mulher nestes assuntos, quer no meio social quer no ambiente de trabalho, e desregradamente nos temas políticos.
Quando se tem conhecimento de um fato, antes de divulgá-lo, você procura investigá-lo? Ou leva logo adiante a primeira informação? Tenha cuidado! Pois, você pode está cometendo uma injustiça com a sua própria consciência e penalizando a inocência de um justo. Não se precipite! Observe as várias direções da narrativa que lhe foi repassada antes de enveredar pelo mesmo caminho tortuoso.
A fofoca pode comprometer a pessoa lesada, arruinando a sua moral e a sua integridade, assim como poderá levar o propagador à responsabilidade penal ou o ressarcimento do dano moral. Geralmente, os principais motivos da fofoca são a inveja, o despeito, a intriga, a maledicência e o desejo de vingança, além de vários outros sentimentos negativos. De repente, o assunto se torna público, certamente distorcido.
As conseqüências, além de sérias, desastrosas e dolorosas, podem ter um final infeliz, podendo colocar vítima e agressor frente a frente para esclarecimento dos fatos, seja num tribunal, numa delegacia, num hospital ou até num cemitério, como sabemos de várias histórias que culminaram em tragédia, pois há quem perca o controle e queira fazer justiça com as próprias mãos!
Manter o autocontrole, a integridade, a serenidade, a compostura e o equilíbrio são pontos favoráveis para a vítima deste tipo de problema, que deve ser cortado pela raiz. O assunto deve ser tratado de forma racional e com delicadeza, não devendo ser ignorado, tendo em vista que a moral e conduta estão sendo denegridas. Quando sabemos quem é a fonte que propaga a fofoca, todo cuidado é pouco! Discutir ou partir para a agressão física só complica a situação, e podemos passar de vítima para agressor. Caso a fofoca seja insignificante, mesmo sabendo a origem da fonte, convém ignorá-la. Não disperse as suas energias! Somente fique mais atento e mais esperto, pois você pode estar incomodando por ser natural, espontâneo, franco ou sincero, envolto a um progresso socioeconômico e crescimento pessoal que causa especulação ao fofoqueiro, ou seja, simplesmente por ser você mesmo pelo estilo de viver e ser autêntico nas suas atitudes. Avalie a sua conduta e proceda conforme a sua consciência. Os afamados fuxiqueiros, geralmente, são pessoas infelizes consigo mesmas, com a vida, com o trabalho, com a família, enfim, nada para elas têm uma razão nem um sentido positivo. A pessoa fofoqueira, como não tem perspectivas e nem motivação pessoal, ocupa o seu tempo julgando e falando mal da vida alheia.
Uma pessoa fofoqueira é falsa e muito perigosa! Já diziam os mais antigos: Se você deseja que o mundo saiba de um determinado assunto, escolha a pessoa certa, conte-lhe um assunto, pede-lhe segredo e ela se encarregará de divulgar tudo.
A fofoca chega até nossos ouvidos pelo próprio fofoqueiro, com as seguintes frases: Já está sabendo da novidade? Sabe da última? Você não vai acreditar! É uma bomba!
Independentemente da frase maldosa que venha a chegar aos seus ouvidos, pense: Se alguém fala mal de algum conhecido para mim, quem me garante que quando virar as costas essa mesma pessoa não estará falando mal de mim também? Caso a fofoca venha acompanhada da seguinte frase: Vou te contar uma coisa, mas jura que guarda segredo? Desbanque o fofoqueiro com classe, alertando-o: Não julgue o todo por uma parte, e não julgue para não ser julgado. Lembre-se de que quando você aponta um dedo para uma pessoa na intenção de julgá-la, três dedos da sua própria mão se voltam contra você. É a chamada lei da recompensa, analise a lei da natureza humana que você encontra um montão de exemplos.
A palavra mexerico é o mesmo que fofoca porque a mexerica, a tangerina, é uma coisa que se come, depois se sente o cheiro no ar e não se sabe de onde vem. Como a fofoca é a mesma coisa, se espalha de um jeito e ninguém sabe onde começou.
Um grupo liderado pelo rabino Chaim Feld, que conta com o apoio de políticos e astros dos EUA, deflagrou uma campanha com vistas a conscientizar as pessoas do poder da palavra, da importância do seu uso, que pretende ativar e "promover o discurso ético para melhorar a democracia e construir o respeito mútuo, a honra e a integridade". A pesquisa promovida por esse mesmo grupo sobre as conseqüências da fofoca nos mais diversos ambientes o resultado foi: a fofoca é um problema para 84% dos americanos; já na política, para 80%; no trabalho, para 79% e na escola, para 69%. Quem se propõe a defender o discurso ético? Somente aqueles que não têm coragem de não acreditar na eliminação do fuxico, e que dentro de si carrega o emblema de um tremendo fofoqueiro! João Pessoa, 30 de julho de 2009. SEVERINO COELHO VIANAscoelho@globo.com

