CLEMILDO BRUNET DE SÁ

PAULO ABRANTES... O AMIGO DOS TEMPOS DE CRIANÇA!

Paulo Abrantes (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Nascemos no mesmo ano com um mês de diferença, eu em primeiro de agosto e Paulo Abrantes em primeiro de setembro, na mesma cidade – Pombal. Somos contemporâneos desde a mais tenra idade; no Jardim da infância na Escola da Igreja do Rosário aprendemos o ABC com a mesma Professora, a senhorita Elza Pereira de Sousa, Elza de Serapião (saudosa memória).
Um dia seus pais tiveram de sair de Pombal e morar em João Pessoa nos idos de 1967, pois era desejo dos mesmos oferecer uma boa educação a seus filhos, uma família composta por 17 membros.
Em Pombal seu pai Augusto Gervásio de Oliveira exercia atividade de barbeiro, era a barbearia mais procurada pelos nossos patrícios. Sua genitora Doralice Abrantes de Oliveira cuidava das prendas domésticas, cabeleireira e costureira, ambos de (saudosa memória) - continuaram nesses mesmos ofícios na capital do Estado, onde o propósito de educar seus filhos era fundamental para vê-los mais tarde preparados para vida. 15 irmãos a começar de Paulo, Carlos (Carlito), Iruza, Igeruísa, Ione (in memoriam), Igerusa, Ilma, Douglas, Ieda, Maria Íris, Diógenes, Francisco, Augusto, Ivaldo (in memoriam), Maria de Fátima (in memoriam). Aos meus estimados leitores peço vênia para homenagear a este intrépido, ousado, corajoso e vencedor PAULO ABRANTES DE OLIVEIRA, que faz aniversário neste primeiro de setembro de 2009.
Escrever sobre Paulo Abrantes é uma honra. Ele é a Cordialidade em pessoa. Possui uma bagagem intelectual do mais alto nível, sendo grande lutador em prol da educação em municípios como o de Sapé na Paraíba, além de uma folha invejável de relevantes serviços na condição de Engenheiro Civil - as cidades de Bayeux e Santa Rita.
Uma fera em fazer amigos e conquistá-los. Referencial em nossos dias, de uma amizade próspera e duradoura entre aqueles que o cercam; tanto os de seu convívio atual, bem como os do tempo de criança que estão distantes, entre os quais, sou um deles.
Paulo Abrantes é casado com a Advogada Ana Rosa Neiva Monteiro Abrantes, tem um filho, Paulo Augusto G. Abrantes, mora em João Pessoa capital da Paraíba, desde 1967. Ana Rosa, digníssima companheira, é uma mulher exemplar, que muito tem contribuído na evolução polivalente e laboriosa de seu esposo, tem sido o seu braço direito em toda e qualquer tarefa, seja no lar ou no trabalho.
Nosso amigo Paulo Abrantes é formado em Engenharia Civil e Licenciatura em Ciências pela UFPB. Duas vezes venceu o concurso de oratória, o primeiro a vencer na escolha de Orador Geral das turmas Concluintes da UFPB 1980/1988. Ex-Professor do Liceu Paraibano e Colégio Estadual Santa Júlia, lugares em que lecionou as disciplinas: Física, Desenho e Matemática. Por três gestões, foi Diretor da Residência Rodoviária do DER – Sapé-PB e Gerente do Projeto Renascer II (Construção de casas populares em regime de mutirão), em Cabedelo e Bayeux na Paraíba.
Ex-Secretário de Obras e Serviços Urbanos do Município de Sapé-PB, Suplente de Vereador da Capital pelo PSB, em 1996. Candidato a Vice Prefeito de Sapé em 2008. Membro efetivo da API e AAI – Associações de Imprensa da Paraíba e de Alagoas. Tem colaborado com os principais Jornais da Capital, O Norte, Correio da Paraíba, A União, com artigos e crônicas refletindo a força do pensamento sertanejo e brejeiro, impregnado de espírito nordestino na defesa do problema social tipicamente nosso, a agonia dos engenhos, o domínio crescente das usinas, em suma, a desumanização da economia pela mecanização da lavoura de cana-de-açúcar e dispersão de um povo.
Com um espírito empreendedor e apegado as coisas de sua terra Pombal, reuniu em dois compêndios, vários artigos publicados na Imprensa de João Pessoa e outros, como uma maneira de exaltar as belezas históricas e exuberâncias presentes no seu torrão natal.
Sua primeira obra literária “Fazenda Gado Bravo” é uma volta ao seu tempo de infância onde todos nós nessa recordação podemos mergulhar no “túnel do tempo” revivendo nossas origens, como diz Dr. Carlos Pereira de Carvalho e Silva em um trecho no prefácio: “A descrição das pessoas e dos fatos é rica e, algumas vezes, desce a detalhes, com tanta precisão, que nos coloca como participantes daquelas cenas, ainda que não tenhamos vivenciado experiências semelhantes... Livro que foi feito para ler e reler”.
livro “A Dama da Rua Estreita” que foi prefaciado pelo Poeta e Escritor pombalense José de Sousa Dantas, em um trecho está escrito assim: “Em A Dama da Rua Estreita – conjunto de relatos que formam esse romance está em ponto concentrado, todas as características e nuances do estilista e do ficcionista. Faz-nos assistir aos diálogos íntimos das suas personagens, diferenciados também segundo hábitos e interesses dominantes, que abordam tema campestre numa cidade histórica, rica de lendas, fatos e pitorescas personagens”.
Paulo Abrantes Entrega ao Senador Roberto Cavalcanti Proposta da Criação do Campus de Sapé. (Foto)
Como Presidente da Comissão Provisória da Instauração de Cursos de Graduação da UFPB campus de Sapé, Paulo Abrantes, conseguiu apoio imediato do Senador Roberto Cavalcanti, o qual vem empreendendo ações efetivas junto ao (MEC) Ministério da Educação e Cultura, para realizar o sonho de 146 mil habitantes da micro região de Sapé, na implantação dos citados cursos, cuja proposta da criação do Campus de Sapé e projeto foram entregues em mãos ao Senador Roberto Cavalcanti, por Paulo Abrantes, na sede do Sistema de Comunicação do Correio da Paraíba na Capital do Estado.
Na última sexta feira dia 21 do corrente mês, o Senador Roberto Cavalcanti, telefonou para Paulo Abrantes, informando que o encaminhamento ia muito bem no MEC e que o Ministro deu o aval para a implantação do Campus, cujo pacote de documentos do Projeto definitivo está sendo preparado. Comissão Provisória na foto da esquerda pra direita: Paulo Abrantes Presidente, Vereador Jussiê Guabiraba Secretário, Senador Roberto Cavalcanti, Professora Josivete Carvalho Tesoureira, Ana Rosa Neiva Monteiro Abrantes Advogada e Assessora Jurídica
Que mais diria eu sobre Paulo Abrantes? Apenas concordar na íntegra, com dois poemas do poeta José Pereira Monteiro.
MARINGÁ, MARINGÁ! José Pereira Monteiro. Pombal fica num recanto Cheio de tanta beleza Que a própria natureza Revestiu-lhe de encanto Eternizando o seu canto Na canção de Maringá Que sempre persevera O seu valor verdadeiro E o povo do mundo inteiro Jamais lhe esquecerá. Certa vez eu vi o Paulo Disparado num cavalo Com um rosário na mão Correndo pra lá, e pra cá Implorando a Maringá Pra voltar pra seu sertão Pra de novo o coração Do poeta sossegar Pombal tem grande valor Terra de heróis, e guerreiros De poetas, e de vaqueiros Um povo trabalhador Que brilha em todo setor No aspecto cultural Na porteira, e no curral No pirão de queijo quente No cachimbo de aguardente E nas noites de Natal. PAULO ABRANTES
Poeta José Pereira Monteiro. Membro da Academia Maceioense de Letras “ Academia Paraibana de Poesia “ Associação Alagoana de Imprensa
Paulo Abrantes de Oliveira Engenheiro, professor Jornalista, escritor Um artista tarimbado Ensina, ajuda, aparece Participa e vitaliza Constrói, influi, realiza Atende, encanta, engrandece. A corte municipal Da cidade de Pombal Ofereceu-lhe um troféu Doutor Paulo não é prosa No seu castelo em Sapé Com Doutora Ana Rosa Vive pertinho do céu. Com discurso, festa e brilho, Festival, livro e programa Pombal eterniza a fama Do seu talentoso filho Seu novo livro é um show Na rua tem camelô Pra lá e pra cá gritando Pombal revive cantando Tudo que Paulo sonhou.
Paulo Abrantes, meus Parabéns e Feliz Aniversário!
*RADIALISTA.

POMBAL! CIDADE BELA E MARAVILHOSA! BERÇO DA DEBUTANTE EM FESTA!

O ENLEVO HISTÓRCO DA HOMENAGEADA DE HOJE, COMEÇOU AQUI, NESTE HOSPITAL E MATERNIDADE “SINHÁ CARNEIRO” DE POMBAL.

Francimar de Lacerda Fernandes, (Cimar), ansioso para receber mais um fruto do seu amor, encaminhou a sua amada Elizabete Cecília Abrantes Fernandes para se submeter ao segundo parto. Quando estava tudo preparado pelos profissionais Dr. Verissinho (médico), Dr. Geraldinho, (anestesista), Dra. Fátima, (pediatra), a parturiente entra em trabalho de parto e em pleno calor sertanejo, quase ao meio dia do dezenove de agosto de 1994, nesta Maternidade “Sinhá Carneiro”, ouviu-se um choro forte de uma criança que acabara de nascer. Desta feita, mais uma linda princesinha, pois a primogênita Cecília Maria já ocupava o primeiro espaço de amor no coração do casal. Mais uma vez, o lar deste casal encheu-se de alegria ao receber aquela garota forte e linda. Foi uma festa para todos os seus familiares.

__Emanuelly era uma gracinha, com os pais e nos braços da sua madrinha Vanilda. Cresceu amada no seio das duas famílias paternas e maternas e todas as manifestações que revelava eram motivo de alegria para os pais avós e familiares.

PALCO DO SEU PARAÍSO INFANTIL.

Princesinha linda em que a mãe se expressa, hoje, carinhosamente: “Não era para ter crescido devia ficar sempre esta belezinha até hoje”

Está linda nesta foto, para cada momento ela sempre tinha uma pose, pois mesmo em criança já era vaidosa. Mais uma bela pose, no jardim da sua casa em João Pessoa, pois sempre foi o centro de todas as atrações.

