CLEMILDO BRUNET DE SÁ

SER POMBALENSE...

Prof° F. Vieira (foto)
Por Francisco Vieira*

Ser pombalense é antes de tudo nascer em Pombal, sob a égide da fé e a devoção a Nossa Senhora do Rosário, lugar que apresenta três datas importantes: fundação, emancipação política e elevação a cidade, por isso, mais presente na história

Ser filho de Pombal é contemplar a graciosidade do Centro Histórico formado de magistrais praças, casarões e igrejas seculares. Um cartão-postal constituído pelas praças Getúlio Vargas e Centenário, Cadeia Velha, Escola João da Mata, Pombal Ideal Clube e as Igrejas de Nossa Senhora do Bom Sucesso e Rosário, testemunhas da nossa crença. Todo esse acervo de monumentos hoje tombados pelo patrimônio histórico esboça importante potencial arquitetônico.

Ser de Pombal é ser batizado pelo Padre Valeriano, Vicente Freitas, Oriel, Andrade, Luiz Gualberto e Sólon. É nascer de parto normal sob os cuidados de parteiras como: Maloura, Liosa, Berenice, Maria José ou nos casos mais delicados com a assistência de Dr. Janduy, Isaias Silva, Avelino, Azuil e Atêncio.

Ser pombalense é ostentar o orgulho de ser da terra de Rui e Janduy Carneiro – senador por quatro mandatos consecutivos – portanto, fato inédito na política nacional. E ainda de Celso Furtado, Leandro Gomes de Barros, Belarmino de França, Cessa Lacerda (poetisa), Arruda Câmara, Seu Chico, Wilson Seixas, Cel. Arruda e até o cangaceiro Chico Pereira. É inserido nestas lembranças destacar os Desembargadores Antonio Elias de Queiroga, Plínio Leite Fontes e Rafael Carneiro Arnaud - filhos de Pombal - terem honrosamente ocupado a Presidência do Tribunal de Justiça da Paraíba, cargo mais importante da magistratura estadual. O fato além de inédito é mais que uma honraria, um privilégio para uma cidadezinha do interior.

Ser filho de Pombal é pertencer às famílias “pandeiro” e “maniçoba”, as maiores e mais tradicionais. Ou ser Queiroga, Pereira, Carneiro, Vieira, Arnaud, Olímpio, Arruda, Bezerra, Medeiros, Assis, Lacerda, Daniel, Benigno-Cardoso, Tavares e tantas outras de igual valia que fizeram e continuam fazendo a história da terrinha.

Ser de Pombal é ser moleque travesso. É menino pés no chão e descamisado correr, sem cansar, todos os dias e o dia todo, ruas e vielas da cidade. É no vigor da tenra idade jogar bola de meia, castanha, bola de gude e pinhão. Brincar de anel, cobra-cega e peinha-queimada ou puxar os carrinhos de madeira muito bem confeccionados por “Seu Zé Dias”. É escondido dos pais banhar-se nas águas doces do Rio Piancó, mesmo correndo o risco de uma coça.

O pombalense é aquele que temendo as conseqüências da seca implora a São José pelo inverno e depois reclama da enchente.

Ser filho de Pombal é lembrar o Lord Amplificador e A Voz da Cidade, serviços de alto-falantes que deram início a história da radiofonia na região sob a tutela de Clemildo Brunet, hoje uma referência na comunicação. De fato é impossível esquecer o programa Brotolândia e os últimos lançamentos musicais, seguido de notícias e patrocinados pelo Macarrão Martoci, Café Dácio, Lojas Paulista e o crediário tentação, Padaria Vitória, Movelaria São José e os colchões oreves e outros que faziam o comércio local.

Ser de Pombal é rir da irreverência de “Seu João Lindolfo”, com suas respostas de efeito e igualmente dar gargalhadas com as histórias de Saturnino Santana, Pedro Corisco e Zezinho Sapateiro. É divertir-se com as peripécias de Mané Doido e correr se esquivando das investidas de Barrão, Açoite, Expedito e outros igualmente desajuizados.

Ser filho de Pombal é torcer pelo São Cristovão ou Pombal Esporte Clube no Vicente de Paula Leite, campo de terra batida, sem grama, traves de madeira, cercado de arame e aveloz.

Ser pombalense é ver famílias reunidas nas calçadas, noite adentro. É colocar os assuntos em dia, que vão desde política, economia, negócios, agricultura, a seca, o inverno, mentiras de pescadores, aventuras de caçadores e bravuras de cangaceiros. Na verdade o tema preferido era a vida alheia. Fofocar era a melhor conversa. Assim, vez por outra, a confraria retornava ao assunto preferido trazendo mais uma vítima para o centro das conversações.

Ser de Pombal é esperar ansioso a Festa do Rosário, como se ela fosse a última. É reencontrar amigos ausentes. Relembrar o passado, atualizar os assuntos e divertir-se nas diversas opções oferecidas. É curtir música romântica no Parque Maia, anunciada na voz grave e melodiosa de Luis e ouvir declarações amorosas do tipo: “alguém oferece a outro alguém como prova de amor e carinho”. É, sobretudo, acompanhar a procissão do rosário, descalço, com pedra ou coroa de espinhos na cabeça. É seguir contrito numa expressão de fé e gratidão pela graça alcançada. É também deixar se levar pelo encantamento dos Congos, Reisados e Pontões destacando o octogenário Elias Daniel, tocando com maestria seu fole de oito baixos.

Ser filho de Pombal é sentir a magia contagiante de uma serenata madrugada a fio. De certo, uma manifestação romântica e espontânea de jovens envoltos pela paixão extravasando o incontido sentimento do amor. Oh! Quão bom e agradável era ouvir “Pedoca de Deca”, que se fazia acompanhar por sonoros violões dedilhados com por Bideca, Chico de Doura e outros da família. “Espalha”. Que bom despertar sob os acordes de violões plangentes. Era a família “in concert”.

Ser de Pombal é relembrar com saudade o Cine Lux, Ginásio Diocesano e Escola Normal (Colégio das Freiras), com sua disciplina rigorosa onde saia acima do joelho era nudez. É bate papo de jovens até alta madrugada, junto à estátua de Getúlio Vargas, que em silencio assistia a tudo e nada reclamava. É o passeio no Bar Centenário e Sorveteria Tabajara nas manhãs de sábados. É recordar a semana universitária, vaquejada e festas com Os Águias. É Pombal Ideal Clube, AABB e Jovem Clube e os carnavais na Sede Operária.

Ser pombalense é, com uma pitada de prazer a mais, está imortalizado na canção “Maringá”, obra magistral de Joubert de Carvalho, onde o poeta a pedido do Senador Rui Carneiro exprime em versos melodiosos o êxodo e o sentimento de amor do sertanejo, tornando-se um hino do coração dos seus moradores.

Sou pombalense e não nego meu natural, nem mesmo quando notícia desagradável vira manchete de jornal. Nem assim fujo das origens, pois o filho que nega a maternidade desconhece a si mesmo, portanto não tem história. E, se por acaso tentasse seria em vão. Seguramente não conseguiria apagar o amor que sinto pela terra que me acolheu como filho.

Pombal está para mim assim como o leme para o barco, sem o que estaria a deriva. Aqui nasci, cresci, casei e constitui família; despertei para a vida e para o mundo. Aqui fiz minha história. Vivi bons e maus momentos, tempestades e calmarias. Contudo, alimentei esperanças, superei obstáculos e venci. Em suma, mais alegrias que desgraças.

Por tudo isso Pombal, continuo de ti eterno enamorado. És minha noiva enciumada, por isso me constrange dividi-la com outros. Contudo, ciente de não ser filho único me fortalece saber que outros filhos também te amam lembrando saudosos a Pombal de outrora.

