CLEMILDO BRUNET DE SÁ

MÊS DE AGOSTO


CLEMILDO BRUNET*

O mês de agosto tem sido tratado de modo pejorativo com as várias qualificações que lhes são atribuídas, advindas de superstições e crenças populares, oriundas de culturas diferentes. Conta-se que o Imperador romano César Augusto, não querendo ficar atrás de Júlio Cesar, que também havia criado o seu mês, (julho com 31 dias), resolveu criar também o mês de agosto em sua homenagem numerando de igual modo 31 dias. Agosto, do latim Augustus, é o oitavo mês do calendário Gregoriano.

Não existe nenhuma explicação aplausível para que o mês de agosto seja considerado um mês azarento, chegando a ser chamado de mês do cachorro doido, da bruxa na aviação, das fantásticas noites do terror ou do desgosto, porque rima com agosto, ou até mesmo em razão de muitos acontecimentos funestos da história, que tenha se dado no calendário que assinala os seus dias, embora se saiba que muita coisa ruim acontece em todos os meses do ano.

Entretanto, ninguém sabe dizer porque, como e quando agosto começou a ser um mês azarento. Cesar Augusto chegou ao ápice de sua carreira como imperador romano, fatos importantes foram registrados em sua vida, sendo os principais, a conquista do Egito e a sua elevação à dignidade de Cônsul; razão pela qual os romanos deram o nome ao mês de Agosto em homenagem ao imperador.

Na época em que as expedições de Portugal zarpavam em buscas de outras terras, as mulheres portuguesas nunca casavam no mês de agosto. Casar em agosto era não ter lua de mel, e às vezes até ficar viúva. Essa crença foi trazida pelos colonizadores para o Brasil. O que se tem certeza, é que a crença popular sobre o 8º mês do ano, não é somente um ditado que rima com a palavra desgosto; é, também, uma superstição internacional de grande aceitação em nosso meio, destacando-se em nosso país de modo particular a região Nordeste.

Mesmo existindo pessoas que não dão créditos a essas superstições, no mês de agosto; muitos não se mudam, não se casam, não viajam e não fazem negócios de jeito nenhum. Já na Alemanha as mulheres não acreditam nessas histórias, enquanto em muitos países maio, é o mês das noivas, lá as moças sonham em casar no mês de agosto. Na Argentina, não é aconselhável lavar a cabeça durante o mês de agosto. Quem lava a cabeça neste mês está chamando a morte.

Embora muitos infortúnios tenham se registrado neste mês, por outro lado, é preciso levar em considerações as ocorrências boas, que se deram no mês de agosto. Várias datas significativas são comemoradas neste mês. O Dia do estudante e da TV 11 de agosto, dos pais no segundo domingo do mês, do soldado dia 25, em 14 de agosto comemora-se o dia de combate a poluição, e o dia do feirante marcado pela realização da 1ª feira livre no país, no Largo General Osório, em São Paulo em 25 de agosto de 1914.

O dia 1º de agosto comemora-se o dia da emissão do primeiro selo postal brasileiro que entrou em circulação já a partir dessa data. 03 de agosto de 1988 – fim da censura implantada em nosso país pelo regime militar. Nesta data, portanto, Assembléia Constituinte conseguiu extinguir a censura no Brasil, após os longos anos de sua implementação; determinando o fim da tortura, aprovando a liberdade intelectual de expressão e de imprensa no país. Em seu artigo 5º a Constituição brasileira autoriza a demonstração e as manifestações de cidadania que cada brasileiro pode gozar no pleno exercício dos seus direitos.

Outros fatos curiosos da história e de grande relevância, ocorridos no mês de agosto que merecem destaque:

Dia 29/81825 – D. João VI, rei de Portugal, assinou um tratado reconhecendo a Independência do Brasil, proclamada por seu filho dom Pedro três anos antes. O acordo previa o pagamento de uma indenização de 2 milhões de libras esterlinas aos portugueses, além de garantir a dom João VI, o direito de usar o título de Imperador honorário brasileiro.


Dia 27/1859 – Maquinista aposentado, o americano Edwin Drake faz a primeira perfuração com sucesso de um poço de petróleo, a uma profundidade de cerca de 21 metros, na Pensilvânia. A descoberta foi o impulso para a exploração comercial do petróleo no mundo. Cinco anos mais tarde, 543 companhias dedicadas à atividade já atuavam nos Estados Unidos.


Dia 23/1877 – Com o objetivo de melhorar as oportunidades de exportação, os britânicos usam pela primeira vez no mundo a expressão Made In england. A idéia também era diferenciar os produtos da Grã-Bretanha dos de outros países, como os da Alemanha. Desde então, o termo passou a designar a procedência de toda a produção que é comercializada no exterior.


Dia 09/1992 – Sem perder nenhuma partida durante a competição, a seleção brasileira de vôlei, vence os holandeses por três sets a zero e conquista a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona, na Espanha. Ao todo, o time teve oito vitórias e foi derrotado em apenas três sets. Foi a primeira vez que os brasileiros subiram ao topo do pódio em um esporte coletivo durante uma Olimpíada.

Para concluir sobre o mês de agosto, me permitam enumerar algumas celebridades que nasceram neste mês: Bruna Lombardi - 01 de agosto, João Kléber - 02 de agosto, Barack Obama - 04 de agosto, Caetano Velloso - 07 de agosto, Preta Gil - 08 de agosto, Fábio Assunção - 10 de agosto, Marcello Novaes - 13 de agosto, Glória Maria - 15 de agosto, Madonna - 16 de agosto, Robert De Niro - 17 de agosto, Elba Ramalho - 17 de agosto, Marcos Palmeira - 19 de agosto, José Wilker - 20 de agosto, Murilo Rosa - 21 de agosto, Rodrigo Santoro - 22 de agosto e muitos outros.

*RADIALISTA
Contato: brunetco@hotmail.com
Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

A IMPRESSIONANTE INFLUÊNCIA VOCABULAR DA LITERATURA


W. J. Solha

Escritor, dramaturgo, ator e poeta paulista,

radicado na Paraíba.

wjsolha@superig.com.br

A IMPRESSIONANTE INFLUÊNCIA VOCABULAR DA LITERATURA

Tornou-se lugar-comum, na imprensa, reportar fatos como o acidente com o avião da TAM, que matou 162 passageiros, ou o deslizamento de terra no Morro do Bumba, em Niterói, como “tragédias anunciadas”, influência evidente do belo título que é o Crônica de uma Morte Anunciada, de Gabriel García Márquez. Claro que isso não é de hoje. Todo sujeito ciumento é um “Otelo”, desde que Shakespeare escreveu a peça a respeito do suplício do Mouro de Veneza. Todo homem excepcionalmente forte é um “Hércules”, desde que Eurípedes encenou a tragédia Heracles entre os gregos, Sêneca levou ao palco o Hércules sobre o Eta, entre os romanos. Do mesmo modo, toda viagem ou percurso repleto de percalços passou a ser “uma odisséia”, desde que Homero escreveu a história de Ulisses, cujo nome grego era Odisseu. Daí 2001 – Uma Odisséia no Espaço, o filme de Stanley Kubrik – daí Ulisses, o famoso romance de James Joyce, que consome cerca de 800 páginas pra contar o que foi um dia – 16 de junho de 1904 - na vida de um certo dublinense chamado Leopold Bloom. Se esse caminho, porém, é de mais sofrimento do que aventura, o rótulo é o de “via-sacra”, “via-crúcis” ou “calvário”, por conta do peso do texto evangélico, que transformou, também, todo traidor em “judas”, toda vítima em “cristo”, todo mau caráter em “judeu”, toda maldade humana em “judiação”, todo homem caridoso em “bom samaritano”, todo fim do mundo em “apocalipse”. Do mesmo modo, abrindo para o Velho Testamento, todo começo de qualquer coisa é “gênesis”, todo assassino é um “Caim”, todo lugar maravilhoso é um “paraíso”, toda debandada é um “êxodo”, toda enchente é um “dilúvio”, todo vidente é um “profeta”, toda figura com salvadora liderança é “messiânica”, toda decisão sábia é “salomônica”, todo embate desproporcional, tipo camundongo Jerry contra o gato Tom, Oliveiros contra Ferrabrás, Vietnã versus Estados Unidos, é uma luta de “Davi e Golias”.

Quem nunca classificou alguma cena terrível de “dantesca”, por conta da Divina Comédia de Dante? Quem nunca chamou o herói de uma causa perdida – como Vitorino Papa Rabo, de Zé Lins; ou o Príncipe Michkin, de Dostoiévsky - de “quixotesco” devido à obra de Cervantes? Quem nunca disse que um sujeito em dúvida terrível é “hamletiano”? Caramba, já vi muita gente demasiado séria ser chamada de “Dom Casmurro”, por causa do livro de Machado de Assis. E de “masoquista”, devido ao romance A Vênus de Peles , de Leopold Ritter von Sacher-Masoch, no qual um personagem somente chega ao orgasmo depois de surrado pelo amante da esposa. Claro que você acaba de se lembrar de que “sádico”, se deve ao Marquês de Sade e a seus romances – como Os 120 Dias de Sodoma. Do mesmo modo, “pantagruélico” é o comilão por excelência, desde que Rabelais escreveu seu romance Pantagruel, e “acaciana” é sempre uma figura pública tipo Conselheiro Acácio,pseudo-intelectual pomposo, desde que Eça de Queirós escreveu o romance O Primo Basílio.

