CLEMILDO BRUNET DE SÁ

DE VOLTA AO PASSADO.

Ubiratan Lustosa
Vez ou outra eu me dou ao luxo de ficar matutando sobre o tempo que passou. Voos longos de volta ao passado nas asas mágicas da saudade. Vou revivendo as cenas que adornaram minha infância e ficaram para sempre na lembrança. Caminho pela minha Curitiba mais de setenta anos atrás.
Hoje, não sei porquê, lembrei dos dias distantes dos fogões à lenha. Puxa vida, nos tempos do fogão à lenha a vida era bem mais difícil para as donas de casa. Pra todo mundo. De início, acender o fogo, quando a lenha não era muito boa ou estava úmida, representava um sacrifício danado. Era preciso ficar soprando a brasa até o fogo se firmar. Ao soprar, caiam cinzas pelo chão e a cozinha era invadida pela fumaceira que deixava ardidos os olhos da gente.
Mas havia outros problemas pra gente enfrentar com os fogões à lenha. Aquele picumã que grudava na chaminé, com o tempo se avolumava e pegava fogo. A gente tinha que jogar água lá de cima, dentro da chaminé, para apagar as labaredas.
As famílias mais ricas chamavam o limpador de chaminé para fazer o serviço. Aliás, essa é uma profissão extinta, pelo menos nos grandes centros. Eu já estava esquecendo de citar mais uma desvantagem desse fogão: quando o carroceiro descarregava a lenha em frente de casa, a gente tinha que recolher e cortar em achas pequenas para facilitar na hora de acender o fogo. Esse, em geral, era serviço dos mais jovens. Cansei de fazer isso quando era piá. Bracatinga era a madeira preferida. Havia, porém, algumas vantagens no uso do fogão à lenha. A comida, na verdade, ficava muito boa. Parece que tinha mais sabor que a de agora que é feita em fogão a gás ou forno de microondas. O fogão à lenha, além da comida gostosa, tinha outros pontos a seu favor. No inverno, que já foi bem mais rigoroso em Curitiba, o fogão aquecia a casa. Nos lares mais simples ele fazia o papel da lareira das mansões de outrora. Muitos usavam o fogão à lenha para secar roupas em cima da chapa, secar casca de laranja com a qual se fazia chá e até para secar linguiça quando a mesma era feita em casa. Sim, havia também os bolos, macios e deliciosos, feitos no forno, com muitos ovos colhidos no galinheiro do quintal.
Ah, como tudo mudou. A gente tem tanto conforto hoje em dia que nem lembra dessas coisas do passado. Muita gente nem sabe que se usava fogão à lenha nas residências e muito menos que limpador de chaminé já foi uma profissão. (Do site www.ulustosa.com)

POUCAS E BOAS DO DEPUTADO CHICO PEREIRA...

Maciel Gonzaga (Foto)
MACIEL GONZAGA*
Político de grande popularidade na região do Sertão da Paraíba, tendo iniciado a sua trajetória na vida pública nos anos 40 e representado a cidade de Pombal na Assembléia Legislativa por sucessivas legislaturas, o deputado Francisco Pereira Vieira – Seu Chico Pereira, como era mais conhecido – tinha um estilo desabusado, franco e pouco elegante no vernáculo. Já tive oportunidade de escrever, neste mesmo Blog, artigo sobre a importância de Chico Pereira (Foto), para Pombal, independente das divergências políticas, partidárias e ideológicas.
Neste novo artigo, vamos enfocar algumas tiradas espirituosas e jocosas que, denominamos, de “poucas e boas” do rico folclore de Chico Pereira. Nos anos 60, em uma calcinada campanha política na cidade, em que a família Carneiro impunha aos eleitores de Pombal o nome do advogado Dirceu Arnaud Diniz como candidato a deputado estadual, Seu Chico protagonizou episódio que enriquece o folclore político paraibano. Consta que no palanque, um dia, surpreendeu a assessoria da campanha com uma afirmação inusitada: “Aqui em Pombal, eu e Paulo Pereira formamos um trio...”. O estudante Vicente Cassimiro, pressuroso, soprou, corrigindo: “É dupla, Seu Chico. Trio são três”. Respondeu o deputado: “Que besteira! Trem não anda em trio e não é dois?”.
O Fusquinha era a coqueluche nos anos 60. Seu filho Ademar Pereira tinha comprado um e Chico Pereira foi ao Banco do Brasil de Pombal no aludido carro. Lá, puxou o freio-de-mão e quando foi sair esqueceu de baixar a alavanca. O carro inchou a traseira e ai Seu Chico disse: “Danado, esse carro atola até no calçamento!”.
Essa outra aconteceu durante um exame de motorista que o Detran estava fazendo em Pombal. Seu Chico foi para o meio dos pretensos motoristas e resolveu também fazer exame para renovar a sua habilitação. Resultado, saiu derrubando os cones e o instrutor, indicado por ele para o cargo, que estava no banco carona disse: “Ta bom deputado, pode parar. O senhor está apto. Eu tenho sete filhos para criar”.
Chico Pereira acostumava sempre viajar de ônibus de João Pessoa a Pombal, no final da tarde de sexta-feira, logo que deixava a Assembléia Legislativa. Certo dia, fumava seu cigarrinho, quando o cobrador o interpelou: “O senhor não pode fumar!”. Chico Pereira indagou: “Eu posso saber por quê?”. O cobrador, aborrecido reagiu: “O senhor não está vendo a placa que diz ser proibido fumar cigarro dentro do ônibus?”. Chico Pereira, então, relaxou e murmurou entre fumaças. “Se eu fosse obedecer a toda placa, eu esborrotava de tomar Coca-Cola. Tem placas de tome Coca-Cola de João Pessoa até Pombal”.
O deputado Levi Olímpio era um adversário duro na queda. E tinha uma fama, aliás, justificada, de valentão. Gostava de andar armado. Levi fazia um comício num distrito de Pombal e era observado, à distância, por Chico Pereira, seu adversário mais ferrenho. Num certo momento, Levi disse: “Dizem que sou pistoleiro, mas quero dizer que sou homem de paz. Nem armado eu ando...”. Chico Pereira, à distância, comentou: “Aposto como ele está armado. Basta revistar pra vê". Foi quando um correligionário murmurou: “Seu Chico, o problema é encontrar quem que tenha coragem de ir lá em cima revistá-lo!”.
Chegou um delegado em Pombal que prometia revolucionar a cidade. A primeira providência do Tenente-PM foi mandar fechar o Lord Amplificador, de propriedade de Clemildo Brunet de Sá. Desesperado, Clemildo foi falar com o delegado e este se manteve irredutível. Foi quando Clemildo reagiu: “Se não tem jeito, eu vou falar com Chico Pereira”. O delegado não gostou, deu um murro na mesa e externou toda sua hidrofobia: “Você pode falar até com o Satanás, mas a sua difusora vai ficar fechada”. Clemildo foi até a casa de Seu Chico, no Riacho do Bode e, revoltado, contou toda a história na expectativa de que o seu problema seria solucionado. O deputado, que ouvia atentamente o relato de Clemildo, segurando o telefone na mão e fazendo uma ligação, verberou: “Clemildo, quando a gente quer alguma coisa, não manda, pede”. Nesse ínterim, o delegado atende ao telefone. E Chico Pereira diz: “Meu filho, se você que permanecer por algum tempo aqui em Pombal, não bula com Clemildo não”. Em seguida bateu o telefone. Horas depois o Lord estava funcionando.
Na política de alta voltagem dos anos 60, quando explodiam as paixões do PSD (Carneiro) e UDN (Maniçoba), Pombal e a região era totalmente calcinada pelo desvario de um radicalismo selvagem. A convite de Lauro Paixão, Chico Pereira foi participar de uma carreata em Jericó. Subiu no caminhão, que logo deu a largada. O locutor diz: “Atenção, Seu Chico, à esquerda”. Povão atrás, algazarra, música, cachaça, era Jericó toda nas ruas. E o locutor novamente: “À direita Seu Chico!”. Ao cabo de alguns minutos e já intrigado com tantas recomendações do locutor, as quais obedecia enfarado, Chico Pereira se aproxima de Lauro Paixão e, com aquela inconfundível impostação de voz, interrogou: “Lauro, essa rapaz está fazendo de mim palhaço. A todo instante me manda olhar para a esquerda, para a direita, em frente. O que ele quer com isso?”. “Nada não deputado”, respondeu Lauro. “É que o motorista do caminhão se chama Chico Pereira!”.
*Pombalense, Jornalista e Advogado Criminalista - Natal RN.

