NATAL ESTÁ EM FESTA: VAMOS SEDIAR A COPA DO MUNDO DE 2014

MACIEL GONZAGA*
O Rio Grande do Norte está em festa. Não sei quantos loucos seremos em 2014. Só sei que Natal, - “a Noiva do Sol” – está confirmada pela FIFA como uma das 12 cidades que sediarão a Copa do Mundo de 2014. E o anúncio, ocorrido na tarde deste domingo (31) seguido da comemoração não podia ser de maneira melhor. Ao pé do principal cartão postal do Estado, debaixo de um sol forte, centenas de natalenses foram a Ponta Negra e puderam comemorar ao ouvir que Natal estava confirmada no maior evento esportivo do mundo. É a confirmação de um sonho. Muitos não acreditavam que Natal pudesse concorrer com cidades consideradas fortes politicamente e economicamente. Mas, nós mostramos que também somos fortes. Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo foram as outras cidades escolhidas pela FIFA. Um mega projeto orçado em R$ 300 milhões terá de sair do papel.
Mas, o investimento total é de R$ 1,7 bilhão. Para as autoridades, a maior parte dos investimentos deverá vir da iniciativa privada. O Estádio Arena das Dunas deverá começar a ser construído ainda este ano, pois terá de ser finalizado até 2012. Isso porque antes da Copa do Mundo o país sede tem que organizar a Copa das Confederações e Natal está incluída neste campeonato. Também, a cidade ganhará mudanças estruturantes para comportar um evento como a Copa do Mundo.
Além do estádio com capacidade para 45 mil pessoas, o complexo terá também shopping, centro comercial e hotéis, sendo que o empreendimento será gerido pela iniciativa privada. Além de estar em sintonia com várias empresas estrangeiras, a localização de Natal também permite que a cidade possa ser usada como porta de entrada para visitantes oriundos da Europa e da África, pois estamos a menos de sete horas de viagem do continente europeu e somos o ponto mais próximo do africano. Por conta dessa proximidade, aliada às belezas naturais da região, Natal é um grande pólo turístico. No ano passado, foram mais de dois milhões de visitantes, de acordo com o Comitê Executivo da cidade para a Copa de 2014, e a expectativa é que esse número suba para três milhões em 2010. Para comportar esse contingente, a capital potiguar prevê investimentos privados para quase triplicar o número de leitos oferecidos: de 26 mil para 65 mil, auto-suficiência energética até 2010; melhoria da acessibilidade para pedestres; construção de um novo Aeroporto Internacional, cujas obras já foram iniciadas; investimento em armamento, viaturas e contratação de pessoa; além da duplicação das principais vias completam o projeto de Natal. A cidade, que foi fundada em 25 de dezembro de 1599, tem hoje uma população de 798.065 habitantes; densidade populacional – 4.546,3 habt/km2; população da Região Metropolitana – 1.255.409 habitantes; IDH - 0,788 (quarto maior do Nordeste); Temperatura média - 28º C; Hospedagem - 26 mil leitos. Segundo o IPEA, Natal é um dos 15 municípios menos violentos do Brasil e a capital mais segura do Brasil.
Devido a sua proximidade com a linha do Equador, alguns dias na capital potiguar chegam a ter 15 horas de sol seguidos. Durante todo o ano não se percebem mudanças drásticas no clima (salvo exceções), tendo como resultado um inverno quente, marcado apenas por chuvas entre os meses de julho e agosto. Porém, devido a sua localização privilegiada no continente, Natal recebe ventos constantes, o que torna o clima mais agradável e que segundo um estudo feito pela NASA, a cidade torna-se a detentora do ar mais puro das Américas. Além disso, as dunas de areia funcionam como filtro natural para a água. Estamos de braços abertos para receber a todos.
*Jornalista, Advogado e Professor – Natal RN.

QUE FALTA DE BOM GOSTO

PROF. FRANCISCO VIEIRA*
O gosto é um sentimento comum que consiste na satisfação ou prazer de apreciar algo ou alguma coisa. Sabe-se, entretanto, que se manifesta nas pessoas de formas diferentes, bem particular. Assim, o que agrada uns pode desagradar outros; o que pra você é mau gosto, para outros é maravilhoso ou no mínimo normal. Em que pese o adágio: “questão de gosto não se discute”, ser um pensamento que implica em respeitar a diversidade de idéias, infelizmente, há certos gostos estranhos que caracterizam verdadeiros absurdos.
Fazendo uma relação do tema enfocado com a música nos dias de hoje, observamos um quadro no mínimo preocupante, pois é evidente o mau gosto das pessoas no que se refere à preferência musical. É lamentável, mas a música de boa qualidade, aquela que toca naturalmente o emocional, sem nenhuma explicação, justificável ou convincente, vem desde muito tempo cedendo espaço para gravações que surgem diariamente aos montes, todas desprovidas da menor expressividade. Na verdade se constituem uma afronta a nossa cultura e um atentado aos bons costumes.
Estudo científico norte-americano bem recente comprova que a pessoa ouve o que pensa. Comparando, pois o gosto musical de alguns estudantes constatou-se a coincidência de resultados relacionados ao nível musical de sua preferência. Verificou-se, portanto, a obtenção de altas notas nos que ouvem Beethoven e inversamente, isto é, notas baixas nos adeptos de Lil Wayne, respectivamente, o que poderia se chamar de chic e brega em matéria de música aqui no Brasil. Sabe-se, entretanto, que exames dessa natureza medem apenas a condução do indivíduo na escola, por conseguinte, não representa sua inteligência nem muito menos a genialidade. Contudo, é por demais preocupante, já que a questão se refere à influência que a qualidade musical pode causar no comportamento humano. Mais preocupante ainda é o fato de que a música de má qualidade provoca um ciclo vicioso, alienador, sem fim, que acaba inesperadamente levando a pessoa a ouvir e valorizar coisas do tipo Latino, Lacraia ou algo semelhante.
Na verdade, nossa música vive uma crise sem precedentes. Padecemos as conseqüências de interesses vis da indústria fonográfica em coloio com os meios de comunicação; sofremos os efeitos da insanidade econômica, que valorizando os lucros em detrimento ao talento descartam e subestimam o que temos de melhor. O que vemos são bandas de pagode – falsos sambistas – forró e afins, sem a menor autenticidade musical e artística. E, o que é pior: em avançada ascensão, pois a mídia lança pseudo-artistas que se dizem cantores – de péssima qualidade – e cantando composições do mais baixo nível se tornam ídolos de um público de mau gosto, que se satisfaz com tão pouco, com o mínimo, como o nada, com o pior. Paralelamente, artistas de renome, ídolos do passado, procuram às duras penas nos dias atuais um lugar ao sol. A título de exemplo, Moacir Franco trocou a música pelo humorismo e, pasmem Agnaldo Timóteo, para vender seus discos percorre as ruas do Rio de Janeiro, como um peregrino. É artista e camelô ao mesmo tempo
De fato, a crise existe, atingindo de forma generalizada e sem discriminação todos os gêneros musicais. Até mesmo a linha liderada por Gil e Caetano, também sofre suas conseqüências. Esse gênero, que fora popularizado no passado e sobreviveu como uma fortaleza a recessão imposta pela ditadura, hoje, acha-se submissa à libertinagem e a degradação da língua portuguesa se declinando aos níveis mais baixos da promiscuidade cultural. Assim, a MPB, como música de qualidade, está à margem da preferência, portanto, vítima do sucateamento e do mau gosto musical, foi lançada a segundo plano, ao último ou a nenhum. Propositadamente me vêm à lembrança os memoráveis festivais que revelaram talentos que se imortalizaram como: Elis Regina, Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo, Gonzaguinha e tantos outros que pela qualidade de suas composições foram rotulados e injustamente perseguidos pelo regime militar.
Infelizmente o brasileiro é cúmplice desse processo de destruição; é responsável quando descarta nossos valores em troca de outros sem o menor teor expressivo. A propósito, enquanto no Brasil se faz filas quilométricas para assistir Madona, expurgo cultural ao lado de Michael Jackson para Ariano Suassuna, a Bossa Nova, movimento musical brasileiro ainda representa muito bem o país pelo mundo, tocando na América do Norte, Canadá, México e outros países. É contraditório e inexplicável.
A música em sua essência é mais que uma arte; é Divina. Ela toca o emocional, pois fala de amor, de paixão, fala de tudo que é sentimento. Sua dimensão é infinita. Cada uma lembra algo, marca um relacionamento, um fato, um momento. É a melhor maneira de recordar. Até mesmo a música brega, como gênero popular, na pureza e simplicidade de suas mensagens tem seus méritos – reconhecidos por uns e criticados por outros – pois é cultura, expressão e retrato sentimental do povo. Música, não é uma composição qualquer - qualidade é preciso. E, qualidade, exige: originalidade, criatividade, letra, harmonia e mensagem. São requisitos fundamentais que se completam com uma voz vibrante, agradável.
Diante desse quadro não podemos cruzar os braços em sinal de acomodação e compartilhamento, atitude que caracteriza omissão, que significa fraqueza, covardia. Seria ainda abreviar o tempo de vida de algo que está debilitado ou a falência total do que se acha em decadência. E, mais ainda, seria jogar ao léu a riqueza cultural que dispomos em forma de música e dança, ambas, manifestações rítmicas que sensibilizam, emocionam, comovem e encantam – o próprio êxtase. Longe de mim qualquer imposição ou influência vã; antes o respeito à variedade de pensamentos, pois como averso ao radicalismo, não me permito exigir dos outros a mesma visão. Contudo, mesmo respeitando a posição de cada pessoa, em especial a diversidade de gostos, alguns são extraordinariamente extravagantes, sem nexo, sem sentido – pra não dizer ridículos. Seguindo essa lógica, o que dizer do gosto de ouvir músicas como: “Eguinha Pocotó, Creu, Maionese, Baba Baby, Dança do Quadrado” e outras no mesmo nível de mediocridade e vulgaridade. É gostar do que não tem gosto. É que nossa cultura consumista se manifesta em diversos aspectos, inclusive na música, onde se mostra vazia, permitindo ao homem aceitar de bom grado o que há de mau gosto.
Para vencer o mal a maneira mais eficaz é combatê-lo não deixando que ele cresça. Prevenir é preciso; evitar é necessário, pois do contrário outros “Creus e Eguinhas Pocotós” virão, outros Latinos e Lacraias surgirão, para poluir as mentes sãs, maculando a Música Popular Brasileira. Caso contrário continuaremos sentenciados ao desprazer de ouvir eternamente a nossa volta esse tipo de mau gosto. Dessa forma, entre outras coisas teria o prazer de não mais exclamar: QUE FALTA DE BOM GOSTO!
*Ex-Secretário de Administração e Ex-Diretor da Escola Estadual João da Mata.
Pombal, 30 de maio de 2009.

CINE LUX DE POMBAL

Jerdivan (foto)
Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Eu vi um homem chorar como criança. Eu vi uma senhora segurar com força as grades pretas de ferrugem e ficar por horas mirando as desnudas paredes onde eram expostos os cartazes nos áureos tempos daquela velha casa de exibição cinematográfica. Eu vi suas lágrimas. Eu senti que aquele homem e aquela senhora viajavam para um passado onde, com certeza, eu estava. Eu sei o que eles viram. Eu sei por que eu também viajei naquele sonho e vivi aquele tempo de glória. Então, nós vimos o passado. O nosso passado! E ele lembrava o premiado Cinema Paradise que, por ironia do destino, nunca chegou a ser exibido nas telas do velho Cine Lux. Mas com certeza, quem nasceu em Pombal chorou ao assisti--lo.
Nós vimos “ seu ” Afonso chegar com um lançamento da Vera Cruz ou da Cinelândia. Nós vimos o Sr. Juiz entrar apressado, mesmo sabendo que sua cadeira era reservada e cativa. Nós assistimos “O Ébrio” e “A aparição de Fátima”. Nós vimos Padre Andrade deixar a celebração da missa de domingo pela metade, colocar um picolé em cada bolso da sua velha e surrada batina e entrar correndo para dormir na sua cadeira predileta, bem próximo ao barulhento ventilador que mais parecia um helicóptero em decolagem.
Nós relembramos o milésimo gol de Pelé nas atentas lentes do Canal 100. E, nas matinês de domingo, nos acotovelamos para assistir Durango kid ou Tarzan. Nas noites adentro vimos mocinhas e senhoras chorando após verem por três vezes consecutivas o clássico "Dio como ti amo".
Ver um filme no Cine Lux, antes de ser uma forma de entretenimento numa pequena cidade do interior, era, acima de tudo, um raro momento de prazer que, só quem viveu aquela época, poderá explicar. O espetáculo tinha início do lado de fora da casa de exibição. Namorados desfilavam de um lado para outro; crianças liam os cartazes expostos. Não adiantava sair de casa antes de terminada a seção do cinema. A vida na noite de Pombal tinha início com o apagar das luzes do velho Cine Lux.
Tudo ao som das mais lindas canções. Pois é, seria injustiça deixar de dizer que o Cine Lux contava com uma discografia de fazer inveja às grandes emissoras de rádio da capital. O sinal de luz avisava que o filme estava para começar. Galdino, sempre inquieto, recolhia um a um os ingressos. Lá dentro, avisos de não fume de todos os lados e o silêncio mágico dos espectadores que aguardavam os três últimos sinais de luz. Depois de quinze minutos do início da exibição, as portas se fechavam e ninguém mais entrava . Era a disciplina que na época reclamávamos da sua rigidez e hoje lamentamos a sua falta.
A tela era panorâmica. Uma das primeiras na Paraíba para exibição do recém chegado Cinemascope. Isto mesmo. O gênio empreendedor o “Seu” Afonso via sempre à frente. Como moleque que éramos mentíamos a idade a fim de assistirmos fitas proibidas para menores. Lembro-me de alguém que esteve na capital vaiou o certificado de censura. Ele foi expulso, mas deste dia em diante, já entendendo o motivo, continuamos vaiando aquela cena sem arte.
Ali, parado, em poucos minutos viajamos para um passado tão perto e tão distante. Pegamos na mão da primeira namorada e fomos advertidos pela lanterna vigilante de Galdino. Como isso nos irritava! Se soubéssemos que tudo ia fazer parte desse passado doído, teríamos aceitado o constrangimento com todo prazer. Em pensamento, eu passo no Mercado Público e ainda vejo lá, exposto, o cartaz do filme do dia. —Hoje será exibido "Moisés". Só que desta vez ele não dividirá mar nem levará os filhos de Israel à procura da Canaã. Desta vez ele levará os filhos de Pombal saudade a dentro, nas telas da realidade e os afogará em um mar de desrespeito e esquecimento da sua própria memória.
Mas é preciso acordar. Encarar a realidade sem culpar a ninguém. O progresso, vilão de toda nostalgia, fez a sua parte enterrando no esquecimento aquele cinema e suas duas máquinas projetadas que já foram consideradas as melhores do Nordeste. O tempo, roteirista de cenas findas, vem cumprindo o seu papel enterrando para sempre todo e qualquer vestígio dos tempos de glória do velho Cine Lux.
“ A força da grana que ergue e destrói coisas belas ” já levou o sobrado da rua Nova e a casa de farinha da “Outra banda ”. Já silenciou o apito da chaminé da Brasil Oiticica, devastou as ingazeiras, assoreou o velho Piancó, parou no tempo a velha estação de trem e afastou-me da roça de Mila.
— Que mais ela quer de mim?
*Escritor pombalense.
Dez/1997

