CLEMILDO BRUNET DE SÁ

INUSITADO, MAS VERDADEIRO

Onaldo Queiroga
Existem histórias e estórias. Há também situações que possuem aspectos inusitados e que terminam por criar uma fumaça de dúvidas sobre se os fatos são verdadeiros, mentirosos ou até mesmo fruto de loucura.

Imaginem que uma paciente que estava internada no Hospital Psiquiátrico São Pedro, situado na Avenida Epitácio Pessoa, na cidade de João Pessoa, um dos mais movimentados da capital paraibana, recebera alta, isto num dia de sábado, no período da manhã. Pois bem, tão logo saiu do nosocômio, resolveu ir para casa e, para tanto, teve que atravessar a congestionada avenida até a parada de ônibus do outro lado, a fim de pegar um coletivo.

Para a surpresa do médico que lhe dera alta, o paciente, cinco minutos depois, retorna para o interior do hospital, repleto de escoriações e coberto de sangue. O esculápio, aflito, olhou para o paciente e indagou: O que foi isso? O Paciente, por sua vez, gritando, disse: “Fui atropelado por uma lancha!!!”. O médico colocou as mãos na cabeça e exclamou: Interna que ele tá doido de vez. Surpreeendentemente, algumas pessoas que socorreram a vítima, dentre elas o responsável pelo atropelamento, logo trataram de confirmar que realmente o paciente havia sido atropelado por uma lancha. O médico ficou curioso.

O fato é que, quando o paciente saiu do hospital, ficou na calçada esperando diminuir um pouco o trânsito. Passados alguns minutos, e quando o tráfego acalmou, então, resolveu atravessar a avenida Epitácio Pessoa, iniciando assim a percorrer a primeira faixa da avenida. Nesse momento, um veículo trafegava na terceira faixa, sentido centro/praia, o qual rebocava uma lancha. Acontece, porém, que a referida lancha soltou-se do reboque, caindo no asfalto, e, ganhando velocidade, foi em direção ao paciente, chocando-se com ele.

A situação é inusitada, sem dúvida, mas é verdadeira, aconteceu e eu sei quem dirigia o veículo que rebocava a sinistra lancha. Agora, considerando que o atropelado era uma paciente psiquiátrico, então, num primeiro momento, é de se colocar dúvida sobre a veracidade do acontecido.

A situação é tão peculiar, estranha e inusitada que nos faz crer que tudo não passa de uma grande mentira, uma piada, ou mesmo, uma boa estória afeita àqueles que costumam contar causos.

Por isso, é importante nunca fazermos avaliações precipitadas, devemos sempre ouvir com calma e paciência aquilo que nos chega aos ouvidos, checando a veracidade, para, assim, emitirmos nossa conclusão.

Onaldo Queiroga – Juiz de Direito

HOMENAGEM AO ESCRITOR BRASILEIRO

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Quão bela é a arte de escrever. Aquele que se dedica a esse ofício na verdade o faz por amor. Eu costumo comparar o escritor com as pessoas que gostam de ler, se não tiverem aplicação a leitura jamais terão conhecimento. Mesmo assim é o escritor, se não houver interesse em esmerar-se um pouco mais para escrever, jamais desenvolverá sua habilidade nessa área. Quem ler aprende e quem escreve tem também de aplicar-se a leitura e obter conhecimentos, tanto nas obras da literatura propriamente dita como nas de conhecimentos científicos.

Há um vasto universo de riqueza literária a ser explorado, como também existe o escritor que na sua visão começa desde cedo a dedicar-se a cada tipo de literatura, pois, por serem muitas, elas podem se dividir em textos científicos, que comprovam as teorias, bem como em textos literários tais como: Romance, comédia, suspense, poemas, poesias, biografias, músicas, novelas, obras de arte, literatura de cordel, histórias infantis, histórias em quadrinhos, cinema dentre outras.

João Peregrino Junior
A homenagem ao escritor da nossa amada pátria se deu por volta dos anos 60, por iniciativa de João Peregrino Júnior e Jorge Amado, quando foi realizado o Primeiro Festival do Escritor Brasileiro, organizado pela União Brasileira de Escritores, pois ambos eram Presidente e Vice Presidente, respectivamente, tendo sido escolhido o dia 25 de julho para homenagear nacionalmente o escritor brasileiro.

O avanço tecnológico com o advento cibernético tem arrefecido um pouco o trabalho dos nossos escritores, porque em razão do mundo virtual, tanto crianças como adultos têm perdido o contato com os livros, por os mesmos estarem ocupando o tempo, em grande parte, no computador ou na televisão. Muitos escritores brasileiros encontram dificuldades para publicar suas obras. Por esse motivo muitos outros se descuidaram na publicação de seus textos deixando de primar pela qualidade do que escrevem, haja vista que muitas dessas obras são transcritas de modo gratuito via online na rede mundial de computadores (Internet).

Jorge Amado
Há dez anos, já naquele tempo quando tínhamos um número reduzido de computadores nos lares, foi constatado por uma pesquisa feita pela Câmara Brasileira da Indústria do Livro, comprovando que cerca de 61% dos adultos alfabetizados do país mantinham pouco contatos com os livros, enquanto que a camada mais baixa da população, cerca de seis milhões e meio de pessoas, alegavam não ter condições de adquirir livros.

Nos dias atuais em nosso Brasil existem mais de trinta projetos de incentivo à leitura de livros, além de bibliotecas públicas com acervos bibliográficos; sendo o PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura) o mais importante, oferencendo apoio aos escritores, defendendo seus direitos autorais, abonando o apoio as publicações de novos autores, investindo em traduções, mantendo premiações e bolsas de incentivos.

Ai de nós se não fossem os nossos escritores, pois como teríamos o conhecimento da nossa história do passado, do nosso cotidiano e de tantas belezas das nossas vegetações, rios, mares, serras e planicies que são decantados em versos, poemas, poesias e canto? Por estas e outras razões presto minha homenagem aos nossos escritores, pois dos seus escritos é que extraímos as lições mais belas da vida.

Nossos aplausos aos escritores brasileiros, salve pois a data de 25 de julho, dedicada em sua homenagem!

Pombal, quinta feira, 28/07/2011

*RADIALISTA

IPB DE POMBAL-PB, COMEMORA 71 ANOS COM ATIVIDADES NOS DIAS 05, 06 e 07 DE AGOSTO!

Rev. Eugenio, IPB Pombal e Pres POPB
Recebemos dos Reverendos Eugenio Honfi Neto e José André Silva, Cartaz e convite, respectivamente, alusivos às atividades de aniversário de 71 anos da Igreja Presbiteriana de Pombal e 152 anos da IPB.

O evento contará com as presenças dos Reverendos Roberto Brasileiro, Presidente do Supremo Concílio da IPB e Salvador Pereira, Presidente do Sínodo da Paraíba.

Na oportunidade a Confederação Sinodal Paraíba do Trabalho Masculino estará reunindo sua direção com os dirigentes da Federação Oeste e os presidentes das UPH’s do sertão paraibano.
C O N V I T E

De ordem do Presidente do Sínodo da Paraíba, Rev. José Salvador Pereira, convido os PRESBITÉRIOS jurisdicionados pelo SPB, para participarem das solenidades alusivas aos 71 anos da Igreja Presbiteriana de Pombal-PB, bem como pelos 152 anos da Igreja Presbiteriana do Brasil, através de Cultos Solenes, com a presença do Presidente do S/C da IPB o Rev. Roberto Brasileiro, conforme programação a seguir:

Dia 05 – Culto em Ações de Graças pelos 71 anos da IPB/Pombal, 19:30h. Preletor: Rev. Roberto Brasileiro.

Dia 06 – Reunião da CE-SPB e lideranças (local e estadual) com o Rev. Roberto Brasileiro, 15:00h.

Culto em Ações de Graças pelos 152 anos da IPB, 18:30h. Preletor: Rev. Roberto Brasileiro.

Dia 07 – Culto de Ações de Graças pelos 71 anos da IPB/Pombal, 18:30h. Preletor: Re. José Salvador.

Em Cristo,

Picuí – PB, 27 de julho de 2011.

Rev. JOSÉ ANDRÉ SILVA

Secretário Executivo do SPB

INESQUECÍVEIS ANOS DOURADOS I

 – Que tempo bom.

