CLEMILDO BRUNET DE SÁ

PARABÉNS SECRETÁRIAS, NOSSAS HEROÍNAS!

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

30 de setembro se festeja o Dia da Secretária. Curiosidade é o motivo pelo qual essa data foi reconhecida. Veio em decorrência do invento da máquina de escrever por Christopher Sholes e em razão de sua filha Lilian Sholes, que nasceu em 30 de setembro de 1850, testar o invento, tornando-se a primeira mulher a escrever numa máquina, em público. O Dia da Secretária teve sua origem por ocasião do centenário do nascimento de Lilian Sholes, quando os fabricantes de máquinas de escrever fizeram diversas comemorações. Entre elas, concurso para escolha da melhor datilógrafa.

Secretária é aquela pessoa que se dedica de corpo e alma ao exercício da profissão com muito desvelo e carinho no que faz. É ela quem cuida da agenda, das correspondências, anotações e sabe mostrar sua habilidade no modo como trata as pessoas que a procuram em busca de alguma informação ou que necessitem de seus préstimos. É um agente que tem que investir no crescimento e na harmonia pessoal e das tarefas que a profissão exige.

Atributos ou critérios indispensáveis a secretária é que ela seja discreta. Simpática, dedicada, paciente, objetiva. Que tenha conhecimento e sensibilidade, pois essas virtudes fazem parte de um todo e a enquadra como uma profissional eficiente. A própria origem da palavra contém um que de cumplicidade. Acredita-se que surgiu do latim:

Secretarium: que significa lugar retirado, conselho privado.

Secretum: cuja tradução é retiro, solidão.

Secreta: particular, segredo.

Provavelmente, o tempo se encarregou de fixar a grafia e modificar o sentido original da palavra. Mas a característica de particular, confidencial, a profissão mantém até hoje.

Sabe-se que a origem da profissão não pode ser conhecida com precisão, tão pouco determinar uma data exata. Os primeiros registros de secretária datam dos tempos dos Faraós, e era exercido pelo sexo masculino, na figura dos escribas.

O escriba ou escrivão era a pessoa na antiguidade que dominava a escrita e a usava para, a mando do regente, redigir as normas do povo daquela região ou de uma determinada religião. Ele fazia contas, classificava os arquivos e redigia as ordens, bem como recebê-las por escrito e, por conseguinte, era naturalmente encarregado por sua execução.

Tempos depois, com a Revolução Industrial, volta a aparecer a função de secretário e, após as duas guerras mundiais, por falta de mão-de-obra masculina, que fora direcionada para os campos de batalha, houve o surgimento da figura feminina bastante atuante na área, na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, a mulher surge como secretária na década de 50. Nessa mesma época, houve a implantação de cursos voltados para a área como, por exemplo, técnico em secretariado.

Vejamos um breve histórico:

Nos anos 50: com a chegada das multinacionais, executando algumas técnicas como: datilografia, taquigrafia, organização de arquivos, anotações de recados e atendimento telefônico.

Anos 60: inicia-se o treinamento gerencial, e ter uma secretária passa a ser status iniciando-se assim uma valorização da secretária por parte dos empresários brasileiros. Em 1969, é criada a Universidade Federal da Bahia o 1º curso de Secretariado Executivo do Brasil.

Na década de 70 a secretária passa a ser membro ativo na gerência.

Nos anos 80 a secretária é assessora. Nesta época, a categoria conseguiu, por meio de muita luta, a regulamentação da profissão, com a assinatura da lei nº 7.377, de 30/09/1985. Com a regulamentação, a classe ganhou força, surgindo os sindicatos das secretárias. Em 1988, foi criada a Fenassec – Federação Nacional de Secretárias e Secretários em Curitiba, Paraná. Em 7 de julho de 1989 é publicado o Código de Ética Profissional, criado pela União dos Sindicatos.

Na década de 90 presenciou-se um dos melhores momentos da profissão de secretária que se caracteriza, como uma figura importante na empresa, pois, com o advento dos recursos tecnológicos, mudou-se a forma de trabalhar no escritório, as organizações passaram a buscar intensamente a qualidade total e a valorização dos clientes. Segundo Ribeiro, “Tais transformações ocorreram principalmente com a introdução da reengenharia que redefiniu o papel dos que secretariavam, atribuindo a este, mais autonomia nas execuções das tarefas”.

Agora no ano 2000, que o secretário seja empreendedor, assessor, executante, polivalente e que tenha uma visão holística.

O trabalho da secretária mudou muito com o decorrer do tempo. Se antes precisava ser uma exímia datilógrafa e fazer exatamente o que o chefe pedia, hoje ela assume uma posição mais independente, tomando decisões e peneirando o que deve ou não chegar às mãos da chefia. A datilografia e a taquigrafia foram deixadas para trás e substituídas pelas novas tecnologias.

Outro aspecto que também mudou foi à clássica divisão entre secretária júnior (iniciante), plena (meio de carreira) e sênior (executiva). Algumas empresas podem até usar as denominações, mas a verdade é que atualmente mesmo uma simples estagiária já pega um volume de trabalho compatível com o de uma profissional.

A moderna secretária é praticamente uma assessora da presidência ou diretoria para a qual trabalha. Além de gerenciar a qualidade das atividades que desenvolve na empresa, também administra a vida e a agenda particular dos executivos. Logo, trata-se de uma tarefa de extrema confiança, que exige discrição absoluta.



» Referências:

http://www.metodista.br/secretariado/curso/historia-e-origem-da-profissao-secretaria

http://www.dasecretariado.ufba.br/hist%C3%B3rico_da_profiss%C3%A3o.htm

http://www.fenassec.com.br/artigos/art58.htm

http://www2.uel.br/cesa/dsec/hist.htm

Seria tão bom que as empresas privadas ou públicas reconhecessem o valor da secretária e dessem a devida atenção ao seu trabalho. Ela é responsável por diversas tarefas administrativas necessárias ao correto funcionamento da empresa. Faz parte do seu cotidiano em suas funções, atender, filtrar e passar telefonemas. Marcar e preparar reuniões e entrevistas, fazer despachos das correspondências, contactar clientes, organizar e manter os ficheiros e processamento de textos.

Parabenizo mais uma vez as secretárias pelo seu dia, desejando todo sucesso do mundo na carreira que abraçaram. São nossas heroínas!

Salve 30 de setembro, DIA DA SECRETÁRIA!

