CLEMILDO BRUNET DE SÁ

REV. CLODOALDO: O PALADINO DO EVANGELHO!

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*
"Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério" 2 Timóteo 4:5

Quando criança, uma infância atribulada pelo o desconforto da vivência dos pais que não se entendiam. Aos cincos anos de idade perde o pai, assassinado; fica na orfandade. Uma família composta por quatro irmãos: Clodoaldo, Claudiano, Claudionor e Clovis Brunet de Sá Filho, se dispersa pelo mundo. A mãe muito jovem ainda vai para bem longe e leva apenas um filho, o Claudiano; Clovis o mais novo, ainda de colo fica com os avós maternos; Claudionor com Ellza, filha adotiva de Flávio Brunet de Sá nos verdes, e Clodoaldo aos cuidados de sua avó paterna Maria Brunet de Sá (Dona Sinhazinha) em Pombal.

Na mais tenra idade sob os cuidados de sua avó Sinhazinha, Clodoaldo costumava sempre ouvir daquela que o adotara como filho, as palavras do salmista Davi: “Porque se meu pai e minha mãe me desampararem o Senhor me acolherá” Sl 27:10. Em noites de chuvas quando os céus eram rasgados pela claridade dos relâmpagos e o barulho intenso dos trovões, o menino se agasalhava nos braços de sua vó, que cantava suavemente aos seus ouvidos:
“Oh! Cristo é nosso abrigo no temporal,
na tentação, em todo mal!
Sim, Cristo é nosso abrigo no temporal.
Refúgio na tribulação!
HNC 137/Abrigo no Temporal.
Germinava assim a semente do evangelho de Cristo no coração daquele infanto-juvenil, que pela misericórdia e providência divina haveria de mais tarde se tornar um autêntico pregador do evangelho, mesmo enfrentando muitos embates que ainda estava no porvir.

Depois de alguns anos morre dona Sinhazinha e Clodoaldo vai morar na casa de sua tia Claudete que veio falecer poucos anos depois. Já adolescente Clodoaldo passou a morar em nossa casa e arranjei-lhe um emprego na antiga Rádio Maringá de Pombal, para exercer a função de Operador de mesa de som. Em 1993 com a minha saída de Pombal para trabalhar na Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras, ele ficou em Pombal com as primas Eleusina e Elza Dantas de Sá, que o encaminhou para estudar no Instituto Bíblico do Norte.
Rev. Clodoaldo com a família
CLODOALDO ALBUQUERQUE BRUNET, natural de Pombal-PB, nasceu no dia 30 de junho de 1971, prenome escolhido por seu pai em homenagem a Clodoaldo, um dos craques da Seleção Brasileira que jogou na Copa do Mundo de 1970 no México, em que o Brasil sagrou-se Campeão Mundial do Futebol pela primeira vez. Filho de Clovis Brunet de Sá (In Memoriam) e Mª de Lourdes Albuquerque Brunet, casado com Francivalda Bandeira de Sousa Brunet, que da união trouxeram duas lindas garotas ao mundo, Letícia 12 e Larissa 09 anos. Batizado na Igreja Presbiteriana de Pombal em 31/12/1977 ata número 315, aos 06 anos de idade, apresentado por sua avó Mª Brunet de Sá “D. Sinhazinha” que juntamente com Josefa Maria da Conceição “Zefa”, o instruiu no caminho da fé cristã, tendo como oficiante o Rev. Ageu Lídio Pinto. Sua pública Profissão de Fé se deu na mesma Igreja em 26/07/1987 ata número 458, cujo oficiante foi o Pastor David Paes Bezerra.

Estudou o Fundamental na Escola Estadual “João da Mata” de Pombal, fez o Ensino Médio no Supletivo em Patos-PB, cursou Educação Cristã (1992/1995), no Instituto Bíblico do Norte – Garanhuns-PE. Por correspondência, fez Curso Bíblico Nível Básico e Intermediário no Instituto Bíblico Eduardo Lane Patrocínio-MG. Ordenado ao Sagrado Ministério da Palavra e dos Sacramentos da Igreja Presbiteriana do Brasil pelo Presbitério Norte do Piauí no dia 09 de janeiro de 2005, no templo da Igreja Presbiteriana Central de Parnaíba-PI. Consagrado Pastor, iniciou o seu bacharelato em Teologia. Formou-se como Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico do Nordeste em Teresina-PI em 06 de dezembro de 2008.

Entre 1998 a 2005 serviu como Missionário da Junta de Missões Nacionais da IPB, nos campos de Tauá-CE (1 ano), e José de Freitas-PI, ocasião em que recebeu convite para fazer parte do Presbitério Norte do Piauí –PNPI. Como membro do Concílio pediu demissão do trabalho da JMN da IPB. Depois de enfrentar muitos desafios em um Estado carente do Evangelho como é o Piauí; o Rev. Clodoaldo, pela graça de Deus, apenas com ofertas levantadas voluntariamente junto a irmãos e irmãs, conseguiu com muito esforço construir um templo e uma casa pastoral na cidade de José de Freitas.

Templo de José de Freitas-PI
O Trabalho eclesiástico do Rev. Clodoaldo na cidade de José de Freitas não foi fácil. Era uma cidade levada pelas antigas tradições religiosas da Igreja de Roma. Para começar a casa onde os crentes se reuniam aos domingos para a Escola Dominical era bem próxima à casa paroquial e o Pároco da cidade se dava ao desplante de abordar os irmãos, constrangendo-os na sua caminhada até o local do Culto. Alguns irmãos traziam suas Bíblias protegidas com Jornais ou escondida em bolsas para evitar confronto com o Sacerdote romano.


Inauguração do Templo

Em seus relatórios pastorais, o Pastor Clodoaldo relata o quanto foi difícil estabelecer o trabalho de Escola Dominical, pois a cidade tinha sua feira livre aos domingos perto do local onde os crentes se reuniam; a perseguição aumentou mais ainda, quando se deu a conversão da irmã Maria Luiza de Araújo, responsável pela música da Igreja Católica. A nova convertida enfrentou o desprezo da cidade, mas perseverou com firmeza servindo a Deus.

Outro destaque: Foi à conversão do irmão Sebastião Valenciano, que serviu a Ordem de São Vicente de Paulo durante 64 anos, tendo sido chamado ao evangelho da Graça de Cristo aos 80 anos de idade. Em meios a tantos embates a obra de Deus em José de Freitas, veio a crescer e frutificar, pois a Sociedade Auxiliadora Feminina (SAF) tornou-se uma das mais atuantes do Presbitério, ocasião em que também foi organizada a União de Moços Presbiterianos (UMP).

Em suas visitas diárias para levar o evangelho de Cristo, o Rev. Clodoaldo muitas vezes era bem recebido em outras quase chegou a ser agredido. Viu pessoas chorarem e não se arrependerem de seus pecados, outros zombando e indiferentes, no entanto, outros em silêncio e refletindo serem tocados pelo o Espírito Santo, resultado de muitas orações de irmãos em diversos lugares que o informavam das intercessões em seu favor.

Pouco a pouco se familiarizando no lugar, o Rev. Clodoaldo, conseguiu participar da vida social da cidade de José de Freitas, fez parte do Conselho de Ação Social do Município, dos orçamentos participativos, de audiências Públicas com as autoridades para discutir sobre segurança, do Conselho Municipal de Saúde, do FUMAC - Conselho responsável de aprovação de verbas entre o Município e Estado em parceria com o Banco Mundial, em que 150 km de eletrificação foram distribuídos na zona rural. O Pastor Clodoaldo estava lá como legitimo representante das Igrejas Evangélicas da cidade.

Campos de Atuação

Congregação Presbiterial de Pombal em São Bentinho em 1991;
Igreja Batista Bíblica de Corrente Pernambuco de 1994 a 1995;
Congregação Presbiteriana de Pombal em Paulista de 1996 a 1997;
Campo Missionário em Tauá-CE da Junta de Missões Nacionais em 1998;
Campo Missionário em José de Freitas-PI da Junta de Missões Nacionais de 1999 a 2008;
I Igreja Presbiteriana de Piripiri-Pi Presbitério Norte do Piauí em 2006 (Designado pelo Presbitério para os atos pastorais);
Pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Sousa com atuação na Congregação de Sousa em Cajazeiras-PB 2009 à 2011

Cargos em Concílios

Pastor Evangelista do PNPI entre 2005 a 2008
Secretário de Apoio Pastoral do PNPI em 2006;
Vice-presidente do PNPI em 2006
Deputado ao Supremo Concílio em 2006;
1º Secretário do PNPI 2006;
Tutor Eclesiástico do Seminarista Zaquel Costa em 2006;
Secretário do Trabalho Feminino do PNPI em 2007e 2008;
Delegado ao Sínodo em 2007;
Secretário Executivo do PNPI Presbitério Norte do Piauí em 2008;
Secretário de Evangelização e Missões do POPB Presbitério Oeste da Paraíba 2010;
Secretário do Trabalho Feminino POPB ano 2011;
Secretário Executivo POPB 2011 a 2013

Nossa coluna - presta esta justa e merecida homenagem ao REV. CLODOALDO ALBUQUERQUE BRUNET pelo transcurso de mais um aniversário de seu nascimento, neste dia 30 de junho de 2011. Evoco agora testemunhos de pessoas que viram seu trabalho.