Prof. F. Vieira
Prof. Francisco Vieira*

Hoje, num simples relance, agucei o pensamento e retroagi no tempo. Vasculhando a memória já desgastada trouxe à tona lembranças juventude. É um período senão eterno, porém marcante. Seus acontecimentos são por demais relevantes para serem facilmente esquecidos. Nem mesmo o destino inexorável consegue subtrair da nossa memória os fatos que nos fizeram felizes.

Por convicção estamos ligados ao passado que construímos. É que o homem faz sua história e dela não se desvencilha. Ninguém consegue se divorciar daquilo que ama – as origens. São raízes para as quais volvemos nossos pensamentos com ares de saudades. Embora pareçam distantes os fatos permanecem vivos e bem lembrados. Parece até que o passado foi ontem. Se numa época remota ou recente, não importa, o que interessa é a felicidade vivida.

A propósito, ante a impossibilidade de reviver o passado na prática, o faço na recordação. Num arrebatamento espontâneo do espírito contemplo os fatos que caminham passo a passo comigo. Não me largam um só instante. Nesse retrocesso as lembranças se voltam para os ANOS DOURADOS nas décadas de 50 e 60 ou até mesmo 70, para ser mais exato. Meu intuito não é outro senão resgatar os fatos com fim exclusivamente histórico, para relembrar aos antigos e revelar aos moços.

OS ANOS DOURADOS constituem uma época com características bem definidas. Foi um período ímpar, marcado por grandes acontecimentos nas diversas áreas de atividades. Quer no campo científico, tecnológico, político ou cultural, tudo afetou o comportamento humano, principalmente os mais jovens. No Brasil o movimento teve grande influência tornando-se inclusive tema de minissérie protagonizada em 1968, pela Rede Globo e abertura sonora – somente instrumental – de Tom Jobim e Chico Buarque.

Os acontecimentos foram inúmeros, cada um com sua importância e conseqüência. Enumerá-los é impossível...

Os meios de comunicação eram escassos. Era difícil – quase impossível – estar em dia com as notícias que chegavam pela Rádio Tupi do Rio, Sociedade da Bahia e Clube de Pernambuco – as mais potentes – ou pelas revistas O Cruzeiro, Manchete e Fatos e Fotos. Sem saber Veríssimo Lacerda e o mudo de João Martins deram uma grande contribuição a Pombal nesse sentido.

Jornal era outra raridade. Ao nosso alcance apenas A União, O Norte, Correio da Paraíba e Diário da Borborema que chegavam – às vezes atrasados – pela Viação Gaivota ou Andorinha. Qualquer acontecimento extra – exceto para os assinantes – era motivo de aglomeração disputando um exemplar no hotel de Chico Caetano. Contudo, era o suficiente para saber o que ocorria pelo mundo.

Sem um esboço cronológico dos acontecimentos, soubemos que a União Soviética lançara o SPUTINIK II, colocando em órbita a cadela Laika, primeiro ser vivo a percorrer o espaço sideral. Que Elizabeth II, se tornara Rainha da Inglaterra e a Argentina vivia a queda de Juan Perón.

No campo da política internacional, os países capitalistas e socialistas intensificavam os conflitos estabelecendo a Guerra Fria na luta pelo poder. Vieram as guerras da Coréia, Vietnã e Revolução Cubana, enquanto o povo brasileiro amargava a perda da Copa de 50, em sua própria casa - recompensada com as conquistas de 58 e 62 - e o trauma pelo suposto suicídio de Getúlio Vargas, fato ainda não esclarecido. Como alento ocorreu depois à eleição de Juscelino Kubistchek, Presidente mais popular do país até então. Veio em seguida a Bienal da Arte, criação da Petrobrás, da televisão, entre outros fatos importantes.
Que em fins de 50 surgiram Os Beatles e ao lado de Elvis Presley revolucionaram o mundo, enquanto no Brasil nascia a BOSSA NOVA com Jobim, João Gilberto e Vinícius, seguido pelo Tropicalismo. Que o rock inspirou a Jovem Guarda, movimento composto de música, comportamento e moda. Rapazes usavam cabelos longos e vestiam blusões de couro e calças jeans ajustadas, em motocicletas ou lambretas. As moças tinham cabelos bem armados com laquê. A maquiagem que era essencial, além dos cílios postiços enfocando os olhos o batom dava um toque especial. O traje se completava com saias rodadas tipo minissaia exibindo pernas torneadas. Era um misto de rebeldia e ingenuidade; ou ainda a manifestação de independência em oposição à sociedade conservadora da época, expressada pela descoberta da sexualidade. Costumes que segundo os antigos contrariavam os princípios da moralidade. A música, o cinema e o teatro se tornaram instrumentos poderosos, utilizados como meios de protestos aos regimes políticos repressores e ditatoriais.

Pombal, também viveu esse período, se não tão intenso, foi o suficiente para mudar a vida da população. As músicas embalando as noites de festas nos clubes eram recheadas de romantismo, inspiradas no amor e sem palavras indecentes. Algumas são ainda lembradas, outras caíram no mar do esquecimento ou cederam lugar as atuais, fruto do colóquio da mídia insana que macula a nossa cultura musical.

Namorar era atrair alguém para si. Um sentimento ingênuo onde os beijos ás vezes eram dados sem saber beijar. Os “amassos” eram trocas de carícias de mãos ousadas à procura de algo proibido. Se errarmos, foi pelo vigor da idade e nossos deslizes jamais serão comparados aos vícios atuais dominantes. Éramos felizes.

Relembro que a dança era mais que um movimento sincronizado de corpos, ritmos, romantismo e arte. Nos clubes da cidade ao som dos Águias se dançava variados ritmos: samba, bolero, rock, twist, etc. Sempre agarradinhos e rostos colados, no mínimo de espaço possível se dançava e jurava amor sincero. Correspondido ou não, era emocionante dizer baixinho, sussurrar: eu te amo.

Como que mudando o significado das coisas, deu-se o nome de “assustado” as festas dançantes em casa de amigos, ao som de radiolas portáteis Philips, movidas a pilhas e adquiridas mediante rateio dos interessados. Como todo político que se preza, Expedito Lacerda “Dito” e Pretinho Gomes, líderes estudantis, angariavam votos na luta pelo Grêmio Literário e UESI – União dos Estudantis Secundários do Interior do extinto Ginásio Diocesano de Pombal.

A moda chagava da capital através dos estudantes, trazidas por Solidon, Redmar, José Luis – O Pequeno Burguês – e Hermínio Neto que desfilava em seu Karmann Ghia, causa da atenção de todos e inveja de alguns. O ponto da moda era A Camisaria Ideal ou Gouveia e A Calçadeira. Era a moda atualizada e a certeza dos últimos lançamentos.

Mesmo sem haver loja de disco a cidade mantinha uma boa discoteca, destacando-se as do Cine Lux, Lord Amplificador e D. Azuila, cujos discos tipo vinil eram adquiridos por encomenda. Enquanto isso surgiram os meios de comunicação: “A Voz da Cidade” e “Lord Amplificador”, nos quais o jovem Clemildo Brunet já despontara manifestando talento e vocação, mostrando que: “o espinho de pequeno traz a ponta” . Na onda, ambas apresentavam programas para todos os gostos, desde os românticos até a Jovem Guarda, sempre patrocinados pelas Lojas Paulista, Café Dácio, Império das Novidades, Macarrão Martoci, Padaria Vitória, A Triunfante, etc.

Inúmeros são os fatos que fizeram dos Anos Dourados um período inesquecível. As referências citadas são partes de um passado memorável, vivido por uma geração ingênua e irreverente, conservadora, porém independente, criativa, alegre, romântica e amável.

Consciente de que cada geração tem uma mentalidade, respeito a todas, não desmereço nenhuma. Contudo, ouso dizer: nada melhor que OS INESQUECÍVEIS ANOS DOURADOS.

Pombal, 23 de julho de 2011.

*Pombalense, Educador, ex-diretor da Escola Estadual “João da Mata” e Ex-secretário de Administração do Município de Pombal.

JERDIVAN E A SAGA DE MARINGÁ

W.J. Solha
W. J. Solha*

Quando, no final do ano passado, eu era pernambucano, residia num apartamento de cobertura do bairro de Setúbal - do qual era dono, lá no Recife - construído por mim num mangue que ganhara no pôquer, tive a surpresa de, não mais que de repente, num sonho de meu neto, me ver proveniente de um engenho meu, esquisitíssimo - no município de Bonito, numa parte muito alta e fria do interior do estado vizinho – chamado... Pombal. “Caramba – pensei – Isto é, para mim, uma sina!’

