CLEMILDO BRUNET DE SÁ

O BAIÃO E O CORDEL NO CARNAVAL


José de Sousa Dantas
José de Sousa Dantas*

Todo mundo assistiu à atração
das Escolas do Rio de Janeiro,
com o show da TIJUCA e da SALGUEIRO,
a TIJUCA, o enredo do BAIÃO,
que ficou na primeira posição,
e a SALGUEIRO, a segunda, na final,
no desfile do Grupo Especial
sob o tema CORDEL Branco e Encarnado,
e o Nordeste foi bem representado
COM BAIÃO E CORDEL NO CARNAVAL.

Foi no Rio de Janeiro
que LUIZ, REI DO BAIÃO,
começou sua carreira
com destaque e projeção,
tocando valsa e chorinho,
“Apanhei-te Cavaquinho”,
outras músicas de raiz,
e o RIO homenageou
com um verdadeiro show
os 100 anos de LUIZ.

A UNIDOS DA TIJUCA
deu um show de atração
revelando para o mundo
a bela apresentação
com um desfile vibrante,
num clima contagiante,
carregado de emoção,
realizando os seus planos,
comemorando os 100 anos
de LUIZ, REI DO BAIÃO.

"Dia em que a Realeza
desembarcou na Avenida
para coroar o REI"
LUIZ que viveu a vida
tocando samba e BAIÃO,
enaltecendo o sertão
do nordeste brasileiro,
levando música e POESIA,
arte, dança e alegria
ao povo do mundo inteiro.

Um desfile memorável
pela representação
do Mestre LUIZ GONZAGA
com a sanfona na mão,
no adereço de um carro
otalmente cor de barro
e vivas alegorias,
exaltando VITALINO,
o folclore nordestino,
com as suas fantasias.

O BAIÃO pela TIJUCA,
classificado em primeiro,
e em segundo lugar
o CORDEL pela SALGUEIRO,
comprovando que o Nordeste
tem seu destaque inconteste
e riqueza cultural
de elevada expressão,
na mistura de BAIÃO,
de CORDEL e CARNAVAL.

O REI DO BAIÃO inspira
e se encontra inspirado,
lá do Alto comemora
seu valioso legado,
dando oportunidade
para criatividade
em eventos culturais
de forró, samba e BAIÃO,
em Carnaval, São João,
e atrações especiais.

*Pombalense, Poeta, Engenheiro Civil pela UFPB com Mestrado pela Escola de Engenharia de São Carlos-SP.

Uma estrela se apaga

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Os anos 60 começaram com o homem invadindo o espaço, o soviético Iuri Gagarin (1934/1968) é o primeiro homem tripulante de uma nave espacial. Inicia-se o uso da informática na área comercial, a juventude dar seu grito de independência com a contracultura, movimentos importantes surgem, os hippies protestando contra a guerra fria, o racionalismo e a guerra do Vietnã.

A televisão passa a ser o meio de comunicação de massa com transmissões de TV em cores em todo mundo, no Brasil surgiu posteriormente, em 1972, com a transmissão da festa da uva no RS.

No cinema Frederico Felini (1920/1993) lança o clássico La Dolce Vita (A Doce Vida); Brigitte Bardot surge como o símbolo sexual da década; o diretor brasileiro, Anselmo Duarte (1920/2009 aparece com o filme o pagador de promessas, de Dias Gomes (1922/1999), e recebe a Palma de Ouro do Festival Internacional do Filme de Cannes, França.

Em 21 de abril de1960 Brasília é inaugurada, pelo Presidente Juscelino Kubitschek (1902/1976) levando o progresso e toda administração federal para o centro-oeste. Em 25 de agosto de 1961 o presidente Jânio Quadros renuncia a Presidência da República com inicio de uma grave crise política no Brasil, culminando com o golpe militar e a queda do Presidente João Goulart.

John F. Kennedy Presidente dos EUA é assassinado dia 22 de novembro de 1963; 9 de outubro de 1967, o líder revolucionário, Che Guevara (1928/1967) é executado na Bolívia; e em 4 de abril de 1968 é assassinado, também nos EUA, o líder negro norte –americano, Martin Luther King (1929/1968); com surgimento de guerras e revoluções regionais a década de 60 tornou-se uma das mais violentas, pós guerra.

Na música tivemos o surgimento de várias estrelas, os Beatles, Bob Dylan, Rolling Stones, o grupo The Jackson 5 e o Festival de Woodstock, todos, e outros tantos, mudaram o comportamento musical mundial.

No Brasil os festivais tiveram sua importância musical na década de 60, com o surgimento de grandes compositores e interpretes, destaque para Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Tom Zé, Os Mutantes, fizeram a cabeça de uma juventude com desejo de mudanças no plano sócio-político no Brasil.

A MPB se mantém mais sólida com a manutenção da Bossa Nova, movimento surgido na década anterior. Nomes como Tom Jobim (1927/1994), Vinicius de Moraes (1913/1980), Roberto Menescal, Carlos Lyra, João Gilberto, Nara Leão (1942/1989), Leny Andrade, e uma quantidade enorme de compositores, cantores e músicos, responsáveis pela sobrevivência do movimento maior dentro da MPB que é a Bossa Nova.

Nesse conjunto de astros surge uma estrela, em 1960, lançou seu primeiro disco, e sua primeira composição, Não Devo Insistir, na voz de Dora Lopes (1922/1983). Respaldado na sua cultura musical, Pery Oliveira Martins (1937/2012), adotou o nome artístico de Pery Ribeiro, nasceu artista, filho de Herivelto Martins (1912/1992) e Dalva de Oliveira (1917/1972), nomes que dispensam comentários, dentro da MPB.
Pery Ribeiro carregava sobre os ombros uma responsabilidade musical muito grande, não podia falhar na sua carreira artística, assim sendo, deu continuidade ao seu trabalho e em 1961 grava um disco com clássicos, com destaque para Manhã de Carnaval e Samba de Orfeu, ambas de Luiz Bonfá(1922/2001) e Antonio Maria (1921/1964), O Barquinho, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli (1928/1994), dentro tantos outros sucessos, todos em 78 rpm.

Foi em 1962 que lançou o seu primeiro LP, Pery Ribeiro e seu Mundo de Canções, com interpretações inesquecíveis como Caminhemos, composição do seu pai, Herivelto Martins, Esquecendo você, de Tom Jobim, e Meu nome é Ninguém, uma parceria de Haroldo Barbosa(1915/1979) e Luiz Reis(1926/1980). Pery é Todo Bossa, é o nome do seu disco de 1963 com a música Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, mundialmente famosa. Foi em 1964 que o Pery Ribeiro lança o disco Pery Muito mais Bossa, destaque para a composição de Carlos Lyra e Geanfrancesco Guarnieri (1934/2006).

Continua lançando seus discos, em 1965 o Gemini V, 1966 vem o Bossa 3, e em 1967 lançou no México o Gemini V e Pery. Foi em 1968 que suspende uma excursão aos EUA e Europa, em decorrência do estado de saúde da sua mãe, Dalva de Oliveira, retorna ao Brasil e grava o LP Pery Ribeiro, onde consta as composições, Pra Você, de Silvio Cesar, e Coisas, do Taiguara (1945/1996).

Em 1972, apesar da morte da sua mãe, Dalva de Oliveira, lança dois discos, o Gemini 5 anos depois, e Pery Ribeiro.

Em 1974 volta ao México e grava o disco Abre Alas. Em 1975 é editado o disco Herança, composição título, de Francis Hime e Paulo Cesar Pinheiro. Em 1976 que é lançado o disco Bronzes e Cristais, música título de Alcyr Pires Vermelho (1906/1994) e Nazareno de Brito (1925/1981), um dos melhores discos da MPB. Encerra a década de 70 com o disco Alvorada, composição título de Cartola (1908/1980), Hermínio Bello de Carvalho e Carlos Cachaça (1902/1999).

Inicia a década de 80 com dois discos, Os Grandes Sucessos da Bossa Nova, e Pery Ribeiro Sings Bossa Nova Hits. Em 1981 lança o Brasileiríssimo, com o sucesso Agonia, música do Osvaldo Montenegro. Foi em 1986 que lançou o disco Pra Tanto viver, música título de sua autoria.

