CLEMILDO BRUNET DE SÁ

A "PEDAGOGIA" DO GUIMARÃES

Eronildo Barbosa
Eronildo Barbosa*

Os castigos do velho Professor Guimarães a mim impostos, ali na Sociedade Anônima Operária Beneficente - pelas vezes que eu cheguei atrasado à aula, me valeram muitas palmatórias, porém, experiência e aprendizado que servisse para minha vida futura, nenhuma (Jerdivan Nóbrega, Blog do Clemildo, em 10/06/2010).

Eronildo narra muito bem o que se sucedia na Escola do Prof. Guimarães (...) Fomos colegas contemporâneos (...) Não sei quanto tempo passamos, creio que no máximo um ano, mas na minha mente foi uma eternidade. La era uma espécie de sucursal de um campo nazista ou do inferno ( Postado por José Tavares,no face, em 19/05/2011).

Acabei de ler o artigo do professor Cesário de Almeida em que discorre sobre a “escola” do professor Guimarães, objeto de debate na imprensa de Pombal, patrocinado por alguns filhos da terrinha que gostam do confronto salutar de idéias. Os artigos do Advogado Jerdivan Nóbrega, do renomado Poeta Paulo Abrantes, o meu e o do professor Cesário de Almeida refletem o olhar de cada um sobre um personagem excêntrico que viveu e morreu em Pombal.

Todos os artigos têm o objetivo de resgatar parte da memória do município. O texto do professor Cesário foi postado no Blog do Clemildo em 30/05/2011, e está na linha dos demais, ou seja, corrobora que aquela “escola” era repressora, contudo discorda pontualmente de uma afirmação que faço em meu artigo conforme o leitor pode conferir acessando o site da Rádio Liberdade de Pombal de 19/05/2011. Também oferece algumas informações relevantes sobre a vida do professor Guimarães.

No meu artigo também há algumas informações sobre o professor Guimarães que pouca gente conhecia. Inclusive o professor Cesário. Daí o seu espanto. Elas andaram comigo por muito tempo. Eu fui aluno dele, em 1972, por isso reafirmo tudo o que escrevi no referido texto. Não mudo uma vírgula, só se fatos novos justificarem.

O meu gesto não representa uma agressão àquele senhor. É apenas um compromisso com a minha verdade. Narrei naquele artigo o que a minha memória guardou até os dias de hoje. Fui fiel àquilo que vi. Até porque não acho que a morte de um personagem apaga os problemas e as virtudes que ele teve em vida. A morte não carrega a história dos homens. Ela fica por aqui para lembrar que ele existiu para o bem e para o mal.

É fato que a história crítica tem feito um esforço danado para quebrar esses paradigmas. Quando a nova história de Pombal for escrita muita novidade vai aparecer meu caro Cesário. As novas gerações de pesquisadores estarão mais livres do que nós da pressão dos amigos e dos laços familiares. Com base em parte do que produzimos poderão dar um salto importante na descoberta de novas verdades transitórias.

Não estou de acordo que a pedagogia dominante no início da década de 1970 era ancorada em instrumentos de repressão como a palmatória e outras práticas nocivas. Isso não é verdade e não pode servir de justificativa para os atos do Guimarães. Os livros de história da educação estão aí prá ser consultados. Os casos são pontuais.

E mais: ao fazer essa afirmação você reduz a educação da nossa cidade a duas escolas: a da dona Marinheira e a do Guimarães. Estudei em outras escolas e nunca vi uma palmatória. Recebi muito carinho na escola de dona Ana de Rosemiro. Também estudei na antiga escola do “Abrigo dos Pobres” e no Grupo Escolar Vicente de Paula e não me lembro de palmatória e intimidação.

Quanto ao fato do professor Guimarães ter morrido sem o mínimo de apoio é lamentável. Vivemos em uma sociedade de classes em que o operário é apenas força de trabalho. Quando está velho recebe uma aposentadoria suficiente apenas para comprar os remédios enquanto a morte não chega. Um dia construiremos uma sociedade em que os velhos terão apoio integral do Estado e as crianças terão escolas prazerosas. Essa é a trincheira que batalho.

Quanto ao desafio de construirmos um trabalho coletivo sobre a história da educação em Pombal eu estou de acordo. Acho uma bela iniciativa. O Guimarães precisa ser melhor estudado.

Em outubro eu vou estar na terrinha para abraçar os velhos amigos, como fiz no ano passado, por ocasião da festa dos filhos de Pombal, oportunidade que pude apreciar a justa homenagem aos locutores do Lord Amplificador. Aliás, naqueles microfones você brilhou por muitos anos.

Assim, nessa visita, discutiremos detalhes dessa simpática e necessária proposta.

É assim amigo, mesmo no debate duro, na diversidade, a velha e boa Terra de Maringá nos aproxima. Não fosse isso eu estava escrevendo sobre política. O Palocci tem sido uma fonte inesgotável de reflexões. O PSDB também.

Um forte abraço, professor Cesário. Até breve.

*Eronildo Barbosa é Professor Universitário.