Era o primeiro longa-metragem de Kléber Mendonça Filho, “O Som ao Redor”, com estreia ainda não anunciada.

Pois bem. Participei, depois, de outro longa, esse o terceiro de Marcelo Gomes – “Era uma vez Verônica” – e, na última semana desse filme, fui convidado pra ser um tal de Coronel João, no primeiro curta-metragem de ficção de Laércio Ferreira – filme chamado “Antoninha” - rodado lá no sítio Acauã, município de Aparecida.

- Esse Coronel não tem sobrenome, Laércio? – perguntei-lhe, antes de começarmos a filmar.

- Você acha necessário?

- Daria maior peso ao personagem.

- Tem razão.

- Posso sugerir qual seria?

- Claro.

- Bezerra Wanderley. Homenagem ao meu amigo Dr. Atêncio Bezerra Wanderley, lá de Pombal.

- Ótimo! – ele disse - Meu pai tem verdadeira veneração pela memória dele!

Ali estava o peso de Pombal, de novo!

“Antoninha” teve sua estreia no dia 16 próximo passado.

E de repente, ontem à noite, 21 de julho de 2011, o Jerdivan (Nóbrega de Araújo) me entrega um exemplar de seu mais recente trabalho, “A Saga da Cabocla Maringá”, e começo a lê-lo imediatamente. Meu deus, lá está Pombal mais uma vez, com sua presença mágica, recriada por uma pessoa que a reverencia tanto ou mais que eu. Li o romance numa sentada. Por que? Porque é uma ideia que não sei como não foi aproveitada em todos esses anos!!! Caramba: Maringá é nome nacional! Eu mesmo escolhi a cidade em que trabalharia no Banco do Brasil, em 1962, porque imediatamente o nome dela – ao me ser submetida a escolha do destino que tomaria no BB – lembrou-me a famosíssima canção que falava de uma cabocla retirante da cidade de Pombal e eu disse, mostrando-a no mapa do Brasil que havia no setor de funcionalismo da Direção Geral do banco, que ficava no Rio, na época: “Aqui!”

Maringá é a Gabriela que Jorge Amado disse ter “sugado” da Soledade de “A Bagaceira” do José Américo, que deve tê-la “sugado” de Maringá!

Como foi que eu e o Zé Bezerra vivemos oito anos na cidade e não fizemos o primeiro longa-metragem de ficção, em 35 mm, do estado, sobre ela?!!!!

Bem. e eis aí o Jerdivan com seu romance sobre essa magnífica fêmea – vida - que irrompe da seca - Morte!

Sou suspeito pra falar sobre o livro, porque tenho enorme reverência por Pombal. Mas deleitou-me ver o autor deitar e rolar sobre a caatinga como quem a conhece mais até do que a conheci como chefe da Carteira Agrícola do BB durante quatro anos, em Pombal! Deleitou-me ver o autor deitar e rolar sobre os mesmos retirantes que me forçaram a fechar a agência do BB, como subgerente, a uma invasão deles, na cidade sertaneja, nos anos 60! Os mesmos retirantes de Portinari (que vi pela primeira vez aos onze anos, no MASP, 1952, no Museu de Arte de São Paulo, ainda na Rua 7 de Abril, milênios antes de se mudar pra Avenida Paulista ), os mesmos retirantes do “Vidas Secas” do Graciliano e do filme do Nelson Pereira dos Santos, os mesmos retirantes de “Os Fuzis”, do Ruy Guerra, de “O Deus e o Diabo na Terra do Sol”, do Glauber !!!
Jerdivan fica na história de Pombal e da Paraíba com esse romance! Pelo tema e pela maneira como trabalha com ele! Pelos personagens vivos, como a própria Maringá – como seus pais, seu irmão (que nem aparece em carne e osso no livro) - como também pelo seu amado Ruy, pela empregada dele, Maria Preta, pelo Padre Amâncio e tantos outros!

Há defeitos na obra? A Perfeição não existe! Força é reconhecer que alguma coisa importante foi feita!

*Escritor, Dramaturgo e Ator.

EXALTANDO EM POESIA, A POMBAL QUE A GENTE VIU!

A Pombal que a gente viu


Jerdivan Nóbrega de Araújo*


A Pombal que a gente viu
Corre, ruas quentes pés descalços,
Dentro de nós moleques, Quebra Queixo e Pirulito.

A Pombal que a gente viu desce rio a baixo
rua de baixo, ingazeiras debruçadas, beira do rio.

A Pombal que a gente viu são praças longas

Bar Centenário, sorveteria de Bernardo.
Eram pessoas, estória e histórias contadas,
Nas sombras das algarobas.
Eram loucos acordados cedo da noite
Correndo pela Rua Padre Amâncio Leite.

Chico Leonídes e João Lindolfo vendendo leite.
Eram os foguetões de seu Inácio
Clareando a noite e as ironias de Pedro Corisco
Provocando risos.
- Peripécia de Cícero de Bembém, também...

A Pombal que a gente viu eram jerimuns

Maxixes e Quiabos
Nascidos monturo aberto, animal solto
Nas praças feito gente.
Era Melão-de-São-Caetano, buchas e cabacinhas
As margens da cerca do capinzal de Delmiro Inácio.

Casa de seu Joaquim, casa de dona Nóca,
De dona Porcina, Zé Martins, Natércio,
Dona Raimunda na renda,
Oiticica de Mila e o corredor estreito do rio.

“Négo” Cândido mascando fumo, Pão com creme na
bodega de Toinho.
Maria e Severino Pedro, mãe Lourdes, estudantes
Da Escola Normal, Ana no cavalinho de goma,
Rua do comércio.

Eram negros malungos nos Pontões, Reisados e Congos.
Cordão Encarnado, Cordão Azul e os filhos de Zé de Bú...

A Pombal que a gente viu são lembranças levadas

pela estrada de ferro à Rua do Guindaste,
Pereiro, Cruz da Menina e o Rói Couro.

A Pombal que a gente viu era casamento fugido

Namoro proibido, Jeep chegando,
Noivo dizendo sim,
Padre Gualberto casando.

Bar de Maria de Biró, Zuca fabricando móveis
Zuza realizando bingos, seu Lau fabricando lamparinas,
Bicho no cambista, crediário nas Lojas Paulistas.
Zé do Bigodão a Rua Estreita de saudades ilumina.

Corredor do rio, Xiquexique, Araçá, Areal.

A Pombal que a gente viu era lanterna ofuscante de Galdino,

Música boa, Lord amplicador, Cine Lux,
Clemildo, recado, convite enterro.

Ribinha na bicicleta por entre as panelas de Jubinha
malabarismos, bola de meia sirene anunciando onze e meia.
Bronze da Matriz, Riacho do Bode, pedra do sino.

Era Leó na objetiva, Sôlha sempre com
Um objetivo, lendo de tudo.

Era fogo, é salário pago com vida.
É discurso longo de professor Arlindo na procissão,
Eram promessas pagas, Rosário na mão.
Cachimbo Eterno, Cacete armado, Nova Vida, Os Daniel
No alto do Cruzeiro
Rua do comercio e as mulheres fuxicando nos terreiros.

Era Ticho partindo pra São Paulo,
Era Maloura no parto, Zé Cabeção e Bico Doce
Esperando que eu parta.
Agnelo era zagueiro, “Négo” Adelson Goleiro.
Noé e Zezinho eram sapateiros e Bihino cachaceiro.

A Pombal que a gente viu são lembranças

Gostosas presentes nas sombras das oiticicas,
Arrubacão e cachaça na beira do rio, tapioca de Xica Pavi.
Cadeia antiga: prisão de sonhos e velhas lembranças.
Coluna da Hora não deixa o tempo ir.

Banca de Revista do ‘Escurinho”, álbum bom de colecionar.
Igreja do Rosário, jogo de bola de meia ou cabeça de calunga.
Era o Avelozsão, era o São Cristóvão entrando em campo,
São os que já saíram de campo...

Era a usina beneficiando algodão
Era a Oiticica beneficiando a cidade.
O apito da fábrica e a fumaça escura da chaminé
Irritando nossa inocência.