O tempo é dinâmico, não pára. Nesse dinamismo implacável passa deixando marcas que mais tarde serão saudades. Retroagir é impossível, salvo na imaginação. Aí sim, trazemos à tona reminiscências que são relíquias vivas em nossas memórias e por isso eternamente lembradas

Pombal é mais que isso. Descrevê-la é impossível, pois sua história é infinita. Contá-la somente em partes.
Por tudo isso e muito mais se justifica o orgulho de SER POMBALENSE.

Pombal, 29 de outubro de 2010
*Professor, Ex Diretor da Escola Estadual João da Mata, Ex Secretário de Administração Municipal.

DIA DO FUNCIONÁRIO PÚBLICO...

Clemildo
CLEMILDO BRUNET*

No contexto social funcionário público não é aquele que só presta serviço ou exerce seu nobre trabalho para o governo. Sua função tem muito a ver com o que é público. Não é o lidar com as coisas que é do governo, mas o que é público, isto é, tudo que envolve as pessoas. É distorcido o pensamento achando que a função e o exercício da atividade do funcionário público sejam para o governo. Pelo contrário, ele se encontra na repartição pública para atender e servir a coletividade.

Convém lembrar que a administração pública necessita de pessoas capacitadas sob normas e controles, que satisfaçam as necessidades essenciais no atendimento público da saúde, educação, segurança, energia, água e também nas coisas secundárias da coletividade, ou de simples conveniência do Estado, serviços esses que todo cidadão tem direito. O funcionário público não está ali para atender a grupos, servir-se a si próprio ou aos caprichos dos gestores administrativos.

“Pertencente ou destinado ao povo, à coletividade; relativo ao governo de um país; que é do uso de todos" são algumas das definições para público, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.

O equilíbrio de um servidor público em seu lugar de trabalho no cumprimento de seus direitos e deveres está definido e delineado na Constituição da República e nos estatutos das entidades estatais e autárquicas. Infelizmente, muitos não atentam para os direitos e deveres essenciais da função, e o público que desconhece esses fatores é o mais prejudicado.

Em 1943, o então Presidente Getúlio Vargas instituiu o 28 de outubro como o Dia do funcionário Público, através do Decreto-Lei n° 5.936. O novo estatuto dos servidores civis da União, das autarquias e das Fundações Públicas Federais, surgiu em 1990 – Lei n° 8.112 fez a substituição da denominação de funcionário pela de servidor. O cargo de servidor ou funcionário público sempre foi muito cobiçado haja vista a procura de concursos por milhares de candidatos na busca de vagas em instituições federais, estaduais e municipais. O serviço público tem sido alvo de muitas críticas por boa parte da sociedade que leva em consideração a sua ineficiência.

Uma dessas ineficiências do serviço público está no fato da garantia da estabilidade no emprego de maus funcionários, que se aproveitam dessa condição ficando difícil demiti-los. Governos e governantes passam, o funcionário permanece até se aposentar. Contudo, a história tem mostrado que o funcionário público, na verdade tem sido o grande responsável pela manutenção e organização dos serviços prestados pelo poder público, em qualquer nível.

Muitos dos nossos servidores públicos não sabem distinguir o que seja feriado nacional e ponto facultativo. Pois bem, em 09 de novembro de 2009 o Ministério do Planejamento publicou os feriados e pontos facultativos a serem cumpridos pelos órgãos e entidades da administração federal, autarquias e fundações em 2010.

Cito aqui apenas os que estão determinados para os últimos meses do ano corrente. - 1º de novembro, Dia do Servidor Público - art. 236 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 (ponto facultativo) comemoração do dia 28 de outubro; - 2 de novembro, finados (feriado Nacional); – 15 de novembro, Proclamação da República (feriado nacional; 24 de dezembro, véspera do Natal (ponto facultativo após as 14 horas); - 25 de dezembro, Natal (feriado nacional); e – 31 de dezembro, véspera de ano novo (ponto facultativo após as 14 horas). É claro, há exceções de parte de Estados e Prefeituras no cumprimento da regra sobre as comemorações do Dia do Funcionário Público, alguns escolheram a sexta feira 29.

A Constituição Federal de 1988 não emprega a designação de funcionário público a quem presta esse serviço, a expressão na carta magna do país é de “servidor público” ou “agente público”. Por outro lado, no Código Penal Brasileiro, porém, há referência “funcionário público”, pois a expressão dá maior abrangência que a do servidor público. Por exemplo: A pessoa que exerce uma função pública em dado momento ajudando no processo eleitoral, é funcionário público como mesário de uma secção, é um trabalho transitório, contudo, sem ser remunerada.

Mormente, muitos brasileiros neste período temporário das eleições do segundo turno à disposição da Justiça Eleitoral são funcionários públicos, exercendo cidadania em favor dos eleitores aptos ao voto.

Funcionário público, servidor ou agente público, o que a sociedade espera é que o serviço público se destine ao cidadão e nunca contra o cidadão. Afinal, os salários pagos de seus encargos são advindos dos tributos e impostos.

Parabéns, feliz dia!

Pombal, 28/10/10

*RADIALISTA

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O ENCONTRO DOS FILHOS DE POMBAL E AS HOMENAGENS AO LORD.


Os Lordianos

CLEMILDO BRUNET*

Mais uma vez em seu calendário anual por ocasião da tradicional Festa do Rosário, a Comissão organizadora do Encontro dos Filhos de Pombal, realizou no último dia 09, na Praça do Centenário, o reencontro dos filhos da terra em sua décima nona versão, oportunidade em que foi homenageada a instituição chamada LORD AMPLIFICADOR, antigo serviço de alto falantes da nossa cidade, que marcou época no século passado.

O calor humano de fraternidade se fez sentir com a presença daqueles que exerceram de uma forma ou de outra, atividades nesse meio de comunicação de massa. Entre eles: Os irmãos Maciel e Massilon Gonzaga, Evandro e Edinam Junqueira, Carlos e Paulo Abrantes, João costa, Cezário de Almeida, José Coelho, Severino Coelho, Pedro Junqueira Júnior, Francisca Gleuma, Genival Severo, Orácio Bandeira, Roberto Alencar, Olivan Lucena, Marcos Antonio, João de Valdemar, José Carlos de Araújo, Dorival Pereira e outros. Estiveram ainda presentes, Jurandir Urtiga e José Geraldo, decanos e precedentes da radiofonia pombalense, nos serviços de alto falantes – Rádio Difusora Lux e a Voz da Cidade, respectivamente.


Cessa e Bibia
 Destaco aqui a honrosa presença da madrinha dos comunicadores de pombal, a poetisa e escritora Mª do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes (Cessa Lacerda) e seu esposo Bibia, além de filhos e noras que estiveram conosco prestigiando todo o evento.

O diferencial da festa do encontro dos filhos de Pombal este ano foi marcado com a apresentação da Banda Ariús de Campina Grande sob o comando de Massilon Gonzaga, vinda exclusivamente, para executar o repertório de músicas que eram tocadas pelo Lord amplificador nas décadas de 60/80. Além do mais, os anunciantes mantenedores do LORD, foram contemplados com brindes, numa forma de gratidão e reconhecimento pelos seus patrocínios à época.

Lojas Martins, Movelaria São José, Casa Borborema, Farmácia Queiroga, Armazém Globo, A Princezinha, Armazém Alvorada, A Primavera, Armazém São José e o Ex Prefeito Hildo de Assis Arnaud (gestão 73/76). A Prefeitura nesse tempo divulgava notas e avisos da edilidade. Em outras ocasiões, o gestor público municipal fazia seus pronunciamentos e entrevistas e ainda, contratava a nossa prestação de serviço para cobertura de inaugurações ou eventos sociais da administração municipal.

