CLEMILDO BRUNET DE SÁ

PARABÉNS AO DR. ELISEU: MÉDICO E ADMINISTRADOR DO HRP DE PATOS...

Clemildo Brunet
Por Clemildo Brunet*

Fez vestibular para odontologia e medicina obtendo êxito em ambos os cursos, optou pelo último; formou-se, e pouco tempo depois se especializou em Urologia. Nas inúmeras preocupações do Dr. Eliseu como urologista, está o carinho que ele dispensa ao idoso. Por este motivo em 2007 fez parte da primeira turma de pós - graduação em Geriatria da Paraíba; curso que prepara o profissional, aprimorando-o no tratamento dado as pessoas da melhor idade.

Na condição de médico humanitário Dr. Eliseu, tem sido zeloso com os seus pacientes, não somente na hora da consulta, mas também os acompanha no tratamento clínico e quando necessário realiza cirurgias na área de sua especialidade. É na verdade um pródigo no conhecimento da ciência que sob o juramento de Hipócrates sente-se bem em poder aliviar a dor e o sofrimento de seu semelhante.

É de sua índole aliviar a dor e o sofrimento de seu próximo. Quantos dos nossos patrícios já foram a sua procura e atendido prontamente? Quantos já não passaram pelo o seu bisturi e obtiveram sucesso? Muitos e muitos.

O conceituado médico filho de Pombal, Dr. Eliseu José de Melo Neto, aniversariante deste dia 28 de março, nasceu de parto normal na Comunidade Cachoeira município de Pombal, às 4 da manhã assistido pela parteira Berenice, no dia 28 de março de 1968.

Filho de Francisco Fragoso de Sousa e Iracê de Melo Fragoso de uma família constituída de onze irmãos. Vivenciou sua infância de modo saudável e junto aos seus dez irmãos, trabalhava no cultivo da lavoura no sítio Pintombeira onde passou maior parte de sua infância, sempre com vontade de vencer, teve de lutar para sair da árdua vida do campo.

Eliseu José de Melo Neto, por escolha dos pais, herdou o nome do avô materno. Iniciou seus estudos com a própria mãe; sertaneja forte, sonhadora, pois muito lutou para educar seus filhos. Dr. Eliseu concluiu o primário na Escola Estadual “Orfanato SAPI”. Estudou a 5º e 6ª séries no antigo Josué Bezerra e 7ª e 8ª séries na Escola Estadual Arruda Câmara. Concluído o ensino fundamental, viu-se despertado para a vocação de sacerdote da Igreja Católica, recebendo todo apoio do Padre Solon Dantas de França (In memorian). Ingressa no Seminário Nossa Senhora da Assunção em Cajazeiras, com o objetivo de ser Padre.

Mais tarde viria mudar, tomando a decisão para a formatura de outro afã, o que muito surpreendeu a família. Sempre humano e sonhador tinha como pretensão aliviar a dor e o sofrimento de seu próximo. Abraçou Outro Sacerdócio, o sacerdócio da medicina. Vocação essa relacionada à outra. Concluído o ensino médio no Seminário de Cajazeiras, vai para o Seminário Nossa Senhora da Assunção em Maceió – Alagoas, cursando filosofia. Havendo terminado o curso de filosofia, vai para o Seminário São Pedro em Natal – Rio Grande do Norte, cursar Teologia. Desistindo de ser Padre em 1991. No mesmo ano, Dr. Eliseu parte para Campina Grande e presta vestibular para Odontologia na UEPB e Medicina na UFPB, sendo aprovado nos dois cursos, faz a opção pela medicina.

Para se manter no curso de medicina em Campina Grande, teve de exercer a função de Professor de Biologia nos Colégios PHD e Pio X. No dia 15 de novembro de 1997 casa-se com a sua outra cara metade, Rita de Kássia Araújo Freitas na capela do Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro, oficiado pelo Pe. Solon Dantas de França. Dessa união, vieram fazer parte de sua vida os filhos Tayná e Luan. Em agosto de 1998, o Dr. Eliseu, com júbilo de vitória, participa da solenidade de sua formatura no curso de medicina da Universidade Federal de Campina Grande, tendo sido escolhido orador da turma.

No ano de 1999, Dr. Eliseu, é aprovado em primeiro lugar na seleção de residência médica para Cirurgia geral do Hospital Universitário Alcides Carneiro na rainha da Borborema, trabalhando como médico na maioria dos Hospitais daquela cidade, bem como em Monteiro e cidades da região.
Dr. Eliseu
Mas, Dr. Eliseu, não parou por aí. Ele foi mais adiante, pois crer que a vida é uma aprendizagem e o individuo está sempre em mutação. Em 2002 foi aprovado na seleção de residência médica em Urologia no Hospital das Clínicas Professor Edgar Santos, Salvador- Bahia.

Encerrada a residência em Urologia, volta a sua terra natal, Pombal - Torrão acolhedor de seus filhos, Para cumprir fielmente a missão de servir a sua gente.

EM PATOS

O povo da cidade de Patos e região tem visto o desempenho da administração do Hospital Regional “Janduhy Carneiro”, tendo a frente o médico pombalense Eliseu José de Melo Neto, tratado carinhosamente por Dr. Eliseu. Em um ano, alguns meses e dias de atividades como Diretor do HRP “Janduhy Carneiro”, já são notáveis as mudanças ocorridas naquele nosocômio, pois tem recebido total apoio do Secretário Estadual de Saúde Waldson Dias de Sousa e do Governador Ricardo Coutinho.

Uma boa administração seja ela pública ou privada é alvo dos mais dignos elogios da crítica especializada e do povo. Dr. Eliseu por experiência própria já havia demonstrado suas aptidões administrativas em empresas privadas e os resultados foram sempre promissores. Agora está a gerir um órgão público ampliando em muito suas responsabilidades e isso significa lidar com finanças que não lhe diz respeito, oriundas do erário do Estado, arrecadado em impostos em que o contribuinte deseja vê-los bem aplicados em benefício da população. Dessa realidade ele é consciente.



PARABÉNS A CIDADE DE PATOS E AOS 55 MUNICÍPIOS DA REGIÃO, QUE TÊM COMO REFERÊNCIA O HOSPITAL REGIONAL “JANDUHY CARNEIRO”. Tendo a frente o Dr. Eliseu José de Melo Neto aniversariante deste 28 de março aquém mando os meus parabéns!

PORQUE SAÚDE SE FAZ ASSIM!

Pombal, quarta feira, 28 de março de 2012.

*Radialista, Blogueiro e Colunista
Twitter: @clemildobrunet e @brunetcomunica  

DIAS SOMBRIOS, NOITES ESCURAS...

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

No mundo empresarial você começa a sentir quando a situação não vai bem, no momento que a clientela começa a ficar rara, o estoque não é o mais mesmo nas prateleiras, as ofertas passam a ter uma assiduidade maior, o material humana já não é mais o mesmo, com aspecto cansado, apreensivo, com um olhar de incerteza. Esses sinais são vistos pelas pessoas externas.

Quando isso acontece a situação interna já está muito mais embaraçosa, as infindáveis reuniões com fornecedores, para colocação de pedidos barrados no departamento de crédito. Apelos aos bancos na busca de manutenção de uma linha de crédito já debilitado, muitas vezes cortados. Pagamento de salários fora do prazo conforme normas e procedimentos legais, rescisões contratuais num volume que não acompanha o fluxo de caixa.

Uma verdadeira tortura mesmo para o executivo mais experiente, treinado para passar por turbulências mais fortes, o desgaste emocional é muito grande.

Quando esses evidências e fatos tornam-se realidade o resultado final normalmente é triste, perdas irreparáveis, fechamento de unidades, desemprego, prejuízos à praça, quando não, a falência jurídica.

No mundo político a situação não é muito diferente da realidade empresarial, claro, nas devidas proporções e cenários distintos.

Os últimos dias políticos do nosso país tem nos deixado preocupado muito mais que antes, a situação se fragmentando, tornando a base de apoio, no legislativo, ao executivo, numa temeridade para a manutenção da política de produção, comercialização e crescimento.

A oposição começa e se definir para as eleições municipais que se aproximam, São Paulo, dia 24 último, fez sua escolha no principal partido político de oposição, o PSDB, indicando o ex-prefeito, senador, governador, ministro da saúde, José Serra, o maior trunfo do partido dentro do Estado de São Paulo.

