CLEMILDO BRUNET DE SÁ

ENXUGANDO GELO

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Estou como Juiz de direito desde março de 1992. De lá para cá, muita coisa mudou. As demandas cresceram vertiginosamente e, mesmo com o uso dos computadores, a tarefa de uma prestação jurisdicional eficaz está se tornando cada vez mais difícil. O número de processos cresceu astronomicamente, e, de outro lado, alguns aspectos gerenciais estão inviabilizando o bom e efetivo andamento das ações.

Primeiro, o horário do expediente forense é corrido e curto para possibilitar que os servidores e juízes possam eficazmente realizar as suas tarefas, sem que não haja déficit. Por exemplo, não há como, num só expediente, servidores cumprirem o atendimento ao balcão, a realização da digitação das audiências, a feitura e expedição dos ofícios, a autuação dos processos, requisição de mandados, movimentação dos processos, checagem do malote digital, confecção e expedição de formais de partilha, elaboração e expedição de cartas precatórias, citação, intimação, alvarás, certidões diversas, requisição de notas de foro, etc.

Um segundo ponto consiste no número reduzido de servidores. Mesmo contando com cinco servidores na serventia de cada unidade judiciária, o que não é a realidade atual, pois a maioria funciona com três servidores e algumas, inacreditavelmente, já funcionaram com apenas um servidor, então, não há como esses funcionários atenderem ao volume de serviço. Com todo respeito, teríamos que transformá-los em máquinas. Aliás, na forma em que se encontram hoje trabalhando os juízes e os servidores, com a devida vênia, deixa transparecer que já há uma espécie de automação, o que preocupa, pois somos seres humanos, e, se as máquinas precisam ser revisadas constantemente, imaginem humanos trabalhando como se máquinas fossem.

Outro aspecto é o número elevado de feitos ativos. Esse fator, aliado aos dois anteriores, dificulta o bom andamento dos processos, pois termina por provocar uma sobrecarga em relação aos magistrados e funcionários. São quase 20 anos de Juiz e tenho a sensação de que estamos numa fábrica de enxugar gelo. Quanto mais se despacha e sentencia, mais processos chegam. Há um desequilíbrio nessa contabilidade que deve ser resolvida urgentemente por aqueles que gerenciam o Judiciário, sob pena de mergulharmos num abismo perigoso.

É preciso instalar mais Varas, virtualizar todos os feitos e realizar concursos para estabelecermos um número de servidores e juízes adequado ao atendimento da demanda de processos, senão, nada feito.

*Pombalense, Juiz de Direito da 5ª Vara Cívil de João Pessoa PB.
onaldoqueiroga@oi.com.br

O CRIME DA RUA DA CRUZ - POMBAL 02 DE JULHO DE 1883

Jerdivan N. Araújo
Jerdivan Nóbrega de Araújo*

Imagine uma cidade pacata, de índole religiosa, com pouco mais de cinco mil habitantes morando em sua zona urbana, ser surpreendida, em um lapso de tempo, entre um caso e outro, de menos de seis anos, por dois crimes de infanticídios: O primeiro caso foi o já conhecido, de Donária dos Anjos, que na seca de 1877, ela então com dezoito anos de idade, para não morrer de fome, matou uma criança, cozinhou e a comeu. Julgada e condenada morreu na cadeia de Pombal. O segundo caso, que só veio à luz no final de 2011, é o de outra jovem pombalense de nome Maria da Conceição então com 26 anos de idade, moradora da Rua da Cruz em Pombal, que no dia dois de julho de 1883, deu a luz e em seguida assassinou a criança.

Se o motivo que levou Donária dos Anjos a cometer infanticídio foi a fome, o de Maria da Conceição foi o de assegurar um suposto casamento. A ré engravidou de um dito Francisco, que certamente a abandonou ao tomar conhecimento da gravidez. Em seguida a ré conheceu um certo Rufino Gouveia, que certamente desconhecia a gravidez, o que ela escondeu até o último minuto daquele fatídico dois de julho de 1883, quando deu a luz assassinou a criança e a enterrou no quintal da casa da avó, sendo o corpo encontrado por cachorros. Acredito que seja este o primeiro texto a falar no assunto, depois de cento e trinta e um anos do fato ocorrido.

O Processo de Maria da Conceição teve inicio no dia três de junho de mil oitocentos e oitenta e três com a queixa e abertura dos procedimentos policiais, até o segundo julgamento pelo Juízo do Conselho de Sentença de Pombal, o que aconteceu no dia seis de junho de mil oitocentos e oitenta e quatro, depois de tramitar em grau de recuso pela Corte Julgadora Superior em Recife.

A acusada foi denunciada, presa, julgada e absolvida por perempção no primeiro julgamento, o Juiz da Comarca Dr. Francisco Leal de Miranda, apresentou Recurso* a instância superior em Recife, conseguindo a anulação do primeiro júri. Submetida a novo Julgamento, Maria da Conceição é condenada, por crime qualificado no "Art. 198. Se a própria mãe matar o filho recem-nascido para occultar a sua deshonra.” “Lei de 16 de dezembro de 1830, (Código Criminal do Império do Brasil).

Foram mais de cento e dezenove pessoas envolvidas no processo, entre Juiz, promotorias, testemunhas, Juízos do Conselho de Sentença, porteiro da Câmara, advogado de defesa, policiais, Inspetor de Quarteirão, delegado, escrivão e Desembargadores, compondo um rito processual, que foi relatado com riquezas de detalhes pelo escrivão da Comarca, o que nos permite através do processo o retorno a cidade de Pombal do final do século dezenove, para seguir seus passos entre a cadeia e a Câmara do Júri da cidade.

De peça jurídica o processo de Maria da Conceição é um documento de relevância histórica, que nos permite analisar a sociedade de Pombal a partir do final do século XIX.

O julgamento de Maria da Conceição foi um evento importante para a sociedade pombalense, envolvendo todos os instrumentos do Estado que estavam à disposição da Comarca de Pombal, que foi o primeiro Julgado que se criou no sertão e data do ano de 1711. Até uma junta pericial para responder os “Quesitos” que viessem a esclarecer o causa mortis e algor mortis, que vem a ser a causa e estimativa do tempo de morte da vitima, foi convocada: eram peritos de profissão, Francisco Adelino Pereira e João Inácio Cardozo D’Aarão.

É fácil imaginar o que esse crime mudou a rotina de Pombal, causando repulsa e indignação ao povo. Diversas testemunhas foram ouvidas e quarenta e oito cidadãos foram convocados, em três momentos, a compor Corpo de Jurados para, através de sorteio, escolher os doze membros que a época eras chamados de Juízes de Sentença. Vejo as pessoas nas ruas acompanhando a ré, ou se aglomerando a porta da Câmara para assistir ao “espetáculo”, torcendo pela condenação da mãe que matou a filha recém nascida Era a pressão da sociedade exigindo das autoridades que fosse feito justiça para que fato igual não voltasse a acontecer.

Isto é Pombal: uma cidade tricentenário, que ainda tem, em seus cartórios, muitas histórias por ser reveladas.

(Nota: *A Lei nº 261, de 3 de Dezembro de 1841 facultava ao Juiz a interposição do recurso. Art. 79. O Juiz do Direito appellará ex-officio:

1º Se entender que o Jury proferio decisão sobre o ponto principal da causa, contraria á evidencia resultante dos debates, depoimentos, e provas perante elle apresentadas; devendo em tal caso escrever no processo os fundamentos da sua convicção contraria, para que a Relação á vista delles decida se a causa deve ou não ser submettida a novo Jury. Nem o réo, nem o accusador ou Promotor terão direito de solicitar este procedimento da parte do Juiz de Direito, o qual não o poderá ter, se, immediatamente que as decisões do Jury forem lidas em publico, elle não declarar que appellará ex-officio; o que será declarado pelo Escrivão do Jury.)

*Escritor e Pesquisador da história de Pombal.

SONHOS, ETERNOS SONHOS!

Genival Torres Dantas
GENIVAL TORRES DANTAS*

Inicio dos anos 70, século passado, cheguei a São Paulo, Capital, exatamente em 26 de junho de 1973, um frio de doer até a alma, o sol encoberto pelas nuvens, a garoa insistia em molhar os casacos que protegiam os transeuntes, para os menos avisados e migrantes recém chegados, o meu caso, só restava tomar bastante café ou chocolate quente, bebida tradicional na cidade para aquela época.