COMENTÁRIO DE JERDIVAN SOBRE PROFESSOR GUIMARÃES

Jerdivan N. Araújo
Cesário,


Já escrevi a respeito do Professor Guimarães, de quem fui aluno. Quando escrevo a respeito de um personagem das ruas de Pombal, eu apenas busco nas minhas memórias fatos que não venham a agredir a memória do personagem, mesmo por que devemos respeito a sua descendência.
Também não faço  juízo de valores de personagens, pois sempre acreditei que a histórias deve ser analisada e contada ao seu tempo, no entanto, devo lembrar que até o final dos anos sessenta a palmatória era instrumento comum nas salas de aulas, principalmente as “particulares”. A rigidez do Professor Guimarães não era diferente do método utilizado por Dona Anita ou Dona Marinheira. Os pais sabiam dessa forma de educar que, não sendo convencional, era regra em todo o Brasil.
Tenho uma amiga nos correios, que ocupa cargo na alta diretoria, por tanto, como você e Quenildo e eu, bem  sucedidos na vida profissional, que na semana que passou nos trouxe a palmatória que sua mãe, professora em Várzea, utilizava  na sala de aula.
Lembro que certa vez eu li um texto de Celso Furtado que dizia “ nada me assustava mais do que aquela palmatória  que balança ao vento bem a minha frente”, ele se referindo aos seus primeiros contatos com a educação. Portanto, não vejo demérito em um  educador, até final dos anos 60,   ter se utilizado  da velha palmatória ao tempo em que comemoro a sua aposentadoria.
Sei quê o que você questiona no texto de Quenildo  não é a palmatória, mas, um assunto que, por não ter subsidio, não me cabe comentar. 
Quem primeiro  resgatou a memória do velho professor, em texto, creio que fui eu. Naquele momento Quenildo me passou uma e-mail comentando os fatos depois por ele relatado,  dos quase eu não tinha conhecimento e tampouco  interessava a minha “literatura”.
 Respeito a opinião dos dois e até dos três ao incluir o nosso Paulo Abrantes e acho, que o melhor  que  podemos tirar dos  escritos, tanto por mim como por vocês três, é o resgate da memória de um personagem que  foi importante para a nossa cidade. 
A  história são fragmentos que se reconstrói passo a passo e através dos debates. Em momento algum podemos nos arvorar donos da verdade pois, de uma forma ou de outra ela um dia aparece. Torço, pela admiração que sempre tive pelo velho  Professor,  que Quenildo  esteja errado e você certo, mas se for ao contrário, não podemos  ser “Palmatória” do mundo, pois, em cada mente humana existe    um ser único  e, por vez, misterioso que não se revela  facilmente.
Ao rebater as “informações” de Quenildo você nos trouxe mais informações a respeito do Velho mestre ,e mais do que isso, me revelou, como foi o primeiro texto seu que eu li, que  você tem memórias  das ruas de Pombal a ser revelada e deve vez, por outras, nos trazer em forma de textos.
Abraços.
Jerdivan
Jerdivan Nobrega de Araújo

"O QUE SEI SOBRE O PROFESSOR GUIMARÃES"

Prof. Cezário
POR JOSÉ CEZÁRIO DE ALMEIDA*
“Ex-aluno do Professor Guimarães”

O Prof. José Guimarães in memoriam, morreu abandonado, sem família, sem visita e sem apoio solidário de ex-alunos sucedidos como eu e o Prof. Dr. Eronildo Barbosa da Silva, que nos encontrávamos à distância (fazendo a nossa "vidinha acadêmica", superando as dificuldades do ensino-aprendizagem em escolas precárias de pedagogia tanto quanto à de Guimarães), durante o calvário de seu sofrimento, velho e doente, no internato do antigo "Abrigo dos Pobres". Ao ilustre pesquisador, o título de doutor não nos credencia à falácia voraz de uma agressão moral desmedida e exagerada.

Não se obsta à verdade, mesmo não absoluta. O Prof. Guimarães foi algoz das práticas pouco convencionais e repressivas, estimulada e orientada por uma pedagogia dominante à época, onde o instrumento de repressão "palmatória", era também usado por outras escolas. Lembro-me, muito bem, o meu próprio pai, que nunca me surrou, recomendou ao cruel professor que me colocasse à prova da "santa palmatória".

Muito bem, até aqui o ajudei a corroborar com uma verdade tão pouca absoluta, sobre a personalidade do nosso prof. Guimarães. Todavia, é menos verdade absoluta que fora pedófilo. Guimarães não foi isso! O ônus da prova à acusação. Não sou testemunha dessa violência à imagem daquele que mesmo não sendo mestre e doutor, como eu e você, contribuiu com o seu método conservador e autodidata aos saberes de muitos pombalenses, atualmente médicos, advogados, professores. Talvez, sou o único dos últimos anos da escola do Prof. Guimarães (aos 13 anos de idade, anos: 1977/78), não havia aulas regularmente, o processo era mais informal, com 05 ou 06 alunos. Aprendi Geologia, Ciências Naturais, Gramática, Numerologia, Astromia, Ilusionismo. A palmatória fui usada em algumas ocasiões. Um dia eu pronunciei "agente vai". A palmatória "veio". Com medo, disse: "nois vai". Imaginem! Fiquei três dias com rubor à mão. Chega de gracinha!