UM POMBALENSE CHAMADO CELSO FURTADO

Celso Furtado (Foto Arquivo)
Por Cândido Tertuliano*
Gostaria de ter o poder de poder imaginar como era a vila de Pombal nos idos de 1920 a 1927, período do nascimento e infância de Celso Furtado e dos seus sete anos vividos aqui em Pombal. Quem foram os seus amigos de infância, sua professorinha, o que pensava aquele tenro menino. Como era o casario de nossa cidade naquela época. Nesta célebre entrevista dada a Playboy, Celso fala de uma enchente que costumeiramente acontecia e alagava as residências ribeirinhas da antiga rua do Rio, em que segundo ele, o fogão de sua casa foi parar na sala de entrada. Sabemos pouco de Celso, da sua família materna, apenas que seu pai era magistrado e em 1927 transferiu-se para a capital, onde ele continuou os seus estudos no Liceu Paraibano. Agora talvez seja a hora de nos debruçarmos em um intenso trabalho de pesquisa e tentar resgatar estes dados do homem comum, cidadão Celso Furtado. Do intelectual sabemos um pouco mais, de sua trajetória pelo mundo, suas preocupações que transcenderam os limites da economia, ciência por excelência capitalista e a serviço dos financistas, mas sabemos também de sua visão marxista de mundo, que lhe deu base para pensar a economia além da própria economia e estender para o social e o político o seu pensamento. Celso foi um homem muito além do seu tempo, um homem de vanguarda, como costumamos chamar estes indivíduos que conseguem vislumbrar o futuro muito à frente. Tornou-se mestre de muitos e seguidos por tantos. Foi humilde o suficiente para apanhar o metrô parisiense, no trajeto de ida de uma universidade a outra, quando lecionava na França. Não foi por acaso que tenha assumido a cadeira numero 11, da Academia Brasileira de Letras, anteriormente ocupada por Darci Ribeiro, outro homem do porte de Celso Furtado; aliás para entendermos o Brasil precisamos conhecer um pouco da obra de Celso (Formação Econômica do Brasil), o povo brasileiro (Darci Ribeiro), Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda) e Casa Grande e Senzala de Gilberto Freire, além de Caio Prado Junior. Estes juntos formam e completam um quebra cabeça semelhante ao mapa do nosso país continente. Celso não tinha mais referências em Pombal, porque deixou de ser pombalense para ser um cidadão do mundo como dizia o filósofo Sócrates, a não ser a sua certidão de nascimento; o tempo muitas vezes faz com que percamos as nossas referências, com muita sabedoria. Ele quebrou paradigmas quando colocou na ordem do dia, a questão do subdesenvolvimento da região nordeste, não apenas pela questão geopolítica, mas como o fruto de uma herança colonial de mais de três séculos.
Foi um homem cujo pensamento era descolonizado e procurou transmitir isso aos seus seguidores. Sabia que a metrópole havia se deslocado de Lisboa para Londres e posteriormente para Washington. Foi ético até o extremo da palavra. Probo , simples, recatado, tímido e fiel aos seus princípios até o fim de sua longa e bela existência. Posso me orgulhar de ser seu conterrâneo
*Ativista Político.

BODAS DE JASPE.

Casal Feliz Bibia e Cessa(Foto)
Por Francisco Vieira*
Congratulo-me com Bibia e Cessa por esta data tão importante e significativa na vida do casal, oportunidade em que comemoram Bodas de Jaspe, equivalente aos 47 anos de vida conjugal. É na verdade um acontecimento ímpar, uma raridade, principalmente nos dias atuais, quando muitos subestimam o matrimônio considerando uma instituição falida. Não, jamais será, pois é Divino e tudo que provém de Deus eterno será.
Viver a dois não é tarefa fácil - é uma vida de luta e sacrifícios, conquistas e desilusões e, sobretudo, humildade e compreensão, momentos estes superados somente, e somente só com amor. Esta data é mais que a realização de um sonho, mais que uma conquista; é um presente de DEUS. É a confirmação da promessa cumprida, a ratificação do juramento prestado na presença do Senhor.
Cada casal tem na vida um papel a cumprir e vocês desempenharam muito bem. Vocês foram grandes atores na arte de administrar, criar e educar. Com um jeitinho bem próprio de ser, amar, perdoar, lutar e viver se destacaram no cenário da vida prestando relevante serviço como pais no plano de Deus. Seguramente a missão foi cumprida tornando-se uma lição. Vocês venceram.
Outrora, eram apenas dois. Hoje, uma família constituída de filhos, noras e netos, cuja criação alicerçada nos princípios cristãos dão a todos segurança, estabilidade e dignidade. Em suma, orgulho dos pais. Nesse longo período de convivência vocês demonstraram imensurável exemplo do que só o amor é capaz, por isso deve ser seguido.
Almejo que Deus bendiga continuamente o casal para que siga saboreando as delícias e os frutos próprios do amor. Que as cores de Jaspe, esta pedra sagrada, segundo a cultura antiga, possa brilhar sempre na vida de ambos, tornando claro e límpido o caminho a ser percorrido. Regozijo-me em partilhar desse momento de felicidades desses amigos e compadres aos quais, devoto todo apreço e amizade.
Parabéns Clemildo por tão brilhante idéia que resultou em tão justa e merecida homenagem. Enfim, tudo o que está inserido nesse contexto se resume numa só palavra, num só sentimento – AMOR. Felicito o casal pelo conjunto da obra.
*Prof. Vieira e família.

BIBIA E CESSA: 47 ANOS, "UM CASAMENTO QUE DEU CERTO"

Bibia e Cessa - Dia do Casamento (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne” Gn.2:24. A união existente entre um homem e uma mulher depende muito do entendimento mútuo de ambos desde o início do relacionamento, começando pelo namoro com um tempo considerável para que se conheçam bem. Logo a seguir o noivado, onde requer uma maior aproximação dos dois, projeções para o futuro lar e a relação de apreço entre as famílias envolvidas, em seguida o enlace matrimonial. Mas, nem sempre isso acontece. É justamente na primeira fase do conhecimento onde se põe os alicerces da construção do amor que deve perdurar – Até que a morte os separe. O que não parece tão comum nos dias atuais.
Geralmente ouve-se falar muito em casais que se separam e pouco se dar importância ao casal que continua unido pela força do amor, talvez quem sabe, por ser uma raridade nos nossos dias. Nos parâmetros dessa raridade, quero lhes falar de um casal, cuja união teve o seu começo bem próximo ao altar da Igreja Matriz do Bom Sucesso, pois lá, houve à troca de olhares de duas criaturas bem jovens ainda, que se sentindo atraídos, viram-se despertados para o amor e hoje casados, cumprem o que diz Cantares de Salomão: “As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios afogá-lo” Livro do Cântico 8:7ª.
Minha homenagem hoje nesta coluna é para o casal amigo e ilustre, respeitado por toda sociedade pombalense, Francisco Fernandes da Silva (Bibia) e Mª do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes (Cessa), que está completando 47 anos de feliz união conjugal neste dia 28 de maio de 2009.
Uma história de amor que teve início aos doze anos de idade, Bibia nesse tempo auxiliava o ofício da missa como coroinha, tímido como ainda aparenta, Cessa o procurou e declarou que estava gostando muito dele. Começou o namoro, isso às escondidas, por causa da família dela que a achavam nova demais para namorar. O point de encontro dos dois era a Igreja. Saiam da missa e iam namorar na Praça, isso em meio à apreensão de que alguém os visse juntos e delatasse a família.
Certo dia os dois estavam na praça e de repente Bibia a surpreendeu com um beijo, no momento, Cessa disse que aquilo era pecado. Lembrei-me então, que quando Bibia foi o entrevistado do quadro a música Preferida do meu Programa – Saudade Não Tem Idade, ele escolheu a melodia Argumento com Nelson Gonçalves. Aí me veio à lembrança que na última estrofe da letra da canção diz assim: “Se impetuoso fui sem compaixão e em nome do amor suplico o teu perdão/perdoa meu amor este pecado/sublime impulso de ti haver beijado”.
Um amor que brota de maneira espontânea é diferente de um que é cortejado por outros. E quando no começo a família quer dar combate, sai de baixo. Jamais vai impedir. O sábio Salomão expressa bem esta verdade quando diz: “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte” Livro de Cântico 8:6ª.
Seu Cícero Gregório, pai de Cessa, viu-se incomodado com as circunstâncias de saber que sua filha estava namorando na praça e ao tomar conhecimento de que o rapaz era de boa índole e de família exemplar, permitiu que Bibia fosse namorar sua filha em casa. Todas as noites, Bibia vinha ao encontro da amada com uma lanterna na mão, pois naquele tempo a luz da cidade era de motor e logo cedo se apagava.
Dez anos entre namoro e noivado, chega a hora decisiva para se pedir à mão da moça, Bibia cria coragem e enfrenta seu Cícero Gregório pedindo Cessa em casamento, nesse instante, o pai da moça lhe indaga se ele tem meio de vida para se casar; o pretendente responde que sim. No dia 28 de maio de 1962, o casamento é celebrado na residência do pai da noiva sendo oficiante o Cônego Luiz Gualberto de Andrade. Um dia de muita festa, alegria e regozijo para os nubentes, as famílias de ambos e os amigos.
É bom lembrar que este era um tempo em que a telinha da TV não perturbava os recém-casados. Se por acaso alguém os quisesse incomodar, eles tinham todo direito de parafrasear o rei Salomão quando disse: “Prometam, mulheres de Jerusalém, (Pombal*), que vocês não vão perturbar o nosso amor” Livro de Cântico 8:4 – (tradução da Bíblia na linguagem de hoje). (*grifo nosso)
Nove meses de casados vem o primogênito e no decorrer dos anos quando se dá conta, o casal tem sido premiado por Deus com cinco filhos: Francisco Fernandes da Silva Júnior (Júnior), Francimar de Lacerda Fernandes (Cimar), Antonio Soares da Silva Neto (Tim), Rômulo de Lacerda Fernandes (Rominho) e Cândida Florência de Lacerda Fernandes (Candinha).
Cessa uma mulher guerreira que depois do quarto filho, com 37 anos de vida, através de muito esforço conquistou a sua projeção cultural, após vencer no vestibular ingressou na Universidade de Ciências e Letras de Patos, transferindo-se depois, para a Universidade de Filosofia e Letras de Cajazeiras, concluindo dessa forma em 1980, o curso de licenciatura plena em Letras.
Bibia cidadão honrado e querido por todos. Para ele o valor do casamento está em cumprir fielmente o juramento feito diante de Deus e dos homens por ocasião do enlace matrimonial. Antes de se tornar funcionário público o seu labor foi trabalhar no comércio, passando por diversas lojas. Era prestativo demais no desempenho de seu trabalho como comerciário. Acompanhava no domingo seu patrão nas feiras em cidades circunvizinhas.
Ensejando meus votos de parabéns a Bibia e Cessa por tão significativa data de 47 anos de casados; ofereço aos dois, um trecho do poema de Amado Batista da música – Casal de Namorados -
Eu conheço um casal de namorados, Os namorados são casados, há mais de trinta anos. Que coisa linda é ver a convivência dos dois nesta falência Do tal de casamento.
Esse casal já tem filhos já tem netos, daqui a pouco até bisnetos E o amor deles continua. É benzinho praqui e benzinho pra lá. É de dar inveja em qualquer pessoa...
*RADIALISTA.