A quanto mulherengo já demos o nome de “casanova”, devido ao libertino escritor Giácomo Casanova, que – segundo afirma nos vinte e oito volumes de suas memórias – enumerou cento e vinte e duas mulheres que possuiu ao longo da vida! Ou de “Don Juan”, por causa do personagem fictício que, por suas inúmeras conquistas amorosas, compareceu em várias obras de arte, como a peça Don Juan Tenório, de José Zorrilla, e a ópera Don Giovanni, de Mozart!

Um dos casos mais famosos de apropriação desse tipo é o de Freud, que viu no personagem clássico de Sófocles – Édipo Rei – o protótipo do portador do complexo emocional que envolve amor e ódio na relação filho-mãe-pai, tendo Gustav Jung estabelecido a mesma relação filha-pai-mãe no Complexo de Eletra, partindo das peças de Sófocles e Eurípedes que contam como essa personagem matou a mãe, Clitemnestra, pra vingar a morte do pai, Agamênon.

Quanta História por trás de cada palavra! (26-07-2010)

ATENÇÃO!

W. J. Solha oferece seu romance "Relato de Prócula" a quem se interessar por ele. Basta que mande nome e endereço para wjsolha@superig.com.br que receberá o livro pelo correio, sem qualquer despesa.

A PACIFICIDADE DO PASTOR JÔNATHAS...

CLEMILDO BRUNET*

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Jesus Cristo).

Em meados dos anos sessenta chegava a Pombal o Rev. Jônathas Barros de Oliveira, para pastorear a Igreja Presbiteriana, pioneira na missão de levar o evangelho puro da graça de Cristo em nossa cidade. Aos poucos, a sociedade pombalense pode sentir na presença desse homem, o carisma que lhe era peculiar, a ponto de conquistar a amizade do Padre da freguesia, o Monsenhor Oriel Antonio Fernandes. A amizade que essas duas lideranças religiosas cultivavam era de tal maneira, que chegou a ser motivo de admiração de muitos, e de espanto e rejeição de alguns. Na ocasião em que o Sacerdote romano foi acometido de uma enfermidade terminal, o Pastor Jônathas sempre o visitava, trazendo-lhe uma palavra de conforto, outras vezes, monsenhor Oriel mandava chamá-lo para conversar.
Houve uma época em que a Igreja católica Romana perseguia os chamados crentes ou protestantes. O Pastor Jônathas Barros, foi uma das vítimas desse movimento perseguidor da Igreja, quando na década de cinquenta, pastoreava a Igreja Presbiteriana de Patos. Conta o repórter Euclides Cavalcante Macedo do Jornal Brasil Presbiteriano:
Era noite do dia 28 de junho de 1958 e estava tudo pronto para a missa começar do lado de fora da Igreja de Santo Antônio... O povo, anteriormente já instigado e inflamado pela liderança católica contra os evangélicos, partiu em direção à Igreja Presbiteriana em Patos, que ficava a cerca de quinhentos metros de distância, e a destruiu...
O fotógrafo profissional Adgerson de Morais Porto, que à época tinha 28 anos, gravou espontaneamente uma entrevista conosco. Ele não perde a oportunidade para afirmar que era “o fotógrafo oficial” dos eventos paraibanos, que fotografou várias inaugurações, inclusive as passagens do então presidente Getúlio Vargas pela Paraíba.
Depois que a turba enfurecida partiu da Igreja Presbiteriana, Adgerson Porto pegou sua câmara fotográfica e foi por conta própria fotografar a bagaceira.
“Era de dar dó. Uma coisa muito triste. A igreja estava toda queimada, por dentro e por fora, o teto tinha vários rombos, nas paredes estavam escritos palavrões e desaforos aos crentes. Toda a bancada, o púlpito, a mesa, as portas e as janelas foram jogadas para fora da igreja e consumidas pelas chamas. Fotografei tudinho e entreguei algumas fotos ao pastor Jônatas Barros de Oliveira e não tenho mais os negativos”.
Arnaldo Ferreira do Nascimento, que na época morava na rua 18, em Patos, participou do motim levando um motor para atiçar fogo na madeira que estava sendo retirada do templo. Arnaldo, algum tempo depois, se converteu e hoje é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, no estado de São Paulo. Glória a Deus!
O pastor Jônatas Barros de Oliveira foi ameaçado de morte e fugiu de trem para a cidade de Pombal. O irmão em Cristo José de Sá lembra-se daquele dia: “Fui eu que apanhei o pastor Jônatas, em fuga, na cidade de Pombal e o transportei de jumento até um sítio. O pastor continuou pregando pelos povoados próximos, sempre levando nas mãos uma latinha com as cinzas da Igreja Presbiteriana em Patos. Ele mostrava as cinzas e dizia: destruíram o templo, mas não a igreja”.
Apenas tornando uma longa história curta, alguns anos mais tarde, o templo foi reconstruído no mesmo local do anterior e hoje a Igreja Presbiteriana em Patos conta com quatro congregações, um ponto de pregação, além de uma escola./ site: chamada.com.br

JÔNATHAS BARROS DE OLIVEIRA -nascido em 25 de Julho de 1928, natural de Garanhuns Pernambuco, RG 55.897 – IPTP, filho de Antonio de Barros Sobrinho e Cândida de Oliveira Barros, e doze irmãos. Foi casado com Ruth Carneiro Barros (saudosa memória) e tiveram seis filhos: Rutilene Carneiro Barros, Jailson Carneiro Barros, Jônathas Barros de Oliveira Júnior, Willian Wilson Carneiro Barros, Janildo Carneiro Barros e Mirna Carneiro Barros. Formado no Curso Ministerial, no Seminário Presbiteriano do Norte do Brasil, em Recife PE. Formado no Curso de Teologia na Faculdade de Teologia do Recife/PE; formado no Curso de Rádio e Emissão e Radioamadorismo, em João Pessoa/PB. Formado no Curso Comercial e Técnico em Inglês.
Foi professor de inglês no Colégio Robert Simonses, em Patos/PB; professor de inglês por um ano, nos Colégios Josué Bezerra e Diocesano de Pombal e ainda desde a fundação professor de Inglês do Colégio Estadual de Pombal exercendo também a função de vice-diretor do turno noite; ex-vice diretor do Colégio Polivalente na sua fundação; fez a compilação de apostilas áreas 1,2,3 para curso pré-vestibular, cujas aulas foram ministradas em João Pessoa. Professor de teologia das Escolas Dominicais, em Patos, Pombal e Sousa, Paraíba e Alexandria no Rio G. do Norte. Realizou pesquisas sobre a psicologia carcerária (forense e Carcerária); foi Diretor do Instituto Acelino de Carvalho em Pombal/PB, Secretário Executivo do Presbitério da Borborema com sede em Campina Grande; primeiro Diretor Superintendente da Rádio Maringá AM; foi pastor das Igrejas Presbiterianas de Patos, Pombal, Sousa, Imburaninha, Betel, Betânia, Campina Grande, João Pessoa na Paraíba, Lagedo e Canhotinho em Pernambuco.
Atuou também como Diretor da sub Seccional da Labre em Pombal na Paraíba; tendo sido membro do Conselho do Movimento de Alfabetização (MOBRAL); Foi Presidente do Rotary Clube de Pombal; Radioamador sob o prefixo PY-7 AWL; exercendo ainda outras atividades como: Presidente dos Conselhos das Igrejas as quais foi pastor; Presidente fundador da Associação Evangélica Cultural de Patos ACEP; relator da Comissão Organizadora da Igreja Presbiteriana de Patos e fundador da União de Homens Presbiterianos da mesma cidade; participou ativamente de um Congresso em favor do pobre e flagelado em Fortaleza, promovido pela Missão Americana do Norte do Brasil; Pastor Missionário pela The North Presbyterian Mission Of Brazil, durante cinco anos entre o Sertão da Paraíba e o Estado do R. G. do Norte e ex presidente da União de Moços Presbiterianos de Garanhuns/PE. Faleceu no dia 27 de janeiro de 1996, vítima de insuficiência múltipla dos órgãos no Hospital Edson Ramalho e foi sepultado no Cemitério São José – Bairro Cruz das Armas em João Pessoa – PB.
O Reverendo Jônathas ou Pastor Jônathas como era conhecido, foi alvo de muitas homenagens nas comunidades e igrejas por onde passou. Em João Pessoa, por exemplo, tem uma rua no bairro dos bancários - cidade universitária com o seu nome. Rua Pastor Jônathas Barros de Oliveira. Quando foi pastor da Igreja Presbiteriana de Betel, localidade hoje que pertence ao Município de São Domingos de Pombal, nos idos dos anos sessenta, instalou um serviço de radiofonia naquele lugar denominando de Rádio Betel, por sinal, foi muito ouvida na região e sua programação era restrita tão somente a programas evangélicos e transmissões do culto. Em 1966 adquiri essa emissora e instalei em Pombal com o nome: “A Voz da Cidade”.
Pouco tempo depois o pastor Jônathas veio morar em Pombal. Aqui ele fixou residência com a família chegando a construir uma casa nas proximidades da sede do antigo DNER. Em 1982, candidatou-se a Prefeito de Pombal na segunda sublegenda PFL 2, tendo como companheiro de chapa para vice prefeito, o cidadão João Ferreira de Almeida. Não logrou êxito nas eleições, pois havia entrado para disputa apenas pra ajudar o partido, cuja chapa majoritária formada por Ademar Pereira e Epitácio Vieira de Queiroga para Prefeito e Vice respectivamente, pelo PFL 1, perdeu as eleições para o então candidato a Prefeito Levi Olimpio.
1969 - início da chegada do sinal de TV, invento idealizado pelo Pastor Jônathas Barros de Oliveira (saudosa memória), através da construção de uma antena rômbica como ele costumava chamar. Dr. Nelson da Nóbrega, Professor Arlindo, Raminho, Vicente Farias, W. J. Solha e outros com o apoio da Administração municipal na pessoa do Prefeito Atencio Bezerra Wanderley colaboraram para por em execução esse projeto audacioso para época, pois o sinal a ser recebido era oriundo da extinta TV TUPI, a uma distância de Pombal, cerca de 500 km, na capital pernambucana.
Na sua forma embrionária o sinal era precário; depois com novas investidas foi se aperfeiçoando, o certo é que grande parte da população de Pombal subiu até o alto do Cruzeiro próximo da adutora elevatória da Cagepa, para assistir em um televisor preto e branco de propriedade de Raminho, a chegada do homem à lua.
Pombal ainda pequeno na sua extensão urbana com o número de moradores reduzido em relação ao que é hoje teve o seu momento de euforia e orgulhosa assistiu as imagens transmitidas pela Nasa para o mundo inteiro.
Lembro-me do Pastor Jônathas Barros de Oliveira em suas prédicas na Igreja Presbiteriana de Pombal e outros locais de reuniões, exaltando a capacidade que Deus deu ao homem a ponto de conquistar o espaço sideral e chegar à Lua, citando passagens bíblicas como o salmo 8 que diz assim: “ Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda terra é o teu nome... Quando comtemplo os teus céus obras dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem que dele te lembres e o filho do homem que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob os seus pés tudo lhe puseste; ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves dos céu, e os peixes do mar, e tudo que percorre as sendas dos mares. Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda terra é o teu nome”. Segundo o Pastor Jônathas as palavras deste salmo foram deixadas escritas em uma placa no solo lunar, pelos astronautas americanos.
Excelente professor de inglês, o Pastor Jônathas era muito querido por seus alunos(as), muitas vezes foi visto percorrendo as ruas de nossa cidade sorrindo e brincando como criança com todos eles. 25 de julho lembra mais uma data de seu nascimento, se vivo estivesse estaria completando 82 anos. É com gratidão e profundo sentimento de saudades que lhe presto este tributo, em reconhecimento aos seus feitos em nossa cidade durante duas décadas consecutivas.
Hoje ele pertence à galeria dos heróis da fé, entre os que a Bíblia se refere: “Homens dos quais o mundo não era digno...” Hb. 11:38a