EMANUELLY, ainda freqüentou duas escolinhas em João Pessoa, estas que ela faz referência de recordação e muita saudade.

Ao retornar a Pombal para morar, Emanuelly estudou no Instituto “Roberta Fernandes” participando da linda festinha de conclusão da Alfabetização, isto é, Doutores do ABC, cujo Padrinho foi seu primo Felipe.

Foi ai que ela fez até a quarta série, depois se transferiu para a escola municipal N. S. do Rosário cursando até a sétima série e no Arruda Câmara conclui o Ensino Fundamental. Hoje cursa o 1° Ano do Ensino Médio na Escola “Menino Jesus” Geo. Pombal.

Ela gostava muito de participar de festas principalmente nas escolas. Aqui é uma demonstração da sua vaidade como Havaiana para dançar no Instituto “Roberta Fernandes”.

Sempre linda, ingênua, sorridente e vaidosa. Tudo para ela agradava e ficava feliz. Vejam que pose em minha casa na época do Natal para também exibir minha arte no chapéu de crochê.

Ela costumava a me acompanhar para onde pudesse ir e admirava a Academia de Letras de Pombal. Muito inteligente perguntava como era que funcionava. Um dia a convidei para fazer uma pose que ficasse de lembrança e ela prontamente vaidosa aceitou. Esta garota era mesmo um fenômeno!

Muito apegada a mim, motivo que sempre me envaideceu tornando-se nesta fase infantil uma grande amiga. Guardo as melhores impressões dela e sinto profunda saudade desse tempo. OLHAR BONITO DE CRIANÇA ESPERTA, SADIA, INTELIGENGE E AMÁVEL! UM COMPLEXO DE FELICIDADE!

Querida, você não foi uma criança trabalhosa e danadinha como respondeu ao meu questionário, sempre manteve uma esplendorosa afeição por todos com quem convivia. Guardaremos a recordação da criança admirada e amada que você foi. Agradecemos a Deus por tanta beleza. Hoje, ao despedir com saudade da sua Infância podemos parabenizá-la por ter vivido esta melhor fase com fulgor de alma cândida. JUVENTUDE FASE DOS SONHOS! Jovem bonita, vaidosa e inteligente! Quando somos jovens, temos manhãs triunfantes.

Sim, eu acredito muito nos jovens á procura de novos horizontes abrindo espaços largos na vida. E você, minha querida, deve abraçar esta fase com muito amor, pois a vida sem amor não tem sentido. Repito aqui o seu conceito de vida. “A vida é um presente de Deus que nos deu com muito amor e carinho para aproveitá-la e fazer o bem”. Confio muito em você, porque reconhece que Deus assume o primeiro lugar em sua vida, considerando-O o seu alicerce e que sem Ele não poderá fazer nada. Ele será sempre o seu Bom Pastor.

Parabéns, linda menina que sabe amar, orar, sonhar, brincar, dançar com Deus no seu coração! Não deixe nunca de ser uma jovem alegre e descontraída usufruindo dos prazeres e amizades com todos os seus.

Parabéns por esta tão linda foto que você escolheu para o seu convite e mais ainda pela bela mensagem expressa com sentido de jovem firme no Plano de Deus: "Quero sempre poder ter um sorriso estampado em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre... E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor”
É hora de deixar de lado as brincadeiras de infância e montar uma agenda com fotos, recortes de gatinhos e versos carinhosos de amigos. Se preparar, pois tanto suas inspirações como sua aparência prometem muitas mudanças a ser vividas.
Chegou o momento de admitir que esteja se tornando adulta e vencer maiores desafios com responsabilidades e segurança.
Abrir seu coração para emoções mais intensas e mostrar que é forte, que cofie no seu futuro, e quando sentir isso verá como é gratificante.
Mire bem o sol minha querida e toda a natureza bela ao seu redor Hoje é o dia mais belo da vida de uma Menina Moça! 15 anos! !5 Anos! Inesquecível momento. Viva com emoção e segurança este belo dia e esta importante fase!
Aliás, entregue os seus problemas nas mãos de Deus e é bom saber que nós amamos muito você! Quanta beleza neste seu grande dia, onde a graciosidade deste momento transforma o Universo num palco encantado em que você é o centro de tudo que é belo.
Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente sua vida: amor no coração e sorriso nos lábios.
Minha querida Debutante, você tem tudo para ser uma jovem feliz. É bela, sadia, inteligente, idealista, amada por seus familiares e amigos, basta que seja firme nas suas decisões.
Emanuelly querida, obrigada pela referência e o reconhecimento que você tem para com a família, sobretudo seus pais que foram os mais responsáveis por sua criação, ensinando-a o valor das coisas certas e erradas, expressando mais, que: “Tenho por minha família um amor especial, pois ela é tudo para mim!
Sabemos que você tem boas relações com os amigos, mas com seus primos tem mais afinidades, sobretudo Francisco José.
Minha querida Emanuelly, não fiz uma crônica, mas um pequeno relato da sua vida, pois a conhecemos pessoalmente a jovem carismática que você é, simpática, carinhosa e muito vaidosa para com as coisas boas. E para mostrar o seu bom gosto segue ai um pequeno álbum que colecionei para você.
Que Deus lhe cubra de Bênçãos nesta data linda e que lhe proteja sempre para que possa construir um futuro brilhante. Beijos de sua vó Coruja Cessa.
O PORTAL CLEMILDO, COMUNICAÇÃO E RÁDIO, Associa as suas homenagens a esta data tão importante para a vida de Emanuelly. Nossos Parabéns neste dia especial de seu aniversário.

PARABÉNS JACINTA!

Neste dia 28 de agosto quem faz aniversário é a nossa amiga radialista Jacinta Nogueira. Jacinta, pessoa amável e comunicativa que exerce sua profissão com galhardia e amor desde os idos de 1988, quando estreou na Rádio Bonsucesso com um programa inusitado chamado Rádio Criança direcionado aos baixinhos da região.
De lá pra cá prosseguindo em sua carreira evoluiu e em muito, mostrando aptidão e versatilidade no trabalho da radiofonia. Ingressou na primeira estação de rádio FM em Pombal em 1993, Rádio Liberdade 96FM, o que lhe valeu por conta da direção da emissora, um estágio em uma FM em João Pessoa-PB. Depois da Liberdade, passou ainda pelas seguintes emissoras: Rádio Maringá 98 FM, Educadora de Conceição de Piancó e Opção 104 FM de Pombal. Atualmente está na Maringá FM, onde mantém um Programa de grande audiência “O Toca Tudo”.
Consultora de vendas do Boticário e ainda participa com sua voz maravilhosa com mensagens sociais e festivas no som volante “Disk Mensagens”.
Em fim, Jacinta Nogueira é uma moça atraente não somente pelos seus traços físicos, mas também pelo carisma que ela transmite.
É linda por dentro e por fora como dizem as pessoas. O altruísmo é uma prática de vida no seu cotidiano; é uma mulher que dar-se ao respeito para ser respeitada e é possuidora de uma empatia invejável sabendo lidar com os seus interlocutores.
Receba Jacinta Nogueira, os mais efusivos votos de Parabéns e de Feliz Aniversário nesta data de 28 de Agosto de 2009, do Portal – CLEMILDO, COMUNICAÇÃO E RÁDIO!
FÉ EM DEUS E MUITOS ANOS DE VIDA, MINHA AMIGA.

REI NA BARRIGA

Por Severino Coelho Viana
O absolutismo, historicamente, como é sabido, desapareceu do nosso costume político, com o surgimento dos ideais propugnados pela Revolução Francesa, do século XVIII, que ficou simplesmente simbolizado com a queda da Bastilha, apesar de ter ficado arraigado nas entranhas do sentimento humano individualista, que os desavisados perfilam como um fado na consciência.
Os resquícios da história não se apagam com o passar do tempo, a cada época aparece repentinamente um fomentador das reminiscências e tenta colocá-las em práticas, mesmo que seja de forma camuflada. O ser humano tem uma tendência para seguir os maus exemplos. Uma expressão muito em voga na nossa vida cotidiana e muito identificada no meio social, é o dito popular: “fulano de tal tem um rei na barriga”. O destaque deste rei vive no palácio da hipocrisia. Esta expressão não é tão moderna quanto pensamos. Justamente, ela provém do tempo da monarquia, quando as rainhas ou favoritas do soberano engravidavam, os áulicos da corte passavam a tratá-las com deferência especial, pois iriam aumentar a prole real, e com o rebento que carregavam na barriga era um provável herdeiro do trono, mesmo que fosse bastardo.
Hoje, o rebento saiu da barriga e enraizou-se como um gânglio na mente humana, que mesmo não havendo esperança de figurar como legatário de nenhuma cadeira real, ilusoriamente cria o seu reino fantasioso, que se chama pobreza de espírito. Digamos assim que seja uma espécie de rei sem coroa. Ou o bobão passageiro da vida cotidiana. Basta assumir o menor cargo na carreira funcional que ele o transforma mentalmente como a cadeira principal no nível do escalão hierárquico.
Essas pessoas que andam com um rei na barriga, que não têm o mínimo de cuidado com o seu mundo interior, por si só, elas são esnobes, buscam o estrelato, pretendem uma morada em Marte, mas, e acima de tudo, elas são inseguras, medrosas e carentes de aconchego. E às vezes chegam a usar o poder da força e atropelar os padrões da civilidade. Ressoam minguadamente e tentam transmitir conhecimento vasto nas diversas áreas: política, economia, futebol, arte, cultura, religião etc.
A superficialidade no modo de agir já traduz o sentimento de arrogância. Pisa na estrada carroçável pensando que é uma passarela vermelha e as pedras de paralelepípedo veem como um tapete persa. Com a ponta do nariz empinado só não reflete em direção à humildade de Sócrates: “só sei que nada sei”. Ora, como pensa na sua ilusão imaginária reproduzir um clone socrático?!
O excesso de orgulho se contrapõe à virtude da humildade, tornando-se avarenta porque pensa ser melhor do que os outros. O dono de todas as situações e o canastrão de todas as veleidades. O pior de tudo isto é que não é somente literatura, mas pura verdade.
O orgulho excessivo é aquela emoção que enche a mente de imagens grandiloquentes, fazendo pensar que tudo gira em torno do próprio umbigo. A soberba acaba tornando-se uma pessoa difícil, para não dizer insuportável, de se conviver, de ter um relacionamento de cordialidade e respeito mútuo. Geralmente, ela acaba sozinha, contando vantagem e esperando que o mundo o reconheça como alguém superior. Como ser reconhecida pelo que nada fez? O que ela acha que está circulando é irreal, fruto somente de uma mente sádica.
Uma conquista pessoal é motivo de alegria, satisfação e vitória. Todavia, queremos deixar claro que isso não significa que devamos nos sentir superiores a quem quer que seja; pelo contrário, uma conquista arduamente atingida serve para nos apercebermos do quanto ainda temos a aprender. O sentimento de orgulho não deve ser um passaporte para a arrogância, pois a vida é, muitas vezes, dura em seus ensinamentos, e um deles é que se hoje estamos por cima, amanhã poderemos estar por baixo.
Parece-nos que a questão do excesso de presunção, arrogância e orgulho, eles se firmam como um desvio de personalidade, como uma cascavel que prepara o bote e a vítima não recebe nenhum sinal de alerta, quando desperta já está contaminada pelo veneno. Os desastres que aparecem de encontro à sua vida é consequência dos seus próprios atos mentais. Negatividade atrai negatividade, depois fica questionando a sua própria desdita. A sua construção não passou de um castelo de areia erguido na beira da praia, o avanço de uma simples onde o destroi facilmente.
Quando nos referimos ao orgulho do egoísta, onde a pessoa se sente a dona do pedaço, vê-se como a maior e se considera melhor que os outros, que usa da vaidade para exibir-se e sobe nela tripudiando o outro ou mesmo para se vangloriar, aumenta o próprio valor por causa da auto-estima que anda baixa. Não seja escravo dessa doença, não a deixe morar no seu coração. Salte desse fogo cruzado. A simplicidade é a melhor forma de viver na harmonia. Mate este dragão que carrega na sua mente.
E não fica somente na esfera do campo pessoal, ressurge na convivência familiar, no círculo de amizade, no meio social, no final, em toda a área circundante de sua natureza. É o resultado de um projeto de vida que não vai além das muralhas de seus instintos, que não pode formar uma base sólida na construção de um mundo melhor, que não passa de um sentimento bestial capaz de autodestruição e alimentador de agouro para os que o cercam.
Os sintomas deste mal só quem pode detectá-los é a própria pessoa, veja se está enganando a si próprio, se o seu projeto de vida é realmente verdadeiro. Cada pessoa sabe a criação de suas próprias fantasias. Se você deseja ser o mais rico, o mais sábio, o mais simpático forçosamente; acha-se o melhor e o mais sábio do mundo, aborte este feto monstruoso que criou no seu mundo. João Pessoa, 27 de agosto de 2009.