O momento da escolha entre o José Serra, indicado entre mais dois concorrentes, José Aníbal e o deputado Ricardo Trípoli, dois velhos militantes do PSDB, não foi o mais apropriado, abre uma brecha enorme para o senador mineiro, Aécio Neves, neto do Tancredo Neves, primeiro presidente eleito nas eleições ainda indiretas, e ex-governador de Minas Gerais, forte candidato à presidente da República não fora os últimos acontecimentos levantados pela imprensa, com a suspeito do senador, apático no senador, ter pago salários de seus assistentes com jetons de empresas estatais, do seu Estado. Fato, se confirmado, bastante delicado.

Outra situação de elevado constrangimento para a oposição é o caso do líder do DEM, no senado, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que teria recebido dinheiro de um contraventor, Carlinhos Augusto Ramos, ou simplesmente Carlinhos Cachoeira. Esse fato fez a própria oposição, principalmente o DEM, na pessoa do seu presidente e líder no senado, o senador José Agripino Maia, a solicitar investigações a respeito do caso.

Se confirmado a oposição fica sem moral ou crédito para manter seu discurso contra a situação. Ficando as duas alas, governistas e oposicionistas, no atual momento, como colocamos no início, tal qual uma empresa privada fica, sem alternativas, em estado pré-falimentar. Ficando, ambas, em dias sombrios e noites escuras até a definição dos fatos. O Brasil não merece essa encruzilhada, vamos torcer que tudo não passe, como se diz na linguagem dos próprios políticos, tudo isso não passa de intriga da oposição.

*Escritor pombalense e empresário em Santa Catarina.

VIRGULINO FERREIRA, O LAMPIÃO: CABRA MACHO, SIM SENHOR!

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

No Nordeste, quando se fala em cabra macho, logo vem à imagem daquele que foi o rei do cangaço no sertão, Virgulino Ferreira, o Lampião.

Sem adentrar na polêmica se Lampião era um cidadão do bem ou do mal, um fato restou demonstrado nos escritos que falam sobre esse nordestino, ele possuía uma coragem inigualável, destemido, sem medo algum andava com seus cangaceiros pelas matas do imenso sertão. Ora enfrentava as volantes que o perseguiam, ora demonstrava sua ousadia ao invadir vilas, povoados e cidades. Pelo que consta, só tinha respeito e obediência ao Padre Cícero Romão Batista, o Santo do Juazeiro.

Se houve cabra valente pelas bandas do Nordeste brasileiro, esse foi Lampião. Ressalte-se que, apesar de temido, respeitado e ousado, foi morto covardemente, numa emboscada. Das fotografias e vídeos que o documentaram, sempre vislumbramos uma imagem de um Lampião postado como um homem valente na essência da palavra. Nas obras escritas sobre esse ser tão forte, não constava qualquer registro apontando que Lampião era homossexual. Registre-se que não somos preconceituosos com referência à opção sexual de cada ser humano, mas é preciso coerência, verdade, dignidade e respeito quando se escreve sobre os fatos históricos.
Referimo-nos à publicação de um livro de autoria de Pedro de Morais, Juiz aposentado e atual advogado sergipano, intitulado “Lampião, O Mata Sete”, onde o citado autor enfoca que Lampião era gay e Maria Bonita era adúltera. Era é só o que faltava. Essa afirmação me fez mergulhar na leitura de muitas obras que abordam a vida de Lampião. Não encontrei qualquer indício que plausivelmente pudesse fundamentar essas colocações de Pedro Morais.

Alio-me à reação contundente formulada pelo Escritor Alcino Alves Costa, pois realmente não há registro sobre tais fatos, nem da existência de homossexuais integrando grupos de cangaceiros. O tema já havia sido abordado por Luiz Mott, antropólogo e fundador do grupo gay da Bahia, contudo, não há prova para se atestar a veracidade dessas insinuações. Como diz Alcino: "Será que Lampião estivesse vivo, eles teriam coragem de chamá-lo de corno e boiola? Pena que o tempo não nos permite aferir essa coragem, daí acreditarmos ser mais uma daquelas estórias para vender livros."

*Pombalense e Juiz de Direito da 5ª Vara Cível em João Pessoa – PB.

ADOLESCENTES DE ANTANHO: Éramos felizes e...

Reminiscências - I

Ignácio Tavares
Por Ignácio Tavares*

No alvorecer da minha adolescência olha lá faz muito tempo, ponha tempo nisso, os meninos da Rua do Comércio dominavam o extenso território que compreendia parte da Rua da Cruz, toda Rua de Baixo, o adro da Igreja do Rosário, o campinho em frente à Cadeia pública, além do nosso habitat natural.

Conhecíamos toda meninada que residia nessas subáreas, assim como os freqüentadores do calçadão da Igreja do Rosário, originários de outras ruas. Neste lugar a gente se reunia pra conversar sobre coisas próprias de adolescentes, depois bater bola no campinho em frente à cadeia pública.

Era menino demais. Certa vez passou um cidadão idoso parou um pouco nos observou e disse: “vocês são o futuro do Brasil”. Ninguém entendeu o porquê de tão enfática profecia, entretanto, jamais a esquecemos. É tanto que vez por outra nos perguntávamos: o que foi que aquele homem quis dizer com aquela historia de que nós somos o futuro do Brasil? Pasmem meus senhores ninguém soube responder.

Era isso mesmo, o calçadão da Igreja parecia um formigueiro de meninos. De vez em quando alguns se desentendiam porem, sem maiores conseqüências. Decerto havia os considerados valentões que costumavam desafiar uns e outros para uma briga, por qualquer asneira.

Geraldo de Lourenço Silva era um dos tais que mais gostava de encrencas. O seu físico avantajado intimidava qualquer um que tentasse enfrentá-lo. Numa ocasião eu e o primo Benigno de Candido resolvemos desafiá-lo. Desvantagem: éramos dois contra um. Ademais estávamos armados com potentes baleeiras, com pedras nos bolsos suficientes pra uma briga demorada.

Geraldo nos evitou. Por isso fomos aclamados e elevados a categoria de heróis, pois, até então ninguém ousara desafiar o temido galego de Lourenço Silva. A partir desse momento nos tornamos amigos, fato este que muito nos alegrou, porque o galego era mesmo perigoso.

Havia outro freqüentador do ambiente que vez por outra desafiava alguém pra briga. Refiro-me a Isaac de Cristalino. Ao contrário de Geraldo, era dotado de físico mirrado, dessa forma, pouco apropriado para o exercício da briga. Assim sendo, a sua valentia não era levada a sério.

A rigor Isaac era uma figura divertida que não metia medo a ninguém. Era craque em botar apelido, principalmente naqueles meninos mais feios e tímidos que freqüentavam o ambiente. Infeliz daquele que caísse no campo de visão de Isaac, porque a desgraça estava feita.

Outro bom de briga era Clovis Brunet. Os amigos mais próximos o apelidavam de o “Mudo”. Era calmo, caladão, pouco falava, sempre na dele. Não insultava ninguém, mas, se fosse desafiado pra uma briga, com certeza estava pronto pra o que desse e viesse. Dado este seu comportamento, seja, calado e bom de briga, era respeitado por todos, inclusive pelo temido galego Gerado de Lourenço.

Os meninos da Rua da Cruz não gostavam de freqüentar o calçadão da Igreja. Pra eles o ambiente era lugar de gente rica. Os amigos referiam-se a presença dos meninos das ruas Nova, João Pessoa, Coronel Jose Fernandes (Rua do Rio), que assim como nós, também gostavam de freqüentar o calçadão.

A garotada da Rua do Comercio navegava nas águas da transição da classe média baixa para a alta, não tinha dificuldade para se comunicar e conviver com os ditos meninos ricos. Mas, na hora de organizar o nosso time de futebol, sem dúvida, recorríamos à meninada da Rua da Cruz, pois, ali moravam alguns craques bons de bola.

Quando foi instalado novo Grupo Escolar João da Mata, a questão territorial passou a ser irrelevante. A mistura dos meninos das diversas classes sociais no mesmo ambiente minimizou a barreira das supostas diferenças entre ricos e pobres. Entendíamos que éramos todos iguais, uma vez que estávamos no mesmo lugar, na mesma hora, com os mesmos objetivos.