Olá Clemildo,
A Graça e a Paz de Jesus
Para mim é uma honra poder colaborar com essa homenagem ao Rev. Clodoaldo.
O mesmo trabalhou em minha cidade - Tauá-Ce - como missionário da Junta de Missões por um período de um ano apenas (1998). Na época, eu tinha somente 10 anos de idade, mas lembro-me bem de sua abençoadora atuação no campo.
O missionário trabalhou muito promovendo cultos evangelísticos nas residências, o que resultou em algumas conversões. Evidenciou um programa de rádio chamado "Vida com Jesus", com a música tema "Tão Linda" - Nova Dimensão - e que ia ao ar todas as quartas-feiras. Além disso, juntamente com sua esposa, desenvolveram excelentes trabalhos com a música.
Em dezembro do mesmo ano colaboraram a largamente com a produção do meu aniversário de 11 anos: a Valdinha fez o bolo e o Rev. encarregou-se das filmagens e fotografias (isso foi muito marcante para mim). Nessa mesma época, aguardavam a chegada da Letícia e minha mãe - Terezinha - aguardava a chegada do Pedro Henrique.
Letícia e Pedro Henrique eram amicíssimos quando estavam no ventre de suas respectivas mães (eles ainda não se conhecem pessoalmente).
Enfim, apesar do tempo, ainda guardo boas recordações do meu querido missionário, hoje Pastor Clodoaldo Brunet.
Layla Cristina.

Pr. Clodoaldo,
Desejamos felicidades, paz, Saúde e muitas Bênçãos do Senhor Jesus na sua vida!
Somos muito Grato a Deus pela sua existência na Congregação
Presbiteriana de Cajazeiras.
Abraços,
Louisiana, Lucas Mesaque e Abraão.

Conheço o pastor Clodoaldo a partir de janeiro deste ano. Tenho aprendido a ama-lo como um irmão. É homem de Deus, procurando cuidar do sagrado ministério com zelo e amor. É muito dedicado ao ensino, principalmente a doutrina reformada, demonstrando amor à Igreja Presbiteriana. Demonstra amor à sua família e dá um bom exemplo de fé, de confiança no Senhor. Pelo pouco que o tenho conhecido, louvo muito ao Senhor pela vida dele.
No amor de Jesus,
Julio.

Caríssimo Clemildo Brunet
Congratulo-me com o irmão nesta homenagem tão merecida e oportuna, apesar de não ter nenhum depoimento a respeito do irmão quanto aos campos em que o mesmo atuou deixo aqui minha expressão de respeito e consideração quanto ao tempo em que tive a oportunidade de servir ao Senhor juntamente com o irmão Clodoaldo na IPB de Pombal. Transmita-lhe os meus mais sinceros parabéns.
Um forte abraço
Com saudades mas contente
Pr. Flavio Dantas

Estimado irmão Clemildo Brunet
Tive a oportunidade de conhecer o Rev. Clodoaldo em Cajazeiras/PB quando lá estive a serviço da minha empresa, e permaneci naquela cidade por cerca de um ano. Chegamos á cidade praticamente na mesma época, pois Clodoaldo e família estavam sendo enviados pela Igreja Presbiteriana de Sousa com a missão de pastorear a Congregação Presbiteriana de Cajazeiras. Pude constatar neste período o esforço, denodo e, sobretudo grande força de vontade deste querido irmão em levar a frente aquele trabalho. Creio que ele logrou bom êxito, pois o trabalho tem crescido na sua gestão, e espero que no futuro bem próximo a congregação seja organizada igreja.
Rev. Marcos Maia

Bom dia Clemildo,
É com imenso prazer que recebo esta oportunidade de falar de um ser humano exemplar, o Reverendo Clodoaldo é daqueles homens de DEUS que podemos afirmar sem dúvida que é uma ATALÁIA nas mãos do Senhor da seara, os trabalhos que o mesmo vêm desenvolvendo na obra missionária, motiva a muitos à se colocarem a serviço do Senhor Jesus, de maneira despretensiosa. O tenho como um dos poucos mensageiros da palavra do Senhor que ainda guarda os princípios elementares da mesma, como forma de edificar o povo de DEUS em caminhar com perseverança nesta jornada árdua de permanecer firme até o fim, o tenho como vigilante incansável na defesa dos princípios da REFORMA. Minha oração é que ele permaneça assim, preparado para ensinar através da palavra.
Com apreço e admiração
Presbítero Francisco Medeiros
IPB Sousa-PB.

DO REV. JOÃO INÁCIO SOBRE O REV. CLODOALDO BRUNET.
Conheci o Reverendo Clodoaldo Brunet em 1999. Para mim foi motivo de alegria ter o Clodoaldo desde então na lista dos meus amigos. O que satisfaz muito é a consideração deste nobre colega e sua digníssima esposa e filhas para com este velho servo de Deus.
O reverendo Clodoaldo trabalhou no período de 1999 a 2008 na cidade de José de Freitas, dirigindo ali a Congregação Presbiteriana. Deixou ali um grupo de irmãos amigos e fez boas amizades com o povo da cidade.
Na área administrativa, adquiriu um amplo terreno na cidade de José de Freitas, onde construiu o templo da Congregação Presbiteriana e a casa pastoral, o que foi uma preciosidade para a Igreja Presbiteriana do Brasil em José de Freitas. Mas isto não foi fácil, tendo em vista que a Congregação Presbiteriana ali era destituída de recursos e o Reverendo Clodoaldo, pedindo a um e outro, aos seus parentes e amigos, pode finalmente fazer trabalho tão expressivo em prol da comunidade presbiteriana de José de Freitas. Eu mesmo tive a honra de cooperar com um tijolinho. Clodoaldo é um servo, chamado e não confundido. È consciente de o seu agir neste mundo tão carente. È um líder, líder que agrada a Deus e não a homens. Sempre aberto a diálogos, para análises à luz da Bíblia. Um líder autêntico
Teresina, 29 de junho de 2011.
Reverendo João Inácio de Sousa Martins

Parabéns Clodoaldo!

Pombal, 30/06/2011.

*RADIALISTA

ESCREVER: DEVAGARINHO E SEMPRE?

Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*
Faz algum tempo que aos poucos estou reduzindo a produção dos meus escritos. Não se trata de preguiça nem tampouco desinteresse pela nobre arte de escrever. Também não se trata de canseira, nem de o esgotamento dos temas que baseiam construção dos meus arrazoados. Os temas estão aí aos montes. Resta-me escolher qual deles me convém. As razões vão ficar bem clara conforme o que vou expor a seguir.

A vida é assim, quando surge uma nova paixão, com certeza, alguém é passado pra trás. Não pretendo chegar a esse ponto de abandonar meus escritos justo porque estou envolvido n’outras atividades tão apaixonante o quanto a arte de escrever.

Sempre pensei em sair de mansinho sem ninguém perceber. A saudosa amiga Cessa discordava veementemente dessa minha postura. Mas, ao refletir sobre o assunto sinto-me como se estivesse a parafusar alguma coisa numa rosca sem fim. Não sei se definitivamente, um dia afastar-me-ei da minha preciosa máquina, nem tampouco dos meus textos. Lá pra frente falarei sobre essa incomoda questão.

Se esse momento acontecer, com certeza, a minha modesta criatividade, como fazedor de textos, poderá passar por um crucial momento de hibernação. O meu problema é mesmo o fantasma invisível chamado tempo. O meu tempo já não é tão disponível como gostaria que fosse. Repito: estou envolvido n’outras atividades que estão a exigir muito de mim.

Ademais preciso de algum espaço para usufruir de algumas regalias há tempo postergadas, mas, jamais esquecidas. Aposentei-me, mas, continuo prisioneiro dentro da minha própria casa. Preciso respirar outros ares alem das fronteiras do meu Estado ou mesmo do País. Ah, senhor tempo, você sempre foi uma pedra no meu caminho!

Na minha juventude usei, esbanjei, abusei do fator tempo sem me dar por conta de que um dia, cedo ou tarde, essa força invisível, ia-me ser mercadoria escassa. Isso aconteceu quando senti a necessidade de definir os meus projetos de vida na busca de um futuro melhor. O tempo obrigou-me a pensar como gente grande.

Mesmo assim ainda hoje me penitencio por conta do tempo que joguei fora, nos ditos, bons momentos da minha vida. Não estava nem aí, por uma razão muito simples: vivia no mundo de ilusões. O futuro era coisa pra pensar depois, porque, viver intensamente o presente era o que me interessava. Para mim, o tempo resumia-se ao nascer e por do sol com um dia no meio e nada mais.

Esse tempo, que sempre ignorei na minha juventude, com o passar dos anos, obrigou-me a vê-lo, com olhares diferentes, sobretudo preocupantes. Foi um forte sinal de que a sua força transformadora já estava a me atanazar. Paguei um preço alto por ignorar o tempo. Por exemplo, somente aos vinte e sete anos me foi possível concluir o segundo grau. Isso podia ter acontecido bem antes.