*RADIALISTA

Contato: brunetco@hotmail.com

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"LORD AMPLIFICADOR: O SOM DIRECIONAL DA COMUNICAÇÂO"! PARTE II


Clemildo Brunet (época do Lord)
CLEMILDO BRUNET*

Como sucedâneo da “Voz da Cidade”, o Serviço de Alto Falantes “LORD AMPLIFICADOR” veio a ser também uma escola ou oficina de rádio agregando a rapaziada do meu tempo, envolvendo-os nesse processo de caráter indireto e imediato de comunicação, através de um sistema sonoro que era ouvido a certa distância, transmitida por cornetas (projetores de áudio), espalhada em pontos estratégicos da cidade.

Muito novo ainda, eu não sabia que estava sendo feito um aprendizado, pois no momento considerava tudo aquilo, como se fosse simplesmente um entretenimento; contudo, a vontade de fazer locução era mais forte, pois já havia exercido tal atividade nas difusoras de Raimundo Sacristão e das Lojas Paulista. Pouco a pouco, os voluntários da época, curiosos, adentravam o Studio do LORD AMPLIFICADOR e em pouco tempo, estavam, ou exercendo a função de sonoplasta ou de locutor.

Foi num tempo em que a cidade de Pombal havia se acostumada ao silêncio das antigas difusoras e quando surgiu o LORD, fomos vítimas da incompreensão de alguns que incomodados com o som direcional da comunicação, solicitaram da empresa fornecedora de energia Elétrica (SAELPA), a retirada das cornetas dos postes da cidade. A pressão foi tão grande que a Saelpa nos encaminhou um ofício, determinando que retirássemos nossos projetores de áudio.

Eu e os meus companheiros ficamos desolados, a cidade indiferente ao que se passava e as cornetas emborcadas dentro do Studio. Todos os dias questionávamos como encontrar uma solução para o problema. De repente, vem a minha procura o Dr. Francisco Nelson da Nóbrega (saudosa memória) Promotor de Justiça aposentado e Presidente do Rotary Clube de Pombal, solicitando a divulgação de uma nota daquele clube de serviço. Então, lhe dei ciência do que estava acontecendo.

Pombal tem muito a agradecer ao Dr. Francisco Nelson da Nóbrega, pois, diga-se de passagem, foi um lutador pelo desenvolvimento de nossa terra. Pois bem: Pegando-me pelo braço, Dr. Nelson levou-me a Prefeitura, para solicitar do Prefeito de então, Dr. Atencio Bezerra Wanderley, a imediata instalação das cornetas de som nos prédios públicos pertencentes ao município. Dessa forma, por determinação do executivo municipal, o LORD AMPLIFICADOR voltou a funcionar normalmente.

LORD AMPLIFICADOR - um marco na história da nossa radiofonia, merecendo destaque pelas seguintes razões: 01) Cobria os eventos da cidade com imparcialidade. 02) Foi o único Serviço de Alto Falante que transmitiu via rádio, a Copa do Mundo de 1970 no México. 03) As cinco da tarde, era lido para conhecimento da população as ocorrências policiais, boletim fornecido pela Delegacia de Policia de Pombal. 04) Informava diariamente os filmes que eram e que estavam para ser exibidos no Cine Lux. 05) A população tomava conhecimento da chegada dos pombalenses que residiam fora que vinham visitar seus familiares. 06) O serviço de som volante do LORD AMPLIFICADOR foi pioneiro na região a divulgar convites de missa e enterro pelas ruas da cidade. 07) De sua oficina de rádio muitos profissionais se viram aptos, para o exercício de seu labor diário. 08) Sua programação eclética tocava todos os gêneros musicais, pois tinha uma discoteca atualizada. 09} Rigoroso teste era feito acompanhado por uma comissão julgadora, para o ingresso de locutores em seus quadros. 10) Quando as reportagens externas eram impossibilitadas de serem feitas ao vivo, por não dispormos de dispositivos para isso, a cobertura era realizada com gravador e logo em seguida levada ao “AR”.

DESCRIÇÃO DE CONTEMPORÂNEOS DO LORD AMPLIFICADOR:

JOSÉ ROMERO CARDOSO: Em um passado recente, a velha e tradicional cidade de Pombal, localizado no sertão central do estado da Paraíba, contou com inesquecível experiência radiofônica personificada no saudoso Lord Amplificador, cujas difusoras, estrategicamente localizadas no centro da cidade, irradiavam à população resultados concretos da fluente inteligência de pioneiros das atuais ondas dos rádios existentes na cidade, concretizadas através das importantes emissoras que engrandecem e enriquecem a cultura e o patrimônio da velha terra de Maringá. Impossível esquecer o carinho e a devoção do grande radialista Clemildo Brunet quando da efetivação dos inúmeros programas transmitidos pelo Lord Amplificador, o qual se constituiu indubitavelmente em verdadeira escola para muitos profissionais que atuaram e ainda atuam no exercício digno de uma profissão merecedora de respeito e louvor...

Uma das escolas radiofônicas na qual militou o grande expoente da radiofonia pombalense, foi justamente o Lord Amplificador, inegavelmente um dos pontos de referência quando se trata da história do radialismo no sertão paraibano. Torna-se impossível esquecer o papel desempenhado pelo velho e saudoso Lord Amplificador quando das festas pombalenses, intercalando-se com as festividades em razão do uso profuso por parte da população incluindo concretizar informações, lazer e cultura em uma época em que a tecnologia ainda não tinha sido efetivada de forma proeminente na cidade de Pombal. Quando das festas do Rosário, boa parte da programação do Lord Amplificador estava articulada e direcionada aos encaminhamentos do evento religioso dos pombalenses.

MARIA DE LOURDES PEREIRA DE ARAÚJO:

Em mil novecentos e setenta,
Quando a Pombal retornei,
Vi que algo havia mudado E logo observei.
Um Lord Amplificador,

Na cidade eu encontrei
Um homem conceituado,
Atendendo todas as demandas,
Com uma simples difusora,
Fazia as propagandas Do comercio de Pombal,
Com capacidade tamanha!

Era você Clemildo Brunet.
Que eu ainda nem conhecia,
Mas sabia admirar,
Tudo que você fazia.

Com sua simplicidade
Conquistou a radiofonia.
E por ser um grande mestre,
Rico de experiência,
A outros radialistas,
Fez provar a eficiência.