Nós, da Rua do Comércio, jamais levamos a sério essa questão de diferença entre ricos e pobres, até porque não havia motivo pra isso. As nossas diferenças, em termos de rendas familiares, eram mínimas. Assim sendo, a nossa infância foi sadia, posto que, vivíamos juntos, unidos, na busca de desfrutar das oportunidades que a idade nos permitia.

É claro que havia momentos reservados apenas para meninada da nossa rua. Tomar banho no rio, mamar nas tetas das cabras de Marcionilo, pegar cajaranas do sitio de dona Neca, adentrar a roça de Joaquim a Cavalo, subir no pé de trapiar da casa do meu tio Cândido, chupar as canas caianas na roça de Zé Bispo, era coisa exclusivamente nossa. Era muita emoção para os nossos corações juvenis.

Havia em toda extensão da nossa rua muitos pés de fícus. À sombra dessas arvores, ao por do sol, fazíamos encontros pra conversar, contar as últimas do dia, jogar castanha e programar algumas traquinagens.

A solidariedade era a marca maior da nossa convivência no dia a dia. Sofremos algumas perdas que nos marcaram para sempre. A morte de Bebé, o segundo filho de Leó Formiga, foi um golpe terrível. Por muitos dias a meninada entrou em estado de profunda tristeza sem animo sequer para sair de casa.

Atribuímos a morte de Bebé a uma coruja rasga mortalha que morava na torre da Igreja do Rosário. A ave agourenta toda noite sobrevoava a Rua do Comércio a emitir assombrosos cantos que nos deixavam de cabelos arrepiados.

Era senso comum, para toda comunidade do lugar, que o canto da rasga mortalha era sinal de mau presságio. Pra o nosso desconforto toda noite, a ave se esgoelava a cantar, a vôos rasantes sobre o casario da Rua do Comercio.

O estado de saúde de Bebe agravou-se a ponto de ser desenganado pelo médico da cidade. Aconteceu que um dia antes do seu falecimento, a maldita coruja sobrevoou a sua casa a entoar o seu canto macabro, sobretudo assustador. Em razão disso acreditávamos que, a dita cuja, foi realmente, a responsável pela morte de Bebé. Coisas de crianças.

Pensamos assassiná-la para vingar a perda do amigo. Era uma tarefa difícil, pois, havíamos que escalar a torre da Igreja longe dos olhares do Padre. Com o tempo gente esqueceu o projeto. Por outro lado a rasga mortalha continuou a nos perturbar com o seu canto de mau presságio.

Ainda hoje, essas aves de hábito noturno costumam quebrar o silencio das madrugadas da Rua do Comercio. Quando a escuto remeto-me aquele passado distante quando era levado a acreditar que uma inocente ave era capaz de roubar a vida de um jovem no alvorecer da vida.

Não demorou muito tempo outro membro do grupo inesperadamente faleceu. Foi o saudoso Lairton Formiga, filho de Nô formiga. Foi mais um golpe pesado para a meninada da Rua do Comércio. Nos dias seguintes a morte do amigo, sempre que a gente se reunia alguém perguntava: quem será o próximo? Graças a Deus as coisas pararam por aí.

Com a perda dos dois amigos muita coisa mudou na vida d’a gente. Como criança pensava que a morte era coisa de gente velha. Em razão desse entendimento, nas nossas reflexões, achávamos que a morte para o idoso era um porto de embarque. Agora, pra nós crianças era um terrível desastre sem data anunciada pra acontecer.

Apesar dos sentimentos de perda que nos deixou perturbados, nada mudou na nossa caminhada juvenil. Na Rua do Comercio nós éramos de 12 a 14 crianças hiperativas repletas de energia. Havia sim um líder. Era o Boy ou Gilvan de Leó, o mais velho do grupo. Qualquer encrenca que houvesse o Boy estava ao nosso lado pra resolver ao seu modo.

Gilvan era de estatura mediana de pouca massa física, mas, extremamente habilidoso na arte da briga. Certa vez estávamos a nos banhar no poço da pedrinha, quando aparece Dilau de João Brejeiro. Dilau era considerado o terror da Rua da Cruz e adjacências. Costumava desafiar os meninos da Rua do Comercio pra briga. Dada a sua fama de valentão a gente evitava enfrentá-lo.

Dilau não entrou n’água para se banhar, pois, preferiu ficar agachado sobre uma pedra, a beira do rio, a nos observar. Sem razão nenhuma começou a nos desafiar pra brigar. Já sabíamos que Dilau tinha o hábito de insultar a meninada da Rua do Comércio a fim de mostrar que era mesmo o bamba da região.

O Boy saiu pra conversar com ele a fim de evitar uma briga desnecessária, pois estávamos ali pra tomar banho, nos divertir e nada mais. Dilau levantou-se e desafiou o Boy pra uma luta corporal pra saber quem era o melhor.

O Boy topou a parada. Dentro d’água encontravam-se Eu, Dário, Fernando, Lobo, Benigno de Candido, Pereira de Déca, Mordecai, Zé Ivan Formiga, Fiinho de Zé Vicente, Severino de Godô, Paulo de Misinho, entre outros. Ficamos todos apreensivos com a situação, pois, o brigão Dilau era frio, calculista, traiçoeiro e perverso.

Saímos todos para dar apoio ao Boy. A briga começou, mas, a gente sabia que Gilvan era bom de briga. Num lance rápido o Boy derrubou Dilau, firmou-se por cima deixando-o imobilizado. Haja tapas, socos e palavrões. Depois de cerca de cinco minutos de briga, Dilau parecia se dá por vencido. Todos nos alegramos ao ver Boy vencer o terror dos meninos da Rua da Cruz e da Rua do Comércio.

Aconteceu que o Boy se descuidou e Dilau, como último recurso para vencer a briga, cravou uma mordida na sua bochecha esquerda. Foi difícil desvencilhar Dilau da bochecha do Boy. Só houve uma saída: o Boy cravou o dedo no olho de Dilau obrigando-o a desistir da última tentativa de virar o placar da luta.

Depois dessa briga a fama de Dilau ficou abalada. Quando desafiava alguém pra briga ouvia o que não queria ouvir: vá brigar com Gilvan de Leó!!! Dilau ficava se jeito, pois não tinha como explicar a pisa que levou do Boy. O resultado dessa briga chegou ao conhecimento dos freqüentadores do calçadão. Gilvan tornou-se o rei do pedaço o que muito nos engrandeceu, pois fazíamos parte do mesmo grupo.

Depois da refrega o calção de Gilvan ficou muito sujo de lama. Cuidadosamente lavou sua veste e pôs numa cerca pra enxugar. Voltamos a tomar banho no poço da pedrinha. Num dado momento Benigno de Candido gritou: Gilvan a vaca de dona Petronila esta terminando de comer o seu calção!! O Boy saiu em disparada, mas foi tarde demais.

E agora? Como evitar que o Boy chegue à casa nu? Com certeza Leó, seu pai, no mínimo, vai lhe dar um puxão de orelhas. Surgiu a idéia de fazermos uma saia de folhas de mufumbo amarradas com cordas de salsas, para que o Boy, pelos menos pudesse chegar à casa da sua Avò Mãe Talina.

Todos concordaram com a idéia. Assim sendo começamos trabalhar. Rapidamente conseguimos uma porção de cordas de salsas e folhas de mufumbo. Juntos iniciamos a confecção de uma saia ao redor do corpo do Boy. A sua compleição física era bem apropriada para o que estávamos a fazer. O seu corpo, por ser muito selado, permitiu, sem dificuldades, que fixássemos a saia improvisada, tal qual havíamos concebidos.

Pra despistar fizemos uma roda e pusemos o Boy no meio. Saímos em direção a Rua do Comércio até chegarmos ao beco da cadeia. Quando chegamos ao fim do beco, nas mediações da casa de seu Misinho Formiga, o Boy correu, pulou a janela, trancou-se no quarto da casa de sua Avó.

Pouco tempo depois apareceu vestido numa calça, que, com certeza não era sua, porque sobrava muito pano nas pernas. A gente observou que o boy havia posto pasta de dente na bochecha no exato lugar onde Dilau deixou marcada a sua arcada dentária. Por muito tempo a marca permaneceu viva no rosto de Boy. Mas o orgulho por ter desbancado a valentia de Dilau o fazia esquecer a cicatriz marcada no seu rosto.