*RADIALISTA
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LANÇAMENTO DO DVD MEU POMBAL FEZ SUCESSO E REPERCUTE NA CIDADE!


Foi lançado na noite de 21.07.2010, um DVD com homenagem feita a POMBAL pelos seus 148 anos onde a Poetisa, Escritora, Artista Plastico, Presidente da Acadêmia de Letras de Pombal, Membro da Acadêmia de Poesia da Paraiba a Profa. MARIA DO BOM SUCESSO LACERDA FERNANDES (D. CESSA), ela apresenta em videos, fotos, texto, poesias, canções, teatro os valores da terra, apresentando figuras ilustres e importantes que deram sua contribuição a cultura de POMBAL como tambem de nosso país. Com esta homenagem a profa quis parabenizar sua terra natal e dar incentivo aos artistas da terra a serem ousados como ela o é e abrir os olhos dos seus conterraneos para lutarem em favor da divulgação da CULTURA, ARTES e juntos buscarem o poder público, entidades de classe e todo aquele que ama POMBAL e sua cultura , lutando por recursos a serem investidos e um maior espaço para que os valores da terra sejam aplaudidos e valorizados.

A solenidade contou com a presença de vereadores, pessoas ligadas a cultura e arte de Pombal, familiares, amigos e o povo em geral que ama eventos culturais.

Em nome da minha familia e da minha Genitora D. Cessa Lacerda, nós agradeçemos de coração a todos que contribuiram e prestigiaram para o SUCESSO deste belo evento que permanecerá escrito na história de Pombal.
Francisco Fernandes da Silva Júnior
Jr da Farmácia

CESSA LACERDA ARRANCA APLAUSOS NO LANÇAMENTO DO POEMA - MEU POMBAL!



CESSA LACERDA ARRANCA APLAUSOS NO LANÇAMENTO DO POEMA – MEU POMBAL!

NOSSAS FELICITAÇÕES A POETISA E ESCRITORA POMBALENSE CESSA LACERDA FERNANDES, PELA BRILHANTE IDEIA DE HOMENAGEAR A PASSAGEM DOS 148 ANOS DE POMBAL, COM O POEMA: “MEU POMBAL” EM DVD – TRABALHO ARTÍSTICO-LITERÁRIO, UM MONUMENTO HISTÓRICO PARA A GERAÇÃO ATUAL E FUTURA.
O EVENTO FOI BASTANTE PRESTIGIADO POR AMIGOS E ADMIRADORES DA POETISA E  ESCRITORA, ONTEM DIA DA CIDADE, NA PRAÇA MONSENHOR VALERIANO PEREIRA – CENTRO DE POMBAL, OCASIÃO EM QUE ARRANCOU MUITOS APLAUSOS DOS PRESENTES.
PARABÉNS POMBAL! PARABÉNS CESSA!

21 DE JULHO - A CIDADE DE POMBAL


Verneck Abrantes*

Deusdedit Leitão, em discurso proferido a 20 de julho de 1962, no auditório da antiga Escola Normal Arruda Câmara, como parte das festividades comemorativas do primeiro Centenário da Elevação de Pombal a Categoria de Cidade, entre outras partes do texto, ressalta:

...”Se instalou na Paraíba a 14ª Legislatura da Assembléia Provincial, da qual faziam parte alguns nomes mais ligados à Vila de Pombal, como o juiz de Direito Dr. Manuel Tertuliano Thomas Henriques, o Promotor Público Dr. Manuel da Fonseca Xavier de Andrade, o Dr. José Paulinho de Figueiredo, o político piancoense Dr. João Leite Ferreira e o Dr. Aurélio da Costa Vilar, também residente em Patos. Os três primeiros eleitos pelo primeiro distrito e os outros reconhecidos deputados pelo segundo distrito, do qual Pombal era um dos Colégios eleitorais de maior expressão.

Poderíamos supor que algum desses nossos representantes tivesse tomado a iniciativa de postular pela elevação de Pombal à categoria de Cidade. Tal, porem não aconteceu (...).

Mesmo que alguém se detenha no exame mais demorado de nossa sociologia política fica sem perceber os motivos que levaram o Dr. Augusto Carlos de Almeida e Albuquerque a apresentar o projeto de Lei que deu foros de cidade a Pombal quando outros mais ligados a vossa terra por maior afinidade regional não atentaram para essa legítima aspiração dos vossos antepassados.

O Dr. Augusto Carlos de Almeida e Albuquerque, bacharel de 1856 pela faculdade do Recife, era natural de Mamanguape. Filho do Comendador Francisco de Almeida e Albuquerque e de Dona Maria Joaquina de Albuquerque, de ilustrada família do brejo paraibano a que chamaríamos de aristocracia do açúcar. Foi deputado provincial em várias legislaturas e exerceu a magistratura com juiz Municipal de Mamanguape, onde residiu como proprietário do Engenho Veloso. Foi, posteriormente, juiz de Direito de Ingá, sendo transferido dessa comarca para a de Camaragibe, em Alagoas.

O Projeto de Lei que elevou Pombal à categoria de Cidade, apresentado à Assembléia Legislativa teve sua primeira leitura na sessão de 20 de junho. No dia seguinte, após a segunda leitura, recebeu o número 11. A 14 de julho foi aprovado em primeira discussão, a 17 em segunda e, finalmente, em terceira, a 18, sendo enviado à Comissão de Redação. Na sessão do dia 19 o Dr. Tertuliano fê-lo voltar à mesa com a redação final que foi aprovada, subindo à sanção presidencial, o que se deu a 21 de julho de 1862 quando o presidente Francisco de Araújo Lima o converteu na Lei número 63. Estava assim realizada uma aspiração acalentada por várias gerações. Pombal conquistara a desejada vitória que ia colocá-la em pé de igualdade com Sousa, Areia e Mamanguape. Mas quem era esse Presidente que ligou o nome a história de Pombal?

