CLEMILDO BRUNET DE SÁ

DONA CESSA: A POETA DO COTIDIANO POMBALENSE

                                                         As estrelas do céu são tantas a noite.
Jerdivan Araújo
Em Pombal apenas uma brilhar noite e dia.
No céu, a noite, ás três Marias...
Apenas uma a brilhar para dar luz ao dia.

Tantas outras Marias a fazer sucesso.
Em Pombal apenas uma faz Bonsucesso.

Algumas Marias cansam, param, desistem.
A nossa não Cessa...
...Produz, escreve, falar não pára.



Maria das Dores, tantas são...
...Maria dos Remédios buscam curas.
Mas, nossa Maria é do Bom Sucesso.

Maria das letras e das rimas que não cessam.
Motivos para cantar?
Poucas Marias tem...
A nossa não pára, não Cessa
Escreve canta descreve...



Cessa Lacerda
Professor, Poeta, poetiza
Esposa, mãe, avó
Professora , não se aposenta , não pára não Cessa.



Começa e recomeça com a luz do dia
Olha pela janela, pensa uma rima,
Desenha uma poesia com a paisagem da sua rua,
Risca, rabisca declama... não reclama!

Busca por outra Pombal na sua mente.
Planta , semeia, rega por que tudo ainda é só semente.

A cidade precisa da sua pena.
Vai-se a luz do dia
E daí?
Ela continua com a luz da lua.
Continua, continua, continua...
Não pára não Cessa.

A cidade, da Banda que já não passa
Para tocar retreta no Coreto da praça.
Do vendedor que não grita seu produto:
Carvão, carvão, água, tapioca, cocada
Pirulito e quebra queixo.

Das amigas que vem para o chazinho com biscoito
no cair da tarde.
É a Pombal que ainda existe nas suas rimas.
A Pombal restituída em seu valores
Pela sua pena.

Maria do Bom Sucesso
Forte como todas Marias
Altiva como as torres da Matriz
Que ela se fez gente vendo e escrevendo no
Próprio nome:
-Matriz do Bonsucesso!

Há de proteger seu povo
Como faz a padroeira que lhe empresta o nome
-Nossa Senhora do Bonsucesso.
Também uma Maria.

Dona Cessa segue, produz, escreve
Não pára: eis uma fonte que não Cessa.

Jerdivan Nobrega de Araújo



QUERIDO CONFRADE POETA E ESCRITROR JERDIVAN!

ACESSANDO MEUS E-MAILS SURPREENDÍ-ME COM SUA POESIA DE ALTO GRAU FILOSÓFICO E COMPARATIVO, DEIXANDO-ME EMOCIONADA PELAS REFERÊNCIAS USADAS A MINHA PESSOA. POUCAS SÃO AS PESSOAS QUE MANTEM UMA PREOCUPAÇÃO EM ANALISAR OS DONS QUE DEUS NOS OFERECE CHEGANDO ATÉ AO DESCASO DO QUE SOMOS

.QUANTA BELEZA NOS SEUS VERSOS E SUAS INSPIRAÇÕES.

QUE DEUS MULTIPLIQUE A SUA CAPACIDADE DE DIZER OU CONSTRUIR O QUE SENTE. SOMOS PRIVILEGIADOS POR ELE COMO GRANDES ESPÍRITOS E POR ESTA FORÇA MAIOR NÃO DEIXEMOS PERECER A CULTURA QUE VIBRA DENTRO DE NÓS, QUE PODEMOS EXAUTAR COM AMOR A NOSSA TERRINHA QUERIDA.

OBRIGADA IRMÃO AMIGO!

BEIJOS NO SEU CORAÇÃO! CESSA.

FELICITAÇÕES A PAULO ABRANTES, POR CESSA LACERDA FERNANDES

Paulo e Ana Rosa
QUERIDO PAULO!

ESTOU NESTE INSTANTE APANHANDO O MESMO TREM DE CLEMILDO PARA FESTEJARMOS ANTECIPADAMENTE O SEU ANIVERSÁRIO QUE OCORRERÁ NO PRIMEIRO DE SETEMBRO, SIMBÓLICO E IMPORTANTE DIA DO SEU NASCIMENTO.

É COM IMENSA SATISFAÇÃO QUE PRESTO A MINHA HOMENAGEM DE LEMBRANÇAS, DE SAUDADES E DE AMOR.

NA INFÂNCIA, AQUELE MENINO TRAQUINO, INTELIGENTE, SORRIDENTE E MUITO SIMPÁTICO, QUE VIVEU COM CERTEZA UMA FASE FELIZ COM OS QUERIDOS GENITORES E IRMÃOS.

JOVEM AUDAZ, QUE SURPREENDEU A TODOS PELA INTELIGÊNCIA, ENCARANDO TUDO QUE VIESSE AO SEU DISPOR NA APRESENTAÇÃO DE SUA LINDA VOZ.

ADULTO, SE FEZ FORA DE POMBAL, COMO NARROU O AMIGO CLEMILDO.

HOJE, FEITO, A NOS SERVIR COM ADMIRÁVEL DISPOSIÇÃO DE AMIGO VERDADEIRO E INCOMPARÁVEL.




Paulo Abrantes
VEJA AI, AMIGO!

O QUANTO FOI IMPORTANTE, NAQUELA BRILHANTE SOLENIDADE, VOCÊ TRANSMITINDO AS MINHAS PALAVRAS AO PÚBLICO DAQUELA ASSEMBLÉIA. FATO MARCADO NA MINHA HISTÓRIA! ATENÇÃO COMO ESTA NÃO TÊM PREÇO.

EIS É A RAZÃO DE ESTARMOS PRESENTES NESTES DIAS FELIZES COM VOCÊ, AMIGO!