É isso mesmo. Que bom seria se existisse o elixir capaz eternizar as crianças. Com certeza o mundo seria outro. O saudoso Francisco Pereira da Nóbrega nos seus escritos costumava dizer que as crianças brigam, mas, no outro dia estão abraçadas. Por outro lado, os adultos brigam, no dia seguinte estão se matando.

Ah, se o mundo fosse administrado por homens com a pureza das crianças, com certeza o planeta terra seria um céu de felicidade. Jesus no seu Ministério da pregação da Boa Nova, diz: “Se quereis ganhar a salvação eterna sede como uma criança”.

Fui criança, assim como meus amigos da Rua do Comércio, Rua da Cruz, Rua de Baixo e adjacências. Muitos desses tombaram ao longo do tempo, mas, outros continuam a viver, com certeza, a guardarem as mesmas lembranças, com o mesmo toque de saudades.

A nota triste é que o tempo passa e nós também. Como premio de consolação, só nos resta lembrar o que nos fala o cancioneiro popular: “éramos felizes e não sabíamos”.

João Pessoa, 25 de Março de 2012

*Economista e escritor pombalense.

MORRE EM POMBAL FRANCISCO FERNANDES DA SILVA, VIÚVO DA POETISA CESSA LACERDA!

Francisco Fernandes da Silva (Bibia)
É com profundo pesar que o Portal Clemildo, Comunicação & Rádio, comunica o falecimento do funcionário público aposentado FRANCISCO FERNANDES DA SILVA (BIBIA), 73 anos, ocorrido por volta das 03:30 horas da madrugada de hoje (23) no Hospital Regional de Pombal, vítima de infarto do miocárdio. O extinto era viúvo da poetisa pombalense Maria do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes, que faleceu o ano passado no dia 25 de fevereiro. Deixa cinco filhos - Francisco Fernandes da Silva Júnior, Francimar de Lacerda Fernandes, Antônio Soares da Silva Neto, Rômulo de Lacerda Fernandes e Cândida Florência de Lacerda Fernandes, noras e netos.
Agora eles estão juntos na eternidade, hoje as 3.30, ele foi morar com Jesus, Deus nos dê conforto... (Júnior)
Adquirindo experiência e maturidade para o Matrimônio, depois de ter passado por um Compromisso sério, Noivado por dois anos, contraiu núpcias com a premiada do seu coração, “EU”, ambos da mesma idade, 22 anos, sendo realizada a cerimônia na minha residência, assistida por Cônego Luis Gualberto, em 28/05/62, pois o meu pai se encontrava recém-operado. (Do Diário de D. Cessa).

Na Prefeitura, Bibia, apelido dado por seu genitor e pelo qual era mais conhecido, foi admitido por Portaria, N° 24/04/1967, após fazer uma seleção entre os funcionários. Assumiu a função de Escriturário, galgando ascensão funcional, Auxiliar de Contabilidade, mais tarde Chefe de Contabilidade e Chefe de Setor de Finanças e Diretor do Departamento de Finanças e finalmente, Secretário de Finanças. Fez um trabalho bonito e honesto, nunca recebendo reclamação de nenhum prefeito adversário ou correligionário. Declarou ele, que “nos últimos anos, sofreu decepções, descriminação funcional, até mesmo perseguições políticas por parte de alguns prefeitos". Enfatizou ainda, que, ”minha vida é um livro aberto para fazerem pesquisas sobre qualquer assunto”.

Ingressou também na Maçonaria, em 26 /05/1974. Grande Inspetor Geral. Grau 33. Assumiu todos os cargos na Loja Simbólica. “Deus, Caridade e Justiça” N° 1733. Maçon muito admirado e respeitado.

Bibia era possuidor de um Currículo admirável, de uma experiência profissional destacável e invejável. Estudar e fazer cursos foram sempre uma constante em sua vida. Citamos os mais importantes Cursos e Aperfeiçoamentos, sobretudo, na sua Área Profissional. Curso de Licenciatura Plena em Geografia pela Faculdade de Ciências e Letras de Cajazeiras, em 1980. Curso por correspondência, de Prestação de Contas dos Fundos Federais, pelo IBAM, em 30/12/72. Curso de Capacitação para Execução do Recadastramento de Imóveis como encarregado de Unidade Municipal de Cadastramento - UMC- 10/05/1972. Curso de Departamento De Pessoal – Prático de Contabilidade, LTDA, em 1983. Curso de Desenvolvimento Integral e Extensão Cultural, pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, São Paulo, em 1976. Curso por correspondência de Legislação Trabalhista e Previdenciária, pela Escola Nacional de Serviços Urbanos – ENSUR, em 1984. Curso de Contabilidade Municipal, também pelo ENSUR, em 1979. Curso de Rotinas Trabalhistas pelo NAI- Núcleo de Assistência Industrial da Paraíba, em 1975. Participou do Primeiro Seminário sobre Problemas Municipais, realizado pelo Instituto Brasileiro de Direito Municipal- Secção Paraíba, de 04 a 06 de dezembro de 1974, em João Pessoa. Participou do Segundo Seminário sobre Problemas Municipais, realizado na cidade de Cajazeiras de 20 a 30 de janeiro de 1976, pelo Instituto Brasileiro de Direito Municipal- Secção Paraíba. Foi contemplado com o Diploma de Honra ao Mérito - Destaque de Atividade de Melhor Secretário de Finanças da Prefeitura Municipal de Pombal, em 23 de novembro de 1984, pelo P.O.P. P - PB. Vale ressaltar que todos estes cursos foram consagrados com seus referidos Diplomas ou Certificados.

Bibia foi professor de alunos de segundo grau, no colégio Josué Bezerra, responsável pelas Disciplinas: Contabilidade e Custos e também Mecanografia e Organização Técnica e Comercial, deixando o contributo de sua idoneidade, na Gestão de Padre Solon e da Professora, Ivonildes Bandeira, ambos de saudosas memórias. Foi também Diretor de Expediente do colégio Mons. Vicente de Freitas, hoje, Polivalente, por dois anos. Com todas as energias e muita garra para continuar ainda o trabalho em prol da sua amada terra, afastou-se da Prefeitura por força de circunstância desagradável, requereu aposentadoria, contrariado por seu salário irrisório. A Prefeita Azenete, deferiu o seu pedido através da Portaria N° 054/96, datada de 28 de julho de 1996.

No Diário de D. Cessa sua companheira fiel, no registro que fez de seu aniversário em 07 de fevereiro de 2009, publicado neste blog, no final da mensagem ela disse:
“Parabéns, meu companheiro e velho amigo, pelo seu aniversário natalício, e, por esta bela história, que talvez poucos tenham contemplado. Muitas felicidades, e muitos anos de vida para vivermos unidos até que Deus nos chame para o Seu Reino Celestial! Ardentes beijos dos que tem por você, um grande AMOR: Cessa, filhos, noras e netos ..” Maria do Bom Sucesso de L. Fernandes. Poetisa e escritora Pombalense. (Palavras Textuais de Cessa Lacerda).

E Deus o chamou nesta manhã, para viverem unidos, como bem disse ela... “Até que Deus nos chame para o seu reino celestial”

VELÓRIO E SEPULTAMENTO:

O corpo de FRANCISCO FERNANDES DA SILVA (BIBIA) está sendo velado em sua residência a Rua Cel. Cândido de Assis, casa de número 475, próximo a Igreja Matriz de Bom Sucesso em Pombal. Seu sepultamento ocorrerá amanhã às 07 da manhã em um dos Cemitérios de nossa cidade.

Nota da Redação: Fiquei surpreso com a notícia, sentir profundamente essa perda irreparável. Deus console a família. Meu abraço fraternal a todos e condolências. (Clemildo Brunet)

DEI UMA VOLTA AO PASSADO...

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Aproveitei esse período considerado por muitos como férias, para um périplo visitando alguns amigos em lugares distintos onde estão residindo. O primeiro a me receber em sua casa foi Otacílio Trajano, Pude sentir o quanto foi saudável, pois além do bate papo descontraído, nos foi possível relembrar as doces aventuras da Rádio “A Voz da Cidade” e do Serviço de Alto Falantes “Lord Amplificador”, ouvindo também as músicas da sua discoteca que nos fez regressar aos velhos tempos e as reminiscências desses veículos de comunicação.