CRÍTICA DESTRUTIVA

Severino Coelho Viana (Foto)
Por Severino Coelho Viana*
Expor o pensamento é um ato de coragem, o pior é viver no anonimato da covardia, por insegurança, medo, frustração, sentimento de culpa e por falta de inspiração, onde somente aqueles que nascem com o dom são capazes de desvendar os mistérios da noção criadora. O estilo literário é uma maneira toda especial de exprimir os nossos pensamentos, ideias e conceitos, quer na linguagem falada quer na escrita. Este estilo é de caráter privativo, genuíno e pertence a cada indivíduo particular. É muito mais do que maneira ou modo de expressar os pensamentos – é um dom e uma arte.
Como arte que o é, leva-nos a criar, a gerar ideias. Tira-se do nada algo novo; pondera-se sobre as relações de sentimento, explora-se o recôndito das ilusões, evidencia-se o fato de nossa cruel realidade, acolhem-se os pensamentos otimistas e afugenta-se a sombra temerosa do ideal pessimista.
É tanto que, o estilo nasce com a pessoa. É o reflexo de sua personalidade, é a esboço do caráter individual, a firmeza do grau de cultura e a polidez do nível de educação. Por meio do conhecimento adquirido através da educação este polimento poderá tornar-se lustroso e parte para a evolução do aprimoramento. Neste ponto, é justamente onde desvenda a sensibilidade da alma, a fineza do espírito e a soma de cultura conquistada pela pessoa que escreve ou fala.
A palavra falada ou escrita, no uso de exposição que cai no domínio público, deve ser dita e escrita com clareza, com aparência de um bom vocabulário, com um razoável conhecimento das regras gramaticais, com objetividade e segurança nos temas desenvolvidos. Há uma distinção entre a palavra falada e a escrita. A falada o vento leva, mas a escrita permanece para a posteridade.
No entanto, o escritor ou autor não é uma pessoa isolada no mundo. Ele está condicionado pelo sistema cultural de seu tempo, por sua visão de classe, pelo debate artístico, pelas ideologias conflitantes, pelos valores pessoais e sociais consagrados no período histórico em que vive e cria a sua obra literária de acordo com essa capacidade e essa gama de conhecimento que o circunda. A maior ponderação de uma visão crítica, se é que emana de uma crítica bem fundamentada, é evitar transformar o estilo de conformidade ao autor da crítica, ou seja, querer impor a própria visão no texto de outrem. Forjar um estilo peculiar a um outro diferente daquele do autor. Ora, se o estilo é inerente a cada pessoa como se pode impor uma vontade ao pensamento alheio. Exatamente, neste aspecto reside o defeito do crítico, que critica por criticar, sem tem feito a menor investigação do assunto, resmungando raiva pessoal, contorcendo inveja, baforando ódio e queimando o texto literário pelo sentimento de vingança.
Apelando para a etimologia vemos que a palavra crítica vem do grego. Significa processo de purificação. Dizem os doutos que a palavra crítica originou-se na prática de purificar o ouro: tratava-se de derreter (destruir) o minério bruto e natural, a fim de retirar suas impurezas, para aproveitar somente a parte purificada, o minério adquiriria um outro valor depois de lapidado. Lembrando que, ainda, de acordo com o que dizem alguns filólogos, o "acrisolamento" esse processo de derreter o ouro, é um processo destrutivo. O ouro bruto tem que ser derretido. A crítica é destrutiva quando detona com aquela intenção que vem recheada de maldade. Quando o erro é supervalorizado e apontado, para humilhar o "errante", na visão medíocre do criticante.
A pior de todas as críticas é sem dúvida a crítica destrutiva, disfarçada de crítica construtiva. A crítica construtiva deixa-nos sempre com uma sensação de euforia e vontade de limar aquelas arestas que ainda denunciam algumas imperfeições. Deixa-nos com vontade de tomar um licor com quem nos abriu os olhos e uma impressão de que se criou um laço afetivo para a eternidade, com aquele alguém que contribuiu para o nosso sucesso, de forma desprendida e desinteressada. Já a crítica destrutiva, deixa um sabor amargo, desperta todos os medos e anseios que há em cada um de nós e quase que nos leva a pedir desculpa por existirmos e até por tentarmos fazer qualquer coisa de útil. A crítica destrutiva paralisa, só não pode destruir a índole da criatividade, pois, esta é a carcterística inata de quem carrega o seu próprio dom.
No entanto, são dois os tipos de crítica perfeitamente identificáveis e que por serem tão evidentes, acabam por não oferecer grande margem de dúvida. Porém, surge uma terceira forma de apreciação que é devastadora, demolidora e altamente venenosa, por ser simpática, por ser proferida entre sorrisos, pela maioria das vezes vir da boca daqueles que mais valorizamos e por conseguinte, nem sequer pomos em causa as suas intenções… refirimo-nos, obviamente, à crítica destrutiva, disfarçada de crítica construtiva.
Podemos viver anos em negação, acreditando no inacreditável, no arquiinimigo disfaçado de amigo, insistindo na interiorização de cada “conselho” destes tios, primos, irmãos, amigos de infância e realmente acreditamos que quando nos dizem que só sabemos partir tudo pelo lado oposto, que não fomos desavisados, que não colhemos o material necessário, que era melhor não pormos em prática esta ou aquela ideia porque os nossos planos estão indo para o lado torto e que tudo isto é para nosso bem. Justamente, este conselho é uma tentativa de esmiuçar o sucesso, não devemos tomar como um conselho verdadeiro. O perigo está na labareda da língua ferina. Tudo o que fica é um vazio, a frustração de “ser inferior e incapaz”, mas como foi dito com tanto “amor” é porque só pode ser verdade! Este amor entre aspas é perda de tempo daquele que não se propõe a fazer algo de útil, destrói com a maior facilidade o castelo dos sonhos possíveis de concretização.
No fundo, o que faz o autor da crítica? Critica. Só faz críticas. Critica o irmão, a mãe, o parente próximo, o amigo íntimo; critica a religião; critica a forma de governo, critica o homem, a esposa, o filho; critica tudo, até o vento, é uma insatisfação generalizada. Só não faz a autocrítica. Não apresenta o seu trabalho adverso e bem feito, não escreve uma linha e não levanta um tijolo de soerguimento do prédio social. São críticas meramente devastadoras; que destroem tudo, criticas que têm uma visão de forma diferenciada que é a visão demolidora de tudo e de todos. Não sabe fazer nada de promissor e de alvissareiro.
Temos aprendido que a única maneira de não cair na armadilha da crítica, é começar por avaliar o crítico e só depois da apreciação que nos foi feita, veremos o conteúdo ou o esvaziamento. O que é que essa pessoa já construiu na vida? Tem amigos? Como são os seus relacionamentos? Como é o seu discurso normal? Concentra-se mais em assuntos úteis, ou passa a vida a falar dos outros, e, sobretudo, dos erros dos outros? Que ele encontrou no seu “acerto”. Pobreza de espírito.
O cara que se "especializa" em ser "do contra", simplesmente é aquela típica pessoa chata que nunca concorda com nada. Meio azeda que deseja manter e impor a todo custo apenas seu ponto de vista. É contra pelo único motivo de não ser a favor. Mas não tem argumento consistente para ser "contra". Ao serem questionadas, sobre seus motivos, essas pessoas não sabem enumerar seus argumentos, um total devaneio.
Discordar e ser chato, não é ser crítico. É ser chato, mesmo!
João Pessoa, 27 maio de 2009.
*Pombalense e Promotor Público em João Pessoa. scoelho@globo.com

MASSILON GONZAGA LANÇA NOVO DISCO,O FORRÓ DA GENTE!

Massilon Gonzaga - Novo CD - "O Forró da Gente"
Um forró de qualidade: xote, côco, samba, xaxado e baião, cantorias do Nordeste. É assim o novo disco do cantor, compositor e sanfoneiro – dos bons – Massilon Gonzaga – com uma linguagem contemporânea, sem se afastar da linha de seus trabalhos anteriores, falando de amor em suas variantes, tudo devidamente traduzido num ritmo dançante. O novo disco – “Forró da Gente” – busca mostrar a mais original e essencial música nordestina.
Em “Forró da Gente” Massilon Gonzaga canta em parceria com Amazan e Abdias Sobrinho. “Tome Zabumba”, “Forró no Salão” e “Nas Curvas do Corpo Seu” são as músicas que, em menos de uma semana, já estão no gosto dos ouvintes de todas as emissoras de rádio de Campina Grande e Caruaru, cidades que lideram os festejos nordestinos no Brasil.
Massilon Gonzaga diz que preconceito com a música nordestina é coisa de um passado que não existe mais, “já que o forró conquistou o Brasil”. Determinado, espontâneo e autêntico, Massilon Gonzaga de Luna nasceu na cidade de Pombal, Sertão da Paraíba, porém trabalha e reside em Campina Grande. É professor do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual da Paraíba, diretor da Rádio Comunitária Ariús-FM, cantor e compositor. Com um estilo irreverente, Massilon Gonzaga, não é apenas um cantor, mas um animador que consegue fazer com que o público interaja durante suas apresentações. Dando destaque para a cultura regional, suas canções se firmam na valorização e no respeito as nossas raízes, resgatando, assim, um pouco da nossa história.
Este é o quinto disco da carreira do cantor, que busca seguir a linha de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro e, mais recentemente, de Amazan. Para Massilon, que também é professor universitário, a música de Luiz Gonzaga está indubitavelmente presente em tudo que esteja relacionado com o acordeom.
“Esse disco também ratificou o meu trabalho como intérprete em meio a um caldeirão efervescente que é o forró de Campina Grande, com grandes nomes da música nordestina se destacando. Neste disco, sinto mais a vontade para mostrar a boa música nordestina, mais consciente do que estou fazendo, muito mais amadurecido”, destaca o cantor.
Fonte: Maciel Gonzaga - Natal RN.

SER FELIZ

Autor: Ubiratan Lustosa*
Feliz daquele que ao se olhar no espelho nele vê refletida a imagem de uma pessoa de bem. Feliz daquele que ao cair da noite, rememorando as obrigações do dia, ouve sua própria consciência dizer: "missão cumprida".
Feliz daquele que vendo seus castelos ruírem, seus sonhos desvanecerem, consegue forças para construir de novo, para sonhar outra vez. Feliz do que cai mas se levanta. Feliz do que sofre desilusões mas não perde a crença. Feliz do que sofre injustiças e consegue perdoar.
Feliz daquele que não sendo herói por ter realizado grandes feitos é herói anônimo do cotidiano, e muito realizou por ter feito bem as pequenas tarefas de todos os dias. Feliz o que ama a vida, muito embora nela encontre percalços e privações e sofrimentos. Feliz o que ama o próximo e se doa sem nada pedir em troca.
Feliz o que estende a mão para amparar o desconhecido que pede ajuda, mesmo que não tenha sido ajudado pelos próprios conhecidos quando precisou de apoio. Feliz daquele que tem amigos, muitos ou poucos, talvez um só, mas cuja amizade é sincera e desinteressada. E mais feliz ainda é aquele que sabe ser amigo desinteressado e sincero. Feliz daquele que não é maledicente, porque jamais rastejará nas misérias humanas. Feliz do que não tem inveja, porque será um construtor, um edificador, e crescerá pelas suas próprias virtudes.
Uma pessoa de bem se faz merecedora de respeito. Aquele que cumpre os seus deveres é reconhecido como digno. O que constrói e reconstrói, e sonha e volta a sonhar, é um ser com esperança. O que se levanta após a queda é um bravo e um vitorioso. O que não perde a crença é um forte. O que perdoa é olhado com benevolência por Deus.
O que cumpre as tarefas pequenas que se repetem todos os dias é artífice de um mundo melhor. O que ama a vida dela se faz digno; a vida é um dom de Deus nosso criador. O que ama o seu semelhante e faz de si uma doação, sem nada pedir em contrapartida, não sofrerá quando nada receber, mas crescerá espiritualmente.
O que ampara quem sofre, mesmo que não o conheça, procede como o Cristo e dele se aproxima. O que tem amigos sinceros e desinteressados, e sabe ser amigo desinteressado e sincero, é um ser iluminado.
O que não pratica a maledicência será louvado pelo seu caráter. O que não é invejoso será enaltecido pela sua própria grandeza e não por diminuir o valor alheio. Afinal, a prática das virtudes conduz à perfeição, e a perfeição é Deus.
*Radialista e Advogado - Curitiba PR.

"E AS PEDRAS...CLAMARÃO"!

CLEMILDO BRUNET*
Os acontecimentos sucessivos de escândalos entre aqueles que lidam com o dinheiro público neste país, são suficientes para não se calar mais. Já é hora do nosso povo despertar do sono letárgico e meter a boca no trombone. Parafraseando o que Jesus disse para os fariseus na sua entrada triunfal em Jerusalém: “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão”. Lc.19:40.
Pedra - matéria mineral dura e sólida, da natureza das rochas como diz (Aurélio); objeto inanimado - na ação silenciosa, as mutações que estão ocorrendo com os elementos da terra em face do que a espécie humana tem feito, com o desmatamento de nossas matas virgens destruindo a fauna e a flora; o descaso para com o meio ambiente e todo sinistro provocado pelo homem contra as coisas da natureza. São mudanças repentinas que a meteorologia não sabe explicar. Chuvas provocando enchentes em regiões do semi-árido e seca em lugares onde nunca as águas deixaram de transbordar. Não seria por acaso a hora de se perguntar: As pedras estão começando a clamar? Por mais que se queira justificar esses fenômenos, o ser humano no final de tudo tem notado que são enigmas indecifráveis.
São numerosos os problemas enfrentados por milhões de brasileiros que defendem o seu sustento com salários insignificantes e para os aposentados proventos irrisórios, dinheiro que, não dar sequer para compra medicamentos. Enquanto isso, os homens públicos desta nação que auto se intitulam como representantes do povo gastam o dinheiro do contribuinte a seu bel prazer com familiares e amigos seus, utilizando-se de passagens aéreas para o exterior, pagas pelo Congresso Nacional.
A imprensa brasileira está mais do que certa em denunciar os abusos cometidos por políticos que fazem malversação do dinheiro público, pago com os nossos impostos como cidadãos no cumprimento do nosso dever. O que também por obrigação e dever de nossas autoridades governamentais deveria ser revertido em forma de benefícios necessários a saúde, que está sucateada, melhora das condições de nossas estradas que estão péssimas para o tráfego, e em salários dignos para os que ralam trabalhando com honradez.
É com indignação que vamos reproduzir aqui as manchetes e resumo do episódio conhecido como farra das passagens que envolveram tanto deputados como senadores. No registro feito no dia 20 de abril de 2009 do site “Congresso em Foco” nos deparamos com as seguintes informações: “Dezenove parlamentares e familiares fizeram pelo menos 20 viagens pagas pela Câmara para destinos como Paris, Milão e Nova York. Dagoberto Nogueira saiu 40 vezes do Brasil”. Outra notícia do mesmo boletim: “Uma única viagem para Europa custou R$ 50 mil para Câmara. Terceiros secretários distribuem passagens para deputados e também usam cota para transportar parentes”. Notícia ainda da mesma página do Site Congresso em Foco: “Metade dos 23 lideres partidários usou cota em viagens internacionais. Nova York, Paris e Miami são destinos mais comuns entre as 82 viagens”.
No dia 29 de abril de 2009, o mesmo site publicou que “Senadores gastam mais de 2,2 milhões em três meses”. Eles usaram verba indenizatória para despesas com transportes, alimentação, consultoria, aluguéis e divulgação. No mesmo item da notícia diz que “parlamentares pressionam para incorporar benefício ao Salário”.
Por outro lado, uma frente parlamentar está pressionando o Presidente da Câmara, Michel Temer, no sentido de que se tire da gaveta uma Campanha institucional de conscientização dos brasileiros “A corrupção deixa marcas” que há dois anos está guardada. O objetivo deste grupo de parlamentares é votar propostas de moralização no uso do dinheiro público. Essa campanha a custo zero foi desenvolvida pela Secretaria de Comunicação da Câmara, para promover uma mobilização nacional contra a prática de corrupção e envolveria os órgãos de comunicação da casa (Agencia Câmara, Rádio Câmara, TV Câmara) TVs das assembléias estaduais, TV Justiça, TV Sesc, TV Sindilegs e Sistema Radiobrás. Outros objetivos da campanha seria criar mecanismos de fiscalização e denúncia contra a corrupção mostrando os efeitos prejudiciais dessa prática no cotidiano e combater a visão de quem muitas das vezes faz com que essas irregularidades, sejam encaradas com naturalidade no dia-a-dia.
O interessante é que há muito tempo isso vinha ocorrendo e nós cidadãos deste país não sabíamos de nada. A nossa população tem que dar um basta. Você pode me perguntar de que modo? Precisamos antes de tudo averiguar o procedimento de quem hoje milita na política. Não é somente votar simplesmente porque fulano é meu amigo, ou então porque certa vez me trouxe um benefício. Sabemos que o nosso povo é bondoso demais em retribuir essas ações. Acontece que já pagamos esses favores.
Alguém acha que não tem mais jeito para o que rola no Congresso Nacional, eu não concordo. Tem jeito sim. Quem escolhe os candidatos que vão prá lá? Nós. Sim, somos responsáveis e temos que começar de baixo. Das nossas bases eleitorais. Se errarmos nas nossas escolhas, precisamos refletir onde erramos e consertar o erro, do contrário, seremos coniventes com eles (políticos corruptos), não temos de que reclamar e aí então, as pedras... clamarão.
*RADIALISTA.

HOMENAGEM AO GRANDE ESTADISTA E ECONOMISTA CELSO FURTADO!

