CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Senso e Contra-Senso


Genival Torres Dantas

Genival Torres Dantas*   

O Brasil acaba de sediar a convenção do desenvolvimento sustentável, Rio+20, em defesa de um planeta mais verde e menos poluído, com políticas de energias renováveis e não poluentes.
Para surpresa de todos nós, anuncia aumento dos combustíveis fósseis como a gasolina e o diesel, apenas para os distribuidores, sem impactar os valores cobrados aos consumidores.

Essa atitude, olhando a olho nu parece até um gesto digno de elogios, entretanto, procurando saber o resultado dessa ação chegamos a seguinte conclusão lamentável: o Brasil está subsidiando combustíveis poluentes em detrimento aos combustíveis renováveis, caso específico do Metanol, o nosso biocombustível ou agrocombustível,  produto idealizado, projetado e produzido pelo Brasil, cuja tecnologia há muito tempo é copiado por muitos países.

Essa prática faz o Brasil perder R$420mi/mês, sendo R$220mi na venda da gasolina e 200 no diesel. Mais ainda, com a compra do petróleo e seus derivados no exterior, ainda importamos o produto, somente este ano já perdemos R$750 milhões, entre a compra e a venda pela Petrobrás, apenas para não haver repasse do combustível no mercado consumidor.

Há outro agravante, o Cide (contribuição de intervenção no domínio econômico), imposto sobre combustíveis e para incentivo ao investimento do transporte público, nunca ocorreu repasse algum, que era de 25% em 2002, e por último estava sendo cobrado um percentual de 2,7%, foi zerado, vinha sendo reduzido até chegarmos à taxa zero de recolhimento, apenas para tentar enganar a população que a nossa inflação está absolutamente sob controle, o que é uma falácia.

Essa atitude do governo federal além de subtrair recursos da nossa economia em benefício de produtos importados, condenáveis para sociedade que lutam pela preservação do meio ambiente, ainda desestimula, desampara e inibe a produção dos nossos biocombustíveis na proporção que importando produtos não renováveis, inclusive com subsídios, faz a indústria nacional, no caso, as usinas produtoras de álcool, não produzirem o produto em escala maior, dessa forma, o produto sem uma oferta maior no mercado, elevando, portanto, seu preço ao consumidor final. O resultado disso tudo é o sucateamento das nossas fontes produtoras e a ineficiência dos automóveis que saem das indústrias automobilísticas, 95% da produção de automóvel no Brasil é flex, adaptadas para o consumo de combustíveis alternativos, praticamente obsoletos.

Nos últimos 10 anos a indústria brasileira vem passando por um processo decadente, concorrendo com produtos acabados, como um todo, com preços absolutamente fora da realidade, nossos carros estão fora de competitividade, comparados aos importados, principalmente pelo custo da nossa mão de obra que é, sem dúvida alguma, uma das mais caras. A indústria pesada está agonizando exposta ao descaso das medidas governamentais.

O que efetivamente observamos são pacotes de medidas direcionadas a determinados segmentos, quando isso ocorre é que a política é protecionista a determinados setores, havendo a necessidade de intervenções cada vez mais urgentes sem uma solução efetiva nos problemas do conjunto da economia. E quando há intervenções setoriais é que nada vai bem, isso demonstra que não estamos imunes à crise global, ao contrário do que dizem.
*Escritor e Poeta

O Golpe na República do Paraguai


Eronildo Barbosa

 Eronildo Barbosa*

Quem conhece a história da América Latina e Central sabe muito bem que golpes de estado não são novidades nessas bandas. As elites que hegemonizam a política nessas duas regiões não sabem e não querem conviver com o contraditório. Não conseguem coexistir com ideias que apontem para uma maior participação da população nas decisões políticas e econômicas dos países. Acham que as atividades políticas são ações exclusivas deles.

Agem como se o mundo ainda estivesse na segunda metade século XX em que qualquer coisa era motivo para se derrubar o dirigente de um país democrático. A história caminha para a construção de novas relações sociais, entretanto, lamentavelmente, as viúvas dos velhos coronéis da política insistem com suas ideias moribundas.       

Depois de um período de relativa calma no campo das ações golpistas, em que os inimigos da democracia só tiveram oportunidade de agir com algum sucesso em Honduras, quando tiraram o Presidente Zelaya, em 2009, iniciativa condenada pela expressiva maioria dos chefes de estado dessas regiões; mas, agora, voltam a se manifestar com a fúria dos velhos tempos, embora com um método mais “sofisticado”.  

A vítima foi o valente e sofrido povo Paraguaio. Em menos de 32 horas os Senadores e os Deputados daquele país julgaram, condenaram e destituíram um Presidente da Republica eleito pelo voto popular. Até o presente momento absolutamente ninguém entendeu o motivo da saída de Fernando Lugo.

Até o golpista que assumiu no lugar de Fernando Lugo, Frederico Franco, “achou que o processo foi muito rápido embora amparado pela constituição”, defendeu. Aliás, os comentaristas políticos brasileiros irmanados com os golpistas, como Merval Pereira e Eliane Castanhêde, ambos da Rede Globo, justificam o golpe com os mesmos argumentos de Fernando Franco. “A Constituição foi observada”, dizem.      

A acusação contra Lugo é uma tremenda farsa. O processo fala “em mau desempenho no exercício da gestão pública”. Não se trata de algo concreto. E muito genérica a suposta acusação. Mesmo se tivesse uma causa efetiva o Presidente deveria ter tempo para se defender. Para conhecer o processo. Nem isso foi permitido.

Bastou os deputados e senadores, com o luxuoso apoio dos bispos católicos e uma discreta simpatia de parte das forças armadas, para que mais um criminoso golpe fosse materializado.   

Eu desejo estar errado, mas continuo achando que não se trata de um caso isolado. É bom lembrarmos - da teoria do dominó ou do chamado elo mais fraco da cadeia - estudos apreciados pela direita nos anos sessenta. Essas ideias podem ainda estar presentes nas mentes dos golpistas daqui e dos seus chefes nos Estados Unidos da América.

O golpe de Estado no Paraguai precisa ser visto em toda sua extensão. Ele pode ser parte de um movimento maior com o objetivo de impedir que os países dessas regiões conquistem espaços políticos e econômicos com relativa autonomia da velha burguesia e de parte dos militares antenados com os valores do século passado.