Comecei a me acostumar com os números absurdos que aquela terra produzia e representava. A maior concentração de salas de espetáculos da América do Sul; os melhores teatros, referência especial para o Teatro Municipal de São Paulo. Museus, dentre eles o Museu do Ipiranga. Bibliotecas, destaque para a Biblioteca Mário de Andrade.

Os estádios de futebol como Estádio do Morumbi do Pacaembu, o Palestra Itália e o da Portuguesa, são referências para os torcedores paulistanos.

O Autódromo de Interlagos, com suas corridas internacionais, juntamente com o Jockey Club de São Paulo e seus desfiles de modas em dias de corridas, permeiam a mente dos admiradores do esporte espetacular.

A melhor e o maior centro de gastronomia, uma mistura de cozinhas, nacionais e internacionais. Vem satisfazer o paladar dos admiradores e apreciadores de um bom prato.

O ponto preferido dos migrantes nordestinos, era na esquina da São João com Ipiranga, local que representava encontros e desencontros para os jovens saudosos das suas terras e sua gente

Ali próximo fica a praça da República, onde aos domingos, os artistas plásticos e artesões ainda expõem suas obras, à venda, ao grande público comprador e admirador do belo.

Lembro-me bem de uma pesquisa da época, a cidade tinha em torno de 8 milhões de habitantes, nela existia uma loja de departamento, o Mappin, não há mais, tinha 8 milhões de carnê, esse número correspondia a 5 carnês para cada habitante economicamente ativo.

O centro financeiro estava se mudando da rua xv de novembro para a avenida paulista, local que se modernizava com a inauguração, 1974, da primeira linha do metrô Jabaquara/Santana, se transformando no maior centro financeiro da cidade, e o metro quadrado mais caro do município.

Hoje com 458 anos, comemorado dia 25 último, São Paulo continua desafiando os números. O IBGE aponta 11.244.369 habitantes, dados de 2010, 7 milhões de automóveis. Na educação o IDH atingiu o número 0,919, elevado, considerando os padrões do Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD), superado apenas pelas cidades de Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro, Vitória e Belo Horizonte.

Na economia São Paulo é imbatível, tem o maior PIB das cidades brasileiras, a décima no mundo, dados de 2005. A sexta em números de bilionários, dados de 2011. Em São Paulo está sediada a BM&FBovespa, Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo, a bolsa de valores oficial do Brasil, a maior das Américas e a segunda do mundo.

Por tudo isso e muito mais, São Paulo é, sem dúvida, uma cidade inesquecível, com seus casarões, edifícios, ruas e avenidas, seus migrantes e imigrantes que tanto honram a terra que os adotou como seu segundo berço, além dos seus filhos notáveis ou não, mas trabalhadores, que fazem de São Paulo a locomotiva da nossa nação.

São Paulo é um samba chamado Sampa, do seu filho adotivo, (Caetano Emanuel Viana Teles Veloso), o baiano Caetano Veloso – 07/08/1942; uma Saudosa Maloca, vendo passar nos trilhos da saudade o Trem das Onze, do homem de Valinhos mais paulistano que conheço, (João Rubinato, o próprio Adoniran Barbosa- 1910/1982); simplesmente Paulicéia Desvairada, ou Desvairismo, do seu filho, poeta, romancista, músico, historiador, crítico de arte e fotógrafo, Mario Raul de Morais Andrade (Mario de Andrade – 1893/1945).

*Pombalense e Empresário em Navegantes SC.

NELSON GONÇALVES: PASSADO E PRESENTE - PARTE II

ONÉLIA QUEIROGA
ONÉLIA QUEIROGA*

O valor e prestígio de Nelson Gonçalves são reconhecidos pelos grandes expoentes da música popular brasileira, quando, com euforia, carinho e dedicação, acolheram a sua idéia de gravar com eles, como se fossem os “escolhidos”. Realmente, quem contracenou com Nelson ao som do pinho, das cordas e dos teclados integra, hoje, no cenário musical do país, a galeria dos privilegiados.

Em “Ele e Elas”, vols. I (84) e II (86), em “Eu e Eles (85), em “Nós” (87), em “Nelson Gonçalves e Convidados”, em “Nelson Gonçalves - Cante Comigo” - desfilam as vozes de cantores nossos consagrados, dividindo, com a voz maior, as faixas dos Long-Plays e Cds. O primeiro dos discos mencionados reúne, no vol. I, Nelson com: Fafá de Belém (O Negócio é Amar), Núbia Lafayette (Devolvi), Alcione (Louco - Ela é seu Mundo), Joana (Como é grande o meu amor por você), Ângela Maria (Pensando em ti), Beth Carvalho (Pedi ao Céu); no vol. II, com Gal Costa (Dos meus braços tu não sairás), Tetê Espíndola (Saia do meu caminho), Elizeth Cardoso (As Rosas não Falam), Maria Bethânia (Caminhemos), novamente Joana (Alguém me Disse) e Elza Soares (Se Acaso Você Chegasse). Em “Eu e Eles” cantam com Nelson: Tim Maia (Renúncia), Martinho da Vila (Lembranças), Caetano Veloso (Maria Betânia), Fagner (Mucuripe), Luiz Gonzaga (Asa Branca). Em “Nós”, Nelson Gonçalves faz-se acompanhar de: Zizi Pozzi (Castigo) e Nana Caymmi (Não tem solução, Só Louco e Nem eu); Milton Nascimento (A Saudade mata a gente), Lobão (A Deusa do Amor) e Chico Buarque (Valsinha). Em “Cante Comigo”, marcam presença: Lobão (Normalista), Chico Buarque (As Vitrines) e Ney Matogrosso (Caminhemos), destacando-se, aqui, a única presença feminina de ELBA Ramalho que nos dá um belíssimo depoimento acerca dessa experiência musical: “Nelson Gonçalves é para mim uma história de vida, forte e bela. Ter participado deste disco é uma bênção na minha carreira! Obrigada!”.

O elenco de cantoras e músicas do primeiro disco, nos seus dois volumes, e de cantores e músicas do segundo e terceiro discos repete-se, totalmente, no quarto deles, ou seja, “Nelson Gonçalves e Convidados”.

Os sucessos de Nelson inspiraram, ainda, O Piano Espetacular e o Teclado Espetacular de Don Euclydes e orquestra, ambos no seu vol. 2 que deslizou em suas teclas as músicas Risque, Argumento, Apelo, Doidivana etc., e A Volta do Boêmio, A Média Luz, Negue, Caminhemos, etc, respectivamente.

Outro pianista famoso acalentava um sonho: tocar as músicas de Nelson. Não queria, apenas, solar as músicas; queria mais, queria o vozeirão do cantor. Conseguiu realizar o sonho e a música popular brasileira foi presenteada com a obra prima: Nelson Gonçalves e Artur Moreira Lima, o boêmio e o pianista. Ouvir os toques mágicos de Artur em a Camisola do Dia, Caminhemos e Meu Dilema, tendo, ao fundo, a voz de Nelson, é prêmio de brilhante para nós mortais. Isto sem falar nos solos do pianista, das músicas Tico-tico no Fubá, Lamento e Apanhei-te, Cavaquinho.
Nelson Gonçalves nunca se deixou intimidar com o tempo, e pelo tempo. Enfrentou-o de cabeça erguida com a arma que Deus lhe deu: a voz. Em 1982, aos 62 anos, é, na Praça da Sé, em concentração monstro, que lança o LP Conclusão, com o acompanhamento do regional de Caçulinha. A partir de 1984, como assinalado já o foi, passa a gravar com os artistas da nova geração. Em 1989, comemora os cinqüenta anos de carreira, lançando um álbum com cinco discos e apresentando-se em espetáculo, no Olímpia, em São Paulo, “com orquestras e músicos de primeiríssimo time”, como Raphael Rabello. Aos 76 anos participou de shows no Palace, em São Paulo, no Canecão, no Rio, no teatro, em Manaus.

Nelson Gonçalves, nos quase 79 anos, deu entrevistas, recentemente, nos programas de grande audiência, na televisão. Gravou um disco antológico com músicas de Cazuza, Lobão, Chico Buarque e outros valores, cuja vendagem atingiu o número de cem mil cópias. Três meses antes de morrer, cantou em Nova Iorque. Em seu velório, aos prantos, Ângela Maria recorda este momento: “Cantamos juntos três meses atrás, em Nova Iorque. Não nascerá outra voz como a dele”. Digo-lhe, Ângela Maria, que Nelson soube enfrentar o tempo com receitas perfeitas que o tornam sempre jovem e presente. A sua voz não se foi, pois, quem nasceu cantando, quem cresceu cantando, quem viveu cantando, quem morreu cantando, como ele, cantará eternamente.