Clemildo recebendo a Comenda
Em dado momento da festa, os anfitriões e organizadores, fizeram a entrega ao Diretor Fundador do Lord Amplificador - Clemildo Brunet de Sá, de um troféu trabalhado em lâmina de vidro, caricaturado com as imagens da Igreja do Rosário e do Cruzeiro e com a seguinte inscrição: XIX ENCONTRO DOS FILHOS DE POMBAL PB

09-10-2010

Homenagem: Lord Amplificador

Seguiram-se as palavras de agradecimento de José Geraldo de Sousa, Jurandir Urtiga, Jornalista João Costa e do Professor da cadeira de comunicação da UEPB em Campina Grande radialista Massilon Gonzaga de Luna. A apresentação do Encontro dos Filhos de Pombal esteve a cargo do radialista, professor e diretor do Campus da UFCG de Cajazeiras, Dr. José Cézario de Almeida, ex-integrante do Lord Amplificador, coadjuvado pelo fundador da instituição, radialista Clemildo Brunet de Sá.

O XIX Encontro dos Filhos de Pombal este ano foi marcado também com o lançamento do livro EM ALGUM LUGAR CHAMADO POMBAL da lavra de um tio e de um sobrinho: Ignácio Tavares e Jerdivan Nóbrega de Araújo, respectivamente.

Nesse livro, são feitas referências ao Lord Amplificador em algumas crônicas, porém, há uma, cujo título especifica muito bem o som direcional da Comunicação: “EU AINDA ESCUTO O SOM DAS DIFUSORAS DO LORD AMPLIFICADOR”. Coincidência ou não, o livro chega às mãos dos leitores justamente na data em que o encontro dos filhos de Pombal está homenageando o “LORD AMPLIFICADOR”, um casamento perfeito de idéias. Somando o útil ao agradável, pontuado pela comunicação falada e o pendor literário.

Aproveito o ensejo para agradecer mais uma vez, a deferência da Comissão Organizadora da Festa do Encontro dos Filhos de Pombal, em ter escolhido este ano, o “LORD AMPLIFICADOR” e seus ex integrantes para tão honrosas homenagens. É fato notável que a Festa do Encontro dos Filhos de Pombal, vem contribuindo em muito, para o engrandecimento da tradicional Festa do Rosário de nossa cidade, ponto alto de confraternização entre pessoas amigas e conterrâneas, que amam este torrão de velhos costumes e tradições históricas; dentre elas: A reminiscência daquele que foi o mais perfeito Serviço de Alto Falantes de então, “LORD AMPLIFICADOR – O SOM DIRECIONAL DA COMUNICAÇÃO”, a verdadeira oficina do rádio no preparo de muitos, para tornarem-se depois, profissionais da imprensa em rádios, jornais, TV e Internet.

A história se repete...

*RADIALISTA

Pombal 22/10/10

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EM ALGUM LUGAR CHAMADO POMBAL

Paulo Abrantes*

Paulo Abrantes
Pombal é uma cidade bela, situada no alto sertão da Paraíba, de grandes filhos ilustres, de um povo que tem uma cultura privilegiada e que sentem amor por sua terra natal. Assim, não nos surpreende a cada ano, acontecer nesta amada terra, um evento de lançamento de livro. Agora, mesmo, acabo de ler o livro EM ALGUM LUGAR CHAMADO POMBAL, dos geniais poetas e escritores pombalenses, Ignácio Tavares e Jerdivan Nóbrega. Assisti, ao lançamento, encantado, contrito e imaginando o quanto é importante para uma cidade ter sua história registrada em livro, escrita pelos seus filhos ilustres, visando pesquisas para as gerações futuras. Gostei do livro. A literatura pombalense ficou mais enriquecida. Lendo os textos de Jerdivan, imaginei-me, durante a leitura, na Praça Getúlio Vargas, numa noite de lua, sossegado, na paz interior dos românticos, a ouvir de um violão afinado acordes de melodias tiradas da voz de Pedoca de Deca. Revivi os tempos que comi os frutos amarelos e adocicados de Melão Caetano, Marizeiras e Trapiás que debruçavam pelas cercas vivas dos corredores do rio Piancó. Lendo, Ignácio Tavares, aí, sim, completa tudo o que queríamos saber: nos Velhos tempos: Bons Tempos-I: A velha Estação do Trem, com os passeios da juventude, a sorveteria Tabajara onde arranjei a primeira namorada, nos encontros de sábado, lugar festivo povoado de mulheres. E assim, eles vão tecendo este livro maravilhoso, onde trás de volta um passado que ficou cristalizado em nossas mentes. Recorda também, seus companheiros de andanças noturnas, Sagaz Queiroga, Cidoca (Alcides Carneiro), Antonio Liberato e Edrizio Roque. O outro grupo reunia Otony Rocha, o padre, Zé Avelino, Assis Pacífico, Silas, Raminho Leovigildo, João Santana, falecido recentemente, entre outros. Fala também dos seresteiros da noite: Zé Venâncio, Júlio Benigno, os irmãos Déca e Anísio Medeiros, Ruy e Chico Carneiro, Nô Formiga, China, Chico Espalha, Custódio Santana, entre outros. Mais adiante, descreve outros seresteiros: Doutor Espalha, seus sobrinhos Bideca e Chico Doura, ainda, Adamastor, Pixica, Joaquim Cândido, Manoel de Donária e tantos outros. Eu também posso dizer, que conheci essas fascinantes criaturas da noite, monstros sagrados da seresta nossa de cada madrugada.

Voltei no tempo e dei boas gargalhadas “No tempo do Rio Piancó; Domingo á tarde em Pombal; Cine Lux em Pombal; Pombal Ontem e hoje no Tempo de Zé de Bú,” são outros textos, capítulos, que os dois escritores poetas foram fabricando com leveza e musicalidade, e juntou todos num livro, que é um intenso transbordar de amor, paixão e ternura – do começo ao fim.

Disse o poeta:”Ninguém sabe estudar tão bem as alternativas existenciais como o poeta, que persiste em ficar à janela, mirando o rio e o céu, como um sentinela do espetáculo da Natureza”.

Pois bem. Ignácio e Jerdivan não ficaram somente “mirando o rio e o céu”. Eles foram além disso: escreveram, cantaram sonhos, fantasias e ilusões, emprestando colorido especial a todas as dimensões e formas de exaltação do amor a sua terra.

Neste livro de crônicas, Ignácio e Jerdivan dão-nos prova de lirismo, profundo e forte, do primeiro ao último texto. Fui à feira de sábado e assisti o seu trançar de destrançar de gente. Vi nomes de jogadores de futebol e de ludo, vi gente de barzinho, assisti filme no Cine Lux, vi nomes de loucos e vagabundos, de intelectuais e de seresteiros, e resolvi parar um pouco para me lembrar de tudo e novamente sentir saudades. Teve razão o poeta quando disse:

“Ninguém vive sem saudade

Sem saudade ninguém vive

Às vezes sinto saudade

Das saudades que já tive”

Meus caros Ignácio e Jerdivan,

Agradeço-lhes por terem proporcionado a mim momentos tão felizes. Feliz do homem que volta às suas origens. E eu voltei. EM ALGUM LUGAR CHAMADO POMBAL foi para mim um navio de saudades navegando no oceano da minha juventude.

É isso aí. Bebi a água e me banhei no rio Piancó. Tenho razões de sobra de ser um apaixonado por aquele abençoado torrão.