Em 1991 grava um disco independente com música título Ave Maria no Morro, de Herivelto Martins. Em 1992 vem novamente com Cartola, na composição As Rosas não Falam, e Bom dia Tristeza, a belíssima parceria de Adoniran Barbosa (1910/1982) e Vinícius de Moraes. Em 1995 faz uma homenagem ao compositor Adelino Moreira, lançando o CD Pery Interpreta Adelino Moreira. Em 1997 grava o CD A Vida é Só Para Cantar, e três CDs com participação de vários cantores.

Retorna aos EUA e grava um disco em 1999, Tributo a Taiguara. 2004 participa do DVD da sinfônica paulistana, de Billi Blanco (1924/2011), em homenagem a SP. Em 2006 em participação no DVD sinfonia do Rio de Janeiro, parceria de Billi Blanco e Tom Jobim.

Pery Ribeiro faleceu no último dia 24, deixando na MPB uma lacuna que será sentida por muito tempo, principalmente pela sua capacidade de escolher boas músicas para o seu repertório, bons músicos para gravar seus discos, e seus parceiros musicais. A Bossa Nova perde um dos seus maiores representantes, principalmente no mercado internacional, aonde ele tinha um valor reconhecidamente maior que o prestigio que teve, em vida, dentro do Brasil.

Obrigado Pery Ribeiro pelo profissional competente e responsável que você foi.

*Escritor pombalense e empresário em Santa Catarina.

Deu rei na avenida!

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Esse menino Baião continua um iluminado, um pé quente. Aliás, não foi à toa que no seu nascimento, Januário presenciou uma zelação cortando os céus do Exu e também a cigana não estava errada quando o colocou nos braços e disse: Esse menino pertence ao mundo.

Já amanhecia a terça-feira de carnaval, quando a Unidos da Tijuca, a penúltima Escola a desfilar no carnaval de 2012, lançou-se na Avenida Marquês de Sapucaí, com um espetáculo repleto de surpresas a Tijuca trouxe um brilho maior, o brilho de uma "Lua - Luiz" que no sertão é mais intenso. Contagiou o público. A Tijuca é uma das mais antigas Escolas de Samba do Rio de Janeiro, para se ter uma ideia, ela participou do primeiro desfile oficial no ano de 1932, mesmo assim, só havia sido bicampeã do carnaval carioca.

Foi com samba enredo focado na vida e obra de Luiz Gonzaga que o carnavalesco Paulo Barros levou para a avenida uma magia singular, a começar pela comissão de frente que trouxe como tema “O Rei mandou tocar o fole!". Os seus integrantes carregavam sanfonas que se abriam, ganhavam vidas, de repente delas emergiam um tubo sanfonado, escondendo os integrantes, que por suas vezes, dentro dos tubos, passaram a realizar movimentos belos e enigmáticos. Como se não bastasse, outra surpresa vinha logo em seguida, o surgimento de uma enorme mola colorida, representando a alma daquele instrumento e após movimentos espetaculares, de dentro dela saía Luiz Gonzaga.

Com o enredo "O dia em que toda a realeza desembarcou na Avenida para coroar o rei Luiz do Sertão", o carnavalesco desfilou suas alas e carros alegóricos, contou é claro com a bateria do mestre Casagrande, que misturando samba com baião, permitiu que a Tijuca levasse o público presente ao sambódromo, ao delírio, conquistando assim o tricampeonato. A família real estava lá, Rosinha Gonzaga e Daniel Gonzaga, filha e neto do Gonzaga.

O samba, inicialmente, foi criticado, inclusive por mim, pois outros que concorreram, e que perderam, contavam a trajetória do rei com mais detalhes. Hoje vejo que o samba levado à Avenida pela Tijuca nos mostrou um Luiz que não só pertence ao Nordeste, pois na verdade essa estrela chamada “Lua” brilha em todo o céu brasileiro.

*Pombalense e Juiz de Direito da 5ª Vara Cível de João Pessoa PB.
onaldoqueiroga@oi.com.br

CESSA LACERDA: UM ANO DE SAUDADE...

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

“Acabam-se os nossos anos como um breve pensamento... Porque tudo passa rapidamente e nós voamos”. Estas frases de Moisés transmite uma realidade pertinente ao percurso da nossa existência, tornando-se de somenos importância quais seja a quantidade de anos com que venhamos alcançar neste mundo. Quem diria hein? Doze meses são passados da morte de dona Cessa e somos sacudidos pelo sentimento de saudade que nos faz lembrar aquela que em vida, cumpriu de modo cabal, a missão que lhe fora entregue pelos desígnios do Altíssimo.

Quem conheceu dona Cessa sabe que ela era uma pessoa dedicada às artes e dentro dessa área de sua atuação a prática de traduzir nos quadros que pintava o sentimento elevado de todo o seu ser nas gravuras esboçadas em tela. A pureza de sua alma transbordava nos versos que compunha e isso me faz pensar nas palavras do historiador e pesquisador pombalense Wilson Nóbrega Seixas que disse certa vez: “A nossa poetisa Cessa, já nasceu assim, porque trouxe nas veias, o sangue dos primitivos habitantes das Algarves, distrito e província de Portugal, que povoaram os sertões da Paraíba, na segunda metade do século XVIII; em qualquer época teria naturalmente de manifestar a sua vocação poética e a sua inteligência privilegiada, como um fruto que já brotasse amadurecido, ou como uma rosa que já surgisse aberta em pétalas”.
Permitam-me citar UBIRATAN LUSTOSA, Advogado, Poeta, Compositor, Teatrólogo e Jornalista de Curitiba Paraná, QUE ESCREVEU:

CURTIR SAUDADE:

“Saudade é um sentimento de falta. Falta de alguém, de algum lugar, de alguma coisa. Nós brasileiros sempre sentimos saudade e em certas ocasiões nem sabemos de quem ou de que. Sentimos saudade e pronto. Nossa alma é tocada por esse misto de tristeza e alegria, de melancolia e terna ventura, ah, quantos outros sentimentos a saudade comporta. A pessoa sente saudade de pessoas e de objetos, de locais e fatos, de alguém que quis bem, da cidade em que nasceu, de algum animal muito querido, saudade de casas em que morou, de viagens que fez, e sem querer começa a repassar pela memória os acontecimentos de outros tempos e se apraz em recordar.

O tempo é como um véu a envolver o passado, uma neblina que deixa entrever sem revelar, pondo um fascinante toque de poesia em tudo que já se foi. Sim, são muitos os motivos para sentir saudade, essa vontade ardente de viajar nas asas do pensamento e reviver o tempo que passou”.

Saudade dona Cessa nada mais que saudade...
Os grandes legados deixados por dona Cessa para quem a conheceu e principalmente para sua família, foram os títulos honoríficos alcançados pelas suas realizações em vida, tais como, os que dignificam a sua agenda cultural, que servirá num futuro bem próximo para estudos e pesquisas das gerações do porvir, interessadas em saber os reais motivos das tão merecidas honrarias que ela em vida foi merecedora.

Fundadora e Presidente da Academia de Letras de Pombal, idealizadora e fundadora da Associação Poética pombalense ASPONPS Professor Newton Pordeus Seixas, fundadora e coordenadora do Tinju Teatro Infanto-Juvenil, professora, contista, escritora, poetisa, historiadora, artista plástica, Madrinha dos comunicadores de Pombal.

Em 2007 - dona Cessa foi agraciada com o Troféu Imprensa Radialista “Clemildo Brunet” na AABB de Pombal, ocasião em que ela demonstrando seu carinho para com a Imprensa de sua terra natal, fez a entrega em nome da Academia de Letras de Pombal do Certificado “Honra ao Mérito” aos afilhados da comunicação.

Inauguração da Biblioteca
Ao completar 07 meses de sua morte, dona Cessa foi homenageada pela Câmara Municipal de Pombal, que numa justa e merecida homenagem deu o seu nome a Biblioteca Pública daquela casa legislativa, perpetuando o seu nome a história daquela casa de leis e ao Município de Pombal, fato ocorrido no dia 30 de setembro de 2011.