OS CAMINHOS DO PADRE MARTINHO LUTERO LIBÓRIO PELAS RUAS DE POMBAL

Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Maravilhoso, seu trabalho de cotejo entre a real cidade de Pombal e a que recriei como cenário de meu romance Relato de Prócula, Jerdivan. Lembra o que os estudiosos fizeram e sempre fazem para levantar a Dublin real a partir da Dublin que James Joyce levou para seu vasto romance Ulisses, guardadas as devidas proporções entre Pombal e Dublin e entre Solha e Joyce. Mas como diz Fernando Pessoa, "O Tejo não é mais belo que o rio que corre na minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre na minha aldeia". Meus cumprimentos pelo belo texto.(W J Solha)
O livro “RELATO DE PRÓCULA” W. J Solha, 1ª edição, editora a girafa, 2009, além da riqueza filosófica, de nos conduzir a discussões e reflexões polêmicas que é a religião ou a religiosidade do povo, tem uma importância significativa para todos os filhos de Pombal, e, em especial, para nós que travamos árduas lutas, muitas vezes inglória, pela preservação do patrimônio histórico e cultural da nossa terra. Não é sempre que um romance de repercussão nacional, lido, comentado e criticado pelas melhores mentes formadoras de opinião do país, tem como ambientação principal a nossa cidade. Trata-se de um momento de grande satisfação e que nos devolve a energia e ânimo necessários para continuar o nosso trabalho em defesa do patrimônio cultural e histórico da nossa terra, mesmo que a poeira e os escombros das demolições embarguem os olhos daqueles que poderiam ter feito alguma coisa pela preservação da historia da nossa terra e não a fizeram. No “Relato de Prócula”, o autor tomou a liberdade, que só a literatura permite, de trazer de volta da extinção importantes equipamentos públicos, que foram de suma importância à comunidade. Assim o Colégio Diocesano, o Hospital Sinhá Carneiro e o prédio do Cine Lux, continuam resistindo e fazendo parte de nossa história, ao lado de antigos e novos equipamentos como as Igrejas do Rosário, do Bonsucesso e de São Pedro, a Coluna da Hora, a Câmara Municipal, o Bar Centenário, o Terminal Rodoviário, o Tiro de Guerra, as Rádios Maringá, Bonsucesso e Liberdade, a Academia Pombalense de Letras, a Caixa Econômica Federal, os Bancos do Brasil e do Nordeste, a AABB, a AEUP e até o famoso Rói-couro. A leitura do romance nos remete a um verdadeiro passeio pelas ruas e pela historia de Pombal. Podemos nos deleitar com este passeio desde o momento em que o Padre Martinho Libório retorna à Pombal, vindo de João Pessoa, através da BR-230, passa pela Praça Hermínio Monteiro Neto, localizada defronte a Prefeitura Municipal, construída em 1972 pelo então prefeito Dr. Atêncio Bezerra Wanderlei. Por trás da Prefeitura, ver-se a Praça Monsenhor Valeriano, construída por Azuil Arruda, em 1962. Na frente desta, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Bonsucesso, que tem a sua frente a Praça Getúlio Vargas, por sua vez, agora geminada com a Praça do Centenário. Praça Hermínio Monteiro Neto, Praça Monsenhor Valeriano, Praça Getúlio Vargas e Praça do Centenário. Pois é, de repente nos damos conta de que Pombal tem o privilégio de ter, do percurso correspondente a sua entrada até o centro, quatro majestosas praças. A Praça do Centenário, construída pelo Prefeito Sá Cavalcanti, ganhou este nome após a reforma feita em 1962, por ocasião da festa do Centenário da Cidade, na gestão do prefeito Azuil Arruda. Oportunidade em que também, como parte das comemorações do Centenário, se instalou na cidade o Banco do Brasil, trazendo com ele o jovem bancário W.J Solha, mais tarde reconhecido teatrólogo, ator, artista plástico, romancista, poeta, intelectual e criador do personagem Padre Martinho Libório, Foi na Rua Nova (João Carneiro, no Romance batizada de Rua Getúlio Vargas) que o padre Martinho Libório escolheu para atentar contra a própria vida, com um tiro no peito, após estacionar sua camionete Dodge sob a penumbra de um frondoso pé de fícus Benjamin. Nesta rua fica a casa Paroquial, bem ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bonsucesso, inaugurada em 1897. Uma casa depois fica e a casa de dona Dalva Carneiro, irmã do Senador Ruy Carneiro. A Rua Nova começou a ser calçada com pedras Paralelepípedos em 1970. Na verdade, João Carneiro pai de Ruy é o patrono desta rua, embora na sua frente a praça tenha o nome do ex-presidente suicida. A escolha do local pelo Padre Martinho para atentar contra a própria vida foi apropriada. Ferido, o padre busca socorro no Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro que fica na Rua Monsenhor Valeriano Pereira, paralela a Jerônimo Rosado. Rua esta que homenageia o farmacêutico em Pombal, patriarca dos Rosado Maia, que fundou um império econômico em Mossoró, que ia da extração da Caulim ao Petróleo. Ele pai Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia (1911 - 12 de julho de 1951) prefeito de Mossoró, governador do Rio Grande do Norte], falecido em um desastre aéreo, hoje nome de importante cidade potiguar. Foi exatamente na Rua Jerônimo Rosado, onde foi construido, por Chiquinho Formiga em 1953, e mais tarde vendido a Afonso Moutta, o Cine Lux, localizado bem em frente ao casarão do medico, intelectual e exprefeito, ex-deputado estadual, Dr Atencio, que tambem e importante personagem do romance. Outro personagem bem conhecido entre nós é Dr. Avelino, tambem médico, ex-vice-prefeito, ex-prefeito e ex-deputado estadual, que construiu sua residência no lajedo do Riacho do Bode. Já o Hospital Distrital de Pombal fica em frente ao antigo Colégio Josué Bezerra, no final da Rua do Comércio, onde já funcionou o grupo Escolar João da Mata e o Colégio Estadual de Pombal, que mudaram respectivamente para o Centro Histórico e para um prédio próprio as margens da Br-230, saída para Sousa. Lembro que a fachada do atual João da Mata foi usado por Linduarte Noronha como Forum, nas gravação do filme Salário da Morte, apesar de que as cenas internas foram rodadas nos majestosos corredores do antigo João da Mata, onde hoje é o Hospital Distrital de Pombal. No início da Rua do Comércio ainda hoje funciona o Pombal Ideal Club. A AABB, chegou em Pombal com o Banco do Brasil, antes os bancários criaram o El Cabana Club que tinha como sede as oiticias e ingazeiras do Rio Piancó. A AEUP continua funcionando na parte superior do coreto do Bar Centenario. Os grupos teatrais não existem mais. Mas todos essa entidades foram criadas entre a primeira metade da década de sessenta e a primeira da década de setenta. Foi neste periodo que aconteceu o período mais negro da ditadura militar, tambem foi inaugurada a BR-230 e rodado em Pombal “O sálario da morte”, o primeiro longa metragem paraibano. Foi a época de maior efervecência na vida sócio-cultural da cidade de Pombal. O Banco do Brasil, que iniciamete funcionou na Rua Francisco de Assis, passou a funcionar em sede própria pela primeira vez em um Predio que foi contruído na esquina da Rua Nova com a Padre Amancio Leite, em 1969, onde antes havia os escombros do bangalô de Sá Leite, que não chegou a ser concluido, por conta de ma desilusão amorosa, dizem. Este sobrado inspirou Tarcisio Pereria a escrever o romance “Como São Jorge na Lua”. Depois, como sabemos, o Banco do Brasil mudou para a Rua Cândipo de Assis, onde fuciona até hoje. O antigo prédio do Banco do Brasil deu lugar ao Tiro de Guerra que mais tarde cedeu o prédio para o Pombal Shoping Center. O Ginásio Diocesano de Pombal, depois denominado de Colégio Diocesano de Pombal, foi fundado em 1954, por padre Vicente de Freitas. Funcionava no antigo sobrado de Dona Jarda na Rua Nova (onde hoje funciona a Farmácia Nova e a residência de Sr. Raimundo de Freitas). Depois, no prédio onde hoje grupo Escolar João da Mata, próximo da Cadeia Velha. Na época em que o então Padre Martinho Salgado (inspirador do personagem Padre Martinho Libório) foi Diretor, o ginásio diocesando já tinha prédio próprio, localizava-se onde depois foi contruído e até hoje funciona o Colégio Estadual Monsenhor Vicente de Freita.. O Ginásio Diocesano de Pombal era um construção majestosa, um quadrilatero com dois pavimentos, várias entradas, e no centro, a única quadra de futebol de salão da cidade. Ver um filho vestindo o uniforme do Colégio Diocesano de Pombal era o sonho de todos os pais de familia, Por muito tempo foi a única opção de ensino colegial na Cidade de Pombal. Era mais voltado para o alunado Masculino, assim como o Colégio Arruda Câmara era exclusivamente para o feminino. Não confundir Colégio Arruda Câmara com o Grupo ou Colégio Estadual Arruda Câmara. O primeiro, nao mais existe, pertencia a Diocese, houve uma época que era administrado pelas freiras, depois ganhou o nome de Colégio Josué Bezerra. O segundo, ainda resiste ao tempo, pertence a rede estadual de ensino. A fazenda Mundo Novo, principal palco do romance, propriedade do Padre Martinho Libório, na verdade pertenceu a Neco Vieira, casado com dona Lulu, que veio a ser madrinha de José Tavares de Araujo, meu avô paterno, e mãe de Horacio Freitas, que também é um dos personagens do “Relato de Prócula”. Fica vizinho a fazenda Monte Alegre, terra que meu pai herdou seu avô Felix Lucas da Silva. Hoje a Fazenda MUNDO NOVO pertence aos meus parentes próximos, herdeiros de Chico Benigno, sendo uma parte dos Queirogas, como de sorte são boa parte das terras de Pombal Em suma, era este o mundo do Padre Martinho Libório, nas Ruas Pombal, desde que teve a aquela desilusão e abalo em sua fé, quando se apresentava no papel de Pilatos, na peça Auto de Deus, realizada em plena semana santa na Praça Pedro Américo, em João Pessoa.
*Escritor Pombalense

