CLEMILDO BRUNET DE SÁ

OS IRMÃOS NA FÉ EM NATAL!

Rev. Enoque, Clemildo, Paulo Souto (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos” Sl.133:1.
Natal capital potiguar é uma cidade que nos impressiona com sua estética e beleza arquitetônica. Suntuosos edifícios edificados sob a égide da tecnologia moderna nos deixa pasmados e contemplativos enchem nossos olhos, nos dando uma ligeira impressão que estamos numa metrópole de primeiro mundo. Praias maravilhosas como Pirangi e Ponta Negra, as que visitamos até o momento, já falam por si só, dando um prenuncio de como são as muitas outras existentes neste lugar, que abrigam turistas de vários lugares do Brasil como também estrangeiros de diversas partes do mundo.
A vida como sempre, nos prepara surpresas, umas agradáveis, outras não. Estou aqui por necessidade de tratamento clínico e a despeito de ser um momento difícil, contudo, compreendemos que seja também uma oportunidade de encontro com irmãos na fé e amigos que encontramos aqui, os quais conhecemos algum tempo atrás. Rev. Enoque José de Araújo Pastor Presbiteriano e o Presbítero Paulo Firmino de Souto, ambos da Igreja Presbiteriana do bairro de Pirangi zona sul de Natal.
E qual não foi à alegria desses irmãos na fé, em me receber em suas casas e rememorar-mos os velhos tempos dos trabalhos e congressos de nossas igrejas, tanto aqui no Rio Grande do Norte como na Paraíba. Um prazer incomensurável que nos faz sentir bem, reavivando a memória dos tempos áureos de um passado glorioso, na batalha evangelística de nossos campos missionários.
Embora perpassado de sofrimento, a vida nos proporciona momentos assim de encontro maravilhosos, simplesmente por que, em algum dia, essas pessoas fizeram parte de nossa história.
Rev. Enoque José de Araújo – Nasceu no dia 10 de janeiro de 1945 na cidade de Carpina-PE. Filho do Pastor José Severino e dona Maria das Neves, uma família constituída de 13 filhos. Seus irmãos nasceram em cidades diferentes tais como: Carpina-PE, Esperança e Campina Grande na Paraíba. Djalma, Eliezer, Eli, Davi, Gediene, Dalva, Joseli, Daniel, Elias (irmão gêmeo) de Enoque, Dário, Darci e Samuel. Na irmandade alguns são pastores e missionários. O Rev. Enoque é casado com Iolanda Araújo e dessa união nasceram os filhos: Enoque Júnior, Ângela, Lelane e Esdras. É autor do Livro “Uma História de Fé, No Caminhar Com Jesus” - onde conta sua vida com Cristo.
Tive o privilégio de conhecê-lo quando era ainda seminarista, fazia seu curso teológico no Seminário Presbiteriano do Norte em Recife Pernambuco. Veio auxiliar nos trabalhos da Igreja Presbiteriana de Pombal, quando seu irmão Rev. Eliezer Araújo por designação do Presbitério da Borborema estava pastoreando a IPB de Pombal.
Nos sábados à tarde Enoque tomava o ônibus da Viação Gaivota no Recife e vinha para Pombal chegando a nossa cidade a meia noite. Logo cedo de 5 horas da manhã acordava para o Culto matutino, em seguida tomava café em nossa casa e se dirigia para o Serviço de Alto Falantes Lord Amplificador de minha propriedade, para pregar, onde mantínhamos aos domingos um programa evangélico. Pela manhã participava da Escola bíblica dominical lecionando a lição do dia para classe geral no templo da Igreja Presbiteriana de nossa cidade. Visitava pela tarde os membros da igreja e à noite era o pregador do Culto vespertino, tendo que sair muitas vezes por ocasião do canto do último hino, pois o ônibus que o levaria de volta ao Recife já se aproximava.
Juntamente com três colegas de seminário Rev. José Alves, Rev. Elias Medeiros e o irmão José Antonio, Rev. Enoque fundou o Quarteto Sinfonia, que quando convidado para cantar nos cultos das igrejas era uma bênção. O quarteto chegou a gravar várias cópias em vinil um compacto duplo. Até hoje guardo com carinho no meu acervo. Em seu trabalho pastoral passou pelas igrejas de Pombal, Patos, Campina Grande, Itabuna e Campo Formoso na Bahia, Alecrim e Pirangi em Natal, exercendo também outro ministério nas igrejas por onde passou: O da música, sendo um exímio regente de conjunto coral.
Apesar de ter enfrentado muitas adversidades em sua vida, o Rev. Enoque Araújo é bem humorado. Para ele não tem tempo difícil que não saiba como vencê-lo, imediatamente como costuma dizer, faz um DDC (discagem direta com o céu) e não há obstáculo que não seja superado. Além de ter o Curso teológico, ele também é formado em Direito e Filosofia Plena. Depois de jubilado (aposentado), por ter completado 35 anos de atividades em seu ministério como Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, tornou-se membro da OAB e como Advogado está em pleno exercício da profissão.
Paulo Firmino de Souto – é por demais conhecido no meio presbiteriano e tem uma larga folha de serviço prestado a Igreja Presbiteriana do Brasil. Foi diácono por dois anos e durante 15 anos exerceu com muita galhardia o cargo de Presbítero na Igreja Presbiteriana do Alecrim em Natal. Nasceu no dia 08 de novembro de 1931 em Barra de Santa Rosa município de Picuí na Paraíba, Filho de Germano Firmino de Souto e Percides Soares de Souto, seus irmãos Hermani Firmino de Souto é Presbítero Emérito da Igreja Presbiteriana de Uberlândia/ MG e Rev. Moacir Soares de Souto é Pastor Jubilado pelo Presbitério de Vitória/ES, tendo este, no início de seu ministério exercido o seu pastorado na Igreja Presbiteriana de Pombal na década de 60.
Para se ter uma idéia da dimensão do trabalho de Paulo Souto registraremos suas atividades na condição de Presbítero. Professor durante vários anos da Escola Bíblica Dominical, Presidente da Federação de UPH’s do Presbitério PB/RN. Secretário Sinodal do Trabalho Masculino Sínodo PB/RN. Foi o fundador juntamente com o Secretário Sinodal das UPH’s Presbítero Valdir Bichinho, da Confederação de UPH’s do Sínodo PB/RN. Organizou e Presidiu durante três anos a Federação de UPH’s do Presbitério Potiguar/RN. Vice Presidente da Federação de UPH’s do Presbitério Seridó/RN. Vice Presidente por dois mandatos da Confederação Sinodal do Sínodo RN. Sócio emérito da União de Homens Presbiterianos da Igreja Presbiteriana do Alecrim, a qual presidiu por 5 mandatos. Presidente da UPH da IP Pirangi/Natal/RN. Atualmente membro dessa igreja residindo no mesmo bairro, é casado há 54 anos com Leonor Batista de Souto, por sinal pombalense, com a qual teve dois filhos: William Batista de Souto e Vera Lúcia Batista de Souto.
Com uma presença de espírito marcante o nosso irmão e amigo Paulo Souto é muito brincalhão, e pelo seu bom humor, alegra sempre os que estão a sua volta. É querido e amado por todos. Grande conhecedor da Bíblia, da doutrina Presbiteriana e conhece bem a Constituição da IPB, sendo fonte de consulta para os menos versados. Foi agraciado pela Confederação Nacional do Trabalho Masculino com o título honorífico de HOMEM PADRÃO PRESBITERIANO de 2008.
Ao Reverendo Jubilado Enoque José de Araújo e ao Presbítero Emérito Paulo Firmino de Souto, rendo-lhes em nossa coluna, as nossas homenagens.
*RADIALISTA.
Natal, 29 de janeiro de 2010.

ENGº PAULO ABRANTES FAZ ENTREGA DE TEXTO "OS PRIMÓRDIOS DO RÁDIO PARAIBANO, DEPOIS TABAJARA" NO JORNAL ESTADUAL.