Por Mª do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes*
Hoje, vinte de maio são decorridos quatro anos e seis meses sem o nosso célebre Estadista CELSO FURTADO. Nesta oportunidade, faço jus, a minha homenagem, divulgando na íntegra, o texto elaborado naqueles dias de consternação. Publicado na Academia de Letras de Pombal, e Divulgado na Rádio Liberdade FM de Pombal Paraíba.
POMBAL MAIS POBRE!
Naquela tarde do sábado, 20 de novembro de 2004, ouvi um som humano, que à minha porta, anunciava a morte do nosso grande e querido Celso Furtado, acontecimento triste e doloroso que me causou uma espécie de arrepio. De repente, hesitei, e disse àquele precursor que talvez fosse um engano por parte de outrem, pois alimentava o pensamento que Deus iria deixá-lo viver mais, para continuar o seu apostolado em defesa da causa social e econômica do nosso país que diz respeito aos problemas dos seus irmãos sofridos pelas intempéries das secas e da desigualdade humana. Sensibilizada, liguei a televisão e constatei a veracidade do fato que abalara toda a nação brasileira, paraibana, e, sobretudo pombalense.
Sim! Pombal ficou mais pobre, com a ausência do seu ilustre filho na esfera terrestre, pois somos sabedores de que, se grande era o seu saber, maior era a sua esfera de influência para realizar ações benéficas para com o povo brasileiro. O ilustre Celso Furtado manifestava uma força de fé, que unida a sua sabedoria tudo realizava. Uma constante na sua vida era a certeza de que o mundo ainda seria muito melhor.
Falar de Celso seria acordar o mundo para ouvir a bela Canção de feitos contidos na história de um Menino que se tornou Gigante e Esplendoroso por uma causa digna e justa de solidariedade humana. É também, contemplar uma Bandeira de Patriotismo e Heroísmo que será doravante hasteada em nossos corações de compatrícios gratos que vêem também com os olhos do coração a grandeza e o amor telúrico que ele consagrou ao seu Brasil, a sua Paraíba e a sua Pombal.
Obrigada, Celso, pelo seu Ministério de vida fazendo bem ao próximo, como reza o segundo Mandamento de Deus o que fez também, com certeza, contemplar a glória da sua salvação. Consternados pela perda irreparável do querido CELSO, fazemos jus a nossa solidariedade de pesar a sua família de sangue e de nacionalidade pelo admirável humanista, economista e jurista que nunca se negou à causa social do seu povo, homem que repercutiu e repercutirá na história brasileira pelos feitos em prol da defesa dos irmãos sofridos e injustiçados. Assim disse!
*Poetisa, escritora.
Pombal, 22/11/04.

MÃE LOÚRDES

Por Jerdivan Nóbrega de Araujo*
Às vezes as lembranças da nossa infância pulam na tela do computador em textos já feitos e acabados, esperando apenas que os nossos dedos catem as letras, transformando-os plausíveis à todos. "De onde ela vem?! De que matéria bruta/ Vem essa luz que sobre as nebulosas/Cal de incógnitas criptas misteriosas/ Como as estalactites duma gruta?" Não ousaria responder ao poeta... Agora mesmo veio-me a lembrança de uma cheia do Rio Piancó, ano de 1967. Tinha eu seis verdes anos... Como me lembraria de tão distante passado? Talvez paisagem formada por chuva, casas caindo, rio cheio e pessoas lutando para salvar seus poucos pertences, sejam apenas argumentos ou cenário para que viesse a minha mente a lembrança de uma mulher que teve grande influência na minha formação como pessoa: A minha avó paterna mãe Loúrdes.
Mãe Loúrdes, e meus irmãos e primos hão de concorda comigo, foi a personificação da mulher nordestina, para quem o destino aprontou as mais travessas peças e armadilhas, porém, com fé e coragem ela chegou ao final da jornada, podendo olhar para trás e dizer: venci! E venceu mesmo: Órfã ainda jovem viu a luta da sua mãe, viúva também muito jovem, para, sozinha, criar os filhos sem perder um que seja para o mundo.
Se o mesmo destino de Ana, nossa bisavó, foi o que herdou mãe Loúrdes, foi também nesse exemplo de luta e persistência que ela se mirou, após a morte do nosso Avô José Tavares, para tocar a vida para frente e levar a caminhos certos seus sete filhos, dentre eles, Félix, o meu pai. A todos foi dada a chance e a oportunidade dos estudos e da educação e, sem não muito esforço, mandar o filho mais novo a completar seus estudos na capital, o que só era possível, naquela época, as famílias mais ricas.
Para tanto, foi no cabo da enxada, cortando mato, atravessando o rio a nado no tempo de cheia, plantando o próprio sustento ou a beira do forno de lenha, fazendo sequilhos de goma sob encomenda, já que nenhuma pensão ou herança material deixou nosso avô, que mãe Loúrdes construiu a sua família, deixando para filhos, netos e bisneto o seu legado maior que é sempre acreditar que, no final, tudo vai dá certo. Porém, é preciso construir este final. Não me lembro de um dia, quando criança, que meu pai não me levasse logo pela manhã, para "tomar a bênção a mãe Loúrdes".
Mãe Loúrdes da historias, do bom humor e dos cânticos quando orava. Mãe Loúrdes que não abria mão de dar o primeiro banho dos netos, e que eu fiz questão que também desse o primeiro banho e a primeira mamadeira a minha primeira filha. Por onde anda aquela foto??? Acho que era o ano de 1969, vinha eu descendo a Rua Nova e dei de cara com ela. Pegou-me pelos braços levou até o Hospital Sinhá Carneiro para tomar a bênção a Padre Oriel em seu leito de morte. Nos meus oito anos não sabia o que sei hoje. Se soubesse não teria ido de cara amarrada.
Chovia muito. A casa de João Rapadura já era escombros, a casa de dona Poncher, sogra de Valderi, estava também ilhada. Dona Raimunda, mãe de Joaquim ainda resistia não querendo abandonar os seus bens. A Rua de Baixo era um cenário triste de destruição pela chuva da noite anterior e agora pela cheia do velho Piancó, e eu, com seis anos de idade, queimando-me em febre, era levado, sem muito esforço pela minha magreza, nos braços de mãe Loúrdes que não quis que eu caminhasse pelas águas sujas e contaminadas que invadira a nossa casa. Por que me veio à mente este cenário. Acredito que apenas para buscar a imagem da minha avó. A imagem de mãe Loúrdes cuja personalidade moldou toda uma geração de filhos, netos e bisnetos.
*Escritor Pombalense.

SANFONA DO POVO

ONALDO QUEIROGA*
“Quem roubou minha sanfona foi Mané, / foi Rufino, foi Romão. / Quem roubou minha sanfona foi Mané, foi Batista ou Bastião. Quem roubou minha sanfona, oi, / traz de volta, seu ladrão. / Olha aqui, esta sanfona, / sempre foi a minha dona / e tem valor de estimação. / Quem roubou minha sanfona, / eu bem sei, / foi alguém sem coração. / Nesse dia eu não cantei, / quase chorei, / foi tão grande a emoção. / Quem roubou minha sanfona, / peço não faça de novo, / pois esta sanfona bela / que eu estou cantando nela / é a sanfona do povo.”
A música “Sanfona do Povo” é uma obra-prima de autoria de Dona Helena Gonzaga e Luiz Guimarães. A canção retrata fato verídico, ocorrido por volta dos anos de 1950, quando Luiz Gonzaga teve sua sanfona branca subtraída por alguém cuja identidade é até hoje desconhecida. Em bela tarde, no Rio de Janeiro, Luiz Gonzaga chegou à Rádio Nacional, juntamente com o sobrinho Joquinha Gonzaga e outros companheiros de caminhada musical, dentre eles o conhecido “Xaxado” (ou “Salário-Mínimo”), como era conhecido o famoso anão que o acompanhava, tocando triângulo. Ao se ver na Rádio, justamente para participar de gravação de programa ao vivo, Luiz desceu do carro e subiu para o camarim.
Conversa vai, conversa vem, o “Lua” percebeu que já estava se aproximando a hora da apresentação. E foi aí que notou a falta do instrumento — sua sanfona branca. Olhou para o “Xaxado” e logo determinou que ele fosse buscá-la no carro. Instantes depois, retornou o “Xaxado”, carregando a caixa da sanfona, mas com fisionomia assustada. Vidrou os olhos em Gonzaga e disse: “Roubaram a sanfona! Ela sumiu! Não estava na caixa, nem no carro”.
Momento difícil, aquele. O Luiz Gonzaga desceu, procurou por todo o carro, mas não encontrou o instrumento. Triste e desorientado, foi para o palco da Rádio Nacional. Pela primeira, vez o Rei do Baião se apresentou sem sanfona. Cabisbaixo, chorou muito, sentindo a falta do amor maior, a razão de sua vida. Um “ladrão sem coração” levara para sempre a sanfona branca do Luiz, a “sanfona do povo”. Sim, a sanfona do povo nordestino, aquela que, ao peito do cantador, do menestrel do sol, inspirou e fez jorrar de uma alma matuta o retrato e a defesa de seu torrão natal, dos pássaros, dos retirantes, das cheias, da seca, das belas praias do litoral do Nordeste.
Por muito tempo, Luiz Gonzaga ainda buscou reencontrar seu instrumento. Por isso, sempre que chegava a um local e avistava um sanfoneiro dedilhando sanfona branca, caprichava o olhar no acordeom, alimentando o sonho de deparar-se com sua própria sanfona branca.
Joquinha Gonzaga nos revelou que, muito tempo depois, quando se achavam, um dia, de passagem por Cajazeiras, cidade do Alto Sertão paraibano, ele e Luiz Gonzaga saíram do hotel e, ao passarem por uma praça local, visualizaram um trio de forró. Ao peito do sanfoneiro, uma sanfona branca... Luiz desceu do carro, então, aproximou-se e logo reconheceu: era mesmo a sua sanfona, aquela que havia sido levada tempos atrás, no Rio de Janeiro. Já bastante surrada, a sanfona ainda tocava o coração dos sertanejos. Luiz não disse nada ao sanfoneiro, pois, segundo Joquinha, sabia que o autor da subtração não fora ele.
Com esse ato, Luiz Gonzaga cedia mais uma sanfona sua, dentre as mais de trezentas que ofertou a sanfoneiros, durante sua trajetória de vida. Viva o Rei do Baião!
*Pombalense, Juiz de Direito em João Pessoa – PB.

ILUSTRADO ESCRITOR E NARRADOR PAULO ABRANTES

GRATIDÃO E APLAUSOS!
Prezado amigo Paulo Abrantes!
Paz em Cristo!
Fiquei muito feliz ao receber do amigo Clemildo, um CD, sobre a vida de Frei Damião, nosso Santinho Nordestino, anunciando que você me mandou de presente. Agradeço pela honrosa lembrança, que manifestou a nossa sólida amizade de infância. Digo de infância, pela consolidação que eu mantive com os seus queridos genitores, Augusto e Dora, em continuidade com suas irmãs Iruza, colega do Curso Normal e Ione, colega de magistério, ambas, grandes amigas. A você e demais irmãos, devotava grande admiração.
Faço crer a nossa amizade, no que disse o escritor Dr. John Mackay, no seu livro “O Sentido da Vida“, que: “Não há relação mais espiritual e sublime que a amizade”. Esta é a riqueza que com esmero conservo na minha vida.
Ouvi a sua Obra por duas vezes seguidas, para constatar o que um Menino Homem, inteligente, voz vibrante e bela, narrou com altivez um documentário rico e importante a exemplo da história desse célebre Peregrino, amado por Deus que transmitiu este amor aos homens através da humildade e santidade, inerentes a sua pessoa. Frei Damião, pequeno homem em estatura, porém grande em espírito.
Na minha formação religiosa de criança, jovem e adulto sempre esperava com entusiasmo às Santas Missões, principalmente com a presença desse santinho que infundia em nossas mentes, o amor, o respeito e a adoração ao nosso Deus Todo Poderoso! Pregar o Evangelho e o amor de Deus era o seu forte Lema.
O que mais me emocionou no referido CD foi a sua visita Pombal, sua voz em palavras e cânticos, fazendo-me recordar saudosamente a infância e a minha zelosa formação religiosa, outras particularidades tenho um pouco de conhecimento no estudo da sua vida.
Querido amigo! Você me proporcionou uma alegria imensa ao recordar aquelas madrugadas alvissareira na caminhada em companhia de Frei Damião com o sino ou campainha na mão, percorrendo as avenidas da cidade, convidando os fiéis para participarem das Santas Missões, que seriam realizadas na Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
É importante dizer que há tempo que marca mui profundamente a vida da gente. Às Missões, foi um deles. Tempo de conversão e salvação na luta pelo pecado. Meu querido Paulo, enquanto esperamos o milagre de novos Peregrinos modelos de Frei Damião, deleitemos com a delícia deste CD, Relíquia sublime e de profundas lições que nos imprimem consolo e esperança para o encontro com Deus.
Receba o carinhoso ósculo da gratidão pelo sublime presente! Aplausos pela rica e ilustrada narração.
Cessa Lacerda Fernandes
Poetisa e escritora pombalense.
Contato: cessalacerda@yahoo.com.br Pombal, 17/05/09.

POMBAL: A MOBRALTECA E O SESQUICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

Por Jerdivan Nóbrega de Araújo*
A Viação Gaivota sempre chega às doze horas da noite. É o bacurau que trás e leva estudantes e comerciantes para Campina Grande e João Pessoa. Naquela noite a Viação entrou pela curva do Posto Esso, passou por dentro da Rua do Rói Couro e estacionou no Bar e Restaurante Manaira, de Dona Cecinha e Cabina, onde já se encontrava o Carteiro Ribinha, que de imediato pegou o malote dos Correios, colocou sobre o guidão da sua bicicleta e saiu em disparada pelas ruas desertas da cidade, em busca da Agência dos Correios.
No dia seguinte, aberto o malote e feita a devida separação das correspondências, o impetuoso mensageiro fez o seu amarrado de cartas e mais uma vez saiu em disparada, realizando as mais radicais manobras na velha bicicleta cinza, enquanto distribuía quase que roboticamente, as suas correspondências, chegando finalmente à Prefeitura, onde entregou um envelope grande no qual se podia ver em ler subscrito a identificação “ MEC/MOBRAL”.
Mais que rápido Maroquinha, a secretária do Prefeito, abriu o envelope e tomou conhecimento de que o Senador Ruy Carneiro havia conseguido com o MEC que a cidade de Pombal fosse colocada no roteiro cultura do caminhão da MOBRALTECA. –– Que diabos é Mobralteca? Resmungou a secretária.
A grande Carreta da MOBRALTECA chegou a Pombal no dia dezoito de agosto de 1972. A cidade preparava-se para comemorar a Semana da Pátria, no mês seguinte. Seria a maior festa cívica já realizada na terrinha. Afinal, comemoraríamos o Sesquicentenário da Independência do Brasil. A carreta seguia pelas ruas quentes da cidade, arrastando os fios mais baixos, fazendo uma poda forçada nos fícus benjamim e algarobas, que se encontravam abaixo da altura recomendada pela lei de trânsito, mas que até então não eram motivos de preocupação, pois, afora a Viação Gaivota, apenas o caminhão de Zé Birro e a Marinete de Doca de seu Mizim passavam por ali.
O Prefeito se ocupou de divulgar a boa nova, mesmo não entendendo muito do que se tratava. No grupo João da Mata, Colégio de dona Anita e Josué Bezerra também foi dada à notícia.
A cidade, através do Lord Amplificador, e as escolas, através das suas devidas direções, já sabiam do dia e hora da chegada da grande carreta da cultura, de forma que os alunos foram liberados no meio da tarde para recepcionar os visitantes ilustres. O Colégio Estadual cancelou o ensaio geral do desfile, para que todos fossem dar as boas vindas aos integrantes do grande caminhão biblioteca. Logo na entrada da cidade os integrantes da comitiva receberam das mãos do Prefeito Atencio Bezerra, a chave da cidade.
Do caminhão jogavam-se balas e panfletos anunciando a sua chegada, enquanto exaltavam o Presidente Médici “que tanto tem feito pela educação nesse país que vai pra frente.. No início foi chamado de grande caminhão da cultura. Depois que dele saíram cinco figuras exóticas barbudas, calças folgadas e coloridas, professores de Educação Artística, especialistas em trabalhos em couro e tonantes, a molecada alcunhou de “o caminhão dos viados”.
O grande caminhão da cultura, ou dos viados, estacionou em frente ao Grupo Escolar João da Mata, de forma que a sua cabina ficou em baixo da grande castanhola, única sombra da cidade, que nas tardes mais quentes era disputada pelos alunos e pelos jumentos de Pedro Jáques, entre estes a jumenta que, como seu dono, era zambeta.
O caminhão da MOBRALTECA ficou em Pombal por mais de um mês. Durante este período, foram exibidos filmes de propaganda da Ditadura Militar, distribuídos livretos onde se via claramente a intenção de propagar o Governo Militar. Realizavam-se gincanas com maçãs no balde d’água, corrida de sacos; emprestavam-se livros e ensinavam-se artesanatos principalmente em couros e teatro, aos mais habilidosos. Pois sim: enquanto no vale do Araguaia a resistência à ditadura era dizimada, em Pombal nós corríamos dentro de sacos, líamos Peter Pan, Dumas Filho e aplaudíamos os paradas militares em um grande telão.
O desfile de 1972 foi o maior evento cívico já realizado na cidade de Pombal! Cento e cinqüenta anos de independência do país. O Colégio Estadual fez bonito! Mais de mil e quinhentos alunos calçados de Conga queimavam os pés às 15:30h, em um sol infernal, sobre as pedras quentes que enchiam os nossos pés de bolhas, que foi gravado e reprisado à noite no telão da Mobralteca. O desfile saiu do Colégio Estadual e seguiu por um percurso de mais de três quilômetros, até chegar à Praça Getúlio Vargas e fazer a volta por trás do Bar do Centenário. Em frente ao Edifício Maringá foi cantada a música do mesmo nome. O suor escorria nos nossos rostos e nossos pés estouravam em bolhas.
Estampávamos no rosto um sorriso de alegria e satisfação, pois o Brasil “... é um país que vai Pra frente” segundo Dom e Ravel, além de que desfilávamos sob o olhar atento do Diretor do Colégio e os flashs das máquinas fotográfica de Pedrinho e Leó, que faziam as fotos encomendadas pelos nossos não menos orgulhosos pais.
*Escritor Pombalense.