*Onélia Setúbal Rocha de Queiroga.
Escritora e Professora de Ciências Jurídicas
da Faculdade de Direito da UFPB.
Colunista do Caderno 2, página Cultura,
do jornal “ Correio da Paraíba”.

BRASIL: UM DESAPREÇO AOS APOSENTADOS QUE PERCEBEM MAIS DE UM SALÁRIO!

CLEMILDO BRUNET*

Clemildo Brunet
Depois de tantas lutas, decepções e desenganos dos nossos aposentados que recebem a cima do
Salário mínimo, mais uma vez o Governo Federal passa-lhes as pernas na questão do percentual dado a essa classe que há muito tempo numa luta renhida vem lutando pelos seus direitos. Mais uma vez as autoridades que governam este país, depois de terem achatados aos longos dos anos os proventos dos aposentados a que me refiro, vêm executando uma política diferenciada para os que percebem o chamado salário mínimo.

O pior em tudo isso é o engodo para ludibriar esses pobres coitados cujos compromissos aumentam dia-a-dia em face da idade e da saúde. A compra de medicamentos caros quase sempre levam embora 30 ou mais por centos do que lhe são destinados no benefício da Previdência Social. Pois bem, este ano não foi diferente em relação aos anteriores. Falou-se tanto em ganho real para os que percebem acima do salário mínimo, que aos ouvidos desses aposentados, tudo sairia de conformidade com o anunciado. Ledo engano!

Pois bem: nos últimos momentos para aprovar o orçamento de 2012, o Governo Federal suou frio, mas conseguiu aprovar o que queria, no entanto, não fez a inclusão do ganho real dos aposentados acima do salário mínimo. O deputado Federal Paulo Pereira da Silva (PDT/São Paulo), e o Presidente do Sindicato Nacional dos aposentados, pensionistas e idosos da Foça Sindical, João Batista Inocentini, garantiram em plenário o compromisso de todos os líderes do Partido, incluindo o PT e o PMDB, que até o final de fevereiro será criada uma comissão do Governo para discutir uma política permanente de recuperação do poder de compra dos aposentados acima do salário mínimo.

Não sou pessimista, mas tomara que aconteça. Acontece que essa turma, anos e mais anos, se reúne e no fim termina em pizza essa história; pois o que se vê, é um verdadeiro desapreço para quem trabalhou muitos anos e contribuiu religiosamente com a Previdência pública desse país, que hoje, de modo desavergonhado não paga aos seus beneficiários da mesma forma como eram as suas contribuições que lhes assegurava o valor real de salários de acordo com o que contribuíam.

INOCENTINI E PAULINHO OTIMISTAS...

“O compromisso em Plenário de todos os líderes de partido é uma grande vitória nossa. Finalmente todos estarão envolvidos e de acordo com a discussão de uma política permanente de recuperação dos benefícios desses aposentados, assim como já é feito com a política de recuperação do salário mínimo”, festeja Inocentini.

“Foi melhor do que esperávamos. No ano passado conseguimos incluir no orçamento o ganho real, mas o Governo não cumpriu. Agora temos o compromisso de todos os líderes de partido que vamos discutir uma política permanente de recuperação do poder de compra, o que é um grande avanço para os aposentados”, disse Paulinho.

Muitas mudanças em artigos foram feitas com facilidades no que diz respeito aos aposentados na Constituição/88 e do Estatuto do Idoso. FHC fez corte da fragilizada aposentadoria de 18%. Lula cortou mais 42% dos manipulados proventos, já Dilma com ares de grande vitoriosa nos tirou mais 8%.

Com a imoralidade desses cortes, já perdemos 68% das nossas aposentadorias, que se as leis não fossem modificadas, ou, se não houvesse alteração nas regras de um jogo no meio do prélio esportivo, os aposentados estariam tranquilamente recebendo o valor condizente de suas contribuições dos 35 anos passados.

Não paremos no tempo e no espaço, vamos cobrar cobertos de direitos dentro da ordem pacífica, porém com veemência, a validade da mesma correção dos 14% para todos os aposentados. Aliás, nenhum trabalhador brasileiro deveria receber aumento menor do que este percentual de 14%.

Foi deste modo que a sociedade juntou-se aos aposentados em 1991 para exigir os mesmos 147% dado de reajuste para os aposentados que ganhavam o salário mínimo, e para todos os outros aposentados do mesmo regime, porque já estava resolvido que estes ganhariam somente 54%.

Como vemos essa perseguição já é bem antiga. Vamos ressuscitar o efeito moral contido no “Affair 147” esperemos que isso aconteça logo agora em fevereiro.

Pombal, quinta feira, 26 de janeiro 2012.

*RADIALISTA, BLOGUEIRO, COLUNISTA
http://www.clemildo-brunet.blogspot.com/  

Comentário:

Boa tarde. Acabei de ler seus comentarios sobre o aumento das aposentadorias. Vamos continuar "esperneando", mas como comentas, dificilmente vai sair alguma coisa para os aposentados.
Eu acredito que foi combinado assim com o legislativo e com o judiciario:
- O Governo da tudo o que voces querem de aumentos, mas... isto tem que sair de algum lugar. Então enrolem os aposentados.
- As aposentadorias deles são diferentes das nossas. Eles nem precisam cumprir tempo para se aposentar com ganhos atualizados.
Antigamente nós tínhamos o direito adquirido. O Judiciario, para os aposentados, revogou a lei, só vale para eles.
Uma coisa me chama a atenção!!!
O Governo quase em todos os pronunciamentos de ministros, fala na quantidade de novos empregos com carteira assinada que foram abertos nos ultimos anos.
Mas ninguem fala sobre o AUMENTO NA ARRECADAÇÃO DO INSS com estes novos postos de trabalho. Porque???
Só se fala em deficit. Alguem deve estar embolsando este dinheiro, porque não vi ninguem falar sobre este aumento. Pergunto de novo: PORQUE???
Talvez tu possa nos informar.
Outra coisa que não entendo: O IBGE diz que a vida média dos homens brasileiros é de, hoje, 76 anos. Porque o INSS considera 80 anos e cinco meses, que foi o cálculo que fizeram para a aplicação do fator previdenciario na minha aposentadoria.
Sds
Ernani C. Santin

SARADÃO

Severino Coelho Viana
Por Severino Coelho Viana*

Na introdução do nosso tema rebuscamos a história grega da antiguidade no sentido de melhor explicar o assunto dos homens másculos da era contemporânea que se exercitam, sofrem e morrem de vontade na tentativa de imitar a masculinidade corporal dos homens ou deuses da antiguidade.

A mitologia grega é bastante rica em termos de contos e explicações da origem do mundo, a tudo atribuindo os poderes dos deuses gregos, que segundo a crença geral, moravam no Monte Olimpo. Dizem as lendas gregas que, no princípio, havia somente o grande Caos, do qual surgiram os Velhos Deuses, ou Titãs, dirigidos pelo deus Cronos (Tempo). Zeus era um filho de Cronos e chefiou a rebelião da nova geração dos deuses - chamados Deuses Olímpicos - que dominaram a Grécia em toda a sua época clássica. Zeus é o deus principal, governante do Monte Olimpo. Rei dos deuses e dos homens, era o sexto filho de Cronos. No lado da história romana na antiguidade Júpiter tinha os mesmos poderes do deus grego Zeus.

A história dos deuses é longa, o relato de cada um só caberia numa enciclopédia, no entanto, exemplificativamente, que por vezes há uma ligeira confusão de interpretação entre os deuses gregos ADÔNIS e APOLO como sendo da beleza; mitoligicamente, o deus grego da beleza é ADÔNIS, que era um jovem tido como modelo de beleza masculina e extremamente carismático, cuja representação era estreitamente vinculada a mitos vegetais e agrícolas.

APOLO é o deus dos jovens rapazes, ajudando na transição para a idade adulta, que é representado por um jovem nu, simbolizando a pureza e a perfeição.

A saúde na nossa contemporaneidade vem sendo considerada um valor distintivo a ser conquistado, na qual o discurso sobre o “saudável” incorpora significado como juventude, força e beleza. A crescente valorização da aparência física tem levado um número cada vez maior de pessoas a frequentar academias de musculação, bem como a consumir produtos farmacêuticos e nutricionais, em vista do aprimoramento das dimensões corpóreas.

Este trabalho tem por objetivo descrever os cuidados com o corpo e analisar as concepções de saúde de homens das classes populares frequentadores de academia de todas as cidades do nosso país, da cidade mais simples à metrópole sofisticada.

