CLEMILDO BRUNET DE SÁ

AFETOS E DESAFETOS

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Quando D. João 111, rei de Portugal, resolveu colonizar o Brasil, em 1534 implantou o sistema administrativo nas nossas terras, denominado de capitanias hereditárias, formadas por faixas de terras partindo do litoral, indo até alcançar o limite do Tratado de Tordesilhas, cada faixa tinha um donatário indicado pelo próprio rei. Formou-se então 13 faixas assim denominadas: capitania do Maranhão, do Ceará, do Rio, Grande, de Itamaracá, de Pernambuco, da Baia de todos o Santos, de Ilhéus, de Porto Seguro, do Espírito Santo, de São Tomé, de Santana e de São Vicente.

As capitanias de Pernambuco e de São Vicente, atual Estado de São Paulo, foram as únicas que realmente prosperaram graças as riquezas produzidas pela produção da cana de açúcar e exportada para o Europa.

Esse sistema que se estendeu por 225 anos, ou seja, até 1759, foi extinto pelo Marquês de Pombal em decorrências dos problemas apresentados pela ineficiência da sua administração e seus precários controles. Seus donatários que tinham o direito sobre as terras que lhes eram confiadas, exploraram suas riquezas minerais, animais e vegetais, arrecadava impostos, além de usar a mão de obra indígena como escravos, tiveram que obedecer as ordens de Portugal que ficou apenas com o Governo Geral.

O atual momento político fez voltar a tona esse termo, capitanias hereditárias, pelos problemas enfrentados pela presidente Dilma em conseqüência da crise existente em alguns ministérios e explorado pela oposição. Com a necessidade de manter uma governabilidade apoiada pelos partidos da base aliada, dando-lhe sustentação política, foi necessário que o governo do PT, situação, desde o governo Lula, criasse novos ministérios para abrir espaço aos integrantes desses partidos que exigiam uma participação mais efetiva na administração federal.

Dessa forma, o novo modelo administrativo, agora inchado pela incorporação de novos ministérios, e por conseqüência o aumento do quadro funcional, trouxe problemas adicionais, dentre eles o controle e fiscalização dos seus membros. Alguns partidos tiveram alguns elementos e até ministros apontados por corrupção nas sua respectivas pastas, penúltimo caso o do Ministério do Trabalho, tendo como titular o ministro Carlos Lupi que luta desesperadamente para se manter no cargo, chegando ao ridículo de fazer declarações estapafúrdias e grotescas, tipo: “só saio à bala”.

Ministro que pertence ao PDT, partido aliado, que tem em seu quadro membros de notória coerência política e ética, caso do Senador Cristovam Buarque, que engrandece a classe política nacional.

Infelizmente surgem outros escândalos, e nesse final de semana problemas aparecem novamente no Ministério do Trabalho, e no Ministério das Cidades que é acusado de corrupção no projeto para a copa de 2014 aqui no Brasil.

A oposição aponta erros no governo, usando esses desajustes ministeriais acusando-os de loteando de cargos comparando-os as antigas capitanias hereditárias, criando desafetos dentro da situação e embaraço ao governo federal.

Nós, pobres eleitores e contribuintes ficamos na expectativa de medidas rígidas e não paliativos para que toda essa barafunda seja resolvida e o atual momento seja, por nós, contado amanhã, aos nossos netos, como um momento brilhante, e possamos nos orgulhar, se não termos feito a história, mas, participado desse momento de transformação mundial, sem vergonha do nosso passado.

*Pombalense, Empresário em Navegantes - SC.

PAREJA ( I )


Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Falar de Leonardo Pareja é descrever uma vida bandida. É narrar uma história de um marginal diferente, mas nunca herói.

Tudo começou quando Pedro Pareja, um empresário bem sucedido e já de certa idade, conheceu uma garçonete bem mais nova de nome Luiza. Apaixonado, resolve contrair matrimônio. Casados, Pedro e Luiza adotaram um menino a quem deram o nome de Leonardo Pareja. Nascia um delinqüente.

Sua infância foi passada numa bela casa, freqüentando os melhores colégios de Goiana. Na infância já mostrava que sua inteligência era dirigida para um caminho sem volta, pois aos onze anos de idade andava com sua bicicleta pelas ruas de Goiana quebrando retrovisores e pára-brisas de veículos.

Na adolescência, tratou de ingressar de vez na criminalidade, praticando furtos de toca-fitas e de veículos luxuosos.

Com a separação de seus pais, deixa a boa vida da mansão e passa a viver em uma favela de Goiana. Com a morte do pai, em 1992, Pareja declara: “Eu achei que tudo estava perdido para mim. Aí eu comecei a rasgar o verbo e criar situações mais perigosas, a vida já não tinha mais sentido e eu perdi o medo da morte”. Era o sinal do mergulho definitivo na delinqüência.

Mas, ele tinha algo diferente. Boa pinta, galanteador, exibicionista e com comportamentos inusitados durante a prática dos delitos, Pareja começou a escrever sua fama. Pensava alto, queria câmeras, manchetes e todos os holofotes da mídia.
Sua primeira aparição nacional foi no seqüestro de uma sobrinha do Senador Antonio Carlos Magalhães. A vítima, na sua ótica, foi bem escolhida, não era uma moça qualquer, como afirmou: “Ele (Antonio C. Magalhães) comandava a política e a polícia e foi a minha chance de sair com vida de lá. Se fosse a filha de um operário ou de uma dona de casa, estávamos eu e ela no cemitério”. Nesse episódio, Pareja, para acalmar as vítimas, pegou um violão e começou a tocar e a cantar uma bela música sertaneja. Depois resolveu com seu comparsa abandonar o seqüestro e fugir. A evasão foi bem sucedida. Insatisfeito, começou a dar entrevistas colocando sua versão para o evento e, equivocadamente, lhe conferiram o título de celebridade.

Daí por diante passou a desafiar a polícia de Goiás. Ligava para as rádios e anunciava o dia e a hora em que praticaria os delitos. Cumpria sempre o anunciado, conseguindo fugir, expetacularmente várias vezes. Numa noite só, por exemplo, vinte e hum postos de gasolina foram assaltados.

Costumava dizer: “Se não fosse o perigo, eu estava morto, o perigo me faz viver”. Como bem enfatizaram certa feita: “Polêmico e hábil, Pareja sempre tratava de conduzir a discussão para um ponto controvertido”. Questionou diversas instituições do país, atacando a forma como eram conduzidas. Costumava proclamar que, por ser bandido, sua palavra não era levada em conta.

*Pombalense, Juiz de Direito da 5ª Vara Cível de João Pessoa-PB.

ESTIMULADO A AGRADECER...

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Há tempo para todo propósito embaixo desse chão e como não poderia deixar de ser a gratidão é um dos fatores necessários a nossa peregrinação neste mundo. Gratidão é uma palavra que na teoria tem um sentido laico, mas, nem sempre na prática ela é identificada ou diagnosticada desse modo. É preciso que algo aconteça, para que a estimule.

Partindo desse pressuposto, quero dizer que o Dia de Ação de Graças comemorado na 4ª quinta- feira do mês de novembro teve o seu início nos Estados Unidos. Um grupo de ingleses por causa da perseguição religiosa veio se refugiar nos Estados Unidos onde se estabeleceu, no atual estado de Massachusetts. Passaram por muitas dificuldades pela escassez de recursos e desconhecimento da nova realidade. Aprendeu com os nativos a cultivar a terra, especialmente o cultivo do milho.

Em 1621 deu-se a primeira colheita por sinal de maneira abundante. Agradeceram a Deus pelo resultado obtido. Daí então se tornou costume entre eles o ritual do agradecimento que evoluiu a tal ponto de ser instituído e proclamado o Dia Nacional de Ação de Graças pelo Presidente americano George Washington. É celebrado na 4ª quinta-feira do mês de novembro.

Mais foi em 1949 que o Dia Nacional de Ação de Graças começou a ser celebrado no Brasil, cuja Lei teve sua regulamentação em 1965 pelo então presidente Castelo Branco. Ficando estabelecido o mesmo dia da semana no mês de novembro. É pena que no Brasil poucos se lembrem desse dia e até agora, somente alguns Estados da Federação celebram festivamente a efeméride.

No início dos anos 2000 o Brasil sofreu uma baixa em sua produção que marcou em muito a nossa nação em especial o Nordeste, Centro Oeste e Sudeste, registrou-se um forte período de estiagem, que além de arrasar a agropecuária, atingiu a indústria, o comércio, o segmento de serviços e a cada um de nós, com o racionamento de energia elétrica e ameaças de apagão elétrico em todo o País (Jornal do Commercio, 28.02.2002).
DEUS mostrou sua ação supridora enviando chuvas em resposta à súplica de muitos brasileiros, enchendo os reservatórios d'água das hidrelétricas e várias regiões do território nacional, em níveis nunca antes atingidos, conforme constatado pelas autoridades e divulgado pela imprensa nacional. (Fonte: Jornal do Commercio, 26.01.2004). Com o fim da estiagem, foi decretado em fevereiro de 2001, o fim do racionamento. (Fonte: Jornal do Commercio, 16.07.2002).