Paulo Abrantes ladeado pelos Jornalistas Madruga e Jonas Batista. (Foto)
NO JORNAL ESTADUAL DA TABAJARA.
O Engenheiro Paulo Abrantes de Oliveira, na condição de parceiro e colaborador deste Portal, visitou nesta manhã de segunda feira - 25 de janeiro de 2010, os studios da Rádio Tabajara da Paraiba por ocasião do Jornal Estadual, e fez a entrega do texto "OS PRIMÓRDIOS DO RÁDIO PARAIBANO, DEPOIS TABAJARA" de autoria do radialista Clemildo Brunet, para marcar a celebração dos 73 anos de atividades da emissora Paraibana. Ele mesmo narra como se deu este encontro com os Jornalistas Jonas Batista e Madruga, apresentadores do noticiário matutino da rede estadual:
Caro Clemildo,
espero que tenha escutado pelo rádio, o comentário em cadeia estadual, de sua homenagem escrita em seu Blog sobre os 73 anos de fundação da Rádio Tabajara. Foi tudo muito bem, o radialista Jonas Batista e o Jornalista Madruga que fazem o programa, me receberam cordialmente de forma alegre e distinta, em seguida teceram elogios a sua pessoa e ao seu precioso trabalho no rádio sertanejo, ao longo desses anos.
É pena que a descrição desse trabalho, principalmente como correspondente de Pombal, não estivesse no ar, naquele momento, pois foi durante o intervalo do programa. Não é difícil notar que eles lhes têm grande admiração, tanto pela sua pessoa quanto pelo seu valoroso trabalho. Foi o que pude apurar. Um grande abraço, gostei da missão.
Do amigo de sempre,
Paulo Abrantes de Oliveira.

SOB AS MENTES ESTRELADAS DE POMBAL

Antonio Dantas Maniçoba*
Recentemente recebi um exemplar do livro Sob o Céu Estrelado de Pombal, do escritor Jerdivan Nóbrega de Araújo, publicado em 1997.
Li essa interessante obra com avidez, em cada página regredindo no tempo, tentando me inserir na narrativa com a idade que tinha à época. Regozijei-me com personagens e locais queridos que a narrativa nos traz. É impossível ao leitor que tenha vivenciado a Pombal dos anos sessenta não se enquadrar em algum trecho ali descrito pela prodigiosa memória do autor. É também uma verdadeira viagem no tempo, um registro histórico de leitura obrigatória para todos aqueles que nasceram sob o céu estrelado de Pombal.
É mister, nós daquela geração, levarmos tais conhecimentos às futuras para que nossos descendentes, nascidos sob esse atual mundo globalizado, tomem ciência de que mesmo em época de pouca fartura e desenvolvimento tecnológico precário conseguia-se ser feliz até mesmo em uma pequena cidade do interior da Paraíba.
Há poucos dias recebi a noticia de que brevemente serei avô. Idéias me vêm à mente e planejo que o meu netinho ao dominar as primeiras leituras seja presenteado com um volume da referida obra e destarte aguardarei ansioso pelas primeiras perguntas, inevitáveis a toda criança, tais como: - O que é uma Ingazeira, Vovô? - O que é Reisado?
E assim, com a satisfação e a paciência que a situação requer, explicarei de forma pormenorizada e prazerosa todas as dúvidas suscitadas pela obra sobre nosso querido torrão. Não esperarei que apenas o tempo, este professor, ensine às novas gerações as lições de vida que tivemos. E quando estiver em idade apropriada levarei meu netinho para passear de mãos dadas pelas ruas de minha infância em Pombal e visitaremos as ruas do Comércio, Nova e de Baixo, o Rio Piancó, as majestosas igrejas Matriz e do Rosário, a Coluna da Hora, voltearemos a Praça do Centenário, mostrarei os locais onde ficavam o Cine Lux e a Casa do Altinho – que não existem mais – e a velha cadeia pública, isto se a sanha destruidora da memória de nossa terra não tiver continuidade!
Tal leitura me levou a refletir sobre a capacidade que nossa terra tem em gerar mentes prodigiosas e despertar em seus filhos um amor inconteste, que ano a ano se traduz em obras e textos em diversas formas de publicações, todas louvando esse pequeno rincão originado do Arraial de Piancó.
Jamais se viu em outras plagas tamanho amor por seu torrão natal quanto aquele dedicado pelos filhos dessa terra, e, sobretudo a exteriorização de tal sentimento através dos belos textos escritos pelas mentes estreladas de Pombal.
* Filho de Pombal, Msc. Eng. Elétrica e Bel. em Direito, Professor da UFMA/S.Luis-MA

OS PRIMÓRDIOS DO RÁDIO PARAIBANO, DEPOIS TABAJARA.

CLEMILDO BRUNET*
São poucos os pesquisadores e historiadores que se envolvem para ir buscar nas fontes fidedignas a história do nosso rádio. Uma história que pelo relato de alguns, nos emociona bastante levando-nos a um passado glorioso de como se deu o seu nascedouro na Paraíba. Digo isso porque Amo o rádio e a sua história, seja da nossa região ou de outros lugares do Brasil. O rádio faz parte de todos nós no seu dia-a-dia, exercendo uma influência enorme nas pessoas, não importando a que classe social elas pertencem.
Descobri que as primeiras transmissões de rádio realizadas aqui na Paraíba vieram por iniciativa de alguns homens em João Pessoa, que sentindo o alcance em nossa capital da Rádio Clube de Pernambuco e sua preponderância econômica, pois alguns anunciantes propagavam seus produtos entre consumidores pessoenses, decidiram também instalar uma rádio, denominando de Rádio Clube da Paraíba, que pouco tempo depois, tornou-se Rádio Tabajara da Paraíba.
A transferência sem ônus para os cofres do Estado feita pelos proprietários da Rádio Clube da Paraíba, doando a emissora ao Governo, fez com ela viesse a receber um novo nome, PRI-4 Rádio Difusora da Paraíba, que foi inaugurada no dia 25 de janeiro de 1937, para sinalizar os dois anos da administração do interventor Argemiro de Figueiredo. Nessa mesma data chegava a João Pessoa vindo do Recife, uma caravana artística, no comando do Maestro Nelson Ferreira, ocasião em que se deu um intercâmbio cultural entre os dois Estados.
Depois de inaugurada a Rádio Difusora da Paraíba manteve uma programação experimental funcionando das 18 as 22:30 hs, de segunda a sábado, aos domingos o horário era somente de 12 às 13 horas. Nesse tempo eram poucos os receptores, só havia 10 na cidade. Bem próximo do Carnaval a emissora dedicou alguns horários para tocar as músicas da época, em 30 de janeiro. Nesse mesmo dia foi instalado um possante aparelho fabricado pela Byington na sede do Sindicato dos Comerciários na Rua Duque de Caxias, para a retransmissão do jogo entre Brasil e Alemanha, realizado no Rio de Janeiro.
Em homenagem aos primitivos habitantes da Paraíba, os índios Tabajaras, no dia 15 de abril de 1937, é autorizada a mudança do nome da emissora, passou a chamar-se Rádio Tabajáras da Parahyba; por questões de marketing, o nome seria alterado depois para Tabajara. Na edição da sexta feira, 16 de abril de 1937, o Jornal A União publicou a notícia: “A PRI-4 Rádio Difusora da Paraíba, passou a denominar-se Rádio Tabajara. É uma justa homenagem que se presta à grande tribo Tabajara, que, comandada pelo valente cacique Pyragibe, nos primórdios da civilização brasileira, teve uma influência notável e digna de homenagens no espírito que orienta a formação intelectual da nossa terra”.
Em 1965 fui estudar em João Pessoa e tive a oportunidade de conhecer a sede da emissora na Rua Rodrigues de Aquino conhecido como o Palácio do Rádio. Este prédio foi obra do engenheiro-arquiteto Clodoaldo Gouveia e estava entre os cinco primeiros projetos a serem executados no país, destinados com exclusividade para emissoras de rádio: Nacional do Rio de Janeiro, Cultura de São Paulo, Farroupilha de Porto Alegre, Clube de Pernambuco e Tabajara. O prédio da então PRI-4 prefixo pelo qual ficou popularizado por muito tempo a Rádio Tabajara, foi demolido, apesar de ter sido tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e artístico da Paraíba, para dar lugar ao Fórum da capital.
Segundo relato do Professor doutor Moacir Barbosa de Sousa da Universidade Federal da Paraíba-UFPB, no final da década de 70 a Rádio Tabajara passou a funcionar provisoriamente em um prédio na Avenida João Machado, na mudança, uma parte do acervo de milhares de discos de 78 rotações foram quebrados ou perdidos, ninguém deu conta dos restantes dos discos. Em 1985 no Governo Wilson Braga o Studio da emissora foi transferido para um prédio recém construído de modernas instalações ocupando ampla área na Mata do Buraquinho, local da antiga sede dos transmissores onde ficava a Fazenda São Rafael. Na condição de convidado assisti a inauguração da nova sede da emissora.
Foram poucos os que levantaram a voz contra a demolição do prédio da Tabajara. O professor e cineasta Linduarte Noronha, ex diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba e ex diretor da Rádio Tabajara na década de 70, assim se expressou: (NORONHA, 1987, p. 29):
A história da Rádio Tabajara é muito parecida com a de A União: foram ambas destruídas espiritualmente. Arrancadas suas raízes num Estado que aprendeu a não respeitar suas origens, seus bens culturais. Uma chamada “elite” que entende ser preciso destruir para progredir, parece ser dona desta filosofia de final de século. Os alicerces profundos da Tabajara implantados por Argemiro de Figueiredo, em 1937, não mais existem. As duas unidades [estúdios e transmissores], símbolos de uma época do surgimento da informação eletrônica, de inestimáveis valores arquitetônicos [...] foram decapitados com extrema violência [...] A História da Rádio Tabajara tem um dia de ser escrita. As pesquisas ainda não foram feitas. Seus fundadores estão esquecidos. Sua memória ignorada pelas gerações de hoje. Não acuso os fazedores do rádio de hoje, porque o próprio rádio sofreu transformações profundas nas últimas décadas. O que está em pauta é o método de destruição desta cidade, deste Estado, nas suas raízes, o seu status desaparecido e de difícil reparo. [...] em tudo isso a Tabajara foi pioneira e nada disso existe mais para sua comprovação, hoje.
Por falar nisso, segundo Deodato Borges, que até bem pouco tempo foi diretor da Rádio Tabajara, lembrou que a semelhança de outras emissoras paraibanas, esta emissora não mantém em seus arquivos de hoje - nem uma gravação, seja em fita ou acetato, que possa resgatar a memória dos velhos tempos, fazendo chegar às novas gerações as vozes dos que fizeram a história da emissora. A não ser alguns ouvintes que gostam de colecionar essas raridades. (Tabajara 65 anos A Rádio da Paraíba de Josélio Carneiro).
A Rádio Tabajara da Paraíba, neste 25 de janeiro de 2010, está completando 73 longos anos de sua trajetória artística e noticiosa. Muitos intérpretes e cantores da nossa música popular brasileira como Alcides Gerardi, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, e até internacionais - Bievenido Grande, Gregório Barrios, Tommy Dorsey, Augustin Lara e tantos outros, estiveram em seus notáveis programas de auditórios; nossos talentosos calouros que mais tarde se destacaram e foram levados a categoria de artistas nacionais de renome a exemplo do nosso Jackson do Pandeiro, e a internacionais, como Sivuca e Severino Araújo com sua famosa Orquestra Tabajara.
Como paraibano me orgulho de ter participado da história radiofônica da nossa Tabajara tão querida e dado minha humilde contribuição no jornalismo e coberturas de pleitos em diversas eleições ocorridas nesse período. Durante dez anos tive o privilégio de ser correspondente da cadeia de emissoras do Jornal Estadual da Tabajara, entre a região de Pombal e Cajazeiras, através das emissoras, Radio Maringá AM (82-89), Rádio Bom Sucesso (89-92) e Alto Piranhas de Cajazeiras (janeiro a abril de 1993).
No meu pensamento foi o melhor tempo de rádio que vivi, pois aprendi muito com Otinaldo Lourenço, Carlos Alberto de Oliveira, Lenilson Guedes, Airton José (Bolinha), Edmilson Pereira, Assis Mangueira, Valter Cartaxo e ainda os saudosos radialistas Hermano Ponce, Antonio Assunção e Paulo Rosendo.
Nesse tempo participei de vários encontros políticos em diversas regiões da Paraíba e sentir de perto a força da comunicação do rádio, pois quando me apresentava a qualquer personalidade da política, secretário de Estado, ou chefes de estatais, vinha logo à referência, ah! Você é integrante da cadeia de notícias do Jornal estadual da Rádio Tabajara!
Ainda em sua história nos dias atuais, a Rádio Tabajara da Paraíba, em 14 de novembro de 2007, através do Radialista e Advogado Adelton Alves, transmitiu de Pombal para uma cadeia de emissoras, o seu Programa matinal “PARAÍBA NOTÍCIA”, tendo como emissora geradora a Rádio Maringá de Pombal 98.7 FM, numa deferência toda especial a Festa dos Radialistas – TROFÉU IMPRENSA 2007 – RADIALISTA CLEMILDO BRUNET.
Aos de ontem e aos de hoje, que fizeram e fazem a nossa TABAJARA, os meus sinceros parabéns, pelo transcurso do seu septuagésimo Terceiro Aniversário!
*RADIALISTA.
Natal, 21 de janeiro de 2010