O REPÓRTER!

CLEMILDO BRUNET*
Muito significativa a data de 16 de fevereiro para homenagear a um agente de noticia que tem seu valor perante a sociedade. Como um bom investigador o repórter vai à busca da verdade dos fatos. Para ele, não é bastante descobri a informação, ela tem que ser dada ao público numa linguagem clara, objetiva e acessível. Onde estaria à sociedade hoje se não existisse a figura exponencial do repórter? Muito mais agora, em que o desempenho de suas funções tem três modalidades distintas: Repórter cinematográfico, Repórter fotográfico e Repórter noticiarista, envolvendo-se em todas as mídias; jornal, rádio, revista, TV e Internet.
O repórter é um farejador da informação, sempre atento e antenado por uma boa reportagem. No início da carreira ele é conhecido por “foca” profissional inexperiente, principiante que fica deslumbrado com as primeiras tarefas que executa e muitas vezes deixa escapar detalhes importantes. Em pouco tempo ele vai largando a vida de “foca” e se aventura andando com as próprias pernas.
O repórter é o responsável direto pela elaboração das notícias que serão veiculadas em jornais, revistas e em programas jornalísticos de rádio e televisão. Cuidado este que ele tem que fazer desde a fase de pesquisa até a redação. Tem também o repórter que não redige a notícia, mas é encarregado de abastecer a redação com imagens do fato a ser noticiado. Trata-se do repórter fotográfico para jornal impresso, cinematográfico para televisão e o repórter de internet responsável por redigi para sites de conteúdo.
Lembro-me do Lord Amplificador único meio de comunicação em minha cidade que começou suas atividades em 1968. Todos “foca” ainda na profissão, tinham o maior interesse em aprender como dar a informação o mais rápido possível. Uma certa ocasião em que por medo de sofrer represália, ninguém quis assumir a patente de repórter policial; exceto Massilon Gonzaga, que com sua coragem enfrentou alguns desafetos cujos nomes foram listados na crônica da polícia; sentindo-se ameaçado, pediu ao delegado que o deixasse andar armado e foi prontamente atendido pela autoridade policial.
De outra vez, ainda novato no rádio (pois era principiante), o companheiro José Alves (Foto eu e ele no Jornal Maringá) que era redator da Rádio Maringá logo no início da emissora em 1982, foi enxotado da agencia do BB pelo subgerente do Banco do Brasil no momento de uma entrevista em razão de uma pergunta que em nada agradou o funcionário da casa. Como não obteve resposta e tendo sido mal tratado, José Alves redigiu a notícia somente com a versão que havia tomado conhecimento e me entregou para o boletim do Jornal Estadual da Rádio Tabajara. Tratava-se de uma denúncia grave feita por um vereador na tribuna da Câmara de Pombal contra o gerente da agencia local do BB. A noticia chocou a Superintendência Regional do Banco do Brasil em João Pessoa, que enviou a nossa cidade um emissário para esclarecimento dos fatos. Ironia do destino - José Alves depois veio a ser funcionário do Banco do Brasil.
Em seu livro Elementos do Jornalismo, Bill Kovach e Tom Rosenstiel (2003: 22-23) elaboraram uma lista com nove itens fundamentais para o exercício da profissão:
A primeira obrigação do jornalismo é a verdade.
• Sua primeira lealdade é para com os cidadãos.
• Sua essência é a disciplina da verificação.
• Seus profissionais devem ser independentes dos acontecimentos e das pessoas sobre as que informam.
• Deve servir como um vigilante independente do poder.
• Deve outorgar um lugar de respeito às críticas públicas e ao compromisso.
• Tem de se esforçar para transformar o importante em algo interessante e oportuno.
• Deve acompanhar as notícias tanto de forma exaustiva como proporcionada.
• Seus profissionais devem ter direito de exercer o que lhes diz a consciência.
No mundo atual em que vivemos é importante o papel do repórter em nosso meio. Quantas e Quantas emissoras não dispõem ainda desse personagem com tempo integral para essa tarefa e que fica mobilizando redatores e noticiaristas que trabalham na interna? Dessa maneira o fato deixa de ser registrado no momento que está acontecendo.
Repórter é aquele que ama ver, ouvir, ler tudo o que é notícia, gosta muito de fazer entrevistas e aparecer na telinha. Acompanha de pertinho todas as novidades que acontecem no dia a dia do seu país e do mundo.
O repórter pode trabalhar tanto no rádio como na televisão e, ultimamente até na internet.
Pegue um gravador, bloquinho de papel, uma caneta, faça uma entrevista com alguém que você admira. EXPERIMENTE SER REPÓRTER POR UM DIA!
VIVA O REPÓRTER – O MUNDO PRECISA DELE!
*RADIALISTA
Natal, 18 de fevereiro de 2010.