POMBAL - SEU PASSADO FAZ HISTÓRIA I

Francisco Vieira*
Hoje, reabri o baú das recordações onde penetrei profundo. Numa longa viagem retornei às origens. Ai vasculhei o passado trazendo à tona fatos e lembranças que ainda permanecem vivos na memória.. É que as origens são como raízes; se firmam na base para sustentar e alimentar a história, vínculo do qual não podemos nos desvencilhar. Ninguém foge às origens. Até mesmo distantes elas estão presentes na lembrança. O tempo não apaga.
Segundo a ordem natural das coisas o passado está no presente e este no futuro. Assim como o ontem, o hoje será saudade amanhã. No futuro, tudo será passado. Sem passado e presente o futuro inexiste. Passado, presente e futuro são tempos distintos que juntos constroem a história. Mergulhando encontrei logo de cara muito bem guardadas as memoráveis campanhas políticas entre “Carneiros” e “Pereiras” na disputa pelo poder. Duas famílias tradicionais que mesmo adversárias, se respeitavam mutuamente. A divergência era ideológica, isto é, apenas no discurso, pois na prática era artigo paternalismo de sempre – o favor em troca de voto - o toma lá, dá cá. É que político não dá ponto sem nó. Mas, o bom é que nunca se registrou uma agressão física entre os protagonistas. Briga, só entre os eleitores mais entusiasmados, e, assim mesmo, sem maiores conseqüências.
No início UDN e PSD e depois da reforma ARENA comandada pelo Dep. Chico Pereira – O Cacique Branco do Sertão e MDB, sob a liderança do Dr. Avelino Elias de Queiroga – O Bolinha – médico competente, dedicado à pobreza e seguidor do Senador Ruy e Deputado Janduy Carneiro. No encerramento o povo em passeatas e comícios relâmpagos “varava” à noite. De um lado, representando seus ídolos, os adeptos conduziam galhos de pereiros e do outro, bolas gigantes e rosários de vidros – “a frasqueira” – ou seja, a ralé, como era chamada pelos adversários sempre animados por orquestras improvisadas sob a batuta dos maestros Seu Eliseu Veríssimo, Manoel Donária, Tié e outros.
Continuando a viagem, como estudante, lembrei-me melancólico do Ginásio Diocesano de Pombal. Que bom era vestir a sua farda caqui ou de gala e exibir as iniciais GDP em cor branca, bem visíveis no quepe e desfilar com garbo no Dia da Independência. Sentia-me orgulhoso, mesmo com o sapato apertando, cheio de calos e sob o comando de Prof. Arlindo Ugulino que dava ordem unida com intensa rigidez militar. Ainda mais. Como era constrangedor cumprir à risca a disciplina do Diretor Mons. Luiz Gualberto de Andrade e ter que obrigatoriamente assistir a missa dominical, sempre às sete da manhã, completamente fardado. Faltar, nem pensar. A ausência custava suspensão na certa. Era nada mais que uma forma repressora de evangelizar.
Nesse percurso lembrei-me dos velhos carnavais. A população dividida entre o Pombal Ideal Clube que comportava a elite e a Sede Operária que agregava a classe menos favorecida. Era ricos e pobres separados num só objetivo: diversão. A tarde dava gosto ver o corso. Das calçadas assistíamos a tudo. Era jeeps, caminhonetes e até caminhões percorrendo as praças Getúlio Vargas e Centenário sempre em sentido anti-horário. Famílias inteiras fantasiadas de pierrôs e colombinas faziam incontáveis voltas entoando as marchas e frevos da época. Lembro-me ainda de Manoel e Maurício Bandeira, Hamlet e Nicácio Arnaud, Zé Maria Assis, Aureliano Ramalho, Antonio Bezerra, Dr. Atêncio, Nadir Pereira e muitos outros. Enumera-los é impossível. Enquanto isso, os mais irreverentes eram comandados por Hermínio Neto que desfilava em carro aberto, cheio de pinturas extravagantes destacando a frase: “mãe, tenha distância”. Na verdade todos se distanciavam temendo suas peripécias no volante.
Havia ainda os blocos: “De Sujo, Fuleragem e Foiará” e alguns palhaços que caminhavam solitários e mascarados aterrorizando as crianças. Enquanto isso, à noite os blocos “Formigão” e “Antártica” disputam espaço e a simpatia do público. Faziam mistérios até das fantasias. O encerramento acontecia na manhã da quarta-feira de cinzas no centro da cidade. Ali, todos os foliões de todos os clubes se encontravam e marcavam os últimos passos se despedindo de mais um carnaval que já deixava saudades.
Indo mais profundo no baú lembrei-me de forma bem particular da Família “Espalha” em serenata. Tudo acontecia na residência do casal João Espalha e Zaída, onde eu tinha acesso garantido. Não era doido, mas tinha passagem livre, pois era amigos dos seus filhos mais novos: Joãozinho e Arereu. Era a família in concert. Dava gosto ver Bideca, Chico de Dora, Leonardo e Chico de João Espalha – este recém-chegado do Rio de Janeiro e trazendo as últimas novidades musicais. E, como se não bastasse, a aptidão musical se estendia também ao sexo feminino. Ai se destacava Zoraide com sua voz melodiosa e afinada. Sem dúvidas uma das mais belas que conheço. Sem exagero, não ficava devendo a nenhuma das grandes artistas da época. Era um conforto para os nossos ouvidos.
Com tristeza lembrei-me também da Brasil Oiticica, hoje desativada e transformada em ruínas. Contemplo sua enorme chaminé que se desponta gigante, porém fria, devido à inércia de suas máquinas. Pelo menos não polui e nem contribui para o aumento do buraco na camada de ozônio. E não ouço há tempo o inconfundível apito de sua sirene determinando e regendo com precisão britânica, tal qual o Big Ben, o horário de trabalho dos operários e orientando a população.
Aprofundando-me mais ainda na longevidade lembrei-me das enchentes do Rio Piancó. Pleno inverno. Ao anoitecer, nuvens escuras despontavam no “nascente”. Relâmpagos e trovões anunciavam mais um temporal que logo chegaria para atormentar a população ribeirinha. Era a certeza de mais uma noite mal dormida para os moradores das Ruas de Baixo e do Açougue onde a água já penetrava no quintal das casas. Os mais precavidos e temerosos retiravam seus pertences com ajuda da Prefeitura, de amigos, parentes ou voluntários. Paralelo a tudo isso as devotas de Santa Bárbara, protetora das tempestades se reuniam em oração. Ali, numa demonstração de fé e crendices causadas pelo desespero, defronte a pequena imagem posta à margem do rio, pediam contritas para a água abaixar. Ai chega de repente um primo completamente embriagado e diz em tom irônico e debochado: “vocês tirem essa santa daí, senão ela morre afogada”, causando entre as beatas. E, para inflamar, a população que marcava presença constante na beira dàgua criava histórias do tipo: “o açude de Coremas está perigando arrombar”. E, reforçavam a mentira: “que o engenheiro tinha telefonado para Dr. Avelino”. Eu, na santa inocência de criança, alheio a gravidade da situação, desejava que tudo isso acontecesse. Quanto maior e mais demorada fosse a enchente melhor seria. Coisa de criança. Como achava espetacular ver a chegada das canoas de Olinto e João Orlando chegarem superlotadas e remadas pela habilidade de canoeiros como “Mestre Álvaro” e outros. Era coisa de cinema. Mais espetacular ainda era ouvir meu avô materno dizer que a maior enchente deu-se em 1917, tendo a água alcançado o castelo da rua do rio, próximo ao açougue.
Os fatos aqui narrados em síntese são fragmentos ou retalhos de uma história da qual nos orgulhamos e que está gravada na memória de cada pombalense. Ressurgindo fatos e relembrando pessoas, num gesto de fidelidade às origens enaltecemos seus valores e perpetuamos essa história. Os fatos são tantos que é impossível contá-los de uma só vez. Portanto, aguarde o próximo capítulo. Novos episódios virão. É a confirmação de que em POMBAL – SEU PASSADO FAZ A HISTÓRIA. Pombal, 24 de julho de 2009.
*Professor, Ex-Secretário de Administração e Ex-Diretor da Escola Estadual João da Mata.

40 ANOS DA IDA DO HOMEM À LUA: POMBAL ASSISTIU NA TV.

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Quarenta anos são passados da ida do homem à lua. Nesta semana o assunto foi comentado na Imprensa, revelando que as fotos da NASA do registro do acontecimento, não haviam sido encontradas e para celebrar o evento tiveram de recorrer aos arquivos da TV americana. Existem controvérsias sobre a possibilidade ou não do homem ter pisado o solo lunar. Alguns acreditam que sim, enquanto, para outros, não passou de uma montagem fazendo parte de mais uma superprodução hollywoodiana.
Teoria ou verdade, o fato chamou atenção do mundo inteiro para o acontecimento. Aqui na terrinha mesmo, era o início da chegada do sinal de TV, invento idealizado pelo Pastor Jônathas Barros de Oliveira (saudosa memória), através da construção de uma antena rômbica como ele costumava chamar. Dr. Nelson, Professor Arlindo, Raminho, Vicente Farias, W. J. Solha e outros com o apoio da Administração municipal na pessoa do Prefeito Atencio Bezerra Wanderley colaboraram para por em execução esse projeto audacioso para época, pois o sinal a ser recebido era oriundo da extinta TV TUPI, na capital pernambucana.
Na sua forma embrionária o sinal era precário; depois com novas investidas foi se aperfeiçoando, o certo é que grande parte da população de Pombal subiu até o alto do Cruzeiro próximo da adutora elevatória da Cagepa, para assistir em um televisor preto e branco de propriedade de Raminho, a chegada do homem à lua.
Pombal ainda pequeno na sua extensão urbana com o número de moradores reduzido em relação ao que é hoje teve o seu momento de euforia e orgulhosa assistiu as imagens transmitidas pela Nasa para o mundo inteiro. Eu e o Pastor Jônathas (Foto 1974) Lembro-me do Pastor Jônathas Barros de Oliveira em suas prédicas na Igreja Presbiteriana de Pombal e outros locais de reuniões, exaltando a capacidade que Deus deu ao homem a ponto de conquistar o espaço sideral e chegar à Lua, citando passagens bíblicas como o salmo 8 que diz assim: "Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda terra é o teu nome... Quando comtemplo os teus céus obras dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem que dele te lembres e o filho do homem que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob os seus pés tudo lhe puseste; ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves dos céu, e os peixes do mar, e tudo que percorre as sendas dos mares. Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda terra é o teu nome”. Segundo o Pastor Jônathas as palavras deste salmo foram deixadas escritas em uma placa no solo lunar, pelos astronautas americanos.
“Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para humanidade” palavras ditas pelo o astronauta norte americano Neil Armstrong ao pisar o solo lunar, emocionou a todos e ficou registrado na história. Em meio a interferências, esperas e vozes partidas do centro de controle da NASA, os três astronautas lá em cima, um deles deu os primeiros passos na zona batizada como mar da tranqüilidade com saltos fáceis por ausência de gravidade.
Foram deixados pelos astronautas em solo lunar a bandeira dos Estados Unidos, uma placa com desenho de ambos os hemisférios da terra, uma réplica de ouro de um ramo de oliveira e a mensagem “Aqui homens do planeta terra pisaram pela primeira vez na Lua, em julho de 1969 d.C. Viemos em paz, em nome de toda humanidade”.
Independente de quem acredite ou não, a chegada do homem a lua deixou o mundo inteiro em estado de alerta naquele dia. Nada menos que 850 jornalistas de 55 países fez o registro para o nosso planeta cerca de 1 bilhão e duzentas mil pessoas testemunharam via satélite a alunissagem, considerada impossível tempos atrás.
Essa conquista do espaço pelo homem segundo a história deve-se muito a guerra fria. Durante as décadas 60 e 70 havia o conflito ideológico- armamentista entre os Estados Unidos e a ex União Soviética, tendo o seu ponto máximo nesse período atingido todo planeta, inclusive o Brasil, nos acontecimentos políticos, culturais e científicos. O mundo sentia o reflexo da disputa. Surge então o movimento hippie, um escape para essa luta ideológica, dividindo o mapa-múndi em duas alas: Direita/esquerda, capitalista/comunista.
A briga entre essas potências veio a beneficiar em muito as redes de comunicações que se expandiram de tal forma por conta desse imperativo estratégico-militar, culminando numa cultura televisiva mundial.
Eu assistir pela TV em Pombal a chegada do homem à lua, para mim e pra muita gente o prazer foi grande em acompanhar e ver as imagens graças ao milagre da tecnologia que estava chegando a nossa cidade.
20 de julho celebram-se os 40 anos da ida do homem á lua, no entanto existem conspiradores dizendo que o acontecimento foi uma fraude. Verdade ou não, digo como Roberto Carlos em uma canção: “O importante é que emoções eu vivi”
*RADIALISTA.