QUERO TAMBÉM DIZER QUE TRAGO UMA MESMA MENSAGEM NA MINHA BAGAGEM, FAZENDO MINHAS AS PALAVRAS DE CLEMILDO: “ A Bíblia de Jerusalém das edições Paulinas no livro de Eclesiástico capitulo 6: 14-17, está escrito: “Um amigo fiel é um poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro. Um amigo fiel não tem preço, é imponderável o seu valor. Um amigo fiel é um bálsamo vital e os que temem o Senhor o encontrarão. “Aquele que teme ao Senhor faz amigos verdadeiros, pois tal como ele é, assim é seu amigo.”

DOU GRAÇAS A DEUS TER VOCÊ COMO AMIGO. OBRIGADA POR VOCÊ EXISTIR!

PARABÉNS PELA SUA PROGRESSÃO DE VIDA!

PARABÉNS PELAS OBRAS ESCRITAS E TEXTOS IMPORTANTES QUE NOS LEVA A RECORDAÇÕES!

PARABÉNS PELO SEU ANIVERSÁRIO E MUITAS FELICIDADES JUNTAMENTE COM SUA AMADA, ANA ROSA E FAMILIARES.

BEIJOS E ABRAÇOS.

CESSA LACERDA FERNANDES.

Poetiza e escritora pombalense

Contato: cessalacerdapbhotmail.com

Pombal, 28 de agosto de 2010

PAULO ABRANTES: A MAGNIFICÊNCIA DE UMA FORÇA IDEALIZADORA!

CLEMILDO BRUNET*


Eu e Paulo Abrantes
Quem já nasce com ideal na vida, nasce feito. Quem sabe faz a hora não espera acontecer, como diz a letra da canção do paraibano Geraldo Vandré. Pois bem, Paulo Abrantes de Oliveira, nascido em Pombal sertão da Paraíba no dia 01 de setembro de 1949, filho de Augusto Gervásio de Oliveira e Doralice Abrantes de Oliveira, casado com a Advogada Ana Rosa Neiva Monteiro Abrantes, foi morar em João Pessoa em 1967, onde concluiu seus estudos, tendo-se formado em Engenharia Civil e Licenciatura em Ciências, pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Ex professor das disciplinas: Física, desenho e matemática do Liceu Paraibano e Colégio Estadual Santa Júlia. Venceu por duas vezes o Concurso de Oratória das turmas concluintes de 1980 e 1988. Em três gestões, ocupou o cargo de Diretor da Residência Rodoviária do DER – Sapé- PB, exercendo também nesta cidade o cargo de Secretário de Obras e Serviços Urbanos do Município. Ex Gerente do Projeto Renascer II, onde fez diversas construções de casas populares em regime de mutirão, nas cidades de Cabedelo e Bayeux na Paraíba.

Paulo Abrantes é membro efetivo da API e AAI – Associações de Imprensa da Paraíba e Alagoas. Tem sempre colaborado com os principais jornais da Capital. O Norte, Correio da Paraíba, A União, sendo nosso parceiro também no Portal Clemildo, Comunicação & Rádio, com artigos e crônicas, refletindo a força do pensamento sertanejo e brejeiro, impregnado de espírito nordestino na defesa do problema social tipicamente nosso, a agonia dos engenhos, o domínio crescente das usinas, em suma, a desumanização da economia pela mecanização da lavoura de cana-de-açúcar e dispersão de um povo.

Paulo Abrantes tem demonstrado sua desenvoltura na arte literária, pois já editou dois livros: Fazenda Gado Bravo em prosa e verso e a Dama da Rua Estreita. O primeiro traz a tona os tempos de criança vivida por ele mesmo trazendo à baila, recordações de suas raízes. O segundo um relato de ficção, sobre Maria Sofia, uma mulher encantadora descendentes de italianos, criada em Pombal, uma pequena cidade do interior. São as estórias de lobisomem e assombrações que o autor ouvia falar na infância e adolescência. Um misto de ficção e realidade.
Paulo Abrantes e Ana Rosa

A magnificência da força idealizadora de Paulo Abrantes foi também pontuado na execução de um projeto de sua iniciativa e elaborado por ele, o ano passado, para a criação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, na cidade de Sapé, prevendo abertura de Cursos Profissionalizantes, para jovens de toda região polarizada pelo Município de Sapé, tais como: Cruz do Espírito Santo, Mari, Caldas Brandão, Sobrado, Riachão do Poço, Gurinhém, Mulungu, Capim, Guarabira entre outros.

O documento foi entregue em mãos ao Senador Roberto Cavalcante pelo próprio Paulo Abrantes, depois de haver realizado várias reuniões com professores e autoridades da educação na região. No dia 25 de maio deste ano, a Comissão de Educação do Senado Federal, aprovou a criação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFET) de Sapé, que contou com o aval do Ministro da Educação Fernando Hadad.

Segundo o Senador Roberto Cavalcante, “Hadad demonstrou entusiasmo pelo Projeto, em função da localização estratégica, e também pelo pioneirismo da cidade como centro formador de Profissionais”. Ele revelou que o Ministro compartilhou o entendimento de que o IFET, que se destina à formação e qualificações de profissionais, atenderia tanto os jovens egressos do ensino médio como os trabalhadores carentes de qualificação. ”Desta forma, impulsionará o desenvolvimento do comércio, da indústria e do setor agropecuário local e regional”. Acrescentou o Senador. Só assim, o sonho acalentado por mais de 146 mil habitantes da micro região de Sapé é concretizado.

Mesmo sem ter exercido nenhum cargo eletivo, Paulo Abrantes, em suas ações como vimos acima, tem uma particularidade que é dele próprio, Fazer amigos e conquistá-los. Cidadão que merece respeito por suas aptidões até mesmo na maneira como trata seus amigos. Tenho-o em alta estima e consideração.