A gratidão tem incentivo bíblico, quem lê o texto de Lucas 17:11 e versos seguintes depara com a narrativa que Jesus curou dez leprosos, no entanto, só um voltou para agradecer e este era estrangeiro, foi abençoado! Entretanto, o mestre reclamou a ausência dos nove. “Não houve, porventura, quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?”

No Brasil existe um movimento em torno de resgatar o Dia Nacional de Ação de Graças. Trata-se de um movimento sociocultural, sem distinção de credo religioso, apolítico, sem fins lucrativos cujo propósito é tão somente resgatar no Brasil o Dia Nacional de Ação de Graças. DNAG.

O Movimento de Resgate do DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS
DNAG surgiu do sentimento de um grupo de pessoas de diversos segmentos - empresários, profissionais liberais, religiosos e educadores ao perceberem a necessidade de se expressar gratidão a DEUS, enquanto povo brasileiro, diante de tantas graças recebidas:

NOSSA MISSÃO

Consolidar o DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS
DNAG como um instrumento de mobilização social, com o fim de oportunizar ajuntamentos, confraternizações e ações de assistência social, resultantes do sentimento de Gratidão a DEUS.

NOSSA VISÃO

Até 2014, ver todo o Brasil comemorando o DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS
DNAG.

NOSSOS OBJETIVOS

1. Propiciar a celebração do DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS
DNAG, em âmbito nacional, a 4ª quinta-feira do mês de novembro de cada ano, data oficial no Brasil, conforme a Lei Federal nº 781/49, regulamentada pela Lei nº 5.110/66;

2. Estimular a cultura de gratidão a DEUS na nação brasileira;

3. Incentivar a celebração do DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS
DNAG por meio de Confraternizações, Ajuntamentos e da Assistência Social;

4. Incentivar a celebração do DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS
DNAG nas famílias, estabelecimentos de ensino, órgãos públicos, empresas públicas, de economias mistas e privadas, comunidades religiosas, desportivas, militares, nas ONG's e nos demais grupos sociais;

5. Perpetuar a ampla visão do Embaixador Brasileiro, Joaquim Nabuco, que, em 1909, ao final da primeira missa Pan-americana no DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS, celebrada na Catedral de São Patrício, emocionado declarou: "Eu quisera que toda a humanidade se unisse, num mesmo dia, para um universal agradecimento a Deus";

6. Estimular a ampla divulgação do DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS
DNAG nos meios de comunicação e redes de relacionamento disponíveis;

7. Estimular o princípio da inclusão e do compromisso social, vinculando o ato da GRATIDÃO ao ato da DOAÇÃO, visando à diminuição da VIOLÊNCIA e a promoção da PAZ.

Há uma fonte inspiradora que ensina sermos gratos a Deus e consequentemente, gratos de uns para com os outros = é bíblico: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. Colossenses 3:17.

Quinta Feira, 24 de novembro de 2011.
Feliz Dia Nacional de Ação de Graças!

*RADIALISTA, BLOGUEIRO, COLUNISTA

CAMINHOS QUE PERCORREMOS

Genival T. Dantas
GENIVAL TORRES DANTAS*

Há registros que a folha da “Erythoxylom Coca” já era usada no nosso continente por volta de 800 DC, é dessa folha que se extrai a hoje calamitosa cocaína. Os nativos da América do Sul a utilizavam na infusão como chá, dessa forma a absorção, pelo organismo, do seu princípio ativo, é muito baixo.

Em 1580 os europeus tomaram conhecimento dessa planta e em 1863 o químico Ângelo Mariani desenvolveu o vinho Mariani usando como base a folha da popularmente conhecida coca, os americanos criaram a coca-cola para concorrer com esse vinho europeu.

O pai da psicanálise, Sigmund Freud, usou a coca em seus pacientes para tratamento, em seus pacientes, para cura da toxicodependência da morfina. Nessa mesma época começava aparecer os primeiros sintomas psicóticos depressivos resultantes do uso contínuo da coca.

Na primeira metade do século XX o consumo dessa droga caiu substancialmente principalmente pela ideologia política, tanto dos europeus como dos americanos, reprimindo e proibindo o seu uso. A partir da segunda metade do mesmo século o uso da droga avança principalmente com o advento dos novos tempos, era época da juventude transviada, o surgimento dos festivais, do movimento hippie com a introdução do “paz e amor, e faça amor não faça guerra”, esse modelo de liberdade contribuiu para o aumento do consumo das drogas como forma de contestação.

No inicio dos anos 70 o Brasil saia da onda do movimento musical “Jovem Guarda” e surgia a tropicália, a “Bossa Nova” sobrevivia palidamente. Na política os militares se mantinham no poder com um novo modelo econômico, com os lemas o “petróleo é nosso” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”. No esporte chegávamos ao tricampeonato mundial com as formiguinhas do Zagalo.

A juventude caminhava na luta nos movimentos sociais e a massa trabalhadora formavam núcleos com seus sindicatos, todos tinham um objetivo que era o retorno da democracia nos tirada com o golpe de 1964. No silêncio e agindo perversamente as drogas avançavam em todas as camadas, nas grandes cidades seus consumidores se multiplicavam, no Rio de Janeiro a droga subia os morros não apenas como produto de consumo, mas, como um meio de sobrevivência para seus distribuidores. Nos anos 80/90 São Paulo já começa a formar sua cracolândia, o local onde se localizava as grandes gravadoras virou a boca do lixo, a decadência do cinema contribuiu muito com essa transformação urbana, moradores de rua ocupavam espaços, principalmente no horário noturno, nas avenidas Duque de Caxias, Barão de Limeira, Cásper líbero, ruas Mauá, Timbiras, Aurora, Andradas, e tantas outras adjacentes. O tráfico de drogas e o meretrício encontravam ali o seu reduto ideal, pela absoluta falta de interesse das autoridades em manter a região central vitalizada, largando ao destino os miseráveis que eram tragados pelo vício e a trágica sina.

Passamos por um momento de muito desconforto social, o governo procura ocupar os morros no Rio de Janeiro, devolvendo a sociedade o que era sua, casas, lares, escolas, educação, saneamento básico, saúde, e o mais importante, restituir a dignidade daqueles que lutam pela manutenção dos seus. São Paulo tenta dar uma nova cara ao seu centro histórico, outras cidades buscam substituir a miséria pela oportunidade de reação de um povo que ainda tem solução, precisamos não apenas mostrar o caminho, mas preparar essa massa alijada do meio social para um novo encontro para os caminhos de um futuro melhor.

Apenas para mostrar com números o que estamos vivendo em termos de degradação humana, informo um site na internet www.cnm.org.br que trata da triste realidade do nosso país, convém que os leitores acessem essa página para sentir que não adianta fugirmos de um problema que é nosso, é de toda uma nação. As drogas invadem nosso país, nossos Estados, nossos bairros, nossas ruas e nossas casas. O crack, que é um derivado da cocaína, um produto mais barato, portanto, acessível aos consumidores de baixa renda, já não está limitado à periferia das cidades, faz parte do conjunto da sociedade. Não vamos esperar que a copa do mundo aconteça em 2014 e a olimpíada de 2016 cheguem como um motivo para lutarmos contra esse mostro que é o tóxico, precisamos nos livras dessa catástrofe que acaba com a juventude da nossa terra, rompe casamentos desfazendo lares, dilapidando patrimônios, jogando à miséria uma geração que ainda pode ser regenerada e recuperada.

*Pombalense e Empresário em Navegantes SC.

LUGAR ABENÇOADO

Onaldo Queiroga
Juiz Onaldo Queiroga*

Existem lugares nesse mundo que realmente são abençoados. Referimos-nos ao Sítio Caiçara, situado na Vila do Araripe, Exu-PE, encravado nos arredores da Chapada do Araripe e, que trouxe ao mundo três grandes vultos do Nordeste brasileiro.

Destacamos em primeiro lugar – Guálter Martiniano de Alencar Araripe, o Barão do Exu, título esse outorgado pelo Decreto Imperial de 15/11/1888, senhor de muitas terras, porém, homem de um grande coração. Nasceu no dia 18 /06/1822 e veio a falecer em 18/06/1889. Saliente-se que até hoje os descendentes do Barão do Exu preservam a propriedade Caiçara além de toda a estrutura da Vila do Araripe.