TARZAN: O ídolo de todos nós...E a corda no Rio Piancó...

Maciel Gonzaga*
Quem no final dos anos 50 e início dos anos 60 não assistiu em Pombal filmes de Tarzan no Cine Lux? Eu, pelo menos, passava sempre em frente ao prédio do velho cinema, na Rua Jerônimo Rosado, para observar os cartazes e ainda perguntar a Galdino Mouta, a Zé Cleôncio ou a Fagundes, quando chegaria um novo filme de Tarzan. Fui um privilegiado, pois Galdino me antecipava sempre o filme que estava para chegar e, assim, eu, Valdir Mendonça e Zé Coelho, saíamos avisando à molecada por toda cidade. Não conheço ninguém do nosso tempo que não gostasse de Tarzan. Até mesmo o Padre Andrade, apreciava com muito gosto as aventuras do Rei das Selvas.
Pois bem! Vamos relembrar um pouco, neste artigo, sobre Tarzan. Trata-se de um personagem de ficção criado pelo escritor americano Edgar Rice Bourroughs no romance "Tarzan of the Apes", de 1912. Na verdade, a visão da África criada por Bourroughs tem pouco a ver com a realidade do Continente, pois ele inventa que a selva africana esconderia civilizações perdidas e criaturas estranhas. Bourroughs, entretanto, nunca esteve na África. Dezoito livros de Tarzan foram publicados no Brasil pela Cia. Editora Nacional a partir de 1933, na lendária coleção Terramarear. As traduções foram feitas por importantes escritores, como Monteiro Lobato, Godofredo Rangel, Manuel Bandeira e outros.
Mas, o nosso ídolo maior no cinema foi o grande e inesquecível Pater Johnny Weissmuller (1904-1984), um romeno atleta e ator que se projetou no cinema americano fazendo o papel do verdadeiro Tarzan em doze fitas, primeiro na MGM, depois na RKO. Antes de entrar para o cinema, Weissmuller teve uma carreira excepcional como nadador, tendo conquistado cinco medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928. Em 1934 imortalizou no cinema o personagem e transformou Tarzan, já conhecido através dos romances de Edgar Rice Bourroughs, em mito conhecido universalmente. Weissmuller fez doze filmes como o homem macaco, celebrizando o famoso e estilizado grito de vitória do personagem. Esse grito, que seria reproduzido por todos os Tarzans subseqüentes, não passava de uma hábil mixagem dos sons de um barítono, uma soprano de cães treinados. Nenhum Tarzan subseqüente jamais esteve à sua altura. Depois de Tarzan, ele ainda interpretou com sucesso o personagem Jim das Selvas na série do mesmo nome, feita para a Columbia entre 1948 e 1955. Johnny Weissmuller morreu em 1984 vítima de um edema pulmonar em Acapulco, no México, onde vivia com a sexta esposa há sete anos para se recuperar de uma trombose.
Devido à censura da época, os trajes de Weissmuller e, principalmente, de O'Sullivan (Jane) foram aumentando de tamanho de filme para filme. Boy (vivido por Johnny Sheffield), introduzido em “O Filho de Tarzan” (1939) não era filho do casal e, sim, adotado, conforme mostra o título original. Nos livros, no entanto, Tarzan e Jane são pais do menino Korak, que chega à idade adulta nos romances finais. Outros Tarzans que ficaram famosos foram Lex Barker, que substituiu Weissmuller a partir de 1948 e Gordon Scott, que é considerado por alguns críticos como o ator que melhor interpretou o herói. Das atrizes que interpretaram Jane, a única lembrada é Maureen O'Sullivan, que fez os seis primeiros filmes da série com Johnny Weissmuller e depois saiu porque não queria ficar presa à personagem, sendo substituída por Brenda Joyce.
Os filmes de Tarzan com Johnny Weissmuller exibidos no Brasil foram estes: "Tarzan, o Homem Macaco” (1932); "A Companheira de Tarzan" (1934), considerado o melhor da série; "A Fuga de Tarzan" (1936); "O Filho de Tarzan" (1939); "O Tesouro de Tarzan" (1941); "Tarzan Contra o Mundo" (1942); "Tarzan o Terror do Deserto" (1943); "Tarzan, o Vencedor" (1943); "Tarzan e as Amazonas" (1945); "Tarzan e a Mulher Leopardo" (1946); "Tarzan e a Caçadora" (1947); e "Tarzan e as Sereias" (1948). Desses filmes, tenho em meu poder três deles – “O Tesouro de Tarzan”, “Tarzan o Vencedor” e “Tarzan e as Amazonas”, cópias que me foram enviadas gentilmente de Brasília por Valdir Mendonça.
E a corda de Tarzan no Rio Piancó? Ah! Fez muito sucesso em Pombal nos anos 60. Armada nas Ingazeiras, propriedade de "Seu" Olinto, no Benedito - local que diziam, era mal assombrado - a corda pertencia ao meu irmão Massilon Gonzaga, que era quem melhor dava o grito característico esganiçado do legítimo Rei das Selvas. Tudo começou depois de uma das enchentes do rio, que deixou um determinado local fundo e próprio para banho da molecada, mesmo sendo uma área cheia de pedras e perigosa. Aproveitando a onda do sucesso de Tarzan, os moleques armaram uma acorda para "voar" até o meio do rio, onde se soltavam e caiam na água. Ali eram presenças garantidas, quase que diariamente, além do legítimo dono (Massilon), os filhos de Chico de Ernesto (Geraldo e Tinta); os filhos de Zé de Rosa Pescador; Zé Coelho (que era tão apaixonado por Weissmuller que introduziu ao seu próprio nome o prenome Johnny e passou então a se assinar por Johnny José Agostinho Coelho); Geraldo “Bucho Verde”, Dedé “Pé de Bola”, Manezinho de Pão de Milho, Geraldo de “Procotó”, Chaguinha, o Gordo e o Magro (netos de Joaquim Vieira), Bernardo Aleijado e João Fon-Hon-Hon (os mais velhos de todos); uma cambada do "Cacete Armado", liderada por dois primos meus (Paulo Barbosa e Xavier – “Gazo de Zé Lotero”); Nêgo Eduardo (filho do guarda noturno Chicó Preto); Nêgo Bié; galeras da Rua de Baixo e da Rua do Comércio; além dos estudantes universitários que vinham passar férias em Pombal, só que estes tinham segundo uma intenção: fazer Arrubacão, sempre acompanhados cachaça, violão e galinha roubada na noite anterior seja lá de quem fosse.
Aos domingos, era uma festa com muita gente fazendo pic-nic. Durante a semana, a molecada tomava de conta, antes roubando batatas nas vazantes de Godô, enterrando na areia e fazendo um fogo em cima para assar. Vez por outra, apareciam as mães dos freqüentadores, de corda na mão, botando o filho para casa debaixo de peia. A vaia comia no centro! Certa ocasião, um dos freqüentadores da corda, um neto de Joaquim Vieira – e membro da “dupla” o gordo e o magro – caiu de mal jeito e quebrou o braço. Lamentavelmente, depois de uma grande enchente, o rio mudou o percurso. As Ingazeiras ficaram, mas não tinha mais lugar fundo para se tomar banho. Assim, Tarzan e a Corda no Rio Piancó fizeram parte da vida de muitos pombalenses. Que saudades!
*Jornalista, advogado, Professor. Natal - RN.

PARABÉNS, POMBAL QUERIDA! 147 ANOS DE CIDADE.