A RESPONSABILIDADE DOS COMUNICADORES

Por Ubiratan Lustosa*
Em dezessete de maio celebra-se o Dia Mundial das Comunicações. Isso enseja algumas reflexões. Os meios de comunicação “podem servir de forma eficaz à alta e nobre causa da paz, mas podem agravar as tensões e favorecer novas formas de injustiças e de violação dos direitos humanos”. Palavras de João Paulo II, o grande Papa que com sua sabedoria nos deixou profundos ensinamentos, e com seu extraordinário talento de comunicador a todos conquistou. E disse mais, referindo-se à imprensa e, por extensão, a todos os meios de comunicação, que devemos “superar as considerações unilaterais e parciais, descartando os julgamentos prévios para criar um espírito de compreensão e de solidariedade recíproca”. E João Paulo II, visando incentivar nos comunicadores uma compreensão maior e um respeito mais expressivo a essa profissão, disse que “o uso justo e construtivo da informação deve descartar todas as pressões, abusos e discriminação do poder político, econômico e ideológico”.
Aí está o pensamento de João Paulo II, traçando normas não apenas para os comunicadores católicos, mas para todos aqueles que militam no fascinante mundo da comunicação. Na verdade os meios de comunicação podem ser facas de dois gumes. Podem conduzir para o bem, quando informam corretamente, quando orientam sabiamente, quando criticam construtivamente, quando se preocupam com a veracidade dos fatos verificando as origens das notícias e a credibilidade das fontes de informação. Podem, no entanto, seguir caminhos inversos.
Alguns acham que os comunicadores não têm compromisso com a verdade. É uma forma simplista de fugir à responsabilidade social desses profissionais e das empresas de comunicação. Temos sim, todos nós, o dever de honestidade com nossos ouvintes, leitores ou telespectadores. Conscientes de nossos deveres com a coletividade nós podemos servir eficazmente às boas causas, aproximando as pessoas em vez de as separar, levando-as a se respeitarem em vez de se vilipendiarem, semeando fraternidade e amor em vez de dissensões e ódio.
O que se verifica com frequência é a visão estreita, num só sentido, sem que se olhe em volta. Muitas vezes são feitos julgamentos prévios, apriorísticos e inconsequentes, sem um exame mais profundo dos fatos e das intenções.Tudo isso é combatido por aqueles a quem interessa usar os meios de comunicação a serviço do bem e da justiça. João Paulo II ofereceu excelentes orientações provindas da sua sabedoria e do seu acendrado amor à humanidade. Ouvi-lo fez bem. Segui-lo é um caminho seguro.
*(Do site www.ulustosa.com)

COMENTÁRIO DE D. CESSA SOBRE O TEXTO "20 Anos: Uma Volta ao Coração Apaixonado"

Prezado amigo e afilhado Clemildo! Paz no Senhor Jesus!
Que surpresa agradável ao deparar-me com este magnífico texto que nos toca a alma com o encontro de um passado feliz que vale a pena recordar. Li e reli, com máxima atenção, enlevando o meu espírito com uma forte saudade!
Vinte anos Clemildo! É uma vida! Recordar este tempo passado é vivê-lo no presente, com intensa saudade, como disse o nosso célebre orador paraibano, Alcides Carneiro, que:
“... recordar é viver de lembrança e viver de lembrança é morrer de saudade”. Nada melhor que ser surpreendida por uma leitura aplausível que desperta um passado feliz que vivíamos em união pela cultura e comunicação da nossa terrinha.
20 anos se passaram e gravado está minuciosamente na sua admirável e brilhante memória em forma de um Crisol, armazenando rica documentação dos momentos de lazer do nosso povo que admirava e admira a arte da música e da poesia.
Sim, Clemildo! Lembro-me bem, daquele dia 15 de maio de 1989 quando você estreou o Romântico e Dinâmico programa: CORAÇÃO APAIXONADO, cujo convite para participar deste, me honrou alegremente, pois fazíamos o nosso povo igual no deleite da bela música, enlevando os corações tristes e enriquecendo os amantes da arte e da cultura.
Programa de muita audiência, após o repouso do meio dia, já ficávamos atentos quando ouvíamos Julio Iglesias com sua música característica que produzia maior vigor.
E porque não falar daqueles companheiros de serestas ao vivo que estavam sempre ali, com o mesmo entusiasmo? Eles completavam a alegria de todos os saudosistas de Pombal e região. Amei este passado e quanta saudade desse tempo que não volta mais!
Pensemos, pois, como ficamos extasiados com aquela atenciosa cartinha do nosso querido e saudoso mestre Wilson Nóbrega Seixas, quando se expressou assim: “A música, sempre foi uma companheira inseparável na vida de todos nós, na dor e na alegria. Enfatizando ainda: Ela desperta em nossos corações sentimentos ocultos guardados no recôndito de nossas almas. Ela nos traz a lembrança dos nossos entes mais queridos, da mulher amada, dos parentes, dos amigos, cujas imagens povoam as nossas cabeças e se fixam, indelevelmente, nas páginas da história de nossas vidas. Este é um rico e memorável documento para o seu acervo.
Quero dizer, Clemildo, que terminei chorando com o último parágrafo do texto, sentindo com você as mesmas emoções de dor e de saudade, porque tenho também, UM CORAÇÃO sensível!
“Nosso amor que eu não esqueço e que teve seu começo numa festa de São João/ Morre hoje sem foguete, sem retrato, sem bilhete, sem luar e sem violão”...
PARABÉNS! PARABÉNS, AMIGO!
Cessa Lacerda Fernandes
Poetisa e escritora pombalense.

20 ANOS: UMA VOLTA AO "CORAÇÃO APAIXONADO"

Clemildo Prog. Coração Apaixonado (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
“Recordar não é viver, porque recordar é viver de lembrança e viver de lembrança é morrer de saudade” (Alcides Carneiro), “Ninguém se perde no caminho da volta” (José Américo), “Porque tudo passa rapidamente, e nós voamos” (Moisés). As frases acima refletem muito bem a condição humana, vivida por esses homens na história da humanidade, em épocas diferentes.
Após 7 anos na Rádio Maringá AM (1982/1989) apresentando os Programas “A Tarde é Nossa e Cantinho da Saudade”, demitido sem justa causa no dia 02 de maio de 1989, tendo sido dispensado de cumprir o aviso prévio, no mesmo dia recebi convite do Diretor Administrativo da Rádio Bonsucesso - Dr. Geraldo Arnaud de Assis Júnior, para assumir a função de Editor de Jornalismo da Rádio Bonsucesso, emissora onde no dia 15 de maio de 1989, houve a estréia do Programa “Coração Apaixonado”.
Por ser um programa estilo povão e cheio de romantismo, em pouco tempo conseguiu considerável audiência a ponto de ganhar mais ouvintes no horário do que a concorrente. Coração Apaixonado, era apresentado diariamente das 13:30 às 16;00 horas e tinha como característica de abertura e encerramento a música Coração Apaixonado, interpretada por Julio Iglesias.
O Programa em sua performance não tratava apenas de tocar música atendendo a exigência do ouvinte. “Coração Apaixonado” entre duas ou mais músicas ou mesmo após o intervalo comercial, tinha algo que fazia diferença: Seu apresentador costumava ler frases que correspondiam - à paixão, ao amor, dando ênfase ao romantismo e o comportamento do romântico ante a flecha do cupido.
Assim era o Programa “Coração Apaixonado” que teve a duração de três anos de 1989 a 1992, e durante esse período por ocasião de cada aniversário, havia comemorações festivas com apresentação ao vivo dos dois principais grupos de Serestas de nossa cidade: Murmurar da Cachoeira e Talismã, estando sempre a frente da coordenação desses eventos, a professora e poetisa Mª do Bom Sucesso Lacerda Fernandes, a quem agradeço, pois o fazia com galhardia e entusiasmo.
D. Cessa no tempo do Coração Apaixonado (Foto)
Em um desses aniversários, tive a satisfação de receber do historiador e escritor pombalense Dr. Wilson Nóbrega Seixas (saudosa memória), uma carta nos seguintes termos:
AO CLEMILDO BRUNET.
Ouvindo a Rádio Bonsucesso, como costumo fazê-lo, todos os dias, tomei conhecimento de que algumas pessoas amigas e admiradoras do criador do Programa - CORAÇÃO APAIXONADO, se movimentaram para prestar ao titular desse programa, aliás, já vitorioso, por todos os motivos, pelo menos por já contar com dois anos de atividades radiofônicas, com geral aceitação e aplausos de toda comunidade pombalense.
Acompanhei, com viva emoção, toda aquela festa, sob a coordenação da professora e poetisa Maria do Bonsucesso de Lacerda Fernandes, para qual contou também com a participação dos grupos seresteiros que têm igualmente os seus programas nessa Rádio Bonsucesso, com grande audiência e repercussão por toda parte.
Justo, portanto, achei essas homenagens tributadas ao nosso amigo e conterrâneo e brilhante jornalista, Clemildo Brunet, homenagens com as quais me associo,trazendo-lhes também as minhas felicitações pelo transcurso de mais um aniversário do Programa CORAÇÃO APAIXONADO.
Foi talvez admirando as belezas de nossas aquarelas, as melodias de nossas músicas selecionadas, tão ao gosto de nosso povo, que inspirou o nosso querido Clemildo, para nos brindar, com o seu programa-CORAÇÃO APAIXONADO, diariamente, ouvido e transmitido pela nossa emissora, servindo-nos, muitas vezes, como lenitivo ao cansaço e monotonia dessa vida, que foge sempre e sempre, deixando-nos cada vez mais perto do túmulo, inevitável e sombrio.
A música, sem dúvida, apareceu com o próprio homem e através dela e dos seus instrumentos vem, por um lado, servindo para aliviar e matar as nossas mágoas, as nossas saudades, ou, por outro, traduzindo as suas maiores alegrias. Daí é que nasceu aquele adágio popular- quem canta seus males espantam.
Como invejo, meu caro jornalista Clemildo, a vida daquele casal de velhos, que todas às sextas-feiras, espontaneamente, estão presentes, a serviço da Rádio Bonsucesso, no Programa que eles mesmos colaboram e integram – SERESTA PARA TODOS. São dois seresteiros inveterados, saudosistas, que se uniram na vida, num lindo romance de amor, cuja melodia musical foi à tônica e o traço fundamental dessa união, que ainda hoje perdura, ao longo de tantos anos, cantando e vivendo, como jovens que fossem, vivendo e cantando, porque, como bem diz a sabedoria popular- quem canta os seus males espantam.
A música, sempre foi uma companheira inseparável na vida de cada um de nós, na dor e na alegria. Ela desperta em nossos corações sentimentos ocultos, guardados no recôndito de nossas almas. Ela nos traz a lembrança dos nossos entes mais querido, da mulher amada, dos parentes, dos amigos, cujas imagens povoam as nossas cabeças e se fixam, indelevelmente, nas páginas da história de nossas vidas.
CORAÇÃO APAIXONADO tem tudo isto e mais algo que não pude expressar, por deficiência física e mental. Não posso, contudo, me alongar mais. O seu Programa exige outros compromissos. Antes, porém, queira, mais uma vez, aceitar as minhas felicitações pelo transcurso do aniversário do seu maravilhoso programa, que já conta, inegavelmente, com grande sucesso, por isso mesmo justifica, plenamente, às homenagens que você recebeu, tão carinhosamente, domingo próximo passado, pelo povo de nossa terra, principalmente por todos que fazem e integram á Rádio Bonsucesso de Pombal.
Wilson Seixas.
São decorridos 20 anos do Programa “Coração Apaixonado”; hoje só lembrança e saudade em nossa radiofonia, pois teve projeção no passado, entre outros do mesmo gênero.
“Nosso amor que eu não esqueço e que teve seu começo numa festa de São João/ Morre hoje sem foguete, sem retrato, sem bilhete, sem luar e sem violão”...
*RADIALISTA.