A LINGUAGEM DO ENTENDIMENTO!

Clemildo (Festa do Rosário 2004) (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Existe um ditado popular “Quem diz o que quer, ouve o que não quer”, isso só acontece por falta da linguagem do entendimento. Nós seres humanos somos controversos, mas não significa dizer que nas nossas controvérsias, não haja um ponto de convergência usando o bom senso, venhamos a concordar ou não, com quem discorde do nosso pensamento. É verdade que somos indivíduos (ser indivisível e distinto) nem por isso, deixemo-nos levar a tal ponto de não considerarmos a liberdade de expressão de outrem, na linguagem do entendimento.
Nesses dias aconteceu um fato interessante que me chamou atenção. Nosso amigo WJ. Solha me enviou um email com estas palavras: “OK, mestre. Como vi, pelo seu blog, que é pessoa religiosa, digo-lhe que não me magôo se puser meu livro de lado. Que o considere como um presente, apenas estético, feito um velho ferro de engomar a carvão”. Ao que prontamente lhe respondi: “Amigo Solha: Seu livro não ficará a mercê de um ferro de engomar de carvão. Considero o seu presente e ao chegar a minha cidade vou lê-lo com toda satisfação. Isso em nada me afetará naquilo que creio. Por outro lado, está na Bíblia, é o Apóstolo Paulo nos seus ensinamentos que diz: "Devemos provar de tudo e reter o que é bom". Abraços: Clemildo Brunet”. A este email ele respondeu: “Grande resposta, de um cavalheiro exemplar”. WJ. Solha. Solha me havia enviado seu último romance “Relato de Prócula".
O colunista Bráulio Tavares, do Jornal da Paraíba diz em um trecho de seu comentário sobre o romance escrito por Solha. “O mistério tem a ver com a história de um padre chamado Martinho Lutero (o que já provoca um curto-circuito ideológico), da paróquia de Pombal, fazendeiro, cinéfilo, intelectual, namorador (com citação ao “Seu Libório”, de Braguinha). Envolvendo-se com uma montagem da Paixão de Cristo, onde deve fazer o papel de Pilatos, o Padre tem no palco uma Revelação fulminante, que abala suas convicções históricas e religiosas e o leva a tentar o suicídio. A tentativa ocorre no começo do livro, e todo o restante mostra os amigos do Padre, que são muitos, tentando arrancar-lhe o motivo que o levou a querer se matar. Nesse percurso, monta-se um quebra-cabeça cujas peças são a vida do Padre, o destino das três moças que são suas “afilhadas”, os amigos intelectuais que o cercam, a história da política na Paraíba e do cinema paraibano, e a vida do Jesus Cristo histórico”.
Ao me enviar o comentário do jornalista acima citado, recebi outro email de WJ. Solha nos seguintes termos: “Escrevi esse meu novo romance - como pode ver pelo comentário de Bráulio Tavares - exatamente por ter encontrado em 63, quando cheguei a Pombal, pessoas fascinantes como o senhor, cheias de uma surpreendente cultura universal num sertão cuja única imagem era a de Vidas Secas, Grande Sertão: Veredas e Os Sertões”. WJ. Solha.
A linguagem do entendimento nos faz compreender a liberdade de expressão. O contraditório é necessário, pois entre o que se diz e o que se ouve há um referencial de interpretação. Certa vez, um filho que estudava na capital e que recebia mesada de seu pai, solicitou por telegrama mais dinheiro. A frase era vazada nestes termos: “Pai mande Dinheiro”. Lendo o telegrama o pai o fez em tom furioso como se fosse uma ordem que o filho estava lhe dando (essa foi sua interpretação), enquanto que um amigo que estava perto, ouvindo o modo como aquele homem lera a frase; pegou o telegrama e disse de modo suplicante Pai, mande dinheiro”.
Nem sempre há sintonia entre as partes. Quando fazia Jornalismo no rádio, não foram poucas às vezes em que era mal interpretado. A notícia que transmitíamos era dita de uma maneira e alguém lá fora interpretava diferente. Houve até quem me dissesse: Você está falando de fulano, cuidado! Ao que respondia ao meu interpelante: Eu não estou falando dele, como você insinua, e sim de seus atos administrativos.
Este artigo, por exemplo, muitos poderão lê-lo sem dar o sentido exato das palavras e vão fazer uma leitura que não seja correlata com o que quis dizer o autor. Aliás, isso acontece até mesmo no meio radiofônico, o redator escreve a matéria, mas o locutor dar outra interpretação ou ler de um modo, sem combinar em nada com o pensamento de quem a redigiu.
Quem faz barreira a linguagem do entendimento é o preconceito. Muitos conflitos, desacertos, problemas, são causas para dividir o pensamento humano. Quantos por conceitos formados ficam indiferentes, não aceitando a liberdade de expressão, o direito à cidadania, nem admite em hipótese alguma, flexibilidade em seus pensamentos. Esquecem-se de que o direito de um vai até quando o do outro começa?
O Apóstolo Tiago em sua carta capitulo 3 versículo 13 indaga, e ele mesmo responde: “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras”.
*RADIALISTA
Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

SÉRGIO LUCENA: 5 ANOS SEM O COMUNICADOR METEÓRICO!

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
18 de agosto de 2004 o dia fatídico da morte de Sérgio Lucena, o comunicador meteórico. Um jovem que teve a sua existência interrompida prematuramente.
Sérgio Giulliano de Sousa Lucena nasceu em Pombal em 08 de dezembro de 1973, filho de Cristiano Pereira de Lucena e Rita Maria de Sousa Lucena (saudosa memória); tendo como irmãos: Violeta, Vanda, Valnéia e Gilberto. Casou-se em 29 de junho de 1991 com a jovem Francisca de Araújo Assis e dessa união nasceu o casal de irmãos, Cristhyane Assis Lucena e Cristiano Pereira de Lucena Neto. Faleceu na capital do Estado, acometido de uma enfermidade que precocemente lhe dizimou a vida.
Falar de Sérgio Lucena é antes de tudo considerar a maneira como ele soube cultivar as amizades dos que o conheceram em vida e tiveram o privilégio de estar com ele nas horas alegres e nas horas tristes.
Serginho como era tratado na intimidade significava muito para seus admiradores, fãs e ouvintes de seus programas no rádio. Era por demais prestativo. Nunca dizia não pra quem ia à busca de seus préstimos na profissão que abraçara.
Serginho, Pombal lembra o dia de sua partida para a eternidade - um dia sombrio na sua história em que toda cidade parou; prestando-lhe às homenagens devidas como recompensa do apreço que você devotava a todos, sem distinção de classe, cor ou credo religioso.
Aquele dia Serginho jamais fugiu da minha mente. Reunimo-nos todos irmanados em um só pensamento: Dizer através do rádio o sentimento de solidariedade a um companheiro que sempre soube honrar os seus compromissos, cumprindo fielmente com a missão que lhe fora entregue aqui na terra. Depois, todos nós formamos caravanas para receber na cidade de São Bentinho de Pombal o seu corpo inerte trasladado da capital do Estado e em cortejo acompanhamos seus familiares até o local onde você seria velado.
Mas, emoção maior com estremecimento de todo meu ser foi no momento em que me deram a palavra para falar em nome de todos, na missa de corpo presente. Minha voz ficou entrecortada ao pronunciar as palavras; mesmo assim, pude em singela oração, traçar o seu perfil com as características que lhes eram peculiares: Simplicidade, franqueza e Lealdade.
Assim era você Serginho, despojado de vaidade, transparente em suas atitudes, simples e com o seu carisma construiu o seu mundo rodeado de amigos que lamentavelmente tiveram tão pouco tempo de desfrutar de sua presença.
Sinto-me na obrigação de lembrar com saudades o que você foi e o que significou para mim. Como já disse em outra oportunidade: Um amigo na expressão máxima da palavra.
Serginho - curta foi sua passagem por este planeta, semelhante a um fenônemo atmosférico de aparição brilhante e de curta duração. Uma estrela cadente! Já se vão
cincos anos de sua despedida, contudo, você deixou um legado importante para a comunicação: Sua desenvoltura para o trabalho, cumprindo fielmente a missão a ti confiada.
Você nos lembra o sentido da mensagem bíblica quando diz: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.” Eclesiastes 9:10.
A você Serginho, nossa eterna saudade!
*RADIALISTA

A SAGA DOS CARDOSO - OUTRA VEZ...