A Bíblia de Jerusalém das edições Paulinas no livro de Eclesiástico capitulo 6: 14-17, está escrito: “Um amigo fiel é um poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro. Um amigo fiel não tem preço, é imponderável o seu valor. Um amigo fiel é um bálsamo vital e os que teme o Senhor o encontrarão. Aquele que teme ao Senhor faz amigos verdadeiros, pois tal como ele é, assim é seu amigo.”

Paulo Abrantes bendigo os céus pelo privilégio de nutrir essa amizade, e repito o que disse em outra ocasião, parafraseando as palavras do sábio Salomão, em Provérbios capitulo 18:24b. “Mas há amigo mais chegado do que um irmão.”


Salve, 01 de setembro data do seu natalício, parabéns, feliz aniversário!



Pombal, 27 de agosto 2010.


*RADIALISTA

Contato: brunetco@hotmail.com

Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

JERDIVAN LANÇARÁ LIVRO NA FESTA DO ROSÁRIO!

OS AUTORES
Jerdivan Araújo

JERDIVAN NÓBREGA DE ARAÚJO: Nasceu na cidade de Pombal no ano de 1961, onde viveu as décadas de 60 e 70, antenado aos acontecimentos, ouvindo histórias e acompanhando a política cultural da cidade sertaneja.

Nos seus escritos ele consegue abrir para nós a janela do tempo com suas crônicas de fácil entendimento de peculiar humor.

Filho de Félix Tavares de Araújo (In Memoriam) e Gildeth Nóbrega de Araújo, é Bacharel em Direito, pesquisador, funcionário dos Correios e Telégrafos, membro efetivo do grupo de estudos Benigno Cardoso D´Arão, autor de titulos como: “Sob o Céu Estrelado de Pombal” - Fragmentos Recompostos -. Esse livro no relato do pesquisador Verneck Abrantes, “São mistos de emoção, humor, clareza e marcados pela verdade dos fatos, e que dá mais um significativo passo para a memória pombalense, ávida de registros, do contrário, poucos poderiam compreender o significado do amor que se tem pela terra, especialmente aquele que nela nasceu, viveu e um dia partiu”. “Sob o Céu Estrelado... lhe rendeu uma moção de aplausos da Assembléia Legislativa do Estado da Paraíba, propositura feita pelo Deputado Tião Gomes, filho de Pombal. Também, a Câmara Municipal de Pombal, prestou uma homenagem a Jerdivan, por ocasião do lançamento do livro no dia 03 de outubro de 1997, na Festa do Rosário de nossa cidade.

“Na Tela do Cine Lux de Pombal”, outra obra literária de Jerdivan, teve o seu lançamento em Pombal no dia 02 de outubro de 2002, por ocasião da Festa do Rosário. O Cine Lux que teve as suas portas fechadas em 1989 foi à razão maior das histórias contadas nesta obra. Depois de uma luta de onze anos, tentando o tombamento do Cine Lux de Pombal junto ao IPHAEP, não conseguindo êxito, Jerdivan resolveu escrever esse livro, depois de ver derrubado o prédio do histórico Cine Lux, perdendo Pombal a chance de transformá-lo em Teatro, sendo enorme o prejuízo para nossa cultura.

No enredo do livro, bêbados e loucos são colocados no lugar de Prefeito, primeira dama e vereadores, que como os políticos de verdade não puderam evitar que o velho cinema fosse destruído.

Uma verdadeira sátira aos políticos de Pombal que deixaram o patrimônio artístico e cultural da cidade se transformar em pó, pois era hora, de se valorizar essa riqueza como atrativo do turismo sustentável.

Jerdivan fez a apresentação do volume VIII da biografia do grande incentivador das artes: Vingt um Rosado Maia. Fez publicações de Crônicas nos Jornais: A União, Correio da Paraíba, O Norte e Correio das Artes. Em 1998 publicou o ensaio “Os Trabalhadores em Correios e Telégrafos Vão a Luta”.

Mais recentemente, com Verneck Abrantes e Evandro Nóbrega fez a revisão crítica do livro “O Velho Arraial de Piranhas” (Pombal) do ilustre historiador Wilson Seixas Nóbrega.


Ignácio Tavares
IGNÁCIO TAVARES DE ARAÚJO. Nascido em Pombal, no dia 20 de maio de 1937, filho de Benigna Lourdes de Sousa e José Tavares de Araújo. Agricultor aos onze anos de idade em razão da perda do pai em 1948. Fez o primeiro grau no grupo Escolar João da Mata. Conluio curso ginasial no Ginásio Diocesano de Pombal em 1958. Em 1959 assumi a chefia da Comissão de Saneamento de Pombal até o final do ano de 1961. concluiu o curso técnico em contabilidade no final de 1964, no Colégio Diocesano de Pombal. Em 1965 fui aprovado no vestibular de ciências econômicas, em João Pessoa. Concluiu o curso de economia em 1968. Em 1969, fez pós-graduação em analise econômica no Rio de Janeiro.

Foi nomeado professor auxiliar lotado no departamento de economia da Universidade Federal da Paraíba. Ingressou na equipe técnica da comissão estadual de planejamento agrícola em 1970. Em 1973, concluiu o mestrado em economia agrícola na escola de agronomia da Universidade Federal do Ceará. Contratado como técnico em pesquisa econômica e saiais, pela CEPLAC, na Bahia em 1974. Em 1975, retorno a Paraíba, onde foi contratado para prestar serviços como técnicos em planejamento e pesquisa, pela secretaria de planejamento do Estado. Em 1980 assumiu a Superintendência da Fundação de Planejamento do estado (FIPLAN), até o inicio de 1983. Retorno a universidade, com dedicação exclusiva, aposento-me em 1994.

De espetacular memoria, Ignácio Araújo, tem nos últimos seus anos resgatado fatos históricos, envolvendo pessoas das ruas de Pombal, sempre os mais humildes, para deleite da nova geração de filhos da terrinha, que tem a oportunidade de, através dos seus textos, revisitar o cotidiano de uma cidade onde as as venturas e as desventuras do seu povo são contadas com bom humor e respeito aos que a fizeram.