Era a SEDE e o Pombal Ideal Clube.
A Pombal que a gente viu era filme reprisado.
Era recado enviado à namorada
Pelas difusoras do Parque Maia.

Era camisa boluon e voltomundo, Lojas Paulistas.
Anita nas orelhas, Professor Guimarães na palmatória.
Eram todos, a sua maneira, fazendo história.
Era Godôr , Pedro Jáques e Zé Capitula.

Dobrados rompendo as madrugadas,
Zé Vicente na Tuba, Eliseu, maestria de mestre, batuta sem igual.
Reizinho vendendo cal, barraca de Zé de Lau.
Barbearia de Nouvino, João Terto e Antônio
Guerra e todos que contemplaram a cidade que
Nasce por entre as serras.

Esse tal de lembrança que vem, teclas abertas que sangram
Imagens vividas, que machucam na volta, que ferem feito espinho pontiagudo no peito,
e reprisa em nossas mentes os acontecimentos.
Trazendo de volta às ruas de Pombal o nosso irmão que partiu.

É coisa de mais valor que se tem!
É maior das invenções, luz que brilha de mais.
E ao mesmo tempo é sol a se apagar na eternidade
Escondendo de nós a velha cidade.

*Poeta e Escritor pombalense

O SILÊNCIO DA ALEGRIA


Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*
Tantas guerras, desencontros, violência, fome, desamor e incredulidade. Qual o remédio para tanto sofrimento? Na nossa visão, a resposta está na alegria, uma nascente perene do humor, esse estado de ânimo que nos impulsiona na vida, regulando a nossa saúde física e espiritual.

Os humoristas, com suas charges, piadas e vídeos engraçados, contagiam os ambientes por onde passam. Com o vento cortante do humor, aniquilam a tristeza, fazem gracejos, pilhérias e, com seus trejeitos, divertem o público. Palhaços de ontem, humoristas de hoje, são todos seres que plantam alegria, colhem sorrisos e disseminam a felicidade.

Altos, pequenos, gordos e magros, todos espalham o riso. É a medicina humoral dos antigos Gregos que ainda funciona em pleno Século XXI. Quando estamos tristes, cabisbaixos, acometidos de uma macacoa, não há remédio melhor do que um show de humor. O espírito relaxa diante do intenso movimento físico e espiritual provocado pelas risadas e gargalhadas, que, inclusive, chegam até a transbordar lágrimas que rolam pelo rosto da felicidade.

São poucos os humoristas para alcançar uma legião de seres marcados pelo desencanto de um mundo tão materialista. Desses poucos, há um de quem não podemos esquecer. Ele nasceu das águas do açude de Coremas. O pequeno notável se fez forte como as águas da sua terra. Deixou o sertão e, sob os ares frios da Serra, instalou-se na Campina, aquela dos antigos tropeiros, a Grande Rainha da Borborema.

O tempo foi passando e o menino de Coremas, nas páginas do Jornal “A Palavra”, desenhou o humor através de suas charges. Depois vieram a 9-Idéia, as emissoras de rádio, o teatro e a televisão. O pequeno sertanejo, numa boa invernada, deixou o seu humor transpor paredes e seguir o curso do rio da alegria. Suas águas, denominadas “sorrisos”, desaguaram no Domingão do Faustão, na Praça é Nossa, no Show do Tom, até perceber que “Tudo é Possível”.

No palco, Leonardo, Joelma, Zezé de Camargo e até o próprio Luiz Gonzaga, imitações que levam o público ao delírio. Seu humor é singular, contagiante. Foi através de um amigo comum, Alessandro Bonfim, que conheci esse pequeno e extraordinário Shaolin.

Na China, os Templos Shaolin reúnem grupos de mosteiros budistas e também significam “Floresta Jovem”. Na nossa pequena Paraíba, Shaolin é símbolo da alegria, da força, da coragem, do amor, da fé e da esperança, esperança que se renova minuto a minuto, no sentido de que o silêncio da alegria seja quebrado e volte aos palcos o sorriso festivo daquele irrequieto filho de Coremas.

Nos braços da sua amada Laudiceia e demais familiares, a floresta do humor se faz jovem novamente e logo mais escreverá mais uma página para alegrar os brasileiros.
Um abraço, Shaolin. Que Deus continue a te guiar.

*Pombalense, Juiz de Direito da 5° Vara Cível da Capital da Paraíba

AMO POMBAL, MINHA CIDADE!


Clemildo Brunet
 
CLEMILDO BRUNET*
Quando o Jornalista e Escritor Evandro Nóbrega compareceu a uma Sessão da Câmara Municipal de Pombal, convidado para prestar esclarecimento de uma nota em sua Coluna no Jornal ‘O Norte’ com afirmação de que Pombal estava comemorando erradamente sua data de emancipação política; disse o notável colunista ao esclarecer o que escrevera: “É melhor comemorar os 230 anos da emancipação ou comemorar 140 do status de cidade”? Insistia o orador que cabia aos pombalenses decidir. Para ele era preferível ficar com a data mais antiga acrescentando que, “Cidade é como vinho e amizade: quanto mais velha, melhor”.

Quando se pensava que pombal comemorava a data de elevação de Vila a status de cidade como se fosse a de sua independência política, eis que surge uma luz no fim do túnel para esclarecer que Pombal tinha 90 anos a mais, somando quase um século em sua história, que jamais poderia ser desperdiçado ou desprezado. Neste caso, não se trata de mudança de data, e sim de acontecimentos distintos que se deram em determinadas épocas, comprovadas documentalmente pelas pesquisas do historiador pombalense Wilson Nóbrega Seixas.

Veja-se bem: Ninguém estar alterando data histórica alguma. Essas datas históricas básicas não mudam como bem disse Evandro Nóbrega, permanecem as mesmas, e são elas as seguintes, bem assentadas pela documentação largamente conhecida dos historiadores portugueses e brasileiros, inclusive e sobejamente por Wilson Nóbrega Seixas:

22 de julho de 1766 = Carta régia de dom josé I, rei de Portugal, autorizando a ereção de Vilas em Pernambuco, Parahyba, Rio Grande do norte etc.

04 de maio de 1772 = a povoação ou arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó, na Ribeira do Piranhas, é ereta (ou erecta ou eregida) em Vila Nova de Pombal ou, simplesmente, Vila de Pombal (mas já com autonomia municipal ou emancipação política!).

21 de julho de 1862 = elevação da Vila de pombal a condição de cidade. (data erroneamente até agora comemorada como a da autonomia municipal ou emancipação política).

Portanto, em 04 de maio deste ano, Pombal comemorou 239 anos de emancipação política ou de autonomia municipal e do mesmo modo sua Câmara de Vereadores 239 anos de existência. Essa descoberta fez com que a Câmara do Município anteriormente realizasse emendas na Lei Orgânica, alterações essas, que viessem incluir legalmente a data em que se devia comemorar oficialmente a Emancipação Política de Pombal.
Sessão Comemorativa 239 Anos
Pela primeira vez este ano, oficialmente, a data foi comemorada festivamente em 04 de maio, no plenário Vereador Francisco Freitas da Nóbrega, em Sessão Solene, que contou com a presença de todos os edis mirins, além da Prefeita Pollyana Feitosa, Vice Dr. Geraldinho, secretários municipais e dos diretores dos Correios na Paraíba, Edinaldo Flor da Silva e Renato Henrique Martins, que na ocasião fizeram o lançamento do Selo Comemorativo pela passagem da data, padronizado com o Brasão do Poder Legislativo de nossa terra.

Na coluna de hoje quero expressar minha alegria e parabenizar Pombal e seus poderes constituídos, Executivo, Legislativo e Judiciário pelo transcurso dos 149 anos de cidade comemorada em 21 de julho. Cito agora alguns itens porque ‘amo esta cidade’.
1) O fato de haver nascido nela, andar em suas ruas livremente, fazer amigos, saber quem é quem etc. Seus costumes e tradições históricas cheias de riquezas em folclore, personagens ilustres na política, cultura, poesia e nas artes artesanal, plástica e da comunicação.

2) Amo minha cidade pelas suas origens, pois mesmo que a carta regia de 1766 não especificasse que fosse erigida a Vila de Pombal, mas que apenas erigissem Vilas, tendo surgido várias delas, veio primeira do que todas, tornando-se importante por ter sob sua jurisdição extenso território abrangendo todos os sertões paraibanos, o Sabugy, as Espinharas, o Seridó e vastas áreas depois incorporadas ao Rio Grande do Norte.