Em segundo lugar, no Sítio Caiçara, antiga freguesia de Cabrobó/PE, hoje Exu/PE, também nasceu a heroína Cearense – Bárbara Pereira de Alencar, isto no dia 11/02/1760. Seu clã rompeu a Chapada do Araripe adentrando no Cariri cearense.

Bárbara e seus filhos destemidamente participaram efetivamente da revolução de 1817, a qual culminou com a Confederação do Equador, em 1824. As suas posições firmes e contundentes colidiam com o poder e as oligarquias dominantes, à época, fato que acarretou sua prisão e, até a morte de seu filho Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, além da perda de seus bens. Apesar de ter vivido a quase dois séculos atrás, a sua visão ideologia e coragem lhes permitem até hoje ser considerada a heroína cearense.

Ressalte-se, ainda, que José de Alencar considerado por muitos o pai da literatura brasileira era neto de Bárbara Alencar, pois era filho de José Martiniano de Alencar que por sua vez era filho da heroína Bárbara Alencar. A heroína faleceu em 28/08/1832, na Fazenda Alecrim, Fronteiras-PI, isto aos 72 anos, tendo sido sepultada na Capela de Poço de Pedras, hoje Itaguar - Município de São Mateus-Ceará.

Por derradeiro, Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, nasceu numa casa de barro batido, no Sítio Caiçara. Sobre esse mito, dizemos parafraseando Gildson de Oliveira, o Lua constitui o Matuto que conquistou o mundo, sua obra é a verdadeira síntese do Nordeste.

Em visita ao S. Caiçara em 13/12/2001, com Chiquinha Gonzaga (irmã do Rei) estivemos na casa sede desse lugar abençoado, restaurada e transformada em Museu contendo vários utensílios dos Séculos XIX e XX remontando toda a sua história.

De lá deu para vislumbrar onde ficava encravada a casa onde nasceu o Lua, uma área de baixio e que segundo Chiquinha, a casa, foi destruída pela cheia de 24 e, daí o Rei ter em sua obra a musica “A cheia de vinte e quatro”.
No local a família Alencar ergueu um marco identificando o exato lugar onde nasceu o Rei do Baião. O acesso do Exu para a Vila Araripe encontra-se todo asfaltado e, o percurso de cerca de dois a três quilômetros da Vila para a casa sede do Sítio Caiçara é de estrada de barro, bem conservada, constituindo sem dúvida uma viagem a cultura seleta nordestina.

*Juiz da 5ª Vara Cível da Capital do Estado da Paraíba.

ESTADO: DEPRECIAÇÃO SALARIAL

Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*

No inicio deste milênio aposentei-me como funcionário público do Estado. Por mais de três décadas estive a prestar serviços, como técnico em pesquisa e planejamento, à disposição da Secretaria de Planejamento. Na minha trajetória, como funcionário público presenciei bons e maus momentos, no que diz respeito o equilíbrio das contas do Estado.

Até o ano de 1983, o Estado, manteve rigorosamente em equilíbrio as suas contas de receitas e despesas. Não havia qualquer desajuste entre os dois lados da equação financeira. Esta equação era perfeita, na exatidão dos números orçamentários, conforme as avaliações realizadas no fim de cada exercício administrativo. Em alguns momentos até houve transferência de sobra recursos orçamentários de um exercício para outro.

Nos ciclos administrativos seguintes, digo a partir de 1983, tudo mudou, pois, a justeza da equação, a envolver receitas e despesas entrou em estado de desequilíbrio. Esse desajuste aconteceu, de forma mais acentuada em 1989. Foi o mais trágico momento da administração estadual.

Pra se ter uma idéia da dimensão da crise instalada naquela ocasião, basta lembrar que Estado esgotou totalmente a sua capacidade de pagamento. Simplesmente não havia dinheiro no tesouro sequer para atender as mínimas despesas de custeio da máquina administrativa.

Foi uma fase dificílima, pois o Estado faliu. As receitas eram expropriadas pelos bancos credores antes que chegassem aos cofres do Estado. Assim sendo, não havia como honrar os compromissos assumidos junto às construtoras, fornecedores, bem como, o pagamento da folha de pessoal.

Em razão dessa situação, o Estado perdeu o crédito junto as instituições financeiras públicas e privadas. Noutras palavras, ao perder a capacidade total de endividamento, como conseqüência reduziu a zero as expectativas de novas operações de crédito de curto prazo, do tipo “antecipação de receitas”, posto que, por vezes seguidas não foi possível honrar os compromissos assumidos com todos os bancos, com os quais realizava esse tipo de operação.

O Estado parou, pra não dizer quebrou. Assim sendo, entre tantas conseqüências maléficas, negativas, a mais grave foi o encerramento das atividades do Banco do Estado, por conta das sucessivas práticas de “Saque a Descoberto”.

O que isso então? O governo autorizava o Banco a pagar a folha de pessoal sem devida cobertura orçamentária. Noutras palavras, o Banco pagava, mas o Estada não fazia a transferência dos recursos equivalentes ao valor da folha de pagamento.

A conseqüência era que, os depósitos a vista, investimentos diversos, inclusive poupanças, ficavam descobertos. Os saques diários realizados pelos clientes ficavam a depender dos novos depósitos realizados. Como o banco não inspirava mais confiança as operações de depósitos e investimentos diversos caíram a níveis desprezíveis.

Em virtude dessa situação, o Banco Central não pensou duas vezes: mandou encerrar as atividades do Paraiban. Foi uma situação de Deus nos acuda. Diante desse impasse o único aceno do governo aos credores era do tipo: devo sim, pago quando puder.

Em 1991, mudou o governo. Ao iniciar o novo ciclo administrativo, o governo que assumiu, se quis por ordem na casa, teve que aplicar um “Choque de Alta Voltagem”, no sentido de restabelecer o equilíbrio fiscal, sem o qual dificilmente seria revertido o caos administrativo instalado no governo anterior.

Sem dúvida a operação de reequilíbrio das contas do Estado foi um parto doloroso. Além da demissão de funcionários excedentes, foi estabelecido um teto salarial, acima do qual nenhum funcionário de carreira podia ser remunerado.

Não há registro na historia administrativa da Paraíba de uma crise de tamanha dimensão. Muitas dívidas a saldar, porém, sem nenhum centavo no tesouro do Estado. Pra se ter uma idéia havia seis folhas de pessoal atrasadas, além dos restos a pagar a fornecedores, empreiteiras, credores, resultantes de compromissos assumidos em razão dos serviços prestados na construção de obras diversas.

As medidas com vistas a equilibrar as contas do Estado estenderam-se por mais de um ano. Enfim, foi restabelecido o equilíbrio. O preço que o funcionalismo pagou foi uma brutal queda no salário médio, em particular do pessoal de nível superior.

Não se pode negar que inflação elevada naquela época foi decisiva para o restabelecimento do equilíbrio das contas do Estado. É fácil explicar o porquê dessa afirmativa. A inflação além de inflar as receitas servia de base para as correções salarias. Para as correções salariais foi adotado um “Índice Corretor” correspondente a 80% da inflação observada a cada trimestre passado.

Vejamos: em razão da defasagem entre a inflação e correções, a massa salarial do funcionalismo, em valores reais, decrescia a cada trimestre. Isso contribuiu para o que governo reduzisse cada vez mais os encargos com a folha de pessoal. Desse modo foi estabelecido o equilíbrio das contas à custa de uma brutal redução salarial em valores reais.

Para ilustrar melhor a magnitude das perdas salariais, tomamos com base o salário de um técnico de nível superior naquela ocasião, cujo valor era equivalente a sete salários mínimo e meio. Essa relação em pouco tempo caiu para três salários mínimos e meio, o que representava uma perda equivalente a pouco mais de cinqüenta por cento

As perdas persistiram nos anos subseqüentes, principalmente depois da instituição do plano real, quando as correções salariais foram zeradas, em particular no período administrativo 1995/2002.

Não se pode negar que algumas categorias conseguiram ganhos reais em razão da força corporativista que ostentavam e ainda ostentam. Da mesma forma outras categorias obtiveram ganhos salariais, por força maior da lei, como é o caso do Judiciário, Ministério público e Tribunal de Contas do Estado, bem como os assalariados baseados em salário mínimo.

As demais, é mais do que lícito dizer que, ainda hoje, muitas categorias funcionais carregam sobre os ombros pesadas perdas alarias impostas ao longo do tempo, por conta da defasagem entre correção salário e a inflação corrente. Convém ressaltar que outro fator responsável pela redução da média salarial foi o excesso de nomeações que inflaram a folha de pagamento.

Na década e oitenta a economia nacional quase que paralisou a geração de novos empregos. O setor público absorveu grande parte da mão de obra excedente no mercado de trabalho, por razões estritamente política. Foi a década do empreguismo no setor publico particularmente nos estados e municípios.