Guimarães não foi apenas professor. Foi um grande escritor. Li o romance "não matarás", não publicado (escrito à mão em papel pautado). Outros excelentes escritos mantinham-os em seu baú de madeira, segundo ele, segredos de sua vida passada. Uma vez, me confidenciou ter sido casado e mal amado pela mulher, que o deixou por outro. Que em uma cidade do Estado de Alagoas teve um barracão, onde vendera gêneros alimentícios. Sua chegada à Pombal ocorreu na década de 60 (não lembro o ano), vindo pelo estado do Maranhão, me confidenciou em detalhes a sua história. Nunca revelei isso a ninguém, nem aos meus amigos. Com a publicação do Artigo do doutor Paulo Abrantes, homem fidalgo, não apenas renomado poeta, mas excelso escritor, no Blog do meu amigo Clemildo Brunet e com os comentários do Dr. Erolnildo, sou obrigado às revelações que as faço (algumas), à luz do dever ético.

Tenho boas recordações. Aprendi as mágicas. Guimarães me ensinou todos os truques. Disse-me ter poucos amigos, dentre eles, Lelé Benigno (então emérito presidente da Sede Operária Beneficente de Pombal), Zuza Nicácio – então fundador da Associação Comercial de Pombal, Afonso Mouta, fundador do Cine Lux (o nome do cinema “cine lux”, foi dado pelo prof. Guimarães). O nome do Mercadinho IARA (não existe mais), não lembro a quem pertencia, localizava-se à rua Jerônimo Rosado e o nome IARA, filha do então Chefe da Estação Ferroviária de Pombal, foram dados por ele.

EU SEI O QUE NINGUEM SABE, SOBRE O PROFESSOR GUIMARÃES, NEM MESMO A PRÓPRIA FAMÍLIA, CREIO. TENHO CERTEZA QUE ELE NÃO FOI PEDÓFILO.

Um desafio: Ao ilustre professor Eronildo Barbosa, educador culto, de querida família pombalense, pelo que passamos para galgar o espaço que temos na academia, peço para compreender as atitudes pedagógicas do professor Guimarães, relativizar as acusações e relatar a sua história, em livro, onde muitos pombalenses poderão escrevê-la, com reflexões e críticas que possam contribuir com novos paradigmas educacionais, evitando, assim, outras formas de “palmatórias atuais” – a homofobia, por exemplo.

*JOSÉ CEZARIO DE ALMEIDA, DOUTORADO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE, CAMPUS DE CAJAZEIRAS.

CÂMARA DE VEREADORES DE POMBAL VAI HOMENAGEAR O DIA DA IMPRENSA E O IV ANIVERSÁRIO DO BLOG CLEMILDO, COMUNICAÇÃO & RÁDIO!

Clemildo Brunet
Antes comemorada no dia 10 de setembro, o dia da imprensa no Brasil, teve mudança no calendário passando a ser celebrada no dia 1° de junho. Acontece que o primeiro registro na história parte do fato que o dia 10 de setembro, antigo dia da imprensa, lembrava o começo da Gazeta do Rio de Janeiro, primeiro veículo impresso no país. Só que a Gazeta era um jornal oficial organizado pela corte portuguesa que se instalara há pouco tempo no Brasil.

Em 1997 o programa observatório da imprensa na TV comentou o equívoco da data da comemoração ressaltando que a Gazeta do Rio de Janeiro era um instrumento oficial e não podia figurar como a data do dia da imprensa. Por sua vez o deputado Nelson Marchersan informou que a bancada gaúcha havia apresentado um requerimento conjunto para que o objeto da comemoração deixasse de ser um jornal oficial e passasse a ser um jornal de ideias e combate.

A Lei 9.831 de 13.09.1999, sancionada pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso, determinou que a data mudasse do dia 10 de setembro para primeiro de junho, assim, primeiro de junho passou a ser oficialmente o dia da imprensa, em homenagem ao início de circulação do Correio Brasiliense, editado em Londres, pelo exilado brasileiro Hipólito José da Costa Furtado de Mendonça.

Isso foi alvo de discussões entre os historiadores e nem a imprensa deu importância à mudança da data. A história fez bem em corrigir esse erro, logo a imprensa, que como órgão controlador de informar corretamente tem a obrigação e dever de fornecer com precisão os fatos que ocorrem no planeta. Antes, comemorava o seu dia de maneira equivocada na data imprópria. Mas, foi justamente no dia 1° de junho de 1808 que foi publicado o primeiro jornal genuinamente brasileiro, o Correio Brasiliense, impresso em Londres.