Preocupado, senti a necessidade de fazer ajustes na minha caminhada, a fim construir uma base existencial sobre a qual devia apoiar-me, a fim de construir o meu futuro. Foi a partir daí que comecei a entender que a minha relação vida/tempo estava à mercê de duas funções básicas: plantar e colher.

O tempo caminhava rápido. Não havia alternativa, por isso fui à luta e plantei o quanto pude plantar. Plantei a semente do saber na expectativa de colher saberes. Com efeito, a esta altura da minha vida estou a perguntar: como partilhar tanta coisa que colhi?

Entre tantas opções a primeira escolha foi a prestação de serviços gratuito àqueles que mais necessitam. É muito pouco o que estou a fazer, mas não deixa de ser um bom começo. Penso grande, porque os desafios são imensos. Mas, algo me conforta, pois se conseguirmos mudar, pra melhor, algumas dezenas de excluídos, com certeza somos vitoriosos.

Os meus escritos expressam de forma bem clara o que penso sobre a questão do bem servir. Nada de extraordinário. Hoje sou um apontador de caminhos. São caminhos que podem fazer rebrotar as esperanças perdidas, daqueles que não têm vez nem tampouco voz. Isto é, desde que haja um ambiente propicio para que as coisas aconteçam no momento e lugar apropriados.

Tento reanimar o homem, principalmente aquele que precisa entender que é possível, através do trabalho produtivo, bem remunerado, libertar-se da pobreza crônica. Essa questão me atormenta desde a minha juventude quando fui tocado ao entender a perversidade do paradoxo da pobreza em meio à abundância, em razão das formas desiguais de distribuição da riqueza, entre as diversas classes sociais.

Quem acompanha os meus textos sabe que o foco das minhas preocupações são os segmentos sociais de baixa renda, a envolver comunidades periféricas, bem como os pequenos e médios produtores rurais. Estes são as vitimas da pobreza, que vivem a mercê das políticas publicas de transferência de renda, entre outros penduricalhos travestidos de assistência sociais, coisas típicas de um ambiente de dominação política, na base do toma lá dá cá.

Pobres filhos de Eva. Se, são pobres no campo, acreditam que podem ser menos pobres na cidade. Nessa expectativa pagam muito caro quando muda de habitat ao sair do campo pra fixar residência na cidade. Esta é a realização do sonho de todos que vivem no campo em condições de vida subumanas.

A partir desse infeliz momento transformam-se em criaturas sem presente, sem futuro, por conseguinte, sem legados para transferir para os filhos, a não ser a pobreza, que tem como conseqüência o desmantelamento da família, a marginalidade dos filhos, a prostituição, entre outros males típicos das sociedades egoístas, sobretudo injustas.

O resultado de tudo isso é decadência moral de boa parte das comunidades periféricas na maioria egressos do campo. Na maioria das vezes, o homem desencantado com a vida que leva na cidade, cai facilmente na malha da desonestidade em prejuízo do o trabalho honesto e produtivo.

O saudoso político e escritor José Américo de Almeida costumava dizer que, quando os homens do poder começam a roubar lá em cima, os pequeninos, cá em baixo seguem o mesmo caminho. Assim sendo o ato de roubar passa ser uma espécie de autodefesa ou coisa corriqueira. Será que estamos a viver este momento? Conheço de perto essa estória. O meu sitio é um laboratório onde já constatei por inúmeras vezes fatos dessa natureza.

Vez por outra me sinto tentado a falar sobre questões dessa natureza. É a maneira mais simples de me libertar das dos demônios da indiferença. Confesso que me desviei um pouco do foco deste texto, por isso peço desculpas. Nas entrelinhas vocês vão entender um pouco mais do que estou a falar. Vamos agora retomar a questão fator tempo, à luz de atos e fatos. Vamos adiante...

O tempo na sua célere marcha impiedosa, nos trás alegria e tristeza. Recentemente, houve um fato triste, que foi a partida, para glória da eternidade, da amiga/irmão Cessa. Deixou-nos um vazio impreenchível. Tenho dito, de forma recorrente, que, sem ela, a vida cultural na cidade não será a mesma. Alguém falou: “ há pessoas que morrem, sequer uma só folha se move. Há outras, que, ao morrer provocam uma verdadeira tempestade” Dispensa-se explicações.

A conseqüência da tempestade de saudades e sentimentos que ora vivemos, em razão da ausência de Cessa, é que o movimento cultural da terrinha quedou, como costumam falar vizinhos de origem hispânica. Não sei dizer por quanto tempo esse quadro durará. Mas, de uma coisa temos certeza: o silencio da sua palavra, dos seus versos, dos seus escritos, do seu ardor pela cultura local, nos incomoda.

Nos nossos encontros ocasionais, conversávamos, de forma descontraída, sobre todas as coisas que nos vinham à cabeça, inclusive essas coisas que falei no intróito do texto. Bibia calmamente nos escutava, como bom ouvinte, porém sem muito participar. Cessa era quem dava o mote em torno do qual girava toda conversa.

Falávamos sobre fatos passados e presentes, sobre propostas de projetos para o futuro, entretanto nunca falamos sobre a possibilidade de encerrarmos nossos encontros pelas razões conhecidas. Pensávamos que a morte era uma possibilidade remota bem distante de nos acontecer, entretanto, infelizmente, nos aconteceu. Morreu Cessa, numa escala diminuta, morremos nós.

Queria ver-me poeta, mesmo sem a mínima vocação para o exercício da poesia. Às vezes externava-lhe o meu desejo de dar uma paradinha nos meus escritos, em razão d’outros compromissos assumidos. A reação era imediata. Tentava explicar-lhe, porem sem sucesso, mesmo assim continuava com as minhas justificativas.

Ao ouvir com mais paciência os meus argumentos a saudosa amiga de olhos arregalados, de forma enfática repreendia-me: o quê seu Ignácio? Isso jamais! Não se atreva, viu? Você tem muita coisa a escrever sobre os problemas da nossa terra. Depois da reprimenda, mudávamos o assunto e a conversa continuava.

Mesmo assim, não obstante a injeção de animo da amiga, continuo a me perguntar: devo andar um pouco mais devagar ou não? Um lado, diz-me que sim, outro, me diz que não. Com serenidade estou a administrar esse incomodo conflito. Em razão de tudo isso, sou instado a fazer experimentos, no sentido de me testar longe das teclas da minha preciosíssima máquina. Confesso que, pra mim é dificílimo passar pelo menos um dia longe dela.

Parar geral? Isso não porque não consigo me acostumar. Há outra complicação a considerar. Depois de tanto tempo familiarizado com a minha máquina considero-me um dependente químico/eletrônico, sem a menor possibilidade de cura, pelo menos, à médio prazo. Mas, mesmo assim, essa coisa não me impede de continuar a pensar no projeto de caminhar mais a vagar, noutras palavras, quero dizer, reduzir gradativamente a produção de textos.

Tenho no portifólio uma reserva de 50 textos que me permite passar algum tempo de pernas pro ar, dedicando-me um pouco mais a Catequese Catecumenal, ler com mais tranqüilidade os jornais da minha preferência, folhear bons livros, degustar o meu sagrado vinho nos finais de semana, além de desfrutar d’outros prazeres que a vida ainda me permite.

Repito: tenho cinqüenta textos armazenados na minha máquina. Isso significa dizer que por dois anos continuarei a remetê-los, regulamente, para os portais que generosamente, estão a divulgá-los. Com esse material estocado, com certeza posso caminhar um pouco mais a vagar.

Quero aproveitar o meu tempo da melhor forma possível de tal sorte que me sinta ajustado à exata dimensão do espaço que me está disponível. Sempre fui escravo do tempo em razão dos meus trabalhos como professor e economista. Hoje, como privilegiado ocioso, aspiro apenas ser um homem livre, qual um Condor que, em vôo solitário, lá das alturas deslumbra-se ao mirar as encantadoras silhuetas da Cordilheira dos Andes.

Reconheço que não tenho mais asas para ousados vôos. Mas, confesso que ficaria muito feliz se conseguisse, mesmo em baixa altura, realizar um voozinho, desde que me fosse possível mirar, lá do alto, o lugar mais fascinante e belo que Deus pôs na face da terra: a terrinha querida.

Este velho burgo, por razões explicáveis, faz-me um Ser racionalmente telúrico. Guardo-o cuidadosamente no fundo do coração, qual uma relíquia intocável, uma vez que, nem o tempo, nem a distancia foi capaz de apagar da memória o perfil do seu povo, bem como as ruas e vielas por onde transitei nos anos dourados da minha vida.

Ao retomar a questão da paradinha, tenho certeza plena de que não estou só nesta empreitada. O meu Anjo da Guarda Cessa, com certeza estará atenta a acompanhar-me nesta difícil decisão. Tenho certeza de que, vez por outra a amiga sussurrará ao meu ouvido a falar-me: não pare Ignácio! Em vez de parar caminhe mais devagar, ouviu? Mais uma vez, ante a reprimenda da amiga posso até pensar em escrever apenas um texto por mês. Basta-me? Não sei.