O Bacharel Francisco de Araújo Lima era cearense. Exerceu atividade política em sua província que o elegeu à Assembléia Geral, foi magistrado e governou a Paraíba de 18 de maio de 1861 a 17 de fevereiro de 1864, realizando uma das mais criteriosas administrações do período monárquico. Foi um grande amigo da população durante a epidemia do cólera-morbus e tratou da questão de limites entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Que o povo de Pombal guarde o seu nome, perpetuando através dos tempos a memória daquele que elevou Pombal com o predicamento de Cidade.

Aqui o povo saiu às ruas para comemorar a sua vitoria com incontido entusiasmo. As subscrições populares se sucediam no anseio das festas e os bailes na manifestação da justa alegria. O Jornal da PARAHYBA noticiava que “em Pombal era excessivo o contentamento pelos atos de justiça que a Assembléia prodigalizara para com os seus habitantes, já elevando a Vila à categoria de Cidade, já autorizando o provimento efetivo da professora interina e já restabelecendo a cadeira de latim” (...). A professora era Delfina Gonçalves de Sousa Barros, que vinha prestando assinalados benefícios à causa do ensino pombalense.

A Vila, na sua configuração urbana, ia pouco além do quadrado da matriz, com duas pequenas ruas que despontavam à beira da estrada. Mas aqui vivia uma sociedade de adorável convívio, entregue às delicias dos saraus e às bisbilhotices dos serões nas velhas calçadas de Lages.”

Pombal, 147 anos nos separa da epopéia da sua elevação ao Status de Cidade. Essa terra, graciosa e saudosa, os teus filhos, presentes e ausentes, a tem com todas as forças do coração. Que essa data seja revigorada de alegria, harmonia e de uma grande confraternização entre os filhos, filhas e amigos (as) da nossa terra mãe. Como disse Antonio Ferreira Cascudo: “Eu desta gloria só fico contente”.

Portanto, em 2010 Pombal comemora

312 anos de Fundação

238 anos de Vila e Emancipação Política

148 anos de elevação à categoria de Cidade



OS PRIMEIROS NOMES: POVOAÇÃO E ARRAIAL.

Segundo o historiador, Wilson Nóbrega Seixas, o primeiro nome de Pombal como sendo “Arraial de Piranhas”, fundado por Teodósio de Oliveira Ledo em 1698, não corresponde à verdade geográfica e histórica dos fatos, inclusive Seixas reconhece que existe vários equívocos na primeira edição do seu livro; “O Velho Arraial de Piranhas (Pombal)”, escrito em 1962. Wilson diz que quando iniciou suas pesquisas, se baseou, infelizmente, em vários livros de autores paraibanos que não traziam a verdade dos fatos. Anos mais tarde, ao verificar isso, se debruçou nos registros dos livros mais antigos dos cartórios de Pombal, fazendo o aprofundamento de novas pesquisas, foi além do Município e encontrou duas cartas no Núcleo de Documentação Histórica da Paraíba, extraídas do Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, que comprovam os equívocos antes da localidade ter sido chamada de vila. Na conclusão dos seus trabalhos de pesquisa, segundo Wilson Seixas, o primeiro nome de Pombal, fundada em uma imensa região, conhecida como Sertão das Piranhas, teria sido Povoação do Piancó, depois, Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó, mais tarde, Vila Nova de Pombal e, finalmente, Cidade de Pombal.

O nome Piancó já era conhecido no sertão das Piranhas, e não se deve confundir com a atual cidade do Piancó, que só recebeu esse nome quando da sua elevação à categoria de vila, através do decreto de 11 de novembro de 1831, sendo denominada de vila Amélia do Piancó, instalada a 2 de maio de 1832, depois, prevaleceu o nome de Vila do Piancó.

Quanto a Pombal, a denominação “Bom Sucesso” teria surgido do relato que Teodósio fez ao governador Manoel Albergaria, comentando a luta e êxito sobre os índios da região, e Nossa Senhora, uma referência a Virgem Padroeira.

Os documentos históricos trazem à luz a verdade e sepultam as informações, baseadas em idéias, de Padre Manoel Otaviano, que proferiu e publicou uma conferência em 1949, denominada “A Origem e a Evolução Histórica da Paróquia e do Município de Pombal”, na qual afirma: “Data, pois, a fundação de Pombal, com o seu primeiro nome de Piranhas, de 1699”.

É evidente o engano de Padre Otaviano, porque Pombal jamais recebeu esse nome, e a data não confere com os dados da sua fundação, além de que, os documentos da época registram que por Sertão de Piranhas, entendia-se todo o alto sertão da Paraíba, das Espinharas ao Rio do Peixe e parte do Rio Grande do Norte, não especificamente o local onde foi fundada Pombal. O coreto seria dizer: “No sertão das Piranhas, no lugar conhecido como Povoação do Piancó, Teodósio fundou o “Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó”. Depois, sem fundamentação histórica, registra a conferência na página 18 que o nome, Bom Sucesso, surgiu de uma promessa (que nunca existiu) invocando a proteção da virgem Nossa Senhora do Bom Sucesso, perante uma grande luta contra os índios da região.

Evidentemente, na falta de documentos históricos, em sua formação eclesiástica, quis, Padre Otaviano, dá uma conotação religiosa ao episódio, inclusive, em alguns trechos da conferência, relativo à falta de dados oficias, o mesmo antecipadamente afirma: “A história dos primeiros núcleos colônias que deram origem às cidades e vilas sertanejas ainda está por se fazer. Apenas investigadores como Irineu Joffily Senior, Coriolano de Medeiros, Celso Mariz, Tavares Cavalcanti e poucos outros, afogados no pó dos arquivos estragados e falhos, recolheram e debuxaram, de modo vago e lacônico, síntese surpreendentes dos primeiros bruxuleios da colonização sertaneja. Não lhes faltou competência nem dedicação, bem sei, para um apanhado mais completo e sugestivo. A mingua de documentos que os cronistas dessa idade não fixaram com cuidado preciso e a escassez de bibliografias mais fundamentadas avolumaram o empecilho a uma estruturação mais completa que satisfaça à nossa curiosidade. De forma que, tratando-se de assunto tão importante, teremos de suprir as falhas e preencher os claros, na ligação dos tempos de antanho aos dias de hoje, valendo-nos, algures, de deduções mais ou menos autorizadas...” Em outra parte, escreveu: “É isso apenas uma dedução vaga que a lógica histórica nos autoriza”.

Antes, Coriolano de Medeiros, autor do “Dicionário Corográfico da Paraíba”, cita parte do episódio descrito por Padre Otaviano, no entanto, sem nenhum registro oficial do acontecimento. Nos documentos históricos que Wilson Seixas encontrou, a luta entre colonos e indígenas realmente existiu, mas Teodósio foi o grande vitorioso, sem necessidade de fazer promessa, porque tinha muitos armamentos, munições e poder de fogo, contra os arcos, flechas e tacapes dos indígenas perseguidos. A luta foi tão desigual que não houve nenhuma morte da parte de Teodósio, ao contrário, foram mortos trinta e dois índios, feitas setenta e duas presas e mortos a “sangue frio” outra grande quantidade. Um verdadeiro massacre. Daí a história registrar o “bom sucesso” do nosso capitão-mor na entrada ao sertão das Piranhas, para no lugar conhecido como Povoação do Piancó, diante do ”bom sucesso” da luta, ser rebatizado de Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó, que viria a ser mais tarde a Vila Nova de Pombal e, finalmente, Cidade de Pombal, em homenagem a uma cidade de Portugal de mesmo nome.

*Escritor Pombalense.