Nos trabalhos realizados,
Com maior número de audiência.
Tendo Genival Severo, Dorival e Orácio Bandeira,
Naquele Lord Amplificador

GENIVAL TORRES DANTAS: Numa noite o próprio Massilon Gonzaga faltou e sem alternativa peguei o microfone e comecei a ler os textos, normalmente elaborados pelo Clemildo, que atento ao som do Lord Amplificador, veio ao estúdio saber o que estava acontecendo, ele conhecia bem a voz dos seus locutores, eu simplesmente era um intruso naquele instante. Mas o Clemildo não reclamou muito, apenas ficou atento por alguns minutos e foi embora, eu continuei na minha tarefa. No dia seguinte ele, o Clemildo, me procurou para conversar e me efetivou como locutor por um período mínimo e era reserva na ausência dos titulares. Assim comecei minha história na radiofonia pombalence, na seqüência tanto eu quanto o Massilon Gonzaga fazíamos as seleções musicais após o encerramento das transmissões.

ONALDO QUEIROGA: Por volta das quinze horas, instante do tradicional lanche da tarde, o Lord Amplificador reiniciava sua programação. O menino, agora, ouvia o forró pé-de-serra comandado pelo velho “Beim”, que contagiava o entardecer sertanejo, pois a mistura do som das sanfonas e crepúsculo bulia intensamente com o âmago de todos. Foram as difusoras do Lord Amplificador que apresentaram ao menino, a voz, a sanfona e a obra de Luiz Gonzaga.

SEVERINO COELHO VIANA: O Lord Amplificador foi o passo inicial, como você se expressou no artigo de sua autoria “No ano seguinte em 1968 instalamos o Serviço de Alto Falantes LORD AMPLIFICADOR, que teve o seu funcionamento até o ano de 1985, sendo desativado com ascensão das emissoras de rádios que chegaram a Pombal”.

PROF° FRANCISCO VIEIRA: Reconhecidamente, tudo começou com você - O PRECURSOR. Do Lord Amplificador até o portal, foi uma longa história na qual você está inserido como personagem principal. Honestamente, sem você, a história estaria incompleta; a radiofonia pombalense não seria mais que um sonho não concretizado.

JOSÉ CARLOS DE ARAÚJO – CARLÃO: No meu caso minhas visitas eram sempre ao Lord Amplificador, o legítimo e autêntico meio de comunicação na época. Admirado com a destreza dos comunicadores Evilásio Junqueira, Evandro Junqueira, e o Saudoso Ernesto Junqueira todos esses irmãos e dotados com o dom da comunicação juntados a eles faziam parte do quadro de locutores Rosil Bezerra e Genival Severo o ultimo, comandando um forró no final das tardes. O diretor, ou seja, o dono daquela mine rádio podemos dizer assim, porque sonorizava todo o centro da cidade, era o professor e o capitão-mor da comunicação, Clemildo Brunet.

Finalmente, no Sábado da Festa do Rosário, por ocasião do Encontro dos Filhos de Pombal, o LORD AMPLIFICADOR, receberá suas homenagens. Uma difusora do século passado que fez história e continua na lembrança de todos. Por esta razão somos gratos pelo reconhecimento.

Corneta de Som
Pombal 23/09/10
*RADIALISTA


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PERNICIOSIDADE DO TRAIDOR E DA TRAIÇÃO!

José Romero (Foto)

Lembranças emocionadas sobre conselhos de Vingt-un Rosado referentes à perniciosidade do traidor e da traição

José Romero Araújo Cardoso (*)

Vingt-un era uma criatura sublime e ímpar, ungida por Deus Eterno Todo Poderoso na expressão literal do termo. Vivemos longos e intensos momentos marcantes, assinalados pela mais bela amizade, pelo mais belo respeito e pela mais pura e recíproca consideração.

Os conselhos de Vingt-un fixaram-se de forma indelével em minha consciência, pois o saudoso alcaide da cultura exigia que eu ouvisse a voz de sua longeva experiência. Entre inúmeras e incontáveis conversas uma relembro com precisão, pois se tratou do valor da confiança e da consideração.

Vingt-un, descendente de paraibanos fortes e altivos, disse-me certa vez para nunca perdoar traição, pois o traidor ou traidora deve ser execrada, na medida que, se perdoado ou perdoada, repetir-se-ão com certeza e com mais intensidade os níveis da traição.

Traição para Vingt-un é um mal que deve ser extirpado pela raiz, jamais ser considerada como algo normal e passível de passar despercebida. Ele me ensinou que a traição manifestação absoluta da maldade humana.

Vingt-un tinha razão, pois o traidor ou traidora é alguém que prima pela ausência de valores, falha na confiança depositada e quebra no princípio da própria valorização do ser humano enquanto tal.

Ficava horas conversando com Vingt-un em seu gabinete na Fundação que leva seu nome, mantenedora da Coleção Mossoroense. Infelizmente foram muitos traidores que se cercaram de Vingt-un, que o apunhalaram pelas costas. Falava sobre cada punhalada que levou com uma pontinha de mágoa, mas sempre com um sorriso boníssimo no rosto.

Quantas saudades e Vingt-un e América, pois esta grande mineira, mulher forte, de caráter, cuja personalidade altiva transformou-lhe em uma das mais importantes o gênero feminino do “País de Mossoró”, soube respeitar com absoluta dignidade Vingt-un em sua grandeza magistral como ser humano e como grande e eterno intelectual.

Percorrí o Rio Grande do Note e boa parte do Nordeste em companhia dos dois. Informações preciosíssimas foram guardadas em minha mente, quando em diversas paragens Vingt-un descrevia pormenorizadamente detalhes dos lugares em que passávamos. Certa vez estávamos a caminho da Fazenda Acauã, em Riachuelo (RN),onde pernoitamos, na companhia do saudoso Oswaldo Lamartine de Faria, filho do ex-governador potiguar Juvenal Lamartine de Faria. Vingt-un, antes de chegarmos à histórica propriedade rural, fez uma descrição impecável da importância do lugar e sobre o autor de “Apontamentos sobre a faca de ponta”. Oswaldo era um homem bom, honesto, coerente, amigo, firme e impossível de uma traição a quem lhe depositasse confiança, assim como outros amigos de Vingt-un, como João Batista Cascudo Rodrigues, Milton Marques, Benedito Vasconcelos Mendes, Wilson Bezerra de Moura, Elder Heronildes, entre tantos outros, honestos e de bem.