Parabéns, Ignácio e Jerdivan. Não parem por aí. Não poupem seus amigos e admiradores dos seus escritos.

Disse Machado de Assis, em Dom Casmurro: “Vou deitar ao papel as reminiscências que vierem vindo. Deste modo, viverei o que vivi”. Foi o que vocês fizeram. O livro é uma viagem sentimental ao passado e uma merecida exaltação à sua terra, à sua gente. Como paisagem, a bucólica Pombal de seus tempos de infância. Com estilo alegre, descontraído, fluente e sem rebuscamentos, os escritores marcam com seu primoroso livro um valioso tento na história literária de nossa terra.

Parabéns! Valeu.

*Eng° Civil e Escritor.

FOTOS DO XIX ENCONTRO DOS FILHOS DE POMBAL: HOMENAGEM AO LORD AMPLIFICADOR!

09 de outubro de 2010 Praça do Centenário de Pombal PB.


MACIEL GONZAGA: JUSTÍSSIMA HOMENAGEM AO PROF° Dr. JOSÉ CEZÁRIO DE ALMEIDA

Maciel e Clemildo (Foto)
Clemildo!

Mais do que justa, justíssima, a homenagem feita ao Professor Dr. José Cezário de Almeida, nosso digno conterrâneo pombalense. Falar de professor, me vem à memória o nome de Anísio Teixeira, ex-secretario de Educação da Bahia, Reitor da Universidade de Brasília, que teve como seguidor mais conhecido o professor Darcy Ribeiro, seu aluno, que criou os CIACs, CIECS e CAICS, copiando uma idéia de Anísio Teixeira implantada na década de 40, com a Escola Parque, de tempo integral, no bairro do Pau Miúdo, em Salvador.

Ser professor é padecer no Céu e no paraíso. Todo dia comemorativo tem sua origem e o dia em homenagem ao professor não poderia ser diferente. O Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. Mas poucos sabem como e quando surgiu este costume no Brasil. No dia 15 de outubro de 1827 (dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila), D. Pedro I baixou um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Pelo decreto, “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Esse decreto falava de bastante coisa: descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados. A idéia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima - caso tivesse sido cumprida.

O magistério é uma profissão digna de homenagem diária; pelo empenho, esforço e até sacrifício empregados na labuta dessa importante missão, reconhecida com o esteio da humanidade. É através do professor que nascem as tantas outras profissões conhecidas no globo terrestre. O inteligente, saudável, abastado, elegante e mesmo, o mais simples dos homens e até o laureado com um prêmio Nobel tem que passar pelas mãos de diferentes mestres. Ser humano dedicado, o professor não mede esforços para levar uma boa educação a seus alunos, apesar das dificuldades. É um herói abnegado e apaixonado, mesmo diante de tantas adversidades. Salários miseráveis, falta de condições de trabalho, transporte e muitos deles passam fome. Podemos considerá-los heróis anônimos. Nossa homenagem aos mestres vai - na figura de um ser humano extraordinário, José Cezário de Almeida, figura ímpar de um mestre cumpridor de seus deveres, ser humano inigualável, amigo dos amigos. Nutrimos uma grande amizade. É um orgulho para mim ser seu conterrâneo e amigo. Não me estendo mais em elogiá-lo, porque tudo sobre Cezário já foi dito no seu artigo anterior. Apenas quero aproveitar o ensejo para apresentar a todos os professores a nossa solidariedade, nosso carinho e nossos parabéns. Sejam felizes!

Maciel Gonzaga.

GRATIDÃO:

Cezario de Almeida (Foto)
Meu caro Jornalista Maciel Gonzaga, um amigo adicionado ao meu coração, aos meus 45 anos de idade, por intermédio do meu outro imenso amigo Clemildo, que me conheceu aos 15, quando do meu ingresso no Lord Amplificador em 1979. Tê-lo como amigo, à fileira de pessoas intelectuais e de pessoas simples que fazem o meu cotidiano, trouxe-me mais satisfação à vida e a minha família. Seus comentários, mensagens e artigos sobre mim, motivam gratidão e honra inesquecíveis e, elevado sentimento prazeroso em conviver com uma pessoa (você, Maciel), pombalense, que detém grande admiração de todos, pela atitude-líder que desempenha. Obrigado!

José Cezario de Almeida
Professor

DR. CEZÁRIO DE ALMEIDA, O PROFESSOR

CLEMILDO BRUNET*


Clemildo Brunet
15 de outubro é a data dedicada ao Professor. Como referencial, peço vênia aos meus leitores, para prestar a minha homenagem a um educador que com seus esforços e boa vontade, apesar dos parcos recursos à época, conseguiu chegar ao ápice de sua carreira no magistério, galgando o mais alto grau que se possa nominar. Trata-se do meu amigo, Dr. Professor Cezário de Almeida, companheiro das lidas no rádio, pois ainda hoje participa conosco ativamente de diversas ações em eventos comemorativos da radiofonia pombalense. Notabiliza-se pelo modo de sua popularidade perante todos, recebendo aplausos e respeito dos que o admiram pela sua sapiência.

Biólogo, Curso de Ciências Hab. em Biologia pela Universidade Federal da Paraíba, Campus de Cajazeiras (1999). Especialista em Pesquisa (2001); Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba (2002), com aprovação em caráter de distinção e louvor e Doutor em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pernambuco (2005), área de concentração Microbiologia, com tese aprovada com distinção e louvor. Concluiu o Curso Técnico em Agropecuária na Escola Agrícola de Bananeiras - PB (1983).

Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal de Campina Grande, nos Cursos de Medicina, Enfermagem e Biologia, Campus da UFCG - Cajazeiras. Foi professor de Técnicas Agrícolas da Escola de Ensino Fundamental e Médio “Mons. Vicente Freitas” de Pombal (1984). Foi professor do Ensino Médio da Escola estadual “Arruda Câmara” de Pombal (1985-1990). Foi professor, Vice-Diretor e Diretor em Exercício do Colégio Josué Bezerra de Pombal (1991-1990). Foi professor e Chefe de Departamento da Faculdade de Agronomia de Pombal (2002-2004). Tem experiência acadêmica na área de Microbiologia, com ênfase em Micologia e Bacteriologia, atuando principalmente nos seguintes temas: controle biológico, genética de microrganismos, biologia molecular, biotecnologia, morfologia e fisiologia de microrganismos.

Coordenador e orientador de projetos de Pesquisa, Extensão e Ensino, Coordenador do Programa de Monitoria da UACV/UFCG (2009), Coordenador de Pesquisa e Extensão da UACENe da UACV / CFP / UFCG, Presidente de várias comissões de concursos públicos para a carreira do magistério superior, presidente da comissão de elaboração, criação e instalação do Curso de Medicina do Campus de Cajazeiras (2005-06), membro efetivo da Comissão do Vestibular COMPROV/UFCG (2006-2009).

Recebeu o título de melhor professor de 2007 e 2009 do CFP/UFCG pela imprensa Cajazeirense, membro efetivo do Colegiado do Curso de Enfermagem CFP/UFCG, Membro da equipe de Projeto CT-INFRA com projeto aprovado (2007-08), Líder do Grupo de Pesquisa Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido - GPA; membro da equipe de pesquisadores em Biotecnologia (RENORBIO) coordenado pelo Prof. Dr. Thales Barbosa Granjeiro (UFC), com Projeto aprovado junto ao CNPq (2007-2009), visando o potencial de genes de Chromobacterium violaceum em Biotecnologia, Presidente do Congresso III Encontro de Biologia e do I Simpósio Paraibano de Meio Ambiente (2009).