Nunca se nomeou tanto em tão curto espaço de tempo. Como as receitas não cresciam em valores reais, a solução foi reduzir a média salarial para poder pagar os novos funcionários ingressos na folha de pagamento. Assim sendo, nos últimos trinta anos o número de funcionários cresceu acima do que o Estado realmente podia contratar.

Essa situação inviabilizou a definição de uma referencia salarial de padrão dignificante, por classes de atividades, que poderia atender os reais anseios dos funcionários em atividade, bem como a todos quanto desejarem ingressar quadros da administração pública estadual ou municipal.

Estas são as razões históricas porque o Estado paga tão mau a maioria dos funcionários. De um modo geral se a média salarial é baixa, no âmbito do executivo estadual, há salários que fogem a regra. Refiro-me aos funcionários do fisco cuja remuneração, em alguns casos são superiores a dos auditores do Ministério da Fazenda. Nada contra, por isso desejo sucesso nas suas reivindicações, que são legais por estar forma da lei, por isso são mais do que justas.

Por outro lado lamento os baixos salários recebidos pelos funcionários da educação, saúde, segurança pública, bem como os técnicos de níveis superiores. Estes pedem muito pouco em cima de uma base salarial historicamente defasada, aqueles pedem pouco, mas em cima de uma base salarial invejável.

Em resumo, a grande maioria dos funcionários, ao longo do tempo perdeu grande parte da sua base salarial, enquanto uma minoria ganhou até demais. Que se faça justiça social, beneficiando mais os que estão na base da pirâmide salarial do Estado. Também é mais do que justo que, os que estão posicionados no vértice da pirâmide, percam um pouquinho em benefício daqueles que se consideram injustiçados. Apenas isso e nada mais.

João Pessoa, 19 de Novembro de 2011

*Economista e Escritor

ESPERANÇA VIVA!

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Embora na vida haja altos e baixos há uma dádiva dos céus latente em nós, a esperança. Ela nos move de tal forma ainda que estejamos desanimados ou desestimulados em alguns momentos da vida. Bendigo a Deus pela esperança viva que faz nascer à luz pela qual somos guiados. Quando percebemos que ela existe sentimo-nos completamente realizados em sonhos, planos e projetos.

Mas há mesmo de se perguntar: O que é esperança? Eu diria é uma força propulsora que nos estimula a caminhar, ainda que a nossa vontade esteja desfalecendo ou que venhamos a sentir que estamos no lugar mais fundo de um rio, lago ou poço. “Sentir-te-ás seguro, porque haverá esperança; olharás em derredor e dormirás tranquilo” Jó. 11:18. Segundo nosso patriarca Jó, o homem mais paciente de toda história bíblica, só nos sentimos seguros porque há uma esperança.

A gente que diz: ‘A esperança acabou’ outros dizem ‘já não existe esperança’, essas declarações tem como ponto de partida ou referência de quem desconhece o valor e a razão do próprio modo de viver. Ignoram que esperança é um fator essencial dessa vida neste mundo. Sem ela não haverá triunfo, não haverá como alcançar vitória e sobrepujar os ventos que nos são contrários.

Como explicar o amor, a perseverança, a paciência, a fé sem associar essas condições antropocêntricas à esperança? O Pastor Estevam Fernandes da Primeira Igreja Batista de João Pessoa Paraíba, em seu livro “Quando Vem a Brisa..." Diz: “A esperança é amiga da paciência. “É filha legítima da fé, e é parceira inseparável da Perseverança e da determinação” Por isso diz ele que há razão na sabedoria popular quando afirma: “Quem espera sempre alcança”.

Em que consiste a firmeza das palavras ‘espere deitado ou sentado’ que em pé cansa? Diz-se de uma pessoa que quer deixar o seu semelhante a esperar por longo tempo ou então provocar um clima de desânimo e desconfiança a tal ponto, para que o outro perca toda esperança. Em um mundo conturbado como o nosso e em meio a tanto desmandos praticados pelos homens é necessário mantermos firmes a confiança em Deus e assim a centelha da esperança nunca se apagará no nosso périplo.
“O homem pode ser resistente às palavras, forte nas argumentações, mas não sobrevive sem esperança. Ninguém vive se não espera por algo bom que seja bem melhor do que o que já conhece, que já possui ou já experimentou. Deus alimenta nossa vida através da esperança”! (Padre Xavier)

Estamos cercados por todos os lados de muitos desesperançados. Acontece que muitos desses puseram suas esperanças em homens falhos que prometeram, falaram de esperança e não cumpriram com suas promessas.

Podemos ter esperança quando nos lembramos de tudo o que Deus fez por nós. A Bíblia diz em Romanos 5:1-2 “Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus.”

Quando estiver desanimado, ponha a sua esperança em Cristo. A Bíblia diz em Salmos 42:11 “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele que é o meu socorro, e o meu Deus.”

A esperança carrega consigo outras boas virtudes. A Bíblia diz em Colossenses 1:5 “A fé e o amor vêm por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho.”

A esperança cresce quando nos lembramos da promessa da ressurreição. A Bíblia diz em I Tessalonicenses 4:13 “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança..”

A esperança encontra-se com o coração. A Bíblia diz em Efésios 1:18 “Sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos.”

Pombal, 16/11/2011

*RADIALISTA, BLOGUEIRO E COLUNISTA

A vida do CEL. ARRUDA, Cagaceirismo e Coluna Prestes (Comentário)

O bom trabalho literário, de grande importância para a compreensão da história regional da Paraíba, intitulado "A Vida do Coronel Arruda, Cangaceirismo e Coluna Prestes", de autoria do ilustre Promotor de Justiça paraibano, Severino Coelho Viana, sem dúvida, um dos mais brilhantes pombalenses, constitui-se em excelente contribuição para o mundo literário pertinente ao tema.

O texto, de leitura simples e direta, sem subterfúgios ou palavras difíceis, termina por envolver o leitor do inicio ao fim do livro, buscando mostrar todas as importantes passagens da vida publica do militar, do policial, do politico, do homem, do Cel. Arruda, desde a sua compreensão e retransmissão de que aquele cidadão se tratava de um ser humano espetacular, atencioso e formidável, além de ser dotado de memória estupenda, de tudo se lembrando nos mínimos detalhes, apesar da sua idade avançada quando da entrevista prestada ao autor do livro.

No decorrer da leitura, o leitor, por mais leigo que seja, percebe as grandes qualidades que possuía o Cel. Arruda, destarte para a sua coragem, destreza, honradez, honestidade, um grande homem, entretanto, teimoso e afoito por demais, talvez, por vezes agindo mais pela emoção, mas no intuito de acertar e vencer em vitórias não só suas, mas do seu povo, do povo a quem tanto amava, do povo paraibano a quem tanto defendeu. O exemplo maior dessa ousadia e extrema coragem visando defender o povo da tirania do suposto exército revolucionário que buscava novos rumos para o país, mas para tanto não deixou de praticar rosários de arbitrariedades por onde passou, foi o seu enfrentamento a grande e temível Coluna Prestes, quando da passagem daquela Unidade de Guerra pelo município de Piancó na Paraíba, em fevereiro do ano de 1926. Sem sombras de dúvidas, um ato corajoso de um destemido homem, mas ao mesmo tempo temeroso e intempestivo, vez que de tudo, houve final trágico para muitos combatentes com a cidade praticamente arrasada em verdadeiro inferno. Entretanto, o exercito revoltoso de Prestes sentiu a pungência e a força do povo paraibano, apesar de ter realizado verdadeiro e covarde massacre a certos combatentes de Piancó, já rendidos e desarmados como foi o caso do Padre Aristides Ferreira da Cruz e alguns dos seus bravos seguidores.

Tal ato combativo e heroico rendeu ao então sargento Arruda, a importante e dignificante honraria do governo do Presidente do Estado, João Suassuna, por bravura, condecorado com a espada do herói.

Passeando na interessante leitura do livro, para não muito se alongar no presente comentário que de fato merece destaque para muitos atos heroicos do bravo Cel. Arruda, deixamos de tecer dados sobre a sua atuação incansável em busca de criminosos; sobre a prisão que efetuou do temível e sanguinário bandoleiro Chico Pereira; sobre a sua luta contra o poderio dos chamados "coronéis"; sobre a sua trajetória politica de prefeito a deputado estadual; sobre os embates que ravou com o Padre Manoel Otaviano na época em que ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba; sobre a sua inimizade com o famoso coronel Jose Pereira e sobre tantos outros acontecimentos pelos quais passou o Cel. Arruda na sua trajetória de militar e delegado de policia em várias cidades da Paraíba embrenhando-se no matagal, nas caatingas, sob o sol causticante em busca dos cangaceiros de Lampião, deixando de tudo então, para melhor se ater a questão da citada batalha contra a Coluna Prestes, a sua mais arrojada batalha, embora pudesse ter sido evitada se alguém dos combatentes de Piancó não tivesse disparado tiros contra aquele temível e terrível exército revolucionário, como de fato ocorreu, ninguém sabendo quem teria sido o autor de tal audácia que gerou rápida, mas sangrenta guerra naquelas terras da Paraíba.