Otacílio Trajano é irmão do saudoso Zeilto Trajano, dois confrades que se dedicaram de corpo e alma a comunicação, assim como eu. Tivemos o privilégio de acolhê-los quando do início da nossa pequena emissora em Pombal nos idos de 1966, ‘A Voz da Cidade’ que logo em seguida teria o seu potencial reconhecido como escola do rádio, exportando profissionais que mais tarde brilhariam no meio radiofônico paraibano e quiçá em outros Estados da Federação.

Expresso do recôndito do meu coração os meus sinceros agradecimentos ao amigo Otacílio Trajano e a sua esposa Luziene, pela forma como fomos bem recebidos e tratados no período que estivemos em sua casa. Ambiente maravilhoso, aprazível, lindo, aconchegante. Lugar privilegiado dos (deuses) diriam os gregos; localizado numa elevação com uma varanda esplêndida no 1° andar, de onde se podem ver as praias paradisíacas do litoral sul da Paraíba, com suas exuberantes belezas e lindas paisagens.
No domingo a convite de Otacílio Trajano visitamos a Rádio Comunitária FM de Jacumã onde ele tem um programa pela manhã, ocasião em que concedi entrevista e relembrando os tempos áureos do início de nossas atividades na comunicação. Despedimo-nos e seguimos em frente para visitar outro amigo que já aguardava nossa chegada a sua casa no Bairro dos Estados. Adivinhem? Paulo Abrantes, meu amigo de infância, que em companhia de sua esposa Ana Rosa, nos deu bondosa acolhida pelo restante daquele dia. Regressamos a Pombal na segunda feira.
Já agora em março visitamos outro conterrâneo amigo e contemporâneo da radiofonia pombalense, Massilon Gonzaga, que pela sua modéstia não ostenta orgulho nem a vaidade de dizer que é Professor da cadeira de Radio-jornalismo da UEPB, prefere mesmo ser chamado de Nego Massilon ou forrozeiro Massilon. Em sua chácara no “Pé da Cajarana” no município de Campina Grande, fez questão de fazer um documentário de minha vida profissional em vídeo, intitulado “Memória Radiofônica” - para a Biblioteca da Universidade Estadual da Paraíba–UEPB. Fomos nós para entrevista tendo como estúdio improvisado a sombra do frondoso Pé da Cajarana, lugar tranquilo e saudável, quase semelhante, salvando as devidas proporções, ao que eu disse sobre o lugar onde Otacílio Trajano reside.
Fiquei deveras surpreso com a boa vontade do meu amigo Massilon Gonzaga em querer registrar em vídeo um apanhado histórico de minha vida no rádio. Ainda relutei dizendo que minha história no rádio já estava nos escritos, no entanto, ele foi enfático: “sim, mas, não existe ainda essa sua história em audiovisual - você falando e sua imagem sendo captada simultaneamente”.

Aceitei o desafio!

Tendo encerrado a entrevista, fomos fazer outra gravação em vídeo, agora invertendo as posições; passei a ser o entrevistador e Massilon Gonzaga o entrevistado. Ele falou sobre sua vida desde o início na comunicação, tendo começado suas atividades na Rádio “A Voz da Cidade” e no Serviço de Alto Falantes “Lord Amplificador”, passando pelo seu ingresso nas emissoras de Campina Grande, Curso de Comunicação como aluno e Professor da UEPB e finalmente sobre sua tendência para o forró “Pé de Serra”.

Carregando dentro de si a verve de locutor, poeta, compositor e cantor, eu diria que Massilon Gonzaga de Luna, tornou-se um forrozeiro autêntico gravando suas próprias músicas e criando sua própria banda da qual ele mesmo é o maestro - BANDA “ARIÚS” DE CAMPINA GRANDE.

Depois de editado em vídeo o documentário, ele me mandou uma cópia das duas entrevistas, que vou guardar como uma relíquia em meus acervos e mostrar aos amigos que queiram compartilhar comigo, raras alegrias de nossas vidas.
Só assim mais uma vez dei uma volta ao passado...

Pombal, terça feira, 20 de março de 2012.

*Radialista, Blogueiro e Colunista
Twitter @clemildobrunet @brunetcomunica

OS NÚMEROS DE UMA TRISTE REALIDADE!

Genival Torres Dantas
GENIVAL TORRES DANTAS*

2012 não está sendo fácil para a presidente Dilma Rousselff, principalmente no mês de março, em curso, quando a base aliada, partidos de sustentação política, entra em regime de colisão com o executivo dando sinais de desgastes, principalmente quando o assunto é a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), quer a substituição da ministra por achar que ela representa a truculência e toda prepotência que impera no palácio do planalto.

Dentre as medidas e atitudes reclamados pelo legislativo, por parte do parte do executivo, podemos citar alguns, alegados por bancadas específicas (existem apenas oficiosamente, sem nenhum poder oficial na estrutura dos poderes constituidos).

A bancado do nordeste que é composta por 151 deputados e 21 senadores reclama da ausência de entendimento, e atendimento, nas nomeações de dirigentes das estatais e a cobrança com execução, pelo Banco do Nordeste, dos agricultores em estado de agonia.

Os parlamentares que compõe a bancada ruralista representam 85 deputados e 14 senadores brigam pela exclusão das exigências na recomposição das áreas de proteção permanente com desmatamentos já ocorridos. Dor de cabeça para os ecologistas e simpatizantes.

Os evangélicos que representam 68 deputados e 2 senadores entraram na guerra contra a venda de bebidas alcoólicas, nos estádios, no período da copa do mundo e durante os jogos do Mundial de 2014. Convém ressaltar que a Lei Geral da copa está para ser votada no decorrer dessa semana, grande risco para decepção do governo central, pois, a semana não lhe é favorável em termos de votação.

O PR foi mais radical, entrou para a oposição tentando recuperar o Ministério dos Transportes, acredito que seja uma posição temporária, pois, tem o peso de 36 deputados e 7 senadores, o governo não pode prescindir desse partido, na composição da base aliada, principalmente pela aliança histórica com o PT e na importância na hora das votações dentro da câmara e no senado.

Com a perda do Ministério do Trabalho, com a demissão do ministro Carlos Lupi, o PDT que conta com 24 deputados e 5 senadores procura de qualquer forma marcar presença e recuperar o ministério perdido. Trata-se do partido brizolista e tem em suas fileiras o emérito senador pelo Distrito Federal, já foi ministro da educação e respeitado mundialmente pela sua luta na renovação da educação no nosso país.

No campo econômico as indústrias insistem em manter o espetáculo do crescimento negativo, contrapondo a famosa frase do presidente Lula, durante o seu governo, para demonstrar que o país estava crescendo num ritmo nunca antes visto. O governo tem dificuldades em reverter o quadro atual em decorrência de vários fatores.

O dólar tem se mantido num patamar bastante elevado, favorecendo as importações e inibindo as exportações, fazendo das empresas que atuam no mercado de exportações a se manterem em dificuldades até para sobreviverem. O segmento de brinquedos, principalmente, é o que mais sofre com a atual fase do dólar.
Os juros elevados é outro fator que contribui para a desindustrialização no Brasil, empresas procuram operar dentro do seu limite sem tomar capital no mercado financeiro, dessa forma, com capital de giro curto e as vendas desaquecidas favorece a redução da mão de obra aumentando o desemprego no setor industrial.

O custo de produção tem ajudado também ao desequilíbrio da nossa balança comercial, só para se ter uma idéia da nossa situação, que não é nada confortante, em 2005 tínhamos um superávit com os EUA de 9.9 bilhões em 2011 tivemos um déficit de 8 bilhões, isso vem justificar o resultado da nossa calamitosa produtividade que nos últimos anos teve um resultado humilhante, enquanto os EUA avançou 9% tivemos um resultado de 1,1%.

Outros dados nos leva a uma reflexão mais profunda, entre 2003 e 2011 tivemos um aumento na energia elétrica de 246%, enquanto que os EUA, no mesmo período teve seu custo alterado em apenas 35,3%. Outro insumo de suma importância para a indústria é o gás natural, enquanto que na Louisiana custa US$2,5 por milhão de BTU(British Thermal Unit ou Unidade Térmica Britânica), no Brasil, precisamente no pólo petroquímico de Camaçari na Bahia, o custo é de US$15, ou seja, 6 vezes mais caro.