Atual Diretor do Centro de Formação de Professores - Campus de Cajazeiras/UFCG (2010-2013).

Com toda esta fonte de conhecimento vejo no meu amigo Cezário à pessoa humana que ele é na maneira cordial como trata o seu próximo, nunca negando sua origem de haver nascido em um lar simples e humilde, onde seus pais José Garrido de Assis (saudosa memória) e Neuza Cezário de Assis, todos natural de Pombal, lhe devotaram atenção especial para educá-lo para vida e seguir o caminho do bem. Cezário de Almeida é casado com Francisca Feitosa Soares de Almeida, união essa fortalecida pelo nascimento de cinco filhos, dois do sexo masculino e três do sexo feminino.

Cezário de Almeida (Foto)
“CEZARIO ALMEIDA” assim é mais conhecido, atuou na imprensa paraibana por 10 anos. Foi membro da equipe do Lord Amplificador – Pombal (1979-1980), sob a direção de Clemildo Brunet e Genival Severo; Radialista / Rádio Integração do Brejo – Bananeiras – PB (1982-1984); Radialista / Rádio Maringá de Pombal (1984-1989). A partir de 1990 aos dias atuais dedicou-se ao magistério e à gestão escolar. Neste ano a Câmara Municipal de Cajazeiras concedeu-lhe o Título de Cidadão Cajazeirense pelos relevantes serviços prestados aquela comunidade, que é conhecida como a terra que ensinou a Paraíba ler.

Neste Dia do Professor, em seu nome CEZÁRIO, estendo os meus sinceros parabéns a toda categoria do Magistério pombalense e paraibano. Deus os abençoe!

Pombal PB, 15/10/10

*RADIALISTA

Contato: brunetco@hotmail.com

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FESTA DO ROSÁRIO - MISTO DE FÉ E CALOR HUMANO.

Prof. Vieira
POR FRANCISCO VIEIRA*

Muito bem falou quem chamou nossa mais tradicional festa religiosa de Festa do Encontro – e do Reencontro – prá ser mais preciso. No mínimo, uma denominação sábia e coerente. De fato, além do cunho religioso, a Festa do Rosário de Pombal em seu caráter social apresenta ampla conotação amistosa.

Sob o prisma de uma visão amistosa a Associação dos Amigos e Filhos de Pombal realiza anualmente por ocasião da festa, o encontro dos filhos da Terra de Maringá, momento em que prestigia personalidades e entidades que fizeram nossa história. Assim, foi que neste ano, em sua 19ª edição, prestou justa e merecida homenagem ao Lord Amplificador, serviço de alto-falantes que funcionou em Pombal nos anos de 1960 a 1980, graças à garra do seu idealizador Clemildo Brunet, personagem que se tornou referência na radiofonia no estado e além fronteiras, cujo trabalho fez por merecer a Medalha Epitácio Pessoa – maior condecoração – outorgada pela Assembléia Legislativa da Paraíba.

O Encontro dos Filhos de Pombal é um momento ímpar que se repete a cada ano. É como se fosse o primeiro, o único ou derradeiro. Em síntese, é algo inexplicável e indescritível, portanto, impossível transmitir em palavras sua importância, salvo os poetas que são privilegiados de Deus.

Ratifico, foi deveras um momento ímpar. Momento de confraternização entre amigos vindos de lugares diversos e distâncias quilométricas, superadas pelo amor filial e o desejo de voltar a terra mãe. Formou-se uma multidão que se aglomerava tal qual peixes em piracema. Cada um procurava o melhor lugar e o melhor jeito para com espontaneidade abraçar o amigo que não via há anos e esbanjar a intensa alegria expressa no semblante de cada um. Os braços se entrelaçavam em abraços e apertos de mão que se misturavam as gargalhadas pelas histórias do passado trazidas para o presente.

Inserido nesse clima contagiante revi amigos, fortaleci amizades, relatei fatos. E por falar em amigos lembro que as amizades de infância são como sementes em solo fértil, resistem ao tempo, portanto, perduram para sempre. O bom é que se fortalecem a cada reencontro. Assim, foi que revivi a alegria e a felicidade de reencontrar amigos como os irmãos Maciel e Massilon Gonzaga, Zé Coelho, Paulo e Carlos (Carlito) Abrantes, Severino Coelho, Verneck. Que honra ter assistido o lançamento do livro “EM UM LUGAR CHAMADO POMBAL”, obra dos ícones da literatura pombalense Inácio e Jerdivan Tavares. Que bom o contato com o inesquecível amigo de infância Verneck a quem chamo Nequinho de Lelé, como nos velhos tempos. Enfim, quão grande e maravilhosa foi a surpresa em rever José Geraldo (Zé de Anália) e João Costa (João de Chicó), os quais não os via há aproximadamente 40 anos. Sem desmerecer foi bom rever a todos, inclusive aqueles que vemos freqüentemente. O bom mesmo é o prazer de revê-los. Pena que passa tão rápido. Talvez por isso aumente em nós a ansiedade de um novo encontro no próximo ano. Afinal, a Festa do Rosário é como vinho, quanto mais velho mais gostoso.

Bem, fico por aqui alegre e saudoso, contudo, confiante em DEUS de estar presente no próximo ano onde viverei novas e inesquecíveis emoções. Portanto, vou esperar. Vou iniciar a contagem regressiva com a mesma ansiedade com o que o carioca espera o próximo carnaval.

Até lá, se Deus quiser, quando renovaremos esse misto de fé e calor humano.

Pombal, 12 de outubro de 2010.
*Professor, Ex Diretor da Escola Estadual João da Mata e Ex Secretário de Administração Municipal de Pombal.

O LIVRO DE IGNÁCIO E JERDIVAN

W.J. Solha*

W.J. Solha
Cine Lux e suas matinês de domingo; a Rádio Difusora Maringá com anúncios do Bazar Imperial , do Zuza Nicácio; o rubacão sob as ingazeiras; o bandolim do Bideca; a Festa do Rosário; os nêgos dos espontões; o trem-cargueiro fazendo manobras pra recolher o óleo da Brasil Oiticica; a fábrica de macarrão Matocir; a torrefação de seu Antonio Rocha perfumando a cidade toda; a guitarra elétrica de Chico de Maroquinha zoando no Pombal Ideal Club; o boi esquartejado pra alimentar os eleitores de Chico Pereira; a banda de música do maestro Saturnino; as cheias do rio Piancó atingindo a Rua de Baixo; as saias plissadas das alunas da Escola Normal Arruda Câmara; o Bar Centenário cercado de tamarineiras, marizeiras, trapiás, acácias e mata-fome; a juventude na sorveteria de Bernardo; o barraco Padre Cícero – do Zé de Lau; a marinete de Lauro Paixão; o ronco do avião da Sanbra; a quermesse na Rua dos Pereiros; as peripécias de Cícero de Bembém; os pasteis da velha Petronila; os sequilhos de Nanzinha; a bodega de Maria Noca; o cego Rosendo que passa vendendo pão-de-ló; Chiquinho Formiga construindo um terço das casas da cidade; o Léo Formiga revelando uma chapa fotográfica; os fícus benjamim da Praça Getúlio Vargas; o flamboyant , o araçá e o jarmineiro-branco na casa do Dr. Atêncio, perfumando toda a sua rua; os seis filhos mudos de João Josias; o rio passando entre as ingazeiras e mufumbos; o campo de futebol cercado de avelós; o imenso pé de castanhola do colégio João da Mata, com galhos que chegam ao chão; as lojas Simpatia, Paulista, Casa dos Pobres, Casas Bandeira e Camisaria do Tiquinho; o Padre Oriel, o Padre Solón, o Professor Arlindo Ugolino; o caixeiro-viajante propondo ampliação e colorização de fotos; o parto feito por dona Maloura; a mamadeira contendo leite da jumenta Rochinha; a Rua Nova, Rua do Comércio, Rua do Rio, Rua da Cruz, Rua do Fogo, Rua dos Pereiros, os bairros Guindaste, Cacete Armado, Nova Vida e Alto do Cruzeiro; o vendedor de quebra-queixo que aceita garrafas e arame como pagamento; a Luzia Carne Assada – de cabelos vermelhos cheio de bobs, o batom escarlate, unhas pintadas, sapato de salto alto, bolsa Chanel, muito pó de arroz, seguida pela procissão de moleques em algazarra; Bisel, o sacristão de lábios leporinos, Bico Doce – coveiro que espera os defuntos dentro das covas; a dor de veado curada com folha de pinhão roxo; o sal na boca, usado pra passamento, também chamado de biloura; o Forró do Love, no coração do cabaré; as andanças boêmias de Sagaz, Otony Rocha, Zé Avelino, Raminho de Leovegildo e João Santana; as famílias Capa Porco, Pandeiro e Maniçoba; Zé do Bispo jogando baralho com João Gualberto, Bocage e Pololô; a revelação de que antes do Cine Lux houve um outro, na cidade, chamado Vitória.