PADRE SOLON - EM TUA DEFESA.

Profº Vieira (Foto)
POR FRANCISCO VIEIRA*
Considerando ser a história constituída de fatos e pessoas, verificamos, entretanto, que nem sempre a prática condiz com a teoria. Assim, é que muitas pessoas que em vida prestaram relevantes serviços à humanidade são excluídas do contexto histórico pelos próprios semelhantes, sendo seus nomes esquecidos e desprezados como peças descartáveis, portanto, às margens do reconhecimento público, práticas que se confirmam em nossa terra.
É no mínimo intrigante o comportamento da humanidade nesse sentido. E o que é pior, enquanto enaltece alguns nomes – às vezes com exagero – marginaliza outros os colocando no ostracismo. È difícil entender o quanto à humanidade é ingrata e injusta consigo mesma. Como esquece facilmente pessoas que dedicaram a vida por uma causa, um objetivo. Quem assim procede certamente não entende que a ingratidão é própria dos insensatos, atitude que fere, maltrata e corrói o ser humano.
Nesse aspecto em Pombal não é diferente. Vez por outra, sem uma explicação convincente a população falta com o devido reconhecimento ao trabalho de pessoas que lutaram pelo desenvolvimento do município. A título de exemplo, verifico constrangido o descaso em relação ao saudoso Padre Sólon Dantas de França, que a meu ver não recebeu em Pombal, sequer em Paulista, sua terra natal, homenagens à altura de sua importância. E, como se não bastasse a tímida homenagem recebida durante suas exéquias, ainda foi injustiçado, deixando de figurar como patrono do Campus Universitário de Pombal, instituição pela qual lutou com afinco. Mesmo reconhecendo os méritos do homenageado Celso Furtado, o nome do religioso seria de melhor alvitre considerando o muito que fez pela educação no município e região. Foi ele o grande responsável pela instalação das faculdades de Agronomia e Ciências Contábeis criadas pela FESC – Fundação do Ensino Superior de Cajazeiras, hoje transformadas em UFCG. Foi, por conseguinte o grande mentor, apoiado por outros dignos de elogios como: Martinho Salgado, Ex. Prefeito Jairo Feitosa e Deputado Carlos Dunga. Em suma, a eles devotamos todo o mérito.
Longe de mim a tresloucada idéia de desmerecer a importância do pombalense Celso Furtado. Tentar ofuscar o prestígio do renomado economista seria tão inútil quanto malhar em ferro frio. Falar a seu respeito se faz desnecessário considerando ser o humanista intensamente conhecido e respeitado pelas suas obras e importantes cargos ocupados na área da economia e educação em nível de mundo o que faz jus as inúmeras homenagens recebidas em vida e pós morte.
Entretanto, em que pese o citado economista ter se destacado mundialmente e considerando, sobretudo ser filho de Pombal, o que se constitui uma honra e orgulho para os pombalenses, há de se convir que sua ínfima contribuição para com a terra natal é considerada insignificante em relação aos poderes que detinha. Além de ter nascido em Pombal, o que considero um acidente de percurso, nada mais de importante fez pelo progresso de sua terra e que evidenciasse amor filial. Além do mais, sua breve permanência na “Terra de Maringá”, foi bastante efêmera, por isso, insuficiente para gerar laços de afinidade ou raízes mais profundas que justificassem um amor mais complexo, terno e completo. Afinal de contas amor sem raízes dura pouco ou quase nada.
A propósito procurei em Pombal algo em homenagem ao referido vigário. Em vão busquei algum marco que justificasse o nosso reconhecimento pelo seu trabalho ou que assinalasse seu honroso e marcante convívio entre nós. Infelizmente nada encontrei. .Mais infelizmente ainda é que nada existe Não há sequer uma rua, praça, bairro ou mesmo um edifício com o seu nome. Essa presente ausência de homenagem é prova da insensibilidade humana que numa injustiça desmedida marginaliza quem tanto fez como padre, religioso e administrador. Na condição de padre exerceu a missão com amor, fidelidade e devotamento; como religioso, mostrou-se vocacionado seguindo respeitosamente os conceitos doutrinários e como administrador, soube dirigir com determinação órgãos ligados à saúde e educação, o que lhe permitiu a prática do bem e a prestação de incontáveis favores aos mais necessitados. Foi em síntese um líder sem, contudo exercer cargo político. Enfim, foi um mártir, pois além de defender a veracidade da ”Palavra de Deus”, ainda sacrificou sua vida pelas causas que acreditava.
Como toda causa produz seus efeitos as críticas são conseqüências. Contudo, mesmo sujeito a incompreensão e o risco da condenação, reafirmo meu ponto de vista com o propósito de exaltar o valor e a grandeza das personalidades, conforme a obra de cada um. Meu intuito não é outro, senão, alertar para a reparação da injustiça cometida, pois a prática do bem exige o reconhecimento de todos. Assim, me coloco em defesa de uma grande personalidade, como tantos outros, um mártir mal compreendido, vítima do descaso e posto ao lado como algo inútil. E, se assim não fizesse seria omissão e no silêncio estaria corroborando com o erro, o pecado e a injustiça cometida. Antes a rejeição dos incompreensíveis que a condenação por injustiça.
Bem, diante desse quadro, espero que esta lição nos possibilite reverenciar nossos líderes, nossos heróis, reconhecendo o valor de quem merece ser cultuado sempre, assim como PADRE SOLON – NOME DIGNO DA MINHA DEFESA.
*PROFESSOR, EX-DIRETOR DA ESCOLA ESTADUAL JOÃO DA MATA E EX SECRETÁRIO DE ADMINISTRAÇÂO MUNICIPAL.