Nesse universo angustiante, a industria de transformação respondia por 26% do PIB (produto interno bruto), caiu para 16% no inicio de 2011, atualmente esse setor responde apenas por 14,6%, e em declínio.

Finalmente, um trabalho apresentado pelo economista Regis Bonelli, do Instituto Brasileiro de Economia (ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio, mostra que a mão de obra na indústria brasileira aumentou %, comparado com os parceiros comerciais do país, entre 2003/2009. Na economia brasileira como um todo, o custo da mão de obra subiu 120%, no mesmo período, enquanto que na agropecuária a alta foi de 82%, e no setor de serviços o aumento foi de 114%.

Hoje é muito mais vantagem produzir nos EUA que no Brasil, sem contar com os custos menores de outros países, como China e índia. A permanecer esse ritmo o sucateamento da nossa indústria será o caminho para o futuro. Estamos perdendo a capacidade de competição e produção, medidas urgentes devem ser adotadas em caráter de urgência urgentíssima para não perdermos o bonde do processo de industrialização que é um forte na nossa vocação. Em função dos números, o governo mantém um otimismo exagerando, é bom se cuidar para não ser surpreendido.

*Escritor pombalense e empresário em Navegantes - SC.

SERÁ QUE NOSSA MÚSICA BREGA ESTÁ SE ACABANDO?

Maciel Gonzaga
Maciel Gonzaga*

Na Enciclopédia da Música Brasileira, de Marcos Antonio Marcondes, o "brega" é caracterizado como a "música mais banal, óbvia, direta, sentimental e rotineira possível, que não foge ao uso sem criatividade de clichês musicais". A origem do termo "brega" é desconhecida e bastante discutida. Uma hipótese é que o termo derive do "Nóbrega" da rua Manuel da Nóbrega, em Salvador - rua esta que ficava na região de meretrício da capital baiana. Outra origem provável para a palavra brega seria originária do Rio de Janeiro, como uma corruptela da gíria "breguete", palavra pejorativa e preconceituosa, usada pela classe média para designar empregadas domésticas e que, por extensão, passou a designar também seu gosto musical característico.

Na verdade, não há um ritmo musical propriamente "brega". Mas, mesmo sem ter estabelecidas características suficientemente rígidas, o termo praticamente foi alçado à condição de gênero. Embora estivesse longe de uma definição conceitualmente precisa, o "brega" alcançou grande aceitação entre segmentos das camadas populares do Brasil. Críticos apontam alguns precursores do estilo em cantores da década de 50, que seguiam, através do bolero e do samba-canção. Entre os quais, Orlando Dias, Silvinho, Carlos Alberto, Luiz Wanderley, Ademar Silva Adilson Ramos, entre outros.

Durante as décadas de 60 e 70, a música romântica de artistas oriundos basicamente das classes mais populares passou a ser considerada cafona e deselegante. Mas, nomes como Lindomar Castilho, Odair José, Waldick Soriano, Márcio Greick, Reginaldo Rossi, Fernando Mendes fizeram muito sucesso, venderam milhões de discos e suas músicas continuam no nosso imaginário.
Na segunda metade dos anos 70 e durante os anos 80, uma nova vertente surgia pelas mãos do produtor musical Oséias Lopes (Carlos André Almeida Lopes) que fez surgir cantores como Carlos Alexandre – o maior de todos os cantores brega - Bartô Galeno, Almir Rogério, Alípio Martins, Elino Julião, Genival Santos, Messias Paraguai, Ivan Petter, Zé Orlando e tantos outros. Porém, o cantor brega que mais vendeu discos até hoje foi Amado Batista que, aliás, não gosta quando o chama de brega. Na sua opinião, brega é o preconceito das pessoas para rotular aquilo que não é culto ou que não faz parte da elite (no entendimento delas).

Particularmente, eu sinto muitas saudades daquele tempo bom que não volta mais. Fui adolescente naquela época em que a Festa do Rosário era o termômetro da música brega em Pombal, anunciadas pela voz melódica do locutor Luiz através das ondas sonoras da PR-Maia, Radio Amplificador ponto 3, do Parque de Diversões Maia. E me lembro com saudades de muitas delas, como o clássico do gaúcho Ademar Silva (“Noite Escura”) que diz:

A noite está tão escura/A lua fez feriado/Estou sofrendo a tortura/De não sentir-me a teu lado. A noite é grande/E eu estou sozinho/Pensando no teu beijo/Sem ter o teu carinho. E desse jeito/Não sei o que dizer/Se a noite é que é escura/Se é escura o teu viver.

Neste final de semana, um grupo de amigos reunidos na casa do Juiz de Direito Célio de Figueiredo Maia, estando presente humilde escriba; o Juiz da comarca de Caicó, Dr. André Melo Gomes Pereira; os advogados Célio de Figueiredo Maia Júnior e Juarez de Lima, chegamos à seguinte conclusão: Hoje, lamentavelmente, as rádios não tocam mais a nossa música brega. Na verdade, o que deveria ser criticado e banido do meio musical são as músicas com letras de conteúdo imoral, sejam elas de qual ritmo musical for. Pois, como bem diz Agnaldo Timóteo: "É melhor cantar música brega, que toca o sentimento do ser humano, do que cantar sucessos que não dizem nada”.

*Jornalista, advogado e Professor. Natal RN.

HOMENAGEM DO GRUPO DE TEATRO "LITERARTE" DE PAULISTA AO POETA JOSÉ RONALDO.

José Ronaldo Leite nasceu em Natal RN, em 19 de Março de 1971, e veio para a cidade de Pombal PB com oito meses de vida, participou de movimentos populares e estudantis, mais ele brilhava mesmo era nas artes e no teatro. No início da sua carreira era considerado apenas como um simples palhaço, magro e muito tímido na sua adolescência, já escrevia poesias Falando de fatos cotidianos e do amor ao próximo, estas lhes renderam seu primeiro livrete intitulado: “SONHO DE POETA”.

Os anos foram aos poucos lapidando a sua veia artística e chegou a escrever peças para teatro bem como: “As moreias, Ai que sardade danada, Namorinho arretado, tempos de infância e outras mais”. Brincando de cineasta cria a sua primeira curta metragem “Lampião” com alunos do “Arco-Íris”. Mais gosta mesmo como teatrólogo é de escrever na linha do humor, sempre gostou do mundo das artes, desde que se entende por gente.

Zé Ronaldo como é mais conhecido e gosta de ser chamado sempre amou o mundo das artes, depois de passar vários anos dando aulas de artes em diversas escolas da cidade de Pombal PB e participar de oficinas e festivais de teatro vindo a ter contato até com atores globais que o diga seu grande e inseparável amigo: Luizinho Barbosa (Cantor e compositor),começou a se destacar em outras cidades pelo seu brilhante trabalho como professor e artista.

Pessoa, simples, humilde e amiga, não sabe dizer um não para ninguém!

Parabéns Zé Ronaldo, pela passagem de mais um aniversário, hoje 19 de Março, nós seus verdadeiros amigos e admiradores do seu trabalho estamos felizes em celebrar este dia.

Escrita por: Amanda e Joyce
Grupo de Teatro: “Literarte”
Paulista-PB

A ESCOLA

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. Pv. 22:6

Tudo bem que se diga que a educação vem do berço. Entretanto, é na escola nossa segunda casa, que se recebe instrução e ensino para o aprimoramento da educação, que mais tarde haverá de refletir na vida de cada um. No passado quantos pais tiveram dificuldades para encontrar uma escola aonde seus filhos pudessem estudar. Hoje a facilidade é grande porque além de uns sem números de escolas privadas há aquelas de ensino público que oferece educação gratuitamente desde o pré-escolar à universidade.

Lembro-me do cuidado e zelo que minha mãe tinha para encaminhar seus filhos à escola. Acordávamos cedo; escovado os dentes, tomado banho e café, íamos nós, a busca de conhecimento que mais tarde haveria de beneficiar o nosso dia-a-dia e nos preparar para vida.

Nesse tempo apesar de serem raras as escolas em nossa cidade, havia aquelas que se destacavam pela forma de pedagogia aplicada aos seus alunos, às vezes até severa para correção de quem se mostrasse intolerante e desinteressado em aprender. A palmatória era um desses instrumentos de correção.