Para celebrar a data aqui em Pombal, a Câmara de Vereadores do Município, fará uma Sessão Solene quarta feira dia 01 de junho ás 19 horas no plenário Vereador Francisco Freitas da Nóbrega, Casa “Avelino de Queiroga Cavalcanti” augusta casa de Leis do Poder Legislativo Pombalense. A Sessão Solene tem por fim específico homenagear o DIA NACIONAL DA IMPRENSA E O TRANSCURSO DO IV ANIVERSÁRIO DO PORTAL CLEMILDO, COMUNICAÇÃO & RÁDIO, blog www.clemildo-brunet.blogspot.com que retrata a História da Radiofonia pombalense, Cultura, Poesia, Personalidades e Reminiscências da tradicional terra do Economista Celso Furtado, Poeta Leandro Gomes de Barros e do Senador Ruy Carneiro, este último, principal articulador junto ao músico compositor Joubert de Carvalho, para compor a canção “Maringá”, hoje conhecida internacionalmente.

A Sessão Solene é de caráter público e o convite assinado pelo Presidente da Câmara Municipal de Pombal, Vereador José William de Queiroga Gomes já está sendo entregue aos diversos seguimentos da sociedade, bem como a todos que fazem a Imprensa local e da região.

Convite

O Presidente da Câmara Municipal de Pombal, Estado da Paraíba, convida V. Sª. Para participar da Sessão Solene alusiva às comemorações do Dia Nacional da Imprensa e ao Aniversário do Portal “Clemildo, Comunicação & Rádio”, na próxima quarta-feira dia 1º de junho às 19:00h, no Plenário Francisco Freitas Nóbrega desta Augusta Casa de Leis.

José William de Queiroga Gomes

Presidente


Reportagem: Clemildo Brunet.

Email: brunetco@hotmail.com

Twitter.com/clemildobrunet

Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

VOCÊ DORME BEM?

Cessinha Neta
O ronco é uma apresentação freqüente em muitos indivíduos durante o sono. Como saber se há uma patologia por trás disso? De que maneira enfrentar esse “empecilho” para uma boa noite de sono? Que problemas são causados por essa alteração? Dentre os distúrbios do sono, verifica-se o ronco e a associação do mesmo com a Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono, os quais serão abordados a seguir.

Sabe-se que, algumas pessoas ressonam à noite, quando dormem em decúbito dorsal (de barriga para cima), pois a língua cai um pouco para trás. Todavia, o ronco patológico se manifesta através de vibrações e ruídos intensos, decorrentes de passagem de ar com “turbilhonamento” por via estreitada. O ronco se forma, principalmente, na região entre a base da língua e a porção superior da faringe.

Existem várias alterações que propiciam o aparecimento do ronco: amígdalas e/ou adenóides muito grandes, baixa do tônus muscular da região (por álcool, uso de benzodiazepínicos), dentre outros fatores que culminam com obstrução nasal e respiração bucal (esta não deve ser estimulada). A obesidade também é fator importante relacionado ao ronco, visto que ocasiona acúmulo de gordura, aumentando a obstrução da faringe.

A forma mais grave e temida apresentada pelos roncadores é a famosa Apnéia do Sono. Mas o que é apnéia? Diz respeito à parada respiratória provocada pelo fechamento da faringe quando a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, a parada pode durar dez segundos e na criança dois a três segundos. Esses episódios de apnéia (paciente acorda sufocado), os quais podem se manifestar por até centenas de vezes durante uma única noite de sono, provocam queda da saturação de oxigênio do sangue e, a longo prazo, acarretam problemas ao organismo (hipertensão arterial, cardiopatias e até a morte). Como resultado desses microdespertares, o paciente apresenta no dia seguinte, intensa sonolência, tristeza, irritabilidade, déficits de memória, baixa de rendimento no trabalho.

Diante de circunstâncias que interfiram no sono e na produtividade diurna do paciente, além do incômodo para quem compartilha as noites com o mesmo, a procura por ajuda profissional torna-se indispensável.

A abordagem de um paciente com a queixa de ronco baseia-se na história (geralmente ratificada e/ou expressa por testemunha), exame físico minucioso (nariz, boca, pescoço); ainda se utiliza como recurso a polissonografia, a fim de se observar quais as repercussões do ronco no sono e na saúde do paciente. O diagnóstico é multidisciplinar.

O tratamento depende do diagnóstico realizado, podendo ser desde adoção de algumas medidas, passando pelo uso de dispositivos para melhorar a respiração até procedimentos cirúrgicos. Simples medidas para redução e/ou desaparecimento do ronco consistem em: dormir de lado (evitar dormir de barriga para cima); desenvolver hábitos saudáveis de vida, como prática de exercícios físicos, alimentação balanceada (comer menos à noite); evitar uso de bebidas alcoólicas; reduzir o peso.

A correção cirúrgica é normalmente utilizada em casos de tumores, pólipos nasais, entre outros. Porém, atualmente, a melhor opção terapêutica para a apnéia é o CPAP, aparelho que é acomodado no nariz, gerando uma pressão positiva, a qual é transmitida à faringe que se abre para a passagem do ar. O uso desse aparelho afasta o risco de problemas cardiovasculares e melhora o ronco; é utilizado por tempo variável.