OBESIDADE INFANTIL: PROBLEMA QUE SALTA AOS OLHOS

Cessinha (Foto)
Por Mª do Bonsucesso Lacerda Fernandes Neta*
A obesidade é um distúrbio multifatorial, sendo descrito, resumidamente, como uma desordem no balanço energético do corpo, provocada pelo excesso de gordura resultante de sucessivos balanços energéticos positivos, o que torna a quantidade de energia ingerida maior do que a quantidade gasta. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é considerada uma epidemia global. (WHO, 1998)
Quando o indivíduo se alimenta, certas substâncias, tais como: a insulina (produzida nas células Beta do pâncreas) e, principalmente, a leptina (presente nos adipócitos), através de sistema aferente, atingem a região hipotalâmica (ao nível de sistema nervoso central) inibindo vias anabólicas e ativando vias catabólicas. Como resposta, através de sistema eferente, o indivíduo diminui a ingestão de alimentos e aumenta o dispêndio de energia, regulando assim o balanço energético. Quando as reservas energéticas diminuem, o indivíduo é estimulado a se alimentar. A ausência das substâncias anteriormente citadas pode causar acúmulo energético que se deposita no organismo em forma de gordura (tecido adiposo). (ROBINS, 2005)
Atualmente, o número de obesos vem crescendo em todo o mundo; e o mais grave: a obesidade infantil está aumentando. De acordo com relatos da Organização Mundial de Saúde, a prevalência de obesidade infantil tem crescido em torno de 10% a 40% na maioria dos países europeus nos últimos 10 anos. Além disso, no Brasil, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, a incidência de obesidade infanto-juvenil aumentou 240% nos últimos 20 anos.
Alguns estudos afirmam que, aproximadamente, 20% das crianças obesas podem se tornar adultos obesos; outros ressaltam que, quanto menor a idade em que a obesidade se manifesta, maior a chance de a criança se tornar um adolescente/adulto obeso (Fisberg, 1995). Sabendo-se que a obesidade está relacionada a várias doenças crônico-degenerativas, tais como: hipertensão arterial sistêmica e diabetes, e a observância dessas patologias em indivíduos cada vez mais jovens, é algo preocupante. Existem inúmeras causas de obesidade, desde orgânicas (genéticas, hormonais), sócio-econômicas, envolvendo hábitos alimentares e atividade física, até psicológicas. Observa-se ainda que alguns medicamentos podem gerar obesidade. No tocante às causas genéticas, há várias síndromes que cursam com obesidade, entre elas a Síndrome de Prader-Willi; síndrome de Cushing, hipotireoidismo, insulinoma, hipogonadismo são distúrbios endócrinos que também podem cursar com obesidade.
Em geral, 99% dos casos de obesidade são considerados de causa exógena, resultantes de ingestão excessiva de alimentos (Damiani, Carvalho & Oliveira, 2000). Nos últimos anos, houve mudanças no padrão de dieta da população, com aumento na ingestão de açúcares e gorduras, em detrimento da ingestão de frutas e fibras alimentares. Segundo uma pesquisa feita com 900 alunos em 40 escolas do estado de Pernambuco (50% públicas e 50% privadas), constatou-se que as crianças comem poucas frutas e verduras, ingerem muita gordura e comem mais nos períodos livres, especialmente quando vêem TV.
Houve alterações também quanto à prática de exercícios físicos. Com o surgimento dos computadores, vídeo-games e outras facilidades do mundo moderno, tais como: controle remoto e escada-rolante, o sedentarismo acaba sendo valorizado.
Quanto às causas psicológicas, verifica-se que a ansiedade, o estresse e a insônia, por exemplo, presentes na vida de diversas pessoas nos dias atuais, muitas vezes, provocam comportamento compensatório através da alimentação e isso se transforma em um ciclo infindo.
Todas essas mudanças de hábitos observadas, no cenário da modernidade, vêm contribuindo de forma significativa para o crescimento da obesidade.
Para combater esse mal, são importantes prevenção e terapêutica adequadas. É necessária uma equipe multidisciplinar, a qual promoverá um programa de reeducação alimentar associado à atividade física e suporte psicológico. É interessante que toda a família do paciente participe das mudanças nos hábitos de vida, pois dessa forma, será possível obter sucesso.
Diante do exposto, os pais precisam estar atentos aos seus filhos, averiguando alimentação, prática de esportes; verificar a prevalência de obesidade na família e, dessa forma, evitar o surgimento desse distúrbio é interessante.
Lembrem-se: na luta contra a obesidade, só um ganha; então se esforce para que seja você o vencedor!
Para maiores esclarecimentos, consulte um pediatra ou um endocrinologista. Em caso de dúvidas, e-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
*(Natural de Patos-PB, 20 anos, mais conhecida como Cessinha, acadêmica do 6º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande, filha de Francisco Fernandes da Silva Júnior e Zeneida Furtado Leite Fernandes, donos da Hiperfarma Bom Sucesso em Patos.)

QUEM DERA PODER FALAR DE POMBAL DE ANTIGAMENTE

Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Quem dera poder falar de Pombal da Rua do Comercio, do Rio Piancó, dasOiticicas que já foram sinônimos de progresso, da Praça do Centenário,da Igreja Matriz, do São Cristóvão entrando em campo com “nego”Adelson no gol, para enfrentar o Pombal Esporte Clube, que tinha como“quipa” Cachorra Velha. Quem dera poder falar da Pombal do Cine Lux e suas matinês aos domingos, da Semana Universitária quando havia, dos seus esquecidos grupos folclóricos e da procissão do Rosário serpenteando pelas ruas na fé inconteste do nosso povo. Pombal da “Rádio Difusora Maringá” na locução do Zé Hilton Trajano,ou dos serviços de difusora de “A voz da Cidade” nos anúncios do Bazar Imperial de Zuza Nicacio. Quero relembrar a SAOB e o Bloco dos Sujos nos Carnavais, o Arrubacão nas ingazeiras e o bandolim de Bideca acalentando os corações sofridos num magistral dueto com as águas mansas do meu Rio Piancó.
O trem cargueiro fazendo manobras para recolher o óleo quente fabricado pela Brasil Oiticica, enquanto que a chaminé de tijolos aparentes expelia a sua fumaça preta em nome de empregos para o nosso povo.Os caminhões descarregando fardos de algodão na porta da Usina e as fábricas de macarrão Matocir, café Dárcio, Sal Adonai e Fubá Piragibe, sendo o exemplo maior desse progresso. Os Águias na guitarra elétrica de Chico de Maroquinha animando as tardes de domingo no Pombal Ideal Clube. Quero contar as histórias das suas ruas, do seu povo humilde dosacontecimentos pelo menos nos últimos quarenta anos, ressuscitando seus loucos pés descalça terra quente; a sua gente nos comícios, da Ala das “Garças” e das “Frasqueiras” e o boi esquartejado no galpão da Brasil Oiticica para alimentar os eleitores do velho Chico Pereira. As cheias na Rua de Baixo, os alunos do Arquidiocesano e as alunas da Escola Normal Arruda Câmara com suas saias plissadas, levando colado ao peito o livro da admissão: quantas vezes quis ser aquele livro.
A banda de música na maestria de Saturnino e a tuba inesquecível de Zé Vicente, brilhando aos primeiros raios de sol nas nossas alvoradas festivas. A chegada da televisão e a viagem do homem à lua vistam por Godor, Crocodilo, Zé da viúva, Natercio, Cizenandro e outros que habitaram a Pombal do meu tempo. Quero lembrar a Pombal romântico que paquerava em volta do Bar Centenário e tomava sorvete na sorveteria de Bernardo, comprava cigarro no Barraco Padre Cícero, de Zé de Lau e tirava o chapéu no trajeto das almas encomendadas pelo nosso amado Padre Andrade, ou colecionavam figurinhas na “Banca de Revista do Escurinho”. A feira aos sábados ainda tinha cordelistas vendendo folhetos e a Marinete de Lauro Paixão ou de seu Mizim disputavam com a Viação Gaivota os passageiros que iam à Patos, pela rodagem poeirenta. A “barata” de Zé Tambor e o “manguinha” de João Terto, na coronel JoséAvelino, e o ronco do avião da sambra, assombrando o sono de seu Inácio, velho ex combatente da segunda grande guerra.
A quermesse na Rua dos Pereiros fazia do São Pedro a Festa Junina mais comemorada e, no mês de outubro, as Lojas Paulistas, na voz de João Fanhonhon, cantando Perfídia, vendia “volta ao mundo” e “bolom” para roupa nova dos matutos que vinham acompanhar o Rosário. Doutor e Diasa no jogo do bicho e o caminhão de Zé Birro sendo empurrado ladeira abaixo quando este perdia a manivela. Preciso ressuscitar gente do povo através de textos e histórias; recolocando-os nas ruas e nos seus ofícios, como Pedro Corisco ou seu Inácio colocando fogo no rabo dos foguetões na saída do Rosário. Narrar às peripécias de Cícero de Bembém, e remontar frases de efeito de Pedro Corisco e João Lindolfo e reensebar o pau de sebo no São João de frente a casa de professor Arlindo. Estas histórias estão registradas na minha memória como fragmentos que preciso recompô-los.
*Escritor Pombalense.

PANCADA DE MÃE

Ubiratan Lustosa*
Antigamente se educava de outro jeito. Quando a piazada saía do sério os pais não tinham dúvidas e nem delongas para aplicar um corretivo na base de tapas ou chineladas. O alvo escolhido era o bumbum, local mais adequado para o castigo. Nádegas eram feitas para isso, diziam os mais velhos. Minha mãe, viúva e com dois filhos para criar, cônscia de suas responsabilidades não podia dar moleza. E não dava. Filha de italianos, era muito enérgica e não hesitava em usar a pá de mexer polenta para dar umas lambadas no traseiro da gente.
Hoje se educa de outro modo e temos a mania de nos queixar das travessuras da criançada, esquecendo as nossas traquinices infantis. Subir em árvores, andar pelos telhados, xingar aos berros, caçar passarinhos, pegar rabeira de carroça, entalar-se em pneus velhos e sair rolando pelas ladeiras, tomar banho pelado nos rios da vizinhança, apertar a campainha das casas e sair correndo se esconder, essas eram algumas das peraltices dos moleques do meu bairro. A gente vivia com machucaduras pelo corpo. Certa vez cai de uma carroça e destronquei o braço. A extraordinária Maria Polenta o consertou. Merecíamos a alcunha de Saci com a qual éramos designados.Na verdade, nossos pais tinham mesmo que ser enérgicos e vez ou outra dar uma coça nos pirralhos. A gente fazia por merecer.
Ah, quantas travessuras, quantos castigos, mas aos poucos a gente aprendia o que era certo e o que estava errado. E, ao seu modo, as mães - sempre coube a elas a parte maior na educação dos filhos - iam preparando seus pimpolhos para a vida. Adultos, a gente agradeceu as palmadas levadas na infância, reconhecendo seguros que foram úteis e corrigiram muitas das nossas falhas. Certa vez, ainda piá, minha mãe costurando na sua velha máquina Singer, sentei no soalho perto dela e comecei a brincar com uma xícara dentro da qual coloquei algumas moedas de tostão. Eu chocalhava as moedas e os ruídos foram irritando minha mãe.
- Pare com isso, você ainda vai quebrar essa xícara. Era de fato uma xícara de porcelana muito bonita, com gravuras coloridas, minha mãe gostava muito dela. E eu chocalhando as moedas na xícara. - Já avisei mais de uma vez. Pare com isso antes que a xícara quebre e eu tenha que te dar uns tapas. Fui insistindo, insistindo, chocalhando, chocalhando até que não deu outra: a xícara quebrou. Num salto me vi na porta da cozinha, voei sobre os degraus da escada e fui velozmente para a praça em frente de casa. Minha mãe me chamava e eu a irritava ainda mais indo cada vez mais longe. Transformei em meu abrigo o local em que a gente jogava futebol com bola de meia, engatando os pés na guanxuma abundante que se enfiava entre os dedos da gente. E fiquei lá. O tempo foi passando, minutos, horas e de repente começou a escurecer. Então, resolvi voltar pra casa, na esperança de que minha mãe já não lembrasse da minha travessa teimosia. Entrei ressabiado e dei de cara com ela, ainda imaginando que ela tivesse esquecido. Não tinha. O corretivo veio de pronto e eu aprendi mais uma: não adianta se esconder esperando que um erro seu seja esquecido.
Os anos passaram, eu cresci, fiquei adulto e um dia, coração enfraquecido pelas agruras pelas quais passou consagrando a vida à criação dos filhos, ela se foi. Senti sua falta, curti saudade e, coisa estranha, a amei mais do que quando estava aqui. Senti essa sensação que muitos filhos sentem depois que suas mães partem: o remorso por não ter sido mais obediente, mais carinhoso com ela. E quanto às lambadas recebidas, nada a reclamar; era coisa da época e os pais batiam nos filhos porque era assim que se educava naqueles tempos. Correta ou não essa prática dava certo. Era desse jeito que se domava Saci.
Notas: a) A praça mencionada no texto é a Praça Ouvidor Pardinho, também chamada Praça da Igreja do Coração de Maria, em tempos remotos o Campo da Cruz. b) Maria Polenta - Maria Trevisan Tortato - fazia massagem magnética junto com rezas e benzeduras. Era famosa pelas curas obtidas. Tornou-se uma lenda curitibana
*RADIALISTA E ADVOGADO. CURITIBA PR.

VIVER É SOFRER

Por Severino Coelho Viana*
A vida terrena não passa de uma missão a ser cumprida, é uma tarefa árdua, onde vivemos no mundo das incompreensões. Isto se dá pelo seu próprio estado de transitoriedade. É tão provável que seja uma missão, pois ninguém sabe o prazo que foi determinado, cada um ao seu tempo caminha pela estrada poeirenta da existência humana. Estamos falando da missão cumprida de nossa comadre e amiga de reserva do nosso coração, Lucelena Gouveia Fernandes, carinhosamente conhecida por Leninha, quando fizemos as nossas despedidas derradeiras, às 17 horas, do dia 06/maio/2009, no Parque das Acácias, na cidade de João Pessoa.
Naquele momento final de comoção, sentíamos o coração de uma mãe dilacerado que mergulhou num profundo transe e de um sentimento abalado de um pai, quando ambos davam o adeus e que se separavam da filha querida, cuja dor da perda, somente encontrava o conforto nos desígnios de Deus. Apesar da circunstância dolorida, o local e horário, por uma força inexplicável da natureza, transmitia-nos uma situação de calmaria. Era o verde natural das plantas sopradas por um vento de mansidão, entoava um canto harmonioso das aves que beliscavam as folhas das árvores frondosas circundantes que combinam com o solo da relva planejada. As avenidas do campo santo formadas pelas lápides pareciam uma cidade ornamental que não havia comunicação entre os seus moradores. Cada um havia se recolhido ao reservatório de sua última morada.
Os sussurros lamentosos e os olhos entristecidos provinham dos humanos quando dezenas de pombalenses se fizeram presentes, num reencontro nada plausível que se dava num banquete de adeus e saudade, onde o licor servido eram as lágrimas dos nossos olhos. Naquela hora de oração derradeira, eu, pessoalmente, estava presente à cerimônia, mas fiz uma viagem mental à cidade de Pombal, minha Terra Natal, que no itinerário desta viagem e a situação que se apresentava, entoava silenciosamente a música: “Canção da América”, de Milton Nascimento, e via uma fileira de amigos fazendo coro neste gesto de solidariedade.
Um piano acompanhava cadencialmente o ritmo da canção. E eu viajava ao mundo das recordações: lembrava a vivacidade e o entusiasmo de Leninha, no tempo do velho Colégio Estadual de Pombal, no auge de sua juventude, carregada de sonhos e buscava grandes realizações. Aquela menina-moça que caminhava nas galerias vestida de blusa branca, saia preta plissada, sapato preto e meias brancas e a tiracolo no ombro. Ninguém adivinharia os traços de uma vida. No ritmo da música fazia rebuscar os primeiros lances e acenos de namoro com o nosso amigo, Wertevan Fernandes. Logo, daquele namorico de dois adolescentes terminou em casamento, brotando desta união o primeiro filho Turgésio. E daí começou o percurso da formação de uma família que se ajustava às situações irremediáveis e ás turbulências do viver: de alegria ou de tristeza, de contentamento ou de lástima, de desistência ou de desafio, de sorriso ou de tristeza, de vitória ou de derrota, tudo fazia parte na escalada da montanha íngreme da vida.
No balanço deste viver, nós acompanhamos a sua luta de peregrinação em prol da vida contra um inimigo que estava solto no campo de batalha. Foi um verdadeiro sacrifício pela causa empenhada, eram visitas permanentes a clínicas, médicos, hospitais e laboratórios, apelando pela sua cura aos remédios homeopáticos. Não perdia o seu apego pela vida, qualquer mensagem de conforto servia de remédio aliviador, que se mesclavam com as preces, louvores e mensagens alvissareiras que lhe trouxessem ânimo para o seu combate até que chegou à batalha final. No sonho desta viagem, eu acordava ante o pesadelo da vida real. Parecia não ser verdade, porém sabia e sentia meus pés ao solo.
Olhávamos em direção ao nosso compadre e amigo, Wertevan, com o seu semblante decaído, falava com a voz entrecortada, os olhos nadando nas lágrimas e percebíamos que de sua face havia sumido o humor que lhe era característico e cedia lugar a um olhar de pura reflexão. Este olhar circulava sorrateiramente observando todos os seus amigos que se fizeram presentes. Certamente, no íntimo de seu coração dizia: __ Leninha, olhe seus amigos. O nosso banquete de felicidade terminou em lágrimas.
A melodia já fazia um efeito de devaneio na nossa mente, ouvíamos que os acordes chegavam ao final. Avistávamos por outro lado os dois irmãos abraçados, Turgésio e Artur, em silêncio, não resmungavam uma só sílaba, provavelmente, cada um quisesse dizer: __ Ela está indo...!
O seu filho mais novo, Werto Júnior, pela sua tenra idade, talvez não compreendesse aquele cenário, ou, quem sabe, pelo muito de anjo que é aureolado, soubesse e compreendesse mais do que os adultos presentes, pelo simples fato de ser um dos membros da corte angelical, era confortado pela sua própria inocência e talvez tentasse dizer a todos nós: __Tou calmo! Minha mãe mudou-se para a minha morada! O som da melodia continuava e a tecla do piano ressoou com nitidez.
Agora era a minha vez, como eu me despedi? Se tantas vezes na vida as nossas despedidas passageiras foram de sorrisos e abraços. E agora? Eu ia me despedi sozinho e não recebia nenhuma resposta. Somente o silêncio falou no meu coração:
Amigo é coisa para se guardar No lado esquerdo do peito Mesmo que o tempo e a distância digam "não" Mesmo esquecendo a canção O que importa é ouvir A voz que vem do coração.
João Pessoa, 06 maio de 2009.
*Escritor e Promotor Público em João Pessoa - PB