Impossível lembrar Vingt-un, bem como América Fernandes Rosado Maia, sem que vertam lágrimas dos olhos, pois a saudade intensa dos dois é algo que jamais será apagado pelo tempo, tendo em vista a sólida e inquebrantável amizade firmada com esses primos queridos que estão à direita de Deus.

Vingt-un me ensinou, e guardei a sete chaves seus ensinamentos, que traição e traidores são pragas que precisam ser exorcizadas, precisam ser encarados como a mais alta manifestação de maldade dos seres humanos, e, como tal, imperdoáveis para que não se perpetuem no tempo e no espaço, pois trazem apenas infortúnios e dor para quem tem o coração bom, como era o de Jerônimo Vingt-un Rosado Maia.

(*)  Geógrafo. Professor-adjunto da UERN.

CESSA LACERDA: ROSA DA ESTAÇÃO PRIMAVERA!

Clemildo Brunet (Foto)

CLEMILDO BRUNET*

Contaram-me um dia a história de uma linda rosa que nasceu no limiar da estação da primavera, numa época do ano, em que o sol brilha com mais intensidade e as flores abrem-se nos campos delineando a paisagem de um colorido sem igual. É a natureza nos brindando em todo seu esplendor com o espetáculo magnífico de sua exuberância.

Pois bem: A história que ouvi contar é dessa rosa da estação da primavera: MARIA DO BOM SUCESSO DE LACERDA FERNANDES, educadora, poetisa, artista plástica, escritora, madrinha dos comunicadores de Pombal e Presidenta da Academia de Letras de nossa cidade; pessoa humana com qualidades de primeira grandeza, encastoada em ouro no firmamento da constelação de amor a terra natal, em defesa de sua cultura. Com muita propriedade e conhecimento de causa, assim se expressou o nosso historiador Wilson da Nóbrega Seixas:

“A nossa poetisa Cessa já nasceu assim, porque trouxe nas veias, o sangue dos primitivos habitantes das Algarves, distrito e província de Portugal, que povoaram os sertões da Paraíba na segunda metade do século XVIII, em qualquer época teria naturalmente de manifestar a sua vocação poética e a sua inteligência privilegiada, como um fruto que já brotasse amadurecido, ou uma rosa que já surgisse aberta em pétalas’.

Para muitos este é simplesmente mais um dia, sem muitas novidades, mas para nós, integrantes da comunicação e outros espalhados por aí afora e em diversos lugares, 17 de setembro é um dia especial, pois, neste dia estamos comemorando o aniversário da nossa estimada madrinha dos comunicadores, Cessa Lacerda, título honorífico proposto pelo radialista Orácio Bandeira e aceito pela categoria.



Cessa de Lacerda Fernandes (Foto)

O QUE DISSERAM A SEU RESPEITO... 

“Grande mulher, mãe extremosa, escritora por excelência, poetisa por cultuar o belo, professora por vocação, tornando-se uma mestra, católica fervorosa, sempre espargindo atitudes magnânimas. A sua posição social é marcante, recheada com lances de fidalguia e uma elegância incomparável”

João Ferreira de Almeida – Administrador.

“Uma esmeralda simbólica de brilho irradiante, admirada pela sensibilidade e simpatia de sua essência. Filial e fraternalmente chamo-a de D. Cessa (Maria do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes). Mulher, por mim, querida e respeitada. Estrela central aurifulgente da constelação do meu bem querer”

Luiz Antonio Soares - Romancista, Teatrólogo e Poeta.

“Cessa tem se destacado no papel fundamental, à frente da Academia de Poesia e a de Letras da cidade de Pombal, esta, sobretudo pela valorização dos literatos locais, contudo, pela visão cosmopolita, que tem da produção poética atual ou de cunho revisionista.
No seu trabalho transparecem o labor e a sensibilidade. Mulher forte, inteligente e determinada: Dá honra aos pombalenses, e por que não, a todos os paraibanos.
Sensível. “Cessa” enobrece nossos sentimentos mais profundos, com uma atuação fértil e qualitativa. Os vates de sua terra podem e devem se orgulhar. No mesmo solo onde ponteou o célebre Leandro Gomes de Barros e o seu patrono Professor Newton Pordeus Seixas na Academia Paraibana de Poesia.
Podemos dizer, que agora, os rumos da poesia em Pombal tem uma TIMONEIRA de valor e elevar o Barco ao Porto Seguro”

Maria Tavares do Rêgo Barros – Poetisa pombalense – João Pessoa PB.

Com a sabedoria que lhe é peculiar, Cessa Lacerda consta em seu currículo, trinta seis anos de atividades educacionais ininterruptas, todas elas exercidas com dedicação e amor, fato esse ainda reconhecido nos dias atuais, pois consegue arrancar aplausos e elogios de seus pupilos que a chamam de mestra do bem. É como disse um líder comunitário e nós concordamos plenamente: “É GUERREIRA DA PAZ E DA CULTURA”

No seu coração está o amor, pois ela mesma diz: “A minha vida consolida-se na maior oração: AMAR! "O amor para mim é o tribunal da paz, justiça e de felicidade”. Deste modo nossa poetisa e madrinha, se a linha ao sentimento de uma canção popular interpretada por uma cantora brasileira no estribilho:

Fui eu que a primavera só não viu as flores,
os sons, nas manhãs de setembro!
Eu quero falar, eu quero ensinar o vizinho a cantar,
nas manhãs de setembro,
nas manhãs de setembro! (bis).

Parabéns Cessa Lacerda, rosa da estação primavera!

Pombal, 17/09/10

*RADIALISTA


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LORD AMPLIFICADOR: UM MARCO NA COMUNICAÇÃO POMBALENSE

Maciel Gonzaga (Foto)

MACIEL GONZAGA*

Parece-nos que até hoje ninguém teve a preocupação de estudar a função social-cultural que os serviços de alto-falante representam em todo o Brasil (e que ainda subsistem em algumas comunidades menores). O alto-falante é um tipo de transmissão local de curto alcance e geralmente usado em locais fixos como praças, mercados, paróquias, locais comerciais, comunitários, religiosos, etc.. Sendo assim, constitui um meio de comunicação de fácil manejo para pessoas não especializadas. Muitos profissionais do rádio - incluisive eu - começaram dentro de serviços de alto-falante, como locutores e técnicos. Bonitas vozes se revelaram e a improvisação que os "animadores" faziam, especialmente nas "dedicatórias" das músicas marcava uma época.