Consta da leitura que quando a Coluna Prestes entrava em Piancó, talvez em passagem amistosa, ninguém sabe, com os homens da cidade já devidamente preparados e entrincheirados em diversos piquetes de defesa, tiros certeiros alvejaram cavalos e cavaleiros daquela tropa, até mesmo oficiais. Daí por diante o tempo fechou em barulho e desespero, quando intenso tiroteio transformou a cidade de Piancó em verdadeira praça de guerra.

Havia entre os defensores de Piancó, um cidadão que na verdade era um preso que ali estava por demonstrar ser de bom comportamento e assim viver de certas regalias fora da cadeia. Esse detento que possuía tratamento diferenciado era conhecido por "preá" e que ganhara tal apelido por ser considerado exímio rastreador de animais perdidos, que para prova disso, bastavam lhe dar uma rapadura que ele conseguia trazer do meio da caatinga qualquer caprino que por ventura se desgarrasse do rebanho. Na delegacia, por conta de tais benesses, o referido "preá" era uma espécie de faz-de-tudo que lhe mandassem.

Junto aos defensores da cidade o tenente Antônio Benício, delegado de Piancó, que estava do outro lado da rua, noutro piquete, solicitou por gestos e algumas poucas palavras em meio ao barulho ensurdecedor dos estampidos vindos de todos os lados, que "preá" trouxesse quatro fuzis e munição suficiente para o piquete dele que assim necessitava. Não havendo a mínima possibilidade de "preá" atravessar a rua em meio ao cerrado tiroteio sem ser atingido, principalmente com todo aquele apetrecho pesado, então, o agora protagonista da história ora comentada, sargento Arruda, teve a idéia de instrui-lo para pendurar a camisa branca que vestia em um dos fuzis. A estratégia deu certo, pois quando "preá", mesmo tremendo mais do que vara verde, saiu à rua com o fuzil hasteando a bandeira branca, imediatamente os revoltosos de Prestes, ensarilharam suas armas respeitando a decisão contida no símbolo internacional, ou até quem sabe, pensando que os combatentes pretendiam se entregar.

Em contraponto, talvez por não saber o que de fato acontecia naquele momento de pausa, outro piquete de defesa da cidade ali próximo, o grupo chefiado pelo Padre Aristides, aproveitou o momento de distração da Coluna Prestes para intensificar o tiroteio em sua direção, trazendo como resultado de tal irrazoabilidade, muitos soldados mortos e feridos.

Disso resultou que a tropa revoltosa, em imensa fúria e ódio, comandada pelo próprio Capitão Luiz Carlos Prestes, investiu fortemente contra o piquete do Padre Aristides Ferreira da Cruz, lançando inclusive duas bombas de efeito narcótico dentro da casa do citado reverendo, o que fez com que aquele grupo, fraco, tonto, sufocado e desorientado, se entregasse.

Covardemente, usando tão somente por base, o atroz sentimento de vingança pelos seus mortos em virtude do incidente ocorrido, o comando da Coluna Prestes determinou que todos "os prisioneiros de guerra" que estavam na casa, incluindo o Padre Aristides e o prefeito de Piancó, o Sr. João Lacerda, bem como o filho deste, fossem conduzidos amarrados a um barreiro ali próximo e lá barbaramente sangrados, um a um, com ferimentos perpetrados por longos punhais enfiados nas jugulares, ou em brutais degolas das vitimas que em gritos e desesperos não foram perdoados, fazendo disso, das maiores arbitrariedades, dos maiores e horrendos crimes praticados pelos soldados revoltosos na caminhada histórica da Coluna Prestes. A água do barreiro da morte ficou tão vermelha de sangue quanto vermelha de vergonha ficou essa covarde ação daqueles homens que diziam lutar por um Brasil melhor, que se diziam revolucionários reformistas. Uma ação totalmente injustificada que jamais justificaria a desastrada ação do grupo do Padre Aristides em ter atirado contra os homens que respeitavam a bandeira branca carregada por "preá". Uma triste, desolada, insana e macabra ação de negatividade em extrema falta de hombridade, sensatez e humanidade contra homens indefesos, desarmados e presos, uma execução sumaria em verdadeira chacina, que ficou para sempre guardada nos anais da história de guerra desses valorosos paraibanos contra a poderosa Coluna Prestes.

O discurso do autor do livro não é um discurso autoritário, ditatorial ou mesmo demagógico, é um discurso livre, democrático, que busca novas discursões, mas que traz a verdade, ou pelo menos dela se aproxima, sem mentiras, invencionices, extravagâncias, baseado na história real até mesmo em certos pontos diferindo da história oficial, mas não em forma contundente, sim em trabalho cuidadosamente organizado, de forma realmente consciente, de tudo para mostrar ao leitor o que foi a trajetória vida do cidadão Manuel Arruda de Assis, um verdadeiro exemplo para todos os seus familiares, um homem imortal para os paraibanos, um exemplo a ser seguido por todos os homens de bem.

De parabéns, portanto está o autor do livro, por resgatar a historia desse homem guerreiro que tanto enobrece o solo desse tão importante Estado da Paraíba que tantos ilustres personagens trás para o cenário brasileiro. Uma leitura que de igual modo espero que todos gostem. Um livro que merece estar em todas as boas bibliotecas.

Foi assim que eu vi e senti do livro de Severino Coelho Viana.

Autor: Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe)
Fonte: O CANGAÇO EM FOCO

POR AMOR AO FORRÓ

Pinto do Acordeão e Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

O sol brilhava no céu do sertão quando o ventre do forró entregou ao mundo um coração que já nasceu sob a batida do zabumba, do toque do triângulo e das notas da sanfona. Foi criança criada nas terras sertanejas, moleque faceiro que começou a conhecer o mundo nas veredas do Sítio Queimadas, do seu padrinho Antônio Gomes.

Seu ídolo maior, Luiz Gonzaga, foi a fonte inspiradora para que aflorasse do seu intimo o grande músico que o tempo tratou de lapidar. Seu destino, percorrer as estradas desse mundo, levando consigo a sanfona no peito e o seu canto para alegrar um povo chamado Nordeste.

Da sua voz ecoa o amor, ora com um jeito travesso, ora com a pureza de fragmentos pinçados da natureza. Sua música também conduz a análise sócio-política-econômica da realidade deste país chamado Brasil. É assim ao cantar Matuto Teimoso, onde traça a relação impiedosa entre um pequeno agricultor das Espinharas com o crédito bancário. Já na música Bóia-fria, o poeta expressa a vida-morte desse ser tão heróico.

Enfrentou a poeira das estradas, tocou nas salas de reboco, em chão batido sob a luz de lamparinas, aturou bêbados impertinentes, viu o sol amanhecer ao som de um fole já cansado e sem perspectiva de receber pela noite de tanto canto. Passou por tempos difíceis, mas a sanfona nunca o abandonou. Dela brotou, brota e sempre brotará o seu forró, a sua persistência em caminhar com a fé inquebrantável oriúnda de todo sertanejo, por isso, soube romper os obstáculos e com sabedoria abrir veredas e construir amigos. Seu forró o fez conhecido mundialmente, pois sua música Nenén Mulher já tocou em quase todos os recantos deste planeta.

Mas como bem você diz: “Pra chegar nessa festa tão linda, só sabe Deus o que já passei / Já rasguei o couro do zabumba / A sanfona já desafinei / Joguei minha sorte na estrada / Andei na poeira, no sol / Já cantei, já sofri, já chorei / Tudo só por amor ao forró / Dó, ré, mi, fá, só, lá, si, dó / Tudo só por amor ao forró / Ó, ó ó, tudo só por amor ao forró / Minha terra tem tanto poeta / Poesia faz parte de mim / A sanfona sempre foi minha dona / Me conhece tintim por tintim / Onde chega é sempre alegria / Muita gente ao meu redor / E assim a vida vou cantando / Tudo só por amor ao forró / Dó, ré, mi, fá, só, lá, si, dó / Eu nasci numa casa de taipa / O meu berço foi um caçuá / A banheira foi uma gamela / O travesseiro um tronco de juá / Me criei bem lá no pé-da-serra / Foi lá que deixei meu xodó / Vou voltar, vou fazer uma festa tudo só por amor ao forró”.
Pinto do Acordeão
Realmente Pinto do Acordeom, só você, sua sanfona, seu forró e Madalena sabem dos espinhos, pedras, abismos que tiveram que vencer para chegar nesta festa tão bela, representada pelo seu tocar, seu canto, seus poemas e sua imensa alegria.