APRESENTAÇÃO


Verneck Abrantes
Existe um ditado que diz: “Quem bebe da água do Rio Piancó, nunca mais esquece Pombal”. Isso é algo inexplicável, pelo fundo de verdade que nele existe. Que o diga, aquele filho que um dia partiu da sua terra natal, por algum designo especial, para viver distante dela. A saudade é inexplicável. Isso, com certeza, vêm das raízes da ancestralidade, dos caminhos percorridos na infância e adolescência, do batismo das amizades inesquecíveis, o apego ao paisagismo urbano da cidade, sua natureza, a gente que faz a família pombalense com suas características peculiares. Entre tantos outros, são esses laços fortes que predominam, daí ser difícil de substituí-los por particularidades de outros lugares.

Mas, quando algo já começa a ser esquecido, o que fazer para evidenciar essas reminiscências? Só mesmo uma comunhão de textos que reuni dois mestres da crônica pombalense: Jerdivan Nóbrega de Araújo e Ignácio Tavares de Araújo.

Em Algum Lugar Chamado Pombal é livro que podemos traduzir como um forte amor a nossa terra natal. Pombal, com seu rico patrimônio cultural, é fonte de inspiração, com destaque para as recordações de algumas décadas passadas, visualizados pelos seus autores. O livro tem conotação documental, baseado na oralidade, urbanismo, o dia-a-dia do povo pombalense, destacando a capacidade de Jerdivan e Ignácio Tavares entender e escrever, aquilo que gostaríamos de nunca esquecer: um tempo memorável vivido na nossa graciosa Pombal.

Ignácio, a partir de sua memória privilegiada, interpreta e constitui os acontecimentos dos anos 40, 50 e começo dos anos 60 do século passado, fornecendo nomes e trazendo a luz dos nossos dias, fatos que permitem o despertar das pessoas para essa historiografia quase esquecida. Jerdivan, dar continuidade, mais precisamente, a partir da segunda metade dos anos 60 e começo dos anos 70. Em sua contextualização, a certos momentos, o livro abraça o encantamento do gênero cômico, com palavras precisas para o riso, coisa difícil de dizer, fácil nas palavras de Jerdivan, que em determinados instantes nos leva a sorrir e a chorar, quase ao mesmo tempo...

Em Algum Lugar Chamado Pombal, são fragmentos da vida pombalense: Domingo à Tarde; No Terceiro Batente da Coluna da Hora; Lord Amplificador; Bar Centenário, Os Sinos Dobram Por Nós; Festa do Rosário; Rua de Baixo; Rio Piancó; Brasil Oiticica; Rua do Comercio, Seresteiros; Carnavais; Apelidos; Bar Curinha; Serra do Pocoropo; Cine Vitoria; Velhos Tempos, Belos Dias; gente que fez os caminhos da nossa terra e tantos outros.

Assim, posso dizer que os primos, Jerdivan e Ignácio Tavares, são devotados construtores da história urbanística, cultural e popular da nossa terra. São dois contadores de histórias.

Em Algum Lugar Chamado Pombal é uma publicação que impõe agradecimentos dos filhos de Pombal, hoje e sempre. Eu, dessa publicação, só digo que estou, verdadeiramente, agradecido.

Campina Grande-PB, 13 de julho de 2010

Verneck Abrantes


INDICE

Os autores

Apresentação

A Pombal que a gente viu

Quem dera poder falar de Pombal de antigamente

O verde da Pombal do meu tempo

6. A moda nas ruas de Pombal - anos 60 e 70



Seu Godôr: Godofredo Paiva Bispo

Pombal do passado

Loucos das ruas de Pombal nos anos 70

Professor Guimarães.

Da Chegada da TV ao Primeiro sábado sem o Cine Lux

Que falta nos faz agora

Domingo á tarde em Pombal

No terceiro batente da Coluna da Hora

Crianças da Rua de Baixo de 1966

Eu ainda escuto o som das Difusoras do Lord Amplificador

No tempo da Rua da Cruz

18. Os sinos dobram por nós

Houve um tempo....