3) Amo minha cidade, pois passados 06 anos da carta régia que autorizou criação de Vilas em Pernambuco, Parahyba, Rio grande do Norte, foi erigida a povoação ou arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó, na Ribeira do Piranhas, viu-se erguer-se em Vila Nova de Pombal, ou, simplesmente, Vila de Pombal em 04 de maio de 1772.

4) Amo minha cidade, pelo modo diferenciado de obter sua independência política ainda como Vila, enquanto que as demais só obtiveram quando alcançou o status de cidade, Pombal já passou imediatamente ao ser transformada em Vila, de gozar do privilégio de completa autonomia municipal, simplesmente por ter uma Câmara (honorificamente chamada de “Senado da Câmara”, pois a legislação da época assegurava-lhe esse direito).

5) Amo minha cidade, porque segundo os historiadores e pesquisadores da minha terra que não me deixam mentir, relatam que a ‘Vila nova de Pombal’ elegeu para dirigir os destinos políticos administrativos da Vila, o capitão-mor Francisco de Arruda Câmara, do qual são descendentes o sábio pombalense, Manuel de Arruda Câmara e Francisco, de igual prenome e sobrenome do pai, os primeiros pombalenses que se formaram em escola de nível superior e que para isso, tiveram que se deslocar para a Europa, a fim de alcançar os títulos de doutores em ciências naturais e medicina.

6) Amo minha cidade na preservação do patrimônio arquitetônico antigo dos casarios e sobrados e que hoje só é possível ver nas fotografias do passado.

7) Amo minha cidade no avanço da construção civil, nos padrões da arquitetura moderna, no crescimento das empresas e do comércio produzindo emprego e renda para a nossa gente.

8) Amo minha cidade no seu desenvolvimento, nas realizações de obras públicas, na saúde: Hospital, Clínicas médicas e odontológicas, na educação: Ensino fundamental, médio e superior, além das suas casas bancárias, dos seus meios de comunicação, rádios, sites e blogs na internet, boletins e impressos em geral.

9) Amo minha cidade, na alegra e sorriso das crianças, na pujança dos jovens e no olhar contemplativo dos idosos.

10) Amo minha cidade, porque aqui tem ótimos profissionais liberais que exercem suas atividades com garra e galhardia.

11) Finalmente:

Amo Pombal, minha cidade, porque em um só mês (julho), pode-se comemorar três datas importantes:

15 de julho de 1916 - Aniversário de nascimento do seu historiador Wilson Nóbrega Seixas.

21 de julho de 1862 – Elevação de Vila a categoria de cidade.

27 de julho de 1698 - No sertão das piranhas, lugar conhecido como Povoação do Piancó, Teodósio de Oliveira Ledo fundou o Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Piancó (Pombal).

Parabéns, cidade que amo!

Bibliografia: O Velho Arraial de Piranhas – Segunda Edição Revisada e Ampliada de Wilson Nóbrega Seixas e os Escritores Verneck Abrantes, Evandro Nóbrega.

Pombal-PB, 14-07-2011.

*RADIALISTA
Contato brunetco@hotmail.com

Parabéns por AMO POMBAL, MINHA CIDADE.

O texto está bem fundamentado em suas colocações históricas, principalmente quando você descreve sobre as três datas de Pombal. Na oportunidade, acrescento lembrando o nome da cidade.

A Vila Nova de Pombal recebeu essa denominação em homenagem à antiga cidade de Pombal de Portugal, localizada no centro do litoral Português, a cerca de 150 km de Lisboa. Como muito se pensou, não foi em homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, primeiro ministro de Dom José I, Rei de Portugal, por dois motivos a considerar, simples, mas de fundamental importância histórica.

1º - No século XVIII ainda não estava em moda esse tipo de homenagem aos governantes.

2º - A Carta Régia de 22 de julho de 1766, que mandava erigir novas vilas na Capitania de Pernambuco e Paraíba, orientava os administradores de vilas a denominá-las com nome de localidades e cidades de Portugal, com intuito de fundamentar o domínio português.

Considerando esses fatos, a verdade é que, se nossa cidade fosse uma homenagem ao Maquês, com certeza seria denominada de: Vila do Marquês de Pombal, como isso não procede, é improvável, recebeu o nome de Vila Nova de Pombal, em homenagem a cidade de Portugal de mesmo nome. Ressaltamos que em diferentes regiões do Brasil, outras vilas também receberam denominação de localidades de Portugal, a exemplo de: Amarante-MA, Aveiro-PA, Barcelos-AM, Bragança-PA, Guimarães-MA, Obidos-PA Montemor-o-Novo (antiga Mamanguapé-PB), Oeiras-PA, Estremoz-RN, Santarém-AM, Vila do Conde-PB, Trancoso-BA etc., etc. Devemos lembrar que o Marquês de Pombal foi quem sugeriu ao rei criar novas vilas na Capitania de Pernambuco e Parahyba, e denominá-las com nomes de lugares, aldeias ou cidades de Portugal, e entre tantas veio a denominação da vila com o nome de Pombal, cidade portuguesa na qual viveu o Marquês de 1777 até 1782, quando veio a falecer. No entanto, devemos ressaltar que a homenagem foi à cidade de Pombal de Portugal e não ao Ministro do Rei, considerando os motivos acima.

A versão do nome como sendo uma homenagem ao Marquês de Pombal, foi tomada por Irineu Joffily, quando escreveu “Notas Sobre a Paraíba”, e acatada sem maiores averiguações por todos os autores que lhe seguiram, daí o equivoco.
Verneck Abrantes

Um abraço do amigo,
Verneck Abrantes

POMBAL

Onaldo Queiroga                         

Pombal, minha terra natal, meu lugar, minha cidade. Pombal, vejo-me todos os dias no teu amanhecer, na luz que surge com o sol quebrando a barra, iluminando o voo dos pardais, curiós, galos de campina, canários e daquele beija flor que todos os dias, ainda, visita o quintal da minha casa.

Pombal, vejo-te no acordar sob o apito da Brasil Oiticica, levantando os seus filhos para mais um dia de vida. Pombal, sou as calçadas da minha Rua João Pessoa, o transitar de dona Detinha, Antonio de Cota, seu Valdemar, Inácio da Brasil, Dedé Calixto, Antonio Bezerra, seu Hamlet e Biró Beradeiro. Sou as algarobas sombreando e amenizando o forte calor desse querido sertão.

Pombal, ouço-te na voz dos filhos do Lord Amplificador: Clemildo Brunet, Evilásio Junqueira, Evandro Junqueira, Ernesto Junqueira, Rosil Bezerra, Genival Severo, Beim, Massilon Gonzaga, Tarcísio Pereira, José Vieira Neto (Zezinho), José Cezário de Almeida, Genival Torres, Sales Dantas, Dorival, Horácio Bandeira etc. Pombal, te enxergo naquele menino teatro chamado Tarcísio Pereira, que, na juventude, silenciosamente, descia e subia a nossa Rua João Pessoa, com um semblante tranquilo e já construir suas peças, hoje consagradas nos palcos do mundo.

Pombal, sou aquela saudosa mangueira da casa da minha avó Raimunda. Sou o cheiro do Café Dácio, moído na torrefação do meu avô Antonio Rocha, lá na Rua do Roque. Sou o Bar de Maria de Biró, o beco do Grande Hotel, o Rio Piranhas, suas águas correntes, suas lavadeiras, seus meninos a brincarem com a bola do tempo, suas ingazeiras, pedras, piqueniques, a perigosa e temida (panela). Sou um domingo nas águas do Areal, reunindo famílias e amigos. Sou o som das cordas do saudoso Bideca, do maestro Manoel de Donária, do piston do gordo de Cabine, da batucada de Sales de Biró, Luizinho de Mota, João Maria, Birozinho, Zé Filho, etc. Sou o som eterno do Jovem Clube de Pombal, da A.E.U.P. e do Pombal Ideal Clube. Pombal, ouço-te, ainda, através da inesquecível risada de Lúcio Flávio.

Pombal te sinto no cheiro do mato molhado anunciando a invernada. Nos clarões dos relâmpagos seguidos dos trovões a sacudirem a terra sertão. Mas, te vejo também nas noites serenas, de lua clara, a iluminar os bancos da praça Getúlio Vargas, tempo de jovens felizes que passeavam, paqueravam, namoravam e jogavam conversa fora.