*Pombalense, Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Capital.

PAULO ABRANTES RECEBE HONRARIA MÁXIMA DA REAL ACADEMIA DE LETRAS DE PORTO ALEGRE - RS

Paulo Abrantes
 ACADÊMICO HONORÁRIO DA RAL- RS.

O escritor pombalense, Paulo Abrantes de Oliveira, engenheiro civil, do DER, e professor Licenciado em Ciências pela UFPB, receberá a honraria máxima de Acadêmico Honorário, das mãos do Presidente da Real Academia de Letras de Porto Alegre – RS, Acadêmico Dr. Mário Scherer, dentro das comemorações de entrega do XI Prêmio Cultura Nacional- Talento Literário. A mais importante premiação literária brasileira que completa onze anos.

ENTREGA DE TÍTULO:

A solenidade de entrega de Título de Acadêmico Honorário e de XI Prêmio Cultura Nacional, ocorrerá no dia 24 de novembro de 2011 – ás 19 h 30min, na Câmara de Vereadores de São Paulo – Capital – Auditório Prestes Maia – Viaduto Jacareí, 100 – 1º Andar – São Paulo – SP.

“Este ano, no Auditório Prestes Maia da Câmara de Vereadores da Cidade de São Paulo, estaremos comemorando com você Laureado, amigos e familiares, o décimo primeiro ano da entrega do Prêmio Cultura Nacional – Talento Literário”.

“Esta premiação aos autores brasileiros firmou-se e tomou relevo por ter durante uma década distinguido literatos brasileiros - que se destacam pela qualidade de seus trabalhos no cenário de nosso país – com o Troféu Dragão Dourado” –

“O livro “Riacho de Prata” – Crônicas & contos, contém textos que reúne todas esses requisitos para receber esta honraria – beleza, poesia, calor humano e exaltação a natureza” -concluiu o Dr. Mário Scherer – Presidente da Real Academia de Letras de Porto Alegre – RS.
O título de Acadêmico Honorário, conferido ao agraciado, foi apresentado e indicado pelo atual Acadêmico Presidente no uso de suas atribuições e de seus propósitos de difusão das Artes em geral, e, em especial da Literatura Brasileira.

Da Redação.

A INVISIBILIDADE SOCIAL

Teófilo Júnior
Por Teófilo Júnior*

Se tornar invisível não é uma condição exclusiva de alguns super-heróis dos quadrinhos ou do cinema. Na vida real isso também acontece e com muita frequência, inclusive.

É muito comum não darmos conta de muita gente que nos rodeia e nos cerca no dia a dia. Basta ver que raramente conhecemos o vendedor de picolé de nossa rua, o gari da prefeitura ou o podador das árvores públicas. Quando adoecemos tratamos logo de saber, pelo nome, quem é o médico que nos dispensa cuidados, mas não nos interessamos pela identidade da cozinheira do hospital que nos alimenta nem da faxineira que nos prepara o leito.

Não resta dúvidas de que essas pessoas são “invisíveis aos nossos olhos”, passam despercebidamente por nós, ora no trabalho, na escola, na praça, na rua, no caminho do cinema, enfim, nos lugares comuns e mais inusitados possíveis.

São os chamados "invisíveis sociais". Nós até pressentimos a sua presença mas ignoramos a sua identidade, seu nome, sua função, quem é, de onde veio, do que gosta, o que pensa ou pra onde vai.
Um exemplo disso é o jovem da foto, por todos nós pombalenses, chamado simplesmente de "Índio", quando muito, o identificamos como "o Índio de Margarida" numa alusão a saudosa professora Margarida, presidenta do antigo Clube do Menor Trabalhador, hoje CEMAR.

Mas, o "Índio", que faz um périplo diário pela cidade, esse ser humano investido da condição de "invisibilidade social", alheio a nossa percepção social, excluído das nossas rodas de conversa, dos bate-papos, dos nossos cumprimentos de "bom dia" e de nossa dispendiosa atenção, na verdade, existe, tem nome, RG, CPF e tudo mais que necessite para a conjugação de um cidadão brasileiro. Chama-se Sostinys Severino dos Santos, nascido em 12 de julho de 1975 na cidade de São Luiz do Maranhão, filho de José Severino dos Santos e Honorina Maria Alceno dos Santos (falecidos), residente na rua Domingos de Medeiros, nesta cidade de Pombal. Durante muitos anos foi acolhido pela educadora Margarida Pereira da Silva e hoje é muito comum transitar pela cidade sem que a "sociedade" perceba a sua presença.

Sostinys, todavia, embora não percebido, tem ele percepção das coisas que lhe cercam e dos desafios que enfrenta todos os dias nesta cidade.

Embora tenha nascido no Maranhão, bem poderia ter nascido na Bahia, ante a sua calmaria e tranquilidade.

Em sua ficha de cadastro no CEMAR (gentilmente cedida por aquele órgão) duas observações me chamaram a atenção. É que perguntado a ele sobre o que gosta de fazer, respondeu: assistir televisão, desenhos e dormir; - E o que mais lhe acalma na hora de sua irritação ? Sostinys foi enfático e pontual na resposta: - Um bom prato de feijão!

É... o Índio é invisível, mas certamente não é bobo!

*Advogado, Servidor Público - Pombal - PB. 

"PREVENIR É MELHOR QUE AMPUTAR"

Mª do Bom Sucesso Neta

“Prevenir é melhor que amputar”

Essa frase me foi apresentada por um cirurgião vascular; achei deveras interessante e resolvi destacar aqui.

De forma objetiva, será abordado um tema bastante freqüente na prática clínica de médicos generalistas, cirurgiões gerais e vasculares. Através de tópicos simples, a doença arterial periférica vai sendo compreendida de forma ampla e instigando a curiosidade dos leitores para desvendá-la de maneira precoce.

Conceito

A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) representa um conjunto de manifestações clínicas causadas pela diminuição da circulação arterial nas artérias das extremidades.

Causas

Existem diferentes causas para a DAOP, porém a principal delas é a ATEROSCLEROSE, formação de placas de ateroma nas artérias. Destacam-se entre outras causas: aprisionamento da artéria poplítea, doença cística adventícia da artéria poplítea, ergotismo e pós-oclusão arterial aguda.

Fisiopatologia

De forma sucinta, a fisiopatologia da doença em questão consiste em uma limitação obstrutiva do fluxo sanguíneo, levando à isquemia tissular, ou seja, falta de oxigenação aos tecidos e desenvolvimento dos sintomas, com possível destruição local.

FATORES DE RISCO

Esse tópico é o mais importante, visto que, concordando com o ditado popular “prevenir é melhor que remediar”, verifica-se que, com maior conhecimento sobre os fatores de risco, torna-se mais fácil evitar danos maiores. Há uma grande quantidade de fatores de risco; alguns não podem ser modificados, como a idade e o sexo (homens entre 50-70 anos são mais acometidos pela doença), todavia existem fatores modificáveis, como por exemplo: o tabagismo e o sedentarismo. Além disso, as principais doenças envolvidas com a DAOP são diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia, as quais podem ser bem controladas com mudança de estilo de vida e uso correto de medicações.

Diagnóstico

O diagnóstico é eminentemente clínico e baseado em uma boa história clínica e exame físico detalhado. Na anamnese são pesquisados sintomas como claudicação intermitente, dor em repouso e a existência de fatores de risco. No exame físico, o paciente deve ser avaliado quanto à ectoscopia, palpação de pulsos e pesquisa de úlceras ou áreas de necrose. Exames complementares podem ser úteis em certos casos.

As manifestações clínicas mais comuns são: (1) claudicação intermitente - dor muscular ao esforço físico que regride ao repouso; (2) dor em repouso - dor intensa de caráter permanente, que obriga o paciente a permanecer com a extremidade comprometida pendente; (3) presença de úlceras e gangrena - quadro crítico, quando associado à dor e lesões necróticas sinaliza risco iminente de perda da extremidade. Diante da sintomatologia do paciente e após exame físico, pode-se classificar em qual estágio da doença o paciente se encontra, importante para instituir terapêutica adequada.

Tratamento

O tratamento é dividido em condutas clínica e cirúrgica (intervencionista). A primeira geralmente é instituída em pacientes assintomáticos ou com claudicação leve a moderada e consiste no uso de vasodilatadores, principalmente, controle dos fatores de risco e cuidado das lesões cutâneas. Já a segunda é escolhida em casos de pacientes com dor em repouso e/ou presença de lesão trófica e é baseada em diferentes técnicas, entre elas: cirurgias abertas, endovasculares e indiretas. A melhor conduta deve ser tomada a depender da individualidade de cada paciente e, mais especificamente, pelo cirurgião vascular ou angiologista.