Preocupa-me, embora reconheça e respeite a autodeterminação dos povos, o método adotado. Foi tudo feito dentro da ordem burguesa. Até a Santa Igreja Católica foi convidada para benzer o nefasto golpe.   

Por outro lado, percebi que há uma disposição de parte importante dos Chefes de Estados das duas regiões de condenar com veemência esse golpe. Isso é muito importante. É uma coisa também nova.

Nenhum país que ficar isolado. As ações firmes adotadas no plano da diplomacia pelos principais dirigentes políticos da América Latina, principalmente por meio da União das Nações Sul-Americanas- UNASUL - podem servir não só como instrumento para desmoralizar os  golpistas do Paraguai, como também para prevenir outras tentativas que podem estar sendo tramadas no submundo dos derrotados nas urnas e nas ideias. 

*Eronildo Barbosa é doutor em educação e profesor universitário. Email: EronildoBrasil@hotmail.com. 

O CRIME DA RUA DA CRUZ

Por Severino Coelho Viana


                                               Recebemos uma incumbência para analisar o caderno processual de um fato delituoso que ocorreu no dia 02 de junho de 1883, no Município de Pombal, na forma de um esboço de livro, intitulado de “O CRIME DA RUA DA CRUZ”, de autoria do escritor JERDIVAN NÓBREGA DE ARAÚJO. O processo tramitou no Cartório do Primeiro Ofício de Pombal, que tinha como ré: MARIA DA CONCEIÇÃO, denunciada pela prática do crime de INFANTICÍDIO, tendo sido absolvida no primeiro julgamento e, depois, condenada no segundo julgamento, aplicando-se a pena de três anos de reclusão.
                                               Decorridos quase 130 anos da data do fato, os autos estavam arquivados, não se sabendo o resultado final da sentenciada, se cumpriu integralmente a pena que lhe fora aplicada, ou se morreu na cadeia ou terminou sendo uma foragida, ou depois de cumprida a pena foi se embora de Pombal a procura de um recanto que lhe desse sossego e encontrasse um manto de amparo que lhe cobrisse a vergonha pelo ato praticado.
                                               Á época do fato vivenciada por Maria da Conceição, na condição de mulher pobre e trabalhadora do lar, num repiscar da história de Pombal comparando com a de hoje quase que não evoluiu em termos da existência do preconceito, nas suas variadas formas, como um desalento de desrespeito à dignidade da pessoa humana, quando as pessoas só sabem observar o lado mais cruel da história, que degrada, aniquila e humilha a pessoa humana, muitas vezes, esquecendo a semelhança existente na essência humana.
                                               O fato apurado, independentemente do desfecho do julgamento, mostrava que havia um triângulo amoroso entre a autora do fato e dois personagens masculinos. Rufino Gouveia era o namorado oficial de Maria da Conceição, já com a data do casamento marcado; enquanto que Francisco era o terceiro tripudiante. Debulhando as sementes fatídicas, Maria da Conceição engravidou de Francisco, mas queria casar com Rufino Gouveia, entretanto, para encobrir a gravidez e preservar a sua honra, cometeu o crime de infanticídio, matando o próprio filho, mas caiu na cilada constituída pela natureza de que não existe o crime perfeito.
                                               O meio social que vivia não lhe proporcionava uma condição de vida digna. De origem pobre que sobrevivia prestando serviços domésticos, não tinha pai, não tinha mãe, nem irmão, quando engravidou do urso, sentiu-se como se fosse um fardo que iria incomodar o resto de sua vida, não conseguindo atingir o grau mínimo de sensibilidade humana, acabou cometendo o gesto tresloucado.
                                               O autor afirma categoricamente que na cidade de Pombal houve dois crimes de infanticídio, um praticado por Maria da Conceição, quando no estado puerperal matou o próprio filho, naquelas circunstâncias aflitivas de sentido psicológico e emocional, logo após o parto. Então, matando uma criança que não seja o próprio filho não se trata de infanticídio, mas, sim, de homicídio propriamente dito. No caso de antropofagia de Donária dos Anjos, ocorrido na seca de 1877, não se caracterizou um infanticídio, porém um homicídio qualificado pelos “modus necandi” da crueldade. Portanto, a assertiva do autor não é verdadeiramente correta, pois os fatos históricos são completamente distintitos. Na verdade, o infanticídio de Maria da Conceição ficou perfeitamente caracterizado sem sombras de dúvida.
                                               Cuidadosamente esclarecemos o que seja infanticídio.
                                               O Infanticídio é um crime contra a vida, bem como o aborto. Contudo, mesmo sendo um crime contra a vida não é homicídio. O Homicídio tem elementares específicas, como todo crime. No infanticídio existem elementares diferenciadoras do crime de homicídio: sujeito ativo próprio, circunstância de tempo, sujeito passivo único; o que não acontece com o homicídio - Matar alguém. O infanticídio, nunca poderia ser um homicídio, pelo princípio da reserva legal que define pormenorizadamente cada conduta típica, colocando-o em cada tipo penal. O infanticídio tem elementares próprias. Assemelha-se ao homicídio pelo objeto jurídico protegido - vida. Nada mais. Quanto ao aborto, também tem elementares próprias em cada modalidade. Nem sequer se assemelha ao homicídio. No aborto o objeto juridicamente protegido é a vida do feto concebido e não nascido, enquanto que no homicídio somente pode ser consumado se nascido com vida. Entendeu a diferença. Aclareamos, ainda, que cada tipo é único, não sendo um a mesma coisa que outro.
                                               O infanticídio é figura única, diz matar, sob a influência do estado puerperal, é elementar do crime, é personalíssimo e incomunicável, sendo assim, só a parturiente se ajustaria em face deste tipo penal, no entanto, o homicídio pode ser praticado por qualquer pessoa, por isso, que diz matar alguém.
                                               O infanticídio é o homicídio da mãe contra o próprio filho, durante o parto ou logo após, sob a influência do estado puerperal. Em alguns países, o infanticídio é também o crime da mãe motivada por uma razão de honra quando ela, desejando esconder a gravidez indesejada, por fruto de adultério ou sendo solteira ou viúva, acaba por causar a morte do recém-nascido. Também no passado, foi esse o critério que tornava a morte do recém-nascido um homicídio privilegiado.
                                               No estado puerperal se incluem os casos em que a mulher, mentalmente sã, mas abalada pela dor física do fenômeno obstétrico, fatigada, enervada, sacudida pela emoção, vem a sofrer um colapso do senso moral, uma liberação de impulsos maldosos, chegando por isso a matar o próprio filho.
                                               Infanticídio é delito doloso, devendo a mãe estar consciente de que sua conduta causará a morte do filho e agir com vontade de matá-lo. Além do dolo, deve a mãe estar sob a influência do estado puerperal. São dois, portanto, os elementos subjetivos desse tipo de crime. O dolo de matar e a influência do estado puerperal. O dolo é o mesmo do homicídio. Consciência e vontade de realizar o tipo. Possível o dolo eventual, com previsão e aceitação do resultado, mesmo sem o desejar. O segundo elemento subjetivo é a influência do estado puerperal. Puerpério é o período de tempo, variável conforme as características de cada parturiente, que a mulher experimenta profundas modificações genitais, gerais e psíquicas, com o gradativo retorno ao período não gravídico. Inicia-se com a dequitação da placenta. Sofre a mulher diversas modificações nos aparelhos cardiocirculatório, digestivo e urinário, alterações sanguíneas, da pele e, o que mais interessa aqui, alterações psíquicas. A experiência traumática do parto, com dores, contrações, enorme esforço físico, toda a expectativa da maternidade, o início da lactação e a presença do recém-nascido, somada à alteração do ritmo do sono, pode trazer para a mãe alterações de natureza psíquica que vão de simples crises de choro até crises depressivas, seguidas de instabilidade emocional e até mesmo de um quadro de psicose puerperal. É o estado puerperal de que trata o Código Penal. O estado puerperal ou puerpério existe logo após todos os partos, mas, nem sempre, suas consequências são tão graves. Assim, não basta que a morte se dê durante ou logo após o parto, em que há o estado puerperal. É indispensável que esse estado afete de modo grave a mente da mãe. Para algumas mulheres, o estado puerperal é um verdadeiro martírio e somente quando sua influência afetar seu psiquismo é que se poderá falar em infanticídio. Mormente quando a gravidez é indesejada, seja por motivo de honra, cada vez menos frequente, mas principalmente por motivos de ordem econômica e social, é mais comum sofrer a gestante a influência do puerpério, tendo seu equilíbrio psicológico acurado de modo importante e levando-a, muitas vezes, a comportamentos desatinados. Nesse estado, a mãe que matar o próprio filho comete infanticídio, apenado com reprimenda mais branda do que aquela cominada ao homicídio.
                                               Ser mãe, no Brasil dos séculos XVII e XVIII, era muito complicado, a maioria das relações era irregulares, vistas com rejeição pela sociedade, contrariando as normas estabelecidas pela Igreja, pois grande parte das mulheres pobres estava inserida num cenário familiar caracterizado pela ausência dos maridos, companheiros instáveis, mulheres chefiando seus lares e crianças circulando em outras casas e sendo criadas por comadres, vizinhas e familiares.
                                               De qualquer maneira, a publicação de “O CRIME DA CRUZ DA MENINA” faz rememorar o fato para a geração do presente e servirá para uma análise acurada a geração do futuro, conhecendo-se Pombal antes e depois será possível que os fatos truculentos do passado para remediá-los, pelo menos, com um grau de civilidade e humanismo, no presente.