O Bar Centenário do meu tempo

Festa do Rosário e o Parque Maia: Sonho de todo menino de Pombal

22. José Benigno de Sousa – seu Lelé

23. No tempo do Rio Piancó

1969: A Rua de Baixo também não foi à lua

A BR 230 é inaugurada

Alguns carros que pararam no tempo

O Mané Capitula que conheci

Medicina de Pombal nos anos 50 e 60: na língua e na crença do povo

Pombal na copa do mundo de 1970

30. A cultura nas ruas de Pombal nos anos 60

Cine lux de Pombal

A mobralteca e o sesquicentenário da

Independência do Brasil

Festas de São Pedro na Rua dos Pereiros

35. Velhos tempos: bons tempos – I

36. Quando se fazia política com tapinhas nas costas

Os seresteiros: Uma breve história

Senhor Fausto: cavaleiro e domador

39. Chico de Ernesto: O malandro em apuros

40. Joca: o andarilho de Paulista

41. Os meninos caçadores: kiss e o Gambá

42. Mais uma história: vou contar antes que esqueça

43. Apelidos que romperam a barreira dos tempos: caso de Pombal.

44. A serra do Pocoropo: existe em Pombal, mas nunca foi fotografada

45. Rua de Baixo: um lugar de diversão

46. O Natal de antigamente em Pombal

47. Meus carnavais, minhas saudades

48. Cine Vitória: esqueceram de mim

49. No tempo do Bar- Curinha

50. Anos cinqüenta: cadê Chiquinho Formigam

51. Marcionilo: O tio desgarrado


TEXTO PARA A CAPA E A ORELHAS

“Jerdivan, tenho uma filha de 13 anos que cuida de “girar” pela Net e me informar de algumas coisas, já que não tenho muito tempo. Ela me liga. Estava eu me preparando para uma audiência no Judiciário. Pergunta-me: “Papai quem é seu Mizim?”. A princípio não soube responder. Ela prossegue: “E Zeilto Trajano, Zuza Nicássio, Cachorra Velha, Padre Andrade…”. Aí me toquei: São coisas de Pombal. E lhe indago: “Minha filha – chama-se Emilly – porque você me pergunta sobre essa gente. Todas são pessoas de Pombal e isso me surpreende”. Ela diz: “Tem um artigo do seu amigo Jerdivan no Blog de Clemildo que, com certeza, o senhor vai gostar muito. Fala em coisas que até eu, que não conheço, gostei muito quando li”. Fui ao primeiro computador ao meu alcance e acessei o Blog. Li o artigo e não tive outra saída: Chorei!. Mais uma vez obrigado pela oportunidade que você nos dá – a todos os pombalenses – de relembrar a nossa terra, a nossa gente”.

Maciel Gonzaga de Luna

Natal/RN


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“Com muita propriedade, dedicação e uma lembrança tremenda, o amigo Jerdivan, fez um relato nos mínimos detalhes, fazendo com que o leitor que conviveu com estas figuras dos anos 70, pudesse voltar no tempo e gargalhar com as suas lembranças reavivadas pela leitura. Eu morri de rir, porque algumas destas figuras fizeram parte da nossa convivência quando criança”

Júnior da Farmácia.( Patos)

Patos PB. 23/04/2009

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“Quem sabe faz, quem não sabe aplaude. Eu bato palmas para você, para os seus artigos. Quanto à carta ao amigo Paulo Abrantes considero um relicário aberto. Nela você retroage no tempo e nos trás à tona um passado que permanece muito ativo em nossa memória, e o mais importante, com uma precisão descritiva que somente os dotados são capazes. E você é um deles. A sua narrativa reflete em nós uma imagem de um tempo inesquecível e de uma importância imensurável. Professor Vieira.

“Ah, Jerdivan, uma obra-prima. Sua poesia sem frescura é cheia de vida, de talento, inteligência, sensibilidade, memória, imaginação. A Pombal que a Gente viu é perfeita, Jerdivan. Perfeita” W. J Solha ( João Pessoa)


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“Jerdivan que recordação saudosa desse tempo, onde deixei toda minha saudosa infância. Tempo que não volta mais”.

Professora Cessa


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“Parabenizo Jerdivan Nóbrega, pelo que se observa na leitura do texto "Medicina de Pombal", a coletânea de doenças existentes na época dos anos 50 e 60 que nele se encerra é fruto de trabalho minucioso, constituindo um esforço de pesquisa somente encontrado em abnegados que amam a sua terra e a sua gente. Paulo Abrantes.

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“Caro Jerdivan.

Se não fosse a luta contínua que você e outros ilustres pombalenses, vem desempenhando já algum tempo pela preservação arquitetônica dessa cidade centenária e a divulgação dos fatos passados, a nova geração não conheceria essa história. Não é do meu conhecimento que algum político pombalense tenha manifestado interesse em defender a preservação desses monumentos públicos, só como exemplo a destruição do Cine Lux, Continuem com esse trabalho transparente e sem vinculação política.

Valdir Mendonça – Brasília DF”


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“Hoje, mais uma vez, chorei, Dizem que, recordar é viver. Não sei se viver ou sofrer!. Só sei que fico absorta no tempo. Volto à minha infância e juventude. Junta com o meu conterrâneo Jerdivan. Só quero transmiti-lo, meus agradecimentos, Pelas páginas dele , que sempre me emociona.. Socorro de Pombal PB.”


Verneck Abrantes

HOMENAGEM A CESSINHA, PARCEIRA DESTE BLOG

ANIVERSÁRIO DE Mª DO BOM SUCESSO LACERDA FERNANDES NETA (CESSINHA)

"ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio" Sl. 90:12.

POR CLEMILDO BRUNET*

Com muita satisfação, fazemos hoje 25 de agosto, o registro de mais um aniversário da nossa queridíssima Mª do Bom Sucesso Lacerda Neta, acadêmica do 8º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande-PB, membro da Academia Patoense de Artes e Letras, filha do ilustre casal:

Cessinha, Cessa, Bibia e eu
Francisco Fernandes da Silva Júnior e Zeneida Leite Furtado Fernandes, titulares da Hiperfarma Bom Sucesso na cidade de Patos. Cessinha, como é mais conhecida entre seus amigos, carrega como herança com muito orgulho o nome de sua avó, a poetisa, escritora, artista plástica, professora e presidenta da Academia de Letras de Pombal, Mª do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes.

Nossa aniversariante, é uma pessoa que reconhece as bênçãos do Altíssimo sobre a sua vida e por esta razão, sente-se feliz no seio de sua família, estendendo-se essa felicidade aos seus amigos e conhecidos.

É alegre, extrovertida, brincalhona, compenetrada, discreta e quando necessária, séria. Deste modo consegue absorver conhecimentos diversos das pessoas que lhe cercam.

Luiz, Júnior, Zeneida e Cessinha
Cessinha é uma pessoa respeitadora, sabe conviver com as diferenças, as decepções que já sofreu na vida, ela já as enterrou no passado, perdoando aqueles que há magoaram um dia. Para ela o importante é o respeito mútuo entre os seres humanos, sem preconceitos ou julgamentos. É grata para com os seus pais e mestres pelos ensinamentos, respeito, carinho e atenção, que a ajudaram a construir uma personalidade forte, na formação de opiniões e ideal com pensamentos distintos.
Cessinha

É jovem, menina, mulher, guerreira, meiga e fera, às vezes indecisa ou irônica, como qualquer ser da espécie humana, contudo, decidida. Gosta de ler, assistir filmes, sair com os amigos, enfim diverti-se. Cessinha é uma pessoa que busca não só passar pela vida e sim vivê-la em sua intensidade. Detesta fazer os outros sentirem-se inferiores, tem seus princípios éticos sem se impor a ninguém.