MÃE: HOMENAGEM JUSTA E MERECIDA AO SEU DIA!

Foto ilustrativa
CLEMILDO BRUNET*
Mãe é aquela que durante nove meses de gestação carrega em seu ventre com todo o cuidado o filho que vai nascer. São muitas as noites indormidas na esperança de ver sair de suas entranhas o ser querido que está para vir. Aos primeiros sinais da gravidez inicia-se a preocupação em preparar o enxoval para o rebento, pois quando chegar estará pronto o seu lugar em um quarto da casa, o berço e todos os apetrechos necessário, dando cores ao ambiente de conformidade com o sexo da criança.
Sofre as dores de parto, no entanto, como disse Jesus: “A mulher, quando está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora é chegada; mas, depois de nascido o menino, já não se lembra da aflição, pelo prazer que tem de ter nascido ao mundo um homem”. Jo. 16:21. Agora na satisfação de contemplar o seu filho querido, o coração de mãe se desdobra em oferecer o melhor para ele. O tempo passa e ela acompanha o dia a dia de seu filho com todo amor, esmera-se em educá-lo para vida, na esperança de que no futuro seja uma pessoa digna e respeitada pelos ensinamentos que foram dados por ela.
A missão de ser mãe atribuída única e exclusivamente à mulher vem desde o início da humanidade, não há outra espécie no mundo de sexo oposto, que por mais que se esforce a destrone e tome o seu lugar. Deus a fez assim: Mulher. A bíblia faz uma exaltação à mulher como algo precioso e raro entre os seres humanos. “Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias... Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça. Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas”. Pv. 31:10,28,29.
No coração materno há uma chama de esperança que nunca se apaga. Por mais que aquele filho seja um vilão para a sociedade, ela não o vê desse modo. Padece por ele, pede a Deus a proteção divina sobre sua vida e passa a ser motivo de sua preocupação maior em relação aos demais. Não é sem razão que o poeta inspirado em uma canção diz: “Ser mãe é padecer num paraíso”.
A mulher israelense casada que o diga; quanto significativo para ela era ter um ou mais filhos. Todos ali esperavam na promessa de Deus de que o libertador do seu povo nasceria no meio deles, descendente de uma mulher. Por essa razão as mulheres estéreis, isto é, aquelas que não podiam ter filhos era o opróbrio do seu povo. O exemplo mais edificante de uma mulher desejosa de ser mãe e não podia por causa da sua esterilidade, foi Ana. Seu marido a amava muito, mas isso não era suficiente, pois sua rival tinha filhos com seu esposo e ela tão somente era objeto de escárnio por ser infrutífera. Ana vai ao templo chora copiosamente derramando a sua alma perante o Senhor na ânsia de alcançar benevolência do altíssimo e faz este voto: “Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha”. I Sm. 1:11.
O voto do nazireu que significa consagrar o menino ao Senhor consistia em, (abster-se de uvas ou de qualquer coisa feita com uva, deixar de cortar os cabelos e evitar todo e qualquer contato com algum cadáver). Poderia ser feito de duas maneiras; por tempo determinado ou perpétuo, Ana preferiu consagrá-lo por todos os dias de sua vida, porque disse ela: “pelo que também o trago devolvido ao Senhor, por todos os dias que viver, pois do Senhor o pedi”. I Sm. 1:28. Como recompensa desse gesto, Ana foi abençoada como mãe, nascendo ainda de seu ventre três filhos e duas filhas. I Sm. 2:21.
Que valor inestimável tem uma mãe no seio da sociedade, até mesmo aquelas que pelo infortúnio do destino são mães solteiras, mas tiveram a responsabilidade de arcar com seu erro e ir em frente fazendo o papel de pai e mãe ao mesmo tempo, dando uma boa educação ao seu filho para vê-lo mais tarde um cidadão benquisto e respeitado pela sociedade.
Muito acertada a escolha do segundo domingo de maio para as homenagens as mães em todo o mundo, tanto pelo seu valor histórico inicial, como também na forma coletiva de se reunir em cada lugar onde houver uma mãe, os filhos ao seu redor prestar-lhes as homenagens que lhe são devidas. Bom seria que ela não fosse lembrada tão somente nesse dia em meio à efervescência das comemorações, mas sim em todos de sua existência. È como diz o ditado: Mãe só uma.
Eu não tenho mais a minha mãe, desde o dia 13 de outubro de 1980 que ela foi levada para o seio de Abraão, porém sinto muito a sua falta. Contudo, deixou-me o legado do seu amor, seus ensinamentos no caminho do bem, resignação, perseverança e esperança. Finalmente como ela mesma costumava me dizer: “Meu filho: Uma mãe é para cem filhos e cem filhos não é para uma mãe”.
Parabéns a todas as mães deste planeta. Feliz Dia das Mães!
*RADIALISTA.

PARLAMENTARES IMPRUDENTES

Ubiratan Lustosa*
O descaramento de alguns membros do Congresso, revelado nas declarações que fizeram em defesa de suas mordomias com viagens aéreas, causa espanto, revolta e preocupação. Espanto por não ser um fato isolado; faz parte de uma sequência de atos reprováveis. Revolta por demonstrar um total distanciamento desses parlamentares com os interesses e anseios populares. Preocupação porque fortalece o ânimo daqueles que - com a descrença popular causada pela derrocada moral do legislativo - alimentam sonhos de governos totalitários.
Essas manifestações de alguns parlamentares já não podem mais ser toleradas e os seus pares que mantêm o senso moral deveriam repreender e alertar esses imprudentes que estão acelerando o seu próprio fim.
Infelizmente vivemos tempos em que os crimes de políticos são aliviados e os que os cometem são acariciados com suaves tapinhas nas costas. Houve ocasiões em que se mudou até a definição dos delitos e todos passaram a ser pequenos desvios de conduta. Certamente isso está errado. Se o presidente disse que também cedeu passagens a sindicalistas quando deputado federal, isso não minimiza as falhas agora reveladas. Presidentes também cometem falhas. Se o fez, paciência, abusou também e seu erro não deve servir de exemplo. Esse esdrúxulo modelo de ética não se deve aceitar.
Sou de um tempo em que os políticos mereciam nosso respeito. Havia parlamentares ilustres, grandes tribunos, legisladores sérios. Ainda estudante, muitas vezes fui à Assembléia Legislativa do Paraná para ouvir os debates entre Vieira Neto e Laertes Munhoz, dois gigantes de nossa cultura jurídica. Quantas lições de civismo, de oratória, do uso correto da língua portuguesa, verdadeiras aulas de patriotismo. E não eram apenas eles. Outros havia que também davam lições de democracia, defendiam com ardor as suas causas, batalhavam com denodo em linguagem adequada e argumentação inteligente. Havia elevação de propósitos e dignidade representativa. A gente os admirava.
Hoje, se for feita uma pesquisa em que se pergunte ao povo se o Congresso deve ser eliminado, não se surpreendam se a massa for a favor da sua extinção. Lamentável, mas compreensível ante tantas decepções que a atual legislatura nos trouxe. A simples idéia já nos espanta, pois seria um fato desastroso.
É urgente que muitos de nossos políticos, pensando em sua própria sobrevivência, reciclem a sua conduta e se reaproximem do povo, não confundam o que é público com o que é privado, reaprendam as normas do respeito aos interesses da nação. Ou mudam ou serão mudados.
*Radialista e Advogado – Curitiba PR.

NÃO MORRERÁ NUNCA, AQUELE QUE VIVO ESTÁ NO CORAÇÃO DOS QUE AMAM!

LEMBRAR PE. SOLON É MOTIVO DE SAUDADE!
Por Cessa Lacerda*
Quatro de maio de 1935, no sítio Várzea da Serra, município de Paulista-PB, nasceu Pe. Solon Dantas de França, filho do saudoso poeta e repentista Belarmino Fernandes de França e de Dª Emerentina Dantas de Sousa. Nascido em um lar católico e cuidadoso com o dever cristão, com dois meses e 26 dias, isto é, no dia 30 de julho foi levado a Pia Batismal, recebendo o Sacramento do Batismo na Igreja de São José de Paulista transmitido pelo nosso pároco, na época, Mons. Valeriano Pereira, sendo apadrinhado por João Silveira e Ezilda Pereira Diniz.
Em 10 de março de 1946, com onze anos, recebeu a Primeira Eucaristia, na mesma Igreja, celebração realizada por Frei Bruno. Logo mais, no dia 2 de setembro recebeu o Sacramento da Crisma, celebrado pelo Bispo da Diocese de Cajazeiras, na época, Dom Henrique Gelain, ganhando como padrinho o senhor José Pedro de Sousa.
Iniciou os estudos no lugar em que nasceu, em casa dos pais, tendo como primeiro professor o senhor Victor de França. Passou a estudar no sítio Córrego do Velame, com o professor Luiz de Apolinário. Concluiu o curso fundamental na Várzea da Serra, na residência de Massilon Bananeira com o professor José Jerônimo Neto.
Ao nascer somos predestinados por Deus e seguimos as nossas aptidões, desenvolvendo nossos talentos e inclinações. Tudo isto é o que chamamos de vocação. Inserido neste contexto Pe. Solon despertou a sua vida vocacional a partir de um convite de Dom Zacarias Rolim de Moura, bispo de Cajazeiras, em 12 de novembro 1954, por ocasião de uma Missa que foi celebrar em Paulista. Ele não hesitou, aceitou o convite. No início de 1955, em 27 de fevereiro ingressou no Seminário de Cajazeiras, sendo recebido pelo Reitor, Pe. Luiz Gualberto de Andrade. Permaneceu ai, até 1961, sendo transferido para o Seminário Provincial de Fortaleza-CE, ou Seminário da Prainha, ficando até 1966. A sua primeira Tonsura, isto é, Rito de admissão ao Clero, realizou-se no em 12 de janeiro de 1965, celebrada por Dom Zacarias Rolim de Moura, coadjuvado pelo Mons. Oriel Antônio Fernandes.
Em 10 de janeiro de 1966 ele recebeu as duas Primeiras Ordens Menores na Catedral de Nossa Senhora da Piedade em Cajazeiras. Em Cajazeiras, também recebeu as duas últimas Ordens Menores em 08 de janeiro de 1967. Neste mesmo ano ele regressou a Cajazeiras quando completou os Tratados de Graça e Sacramentos em Moral e Teologia ministrados por Dom Zacarias, Mons. Vicente Freitas, Pe. Gervásio Queiroga e Pe.Walter Strapaguelti.
Em 08 de dezembro de 1967 foi o seu Sub-Diaconato, realizado na Igreja Nossa Senhora dos Remédios em Catolé do Rocha, administrado por Dom Zacarias. Em seguida, na Catedral de Nossa Senhora da Piedade em Cajazeiras, há 12 de janeiro de 1968 foi o seu Diaconato, também presidido por Dom Zacarias.
Em cumprimento a resposta ao chamado de Deus, há 10 de julho de 1968 foi celebrada a sua Ordenação Sacerdotal, na Igreja Matriz de São José de Paulista com a presença de Dom Zacarias e vários Padres de Cajazeiras e outros mais, quando ás 17h, celebrou a sua primeira Missa Solene, bem como, sua nomeação para Vigário da Matriz Catedral de Nossa Senhora da Piedade de Cajazeiras e Cura da Santa Sé assumindo tais funções há 15 de julho de 1968. Após um ano de sua Ordenação, foi destinado para Pombal, assumindo a Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em 15 de junho de 1969.
Célebre Sacerdote! Inteligente, virtuoso, devotado a causa da sua Igreja e do seu rebanho. Administrou a nossa Paróquia por mais de trinta anos com austeridade dedicação e muito amor. Além da Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso ele administrou a Paróquia de São Pedro de Pombal e São José de Paulista.
Também administrou outras Paróquias: São José de Lagoa, São José de Paulista e São Sebastião de São Bento. Assumiu por várias vezes a Paróquia de Coremas. Perspicaz, humano e amigo!
Possuidor de um Currículo admirável. Promoveu outras atividades. Foi professor de Língua Portuguesa e Educação Moral e Cívica do Seminário e do Colégio Comercial “Mons. Constantino, ambos de Cajazeiras.
Em Pombal: Professor de Português da Escola Estadual de 1° e 2° Graus “Arruda Câmara”. Diretor do Hospital e Maternidade “Sinhá Carneiro. Diretor do Colégio “Josué Bezerra”. Diretor do Educandário “Nossa Senhora de Fátima”. Diretor da Escola de 1° Grau “São Vicente de Paulo. Diretor e Fundador da Creche “Pequeno Príncipe”.
Em Paulista: Diretor e Fundador do Hospital “Emerentina Dantas”. Diretor Fundador da Creche “Robson Araújo Veras”. Diretor Fundador da Escola Paroquial “Cândido de Assis Queiroga”. Fundador da Casa de Retiro de Apoio à Diocese, intitulado “Nova Betânia”.
Constatamos que a vida do nosso inesquecível Pe. Solon foi toda uma verdadeira doação, aos seus irmãos fazendo jus ao seu Lema de Ordenação “Volta para o meio do povo de onde saíste, e, santifica-os” Êxodo 19,10.
O meu relacionamento com esse Baluarte da nossa Igreja começou desde quando ele chegou a Pombal para administrar a nossa Paróquia de Nossa Senhora o Bom Sucesso. Estendeu-se com o passar do tempo em que fui tendo mais afinidades, além de paroquiana, observei seus inúmeros predicados: firmeza e seriedade vocacional, capacidade de trabalho para com a nossa Igreja. Foi quando ele me conheceu como aluna e mestra do Colégio “Josué Bezerra”. Deste, foi Diretor por muitos anos e também do Apostolado da Oração em que eu participava. Em continuidade nos deparamos como admiradores da Poesia através da verve do seu querido Pai Belarmino de França. Como amigos, fomos nos aconchegando e na minha profissão de fé, admirava-o pelo amor e devoção que ele devotava a Maria Santíssima.
E como se não bastasse, ingressamos juntos na Academia de Letras de Pombal, ele ocupando a Cadeira de N° 11, pertencente ao Patrono Imortal, Belarmino Fernandes de França, seu genitor, e, eu a Cadeira n° 05 da grande poetisa Cecília Meireles. E como Presidente desta Casa de sábios, contei com seu apoio e com sua atenção carinhosa.
A amizade que mantínhamos era incalculável, porém, maior era a minha admiração por ele. Resta-nos elevar as nossas preces a Deus para que lá no céu ele possa desfrutar eternamente o Seu amor.
*Escritora e Poetisa Pombalense.