Para quem é de Pombal ou tem Pombal na memória – feito eu - como se ela fosse uma segunda mãe ( mais amada do que a primeira), as crônicas do cotidiano que Ignácio Tavares de Araújo e Jerdivan Nóbrega de Araújos publicam agora no livro “Em Algum Lugar Chamado POMBAL” são a mais pura delícia das delícias.

(11-10-2010)

*Escritor, dramaturgo, ator e poeta paulista,
radicado na Paraíba.

LORD AMPLIFICADOR RECEBE HOMENAGEM NA XIX FESTA DO ENCONTRO DOS FILHOS DE POMBAL

Clemildo Brunet, João Costa, Massilon e Maciel Gonzaga
Uma grande festa! É como vem sendo considerada a homenagem ao Lord Amplificador realizada neste sábado (9) durante o XIX Encontro dos Filhos de Pombal, evento que anualmente vem se realizando durante os festejos da tradicional Festa do Rosário.

Vários ex-integrantes do Lord Amplificador se fizeram presentes, muitos vindos de outras cidades, entre eles: o jornalista João Costa, promotor de justiça Severino Coelho Viana, professor Massilon Gonzaga, advogado Maciel Gonzaga, José Coelho, Francisca Gleuma, Carlos Abrantes, Paulo Abrantes e José Geraldo que embora não tenha feito parte dos quadros do Lord, foi precursor da comunicação da “Voz da Cidade”, além de outros que residem em Pombal e região.

O fundador do Lord Amplificador, Clemildo Brunet de Sá, recebeu da comissão organizadora do evento, uma comenda, como reconhecimento pelos relevantes serviços prestados através do “som direcional da comunicação” à população pombalense, entre as décadas de 60 e 80.

A festa também foi animada pela Banda Ariús de Campina Grande e o cantor forrozeiro Massilon Gonzaga, executando músicas do repertório da época do Lord Amplificador. foi momento fraterno de abraços e confraternizações. A alegria estava estampa no rosto de todos os ex-integrantes do Lord Amplificador que se fizeram presentes.

No local uma exposição de um banner “Lord Amplificador – O Som Direcional da Comunicação” 1968 - onde constavam fotos de todos que passaram pelo aludido serviço de alto falantes, e registro de acontecimentos político, social e econômico da cidade da época.

Três gestões administrativas de Pombal à época do Lord – Atêncio Bezerra Wanderley, Paulo pereira Vieira (in memorian) e Hildo de Assis Arnaud – este último se fez presente ao evento sendo homenageado pelos componentes do Lord Amplificador. Foram agraciados com brindes os anunciantes de então, que ainda estão em atividades no comércio local.

A apresentação do Encontro dos Filhos de Pombal esteve a cargo do radialista, professor e diretor do Campus da UFCG de Cajazeiras, Dr. José Cézario de Almeida, ex-integrante do Lord Amplificador.

Reportagem: Maciel Gonzaga.

POMBAL VIVE, A BELA HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO - "LORD AMPLIFICADOR"

Cessa Lacerda (Foto)
POR CESSA LACERDA*

Hoje, Pombal vive, a bela história da Comunicação que é fator prioritário de um povo.

Com destaque, o LORD AMPLIFICADOR, sistema radiofônico, meio de comunicação de massa que prestou relevantes serviços a nossa urbe, entre as décadas de 60 e 80 do século passado e que somente agora, em pleno sábado do Rosário, 09 de outubro de 2010, é reconhecido, por pessoas idôneas, membros da significativa “Associação dos filhos e amigos de Pombal”, recebendo solenidades de aplausos e merecida homenagem.

Aplaudimos a Associação dos filhos e amigos de Pombal pelo brilhante pensamento e pela grandeza de reconhecimento em homenagear ao célebre inventor do “Lord Amplificador”, serviço de Alto Falantes, em nossa cidade, o grande Benfeitor da nossa Comunicação, o ilustre e querido irmão e amigo, CLEMILDO BRUNET DE SÁ.

Parabenizo a todos vocês, Membros Militantes desta Vibrante Associação, pelo décimo nono Encontro dos nossos irmãos pombalenses. Festa que faz diferença e que se destaca, há mais de uma década, sobressaindo o amor no período mais belo e fervoroso da nossa terrinha, a tradicional e simbólica FESTA DO ROSÁRIO.

Não é necessário que se conte a história do Lord Amplificador porque é ampla e se estende brilhantemente até os dias atuais por vínculo de um sonhador. Basta que acessemos o rico e ilustrado PORTAL CLEMILDO, COMUNICAÇÃO E RÁDIO,onde encontraremos verdadeiros e importantes testemunhos e belos comentários dos antigos aventureiros da história da radiofonia pombalense no aconchego atencioso do seu mestre maior, CLEMILDO BRUNET, na época, jovem sonhador de ser um atuante profissional de rádio difusão.

Como é importante sonhar e alimentar esperança para conseguir coisas realizáveis como Clemildo o fez servindo de exemplo, hoje, para os nossos jovens que aspiram as suas realizações. Somente Deus, Todo Poderoso, poderá edificar os sonhos de vocês, jovens inteligentes e sonhadores. Creiam nele e provarão.

A Comissão Organizadora deste Evento de homenagem promove também um resgate da história do Lord Amplificador fazendo-nos relembrar a vida deliciosa do nosso passado. Este é um momento ímpar para quem sente saudades de um passado feliz.

O Lord Amplificador teve o seu início numa festa de carnaval em Pombal, fevereiro de 1968.

Toda história tem seu princípio, continuidade e até mesmo, fim. Só que a história da nossa Comunicação teve um princípio brilhante, com um desenvolvimento admirável e com certeza não terá fim, porque somos frutos da bela inspiração de um jovem iluminado por Deus que deu-lhe dons: inteligência, força e coragem para conquistar o seu sonho.

O “LORD AMPLIFICADOR” sucedeu a “Voz da Cidade” vindo a ser também uma escola onde os jovens pombalenses, de vozes bonitas começaram a exercitar tornando-se ótimos locutores. Foi assim que Clemildo formou a família da Radiofonia e da Comunicação pombalense como assim ele disse:

“Era uma oficina de rádio agregando a rapaziada do meu tempo, envolvendo-os nesse processo de caráter indireto e imediato de comunicação, através de um sistema sonoro que era ouvido a certa distância, transmitida por cornetas (projetores de áudio), espalhada em pontos estratégicos da cidade.