Os serviços de alto-falante, com sua linguagem própria, rodando antigos sucessos em frágeis 78 rpm (quando ainda não existia o elepê), levavam a alegria e a comunicação a muitas comunidades. Se não me falha a memória, o então presidente Epitácio Pessoa em 1922 no Rio de Janeiro falou a uma multidão através de um serviço de alto-falantes e foi um sucesso. Porém, com a evolução, chegou o rádio por ondas e aí desprezaram o sistema.

Em Pombal, o Lord Amplificador - "o som direcional da comunicação" - que agora está sendo homenageado, marcou época. E que época! Iniciou suas atividades em fevereiro de 1968 em pleno Carnaval em uma pequena sede de apenas um vão na Rua João Capuxú. Pouco tempo depois passou a funcionar no Box 48 no lado sul do Mercado Público. Dinamizou o desenvolvimento pombalense, valorizou e fez com que toda a população passasse a ser o sujeito do processo, ou seja, era ouvinte fiel. Por isso, o Lord fez história em Pombal.

A idéia de implantar um sistema de alto-falante surgiu da mente criativa e intrépida de Clemildo Brunet de Sá, depois de fracassada a tentativa de implantar uma rádio – A Voz da Cidade – emissora clandestina, em pleno período de chumbo da Revolução de 64. A Voz da Cidade foi fechada pela ditadura e Pombal ficou sem um meio de comunicação, algo que já fazia parte do cotidiano da cidade. Nesta época, o governo militar barrava qualquer tipo de comunicação popular que ia contra as ambições dos que dominavam o poder.

Embora um sistema de alto-falantes pudesse parecer arcaico diante das novas tecnologias de comunicação, os pombalenses aceitaram plenamente o Lord Amplificador. A comunicação popular é o resultado de uma dinâmica social de acordo com as necessidades. A participação do povo na comunicação tem como característica essencial, a busca da mudança social. Sabemos que o poder da grande mídia e sua manipulação servem aos interesses das classes dominantes. Mas, mesmo assim, quando ela quer divulga programas de cunho informativo-educativo, que é uma contribuição à sociedade e entretenimento, preenche as necessidades da comunicação popular. Foi o que aconteceu com o Lord, pois, entendia Clemildo Brunet e todos os seus seguidores daquela época, que ser cidadão é ter o direito de entender e interferir na política da sua comunidade, é poder expressar a insatisfação sobre algum fato público, é ter reservado o direito de usufruir a riqueza gerada por todos, mas nas mãos de poucos. Uma concepção social de meninos, mas avançada para a época.

O principal motor do Lord era a utilidade pública, avisos que uniam as pessoas, mesmo aquelas que se sentiam incomodadas com o som. E tinha muitas. A sua comunicação era a força que dinamizava a vida dos pombalenses. Pregava a solidariedade, orientava, fazia rir, chorar, reduzia a solidão e num paradoxo digno de sua infinita versatilidade, produzia até a incomunicação.

Assim, inegavelmente, o Lord Amplificador foi um veículo de comunicação que tinha uma linguagem coloquial, uma mensagem objetiva e com características próprias de radiodifusão com a diferença de que não requeria que o público tomasse em ligar ou desligar aparelhos. Na realidade, invadia com sua mensagem a esfera privada das famílias e intimidades cotidianas. Como meio de informação o Lord Amplificador, Clemildo Brunet de Sá e todos os seus seguidores – entre eles a minha pessoa, que fui um dos fundadores e ali trabalhei de fevereiro a dezembro de 1968 - merecem as nossas congratulações neste momento de festa.

*Ex Integrante do Lord Amplificador, é Jornalista, Advogado e Professor. Natal RN.

"LORD AMPLIFICADOR: O SOM DIRECIONAL DA COMUNICAÇÃO"!

Clemildo, época do Lord (Foto)

CLEMILDO BRUNET*

Este ano em sua décima nona versão a festa do Encontro dos Filhos de Pombal, por ocasião da tradicional festa do Rosário, vai homenagear o Serviço de Alto Falantes “LORD AMPLIFICADOR” meio de comunicação de massa que prestou relevantes serviços a nossa urbe, entre as décadas de 60 e 80 do século passado.

Resgatar a história do LORD é nada mais do que um momento ímpar. Ainda mais que nesse encontro, aqueles que fizeram parte dessa organização e que residem fora, como também os de nossa cidade, serão alvos de homenagens da Comissão Organizadora do Evento.

O Lord Amplificador iniciou suas atividades em fevereiro de 1968 em pleno Carnaval, sua sede inicial foi em um pequeno quarto a Rua João Capuxú, onde hoje se acha instalada as Lojas Martins. Pouco tempo depois passou a funcionar no Box 48 no lado sul do mercado público de Pombal, local que anteriormente havia funcionado “A Voz da Cidade” em 1966.

Depois da Voz da Cidade, foram travadas muitas lutas para se conquistar uma emissora de rádio para Pombal, porém, não logrando êxito em seu intento, após a desativação da Voz da Cidade, seu proprietário, sentiu que a cidade não podia deixar de ter um meio de comunicação, surgiu então o Serviço de Alto Falantes “LORD AMPLIFICADOR” o som direcional da comunicação. (LORD designação em sentido figurado de “elegante” ou do inglês “senhor”).

Em pontos estratégicos da cidade foram localizados os projetores de som no formato de cornetas de 20 polegadas com alcance sonoro que atingia outras artérias próximas, dando pra atender boa parte da cidade com sua programação eclética.

LORD AMPLIFICADOR, o sistema sonoro que teve maior tempo de atividade e se destacou pela sua performance. Uma verdadeira oficina de rádio que serviu de base para seus locutores e controlistas obterem conhecimentos não somente teóricos e superficiais em termos técnicos, mais também na prática diária de como fazer reportagens, dar noticias e outras informações de interesse da sociedade. Foi no Lord Amplificador que se começou a fazer as primeiras transmissões externas ao vivo, em coberturas de eventos sociais, políticos e religiosos.
J. Ribeiro, studio do Lord (Foto)

Vejamos em síntese, a história do Lord Amplificador contadas por pombalenses, testemunhas vivas que foram da época do funcionamento do “Som Direcional da Comunicação” entre as décadas de 60 e 80.