Na busca de um alento, a fim de minimizar a minha inquietação revisito obra-prima do pensador político Nelson Werneck Sodré, Oficio do Escritor. Nele revejo antigas e belas lições direcionadas aos que se preocupam com a questão político/social nas matérias que escrevem.

Quem escreve, por dever de ofício, deve estar comprometido com os interesses maiores da sociedade, em particular quando se trata de temas que dizem respeito aos anseios dos segmentos menos favorecidos. O compromisso de levar a verdade política/social ao conhecimento do povo, pra mim, funciona como se fosse uma prisão a céu aberto que me perturba quando penso que um dia vou parar geral. Esta é a minha grande trava.

As minhas inquietudes remetem-me a lembrança de que o ato de escrever sempre fez parte do meu cotidiano. Como economista, no exercício da atividade, não tinha como deixar de escrever. Escrevi até demais, mas, não falava a linguagem do povo. Falava sim, a linguagem dos economistas a serviço do poder, ilegalmente constituído.

Durante tempo que passei no exercício da atividade, naquela quadra difícil, dei-me por conta de que os economistas, nem sempre estavam a escrever o que realmente pensavam. Em razão disso nossos escritos, pareciam coisas de uma casta pensante, que se fazia visível, naquele momento de obscuridade político/institucional.

Quando comecei a escrever fora desse contexto, confesso que tive algumas dificuldades de adaptação. Com o tempo superei essas barreiras, mas, vez por outra tenho uma recaída. Mesmo assim reconheço que, com o passar do tempo, muita coisa melhorou. Mas, apesar dos pesares, algumas vezes chego a pensar que já cheguei ao meu limite. È este o nó górdio da questão.

Repito, quando revisito as lições do autor do Oficio do Escritor, lembro-me da preocupação de Cessa, entro em estado de catalepsia: sinto-me um morto vivo. Mesmo assim ponho-me a perguntar: ora se o saudoso Barbosa Lima Sobrinho escreveu até aos 103 anos, por que então, na minha pequenez, não posso prosseguir um pouco mais?

Quando o saudoso Mestre Celso Furtado escreveu a Fantasia Desfeita, cheguei a pensar que o Mestre iria parar por aí. Ledo engano. Na seqüência daquela obra publicou outros tantos documentos, com a mesma lucidez dos tempos passados, quando se projetou para o mundo como o mais inteligente e lúcido economista latino americano.

Na verdade, não tenho a dimensão intelectual do meu saudoso Mestre. Assim sendo, nada tenho a escrever para prenunciar uma possível retirada de cena. Somente de uma coisa tenho a falar: continuo na dúvida. Ponha dúvida nisso!!!!.

Apesar dos conflitos que estou a viver, nos momentos mais aflitivos, vez por outra pergunto: Cadê você Cessa? Em resposta, escuto uma voz, qual um eco vindo lá do infinito, a falar-me: isso jamais Ignácio!!! Isso jamais!!! Quando essa reprimenda era-me aplicada, entendia que se tratava de uma ordem e não de um simples pedido.

E agora sem Cessa, nas minhas idas e vindas a Pombal, resta-me lembrar das nossas conversas sobre as coisas ruins e boas que aconteceram e estavam a acontecer na terrinha, ou mesmo a nível estadual, nacional, sob o olhar atento do amigo Bibia.

Nada mais a falar, pois, ao sentir-me qual um adormecido cataléptico, no pequeno espaço de tempo que me resta pra pensar, não consigo libertar-me desta dúvida atroz: qual seja, parar geral ou continuar devagar e sempre? E você o que é que acha?

João Pessoa, 29 de Junho de 2011

*Economista e Escritor pombalense.

COMENTÁRIO DE ELI MEDEIROS SOBRE O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE FLÁVIO BRUNET DE SÁ!


Dr. Eli dos Santos Medeiros (foto)
"Caro Clemildo”,

parabéns pela organização das festividades do centenário de nascimento de "seu" Flávio. Homem honrado, trabalhador, cujo exemplo perpetua à dignidade do trabalho, a beleza do caráter, a firmeza das decisões, a generosidade das ações, a visão empresarial numa época em que sequer tal expressão existia no hoje chamado agronegócio. Fiquei particularmente feliz em ter contribuído para a carinhosa manifestação que Rose queria dedicar ao pai dela, meu sogro.

Na pouca convivência que com ele tive, restou a certeza de que era ele um homem dedicado à família por quem se sacrificou na rude vida do campo, para permitir o acesso dos filhos ao estudo, com conforto nos grandes centros do país. Aos que o conheciam deixou o legado do trabalho, da seriedade e da capacidade produtiva, indiscutivelmente comprovada na transformação o da terra, erradicação de estigma da propriedade cajazeiras que, no dizer do Rev. Clodoaldo Brunet, passou de "Cajazeira da Miséria" para "Cajazeira do Doce e Mel". A implantação do Engenho, em sua propriedade, com a produção de rapadura, mel e alfenim, criou fama e expectativa em Pombal e demais cidades do sertão Paraibano.

Embora "seu" Flávio não tenha tido o privilégio de ver todos os filhos dos seus filhos, pode, entretanto, conhecer alguns deles, servindo de inspiração para outros que, mesmo não tendo privado de seu convívio, herdaram o desejo de fazer próspero o trabalho rural, transformando vidas e lugares, como fez seu avô. Agradeço a Deus pela vida do meu sogro e por tudo o que ele representa para todos nós e para a cidade que o viu nascer
Flávio Brunet de Sá (In Memoriam)
O memorial a ser estabelecido na Fazenda Cajazeiras, em homenagem ao "seu" Flávio, haverá de reunir muitas informações a respeito dele, sua vida e sobre o que fez, de tal forma que sua presença lá estará assegurada, permitindo a todos os que forem à Fazenda Cajazeiras conhecer um pouco da garra, trabalho e poder transformador do patriarca da família Brunet, na nossa região. Parabéns, uma vez mais, meu caro Clemildo, pelo belo trabalho que você realizou nessa homenagem. “Um abraço, Eli Medeiros

JERÔNIMO RIBEIRO ROSADO

J. Nóbrega Araijo
Jerdivan Nóbrega de Araújo*

O farmacêutico Jeronimo Ribeiro Rosado nasceu em Pombal-PB, no dia 8 de dezembro de 1861. Era filho de Jerônimo Ribeiro Rosado e Vicência Maria da Conceição Rosado. Formou-se em Farmácia no Rio de Janeiro, onde atuava como fiscal da iluminação pública. Voltou ao seu Estado em 1889, quando abriu a primeira botica em Catolé do Rocha e desposou Maria Rosado Maia, a Sinhazinha. O casal teve três filhos: Jerônimo Rosado Filho, médico, farmacêutico e poeta, morto aos 30 anos; Laurentino Rosado Maia, falecido criança; e Tércio Rosado Maia, farmacêutico, odontólogo, advogado.

Maria Rosado Maia faleceu u em 1892, pouco depois do último parto, vítima de tuberculose. No leito de morte, conforme relata mestre Luís da Câmara Cascudo, pediu “que o marido a fizesse sepultar no Catolé do Rocha, na terra onde nascera”. E casasse com sua irmã Isaura.

O corpo de Maria Amélia foi sepultado naquele recanto sertanejo. Jeronimo Ribeiro Rosado, com 32 anos, casa-se com a cunhada, de 17 anos, em 1893 e vai morar com o marido na cidade potiguar de Mossoró, onde Rosado Maia havia instado os seus negócios desde de 1890, a convite do médico e líder político Francisco Pinheiro de Almeida Castro, patrocinador da drogaria.

Do segundo casamento nasceram mais 18 filhos: Izaura Rosado; Laurentino Rosado Maia (homônimo do segundo); Isaura Sexta Rosado de Sá; Jerônima Rosado, que tem como apelido o nome de “Sétima”; Maria Rosado Maia, que tem como apelido “Oitava”; Isauro Rosado Maia, que tem por apelido “Nono”; Vicência Rosado Maia, que como apelido o nome de “Décima”;Laurentina Rosado, que tem como apelido o nome de “Onzième”; Laurentino Rosado Maia, que tem como apelido “Duodécimo”; Isaura Rosado, que tem como apelido o nome de “Trezième”; Isaura Rosado, que tem como apelido o nome de “Quatorzième”; Jerônimo Rosado Maia, que tem como apelido o nome de “Quinzième”;Isaura Rosado Maia, que tem como apelido o nome de “Seize”;Jerônimo Rosado Maia, que tem como apelido “Dix-sept”; Jerônimo Dix-huit Rosado Maia; Jerônimo Rosado Maia, que tem como apelido o nome “Dix-neuf”; Jerônimo Vingt Rosado Maia; Jerônimo Vingt-un Rosado Maia.