AMINIMIGO.

Por Severino Coelho Viana.
Na nossa vida estamos cercados de pessoas que constituem o elo de nossa própria vivência – este elo se estende desde os familiares até o nosso amigo mais íntimo, o confidente, o conselheiro, o camarada da hora certa e dos momentos incertos, do abraço efusivo na hora da vitória, do cumprimento aconchegante nos instantes de tristezas, da palavra de conforto no minuto de sofrimento e nas ocasiões da perda e da dor que nos são reservadas.
Amigo é aquele cara que nas horas boas ou ruins está para o que der e vier, de ombro a ombro, festejando as alegrias e comungando para superação dos momentos difíceis do viver. Os amigos podem ser classificados de várias maneiras: o mais chegado que o irmão, amigo de infância, amigo de colégio, amigo de faculdade, amigo de trabalho, amigo de vizinhança, amigo ideológico, amigo de farras, é o amigo que mesmo distante está presente. Mas queremos falar do mais emblemático: o aminimigo, que é irmão siamês do amigo da onça, do amigo-urso, do amigo-peixe, o amigo que está sempre de bandeira vermelha erguida, que conduz aceso na sua mão o fósforo para jogar dentro do barril de pólvora. O chamado destruidor de prazer, o fanfarrão adepto da injúria, o pensador da maledicência, o desbocado por natureza e o deselegante no linguajar por índole.
Entre a afinidade e a inimizade existe a figura do aminimigo, que se camufla de bom amigo com um abraço sutil e de um devotamento maroto como um bote de cobra cascavel. O sorriso é fácil, o olhar é sonso, a palavra é falseada. O pior de tudo isso é que de nada desconfiamos e constamos o nome dele na relação dos melhores amigos. Traição em dosagem dupla. De vez enquanto começamos a descobrir a engrenagem deste labirinto que nos guia para o abismo. A falsidade da verdade é difícil de ser checada à primeira vista, porém um dia a máscara cai do rosto enganador.
A vontade de vingança deste nosso falso amigo ele carrega no seu bornal de flechas venenosas, só não acerta no alvo por que a inocência prevalece sobre a malignidade dos artifícios tenebrosos. O sentimento de revolta ele traz dentro de suas entranhas e não revela a ninguém o seu desejo de massacrar e vilipendiar a benevolência. É pura criação da maldade e do subjetivismo particular; é tão cruel a ação do aminimigo que ele ataca por puro ódio que leva no seu próprio coração. É insatisfação generalizada, é malícia desmedida, é sentimento de revolta, é ambição tresloucada, é vingança engendrada no ocultismo da maldade. Recordamo-nos de um conto que se encaixe neste tema:
“Era lindo, muito lindo. Quando alguém soube que tinha inimigos, ele foi ouvir o sábio das montanhas, porque era horrível ter inimigos. E o sábio falou: - Você tem inimigos porque é bonito. Os seus inimigos não perdoam a natureza que o fez assim. E, como a natureza é coisa abstrata, ficam com raiva de você (que é concreto) e se tornam seus inimigos. O homem, então, tomou banho de vitríolo e ficou deformado e feio. Mas era inteligente e soube que tinha inimigos ainda. O velho das montanhas disse: - Agora que é feio, eles não perdoam um homem feio e inteligente. Ficou em silêncio para que não notassem sua inteligência. Os inimigos continuaram porque era rico (foi o que disse o velho das montanhas). E ficou pobre (o que foi muito fácil). Mas ainda tinha inimigos. - Você era bonito, inteligente e rico, e não é mais. Mas eles não perdoam quem é tudo isso e o devolve. Eles são muitos. Mudou-se para as montanhas. Mas tinha inimigos. O velho o alertou que eles ficaram aborrecidos, porque não tinham mais de quem pudessem ser inimigos. Ficou, então, inteligente outra vez e, quando ficou rico, tratou da feiura e ficou bonito outra vez e viveu feliz, cercado de inimigos”.
O aminimigo está muito próximo de nós mesmos e não identificamos de imediato, integra o nosso convívio, visita nosso lar, circunda as rodas de nossos outros amigos, conhece os nossos costumes, sabe até de parte de nossa intimidade, no entanto, não acredita no que é real e visível aos seus olhos, busca na mediocridade de seu próprio raciocínio o ataque impiedoso para sufocar o seu “amigo”, cujo desejo é vê-lo na fumaça escura da locomotiva na vida e pô-lo na sarjeta da primeira esquina do beco.
O passo a passo do aminimigo é difícil de ser acompanhado pelo amigo perseguido, pois, além dele saber localizar-se em ponto estratégico, as suas artimanhas são lançadas de forma oculta e seus atos são executados na clandestinidade, ou seja, na maioria das vezes, sempre na ausência do amigo perseguido. As suas tochas de fogo são acesas com a saliva da maldade, quando o amigo inocente se prepara para a sua caminhada, os olhos do aminimigo atiçam faiscas nos gravetos da estrada que será percorrida na tentativa de atrapalhar ao ponto final da chegada. A frase argumentativa pronunciada pelo amigo inocente, logo o aminimigo se joga contrapondo-se mesmo reconhecendo no íntimo o seu próprio erro. Quando ele não tem nenhum contra-argumento, a saída dele perante os olhares alheios é o sorriso irônico, como que se o mal engendrado de nada valeu!
O sucesso do amigo inocente ele recebe e devolve com uma praga de esconjuração apelando para o centro do ego satânico a fim de que aquela vitória venha como uma nuvem passageira. Em contrapartida, a vida do aminimigo é levada como um saco de gatos, uma verdadeira baderna, de vez enquanto o cisco cai no seu olho, ele não sente, apenas estava avistando a trave no olho alheio. Entretanto, na ocasião certa, quando o tiro sai pela culatra, ele acha que foi o destino que conspirou contra a sua vida, esquecendo que ele foi o feitor do cartucho e ele próprio armou a espingarda que detonou o tiro pela culatra.
A libertação do bom amigo de pureza angelical das garras deste amigo falso só encontra respaldo de defesa no escudo divinal, que afasta os malefícios e deslinda os mistérios de destruição.
João Pessoa, 20 de janeiro de 2010.
SEVERINO COELHO VIANA

CARTA AO ESCRITOR PAULO ABRANTES.

Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Houve um tempo em que nem mesmo a escassez material, que era comum as nossas famílias, era motivo fazer de nós pessoas infelizes. Isto por que a felicidade nunca vem embalada em papel de presentes, daí as pessoas que esperam que ela assim venha, acabam por jogar fora as coisas boas da vida ao a avaliarem pela embalagem.
Era um tempo em que as coisas eram bem mais fáceis, mesmo por que podíamos sempre contar com a presença dos nossos pais, na nossa volta para casa, depois do nosso cansativo dia “de não fazer nada nas ruas de Pombal”, mergulhando nas ingazeiras do rio ou roubando frutas em alguma roça entre as que margeavam o velho Piancó. Quem diria que ser feliz era soltar pipa, brincar de carrinho de lata, rodar pinhão com ponteira e tudo feito por nós mesmo?
Naquele tempo não havia a necessidade de saber o valor das coisas, se não as tangíveis: estas, essenciais ao nosso dia a dia e, por tanto, invisíveis aos olhos dos adultos. Como mensurar, por exemplo, o valor de um banho de chuva nas bicas da Rua Nova, Rua do Comércio ou Rua João Pessoa? Como mensurar o valor de assistir ao circo se aventurando pelos buracos da cerca, ou vender gibis nas portas de um cinema do interior como o da nossa infância? Que valor pode se dá a uma tarde futebolística no Avelozsão? Ou você venderia o prazer de encontrar um tio, uma avó ou um padrinho nas ruas da sua cidade e tomar a benção, mesmo não sabendo o que é bem tomar a benção?
Houve um tempo, meu caro Paulo, em que nossas professoras atendiam por nomes de Dona Neusa, Dona Cessa, dona Mirinha e muitas outras que a memória, agora vindo em relampejos, me trai as lembranças. Sei que umas eram louras, como dona Eliane, com seus um metro e setenta e cinco de altura e cabelos escorridos até cintura, ao ponto de nos desconcentrar nas aulas de leituras. Trazia nos lábios o sorriso de Jane das Selva, das matinês de Tarzan. Lembro-me dela, nas tardes de chuvas torrenciais, me pedindo para ir até a sua casa, ali na Rua Nova, pegar um guarda chuva, o que eu fazia com o mesmo entusiasmo do superman quando, ao final do gibi, era recebido por Loise Lane, ao ter salvo o mundo mais uma vez das garras do Curinga.
Outras eram morenas, como sua irmã, dona Ione, que passava as mãos em minha cabeça e dizia para eu cortar os cabelos, livrando “pelo menos os olhos desta franja que lhe toma a visão”, zombado do meu corte militar. Dona Bruna ou negra Bruna, arrastava seu corpão por entre as carteiras, com uma régua ameaçadora nas mãos, mas, só era ameaça: Sempre abria um riso de mãe a nos ajudar na interpretação dos textos que vinham em livros coloridos, onde as gravuras nos levavam á mundos distantes e imaginários e que pensávamos nunca alcançá-los. Um mundo de fantasias, que imaginávamos tão distantes, mas, olhando hoje, vejo que era na verdade o mundo em que vivíamos retratado nas páginas dos livros infantis, lido em salas de aulas pelas nossas amadas alfabetizadoras.
Éramos reis, éramos heróis e, quem sabe, muitas das vezes chegamos a tempo de fazer o desvio do trem para salvar a mocinha e ainda esperar os aplausos. Tempo em que se ouviam nas madrugadas, de Pombal solitários e apaixonados cantores, dedilhando modinhas nas janelas da Rua de Baixo, Rua dos Roques e Jerônimo Rosado, fazendo dueto com os cães que latiam a cada nota solta ao vento frio que vinha da serra do Acari. Musicas gravadas em fita cassete, rebobinada várias vezes nas mãos da menina apaixonada que tentava entender tão triste melodia, tirando da li trechos que comporia a carta apaixonada, deixando-a, mais tarde, por baixo da porta do seu amor secreto, que só tinha ouvidos para as letras de Chico Buarque de Holanda e Geraldo Vandré.
Da TV tupi, com o Almirante Nelson em Viagem ao fundo mar, as Cavalarias que massacravam os índios no Cine Lux. Do homem da Cruz que entrava na cidade arrastando seu sofrimento, sua fé sua ignorância, ao vendedor de doces que troca um bom bocado por uma garrafa vazia. Tudo era motivo, um bom motivo para ser feliz, mesmo por que sabíamos que, ao voltarmos para casa a mesa estaria posta e, por não sabermos o que sabemos hoje, por não exigirmos dos nossos pais o que os filhos exigem hoje, não fazíamos idéia que, em alguma mesa em nossa cidade, alguém, alguma família tinha um mesa mais farta do que a nossa e isso nos fazia feliz.
A fartura que se tinha era de presença, de família, de vizinhos entrando casa a dentro, falando em voz alta e, sem pedir permissão, indo até a cozinha, pegando o prato e se servindo. Houve, Paulo Abrantes, esse tempo e nós fizemos parte dele. Mesmo quê sua geração e seus amigos das ruas de Pombal sejam um pouco anterior a minha, o cenário das nossas histórias são os mesmo. Por isso eu estou nas suas e você está nas minhas vivências pelas ruas da nossa Pombal e não vai ser uma demolição que vai tirar isso de nós.
Espera-se que o tempo, esse professor, ensine as novas gerações as lições de vida que tivemos: Pena é que o tempo é um professor implacável e costuma matar seus alunos antes da colação de grau..
*ESCRITOR POMBALENSE.

CARLOS CÉSAR: O MAIOR ÍDOLO DO FUTEBOL POMBALENSE!

Maciel Gonzaga (Foto)
POR MACIEL GONZAGA*
Nenhum outro esporte conseguiu influenciar tanto a cultura do povo brasileiro quanto o futebol. Alguém já disse com muita propriedade que o futebol está presente na linguagem do cinema, da música, do teatro, da dança, do rádio, da televisão, da literatura clássica, da prosa e tudo mais. É a paixão nacional.
Na década de 50 e início da década de 60, a nossa Pombal viveu um apogeu em termos de futebol, com o São Cristóvão Futebol Clube, sob o comando de Eurivo Donato (Mixuruca) e “Cabina” do Bar. Tivemos memoráveis partidas contra equipes de Caicó, Currais Novos, Parelhas, Souza, Itaporanga, Piancó, Catolé do Rocha, Antenor Navarro, entre outros municípios do Alto Sertão da Paraíba. A nossa hegemonia era clara e evidente. Não perdíamos para ninguém jogando em casa, graças a força de atletas como Nego Aderson (goleiro), Zaqueu, Perequeté, Chico Sales, João Rapadura, Tuzinho e, o maior de todos eles, Carlos César, entre outros.
Carlos César, um verdadeiro camisa 10, o que, aliás, está faltando hoje no futebol brasileiro. Ainda menino já dava sinais de que seria um grande jogador por ter intimidade com a bola e saber fazer gols. No São Cristóvão, ganhou o apelido, dado por Eurivo Donato, de “Meu César”. Por que? Simplesmente porque quando ele fazia uma de suas jogadas geniais e complementava-a com o gol, o seu velho pai, Severino Pedro, que tinha uma mercaria na Rua do Comércio, comemorava abraçando-se a torcedores e amigos aos gritos: “Foi meu César... Foi meu César”. O nome pegou e, me parece, Carlos César não gostava muito.
Na segunda metade da década de 60, foi embora para jogar no Esporte de Patos, que disputava o Campeonato Paraibano. Jogou somente uma temporada e, no ano seguinte, já estava no Campinense Clube que, à época, era a maior força do futebol do Estado. No final dos anos 60, eu fui morar em Campina Grande e, por força do destino, no bairro de São José - o bairro onde fica o campo do Treze. Novato na cidade grande, sem conhecer praticamente nada na terra da Borborema, ouço um carro de som anunciar a realização de um jogo amistoso entre Treze x Campinense, no Estádio Presidente Vargas, distante poucos metros da casa de uma tia, onde eu morava. Não perdi tempo, lá estava. Queria rever “Meu César”. Quando a Raposa entrou em campo, fiquei no alambrado gritando: “Meu César...Meu César...”. Ele notou que seria alguém de Pombal, olhou e me viu. Veio até o local, me cumprimentou e perguntou o que eu estava fazendo ali. Respondi que agora morava em Campina, onde tinha vindo estudar. Segurando a minha mão, disse: “Tudo bem, qualquer coisa pode me procurar”. Aquelas palavras me comoveram muito e, a partir daquele momento, eu tomei logo uma decisão: seria um “raposeiro” (como é conhecido o torcedor do Campinense).
E fui, sim, um raposeiro apaixonado durante todo o tempo em que morei na Rainha da Borborema, até mesmo sem nenhuma vergonha de dizer através da Rádio onde trabalhava que só comecei a torcer pelo Campinense por causa de Carlos César. Trabalhando no rádio e em jornais, no setor esportivo, sempre abri espaço para Carlos César. Éramos amigos! Quando nos encontrávamos, a conversa era sempre sobre as coisas de Pombal, a nossa querida terra, a festa do Rosário, o rio Piancó e, como não podia deixar de ser, o São Cristóvão.
Carlos César era um jogador fenomenal, elegante com a bola no pé. Um verdadeiro maestro, que comandava o seu time dentro de campo. Contava-me um amigo de nome “Joca Pincel”, que morava no bairro de José Pinheiro, onde fica o Estádio Plínio Lemos – antiga casa do Campinense – que, após os treinamentos diários, o técnico Joaquim Felizardo (já falecido) colocava uma garrafa em cima do travessão (que era de madeira e ainda quadrado) para os jogadores tentarem acertar com a bola. O nosso pombalense acertava quase todas as tentativas e, com isso, aprendeu a cobrar faltas com maestria, fez muitos gols e deu muitas alegrias à torcida raposeira.
Nos anos 70, Carlos César foi vendido ao Clube Náutico Capibaribe, de Recife. Lá, também se destacou. Depois, retornou ao Treze Futebol Clube. Como havia se casado com uma jovem da cidade de Esperança, distante 20 KM de Campina Grande, já em fim de carreira, foi jogar no time local, que disputava o Campeonato Estadual. Era a sensação! Ouvi muitas vezes o comentarista esportivo Humberto de Campos (meu amigo pessoal), que já não está mais entre nós, dizer: “Carlos César, sozinho, joga mais do que todo o time adversário”. Podia ser Treze, Campinense ou qualquer outra equipe. A última vez que o vi, já não jogava mais futebol e trabalhava em um supermercado na cidade de Esperança que, me parece, seria dos familiares de sua esposa.
Carlos César foi o maior ídolo do futebol de Pombal. Com a bola nos pés, ele não deixava nada a dever a craques como Roberto Revelino, Paulo César Cajú e outros da sua época. Para mim, o filho de Severino Pedro foi um dos melhores jogadores de futebol que eu vi jogar. Meu querido Carlos César, onde você estiver, receba os meus cumprimentos e a minha admiração, que será sempre eterna.
*JORNALISTA, ADVOGADO. NATAL – RN.