Muito novo ainda, eu não sabia que estava sendo feito um aprendizado, pois no momento considerava tudo aquilo, como se fosse simplesmente um entretenimento; contudo, a vontade de fazer locução era mais forte, pois já havia exercido tal atividade nas difusoras de Raimundo Sacristão e das Lojas Paulista. Pouco a pouco, os voluntários da época, curiosos, adentravam o Studio do LORD AMPLIFICADOR e em pouco tempo, estavam, exercendo a função de sonoplasta ou de locutor.

Foi uma luta espontânea, sem guerra, porém foram vítimas de incompreensões por parte de alguns pombalenses, mas contaram com o apoio de duas autoridades ilustres, hoje, de saudosas memórias: Dr. Francisco Nelson da Nóbrega, Promotor de Justiça aposentado e Presidente do Rotary Clube de Pombal e o Prefeito, na época, Dr. Atêncio Bezerra Wanderley, que autorizaram de imediato a instalação das cornetas de som nos prédios públicos pertencentes ao município, solucionando o problema para que o Lord Amplificador voltasse a funcionar normalmente.

Muitas foram às razões para que o Lord Amplificador se tornasse um marco na nossa história radiofônica e na comunicação tomando lugar de destaque e merecendo o nosso reconhecimento e as nossas homenagens.

Neste momento de festa e de homenagem, rendemos os louvores ao nosso querido Clemildo pela progressão dos seus ideais e pelo grande intento de precursor desta linda história.

A você Clemildo, Parabéns, reforçados de amor e muita gratidão!

VIVA O NOSSO QUERIDO CLEMILDO PELO MÉRITO DE TÃO LINDA E HONROSA HOMENAGEM.

*Poetisa e escritora pombalense

Contato: cessalacerda@yahoo.com.br

Pombal, 09-10-2010.

POR QUE NÃO DEVEMOS ACREDITAR NOS INSTITUTOS DE PESQUISAS...

Maciel Gonzaga
Por Maciel Gonzaga*

O resultado das urnas mostrou erro nas pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias. Todas erraram fragorosamente em suas previsões. Até quando esta situação irá perdurar no ordenamento jurídico brasileiro? Os institutos de pesquisas continuam afrontando a tudo e a todos. Alimentam a mídia com pesquisas criando uma expectativa no meio político a seu bel prazer. Este excesso de pesquisa dos institutos afeta a qualidade do trabalho e gera desconfiança no eleitor.

E não adianta dizer que fazer um levantamento, uma pesquisa eleitoral, é um trabalho muito complicado, que exige muita precisão e cuidado, tendo que passar por uma supervisão de campo precisando ser checado para evitar que o pesquisador vá lá numa cidade e preencha questionários só para preencher sua cota e vir embora para casa.

Conversando com o diretor de um desses institutos, ponderava ele que "não adianta jogar os institutos contra a parede", uma vez que há questões "imponderáveis" que as pesquisas sempre terão dificuldade para captar. Respondi: “Tudo bem! Só que isso vocês não dizem”.

Em entrevista concedida ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, a diretora executiva de Inteligência do Ibope, Márcia Cavallari, defendeu as pesquisas. "Não considero que os institutos tenham errado. Ao longo da campanha todas as tendências foram captadas", disse. Discordo plenamente dessa afirmação. Qual o instituto de pesquisa que disse que o percentual de Dilma estava em queda? Muito pelo contrário.

Pela minha experiência de trabalhar nos bastidores da política em Campina Grande e em Natal, há muitos anos, inclusive sentando-se à mesa de negociação com os institutos de pesquisa, posso afirmar categoricamente que eles calculam mal ao ponderar o voto dos indecisos. Essa é obtida após a divisão das intenções de votos em um candidato pelo total de intenções de votos, desconsiderando aqueles entrevistados que declararam voto branco, nulos ou indecisos. O engano está aí. Não se pode excluir os indecisos, afinal eles podem votar em um candidato no momento da eleição. E mais: as pesquisas de amostragem por quota não podem conter margem de erro, trata-se de algo incompatível. A margem de erro se coloca numa pesquisa de amostragem estatística, isto é, quando as pessoas são sorteadas e não escolhidas para entrar num determinado perfil de renda, cor de pele e sexo, como ocorre com amostragem por quota.

Historicamente, os institutos de pesquisa, erram, mas desta vez o problema foi assustador, acima da margem de erro. E o problema não é apenas de saber qual instituto errou, mas a interferência de maneira inadequada no processo eleitoral. Discrepâncias entre as pesquisas e os votos sempre ocorreram e é preciso aprimorar a forma com que elas são feitas para evitá-los. Porém, o “x” da questão está no fato de que os institutos de pesquisa se tornaram parte da ação política deste ou daquele grupo/partido. Os políticos já chegaram à conclusão de que pesquisa é coisa séria demais para ser deixada nas mãos de pesquisadores. E seriam eles (os políticos) os responsáveis pelas mudanças. O que podemos esperar? Por enquanto é ficar vendo os institutos de pesquisa destinarem-se, unicamente, a induzir a opinião pública. No nosso humilde entendimento, a participação dos institutos na realização de pesquisas em campanhas eleitorais deve

ser repensada. Ou então perderão completamente a credibilidade. Como é que terão credibilidade com erros tão absurdos?

*Jornalista, Advogado e Professor. Natal RN.

REPRISANDO A CRIANÇA

Severino Coelho
Por Severino Coelho Viana*

O tempo das crianças de hoje é outro completamente diferente daquele vivido no nosso Torrão sertanejo quando uma patota de menino corria rua acima e rua abaixo, formava tribo nas guerras de ruas, saltitava no areal do rio Piancó e terminava a noite com o piscar das luzes acesas nos postes de madeira que iluminavam a modesta cidade interiorana.

Como quase todas as crianças pobres das pequenas cidadelas que o sol ardente das manhãs e tardes ensolaradas encontrava uma sombra na folhagem dos pés de oiticica e no frio das madrugadas invernosas se apoiava no cobertor de saco de açúcar. Assim era a vida de uma criança nem rica nem pobre; mas feliz, sem o poder de alcance do olhar perseguido pela vingança dos homens maus e as labaredas abrasantes do olhar perigoso da inveja, que ainda vivia encantado no seu mundo de inocência.

Os dois pares de sapato eram usados de forma distintiva: o diário calçado no dias de escola; enquanto que o semanal era somente usado para assistir às missas dominicais, aniversário de amigos e nas festas tradicionais. O bom mesmo, mais alegre e mais emocionante era andar descalço na lama deixada pelas chuvas, depois fazer açudes nas junções das avenidas pelas águas deixadas e melar as pernas na enxurrada correndo nas ladeiras, escondendo os arranhões e cortes nos pés pelos os cacos de vidros do monturo que eram levados no lamaçal.

A euforia da diversão comungava com um mundo de simplicidade que o rodeava, sem as formas estilísticas da vida moderna, quando à época não existiam os chamados brinquedos industrializados, os jogos caros de vídeos games, nem os jogos eletrônicos dos mp4. A nossa mente estimulava-se pela criatividade. Como uma mente que não encontrava espaço entre o céu e a terra, criado no seu mundo imaginário e concretizado pela ação prontificada, por exemplo, da estaca do cabo de vassoura nascia um cavalo, mais bonito do aquele de Zorro; os carros de brinquedo feito manualmente que cintilavam com o brilho da lata de óleo; de um pedaço de tábua e quatro rolimãs formava a nossa bicicleta, que chamavam de patinete; o nosso estilingue, conhecido por bodoque ou baleeira, formado da forquilha, que chamávamos cambito, duas ligas e sola de couro era nossa arma predileta, na caça de calango, nos terrenos baldios de dona Neca ou para matar as rolinhas caldo de arroz nas embrenhas das Carvalhadas. O jogo de bila ou bola de gude, outra diversão que sempre acabava em briga; com os piões e as carrapetas punhados à linha que rodeavam no solo de chão batido e um macio avermelhado. Toda farra de peraltices só acabava com o jogo de bozó ou apostas no ludo, cujo dinheiro era nota de cigarro, quando o vencedor era o menino mais rico do pedaço (Eldorado, Kent, Continental, Ministro, Hollywood).