NEOCORONELISMO

Por Severino Coelho Viana*
O termo coronel adveio da Guarda Nacional que foi criada no dia 18 de agosto de 1831. Os chefes locais destacados ocupavam nela os postos mais elevados, comprando a patente, no caso de coronel. Com a Proclamação da República extinguiu a Guarda Nacional, porém persistiu a denominação de “coronel”, com seus costumes, táticas, mazelas, vícios de toda natureza, originando-se, particularmente, no Nordeste, o sistema de práticas políticas engendrado no coronelismo.
A figura do coronel era controladora do poder político, econômico e social, que agia por ambições pessoais, em função da lealdade familiar, além das relações de compadrio, juntando-se aos cabos eleitorais e chefes locais, que por sua vez erigia a cultura antiquada do mandonismo. A hierarquia estadual conferia “carta branca” aos chefes locais, com poderes de nomeação de funcionários estaduais do lugar para ter controle dos assuntos relativos aos municípios, que se ramificavam para um “controle de classes auxiliares”, tais como, jagunço, advogado da família, médico da família, comerciantes urbanos, oficiais militares, padres etc.
Os coronéis nordestinos, na sua maioria, exerciam um domínio político despótico sobre os que dele dependiam economicamente e sobre a clientela de apaniguados. Utilizavam-se do dinheiro à mira da carabina, além das emboscadas por trás das moitas e nas encruzilhadas das veredas na caatinga.
O poder político do coronel era medido pela força eleitoral, isto é, a quantidade de votos que dispunha o chefe local. Com esta força eleitoral emana-lhe o prestígio político. Este poder político era determinante em decorrência do assistencialismo-paternalista e do clientelismo, que estes se dão com o uso exacerbado da máquina administrativa, e, então, começam a aparecer crendices mirabolantes: “o pai da pobreza”, “o bondoso”, “o generoso”, “o caridoso”, “o mais sabido”, “o médico milagreiro”, “o amigo dos pobres”, que redundavam na oferta de favores pessoais pela chefia local, com uma forma política centrada na visão do favor, da proteção e da gratidão.
O coronelismo desenfreado vigorou da Primeira República à Revolução de 1930, que por não ter sido erradicado totalmente, as suas raízes perduram até os nossos dias, apenas com uma folhagem amarelecida ou desbotada. Não vemos mais aquela figura tradicional do coronel: terno de linho branco, sapatos brancos bem engraxados, rutilando com o reflexo dos raios solares, chapéu de massa preto, bengala na mão, pistola de lado e punhal no quadril; barba asseada e bigode bem feito, cachimbo na boca esfumaçando, e, à tardinha, passeava galopando o cavalo rompante, com o seu habitual aceno de mão e a chegada festiva à casa do compadre.
O cenário que envolvia e promovia o coronelismo era o do mundo rural brasileiro, dominado pelo latifúndio, o engenho, a fazenda e a estância. Um universo próprio, interiorano, bem afastado das grandes cidades, isolado do mundo. As comunicações eram raras e difíceis, feitas por canoa, barco, balsa, carro de boi, charrete, ou na sela do cavalo, puxando os arreios da mula ou do jerico, cachorro ou cadela que virava pombo-correio. Na verdade, o coronel, personificação mais acabada do poder privado no Brasil, mandava num pequeno país no qual ele era um imperador com poder de vida e morte sobre os seus subalternos. Os moradores eram-lhe inteiramente obedientes e poucos ousavam desafiar a autoridade ou disputar o poder de mando, a não ser que pela redondeza um outro coronel o desafiasse e peitasse o poderio. Praticamente ao redor dele ninguém era instruído, os considerados alfabetizados apenas sabiam desenhar o nome no papel, o suficiente para que se tornassem eleitores fiéis dos candidatos propostos pelo coronel.
Dessa relação de cumplicidade política existente entre chefe e eleitor nasce uma estima pessoal, que desemboca no compadrio, onde os elementos considerados inferiores e dependentes submetiam-se ao senhor da terra pela proteção e persuasão. Se por um acaso houvesse alguma resistência de parte desses apadrinhados, estes eram expulsos da fazenda, perseguidos e assassinados impunemente. Muitas vezes a desforra alcançava toda a sua família para servir de exemplo aos outros afilhados que pensassem em uma atitude de rebeldia.
Materialmente o mundo dos coronéis era povoado pela escassez de tudo e pela pobreza absoluta de quase tudo pelo estado de miséria que os moradores viviam, pois esta é uma tentativa de explicação da enorme dependência que todos tinham ante o coronel. Ele era o poder de quase tudo na sua circunscrição territorial a quem era preciso recorrer nas mais diversas situações, sendo, portanto, que se aduzia que o coronel exigisse daqueles que se qualificavam como votantes, o compromisso da fidelidade cega. Na ausência quase que absoluta do Estado, era o coronel quem exercia as mais variadas funções, sendo simultaneamente o detentor do poder político, jurídico e legislativo do município que lhe cabia, fazendo com que sua autoridade cobrisse todos os espaços daquela geografia da solidão que era o seu feudo.
Os estudiosos dividiram o coronelismo em três tipos; o tribal, o personalista e o colegiado. O tribal parece um patriarca de um clã, cujo poder se espalha por vários municípios e derivava dele pertencer a uma família tradicionalmente poderosa. O personalista deve tudo ao seu carisma pessoal, a ter certos atributos que lhe são impossíveis de transmitir por herança, geralmente desaparecendo com sua morte. Por último, aqueles que são mais estáveis, e que dirigiam os negócios políticos em comum acordo com outros coronéis sem que houvesse grandes desavenças entre eles. As bases do seu poder são: a) A terra. Num país de dimensões agrárias tão vastas, a riqueza dos indivíduos era medida pela extensão da propriedade. Logo era fundamental para a afirmação e continuidade do poder do coronel que este detivesse significativas extensões de terra. b) A família, ou a parentela, permitia ao coronel por meio de casamentos arranjados e assim ampliava o seu domínio, colocando gente de outro sangue e da sua confiança em todos os escalões do poder municipal e estadual. c) Os agregados. A imensa quantidade de parentes distantes, compadres, afilhados e demais protegidos do coronel, que ajudavam a estender o poder dele para fora da família núcleo (a gente do seu próprio sangue), permitindo que sua autoridade se espalhasse para regiões bem mais distantes do seu município.
O coronelismo nunca foi um sistema pacífico. A própria natureza do tipo de dominação que ele exercitava, implicava na adoção de métodos coercitivos, ameaçadores, quando não criminosos. As linhas da violência dirigiam-se em dois sentidos, no horizontal quando o coronel travava uma disputa qualquer com um outro rival do seu mesmo porte político, e no vertical, quando ele desejava impingir alguma coisa aos de baixo porte ou que se negavam a aceitar a sua guarda. Para o exercício efetivo disso, ele contava com dois elementos básicos: o pistoleiro contratado para atuar a seu serviço, geralmente um capanga da sua confiança, ou um grupo de jagunços, um bando de caboclos dedicados ao ofício das armas que lhe serviam como uma milícia privada, que se destacavam pela virtude da coragem pessoal.
A história, a sociologia, a psicologia coletiva e a cultura geral asseveram, taxativamente, que o coronelismo como uma manifestação que parece desaparecida, morta, extinta. A realidade prova bem ao contrário, pois o coronelismo está vivo, vivinho da silva, que se encontra em qualquer esquina da política brasileira, nas pequenas cidades e nas metrópoles. Encontra-se em pleno vigor sob a forma resistente e multiforme do neocoronelismo. O que desapareceu, foi tão somente o estilo de exercer o comando quanto ao uso e à manipulação do poder local ou regional. O coronelismo está vivo - repetimos - sob a forma modernizada do neocoronelismo. O que realmente desapareceu foi apenas o estilo do antigo coronelismo.
O terno de linho branco para o uso diário não tem muita diferença para o paletó preto de tropical ou microfibra, é somente uma questão de gosto, assim como tomar Coca-cola por Fanta é uma questão de sabor, este sabor não muda a essência de ser refrigerante. O pensamento do novo coronel, que se apresenta com sorriso fútil de fachada democrático, está sublimado pela facilidade da era do processo tecnológico, que o fez deixar o trote do cavalo para passeio de Corola. E este processo evolutivo, não resta dúvida, aumentou o nível de consciência popular que por via de consequência não aceita mais uma total submissão. O poder de fogo do novo coronel não está restrito à cozinha do casarão de alpendre, mas nas salas reluzentes dos palácios governamentais. As barganhas políticas assumem um caráter mais sofisticado, à medida que passam a envolver não apenas pessoas privadas, mas também grupos comunitários, em torno da distribuição de recursos governamentais. A ideologia política pregada pelo programa partidário não passa de uma frase de enfeite literário e não ressoa uma ação em prol do bem coletivo. O poder local é manifestado pela vontade e o capricho de uma só família, que representa os "novos" que se alimentava das práticas políticas dos velhos, que carrega na mente a figura do totem, utilizando-se dos meios de clientelismo e do patrimonialismo, do apadrinhamento, nem que seja às custas do dinheiro público.
No momento político de nossa modernidade, que passa dos limites da tolerância, as barganhas eleitorais são das mais diversas e o valor do voto tomou outros ares, podemos notar que atualmente ele é trocado por consultas médicas, óculos, remédios, e, sobretudo por promessas de empregos e não longe disto a conquista da casa própria. Esta última que concede ao líder político a formação do novo curral eleitoral, pois o eleitor advindo basicamente do interior do país, onde de certa forma trabalhava nas terras de um grande proprietário ou mora nos casebres periféricos, é atraído para os centros urbanos com esperança de garantir um futuro melhor, com o peso da frustração e falta de emprego e dos meios de sobrevivência a solução mais prática é vender o voto no tempo de eleição, não lembrando que terminado o processo eleitoral a situação de calamidade volta ao seu assento anterior, justamente por falta de políticas públicas voltadas para o bem comum.
Outro traço de ação do novo coronel, o chamado coronelismo eletrônico consiste, portanto num mecanismo para manutenção dos novos coronéis no poder, por meio de um grande instrumento de comunicação, que é o radio e a televisão, gerando uma grande rivalidade entre os líderes políticos afamados pelo uso propagandístico de caráter pessoal por meio dessas concessões. Os chefes locais continuam mantendo uma relação de proximidade com os governos estaduais e estes com o governo federal, responsável pela concessão das RTVs, já barganhado por aprovação de matéria de interesse do governo federal. É o toma lá dá cá. A compra de voto hoje já não acontece da mesma forma como na República Velha, mas esta não deixou de existir, só que de uma forma mais velada e camuflada nas políticas eleitoreiras, ou seja, na doação de cestas básicas, leite, pão, remédio, e principalmente na barganha com empregos e a casa própria, acabando por fim influenciando o resultado de uma eleição.
João Pessoa, 18 de fevereiro de 2010.
*Escritor Pombalense e Promotor Público em João Pessoa - PB.