Logo, a mensagem mais importante desse tema se refere à necessidade de apoiar o roncador, incentivando-o a procurar auxílio médico. Interessante investigar todas as crianças roncadoras, pois são potencialmente portadoras de amígdalas e/ou adenóides grandes, precisando de intervenção correta. O otorrinolaringologista poderá ser consultado para maiores esclarecimentos.

¹ ² ³Maria do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta
E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
¹Patoense, 22 anos, mais conhecida como “Cessinha”, poetisa, escritora.
²Acadêmica do 10º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande.
³Membro Efetivo da Academia Patoense de Artes e Letras.

AGRICULTURA FAMILIAR: Mudar para Sobreviver - Versão III


Ignácio Tavares
Ignácio Tavares* 

Está bem claro que a prática da pequena e média agricultura envolve diversas atividades baseada, em grande parte, na mão de obra estritamente familiar. Neste caso, os rendimentos, resultantes das atividades produtivas, são suficientes para atender os desejos de sobrevivência e bem-estar das famílias rurais. Teoricamente este deveria ser o modelo ideal de unidade de produção agrícola, tipicamente familiar, de resultados positivos, capaz de fixar homem no campo.

A prática de uma agricultura familiar com essas características está muito longe da realidade em que vive os pequenos e médios produtores do sertão paraibano. Assim sendo, a considerar a realidade presente, seria mais correto, que, ao invés da denominação “agricultura familiar”, melhor seria usar a expressão “agricultura familiar de subsistência”, dado os baixos rendimentos auferidos, bem como a desvinculação desse tipo de exploração agrícola do mercado consumidor formal.

 Neste caso, não precisa de crédito agrícola com cláusula de ressarcimento, pois como é publico e notório a grande maioria dos pequenos e médios produtores tem dificuldade no momento de ressarcir os empréstimos tomados junto aos bancos oficiais. Em virtude dessa situação o mais correto seria a adoção de políticas públicas de transferência de renda, a fim de manter o homem na zona rural. Portugal há muito tempo pôs em prática políticas dessa natureza, porquanto bem sucedido, posto que, conseguiu esbarrar a migração no sentido campo/cidade.
  
 Ao retomar a linha de raciocínio do tema em questão, reafirmo que, mesmo com o incentivo que o governo está a oferecer, principalmente sob a forma de crédito, entre outros benefícios, a agricultura familiar, conforme estou a afirmar, nos termos expostos, não apresenta sinais visíveis de mudanças. Por conseguinte a média, pequena produção continua a ser uma atividade produtiva de baixo rendimento e para agravar a situação, em grande parte, na hora de comercializar as mercadorias produzidas, são vitimas da perversidade do excesso de intermediação, a vigorar nos mercados informais
  
Sem os benefícios do mercado formal, a atividade continua emperrada  sem perspectivas de experimentar mudanças no modo de produzir no curto e médio prazo. Resultado: em virtude dessa situação, não há geração de lucros, com certeza, sem lucros, os produtores rurais não têm como investir na aquisição de sistemas produtivos alternativos.
  
 Em assim sendo, pode-se dizer que esses pobres e sofridos agentes, pequenos e médios, são vítimas de um perverso circulo vicioso, qual seja: não têm lucros porque trabalham em regime de baixos rendimentos, da mesma forma, operam em regime de baixos rendimentos porque não têm lucros. Ao ser envolvido, ao longo do tempo, por essa terrível ciranda, não há outra saída a não ser sair do campo em direção a cidade mais próxima na expectativa de que poderá encontrar melhores condições de vida. Ledo engano. 

  Com certeza o governo sabe que o campo esvazia-se a cada ano. Observem que estou sempre a repetir essa questão. Tomemos como exemplo o caso de Pombal. A área agricultável do município é de aproximadamente 66 mil hectares. Na estação invernosa de 2007, ano de precipitação normal, área plantada com feijão foi de apenas 1.000 hectares, o que pode representam cerca de 20 produtores em áreas de 50 hectares. Da mesma forma, com milho 800,  algodão, 171 e  arroz apenas 30 hectares. Dá pra entender?

 Isso significa dizer que, dos 66 mil hectares disponíveis, apenas 2.000, seja, um pouco mais de 3% da área total, foram usados para a produção, majoritariamente, de subsistência. O reflexo dessa situação é possível observar a olho nu, pois, o sertão, que outrora fora uma região, por excelência produtora de cereais básicos, como arroz, feijão, milho, mandioca, entre outros, hoje importa grande parte desses produtos de outros estados da região, até mesmo do centro sul do país.

Insisto: esse cenário nos leva a confirmação de que o campo está vazio, por isso, há muita terra a espera de braços. Por outro lado, há muitos braços desocupados nas periferias das cidades que podem ser aproveitados na agricultura, desde que haja motivo para tal. Para que isso aconteça precisa-se de políticas públicas sérias, bem planejadas, para que a terra volte a ser um importante fator de produção, capaz de gerar emprego e renda, principalmente para aqueles que mais necessitam.