LEVI OLÍMPIO E O SEU JEITO DE FAZER POLÍTICA.

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Fazer política é uma arte. Já se diz por aí que a política tem sua dinâmica e muitas são as ações dos políticos nesse contexto. Aquele que já foi predestinado para ser homem público ou homem do povo, não foge a seu destino. Já se foram tantos anos, reporto-me a década de 80.
No cenário político pombalense surgiu um homem que tanto se sobressaía no meio da multidão por causa da sua estatura, como pela bondade de atender a necessidade de sua gente. Este homem era Levi Olímpio Ferreira, de saudosa memória, que neste dia 16 de janeiro de 2010 marcam 15 anos de sua morte. Até hoje a geração de sua época lembra os seus feitos.
Levi, Como agropecuarista amealhou bens para o sustento de sua família, era casado com Azenete Rodrigues de Queiroz Olímpio e dessa união nasceram os filhos: Dalva Letícia, Herbet Levi, Francisco Tibério e Rebeca. Levi na condição de homem do campo estava acostumado com as lutas diárias e sofridas de um autêntico sertanejo, ele carregava consigo a marca do destemor. Era corajoso por natureza. Não tinha medo de nada, sua estatura elevada e de voz forte e firme, corroborava de tal modo, que sua fama se estendeu por toda parte.
Nós sertanejos deixamo-nos levar por essas histórias fantásticas de homens de coragem. Não sei se é por causa das toadas e canções interpretadas por Luiz Gonzaga que fala da macheza do homem de nossa região ou se é porque somos atraídos e fascinados pelos filmes do velho oeste nos Estados Unidos, que sempre mostrava a bravata dos que empunham armas e procuravam fazer justiça com as próprias mãos.
Bem muito antes de abraçar a política, espalhou-se a notícia pela região que Levi Olímpio estava fazendo doações de telhas, tijolos e outros apetrechos para os pobres. E logo se formaram filas e mais filas de pessoas em busca da Fazenda Catolezinho. Cada uma dessas pessoas, falava para seus amigos o que Levi estava fazendo sem pedir nada em troca. Ao ficar mais próximo das eleições de 1982 para Prefeito de Pombal, o nome de Levi tornou-se popular na boca do povo como homem ideal para governar os destinos do Município.
O PMDB no pleito de 1976 havia perdido as eleições por uma mínima contagem de 39 votos. Nesse ínterim, a legenda achava-se fortalecida para com Levi Olímpio ganhar as eleições. No livro Memórias de Beira Mar (2003) do Escritor pombalense Wertevan Fernandes, Severino de Sousa e Silva (Biró) narra sobre a escolha do candidato da legenda Pmdebista.
“Nós estávamos procurando um candidato, eu e Chico Galego, então eu falei: “Sabe uma pessoa boa para ser candidato? É Levi Olimpio”. Aí Chico Galego falou: “Levi tem aqueles processos contra ele...” Então eu disse: “mas aqueles processos já foram arquivados, não existe mais nada contra ele na Justiça, eu acho que ele hoje pode ser candidato.” {...} Oito dias após essa conversa, vinha Levi naquele jipe dele e brincando colocou o carro para me atropelar. Ele riu e me disse: “tivemos uma reunião ontem em São Domingos, me lançaram como candidato a Prefeito e apresentaram o Vice Waldemir Martins. Mas eu falei que só aceitava se o Vice fosse você.” {...} Na reunião do partido para homologar a chapa, todos aceitaram minha indicação, por eu ser um lutador pelo partido (p.49).
Tempos atrás a campanha política em Pombal era feita na base da amizade com tapinhas nas costas nos abraços apertados dos candidatos em seus eleitores. Depois passou a ser na retribuição de votos aos favores do candidato médico. Levi, no entanto, mudou esses costumes com a política do clientelismo, (é dando-se que se recebe), obtendo resultados fantásticos nas eleições. Enfrentou a sua primeira campanha contra um adversário do clã Pereira que tinha a máquina administrativa na mão, o Governo do Estado e uma emissora de rádio recém instalada no ano da Eleição (Rádio Maringá AM). Era uma Oligarquia forte na política paraibana, pois tinha dois deputados estaduais e um federal além do prefeito da cidade.
O novo estilo de fazer política implantado por Levi, fez com que as oligarquias existentes na cidade desaparecessem do cenário político local, a tal ponto de Levi Olímpio, fazer o seu sucessor Nego Chico em 1988, e não obstante, apesar de ter rompido com seu sucessor, conseguiu a maior proeza na história política de Pombal, elegendo sua esposa Azenete Olimpio Prefeita do Município em 1992, numa campanha onde todas as expectativas apontavam como vitorioso o seu adversário Geraldo Arnaud de Assis Júnior (Dr. Geraldinho), pois os oligárquicos, o comercio e a sociedade como todo, apoiavam a candidatura adversária.
No livro “A Força do Clientelismo” de Wertevan Fernandes (2006) pág 122, ele registra o depoimento de um cidadão nos seguintes termos:
Naquela época sabia-se que as campanhas de Pombal não eram decididas no voto e sim na hora da apuração. Muito roubo mesmo. Sabe-se que tinha defuntos que votavam, que tinham Cartórios aqui que fabricavam títulos. Quando Levi surgiu, ele começou a denunciar esse tipo de coisa. A Policia Federal chegou até aqui e nós criamos coragem. “Agora vamos tirar esses homens do Poder”, e foi o que ocorreu. Mas pra isso ocorrer houve muita compra de votos, existia de um lado e de outro. Levi não veio mostrar que era santo, de jeito nenhum. A mudança que houve foi que o nosso lado agora tinha chances de ganhar também. (José Tavares, 45 anos).
Levi foi na verdade um político que obteve muitas vitórias, tendo sido eleito Deputado Estadual com ampla margem de votos em duas legislaturas 1990 e 1994, não chegando a assumir seu segundo mandato, porque veio a falecer em 16 de janeiro de 1995, vítima de um AVC – Acidente Vascular Cerebral, antes do início dos trabalhos da Assembléia Legislativa naquele ano.
A ele nossa homenagem de saudades, pelo transcurso do 15º Aniversário de seu falecimento.
*RADIALISTA. Contato: brunetco@hotmail.com
Natal, 14 de janeiro de 2010.

OS 60 ANOS DA LIGA NORTE-RIOGRANDENSE CONTRA O CÂNCER.