                                               João Pessoa – PB, 25 junho de 2012.

                                               SEVERINO COELHO VIANA

A Inconsistência do Multilateralismo

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

“Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”, “e o tempo passa”, “agüenta coração”, “crepúsculo do jogo”, “Não adianta chorar”, “torcida brasileira”, “fecham-se as cortinas, acaba o espetáculo”.

Prezados leitores, os chavões acima são de autoria do inesquecível narrador esportista Fiori Gigliotti (1928/2006), quando nas suas tardes de domingos ouvíamos suas narrativas memoráveis!

Hoje, vejo encerra-se a Rio+20, e esse fato me transportou para grandes eventos e espetáculos que presenciei e jamais se apagará da nossa mente. Claro que não é o caso da Rio+20, um encontro de líderes mundiais para discussão do futuro do nosso planeta, mas de resultado no mínimo questionável, conforme a opinião geral.

Lamentavelmente, um amontoado de idéias sem nexo nem conexo, apenas palavras aos ventos que serão levadas, e como ocorreram nas outras duas vezes, Estocolmo/72 e Rio/92, nada de positivo, mais objetivo, nada foi realmente definido, como implantação imediata, para melhoria da vida no nosso planeta.

Muitos questionamentos e idéias surgiram no decorrer da conferência para a criação de metas e objetivos para o desenvolvimento sustentável, tema da reunião, patrocinada pela ONU.

A estudante de Nova Zelândia, Brittney Trilford, 17 anos, representando os estudantes adolescentes, perguntou em seu discurso, na convenção, se os homens vieram fazer bonito ou nos salvar, indagação que todos nós fazemos.

O Presidente Raul Castro, Cuba, falou do egoísmo das nações mais ricas, quando deviam ter humildade para buscar soluções para todos e ajudar no financiamento dos países mais pobres.

Presidente Rafael Corrêa, do Equador, ressaltou a importância dos maiores consumidores que devem pagar mais, principalmente pelas suas condições privilegiadas. Da Bolívia veio o Presidente Juan Evo Morales Ayma, com o romantismo dos sul-americanos, afirmando que a economia verde privatiza a riqueza e socializa a pobreza.

O recém-eleito, François Hollande, presidente Francês, trouxe a idéia de uma taxa sobre operações financeiras, cuja receita iria para o desenvolvimento sustentável.

Depois de muitos debates, e dúvidas levantados pela sociedade civil e ONGs, não governamentais, a cúpula dos povos, encontro paralelo ao Rio+20, afirma que a conferência da ONU fracassou na sua proposta inicial, que era tratar de caminhos e ações em direção ao desenvolvimento sustentável, além do retrocesso dos direitos humanos já reconhecidos. Lamentam ainda, as mesmas pessoas, autoridades, repetem o retorno falido de falsas soluções.