Havendo concluído seu curso profissionalizante aos 19 anos de idade, dona Cessa teve o seu ingresso como professora na antiga Escola Normal “Josué Bezerra”. No total foram 36 anos de serviços como educadora, tarefa feita com muito amor e esmero. Era graduada em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Cajazeiras onde fez também pós-graduação em língua Portuguesa.

Casou-se aos 22 anos com Francisco Fernandes da Silva (Bibia) tendo sido premiada por Deus como fruto do seu amor com Bibia, com os seguintes filhos: Júnior, Cimar, Tim, Rominho e Candinha.

25 de fevereiro lembra o fatídico dia de sua morte o ano passado. A missa de primeiro aniversário em memória de Maria do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes (dona Cessa) será celebrada domingo (26), às 09:00 horas da manhã na Igreja Matriz do Bom Sucesso na cidade de Pombal.

Pombal, 24 de fevereiro de 2012.

*RADIALISTA, BLOGUEIRO E COLUNISTA
twitter: @clemildobrunet e @brunetcomunica  

OS NOTÍVAGOS DE ANTIGAMENTE

Ignácio Tavares
IGNÁCIO TAVARES*

Quando residia na terrinha, no decorrer da semana, habitualmente costumava estudar até meia noite e meia, depois saia à procura de amigos para um bom papo acompanhado de alguma coisa mastigável.

Sabia muito bem onde encontrá-los depois da meia noite para uma boa conversa. O boteco de Beliscada era um dos lugares, onde sempre podia encontrar um ou mais amigos notívagos como eu. Havia ainda o café de Joaquim do Grude que passava a noite aberto a espera dos habituais fregueses da madrugada.

Outro ponto era a birosca de seu Ignácio, localizada quase em frente ao sobrado de Joaquim Assis, nas proximidades da antiga agencia do Banco do Brasil. Neste local, àquelas horas da noite, com certeza encontraria os amigos Epitácio Queiroga, Rubens Medeiros, Joaquim Assis, entre outros amantes da noite.

A conversa era boa. Rubens, não bebia, mas era um versátil conversador. Gostava de um bom papo. Sábio, de inteligência aguçada, por isso, valia a pena escutá-lo, mesmo que não estivesse a concordar com as idéias embutidas nos relatos a que costumava fazer.

As suas estórias podiam ser interessantes, mas, ao concluí-las, no meu modo de pensar, provocavam mais duvidas do que certezas. Isso porque ideologicamente navegávamos em mares diferentes e o amigo tinha consciência dessa divergência no nosso modo de pensar.

É tanto que à todo momento que o amigo estava a expor suas idéias, com certa frequência fixava-me o olhar a espera de uma reação. Como não estava a fim de alimentar discussões ideológicas, preferia ficar calado, pois no momento o que mais me interessava era degustar a saborosa farofa de torresmo de seu Ignácio.

Era isso mesmo, pois a minha presença àquelas horas da noite na birosca de seu Ignácio devia-se dos cocrantes torresmo de tripa com farinha, além do prazer de conversar com amigos. O papo era diversificado, mas, às vezes concentrava-se entre os que mais falavam.

Epitácio Queiroga gostava de provocar Rubens opondo-se às suas argumentações eivadas de idéias políticas conservadoras. Rubens ficava possesso com as colocações de Epitácio contra suas idéias. A conversa alongava-se até altas horas, qual uma cantilena sem fim.

Eu e Joaquim observávamos a conversa dos dois, sem emitir qualquer opinião para ver quando iam parar. Entre uma conversa e outra, seu Ignácio trazia mais um prato de tripa torrada com farinha, acompanhada de meia garrafa de Pitu. A noite já era uma criança, mas as conversas, muitas vezes, estavam apenas começando.

Para mudar o rumo do papo, a gente insultava Epitácio pra que ele cantasse a música Nancy do repertório de Francisco Alves. O amigo tinha uma voz bonita e afinada. Conhecia quase todos os clássicos do Chico Alves, o rei da voz. Passado esse momento, mais uma vez Rubens provocava Epitácio para mais uma conversa infindável. Mais uma vez eu e Joaquim procurávamos desviar atenção de Rubens.

Mesmo assim Rubens insistia. A nova conversa passou a girar em torno da obra que havia sido concluída na Praça Getúlio Vargas. A prefeitura instalou novos bancos e mudou o piso em toda extensão da Praça. Rubens teimava com Epitácio, que em toda obra havia sido posto exatos, 12 mil pisos do tipo mosaico.

Epitácio desafiou Rubens pra apostar alegando que não havia 12 mil pedras ao longo de toda praça. Pra acirrar a discussão, num calculo fajuto, estimou que no máximo 9.500 pedras haviam sido postas em toda extensão da praça. Rubens concordou em apostar que realmente foram assentados 12.000 mosaicos, nem mais, nem menos.

A aposta foi feita, não me lembro o que foi que valeu. Rubens se dispôs a contar todos os mosaicos a fim de dirimir as dúvidas. Começou pela coluna da hora e seguiu praça acima. Nesse meio tempo todo mundo se evadiu e Rubens, sem sentir a ausência dos amigos continuou o seu penoso trabalho.

O dia já estava perto de amanhecer. Mané Capitula tangia seus jegues adestrados em direção o rio pra apanhar a água da sua freguesia. Enfim, Rubens terminou a contagem. Olhou em direção a birosca de seu Ignácio, não viu ninguém. Aí percebeu que todo mundo havia ido embora, apenas ele se encontrava na praça, naquelas horas da manhã.

Por volta das onze horas do dia seguinte, horário que Epitácio chegava à farmácia, Rubens apresenta-se com um pedaço de papel abarrotado de números. Falou: ô Epitácio, ninguém acertou a quantidade de mosaicos postos na praça. Foram exatamente 10 250.

Epitácio, gozador como sempre, ostenta um sorriso maroto e fala pra Rubens: ótimo! Neste caso ninguém ganhou a aposta. Mas, confesso que mantenho as minhas dúvidas, portanto acho que deve ser feita uma recontagem. Retrucou Rubens: concordo, mas, desta vez, você é quem vai recontar. Risos.....

Na noite seguinte, no mesmo lugar estávamos todos a conversar miolo de pote, noite à dentro, até o momento em que Mané Capitula passasse, novamente, com sua tropa de burros em direção ao Piancó.

Como notívagos displicentes, os chocalhos dos jegues de Mané Capitula era a referência que nos levava a entender que a noite já estava a findar. Só nos restavam partir em direção às nossas respectivas casas, a fim de nos rendermos ao sono dos justos.

Que saudades dos amigos que já não estão entre nós. Que saudades do tempo que a gente podia conversar até altas horas da madrugada sem medo de ser feliz, não é? Tempo! Tempo, por que tanta perversidade?

João Pessoa, 24 de Fevereiro de 2012

*Economista e Escritor pombalense.

CARNAVAL, SONHOS E FANTASIAS

Genival Torres Dantas
GENIVAL TORRES DANTAS*

Na minha infância via os carnavais com seus corsos, poucos foliões, mas, muita alegria. A festa se resumia apenas ao carnaval de salão, no clube da cidade, Pombal, ternura nordestina, e os desfiles em carros abertos, normalmente um tambor com água para que seus ocupantes pudessem molhar os pedestres que ficavam nas calçadas olhando, e também participando daquela festividade.

Sai da cidade pequena, fui para o grande centro, no caso a cidade de Recife, com suas avenidas e pontes, onde o carnaval tinha um colorido especial com seus blocos e maracatus, orquestras de frevos e seus passistas, era admirador do bloco do São José, do bairro do mesmo nome, aonde fica localizado o mercado São José, próximo ao centro do Recife e ao marco zero, encontro dos foliões. Estudei lá, na Capital pernambucana até 1973, deixei para trás três grandes amores, o glorioso Santa Cruz, de tantas glorias, a faculdade e a alegria de um povo que sabia festejar seu carnaval até mesmo da adversidade.

Em São Paulo pude conviver com uma nova realidade, dentro dela o carnaval paulistano com todo seu gigantismo e empenho, a tradição dos clubes e escolas de samba fazia e faz a alegria de um povo que não se cansa, incansável nos seus ideais e objetivos. Os desfiles antes nas avenidas São João, Tiradentes, depois de 1993, data da inauguração do Sambódramo do Anhembi, na gestão da prefeita Luiza Erundina, paraibana, o paulistano passou a ter mais conforto para assistir ao desfile da sua escola preferida, principalmente depois da ampliação pelo prefeito Paulo Maluf, em 1996.