Para você Cessinha, neste dia especial, manifesto de público a minha alegria, em que Deus me proporciona esta oportunidade de homenageá-la no nosso portal, do qual, você é nossa parceira. Permita-me, portanto, parabenizá-la pela data de hoje e pela a escolha que você fez para exercício do sacerdócio da medicina.

“OPUS DIVINUM EST DOLOREM SEDARE”. É MISSÃO DIVINA AMENIZAR A DOR.

O Rev. Tiago Lins que foi pastor durante décadas da Primeira Igreja Presbiteriana de João Pessoa, de Saudosa memória, certa vez pregando para uma turma de formandos em medicina, deu os seguintes conselhos, os quais dedico a você cessinha, com todo meu apreço:

1. Cuide bem da saúde – gaste-se, mas, não se desgaste.

2. Procure honrar a sua profissão, realizando com dignidade a sua missão.

3. Faça da sua profissão um sacerdócio e um apostolado: Seja um cooperador (a) de Deus no combate as moléstias e aos vícios que amofinam a humanidade.

4. Procure sempre a direção divina, quando o caso for difícil, e fique certo de que Deus não pode falhar. Que Deus vos abençoe e ajude. Amém.

Acadêmica de Medicina
PARABÉNS, FELIZ ANIVERSÁRIO!

RADIALISTA*

Contato: brunetco@hotmail.com

Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

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Querida Cessinha te amo muito,beijos do Vovô Bibia
Cessinha
Cessinha
Querida Cessinha te amo muito, bjs da vovó Cessa

AS ALMAS PENADAS DO RIACHO DO BODE

Ignácio Tavares de Araujo**

Ignácio Tavares
O Riacho do Bode nasce na região leste da cidade e toma a direção oeste até desemborcar no Piancó. É um riacho de muitas estórias desde os tempos de antão. Às suas margens nasceram vários pés de oiticica que fazem as noites mais sombrias para aqueles que buscam os sítios localizados na região norte do município de Pombal.

Cada um dos passantes da área tinha uma estória para contar. Certa vez, Aurélio, morador do Sítio Ramada atrasou-se um pouco, em razão disso perdeu a comitiva que seguia a mesma direção. Ficou sozinho pra enfrentar a caminhada. Partiu confiante de que em breve estaria chegando em casa.

Ao se aproximar das duas oiticicas, antes de tomar a estrada que dava para Lagôa das Éguas, a burra freou de repente e refugou a continuar. Aurélio disse que esporou o animal e nada. Desesperado com a situação pensou: o que é que vou fazer agora com essa danasca emperrada sem querer sair daqui?

Alguma coisa estranha pareceu a sua frente. Dada a escuridão não foi possível identificar o que era a tal coisa. Começou a se arrepiar. De repente uma mulher toda de branco, que estava por trás do tronco da oiticica passou em sua frente. O pior de tudo isso é que a burra desembestou em direção a cidade e não teve mais como dominá-la. Resultado: se quis ir pra casa teve que tomar a estrada de rodagem até chegar à ponte do areal para poder pegar novamente a estrada da ramada, com uma diferença de quase dois quilômetros.

Sendo sabedor dessa estória Joatão deu outra versão ao acontecimento que deixou Aurélio em polvorosa. Como sempre Joatão gostava de sair de casa para as pescarias por volta de nove horas da noite. Com ele, seguia o seu famoso cachorro Caçada, considerado o animal mais inteligente da região. No ombro carregava a inseparável espingarda de dois canos e duas varas de anzol. No embornal levava as iscas, um cobertor para os momentos de frio e um candeeiro para iluminar o ambiente e caso de necessidade.

Segundo Joatão, ao se aproximar das mesmas oiticicas aonde a burra de Aurélio refugou passar, sentiu que a sua frente havia uma marmota, que não sabia bem o que era. Quando chamou por Caçada, disse que só viu o vulto dele, que correu em desabada de volta para casa. Imaginou: pronto agora estou sozinho.

Não vou passar em baixo dessas oiticicas enquanto não descobrir que mistério é esse. Se essa alma está pensando que sou Aurélio, está enganada. Tirou a espingarda de dois canos do ombro, escorou-se numa estaca da cerca e ficou a observar.

De repente sai uma mulher detrás do tronco da oiticica. Armou o gatilho da espingarda e disse: se essa alma dè um passo em frente eu toco fogo nela. Lá vinha a alma em sua direção. Suas pernas ficaram bambas de tanto tremer. Criou coragem e perguntou: quem é você? Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Nada de resposta. Então, apontou a espingarda, porem, que quando ia apertar o gatilho, a alma falou: seu Joatão, pelo amor de Deus não atire em mim! Conheci a pessoa pela voz. Era gente graúda da sociedade e tinha mais, era uma pessoa do meu conhecimento. Continuou: era uma importante criatura que estava a esperar uma pessoa para um encontro amoroso. Alguém perguntou: quem era então essa criatura Joatão? Ah, meu amigo, eu jurei por todos os santos que jamais revelaria o nome dessa pessoa para ninguém.

Hoje, somos bons amigos. Às vezes quando a gente se encontra no meio da rua, bem baixinho, só pra nós dois, trato do assunto e a gente ri a vontade. Esta é uma das estórias cabeludas de Joatão, entre tantos outras que frequentemente costumava contar. Quem se divertia bastante com essa estória era o saudoso amigo Pedoca de Déca.