A musculação se constitui como um esporte em que dar o máximo de si está diretamente ligado ao limite máximo de transformação do próprio corpo. O corpo funciona como um elemento que encarna uma ideia de controle físico e mental, fatores relacionados diretamente como elementos essenciais à saúde. Se por um lado os adeptos ostentam a necessidade de ter uma vida regrada evitando os excessos da vida mundana, por outro lado utilizam para a manutenção e fabricação do corpo a prática excessiva dos exercícios físicos e o uso elevado de substâncias anabólicas.

Os dicionários mais recentes trazem no léxico uma novíssima palavra, pouco conhecida, chamada de VIGOREXIA.

A VIGOREXIA é um transtorno relacionado com a percepção do físico, que se caracteriza por uma obsessão permanente por incrementar o volume dos músculos.

Essa doença também é conhecida como “Síndrome de Adônis”, já que os acometidos são pessoas bonitas, musculosas e forte que anseiam possuir corpos perfeitos.

O vigoréxico sofre “dismorfofobia”, ou seja, tem uma imagem distorcida de seu próprio corpo, e por mais musculoso que esteja, continua vendo-se flácido.

A vigorexia é uma patologia que afeta os homens em 90% dos casos, em 10% as mulheres. Os primeiros sintomas, ou, digamos, assim, o perfil do vigoréxico, encontra-se no jovem com baixa auto estima, que rechaça a sua imagem. Pesa-se várias vezes ao dia. Olha-se frequentemente no espelho. Treina em academia de 03 (três) a 05 (cinco) horas por dia, e quando falta, tem sentimento de culpa. Quanto à alimentação, sua dieta é rica em proteínas e pobre em gorduras, baseando-se somente em alimentos como: claras de ovos, massas, amidos, ou seja, aqueles alimentos que desenvolvem sua massa muscular.

Para eliminar gorduras e lipídeos, abusa de laxantes e diuréticos, como está esgotado, por tanto exercício, se satura de complexos vitamínicos. Às vezes, entretanto, chega ainda mais longe e toma anabolizantes, hormônios de crescimento, sendo a “somatropina” o mais utilizado, além do esteroide e outras substâncias dopantes.

A somatropia é indicada para atrasos de crescimento em criança, uma vez que estimula o crescimento dos ossos longos e das células musculares. Nos adultos, comporta-se como um potente anabolizante, que estimula a síntese proteica, diminui o tecido adiposo e aumenta a massa muscular. Os efeitos adversos são: retenção de líquido, hiperglicemia, fraqueza, hipotireoidismo, dor de cabeça etc.

Com o uso sistemático dessas substâncias surgem os problemas de doença vasculares, lesões no fígado, crescimento da próstata, disfunção erétil, redução do tamanho dos testículos, crescimento dos seios (ginecomastia). Nas mulheres, masculinização e irregularidade no ciclo menstrual.

Este é o preço de quem procura imitar os deuses da beleza conhecidos na antiguidade que já traziam consigo mesmos os dons naturais a olho nu.

A busca incessante de um corpo perfeito é objeto de desejo de homens e mulheres cujo culto exacerbado vem em função das mudanças ocorridas ao longo do século XX. Isso leva muita gente a cometer excessos no consumo de substâncias que comprometem a saúde com efeitos muitas vezes irreversíveis que podem até levar a morte. É este desejo que está levando homens, mulheres e, muitas vezes, até adolescentes para usarem esteroides anabolizantes de forma indiscriminada e na maioria das vezes ilícita.

Com a evolução das mídias, a imagem passou a ser supervalorizada, tendo como carro-chefe o cinema que faz da estética como algo primordial. No entanto, os padrões estéticos corporais variam de acordo com as características culturais de cada povo, além de sofrerem modificações no decorrer das gerações. Na verdade, eles desejam realização pessoal, e deslocam este anseio para o culto ao corpo e a perfeição corporal. A importância que a sociedade demonstra em relação à aparência física é notória na atualidade.

Toma cuidado no desejo da imitação de um deus!

João Pessoa, 25 de janeiro de 2012.

*Escritor pombalense e Promotor de Justiça em João Pessoa PB.

ZÉ RAMALHO: O FILHO DA PEDRA ONDULADA

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Sob o Sol do sertão uma imensa pedra, serra mística que, na claridade do dia, reflete a causticante vida do povo que habita o Brejo do Cruz. Quando a noite chega, lá do céu a Lua espalha sua luz de prata e ensina ao vento a deitar sobre a mesma pedra o bafo frio anunciante da enigmática madrugada.

Quantos filhos tem essa pedra, essa serra de relevo fortemente ondulado? Muitos, muitos filhos, uns do Riacho da Tapera, outros do Poço da Cruz, do Escuro, das Lajes, dos Bois, do Poço da Onça, do Jacu, das Lagoas Polarinho, Marrecas e Caminho do Brejo. Essa pedra tem segredos milenares, há tempo adormecidos, e que desde 1600 são contidos pelas cancelas do Sítio Olho D'água do Meio.
Da magia dessa serra, desse lajedo, dessa pedra, nasceu um Zé, a quem foram revelados os mistérios guardados a sete chaves no âmago da pedra ondulada. Um inquieto pensador, poeta, cantor, cantador e compositor; um mago alto, de barba e cabelos enormes, esvoaçantes, que o tempo tratou de reduzir. De voz forte, metálica e contundente, a ecoar o canto visionário extraído da caverna da aldeia do sol. Deixou o seu sopé, mas os candeeiros de seu lugarejo jamais o abandonaram.

Se fez adolescente transitando pelas ruas, avenidas, teatros, bares e mares da grande Filipéia. Inspirado no Baião de seu Luiz Gonzaga, no rei do ritmo Jackson do Pandeiro, The Beatles, Pink Floyd, Raul Seixas, Bob Dylan, na rebeldia dos The Rolling Stones, em elementos da mitologia Grega e nos mistérios da pedra ondulada. Fez surgir uma sonoridade musical, uma verdadeira miscelânea, uma espécie de rock psicodélico, jazz e ritmos nordestinos, tudo ali, num disco intitulado de Paêbirú ou mesmo caminho da montanha do Sol.

Conheci esse enigmático ser no Miramar, início dos anos 1980, sentado numa poltrona da casa de suas tias Zélia, Madalena, Tereza e Inês Ramalho, amigas de minha mãe Onélia. Suas visões, suas melodias e suas letras logo invadiram o meu existir adolescente. O som variante que ia do protesto político-social ao apocalíptico passou a conduzir meus pensamentos, a influenciar a minha visão sobre o mundo, aliás sobre os mundos, e, como eternas ondas decifradoras do existir, mostraram-me a vida do admirável gado novo, a força do Avôhai, o vôo das borboletas, o grande jardim das acácias, a imensidão da visão de quem senta à beira mar, a liberdade do xote dos poetas, uma canção agalopada e uma terceira lâmina visionária e profundamente crepuscular.
Zé Ramalho
Minha escrita é herdeira desse mundo de Zé Ramalho e navega numa nave interior por cidades e lendas. Numa mão, os últimos dias; na outra, a alforria, e, no firmamento, um lugar para sonhar.

*Pombalense e Juiz de Direito da 5ª Vara Cível de João Pessoa PB.

SINATRAN: PARABÉNS AOS AGENTES DE TRÂNSITO DO SERTÃO...

Partindo da premissa de que a união faz força, no último sábado dia 21 de janeiro do ano em curso, os agentes de trânsito do sertão paraibano, estiveram reunidos em Assembleia Geral em Patos, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, para organizarem o Sindicato da categoria com o fim de abarcar cerca de quarenta cidades do interior da Paraíba que terão suas representações, através do novo órgão recém-criado, que recebe a denominação de SINDICATO INTERMUNICIPAL DOS AGENTES DE TRÂNSITO DA PARAÍBA.

O primeiro repto do Sindicato é lutar no sentido de que várias cidades sertanejas paraibanas, com condições de ter seus agentes de trânsito comecem a fazer funcionar essa categoria e suas respectivas superintendências ou mesmo secretarias ligadas ao trânsito.

Cidades como Piancó que já foi municipalizado, mas não tem Agente de Trânsito, Itaporanga, Conceição e várias outras ainda não tem seu trânsito municipalizado. A municipalização traria benefícios para o trânsito, além de divisas para esses municípios.