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abri-se-lhe-á”. (Jesus Cristo)
Certa vez o grande tribuno paraibano Alcides Carneiro, ao inaugurar o Sanatório do Ipase obra de sua iniciativa, em Correias, distrito de Petrópolis, no Rio de Janeiro, notabilizou-se com a célebre frase: “Esta é uma Casa que por infelicidade se procura, mas por felicidade se encontra”. Pois bem, ao completar 60 anos de idade o ano passado, precisei ir a Natal em busca de cuidados clínicos que o meu caso requeria conforme orientação do Dr. Eliseu José de Melo Neto (urologista), que me fez ver que naquele grande centro urbano iria encontrar a solução para o meu caso. Coincidência ou não, dei de cara com uma instituição de saúde que também celebrou em 2009, 60 anos de existência e de atividade a que estava destinada.
Hoje posso dizer que por felicidade como diz a frase de Alcides Carneiro, encontrei o lugar apropriado para obter o pronto restabelecimento de minha saúde. Por esta razão, é mais do que justo e digno, prestar em minha coluna, uma homenagem a todo corpo funcional e voluntário da LIGA NORTE – RIO GRANDENSE CONTRA O CÂNCER, pelo transcurso do sexagésimo aniversário, através de pesquisa que fiz no próprio site da instituição, objetivando dar ciência a todos e a todas do trabalho desenvolvido nessa área da medicina, caso venham necessitar de tecnologia de ponta, considerada como uma obra prima de primeiro mundo.
Com personalidade Jurídica de direito privado a Liga Contra o Câncer com sede na cidade de Natal – Rio G. do Norte é uma instituição de saúde, que não tem fins econômicos, certificada pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Em nosso país toda instituição de saúde obriga-se a prestar no mínimo 60% (sessenta por cento) de todos seus serviços ao Sistema Único de Saúde, no entanto, esta entidade, dá muito mais, presta cerca de 73% (setenta e três por cento) de seu atendimento a pacientes provenientes do SUS, não deixando de atender também a convênios privados e particulares.
A Liga contra o câncer, além de oferecer diagnóstico e tratamento, prioriza a oncologia com competência e responsabilidade social, desenvolve por meio de pesquisas e estudos o conhecimento, o que é de suma importância para aperfeiçoar o tratamento oncológico oferecido à população, tem participado ativamente através de programas de residência e estágios na formação de novos profissionais, nas mais variadas especialidades e áreas de atuação.
No Rio Grande do Norte, a Liga Contra o Câncer é o único centro de alta complexidade em Oncologia II (CACON II), isto é, dispõe de todas as especialidades médicas e multidisciplinares, além de todos os tratamentos e equipamentos necessários à atenção oncológica. Conta atualmente com mais de 1.000 colaboradores distribuídos nas seis unidades de serviços da instituição, todos empenhados em oferecer excelência em termos de atendimento.
Serviços prestados pela instituição: Cabeça e Pescoço, Diagnóstico por imagem, Mastologia, Medicina Nuclear, Física Médica, Hematologia, Oncologia Clínica Adulto, Oncologia Pediátrica, Equipe Multidisciplinar, Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, Radioterapia. Dispondo também de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com estrutura completa atendendo normas do Ministério da Saúde, proporcionando a cada interno um tratamento pleno e individualizado.
HOSPITAL DR. LUIZ ANTONIO: A primeira do aglomerado, é uma unidade hospitalar de atendimento exclusivo aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). 87 Leitos de internação, Centro Cirúrgico com quatro salas e consultórios de várias especialidades, dentre as quais são destacadas: cabeça e pescoço, clínica médica, ginecologia, endocrinologia, otorrinolaringologia, demartologia, urologia, proctologia e cirurgias gerais.
CECAN - Centro Avançado de Oconlogia é uma unidade ambulatorial de diagnóstico e tratamento, onde se encontra setores de radioterapia, quimioterapia e medicina nuclear, contando com consultórios de várias especialidades, como mastologia, urologia, oncologia Clínica, gastroenterologia, proctologia, cardiologia, cirurgia geral e vascular. O setor de diagnóstico de imagem desta unidade tem aparelhamento completo para procedimentos tais como: Tomografias computadorizadas, ultrassonografias, mamografias, raios-x e ressonâncias magnéticas.
CASA DE APOIO IRMÃ GABRIELA: Para quem vem do interior para se submeter a tratamento oncológico. Administrada pela Rede Feminina contra o Câncer. Com capacidade para 40 leitos de graça, esta unidade oferece alimentação, transporte e apoio da equipe multidisciplinar para pacientes que necessitem de dar continuidade à terapia.
DEPECOM: Trata-se do Departamento de ensino e pesquisa na área hospitalar foi criado pela Liga Contra o Câncer em 1989. Dispõe de 17 vagas de residência médica cedidas pelo Ministério da Educação, através do Sistema Nacional de Residência Médica (CNRM), faz parte do Programa Institucional de Bolsas para Iniciação científica (PIBIC), que se destina a preparar alunos de graduação para atividade de pesquisa. Atualmente, o departamento oferece 14 bolsas para orientação de estágios dentro da Liga.
POLICLÍNICA: São 81 Leitos, é um Hospital Geral com diversas especialidades da oncologia pediátrica à estética. Centro cirúrgico com cinco salas, Pronto Socorro, quimioterapia, Ultrassonografia,, raios-x e endoscopia digestiva. Tem Pediatria e Unidade de Terapia Intensiva plenamente equipada e administrada por profissionais médicos especializados.
UNIDADE DE ONCOLOGIA DO SERIDÓ: Inaugurada em 2006 na cidade de CAICÓ - RN é a filha caçula da Liga Contra o Câncer. Foi criada em parceria com o Governo do Estado para atender a demanda reprimida de pacientes do interior, oferecendo inicialmente atendimento ambulatorial e tratamento quimioterápico.
Parabéns, pois, a Liga Norte - Riograndense Contra o Câncer pelos seus 60 anos de atividades.
*RADIALISTA.
Natal, 04 de janeiro de 2010.

O GALO PELADO.

Ubiratan Lustosa*
Um dos meus grandes amigos, Waldemar Berttolin, (já partiu faz algum tempo), quando visitávamos um companheiro convalescente, após ouvir as agruras pelas quais o mesmo passara, dizia brincando:- É amigo, pelo que nos conta, você andou perto do galo pelado. Todos sabiam que era a sua maneira de se referir às Parcas, deusas da mitologia encarregadas de cortar o fio da vida. Dizia-se que se a pessoa estava mal aparecia para ela um galo pelado. A gente levava tudo na brincadeira e fazia o amigo doente rir um pouco.
Pois, meus amigos, não é que eu andei bem perto do galo pelado? Vou contar pra vocês porque serve de alerta para todos. Tudo começou com algumas perdas temporárias de visão no olho esquerdo. Fui consultar minha oftalmologista que após os exames constatou que nada de errado havia com meus olhos e me recomendou uma visita urgente a um cardiologista. Foi o que fiz e após uma bateria de exames de todos os tipos e preços veio a constatação: de vários problemas detectados o mais grave era a obstrução de 90% de minha carótida esquerda. Era preciso abrir caminho para a circulação do sangue. Aí passei a dar mais valor ao plano de saúde que há anos tenho na Unimed.
Constatei também o poder que tem o apoio da família e como faz bem o incentivo dos amigos. Fui internado no Hospital VITA-BATEL e sob o comando do Dr.Robertson procedeu-se o cateterismo e em seguida angioplastia para colocação de stent. Tudo correu bem. Maravilha. Só que por causa dos contrastes, necessariamente aplicados para a realização de alguns exames, houve a retenção de água em meus pulmões, dificultando a respiração. Haja diuréticos e uma inusitada visita ao banheiro dia e noite, a toda hora. Após tudo isso, outros exames, novo cateterismo e a conclusão de que, em decorrência de um infarto em que nada senti, parte de meu velho coração está definitivamente prejudicada.
Puxa vida, tive a sensação de estar no bico do corvo. Veio a decisão dos médicos de salvar o que ainda está bom. Mais problemas para a competente Dra. Cíntia resolver. E ela está resolvendo. Essa está sendo a nossa luta. Estou melhorando gradualmente e até acredito que dessa eu me safei. Parece que Deus está me brindando com mais uma temporada. Sou grato a Ele porque aqui está bom. Na verdade, num exame grosseiro, a gente tem duas opções: encarar tudo isso na velhice ou morrer jovem. Eu acho que assim está melhor.
Dias atrás meu velho e querido amigo Luiz Nivaldo Maciel, o “Véio Zuza”, me telefonou e fiquei sabendo que ele também andou batendo biela e está em tratamento. Liguei para outro amigo do peito, o Arati, denominado pelo saudoso Sérgio Fraga “o príncipe do acordeão”, a fim de agradecer o envio do disco que ele gravou e com o qual me presenteou, e não é que ele também está com problemas de saúde? A maioria dos meus amigos está na faixa dos 70 a 80 anos.
Queiramos ou não, os problemas de saúde virão. Não faz muito tempo, comentei com o Leszek Celinski o fato de diversos amigos terem partido no decorrer de 2009. Ele me disse:- Ubiratan, a nossa fila está andando. Achei graça e fui contar para o Algaci Túlio. Sabem o que ele me disse?- É verdade. E vou contar pra você que eu já não levanto os braços nem para rezar nas igrejas, com medo que o Chefe aproveite e me puxe lá para cima. Humor negro de todos nós? Não. Apenas uma maneira de encarar sorrindo uma realidade inevitável.
E para findar, um recado pra vocês, meus leitores e ouvintes. Dizem que se conselho tivesse valor ninguém dava; vendia. De qualquer forma, dou a dica: não esperem os problemas surgirem para correr ao médico. Como prevenção, consultem um cardiologista. O coração, esse tesouro que temos no peito, age como a natureza: quando mal tratado dá o troco. Ah, sim, e não esqueçam de pedir para examinar as carótidas.
*RADIALISTA, ADVOGADO. CURITIBA PARANÁ.