Ignacio Tavares (Foto)
A escritora e historiadora Maria do Socorro Cardoso Xavier, acaba de publicar uma importante obra que detalha a origem e fixação da família Cardoso no Cariri Cearense. É do nosso conhecimento que os mais antigos da nossa família mantinham um estreito relacionamento com família Cardoso daquela região. Acreditamos, que essa concentração de Cardoso no Cariri Cearense, seja remanescente dos dispersos do litoral paraibano. Essa dispersão aconteceu em dois momentos na história da Família.
A primeira leva deve ter chegado por lá, quando Mauricio de Nassau foi expulso da província de Pernambuco, lá pelos idos de 1654. A segunda dispersão ocorreu quando os irmãos João Ignácio Cardoso D’Arão e Francisco, da mesma forma, pra lá se dirigiram, em 1795, por conta de mais uma perseguição religiosa.
A história registra que Mauricio de Nassau(1604/1679) foi um eficiente administrador da chamada Nova Holanda, depois de conquistar Pernambuco, Alagoas, Ceará, Sergipe e Maranhão de 1637 a 1654. Nessa ocasião milhares de Cristãos Novos desembarcaram no Brasil, mais precisamente na província de Pernambuco.
A sede da província, Recife, era o ponto de atração para milhares de migrantes originários da Europa, em particular de Portugal, entre os quais os Cardoso, que fugiam do alcance dos tentáculos do Tribunal do Santo Ofício, com forte atuação na Espanha e prestes a se estabelecer em Portugal.
A dominação holandesa naquelas principais províncias da região, enquanto durou, foi marcante, posto que, instalou um ambiente de prosperidade econômica, assim como nas artes, nas ciências e na arquitetura. Havia liberdade religiosa, fato este que atraiu milhares cristãos novos que viviam a mercê das perseguições religiosas nos estados católicos da Europa. Sendo a Holanda um país cristão de princípios Lutero/Calvinista, a Igreja Católica não encontrou espaços, na próspera província de Pernambuco, entre outras, sob a dominação holandesa, para por em prática a sua política de imposição religiosa, principalmente, nas comunidades judaicas.
Assim sendo, repito, a família Cardoso, na sua grande parte migrou para província de Pernambuco. A tranqüilidade política e a liberdade religiosa eram tudo que a família precisava para investir com segurança o seu capital, no comercio e na indústria agro-açucareira em franca expansão e ainda professar a sua fé no Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Dessa forma, os Cardoso, entre outros Cristãos Novos, ajudaram a construir em Recife a primeira sinagoga do Brasil.
Naquele momento, a província de Pernambuco prosperava sob o domínio holandês. Em pouco tempo, já estava em operação o maior pólo industrial agro-açucareiro do mundo, o que despertou a ira de Portugal e seus aliados. Por isso, a reação de Portugal com o apoio dos nativos, mais ou menos na vizinhança do fim da primeira metade do século XVII, culminou com a expulsão dos holandeses, fato este que deixou a comunidade judaica em polvorosa.
Diante dessa nova situação, a comunidade dos Cardoso não tinha mais como permanecer na cidade de Recife, a não ser aqueles convertidos à fé Cristã. Muitos Cristãos Novos migraram para província da Paraíba, entre os quais, parte da família Cardoso. Outra parte migrou para os Estados Unidos e lá fundou uma povoação que hoje é a cidade de Nova York. Outros migraram para diversas regiões no Brasil, na sua grande parte para região nordeste, de preferência, para lugares recônditos, longe dos olheiros do Tribunal do Santo Ofício, já instalada na cidade de Recife, logo após a debandada dos holandeses. Esta foi a primeira dispersão dos Cardoso.
Maria do Socorro Cardoso, em sua obra, relata que os Cardoso chegaram ao Ceará, mais ou menos na época da primeira dispersão. Aconteceu que em 1732, houve uma investida do Tribunal do Santo Oficio contra os Cardoso residentes na Paraíba, segundo a professora Anita Novinsky. O resultado dessa ação foi à prisão de Ignácio Cardoso, do seu irmão Pedro Cardoso e tantos outros da família.
Ao abjurarem o judaísmo foram libertados e voltaram as suas atividades normais. Novamente, por volta de 1795, segundo a tradição oral da família, os Cardoso foram novamente importunados, por isso mais uma vez ameaçados de serem submetidos ao julgamento, do Tribunal do Santo Ofício, que ainda atuava na região, porem, em estado terminal, por acusações de práticas religiosas judaizantes. Desta vez a acusação partiu de um padre, conforme informações que nos foram repassadas, que nutria uma paixão, não correspondida, por uma jovem muito bonita da família Dizem que esta jovem foi submetida ao julgamento do tribunal e talvez tenha sido a última vítima da sanha inquisição no Brasil. Nada de registros oficiais sobre esse assunto.
Foi aí que entraram em cena os irmãos João Ignácio Cardoso D’Arão e Francisco Ignácio Cardoso D’Arão. Por tudo isso que aconteceu, em represália a ousadia do senhor vigário, aplicaram-lhe uma forte reprimenda, que lhe causou danos irreparáveis e por conta disso, tiveram que sair as pressas dos engenhos Tibiri/Forte Velho.
Mesmo diante desse acontecimento, grande parte da família Cardoso permaneceu no litoral e redondezas entre os quais, Luiz Ignácio Cardoso, Pedro Cardoso Vieira, genitor de Manoel Pedro Cardoso Vieira e tantos outros. Os irmãos João e Francisco, pelo que se sabe, foram os únicos que deixaram a Paraíba em direção ao Cariri Cearense, onde fixaram, por algum tempo. Passaram alguns anos na região, depois decidiram vir pra Paraíba, com destino ao o Vale do Piranhas onde existiam terras boas e abundantes. Fixaram-se no pequeno povoado de Umari dos Seixas e nesta localidade conheceram as Irmãs Catarina Moura Mariz e Isabel Moura Mariz. Casou-se João com Catarina e Francisco com Isabel e vieram morar na vila de Pombal.
Pelas constantes viagens que alguns membros da família faziam para o Ceará, entende-se que nunca deixou de haver contatos entre os familiares residentes na Paraíba e no Ceará. Era comum casamento entre parentes residentes de lá e cá, com rapazes e moças da família Cardoso. Foi o caso de Ana Cardoso de Alencar, filha de João Ignácio Cardoso D’Arão, que se casou com o seu Primo Felix Antônio de Alencar. Serafim Cardoso de Alencar casou-se também com uma prima daquela região, entre tantos outros.
Em 1890, chega a Pombal, o senhor Antônio Cardoso dos Anjos, originário do Cariri Cearense, em busca dos parentes residentes em Pombal. Arruinado, por conta da seca de 1877, veio pedir o apoio da família. Solteiro, foi bem recebido, recebeu terra e morada e em pouco tempo estava integrado à comunidade familiar. Nunca se casou, pois, faleceu no fim dos anos trinta do século passado e por muito tempo ainda se falava no nome de Antônio dos Anjos. Não cheguei a conhecê-lo, mas ouvi muitas vezes, pessoas da família fazerem boas referências a Antônio dos Anjos, pela sua boa índole e obstinação ao trabalho.
O livro de Socorro Cardoso, veio a confirmar, tudo aquilo que a família, em conversas íntimas, repassava para novas gerações. Só temos a lhe agradecer, por este importante trabalho de reconstituição da história de uma família, que viveu, grande parte do tempo, sob o signo do medo e do horror, sem poder revelar a sua verdadeira identidade e origem, por medo da exclusão e da rejeição, por parte de uma comunidade fanaticamente religiosa, segundo os preceitos da cristandade.
Essa obra, de Socorro Cardoso, ao lado do livro "A Saga dos Cristãos Novos na Paraíba", escrito por de Zilma Ferreira Pinto, esclarece de forma clara e objetiva a movimentação da família Cardoso na Paraíba, no Nordeste, em particular no Cariri Cearense, bem como, noutros recantos do Brasil. Feliz da família que tem uma história de resistência pra contar.
Ignácio Tavares.