NO TEMPO DA RUA DA CRUZ


Jerdivan Nóbrega de Araujo*

Quando o silencio da madrugada era rompido pela voz de Pixico acompanhado pela viola de Bideca, janelas se abriam para que os acordes passeassem suave por todos os quartos, salas e cozinhas das casas melhores situadas da nossa cidade.
Uma voz e um dedilhado de viola que descia da Rua da Cruz para o deleite das classes melhores localizadas, era o único elo entre duas classes sociais completamente antagônicas.
Rua da Cruz da voz de ouro de Pixico e também das maiores ceramistas da região. Eram artistas como dona Lica, mãe de Dora de Filemon, Negra Gera, como carinhosamente a gente a chamava, mãe de Negro Paulo e Sofom, casada com Zé Bezerra, Zulmira, casada com Biuzão, aquele que toda noite dormia em pé em frente ao Cine Lux, na primeira sessão noturna, acordando somente ao termino da segunda sessão, sempre no mesmo local, esquina da casa de Dr. Avelino Queiroga
Maria, esposa de Bembém, Regina e suas meninas, que além de ceramistas, cultuavam o folclore de imagens infantis moldadas no barro tais com bois, vacas, jumentos, caboclos e caboclas, bonecas e animais em profusão de cores, tudo que vivenciava o imaginário infantil.
Jubinha e esposa, também dois ceramistas de mãos•cheias, sem falar dona Biu, esposa de Zè de Rosa, Grande pescador, pai de Corró e Gesci.
Nesse núcleo de produção várias famílias da Rua da Cruz se dedicaram a fabricação de mercadorias de uso doméstico. O objetivo era servir a população através da disponibilidade de uma diversidade de vasilhames utilitários, usados no dia-a-dia nas atividades domésticas do nosso povo. Eram potes, panelas, pratos, copos, aguidares, xícaras, chaleiras e até filtros de água, todos manufaturados pelas mãos habilidosas dos moradores da Rua da Cruz.
A produção que era comercializada aos sábados, encantava os turistas quando em visita a cidade.
A Rua da Cruz abrigava ainda um dos mais importantes grupos folclóricos da cidade: O Reizado.
Era daquela comunidade Chico Espalha, seu Bembém, Papagaio de Euclides, que era doador de sangue universal, e nunca usava camisa, "bode velho", Fael, Maria de Benigna com seus porres, Severino de Adília, grande padeiro, "doutô Espalha", grande violonista músico dos bons, como todos os Espalhas, Reizinho da Cal, Zé de Souza do depósito de madeira, Zé Branco da bodega, Joda, figura impar no carteado, Tié, Zé de Bú, Mané das broas, Júlio Barbosa, Leônidas da padaria, (depois vendida a seu Oliveira), Chico Mascena, Zé Herculano, Mané de Bomba, os cachaceiros Valério e Estelita, Zé Canhin, Miquiquio, Zuruê, Nêgo Indio, Nêgo Tanga, Cachorra Velha, Tuzin de Jubinha, e tantos outros que fizeram a história da Rua da Cruz.
Lugar de profissionais das mais diversas especialidades: eram pintores de parede, pedreiros, ceramistas, pescadores, flandeleiros como os imãos Lau e Otavio, desgotadores de fossas, pegadores de passarinhos, caçadores, carpinteiros e agricultores.
Bons tempos da Rua da Cruz de casas humildes e espaças, construídas em taipas e sapé com seus terreiros de chão batido e sem iluminação pública, “escritas na frente que era um lar”, onde à noite as estrelas desciam para alegrar as histórias contadas a luz de lamparinas, embalando os sonhos dos jovens e adultos que lutavam pela sobrevivência carregando a sua cruz sem perder a alegria de viver.
*Escritor pombalense

POMBAL: 21 de julho 2010, 148 Anos de Cidade!






CLEMILDO BRUNET*

Assinalei o título deste artigo nesta ordem, para desmistificar mais uma vez a idéia que se passa na cabeça de muita gente, que leva em conta ainda, que 21 de julho é o dia, que se comemora a emancipação política de Pombal. Não me canso de escrever sobre isso, pois a começar de nossas lideranças políticas em seus pronunciamentos, uma vez por outra, deixa escapar em seus raciocínios, que Pombal na data mencionada acima, marca os anos de sua autonomia cívica.

No passado sim, por desconhecimento dos fatos históricos. Até o nosso historiador Wilson Seixas, acompanhando outros historiadores, escreveu a primeira edição do “Velho Arraial de Piranhas” que teve o seu lançamento em 1962 no Centenário de Pombal, pensando tratar-se da emancipação política do Município.

O nosso povo não deve jamais abandonar o curso dessa história, pois as pesquisas feitas pelo o historiador pombalense Wilson Nóbrega Seixas, traz luz aos acontecimentos da época, nos dias atuais, revelando-nos que nossa querida Pombal, tem três datas importantes para celebrar ao longo dos anos.

Sua emancipação política se deu em 04 de maio de 1772, quando foi elevada de Arraial a categoria de Vila, sendo chamada Vila de Pombal. A Fundação se deu em 27 de julho de 1698, por Teodósio de Oliveira Ledo com o nome de Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó (Pombal). Em 21 de julho de 1862 foi elevada a categoria de cidade.

Wilson da Nóbrega Seixas com as pesquisas realizadas que debilitou sua saúde, conseguiu deixar este legado para a História de Pombal, restabelecendo as datas mais importantes do município mais antigo do sertão Paraibano. Resolveu reescrever a história em outro livro com o mesmo título, momento em que sua saúde foi agravada no manuseio de documentos antigos. Infelizmente, o autor do Velho Arraial de Piranhas não pode está presente ao lançamento da obra reeditada, pois já havia falecido.

No entanto, conseguiu o seu intento, entregando a tarefa para o escritor Evandro Nóbrega, que auxiliado por Verneck Abrantes e Jerdivan Nóbrega de Araújo, reeditou “O Velho Arraial de Piranhas”, resgatando a verdadeira história de Pombal desde a sua fundação há 312 anos. Wilson Seixas faleceu em João Pessoa no dia 11 de março de 2002. Se vivo estivesse, teria completado 94 anos no último dia 15 de julho.

Como conseqüência dessa nova realidade da nossa história, a Câmara Municipal de Pombal alterou a Lei Orgânica do Município, restabelecendo as datas comemorativas desde a fundação, emancipação política e elevação a categoria de cidade. Pode-se dizer que este foi um dos maiores contributos que Wilson Seixas deixou para conhecimento das gerações vindouras.

Agora falta tão somente o reconhecimento do Poder Executivo Municipal e Câmara de Vereadores desta cidade, homenageá-lo com galhardia, resgatando sua memória, dando o seu nome a um monumento, logradouro ou edifício público, pois bem o merece, sobretudo, porque em sua busca incessante de pesquisador, abriu novos horizontes no contexto histórico da nossa civilização.


O historiador paraibano, Professor José Otávio de Arruda Melo, certa vez referindo-se a Wilson Nóbrega Seixas, declarou: “Pombal possui uma estrela de primeira grandeza nos céus da literatura brasileira”.

Não somente os historiadores paraibanos, mas também os mais destacados a nível nacional, mencionaram as obras literárias de Wilson Seixas como fonte autêntica. É isso que lhe dá ares de imortalidade e ser chamado o desbravador da nossa história.


PARABÉNS POMBAL PELOS 148 ANOS DE CIDADE!


*RADIALISTA

A DIFÍCIL ARTE DA ESCOLHA...

Ubiratan Lustosa*

Resolvi fazer a minha seleção de políticos a fim de encontrar aquele
a quem darei meu voto para presidente nas próximas eleições.
Comecei por enumerar as virtudes que desejo encontrar nos candidatos e alguns defeitos pelos quais tenho aversão. Achei que seria tarefa simples e rápida e me enganei. Não foi. A minha escolha tornou-se demorada e penosa.
Quero dar meu voto para alguém em quem eu perceba um grande amor ao Brasil e seu povo. Essa pessoa deve ter um profundo respeito pela nossa gente.
Quanto à honestidade, nem se fala, pois é condição sine qua non.
Quero votar numa pessoa pura, limpa, de conduta ilibada. Não se trata de pessoa que prometa ser honesta; tem que já ser honesta. Exijo respeito pelos bens públicos. Todo político tem que saber separar o que é seu do que é da nação e nunca usar indevidamente, para si ou para outrem, aquilo que não lhe pertence.
O meu voto só será dado para alguém que tenha seriedade, que não minta, que assuma quando errar e que me transmita a confiança de imediata correção dos erros eventualmente cometidos.
Desejo que comande o país alguém que tenha competência e coragem para solucionar nossos múltiplos problemas ainda não encarados ou mal resolvidos.
Quero alguém que tenha personalidade suficiente para vencer o fascínio que o poder exerce sobre as pessoas. Alguém que eleito continue simples e não se deixe dominar por ambições desmedidas. Alguém que trabalhe visando unicamente cumprir o dever de servir à nação e não fique bazofiando a cada minúscula conquista obtida.
Gosto de gente que não tem antolhos, gente com visão independente e amplidão de conhecimentos. Que tenha cultura sim, pois ela faz falta.
Gosto de quem é perseverante sem ser teimoso, bom sem ser pusilânime, enérgico sem ser cruel.
Quero alguém que tenha lucidez e sabedoria para distinguir corretamente o bem do mal, o certo do errado.
Moral e ética são indispensáveis; o comando de um povo exige isso.
Procuro alguém que saiba escolher companheiros honestos, gente que lhe dê apoio sem jamais faltar com a dignidade, sem praticar manobras escusas, sem alimentar interesses ocultos.
Busco uma pessoa que não seja atrelada a ideologias contrárias à democracia, que defenda intransigentemente a liberdade de expressão e todos os direitos inerentes à cidadania.
Estou procurando uma pessoa que respeite e proteja a minha crença de cristão e as demais manifestações de fé religiosa. Sim, desejo alguém que creia em Deus e O respeite.
Procuro alguém que repudie o terrorismo como justificativa para a imposição de ideias ou obtenção de conquistas.
Quero ter como presidente do meu país alguém que seja sincero ao emitir sua opinião sobre pessoas ou atos e não um camaleão que se pronuncie conforme os seus interesses de momento.
Quero eleger presidente alguém que não seja dado a esse grave e inaceitável defeito que é a demagogia. Alguém que não explore a ingenuidade popular.
A essa altura de minha seleção resolvi parar, apesar de haver mais anseios a enumerar e rejeições a anotar.
Será que tenho o direito de exigir tudo isso em troca apenas do meu voto? Estou convicto que sim.
Talvez alguém ache que estou exagerando e isso não passa de uma utopia. Lamento e me desculpo, mas tem que ser assim. E aí está a razão da escolha ser demorada e difícil. Deixem-me sonhar.
Em toda essa explanação o meu propósito é convidar a todos para uma reflexão: o que almejamos para o Brasil, quem desejamos que nos governe?