Portanto, viram seus anseios caírem por terra. O relatório que ficou para apresentação e ratificação dos líderes mundiais, não representava, nem trazia o desejo de salvação para o planeta terra, através de ações que viessem viabilizar o crescimento sustentável para o futuro próximo. Já somos 7 bilhões de pessoas espalhadas sobre a terra e a manutenção dessas pessoas depende da responsabilidade administrativa dos nossos dirigentes. E esse documento, intitulado “o futuro que queremos”, de 80 páginas, e 283 parágrafos, é a declaração final da conferência das Nações Unidas sobre o desenvolvimento sustentável.

Apenas o governo brasileiro elogia sua própria atuação, e criação da obra, do documento feito e refeito, com o açodamento dos medíocres, com o único objetivo de ter um documento pronto antes da chegada dos principais atores, líderes mundiais, dessa peça inacabada, cuja continuidade será, provavelmente, daqui a 20 anos.

O coordenador, pelo Brasil, da Rio+20, o ministro das relações exteriores, Antonio Aguiar Patriota, fracassou na execução do projeto como anfitriões que somos. Como é sabido, trata-se de um membro do governo federal com dias contados na equipe. A Presidente Dilma não tem grande simpatia pela sua atividade no cargo de ministro, agora a situação deve ter acelerado o processo de sua substituição, já tendo, inclusive, três pretendentes ao cargo.

Para nosso constrangimento o jornal britânico Financial Times, aproveitando a nossa barafunda, questionou nessa última sexta-feira (22), a capacidade do Brasil de organizar a copa do mundo de futebol e dos jogos olímpicos.

Demonstramos que temos uma infra-estrutura frágil, mesmo decretado feriado escolar no período da convenção, a cidade do Rio de Janeiro teve seus gargalos no trânsito dificultando o transporte urbano na cidade. Enquanto isso, os hotéis se mostraram avarentos aplicando preços em diárias proibitivos para a nossa realidade, inibindo a presença de muitos líderes políticos. Apesar desses problemas, e outros não enumerados, o governo brasileiro alega que estava tudo bem, na organização do evento, quando sabemos que não estava.

O Secretário-Geral das Nações Unidas, Sr. Ban Ki-moon, esperava um documento final mais ambicioso, entretanto com a posição contrária as sua afirmações, da Presidente Dilma, mudou de posição e elogiou o documento, como uma peça abrangente, amplo e prático.

Resumo da ópera, em setembro de 2013 um grupo de 30 pessoas, próxima assembléia geral da ONU, será apresentado os objetivos do desenvolvimento sustentado, nos termos dos objetivos do milênio para o desenvolvimento, com prazo de encerramento para 2015. A proposta apresentada irá articular cumprimento de metas a partir daquela data, ou seja, 2015, simplesmente prorrogação de metas.

Um final melancólico para quem tinha tudo para proporcionar um evento realmente de primeira grandeza, tanto o Brasil como a ONU perderam a oportunidade de mudarem o rumo de um planeta que agoniza e espera por socorro urgente. Conseguimos adiar soluções para talvez um dia, quem sabe até, até quem sabe!

*Escritor e Poeta

CONVENÇÃO PARTIDÁRIA: FESTA DA DEMOCRATIZAÇÃO



Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

 As Convenções partidárias que por força da Lei Eleitoral são realizadas até o final do mês de junho são por demais conhecidas como festas da democratização. O candidato a qualquer cargo eletivo tem que passar pelo crivo dos convencionais, única maneira pela qual o registro da candidatura na justiça eleitoral é assegurado por lei.

Alguém que pensa ou que sonha ser um dia pretenso candidato, para alcançar tal objetivo tem que primeiro pertencer a uma agremiação partidária e isso é feito não de forma aleatória, ou seja, as vésperas do pleito; é preciso ingressar em um partido com muita antecedência, pelo menos um ano antes das eleições.

Este ano, as eleições são de base política, isto é: Eleições nos municípios. Os partidos políticos no nosso regime democrático têm direito de apresentar candidato a prefeito, vice-prefeito (eleição majoritária) e, por conseguinte candidatos a vereador, (eleição proporcional). Qualquer partido que não queira apresentar candidato a majoritária e que só tenha candidatos a proporcional poderá se coligar com outro que tenha candidato para a majoritária.

Diferentemente do que aconteceram há 04 anos, (2008), quando a então candidata Polyana Feitosa realizou a convenção primeiro que Mayene-Van, as convenções partidárias no nosso município este ano ocorrerão no último dia do prazo estabelecido pelo calendário eleitoral, 30 de junho. Os dois principais grupos políticos de Pombal deixaram para o mesmo dia as definições e homologações dos candidatos que disputarão o pleito deste ano.

Os Liderados pela atual prefeita e candidata à reeleição, Yasnaia Polyana, partidos como PT, PSDB, PSB, PV, PMN, PSL, PDT e PTB farão convenções no Pombal Ideal Club, das 13 às 23 horas. O PMDB, comandado pelo ex-prefeito Abmael de Sousa Lacerda (Dr.Verissinho), definiu a AABB como local das oficializações das candidaturas e coligações, na mesma data, indo até às 24 horas. Também farão suas convenções no mesmo dia e local o PSD, o PRTB e o PT do B. A exceção será o PR que terá sua convenção “independente”, marcou para o dia 30, das 9 às 12 horas, na Câmara de vereadores.

Hoje nós vemos partidos de lados antagônicos a nível nacional que por questões de conveniências nas hostes locais se unem em torno de um nome de consenso, estabelecendo acordos que venham satisfazer a ambos, deixando de lado o sectarismo ou sua ideologia política.

Ao longo dos anos temos observado as mudanças que vêm ocorrendo na realização dessas festas democráticas. Aqui e acolá se ouve falar que um juiz (a) eleitoral impõe sua recomendação, proibindo ou interferindo no que diz respeito aos partidos políticos na organização das suas convenções. Convenção partidária, o nome já está dizendo pertence ao partido; compete, pois a este, organizar a festa e promovê-la da melhor forma possível para que venha animar e agradar a militância.
No passado participei ativamente dessas festas democráticas e nunca ouvi falar que a Justiça eleitoral tenha metido o seu bedelho. Reporto as memoráveis convenções municipais nas décadas de 60, 70 e 80, quando foram registrados os maiores embates políticos. Dia de Convenção os partidos organizavam a festa com bandeirolas mostrando as cores da sua agremiação além de faixas e cartazes. Durante o evento, a militância contava com animação de escola de samba improvisada, banda de música ou pequenas orquestras e a alegria contagiava a todos com os estampidos dos fogos de artifícios.