Antônio Coelho foi escolhido por unanimidade pela assembleia para representar a categoria através do SINATRAN. Coelho, como é mais conhecido entre os Agentes de Trânsito, foi um dos pioneiros para organizar a categoria em Patos.

e ganhou destaque nacional pela luta em prol do reconhecimento constitucional da categoria como profissão na Constituição Federal, através da PEC 55 de autoria do Deputado Federal Hugo Mota – PMDB. Antônio Coelho também era o presidente da Associação de Lutas Trabalhistas dos Agentes Municipais de Trânsito de Patos – ALTRANS. Como vice- presidente da SINATRAN os presentes na assembleia escolheram Adriano Fernandes, Agente de Trânsito da cidade de Pombal.

“Somos uma categoria pequena, porém temos muita importância diante do crescimento do trânsito por todo o país e aqui em nosso sertão. Com o SINATRAN fortaleceremos nossa luta em vários aspectos, seja econômico, político e social”. Disse Antonio Coelho.
A cidade de Pombal que já conta com agentes de trânsito e o órgão sob o gerenciamento municipal ficou bem representada na SINATRAN pelo nosso agente de trânsito ADRIANO FERNANDES na Vice-presidência e ALINE MARIA como Agente de Mobilização.

Parabéns aos nossos agentes de trânsito.

Da Redação do Blog e patosonline.com

A CIDADE DE OURO

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Lenda ou verdade? Uma indagação que o tempo persiste em não revelar. Paira no ar a interrogação sobre a existência ou não, da denominada cidade de ouro, um dos maiores mistérios da humanidade. Onde fica essa cidade? Como surgiu a versão da existência da cidade coberta de ouro.

No Século XI os espanhóis invadiram o continente Americano. Na região do Peru, chegaram, dominaram e tentaram destruir uma das mais antigas civilizações da história - o Império Inca. Um povo que culturalmente ofertava ouro ao deus sol, em rituais espirituais as margens do lago Titicaca.

Sob o comando de Francisco Pizarro, adentraram na lendária Capital da Civilização Inca - Cusco e, logo cresceram os olhos diante do volume de ouro presente em todos os templos e palácios pomposos daquela cidade. Pizarro quando conquistou Cusco, em 1534, resolveu seqüestrar o imperador Inca, condicionando sua liberdade ao pagamento de duas salas grandes de ouro, isto certo que o povo Inca não conseguiria recolher tanto metal nobre. Ledo engano. E por isso, quando sentiu que o pagamento ocorreria, Pizarro executou o Imperador e assumiu o controle da região.

Os espanhóis retiraram todo o ouro que cobria os templos e palácios e, após fundi-lo resolveram mandar parte desse metal para a Espanha e a outra foi utilizada para revestir a estrutura interna da Catedral de Cusco e a de uma outra igreja erguida sobre os muros do Templo do Sol, precisamente a igreja de São Domingos.

Mas, um mistério ainda ronda os arqueólogos. É que muitos relatos davam conta, como ainda dão, de que o povo Inca, à época, sabiamente temendo que os espanhóis levassem todo o ouro, resolveram, então, conduzir uma grande quantidade desse metal para uma outra cidade, a denominada Paytiti, localizada a nordeste de Cusco.

Escondida na floresta, Paytiti era também uma cidade banhada de ouro. Sua localização fora encarada pelos Incas como estratégica, pois como era de difícil acesso, então, os tesouros estariam protegidos da ação dos invasores. Esses comentários terminaram por chegar aos ouvidos dos espanhóis, que envidaram diversas expedições em busca da cidade de ouro, todavia, até hoje Paytiti continua imperceptível aos olhos humanos.

Há séculos pesquisadores continuam a realizar expedições na esperança de encontrar o mito do El Dorado, a cidade laminada de ouro. Foi numa dessas expedições que o antropólogo Hiram Bingham, em 1911, terminou por descobrir Machu Picchu, complexo arqueológico situado a 120 km de Cusco e a 2.400m de altura. Porém, a floresta, virgem e selvagem, mantém até hoje viva a lenda de Paytiti.

Por quanto tempo, ainda, teremos que esperar para descobrir se Paytiti é realmente uma lenda ou um dos últimos tesouros Incas guardados a sete chaves pela natureza? Ah! Só o tempo tem a resposta.

*Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Capital.

FALSO BRILHANTE

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Inicio dos anos 80, século passado, o Brasil começa a se movimentar através da sua juventude, de cara pintada, em direção as “diretas já”, grandes nomes se davam as mãos em busca de uma democracia ampla e irrestrita com o retorno dos últimos exilados e o fim do golpe militar de 1964.

Naquela época eu estava morando no hotel Beira Rio, cidade de Piracicaba interior de São Paulo, tinha sido promovida à regional da empresa que trabalhava e minha família só viria no próximo final de semana, que seria prolongado, pois, dia 25 de janeiro é feriado municipal na Capital, São Paulo. Já tinha se passado 06 meses e eu morando distante da família, saindo da grande cidade e indo para uma cidade menor, de 300 mil habitantes, mas, 10 vezes maior que minha cidade de origem, Pombal-PB.

Cidade nova, vida nova, responsabilidade dobrada, acumulava dois prêmios de homem de vendas do ano, nos anos de 1972 e 1978, em empresas diferentes, realmente um vencedor.

Jamais poderia imaginar que depois de tanto sucesso, um dia, eu pudesse ter algum problema grave de doença, que pudesse me afastar das minhas atividades profissionais, entretanto, a realidade veio me mostrar que eu também era mortal, como qualquer ser humano.

Comecei uma longa caminhada em busca de um diagnóstico que viesse identificar o meu problema de saúde, depois de passar por 17 especialistas e 17 diagnósticos diferentes, partia para tratamento de uma doença de origem neurológica, sem, entretanto, uma identificação mais profunda, o quadro se apresentava confuso, mas não podia fugir à luta, não tinha o direito de fraquejar.

Dia 19 de janeiro de 1982 recebi a notícia da morte inesperada da Elis Regina, aquele fato foi um divisor de águas na minha vida. A realidade se mostrava cruel, partia uma pessoa que eu aprendi admirar pela sua luta e obstinação em busca da perfeição na MPB. Sempre fui um colecionador do seu trabalho, seus discos sempre com músicas de compositores novos e talentos davam a idéia do seu gosto musical além da grande cantora e interprete da nossa música.
Um filme em preto e branco começava a passar na minha cabeça, lembrava do inicio da sua carreira em 1961 quando ela foi descoberta pelo vendedor da gravadora Continental, Wilson Rodrigues, e indicada para gravar seu primeiro trabalho. Mais 03 discos foram gravados até ela se mudar do Rio Grande do Sul para o Rio de Janeiro, finalmente ela vai para São Paulo em 1964 ficando ali até o seu final.

O ponto de partida para o estrelato foi com a música Arrastão, Vinicius de Morais e Edu Lobo, no festival da TV Excelsior em 1965.

O espetáculo Fino da Bossa, organizado pelo centro acadêmico da faculdade de odontologia da USP, apresentado no antigo teatro Paramount, hoje teatro abril, transmitido pela TV Record, canal 7, SP, rendeu 03 discos, um dos quais, Dois na Bossa, foi o primeiro a vender 1 milhão de cópias no Brasil.

A grande virtude da Elis Regina foi não abrir mão dos seus grandes compositores, novos ou não, mantendo fidelidade a nomes como Milton Nascimento, João Bosco e Adir Blanc, Belchior, Tom Jobim, Renato Teixeira, Ivan Lins, Adoniran Barbosa, e tantos outros da nossa MPB, o pianista, arranjador e seu parceiro por muito tempo, Cesar Camargo Mariano.

A discografia da Elis Regina é muito extensa e nesses 30 anos da sua morte nos faz lembrar pérolas inesquecíveis, tais como: Samba Eu Canto Assim (1965), Elis (1966), Elis Especial (1968), Como & Porque (1969), onde Roberto Menescal assinando os arranjos da Aquarela do Brasil, Canto de Ossanha e Andança; Em Pleno Verão (1970), produção de Nelson Motta, e consta a música As Curvas da Estrada de Santos, inesquecível interpretação da música de Roberto e Erasmo Carlos; Ela (1971); Elis (1972) grande interpretações em Atrás da Porta, Chico Buarque e Francis Hime, e Casa de Campo, do Zé Rodrigues; Elis (1973) com 08 faixas de Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc, completa o disco os clássicos do samba, Folhas Secas e É com Esse que Eu Vou; Elis & Tom(1974) só a gravação Águas de Março já vale o disco; Elis (1974) é de Milton Nascimento e Fernando Brant as músicas, Travessia, Conversando no Bar e Ponta de Areia; Falso Brilhante (1976) o espetáculo, no teatro Bandeirantes, na Brigadeiro Luiz Antonio, e o disco, são completos;

Elis (1977) grande canção caipira de Renato Teixeira, Romaria; Transversal do Tempo (1978; Essa Mulher (1979) onde consta O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc; seu último disco, Elis (1980).