Nesse período estive no Rio por várias vezes para ver o desfile maior do carnaval brasileiro, a evolução e o crescimento da cidade e o gigantismo do carnaval também fez os desfiles passarem por vários palcos, sendo que a avenida Presidente Vargas recebesse essa festa por muito tempo, dois anos na avenida Presidente Antonio Carlos, motivado pela construção do metro carioca, e em seguida para avenida Marquês de Sapucaí, antes mesmo da implantação do Sambódramo, Passarela professor Darcy Ribeiro, cuja inauguração ocorreu em 1984, pelo prefeito Jamil Haddad. O Sambódramo carioca, projeto do grande arquiteto Oscar Niemayer, foi completado e reinaugurado em 12 último, pelo prefeito Eduardo Paes e a presença histórica do seu criador, Oscar Niemayer, hoje com 104 anos de idade.

O carnaval não é apenas espaço físico, tem toda uma história musical e cultural. No carnaval pernambucano a festa se agigantou, em 1978 foi criado o bloco Galo da Madrugada, no mesmo bairro São José e seu mercado municipal, tendo, esse ano, saído às ruas do Recife com 2 milhões de participantes. Os Bonecos de Olinda dão outra mostra de participação popular com seu arrastão carnavalesco.

Em salvador os foliões se superam atrás do trio elétrico, invenção do Dodô(Antonio Adolfo Nascimento) e Osmar(Osmar Macedo), cuja alegria é patrocinada principalmente pela energia das insuperáveis rainhas da alegria e beleza baiana, Ivete Sangalo e Claudia Leite.

Rio e São Paulo são protagonistas de espetáculos só comparáveis a grandiosidade do seu povo, com escolas apresentando luxo e beleza aos amantes dessa festa popular, imortalizada por grandes compositores que fizeram e fazem a alegria do nosso Brasil.

Para resumir a lista dos grandes nomes do mundo musical, tivemos quatro figuras que representam muito bem essa constelação de astros.

O Lamartine Babo, 1904/1963, com seus hinos aos clubes cariocas, e suas marchas, marcaram profundamente o memória de todos nós. Ary Barroso,1903/1964, com toda sua criatividade musical, se tivesse composto apenas a Aquarela do Brasil já teria justificado sua presença no mundo musical, um dos maiores e melhores compositores da MPB de todos os tempos.

Carlos Alberto Ferreira Braga, Braguinha, ou simplesmente João de Barros, 1907/2006, fez músicas inesquecíveis, As pastorinhas, em parceira com Noel Rosa, Carinhoso, uma composição em conjunto com Pixinguinha, duas músicas eternamente lindas, até hoje fazem a cabeça de todas as gerações.

Noel Rosa, 1910/1937, assim como Castro Alves, morreu jovem, deixando uma obra invejável, tanto na quantidade com na qualidade dos sambas que compôs, Último desejo, Palpite infeliz, Antonico, foram canções eternas de um compositor de grande versatilidade e poder de criação, desenvolvendo temas consagrados pelo grande público, tido como um dos maiores compositores da nossa MPB.

Hoje 21 de fevereiro de 2012, terça-feira, depois da última escola passar na avenida Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, percebo que realmente o tempo fez os ritmos se transformarem, o próprio samba tem outro ritmo, com introdução de novos instrumentos na bateria das escolas, entretanto, a alegria se mantém viva, a juventude continua a ser o principal ingrediente da festa, a música a proporcionar calor e energia aos foliões dispostos a viver até o último minuto de mais um carnaval de muito nível. Aqui em SC o tempo não está favorável aos foliões que certamente esperavam um dia de sol para recuperar na praia as energias perdidas na noite anterior, chove e nem mesmo caminhar na areia ou calçadão é possível. Mais um carnaval que está indo embora deixando para trás sonhos e fantasias, para até o próximo ano, na cabeça do sonhador que gasta fortunas para viver esse momento mágico.

Pombalense, Escritor e Empresário em Navegantes - SC.

DO FUNDO DO BAÚ

QUEM ESTÁ NA FOTO? ANO 1970.

EXERCITANDO O PERDÃO

Amisterlane Araújo
 Amisterlane Araújo*

Na última semana uma das notícias que mais teve repercussão na mídia, foi o julgamento de Lindemberg Alves, acusado de ter sido o responsável pelo homicídio de Eloá Pimentel, sua ex-namorada e pela lesão corporal sofrida pela amiga da vítima, Nayara.

Entretanto, a mídia ensinou a sociedade a considerar o réu culpado antes mesmo de ser julgado. É importante lembrar que, a nossa constituição é contundente ao resguardar o princípio do devido processo legal e da ampla defesa, além do que preleciona o ordenamento penal, que diz que o réu só é considerado culpado após o trânsito em julgado, ou seja, quando não couber mais nenhuma via processual para recorrer.

Mas, deixando toda essa parte técnica de lado, o que de fato mais me chocou foi, quando a advogada de Lindemberg Alves pediu a remissão judicial em favor do seu cliente, por razões emocionais, pedido que foi denegado pela juíza Milena Dias, foi ver que, quando o referido fato veio à tona na mídia, a advogada do réu foi logo considerada a grande vilã de toda a história, e o que é pior, vários cristãos, concordaram em condenar o acusado, antes mesmo do fim do processo e análise probatória!

Não estou aqui defendendo o réu, nem querendo inocentá-lo, contudo, o fato é que não se pode julgar alguém de tal maneira, ainda mais quando se resguarda princípios como os que Jesus Cristo ensinou.

Ora, nossos princípios cristãos nos ensina que todos nós podemos e devemos ser perdoado pelo Pai, desde que se arrependa de todo o coração.

Como bem explicitou, o Rev. Pedro de Mira, em um post na rede social, parafraseando-o ele mencionou: “Se Jesus agisse da maneira como nós agimos em relação ao acusado do caso Eloá nenhum de nós estaríamos perdoados, é válido ressaltar ainda, que o fato de está perdoado, não significa está isento de responder pelos atos.”

Assim, o Tribunal do Júri, achou por bem condenar o réu, sendo a sentença prolatada pela juíza Milena Dias com todas as agravantes e atenuantes que foram aplicáveis ao caso no total de 98 anos e 10 meses. Porém, é importante esclarecer irmãos, que o processo não está findo, inclusive a advogada do réu já se pronunciou e disse que vai pleitear pela anulação do julgamento pelo júri.

Por fim, o que quis demonstrar é que nós como cristãos não devemos agir precipitadamente condenando alguém sem quaisquer provas, capazes de demonstrar a culpa da pessoa acusada. Ademais, foi o próprio Cristo que nos ensinou a perdoar e a tirar primeiro o argueiro dos nossos olhos para depois tirar o do irmão.

“Por que vês tu, pois, o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? Ou como dizes a teu irmão: Deixa-me tirar-te do teu olho o argueiro, quando tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeira a trave do teu olho, e então verás como hás de tirar o argueiro do olho de teu irmão.” Mateus, 7: 3-5

*Pré-concluinte do curso de Direito da UNIPÊ em João Pessoa e membro comungante da Igreja Presbiteriana Filadélfia no Valentina Figueiredo.

Fonte: Blogdiaconos_Secretaria Presbiterial de Apoio às Juntas Diaconais_Presbitério Sul PB.

BARBÁRIE EM QUEIMADAS...

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*


“Eis que clamo: Violência! Mas não sou ouvido; grito: socorro! Porém não há justiça”. Jó 19:7


A Barbárie registrada na madrugada de sábado para domingo (11/12), na cidade de Queimadas região do agreste paraibano, em que um bando (sete maiores e três menores) encapuzado e de máscara, fortemente armado, invadiu a casa onde se realizava a comemoração de um aniversário, traz consigo o estigma da selvageria, difícil até para uma avaliação acurada de agentes e peritos da polícia, pela complexidade do caso e por tratar-se de um fato inusitado para essas bandas.