MENSAGEM DE ELIEZER GOMES -
147 ANOS DE POMBAL!
Grande amiga e eximia escritora, poetisa, professora, intelectual... figura das mais ilustres do nosso Estado, Cessa Lacerda, amante radical de sua linda Pombal nos envia não raro, mas, belo poema para, da maneira mais bonita e singela, homenagear aquela terra maravilhosa. A exemplo de figuras queridas e inesquecíveis que tiveram o privilégio de terem Pombal como berço, Cessa é uma pessoa muito especial para todos nós.Querida Cessa, através de você e do igualmente querido amigo Clemildo Brunet que tanto nos honram queremos dedicar ao povo pombalense as nossas mais altas congratulações pela passagem do 147º aniversário de Emancipação Política..
Eliezer Gomes e equipe.
POMBAL, cidade heróica,/ terra de lutas e vitórias,/de bravo povo e ilustres filhos / que figuram na história.
“Arraial de Piranhas” foste chamada, / honrando a tua memória,/a natureza ostentando/ tua beleza e glória..
De “Arraial do Bom Sucesso” / foste também aclamada/pela fé do teu povo varonil / que sempre contará a tua história/por todos os recantos do Brasil!
Finalmente “Pombal” / nosso augusto torrão,/na Paraíba representando / um pedacinho do sertão.
E numa verdade cruel / seca, falta d’água e clamor,/caboclo sentindo saudade / da cabocla que ficou,/na poesia e na canção / o poeta se inspirou!
Nasceu MARINGÁ,/unindo verdade e lenda/que Joubert de Carvalho, /poeta e compositor/fez uma linda poesia /e numa canção transformou.
Maringá, / é a nossa canção popular,/que será sempre cantada / como UM HINO DE AMOR!
Meu Pombal de nascimento. / Torrão que me ouviu chorar/por isso no meu crescimento /sempre aprendi a amar.
Pombal da minha Infância /fase mais linda da vida /recordação de criança /terra muito querida.
Pombal dos meus amores, /Pombal do céu de anil,/da natureza em cores /orgulho do meu Brasil.
Pombal, sorriso inocente. / Pombal especial para mim,/tens um povo inteligente / e a tua história não terá fim.
Pombal de grandes artistas / que figuram na história/de músicos, poetas e repentistas / que guardamos na memória.
Meu torrão hospitaleiro! / Oh! Terra dos meus amores, /de filhos ilustres e benfeitores / de juristas e de guerreiros.
Pombal de povo altaneiro/que repercutiu vitória /assim como Rui Carneiro/que logrou honra e glória.
Pombal, de Celso Furtado,/que conquistou vida e glória, /pois no mundo é reconhecido / como o maior Economista da História.
Cessa Lacerda Fernandes
Poetisa e escritora pombalense.
Pombal, 21/07/09.

AGRADECIMENTO DE FÁTIMA.

João Pessoa, julho do 2009.
Dona Cessa professora memorável, colega exemplar e amiga querida!
Com palavras generosas e grande maturidade poética você escreveu a “Homenagem ao grande homem, ilustrado maestro e admirável amigo”, onde demonstrou por meu pai Manoel um grande apreço. Agradecida lhe escrevo. Obrigada por unir sua saudade à minha, “nesta mesa posta para a celebração da ausência”. Não é necessário dizer aos amigos do nosso bem querer por eles, de nossa consideração. Não, eles sabem e sentem com o coração, mas, você fez isso ao poetizar em seu primoroso texto coroado de fraternidade. Nas entrelinhas percebi que você é dessas pessoas necessárias que podemos segurar nas mãos nos momentos de solidão e saudades. Os poetas têm esse poder, “dar significado às pessoas que amam”. Esse é o seu lindo ofício D. Cessa. Que sua missão de poetisa cresça.
Sinto muita saudade de meu pai que já está com Deus. Partiu não muito jovem e também já não mais apaixonado pela vida. Seus últimos anos, isolado dos familiares e amigos e a morte prematura de seu filho Manoelzinho, comprovaram o desânimo dele em prosseguir sua travessia. Meu pai não está mais comigo nem com meus irmãos e irmãs. Mas está em nós, pois trazemos em nossa personalidade muito do que ele projetou de seu caráter e sua bondade. Nós o velamos com tristeza, imaginando o que ficou por ser falado em tantos anos que, pouco ou quase nada, nos falamos. Chorei muito minha amiga! “Chorei a orfandade incômoda, o adeus forçado, a separação definitiva. Choro hoje a impossibilidade do afeto”. Cora Coralina, artesã da palavra, diz: “Não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico, na música de seus versos”. É isso...
Achei maravilhosa a ilustração no seu texto com essa curiosidade “que aos oito anos o maestro Manoel já tocava num realejo, Brasileirinho”. O que atesta que ele mais uma vez foi um guerreiro em sua trajetória. Claro, que houve ajuda dos amigos pombalense, mas a semente já estava lá só restava fazê-la florescer. Foi o que ele fez com maestria criando e interpretando suas músicas. Motivação era o que não lhe faltava, pois amava e era amado incondicionalmente, expressando esse abundante sentimento através de seu Sax Espetacular. Meu pai fez do oficio de músico um pacto com a vida. Sua BATUTA ficará a reger perenemente lá na eternidade, os acontecimentos de nossas vidas, a nossa saudade. Choro a certeza de não mais vê-lo, nem ouvi-lo tocar, mas os acordes brilhantes de seu Sax estarão presentes na capacidade que temos de lembrar dele.
O Sax do Maestro Manoel de Donária agora é só silêncio e memória.
Meu agradecimento carinhoso de filha.
Maria de Fátima C. Sousa.