Jerônimo Rosado
Chegando a Mossoró, em 1890 Jeronimo Rosado montou uma império econômico, com atuação na área de extração mineral, agricultura, de forma que o sobre nome “Rosado Maia” passou as ser sinônimo de riqueza e poder, com forte influencia no processo político partidário do Estado do Rio Grande do Norte, chegando, um dos filhos do patriarca, o decimo sétimo, Dix-sept Rosado , a ser eleito governador daquele estado, porem, com apenas 5 meses de mandato, em viagem de trabalho ao Rio de Janeiro, Dix-sept faleceu em acidente aéreo.

Dix-sept Rosado foi a raiz política dos Rosados. Irmãos, sobrinhos e netos o sucederam como prefeitos da cidade, vereadores, deputados e até senadores. Entre eles, destacam-se Dix-Huit e Vingt Rosado. Depois de algum tempo, os dois irmãos romperam. Diz-se em Mossoró que a briga entre eles não passou de uma jogada política para conservar, em definitivo, os Rosados no poder. Desde então, Rosado é oposição de Rosado. Não importa o vencedor: a família sempre leva. O sobrenome Rosado batiza, hoje, muitas ruas, praças e até estabelecimentos comerciais de Mossoró.

A cultura, porém, ficou nas mãos do 21º, Vingt-un, a quem coube realizar os sonhos educacionais do pai. Desde cedo, ele se empenhou para contar a história de Mossoró, registrar tudo que levasse o nome de sua terra natal e gerar e publicar a produção intelectual dos mossoroenses. Foi por isso que nos anos 1960 ele idealizou e fundou a Escola Superior de Agronomia de Mossoró (Esam), onde organizou encontros e seminários e fez amizade com grandes intelectuais. Vingt-un Rosado foi uma espécie benigna de fanático. Ainda em vida, em fui convidado por Romero Cardoso escreve a apresentação de um livro autobiográfico do Vingt-un Rosado, VolumeVIII volume, foi uma forma que o intelectual e mecena das artes encontrou de resgatar as suas raízes pombalenses.
Casarão omde morou Jerônimo Rosado em Pombal
A paixão de Jeronimo Rosado por Mossoró era tanta que ele chegou a externar sempre os seguintes pensamentos: “Quero que meus filhos cresçam para servir à cidade de Mossoró. O que eu não puder fazer por Mossoró, um filho meu fará. O que um filho meu não puder fazer, um filho dele fará.”

A biografia completa do pombalense Jeronimo Rosado foi escrita pelo historiador Luiz da Câmara Cascudo, no livro “Jerônimo Rosado: uma ação brasileira na província de Mossoró(1861-1930)”.

Fonte de pesquisa:. Biografia/Teses e textos de blogs da internet.

* Escritor Pombalense.

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE FLÁVIO BRUNET DE SÁ!


Família Brunet

Clemildo Brunet

CLEMILDO BRUNET*

Um sonho realizado e com muito sucesso! Foi à nota dada ao evento ocorrido na noite desta segunda feira (20), na Fazenda Cajazeiras, em que o casal Eli dos Santos Medeiros e Rose Mary Ramalho Brunet Medeiros, reuniu grande número de pessoas amigas, e das duas famílias, para as comemorações dos cem anos de nascimento de Flávio Brunet de Sá (In Memoriam), e para a celebração de um Culto de Ações de Graças pelo transcurso de mais um aniversário natalício da própria Rose.

As Ações de Graças foram celebradas pelo o Rev. Clodoaldo Albuquerque Brunet, na Congregação de Cachoeira vizinha a fazenda, e contou com a participação do Rev. Elias dos Santos Medeiros e sua esposa Fokjelina Medeiros que moram nos Estados Unidos, ele, irmão de Eli Medeiros e cunhado de Rose.

Após o Culto, Rose e Eli Medeiros, recepcionaram os convivas na Fazenda Cajazeiras para um coquetel e jantar, ocasião em que Foram lembradas as ações do grande agropecuarista Flávio Brunet de Sá, que em vida trabalhou muito, havendo juntamente com a sua consorte Eunice Ramalho Brunet (In Memoriam), construído invejável patrimônio, garantindo dessa forma, um futuro próspero para seus filhos, netos e bisnetos.

Rose com seus pais Flávio e Eunice

Flávio Brunet de Sá possuía duas grandes propriedades “Cajazeiras e verdes”, foi sócio com seu irmão Napoleão Brunet de Sá no ramo de panificação em Pombal, proprietários da Padaria Vitória, cujos produtos de primeira qualidade, a exemplo da famosa bolacha peteca e o pão doce de seu “Napoleão” como eram conhecidos, são lembrados ainda hoje e se encontram para registro da história na literatura de alguns escritores pombalenses.

Flávio Brunet de Sá faleceu aos 69 anos de idade no dia 19 de novembro de 1980. Era filho de Olindina Ramalho de Sá Brunet e Júlio Rabelo de Sá, eram seus irmãos - Napoleão Brunet de Sá e Alaíde Ramalho Brunet (In Memoriam).

Para assinalar o centenário de seu nascimento, foi feita a posição de uma placa na parede do açude recém-construído na Fazenda Cajazeiras - com a seguinte inscrição: “AÇUDE FLÁVIO BRUNET DE SÁ” dando o nome ao patriarca da família.

Rose Mary e Pastor Clodoaldo

Para Rose, filha do homenageado, aquele momento foi um sonho que se realizou. Muito feliz, ela disse: “A Fazenda Cajazeiras era tudo para manter a lembrança de meu pai materializado”... Sentindo-se gratificada pelas homenagens ao seu pai, finalizou: “Ele ainda vive em nossos corações”!

Eu convidado que fui, para presidir o cerimonial, fiz a apresentação de um histórico do homenageado, e em determinado momento de minha apresentação esbocei em síntese o perfil do meu tio, declarando: “Flávio Brunet de Sá, tinha três coisas notáveis: Bom marido, bom pai e cidadão de bem; razões pelas quais era benquisto de todos de seu convívio, pois sua vida foi pontuada pelo trabalho, a honestidade e o silêncio, características que lhes eram peculiares”.


O Dr. Professor José Cezário de Almeida, Diretor da UFCG Campus Cajazeiras, fez um relato desde o tempo em que veio conhecer Flávio Brunet em uma vaquejada em 1975, descrevendo sobre os laços de amizades que existiam entre seu o genitor José Garrido e o homenageado da noite.

O Dr. Eli Medeiros, esposo de Rose em sua fala, declarou que apoiou o sonho de sua esposa, com a iniciativa dos filhos Flávio e Rosely, pois se dispuseram em financiar toda obra para a revitalização da fazenda e assim sentia-se feliz por ter dado apoio a todo projeto, afirmando que; “Nossa especialidade é a produção de matrizes leiteiras de excelente nível... Dentro de 05 anos, se Deus nos permitir, faremos o primeiro leilão para a comercialização dos animais produzidos na própria fazenda”. Disse ele. Ainda na ocasião falaram os netos, Flávio Henrique e Miriam Brunet, esta por sua vez, declarou que guardava doce lembrança de momentos da infância, quando seu avô Flávio Brunet, lhe colocava no colo.

Gilson Felinto

O Presbítero Gilson Felinto, da Igreja Presbiteriana de Pombal, também lembrou os feitos de Flávio Brunet, reportando-se ao tempo em que a Fazenda Cajazeiras sediava os Retiros da Igreja, durante as festas de momo. Já Elza, filha adotiva de seu Flávio, expressou sua gratidão e recordou os anos em que morou na fazenda na companhia de seu pai adotivo. Agradeceu as manifestações das homenagens daquela noite.

No final, todos cantaram parabéns pela data natalícia de Rose Mary e em seguida foi servido um lauto jantar.

Pombal, 22/06/2011

*RADIALISTA

O CENTENÁRIO DE VOVÔ FLÁVIO - HOMENAGEM DOS NETOS!

Miriam Brunet
MIRIAM BRUNET*

A palavra de Deus em eclesiastes capítulo 3:1-2 fala que "Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer; (....)"

Esses dois versículos serviram-me de consolo quando, nos momentos que ousei questionar a Deus sobre o por quê da morte. Todos aqui já devem ter perdido um ente querido, experimentando a dor da saudade. A dor que eu chamo a dor "do nunca mais na terra". Eu já precisei dizer adeus para o meu pai, para a minha tia Miriam e para minha querida avó Eunice, pessoas que cuidaram de mim e me viram crescer. Eram muito próximas, muito intimas por isso doeu tanto e foi dicifil, entao, perguntei para Deus: como eu ficaria sem elas?

A resposta de Deus veio imediatamente ao meu coração com a lembrança desse versículo em eclesiastes que frisa bem que há tempo para viver e morre

Tambem lembrei da historinha que criei para o meu irmão mais novo quando, aos 9 anos, ele me questionou sobre a morte, falei para ele que nossa vida é como um livro e Deus é quem a escreve, até que chegue a nossa ultima pagina. Ele gostou da história e disse: espero que Deus faça o meu livro ser bem grosso.

Aqui entra a história do meu avô.