Elis Regina que nasceu em Porto Alegre, em 17 de março de 1945, se tornou a grande interprete, fez grandes espetáculos, o maior deles, eu assisti por 05 vezes, Falso Brilhante, tinha o sabor das frutas tropicais, o cheiro da relva e da selva brasileira, a cor da raça humana, e a ternura nordestina, lembrando Pombal.

Depois de 30 anos, continuo com meus rascunhos com a doença que me foi diagnosticado como síndrome do pânico, por ironia, não costumo ir aos espetáculos musicais, jogos de futebol, ou mesmo qualquer concentração. Por força das circunstâncias tenho me preservado. Guardo um grande acervo musical, nos antigos LPs, que conservo com muito carinho, aguardo uma oportunidade para transformá-los em CDs, dentre eles as músicas da inesquecível Elis Regina, hoje repaginada na voz da sua filha Maria Rita e lembrada por grandes cantores da MPB, certamente será lembrada por muito tempo.

* Escritor e Empresário em Navagantes SC.

UM GRITO DE ALERTA DO MACIEL GONZAGA, PARA O BAIÃO!

Radialista Otacílio Trajano
Por Otacílio Trajano*

Acabei de ler esse texto do amigo dos velhos tempos da “VOZ DA CIDADE” E “LORD AMPLIFICADOR” Maciel Gonzaga, e que há tempos nós não nos encontramos;(saudade) confesso que me emocionei com a preocupação do companheiro explicando para os Telós da vida quem é e quem foi João da Silva para nossa musica nordestina: leia-se o BAIÃO.

O irmão do sanfoneiro, forrozeiro, cantor, compositor, radialista e
outras coisas mais – MASSILON GONZAGA, que está em STUDIO gravando novos forrós (dos bons) – e que me chamou bastante a atenção nesse artigo do Maciel quando ele indaga; “Mas, por anda o meu baião? Aquela nossa música que andou o mundo inteiro e voltou; saiu falando de seca, voltou falando de amor; decantava o salão de terra batida, o Sertão nunca esquecido.”

Pincei essa frase do Gonzaga, Maciel; claro – é que esse espaço do Clemildo Brunet, e, que sempre me cobra qualquer coisa (taí alguma coisa BRAK) – numa postagem anterior escrito pelo editor desse BLOG“ A FESTA DO ROSÁRIO DE POMBAL E O DIA ESTADUAL DA MUSICA BREGA” – um decreto legislativo paraibano e sancionado pelo atual governador.

Nada contra a musica brega – adoro (tirando os chamados grandes compositores de musicas clássicas, BACH, BEETHOVEN, CHOPPIN, RAVEL, etc.) de Roberto Carlos, Franck Sinatra, Roberto Muller, Lindomar Castilho, Nelson Gonçalves, todos e outros desse time encontramos discos deles em qualquer cabaré(se é que ainda existe mas, se não mais existe mas os disco desses cantores rodavam até furar).

Minha interrogação nisso tudo é; Legislativo e Executivo da Paraíba aprovar e sancionarem o DIA ESTADUAL DO BREGA (que besteirol e dos grandes), mas se esquecem dessa particularidade do Maciel Gonzaga.“ONDE ANDA MEU BAIÃO?”

Ora, o brega não é nosso, é do mundo; agora, BAIÃO, XAXADO, CÔCO, são ritmos genuinamente nossos; que cantam e contam ou nossa alegria ou o nosso sofrimento e juntando a vida humana com as coisa da natureza. E não é nada fácil construir uma história nordestinamente musicada como tantas que Seu Luiz, Marinês, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, João Silva, Dominguinhos que cantaram, cantam e perpetuaram esses ritmos.

Diferentemente de uns plastificados que aparecem e se ocultam meteoricamente nos dias de hoje. Tudo por culpa de pessoas e até grande parte da mídia que tentam endeusar esses descartados que duram igualmente a um rolo de papel higiênico em banheiro publico.

Taí um grito de alerta do Maciel Gonzaga “ONDE ANDA MEU BAIÃO”? Velho e grande amigo, não retiro uma letra ou vírgula do que você escreveu. Um forte abraço de um Baião cantado e dançado num salão de terra batida até alumiado por um candeeiro a gái. E viva o BAIÃO e todos os ritmos genuínos nordestinos.

De Tabatinga - Conde-PB
Otacílio Trajano.

*Otacílio Trajano é pombalense e Radialista em João Pessoa.

A natureza e o meio ambiente

Clemildo Brunet
Clemildo Brunet*

Hoje vivemos um tempo que acontece deslizamentos de terras, tremores, vulcões, maremotos, enchentes enfim, reação essa da natureza ocasionada pela ação do homem. Toda ação causa uma reação assim diz um adágio popular.

Neste sentido são advindos prejuízos para o planeta, como o aquecimento global, o descongelamento das geleiras e consequentemente o aumento das águas marinhas acarretando uma série de problemas, entre eles, casos de saúde com a poluição do ar e tantos outros.

Por isso devemos orientar e procurar sempre conscientizar as pessoas desde cedo para a importância da preservação da natureza tendo em vista as belezas litorâneas e tropicais brasileiras e porque não dizer paraibanas. Há quem valorize belas paisagens estrangeiras, entretanto, sabemos que o nosso país é rico em belezas naturais. A Paraíba não fica atrás, se destaca com praias lindíssimas de paisagens singulares, principalmente na faixa litorânea sul da capital do Estado, com aquele clima convidativo ao romantismo.
Figura 1Praia de Tabatinga



Figura 2 Praia de Tambaba
O amanhecer tem na sua alvorada o canto dos pássaros contagiando e complementando a singularidade do lugar, nos concedendo o privilégio de comtemplar às obras do Criador. “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” Sl. 19:1.
Figura 3 Praia Bela
O anoitecer é sublime com a luz do luar provocando sensação total de felicidade na companhia da pessoa amada, fazendo-nos sentir a ventilação natural da brisa do mar, ambiente prazeroso e aconchegante, balançando-se na rede em uma varanda excepcional com vistas para a vegetação, as planícies, os atalhos e o mar, curtindo músicas românticas regada com muito amor. É gratificante se deliciar nas grandezas deste contexto relaxando o corpo e a mente, curtindo o amor sem se importar com o tempo que passa depressa.
Figura 4 Praia de Coqueirinho
O meio ambiente é a maior riqueza para o vivente deste planeta, mesmo sabendo que a espécie humana o está destruindo com tamanha rapidez, o que tem provocado reações adversas à própria natureza.

Pombal, 19 de janeiro de 2012.

*Radialista, Blogueiro e Colunista

SALVE 30 DE JANEIRO: O DIA DA SAUDADE!

Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*

Uma estudante brasileira foi pra Inglaterra, beneficiada pela política de intercambio entre os dois países, a fim de aperfeiçoar os conhecimentos da língua Inglesa. Num dado momento, já em sala de aula, a professora solicitou-a que escrevesse uma frase cujo foco fosse a sua família. Pois não, agora mesmo, confirmou a jovem estudante. E assim foi feito: “Mamãe, gosto muito de Londres, mas sinto Saudades de vocês”.

No momento de verter para o inglês, quão grande foi a sua surpresa quando foi informada, claro, pela professora, de que a palavra Saudade era intraduzivel porque não existem vocábulos equivalentes no vernáculo anglo-saxão. É isto mesmo, a palavra Saudade é a sétima em todo o mundo de mais difícil versão.

Atribui-se a sua existência aos pioneiros da colonização do Brasil no inicio do século XVI. Em razão da distância da terra natal, dos familiares, os embarcadiços vez por outra, nos momentos de melancolia improvisavam versos e cantos a fim de amenizar o sofrimento que a distancia lhes impunha.

Reza a lenda que foi nesses versos e cantos que apareceu pela primeira vez a palavra Saudade. Do ponto de vista etimológico, a palavra Saudade tem origem latina, seja vem de “Soletate” ou solidão na nossa língua pátria. Em espanhol existe a palavra “Soledad” cuja tradução tem muito a ver com solidão. Da mesma forma é uma derivação de “Soletate”.