“A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” Pv. 22:15

Há quem considere esse tipo de pedagogia superada. Não quero entrar no mérito da questão. Entretanto devo advertir que conheço alguns cidadãos em que fora aplicada essa modalidade no ensino, (pois eram verdadeiros transgressores da ordem e dos bons costumes à época), e hoje são pessoas de bem, pacatas, bons pais de famílias. Mais tarde, como saldo positivo das lições recebidas, tornaram-se exercitadores da prática do bem para com o próximo.

Acostumamos a dizer que são os tempos que mudam. Não são os tempos que mudam, as pessoas sim, essas mudam. Quando afirmamos ah tempo bom era aquele, não nos referimos ao tempo natureza em si, e sim as constantes mutações ocorridas nas pessoas conforme as circunstâncias que cada uma vive em seu hábitat.

Hoje com toda parafernália de que dispõe a tecnologia existe amplo favorecimento ao ensino onde é explorado vasto campo de atuação na ciência com a concessão de todos os meios para pesquisas e estudos; porém, a maioria de nossos jovens se envereda pelos caminhos das drogas e agride a integridade física e moral dos pais e dos professores, Aterrorizando e imprimindo nas escolas um clima de violência jamais visto na história do mundo, atingindo dessa forma a sociedade como um todo.

Pombal, quinta feira, 15 de março de 2012.

*Radialista, Blogueiro e Colunista
Twitter @clemildobrunet @brunetcomunica  

SUBSTITUIÇÕES DESEJÁVEIS, NECESSÁRIAS E POSSÍVEIS...

Genival Torres Dantas
GENIVAL TORRES DANTAS*

Muitas vezes precisamos trocar peças, mobílias, arejar o ambiente, substituir o guarda roupa por cores mais atuais, tudo isso é feito sem grandes problemas. Entretanto, quando tratamos de trocas do material humano a dificuldade é enorme, temos o receio de errarmos nas nossas escolhas, corremos o risco, muitas vezes de trocarmos o eficiente, quando queremos o eficaz, por o ineficiente, nos trazendo mais problemas que soluções.

No campo político, em janeiro último a presidente Dilma Rousseff, trocou o presidente da Petrobrás, Sergio Gabrieli, amigo pessoal do ex-presidente Lula, por Maria das Graças Silva Foster, funcionária de carreira da própria empresa. Não que o antecessor fosse inoperante, mas, precisava a presidente, começar a mexer na sua administração depois de um ano de muito desgaste com trocas de pessoal envolvidos em corrupção, como é do conhecimento de todos.

Esse fato gerou um descontentamento muito forte no ex-presidente, vindo a público, em diversas ocasiões, causando até certo embaraço na presidente, principalmente na transmissão do cargo referenciado.

A base aliada, partidos de sustentação do governo federal, deu uma demonstração de rebeldia não reconduzindo ao cargo de diretor geral da ANTT (Agencia Nacional de Transportes Terrestres) o indicado pela presidente Dilma Rousselff, esse fato gerou uma troca dos lideres do governo no senado e na câmara.

No senado o senador Romero Jucá (PMDB-RR), grande líder, já no cargo desde 2006, época do governo Lula, foi substituído pelo senador Eduardo Braga (PMDB-AM), perda de prestígio do senador Renan Calheiros, líder do PMDB no senado, muito embora o senador Romero Jucá tenha ido para a relatoria do orçamento.

Na câmara o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) substitui ao deputado Cândido Vaccarezza, em nome do revezamento de líderes, termo utilizado pelo palácio do planalto para justificar as últimas mudanças.

Esses acontecimentos vieram de encontro aos interesses das lideranças dos demais partidos da base de sustentação política com cobranças diretas na liberação das emendas parlamentares ao orçamento e demora na nomeação de indicados dos partidos para cargos em estatais.

O atual sistema torna desgastante para ambos os poderes, tanto para o executivo como o legislativo, trazendo um desgaste político junto a opinião pública, tornando os atos desacreditados por mais sérios que sejam, é profundamente lamentável que essa situação perdure até hoje, quando tudo acontece em tempo real exposta na mídia para quem quiser ver.

Situação também de muito desgaste encontra-se o nosso futebol, o governo brigou com o secretário da FIFA que por sua vez, num gesto de desrespeito as autoridades que administram nosso futebol, falou bobagem e em seguida pediu desculpas que foram aceitas. Para melhorar o clima no ambiente futebolístico finalmente o presidente da CBF, desde 01/1989 até 12/03/2012, Ricardo Terra Teixeira, pede demissão, em caráter irrevogável, assumindo o vice-presidente mais velho da entidade, assim reza o estatuto da entidade.

Assume a CBF (confederação brasileira de futebol) e o COL (comitê organizador para a copa do mundo de 2014), o ex-atleta, jogador de futebol pelo SPFC (São Paulo Futebol Clube), ponta direita, entre 1950 e 1952. Advogado, ex-governador de São Paulo, 1982/1983, sucessor de Paulo Salim Maluf, vice-governador empossado, e antecessor de André Franco Montoro.

Homem dedicado ao desporto brasileiro, com forte atuação no futebol paulista, portanto, com credenciais para tocar o projeto da copa do mundo em nosso país. Esperamos que os erros cometidos até agora sirvam de exemplo para que todas as controvérsias e desacertos sejam suplantados e o torcedor brasileiro seja respeitado, e o Brasil possa realmente ser o grande patrocinador da próxima copa em nosso país.

*Escritor pombalense e empresário em Navegantes - Santa Catarina.

8 de março - Quando o assunto é mulher: Lei Maria da Penha!

Clemildo Brunet
Clemildo Brunet*

A mulher como figura humana e dócil durante muito tempo foi discriminada por uma sociedade machista pluralista e selvagem, a ponto de ser usada pelos homens como se fosse objeto e não como criatura humana semelhante ao sexo oposto, com exceção apenas na sua forma anatômica distinta que a difere dos demais da espécie humana. Apesar das conquistas galgadas pela a inteligência e versatilidade nas diversas áreas de trabalho e havendo evoluído nos tempos com os movimentos sociais feministas em defesa delas, as mulheres ainda hoje sofrem os preconceitos malfadados e criados pelos homens.

A despeito dos avanços desse tempo pós-moderno, as mulheres são submetidas a todo tipo de vexames e humilhações que se possam imaginar, muitas vezes sendo obrigadas por seus maridos ou amantes, a manterem um relacionamento que nem mais existe entre o casal; optando por um divórcio ou separação, quando não ameaçadas são executadas de modo perverso e cruento não importando as consequências desse tresloucado gesto.

Aqui no Brasil por causa de várias situações criadas de um acontecimento nefasto ocorrido com a farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes em 1983 que recebeu um tiro de seu marido, Marco Antônio Heredia Viveiros, professor universitário, enquanto dormia é que foi criada a Lei que protege as mulheres contra a violência. Como sequela, Maria da Penha perdeu os movimentos das pernas e se viu presa em uma cadeira de rodas. Seu marido tentou acobertar o crime, afirmando que o disparo havia sido cometido por um ladrão.

Mais o problema de Maria da Penha não ficou só aí. Depois de passar extenso período no hospital ao voltar para casa mais sofrimento a aguardava, seu marido a manteve em prisão domiciliar praticando outras agressões. Por fim, uma nova tentativa de assassinato, desta vez por eletrocução deixando-a paraplégica, o que a levou buscar ajuda da família. Com uma autorização judicial, conseguiu deixar a casa em companhia das três filhas.
Maria da Penha no ano seguinte foi em busca de justiça e segurança. Seu marido foi a Júri sete anos depois, condenado a 15 anos de reclusão tendo a defesa apelado da sentença. No ano seguinte, a condenação foi anulada. Um novo julgamento foi realizado em 1996 e uma condenação de 10 anos foi-lhe aplicada. Porém, o marido de Maria da Penha apenas ficou preso por dois anos, em regime fechado.

Depois de várias denuncia da vítima e do o Centro pela Justiça pelo Direito Internacional (CEJIL) e o Comitê Latino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM), à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), Órgão Internacional responsável pelo arquivamento de comunicações decorrentes de violação de acordos.

Por fim, simultaneamente iniciou-se um longo processo de discussão através de proposta elaborada por um Consórcio de ONGs (ADVOCACY AGENDE, CEPIA, CFEMEA, CLADEM/IPÊ e THEMIS). Tendo a repercussão do caso elevada a nível internacional. Após reformulação efetuada por meio de um grupo de trabalho interministerial, coordenado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do Governo Federal, a proposta foi encaminhada para o Congresso Nacional.