FESTA DO ROSÁRIO E O PARQUE MAIA: SONHO DE TODO MENINO I E II

Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Jovem Assis era meu Padrinho de Crisma. Na verdade ele teve um namoro com uma das minhas tias e, como tudo indicava descambar para casamento, os dois foram convidados por meus pais para esta tarefa. Um das exigências da Igreja era que os padrinhos formassem um casal, afinal, padrinhos precisam acompanhar o crescimento do afilhado, de preferência juntos. O destino, no entanto, não fora consultado e havia traçado outro caminho para eles. Minha madrinha só veio a se casar vinte anos depois, e com um outro homem, já o meu padrinho morreu, acho que 30 anos depois e aos 60 anos, ainda solteiro. Dizem que ele nunca se casou para não ter que dividir seus bens, resultado de heranças de família. Há no entanto, outras versões.
Nos anos 60 Pombal era uma cidade pequena, e era comum as pessoas se encontrarem nas ruas, igrejas, comércio e outros locais públicos. Eu era do tipo que, ao encontrar um tio ou padrinho dez vezes por dia, dez vezes eu tomava a bênção. A intenção era aventurar uns Cinquenta centavos de cruzeiro, que era guardava em um “minhaeiro” para gastar com os brinquedos do Parque Maia. As crianças da Rua de Baixo passavam meses sonhando com as luzes coloridas do Parque Maia. Com Tonhinho da bodega surtia certo efeito: vez por outra um pão com creme ou um punhado de bolacha peteca ou de tarecos caiam em minhas mãos, mas, moedas nunca. Porém, Tonhinho da Bodega era padrinho do meu irmão mais velho e não meu. Com Jovem Assis, se eu tomasse a bênção a ele quatro vezes por dia, e isto acontecia, as quatro vezes ele dizia a mesma coisa: “Deus te abençoe. Dinheiro só na Festa do Rosário para você rodar na Roda Gigante”. Razão por eu acredita na primeira versão, quando se fala do motivo dele ter morrido solteiro.
Chegada a Festa do Rosário, mês também do meu aniversário, ele ia lá em casa e me dava uma moeda de Cinquenta Cruzeiros. Isso aconteceu, da minha mais remota idade, até meus 12 anos. Houve vezes que ele mandava a moeda por meu pai, com a recomendação seguinte: “É pelo aniversário e para ele brincar na Roda Gigante do Parque Maia, que já está na cidade”. Não me lembro de outra recomendação. Entre os quatro irmãos, eu era o mais novo e também o único com dinheiro para brincar no Parque Maia, o que fazia de mim uma criança bastante assediada, palavra que na época não existia no nosso vocabulário.
Chegado o mês de Outubro os caminhões com os equipamentos do Parque Maia adentravam triunfante na cidade Pombal. A noticia corria rápida pela cidade, de forma que o descarregamento dos caminhões já era uma atração para nós moleques, que deixávamos as estripulias no Rio Piancó em segundo plano e íamos assistir, do descarregamento dos equipamentos até a armação do último brinquedo.
Das noites seguintes até o ultimo dia da Festa do Rosário, não havia nada mais importante na cidade. O colorido das duas Rodas Gigantes, as Canôas ainda com tração humana, o trem elétrico e o apoteótico Carrossel, com seus cavalinhos, patos, Carruagem de Cinderela e outros atrativos, eram os motivos de passarmos os doze meses seguintes angariando fundos, seja de que forma fosse, para fazer parte daquela história. Afinal, minguem queria ficar de ouvinte das muitas histórias do Parque Maia que seriam contadas nas rodas de amigos. Quem brincou, quantas vezes e em quê, era o que diferenciava a participação de cada moleque na Festa do Rosário.
Para os adolescentes, rapaz e moças com hormônios a flor da pele, era a oportunidade da primeira namorada, que poderia vir através dos recados das difusoras do Parque Maia. Para os adultos era a cachaça na parte “baixa” e jogatina nos bingos, roletas e dados de Dodge, Mané Paletó e Dom Xicote. Mas, para nós moleques, não havia outra coisa senão os brinquedos do Parque Maia, daí cada centavo ser tratado como um tesouro, guardado por doze meses á espera daquele momento, daí a nossa busca constante pela soma de mais e mais moedas
PARTE II
O aparelho doméstico dos sonhos de todo morador da Rua de Baixo, nos idos dos anos sessenta era o Rádio. De forma que este desejado aparelho era tratado com as merecidas honras, ocupando na sala um lugar de destaque. O da nossa casa era um “ABC Canarinho, a Voz de Ouro”, em baquelite , na cor verde claro, que tinha até “roupa” para protegê-lo da poeira. Lembro-me que o nosso rádio “vestia” uma capa feita em tecido branco. Na parte frontal haviam bordados, caprichosamente feitos a mão, onde se lia o nome “Rádio” e mais a frente um Canário Amarelo a cantarolar em um galho. Do seu bico saiam notas musicais para que não houvesse dúvida da marca, uma vez que o ABC era ponta de linha, funcionava a pilha e só era vendido nas Casas Bandeiras. As Loja Paulistas vendiam o Philco que era grande e só funcionava a energia.
Logo pela manhã Diasa, pai dos Radialistas Otarcilio e Zé Hilton Trajano, passava de casa em casa, onde já era freguesia certa, anotando o Bicho que viria correr ás Quatorze horas e quarenta minutos, hora esta em que todos os rádios da Rua de Baixo estavam sintonizados na Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras. O locutor “cantava” em código o resultado do Bicho do dia: “M de maria, A de Antônio, C de Carlos... e por ai vai. Só os mais letrados tinham o código anotado em cadernos, assim, descifravam o resultado final.
Era comum logo pela manhã os amantes do Jogo de Bicho que passavam para tomar cachaça nas sombras das ingazeiras do Rio Piancó, anunciarem aos gritos os seus sonhos, fazendo previsões de resultados. Numa desta feita, Biró de Onofre gritou para seu Godô: “Hoje é Pavão nem que a vaca voe.” Ao final daquela tarde Diasa passou na casa de Godô e entregou para ele um pacote de dinheiro. Naquela época não havia risco de sair nas ruas contando dinheiro. Diasa ou Clóvis, outro anotador de Bicho, fazia questão de paga em domicilio aos felizardos acertadores do Bicho, assim ainda caia-lhe uma gorjeta.
No mês seguinte eu recebi a minha moeda de Jovem Assis e pedi ao meu pai que apostasse no Pavão. A intensão era multiplicar o meu presente e assim brincar mais nos parques da Festa do Rosário. Meu pai não gostou da idéia. Segundo ele, jogo era coisa de gente grande e eu não tinha nada que andar por ai apostando. Naquela tarde Diasa foi até a nossa casa e entregou um pacote de dinheiro nas mãos do meu pai. Acho que deu vaca. Eu teria brincado as sete noites no Parque Maia, pensei! Ou será que deu Pavão?
Vida ruim de menino pobre, já com doze anos, viciado nas Matinês de Tarzan do Cine Lux e nos brinquedos da Festa do Rosário que aproximava-se. O sonho de rodar no Carrossel de luzes coloridas, de me arriscar na “montanha russa” que veio pela primeira vez à Pombal ou de jogar uma moeda entre as pernas da boneca "Terezão", e ouvi-la cantar "Baile da Gabriela" e "Como tem Zé na Paraíba"; acertar um tiro no umbigo do Pelé para fazê-lo chutar a bola e assim ganhar um prêmio...tanta coisa a fazer! Pedi ao meu pai que fizesse um carrinho de mão para eu pegar feira. A incumbência de fazer ficou por conta de mestre Lauro, que era Carpinteiro e tinha uma marcenaria no prédio que foi do meu avô, vizinho ao Edifício Maringá. A marcenaria também era um lugar dos desocupados jogar conversa fora, enquanto mestre Lauro trabalhava.
Quinha, filho de Zuza Nicácio dono do Imperador das Novidades, local onde realizavam-se, nos anos sessenta, bingos de utilidades doméstica, observava o trabalho de mestre Lauro, quando ele percebeu que estava escrito na caixa que mestre Lauro desmanchava para fazer o carrinho, a seguinte frase – Maçã: made in argentine – Pergentine, 15 unidades -. Ele enfiou a mão no bolso, pegou uma moeda e falou: “Caba de Félix, vá ali no Barraco de Zé de Lau e jogue tudo no Jacaré. Se acertar, a metade é seu para você rodar na Roda Gigante até vomitar.” Olhei para o meu pai, como não houve censura da sua parte, o que não era comum em se tratando de jogo de azar, fiz o mandado.
Naquela mesma tarde meu pai me informou o resultado do bicho. Sai nas carreias, encontrei Quinha no Bazar Imperial, muito bem sentado. Cobrei a minha parte do prêmio, como ele havia prometido na naquela manhã. Ele se negou a dividir o prêmio que, por direito, também era meu e, assim meu sonho Parque Maia acabou mais uma vez. Naquele ano Jovem Assis não mandou o dinheiro do Parque Maia. Também não mandou nos anos que se seguiram.
Se um dia eu voltar à Pombal eu vou fazer duas coisas: Cobrar de Quinha a minha parte no Jacaré, e depois, se ainda existir o Parque Maia, vou roda na Roda Gigante até vomitar, como disse Quinha de Zuza Nicácio. Melhor, não. Acho que não tem a mesma graça.
*Escritor Pombalense.

MENSAGEM DA VIÚVA DE CELSO FURTADO.

Caro José Tavares,
Agradeço a sua generosidade em aceitar o convite da Prefeita Pollyana Feitosa para escrever uma biografia de Celso. Solicito-lhe que me mande dois exemplares do trabalho, um guardarei comigo e o outro encaminharei à Biblioteca Celso Furtado, que está em vias de ser inaugurada.
Sobre o nascimento de Celso em Pombal, nada tem de acaso.
A mãe de Celso, dona Maria Alice, era sertaneja de muitas gerações. Seu pai, o coronel Ernesto Monteiro, também sertanejo, passara um tempo em Manaus e voltara com dinheiro suficiente para comprar a Fazenda do Pintado, perto de Souza, onde morou toda a vida. O pai de Celso, dr. Maurício, era de João Pessoa mas, muito jovem, conheceu dona Maria Alice no Pintado e, recém-casado, foi trabalhar na Mesa de Rendas de Pombal. Aí nasceram Antonieta, a primogênita, em 1918, e Celso, em 1920. Em 1924, correu insistentemente a notícia de que os cangaceiros iam entrar na cidade, como já tinham entrado em outras. Não sei se foi boato falso, mas compreensivelmente dr. Maurício se preocupou com a notícia -- pois as incursões e os ataques dos cangaceiros faziam estragos consideráveis -- e mandou a mulher e os filhos pequenos para João Pessoa, na época ainda cidade da Paraíba. Lá morava sua mãe, que acolheu nora e netos. Paralelamente, as condições de trabalho na Mesa de Rendas pioraram e dr. Mauricio, sendo homem sem fortuna pessoal, acabou se mudando para a capital, em busca de situação melhor para a família.
Celso tinha recordações vivas de Pombal, embora houvesse deixado a cidade aos 7 anos. A ameaça dos cangaceiros o impressionou muito em sua primeira infância, e também a violência das chuvas. Numa dessa enchentes, a parte dos fundos da casa onde moravam desmoronou, o que levou a família a deslocar o fogão para a sala, ocasionando certo dia um início de incêndio e um acidente grave em que o caldeirão de feijão virou sobre Celso, queimando-o seriamente. Essas lembranças, no entanto, o marcaram menos do que o orgulho (às vezes disfarçado por seu modo austero) de ser um "sertanejo", isto é, alguém resistente, correto, "couro duro", como ele dizia. Não tenho dúvida de que Pombal lhe deixou marcas fundas.
Quando viemos ao Brasil pela primeira vez (ele e eu morávamos na França), fez questão de me levar a Pombal. De Fortaleza, onde estávamos, descemos para a Paraíba, que percorremos de uma ponta a outra, com uma escala prolongada na cidade, onde ele reviu e fotografou a casa em que nasceu, me mostrou, vaidoso, a velha Cadeia, a Matriz, as outras igrejas. Lembro-me de, outro dia, em Paris, entrarmos num sebo e Celso sair de lá com um mapa do Brasil, do século XIX, justamente porque Pombal estava em destaque na província da Parahyba. Ainda meses antes de falecer, em 2004, ele demonstrava numa pequena frase o orgulho: "nunca disputei cargos de prestígio ou prebendas decorativas, e como sertanejo que sou posso dizer que ganhei a vida com o suor de meu rosto".
Com o cordial abraço de
Rosa Freire d'Aguiar Furtado.