Após a homologação dos candidatos, discursos ecoavam sob os aplausos de todos que prestigiavam aquela festa cívica partidária. Em outras ocasiões os candidatos eram carregados nos braços do povo percorrendo as ruas da cidade em passeatas (a pé), pulando e com as mãos levantadas faziam o V da vitória. Quando havia coincidência de data nas Convenções os partidos tinham o devido cuidado de por limites nas suas festanças para não avançar o sinal e ir de encontro à facção adversária. Ao realizar passeatas, pessoas escolhidas ficavam a frente da movimentação com o fim de evitar confrontos em qualquer rua ou bairro.

Que mal existe em ter batucado, camisetas, bonés, adesivos e outros apetrechos para essa ocasião? A Festa é democrática, não é momento de acirramento ou discórdia, até mesmo porque ali só estarão aliados e simpatizantes daquela agremiação política partidária ou coligação, que já tem como certo os nomes dos candidatos que serão homologados para o devido registro de suas candidaturas.

Deixem nossos cidadãos exercerem cidadania! Democracia segundo Aurélio, quer dizer: Governo do Povo; soberania popular; democratismo. Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, dos poderes de decisão e execução.

E VIVA A FESTA DA DEMOCRATIZAÇÃO “DO POVO, PELO POVO E PARA O POVO”!

Pombal, 21 de junho de 2012

*Radialista, Blogueiro, Colunista
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Olha Pro Céu


Onaldo Queiroga

 Onaldo Queiroga*

 É São João. A festa do sertão, do Agreste, do Seridó, do Cariri, do Brejo, da Zona da Marta, do próprio Nordeste. É tempo de pamonha, canjica, bolos de milho, milho assado e cozinhado, tapioca de todo gosto e pé-de-moleque. E as meninas? Elas estão brincando de rodas. E os velhos? Estão soltando balões. E os moços? Estão em volta à fogueira, brincando com o coração.

Luiz Gonzaga não inventou as festas Juninas ou Joaninas, mas sem dúvida, foi ele que com suas músicas transformou intensamente esses festejos. Com suas marchinhas, criou toda uma cultura das denominadas Quadrilhas Juninas, que ao longo do tempo conseguiu não só agregar comunidades, mas também através da dança, levar alegria ao âmago de um povo sofrido, mas forte por natureza.

Quando se aproximava o mês do São João, o Brasil e principalmente o Nordeste aguardava ansiosamente o disco novo do Rei do Baião. Com um repertório voltado para o baião, o xote, o xaxado, o forró e marchinhas, Gonzaga embalava as festas do mês de junho. Foi ele que com o seu canto tornou essa festa tradicional do Nordeste conhecida no âmbito nacional, como também mundialmente. A visibilidade do São João, ainda hoje deve muito ao Lua. Quantos mil empregos, quantas divisas em termos de comércio e de turismo são criados em decorrência das festas Juninas? São tantos empregos, são tantos cachês artísticos que merecidamente esse homem chamado Baião deve ser sempre reverenciado.
É tempo de centenário do Rei do Baião e, mesmo com seca, o Nordeste se enfeita, se organiza para acender suas fogueiras. Não precisamos de plásticos e de Telós, basta um sanfoneiro pé de bode, um triangueiro e um zabumbeiro, uma sala de reboco, um pote cheio de cerveja, umas meninas, que o sertanejo logo faz sua festa, arrasta o pé e sob a luz de lamparina entra pela madrugada e pega o sol com a mão.

É tempo de Caruaru se vestir como a verdadeira capital do forró, fazer trinta dias de fole gemendo, numa alegria continua e contagiante. É tempo da nossa Rainha da Borborema enfeitar-se toda, receber por um mês, no seu Parque maior, todo o povo do forró.

Como diz Seu Luiz: “Olha pro céu, olha pro céu meu amor, vê como ele está lindo. Olha pra aquele balão multicor, como no céu vai sumindo. Foi numa noite, igual a essa que tu me destes o coração. O céu estava, assim em festa, pois era noite de São João. Havia balões no ar. Xote, baião no salão. E no terreiro o teu olhar, que incendiou meu coração”.

*Escritor pombalense, Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Capital.

No vale tudo, sarcopenia da massa encefálica


Genival Torres Dantas

Genival Torres*

 Como o próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preconizou, o Brasil foi dividido em duas fases, uma antes e outro depois da sua gestão, não com essas palavras. Portanto, a partir da segunda fase poderá ocorrer até a sarcopenia da massa encefálica no brasileiro, que a medicina não saiba dessa minha profecia do sortilégio.

Pelo menos é o que está ocorrendo com o próprio ex-presidente, pois, imaginar no mesmo palanque a presença de duas figuras antagônicas como a da ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, e do ex-governador Paulo Maluf, apoiando Fernando Haddad, afilhado político do ex-presidente Lula, só mesmo estando com redução da massa encefálica. Pior, imaginar isso como o novo para São Paulo, ou seja, os dois políticos engajados, e apoiando o pré-candidato à prefeitura e falando a mesma linguagem política, é no mínimo um despropério inconcebível. Vi de perto as duas escolas administrativas na prefeitura de São Paulo.

Luiza Erundina de Sousa, 77 anos, nascida na cidade de Uiraúna, berço sacerdotal, e reconhecida como a cidade luz, ou Paris do sertão paraibano, não pelo seu tamanho, mas pelo cuidado que a sua administração pública tem com a pequena cidade de 14.584 habitantes.

Concorreu ao cargo de prefeita da cidade de São Paulo, depois de ter trabalhado como assistente social, da mesma prefeitura, com os migrantes nordestinos da periferia. Teve como concorrente dentro do próprio partido, como pré-candidata, o lendário Plínio de Arruda Sampaio, contando, ele, com o apoio irrestrito das maiores lideranças do PT, na época, Lula, José Dirceu e José Jesuino.

Derrotou na eleição candidatos como o próprio Paulo Maluf (PDS), João Oswaldo Leiva (PMDB), José Serra (PSDB), João Melão Neto (PL), além de Marco Antonio Mastrobuono (PTB).
Depois de eleita em 1988 para o período 89/93, do século passado, teve uma administração irretocável, com grande trabalho na periferia paulistana, voltada sempre para o social, sem nunca deixar-se envolver com a fúria avassaladora do seu partido, PT, que queria o controle da situação e nunca conseguido.