É hora de pensar.

*Jornalista, advogado, teatrólogo e Poeta. Curitiba Paraná.

A NOVA LEI DO DIVÓRCIO!


Maciel Gonzaga*

A mudança na lei para agilizar o processo de divórcio consensual foi publicada na quarta-feira (14) no Diário Oficial do Congresso Nacional e já está em vigor. Os autores desta proposta são os deputados Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) e Sergio Barradas Carneiro (PT-BA), que propuseram o fim do prazo para pedir o divórcio, que era de um ano na separação formal e dois anos para quem estava separado de fato.
A partir de agora, casais que queiram se divorciar estão liberados do cumprimento prévio da separação judicial por mais de um ano ou de comprovada separação de fato por mais de dois anos, como previa a Constituição. Mas, as regras só valem para casais que concordarem com o divórcio e que não possuam filhos menores de idade. Na prática, para se divorciar em um cartório, era necessário um primeiro processo para conseguir a separação e um segundo para se divorciar. Agora só é necessária a etapa do divórcio.
Além de reduzir a interferência do Estado na vida privada dos cidadãos, a medida acarretará economia de recursos técnicos e financeiros para o Judiciário e para os indivíduos que pretendem se divorciar, uma vez que não serão necessários os dois processos.
É verdade que a questão da culpa é muito polêmica em nossa sociedade. Muitos defendem a sua manutenção para dar causa ao fim do casamento e punir o cônjuge culpado. Por outro lado, a corrente mais moderna de operadores do direito de família defende a sua extinção, a fim que não se utilize os processos judiciais de separação como uma praça de guerra onde os ex-cônjuges acusam-se mutuamente, com as mais baixas ofensas, e expõem suas mazelas e ressentimentos, sem nenhum proveito ao deslinde da ação.
Na França, o divórcio por violação culposa dos deveres conjugais pode ser requerido por um dos cônjuges por fatos imputáveis ao outro, quando esses fatos constituam uma violação grave ou reiterada dos deveres e obrigações do casamento e ponham em causa, de forma definitiva, a possibilidade de vida em comum.
Em Portugal, o divórcio litigioso é requerido, no tribunal, por um dos cônjuges contra o outro, e pressupõe que possa ser invocada a violação culposa dos deveres conjugais em termos tais que, face à sua gravidade ou reiteração, comprometam a possibilidade da vida em comum. Na apreciação da gravidade dos fatos invocados, deve o tribunal tomar em conta, nomeadamente, a culpa que possa ser imputada ao requerente e o grau de educação e sensibilidade moral dos elementos do casal.
Na Inglaterra e no País de Gales, a legislação sobre o divórcio está abrangida na Lei dos Casos Matrimoniais de 1973. O único fundamento para o divórcio é a dissolução irreconciliável do vinculo matrimonial. Para demonstrar a dissolução irreconciliável do vinculo matrimonial é necessário produzir provas de uma ou mais culpas conjugais.
Neste breve estudo, contatei que países como a Alemanha e os Estados Unidos não investigam a culpa como causa de separação. Mas, de outra parte, Portugal, Inglaterra, País de Gales e França persistem na perquirição da culpa de um dos cônjuges para dar causa a dissolução matrimonial.
É bem verdade que a culpa ainda causa polêmica na separação conjugal no meio da comunidade jurídica internacional. Nos dias atuais, no entanto, a meu ver, esta culpa vai acabar por ser deixada de lado nos processos jurídicos, principalmente por causar o levantamento de emoções e sentimentos exacerbados na questão judicial. Somente em casos específicos é que ela deve ser perquirida.
A nova lei não regula o tempo para o pedido do divórcio, o que leva a pensar que um casal que se separa hoje, no outro dia já poderia entrar com o pedido de divórcio. A nossa avaliação é que o tempo sempre será necessário em direito de família, pois um casal precisa de tempo para ter certeza de que o melhor caminho a seguir é a separação definitiva. Uma separação é sempre traumática. Pesquisas indicam que 80% dos casais que entram com pedido de separação não estão convictos, por isso, o tempo contribui favoravelmente à tomada da decisão.
*Jornalista, Advogado e Professor. Natal RN

COMENTÁRIO DE CESSA LACERDA SOBRE A POSTAGEM "CLEMILDO BRUNET"


PARABÉNS! OBRIGADA!

Parabenizo a nossa eloqüente escritora, Dra Onélia Setúbal Rocha de Queiroga, pelo expressivo texto “Clemildo Brunet”, fazendo reluzir uma reminiscência saudosa, que vale a pena recordar.

A idoneidade do nosso querido compatrício e amigo, Clemildo Brunet, quanto à trajetória do rádio e da comunicação é excepcional, servindo de modelo para tantos jovens que deixam de sonhar com um futuro brilhante.

É muito bom, vez por outra, deleitar-se com textos elucidativos como este, que narra uma infância eficaz e coincidentemente agradável.

Minha querida Onélia, o seu texto provocou muita emoção em nós, sobretudo no amigo, Clemildo, por duas razões: ao falar nos seus saudosos pais, seu Napoleão e dona Sinhazinha, pelas iguarias que vocês saboreavam e no relato do nosso amigo, seu pai, Antônio Rocha, ao recordar o labor da comunicação no “Lord Amplificador”, com a propaganda: “Da choupana ao palácio, todos tomam o Café Dácio”. Lembro-me verdadeiramente, pois isto acendeu também em mim uma luz de recordação, provocando saudades desses bons tempos que não voltarão jamais.

Onélia querida continue escrevendo textos a exemplo desse para preencher os nossos momentos de apreciação as boas leituras.

Parabéns pelo encantador texto e obrigada pela alegria que nos proporcionou.

Beijos e abraços da amiga de ontem, de hoje e de sempre. CESSA.


Pombal, 13/07/2010.

CLEMILDO BRUNET

POR ONÉLIA QUEIROGA*


O homenageado com a Medalha Epitácio Pessoa, comenda maior do Poder Legislativo da Paraíba, nasceu em Pombal, com muita honra. O autor da proposta perante àquela Casa do povo, que de imediato a aprovou, foi o Deputado Dinaldo Wanderley, homem justo e de reconhecida sensibilidade.

Desde menino, Clemildo Brunet  já fabricava, com engenho e arte e com os recursos e instrumentos da época dos seus verdes anos, protótipos de difusoras volantes. A idéia objetivava à comunicação com conterrâneos de Maringá e com cidadãos de outras plagas.

Nele, inatas sempre foram essa faculdade inventiva e a vocação determinada, à qual abraçou com obstinação; a de tornar-se profissional de rádio difusão. E, se os recursos ainda eram parcos, os sonhos eram grandes, e nada o detinha de ir ao encontro das suas aspirações.

A sua terra natal, de clima quente, de apenas duas estações, o inverno e o verão, de águas claras e perenes, de sol de forte luminosidade, fizeram-no ver, com toda clareza, qual vaticinador, o traçado dos caminhos que deveria seguir. Essas marcas telúricas ajudaram, sobremaneira, a esculpir-lhe o perfil de homem inteligente, de voz timbrada, característica própria de homens comunicadores de notícias e de programas musicais que encantaram e ainda encantam as multidões.

E Clemildo Brunet não relutou. Recorreu até às lágrimas para abrandar o coração de sua mãe e levá-la a presentear-lhe com a primeira Estação de Rádio. Foi o dia mais venturoso dos seus priscos tempos.

Fomos contemporâneos da rua Dr. João Pessoa, em Pombal. Saboreamos as mesmas iguarias: O pão francês, o célebre pão doce e a gostosa bolacha peteca, fabricados, com receitas únicas e inigualáveis, até hoje, na Padaria do seu saudoso pai Napoleão Brunet.

Inalamos, também, o cheiro forte e degustamos o excelente Café Dácio, da Torrefação do meu pai Antonio Hortêncio Rocha, cuja música da propaganda dizia: “Da choupana ao palácio, todos tomam o Café Dácio”, transmitida, diariamente, pelo “Lord Amplificador”, de Clemildo Brunet”.

Os seus amigos de Pombal, Clemildo Brunet, fizeram-se presentes à entrega da comenda que lhe foi outorgada. Se ela é toda sua, por mérito, não deixa de ser também nossa que o admiramos e regozijamo-nos com a sua felicidade.

*Transcrito da Coluna “Aos domingos” do Jornal Correio da Paraíba do dia 11 de julho de 2010.