DIRCEU ARNAUD: O LEGADO DE UMA LIDERANÇA ESTUDANTIL.

Maciel Gonzaga (Foto)
MACIEL GONZAGA*
O advogado e ex-deputado estadual pela Paraíba, Dirceu Arnaud Diniz (in memoriam), foi o mais carismático líder do movimento estudantil da cidade de Catolé do Rocha, na chamada Microrregião 89, a partir dos anos 50. Homem simples, sertanejo, que tinha uma gostosa conversa, surgiu na política como porta-voz dos desejos de mudança da sociedade sertaneja. Nasceu na cidade de Catolé do Rocha no dia 14 de janeiro de 1927. Formou-se em Ciências Jurídicas na Faculdade de Direito do Recife.
Integrava a chamada “Trindade Impávida”, assim batizada por José Américo de Almeida que, na campanha governamental de 1950, denominou dessa forma aos jovens estudantes – José Pires Fernandes, Hercílio Pires e Dirceu Arnaud. Embora, por volta do início dos anos 50, o número de universitários da região mal chegasse a uma dúzia, o segmento compensou-se com o dinamismo e franca aproximação dos colegiais catoleenses de escolas do ensino médio de Patos e João Pessoa. Durante as férias do final e meio do ano, todos se reuniam para afinar discurso, segundo o qual “como as plantas nascem, vivem e morrer, assim também a oligarquia dos Maia estava condenada à morte”. As lideranças estudantis traziam revistas, jornais e conferencistas identificados com a nova temática sócio-política do país para fazer palestras na cidade.
Como líder estudantil, Dirceu Arnaud denunciava o que ele e outros contestadores da época consideravam “oligarquia inteligente e sagaz da família Maia”, que dominava a política catoleense. Embora em entrevista em 2001 a um jornal de João Pessoa, Dirceu Arnaud haja revelado que “entrei de contrabando na política de Catolé do Rocha”, não foi bem assim que as coisas se passaram. Como beneficiário dessa dinâmica de mudanças da sociedade, ainda acadêmico de Direito, o jovem Dirceu Arnaud foi eleito vereador de Catolé do Rocha nas eleições municipais de 1951 e, com o tempo, se tornaria a principal liderança oposicionista da região. Em 1954 tentou, pela primeira vez, uma vaga à Assembléia Legislativa, mas não logrou êxito. Obteve 1.160 votos, sendo que destes, 769 em Catolé do Rocha e 198 em Pombal. Teve de contentar-se com a Câmara de Vereadores, o que foi reconduzido em 1955, com 292 votos, e na condição de único representante do PSD.
Dirceu passou a ser uma pedra no caminho da família Maia. De certa feita, depois de ter atirado uma xícara de café contra o prefeito Rosadinho, Dirceu entrincheirou-se, armado de rifle, em casa para resistir ao assédio dos Maia. Em outra oportunidade, como um tiro partido da residência dos Maia atingisse, mortalmente, a um militante pessedista, o grupo de Dirceu, cercou a casa onde destacados partidários dos Maia, inclusive João Agripino, José Sérgio e Manuel Maia – entravam mas não saiam, devido aos estremecimento do cerco.
Nas eleições de outubro 1958, o jovem bacharel Dirceu Arnaud Diniz despontou e elegeu-se para a Assembléia Legislativa como terceiro da bancada do PSD, com 3.369 votos, obtendo 1.738 votos em Catolé do Rocha e 689 em Pombal. Em 1962 se reelegeu, com 2.384 votos, sendo 1.116 em Catolé e 615 em Pombal. Sempre obteve sólido enraizamento no PSD onde contava com os apoios do deputado federal Janduhy Carneiro e do senador Ruy Carneiro. Na condição de bacharel/falante e jovem, fortalecia-se a imagem de Dirceu Arnaud. Já em 1959, ao chegar à Assembléia Legislativa passou a presidir a prestigiosa Comissão de Finanças. Também, ligado à Imprensa escrita e falada, graça a anterior passagem pela redação do jornal “A União”, Dirceu foi escolhido, em 1961, o “Deputado do Ano”, pela bancada de jornalistas credenciados.
Juntamente com o seu colega deputado Humberto Lucena, Dirceu conseguiu, então, o que se considerava impossível: partir, ou seja, desmembrar os velhos municípios da Microrregião 89, emancipando Jericó, Belém do Brejo do Cruz e Riacho dos Cavalos. Em 1962, Dirceu Arnaud conseguiu, com árdua luta e apoio do senador Ruy Carneiro, a instalação da agência do Banco do Nordeste em Catolé do Rocha, reivindicada por abaixo-assinado dos comerciantes da região. Como deputado, foi autor do Projeto de Lei que determinava obrigação de se construir nas comarcas a Casa do Juiz de Direito.
Na eleição de 1960, assumiu feição rigidamente partidária com o PSD, apoiando a candidatura de Janduhy Carneiro ao Governo do Estado atraindo para o seu grupo todos que se opunham aos Maia. Estes por sua vez, apoiavam Pedro Gondim. No final dos anos 60 Dirceu deixou a política e passou a se dedicar totalmente à profissão de advogado como Procurador do IAPAS e Professor da Faculdade de Direito da UFPB.
Casado com a senhora Gizelda Carneiro Arnaud, de família tradicional de Pombal e de grande projeção no Estado da Paraíba, filha mais nova de Dr. Chateaubriand de Sousa Arnaud e Dalva Carneiro Arnaud, esta irmã do senador Ruy Carneiro e do deputado federal Janduhy Carneiro. São seus cunhados: o ex-deputado federal e ex-prefeito da Capital, médico Antônio Carneiro Arnaud, e o desembargador Raphael Carneiro Arnaud. Da união de Dirceu Arnaud e Gizelda nasceram os seguintes filhos: Marília Carneiro Arnaud, Dirceu Arnaud Diniz Filho e Janduhy Carneiro Sobrinho, os dois últimos advogados.
Dirceu Arnaud Diniz morreu em João Pessoa no dia 12 de março de 2008. Como político, foi respeitado porque soube imprimir seriedade e honestidade no desempenho da atividade política. O fulcro de sua atuação política nos deixou como legado a ação destemida em defesa da democracia, a prontidão incansável em defesa da ética. Diante do descrédito e desalento reinantes, o exemplo de firmeza e lucidez do saudoso Dirceu Arnaud Diniz é fonte de permanente inspiração.
*Jornalista, Advogado e Professor. Natal – RN.