Informação destruindo preconceitos

Mª do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta*
Um problema de saúde ainda pouco conhecido pela população e deveras estigmatizado é a esquizofrenia. Na tentativa de prestar maiores esclarecimentos sobre tal doença, serão mostrados alguns pontos relevantes para o entendimento da mesma.
A esquizofrenia consiste em uma patologia de afecção mental complexa, em que os pacientes perdem o contato com a realidade, apresentando sintomas diversos, com alterações nas formas de pensar e sentir, tendo como conseqüência danos verificados nas relações de cunho pessoal e profissional.
Em se tratando da epidemiologia, verifica-se que há prevalência semelhante em ambos os sexos; a faixa etária com maior freqüência se situa entre 15 e 25 anos para homens e entre 25 e 35 anos para mulheres. Importante observar que a esquizofrenia é rara em indivíduos com menos de 10 anos e acima dos 50.
A doença em questão manifesta-se em crises agudas intercaladas com períodos de remissão. Os pacientes apresentam os chamados sintomas positivos e negativos. Estes, geralmente são observados numa fase mais tardia, enquanto que aqueles numa fase inicial do quadro clínico.
Os sintomas negativos são: embotamento afetivo ou afeto inadequado (paciente fica indiferente a diversas situações do cotidiano, “sem emoção”), isolamento social, perda da vontade para realização das atividades corriqueiras, pobreza do conteúdo do discurso.
Já os sintomas positivos são: delírios (o indivíduo crê em idéias falsas, irracionais ou sem lógica; podem ser temas de perseguição ou grandeza; crença de que outros podem ler as suas mentes, por exemplo), alucinações (ouvir vozes ou pensamentos), alterações afetivas e psicomotoras, incoerência do pensamento.
É de extrema importância a caracterização correta, já que os sintomas presentes na esquizofrenia também podem aparecer em outros distúrbios psiquiátricos, a exemplo do transtorno esquizofreniforme, o qual possui quadro inferior a seis meses. Sendo assim, contata-se que a esquizofrenia é uma patologia de curso longo com deterioração do paciente, caso não seja diagnosticada e tratada em tempo hábil.
Há vários tipos de esquizofrenia: paranóide (em que predominam os delírios ou alucinações auditivas), hebefrênico (mais comum; paciente com discurso e comportamento desorganizados), catatônico (com acentuada perturbação psicomotora), indiferenciado, residual (com predomínio de sintomas negativos; paciente em fase crônica) e simples (normalmente sem delírios).
Não se sabe ao certo a causa da esquizofrenia. Sugere-se que haja interação entre fatores genéticos e ambientais (eventos estressores, por exemplo). Refere-se também que complicações durante a gravidez e o parto podem afetar o desenvolvimento do cérebro do indivíduo, o que teria relação com o surgimento da doença a posteriori.
Para que seja feito o diagnóstico, é necessária uma investigação detalhada, ou seja, deve-se averiguar a história do paciente e de seus familiares. Além disso, embora não existam marcadores biológicos próprios da doença nem exames específicos, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética podem ser realizadas, demonstrando em alguns casos, evidências de alterações da anatomia cerebral.
Sobre o tratamento da esquizofrenia, são usados os fármacos antipsicóticos tradicionais e os ditos de nova geração. Os mais recentemente desenvolvidos apresentam menos efeitos colaterais e devem ser os medicamentos de escolha. Há situações em que a internação é recurso necessário, tais como: pensamento suicida ou prática violenta do paciente contra outros indivíduos. Os medicamentos são de uso contínuo.
Em associação à terapia farmacológica, devem ser instituídas atividades de reabilitação, envolvendo pacientes e familiares, propiciando plenas condições ao indivíduo para convívio em sociedade. Interessante que cada quadro seja individualizado e tratado por profissional capacitado e experiente.
Vale salientar que os pacientes esquizofrênicos, desde que bem conduzidos, ou seja, tratados adequadamente, com apoio da família e dos amigos, podem ter uma vida normal (evitando-se algumas atividades potencialmente estressoras).
Lutemos para acabar com o estigma do paciente esquizofrênico! A aceitação da doença e a não relutância em fazer o tratamento fazem parte das atitudes que podem mudar essa história. Não hesite; precisando de auxílio, busque ajuda de um psiquiatra.
Além disso, existe o Projeto S.O.ESq. (Programa Open the Doors) da Associação Mundial de Psiquiatria. No Brasil, é desenvolvido pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), com o apoio do Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo. Tal projeto está ligado a ABRE (Associação Brasileira de Familiares, Amigos de Portadores de Esquizofrenia) uma organização não-governamental, com objetivos de combater o estigma, fornecer informações e atuar na defesa de direitos dos portadores de esquizofrenia. Referências 1. Manual para a Imprensa - Boas Práticas de Comunicação e Guia com recomendações para um texto claro e esclarecedor sobre doenças mentais e psiquiatria. Disponível em: <http://www.abpbrasil.org.br/sala_imprensa/manual/img/Cartilha_ABP_final_grafica.pdf> (Acesso em 18 jun. 2009) 2. <http://drauziovarella.ig.com.br/entrevistas/esquizofrenia.asp> (Acesso em 18 jun. 2009) 3. <http://www.manualmerck.net/> 4. <http://www.abcdasaude.com.br/> 5. <http://www.abpbrasil.org.br/medicos/> 6. E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
*(Natural de Patos-PB, 20 anos, mais conhecida como Cessinha, acadêmica do 6º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande, filha de Francisco Fernandes da Silva Júnior e Zeneida Furtado Leite Fernandes, donos da Hiperfarma Bom Sucesso em Patos.)

SESQUICENTENÁRIO DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL.

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Uma Igreja que completa seu Centésimo Quinquagésimo Aniversário em nosso País é um marco em nossa nação que merece ser comemorado por grandiosos benefícios feitos por ela, a esta terra abençoada por Deus. Seguindo a linha básica do pensamento do grande reformador João Calvino (1509-1564), em seu bojo doutrinário a Igreja Presbiteriana do Brasil é herdeira da Reforma Protestante que se deu no Século XVI, pouco depois que o protestantismo começou na Alemanha na liderança de Martinho Lutero, surgiu através de uma segunda manifestação que eclodiu na Suíça sob a direção de outro ex-sacerdote, Ulrico Zuínglio (1484-1531). Distinguindo-se da reforma alemã, esse segundo Movimento ficou conhecido como segunda Reforma ou Reforma Suíça.
No entendimento de aprofundarem-se mais em seu rompimento com a igreja medieval e em seu retorno às escrituras fez com que recebesse o nome de movimento reformado e seus simpatizantes ficassem conhecidos simplesmente como “reformados”. Ao morrer em 1531, Zuínglio, teve um hábil sucessor na pessoa de João Henrique Bullinger (1504-1575). Poucos anos mais tarde surgiu um líder que se destacou de todos os outros por sua inteligência, dotes literários, capacidade de organização e profundidade teológica. O francês João Calvino (1509-1564) foi esse líder, que concentrou seus esforços na cidade Suíça de Genebra, residindo ali durante 25 anos. À luz das escrituras, Calvino traçou os contornos básicos do Presbiterianismo, através da sua obra magna a Instituição da Religião Cristã ou Institutas, comentários bíblicos, tratados e outros escritos, tantos em termos teológicos quanto organizacionais.
Estando presente em todos os Estados da Federação a Igreja Presbiteriana do Brasil que neste dia 12 de agosto faz aniversário, teve seu início em 1859, com a chegada ao Brasil do Missionário norte americano Rev. Ashbel Green Simonton, enviado que foi pela Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, sendo, portanto, o fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Para dirimir dúvida quando ao início da obra missionária por parte do chamado “Protestantismo de Missão” é conveniente esclarecer que antes da chegada de Simonton ao Brasil, o médico escocês Robert Reid Kalley, tendo sido o primeiro protestante a atuar com êxito em várias regiões de língua portuguesa dos dois lados do Atlântico, foi um pioneiro também aqui no Brasil.
Segundo a história Robert Reid Kalley tem sua origem presbiteriana, pois ao completar oito dias de vida foi batizado na tradicional e antiga Igreja da Escócia (Presbiteriana). Em 11 de julho de 1858, Kalley batizou o seu primeiro converso brasileiro, Pedro Nolasco de Andrade, no Rio de Janeiro. Esse dia passou a ser considerado como a data da organização da “Igreja Evangélica”, mais tarde denominada Igreja Evangélica Fluminense (18-09-1863), para distingui-la da Igreja Presbiteriana organizada pelo Rev. Ashbel Gren Simonton no início de 1862.
Como se pode observar, Kalley nasceu na igreja da Escócia e manteve ligações com o Presbiterianismo durante boa parte de sua vida. As Igrejas que resultaram do seu trabalho na Ilha da Madeira, onde seus discípulos eram conhecidos como “Calvinistas” bem como aquelas fundadas por refugiados madeirenses no Caribe e nos Estados Unidos, foram todas presbiterianas. No Brasil, embora ele tenha sido o introdutor do congregacionalismo, suas ligações com os presbiterianos e suas contribuições diretas e indiretas à obra presbiteriana são dignas de nota.
Com muita galhardia a Igreja Presbiteriana do Brasil chega aos 150 Anos nesta grande nação brasileira e para comemorar tão festiva data, o Concílio maior desta Igreja formou a Comissão do Sesquicentenário para fazer cumprir uma programação especial, que no período de um ano agosto de 2008 a agosto de 2009, vem realizando seu trabalho e cumprindo fielmente com o que ficou estabelecido para marcar a data histórica da (IPB) - Sigla da Igreja Presbiteriana do Brasil.
A Comissão coordena uma agenda de produções, lançamentos e eventos alusivos a data, que está sendo comemorada em todo Brasil. São eles: Produção de um curta- metragem sobre a vida de Simonton e de um vídeodocumentário sobre a IPB; a elaboração de um selo postal dos Correios, as edições da Bíblia Comemorativa, do livro sobre os últimos 50 anos da história da IPB e a reedição dos “Sermões Escolhidos” de Simonton. A abertura oficial das comemorações teve início no dia 23 de agosto de 2008, em Boa Vista – Roraima (RR); e no dia 24 de agosto em Manaus – Amazonas (AM).
A Igreja Presbiteriana do Brasil conta com centenas de Escolas de Ensino Fundamental, Médio e Superior. Em São Paulo o Instituto Presbiteriano Mackenzie e a Universidade Mackenzie têm mais de 30 mil alunos. Diga-se de passagem, é a maior Universidade particular da América Latina. Na área de saúde, a Igreja Presbiteriana do Brasil dispõe de Hospitais criados e dirigidos por Presbiterianos, Clínicas médicas, asilos, orfanatos e trabalho com meninos e meninas de rua como a Sammar e Apad. É necessário dizer que Pombal foi incluído na história dessa igreja, pois no dia 03 de agosto de 1940, há 69 anos, o Presbiterianismo era organizado em Pombal com o nome de Igreja Presbiteriana do Brasil, registrando-se também em nossa cidade o pioneirismo do Evangelho da Graça de Cristo.
Em um artigo publicado neste blog o ano passado pelo meu sobrinho Rev. Clodoaldo Albuquerque Brunet, sob o título: “O Presbiterianismo na Região de Pombal já é uma Obra Centenária”. Ele revela esse lado histórico em nossa região sertaneja. DIZ CLODOALDO...
No livro “A Sagrada Peleja”, um diário com registros feitos pelo desbravador do Presbiterianismo no Ceará, Rev. Natanael Cortez, conta a chegada do Rev. Henderlite no mês de dezembro de 1912 com o então seminarista Natanael Cortez ao sítio Genipapo. Natanael registra: “embora não conhecendo das bifurcações da estrada ao lugar do nosso destino, temendo as ciladas dos cangaceiros que em quadrilhas avassalam e dilaceram esses sertões, confiando tão somente no Senhor que até ali nos tinha ajudado, partimos. Às 9 horas do dia 07 estávamos no almejado Genipapo, à porta da irmã Maria Dantas da Nóbrega, viúva do irmão de saudosa memória o capitão Antonio Martins da Nóbrega” (Cortez N. 2001 P. 41). O capitão Martins foi um dos primeiros conversos a fé reformada de que se tem notícia no sertão, fora evangelizado pelo seu cunhado o Sr Martiniano de Oliveira.
TEMPLO ORIGINAL DA IPB EM POMBAL Década de 40 (Foto)
Conforme testemunho dos seus descendentes, as irmãs Senhoritas Elza Dantas de Sá e Eleusina Dantas de Sá, a conversão do seu avô deu-se antes da libertação dos escravos. Teria contribuído para esse fato um colportor de bíblias americano que lhe entregara uma porção das sagradas escrituras, o Novo Testamento. Segundo a Elza, seu avô Capitão Antonio Martins teria libertos os escravos como resultados da graça de Cristo. O diário do Rev Cortez diz palavras maravilhosas sobre a vida desse irmão que comprovam a sua transformação espiritual: "O irmão capitão Antonio Martins brilhou como a luz nestes sertões e ilustrou pelas suas obras o poder regenerador que operou em seu coração transformando-o num homem novo" (Cortez p. 40.) O Sr. Martins faleceu em 1906, tendo recebido durante sua nova vida cristã apenas uma visita pastoral que foi a do Rev. Manoel Machado em 1901. Num contexto de muita intolerância religiosa, a família sofreu o desprezo de parentes e foi perseguida, mas mesmo assim a fé permaneceu firme no evangelho da graça de Deus. Por ocasião da visita do Rev. Machado em 1901 foram recebidas à comunidade presbiteriana as seguintes pessoas: Antonio Martins da Nóbrega, Maria Dantas da Nóbrega, Leontina Dantas de Sá, Honória Dantas de Sá, Maria Dantas de Sá; e foram batizados na fé dos pais os seguintes menores: Pedro Martins, Paulo Martins, Antonio Martins, Collecta Dantas e Anália Dantas, esta mãe da Elza e Eleusina. Na visita do Dr Henderlite no dia 09 de dezembro de 1912 foram recebidas as irmãs Anathildes Dantas de Sá e D. Maria Ignez da Conceição, ainda professaram a fé as senhoras Anália e Collecta. Dessa congregação no Jenipapo se formara a Igreja Presbiteriana de “Iburaninha” que foi organizada em Igreja ainda no início da década de trinta.
Conta a senhorita Nizete Dantas filha daquela igreja que o fundador foi o ilustre Rev.Dr. Antonio de Almeida. A senhorita Nizete, diz que o Rev Almeida ao chegar no lugar onde havia uma Umburana e perguntar o nome daquela árvore, lhes responderam: "Iburana", dai o reverendo disse: "Aqui construiremos a igreja, e o lugar se chamará Iburaninha" Dessa igreja é que veio a existir a igreja Presbiteriana de Pombal, e muitas outras, pois com a migração de irmãos que fugiam das secas do sertão outras igrejas foram plantadas no sul do país. Iburaninha hoje é município de São Domingos de Pombal.
Por este relato do Rev. Clodoaldo, que hoje está dirigindo a Congregação Presbiteriana na cidade de Cajazeiras aqui na Paraíba, vimos o quanto é importante para nossa IPB, mormente, em que a nossa igreja celebra o seu sesquicentenário no Brasil, Pombal e região comemoram o evento registrando em seu histórico, o Centenário do Presbiterianismo.
A Igreja Presbiteriana do Brasil é histórica, séria, sóbria e ética. Prima pelo equilíbrio. Tem uma liturgia de culto leve, agradável e participativa. As suas convicções doutrinárias são regidas pela Bíblia como única regra de Fé e Prática. Crer na Soberania de Deus, na infalibilidade da sua Palavra e das suas promessas. Tem como lema: Anunciar o Reino de Deus, Educar Para a Vivência Cristã e assistir o ser humano em suas necessidades. E como princípio Ortodoxia, Piedade e Teologia Reformada.
VIVA A IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL, PARABÉNS PELOS SEUS 150 ANOS EM SOLO BRASILEIRO!
*RADIALISTA.