A INVEJA


CLEMILDO BRUNET*

Este mal é uma doença na vida das pessoas que teve seu início nos primórdios da humanidade. João, o apóstolo, novo testamento da bíblia, nos faz uma advertência em sua primeira carta, alertando para o fato que o primeiro homicídio registrado na história da humanidade, se deu por causa da inveja. Ele fala do amor que deve ser disseminado entre os homens, e recomenda: “Que amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.” I Jo. 3: 11b,12.
Inveja - no dicionário é definida como: Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio. No conceito bíblico é uma doença da alma. No hebraico, língua em que foi escrito o velho testamento “quinha” (inveja) = significa literalmente ambição sem medida. “O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” Pv. 14:30.
A inveja consiste naquilo que o outro tem tornando-se alvo do que queremos ter. Muitas vezes ela se manifesta no individuo de modo velado. Nem sempre quem sente inveja manifesta com transparência esse mal, mas, o uso das palavras revela a incapacidade de enxergar o raio de luz que há em seu semelhante.
A história de José do Egito é um exemplo dessa realidade. O patriarca Jacó perante os outros filhos demonstrava seu amor maior por José. Fez uma túnica talar de mangas cumpridas e deu-lhe de presente, diz o texto sagrado: “Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente”... “Seus irmãos lhe tinham ciúmes (inveja); o pai, no entanto, considerava o caso consigo mesmo”. Gn.37:4,11.
A raiz maligna da inveja instala-se logo no seio da família. Os pais precisam ter cuidado no trato que dão aos filhos, para não cometer o erro de Jacó que tratava José com primazia. O desequilíbrio familiar na maioria das vezes tem se dado porque muitos pais de família fazem diferença entre filho e filhos, deixando transparecer seu amor de modo exacerbado.

Se este mal se registra na família, o que não dizer entre pessoas que nem da família são.

A manifestação da inveja se dá logo na mais tenra idade entre crianças possuidoras de brinquedos, quando se encontram para brincar, o desejo é ficar com o objeto do outro, enquanto que o outro não quer de modo algum se desprender do que possui, para que pelo menos, por instantes enquanto brinca, um possa compartilhar do brinquedo do outro.
A inveja é tão perniciosa que tem muito a ver com o comportamento de fingir, falsear, simular, a ponto de seu portador não se declarar abertamente e viver se ocultando. Transmuda-se em diversas modalidades. É usada pela espécie humana como mecanismo de defesa, no entanto, o intuito malévolo determina que o seu agente seja ardiloso. João Crisóstomo costumava dizer: “Da mesma forma que a traça destrói uma roupa, assim a inveja consome a vida”
A inveja leva o homem a competir com o seu próximo de modo desigual. O sábio Salomão declara esta verdade nas palavras que estão escritas no livro de Eclesiastes capítulo 4 verso 4. “Então, vi que todo trabalho e toda destreza em obras provêm da inveja do homem contra o seu próximo. Também isto é vaidade e correr atrás do vento”.
A inveja campeia no fato de alguém exaltar seus predicados em detrimento de outrem. Seus pertences são sempre melhores, suas riquezas são maiores e suas aptidões também. O apóstolo Paulo nos admoesta para não incorrermos nesses erros: “Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” Gl 5:26.
A inveja prejudica a vida das pessoas, pois ela se integra entre os vícios, ou pecados capitais, juntamente com a soberba, a avareza, a luxúria, a ira, a gula e a preguiça. Não é sem razão que alguém já disse: “A ferrugem consome o ferro e o enfraquece, e a inveja pelas projeções dos maus sentimentos dos invejosos o faz contrair um sem números de doenças”.

*RADIALISTA
Contato brunetco@hotmail.com
Web www.clemildo-brunet.blogspot.com

NA LUTA CONTRA A CEGUEIRA...

Por Mª do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta*

O glaucoma consiste em neuropatia óptica, caracterizada por perda progressiva do campo visual e lesão no nervo óptico. Corresponde à segunda causa de cegueira no mundo, atingindo milhões de pessoas, as quais muitas vezes, ignoram a existência da própria doença.
Sabe-se que o nervo óptico é responsável pela transmissão das informações visuais para o cérebro. Quando há elevação da pressão intra-ocular (PIO), tal nervo é danificado causando déficit visual permanente. Diferentes enfermidades cursam com aumento da PIO.
Para facilitar o entendimento, de forma resumida, será descrita a dinâmica do humor aquoso (substância presente nas câmaras anterior e posterior do olho). Inicialmente, a produção do humor aquoso ocorre na pars plicata do corpo ciliar, em seguida a câmara posterior (entre íris e cristalino) é preenchida; passando pela pupila, o humor aquoso atinge a câmara anterior (entre córnea e íris) e sofre drenagem, principalmente através da via trabecular, no ângulo da câmara anterior. Caso haja aumento na produção do humor aquoso ou dificuldade na drenagem do mesmo, o resultado é a elevação da PIO, sendo este, portanto, o principal fator de risco para glaucoma.
O glaucoma é classificado em: (1) primário, que por sua vez, divide-se em: (a) crônico, (b) agudo, (c) congênito e (2) secundário.
A forma crônica simples, ou seja, na qual o ângulo da câmara anterior encontra-se aberto, é a mais prevalente. Já na forma aguda, existe fechamento do ângulo da câmara anterior, desencadeando obstrução do fluxo do humor aquoso. O diagnóstico é dado através da observância dos fatores de risco, de exame oftalmológico cuidadoso, incluindo medida da pressão intra-ocular e exames específicos (gonioscopia, campimetria).
Interessante destacar que o quadro clínico do glaucoma agudo é exuberante (dor intensa, vermelhidão ocular, lacrimejamento, fotofobia), enquanto que o glaucoma crônico evolui muitas vezes de forma assintomática, fato que dificulta o diagnóstico precoce.
Atenção especial deve ser dada aos fatores de risco, os quais são de forma geral: hipertensão intra-ocular (principal), idade do paciente (geralmente, indivíduos acima dos 60 anos), raça (negros e asiáticos são mais acometidos), história familiar, miopia, doença retiniana, uso prolongado de esteróides (Glaucoma Research Foundation).
O tratamento é baseado no uso de medicações (colírios e medicamentos de uso oral) e cirurgia, incluindo procedimentos a laser; a escolha da terapêutica adequada deve ser feita por médico especialista, após avaliação do quadro de cada paciente.
O glaucoma congênito é causado por malformação do ângulo da câmara anterior, impossibilitando a drenagem correta do humor aquoso e provocando elevação da PIO. A alteração mais característica e bem visível é o buftalmo, conhecido popularmente como “olho de boi”. Nesse caso, o tratamento cirúrgico deve ser realizado de forma precoce.
Em virtude da maior prevalência da forma crônica da doença, que se apresenta assintomática e possui curso lento, o exame oftalmológico preventivo é de extrema necessidade, principalmente, diante de fatores de risco.
Sendo assim, caso você possua algum fator de risco, principalmente, pressão intra-ocular elevada e/ou história familiar, mesmo sem nenhum sintoma, não deixe de procurar um oftalmologista antecipadamente. Os danos ao nervo óptico são irreversíveis e na ausência de diagnóstico precoce e de tratamento adequado, a cegueira torna-se realidade inevitável.
Pense nisso. Cuide-se!
Referências
KANSKI, Jack J. Oftalmologia clínica: uma abordagem sistemática. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
Disponível em:
(Glaucoma Research Foundation);
(Associação Brasileira dos Amigos, Familiares e Portadores de Glaucoma)
E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
*Patoense, 21 anos, mais conhecida como “Cessinha”, poetisa, escritora.
Acadêmica do 8º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande.
Membro da Academia Patoense de Artes e Letras.