Uma ação premeditada quinze dias antes por dois irmãos donos da festa. Uma simulação de assalto para encobrir um estupro coletivo praticado em seis mulheres que foram convidadas para a festa. Duas foram executadas sumariamente por haver reconhecido o algoz aniversariante, que estava recebendo como presente do irmão, a mulher dos seus desejos animalescos a fim de constranger a vítima com violência para o coito.
Fachada da casa do estupro coletivo 
A que ponto chega à violência na Paraíba, pois o Governador Ricardo Coutinho que é o comandante geral da polícia do estado acha-se impotente para combater a criminalidade e solta para a Imprensa a infeliz frase “cada um que se cuide”. Por outro lado o comandante da Polícia militar da Paraíba Cel. Euler Chaves entrevistado do Programa “Polêmica Paraíba” na tarde desta quarta (15), quando questionado sobre as estatísticas de violência na Paraíba, acusou a imprensa de está amedrontando a sociedade, declarando que este fator depende muito da imprensa. “Parte de vocês fazem isso de maneira instantânea, tipo hiperbolizando os fatos. Sendo assim, gera aspectos sensacionalistas que naturalmente na mente das pessoas, do cidadão comum que faz uma leitura rápida daquele episódio ver como insegurança”.

A despeito dessas declarações, enaltecemos a ação conjunta das Policias Civil e Militar, que em menos de 24 horas, já tinha posto a mão em alguns desses elementos que participaram da tragédia de Queimadas, conseguindo dessa forma desvendar o mistério de tudo que estava por trás da festa de aniversário do dito cujo, idealizador da simulação do assalto que não houve. A mulher dele disse a policia que na sua casa não tinha o dinheiro que supostamente fora subtraído.
Assistir pela TV a frieza do principal articulador dessa trama depois do ocorrido. Estava em casa tomando um energizante aparentando uma tranquilidade como se nada tivesse ocorrido. O irmão para disfarçar foi logo cedo a delegacia da cidade fazer o boletim de ocorrência registrando a tragédia como assalto, acusando o bando de ter levado da casa da festa o valor de cinco mil reais. Mais tarde ambos se encontravam no velório das duas vítimas fatais quando foram presos pela polícia.

O que intriga as autoridades que investigam esses crimes é o fato de além de tal façanha haver sido premeditado há quinze dias, o ocorrido se deu acompanhado de um estupro coletivo com seis mulheres molestadas sexualmente, duas das quais foram executadas impiedosamente, quando estavam sendo levadas reféns em um carro de um dos convidados, uma saltou do veículo ao lado de uma Igreja Católica foi executada a tiros quando tentava fugir. A outra tendo sido executada pelos meliantes teve seu corpo desovado em uma estrada que liga Queimadas a Fagundes.

As investigações em torno da barbárie de Queimadas prosseguem. Já se sabe que os dois irmãos Eduardo e Luciano dos Santos Pereira mentores da festa, também são investigados por dois assassinados na favela da Rocinha, na zona sul do Rio, estavam sendo procurados pela polícia carioca, pois além desses crimes, existem também envolvimento em assaltos a bancos e homicídios no Estado nordestino.

Após os depoimentos dos acusados a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado, em contato direto com o Secretário de Administração Penitenciária, solicitou a transferência dos sete adultos envolvidos no sinistro, por uma questão de segurança; já que havia o receio que eles fugissem ou que fossem vítimas da população de Queimadas em vingança pelo que fizeram as seis mulheres. Os sete adultos chegaram a PB 1 em João Pessoa, pouco antes das 18 horas de ontem (15). O comboio foi organizado pela Polícia Civil e chefiado pelo delegado Regional André Rabelo. Os sete envolvidos no crime estavam detidos na Centra de Polícia, em Campina Grande. Os três menores estão detidos no Lar do Garoto em Lagoa Seca.

Só nos resta clamar como o salmista Davi:

Socorro, Senhor!
“Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fieis entre os filhos dos homens”.
Sl. 12:1. Revista e Atualizada no Brasil - Edições Vida Nova – SBB.

Pombal, quinta feira, 16 de fevereiro 2012.

*Radialista, Blogueiro e Colunista

TEORIA DAS CRISES ECONÔMICAS

Eronildo Barbosa
Eronildo Barbosa*

O mundo do trabalho passou por radicais transformações nas últimas décadas, tendo como resultado, entre outras coisas, o aumento do desemprego e da miséria de uma parte da população, a precarização do trabalho e a queda substancial das atividades sindicais. Soma-se a isso a perda paulatina dos direitos sociais dos trabalhadores, conquistados com dificuldades ao longo dos últimos séculos.

Esse processo é resultado direto de uma nova reorganização do capital ocorrida a partir da década de 1980, com o objetivo explícito de ampliar as taxas de lucro que vinham caindo desde os anos 1970, por conta de mais uma crise econômica.

A história do modo de produção capitalista registra momentos de crise e de prosperidade econômica. É da lógica dessa formação social o aparecimento em períodos cada vez mais curtos de convulsões econômicas. Essas crises estão ligadas diretamente ao fato de que no capitalismo os bens produzidos são transformados em mercadorias.

Cada organização econômica produz a quantidade de bens que acredita ser possível vender, sem a preocupação com as demandas do mercado. Essa questão é determinante para o surgimento das crises, como muito bem analisou o velho Karl Marx, em seu famoso livro - O Capital.

O que acontece é que a disputa entre os capitalistas pelos nichos de mercado cria estoques de mercadorias não vendáveis. Uma parte delas fica encalhada. Com isso a taxa de lucro da organização econômica começa a cair. Mesmo as empresas que atuam em regime de monopólio ou oligopólio são afetadas pelas tensões econômicas.

Seus produtos também ficam parados nas gôndolas e nos depósitos porque os consumidores não têm condições econômicas de comprá-las. Esse fenômeno é conhecido como subconsumo.

Para tentar se defender dos efeitos da crise o empregador efetiva cortes nos custos do capital variável. Os postos de trabalho são os primeiros a serem atingidos. Na seqüência a crise vai se espraiando até se tornar universal, como nas décadas de 1930, 1970, 1990 e 2008 até os dias de hoje.

O mais grave é que parcela expressiva dos trabalhadores que perdem os seus empregos dificilmente volta ao mercado de trabalho. As novas tecnologias e a reformulação do processo produtivo que são administrados como recursos de superação das crises os conduzirão compulsoriamente para o chamado exército industrial de reserva, peça chave no processo de acumulação e desenvolvimento do modo de produção capitalista.

O empregador sabe que a existência de força de trabalho desempregada ou subempregada colabora diretamente para a queda da massa salarial e cria um ambiente favorável ao capital.

A história mostra que o medo do desemprego impacta o processo de organização do trabalhador. Os sindicatos, nesses momentos, perdem força e tendem a refrear as suas reivindicações mais imediatas,

Mas, por outro lado, as crises econômicas também são portadoras de oportunidades. O capital, nelas, procura alternativas para recompor a tendência decrescente da sua taxa de lucro.

Na década de 1970, por exemplo, depois de mais uma crise, o capital procurou soluções para elevar seus lucros. Nessa tarefa contou com o concurso das idéias neoliberais, formuladas nos anos 1940 por um grupo de economistas liderados por Friedrich Hayek, cuja base teórica apontava para o combate direto ao Estado de Bem-Estar criado nas décadas de 1940 e 1950 na chamada era de ouro do modo de produção capitalista.

Então, o que estamos assistindo nos últimos anos é um esforço danado das nações centrais para saírem da crise que elas criaram.

As dificuldades não são poucas e nem pequenas. Enquanto os capitalistas acharem que o desemprego e a especulação financeira criam riqueza o mundo continuará perdendo oportunidade de melhorar as condições de vida dos seus habitantes.

O que cria riqueza é o trabalho humano. Esse deve ser estimulado e bem remunerado. Essa é uma das saídas para as crises. Sem aumento do consumo não pode haver crescimento econômico. Essa é uma lição básica da economia política.

*È doutor em educação e professor universitário.

O DESFILE DA INCOMPETÊNCIA

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

A sinergia que há entre os poderes constituídos em busca de um objetivo maior que é o bem estar geral, o desenvolvimento, material e humano, e a segurança de uma nação, tem se exaurido, em nosso país, na proporção em que a participação de alguns membros, sem necessidade, procura intervir no assunto sem a menor competência.