"SEVERINO DE SADY: O MÉDICO DOS POBRES"

por Eronildo Barbosa*
Meu amigo Wertevam Fernandes, destacado historiador da nossa terrinha, tem insistido comigo para escrever algumas linhas sobre pessoas com inteligência acima da média que conheci em Pombal, na década de setenta, inclusive citou Severino Sadi como sendo uma figura preparada intelectualmente o que justifica um artigo ou um trabalho mais de fôlego. Achei a tarefa legal e justa. Fui amigo de Severino.
Eu e Wertevam aprendemos muito com ele. Era a pessoa mais sábia que conhecíamos na cidade. Havia outros homens igualmente doutos como Boboia, Atêncio Vanderley, Solha, Horácio, entre outros, mas não eram do nosso relacionamento. Não tínhamos acesso a eles. Conheci Severino Sadi em 1970, na bodega que minha mãe, dona Zuila, tinha na Rua Odilon Lopes, na esquina com abrigo dos velhos. Ele ia diariamente lá para comprar uma garrafa de Pitu, sua cachaça preferida, e duas carteiras de cigarro continental, sem filtro. Nessa época ele era professor do ginásio Diocesano e uma espécie de médico dos pobres, embora não tenha terminado o curso de medicina que fazia em Recife. Parou no quarto ano, alegando perseguição política, pelo menos era essa a informação que dava quando perguntado. O comentário na cidade era outro. Falava-se que ele parou de estudar porque seu pai, Sadi Vanderley, rico fazendeiro, deixou de custear suas despesas por não concordar com sua rebeldia.
Todas as manhãs ele recebia pacientes pobres que vinham a sua casa, localizada próxima da atual prefeitura, entre as residências de Manoel Cazé e Severino Damascena, na esperança de encontrar um alivio para suas doenças. No sábado, dia de feira, a clientela era maior. Eram homens, mulheres e crianças que entravam e saiam da sua casa, muitos, inclusive levando um remédio na mão, tipo amostra grátis que os vendedores de fármacos tinham doado no dia anterior. As pessoas vinham da zona rural com a recomendação de procurá-lo. A fama de bom “médico” corria solta pelo interior. Não havia cobrança pela consulta, mas, na maioria das vezes, o paciente deixava algum trocado. Certa feita, uma mulher se consultou e, na saída, inadvertidamente, entregou algum dinheiro e disse que era para ele tomar umas pingas. De pronto ele devolveu o dinheiro, bravo, dizendo que o recurso da pinga já tinha. Essa mulher nunca mais voltou. Era comum alguém chegar às farmácias da cidade com uma receita prescrita por ele, vazada numa péssima caligrafia, geralmente em uma velha folha de caderno. Alguns médicos não gostavam que ele clinicasse. Estavam certos. A legislação não permite, mas, o que fazer com os pobres que precisavam de apoio médico e não encontravam no hospital da cidade. É preciso saber que, na década de setenta, Pombal tinha poucos médicos. Tanto é verdade que o famoso Zé Enfermeiro era “autorizado” a fazer pequenas cirurgias e partos. Severino Sadi era solteiro e muito alegre para os padrões da cidade na década de setenta.
Tinha refinamento intelectual e não escondia sua condição de ateu. Falava bem, pelo menos para a gente que não tinha conhecimento ainda de língua estrangeira, o inglês e alguma coisa do francês. Conhecia de política nacional e internacional, de futebol, cinema, música, entre outras habilidades. Era amante dos livros. Todos os dias, à tarde, quem passasse em frente a sua casa o via deitado numa rede, com o rádio ligado na Rádio Globo, lendo o jornal Diário de Pernambuco.
Na parte da tarde não clinicava, aproveitava para receber os amigos e contar suas façanhas que, hoje, acho que eram bem inflacionadas. Os assuntos principais eram política e futebol. Era apaixonado pelo Fluminense. Wertevam também. Por conta dessa coincidência, pelo amor profundo ao clube das laranjeiras, ao que parece, ele se ofereceu, gratuitamente, a Wertevam e ao autor, para dar aulas de defesa pessoal. Criou até uma “academia” no muro da sua casa, feita de areia, para apoiar os exercícios. As aulas não prosperaram. O nosso negócio era jogar futebol.
Por volta de 1975 a vida de Severino Sadi começou a ficar muito difícil. A família rompeu as relações com ele. Também já não ministrava mais aula. A dependência alcoólica aumentou e provocou a fuga dos pacientes. Já não tinha dinheiro nem para custear despesas básicas. Bianor Arruda, seu parente, era quem o socorria com alimentação. Nesse mesmo ano, se não estou enganado, seu pai morreu deixando uma fazenda como herança, mas ele não era administrador, arrendou-a para Bianor Arruda e passou a viver dessa modesta renda.
No final de 1977 fui embora de Pombal. Perdi o contato com ele. Soube depois que morreu, provavelmente em 1983 ou 1984. Nosso conector maior, José Tavares, que liga Pombal com o mundo, vai disponibilizar essa informação para os amigos que curtem esse espaço. Severino Sadi foi um homem bom e muito inteligente. Pena que não tenha conseguido explorar toda sua capacidade. A cachaça e a vida completamente desregrada não permitiram que ele alçasse vôos mais altos. Agora, quando escrevo esse texto, lembro-me de uma bonita imagem: Severino Sadi vibrando com Wertevam, no dia 22 de agosto de 1973, após o jogo com o Flamengo em que o Fluminense sagrou-se campeão carioca de 1973. Tinha até pó de arroz pra dar o clima. Como eu torço pelo Santos, de fininho, fui pra casa.
*Professor Universitário

DA TELEVISÃO AO PRIMEIRO SÁBADO SEM O CINE LUX

DO CINE LUX...
Cine Lux (Foto Arquivo) O QUE RESTOU
Jerdivan Nóbrega de Araújo*
As horas avançavam... Já se passavam das dez horas da manhã e Gregório ainda não havia exposto, ali no Mercado Público, entre a barbearia de “seu” Antônio Guerra e a relojoaria do seu Edvaldo, bem ao lado do Barraco de Ninito de Nouvinho, o cartaz anunciando o filme daquele dia. Em mais de 20 anos isso nunca havia acontecido antes.
A televisão trazia à Pombal as notícias e novidades do Brasil e do mundo. A novela Ídolo de Pano foi um sucesso e, de certa forma, prendeu o pombalense em casa. Mas, as noites de sábados ainda tiravam as pessoas dos “pés” da televisão para levá-las à Igreja, ao cinema ou ao simples bate papo nos banco da Praça Getúlio Vargas ou Bar do Centenário. A AEUP e o Jovem clube de Pombal aguardavam a chegada das férias dos estudantes Universitários para abrirem suas portas em memoráveis assustados ao som das discotecas com as Frenéticas e Miss Lene e Celi Campelo. À tarde, Lolita e Airton Rodrigues prendiam a atenção dos pombalenses na TV, apresentando as música e artistas que mais tarde seriam ouvidos nas difusoras do Lord Amplificador e do próprio Cine Lux.
O passeio das moças e rapazes, de mãos dadas enamorados em volta da Praça do Centenário já eram coisas do passado. Elas já haviam trocado os passeios por sonhos e suspiros ao pé da enorme caixa de “abeia”, como dizia Bihina da televisão recém chegada. Nem mesmo a Sorveteria de Bernardo e Os Aguias as atraiam mais. A disputa entre a novidade da TV e a vida lá fora era desigual.
Um sábado sem cinema era uma coisa inconcebível para quem cresceu assistindo a troca dos cartazes, ouvindo as músicas nas difusoras daquela velha e saudosa casa cinematográfica, aplaudindo Faroestes, Tarzan, Mazarope ou simplesmente parado ali vendo os filhos de Pombal entrar e saírem comentando o filme da noite, andar cambaleante de Padre Andrade ou o estresse de Galdino, com a lanterna, ofuscando os olhos dos mais “gaiatos” como Saburá. O que fazer neste sábado em que, por algum motivo a nós não explicado, sem que nos fosse pedido permissão, como se aquele cinema fosse dele, alguém deixasse de exibir a fita naquela noite?
Certamente foi esquecimento. Um sábado sem cinema é o mesmo que uma noite sem estrelas. Mas se algum desavisado olhasse para o céu, veria que havia menos estrelas naquele céu sempre tão estrelado, do que alegria nos olhos dos jovens filhos de Pombal. Ficamos pasmos, em frente ao Cine Lux, onde as molduras onde eram colocado os cartazes dos filmes “Em breve”, anunciavam em uma pequena placa escrita “HOJE,” e “AMANHÔ um filme que não mais ali se veria. Apenas a flanela vermelha, desgastada e cheia de grampos fazia a vez do cartaz.
Resto de bilhetes (foto)
No frontispício do prédio, uma difusora muda mais parecia o olho de golias a nos culpar. O luminoso vermelho com o nome CINE LUX já há meses perdera as letras “C” e “X”. O “ine ux” já agonizava em seu The end enquanto que, compenetrados dentro do nosso egoísmo, não ouvimos seus lamentos e pedidos de socorro. A televisão não nos deixou ver. A bilheteira não abriria naquela noite.
Meia dúzia de apaixonados, senão por cinema, pelo menos pelo velho e bom Cine Lux, enxugava os olhos que, fixos, exibiam como numa grande tela panorâmica, todo o passado daquela casa de exibição. Desolação, tristeza, vontade de voltar no tempo ou simplesmente que nos dessem uma explicação. Queríamos tão pouco!
— O que eles pensam que são para fechar o nosso cinema sem nos pedir permissão? E o sonho que eu tinha de um dia entrar ali de mãos dadas com o meu filho? Não havia mais nada a fazer. Voltamos pelo mesmo caminho que antes fazíamos comentando o filme que havíamos acabado de assistir. Só que dessa vez não havia filme a comentar. A fita quebrou e não apareceu ninguém para consertá-la. Era um the end, numa história tão triste que não tínhamos comentários. Apenas lamentos.
Compramos pipocas e fomos a assistir a demolição do velho sobrado onde funcionava o Bar Morcego. Tínhamos certeza que aquilo também não era verdade. Era apenas um filme de ficção exibido em praça pública. No amanhecer do próximo dia, o velho sobrado branco estaria ali simbolizando uma época. Afinal, que mente mais doentia, que homem mais ganancioso seria capaz de numa mesma noite jogar por terra o sonho e a vida de toda uma população que outrora se achou no direito de ser feliz?
Se amanhecesse o dia e não houvesse mais o cinema, o sobrado, o apito do trem Asa Branca nem a fumaça incômoda da Brasil Oiticica, não haveria também mais Pombal. Não haveria, no entanto, mais nenhum motivo para eu estar ali.
*Escritor Pombalense.

O FIM DA LEI DE IMPRENSA

MACIEL GONZAGA*
Considerado um dos símbolos da ditadura, a lei No 5.250 - a chamada Lei de Imprensa - acabou. O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou na quinta-feira (30), em julgamento histórico, uma das últimas legislações do período militar que continuavam em vigor. Sete dos 11 ministros da Corte decidiram tornar sem efeitos a totalidade da lei, editada em 1967, durante o regime militar, era inconstitucional e incompatível com a democracia e com a atual Constituição Federal. Depois desse julgamento, nos casos em que forem cabíveis, os juízes terão de aplicar a legislação comum, baseando-se na Constituição Federal, no Código Civil e no Código Penal para decidir ações criminais e de indenização contra jornalistas.
A Lei de Imprensa previa penas de detenção mais rigorosa para os jornalistas que cometiam os crimes de calúnia, injúria e difamação do que o Código Penal, ou seja, pena de seis meses a três anos de detenção, enquanto no CP o período máximo de detenção é de dois anos. Também foram alvo da decisão artigos relativos à responsabilidade civil do jornalista e da empresa que explora o meio de informação ou divulgação.
O principal debate ocorreu por causa do direito de resposta. Para a maioria dos ministros, esse direito está previsto na Constituição Federal. O presidente do STF, Gilmar Mendes, queria manter em vigor os artigos da Lei de Imprensa que estabelecem as regras para o requerimento e a concessão de direito de resposta. Para tentar convencer os seus colegas, o ministro chegou a citar o caso da Escola Base. Em 1994, vários veículos de comunicação divulgaram reportagens sobre suposto abuso sexual cometido contra crianças que estudavam naquela escola. Mas nada ficou comprovado.Porém, a maioria dos ministros entendeu que a lei deveria ser derrubada integralmente. “A liberdade de imprensa não se compraz com uma lei feita com a preocupação de restringi-la, de criar dificuldades ao exercício dessa instituição política”, afirmou o ministro Carlos Alberto Menezes Direito.Decano do STF, o ministro Celso de Mello disse que a liberdade de expressão e manifestação de idéias, especialmente quando exercidas por intermédio dos meios de comunicação, não podem ser impedidas.
“A liberdade de imprensa não traduz uma questão meramente técnica. Representa matéria impregnada do maior relevo político, jurídico e social. Essa garantia básica que resulta da liberdade de expressão do pensamento representa um dos pilares da ordem democrática em nosso País”, afirmou Celso de Mello.Pergunta-se: isso é bom ou ruim para nós jornalistas. No nosso humilde e na minha experiência de casos concretos, entendo que, daqui para frente fica tudo mais complicado, já que no julgamento de qualquer lide em relação ao direito de resposta, cada juiz vai decidir de uma forma diferente. Mas, fazer o que?
*Natural de Pombal, é Jornalista e Advogado residente em Natal – RN.