Apesar de se atribuir aos primeiros colonizadores o uso da palavra Saudade, não significa dizer que os irmãos lusitanos tenham incorporado-a ao seu “índex vocabular” o que seria muito bom para o embelezamento da sua língua pátria. É tanto que os poetas, compositores de fados das terras do alem mar, usam muito pouco nos seus escritos, a palavra Saudade, em se comparando com os confrades brasileiros.

Mas, vez por outra os lusitanos curtem suas melancolias no embalo da nossa doce “Saudade”. Apesar dos pesares, em alguns fados, ícone maior da musica popular lusitana, a palavra Saudade se faz presente. À exemplo citemos o famoso fado, “Coimbra”, que de forma acanhada, nos últimos versos, introduz a palavra Saudade, infelizmente, bem diferente do que nós brasileiros costumamos usá-la. Vejamos:

Coimbra é uma lição
De sonho e tradição
O lente é uma canção
E a lua é a faculdade

O livro é uma mulher
Só passa quem souber
E aprende-se a dizer “Saudade”

Se os portugueses não dão muito importância ao sentido léxico da palavra Saudade, talvez seja porque ainda não assimilaram a mensagem que encerra o seu verdadeiro significado. Ao contrário, para nós brasileiros a palavra Saudade caiu qual uma luva. Os nossos poetas, bem como os compositores de musica popular, jamais se realizariam como criadores dos mais belos versos da língua portuguesa, sem a rimável palavra Saudade.

Na discografia brasileira a palavra Saudade aparece na grande maioria das composições, principalmente na iluminada época de ouro. Hoje, por conta da febre do “Axé Music”, a palavra Saudade, com certeza, perdeu a sua importância. Ninguém sabe até quando. Mas, noutros tempos as coisas eram bem diferentes, vejamos:
Hoje é dia da Saudade (Raul Seixas)

Hoje é dia da Saudade, é!
Hoje eu vou beber pra celebrar
O aniversário de seu Gaspar

Deve ter festa em todo lugar
Hoje é feriado é o dia da Saudade
Hoje não tem aula pra garotada

Velhas de varizes na calçada
Só na Saudade.........., etc.

Depois dessas considerações sobre a origem da palavra Saudade, pergunto: como é que está a sua, a minha a nossa Saudade? Ah meu amigo, quem não guarda as Saudades dos bons momentos vividos no alvorecer da vida? Há Saudades reveláveis, bem como há Saudades adormecidas no mais profundo do íntimo. Há Saudades pra tudo quanto é gosto. Ora, ora, ponha Saudades nisso meu senhor. Veja que beleza.....

A Saudade mata agente, morena
A saudade é dor pungente, morena...

Pois é, só não sente saudades quem já morreu. No meu caso particular posso afirmar, sem medo de errar, que não seria possível suportar a vida sem os meus momentos Saudades. São tantas Saudades que não consigo enumerá-las. São saudades da minha terra, de outras terras por onde vivi, mesmo por breves espaços de tempo, nunca menos de um ano.

Afora o meu estado, vivi em Pernambuco, Ceará, Bahia e Rio de Janeiro. Nestes lugares saudades plantei saudades colhi. Mas, posso dizer de sã consciência, que as Saudades que mais me acalantam são aquelas que dizem respeito os bons momentos vividos, no viço da minha juventude, claro, na terra onde nasci, cresci e vivi grande parte da minha vida.

Neste texto não pretendo nominar as minhas fontes de Saudades, por razões obvias. Mas sinto Saudades das Saudades dos meus Pais, dos irmãos que partiram para eternidade, dos amigos que prematuramente deixaram o planeta terra, dos amigos e amigas de bancos escolares, dos domingos esportivos a torcer pelo São Cristóvão, dos banhos no Piancó, das noites de serestas, da bodega de Zé Gago, claro dos amores efêmeros, porem marcantes, enfim de todos os momentos festivos que ficaram para sempre na memória deste senhor que, a exemplo do poeta Pablo Neruda, não se nega a dizer: “Confesso que Vivi”.

A esta altura da minha vida as Saudades tornam-se mais presentes. Não tenho como evitá-las, pois surgem como fantasmas reais apostos em todos os lugares onde quer que esteja. Nada a reclamar porque é gostoso sentir Saudades. Se um dia, em vida deixar de sentir Saudades, levem-me ao médico, porque, com certeza, estou doente e muito doente.

Assim sendo antes que esse momento chegue rendo-me ao dia da Saudade. Com certeza não devo estar só, pois onde houver seresteiros, poetas, boêmios, notívagos, entre outros, a Saudade está presente. O dia 30 de Janeiro é um bom momento para volvermos o olhar para o passado, pois oficialmente é o dia da Saudade. Salve o dia da Saudade.

João Pessoa, 18 de Janeiro de 2012

*Economista e Escritor.

ONDE ANDA O MEU BAIÃO?

Maciel Gonzaga
Por Maciel Gonzaga*

O baião é um ritmo musical nordestino. Segundo registra Câmara Cascudo, foi na década de 1940 que o baião tornou-se popular, através dos mestres Luiz Gonzaga (que ficou conhecido como o “rei do baião”) e Humberto Teixeira (“o doutor do baião”). Sua temática é o cotidiano dos nordestinos e as dificuldades da vida. O primeiro sucesso da dupla veio com a música homônima “Baião”, cuja letra diz: "Eu vou mostrar pra vocês / Como se dança o baião / E quem quiser aprender / É favor prestar atenção." e "(…) o baião tem um quê / Que as outras danças não têm".

Luiz Gonzaga logo passou a dominar o gosto popular com outros sucessos no estilo do baião, a ponto de jornais da época registrarem que o ritmo tornara-se a "coqueluche nacional de 1949" (segundo a revista Radar) e era decisiva sua influência "na predileção do povo" (jornal Diário Carioca). Os maiores sucessos foram: Asa Branca - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; Baião de Dois - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira; Mulher Rendeira – Zé do Norte; Boi Bumbá – Gonzaguinha e Luiz Gonzaga; Baião da Penha - David Nasser e Guio de Morais. A partir da década de 1950, o gênero passou a ser gravado por diversos outros artistas, dentre os quais Marlene, Emilinha Borba, Ivon Curi, Carolina Cardoso de Menezes, Carmem Miranda, Isaura Garcia, Ademilde Fonseca, Dircinha Batista, Jamelão, dentre outros. Se Gonzaga era o "Rei do Baião", Carmélia Alves era tida como a "Rainha", Claudete Soares a "Princesa" e Luiz Vieira o "Príncipe". Após um período de relativo esquecimento, durante a década de 1960 e a seguinte, no final dos anos 70 ressurgiu com Dominguinhos, Zito Borborema, João do Vale, Quinteto Violado, Jorge de Altinho e muitos outros. O ritmo influenciou ainda o tropicalismo de Gilberto Gil e o rock'n roll de outro baiano - Raul Seixas. Este último fundiu os dois ritmos, criando aquilo que chamou de "Baioque".
Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
Mas, por ande anda o meu baião? Aquela nossa música que andou o mundo inteiro e voltou; saiu falando de seca, voltou falando de amor; decantava o salão de terra batida, o Sertão nunca esquecido. Um amigo de Caruaru me manda esta semana um CD do mestre João Silva com o título “Sertão Puro”. Para quem não conhece, João Silva é um dos maiores compositores brasileiros e para nossa felicidade, dedicado totalmente ao forró tradicional. Foi parceiro de composições com Luiz Gonzaga. No disco, entre outras pérolas lá está uma – “Onde Anda o Meu Baião”. Na extraordinária letra João Silva faz uma indagação: “...Sertão! Que Nordeste é esse?/ Sua a cultura foi para o espaço / Eu quero é forró de 8 baixo / Que a gente se acha e eu me esbagaço”. Uma letra que cabe reflexão.
João Silva
Aqui faço questão de citar o magno Juiz de Direito pombalense Onaldo Queiroga que, em muitos escritos, tem demonstrado uma grande preocupação com a tradição nos deixada por Luiz Gonzaga. Data vênia, precisamos juntos continuar lutando em defesa do baião batido. E indago: O que fizeram com o meu xaxado? Quem está preocupado em manter esta tradição? Os atuais compositores nordestinos esqueceram do baião?. Gente, precisamos defender a cultura nordestina, lutar para que o Poder Público possa garantir intervenções práticas através de políticas públicas para garantir os direitos dos cidadãos de acesso ao protagonismo cultural. Cultura faz parte da essência do nosso povo, no sentido da afirmação de sua identidade e pertinência à sua região, mantendo-se viva na memória as nossas próprias origens.