Por motivos alheios a sua vontade, depois de 17 anos de militância no PT, 1980/1997, filia-se ao PSB onde permanece até hoje. Portanto, pessoa de equilíbrio e honestidade acima de qualquer suspeita.

Paulo Salim Maluf, 80 anos, filho de ilustres migrantes libaneses, que tanto contribuíram para o desenvolvimento da nossa terra, engenheiro, empresário, tendo exercido vários cargos públicos no decorrer dos 52 anos de vida pública. Foi prefeito de São Paulo, 1969/1971; secretário de transportes da cidade de São Paulo, 1971/1975; governador do Estado de São Paulo, 1979/1982; deputado federal, 1983/1987; retorno à prefeitura de São Paulo, 1993/1996; novamente retorna à câmara federal, 2007/2011/atual.

Coleciona 10 derrotas, sendo 4 para governador do Estado de São Paulo, 1986/1990/19980/2002. Mais 4 para prefeitura da Capital paulistana, 1988/2000/2004/2008. E duas para presidência da República, 1985 (indireta) e 1989.

Esse extenso “curriculum” proporcionou ao executivo político uma larga folha corrida na execução de obras de engenharia de arte, na cidade, e Estado de São Paulo, além de execução parcial do Metrô paulistano, terminal rodoviário do Tietê, o Minhocão, elevado Costa e Silva, e duplicação de avenidas e estradas.

Após acusação em vários escândalos, por corrupção, lavagem de dinheiro, e formação de quadrilha, culminando com sua prisão, pela polícia federal, de 10/09 até 20/10/2005, por 40 dias. Paulo Maluf ainda é acusado, e o Jornal a Folha de São Paulo revelou em 10/06/2006 a existência de 200 milhões de dólares, a favor dele e da sua família, no paraíso fiscal das ilhas Jersey, ilha do canal da Mancha, e teve seu nome incluído na difusão vermelha da INTERPOL (organização internacional de polícia criminal).

Por esse motivo ele, Paulo Maluf, pode ser preso em 181 países conveniados à organização.
Portanto, são duas histórias bem distintas, muito embora paralelas, quando não acreditamos que possam se misturar numa mesma corrente, mesmo que seja política.

A idéia do vale tudo para se conseguir o poder é no mínimo constrangedor para seus personagens, e para a própria nação. Por essas e outras razões ficamos incrédulos diante de tantos equívocos e atitudes bisonhas em políticos tão experientes, sem direito a erros primários, a não ser que julguem os brasileiros como um bando de abestalhados, com diz o deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, eleito com 1.348.295 votos, ou 6.35% do eleitorado paulista. Para desencanto de todos nós.

* Pombalense, escritor e poeta - Navegantes SC.

CARTA – CONVITE A CAJAZEIRAS
SHOW MUSICAL
LUIZINHO BARBOSA - PRIMAZIA
DIA 21 DE JUNHO DE 2012 – 21: 00H – NÚCLEO DE EXTENSÃO CULTURAL                                                                  UFCG – CAMPUS V  –  CAJAZEIRAS – PB
 Pombal – PB, 06 de Junho de 2012
Caríssimos Companheiros,

No ano de 1979 tive a oportunidade de participar da Caravana Piollin, nas cidades de Pombal, Sousa e Cajazeiras; neste período acontecia a Semana Universitária, promovida pela Associação Universitária de Cajazeiras – A.U.C., na oportunidade consegui fazer a minha inscrição no Festival de Música o que muito significou para a minha vida Artística, naquele momento, interpretei a música “Viola Serena Voz”, ao lado de Fuba – violão e Teinha Formiga – Clarinete, sendo o apresentador, Zeilto Trajando.

O referido Festival foi bastante concorrido, com a participação de nomes influentes na região, a exemplo de: Otacílio Trajano, Luis Alves, Joaquim, Alencar, Grupo Ferradura (Catolé do Rocha), Raízes Novas (Sousa) e o grupo Nó – Cego (Pombal), Circuito Universitário (Pombal). Classificado para a final daquele evento; na manhã seguinte fui comemorar com os meninos e amigos da Rua Higino Pires Rolim e logo, uma boa notícia foi veiculada em uma das Rádios de cajazeiras a divulgação dos aprovados no Vestibular: ouvimos o resultado em um radinho de pilha na residência de Eliezer, a citação do meu nome para o Curso de Letras, gerou muita alegria, a vibração dos meninos do Grupo de Teatro Terra formado por Eliezer, Marcélia Cartaxo, Naldinho, Nanego, Lincon, Pitoco, Doda, Suely entre outros e outras, movimentou aquela Rua que hoje guardo bem dentro do coração. Assim, começou o meu vínculo artístico e educacional com a cidade de Cajazeiras, que muito admiro e tenho carinho pelo ciclo de amizade e companheirismo.

Na sequência das minhas ações, participei de muitos outros Festivais na terra de Pe. Rolim; já universitário e fundador do RCT de Pombal, plantei a primeira semente, quando me dirigi ao Rotary de Cajazeiras e propus a fundação do Rotaract de Cajazeiras.

Caríssimos companheiros e amigos, no próximo dia 21 de Junho, às 21:00 horas estaremos juntos no  Teatro do NEC para o meu Show Musical  denominado LUIZINHO BARBOSA  – PRIMAZIA e lançamento do CD. Confiante na importância do meu reencontro artístico com a cidade que proporcionou grandes momentos para a minha carreira profissional, antecipo os meus sinceros agradecimentos, contando com a presença dos artistas, amigos e companheiros.
Rotarianamente, até mais e um abraço a todos.
Luizinho Barbosa

SHOW MUSICAL
LUIZINHO BARBOSA - PRIMAZIA
DIA 21 DE JUNHO DE 2012
21:00 HORAS – NÚCLEO DE EXTENSÃO CULTURAL - CAJAZEIRAS - PB