MASSILON GONZAGA: alô Clemildo, fiquei muito satisfeito em saber do seu blog. Uma excelente oportunidade pra gente relembrar bons tempos. Todas as atividades por mim exercidas hoje tiveram os primeiros passos no Lord Amplificador. Em breve mandarei alguns detalhes desta maravilhosa experiência na nossa querida Pombal. Por enquanto envio o meu atestado de Pombalense com muito orgulho! Massilon Gonzaga Jornalista, professor universitário, cantor e compositor. Campina Grande - Paraiba.

CARLOS MEDEIROS: Prezado conterrâneo Clemildo Brunet! Acompanho seu trabalho de perto e há muitos anos. Lembrar que o Lord Amplificador situava-se defronte a Casa Borborema, que era vizinha as lojas de João Martins e Antonio Felinto. Pois bem, eu ficava horas, corujando o entre e sai de seus pupilos: Zé Costa meu colega de classe no Ginásio Diocesano, Genival Severo e outros. Quando eu ia pra casa, ainda arriscava dar uma olhada de perto vocês e o microfone. Carlos Medeiros

JERDIVAN NÓBREGA DE ARAÚJO: Quando eu era criança, meus 11 ou 12 anos, entre as muitas coisas que eu gostava de fazer, além do banho no rio , jogar bola, assistir for west no cine Lux, era ir aos estúdios do LORD AMPLIFICADOR DE POMBAL ver os radialistas trabalharem. Sou do tempo dos irmãos Evilásio e Evandro Junqueira. Rosil Bezerra e Genival Severo, todos coordenados pelo Clemildo Brunet. Não sei nem se as musicas que ofereci as minhas "namoradas" foram ouvidas por elas. Que importa isto agora? O importante é que, de alguma forma, fiz parte da história do LORD, nem que seja como um curioso por trás de uma portiola de vidro esperando a luz vermelha apagar, para poder conversar com os amigos que ali trabalhavam, a respeito dos novos LPs que acabara de chegar ao mercado. Jerdivan

JOÃO COSTA: No Lord, fui de controlista a apresentador, mas o que me marcou mesmo foram às reportagens policiais feitas na Cadeia Pública. Nessas reportagens ouvia todos os lados, polícia, acusado e vítimas, geralmente quengas do rói couro, onde acabei me familiarizando com elas, as quengas... Quando olho para o passado, e recordo que aprendi a ler jornal no Lord Amplificador, que me envolvi na luta pela liberdade e contra a ditadura lendo O Pasquim no Lord, um jornalzinho que chegava a Pombal uma vez por mês, isso quando estudantes universitários levavam de João Pessoa para organizar movimento estudantil no grêmio do Colégio Diocesano, que não existe mais, que considero um crime inominável da Igreja Católica, especialmente da Diocese de Cajazeiras. Este e outros crimes contra Pombal ficam por conta de historiadores, o que interessa aqui, é que foi o Lord do Brak – nome do cachorro do Clemildo – que me deu régua e compasso para atuar onde hoje atuo. João Costa – Jornalista, Teatrólogo e Colunista Político

MACIEL GONZAGA: A “Difusora do Brack” (LORD AMPLIFICADOR) de propriedade do intrépido Clemildo Brunet de Sá transmitia todo o evento. Em recente conversa com o meu irmão Massilon Gonzaga, chegamos à conclusão que Clemildo Brunet foi, talvez, o pioneiro no Nordeste em transmissão de vaquejadas. Maciel Gonzaga – Jornalista e Advogado

TARCÍSIO PEREIRA: A concepção de herói, para uma criança, geralmente está associada a um sonho. Por exemplo: Por algum tempo, na minha infância, o meu sonho era ser locutor do LORD AMPLIFICADOR. Eu gostava do LORD como simples ouvinte, escutando as difusoras na rua, mas o LORD se tornou um lugar mágico a partir do instante em que comecei a ter acesso ao seu Studio... Minha maior emoção foi no dia em que Evilásio ou Evandro não me lembra ao certo, permitiu que eu colocasse a agulha na faixa de um disco. Meu dedo tremia, enquanto arrastava o braço do pick-up. Era um disco de Roberto Carlos. Quando a música começou a tocar, me arrepiei com um sentimento de enorme poder. Que momento mágico: Porque eu sabia que, naquele instante, Pombal escutava uma música que eu tinha colocado! Tarcísio Pereira – Escritor e Teatrólogo

No próximo artigo sobre o Lord Amplificador, chamarei à baila, mais testemunhos dessas histórias do LORD, que conservo em meus arquivos.

Aproveito o ensejo para agradecer desde já a deferência da Comissão Organizadora da Festa do Encontro dos Filhos de Pombal, em ter escolhido este ano, o “LORD AMPLIFICADOR” e seus ex integrantes para tão honrosas homenagens. É fato notável que a Festa do Encontro dos Filhos de Pombal, vem contribuindo em muito, para o engrandecimento da tradicional Festa do Rosário de nossa cidade, ponto alto de confraternização entre pessoas amigas e conterrâneas, que amam este torrão de velhos costumes e tradições históricas; dentre elas: As reminiscências daquele que foi o mais perfeito Serviço de Alto Falantes de então, “LORD AMPLIFICADOR – O SOM DIRECIONAL DA COMUNICAÇÃO”!

Projetor de som do LORD  na Praça do Centenário (Foto)
Pombal, 10 de setembro de 2010

*RADIALISTA

Contato brunetco@hotmail.com

Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

AGRADECIMENTO DE PAULO AUGUSTO GADELHA DE ABRANTES, PELAS HOMENAGENS AO SEU GENITOR PAULO ABRANTES DE OLIVEIRA.

Paulo Augusto

Caríssimo radialista Clemildo Brunet,

O propósito deste é agradecer ao ilustre radialista, pelo afeto e estima demonstrada ao meu querido e bondoso pai, através do fidelíssimo perfil traçado no texto intitulado: PAULO ABRANTES: A MAGNIFICÊNCIA DE UMA FORÇA IDEALIZADORA! Com a marca da integridade e capacidade que lhes são próprias, por ocasião da passagem de seu aniversário ocorrido no último dia 01 de setembro. Da mesma forma, agradeço a inteligente poetisa pombalense, D. Cessa de Lacerda Fernandes pelo tratamento especial, referindo-se ao meu pai, em belo texto escrito com palavras sinceras exaltando suas qualidades. Agradeço também, a outros importantes comentários, partindo de seus amigos conterrâneos, que são meus também, motivos de orgulho e felicidade: Ao Dr. Jerdivan Nóbrega, minha prima Zaninha e Dado, Júnior e Dr. Ronaldo Medeiros.