É possível dizer que não se vive do passado, se vive do presente e do futuro. Porém, para se compreender as transformações pelas quais a cultura de um povo tem passado no decorrer dos tempos, se faz necessário defender as nossas tradições. Não queremos pregar o isolamento cultural, se fechando em guetos. Devemos estar abertos e receptíveis ao novo; conhecer e experimentar as outras culturas como forma de valorizar a diversidade cultural dos povos e como enriquecimento cultural. Conhecendo e defendendo as nossas tradições, poderemos compreender a importância de mantê-las viva na memória, protegê-las e valorizá-las como forma de preservar o que somos, nossas características, nossa identidade.
Baião do Nordeste
A partir dessas considerações, acreditamos que a manutenção do nosso baião como música tradicional nordestina é um tema relevante que pode levantar reflexões e discussões que possam vir a contribuir com o despertar da consciência coletiva sobre a importância das raízes culturais nordestinas para a preservação de nossa história.

*Jornalista, Advogado e Professor. Natal RN.

UM INÍCIO SOMBRIO

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Estamos na segunda semana de janeiro e já sentimos certo atropelo no comportamento e atitudes por parte das nossas autoridades.

Nossa presidente Dilma larga suas férias nas praias da Bahia e retorna às suas atividades forçada por circunstâncias preocupantes.

O sudeste, principalmente o Rio de Janeiro e Minas Gerais, encontra-se mergulhado nas enchentes desde o inicio do ano com várias cidades em estado de emergência, mortes, soterramentos, desabrigados, uma verdadeira calamidade pública agravada por circunstancias políticas. No sul temos a seca que já trouxe um prejuízo aos agricultores superior a 1 bi, principalmente no Estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com o agravamento da situação veio à tona uma questão nada palatável, no ministério da Integração Nacional, para o gosto da opinião pública, quando há um questionamento em discussão quando a competência gerencial do ministro Fernando Bezerra, titular da pasta.

A crise gerada com a concentração de recursos, do Ministério da integração Nacional, para o Estado de Pernambuco, em detrimento aos demais Estados da Federação, funcionou como uma verdadeira bomba dentro da base aliada, a correria foi grande na tentativa de amenizar a crise no próprio governo.

O desenrolar do assunto foi se agravando, tomando um rumo incerto, com novos fatos sendo revelados, como a prática do fisiologismo e irregularidades na gestão do ministro quando prefeito da cidade de Petrolina, Pernambuco, sua base eleitoral.

Depois de muitas informações levantadas pela imprensa nacional, declarações e desmentidos, a oposição forçou a situação e conseguiu que o presidente do senado, senador José Sarney, convocasse o ministro para esclarecimentos sobre as denúncias de favorecimentos à frente da pasta, à comissão representativa do Congresso.

Depois de 5 horas de perguntas e respostas, mais uma longa lista de declarações de apoio ao ministro, inquirido, por parte da base aliada, poucos representantes da oposição puderam se inscrever. A sensação que ficou foi de uma sessão programada para que o partido do ministro, o PSB, cujo presidente é o atual governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos, pudesse se justificar junto ao governo e continuasse prestigiado pela Presidente Dilma.

Confesso que não pude ver toda sessão, gravei e procurei assistir os principais depoimentos, pude verificar a mediocridade do nosso atual Congresso, com congressistas despreparados para ocupação dos cargos tão disputados, acho até que nós eleitores precisamos reciclar e rever nosso conceito na hora de votarmos, nosso país tem pessoas eficientes sérias e dispostas à trabalhar pelo nosso povo valorizando a classe política tão maculada nos últimos tempos.

Ontem o grande alento foi a assinatura do convênio entre o Governo Federal, representado pela Presidente Dilma, e o governado de São Paulo, Geraldo Alckmin, para construção de casas populares, do programa minha casa minha vida, cujo montante chega quase a 8 bi, seno 6 bi do Governo Federal, e a contra partido do Estado de São Paulo em 1.9 bi.

Esse tipo de atitude entre a situação e oposição nos dar uma visão mais otimista para o futuro, onde a paixão política é colocada de lado e todos, situação e oposição, trabalham em benéfico do povo. Exemplo a ser seguido pelas bases, a começar pelos municípios quando a disputa é mais acirrada.

Genival Torres Dantas
*Empresário e Escritor. Navegantes SC.

A FESTA DO ROSÁRIO DE POMBAL OFICIALIZADA E O DIA ESTADUAL DA MÚSICA BREGA!

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Duas datas foram oficializadas por Lei na Paraíba no apagar das luzes do ano de 2011. Uma de autoria do deputado Tião Gomes, pombalense, portanto nosso conterrâneo, que trata de instituir o dia 04 de setembro como o Dia Estadual da Música Brega na Paraíba, em homenagem ao dia do falecimento do cantor e compositor Eurípedes Waldick Soriano, o Rei do Brega, Decreto Legislativo, sancionado pelo Governador Ricardo Vieira Coutinho, como Lei sob o n° 9.619 de 27 de dezembro de 2011, Publicada na página 2 do DOE de 28.12.2011.

A outra data, de autoria do Deputado Janduhy Carneiro, também pombalense, diz respeito à inclusão oficial da Tradicional Festa do Rosário de Pombal, no Calendário Oficial de Eventos do Estado da Paraíba. Embora tarde, mas não deixa de ser relevante esse gesto de Janduhy em seu primeiro mandato, já que pombalenses anteriores que tiveram a subida honra de assumir cadeiras no Parlamento paraibano, não tiveram a ideia de tal iniciativa.

Decreto do Poder Legislativo, sancionado pelo Governador Ricardo Vieira Coutinho, como Lei sob o n° 9.514 de 14 de novembro de 2011. Incluindo então no Calendário Oficial de Eventos do Estado da Paraíba a Festa do Rosário da Cidade de Pombal. Publicação na página 3 do DOE de 15.11.2011.

FESTA DO ROSÁRIO DE POMBAL X MÚSICA BREGA

A música brega desde os tempos de minha infância e adolescência idos de 58,60, e até meados dos anos 90 do século passado era marca registrada nas nossas Festas do Rosário, através da PR-Maia, Radio Amplificador ponto 3, pertencente ao Parque de Diversões Maia, o inimigo número 1 da tristeza, como dizia seu Luiz, locutor da difusora.

O pequeno STUDIO DE SOM decorado com capas de Lps, no formato de 12 polegadas dos seguintes cantores: Waldick Soriano, Orlando Dias, Silvinho, Bienvenido Granda, Ataulfo Alves, e, até mesmo Jackson do Pandeiro, que eram os sucessos daquele bom tempo. Dois amplificadores de SOM e um toca discos, todos da melhor qualidade, transmitiam alegria e animavam a festa com os sucessos do momento de então..

Nos idos de 1963, o Parque de Diversões Maia era formado por um carrossel de cavalinhos, um chapéu mexicano, quatro canoas, duas rodas Gigantes, uma grande e a outra menor. Na parte onde ficava o eixo central de cada roda gigante, era instalado um projetor de SOM (corneta) 20 polegadas, direcionados para a Rua Nova, reproduzindo um áudio bonito e agradável para a ocasião em que só existia som monofônico.

As proposituras apresentadas por esses dois ilustres deputados pombalenses faz com que voltemos ao passado e traz a nossa memória como era realizada a Festa do Rosário naquela época fazendo uma junção de equilíbrio do útil ao agradável.

A nossa musica brega agora tem o seu dia oficial na Paraíba, (04 de setembro) data da morte do cantor e compositor baiano Waldick Soriano, essa figura exponencial, que a cada festa do Rosário de Pombal, tinha sempre um sucesso a mais, sobressaindo-se de maneira destacável entre outros sucessos de intérpretes do gênero brega.
Nos dias atuais a música brega perdeu seu espaço no perímetro onde se dar a Festa do Rosário, para dar lugar a gêneros de músicas alucinantes que apaga por completo as lembranças do romantismo e os bilhetinhos apaixonados que eram divulgados na difusora do Parque Maia. Entretanto, a música brega ainda se faz presente nesses festejos, no último sábado de setembro, oito dias antes do encerramento da festa, no Pombal Ideal Clube com a realização da “REJEITADA”, que a cada ano aumenta mais o número de participantes prestigiando os intérpretes da música do povão.

Parabéns ao Dia Estadual do Brega na Paraíba e parabéns a Festa do Rosário de Pombal inserida oficialmente no calendário de Eventos do nosso Estado.

Pombal, 11 de janeiro de 2012.

*RADIALISTA, BLOGUEIRO, COLUNISTA