COMENTÁRIOS DA POSTAGEM, MEU PRIMO TOZINHO!

Querido Paulo, Bela narrativa, mas sem elidir a tristeza da conclusão, com a desumanidade infectando a humanidade e fazendo da riqueza um hediondo modo de agir perante o próximo.Bj em Ana Rosa!
Um forte abraço!
Eduardo Neiva de Oliveira.
Meu amigo Paulo, não poderia ficar calado com a "saga" que você relata que o seu primo passou naquela Selva de Pedra (São Paulo). Na verdade os afortunados financeiramente que lá vivem, quase por integral, não tem coração, esnobam e sempre falaram que as comidas dos Nordestinos que estão, por terem sidos levados por falsas promessas, ofendem à digestão dos cães. Isto eu vi muito, pois, trabalhei como bancário no centro daquela cidade, e cheguei ao posto Gerente Administrativo.
Mas, por ter uma situação economicamente privilegiada, antes o salário que recebia, vivi amarguradamente naquela urbe sertaneja, pois, não conto quantos vezes ao sair do trabalho, deparava com pedintes que, de logo, no seu rosto, deixava transparecer que era mais um Nordestino que havia deixado a família a busca de melhores condições de vida para si e sua prole. E, com a negatividade do que pensava em encontrar, estava morrendo aos poucos, de frio, fome e nudez. Assim, presenciei muitos e muitos, conterrâneos se afogando na lástima da fome e da miséria. Por várias vezes, nos finais de semanas, visiteia Favela de Heliópolis e as demais periferia, juntamente com uns de meus sobrinhos, para localizar os nossos irmãos mais sofridos e passados de fome, e ofertar-lhe uma sexta básica para saciar a fome que lhe acometia. Da mesma forma, presenciei na cidade de Brasília, muitos de nossos conterrâneos passando pela situação do seu primo. Isto só demonstra a desigualdade social e má distribuição de renda. É tanto que, o Presidente Lula, apesar de certos defeitos evidenciados por certos dos comandados, tem essa virtude que lhe eternizará como uma ação voltada à eliminar a fome.
Quando implantou o Projeto de FOME ZERO, e manda destribuir aos pobres, bolsas rendas. Isto é uma grande virtude que está de modelo para o mundo. Portanto, caro amigo, sempre estou na nossa cidade de Pombal, a passeio ou a trabalho, e quando lá estiver, vou lembrar desta saga que você relata do seu primo. Mas, eu te digo, isto não aconteceu somente com o seu. Aconteceu e ainda acontecem com os nossos primos que insistem em permanecer na falsa ilusão de residir naquela selva de pedra que está se afogando nas inundações por terem invadidos os caminhos do rios Pinheiros e Tietê.
Sds.
Advogado Ronaldo Medeiros.

MEU PRIMO TOZINHO.

Paulo Abrantes (Foto)
POR PAULO ABRANTES DE OLIVEIRA*
Há poucos meses quando visitei a minha terra, Pombal, lembrei-me de Antonio Leite (Tozinho), de saudosa memória, filho de meu tio Chico Gervásio, rapaz de boa aparência, simpático, de porte físico atraente que chamava a atenção das moças de Gado Bravo. Morava nessa fazenda levando vida simples de morador rural de sítio interiorano, onde todos se conhecem e se dão bem.
Já contei esta história, diversas vezes, mas de forma oral. Agora, volto a contá-la, movido sentimentalmente assistindo histórias do programa de TV “De volta à minha terra”, e mesmo porque, o episódio mostra a reação de certas pessoas diante do infortúnio do semelhante, também filho de Deus. Exemplo francamente reprovável, que servirá para reflexões sobre o complexo comportamento humano.
Até meados do século passado, São Paulo representava o vale da promissão para o nordestino que deixava sua terra e para lá viajava em busca de emprego. Acalentava falsa ilusão pelo grande Estado, atraído pelas notícias de suas riquezas, de sua terra fértil e do mercado de trabalho que sempre recrutava mais e mais mão-de-obra para impulsionar o seu esplêndido progresso. Deixava, aqui, a esposa, os filhos e o chão seco, tostado pelo inclemente sol quente. Deixava para trás o pungente drama da seca. Dizia o ilustre senador Ruy Carneiro: “Todo sertanejo deixa a sua terra chorando. Nunca sai cantando”.
Em chegando lá, o sertanejo nordestino ia juntando seu dinheiro a duras penas, comprava primeiro seu radinho de pilha, e ia já guardando na mente a idéia de um dia voltar à terra natal. Notícias de relâmpagos e trovoadas para o lado do Norte faziam-lhe apertar a saudade danada do rincão querido. Depois daí, não conseguia resistir e, mais dia, menos dia, empreendia a viagem de volta. Bastava ouvir as canções de Luiz Gonzaga e Elba Ramalho com o seu “De volta para o meu aconchego” para o choro afrouxar.
Tozinho foi um desses intrépidos e sonhadores nordestinos que tentou a vida na grande metrópole paulista. Levou consigo apenas as mãos calejadas pelo cabo de enxada e poucos conhecimentos de ajudante de pedreiro e de pintor de paredes, adquiridos ali mesmo em Pombal, e lá enfrentou o trabalho duro. Afinal, estava em São Paulo para trabalhar.
Como esperava, não lhe faltou serviço na construção civil. Enfrentava jornada sem limite de horário e sem descanso aos domingos e feriados.
Contratado, um dia pintava a mansão de rico paulistano. “Casa de Barão”, segundo suas próprias palavras.
Como de costume, deixara a marmita com a comida a um canto da casa, despreocupado. Mas, certo dia, o cão de raça largou-se da corrente e devorou a comida de Tozinho.
A reclamação, incontinenti, foi levada à esposa do proprietário da mansão. A madame, então, virou-se nos diabos. Batia portas, gritava com empregados. Verdadeiro inferno. De vez em quando, usava o telefone.
Tozinho, de estômago vazio, aguardava o desfecho de tudo aquilo. O que lhe interessava mesmo era a reposição de sua comida. Imaginava, daí, saborear comida de gente importante.
De tanto esperar, perdeu a paciência e o acanhamento. Passava da hora do almoço e ele estava com muita fome. Humildemente, dirigiu-se à madame sobre se a comida chegaria logo.
Dela recebeu a grosseira resposta de que quem chegaria logo seria o veterinário para tratar de seu cachorro.
Entendeu, então, Tozinho que comida de sertanejo trabalhador podia matar cachorro de madame rica. E que a vida de cão daqui é diferente da de São Paulo.
*Escritor pombalense, Eng° Civil.