¹ ² ³Maria do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta

Novembro 2011
E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
¹Patoense, 23 anos, mais conhecida como “Cessinha”, poetisa, escritora.
²Interna de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande.
³Membro da Academia Patoense de Artes e Letras.

A QUENGA E A CATEMBA

Zé Ronaldo
POR ZÉ RONALDO*

Nos cafundós do nosso pacato sertão nordestino, a de se dar a mão a palmatória, elemento rústico de madeira, que serviu muito tempo para as seções de torturas quando a criança queria aprender a ler. Assim sendo ,afirmamos com tamanha categoria, a sapiência do homem rude do campo através da sabedoria popular, e como se não nos bastasse a culinária sertaneja nos leva a degustar pratos deliciosos que mais parece manjares dos deuses, para estes pratos, é claro, que na maioria das vezes lá está ele o famoso “ coco “ que segundo o dicionário aurélio significa: “ fruta do coqueiro, em especial, o do coqueiro-da-Bahia, largamente utilizado na culinária brasileira”.

E como o nosso bravo povo sertanejo é criativo, um mestre na arte da cocada de coco, chama-se Zezinho de Neco Sabiá, que ralava coco todas as tardes para produzir suas saborosas cocadas, vendo mestre Zezinho lascando o coco e raspando a quenga me veio na mente a utilidade das catembas e a sua semelhança com a política atual.

Em épocas de gangaço a catemba era usada para se tomar café, servia de concha improvisada para se tirar o feijão da panela de barro, e na política a coitada ganhou tantos adjetivos que nem é bom lembrar, se o candidato prometer e não cumprir ganha logo um enorme palavrão acompanhado de uma grande cusparada, amasseando os dentes, logo após uma bicada de cana que o matuto tomou, escancara a boca e fala “ FILHO DE UMA QUENGA” , se o político quebra financeiramente, perdendo seus bens materiais no investimento furado que fez para a sua candidatura, tentando projetar a sua imagem na mídia há quem também o diga: “ O BOLSO DELE TÁ MAIS RASPADO QUE QUENGA DE COCO “ catembando aqui e ali ensaia longos discursos que antes mesmo de chegar ao fim do raciocínio já lhes rachou como catemba batida na pedra o seu quengo, e o povo se dispersa.

Quando coloca o famoso estrato de perfume “ cassimiro buquẽ “ para abraçar seus correligionários um menino ao sentir aquela fragância exalando pelo ar lhes dirige a inocente pergunta: “ O SENHOR COMEU COCO HOJE ? E ele coitado para ser educado passa a mão na cabeça do moleque e responde: “ PORQUE MEU FILHO ? “ Imediatamente, o moleque com um sorrisinho simples de quem está lambendo rapadura solta o berro: “ PORQUE O SENHOR ESTÁ CHEIRANDO A QUENGA”.

Quenga, catemba e coco compõe o adereço que ornamenta o cenário imaginário da mente do homem do campo, afinal de contas, o grande “ Euclides Da Cunha “ já dizia : “ O SERTANEJO É ANTES DE TUDO UM FORTE “ E é por ter esta fama de forte que costumava colocar a farinha na catemba acompanhada tradicionalmente com um taquinho de rapadura. Se no nordeste tem catemba e se a catemba também é quenga cheguei a simples conclusão que a política é uma quenga dessas bem safadinha que não guarda má- guas nem rancores , brigam, brigam e no final comem na mesma catemba, para aliviar as dores.

Portanto, se no coco tem catemba em forma de côncavo e convexo, na política a catembada tem paralelas avulsadas, e o matuto é quem tá certo, dando nela uma cagada, usando-a como pinico no aperto das madrugadas. Já a molecada brinca nos barreiros quando chove de fazer bolinhos de barro na velha quemga quebrada, é arte ou é catembada ? Também vira tamanquinhos com um cordão de rede enfiada para os meninos brincarem, mas no meio de um comicio é uma arma mortal quando jogada a distância na fronte do candidato faz um corte tão profundo e bota pra o hospital, isto é o poder da quenga depois que vira catemba nas mãos de um marginal.

*Artista Popular

O SENTIDO DA VIDA

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Quantos neste mundo que já perderam a noção do sentido da vida, outros que já nem perguntam mais se a vida tem sentido. Seja em que direção for se ela é boa ou ruim, a vida tem sentido sim. É mal de toda gente pensar unicamente (só eu), nos vários aspectos da existência humana e do quanto ela seja pior possível. Não damos conta de olhar o que se passa com outras pessoas que estão em dificuldades e até no fundo poço. Somos tão egoístas que só enxergamos o que é nosso.

A ordem cronológica da criação de Deus tem uma simetria bastante interessante que aguça a nossa curiosidade em querer se aprofundar cada vez mais; se realmente a vida para toda espécie animal e humano tem sentido! É um tema por demais complexo que divide opiniões de filósofos, cientistas, estudiosos e até mesmo aqueles de linguagem rude. Somos limitados demais para compreendermos com profundidade qual seja o pleno sentido da vida.

Durante Séculos pensadores buscaram o sentido da vida, “a vida é para ser desfrutada”, foi à conclusão de um estudo acadêmico. Em 2003 um relatório publicado na revista britânica Journal of Humanistic Psychology, de um grupo de psicólogos dirigidos por Richard Kenner da Universidade do Arizona (EUA) que analisou palavras de duzentos pensadores, do escritor Oscar Wilde ao imperador Napoleão, concluiu: “É preciso desfrutar a vida enquanto for possível”.

De onde viemos? Que estamos fazendo aqui? Para onde caminhamos? Aonde chegaremos? São indagações que permeiam os pensamentos de milhões e milhões de pessoas neste planeta. Todos buscando respostas para essas perguntas, com a única finalidade de entender ou vir a compreender que sentido a vida tem nesse emaranhado de coisas como: alegria, tristeza, prazer, desgosto, conforto, amizade, inimizade, amor, ódio, competição, vitória, derrota, riqueza, pobreza, corrupção, desigualdade social etc.

Diante das mais diversas circunstâncias que a vida nos cerca, o nosso comportamento poderá como uma bússola, nos guiar ao porto seguro do que almejamos saber sobre o verdadeiro e mais precioso sentido da vida. É a maneira como nos comportar ao encararmos as coisas que nos bate de frente contrariando nossa vontade. Como termômetro avaliará o grau de nossa temperatura, diante dos obstáculos interposto as nossas pretensões.

Talvez encontrássemos o leme do sentido da vida se fizéssemos a diferença no nosso modo de agir. Alimentar as esperanças quando achamos que tudo ou quase tudo está perdido é uma atitude por demais louvável e heroica desde que confiemos em Deus deixando em suas mãos os nossos problemas. A questão é que ficamos relutando e queremos a solução de imediato quando não pode ser do nosso modo.

Uma revista esportiva resumiu da seguinte forma a vida de um famoso ex-treinador e comentarista esportivo:

“Eu acreditava que 20 anos de fama bastariam... talvez ganhar três campeonatos e então, no auge, com 53/54 anos, parar... Depois eu pretendia recuperar tudo o que tinha perdido, por causa do muito tempo que estive viajando... Agora tudo parece tão sem sentido... Mas aquela ânsia incontrolável de conquistar o mundo não podia ser freada... Ao se ficar doente, chega-se à conclusão: "o esporte não significa mais nada" – esse pensamento é terrível.

Seja a vida longa ou curta, o importante é que descubramos em nós mesmos o verdadeiro sentido de sua existência e nos identifiquemos com aquele que é o autor e consumador da nossa fé, Nosso Senhor Jesus Cristo, que resumiu o verdadeiro sentindo da vida nestas palavras:

"E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17.3).

“De bem com a vida você fará transparecer a todos, seu verdadeiro sentido!”

Pombal, 10/11/2011.

*RADIALISTA, BLOGUEIRO E COLUNISTA

TOXINAS DA ALMA

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

O ser humano nos últimos tempos vem demonstrando um cuidado maior em relação ao corpo. Não só as mulheres, mas também os homens modernos estão se dedicando mais à estética, e, por isso, a busca cada vez maior de academias e cirurgias plásticas. O fato é que, em alguns casos, há um exagero nesse proceder. É que as pessoas, em busca de uma perfeição que jamais será alcançada, terminam por exceder nos exercícios físicos ou mesmo na realização de cirurgias plásticas, precipuamente as de lipoaspiração, comprometendo a saúde e colocando em risco a própria vida.