A trajetória artística de Luizinho teve início na década de 70, quando o mesmo acompanhava todo o percurso realizado pelos pontões durante os Festejos do Rosário, segurando as varas e ensaiando alguns passos, logo, passou a observar o ensaio do conjunto musical Os Águias, chegando a participar dos ensaios quando possível. Iniciou seus estudos musicais com Eliseu Veríssimo e Anchieta Veríssimo, na Filarmônica Municipal João Alfredo, no Município de Pombal.
O Projeto Musical do cantor e compositor Pombalense, brotou de forma impar pela motivação e incentivo de alguns amigos e pela luta incansável do próprio, que muito tem feito em favor da cultura e da educação na sua terra natal e no Estado da Paraíba.
O trabalho desenvolvido na produção da referida obra nos traz a baila o envolvimento desse animador cultural com a música popular na sua região, sendo esta iniciativa mais um trabalho de produção, circulação e difusão dos bens culturais. O histórico da sua produção anterior ao longo de 40 anos no Alto Sertão tem sido de grande valia, tendo em vista que o artista é um agente multiplicador de idéias nas seguintes áreas: música, teatro, literatura, folclore, entre outras, na terra berço de Leandro Gomes de Barros (Cordelista conhecido internacionalmente), de Celso Monteiro Furtado (Economista e Ministro da Cultura), reconhecido pelo movimento artístico – cultural da Paraíba foi homenageado pelo Conselho Estadual de Cultura recebendo o titulo de Menção Honrosa.
A identidade musical e a nordestinidade do autor é notável em cada acorde do CD PRIMAZIA, evidentemente denunciadas nos mais variados timbres e cores envolvendo todo conjunto artístico desta obra; para o Show Musical a ser realizado no NUCLEO DE EXTENSÃO CULTURAL – UFCG/CAMPUS V – Cajazeiras - PB patrocinado pelo Centro Cultural BNB – Souza – PB, Luizinho vai apresentar composições musicais de sua autoria, inclusas, nos CDs Rara Beleza e Primazia, de domínio público, ligadas aos Congos e ao Reisado de Pombal.
REPERTÓRIO
- Alô Cajazeiras – Luizinho Barbosa
- Grãos de Areia – Luizinho Barbosa
- Viola Serena Voz – Luizinho Barbosa
- Nossa Voz – Luizinho Barbosa
- Colibri – Luizinho Barbosa
- Cuidado Meu Velho – Luizinho Barbosa
Participação especial: ELOM BARBOSA
- Santana – Congos de Pombal (Domínio Público)
- Zabilinha – Congos de Pombal (Domínio Público)
- Burrinha – Reisado de Pombal (Domínio Público)
- Lá vem o Boi – Elon Barbosa
- Novo Clima – Luizinho Barbosa
- A vida é uma só – Luizinho Barbosa
- Cabe à você – Luizinho Barbosa
- Rara Beleza – Luizinho Barbosa
- Presa Fácil – Luizinho Barbosa
ficha técnica:
PRODUÇÃO MUSICAL: LUIZINHO BARBOSA, KINCA SILVA
ARTHUR MEDEIROS ,
LUIZINHO BARBOSA – Voz, violão, efeitos e maracás,
ELOM BARBOSA – violão
ARTHUR MEDEIROS – Guitarra,
FELIPE – Baixo,
KINCA SILVA – Teclado e Sanfona,
FREDMAR – Bateria,
LINCON DAVID – Percussão.

Apoio de palco:
ROZA REJANE, FLAVIO RUFINO e JOSÉ RONALDO.
Produção em Cajazeiras:
DAM MONTEIRO
Apoio local:  NALDINHO  BRAGA
CAMPUS – V – NEC
Promoção: CENTRO CULTURAL BNB – SOUSA
PROGRAMA ARTE RETIRANTE


                            SHOW MUSICAL
LUIZINHO BARBOSA - PRIMAZIA
TELEFONE PARA CONTATO
(83) 34312373  - 99953374
RUA CEL. CANDIDO DE ASSIS Nº 507
CENTRO – POMBAL – PB / CEP. 58.840 - 000

UMA NOITE DE GALA EM HOMENAGEM A GONZAGÃO E AO BAIÃO

Maciel Gonzaga
Maciel Gonzaga*

Uma verdadeira noite de gala foi o que a Rede Globo de Televisão proporcionou ao Brasil na noite desta sábado (16) ao exibir um programa especial em homenagem ao Baião e aos 100 anos do nosso eterno Luiz Lua Gonzaga (o Rei do Baião). Se vivo fosse, Luiz Gonzaga teria completado 10 anos no último dia 13 de dezembro. Na homenagem estavam nomes como Elba Ramalho, Fagner, Waldonys, o humurista João Cláudio, Marina Elali e sua avó Iolanda (respectivamente neta e mulher de Zé Dantas), Alcione, Margareth Menezes, Quinteto Violado, Genaro, a sempre alegre Clemilda (com mais de seus 80 anos) e tanta gente boa, todos exaltando o nosso Baião.

Considerado um dos maiores expoentes da música brasileira, Luiz Gonzaga nasceu em Exu, no Sertão de Pernambuco, e andou por todo o país cantando as dores e as alegrias do Nordeste. “Gonzaga sintetiza na música a alma nordestina. Ele é um analista da alma do Nordeste, da alegria, da força desse povo”, define o jornalista Chico Pinheiro, mestre de cerimônias do programa.

É bem verdade que faltaram algumas figuras importantes que conviveram próximas de Luiz Gonzaga como Dominguinhos, Genival Lacerda, Joquinha Gonzaga (sobrinho do Rei), Marquinhos do Acordeom (afilhado de batismo de Gonzaga e filho dos também inesquecíveis Abdias dos 8 Baixos e da Rainha do Xaxado Marines), Gilberto Gil, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Alcymar Monteiro, Jorge de Altinho, além de membros da sua família.

Mas, o importante me tudo foi a maior emissora de Televisão do país e uma das maiores do mundo abrir o seu espaço em rede nacional para mostrar o trabalho do Rei do Baião.
Tendo convivido com Gonzaga quase como um filho e gravado dois discos, o cearense Raimundo Fagner vê no Rei do Baião a referência maior do São João no Nordeste. “A música de Gonzaga vai permanecer para sempre. Quando acabam os modismos, sempre tem Luiz Gonzaga na manga para se tocar. Eu tive uma relação de muita cumplicidade com ele, eu o adorava”, diz, com carinho, Fagner.