HOMENAGEM AO CARNAVAL 2010

SORRIA NESTE Fevereiro! MÈS MAIS ALEGRE DO ANO. "CARNAVAL"
POR CESSA LACERDA FERNANDES*
É verdade que se diga que o Carnaval é uma das maiores manifestações de alegria e animação de um povo.
É muito importante que saibamos algo da sua história.
Festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Com o passar do tempo, o carnaval passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica, o que ocorreu de fato em 590 d.C. A partir dessa adoção do carnaval por parte da Igreja, a festa passou a ser comemorado através de cultos oficiais, o que bania os “atos pecaminosos”. Tal modificação foi fortemente espantosa aos olhos do povo, já que fugia das reais origens da festa, como o festejo pela alegria e pelas conquistas,
Em 1545, durante o Concílio de Trento, na Itália, o carnaval voltou a ser uma festa popular e aproximadamente em 1723, chegou ao Brasil sob influência européia. Ocorria através de desfiles de pessoas fantasiadas e mascaradas. Somente no século XIX, foi que os blocos carnavalescos surgiram com carros decorados e pessoas fantasiadas da forma semelhante à de hoje.
A festa foi grandemente adotada pela população brasileira, o que tornou o carnaval uma das maiores comemorações do país. A esta favorável recepção, acrescentou-se as famosas marchinhas carnavalescas que incrementaram a festa e a fez crescer em quantidade de participantes e em qualidade.
O entrudo chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a Colombina, o Pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem européia.
No século XX, o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas. As músicas deixavam o carnaval cada vez mais animado. A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar. Foi criado pelo sambista carioca chamado Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá. A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatos para verificar qual escola de samba era mais bonita e animada.
O carnaval de rua manteve suas tradições originais na região Nordeste do Brasil. Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem às ruas durante o carnaval no ritmo do frevo e do maracatu.
Os desfiles de bonecos gigantes, em Recife, são uma das principais atrações desta cidade durante o carnaval.
Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região. Na cidade destacam-se também os blocos negros como o Olodum e o Ileyaê, além dos blocos de rua e do Afoxé Filhos de Gandhi.
Durante o período do Carnaval havia uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brincava a seu modo, de acordo com seus costumes. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX.
A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspirariam no Carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas.
Em 2005 o Carnaval de Salvador, Bahia, Brasil está no Guinness Book como a maior festa de rua do mundo. Recife Pernambuco, possui o maior bloco de carnaval do mundo, o Galo da Madrugada.
A festa carnavalesca surge a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra "carnaval" está, desse modo, relacionada com a idéia de "afastamento" dos prazeres da carne marcado pela expressão "carne vale", que, acabou por formar a palavra "carnaval".
E a história do Carnaval continua!
Pombal, cidade de passado bonito por sua história, de sertanejos fortes, caracteríscos Euclidiano “Antes de tudo um forte”, tem também sua história carnavalesca. Lembro-me bem, que na década de sessenta já se manifestava espírito carnavalesco naquelas pessoas que sentiam na alma os acordes de velhos tamborins e os talentosos herdeiros de músicos tradicionais, seu Zé Vicente, Zezinho Sapateiro, Benígno e Saturnino Santana, Anísio Medeiros, João Espalha, Eliseu Veríssimo, Raimundo Aristides, Adamastor Gouveia, sequenciados por Manoel de Donária, Tié, Laércio, Josafá, Rossinho, Zeilto Trajano, Ribinha, e outros que monstraram brilho na música pombalense. Todos estes tocaram com entusiasmo na Sede Operária onde eram comemoradas as detacáveis festas da nossa cidade.
Vale ressaltar, que estes músicos eram muito admirados e valorizados por outras cidades maiores. A Sede Operária foi portanto, o peimeiro Clube de Pombal onde realizavam também o São João, festas que receberam grandes destaques. Nessa época conheci alguns foliões a exemplo de Epitácio e Bilino Queiroga, Raimilson e Chico Felinto, Hercílio Bezerra, Nelito, Zezinho e Nini Silva, também Geovane, filho de Antônio Bezerra. Quando criança e jovem, tive a ventura de participar de algumas matínês carnavalescos realizados na Sede.
Num dos comentários as minhas fotos no orkut , aproveitei a deixa “o carnaval do passado tem mais história”, do casal amigo, Janjão e Betinha, concordei plenamente, pois antigamente tínhamos mais vigor de entusiasmo e animação. O Carnaval do meu tempo era muito! Na década de sessenta a meado de oitenta. Tempo em que se brincava com muita euforia e não havia nenhuma maldade, apenas descontração eliminando o cansaço ou canceira do trabalho.
Brincávamos para nos divertir aproveitando aquele feriado. Quando me casei continuei a índole de me divertir, pois encontrei meu par de animação, Bibia. Sempre gostávamos de dançar e nos divertíamos bastante e o Carnaval era especial, porque as músicas nos tocavam ao coração.
Lembro que fomos convidados para fazermos parte do tradicional Bloco Formigão, porque éramos muito animados e tudo deu certinho. Brincamos por uns quinze ou mais anos neste bloco, origem da própria família Formiga, com quem mantínhamos uma grande amizade. Este Bloco era formado por casais animadores e fortes foliões, de uma união admirável e incomparável.
Nesta foto, Eu e Bibia somos o primeiro casal da direita.
Brincar com aquela animada turma provocava prazer. Disputávamos com outro bloco tradicional, o Antártica. Eram disputas de alegorias e animação.
Para cada noite colocávamos belas fantasias e sempre éramos os escolhidos da noite. A fantasia da noite anterior exibíamos na tarde do outro dia, em Corso, isto é, desfile de carros pelas ruas da cidade. Também brincávamos no Bar Centenário animando verdadeiramente os pombalenses. Tenho o prazer de dizer que esse nosso bloco chavama a atenção de todos da nossa querida cidade. A fantasia de palhaço tinha uma prioridade para todos os anos era uma verdadeira magia. Foto de Heron e Bibia que já é outra mostra) Vejam que fantasia simbólica, Heron e Bibia. Esta de Pierrô, ( foto Pierrô) cada casal exibiu uma cor, a nossa era vinho, encantou o recinto do Ideal Clube de Pombal.
(foto de Bibia com o Montilla)Ah! Mas, como esta ninguém teve uma idéia tão brilhante, pois ele bem sabia o quanto era consumidor. Fantasia destaque PIRATAS. Estou ao lado, só que eu o deixei destacar-se com o litro de MONTILLA.
Recordar portanto, essas maravilhas que vivemos é morrer de saudade!
FELIZ CARNAVAL 2010 A TODOS.
*Poetisa e escritora pombalense Contato: cessalacerdapb@hotmail,com cessalacerda@yahoo.com.br

NOVA CRUZ RN, 21 ANOS DEPOIS - EM MEMÓRIA DE CARLOS ALEXANDRE!