POMBAL - 21 de julho de 1862

Verneck Abrantes*
Deusdedit Leitão, em discurso proferido a 20 de julho de 1962, no auditório da antiga Escola Normal Arruda Câmara, como parte das festividades comemorativas do primeiro Centenário da Elevação de Pombal a Categoria de Cidade, entre outras partes do texto, ressalta: ...”Se instalou na Paraíba a 14ª Legislatura da Assembléia Provincial, da qual faziam parte alguns nomes mais ligados à Vila de Pombal, como o juiz de Direito Dr. Manuel Tertuliano Thomas Henriques, o Promotor Público Dr. Manuel da Fonseca Xavier de Andrade, o Dr. José Paulinho de Figueiredo, o político piancoense Dr. João Leite Ferreira e o Dr. Aurélio da Costa Vilar, também residente em Patos. Os três primeiros eleitos pelo primeiro distrito e os outros reconhecidos deputados pelo segundo distrito, do qual Pombal era um dos Colégios eleitorais de maior expressão.
Poderíamos supor que algum desses nossos representantes tivesse tomado a iniciativa de postular pela elevação de Pombal à categoria de Cidade. Tal, porem não aconteceu (...). Mesmo que alguém se detenha no exame mais demorado de nossa sociologia política fica sem perceber os motivos que levaram o Dr. Augusto Carlos de Almeida e Albuquerque a apresentar o projeto de Lei que deu foros de cidade a Pombal quando outros mais ligados a vossa terra por maior afinidade regional não atentaram para essa legítima aspiração dos vossos antepassados. O Dr. Augusto Carlos de Almeida e Albuquerque, bacharel de 1856 pela faculdade do Recife, era natural de Mamanguape. Filho do Comendador Francisco de Almeida e Albuquerque e de Dona Maria Joaquina de Albuquerque, de ilustrada família do brejo paraibano a que chamaríamos de aristocracia do açúcar. Foi deputado provincial em várias legislaturas e exerceu a magistratura com juiz Municipal de Mamanguape, onde residiu como proprietário do Engenho Veloso. Foi, posteriormente, juiz de Direito de Ingá, sendo transferido dessa comarca para a de Camaragibe, em Alagoas.
O Projeto de Lei que elevou Pombal à categoria de Cidade, apresentado à Assembléia Legislativa teve sua primeira leitura na sessão de 20 de junho. No dia seguinte, após a segunda leitura, recebeu o número 11. A 14 de julho foi aprovado em primeira discussão, a 17 em segunda e, finalmente, em terceira, a 18, sendo enviado à Comissão de Redação. Na sessão do dia 19 o Dr. Tertuliano fê-lo voltar à mesa com a redação final que foi aprovada, subindo à sanção presidencial, o que se deu a 21 de julho de 1862 quando o presidente Francisco de Araújo Lima o converteu na Lei número 63. Estava assim realizada uma aspiração acalentada por várias gerações. Pombal conquistara a desejada vitória que ia colocá-la em pé de igualdade com Sousa, Areia e Mamanguape. Mas quem era esse Presidente que ligou o nome a história de Pombal?
O Bacharel Francisco de Araújo Lima era cearense. Exerceu atividade política em sua província que o elegeu à Assembléia Geral, foi magistrado e governou a Paraíba de 18 de maio de 1861 a 17 de fevereiro de 1864, realizando uma das mais criteriosas administrações do período monárquico. Foi um grande amigo da população durante a epidemia do cólera-morbus e tratou da questão de limites entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Que o povo de Pombal guarde o seu nome, perpetuando através dos tempos a memória daquele que elevou Pombal com o predicamento de Cidade.
Aqui o povo saiu às ruas para comemorar a sua vitoria com incontido entusiasmo. As subscrições populares se sucediam no anseio das festas e os bailes na manifestação da justa alegria. O Jornal da PARAHYBA noticiava que “em Pombal era excessivo o contentamento pelos atos de justiça que a Assembléia prodigalizara para com os seus habitantes, já elevando a Vila à categoria de Cidade, já autorizando o provimento efetivo da professora interina e já restabelecendo a cadeira de latim” (...). A professora era Delfina Gonçalves de Sousa Barros, que vinha prestando assinalados benefícios à causa do ensino pombalense.
A Vila, na sua configuração urbana, ia pouco além do quadrado da matriz, com duas pequenas ruas que despontavam à beira da estrada. “Mas aqui vivia uma sociedade de adorável convívio, entregue às delicias dos saraus e às bisbilhotices dos serões nas velhas calçadas de Lages.”
Pombal, 147 anos nos separa da epopéia da sua elevação ao Status de Cidade. Essa terra, graciosa e saudosa, os teus filhos, presentes e ausentes, a tem com todas as forças do coração. Que essa data seja revigorada de alegria, harmonia e de uma grande confraternização entre os filhos, filhas e amigos (as) da nossa terra mãe. Como disse Antonio Ferreira Cascudo: “Eu desta gloria só fico contente”.
*Historiador e escritor pombalense.

CELSO FURTADO: NOSSA HISTÓRIA, NOSSA GENTE

por Jose Tavares de Araújo*
Foto: Divulgação
Quando eu e Verneck Abrantes resolvemos atender a convocação da prefeita Polyana Feitosa para descrever a biografia de Celso Furtado para os pombalenses em um compêndio de pouco mais de quarenta páginas, sabíamos que tinha pela frente pelo menos dois grandes desafios. Em primeiro lugar, a disponibilidade de pouco espaço para contar a trajetória de um dos mais profícuos pensadores do século vinte, que ao longo dos seus bem vividos oitenta e quatro anos emprestou seu cérebro privilegiado para interpretar, não só a formação da economia do Brasil, mas de toda sociedade latino-americana, e que além de apontar as causas do seu subdesenvolvimento e estagnação, também indicou os caminhos para a superação dos obstáculos impeditivos do tão almejado desenvolvimento.
A vida de Celso Furtado é repleta de momentos importantes. Missão difícil eleger quais os mais significativos. Na segunda guerra, serviu a Força Expedicionária Brasileira; foi o primeiro brasileiro a se doutorar como economista na Universidade de Paris; o primeiro a integrar a Comissão Econômica para América Latina – CEPAL; foi o idealizador e primeiro Superintendente da SUDENE; no auge da guerra fria, participou de encontros com autoridades mundialmente conhecidas, de ideologia completamente antagônicas, a exemplo do guerrilheiro Ernesto Che Guevara e do Presidente dos Estados Unidos John Kennedy; foi o primeiro ministro do Planejamento do País; por seu pensamento voltado em defesa de uma política econômica que desse vez aos menos favorecidos, foi expulso do Brasil pela Ditadura Militar; o primeiro economista estrangeiro nomeado para universidade francesa (aqui registra-se um fato marcante: Enquanto a ditadura do Brasil o expulsou do País, o Presidente da França, Charles de Gaulle, assinou decreto especial permitindo-lhe que integrasse os quadros da Sorbonne, onde lecionou por vinte anos); escreveu mais de 30 livros, entre eles Formação Econômica do Brasil, clássico sobre o desenvolvimento do país entre o período colonial e a industrialização.
De volta ao Brasil, foi Ministro da Cultura; eleito membro da Academia Brasileira de Letras; etc.; etc.,etc. O segundo desafio era ter que enfrentar e tentar desmistificar comentários preconceituosos, que no afã de tentar desmerecer a nossa cidade como berço do grande humanista, teimam em enfatizar que o nascimento de Celso Furtado em Pombal foi pura obra do acaso. Entretanto, achamos por bem não adentrar nestas questões filosóficas. Preferimos ficar com a resposta do próprio economista, seja quando ele afirma que ter nascido em Pombal foi muito importante para formação de seu caráter e que até as cheias do Rio Piancó o deixou mais cauteloso, seja quando ele revela que a sua ligação com a terra natal é algo do qual ele dificilmente poderia se libertar sem correr o risco de desestruturar sua própria personalidade.
Para quem não se contentou com suas teorias a respeito da importância de Pombal em sua vida, registramos pelo menos dois momentos importantes em que ele fez questão de visitar sua terra natal: em 1979, quando voltou do exílio, e veio visitar a casa em que nasceu; e em 1986, quando Ministro da Cultura, mais uma vez retornou à Pombal. O importante é que todos nós Pombalenses também temos muito orgulho pelo fato do destino ter conspirado para que Celso Furtado tenha nascido em Pombal. E procuramos mostrar isso através dos textos dos conterrâneos Cândido Tertuliano, José Romero Araújo Cardoso e José Vieira Neto. Além destes, selecionamos textos de Francisco de Oliveira e de Cristovam Buarque, o primeiro seu colega de SUDENE, o segundo seu ex-aluno em doutorado na Sorbonne. Portanto, a biografia de Celso Furtado, apresentada na Edição nº 06 da série “Nossa história, nossa gente”, na verdade não é uma obra que se possa dizer que é de autoria de Jose Tavares e Verneck Abrantes, mas o resultado de um criterioso trabalho de pesquisa desenvolvida pelos dois, visando principalmente relatar a trajetória e o impacto causado pelo pensamento do grande economista brasileiro.
Nosso compromisso foi pautado exclusivamente na exposição da verdade dos fatos, pesquisada em fontes diversas, fazendo constar, além de frases que resumem a linha de seu raciocínio ideológico, depoimentos de importantes autoridades de segmentos de nossa sociedade e textos transcritos integralmente, de forma a transmitir a real dimensão da importância das teorias econômicas de um gênio pombalense chamado Celso Furtado.
*Colunista Pombalense.