Flávio com os Netos

Primeiro, gostaria de acrescentar que quando tia rose pediu que eu falasse algo representando os netos, eu pensei: - nossa essa é difícil, pois a imagem que eu tinha do meu avô nasceu de uma descrição que a minha mãe me fez, dizendo que ele gostava de me colocar no colo. E nao é que eu fecho os olhos e consigo ver essa cena, mesmo sendo ainda bebe. Isso é incrível

Só que eu também comecei a lembrar das historias da minha avó contava sobre ele. Eram histórias lindas, ela falava dele com tanto amor e admiração. Uma mulher sábia, que sabia valorizar o homem que ela escolheu para ser seu marido. 

Então, lembrando do meu avó com os olhos da minha avó, foi fácil pensar em algumas palavras, vieram-me as palavras que qualquer neto poderia falar para um querido avô.

O livro da vida do meu avô não foi tão grosso quanto queríamos, mas não importa a espessura desse livro, importa que as poucas páginas tratem de grandes ações, de atos admiráveis. Nunca conheci alguém nos arredores dessa fazenda que não me falasse de um grande ato do meu avô. O seu amor pela terra, pelo pasto, por cavalos, pela moenda estava no sangue. Era da sua essência. Amava suas fazendas, amava o que fazia e orgulhavasse em dá o melhor para cada filho.

Esse amor era tão intenso que deixou contagiar algumas pessoas, primeiro vi o Flávio, meu irmão, deixar a capital para investir e dedicar sua vida nessa terra. Depois vi o Flávio Henrique, meu primo, deixar-se envolver com grandes investimentos. Peço as bênçãos de Deus para que eles alcancem o sucesso que meu avô atingiu. Não só com bens materiais, mas conquistem a admiração das pessoas, o querer bem de todos, o que chamamos de pessoa amada por todos.

Meu avô era amado por todos!!!! Essa é a imagem que eu tenho do meu avô, pois se assim não fosse não estaríamos todos aqui relembrando os seus feitos, homenagiando-o. Firmando o seu legado!!! Ele merece todas as nossas honras e homenagens.

De fato, nao importa quantas páginas tinha o seu livro, mas tenham certeza de que Deus usou a melhor tinta e caprichou nas escritas que fez.

Flávio Brunet, comemoramos seus 100 anos com muito louvor e ações de graças por sermos fruto do seu projeto familiar. Hoje, eu penso que, no lugar de me quiexar para Deus pelo fato de só ter aproveitado uns minutos do seu colo, devo agradecer a Deus por poder abrir a boca para dizer eu sou sua neta, sim, somos netos do "seu Flávio".

 Receba a nossa homenagem.
Mirima Brunet
*Natural de Sousa, iniciou o curso de Direito na UFPB e terminou na Universidade do Distrito Federal. Hoje, mora em Brasília, é advogada e ocupa o cargo de assessora jurídica no Ministério Público Federal.

JACOB FRANTZ: UM GAUCHO QUE FOI PREFEITO DE POMBAL.

Jerdivan N. Araújo
Jerdivan Nobrega de Araujo*

Jacob Franzt era comerciante em sua terra no Rio Grande do Sul, e tinha 24 anos de idade quando soube que o Presidente da Paraíba Joao Pessoa, estava convocando voluntários para que quisesse lutar em Princesa em defesa da hegemonia administrativa do Estado, ameaçada pelo coronel José Pereira, que em 1930, proclamou a independência de Princesa Isabel, separando àquela cidade do território brasileiro.

Jacob chegou à Paraíba no dia 28 de abril de 1930, se hospedando no Hotel Globo, por conta própria para se apresentar ao governo como voluntário no dia seguinte diretamente no gabinete do Presidente que mandou-lhe dizer que o Estado não pagaria, pelo menos por enquanto, a Comissão. Naquela época os cargos na Policia de sargento e até Oficial eram comissionados. Jacob fez ver que estava ali por idealismo e não fazia questão de cargo. Foi aceito e naquela mesma noite já se apresentou no Estado Maior da Policia Militar da Paraíba.

No dia 29 de abril, dois dias depois de chegar a Paraíba, já viajou como soldado raso, comandado pelo Coronel Sobreira a bordo de um Ford 29 para Teixeira, antes passaram em Esperança, Campina Grande e Taperoá. No dia 30 de abril foram de Teixeira até Tavares. Este já era território do controle do Coronel Zé Pereira.

Na mesma semana, por ser reservista do Exercito Jacob foi incluído no Batalhão como 3° sargento e dois dias depois 2° sargento. Já como comandaste de tropa Jacob percorreu, em combate, por todas as áreas de ocupação do Coronel Zé Pereira, com a incumbência de entrar em Princesa.

Depois de enfrentar varias batalhas nos sertões da Paraíba Jacob Frantz chegou a penetrar com seu contingente até o vizinho estado Pernambuco e depois Bahia. Em Pernambuco foi nomeado Prefeito Provisório de Pilão Arcado por alguns dias. Voltando a Paraíba, que estava decidido a pedir baixa da policia e voltar ao Rio Grande do Sul, foi convencido por Antenor Navarro, então interventor da Paraíba, a assumir a Prefeitura de São João do Rio do Peixe, tomando posse no dia 22 de dezembro de 1930 e administrou até setembro de 1931, quando foi chamando de volta a capital, por Antenor Navarro.

Com a morte de Antenor Navarro, em 1932 em desastre de Avião, na Bahia, assume o governo Gratuliano da Costa Brito que nomeia o gaúcho como Ajudante de Ordem cargo que exerceu também no governo Argemiro de Figueiredo. Frantz voltou a ser prefeito de São João do Rio do Peixe, em 1934 quando o município já se chamava Antenor Navarro.

Algum tempo depois Gratuliano Brito o convidou para dirigir os serviços Elétricos da capital. Em 1935 foi nomeado prefeito de São Jose de Piranhas, isso no governo de Argemiro Figueiredo. Foi prefeito de Pombal, nomeado por Ruy Carneiro, quando este foi interventor da Paraíba. Na década de 60 foi prefeito de Antenor Navarro, desta feita eleito. Foi ainda deputado estadual durante doze anos a partir de 1947 e depois deputado Federal, Secretário da Agricultura, Sec. De Interior e Justiça e candidato a vice-governador.


Na Polícia Militar Jacob chegou a Coronel, embora fosse conhecido apenas como Major.
Jacob Frant, o Gaúcho que foi Prefeito de Pombal, morreu na década de 1980.
GRUPO ESCOLAR JOÃO DA MATTA - FORMATURA DO 5º ANO PRIMARIA - 1944

Professor: Niwton Seixas.
Por trás - Esq/Dir.
1 - Elionor. 2 - Cotir. 3 - Maria Helena. 4 - Elisa Abrantes. 5 - Lia Tavares de Araujo. 6 - Dulce de Severino Rosa. 7 - Osa Rodrigues.
Em frente, Esq/Dir.
8 - Pedrinho Pinheiro-Irmão de Anjinho. 9 - Conceição-Irmã de Padre Vicente de Freitas. 10 - Major Jacob Franzt-Prefeito. 11 - Clezilte Nóbrega. 12 - Airton Bezerra.
Arquivo: Verneck Abrantes.

*Escritor pombalense.

ROSE MARY E O LEGADO DE FLÁVIO BRUNET DE SÁ!

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Quem vai aniversariar no próximo dia 24 de junho é a minha estimada prima Rose Mary Ramalho Brunet Medeiros, filha de Flávio Brunet de Sá e de Eunice Ramalho Brunet (In Memoriam), estudou no Lyceu Paraibano turma de 1972 e formou-se em Administração pela Universidade Federal da Paraíba em 1976. É casada há 35 anos com o bem sucedido advogado Eli dos Santos Medeiros, formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão e em Administração pela PUC do Rio de Janeiro, havendo concluído seu mestrado em Direito Ambiental pela Pace University de Nova York.

O casal é paraibano, ele nasceu em João Pessoa e ela é natural de Pombal, morou um bom tempo nos Estados Unidos e atualmente reside em São Luiz do Maranhão. De ambos, nasceram os filhos: Flávio Henrique Ramalho Brunet Medeiros que é casado com Karoline Beckmam Medeiros (nora), dos quais nasceu Guilherme Beckmam Medeiros, (neto); Rosely Ramalho Brunet Medeiros Garcia (filha), casada com Ademir Ortega Garcia com quem teve duas filhas, Elisa Medeiros Garcia e Ana Beatriz Medeiros Garcia, netas, portanto, de Eli e Rose.

A nossa coluna faz este registro hoje com muita satisfação, primeiro: porque este colunista faz parte da família e nutre uma profunda amizade por este casal simpático e feliz, recebendo tanto dela que é minha prima legítima, como dele, toda consideração que ambos me dispensam na conservação dessa amizade de longas datas.
Rose e Eli
Segundo: Tendo em vista que na segunda feira dia 20 de junho, o aniversário de Rose terá uma comemoração especial antecipada com a celebração de um Culto Festivo de Ações de Graças, às 19 horas, na Congregação Presbiteriana do Sítio Cachoeira a margem da BR 230, nas proximidades da cidade de Aparecida. O pregador dessa Ação de Graças será o meu sobrinho, o Rev. Clodoaldo Albuquerque Brunet – Pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Sousa.