A SAGA DA FAMÍLIA IGNÁCIO CARDOSO D'AARÃO: A PRESENÇA DE UMA COMUNIDADE JUDAICA EM POMBAL.

Ignacio Tavares (Foto)
Não sabemos com precisão o ano que os irmãos João Ignácio Cardoso D’Aarão e Francisco Ignácio chegaram a Cidade de Pombal. Admite-se que tenha sido no começo do século XIX. O que se sabe que eles são originários do sítio Jacoca, hoje Conde, do engenho Forte Velho e do engenho Tibiri, hoje, localizado no município de Santa Rita.. Segundo a Professora Anita Novinsk em seu livro “Inquisição Rol dos Culpados”, em 1732 o senhor Ignácio Cardoso, Cristão Novo e um dos proprietários do Engenho Tibiri, foi alcançado pelo o Tribunal do Santo Oficio, através da sua representação na Cidade de Recife, por praticas religiosas não compatíveis com o pensamento único da Fé Cristã.
O senhor Ignácio Cardoso, abjurou o Judaísmo, submeteu-se ao batismo forçado e momentaneamente, tudo ficou resolvido. Acontece que mais ou menos no fim do século dezoito para o inicio do século dezenove, ocorreu mais uma denuncia, desta vez feita por um padre que se indispôs com a família Cardoso por razões de ordem sentimental, pois este padre se apaixonara por uma bela moça daquela família. Este talvez tenha sido o grande motivo para mais uma dispersão da família Cardoso, em particular os descendentes de Ignácio Cardoso. É provável que João Ignácio Cardoso D’Arão, seja filho de Arão, filho de Ignácio Cardoso. A cultura familiar Judaica costuma adicionar o nome do pai aos descendentes. Eis a razão do nome João Ignácio Cardoso D’Arão, que quer dizer, João Ignácio Cardoso, filho de Arão.
Embora os mais velhos da família soubessem de toda história, as gerações mais novas pouca ou nada sabiam. O desenrolar do processo contra a família Cardoso, muita gente da família sabia, através da tradição oral, passada de pais para filhos. Assim sendo, as historias que chegaram ao nosso conhecimento é essa mesma que os livros contam. Naquela ocasião, os FAMILIARES, como eram chamados os denunciantes ou os dedos duros a serviço do Tribunal do Santo Oficio, que se fez presente na Paraíba, juntamente com o senhor vigário, fizeram graves denuncias contra a família Cardoso o que resultou numa reação instantânea tendo como vitima principal o senhor vigário e alguns elementos dos FAMILIARES, particularmente aqueles mais exaltados. Por conta desse entrevero, grande parte da família Cardoso foi obrigada a buscar outros lugares onde pudessem viver longe das perseguições religiosas e neste momento, também policiais.
João Ignácio Cardoso D’Aarão e seu irmão Francisco Ignácio fugiram para o Estado do Ceará, mais precisamente para serra dos Cardoso, situada entre os municípios do Crato e Juazeiro onde já residiam parentes seus. Não deu certo porque os motivos religiosos nessa região eram fortes e eles podiam ser descobertos. Vieram para o Estado da Paraíba, mais precisamente para uma pequena povoação conhecida como Umari dos Seixas, localizada no município de São João do Rio do Peixe. Nesta povoação conheceram duas irmães, Catarina Moura Mariz e Isabel Moura Mariz. João Ignácio Casou-se com Catarina e Francisco Ignácio com Isabel.Surgiu um novo problema. Catarina e Isabel descendiam de um Padre que teve um caso de amor furtivo com uma mucama mulata, filha de uma escrava. As duas jovens viviam sob a custódia do vigário. Dessa forma não era interessante pra eles viverem sob a dependência de um religioso que pouco tinha a ver com os princípios religiosos herdados de seus antepassados. Assim sendo resolveram migrar para o município de Pombal, longe da curiosidade do senhor vigário.
Ao chegarem em Pombal, compraram as melhores terras do município localizadas ás margens do rio Piancó. Construíram suas casas próximas á margem do rio, que mais tarde denominou-se Rua de Baixo em contraposição à Rua de Cima, como era a conhecida Rua do Comércio Velho. A família se multiplicou assim como o número de casas e nesta localidade nasceram, Israel que morreu muito jovem, Abel, Aarão, Luiz D’Aarão, Benigno, Florência e Filadélfia, Ana, Regina, Generosa e Guilhermina, todos filhos de João Ignácio Cardoso D’Aarão e Catarina Moura Mariz de quem sou descendente pela quarta geração. Não há registros ou batistérios nos arquivos da Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso de nenhum filho de João Ignácio. Isso, por conta da sua indiferença ao batismo segundo os preceitos da igreja católica. O que se sabe, segundo o Historiador Wilson Seixas, parente pelo lado de Catarina Moura Mariz, é que existia por trás do arruamento dos Cardoso uma casa de oração onde eles se reuniam semanalmente para fazer suas preces e leituras, segundo as suas convicções religiosas.
Com o tempo essa casa foi destruída pelo o avanço das águas do rio restando apenas os escombros que aos poucos foram soterradas por conta do assoreamento. O irmão, Francisco Ignácio gerou também muitos filhos entre ao quais se destacam Luiz Ignácio Cardoso, França, Caboclo Liberato e tantos outros. Os filhos de João Ignácio, todos casaram e geraram filhos.
Aarão Ignácio Cardoso, casou-se com a sobrinha Facunda Liberato de Alencar, filha da sua irmã Ana Cardoso de Alencar, esposa de Felix Antônio Liberato de Alencar, também da mesma família. O senhor Aarão preferiu construir, em 1870, sua residência na rua de cima, hoje rua coronel João Leite, número 323, casa esta que se propõe o seu tombamento, posto que, é a única que guarda o registro do passado judaico da família Ignácio Cardoso, pois no seu frontispício foi erguido uma espécie de candelábrio oriental encimado por uma estrela de Davi.
A família Cardoso, cresceu progressivamente. Para se ter uma idéia, um neto de João Ignácio Cardoso, José Liberato de Alencar, ao morrer em 1943, deixou 36 filhos vivos, sendo 4 homens e 32 mulheres, isto é de três casamentos. Outros familiares seguiram caminhos parecidos, o que assegurou um alto índice de reprodução familiar. Naquele tempo não havia restrições quanto ao tamanho da família porque a maior riqueza era a terra e eles eram grandes proprietários e assim sendo podiam acomodar toda família na medida do seu crescimento.
A vasta área de terra que pertencia a família Cardoso compreendia uma extensão de beira rio que ia do xique-xique a camboa, seja quase seis quilômetros de extensão ainda as propriedades mufumbo, juá, estrelo, nova vida, capim verde e genipapo. Dessa vasta área de terra pouca coisa pertence a família, hoje. A família cresceu, urbanizou-se e se espalhou por todos os recantos do Brasil.
Esta é a história da família Ignácio Cardoso D’Aarão, que por muito tempo permaneceu no silêncio da família e de certo modo compreensível porque se tratava de uma questão de segurança. Os mais velhos da família, adeptos do cristianismo, falavam que ser judeu no sertão não era boa coisa. Lembravam que todas as vezes que iam a missa na semana santa, na homilia o padre fazia questão de enfatizar a participação dos judeus na condenação de Jesus e no outro dia a população estava malhando Judas como se fosse o símbolo do povo judeu. Neste caso é justificável tão profundo silêncio.
Temos ainda outras informações sobre o resto da família, mas carece de fundamentos e sendo assim preferimos não relatar neste texto.
Ignacio Tavares
As fotografias acima é de uma residencia situada na Rua do Comércio, Pombal-PB, construção do final do século 19(1874?). Trata-se de uma prova inconteste da presença judaica na nossa cidade.
Foi residencia de Airão Inácio Cardoso que era filho de JOÃO IGNÁCIO CARDOSO D’ARÃO E CATARINA MOURA MARIZ F1 – Benigno Ignácio Cardoso D’Arão cc Cândida Coelho Cardoso N1 – Ana Benigno de Sousa cc Filemon Estevão de Sousa Fugidos da perseguiçao católica, os Cardosos vieram para Recife e Joao Pessoa. Os cardosos de Pernambuco fugiram para EEUU e fundaram nada menos do que New York. Outra parte fugiu para os sertões da Paraiba (Pombal) e do R.G do Norte.
Toda a rua do Comercio, assim como o centro de Pombal, encontra-se tombado pelo IPHAEP. Esperamos que esta parte da história de Pombal não seja demolida. Obs.1:
O candelabro da foto encotra-se estilizado (modificado) por conta do medo que os Judeus tinham da perseguiçao. No entanto, deve-se observar que foi muita "ousadia" e demostraçao de fé, colocar na porta de casa um simbolo judaico.
Outro fato é que a familia cardoso teve um membro (a jovem Branca Dias) retirada do seio da familia pelo tribunal inquisitor e levada para a Bahia e de lá para Portulgal aonde foi queimada viva. Na época a familia cardoso d'arão ocupava toda a area onde hoje situa-se Gramame, distrito industral , Conde e parte de Santa Rita (a Fazenda Engenho Velho).
Ignacio Tavares, tetra neto de Joao Inacio CArdoso D'árão se interessou em adquirir a residencia só que não teve exito. Pombal precisa preservar o frotopicio desta resdiencia. (texto de Romero Cardoso)