Pombal, te enxergo na história do folclore dos Pontões e dos Congos. Te vejo nos heróis das telas do Cine Lux, no bate papo da Coluna da Hora, nos carnavais de outrora, onde imperava a brincadeira sadia do molha-molha, mela-mela, do corso com os seus carros enfeitados a desfilarem pelas ruas das recordações.

Pombal, teus filhos, nunca pródigos, podem encontrar outras ribeiras, mas nunca beberam ou beberão águas saudáveis e inesquecíveis como as tuas.

Onaldo Queiroga é Juiz de Direito.

Transcrito de Opinião- A6 - do Jornal Correio da Paraíba de 09 de julho de 2011.

A ESTREIA DE "ANTONINHA"

OPINIÃO DE
W. J. Solha*

A ESTREIA DE “ANTONINHA”

No dia 16 – sábado que vem – será o lançamento do primeiro curta-metragem de ficção do Laércio Ferreira, lá no sítio Acauã, município de Aparecida, alto sertão da Paraíba:
Depois de fazer um homem que é dono de todo o bairro de Setúbal, no Recife, em “O Som ao Redor” ( primeiro longa de Kléber Mendonça Filho ), e o de um bancário aposentado doente, em “Era uma vez Verônica” ( terceiro filme do Marcelo Gomes ), eis-me – pra encerrar 2010 - Coronel João Bezerra Wanderley, vivendo os dramas de um velho envolvido com a seca verde e uma adolescente que de verde não tem nada, lá pelos anos 30, no dito-cujo “Antoninha”, que acabará sendo dado à luz antes dos lançamentos pernambucanos, confirmando que na verdade os últimos serão sempre os primeiros:
Não vou entrar em detalhes sobre o enredo antes da estreia, mas acho que a Paraíba vai gostar da sutileza com que o roteirista-e-diretor Laércio Ferreira Filho criou os perfis da jovem Antoninha e do coronel, numa história que tem, por isso, uma simplicidade apenas aparente, fácil de assistir mas capaz de render longas análises psicológicas, econômicas, históricas, antropológicas, fílmicas, estéticas, etc, etc.

Não vou estar nessa apresentação do curta ( tem 18 minutos), porque, além de avesso a festas e eventos similares (por isso não lancei meu romance “Relato de Prócula”), eu – tal e qual Carlos Gomes, que não assistia às estreias de suas óperas – não quero estar lá pra discutir o que fiz ou deixei de fazer no filme. Conheço minhas limitações (confesso que fiquei surpreso com tanto convite pra atuar, no ano passado) e nunca estou satisfeito com o que faço. Vi o “Antoninha” quase-quase pronto, gostei da fotografia do João Carlos Beltrão, do desempenho de debutante Ágatha ( que faz a personagem titular), de Gina (que faz Idalina, esposa do Coronel), de Marcélia Cartaxo (que interpreta a mãe de Antoninha), Nanego (que faz o pai) e Marcus Barbosa (que faz o padre), mas ponho ressalvas em minha participação, e nisso não vai falsa modéstia.
Quando o Heleno ( Heleno Bernardo Campelo Neto) me convocou para o elenco, eu estava na última semana do longa do Marcelo Gomes, no Recife, numa exaustão jamais sentida antes na minha vida (pois já vinha do filme de Kléber Mendonça), e me recusei a participar do trabalho. Heleno insistiu, mandou-me o roteiro, de que gostei muito, mas vi outro inconveniente na aceitação: achei que o papel deveria ir pra alguém não tão velho (acabo de completar setenta. Mas, bem: respeito demais o amigo Heleno, tiro o chapéu pro Laércio (figura importantíssima na efervescência cultural da região em que vive ), conversamos muito sobre a coisa toda, acabei engajado na obra. O Coronel poderia ser, no entanto, personagem bem mais fascinante do que aquele que consegui criar, e isso – imagino - resultaria num filme digno do roteiro e direção do Laércio, da produção do Heleno, do esforço de todo o elenco, bem como da equipe técnica.

É apelar pra que eu esteja enganado.

*W.J. Solha - Escritor, Dramaturgo e Ator

Fonte: eltheatro11@eltheatro.com
Editor: Elpídio Navarro

A NOVA LEI DA PRISÃO PREVENTIVA

Maciel Gonzaga
Maciel Gonzaga*

Desde o dia 4 de julho passado pessoas que cometerem crimes leves – punidos com menos de quatro anos de prisão – e que nunca foram condenadas por outro delito só serão presas em último caso. É o que prevê a Lei nº 12.403/2011, que altera 32 artigos do Código de Processo Penal (Decreto- Lei 3.689, de 3 de outubro de 1941). Anteriormente, quem se enquadrava nesses casos ou era encaminhado à prisão, caso o juiz entendesse que a pessoa poderia oferecer riscos à sociedade ao longo do andamento do processo, ou era solto.

Embora alguns setores da sociedade argumentem que a legislação imputará um grave risco à população, a lei não altera a prisão para os crimes hediondos. Prisões preventivas decretadas para crimes como latrocínio, estupro, tráfico, tortura e sequestro, dentre outros, continuarão sendo decretadas em todo o país.

Com as alterações da 12.403, o juiz ao se deparar com uma detenção por crimes dolosos (quando há intenção), poderá se decidir entre nove tipos de medida cautelar além da prisão, entre elas: o pagamento de fiança, que poderá ser estipulada pelo delegado de polícia e não apenas pelo juiz; o monitoramento eletrônico; o recolhimento domiciliar no período noturno; a proibição de viajar, frequentar alguns lugares e de ter contato com determinadas pessoas; a suspensão do exercício de função pública ou da atividade econômica.

Um dos trechos mais polêmicos é o artigo 313, que passa a só admitir a decretação da prisão preventiva nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a quatro anos. De acordo com a nova lei, a prisão preventiva só poderá ser decretada quando a pessoa já tiver sido condenada; em casos de violência doméstica; e quando houver dúvida sobre a identidade do acusado. As medidas alternativas, entretanto, podem ser suspensas e a prisão decretada se houver descumprimento da pena. O texto determina ainda que se a soma das penas ultrapassar quatro anos, cabe a prisão preventiva.

A legislação brasileira considera leves crimes como o furto simples, porte ilegal de armas e homicídio culposo no trânsito (quando não há intenção de matar), além da formação de quadrilha, apropriação indevida, do dano a bem público, contrabando, cárcere privado, da coação de testemunha durante andamento de processo e do falso testemunho, entre outros.

A nova Lei da Prisão Preventiva deve resultar na liberação de milhares de presos que ainda não foram julgados. A população carcerária do país, atualmente, é de cerca de 496 mil pessoas, segundo dados do Ministério da Justiça. Em 37% dos casos – 183 mil presos – ainda não houve julgamento.

Na nossa humilde avaliação, a lei é muito oportuna e a sociedade não precisa temer, pois os crimes graves não estão incluídos nessa mudança. A nova lei corrige uma contradição que havia na forma como o acusado por um crime leve era tratado anteriormente. Levando-se em conta a presunção da inocência, só podemos avaliar positivamente a mudança, já que o que acontecia antes não tinha lógica alguma. Quem comete um crime leve, após o julgamento, se condenado, cumprirá a pena no regime aberto ou semiaberto. Então por que mantê-lo no regime fechado antes do próprio julgamento?

Os que se posicionam contrários à nova lei alegam que ela vai tirar do juiz o poder de manter na cela aqueles que deveriam ser apartados do convívio social. Isso não nos parece pertinente. Há uma ilusão na sociedade: as pessoas acham que a prisão garante o sossego e a segurança de todo mundo, mas, muitas vezes, a prisão é que produz o próximo problema. A lei veio a corrigir uma generalização da prisão preventiva, já que hoje, em vez de se apurar primeiro para, depois, prender, já com culpa formada, passou-se para um campo de justiçamento, em que se prende de forma generalizada. Daí a superlotação das penitenciárias e das cadeias públicas. A sociedade brasileira tem que avançar e fazer cumprir a Constituição Federal de 1988. Agora, a regra é: o processo você sempre aguarda em liberdade. Na prática não era o que vinha acontecendo.

*Jornalista. Advogado e Professor – Natal RN.