Em razão de tudo isso, a lógica, por mais simplista que seja, nos leva a afirmar que as  políticas públicas em vigor estão a apontar para a direção contrária à realidade do campo. Faltam inteligência e vontade para poder realizar as mudanças reais que a pequena e média produção estão a precisar, para que o esforço produtivo familiar tenha respostas financeiramente positivas, por isso atrativa.
  
Se os poderes públicos têm realmente alguma  pretensão de mudar alguma coisa, prá começar, têm que investir no homem, na propriedade, em pesquisa, a fim de gerar novas técnicas, adaptadas a pequena e média produção. Isso disponível será possível  introduzir novos arranjos produtivos capazes de mudar o perfil da agricultura tradicional. Enfim, tem que mudar tudo o que está aí as vistas de todos.
  
Os recursos naturais disponíveis nas propriedades pequenas e médias ditam a viabilidade econômica e social, quando se pretende incentivar a prática de atividades produtivas de sequeiro ou mesmo irrigada. Assim sendo, os recursos disponíveis nas unidades de produção devem ser inventariados  a fim de que se possa saber que é quem em termos de oportunidades de investimentos, a nível de propriedade.

Catalogada as informações torna-se mais fácil definir as ações necessárias a fim de transformar a agricultura familiar de subsistência numa atividade economicamente rentável. Estimativas de renda e empregos podem ser feitas. Com esses valores definidos será possível determinar a capacidade de endividamento do proprietário a médio e longo prazo, de conformidade com o seu calendário de investimentos. Seria perfeito se fosse verdade.
  
 Não restam dúvidas que há restrições de diversas de toda ordem. As propriedades que dispõem de reservas hídricas têm maiores chances de praticar uma agricultura de resultados no decorrer do ano. Caso contrário, as propriedades secas, sem reservas hídricas, precisam de investimentos, no sentido de criar pontos d’águas para torná-las viáveis, do ponto de vista produtivo. È público e notório que a agricultura exclusivamente de sequeiro é de alto risco, pois, o produtor pode plantar, mas, não sabe se colherá. Tudo vai depender do bom ou mau humor da normalidade climática.
  
 Novamente, voltemos a questão do esvaziamento do campo. Continuo a repetir que: as políticas públicas tresloucadas do governo, que têm como carro-chefe o crédito para agricultura familiar, não são, nem serão capazes de barrar o processo migratório no sentido campo-cidade. A busca pela mudança de habitat continua a cada ano que passa. Quando se constrói um conjunto habitacional na cidade, grande parte das unidades construídas destina-se às famílias egressas da  zona rural.
  
O fator aluguel urbano, até certo ponto, regula a aceleração do processo migratório no decorrer do tempo. Assim sendo, para evitar o ônus do aluguel, a solução é adquirir uma casinha num conjunto recém-construído. Inicialmente migram os filhos, logo em seguida virá o restante da família, cujo custeio alimentar está a depender da aposentadoria dos dois velhinhos, pai e mãe. Assim sendo, a cada conjunto que se constrói mais uma leva de habitantes da zona rural migra para o setor urbano.
  
 Como barrar o fluxo migratório? O que pode sustentar o homem no campo é a certeza da justa renda da terra. A considerar modelo de unidade produtiva familiar presente, onde prevalece a agricultura de baixa produtividade, não é possível por em prática políticas públicas vistas a mudar os rumos da pequena e média produção.

 Isso acontece até mesmo nos assentamentos, onde resultados têm sido pífios, não obstante, o governo gastar rios de dinheiro para poder manter os assentados no campo. Poderia gastar muito menos se pagasse aos pequenos e médios proprietários, não assentados, para permanecerem onde estão, via diversas formas de incentivos, que permitam explorar suas unidades produtivas de forma racional, com resultados positivos em termos de geração de emprego e renda.
  
 Em síntese, as políticas públicas direcionadas a agricultura familiar, no sertão paraibano, são inócuas e inconseqüentes. Repito: falta planejamento, acompanhamento, controle, avaliação, critérios seletivos, assistência técnica apropriada. Falta ainda o principal que é a ação conjunta das três esferas publicas, a fim de unificar as políticas públicas. O que se vê na prática é que as políticas públicas federais, voltados para as áreas em questão, quase sempre aparecem de supetão, sem aviso prévio. As coisas funcionam na base de Deus por todos e cada um por si.

 O governo federal devia condicionar a liberação de recursos para a agricultura familiar, entre outros projetos do gênero, para estados e municípios, a existência de equipes técnicas capacitadas para coordenar acompanhar e avaliar os programas em questão. Esta é a razão maior porque as coisas não estão dando certo. É mesmo que jogar dinheiro pelo ralo da incompetência.
  
O ideal seria elaborar um único documento onde pudesse reunir todas as ações voltadas para o desenvolvimento da a agricultura familiar. Seja, conectar as três esferas públicas a fim de evitar superposições de atividades. Assim seria possível coordenar, acompanhar e avaliar os resultados das políticas em questão. A Secretaria de Agricultura do Estado está preparada para assistir e coordenar um programa dessa natureza? Com certeza não.