Nos últimos 40 anos a nossa agricultura evoluiu praticamente pelas mãos da iniciativa privada, quando houve um verdadeiro êxodo dos agricultores do Sul do país, em busca de terras férteis, principalmente no centro-oeste, que pudessem ampliar a área agricultável, particularmente na cultura da soja, produto de valiosa moeda no mercado exportador e consumo interno. Em decorrência desse fato passado, hoje temos uma estimativa de 70.2 milhões de toneladas de soja para a safra deste ano.

Todo esforço da iniciativa privada não é acompanhado pelo poder público em não trabalhando na infra-estrutura para proporcionar o escoamento da safra mais agilidade e menor custo por tonelada transportada, sendo, portanto, a logística o grande entrave do processo produtivo da nossa agricultura e pecuária no nosso país.

O descaso com nossas rodovias é um caso impressionante, sem manutenção, com trechos praticamente sem a menor condição de trafego tornando o transporte rodoviário, de carga, o maior agregador de custos para o setor, e a perda de grãos, muitas vezes com ausência do próprio transporte, o vilão econômico.

O nosso país é um privilegiado quando o assunto é comodities, temos uma área agricultável inferior a 20%, explorada, reservas mundiais de 13% da água potável, produção de 80% da extração do minério de ferro consumido mundialmente, muito embora só tenhamos 5% do mercado de aço, sendo esse nosso grande pecado, vendermos matéria prima sem nenhuma valor agregado que represente geração de emprego para nossa gente.

Somos possuidores de uma reserva de petróleo no pré-sal, cujo volume tem superado a expectativa dos pesquisadores, em virtude de descobertas de novos poços a cada dia, em nossas águas profundas. Sem contar que no plano energético o grande negócio ainda seria reativarmos e incentivarmos o pró-álcool, para produção do álcool, como energia alternativa e renovável, com menos de teor de contaminação ambiental, tanto na produção como no consumo.

Quando tratamos do nosso parque industrial verificamos que estamos num processo de involução quando comparamos os demais países do Brics. Tínhamos em 1980 uma produção que se equiparava a China e Indonésia juntas, hoje representamos 15% da produção dessas duas nações. A nossa mão de obra é tida como uma das mais caras quando tratamos de chão de fábrica, entretanto os nossos operários ganham salários ainda incompatíveis com suas necessidades básicos, o custo decorrer da gula do governo em manter percentuais acima da média mundial com uma contrapartida de serviços inferiores ao que preconiza o bom senso.

No mercado de serviços a coisa vai ficando cada vez mais feia, nessa última semana tivemos um leilão da concessão dos serviços nos aeroportos de Cumbica, Viracopos e Brasília, o filé do boi foi servido por R$24.5 bilhões, a carcaça do boi, aeroportos deficitários, não vão a leilão, com a primeira parcela a ser paga (1) um ano após a assinatura do contrato, o restante em (12) doze parcelas anuais, fonte Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Os consórcios que ganharam as concessões certamente serão privilegiados pelo BNDS no aporte de recursos ao projeto, em até 80% dos valores contratados.

Falando de aeroportos, estamos entrando na semana pré-carnavalesca e duas Capitais nos deixa preocupados, Salvador com uma greve, na polícia militar, de 11 dias, com intervenção, desnecessária, de vários setores do governo federal, inclusive, participação direta, do ministro da justiça, José Eduardo Cardozo, sem nenhum efeito positivo, pelo contrário, e por conseqüência, desencadeou-se a greve no Rio de Janeiro dos policiais civis, militares e bombeiros, tumultuando mais ainda a situação nas duas Capitais, gerando intranqüilidade na população e um nervosismo na industria de hotelaria e turismo, pois, caso o assunto não seja resolvido em caráter emergencial, o transtorno que virá por conta da situação será refletida não apenas no carnaval, maior calendário turístico do nosso pais, mas, na copa do mundo de 2014, no Brasil, e as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Antes que o desfile da incompetência aconteça, é melhor que as partes cheguem num acordo, usem o bom senso, o equilíbrio e a tolerância, procurem proporcionar uma festa de alto nível para os turistas e não estraguem com a soberba, prepotência e a falta de visão futurista, uma fonte de renda que nos traz dividendos não apenas no período do carnaval, e sim, em todos os meses do ano, com a presença de turistas em nossa terra, trazendo divisas para nossa balança comercial e demonstrando o respeito que sempre tivemos para com os nossos visitantes, e nos proporcionando a continuidade do título de país do povo mais alegre do mundo.

*Pombalense, Escritor e Empresário em Navegantes - SC.

REXSPY

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

O homem sepultou a privacidade. A espionagem , instrumento de guerra e também usado pelas polícias de todo o mundo como uma ferramenta importante na investigação e elucidação de crimes, também tem seu lado negativo, isto quando está a serviço daqueles que agem à margem da lei.

No tempo de Sherl o ck Holmes, a sua espionagem era voltada para o bem, para a elucidação dos mais enigmáticos delitos , e, o que se percebe das anotações sobre o referido personagem , é que ele sempre se conduzia imbuído da ética. O triste é quando essa espionagem está à disposição do lado contrário.

Nos dias atuais, com o avanço da indústria tecnológica, a espionagem ganhou novos aliados, instrumentos que o cidadão comum nem imagina. No tempo da internet e dos celulares, encontramos diversos programas , que hoje não estão agrupadas somente ao imaginário da ficção cientifica.

Sabemos que a polícia está bem estruturada e possui equipamentos eletrônicos capazes de promover o grampo telefônico, quando , obviamente, autorizado por decisão judicial. Mas, o incrível é que hoje qualquer um pode adquirir, sem burocracia, um programinha denominado de REXSPY, ou outro do mesmo gênero, uma espécie de vírus que consegue, com uma facilidade espantosa, grampear qualquer telefone celular, e, o mais grave, transformar o aparelho em uma espécie de microfone, permitindo que aquele que realizou o grampo passe a escutar e gravar toda a conversa havida entre o usuário do celular grampeado e seus interlocutores. Aliás, esses programas não só grampeiam conversas, mas alcançam, também, todas as informações constantes do celular, e, caso haja troca de chip, o programa tem condições de identificar e continuar agindo.

Essa tecnologia poderá ser usada pelo crime organizado para acompanhar a ação de suas vítimas e da polícia, bem assim por escritórios advocatícios para monitorar, indevidamente, os passos a serem dados pelos advogados contrários aos seus constituintes. Estamos em ano de eleição. Quem garante que políticos não usarão essa tecnologia na guerra eleitoral que logo mais estará instalada nas ruas e nos tribunais?

É tempo de insegurança, mas prefiro ainda acreditar na existência de homens dignos e honrados que não temem esse tipo de tecnologia, pois costumam andar sempre com a verdade à mão. Quem assim age não tem ética, não merece credibilidade. São seres podres, que não possuem amigos e não confiam sequer na sua própria sombra . São desprovidos de Deus. Que pena!

*Pombalense e Juiz de direito da 5ª Vara Cível de João Pessoa – PB.

NONATO BANDEIRA: SERÁ DESSA VEZ?

Nonato Bandeira e Clemildo Brunet (foto)
CLEMILDO BRUNET*

Este ano marca as eleições municipais em todo país. Aqui na Paraíba não poderia ser diferente. Na capital do Estado já se especula nomes de pré-candidaturas que deverão ser definidas ou homologadas pelos partidos ou coligações, nas convenções a serem realizadas no mês de junho do ano em curso.

Até o dia 14 de janeiro tinha-se como certa a pré-candidatura de Luciano Agra atual Prefeito de João Pessoa apoiado pelo Governador Ricardo Coutinho. No entanto, com a desistência deste ao posto, deu-se início a uma série de especulações de quem seria o pré-candidato que receberia o apoio do atual Governador da Paraíba. Mas, Ricardo escolheu Estelizabel Bezerra, do PSB seu partido, e ex-secretária de seu Governo para suceder Luciano Agra na Prefeitura de João Pessoa.

Entre os pretensos a suceder o Prefeito Luciano Agra surge também o nome de Nonato Bandeira, 46 anos, Jornalista, formado pela UFPB, já tendo exercido várias funções de revisor a editor geral. Fez parte da diretoria do Sindicato dos Jornalistas e foi Presidente da Associação Paraibana de Imprensa, tendo sido também o responsável pelo projeto que implantou a primeira TV Pública na Paraíba, a TV Assembleia, na gestão do hoje vice-governador Rômulo Gouvêia.