ENVELHECIMENTO: NINGUÉM QUER, MAS ACEITA!

CLEMILDO BRUNET*

Ninguém envelhece porque quer e nem tão pouco pede para envelhecer. O envelhecimento é um processo natural que acontece na vida das pessoas. Uns envelhecem mais cedo, outros, porém tardam um pouco o envelhecimento, enquanto que alguns chegam ao envelhecimento sem dar a aparência de que são tão velhos assim. Na verdade ninguém deseja e quer envelhecer, porque isso implica em uma série de complicações na estrutura física e mental de quem pela lei natural do que se sucede, passa por mudanças, que embora pareça lenta e demorada logo deverá ser sentida ao compasso dos anos.

Hoje há uma preocupação quase que generalizada entre homens e mulheres à procura de um elixir da vida que possa pelo menos superficialmente evitar o envelhecimento e que outros não venham a notar em suas fisionomias que estão ficando velhos. Aliás, ninguém tolera ser chamado de velho, pois quando essa palavra é pronunciada, só vem no modo pejorativo, com desdém ou ironia.

Já deveríamos ir nos acostumando a ideia do envelhecimento. Diz o ditado popular “quem de moço não morre, de velho não escapa”! As estatísticas têm mostrado que os moços estão desaparecendo mais depressa dessa terra do que os velhos. Os velhos estão tendo o privilégio longevo, apesar dos problemas de saúde que enfrentam, vivem preservando a vontade de viver, buscando qualidade de vida em seus tratamentos clínicos e terapêuticos, sempre obedecendo à regra do jogo de como ter uma velhice saudável.

Lembre-se de que nossa composição molecular é feita de células que vão se deteriorando com o passar do tempo sem que seja recomposta ou substituída por outra. O cumprimento da sentença divina por causa do pecado veio sobre o homem, que paulatinamente sofre o desgaste físico e mental no labutar do seu dia a dia. Ninguém por mais que se esforce se livrará dessa contingência de vida. “... Maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida... No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás”.Gn 3:17b e 19.

É fato, é real, se chegarmos lá temos de encarar a velhice como uma bênção e não como uma maldição. As Escrituras Sagradas registram como se deu a morte de alguns homens em plena velhice. Cito apenas dois exemplos para clarear a nossa mente: “Foram os dias da vida de Abraão cento e setenta e cinco anos. Expirou Abraão, morreu em ditosa velhice, avançado em anos; e foi reunido ao seu povo”. Gn.25:7 e 8. Já Isaque filho de Abraão tem o registro de sua morte da seguinte maneira: “Foram os dias de Isaque cento e oitenta anos. Velho e farto de dias, expirou Isaque e morreu, sendo recolhido ao seu povo; e Esaú e Jacó, seus filhos, o sepultaram”. Gn.35:28,29.
Assim como em outras áreas, recentemente li uma reportagem em um site da internet com a seguinte manchete: “Cientista prevê a ‘cura’ do envelhecimento”. Os detalhes da notícia revela as declarações bombásticas de Aubrey de grey, biomédico gerontologista e cientista, chefe de uma fundação dedicada a pesquisas da longevidade, que os médicos poderão ter as mãos todas as ferramentas necessárias para “curar” o envelhecimento – extirpando as doenças decorrentes da idade e prolongando a vida indefinidamente.

"Eu diria que temos uma chance de 50 por cento de colocar o envelhecimento sob aquilo que eu chamaria de nível decisivo de controle médico dentro de mais ou menos 25 anos", disse De Grey numa entrevista antes de proferir uma palestra no Britain's Royal Institution, uma academia britânica de ciências.

Ele antevê uma época em que as pessoas deverão ir ao médico para uma manutenção regular e que seriam incluídas no tratamento terapias genéticas, terapias com células-tronco, estimulações imunológicas e várias outras técnicas avançadas. A descrição feita por Grey sobre o envelhecimento é que isso acontece devido o acúmulo de vários danos moleculares e celulares no organismo.

"A ideia é adotar o que se poderia chamar de geriatria preventiva, em que você vai regularmente reparar o danos molecular e celular antes que ele chegue ao nível de abundância que é patogênico", explicou o cientista, cofundador da Fundação Sens (sigla de "Estratégias para a Senilitude Programada Desprezível"), com sede na Califórnia.

Diante do exposto já é hora de despertarmos para a realidade do que estamos vivendo e o que ainda podemos alcançar em vida. Segundo o levantamento de indicadores sociodemográficos prospectivos para o Brasil 1991-2030, do IBGE em parceria com o Fundo de população das Nações Unidas (Pnud), em 1991 começou a transformação do padrão demográfico brasileiro. A tendência é de envelhecimento da população, com a combinação da queda de fecundidade e o aumento da longevidade, o Brasil haverá de se tornar um país de idosos nas próximas décadas.

O Brasil já foi considerado um país de jovens. Hoje a população brasileira está ficando cada vez mais velha. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2025 será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas.
Nosso país está mudando em seus parâmetros tradicionais e se caracterizando como nação não mais subdesenvolvida nesse aspecto. Estamos nos igualando aos países de primeiro mundo com uma população mais idosa. O Governo precisa desenvolver uma política pública que venha atender a demanda, com vista a um novo planejamento de desenvolvimento e aperfeiçoamento fiscal, a fim de evitar uma catástrofe, sobretudo previdenciárias, no futuro.

Envelhecimento: Ninguém quer, mas aceita!

Pombal, 07/07/2011.
*RADIALISTA

O ESTADO SOU EU

Severino C. Viana
Por Severino Coelho Viana*

A frase de grande efeito é aquela dita para se perpetuar no roteiro da história da humanidade e encontrar seguidores para pôr em prática os seus ditames como se fosse um enunciado proclamado pela natureza.

Consideramos as frases benignas e utilitárias que devem e podem ser postas em prática que já foram ditas pela genialidade terrestre, por exemplo, as parábolas de Jesus Cristo, as verdades de Buda, as lições de Confúcio, o pensamento de Sócrates, as aulas de Platão, o exemplo de Gandhi etc. Pois é, o amor fraterno da humanidade é difícil de ser alcançado, mas essa chispa nunca deverá ser apagada da nossa mente; vencer a guerra interior que nos carcome e abater os inimigos visíveis que afligem o coração humano pelo o ódio, inveja, ganância, prepotência, arrogância etc.

O pior é que a frase de consequências malignas transforma-se em lei irrevogável dentro da mentalidade que se prolongam no tempo e espaço e os seus adeptos cumprem rigorosamente e a todo risco os seus enunciados.

É a luta permanente do bem contra o mal.

Luís XIV de Bourbon (em francês Louis XIV; Saint-Germain-en-Laye, 5 de Setembro de 1638 - Versalhes, 1 de Setembro de 1715), conhecido como "Rei-Sol", ficou conhecido como o maior monarca absolutista da França, e reinou de 1643 a 1715. Tudo foi extravagância no seu reinado, não somente pelas famosas perucas que usava e terminou criando moda, mas pelo poder absoluto que impingiu no seu reinado de obediência somente a si próprio como a autoridade máxima.

O estandarte de centralização do poder ocorrido na consolidação do Absolutismo. Quando Luís XIV, chamado de "Rei Sol", disse isso, estava evidenciando que tudo no Estado francês, a Lei, a Justiça, a burocracia, a Ordem, tudo se resumia à sua vontade porque a democracia não existia. Vale lembrar que de todos os reis absolutistas da Europa, o Rei Sol foi o que realmente criou um "espetáculo absolutista": obras faraônicas (ver palácio de Versailles), pompa e luxo na corte, subordinação feroz a seu poder, ostentação certeira ao seu dito, presentes aos apaniguados, deixando o cunho da mentalidade de onipotência do soberano, que parecia ser imortal.

Ao rei da França Luís XIV. Apogeu do absolutismo na França e na Europa. Luis XIV achava que o país deveria girar em torno de si. Por isso quando queremos dizer que uma pessoa é muito egoísta, narcisista ou autoritária, remete-nos a lembrança do seu estilo de mandonismo.