Outro acontecimento foi contado por Vital pescador, o pai de Zé Corró. Vital costumava dizer que o Riacho do Bode era um coito de almas penadas. Dizia ainda que nenhum pescador tem coragem de passar sozinho naquela região, nas primeiras horas de escuridão. Eu mesmo já perdi duas alpercatas e uma cabaça cheia de peixe de uma carreira que levei. Continuou: eu vinha do Poço da Panela, depois de uma boa pescaria. Para encurtar o caminho vim pela estrada que fica no pé da serra do sítio Bom Jesus, que vai dá no Riacho do Bode. Ao caminhar riacho acima, comecei a ver coisas estranhas. Fiquei cismado, mas, dei continuidade a minha caminhada.

De vez em quando uma pessoa soprava nos meus ouvidos. Parei olhei para um canto e para outro não vi ninguém. A essa altura já pensava em correr, mas, a cabaça cheia de peixes, que trazia na cabeça, impedia porque pesava muito. Num dado momento, não foi apenas uma pessoa a soprar nos meus ouvidos, foram duas. Aí meu amigo não teve jeito, desfiz-me das alpercatas, joguei a cabaça com os peixes fora e pernas pra que te quero. Em pouco tempo estava na porta de casa.

Maria, sua esposa levantou-se ao ouvir o seu chamado com a voz ofegante. Maria estranhou a situação e perguntou: ô xente, que cansasso é este homem de Deus? Cadê a cabaça com os peixes? Respondeu vital: ora, ora, deixei lá no Riacho do Bode. Por que Vital? Perguntou Maria. Vou lhe contar ligeiramente: duas almas me perseguiram e tive que jogar fora a cabaça cheia de peixe para poder chegar em casa vivo. Insatisfeita Maria perguntou: por que você não fez uma reza forte? Vital responde: e deu tempo? Ah Maria, você queria que eu caísse duro de medo lá no Riacho do Bode? Cruz credo! Retrucou Maria: sabe o que é isso? Se você não sabe, eu sei, viu? É porque você não gosta de rezar. De cabeça baixa, Vital respondeu: você tem toda razão!! Juro por todos os Santos que na semana que entra vou me confessar com Padre Valeriano. Tenho a crença de que sem pecados as almas vão ficar com medo de mim, invés d’eu ter medo delas.

Vital continuou a pescar, mas sem passar pelo Riacho do Bode, mesmo a plena luz do dia. Há estórias e estórias sobre as assombrações no Riacho do Bode, tanto quanto as estórias que contam sobre assombrações que atormentam os passantes que trilham pelos caminhos das oiticicas do Riacho do João Rodrigues.

Conclusão: quem tem medo de almas, evite esses lugares, principalmente depois da meia noite.

**Escritor, filho da terrinha.

VOLTAR À NATUREZA

Paulo Abrantes em sua casa de campo

 Paulo Abrantes de Oliveira*

Ontem, estive na casa de campo, em Sapé, chovia muito e sentíamos um frio sibilando na noite, que jamais supúnhamos pudesse fazer em outro lugar. O céu, entrecortado de trovões e relâmpagos refletia clarões de fogo por toda parte. Eu que tive uma curta e saudável experiência rural, mas trago bem viva na lembrança daqueles tempos de inverno forte em Pombal, quando eu ia para Gado Bravo, fazenda de meu avô paterno, lá pelos meados da década de 60, quando o riacho cheio sussurrava ao longe, partindo em desabalada correnteza e os vultos espessos dos pés de cajás se curvavam á força do vento, cujos barulhos conferiam á paisagem algo de mal-assombrado. Chegar até lá, de Rural Willys, para passar as férias com meu primo Tozinho, era puro encantamento.

Se a casa era boa ou ruim, pouco nos interessava, sei que se espiava o mato pelas duas janelas da frente, tinha uma pequena varanda acolhedora o suficiente para abrigar a família e amigos, para contar segredos, guardar sonhos, amores, ódios e afilições. Eu e Tozinho éramos pequenos demais, a cabeça repleta de visões. O pensamento fértil e a imaginação latejando insistentemente corriam mais que o cavalo de Padim João, meu avô. Ali, deitadas, mansas e impassíveis diante dos acontecimentos, só ficavam mesmo as duas vacas de Padim João, amoitadas debaixo da latada, do lado esquerdo da casa. Para eu e Tozinho, pouco ou quase nada de paz nos interessava. O interesse estava no que se movia, no fragor das águas do riacho cheio que descia fragoroso em desabalada correnteza, ecoando um estalar de troncos e ramos partidos, que mais parecia um dilúvio arrastando tudo que estivesse á sua frente, espalhando pânico e medo nos moradores do casarão velho da fazenda, que para nós dois, com menos de dez anos, tudo adquiria uma dimensão que provavelmente não tinha.

As roças, os currais de gados e riachos eram nossos lugares preferidos, tamanho era o prazer de sentir o encanto da natureza, exalando o cheiro bom do velame e da alfazema braba. À noite, na sala, tio Chico sabia contar histórias e contava-as com uma precisão visionária incrível. Todos achegavam mais perto dele para escutá-las. Eram sombrias, sonolentas, cheias de assombrações que íamos para a cama com a sensação de quem assistira a um filme de terror. Apesar do terror que nos impregnava até os ossos, o ambiente rural nada tinha de ameaçador. O sono batia logo e o pouco que sabíamos da horripilante estória, ia se dilacerando na noite - e á medida que se aprofundava íamos vendo pouco e pouco se distanciar o episódio que viera dos lábios murchos e gretados de Tio Chico numa noite de tempestade em que os relâmpagos pareciam dilatar ainda mais as pupilas do terror.

As manhãs sempre explodiam cheias de frescor e os dias corriam preguiçosos como rios de planície, que nem sentíamos as férias acabarem.

Eu subia invariavelmente, na cajazeira e ficava olhando Tozinho correr atrás de cajás maduros na correnteza do riacho que descia fragoroso brilhando ao sol. No quintal, o correr do tempo se marcava pelo canto dos passarinhos e do cantar estridente dos galos no terreiro.