Para marcar este acontecimento, foram convidados amigos e parentes da família Brunet, como também pessoas pertencentes à família Medeiros que moram em regiões distantes. Peço vênia, para destacar que estará presente o Rev. Elias Medeiros, cunhado de Rose, que é Pastor, (PhD), Professor de Missões e Chefe do Departamento de Estudos Interculturais do Reformed Theological Seminary em Jackson, Mississippi. Foi missionário na Amazônia, plantador de igrejas no Nordeste e ensinou Missiologia no Seminário Presbiteriano do Recife e no Centro Evangélico de Missões, onde também atuou como Deão Acadêmico.

Após o Culto na Congregação da Cachoeira, os convidados serão recebidos na Fazenda Cajazeiras por Eli e Rose, a fim de assistirem a solenidade em homenagem ao Centenário de Nascimento de Flávio Brunet de Sá (In memoriam), 1911/2011 - com a posição e descerramento de uma placa em que consta o nome do patriarca da família, sinalizando com este gesto, a inauguração do novo açude recém- construído, que passará a ser chamado – AÇUDE FLÁVIO BRUNET DE SÁ. Num futuro bem próximo é pretensão da família de Rose e Eli, fazer um memorial, refazendo a moenda do engenho, inserindo documentário sobre o trabalho que foi desenvolvido por seu Flávio Brunet e um busto em sua homenagem, delimitando uma área para tal fim.

Essa ideia vem do sentimento de uma filha que amava seu pai como a própria vida e que não querendo se desfazer do espólio por ele deixado, tomou-o como legado, para sua existência. São palavras textuais de Rose Mary:

Flávio Henrique R. Brunet Medeiros
“Apesar da distância que nos separava da fazenda, eu nunca quis vende-la. Para mim a fazenda era um pedacinho da minha historia de vida. Foi aí que vi meu pai trabalhar se sacrificar para dar tudo do melhor para os filhos. Boa educação, e tudo o que sou hoje. Quando tive meus filhos, eu ensinei isso para eles e sempre falei do meu pai , da fazenda , da minha origem. Sempre pedi a Flavio que nunca se desfizesse da fazendo porque ali era o meu pai. Dei a melhor educação para os meus filhos. Estudaram nos melhores colégios , até em Londres e fizeram Universidade em Nova York. Se prepararam para vida. Hoje independentes financeiramente, graças a Deus, e com uma boa formação familiar. Então o Flavio sabendo do meu desejo e sonho, começou ajudando o Pai em revitalizar e valorizar o que eu tanto queria”.

MELHORAMENTOS:

Com o pensamento e vontade de perpetuar a memória de seu Flávio, os netos, Flávio e Rosely, coadjuvados por Eli o pai, resolveram desenvolver um projeto de produção agropecuária na fazenda, adotando diversas ações para permitir o trabalho. Foram construídos dois novos açudes e uma barragem subterrânea para garantir a água necessária ao projeto. Foram refeitos dois cacimbões e construído um curral com a instalação de ordenha mecânica com o fim de atingir a qualidade da produção de leite, como decurso da existência de matrizes leiteiras em lactação durante todos os dias do ano. O objetivo é a produção genética.


Ordenha Mecânica- Faz. Cajazeiras

“Nossa especialidade é a produção de matrizes leiteiras de excelente nível, produzidas na fazenda, por melhoria genética (inseminação artificial, transferência de embriões, etc...) desenvolvendo a raça Girolando (raça produzida do Gir Indiando, com o Holandês). Construímos uma pequena fábrica de ração para atender às necessidades de nutrição do rebanho produtor. Interligamos áreas da fazenda para permitir o acesso a todas elas. Instalamos uma área irrigada de 8 hectares, plantada com capim, para permitir um pastejo rotacionado, assegurando o pasto necessários para manter o rebanho. Drenamos toda a região do baixio, evitando o alagamento, na época do inverno, fazendo o escoamento da água excedente, evitando sazonalidade na nutrição dos animais. Dentro de 05 anos, se Deus permitir, faremos o primeiro leilão para comercialização dos animais produzidos na própria fazenda. Expandimos, também, a rede elétrica para atingir a part e final do baixio, construímos duas casas para moradores e ampliamos e reformamos a casa principal, climatizando-a, inclusive. Contratamos especialistas e um gerente com experiência internacional para nos certificarmos da cientificidade dos procedimentos produtivos. Desenvolvemos, com sucesso, após pesquisarmos inúmeras experiências em várias regiões, o plantio de palma, irrigada. Estamos no processo de certificação do Ministério da Agricultura, garantindo uma propriedade livre de doenças. Muitas outras providências, ainda, serão tomadas, com o objetivo de fazer valer o sonho de "Seu Flávio", alimentado pela Rose e encampado por Flávio e Rosely, empresários que estão tocando e financiando todos os trabalhos desenvolvidos na fazenda. A ideia é profissionalizar a produção da fazenda e torná-la um empreendimento que gere emprego, renda e produção para a região”. Disse Eli Medeiros.

Nessa etapa de comemorações, vamos estar todos da família, ligados, por parentesco ao Seu Flávio: Eu e Rose (filha e genro), Flávio, Karol e Guilherme (neto, com a esposa e o bisneto), Rosely, Ademir, Elisa e Ana Beatriz (neta, com esposo e bisnetas). Finalizou Eli.

A coluna parabeniza pelo arrojado empreendimento das famílias Brunet e Medeiros, almejando que os bons ventos soprem nesta região amenizando o sofrimento e acabando de uma vez com êxodo rural. Por tudo isso e muito mais, merecem ser comemorados esses dois acontecimentos:

O Aniversário natalício de Rose Mary Ramalho Brunet Medeiros e o Centenário de nascimento de Flávio Brunet de Sá.

Pombal, 16/06/2011

*RADIALISTA

ATRIZ MARCÉLIA CARTAXO FAZ APRESENTAÇÃO DO FILME "A HORA DA ESTRELA" EM POMBAL


Marcélia Cartaxo

Luiz Barbosa Neto
Titular do Murarte








Nesta quarta – feira às 19:30 horas, o Cine Teatro Murarte em parceria com o CCBNB – Souza-PB trarão para Pombal a Atriz MARCELIA CARTAXO, na oportunidade a mesma fará a apresentação do filme A HORA DA ESTRELA, premiado pela crítica internacional.

É um feito admirável. Nunca antes uma atriz brasileira havia ganho um prêmio em um grande festival internacional: Marcélia Cartaxo foi a primeira, em 1985, por A Hora da Estrela. O filme foi relançado em cópia restaurada no Festival do Rio no mês passado e completa 25 anos de filmagem. De Cajazeiras até a consagração em Berlim, ela lembra histórias do filme.

Tudo começou com o grupo de teatro Terra, do qual Marcélia fazia parte em Cajazeiras, e que revelou também Nanego Lira, Soia Lira, Eliézer Rolim e Luiz Carlos Vasconcelos. O grupo estava em São Paulo para três apresentações em um evento. “A gente recebeu uma proposta de fazer o Mambembão, em que peças do Nordeste se apresentavam no sul e as de lá vinham para cá”, lembra a atriz. O espetáculo chamava-se Beiço de Estrada, escrito e dirigido por Eliézer Filho (ho je, Rolim). A diretora Suzana Amaral, já em busca da protagonista de sua versão para o livro de Clarice Lispector, estava na plateia.

Suzana assistiu às três apresentações com o ator paraibano José Dumont, que já estava escalado no elenco, e já convidou Marcélia para viver Macabéa. O ano era 1982 e Marcélia tinha 18 anos. Foram precisos mais dois para a diretora conseguir o financiamento da Embrafilme. Enquanto isso, as duas foram se correspondendo. “Ela foi me dirigindo por carta”, recorda Marcélia. “Eu costurei uma camisola feita de saco de açúcar que uso no filme, ela me disse para ir à periferia para observar as Macabéas”.

Marcélia não tinha lido A Hora da Estrela e ganhou um exemplar de presente de Suzana Amaral. “Eu achava o livro muito confuso. Tinha a história de Macabéa e Olímpio, mas também a do narrador”, conta Marcélia. “Clarice era considerada uma escritora difícil de adaptar. Mas li o livro umas 2 0 vezes”. Mesmo com essa preparação, os produtores exigiram que a paraibana se submetesse a um teste e disputasse o papel com outras atrizes. “Quando fiz o teste, eles ficaram todos enlouquecidos”, recorda. “Foi a cena em que Macabéa datilografa e come um pão com salsicha e a salsicha sai (ri). Suzana só foi me dar o roteiro mesmo quando passei no teste”.

Saída diretamente do Actor’s Studio, Suzana estava impregnada do estilo de dirigir e interpretar da famosa escola que seguia o famoso método desenvolvido por Elia Kazan e Lee Strasberg, entre outros, a partir do sistema do ator e ditetor russo Stanislavsky, privilegiando o realismo psicológico e as emoções reais em cena. “Ela aplicou tudo na Macabéa”, revela Marcélia Cartaxo. “Quando fui pra São Paulo, fui de ônibus. Ela queria que eu fosse macabeando, que não perdesse a naturalidade. Suzana foi muito rigorosa comigo, eu chorava muito”.