Sua militância política vem desde os tempos que frequentou a universidade nos movimentos estudantis, tendo exercido funções como diretor de Centro Acadêmico e do Diretório Central dos Estudantes. Nonato conheceu Ricardo Coutinho nos idos de 1990 e mantém até hoje uma sólida amizade com o Governador, tendo ocupado a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de João Pessoa no primeiro mandato de Ricardo como Prefeito e no segundo como Chefe de Gabinete. Atualmente ocupa a pasta da Secretaria de Comunicação Social do Estado, tendo sido o único Secretário que acompanhou o Governador na viagem a Brasília para assistir a posse de Aguinaldo Ribeiro no Ministério das Cidades, na última segunda feira dia 06.

Apesar de não ser o pré-candidato escolhido pelo Governador para sucessão municipal de João Pessoa, Nonato Bandeira tem contado com o apoio de amigos do próprio partido do Governador e de outras agremiações partidárias aliadas a Ricardo Coutinho, resultando com isso a criação de uma frente democrática em torno de seu nome.

Em 2008 ele foi cotado para figurar como vice na chapa de Ricardo Coutinho e teve mais votos no conselho político das alianças que formavam os partidos aliados; porém, não logrou êxito na indicação final perdendo para o hoje Prefeito Luciano Agra. Nonato também poderia ter sido indicado como candidato a Vice Governador na Chapa de Ricardo Coutinho nas eleições de 2010, abdicou dessa pretensão e tornou-se o principal articulou para o estabelecimento de uma aliança com Cássio Cunha Lima do PSDB, com o fim de consolidar a vitória de Ricardo pra Governador e Cássio para o Senado.

Nos embates dessa arena política, eis que o PPS partido do qual Nonato Bandeira é filiado, surge de repente com um impasse: Outro pretenso pré-candidato pela legenda, o Deputado Estadual Janduhy Carneiro diz não apoiar Nonato e vai manter sua pré-candidatura a Prefeito da Capital. Diante do imbróglio, ninguém sabe ao certo o motivo do silêncio de Ricardo Coutinho, em não se indispor com a Frente Democrática de Nonato, talvez, quem sabe, seja a intransigência de Janduhy em ser pré-candidato do PPS ou talvez uma segunda opção para Ricardo nas eleições deste ano, caso as pesquisas favoreçam a candidatura do seu atual Secretário de Comunicação. É esperar pra ver.

Pombal, quarta feira, 08 de fevereiro de 2012.

*RADIALISTA, BLOGUEIRO E COLUNISTA

Wando sofre parada cardíaca e morre aos 66 anos

Morreu na manhã desta quarta-feira (8), por volta das 8h, o cantor Wando. Ele estava com 66 anos e foi internado no dia 27 de janeiro com problemas cardíacos graves no Hospital Biocor, em Nova Lima, em Minas Gerais. Após passar por uma angiolplastia, reduzindo significativamente o risco de morte, o cantor apresentou uma melhora, mas sofreu uma parada cardíaca.

Wando estava com nível de 90% de obstrução de três artérias e precisou respirar com a ajuda de aparelhos durante o período de sua internação. Após a cirurgia de angioplastia, o nível caiu para 40%, sendo considerada uma melhora representativa do ponto de vista da equipe médica.

Apesar de não fumar e não consumir bebidas alcoólicas, Wando mantinha péssimos hábitos alimentares e era bastante sedentário. Ao dar entrada no hospital, ele estava pesando 110 kg, 30 a mais do recomendado pelos médicos. Outro agravante é o histórico familiar do artista: seu pai e irmão também morreram em decorrência de problemas cardíacos.

Wando, o rei das calcinhas

Wanderley Alves dos Reis nasceu no dia 2 de outubro de 1945, em uma pequena fazenda na cidade de Bom Jardim, em Minas Gerais. Ainda criança, mudou-se para Juíz de Fora e ganhou da avó o apelido de Wando.

Em Minas Gerais, começou a estudar violão erudito e já tinha uma banda na cidade de Congonhas, onde tocava em festas da região. Mais tarde mudou-se para Volta Redonda, no Rio de Janeiro, e trabalhou como entregador de leite e de jornal, além de feirante e caminhoneiro.

Desistiu do violão clássico e começou a "fazer canções de amor para as moças", como ele mesmo narrou em sua própria biografia, disponível em seu site oficial. Alcançou o sucesso em 1973, com Nega de Obaluaê, que já ganhou versões de nomes como Pedro Luís e a Parede, João Sabiá, Benito di Paula, Sambasonics, entre outros.

Em São Paulo, gravou com Jair Rodrigues O Importante é Ser Fevereiro, que também estourou no início da década de 70, mas foi com a faixa Fogo e Paixão que ele consolidou sua carreira de cantor e compositor.

Com álbuns intitulados Ui-Wando de Paixão, Obsceno, Depois da Cama e Vulgar e Comum é Não Morrer de Amor, por exemplo, Wando recebeu o título de "o cantor mais erótico do Brasil". Seus shows eram famosos por cenários com camas, haréns e, claro, a distribuição de calcinhas perfumadas.

Discografia:
Gloria a Deus e Samba na Terra (1973)
Wando (1975)
Porta do Sol (1976)
Ilusão (1977)
Gosto de Maçã (1978)
Gazela (1979)
Bem-vindo (1980)
Pelas Noites do Brasil (1981)
Fantasia Noturna (1982)
Coisa Cristalina (1983)
Vulgar é Comum é Não Morrer de Amor (1985)
Ui-Wando Paixão (1986)
Coração Aceso (1987)
O Mundo Romântico de Wando (1988)
Obsceno (1988)
Tenda dos Prazeres (1990)
Depois da Cama (1992)
Mulheres (1993)
Dança Romântica (1995)
O Ponto G da História (1996)
Chacundum (1997)
Palavras Inocentes (1998)
S.O.S. de Amor (1999)
Picada de Amor (2000)
Fêmeas (2001)

Fonte: Terra

A SUSTENTABILIDADE INSUSTENTÁVEL

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Temos passado por um processo de violência de abrangência mundial, usa-se até um jogo de futebol para exprimir toda ira contra a própria raça humana, chegando a mais de 70 mortos numa única situação em um estádio onde a confraternização devia ser o principal motivo de um embate futebolístico.

A luta pela derrubado de governos continua a fazer vítimas e mostrar todo estresse coletivo, o respeito pelo próximo é um sentimento que deixamos de lado para garantirmos nosso espaço dentro de uma sociedade em estado falimentar, onde não há limites para se conseguir uma posição ou destaque no meio.

No Estado da Bahia a greve dos membros da polícia militar tem mobilizados recursos financeiros, materiais e humanos no sentido de dar um pouco de tranqüilidade à população tão carente de segurança nesses tempos de tanta dificuldade. Não é justo que em nome das nossas reivindicações prejudiquemos os outros, mas, a indiferença ao próximo no leva a esse tipo de comportamento.

É muito triste vermos atitudes injustificáveis, principalmente por pessoas ou grupos que sendo formadores de opinião deviam usar toda sua capacidade para o crescimento do coletivo, entretanto, como se nada devesse ou não tivesse satisfação a dar, procuram trabalhar para o seu próprio bem estar, verdadeiro gesto de egoísmo, ignorando o conjunto do qual fazem parte.

Quando se trata de política, o tema aqui no Brasil fica assustadoramente preocupante, não sabemos se realmente foi perdido o respeito pelo ser humano, eleitores, ou se o sistema está realmente fora de propósito. Em nome da governabilidade temos visto, nos últimos dias, coisas que duvidávamos que um dia viesse acontecer. A corrupção ativa e passiva continua sendo responsável por queda de ministros e de ocupantes de cargos no segundo e terceiro escalão na administração federal.