 O Estado nos anos setenta, em parceria com a SUDENE, instituiu a Comissão Estadual de Planejamento Agrícola( CEPA). Este órgão de planejamento fazia parte do sistema regional de planejamento agrícola sob a coordenação da SUDENE. Acontece que no inicio dos anos oitenta houve uma tragédia, sem precedente, na história administrativa do estado. Foi desativado  sistema estadual de planejamento. O pior aconteceu, pois, a CEPA perdeu a sua razão de ser, do mesmo modo a FIPLAN, (Fundação de Planejamento e Pesquisa) órgão este, vinculado a antiga Secretaria de Planejamento.
  
 Enquanto o Estado da Paraíba desativava as unidades setoriais de planejamento, Estado do Ceará estava a preservar e fortalecer suas instituições correlatas, razão porque o planejamento permanece vivo e presente até os dias de hoje. Prá se ter uma idéia, o setor agropecuário tem três órgãos, a níveis de secretaria, a planejar, coordenar, acompanhar e avaliar as políticas públicas voltadas para o desenvolvimento do setor. Hoje, este estado é o terceiro pólo econômico do agronegócio na região, com perspectivas de tornar-se o primeiro, nos próximos anos.

 Com efeito, no nosso caso, o Estado jogou na rua da amargura centenas de técnicos de alta qualificação a adotar uma brutal política de redução salarial, até então nunca vista ao longo da sua historia da administração. Muitos desses técnicos encontraram refugio no setor privado, na Ufpb, até em universidades do Estado de São Paulo.
  
Resultado: estado emburreceu e até hoje continua tonto sem saber por onde começar quando o assunto é planejamento setorial ou multisetorial. Quase todos os dias orgãos de comunicação estão a denunciar desmandos administrativos nos setores mais importantes do Estado, com destaque para saúde e educação. Tudo isso é conseqüência da falta das funções de coordenação, acompanhamento, controle e avaliação. Ah, que saudades do sistema estadual de planejamento.
  
 Tem mais, as autoridades públicas estão cada vez mais desinformadas sobre a realidade socioeconômica do Estado. A coisa chegou a tal ponto que, recentemente o Governador do Estado se quis saber alguma coisa sobre a realidade sócio-econômica paraibana, recorreu à técnicos de Pernambuco. São profissionais competentes, mas, dissociados da realidade  local. Enquanto isso, dezenas de professores da universidade, com títulos de doutores, que podem prestar os mesmos serviços com mais eficiência, são ignorados.
  
Bem, fugi um pouco da questão “agricultura familiar”. Foi preciso fazer essa chamada para que as autoridades governamentais abram os olhos para o abandono em que vivem os pequenos e médios produtores, em atividade, no estado, em particular no sertão paraibano.   Se o governo pretende mesmo reverter essa situação vai ter que mudar o foco das políticas publicas de conformidade com a realidade presente.

 Em resumo conclui-se que a agricultura familiar tal qual como é praticada é impossível segurar o homem no campo. Repito que, a idade média dos trabalhadores envolvidos nessa atividade é muito alta, pois ultrapassa os sessenta anos. O jovem não tem o menor interesse em dar continuidade às atividades exercidas pelos pais.

 Os jovens de origem rural podem ser os trabalhadores do futuro? Acredito que sim.  Convém lembrar que estamos a viver a era digital, bem como a era do empreendedorismo. Isso significa dizer que o novo trabalhador rural nada tem a ver com a geração de trabalhadores do passado. Assim sendo, eles precisam de incentivos, de qualificação, de treinamento para que as coisas aconteçam. Trataremos desse assunto no próximo texto.

João Pessoa, 25 de maio de 2011.
*Economista e escritor pombalense. 

O SERTÃO I


Onaldo Queiroga
ONALDO QUEIROGA*


Falar dos Sertões quase sempre nos remete àquele cenário desolador da seca, onde a escassez de água e alimentos transforma o ser humano num flagelo indescritível. São muitos os livros que encontramos em nossa Literatura retratando esse quadro de sofrimento resultante dos longos e frequentes períodos de estiagem no Sertão nordestino.  

Mas não me recordo de já haver lido alguma obra ou ter assistido a algum filme dimensionando a alegria do sertanejo no período de inverno, com registros de cheias intensas. É certo que nesse momento também alguns sofrimentos ocorrem, principalmente pelo fato de a cheia causar destruição de plantações, arrombamentos de açudes, acarretando grande número de desabrigados. Mesmo assim, esses sofrimentos são sempre superados pela alegria que a abundância da água transmite ao sertanejo.

Recentemente, em viagem ao Sertão, constatei isto pessoalmente. Lá do alto da serra de Teixeira, do restaurante localizado na Pedra do Tendol (ou Tendó), tive a oportunidade singular de vislumbrar uma boa parte do Sertão, desta vez todo verde, com uma imensa quantidade de água ao alcance dos meus olhos. Vi a cidade de Patos; visualizei o Açude do Jatobá, quase se unindo com a barragem da Farinha. Em seguida, desci lentamente a serra; parei numa subida onde se estaciona o veículo e, deixando-o apenas em ponto-morto, ele, ao invés descer, inexplicavelmente começa a subir. Não é conto, nem lenda; é pura verdade. Pena que os turistas e até grande parte dos paraibanos não saibam disto.