CLEMILDO BRUNET*
Um fato interessante na vida da gente é algo que está traçado para acontecer mesmo não sendo ainda do nosso conhecimento e acontece; só depois nos damos conta. Nesta minha estada em Natal, nunca passou por minha cabeça a idéia de conhecer Nova Cruz, cidade onde nasceu o Cantor Carlos Alexandre. Justamente agora, depois de 21 anos de seu passamento para a eternidade, tive a oportunidade de visitar essa urbe, conhecida como a Rainha do Agreste Potiguar, atendendo convite do reverendo e advogado Enoque José de Araújo, que com seu filho Júnior mantém um escritório naquela comunidade.
Nova Cruz, município no estado do Rio Grande do Norte (Brasil), localizado na região do Agreste potiguar distante de Natal 93 Kms. De acordo com o censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano 2000, sua população é de 33.834 habitantes. Área territorial de 282 km² é uma cidade linda. Faz divisa com o Estado Paraíba e com os Municípios de Passa e Fica, Lagoa D’ Anta, Santo Antonio e Montanhas.
A história da cidade teve seu começo no século XVII quando um grupo populacional se instala a margem do rio Curimataú, surgiu uma hospedaria para abrigar os boiadeiros que conduziam seus rebanhos, vindos da Paraíba e de Pernambuco, muitos desses resolveram fixar suas moradias. No início foi chamado de Urtigal, segundo historiadores, pela quantidade de urtigas existentes no local. Teve o nome mudado depois para Anta Esfolada, por causa de algumas ocorrências acontecidas ali.
O Historiador Manoel Dantas diz: “existia no território uma anta com espírito maligno. Em determinado dia um astuto caçador conseguiu prender o animal numa armadilha. Na ânsia de tirar o feitiço da anta, o caçador partiu para esfolar o animal vivo. Mas logo no primeiro talho a anta conseguiu escapar, deixando para trás sua pele e penetrando mata adentro”.
Essa lenda aterrorizava de tal modo os moradores que denominaram o povoado de “Anta Esfolada” até que determinado dia, um missionário conhecedor de artes diabólicas e exorcismo, observando que o demônio fazia mal àquela terra, por intermédio do corpo da anta, adquiriu galhos de inharé procedente de Santa Cruz, fez uma cruz, fincando-a no ponto mais elevado do atalho por onde o animal costumava passar. A anta não mais apareceu e o povoado recebeu definitivamente o nome de Nova Cruz e no dia 15 de Março de 1852, pela Lei Provincial n° 245, foi criado o município de Nova Cruz que só em 3 de Dezembro de 1919, recebeu privilégio de cidade
O Prefeito atual de Nova Cruz é o cidadão paraibano, Flávio Azevedo Rodrigues de Aquino (foto), natural de João Pessoa – PB, Bacharel em Direito, iniciou sua carreira política em 1992 quando foi eleito Vice Prefeito de Nova Cruz. Ex-Secretário de Ação Social na gestão da Ex Prefeita Germana Targino (1997-2000), também ocupou a Chefia de Gabinete Civil no Município de Santo Antonio RN na gestão de Liliane Barbalho em 2005, tendo se afastado do cargo em 2006, retomando seus compromissos políticos em Nova Cruz. Disputou a Prefeitura de Nova Cruz por três vezes – 2000, 2004 e 2008, tendo sido vitorioso na última tentativa em 2008 com 11.950 votos, 56,11% dos votos válidos e maioria de 2.603 sobre o segundo colocado. Fachada da Prefeitura N. Cruz.
Uma das motivações para aumentar mais ainda a minha simpatia por esta cidade, é que – além de bonita e ser a terra de nascimento de um grande amigo de saudosa memória, é também a cidade que na década de 30, deu abrigo a minha bisavó paterna – Maria Belmiro Pinto Ramalho conhecida por Maria Gorda, que na época morava com seu irmão, o Padre Severino Leite Ramalho.
Pedro Soares Bezerra nome de batismo de Carlos Alexandre, nasceu na cidade de Nova Cruz Rio Grande do Norte, no dia 01 de junho de 1957 e faleceu no dia 30 de janeiro de 1989, em acidente automobilístico na estrada estadual RN93, que liga os Municípios de Tangará e São José do Campestre RN, na região da Borborema potiguar, divisa das regiões do Agreste com Trairi do Rio Grande do Norte, quando regressava para casa, de um Show que havia realizado na cidade de Pesqueira Pernambuco. Sua voz firme e eloqüente enlouquecia as mulheres e jamais o seu fã-clube o esquecerá. Entre os seus inúmeros sucessos podemos destacar: A ciganinha, Feiticeira, Arma de Vingança, Cartão Postal entre outros.
Carlos Alexandre em 1985 gravou um LP, cujo carro chefe foi à música Final de Semana; neste disco está inserida uma faixa com o título: Natal, Cidade Noiva do Sol, onde o cantor enaltece a beleza da capital do Rio Grande do norte e fala de Nova Cruz ressaltando que foi a terra onde nasceu. Se referindo a Natal, ele diz que vai ao Castelão assistir um bom futebol; coincidência ou não, em 1989, ano da morte do cantor mudaram o nome do estádio.
Um pouco dessa história:
Foi batizado inicialmente com o nome de Estádio Humberto de Alencar Castelo Branco e conhecido simplesmente como Castelão. Somente em 1989 teve seu nome alterado para Estádio João Cláudio de Vasconcelos Machado, em homenagem ao ex-presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol.
O estádio Machadão, juntamente com o ginásio Machadinho serão demolidos até o último trimestre deste ano para dar lugar ao complexo Arena das Dunas com a finalidade de sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014.
Já em Nova Cruz - Rainha do Agreste Potiguar, em um bairro nobre e num lugar elevado da cidade, há uma Via Pública com o nome de Carlos Alexandre, perpetuando sua memória para as gerações futuras.
“Eu estou distante, mas estou lembrando de você amor/ Estou lhe escrevendo com o coração partido de dor/ Pois estou sentindo uma vontade louca de beijar teus lábios, abraçar seu corpo e ficar quase morto com um beijo seu/ lhe falar de mim e não repetir a palavra adeus”...
*RADIALISTA
Natal, 10 de fevereiro de 2010.

HOSPITAL MAÇONICO - LEIA E REPASSE

O JORNAL DA REDE GLOBO MOSTROU UMA REPORTAGEM SOBRE O HOSPITAL DOS OLHOS DE SOROCABA. ESSE HOSPITAL É DA MAÇONARIA, SEM FINS LUCRATIVOS. ELE É CONVENIADO COM O SUS, E TEM CAPACIDADE PARA REALIZAR CERCA DE TREZENTOS TRANSPLANTES DE CÓRNEAS POR MÊS, POIS HÁ UM ESTOQUE DE CÓRNEAS SUFICIENTE PARA A REALIZAÇÃO DOS MESMOS. ENTRETANTO, ESSE HOSPITAL ESTÁ REALIZANDO SOMENTE CERCA DE CENTO E VINTE TRANSPLANTES POR MÊS, DEVIDO A FALTA DE PACIENTES. AS CÓRNEAS NÃO UTILIZADAS ESTÃO SENDO JOGADAS FORA POR PASSAREM DO TEMPO DE UTILIZAÇÃO / VALIDADE ! REPASSANDO DE MÃO EM MÃO, ESTE E-MAIL PODERÁ CAIR NA MÃO DE ALGUÉM QUE CONHEÇA UMA PESSOA QUE ESTÁ A ESPERA DE CÓRNEAS. ELA PODERÁ ENTRAR EM CONTATO COM O HOSPITAL OFTALMOLOGICO DE SOROCABA -SP - pelo TELEFONE - (15) 3212-7009 (15) 3212-7009 (15) 3212-7009 (15) 3212-7009 - DE 2ª A 6ª FEIRA ATENCIOSAMENTE, DR. EDUARDO BEZERRA -MÉDICO POR FAVOR, REPASSE ESTE E-MAIL. VOCÊ PODE NÃO ESTAR PRECISANDO, MAS SEMPRE HAVERÁ ALGUÉM NECESSITADO.