Quero também lhe parabenizar pela Medalha Presidente Epitácio Pessoa, que lhe foi outorgada pela Assembléia Legislativa, numa justa homenagem pelo reconhecimento de árduo e dignificante trabalho que você prestou a Radiofonia paraibana durante muitos anos.

Sou Paulo Augusto Gadelha de Abrantes, concluinte do curso de Direito da UFCG-Campus de Sousa, neste momento estou aqui, em Londres, fazendo Curso de Aperfeiçoamento de Línguas, durante o período de agosto e setembro em curso. Estou lhe enviando estas fotos para você recordar de minha presença aí, em Pombal, quando do lançamento do livro Gado Bravo, durante a Festa do Rosário, quando você chegou atrasado para filmar, sem culpa nenhuma, devido à mudança de local e horário sem aviso prévio.

Abraços, que Deus lhe abençoe sempre. Do amigo, Paulo Augusto.
Paulo Augusto

PARADA OBRIGATÓRIA!

Clemildo Brunet (Foto)

CLEMILDO BRUNET*

Quer queiramos ou não, todos nós temos uma parada obrigatória. Seja qual for à direção que devamos tomar no curso de nossa existência, na maior parte das vezes, passamos despercebidos dessa realidade, só mais tarde é que acordamos. Quando somos crianças ou jovens, não damos à menor importância as ocorrências do dia a dia e na fase adulta chega-nos as preocupações do cotidiano.

Há uma parada obrigatória sim, para que meditemos sobre o que já foi feito, o que se deixou de fazer e o que é preciso fazer. Quantas vezes nos deparamos com o alerta da parada obrigatória e seguimos em frente sem atender as exigências impostas pelo o aviso, e logo a seguir, em tão pouco tempo, vimos desmoronar os nossos sonhos, levando-nos a um estado melancólico, dramático e sombrio.

O que será que acontece conosco, que mesmo estando cercados de amigos, parentes e pessoas queridas, nos sentimos solitários? O salmista questionou consigo mesmo: “Porque estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu.” Sl 42:11.

À medida que os anos passam e as mutações se sucedem ao nosso redor, na parada obrigatória, começamos a pensar que muita coisa mudou. Já não nos sentamos nas calçadas com o nosso vizinho para aquele bate papo costumeiro de antigamente. A novela na TV, a Internet, os vídeos games, o individualismo e as nossas particularidades ocupam espaços na nossa vida a tal ponto, que terminamos por criar um bloqueio filtrando o nosso viver diário.

A vida segue o seu curso normal enquanto o tempo passa rapidamente, o pensamento voa equidistante a procura de imagens que permeiem a nossa imaginação. Na parada obrigatória desses momentos, vem à lembrança do que já passamos e a vontade de que tudo voltasse a ser como antes, exceto os dissabores e as agruras.

A Parada obrigatória do amadurecimento da vida nos faz observar que muitas coisas que acontecem hoje, no passado as proporções eram menores e não se dava de maneira constante e repetitiva como ocorre agora, fazendo o nosso pensamento indagar, o porquê dessas mudanças. O avanço tecnológico com todo seu aprimoramento não é capaz de explicar, os homens pós- modernos também não, nem a ciência.

Mas a explicação pra tudo isso, está num passado distante cujo relato se encontra no livro sagrado, no princípio da geração humana, da qual somos provenientes. Ao colocar o homem para administrar um jardim, Deus lhe pôs uma parada obrigatória sob este aviso: ... “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”Gn. 2:16,17.

Havendo ultrapassado o limite estabelecido por Deus da parada obrigatória, o homem teve que arcar com os efeitos de outras paradas obrigatórias que estão em constantes conflitos em seu interior:

Medo – A resposta de Adão ao chamado de Deus foi que teve medo e se escondeu. Até hoje a humanidade sofre deste mal. Não há valente ou corajoso que não sofra da síndrome do medo. Medo, angústia, depressão, os sintomas que mais atacam em nossos dias. Cidadãos de bem enjaulados e bandidos soltos fazendo miséria e o medo assenhoreando os homens!

Desculpa - O homem para safar-se da transgressão cometida, pois a culpa no Criador pela companheira que lhe fora dado. “A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi.” A mulher ao ser interrogada, respondeu: “A serpente me enganou, e eu comi.” E assim, o rumo da história nos mostra que há sempre uma desculpa esfarrapada para cada ato de culpa que não se quer assumir.

Sofrimento e dor – na gravidez da mulher ou no labor diário do homem na luta pela sobrevivência, muito sacrifício para se manter e sustentar a família com o suor do seu rosto.

Morte – finalmente, esta é uma das paradas obrigatórias que mais deixa o homem inconformado. “... Porque tu és pó e ao pó tornarás” Será que existe algo mais humilhante para o ser humano do que presenciar a morte de seu ente querido e vê-lo ser enterrado? Consciente de que essa um dia, também será a sua parada obrigatória aqui neste mundo?

Em meio a esse turbilhão de tantas paradas obrigatórias aqui, existe uma que nos traz alento e ânimo.

Esperança – só os desesperançados sucumbiram. Todavia, nem tudo está perdido para os que têm esperança. Há uma centelha divina que fornece o combustível da alma da gente. Quem espera sempre alcança. O apóstolo Paulo afirmou com muita propriedade que “a esperança não traz confusão.” Sem esperança não há o amanhã e tudo deixa de existir. Esperança é pensar com altivez e vencer os obstáculos. Cristo é a única esperança! “porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente”. Rm.11:36.

Pombal, 03 de setembro de 2010

*RADIALISTA
Contato brunetco@hotmail.com
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VOTO CONSCIENTE

Severino C. Viana

Por Severino Coelho Viana*


O bem-estar social é uma exigência da coletividade e uma obrigação de realizá-lo pelo o Estado. A sua realização não é um presente, mas um dever de assim fazê-lo pelo poder público, uma vez que recebida à outorga do mandato, que no período de quatro anos, arrecada o dinheiro dos tributos para devolvê-lo em ações, programas, serviços e obras.