Acerca de um mês (09/02/2012 o Supremo Tribunal Federal (STF) por unanimidade reconheceu que a lei Maria da Penha, que protege as mulheres contra a violência e pune os agressores é constitucional tem validade e deve ser aplicada. A parti de agora, a queixa poderá ser prestada por um familiar, vizinho ou mesmo pelas instituições públicas.

Por sua vez foi instalada no Congresso Nacional uma Comissão Parlamentar Mista de inquérito (CPMI) formada por Deputados e senadores na sua maioria composta por mulheres. A CPMI será presidida pela deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) e terá relatoria da senadora Ana Rita (PT-ES).

Para Jô Moraes, os índices alarmantes de violência contra a mulher, no Brasil, já são conhecidos de todos. “O foco da CPMI não é levantar dados ou fazer novas denúncias, mas investigar porque as instituições responsáveis – como tribunais, delegacias e abrigos – não conseguem fazer com que a Lei Maria da Penha funcione” disse à Carta Maior.
A cada 15 segundos uma mulher sofre violência no Brasil.

Julgamento

No STF, os onze ministros decidiram, por unanimidade, que a Lei Maria da Penha, apesar de servir especificamente à proteção das mulheres vítimas de violência doméstica, não fere o princípio da igualdade entre os gêneros.

No início dos debates, a secretária-geral de Contencioso da Advocacia Geral da União (AGU), Gracie Maria Fernandes Mendonça, defendeu a medida. Segundo ela, 95% dos casos de violência contra a mulher decorreram do companheiro com o qual ela conviveu e manteve vínculo afetivo e, em 92,9% dos casos, a violência é praticada pelo agressor homem em face da mulher.

A Senadora Marta Suplicy (PT-SP) comemorou o resultado. Segundo ela, uma pessoa que vê sua vizinha apanhar a toda hora, poderá intervir. “Acabou essa história de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, agora, mete sim. Ninguém mais quer ver mulher apanhar. Nós estamos melhorando. Isso é o processo civilizatório” afirmou.

Diga não à Violência! Viva o Dia Internacional da Mulher!

Pombal, quinta feira, 08/03/2012.

*Radialista, Blogueiro e Colunista
Twitter. @clemildobrunet e @brunetcomunica

A Mulher em Cinco Tempo

Lá do passado guardo na memória
As imagens serenas de duas senhoras,
Minhas avós, lembrando a pureza,
Que há n’alma das Santas Imaculadas;

Num tempo mais recente sinto o reflexo,
De um olhar brilhante e de ternura,
Da minha mãe, sempre iluminando meu caminho,
Nos momentos de aflições, desespero e agonia;

No atual momento, sinto a firmeza do caráter,
Da esposa, minha companheira, sempre na luta,
Amante, nas preciosas horas do nosso viver,
E fiel conselheira nos tropeços na minha vida;

Do nosso amor surgiu a serenidade numa mulher,
Como presente, e é o que tenho de mais precioso,
Pois Deus deu-me uma filha que muito me quer,
E tem enchido de alegria e prazer o meu mundo;

Para completar a quintessência, surge a neta,
Fechando o círculo de cinco gerações,
Fazendo-me crer, definitivamente, na sensatez feminina,
E se constituindo no sedativo das nossas emoções.
Sergio Kante

Nelson Gonçalves: O MITO - PARTE "I"

Onélia Queiroga
crônica da professora onélia queiroga*

O estudo dos mitos faz-se através da ciência que lhes é propícia: a mitologia. O vocábulo nos arrasta à mitologia grega que nos narra as histórias fantásticas dos seus deuses, semideuses, heróis e mitos. Homens, deuses, semideuses e mitos são palavras que se entrecruzam para explicar e ressaltar o significado e a história de uma pessoa muito especial, diferente das demais.

Os homens quanto mais buscam a perfeição e a semelhança com os deuses, com os seus feitos, mais chance têm de se tornar um mito. O mito, para muitos, é um verdadeiro símbolo, algo irreal, ilusório, fantasioso, por isso grandioso. Uma de suas acepções revela esta captação do espírito, se há transmudação dos deuses “nas forças da natureza e/ou em aspectos da condição humana”. O mito pode ser, também, algo palpável, real, quando representa fatos ou pessoas que exerceram significativa influência na vida de um povo. Costuma-se dizer, entre nós, que Rui Barbosa, Duque de Caxias, Santos Dumont, Tiradentes, Machado de Assis são mitos, cada um dentro de sua atuação específica.

Os mitos dominam o inconsciente popular e disto conscientes estamos em relação a Nelson Gonçalves. O Brasil reconheceu-lhe a condição de mito, ao cravar no frontispício do estojo de três Cds, que reeditou canções suas antigas e lançou outras recentes, o epíteto: “Nelson Gonçalves: O Mito”. Stella Miranda, ao traçar-lhe o “Perfil Biográfico” que acompanha o estojo, com sabedoria pontifica: “Os mitos habitam o inconsciente folhetinesco como herança cultural, fortalecendo nossas referências e tramando nossa memória coletiva. Ora, a narrativa dos tempos fabulosos de um herói da mitologia brasileira como Metralha, serve como farol para nos alumiar, como dizia Mário de Andrade: se genial, indicando o caminho a seguir; bestial, naufrágios por evitar. O Brasil vive procurando a si mesmo. Achou. Carmem Miranda, Orlando Silva e agora Nelson Gonçalves. A recuperação do mito Nelson Gonçalves começa hoje, aqui”.
Nelson Gonçalves é mito por tudo o que fez pela música popular brasileira. A herança cultural que nos deixou é marco de nossa brasilidade, de nossa identidade nacional. A sua produção é astronômica se compararmos com a de muitos cantores. As cifras estão aí para comprovar. Ao morrer, ao quase 79 anos de idade, deixou o incrível índice de 78 milhões de discos vendidos, entre Cds, Lps, cassetes, discos de 78 rotações e compactos duplos e simples, e discos de 45 RPM.

Nelson Gonçalves manteve forte e longo liame com a RCA - Victor. Esta, no início do contrato, cuidadosa em divulgar o novel cantor a integrar com extraordinário brilhantismo o seu elenco artístico, em reportagem publicada nos jornais, chama-o de “integrante máximo da canção popular brasileira”, e de “cantor de voz expressiva”, além de afixar, no local da apresentação, um cartaz com os seguintes dizeres: “Nelson Gonçalves, sensacional descoberta apresentada em discos Victor”. O que Victor Lattari não imaginara, nem previra, é que o contrato com a Victor seria, de todos, o mais longo assinado por um cantor: o tempo de 57 anos de carreira artística. Tal referencial valeu-lhe, quando completara 33 anos de permanência recorde na mesma gravadora, um prêmio, antes só concedido a Elvis Presley: O Prêmio Nipper, e este nada mais é senão aquele cãozinho famoso, que fica ao lado do gramofone no selo da gravadora.

Nelson, nas cinco décadas de carreira, bateu todos os recordes. Gravou mais de 2.000 canções, sendo 370 de Adelino Moreira, espalhadas em 183 discos 78 rpm, em 100 compactos, 200 fitas, 128 Lps, mais de 20 Cds, sem contar mais vinte que serão lançados em homenagem póstuma ao cantor, conforme nos comunica Pedro Alexandre Sanches, na Semana Ilustrada, de 29 de junho deste ano. Não se trata de caso de necrofilia oportunista, como esclarece o subscritor da reportagem, porque a gravadora já vinha implementando o projeto de restauração da obra de Nelson Gonçalves. Ninguém iguala-se a Nelson em cópias de discos vendidas; a sua cifra alcança as 78 milhões de cópias, recebendo, com muita honra e justiça, por todo este sucesso, 15 discos de platina e 41 de ouro, deixando de receber, pessoalmente, este último prêmio, pela vendagem de 100 mil cópias do CD “Nelson Gonçalves - Ainda é Cedo” por ter falecido, inesperadamente, poucos dias antes da entrega.

*Escritora e Professora de Ciências Jurídicas
da Faculdade de Direito da UFPB.
Colunista do Caderno 2, página Cultura,
do jornal “ Correio da Paraíba”.