Esse panorama demonstra que equivocadamente o ser humano busca em demasia a felicidade no corpóreo, esquecendo o espiritual, isto sob a fantasia de que uma boa aparência física é sinônimo de felicidade. No entanto, o que se observa é que, com isso, eliminam-se as toxinas da matéria, os excessos de gordura existentes na coxa, na barriga, na região lombar,conserta-se o nariz, contudo, tudo isso, por si só, não tem o condão de demonstrar que esse ser seja verdadeiramente feliz.

É preciso olhar para alma, entender que não adiante um corpo perfeito, quando no interior há um espírito atormentado pelo orgulho, vaidade, prepotência, arrogância, ódio, inveja, etc. Como diz o Pastor Estevam Fernandes: “Se o corpo exige cuidados, como negá-los à alma? A alma também adoece. Alguns sentimentos são como toxinas com alto poder de contaminação...”.

Quem carrega consigo a vaidade, habita sozinho uma ilha inóspita, onde não há espaço para a convivência com a humildade. A prepotência, irmã gêmea da arrogância, é uma toxina, e, por mais belo fisicamente que seja o ser que a carregue, é sempre visto como uma pessoa insuportável, intragável e que esvazia qualquer conversa e ambiente.

A inveja, prima do olho gordo, é uma das piores toxinas da nossa alma. O invejoso é um ser nojento, asqueroso, muitas vezes apresenta-se disfarçado de remédio, de perfume, de uma mão estendida, quando, na verdade, oculta um veneno aniquilador, com mentiras e intrigas, objetivando o fim nefasto a quem se diz amigo.

Na vida, tudo tem que ter equilíbrio. É preciso cuidar do corpo, pois estamos assim tratando da nossa estética e da própria saúde, porém, com razoabilidade e equilíbrio. Da mesma forma com relação ao espírito. Devemos cuidar da nossa alma, afastar a negatividade, a mágoa, o rancor, cultivar a solidariedade, a paz e o amor, pois, assim, teremos uma alma sadia ,e, conseqüentemente, viveremos mais, melhor e com felicidade.

*Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Capital

A BRUTALIDADE DA BELEZA

Lau Siqueira
por Lau Siqueira*


A beleza não é a viga dos encantamentos, apenas. A beleza é o domínio dos abismos da mente e do corpo. Seja num artista, seja num espectador - por mais desatento que seja. A beleza é um espetáculo de cores e escuridão, de sons e silêncios, palavras e pausas. Segundo Hopkins, a beleza é difícil e segundo W. J. Solha é brutal. Não importam aqui os conceitos surrados ou novos. A verdade é que nas poucas palavras deste artigo não será possível definirmos o que foi a belíssima obra construída por diversas mãos, corações e mentes numa dedicação consagradora aos 70 anos de um dos mais completos dentre os grandes artistas brasileiros, W. J. Solha.

Não sei que registro foi feito das duas apresentações de “Cantata Bruta”, uma realização da FUNJOPE e da FUNESC em homenagem ao escritor, sonhador, artista plástico, cidadão íntegro, escritor, ator e outras faces da mesma face no multi-artista homenageado. Na verdade foi uma homenagem às artes porque Solha também participou enquanto criador. Creio que a Paraíba viveu nos dias 29 e 30 de outubro, no palco do Cine Bangüê do Espaço cultural José Lins do Rego, um dos grandes momentos da nossa cultura nas últimas décadas. Ousadia estética e exatidão matemágica foi o que transcendeu como um relâmpago na execução da Cantata Bruta pela Orquestra de Câmara cidade de João Pessoa, sob a regência do maestro Eli-Eri Moura.

Uma das afirmações do concerto, foi a produção erudita da Paraíba. Provavelmente um dos grandes pólos de produção de música erudita contemporânea do Brasil. No palco, além da Orquestra de Câmara, o coro Sonantis, a mezzo-soprano Maria Juliana Linhares, o tenor Ed evangelista e os declamadores Walmar Pessoa e Suzy Lopes. Marcílio Onofre e Valério Fiel cuidaram das sutilezas com intervenções eletrônicas realizadas ao vivo.Tudo muito bem guardado numa iluminação cênica e num cenário que foi um espetáculo à parte. Obra de Jorge Bweres que assinou também a direção de palco. O texto era do próprio Solha (do livro História Universal da Angústia), com músicas de Didier Guigue, Eli-Eri Moura, J. Orlando alves, Marcílio Onofre, Valério Fiel e Wilson Guerreiro que em apenas sessenta dias concluíram as composições.

Certamente que nas duas noites de apresentação da Cantata Bruta, ninguém saiu impune do Espaço Cultural. Impossível que alguém não tenha ficado impactado com a ousadia, a experimentação e a erudição caminhando juntas na elaboração das peças que nos proporcionaram a possibilidade de testemunhar o quanto a diversidade pode convergir quando a direção sabe o caminho e onde cada milésimo de segundo caberá entre o som e a palavra, entre o acorde e o silêncio. Uma obra de mestres das artes não poderia ser diferentes.

Não sei se algum artista brasileiro ou mesmo do mundo, já recebeu uma homenagem que dialogasse de forma tão intensa com sua obra. No caso de Solha, uma obra que não se contém nas cores e nas palavras, mas vai em busca do encantamento e da brutalidade enquanto elemento do real e do imaginário que compõe a alma humana. Quem pode assistir esse concerto-espetáculo sabe que, guardadas as proporções, viveu um momento que do ponto de vista estético podemos considerar um marco no pensamento estético paraibano, tal como diversos movimentos de vanguarda das artes que produziram manifestos e influenciaram gerações futuras.

Estava tudo lá no palco do Bangüê. Artes plásticas, literatura, teatro, música, invenção estética, futurismo, tradição, ousadia... A brutalidade da Canga e de obras monumentais como História Universal da Angústia (de onde foram arrancados os textos sangrados), com a roupagem épica de um Trigal com Corvos, escritos magistrais de W. J. Solha que, assim, conduz para o infinito a consagração de sua imensa e diversificada obra. A beleza verticalmente experimental repercutiu na vivência estética da platéia e lembrou-me, quando descia as rampas do Cine Bangüê o Manifesto Surrealista escrito em 1924: “(...) cara imaginação, o que eu amo, sobretudo em você, é que você não perdoa.”

Tudo neste concerto foi afirmação positiva. Um diálogo espantoso com o nosso tempo, com as esquinas conturbadas do Século XXI, seja nas vitrines rompidas pelo vandalismo dos jovens londrinos, seja pelas almas atoladas no mangue de Bayeux ou nos impactos das balas que assassinam centenas de jovens anualmente em áreas de vitimadas pelo apartheid paraibano, como o bairro São José ou Ilha do Bispo. Uma intervenção com visão de futuro foi o que pude perceber pelos corredores, nas movimentações da saída. Uma noite que não poderia ter sido mais intensamente vivida diante de uma beleza brutal.

Não sei se os executores do projeto pretendem retomá-lo em algum momento. Não sei que tipo de registro foi pensado para algo tão grandioso, além das partituras. No entanto, testemunhei com todos os meus poros e com a minha infinidade de sentidos algo que jamais será arrancado da minha memória e certamente estará gritando aos meus tímpanos que uma nova forma de fluir esteticamente foi sendo conduzida coletivamente, arrastando como em um tsuname, uma velha literatura, uma velha erudição, uma velha concepção de espetáculo e concerto, uma velha sistemática de regência e de direção e cenário. Parece que tudo mudou e, logicamente que me refiro aqui apenas a uma vivência pessoal que não coube em uma platéia lotada. Penso que a partir da Cantata Bruta estamos tansbordando para uma nova forma de pensar a arte do nosso tempo.

Tudo de melhor dos nossos dias estava concentrado em uma redoma em chamas que não poderia ter outro título, pela dose de pancadas de uma transgressão estética que há décadas, tenho certeza, não se via com tamanha intensidade, na insanidade de uma lucidez coletiva, de uma sangria de olhares que se encantavam e se espantavam, se espetavam diante do que pode a arte num estado de brutal beleza. Nenhuma homenagem, no entanto, poderia ser menos grandiosa para um arista da dimensão de um W. J. Solha. Tivemos a oportunidade de testemunhar a história guardada num sopro, num ciclone, numa tempestade de delicadezas e na carne sem pele dos nossos sentidos.

Domingo, 06 de novembro de 2011.
Fonte: Blog  PELE SEM PELE

*Poeta de Jaguarão-RS, autor de cinco livros de poemas, participou de algumas antologias, publica artigos em jornais, sites, revistas. É militante por um mundo de homens e mulheres, livres e iguais. Mora em João Pessoa, na Paraíba, onde segundo ele conquistou uma grande fortuna: duas filhas e uma neta.