Continuei a viagem. Entrando em Patos e passando pelo Jatobá, constatei enorme estrutura de barracas montadas para dar apoio ao grande número de pessoas que tomavam banho na sangria do açude. Era uma festa só.

Seguindo meu itinerário, desembarquei na cidade de Piancó. Presenciei o grande volume do rio Piancó descendo em direção ao açude de Coremas. Por uma estrada de barro, me dirigi à cidade de Coremas. Após rodar uns vinte e dois quilômetros, cheguei a uma ponte enorme e ali não me contive. Desci do carro e passei a contemplar, de um lado, Coremas, e, do outro lado, Mãe-d’Água. Nem meus olhos, nem a lente da câmera fotográfica, mesmo com o uso inteiro do zoom, não conseguiram alcançar o fim daquela imensidão de água.

O canto dos pássaros; o som alegre das lâminas das enxadas cortando a terra molhada no preparo da roça; o gado de barriga cheia, deitado pelo campo; um arco-íris brotando das águas e indo deitar-se nos verdes pastos das margens belas do Coremas; no horizonte, um relâmpago, um raio rasgando os céus e o ronco de um trovão confundindo-se com barulho da água enfurecida que desce pela sangria, indo, pelo leito do rio Piancó, em direção a Pombal, São Bento e Açu — tudo isto me mostrou, novamente, quanto é majestoso o Sertão.

O Sertão que é também festa, alegria das lágrimas que caem dos céus transformando a seca em campos molhados, verde esperança de um povo forte e de muita fé.

*Pombalense, Juiz de Direito da 5° Vara Cível da Capital.

O SERTÃO II



Onaldo Queiroga
ONALDO QUEIROGA*
O sertão é meu mundo, lugar onde nasci, onde costumo recarregar as energias para continuar caminhando por essa longa estrada da vida. Na seca ou na invernada sua magia é inconteste. Há algo nesse encantado pedaço de terra que cativa e faz homens e mulheres serem fortes, destemidos, prestativos e hospitaleiros.
Costumo dizer que quando desço a serra de Santa Luzia e avisto o imenso sertão, a minha alma se renova, sequer me lembro da existência do mar, pois no sertão me banho nas águas doces do meu rio, sob a sombra de oiticicas e ingazeiras. De câmara de ar deslizo sobre a sua correnteza, atravesso cachoeiras e redemoinhos até chegar à ponte do areal.
O meu sertão é o mesmo de Catulo da Paixão Cearense, onde o luar é único em beleza e inspiração, onde as noites ainda contam com a suavidade do vento Aracati que refrigera a alma sertaneja. Lá no sertão a lua não é só dos enamorados, pois ilumina o céu deixando-o claro como o dia, permitindo aos olhos de  humildes caboclos a visualização de infinitas estrelas, inspiradoras de sonhos e lendas. Esse céu de lua e estrelas é também dos poetas, dos violões seresteiros, boêmios, das madrugadas que ponteiam o som do amor.    
Há quem diga que o sertão já foi mar e outros afirmam que o sertão vai virar mar. O Sertão do meu tempo é aquele ainda de terra batida, rachada pela estiagem, que faz de seus filhos heróis e romeiros, que em oração clamam por dias melhores e que nunca desistem, são fortes e de fé inquebrantável. Do sertão nascem filhos, que no adeus retirante carregam o mundo da saudade, levam consigo lembranças escritas pelo sol e pela lua, como recordações guardadas no âmago de cada um daqueles que ontem partiram e, hoje, distantes, registram no diário das lágrimas o desejo contínuo de retornar ao seu templo sagrado chamado sertão.
Sertão de casas velhas abandonadas nos aceiros das estradas, de chão por onde perambulam dores e mágoas de um tempo seco e ingrato, que nega água e pão aos seus próprios filhos. Sertão que na invernada mistura homens, mulheres e meninos correndo soltos no meio da chuva forte, indiferentes à fúria dos trovões a sacudirem serras e almas,   aos relâmpagos riscando os céus como flashes a fotografar a alegria de um povo que não se entrega às tragédias homíneas e naturais.  
Sertão de Patativa do Assaré, que em versos decantou o poeta roceiro, um sertão de indecifráveis belezas naturais, das vaquejadas, das festas de apartação, das debulhas de feijão, das corridas de cavalo, das caçadas de tatu, do caboclo  que desperta na hora certa seguindo o canto do nambu.
Sertão, tu és poema de corpo e alma. Um dia o destino me levou para terras litorâneas, de belas praias e coqueirais, mas o teu sol ardente e tua lua branca sempre me acompanharam e estarão presentes no meu existir.
*Pombalense, Juiz de Direito da 5° Vara Cível da Capital.
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