O Mario Negromonte deixa o Ministério das Cidades envolvido numa atmosfera negativa, por práticas impróprias a um Ministro de Estado, com ele caiu o seu chefe de gabinete, Cássio Peixoto, demitido depois das notícias de que se reuniu com lobistas. Também caiu o chefe da assessoria parlamentar, homem de confiança de Negromonte, João Ubaldo Coelho Dantas. O palácio da alvorada nada disse a respeito, um silêncio total, na sequência é nomeado o novo ministro para a pasta, dessa vez uma preferência pessoal da presidente Dilma e do mesmo partido do Mario Negromonte,PP. O escolhido para essa nova vaga é o deputado federal, paraibano, 42 anos, nascido em Campina Grande, dois mandatos a deputado estadual pela Paraíba, 2003/2011, secretário da agricultura irrigação e abastecimento da Paraíba, 1998/2002; secretário da ciência e tecnologia e recursos hídricos e meio ambiente da Paraíba, 2008/2009; secretário de ciência e tecnologia da cidade de João Pessoa, Paraíba, 2009/2010.

O novo ministro é administrador e engenheiro civil, com MBA em gestão empresarial pela FGV. Uma bela carreira para um jovem político que tem uma longa estrada pela frente numa classe carente de novos líderes.

Infelizmente o ministro que assumiu hoje já vem lastreado com denúncias de corrupção, favorecimento de verbas, como deputado, e ocultação, à justiça eleitoral na última eleição, da sua participação societária em empresas de comunicação e construção civil. Vamos esperar as apurações que certamente vão ser realizadas por solicitação da oposição no Congresso Nacional

Por outro lado, é demitido sumariamente da presidência da casa da moeda, Luiz Felipe Denucci, acusado de corrupção no exercício do cargo. Esse caso é impressionante, trata-se de uma pessoa indicada por um partido político, o PTB Do Roberto Jefferson que alega ter apenas encampado o apadrinhamento a pedido do governo. O ministro Guido Mantega, pessoa respeitosa e respeitável, até então sem nenhum ato que o desabone junto a opinião pública, alega que não conhecia o economista e que a indicação é de responsabilidade do próprio PTB, e a saída do presidente, da casa da moeda, deve-se a pressão política.

Interessante é que qualquer pessoa para assumir qualquer cargo na empresa privada ou pública, por mais simples que seja, é obrigada a passar por teste ou concurso, no caso de cargo público, informando um “curriculum vitae”, provando sua idoneidade financeira e moral. Entretanto, para assumir cargos de confiança, no governo federal, principalmente, é suficiente a indicação política. Hoje temos 17 partidos que fazem parte da base aliada, responsáveis pela sustentação política e governabilidade do país.

Esses partidos fizeram loteamento de todos os cargos de confiança, causando um dano irreparável ao poder central, esse fato tem mantido a Presidente da República, numa verdadeira camisa de força, o mais triste, não é responsabilidade apenas da situação, ou governo atual, a prática vem se arrastando por governos anteriores. Nós, simples eleitores mortais, não temos saída, não vemos solução imediata e nem a curto prazo para uma solução. Urge uma mudança radical no sistema político, para tanto, se faz necessário uma reforma imediata, para que isso aconteça é preciso coragem e atitude política, o que tem faltado aos nossos representantes.

*Ex-locutor do Lord Amplificador, Escritor pombalense, é Empresário em Navegantes - Santa Catarina.

O MENINO PESCADOR: "O SONHO QUE NÃO SE REALIZOU"

Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*

Há algumas dezenas de anos o Piancó era um Rio limpo de águas cristalinas. Era densamente povoado por diversas espécies de peixes em quantidade generosa capaz de atrair pescadores dos diversos recantos da cidade, até mesmo de municípios vizinhos.

Não fui diferente, pois adorava pescar. Pescar para mim era uma boa terapia para me libertar do tédio do dia a dia das atividades escolares. O meu landuá, bem como as varas de pescas, estava aposto quando havia oportunidade de mais uma aventura como pescador peixes miúdos.

Convém salientar que o tema central desse escrito diz respeito à estória de um menino que alimentava a ilusão de ser um eficiente pescador tarrafeiro. Ou melhor, queria pescar com tarrafa, a exemplo de Nicodemos e Vital, considerados exímios mestres da arte de pescar.

As águas do Piancó ostentavam nas suas profundezas, uma grande diversidade de peixes o que despertava interesse dos habituais pescadores. O ambiente ideal para o inicio de um ciclo de pesca acontecia quando as águas do rio atingiam o nível de baixa vazante. Quanto menos águas, maiores são as possibilidades de sucessos. Assim teorizava o mestre Nicodemos.

Não obstante ser apenas um aprendiz de pescador o meu desejo de pescar aguçava-se cada vez mais, quando via os mestres da arte da pesca encher suas cabaças de peixes, em intervalos de tempo relativamente curtos, em razão da grande quantidade de pescados que povoavam o rio

Nas minhas elucubrações fantasiosas queria ser igual aos dois melhores pescadores do lugar. No meu imaginário este dia haveria de chegar, pois, na minha cabeça não havia espaço para outras coisas a não ser o desejo de ser um exímio pescador.

No meu modo de pensar Vital e Nicodemos pareciam dois mágicos a lançarem suas tarrafas, que mais pareciam dois extensos leques abertos que pousavam repentinamente sobre as cristalinas do Piancó. Nas maiorias das vezes as tarrafas eram arrastadas repletas de curimatãs, piaus, sovelas, entre outros peixes de menor importância.

Nessa época o rio não era perenizado a exemplo de hoje. Quando terminava a estação invernosa, lá pelo fim do mês de junho, as águas começavam a minguar até restar apenas um pequeno filete a recarregar os principais poços situados ao longo do banhado. Reafirmo que: era a partir desse momento que os tarrafeiros, com maior freqüência entravam em ação.

Ao chegar o mês de setembro o rio apartava, razão para formação dos poços do Araçá, Panela, Redondo e Cambôa, todos localizados a uma distância mínima de um a dois quilômetro da cidade, quando muito quatro, como é o caso da Cambôa.

O menino curioso, que tanto desejava ser um eficiente pescador hoje escreve suas reminiscências. Apesar dos meus desejos incontidos, enquanto criança, a arte de pescar não evoluiu dentro de mim. Por isso, por não saber tarrafear a única alternativa que dispunha era usar varas de anzóis e landuá como instrumentos de pesca.

Nas minhas caminhadas rio-abaixo com o primo Benigno de Cândido a cata de peixes aprisionados em poços isolados, jamais nos afastávamos dos domínios da propriedade de Sá Ana, nossa saudosa Avó. Por isso, o nosso ambiente de pesca restringia-se as áreas próximas aos poços da Panela e Araçá, isso porque temíamos a presença do Caboclo D’água que tanto falavam Zé Jó, Vital, bem como outros pescadores que, vez por outra apareciam pra conversar no lajedo em frente à casa de farinha.

Tinha jeito não, na minha cabeça não dava outra coisa, pois, queria ser um habilidoso pescador tal qual Vital e Nicodemos. Para isso tinha que aprender lançar a tarrafa, coisa que nunca consegui. O tempo passa e o menino que tanto desejava ser pescador tarrafeiro chega à idade adulta, infelizmente, sem jamais ter aprendido a arte de lançar tarrafa. O menino criou asas, voou para lugares distantes, mas ainda guarda as lembranças daqueles bons momentos que marcaram a sua vida.

É claro que o tempo deixa marcas. A maior delas é a frustração que carrego, por não ter tido o prazer de comer um pirão a beira do rio feito com peixes pescado por mim claro, depois daquele ritual típico, qual seja, fixar a tarrafa nos dentes, ainda, em cada uma das mãos segurar os extremos e num giro de cento e oitenta graus, por conseguinte disparar um certeiro lance sobre um desprevenido cardume de curimatãs a vagar sob as águas do Piancó. Era assim que Vital e Nicodemos faziam, mas infelizmente nunca consegui fazê-lo.

O tempo continua a passar. Já não se pesca com tarrafas e landuás como antigamente. Os pescadores que usavam os referidos artefatos, não existem mais. Ademais, pra nossa tristeza, o Piancó, piscoso de águas cristalinas apresenta-se hoje, qual um rio doente, quase sem vidas, o pior, sem perspectivas de cura no curto prazo.

Tudo mudou inclusive Eu. Na cabeça do menino que tanto desejava ser pescador, só resta uma pálida lembrança e nada mais.

João Pessoa, 07 de Fevereiro de 2012

*Economista e Escritor pombalense.