GERINGONÇA


Por Severino Coelho Viana*

A nossa região nordestina está repleta de palavreado cômico e palavras de objetos em desuso, que são apenas guardados na nossa memória e faz parte de nossa vivência ou do nosso folclore. Por exemplo, bugiganga era uma palavra usada para objetos de pouco valor que a língua coloquial chamava de quinquilharia. Geringonça tinha o significado de coisa mal feita, ou seja, de fácil destruição, por isso, nada valia monetariamente.
Com a entrada forte do inglês no vernáculo da nossa língua portuguesa, que os originários da terra dos apaches chamam de gadget, enquanto os gringos chamam de novos objetos eletrônicos, nós, brasileiríssimos da silva, sem querermos imitar o estrangeirismo inventado pela nova tecnologia ainda chamamos ora de bugiganga ora de geringonça.
A tecnologia faz parte integrante da nossa modernidade, disso não desconhecemos, muitos eletro-eletrônicos são úteis ao nosso dia-a-dia, caseiro ou de trabalho, só que os agressores do mercado consumidor, com uma visão exagerada em nome do lucro, com certificado recebido pela faculdade do neoliberalismo e o reconhecimento pela globalização de mercado, a invenção chega ao ponto do exagero.
Nas salas de nossas residências já não vemos mais a vitrola, a radiola e o gravador de fita cassette. Nem tampouco o amontoado de discos de vinil, estes estão nas mãos de grandes colecionadores. São coisas do passado que não voltam mais, mas as antigas e novas músicas continuam acopladas no CD player, no MP-3 ou MP-4 ou no DVD fixo ou portátil. Por isso, nem tudo do passado fica perdido ou é totalmente levado ao esquecimento. Vez por outra retorna à moda da fotografia preto e branco e da calça boca de sino, evidentemente, os memoráveis adeptos não conseguem cavalgar mais no sapato cavalo de aço.
O costume dos nossos antepassados faz rememorar. A nossa chegada em qualquer casa residencial desconhecida batiam-se palmas ou o som labial de nossa voz expressava: Ou de casa? Cuja resposta era: Ou de fora! Isto não é mais preciso porque atendemos no nosso interfone (intercom phones). Ou já vemos a imagem do visitante pela câmara de filmagem.
Os advogados, economistas e contadores, além da valise preta carregada na mão, obrigatoriamente, tinham um amplo escritório, avistando-se estantes, arquivos, escarcelas, agenda, documentos e papéis diversos, nos tempos modernos usam o cell phone ou mobolie e o pen-drive, que é um dispositivo de armazenamento constituído por uma memory flash tendo aparência semelhante à de um isqueiro ou chaveiro que soluciona, com mais facilidade, o manuseio de uma papelama infindável de informações.
O dorminhoco não precisa de despertador para programar o alerta de seu sono, pois a operadora telefônica faz esse serviço ou no seu aparelho celular está programado o horário ajustado, há tempo que não se ouve o cantarolar do galo da madrugada. Todavia, aqueles que têm o sono aguçado ou são contaminado pela preguiça comprem um alarm clock, ou acordam ao som de uma loira melodiosa ou a perturbadora loira invade o seu quarto com acrobacias fustigantes.
Se você for um sonâmbulo ou falta espaço na sua casa para dormir, não é mais problema, vá ao supermercado, compre um sleeping bag, que acomoda em todo o lugar, utilizando um pequeno espaço, não é rede nem é cama, simplesmente, um saco de dormir.
As donas de casa, aos poucos, estão desprezando a vassoura e o rodo, a lixeira e a pá, estes objetos tanto são feios como vergonhosos, apesar de servirem para a limpeza ambiental. Quem se lembra dos terreiros varridos com vassoura de ramos? Quando cimento era barro vermelho pisado, seguido pelo o mosaico e hoje, a cerâmica e o porcelanato? O americanismo tomou conta do mundo, no aspecto de ousadia e invenção robótica. Eles mudaram o nome de vassoura e rodo, apelidando-os de vacuum cleaner e removes dust, que na nossa geringonça há tempo que chamamos aspirador de pó e tirador de pó.
Na escola não se usa o lápis gravite nem a arcaica lapiseira ou a gilete. O nosso tradicional lápis gravite passou a ser uma caneta de ponta recarregável que por sua vez dispensou a lapiseira, material escolar de nossas primeiras letras. O nosso adorável patinete, brinquedo feito manualmente com dois rolimãs e um pedaço de tábua, eles mudaram para roller skate, apenas modificando a aparência, logo encarecendo o preço, e, consequentemente, destruindo a criatividade da gurizada.
Nada disso que falamos acima não é mais novidade e a qualquer momento podemos ter novas surpresas. Você já imaginou, se você não morrer de verdade, porque inventou para não pagar as contas ou porque sofria de epilepsia, então, neste caso foi enterrado vivo. A catalepsia patológica ocorre em determinadas doenças nervosas, debilidade mental, histeria, intoxicação e alcoolismo. Não se preocupe, os americanos lhe ressuscitam facilmente, avise a sua família que o sepulte no a coffin with air vents and an alarm, que o coveiro de plantão verá o sinal pelo orifício do caixão quando uma bandeira é erguida, avisando novamente que você está morrendo asfixiado, ou mais claro, por falta de ar. Se o coveiro não for atento, o seu plano poderá dá tudo errado. E foi-se...
As nossas bugigangas, conhecidas na nossa região, quais sejam, enxada, foice, chibanca, picareta, martelo, machado, depois que viram sucata, o chamado ferro velho, nas mãos de um bom escultor, transformam-se numa bela obra de arte, como já tivemos oportunidade de ver numa exposição de arte.
As extravagâncias da invencionice americana, que eles chamam de gadgets, e nós de geringonça, chegam a tal ponto, que muitas vezes, nós pensamos ser brincadeira de doido, por exemplo, nail files, lixas de papel; sodastreams, gaseificador de bebidas; towel warmer, secador para toalhas; household can crusher, amassador de latinhas doméstico; egg slicers, fatiadores de ovos; overflowing dustin, que significa um transbordante cesto de lixo, que é muito parecido com nosso balaio.
A diferença de nossa geringonça e do gadget está exatamente naquilo que faz bater mais forte o coração humano, no preço, quando suas mãos batem no bolso.

João Pessoa, 08 de julho de 2010.
*Promotor de Justiça.

O SHOW DE MASSILON GONZAGA EM POMBAL!

CLEMILDO BRUNET*

Massilon Gonzaga é natural de Pombal, carrega dentro de si aptidões múltiplas que lhe dão as credenciais de um artista nato. Sua inclinação para música foi despertada logo na infância em seu torrão natal, na companhia do padrinho Severino Daniel grande sanfoneiro da região e outros da família. Sua genitora Roza, juntando alguns trocadinhos resolveu dar de presente ao garoto uma sanfona. Mesmo tendo esse toque ainda pequeno, desviou-se da trilha, enveredando-se pelo caminho da comunicação com outro amigo da época, o hoje jornalista João Costa. Adentraram ao LORD AMPLIFICADOR e por um bom tempo puderam exercitar a arte de falar para o público.
Agraciado por Deus com um timbre de voz de tonalidade grave e forte, em 1972 Massilon Gonzaga foi para Campina Grande. Levado pelas mãos do radialista Gilson Souto Maior teve seu primeiro emprego na maior emissora da cidade – A Rádio Borborema pertencente aos Diários Associados. Aos poucos, Massilon Gonzaga foi ocupando espaço na radiofonia campinense, gravando textos comerciais para as emissoras, até que um dia, veio assumir a direção comercial da Rádio Cariri.
Com competência e denodo, Massilon foi nomeado locutor oficial da Prefeitura de Campina Grande, passando também pelo quadro de funcionários da Rádio Caturité. Esteve em Manaus no Amazonas por um tempo, onde exerceu sua profissão na Rádio Equatorial FM. Voltando a Campina Grande formou-se em Comunicação Social pela Universidade Estadual da Paraíba UEPB, tornando-se depois professor da própria universidade.
O Show de Massilon Gonzaga em Pombal partiu de forma voluntária e despretensiosa do artista. Afinal, conhecendo Massilon como conheço, sinto que arde dentro dele a chama de um filho que ama a terra que o viu nascer. Seu maior desejo era mostrar aos seus patrícios o espetáculo das suas apresentações, a despeito de como ele vem fazendo na região de Campina Grande, tornando-se famoso em todo compartimento da Borborema.
Os músicos que o acompanham em suas apresentações não deixam nada a desejar em relação a outros, de renome neste país. Com muita satisfação tanto eu, como o Doutor e Professor José Cezário de Almeida, José Barbosa Coelho, jornalista e advogado Maciel Gonzaga de Luna, Genival Severo, e tantos outros, atestamos com toda veracidade, o desempenho desses artistas de maneira destacável, pois mostraram para nós em particular, a sua desenvoltura na música, numa verdadeira demonstração de conhecimento de quem toca não pelo o ouvir, mais de quem sabe em sua inteireza, toda a escala das notas musicais. São músicos criadores de arranjos, extraindo de sua criatividade à fina e harmoniosa execução musical, capaz de atender as exigências da mais apurada audição.
Segundo Massilon Gonzaga, o show que ele como cantor apresenta, tem a duração de uma hora e meia, enquanto que sua banda, se preciso, possui bagagem e talento musical de estender o show por mais duas horas seguidas, inserindo em seu repertório estilos e ritmos variados tais como: MPB, Jovem Guarda, Seresta e outros. É conhecida como banda Ariús e seus componentes são: China – O Romântico Seresteiro – diretor musical e vocalista; Carlinhos da sanfona que já acompanhou muitos artistas de nomes da nossa música regional, como Elba Ramalho, Marinês e outros.

Cabeção o Zabumbeiro, que começou na banda aos sete anos de idade e hoje está com doze anos. Lindomar – arranjador e exímio tecladista e as bailarinas Simone e Sandra com as suas coreografias, fazendo um show a parte, dando um colorido todo especial à banda.
É pena que a maior parte do povo de Pombal não assistiu ao Show de Massilon, pois o horário que estava previsto para sua apresentação, foi mudado pelos organizadores da festa, vindo a se apresentar às duas horas da madrugada já do dia 02 de julho.
Massilon tem uma presença marcante de palco e com sua sanfona mostra um espetáculo fascinante que agrada aos olhos dos que o assistem em seus shows. Esperamos que Pombal lhe dê outra chance; contudo, que seja em hora apropriada, para alegria dele que ama sua terra, e o deleite de seus conterrâneos que não puderam assisti-lo.

*RADIALISTA
Contato: brunetco@hotmail.com
Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com