SALVAR O PRÓXIMO

Cessinha Neta (Foto)
Mª do Bonsucesso Lacerda Fernandes Neta
É fato que as descobertas científicas avançam a cada segundo de forma surpreendente, todavia, ainda não existe sangue sintético, o qual seja capaz de substituir o sangue humano. Sendo assim, os pacientes que necessitam receber sangue contam apenas com a solidariedade dos outros semelhantes. Nesse contexto, é importante que a população tenha alguns conhecimentos, a exemplo de quem pode doar sangue, as restrições e ainda aprenda a valorizar esse gesto deveras valioso.
De acordo com informações fornecidas no site do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o indivíduo interessado em doar sangue precisa se dirigir a um hemocentro, portando documento original com foto emitido por órgão oficial (Carteira de identidade, Carteira de motorista, entre outros). Os requisitos básicos são: o doador deve estar bem de saúde, ter descansado no mínimo 6 horas nas últimas 24 horas, idade entre 18 e 65 anos, pesar mais de 50 kg, não estar em jejum (evitar alimentos gordurosos 4 horas antes da doação).
O processo de doação envolve certas etapas. Inicialmente, será avaliado se o indivíduo está com anemia. Em seguida, são verificados: pressão arterial, pulso e temperatura. Depois disso, é feita uma entrevista rápida, a fim de se conhecer possíveis doenças que a pessoa tenha ou ainda fatores de risco do candidato à doação. Essa entrevista é baseada em uma portaria da legislação que rege a doação de sangue no Brasil e sua importância se dá pelo fato de proteger doador e receptor. A veracidade das informações dadas nessa etapa é algo fundamental.
Após o término da entrevista, caso não haja nenhuma restrição, começa a coleta de sangue propriamente dita. É feita a punção na veia do braço, recolhe-se o sangue na bolsa e em tubinhos que vão ser encaminhados para os testes. Aguarda-se um pouco, o doador toma um lanche e é dispensado. Depois da coleta, o sangue passará por vários processos e também testes para algumas doenças infecciosas; estes têm a finalidade de proteger quem vai receber o sangue, sendo de triagem e não de diagnóstico.
Segundo a médica Maria Angélica Soares, coordenadora do Hemocentro do Hospital São Paulo da UNIFESP (Universidade Federal do Estado de São Paulo), de forma geral, não podem doar sangue: 1) Pessoas que tiveram hepatite depois dos 10 anos de idade (antes dessa idade, a doença não é empecilho porque provavelmente se trata de hepatite A, cujo vírus é eliminado por completo do organismo); 2) Pessoas que tiveram hepatites B ou C; 3) Os portadores do vírus da AIDS ou de alguma doença infecciosa transmitida pelo sangue; 4) Pacientes com diabetes e que usam insulina ou anti-hipoglicemiantes por via oral; 5) Mulheres grávidas ou que estão amamentando; 6) Pessoas com febre; 7) Pessoas com peso abaixo de 50kg; com mais de 65 anos ou que tiveram perda inexplicada de 10% do peso em um mês; 8) Indivíduos com epilepsia ou crises de asma; 9) Pacientes que tenham se submetido a grandes cirurgias; recebido transfusão; feito tatuagem ou colocado piercing há menos de um ano. Vale salientar que a população que visitou áreas endêmicas de malária deve aguardar 6 meses para doar sangue e quem residiu nesses locais, esperar 3 anos para doar. A doação de sangue é um ato de amor ao próximo e, de acordo com divulgação do site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), são destacados os seguintes pontos: 1) A doação não traz risco à saúde; 2) Todo material utilizado é descartável; 3) Quem doa sangue uma vez não é obrigado a doar sempre; 4) Intervalo mínimo entre as doações é de 60 dias para homens e de 90 dias para mulheres. Atualmente, o maior desafio é encontrar doadores permanentes, ou seja, aqueles que, respeitando os intervalos corretos, anualmente, doem sangue. É preciso que a população entenda que, dificilmente, há estoques adequados nos bancos de sangue e que o sangue que está lá não dura muito tempo, sendo usado rapidamente, o que gera necessidade de reposição. Portanto, doe sangue! Coloque-se por um instante no lugar do outro, pois qualquer um de nós, pode se submeter a uma cirurgia, sofrer um incidente ou quaisquer situações que requeiram sangue. Não espere que alguém da sua família ou até mesmo VOCÊ precise. Pense nisso. Referências Disponível em: 1. http://www.inca.gov.br/ 2. http://www.saude.gov.br 3. http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas 4. http://www.anvisa.gov.br/ 5. http://bvsms.saude.gov.br/php/index.php 6. http://www.sbhh.com.br/ 7. http://www.opas.org.br/ 8. http://www.prosangue.com.br/
*Acadêmica de Medicina 6° Período *E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com

WILSON SEIXAS: O TIMONEIRO DA NOSSA HISTÓRIA...


CLEMILDO BRUNET*

      Se vivo estivesse o timoneiro da história do “Velho Arraial das Piranhas” WILSON NÓBREGA SEIXAS, estaria completando neste dia 15 de julho, 93 anos de idade; instante em que Pombal comemora seus 147 anos de elevação a categoria de cidade. Para nossa tristeza e

PROFESSOR GUIMARÃES: QUEM APANHA NUNCA ESQUECE E POUCO APRENDE - 1970.