Enquanto o resto do elenco – o velho amigo José Dumont, Fernanda Montenegro, Tamara Taxman, Denoy de Oliveira – foi hospedado em um hotel, Marcélia ficou isolada em um quarto na produtora. “Ninguém podia falar comigo, me tocar. No set, eu tinha que ficar em uma cadeira, voltada para a parede! Tudo pra eu não perder a brejeirice”, conta.

Depois de um mês de ensaios, o filme foi rodado quase sempre com a primeira tomada valendo. E, mesmo com a preservação a que foi submetida, Marcélia teve a experiência de contracenar com atores tarimbados como Fernanda Montenegro e Tamara Taxman – e elas eram as coadjuvantes, Marcélia, a atriz principal! Fernanda na semana final das filmagens. “Ela entrava e ia logo decorar o texto”, conta a paraibana. “Com Tamara e Zé houve mais amizade. Zé acompanhava o Terra há três anos e me ajudou muito. Tudo o que eu queria saber sobre contratos, curiosidades e dúvidas que eu tinha, podia conversar com ele”.

Depois de pro nto, a primeira parada de A Hora da Estrela foi o Festival de Brasília, no final de 1985. Foram 12 prêmios, incluindo filme, atriz, para Marcélia, e ator, para José Dumont. Em fevereiro de 1986, foi a vez do Festival de Berlim. Marcélia teve que conseguir dinheiro e roupas para enfrentar o frio da Europa. “Meus sapatos eram uma bota de sete léguas várias meias, porque diziam que lá nevava”, diz.

Lá, teve mais problemas. “O filme passava no segundo dia. No dia da exibição, resolvemos ir de ônibus do hotel para o cinema. Aí, fui agredida no ônibus por um homem, que ficou me batendo. Depois que ele desceu, soubemos que era um neurótico de guerra que achou que eu era judia”, lembra. Depois da exibição, o público alemão na rua a confundia, mas com a própria Macabéa – tal foi a repercussão de seu trabalho.”Eu só podia ficar seis dias e o cônsul perguntou se a gente precisava de alguma coisa. Eu disse: ‘Quero ficar até o fim do festival’”.

No dia da premiação, Marcélia estava hospeada na casa de uma brasileira. Suzana, que estava no hotel, a chamou. “Ela me disse: ‘Marcélia, senta aí”. A diretora revelou que A Hora da Estrela ganhou três prêmios: o prêmio Ocic (da Organisation Catholique Internationale du Cinéma et de l’Audiovisuel), o prêmio Cicae (da Confédération Internationale des Cinémas d’Art et d’Essai Européens) e o de melhor atriz.

O prêmio, que mesmo com a repercussão ninguém espwerava, foi dividido com a francesa Charlotte Valandrey, por Rouge Baiser, e entregue por Gina Lollobrigida, presidente do júri. “Ela disse que ficou muito chocada com o filme e perguntou se aquilo existia mesmo no Brasil. E eu respondi que haviam centenas de Macabéas em São Paulo”, conta Marcélia.

Na volta ao Brasil, ainda houve a emoção da primeira exibição em Cajazeiras – que, na época, tinha três cinemas. “Até hoje celebra m isso na cidade”, diz. “Sempre que vou lá, me tratam como se eu fosse a filha mais ilustre”. Marcélia Cartaxo virou uma celebridade e o Fantástico foi à cidade do sertão paraibano para uma matéria com ela. A inexperiência dela e dos outros integrantes do Grupo Terra levou, no entanto, a uma cisão. “Eles ficaram cinco anos sem falar comigo”, revela a atriz. “Foi Luiz Carlos que nos reaproximou”.

LUIZ GONZAGA "O REI DO BAIÃO"

Sua importância sociológica para o Nordeste brasileiro


Maciel Gonzaga*

Maciel Gonzaga
Vinte e dois anos depois de sua morte, a obra de Luiz Gonzaga continua cada vez mais popular, e o mito cada vez maior. Não apenas sua caudalosa obra continua constantemente sendo regravada, como também academicamente dissecada, exercendo uma influência absoluta sobre a cultura nordestina, por ter sido o catalisadora de um povo altamente religioso e carente de exemplos positivos a serem seguidos. Sua música não é tradicional apenas, mas moderna. Gonzagão levou o rural para o urbano, foi um tradutor, no sentido etimológico da palavra, que significa transportar.

Inegavelmente, outra grande importância de Luiz Gonzaga foi ter reinventado o Nordeste, acabando com aquela imagem do sertanejo como uma espécie de Jeca Tatu. Ele se utilizou da figura de cangaceiro que, com a música, fez com que se tivesse outra imagem do nordestino.

Analisarmos as canções de Luiz Gonzaga como fontes reveladoras de dinâmicas sociais é uma proposta que surge alicerçada pelas mudanças ocorridas nas novas dinâmicas do fazer historiográfico, que cada vez mais tem multiplicado seu campo de estudo, com isso apostando na diversificação dos objetos e incorporado novas linguagens, abrindo assim possibilidades de comunicação com outras áreas do conhecimento como a sociologia, a antropologia, o direito, etc.

Em 1968, Luiz Gonzaga, em parceria com o mestre Luiz Queiroga, lança no LP "Canaã" uma música que recebe o titulo de "Nordeste pra Frente", objeto de análise a partir de agora neste artigo:
Sr. réporter já que tá me entrevistando
vá anotando pra botar no seu jornal
que meu Nordeste tá mudado
publique isso pra ficar documentado.

No refrão, Gonzaga concita a grande mídia para, por seu intermédio, entender o Nordeste brasileiro até então visto como um lugar atrasado, enquanto o resto do país encontrava-se em pleno desenvolvimento industrial. E só ele - Gonzagão - era o nosso representante no Sudeste do país em condições de provocar a mídia a uma mudança de comportamento em relação a nossa região, sofrida, mas valente, que também almejava o progresso.

Qualquer mocinha hoje veste mini-saia
já tem homem com cabelo crescidinho.
O lambe-lambe no sertão já usa flashe
carro de praça cobra pelo reloginho.

Mostra o Rei do Baião para o Brasil, que a mini-saia não era exclusividade do Rio e São Paulo. A onda dos cabelos longos trazida pelos Beatles e a Jovem Guarda estava disseminada entre nós. Eu mesmo, naquela época, já usava cabelos logos. O lambe-lambe tão comum nas praças das cidades era substituído por modernas casas de fotografia, com maquias de última geração. Os veículos de praça começavam a cobrar pelo taxímetro. Agora vem o mais importante:

Caruaru tem sua universidade
Campina Grande tem até televisão.
Jaboatão fabrica Jipe à vontade
Lá de Natal já tá subindo foguetão.

Lá em Sergipe o petróleo tá jorrando
em Alagoas se cavarem vai jorrar.
Publiquem isso que eu estou lhe afirmando
o meu Nordeste dessa vez vai disparar.

Em 1959, a Associação Caruaruense de Ensino Superior, mantenedora da Faculdade ASCES, faz a implantação dos inéditos cursos de Direito e de Odontologia. Surgia na época, as primeiras faculdades do interior do Norte e Nordeste do Brasil.

Em 1966, Campina Grande foi a primeira cidade do interior do Norte/Nordeste a possuir emissora de televisão - a TV Borborema - ao contrário de outros estados, em que as primeiras emissoras foram instaladas nas capitais (TVs Itapoan, em Salvador; TV Jornal do Comércio e TV Rádio Clube, em Recife.

Também, em 1966, a Willys Overlad do Brasil passa a fabricar o Jeep Willys (apelidado no Nordeste de "Chapéu de Couro") na cidade de Jaboatão-PE, onde estava a primeira fábrica de automóveis do Nordeste, a Willys-Nordeste, que também fabricou a Rural e Pick-up Jeep.

Ao se referir a "foguetão" lançado em Natal, Gonzagão falava na verdade do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), uma base da Força Aérea Brasileira (FAB) para lançamentos de foguetes fundada em 1965 na capital do Rio Grande do Norte, a primeira base aérea de foguetes da América do Sul.

Em 1967, acontece a primeira descoberta de petróleo no mar pela Petrobrás, no campo de Guaricema e, posteriormente, petróleo em terra, na região de Carmopólis, no Estado de Sergipe, poços que continuam produzindo gás nos dias atuais, um avanço significativo para a economia da região. Ressalte-se que anos depois a Petrobrás descobriu campos de petróleos em outros estados nordestino. Gonzagão já previa: "se cavarem vai jorrar".

Diante de tudo isso que analisamos, só podemos afirmar sem nenhuma contestação de que Luiz Gonzaga teve a importância sociológica de ser ícone para o Nordeste porque se dedicou durante toda a vida ao trabalho de cantar com simplicidade as coisas típicas da nossa região. Sua obra é tão grande que é maior do que o próprio Nordeste.

*Jornalista, Advogado e Professor. Natal – RN.