Como bem disse várias vezes neste Blogger de Clemildo o juiz pombalense Dr. Onaldo Queiroga, o nosso baião é eterno, pois a obra de Rei do Baião “constitui importante fonte de pesquisa para quem deseja conhecer a verdadeira História do Nordeste e de seu povo”.

Concordando com o amigo zootecnista pernambucano Jairo Melo, morador da cidade de Vicência-PE, um pesquisador da vida e obra de Luiz Gonzaga, em contato comigo faz sempre uma indagação: “Porque as emissoras de rádio do Nordeste, com raras exceções, não tocam a música de Gonzaga em suas programações diárias”? É vergonha do que? Ora, se duas teses de Doutorado, uma em Liverpool, outra em Oxford, já foram defendidas, tendo como base a vida e obra do “Rei do Baião”, respectivamente pelas professoras cearenses Elba Braga e Sulamita, porque não divulgamos mais o Baião, a exemplo do que faz os Estados Unidos com Elvis Presley e Frank Sinatra?

Para o folclorista Luiz da Câmara Cascudo o Baião é a fiel expressão da música nordestina do sertão, que nasceu sob a influência do cantochão (canto litúrgico da Igreja Católica) dos missionários, brotando das violas, das sanfonas de oito baixos, das zabumbas, dos pífanos dos homens rústicos. Está associado aos termos baiano e rojão. O Baião influenciou também gerações mais novas de artistas como Gilberto Gil e Raul Seixas, que realizaram a sua fusão com o Rock, criando o baioque. Resta-nos, pois a grande lição da rede Globo, se o Baião serve para atrair audiência à nível nacional, porque não serve para as emissoras de Rádio nordestinas?

*Pombalense, jornalista, advogado, professor. Natal – RN.

Primeiros dias da Rio+20


Genival Torres Dantas

Genival Torres Dantas* 

No meu último trabalho sobre o tema do desenvolvimento sustentável, cuja conferência mundial está ocorrendo no Rio de janeiro, desde o último dia 13, com o nome de Rio+20, ressaltei o empenho dos países procurarem dar solução aos problemas do nosso planeta sem, entretanto, um alcance mais objetivo, ou mesmo qualquer projeto que venha equilibrar nosso comportamento com relação a preservação da nossa biodiversidade.

Nesses primeiro dia do encontro com participação de vários países, há previsão da presença de 115 líderes mundiais, mais de 1000 eventos paralelos foram programados, com reunião de governos, empresas, ONGs, acadêmicos, e movimentos sociais, para identificar soluções e metas.
Objetivando o enfrentamento dos desafios globais mais urgentes.
Tudo está sendo discutido, desde a reciclagem do lixo, poluição e desmatamento, inclusive economia e acesso à água potável e energia elétrica, insegurança alimentar, desigualdades sociais, expansão das cidades, financiamento necessário e melhores mecanismos na cooperação internacional. Tudo isso estava previsto e dentro da programação previamente anunciada.

Como relatei anteriormente, muitos documentos vão ser gerados. O principal deles, que deverá ser assinado por todos os lideres presentes, ou seus representantes legais, está encontrando resistência na sua elaboração. Não há um consenso, já havendo resumo do texto e alguma metas adiadas para 2014, tal a dificuldade que está ocorrendo.

O Brasil assume o comando das negociações com a definição de metas para o curto, médio e longo prazo na orientação aos governantes do nosso planeta, principalmente no que se refere na definição de metas para o desenvolvimento sustentável como a água, energia, e a proposta relativa à economia verde, com crescimento, tirando pessoas da miséria (pobreza), preservar o meio ambiente, evitando crises financeiras e de empregos, atual quadro que nos encontramos.

A Presidente Dilma Rousseff viaja hoje (17) ao México onde ocorrerá a reunião do G-20 (grupo que reúne as maiores economias mundiais). Ela buscará um entendimento entre os líderes que lá se encontram e não vieram ao Rio+20, principalmente, o presidente dos EUA, Barack Obama, a chanceler alemã, Ângela Merkel e o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, para assinatura do documento final da convenção da Rio+20, cujo encerramento está previsto para o dia 22 próximo.
Sinceramente, vejo que a minha previsão estava correta, em vários aspectos, será mais uma convenção com poucos resultados e quase nenhum avanço. Os países ricos não estão propensos a pagarem a conta do projeto da economia sustentável. Alguns países, como a China, acham que é uma responsabilidade comum, porém, diferenciado, ou seja, os ricos por poluírem mais o planeta tem a obrigação de pagarem mais.

Existem propostas e sugestões nesse sentido. A diretora e gerente do FMI, Christina Largade, apresentou duas formas para custeio de um fundo que venha financiar o projeto de desenvolvimento sustentável, e a redução de carbono na atmosfera. Uma opção seria o recolhimento de 0,25 centavos de dólares, pelos países poluidores, dos combustíveis fósseis, petróleo, por tonelada de emissão de carbono produzida. Isso geraria um montante de 1 trilhão de dólares em 10 anos, mais que o suficiente para a manutenção do fundo previsto. Ou, 0,20 centavos de dólares por galão de combustível consumido pelas empresas aéreas, com geração de 100 bilhões anuais de dólares, também suficientes para a manutenção do fundo proposto.

O grande problema realmente é que há um desencontro muito grande na hora de pagar a conta desse projeto tão necessário para a sobrevivência do nosso planeta, e consequentemente nossa qualidade de vida.

Vamos torcer para que a nossa presidente tenha sucesso na sua iniciativa, no sentido de conseguir adesão dos líderes que estão no encontro do G-20, e ao mesmo tempo, com seus representantes na Rio-20, e que seja assinado esse documento tão necessário para a luta dos que desejam um planeta com melhor qualidade, como se encontra não pode ficar. Que a convenção tenha um final melhor, em termos de resultados, comparado com as convenções de 1972 (Estocolmo) e de 1992 (Rio de Janeiro), tendo a formalização do documento proposto, ou um acordo em torno dele e o cumprimento dos aspectos normativos ali estabelecidos devidamente assinado.

Vamos aguardar o final desse evento para podermos fazer uma avaliação mais objetiva dos seus resultados, fico torcendo para que a minha previsão inicial seja superada pelo bom censo entre os homens que governam esse planeta tão bonito chamado terra.

*Escritor e Poeta