Jerdivan (Foto)
Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Os castigos do velho Professor Guimarães a mim impostos, ali na S.A.O.B - Sociedade Anônima Operária Beneficente - pelas vezes que eu cheguei atrasado a aula, me valeram muitas palmatoradas, porém, experiência e aprendizado que servisse para minha vida futura, nenhuma. Não tinha eu nove anos de idade ainda, e já era submetido aos rígidos preceitos e doutrinas de um professor cujos métodos ficaram para trás, havia muito tempo. A nova pedagogia, segundo Paulo Freire, não mais permitia aqueles castigos, mas, fosse alguém falar ao Professor Guimarães do Método Paulo Freire, da alfabetização por imagens; das cartilhas Sodré; ou, Aracy Idelbrand com seu “Caminho Suave”, “Bitu” da “Editora Melhoramentos”, certamente também ficaria horas no canto da parede de joelhos, ouvindo o bater do vento nas três grandes janelas azuis que davam para a Usina de Beneficiar algodão, de Paulo Pereira.
Quantas vezes eu fiquei de frente aquele velho Mapa Mundi, encardido e desatualizado, decorando capitais de países europeus? Se “o dedo dói”, doeria menos sem aquelas infames palmatoradas. E,mesmo “a uva que vovô viu” era de um azedo intragável de se pronunciar diante da presença pastoral do mestre. A rigidez disciplinar do professor Guimarães era tanta que até os pais tinham receio em procurá-lo para reclamar dos castigos por ele impostos aos seus rebentos. Sentávamos uns ao lado dos outros em carteiras improvisadas. Porém, o silêncio, enquanto o professor não entrava na sala de aula era sepulcral. Era apenas uma sala de aula, na verdade um salão de mais de duzentos metros quadrados, para as três séries, sem nenhuma divisão que definisse quem estava em que fase do aprendizado. Aproximavam-se onze horas da tarde quando as panelas na cozinha do velho professor começavam ferver, incensando o ambiente do cheiro gostoso de carne frita e feijão. Aí a fome entre os alunos despertava mais ainda, de forma que dava para ouvir o barulho das lombrigas nas nossas barrigas vazias. Sim, por que a cozinha fora localizada bem acima do palco, onde outrora era um camarim.
A S.A.O.B tinha a forma de um teatro. O salão fora transformado na grande sala de aulas e, a parte por trás do que nos carnavais fazia a vez do palco, morava o velho mestre.Lembro-me de uma história que tinha na minha cartilha que narrava à saga de um menino que havia ganhado um pão da sua mãe e, ao agradecê-la, esta disse que ele deveria mesmo era agradecer ao padeiro... Ele sai nas carreiras, mas, ao agradecê-lo, o padeiro diz que ele deveria era agradecer ao caminhoneiro... Que diz que ele deveria agradecer ao usineiro... Que diz que ele deveria agradecer ao agricultor... Que diz que ele deveria agradecer ao sol... Que diz que ele deveria agradecer a água... Que diz que ele deveria agradecer a mãe terra... Que, por fim, diz que ele deveria agradecer a Deus. Ao final, o professor Guimarães, propositadamente, perguntou para Bíer, um dos alunos mais humildes da sala, e que desde o inicio da história dormia feito um anjo, o que ele teria feito se hoje pela manhã tivesse ganhado da sua mãe um pão. Bier, ainda sonolento responde:– Eu não teria comido as batatas que o senhor deixou esfriando em cima da mesa da cozinha. Todos nós ficamos sem entender a resposta até que o professor foi à cozinha e deu por falta de toda a batata que deixara esfriando na mesa. O relacionamento entre Bier e o mestre, depois deste episódio nunca mais foi o mesmo, que chegou até a levar uma surra do Professor Guimarães. Na primeira oportunidade Bier foi a forra e sentou-lhe o livro de “Admissão ao Fundamental” com toda a sua força na cabeça do professor, levando o velho ao chão. Bier fugiu pegando o caminho do rio, depois, de vários dias desaparecido, voltou a Pombal, nunca mais entrou em uma sala de aula e foi ser ajudante de mecânico na oficina de Nego Nero. Por onde andará Biér??? O Professor Guimarães era um homenzarrão, de uma estatura que o diferenciava dos demais filhos de Pombal. Talvez uns noventa quilos distribuídos em, acredito, um metro e noventa de carne e osso. É lógico que o nosso medo lhes dava esta estatura gigantesca. Se olhássemos de baixo para cima, sentíamos o mesmo pavor que deveria ter sentido os judeus diante dos carrascos nazistas. Se o filho não estava bem nos estudos, nenhuma ameaça era mais eficaz do que dizer que ia matriculá-lo na escola do Professor Guimarães. Era o suficiente para que o Boletim seguinte saísse do vermelho. Perto dele as Professoras Neném de Mister e dona Marinheira eram Madre Tereza de Calcutá.
A tabuada cantada era ouvida pelos que passavam ao longe nas imediações da S.A.O.B, assim como choro dos que a erravam. A leitura em voz alta ecoava nas “tesouras” de madeiras que sustentavam o teto, da escola, de forma a perturbar o sono diurno dos morcegos, ou provocar revoada das andorinhas que se aninhavam nas frestas das telhas. Na época, eu me deslocava da Rua de Baixo para a S.A.O.B, arrastando aminha wakiki, numa lerdeza tamanha que chegavam à perguntar se eu estava passando mal. Na verdade era a vontade de nunca chegar a S.A.O.B para entregar minhas brancas e macias mãos a sanha da palmatória do velho mestre. Era o que fazia de mim aquela figura triste que atravessava de um lado a outro da cidade em passos e vestes Charplinianas para se entregar a maldade do velho professor. Ao olhar aquela figura que povoava os meus piores pesadelos de menino, perguntava-me de onde saíra um ser tão sem coração, ao ponto de aplicar palmatoradas em uma criança de nove anos, só por que esta não conseguia entender que duas vezes dois eram quatro e não quarenta e quatro. Intrigava-me, também, o fato do professor, ao se encontrar com meu pai em longas conversas ali no Mercado Publico, olhasse para mim como se nunca me tivesse me visto. Ora, como podia se eu estivera apanhado dele naquela mesma manhã? Era como se, ao tocar a sirene da Brasil Oiticica, hora que ele nos liberava, seus alunos deixassem de existir. Para ele não éramos pessoas: éramos apenas cérebros em ainda vazios, prontos para armazenar as primeiras informações que serviriam para o resto das nossas vidas, porém, com a sua forma de educar, acabava por criar bloqueios irreparáveis nestes cérebros e corpos desnutridos.
Não sei em que ano o Professor Guimarães morreu, mas soube que ele deixou dois livros publicados com histórias tão velhas quanto ele. Dois romances ambientados no Século dezoito, que remontavam os terreiros e eitos dos velhos engenhos de cana de açúcar. Acho que ele era mesmo um senhor de engenho, que não havia tomado conhecimento do advento lei Áurea. Talvez fosse o reflexo da sua própria história. Quem vai saber?
*Escritor pombalense.

HOMENAGEM DE HONRA AO MÉRITO!

Cessa Lacerda (Foto)
Por Cessa Lacerda*
Reconhecendo que homenagem não é só privilégio dos mortos, Pombal ressalta também pessoas que mesmo não sendo filho daqui merecem exaltação pelo muito que contribuíram com a nossa terrinha e que representam valores para nós. Nesta oportunidade de aniversário da Cidade fazemos jus homenagear LAVOISIER PEREIRA PAIXÃO, homem de bem que já consolida em nossa terra há mais de cinqüenta anos, sendo privilegiado em ocasião, pela Câmara Municipal de Pombal como Cidadão Pombalense. Lavoisier é natural da Fazenda Bela Vista, município de Catolé do Rocha, nascido há oito de outubro de mil novecentos e trinta. Filho do casal Agostinho Pereira e Rosa Viana de Freitas. De uma família de sete irmãos, assim: Maria, Francisca, Lourival, Lauro, Lauri, Laudimiro e Lindalva. Aos oito anos de idade, estudou em Jericó com os professores dona Preta e Erasmo, onde concluiu o primário. Ainda jovem foi morar em São Paulo, ai, residindo por dez anos.
Retornando a Pombal com vinte anos, aqui firmou residência, comprando um caminhão e tornando-se caminhoneiro, viajando por todo o Brasil. Em 1957 fundou em nossa cidade o primeiro Posto de Gasolina e óleo, ingressando no ramo de peças para auto e pneus de todas as marcas e tamanhos e até de bicicletas revendendo para outras cidades circunvizinhas, tornando-se grande distribuidor de revendas em grosso e varejos, ampliando o estoque de peças para Mercedes Bens de alta qualidade, como assim, pneus, recebendo por muito tempo, combustível pelo trem de carga e depois por carro tanque, tornando-se o maior recolhedor de impostos na Coletoria de Pombal.
Liderou um movimento em parceria com a comunidade pombalense para impedir que fosse fechada a travessa Horácio Bandeira com o acesso a rua Cel. José Fernandes. Foi mentor do Parque de Vaquejada por nome Parque Independência. Instalou o primeiro Biodigestor produzindo o Gás natural em sua propriedade Granja Dois Irmãos. Por ser um Galã, sentiu o prazer de cortejar várias jovens, mas a escolhida do seu coração foi Sedith, com ela casou-se em 03 de julho de 1958. Com pleno amor construiu a sua prole, nascendo o primogênito Lavoisier Paixão Filho em dois de abril de 1959, seguido de Doris Lene Paixão, em 29 de março de 1960. Ambos casaram nesta mesma data 03 de julho, no ano 77.
Lavoisier, Sedith e Lavorsinho (Foto)
Este casal de filhos o presenteou com os seguintes netos. De Lavoisier Filho: Paulo de Tarso Bezerra Paixão, Caio Rodrigo Bezerra Paixão e Ítalo Romano Bezerra Paixão. De Dores Lene: Eduardo Franklin Medeiros Souto Maior, Polyana Medeiros Souto Maior e Ana Fadia Medeiros Souto Maior. Também foi premiado com uma terceira geração. Os Bisnetos: Ana Clara, Lucas e Eveny Louise.
Lavoisier Paixão, já se considerando filho de Pombal, dedicou mais ainda o seu coração telúrico a ela, oferecendo outras ricas contribuições, a exemplo do grande empreendimento do Hotel “Rio Verde”, em 1998, pois faltava a Pombal, um bom hotel para acolher, os viajantes, sobretudo as pessoas que vinham visitar Pombal em épocas de festas. Este Hotel oferece conforto e qualidade abrangendo a todos os vendedores representantes de vendas e turistas que vêem a nossa cidade, sendo merecedor de Títulos e Certificados. O referido Hotel foi consagrado como o melhor da Rede Hoteleira de Pombal.
Admirando o amor telúrico de Lavoisier por Pombal quero plagiar os versos do emérito e imortal poeta Prof. Newton Pordeus Seixas, quando se referiu a Sousa sua cidade natal e Pombal cidade de adoção. Que Lavoisier possa declamar assim como ele: “Minha Catolé, Catolé bela. Meu lindo Rincão Natal. Sou por demais teu amigo, Mas, sou também de Pombal, Pois se tu me deste o berço Pombal é meu relicário, Se por ti eu rezo um terço. Por Catolé rezo um rosário”.
Lavoisier é Maçom muito dedicado a Entidade. Também foi um dos fundadores do grupo da Terceira e Melhor idade: RECORDAR É VIVER. LAVOISIER e SEDITH constituem um casal íntegro e exemplar para toda a nossa cidade. Com cinqüenta anos de casados e uma história de amor muito linda!
O Casal Lavoisier e Sedith nas Bodas de Ouro (Foto)
Vale ressaltar a comemoração de suas “Bodas de Ouro”, em três de março de 2008 quando eles ofereceram uma grande e bela festa aos familiares e amigos. Aplaudimos este ilustrado casal. Mediante a integração deste Homem em nossa Terrinha, mereceu com justa razão ser um dos homenageados nesta Festa da cidade, Aniversário 2009.
Ao homenageado, prestamos a nossa sincera admiração, nossa gratidão e nossos parabéns!
Pombal, 11 de julho de 2009.
*Poetisa e escritora pombalense.