A infância se derramava de alegria, generosa na sua origem, bondosa no seu nascedouro e fertilidade na essência porque é criação Divina. Nesta fase, o tempo passa lentamente, os dias se tornam imensamente longos, que bom se não terminasse nunca! Atualmente, o tempo passa como um piscar de olho, ou não passa, some! Nós é que peregrinamos nas suas migalhas de vivência. Havia tempo para tudo: escola, deveres de casa, esporte, brincadeiras, visita aos amigos e parentes, e, ainda, sobrava alguma coisa para o seu recomeço.

E a disciplina paterna impunha-nos limites, além dos assuntos particulares que eram reservados aos adultos, havia determinação na menor regra de proteção: tomar banho antes do café da manhã e do jantar, toda a família reunida à mesa no horário das refeições, dinheiro curto para as matinês de domingo, o desejo livre de ansiedades e isento do consumismo desenfreado.

O nosso mundo mudou e mudou para pior, com uma ligeira tentativa de acabar, inclusive, recriou um novo mundo infantil. Os valores são incorporados através da mídia, sem o compromisso de uma formação valorativa. A incivilidade reina de ponta a ponta e quando chegar à fase adulta há muito caiu no mundo do deboche, desde a forma de cumprimentar ao estilo de falar, do modo de aprender ao estilo de viver, pois a falta de reconhecimento de valores éticos destruirá o futuro mundo de nossas crianças, de hoje, ou seja, acabou também a infância. Quebra-se o encanto do sorriso, rareia o sentimento de respeito, esfumaça a dignidade e degrada o próprio fator de humanismo. A rua, mesmo de paralelepípedo, não só está interditada, mas suja; o quintal de hortaliça desloca-se para o shopping e instala-se a praça de alimentação, com os quitutes recheados de obesidade; de diversão transformou-se no desejo contabilizado; a alegria enfeitou-se e maquiou-se de uma cor desnaturada; os brinquedos caros e descartáveis, pois não passam de jogo remunerável que sufoca o bolso paterno, mas é modernidade.

O pior de toda essa história parece que houve uma assimilação material por parte dos pais, pois estes não querem que seus rebentos sofram qualquer sentimento de menosprezo. A tecnologia faz bem à coordenação motora da pequena criança. Será que assimilou o aspecto da criatividade do próprio filho? Fazendo o devido acompanhamento escolar e comportando-se com o devido requisito de respeito mútuo?

Na verdade é um mundo encantado, que quando acaba a fase, só nos resta saudade e vontade de querer voltar, com a mesma certeza de que não encontrará tanta maldade nas personagens do reino infantil, neste mundo materializado de desamor, incompreensão, intolerância e mesquinhez.

João Pessoa, 05 de outubro de 2010.

*Promotor de Justiça. João Pessoa PB

SEM OUVIR A DEUS, O HOMEM VAGUEIA

Por: Emerson Silva de Oliveira

Olá, tudo bem?

Atualmente, tenho vivenciado uma grande preocupação com a idéia de que não há mais valores em nossa época. Idéia essa, devo dizer, que tem invadido com muita força a Igreja Cristã. Mas, fico mais apreensivo quanto ao fato de que no campo eclesiástico, onde no passado a construção do pensamento se deu com base na Palavra de Deus, homens e mulheres estejam atualmente tão relaxados com o pensamento pós-moderno, que são capazes de relativizar suas palavras e ações, em detrimento da verdade objetiva da Escritura Sagrada.

Sim! Pretendo falar sobre a Autoridade da Escritura Sagrada em relação aos dias atuais. Minha intenção é lembrar a importância do livro sagrado da Igreja Cristã ante o relativismo que tem dominado o cenário eclesiástico a partir do subjetivismo peculiar desses tempos pós-modernos. Essa era pós-moderna vem se caracterizando como o período histórico das desconstruções das idéias. É o período em que tem havido abandono e rejeição dos padrões e dos valores que já foram, há muito, estabelecidos.

Na perspectiva do pós-modernismo, podemos perceber uma forte resistência à idéia da verdade objetiva. Isso ocorre porque o homem tem criado para si um paradigma baseado na sua individualidade, o que é altamente subjetivo. Essa era pós-moderna vem se apresentando, portanto, como um tempo dominado por um pensamento pós-modernista de desconstrução. A filósofa brasileira Marilena Chauí, da Universidade de São Paulo – USP, ao tratar dos aspectos da filosofia contemporânea, se refere a essa nova forma de pensamento, colocando os prejuízos que esse movimento vem trazendo, destacando a crítica dessa tendência contra “os conceitos e valores que, até hoje, sustentaram a Filosofia e o pensamento dito ocidental”.[i]

Ao voltarmo a nossa atenção mais uma vez para dentro do ambiente da igreja protestante, veremos que a crítica dos conceitos e valores e até a subversão dos mesmos, encontram-se também em seu meio. Na pós-modernidade, podemos observar que está presente uma grande crise teológica com implicações que abrangem de maneira geral a conduta humana, mas, que de maneira restrita, a regeneração do homem é o cerne da questão. Alexander Hodge, teólogo de Princenton do século 19, comentou que para o homem não regenerado a Escritura Sagrada é como a luz, que o cego embora sinta, contudo, não pode vê-la.[ii]

Essa crise tem um motivo, o qual vem se revelando através do desprezo que é dado cada vez mais a Escritura Sagrada, sobretudo, nessas últimas décadas de transição do século 20 para o século 21. Atento à desconstrução dessa era, o teólogo reformado, Alderi Souza de Matos, refere-se à cosmovisão pós-modernista apontando para o fato de que tem havido um crescimento por parte da mesma e que esta está baseada no subjetivismo cuja tendência caminha para o relativismo. Os seus alvos, como nos parece sugerir esse teólogo, vem sendo as questões do campo da ética e da religião onde os absolutos morais são cada vez mais questionados devido a rejeição quanto aos mesmos.[iii]

Entrementes, a Escritura Sagrada continua sendo exatamente o que Deus dá a conhecer de Si mesmo nos seus Registros Sagrados; a Escritura Sagrada tem sua origem no próprio Deus, e foi dada por Ele para que o homem adquirisse conhecimento mais claro de Sua Pessoa e da sua vontade; só existe uma Escritura, composta de Antigo e Novo Testamentos que eficazmente conduz o ser humano eleito à salvação; esta ainda é a declaração que (Deus) faz sobre si mesmo nas palavras dos homens, formulando assim, a base para a lei e para a moral.

Meu modesto objetivo é lembrar, apenas, a relevância da Autoridade da Escritura Sagrada e a importância que tem para a igreja como verdade objetiva que é; pretendo lembrar também que sendo a Escritura Sagrada, a fonte objetiva e segura do conhecimento a respeito de Deus, ela se constitui, portanto, como a autoritativa e única Palavra final sobre a religião. E que essa lembrança não se perca, antes, que ajude na prevenção ao erro e glorifique ao Deus que se Revelou.

Em Cristo Jesus,