Um dos princípios fundamentais na convivência democrática é a alternância do poder político. Quem procura se eternizar no poder, por si só, já estampa no seu rosto o estandarte da tirania, e nem um tipo de tirania é boa para o povo, que vive maltratado, depilado, sofrido e degradado nas mãos do tirano. Ninguém senta à mesa de negociação, pois o tirano é um homem que pensa por todos que o rodeiam. Os cegos não veem o que está de frente à sua cara porque estão sufocados pela submissão e só leem à cartilha escrita pelo raciocínio tirânico. O assento na poltrona do tirano só cabe as suas nádegas, os subordinados sentam-se ao redor.

Diferentemente é a democracia.

Votar é fazer escolha. Escolha entre uma vantagem momentânea ou uma conquista permanente, não individualmente, mas para toda à comunidade. Afaste-se da oferta do agora e do benefício do presente. Depois da eleição não aparece mais oferta, e o presente se transforma no rigor do massacre durante o período de quem governa e fez a boa oferta no tempo de eleição. Não acredite na propaganda, virtualmente, enganosa, elaborada pelo mal governante, que cria imagens que não condizem com a realidade. O pensar bem deve ser antes de sua execução porque depois de feito só resta o lamento da penalidade pago pelo erro que cometeu.

Analise cuidadosamente antes de entrar no jogo da maledicência, da enganação e da demagogia barata. Reflita que você é dono do poder político, que tem em suas mãos a maior arma que fere, mas não mata – o voto - e não entregue aleatoriamente a quem não tem compromisso para com a coisa pública, que só pensa no projeto político de ordem pessoal.

No aspecto geral, mirando o horizonte dentro do limite do seu Estado, sem nenhum conselheiro bajulador por perto, sinta o pulsar do seu coração e fixe o seu olhar retido de razão e pergunte a si mesmo: a educação está bem? O professor está sendo bem pago? A segurança pública protege o cidadão? A saúde presta serviço com prontidão? O seu salário é digno de um viver decente? O Estado oferece emprego para o seu filho que quer ser um cidadão honesto? São questões válidas para o todo.

Olhe agora com todo o rigor: essa briga pelo poder é somente para beneficiar um grupinho de apaniguados? Eles sempre estão de plantão para servir aos interesses do manda chuva. E depois se afastam e esquecem o povo, formando o conluio de malfeitores!

Reserve-se no seu quarto, abra o caderno de sua consciência e anote com o lápis da razão: meu candidato é ético, inteligente, bem informado, coerente, preparado, honesto, sério, cordato, corajoso, positivo e jamais fez promessas mirabolantes. Não é arrogante nem demagogo, o que o livra de qualquer tentação de autoritarismo. Está muitos níveis acima do mar de lama que vem sendo associado à política corriqueira e miúda no Brasil. Valoriza o trabalho de equipe, o que é indispensável a um bom administrador. Não é dado a sorrisos falsos nem a efeitos especiais. Se existe algo que o tira da serenidade facilmente, é a cara feia da corrupção, daquele que ama dinheiro demais. Não diga o nome de seu candidato escolhido e não declare publicamente seu voto, apenas deixe-o programado no invólucro da urna eletrônica.

Alternar o poder é uma grande opção! Mesmo que erre, e errar é humano, espera-se quatro anos, e muda de novo! Permanecer no erro é ignorância e termina no absurdo! O segundo mandato não é aconselhável, salvo raríssimas exceções, o administrador perde a garra, chega ao desestímulo e as ideias ficam escassas. Devido o tempo, o time cria o círculo vicioso e enreda para o campo da corrupção. O dirigente começa confundir a coisa pública como se fosse patrimônio particular. A vontade de continuar no poder é tão grande que procura o sucessor justamente aquela pessoa bem próxima de sua família, que tenha pouca percepção das coisas e dos fatos ou que tenha total subserviência com a finalidade de manter cadeira cativa, mas, muitas e muitas vezes, esborracha-se quando o tiro sai pela culatra, vindo logo o rompimento político após a eleição.

Nós sabemos distinguir quem trabalha e quem faz propaganda falsa.

Só temos certeza de que a propaganda falsa quem paga somos nós!

As eleições se aproximam, é chegado o momento de decidir em trinta segundo, no reservatório da urna eletrônica, o destino do País e do Estado, no dia três de outubro próximo, estamos votando e escolhendo o Presidente da República, Governador de Estado, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual. Sua atitude poderá levá-lo ao êxito ou ao caos, em médio ou em longo prazo, com as futuras eleições, tanto para cargos majoritários e proporcionais. E o brasileiro já está amadurecido politicamente para se deixar levar pelas promessas de última hora que não dão resultado positivo para o bem coletivo, principalmente as irrealizáveis. Por mais necessitado que esteja, pense no todo. Esqueça o egoismo individual no tempo certo de pensar!

Sua posição poderá fazer a diferença nestas eleições. Medite! Atente-se para os parecidíssimos discursos que ora são apresentados pelos inúmeros candidatos. Muitos deles são impregnados de populismo, beirando a hipocrisia e a demagogia, armas estas, sempre bem utilizadas pelos oportunistas para enganar os eleitores menos atentos ou despolitizados, que são facilmente manipulados.

Bom ou razoável nível de consciência é votar e trabalhar politicamente para eleger candidatos e candidatas que deram provas concretas ao longo destes anos, que são fiéis aos princípios democráticos e aos clamores dos despossuídos. Há dois critérios para avaliar quais os candidatos(as) que merecem nosso voto consciente: um critério geral – ideológico; e um critério específico – político.

Esses partidos que sempre gostam de ajudar e serviram aos ricos, que ficaram mais ricos, e não ao povão, que só oferecem esmolas, eles devem ser descartados, esse é um critério ideológico. Nosso voto deve ser norteado àqueles(as) candidatos(as) que abertamente já provaram que não fogem da luta dos movimentos sociais e políticos reivindicatórios de inclusão de massa, e este é o critério político. Inclusive, que já tenham demonstrado trabalho e capacidade quando tiveram oportunidade de administrar a coisa pública.

Esperamos que com cautela você faça a melhor opção, você tem o poder de decisão nas mãos e no livre pensar de sua consciência estará lançando o seu futuro e de sua família. Avalie! Depois, será tarde demais.

Pela boa escolha, a democracia agradece!

João Pessoa, 01 de setembro de 2010.

* Escritor pombalense e Promotor de Justiça.