Não resta dúvida que ele como rei era mortal como qualquer outro ser humano, no entanto, deixou implantado um legado que fixou residência naqueles viventes de mente frágil e dos que o imitam e projetam-se a imagem dele. Todo aquele que se excede de poderes representa um pouco da figura emblemática do Rei Sol. O pior de tudo isto é que o seu retrato ainda não caiu da parede, desenhado os traços de autoafirmação dos inseguros, anunciado na vontade única do prepotente, noticiado no lema: “posso, quero e mando”, representado no manto do egoísmo, esculpido na coroa da arrogância, pintado no quadro da fantasia e cantado na música da ilusão.

Apesar do absolutismo, enquanto forma de governo estar presente de várias formas de diversos países e épocas, este termo refere-se, geralmente, às monarquias absolutas europeias dos séculos XVI, XVII e XVIII. A famosa frase "o Estado sou eu", proferida pelo rei francês Luís XIV, resume bem este regime político, em que uma única pessoa - o rei - exerce o poder de uma forma absoluta, sem quaisquer limites jurídicos ou de qualquer outra natureza.

Estado é uma instituição organizada politica, social e juridicamente ocupando um território definido, normalmente onde a lei máxima é uma Constituição escrita, e dirigida por um governo, cuja soberania é reconhecida interna e externamente o poder de concretização e de realização que encontra respaldo no limite da lei .

O Estado absolutista foi substituído pelo liberal, mas certas características do primeiro foram mantidas e desenvolvidas nesse processo de criação do novo poder.

Nós ultrapassamos a primeira década do século XXI, vivemos o momento de uma verdadeira ação de sentimentalismo pela implantação do Estado social democrático como uma ânsia explícita da sociedade moderna. Mas a pecha do absolutismo pegou e ainda não se descobriram um ácido que limpasse esta nódoa.

O nosso Estado democrático é constituído pela União, Estados e Municípios, evidentemente, que não em todos, mas muitos municípios e estados, por incrível que pareça, os administradores ainda seguem esta lição antiga de que “O estado sou eu”. Esta infiltração pegou carona e já chegou à sociedade civil organizada: sindicato, ONG, associação de bairros e de classes, clubes etc.

E não aprende a lição moderníssima da administração democrática que diz textualmente, o administrador obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Recordamo-nos de uma história infantil que começava assim:

__ Certa vez, num reino bem distante, o rei ficou doente. Era uma doença muito estranha. Ele não conseguia enxergar as pessoas pequeninas, que falavam baixinho. Ele só via as pessoas grandes, fortes e bem falantes. O pior é que o rei nem se dava conta de que estava doente e sequer percebia que tal enfermidade contaminava os seus ministros e secretários. Toda essa gente ficou com esse problema de visão. Só enxergava os iguais a eles, enquanto os pequenos por mais que reclamassem não eram vistos. E estas pessoas ficaram muito incomodadas, mas não sabiam o que fazer para que o rei os enxergasse.

Essa historinha, que ainda não chegou ao final, chama-se “O que os olhos não veem” e foi escrita para crianças pela professora Ruth Rocha.

E o que nos chama a atenção é que não precisamos ir muito longe para perceber que cada um tem o rei com problemas de visão que merece. E quanto é míope de verdade torna-se um cego. Eu conheço um reino onde moram pessoas que o rei não enxerga. Essa turma trabalha bastante, mas é esquecida, nunca é atendida e por mais que se esforce, não é reconhecida. E olha que, assim como as demais pessoas, elas têm um papel importantíssimo no reino. É por causa do trabalho destas pessoas que crianças e adolescentes aprendem a ler e a escrever.

Por mais que esse povo grite, ele não é ouvido. O rei parece que, além de perder a capacidade de ver pessoas baixinhas, também ficou surdo. E, ao que tudo indica, ele também deve ter estudado muito os atos do seu colega Luis XIV, da França, que certa vez, disse: “o Estado sou eu”. Será que o rei Luis XIV se achava importante? Não estaria Luis XIV fazendo escola, ensinando esse rei que conhecemos agora?

Mas o povo, apesar de não ser visto, é mais importante que um único rei cego e com características absolutistas. Na historinha da Ruth Rocha, o povo decidiu fazer pernas de pau para ficar alto e assim ser visto pelo rei. Nesse reino mais real – a redundância é proposital – de um jeito ou de outro, o povo também ficou mais alto, se reuniu em assembleia e o reino começou a virar geleia. Um dos ministros do rei, que havia ficado doente também, começou a ficar curado e renunciou ao cargo para ficar ao lado do povo. A lição levou o povo às lágrimas. O rei da historinha, quando conseguiu enxergar o povo, ou seja, ficou curado, fugiu com todos os seus ministros e disse que se governar era aquilo – com os olhos voltados para o povo - não queria mais.

Lá na história, não se sabe se surgiu um novo rei, mas o povo, por precaução, guardou as pernas de pau, pois teme que se aparecer outro monarca, ele pode ficar cego de repente. Mas no reino que conheço o caso é bem mais grave. Por mais que o povo suba nas pernas de pau, o rei não consegue enxergá-lo, mas já foi avisado pelos assessores do alarido de certa categoria. Para isso, nomeou o bobo da corte para negociar com o povo.

O nosso rei prefere ficar cego. Afinal, quando os olhos não veem, o coração não sente.

João Pessoa, 05 de julho de 2011.
*Escritor pombalense, Promotor de Justiça.

SIMPLESMENTE DOMINGUINHOS...

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Quando cheguei pela primeira vez ao Parque Aza Branca, Exu, Pernambuco, um fato logo me chamou a atenção. O lugar estava cheio de populares, artistas e principalmente turistas, em meio a tudo isso, transitava um ser ilustre, grande pelo toque de sua sanfona, pelas letras de suas músicas, pelo seu canto exuberante, mas acima de tudo pela sua simplicidade.

Com uma cordialidade indescritível, pacientemente falava com todos, atendia aos seus fãs, permitindo a realização de fotos e filmagens. Autografava discos, cds e fotos. Depois sentou-se à varanda da casa grande do Parque e juntamente com Zé Calixto, Luizinho Calixto e Eurides (pai de Waldones), abriu seu acordeon e para o publico presente tocou sua majestosa sanfona e cantou por mais de uma hora, interagindo com o povo gonzaguiano. Ao término, cumprimentou a todos, e de forma mansa, saiu para nova sessão de autógrafo, fotos e carinho para com os seus fãs.
Dominguinhos e Onaldo Queiroga
Tudo aquilo que presenciei já tinha ouvido falar, mas Deus permitiu-me com os próprios olhos testemunhar o exemplo de homem consagrado, uma celebridade que sempre carregou e carrega consigo a simplicidade e humildade.

Como se sabe desde o início, ainda adolescente o rebento de seu Chicão aprendeu a ser bom filho, bom irmão, bom amigo, bom marido; a ser humilde, a ouvir antes de tudo, a ser paciente e respeitar o próximo. Seu perfil foi talhado durante a convivência com Luiz Gonzaga, seu ídolo maior, seu pai musical, seu mestre, seu padrinho, seu amigo, seu norte, seu destino e sua vida.

Certa feita, ele comandava um programa de rádio lá pras bandas do Rio de Janeiro, a despeito de já consagrado musicalmente, em vez de tocar suas próprias músicas, seus sucessos, executava o repertório de seu Luiz Gonzaga. Chamado a atenção pela direção da rádio, afirmou: No próximo programa vou tocar meus sucessos. Tudo conversa, pois sua devoção, seu respeito e seu afeto ao Rei do Baião, o conduziram instintivamente a, mais uma vez, tocar somente o Baião do Exu. No final, indagado porque não tocou suas músicas, o brilhante sanfoneiro, sorrindo exclamou: “Eu não toquei nenhum música minha? Sabe que nem percebi...”

Hoje é o representante maior do baião, da cultura gonzaguiana, da nossa música de raiz nordestina. Fiel aos ensinamentos do Rei Lua, segue humildemente de carro itinerante com sua inseparável sanfona por este país. Com tanta poluição musical, sua sanfona às vezes chora sentida, mas como ele próprio diz: “Vem amor, Vem cantar / Pois teus olhos ficam querendo chorar / Deixa a mágoa pra depois / O amor é mais importante a dois / Chora sanfona sentida em peito gemendo / Vai machucando / E em meu peito de amor vai morrendo / Quanto mais chora / Me entrego todinho ao amor / E o teu gemido disfarça em minha alma essa dor...”.

Este é simplesmente, Dominguinhos!!!

*Pombalense, Juiz de Direito da 5° Vara Cível da Capital da Paraíba.