DRA. THEREZA CRHISTINA VIEIRA FREIRE: ESSA MULHER.

JERDIVAN NÓBREGA DE ARAUJO*
Doutora Thereza Christina Vieira Freire, médica pediatra, filha de Generino Freire da Silva, Espírita e filantrópico na cidade e Pombal, e Maria Júlia Vieira Freire, professora primária da cidade de Pombal, ambos falecidos, foi casada por 15 anos, com Jerdivan Nóbrega de Araújo com quem teve três filhos: Rodrigo Márcio Viera Freire, Márcia Danielli Freire de Araújo e Ramon Diego Freire de Araújo.
Formada Médica pela Universidade Federal da Paraíba no ano de 1979, e professora pedagoga pelo colégio Cristo Rei da cidade de Patos, sempre foi uma pessoa dedicada as causas sociais. Mesmo quando ainda fazia Residência Médica, incorporou-se aos trabalhos sociais do Padre Zé Coutino, onde prestava serviços médicos gratuitos aos que procuravam aquele centro de ajuda aos pobres. Após a sua formatura, veio a ser contratada pelo Estado, escolhendo continuar exercendo a sua profissão naquele Hospital, onde com carinho e dedicação, socorria os menos afortunados, fazendo da sua profissão um instrumento de conforto aos pobres. Isto veio fazer com que ela se tornasse uma pessoa amada pelos pacientes daquela instituição filantrópica.
Formada também como professora optou por trabalhar no presídio do Rogger, mesmo contra a vontade da família que via ali um local sem muita segurança e de risco para a sua vida. Mas, a sua intenção sempre foi ajudar aos excluídos. No presídio, ensinando supletivo, conseguiu ter o prazer de ver alunos presidiários prestarem o supletivo e ingressarem na universidade alcançando da sociedade que.pra ela era sim recuperar o cidadão e não excli-lo mais ainda. Há de se destacar o respeito que os aprisionados adquiriram pela professora e Doutora Thereza Christina: em duas rebeliões ali registradas, ela através de conversa com os presidiários, conseguiu a liberação dos profissionais da educação que, como ela, prestava serviço naquela casa de detenção e foram naquele momento feitos reféns.
Quando trabalhou como médica no interior de Pernambuco, Doutora Theresa Christina foi responsável pela diagnostico do primeiro caso de AIDS na Zona canavieira, que engloba a cidade de Goiana. Esta constatação lhe rendeu um convite para trabalhar como professora de Medicina na UFPE, convite este que foi recusado pois, segundo ela dizia: “os pobres desta região precisam mais de mim do que eu do dinheiro que a UFPE quer me pagar”. Assim, trabalhou até os seus últimos dias, ajudando aos pobres para os quais chegava a comprar medicamentos com dinheiro do próprio bolso para aliviar a dor e miséria “ principal doença dos que ali residem”
Há de se destacar um fato:
Com a morte do seu Pai, Generino, Theresa Christina recebeu como herança vinte e três casas. Não que seu pai fosse um homem de posses, acontece que ele costumava construir casas e deixar, sem cobrança aluguel, que os pobres que o procuravam no centro Espírita São Francisco das Chagas em Pombal, ali morassem, até que conseguissem comprar suas casas. Concluído o inventário, para surpresa de toda a família e dos próprios advogados, Thereza determinou que as casas fossem passadas para o nome dos seus respectivos moradores, um ato de grandeza próprio das grandes figuras humanas, principalmente se levarmos em consideração que nós, recém casados, morávamos de aluguel, era a sua vontade e assim foi feito! No Parque Residencial Água Fria, em João Pessoa, Thereza se transformou na medica de todas as famílias que ali residiam. Acompanhou do nascimento até a pré adolescência, todas as crianças que hoje correm naquelas ruas.
Doutora Thereza Christina Vieira Freire, era filha única e faleceu, vítima de Câncer de mama, num leito do hospital Santa Lúcia no dia 26 de dezembro de 1997.
A sua morte prematura deixou um vazio na vida dos que a admiravam e dos que ela fazia questão ampará-los, com a sua profissão e o conforto das suas palavras, sempre firme e amiga proporcionava.
É o resumo do que foi a Doutora Thereza Cristina Viera Freire, uma grande mulher que fez da sua curta vida um oráculo a serviço dos humildes.
*Escritor Pombalense.

QUEM SOU EU?

Cessinha (Foto)
Por Mª do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta*
Que pergunta intrigante! Por que será que é tão difícil definirmos nós mesmos, mostrarmos nossa real identidade; falar sobre nossas qualidades, sentimentos, ações e reações?
Diante dessa pergunta, aceitei o desafio de respondê-la com o máximo de sinceridade possível. Muitas pessoas recorrem a frases feitas, textos famosos, buscando se referir a si mesmos, mas, hoje prefiro discorrer algumas palavras (das quais me apossarei momentaneamente, ao chamá-las de MINHAS) a meu respeito.
Meu nome é Maria, herança que carrego de minha avó. Sou natural da Morada do Sol e paraibana com orgulho. Após 20 primaveras completas, considero-me abençoada por ter saúde, uma linda família, amigos queridos, oportunidades almejadas por muitos e o carinho de alguém mais que especial que está sempre a me olhar, cuidar de mim, abraçando-me em todas as vezes que Dele preciso, Deus pai.
Sou uma pessoa alegre, extrovertida, brincalhona. Quando se faz necessário, sou séria, compenetrada, discreta. Creio que, ao longo desses anos, aprendi muito com as pessoas que passaram pela minha vida, de forma mais ou menos intensa, e até hoje, absorvo conhecimentos diversos daqueles que me rodeiam. Desprendo carinho facilmente; acredito ainda nas pessoas (verdadeiramente).
Amizade...ah, que doce sentimento! Estimo demais aqueles que fazem parte da minha vida de forma tão intensa e presente. Embora tenha sofrido decepções algum dia, deixei-as no passado, perdoei muito e também pude amadurecer com tais acontecimentos. Como é bom seguir em frente de cabeça erguida!
Agradeço aos meus queridos mestres por todos os ensinamentos, pelo respeito, carinho e atenção. Eles me ajudaram a ser eu, alguém com personalidade forte, com ideais, com pensamentos distintos.
Sou menina, sou moleca, sou jovem, sou mulher, sou guerreira. Sou meiga, sou fera, sou indecisa, sou decidida, sou alegre, sou irônica.
Gosto de ler, amo assistir a filmes, aprecio sair com os amigos, divertir-me, ser feliz... Acredito no poder da família, no respeito, nos bons costumes. Às vezes, sou conservadora, às vezes, liberal. Mas, o que realmente importa é o respeito mútuo, é que saibamos conviver com as diferenças, sem preconceito, sem julgamentos.
Aprendi a enxergar “além do que os olhos podem ver” e descobri que quando se quer muito algo, e se luta por isso, á possível alcançar tudo. Passei a procurar o lado bom das pessoas, por piores que possam parecer. A vida muda, sabe. E para melhor.
Consegui dar mais valor a acontecimentos simples, cotidianos, antes menosprezados. Você passa a ter um grande estoque de felicidade, com acesso fácil e rápido na memória. É importante. É precioso.
Sou alguém que busca não só passar pela vida e sim, viver (como dizem). Mas, há quem saiba o que é viver de fato?? Não fazer os outros se sentirem inferiores, respeitar o semelhante, cuidar da própria vida, defender seus princípios sem imposição a ninguém...É um começo... E, no fim, o sucesso...ah, é garantido!
*E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com (Natural de Patos-PB, 20 anos, mais conhecida como Cessinha, acadêmica do 6º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande, filha de Francisco Fernandes da Silva Júnior e Zeneida Furtado Leite Fernandes, donos da Hiperfarma Bom Sucesso em Patos.)