O certo é que sentimos a falta do campo na cidade grande, ele está presente no consciente daqueles que um dia teve um convívio rural. Hoje, há muitos, que buscam as grandes cidades, por razões que justificam: estão se mudando a procura de emprego; de escola superior para educar seus filhos, de novas companhias para fugir da solidão. O fato é que a nostalgia do campo está presente em muitos de nós. Muitos cantam sua volta á natureza, porque o campo é um lugar mágico, saudável, de ar puro, cheio de autenticidade e de pessoas com características simples e sinceras. Voltar à natureza é o quanto sinto ao chegar a esta casa de campo, por mais simples que seja a morada, é uma dádiva que Deus me deu para tê-la e senti-la com o mesmo encanto de uma propriedade rural no nosso sertão.
Granja S. Lucas de Paulo e Ana Rosa

* É engenheiro e escritor.

QUANDO A LUA ERA DOS NAMORADOS...

CLEMILDO BRUNET*

Clemildo Brunet
Já se foi o tempo em que se dizia que a lua é dos namorados. Entretanto, é necessário lembrar que esse corpo celeste, é a inspiração dos cancioneiros e poetas populares, emergentes das culturas dos povos, nas obras de arte, poemas, canções, religiões, histórias, romances, mistérios e superstições.

Na Bíblia a lua é descrita como obra da criação de Deus e contemplação dos homens. Disse também Deus: “Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos” Gn.1:14... “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem que dele te lembres e o filho do homem que o visites?” Sl.8:3,4.

E por aí vai. Para a maioria, a conquista do homem ao pisar o solo lunar há 40 anos, foi de somenos importância. Houve mais reflexo no imaginário popular, pois, as imagens do homem na lua foram banalizadas como um show de mídia e não como um avanço da ciência.

As palavras do astronauta Neil Amistrong “este é um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade”, não passaram de figura retórica. Mais do que a lua real onde ficaram as pegadas de Neil Amstrong e uma bandeira americana, a lua da cultura pop e do imaginário popular nos toca bem fundo do que a do espaço sideral.

Não é a conquista da lua pelo o homem como marco histórico e sim a conquista do homem pela lua, na essência; para se inspirar e compor em versos seu sentimento, olhando o céu azul, cintilado de estrelas em noites de lua cheia. Hoje sentimos saudades de quando a lua era dos namorados.

O saudoso musicista Heitor Villa Lobos grande e renomado compositor brasileiro, numa de suas excursões pela Europa liderando um famoso coral brasileiro fez uma apresentação em um dos mais conhecidos centros da cultura européia, o Teatro de Milão, na Itália. Todos que estavam naquele teatro guardavam silêncio demonstrando o interesse que tinham pelas as artes, principalmente a música.

Ouviam as apresentações que se sucediam, quando em dado momento, depois que o célebre coral regido por Villa Lobos, terminou de cantar “O LUAR DO SERTÃO” música e letra da autoria de um maranhense, Catulo da Paixão Cearense, toda platéia ficou de pé e aplaudiu demoradamente, a execução da referida canção, que pela magia da letra e música causou imensa admiração aquele seleto auditório.

Os Jornais da época, de toda a Europa, deram destaque ao fato. Não é sem razão que a canção Luar do Sertão é conhecida como o hino oficial do sertão nordestino. Coincidência ou não, Catulo da Paixão Cearense, teve seu ultimo desejo atendido: Morrer em uma noite de lua cheia.



No dia 13 de novembro de 1946, ás cinco e meia da tarde, quando a lua surgia sobre as águas tranqüilas da Baia da Guanabara, banhando de luz o Rio de Janeiro e o Brasil, naquele momento, ao som de um violino dolente, que solava “Luar do Sertão”, ele era sepultado, no Cemitério São João Batista. Cumpriu-se então o que disse Catulo da Paixão Cearense, em um verso de sua canção.



“Se Deus me ouvisse com amor e caridade,

Me faria esta vontade, o ideal do coração:

Pra que um dia,

Se a morte me surpreendesse

E eu morresse numa noite

De luar do meu sertão.”

Se hoje a lua não é motivo para a inspiração das religiões ou mitos, sabe-se que ela é imbatível nas histórias fantásticas do universo. No cinema, nos sonhos, na literatura e na tradição oral, de modo mágico e encantado, ela está presente para o bem e para o mal. Inúmeras histórias de amor foram construídas sob o pretexto desta frase: “Olha como a lua está linda!”

Mas também, não há conto, filme ou livro de terror que não dê destaque a lua em algum momento. A mesma lua das histórias de amor tem também seu aspecto sinistro. Falar da lua é lembrar os trovadores, a poesia de rua, dos seresteiros, dos violeiros e dos grandes literatos. É a musa inspiradora das canções e da poesia.

Ainda trago na lembrança os dias saudosos dos meus verdes anos, onde em minha cidade se registrava as mais belas serenatas nas noites enluaradas. Algumas ao som de um plangente violão, outras ao som das radiolas portáteis. Por incrível que pareça a primeira radiola portátil que chegou a esta cidade, pertencia a minha irmã Claudete Brunet de Sá (saudosa memória), a marca era Motoplay. Eu utilizava esse aparelho sonoro alimentado à pilha, para tocar os antigos discos de vinil nas serenatas em noite de lua.

Pois bem, neste pedaço de chão sertanejo, banhado pelo brilho do luar no firmamento límpido e esplêndido de estrelas, na beleza, encanto e suavidade da noite, ouvíamos os versos da canção que acordou tantas namoradas...




“Lua, manda a tua luz prateada

                       Despertar a minha amada

                       Quero matar meus desejos

                         Sufocá-la com meus beijos...

Dia 24 deste mês, é noite de “lua cheia”, veja o fulgor do mais belo luar do ano. O luar do mês de agosto, parecendo um “sol de prata, prateando a solidão”; na bendita comparação do poeta; reminiscências do passado, quando a lua era dos namorados...

Pombal, 20 de agosto de 2010.

*RADIALISTA