DIA 07 DATA ESPECIAL PRA BIBIA

BIBIA - ANIVERSARIANTE.
FEVEREIRO, DIA 7, DATA ESPECIAL!
Há quem diga que o mês de fevereiro é o mais alegre e divertido do ano. Sabemos também que é mês de Carnaval, que por si só já traduz folia e animação. Para mim este mês expressa grande significado e simbologia. Significa o mês de nascimento da pessoa que mais amo, e que tornou-se símbolo do meu amor.
Gostaria de dizer que desde o dia que o conheci, ele tornou-se muito especial para mim e sempre será porque tem um lugar reservado no meu coração. O seu valor não se mede pelo que tem, mas pelo que é, pelo seu interior de caráter, pela forma admirável de agir com sinceridade e fidelidade para com todos, características dos grandes homens. Somos felizes porque nos amamos e nos compreendemos. Sabemos enfrentar todos os obstáculos com a força de Deus Pai.
O mês de fevereiro também nos atraiu pelos momentos de lazer em época carnavalesca pois gostávamos de nos divertir para superar a incansável labuta. Muitas vezes o dia 7, seu aniversário, coincidia com o carnaval e a nossa alegria ainda era maior. Lembrar este tempo é sentir saudades! Parabéns meu querido pelo seu aniversário e muitas felicidades para sempre. Beijos mil de quem o admira e ama! Cessa Lacerda Fernandes Poetisa e escritora pombalense. Contato: cessalacerdapb@hotmail.com cessalacerda@yahoo.com.br.
JÚNIOR: Parabéns Bibia, Painho, pessoa especial e de muita luz; neste 07 de fevereiro, completas 71 anos de vida, e eu louvo ao nosso DEUS, por ter me dado a honra de nascer neste lar de luz, paz, amor e fraternidade; ter como Genitor este ser humano inigualavel, de um caratér inabalavel que nos fez ver o mundo de uma forma exemplar, ressaltando o amor a DEUS, A FAMILIA E AO PRÓXIMO, nos dando lições ferteis de CARÁTER, HUMANIDADE, HONESTIDADE E PRINCIPALMENTE RESPEITO. PARABÉNS UM BEIJO NO SEU CORAÇÃO E UM T.´.F.´.A.´. E QUE A G.´. DO G.´.A.´.D.´.U.´., VOS ILUMINE E GUARDE.

LIMITE DA PERSEVERANÇA!

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Estaríamos nós capacitados para atingirmos o limite da perseverança? Faço a indagação em razão do que já foi dito por aí, que o latino americano por ser imediatista quer as coisas na hora. Vivendo desse modo, muitas vezes a lamentação ou a murmuração ocupa espaço quando nossa pretensão não é aceita ou não atende o que é de nosso interesse e deixa de satisfazer nosso ego. Alguém poderia também perguntar qual seria o limite da perseverança ou até que ponto a espécie humana estaria disposta a perseverar diante dos ventos que sopram contrários a ela? Não somos donos absolutos da verdade, no entanto, Deus no dar força e inteligência para a conclusão de nosso raciocínio.
Segundo Aurélio, perseverança é qualidade ou procedimento de perseverante; pertinácia, constância, firmeza. O limite da perseverança é encontrado quando toda força humana se esvai para uma total dependência de Deus. A Bíblia nos fala na carta de Paulo aos Romanos no capítulo 5: 3,4 e 5, da regra e compasso para isso, afirmando que nos gloriamos nas próprias tribulações, na certeza de que atribulação gere ou faça produzir em nós a perseverança e esta por sua vez experiência, obtendo finalmente o resultado satisfatório da esperança. Então é assim: Tribulação + perseverança + experiência = esperança.
O Apóstolo Tiago corrobora com este pensamento de Paulo quando diz: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação de vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança”. Tg.1:2 e 3. No versículo 12 ele afirma: “Bem aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam”.
No começo foi difícil aceitar que estava precisando de um tratamento clínico em Natal, mas, depois de enfrentar tantas lutas e adversidades, aos poucos fui me adaptando à situação, até alcançar o momento que estou vivendo. Foram nove viagens, iniciada em julho do ano passado até janeiro deste ano a capital potiguar, para obtenção de uma vaga em uma fila que parecia interminável, a fim de cumprir a última etapa de meu tratamento, a RADIOTERAPIA CONFORMACIONAL, que, diga-se de passagem, feito por uma das unidades da Liga Norte Rio-Grandense Contra o Câncer, Centro Avançado de Oncologia – CECAN, único em Natal com esta especialidade no Nordeste.
Há um ditado que diz: “Todo começo são flores” quando se fala nisso, lembramos sempre das coisas boas que acontecem na vida e que depois podem virar espinhos. Para ilustrar o que eu estou afirmando, é que as coisas boas não nos causam transtornos no seu início, totalmente diferente quando as tempestades nos assolam trazendo-nos circunstâncias as quais não queremos e que mexe com o nosso emocional.
Mesmo assim, com paciência e resignação o nosso pensamento nos leva a uma realidade que está explícita na Bíblia: “O próprio Deus nos preparou para isto”. 2Co 5:5b. No início deste capítulo, Paulo está falando da nossa casa terrestre deste tabernáculo (corpo), se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eternas, nos céus. Arremata o apóstolo que estejamos sempre de bom ânimo.
Não podemos fugir dos sofrimentos impostos pela vida, mas Deus nos dar o instrumento pelo qual possamos suportar esses reveses, daí o cristão ter um referencial que o diferencia de quem não tem e que se chama perseverança.
Um fato me chamou atenção nesta semana no hospital onde estou sendo assistido. Enquanto aguardava ser chamado para uma consulta com a médica e mostrar uns exames, assistir a agonia de um cidadão já de idade, em uma cadeira de rodas, aguardando ser chamado; em seu rosto a revelação de quanto estava padecendo, torcia o rosto para um lado e outro, movimentava as pernas, vez por outra levava um saco plástico à boca e soltava saliva. Seus netos e outras pessoas da família procuravam consolá-lo com afagos e beijos, além de massagens em seus pés para melhorar a circulação, tudo isso em um prazo de quase quatro horas de espera.
Entretanto, despretensioso, eu aguardava pacientemente a minha chamada como se estivesse em outro lugar qualquer, sentindo-me a vontade, sem nenhuma preocupação em relação ao que estava esperando. Uma sensação tão gostosa de tolerância em esperar, que até me esqueci porque estava ali. Cheguei de 08 horas da manhã, minha consulta era às 09 horas, no entanto, só fui atendido ao meio dia.
Tenho plena convicção que essa paciência operada em mim veio da parte do Altíssimo. Creio que pelo menos nesses momentos, eu cheguei ao limite da perseverança, pois mesmo diante de tanto tempo de espera, senti-me na total dependência de Deus.
*RADIALISTA.
Natal, 03 de fevereiro de 2010.