SÃO LUIZ DE PARAITINGA DA CIDADE DE POMBAL.

Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Quando eu vi no JN um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do período do café no Estado de São Paulo sendo destruído pelas águas que inundaram a cidade de São Luiz do Paraitinga, eu confesso que vi tudo aquilo como se fora uma cena de um filme, gravado nas ruas de Pombal ao longo dos últimos 50 anos.
Aqueles 90 prédios tombados pelo patrimônio histórico estadual e o mercado publico sendo sucumbido pelas águas eram cenas que estão dentro de mim em persistentes reprises de uma fita eternamente rebobinada.
A metade da centenária igreja matriz de São Luiz de Toloza, á desabar como um castelo de areia, e uma outra igreja também centenária, a mais antiga da cidade, a Capela das Mercês, sendo atingida pela catástrofe perdendo inclusive aquele órgão a ar, do século XVIII que era desenterrado dos escombros, era para mim uma releitura de crônicas das ruas de Pombal, do tipo de quando o Sobrado de dona Jardas era destruído e catavam-se escadas, janelas e telhas no meio dos escombros, como se fora troféus ou souvenis para se colocar na mesa como peso de papel.
Um rio que invade a cidade, agonizando e reclamando o seu trajeto, soterrado pela desenfreada e irresponsável destruição das matas ciliares, são coisas que lembram a terrinha, onde os esgotos putrefatos deságuam em seu leito. Casarões centenários, também tombados pelo patrimônio histórico estadual, tombam literalmente na calada da noite para, em seu lugar, se construir um “negocio ai qualquer”. Torre de igreja desaprumada do seu nível, ameaçando cai na cabeça do povo, são males que a minha terra tem de montão e não precisamos sequer da força da natureza para ajudar a destruí-los, relegá-los ao esquecimento ou jogando por terra a história de um povo contada e escrita ao longo dos três últimos séculos.
Na minha terra as águas revoltosas são substituídas por mentes insanas, tratores barulhentos que rompem o silencio da noite e risos regados a wisk nas madrugadas, quando os algozes do patrimônio da cidade se reúnem para traçar planejarem as suas investidas, vendendo a história do povo por trinta dinheiros.
São praças desfiguradas, grupos folclóricos discriminados, tradições seculares esquecidas na gaveta do tempo onde as traças corroem até a última página da nossa historia.
O fantasma dos tropeiros que subiam a Borborema, trazendo a riqueza e a fé, que construíram a nossa cidade, talvez nunca mais faça sua imaginaria viagem, ou se o fizer, correm o risco de não mais reconhecer a cidade que ajudaram a construir, pela simples ausência dos seus ícones, mais representativos, e concluam que de nada valeu o esforço em levar e trazer a riqueza e a sabedoria que contribuiu para a construção da identidade da cidade de Pombal.
Não queremos que se faça a leitura errada de que se quer uma cidade congelada no tempo e no espaço um “universo numa casca de noz”. Não!
Toda cidade, seja nova ou antiga, tem que ter a sua identidade preservada. Alguma coisa que, ao retornar de longos êxodo, os seus filhos se reconheçam nas suas ruas. Um lugar onde se possa tirar uma foto nova que se compara com uma outra foto antiga e seja inevitável que uma lágrima caia do canto dos olhos e salte feito gota de chuva no zinco quente. É isso que se quer.
Uma rua onde se foi moleque, para se contar aos filhos e netos as histórias dos moradores esquisitos da casa da esquina, ou a casa grande de paredes altas e brancas na entrada da cidade onde se fugia dos fantasmas que assombravam nossa infância.
O povo de São Luiz do Paraitinga sabe disso e vai reconstruir a sua cidade, partindo do pouco que restou dessa catástrofe. Já o povo de Pombal, lamentavelmente não sabe disso e aos poucos vai destruindo o muito que se tem, transformando o passado da nossa cidade em uma foto amarela na parede de algum filho seu, inconformado com o poder do dinheiro que nos compra até os sonhos mais reais.
*Escritor Pombalense.

CEZÁRIO DE ALMEIDA: UM PROFESSOR POMBALENSE EM DESTAQUE NA EDUCAÇÃO PARAIBANA.

Profº Cezário de Almeida (Foto)
POR MACIEL GONZAGA*
Uma sociedade pela qual todos nós ansiamos e para isto, livre de crimes, violência, comportamentos e atitudes injustas, etc., só poderemos almejá-la através da Educação. Assim, o mais importante ponto que precisa ser melhorado quando se trata de justiça social no Brasil, como prioridade para eliminar todos os problemas que estamos enfrentando hoje em dia em nossa sociedade, é a Educação.
Também, a maneira que educamos precisa ser cuidadosamente examinada. Revista para ser interessante, atrativa e divertida para todos os tipos de crianças e adultos, cada qual com suas habilidades, gostos, qualidades e fraquezas. Afinal uma vida feliz é uma vida bem sucedida e normalmente uma vida bem sucedida é uma vida baseada em uma boa educação. Esta é a chave para problemas individuais e também mundiais. A educação é a chave para completa compreensão sobre as pessoas, suas ações e do mundo ao seu redor. Se formos educados em um patamar único de qualidade, não teremos mais disputas e desavenças, pois então poderemos entender uns aos outros e as razões que nos levam a dizer e fazer o que fazemos.
Com essas considerações iniciais, desejo saudar o pombalense José Cézário de Almeida, um bom fruto que nasceu no Sítio “Pau Ferrado”, ex-funcionário da Rádio Maringá, que foi eleito novo Diretor Geral do Campus da Universidade Federal de Campina Grande em Cajazeiras PB, e assumiu o cargo no dia 2 de janeiro de 2010, com mandato de quatro anos, em solenidade presidida pelo Magnífico Reitor da UFCG, professor Thompson Fernandes Mariz.
Doutor em Ciências Biológicas – Microbiologia – e membro da Unidade de Ciências da Saúde do Campus da UFCG de Cajazeiras, José Cezário de Almeida é um dos responsáveis pelo projeto que consagrou a instalação do novo curso de Medicina da UFCG em Cajazeiras. E Cezário Almeida assume o cargo com idéias novas, bons projetos, utopia e muita vontade de trabalhar. Paulo Freire expressa sua compreensão sobre utopia, considerando-a um exercício de fé que deve ser empreendido um pouco a cada dia, com tenacidade e paciência histórica.
“Não há amanhã sem projeto, sem sonho, sem utopia, sem esperança, sem o trabalho de criação e desenvolvimento de possibilidades que viabilizem a sua concretização. É neste sentido que tenho dito em diferentes ocasiões que sou esperançoso não por teimosia, mas por imperativo existencial (...) O meu discurso a favor do sonho, da utopia, da liberdade, da democracia é o discurso de quem recusa a como dação e não deixa morrer em si o gosto de ser gente, que o fatalismo deteriora”(FREIRE, 2001).
Como o autor coloca, deve ser entendida como própria do ser humano (imperativo existencial) e tem um papel de mola propulsora para concretização de projetos de mudanças. Desta forma, reafirma-se a necessidade do cultivo do hábito de sonhar e a preservação da esperança de que se alcançará, por meio da participação de todos, uma sociedade mais justa e democrática.
Avançar com a interiorização da universidade e ampliar os cursos de pós-graduação. Estes são os principais projetos anunciados do Campus da UFCG de Cajazeiras. O novo Diretor Geral do Campus da UFCG de Cajazeiras assume o cargo em um cenário de expansão, por isso um das maiores missões de seu mandato é a manutenção do crescimento da universidade, sem deixar de lado, é claro, a qualidade acadêmica.
Mas, Cesário de Almeida é realista e reconhece que terá que enfrentar as barreiras do mercado para alcançar com sucesso a sua meta de gestão. O Brasil é o 14º país do mundo em produção de ciência. O número de trabalhos publicadas em periódicos científicos de renome internacional por autores brasileiros aumenta gradativamente. Porém, o número de estudos que é transformado em bens, serviços e produtos que tragam benefícios para a sociedade é irrisório. Para crescermos, como fizeram países como Estados Unidos, Japão, Alemanha e, posteriormente, a Coréia do Sul, precisamos acabar com esse problema. E é imbuído desses propósitos que o pombalense José Cezário de Almeida assume a nova função. Seus conterrâneos estão regozijados, pois se trata de um filho de Pombal que assume tão nobre função de destaque na educação paraibana, justamente “na terra que ensinou a Paraíba a ler”.
*JORNALISTA, ADVOGADO E PROFESSOR. NATAL- RN.