CLEMILDO BRUNET DE SÁ

ELEIÇÕES A VISTA: O QUE O POVO DEVIA OUVIR DOS CANDIDATOS?


Ignácio Tavares

Ignácio Tavares*

A cada quatro anos ocorrem eleições municipais com vista a eleger os novos prefeitos.
O povo é o grande arbitro no processo de escolha. Sim, isso mesmo, é o povo quem vai definir os destinos administrativos do seu município por um período de quatro anos. É o povo quem vai avaliar através do voto quem é capaz dar visibilidade administrativa ao município, condição necessária para que ocorra momentos de prosperidade.

Eu falei prosperidade, não é? Algum tempo produzi vários textos nos quais adverti que a economia de Pombal estava a perder posições relativas dentre os seis municípios mais desenvolvidos da região sertaneja. Mostrei através de números, que no nosso encalço, a poucos pontos percentuais de diferença, estão os municípios de Catolé do Rocha e São Bento. Resta saber até quando aqueles dois municípios manterão os seus respectivos PIB, inferiores ao nosso.

É claro que expectativa da nossa economia perder posição relativa, não se concretizará de forma imediata, pois os números das economias dos dois municípios em questão apenas mostram uma tendência. Por outro lado guardo a convicção de que, se nada for feito pra barrar a situação vigente inapelavelmente podemos ser guindado a uma posição pouco confortável no quadro da economia sertaneja.

Tem saída pra essa situação?

Letargia Econômica e eufórbia da esculhambação


Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

A economia globalizada que é o continuísmo da era industrial, no final do século XVIII e inicio do XIX, vem definhando na proporção que o tempo passa e ficamos a praticar políticas superadas e inoperantes nas políticas de negociações internacionais.

Na Europa, no atual quadro, do desanimo e pessimismo tangencia a sistêmica e complexa economia combalida, reconhecidamente em estado falimentar, e traduz uma realidade de incertezas para o futuro próximo. Com exceção de poucos países menores e a Alemanha que continua a trabalhar forte, e continuamente, em busca de um crescimento de 2.5 vezes ao projetado pelo FMI para o ano em curso.

A fórmula encontrada pelo país que saiu da segunda guerra mundial totalmente detonado, em toda sua estrutura, foi muito simples, apostou na formação de pequenas empresas, com alta tecnologia, para venda no mercado externo, com políticas de apoio ao empreendedorismo, parceria entre governo e a economia privada, numa mistura de capital, trabalho e controle. Essa, sem dúvida, é a fórmula ideal para qualquer sistema político, onde prevalece o bom senso, o equilíbrio e a solidariedade das classes.

Os EUA continuam lutando para sair do marasmo em que se encontra, tentando se reeleger, seu atual presidente, barack Obama, corre em busca do voto de confiança dos seus patrícios a todo custo.

Os tigres asiáticos mostram talentos, principalmente na redução de custos na linha de produção, inventando fábricas móveis, montadas em navios em direção aos mercados ainda consumidores, na tentativa de manter viva uma economia eqüidistante do mistifório mercado consumidor atual.

O Brasil representante dos emergentes na America do Sul tem sua capacidade produtiva reduzida, pela incapacidade nos seus investimentos, tanto no setor público como no privado. Até agora, em 2012, o governo federal investiu 20% do projetado para o setor produtivo, em 50% do tempo previsto, ou seja, o governo não é capaz de gastar nem o que tem em caixa, previsão orçamentária, verbas liberadas. Enquanto que o setor privado reinvestiu 17% dos 25% recomendado, do resultado do PIB.

No descompasso do samba do crioulo doido, a nossa presidente, Dilma afirma, na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que: “uma grande nação deve ser medida pelo que faz para as suas crianças e adolescentes, não pelo seu PIB”. Ou seja, a nossa presidente quer nos fazer engolir que o crescimento do PIB tem menor importância que o tamanho dos indicadores sociais, pura falácia.

O nosso desempenho no campo da educação chega a ser constrangedor, no ranking da UNESCO, entre os 127 países ocupamos o 88°, na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico estamos em 53° lugar, dentre os 65 concorrentes, uma vergonha para todos nós brasileiros, isso no tocante em compreensão de leitura e em ciências, ficando numa posição mais humilhante, em 57°, quando o assunto é matemática.

O argumento apresentado pelo governo, nas palavras da presidente, é para compensar ou justificar a absoluta falta de perspectiva de crescimento do PIB nacional, previsto no início do ano, em 4.5%, próximo do ideal. Entretanto, já sabemos que vamos chegar a um número em torno de no máximo 2%, sofrível para um país que canta de galo no terreiro do desenvolvimento econômico mundial, como nunca antes visto.

É hora de baixar a bola, procurar entender porque nossa economia não responde aos investimentos, no caso da indústria automobilística, quando o governo suspendeu a cobrança parcial do IPI, para determinados produtos, assim como à indústria branca, geladeiras, maquinas de lavar, e outros, que tiveram os mesmo privilégios dos carros, em detrimento ao sufoco que passa os setores de consumos básicos, tais como a suinocultura no sul do Brasil e a sobrevivência geral dos irmãos nordestinos que choram as conseqüências advindas da longa estiagem naquela região.

Claro que o grau de endividamento da massa consumidora é responsável pela estagnação nas vendas do mercado interno, não adianta esticar prazos e baixar juros, o que manda é o poder de compra do consumidor, esse não existe, a pior, falta políticas voltadas para incentivo à retomada do crescimento real e a coragem de encarar a realidade com mudanças para realinhar nossa economia que tem mostrado sinais de desgastes depois de 20 anos da implantação do plano real. Temos que reagir com lucidez e determinação caso contrário estamos fadados há tempos ruins que podem vir por aí.

*Escritor e Poeta - Navegantes SC

PREFEITA DE POMBAL APAGANDO AS VELINHAS NESTE 18 DE JULHO!


COINCIDÊNCIA OU NÃO, PREFEITA YASNAIA POLLYANNA ANIVERSARIA NA SEMANA DO ANIVERSÁRIO DA CIDADE QUE ELA GOVERNA: POMBAL!
•          "Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor. Cumprirei os meus votos ao Senhor, na presença de todo o seu povo". Salmo 116:12 a 14.

Que benefício maior que a vida? Hoje é seu aniversário, parabenizamos por tão importante data. 

Que Deus na sua infinita misericórdia te abençoe na missão que está em suas mãos que é a de governar sobre o povo ordeiro e pacífico de Pombal.

PARABÉNS, FELIZ ANIVERSÁRIO, 

ESTE É O DIA QUE DEU LHE DEU!

SALVE 18 DE JULHO DE 2012.


CLEMILDO BRUNET 

RADIALISTA E TITULAR DO BLOG.

BAR CENTENÁRIO: DOCES RECORDAÇÕES


Prof° Francisco Vieira

Por Francisco Vieira*

                Assim como as pessoas, também os acontecimentos e lugares estão ligados as nossas vidas. Juntos formam o tripé da história. Por mais distante que seja o passado irá sempre nos perseguir.
                Com base nessa premissa reporto-me ao Bar Centenário, talvez, o bem patrimonial mais importante de Pombal. Considerando sua constante presença nos grandes acontecimentos do município, seu valor sociocultural e histórico é imensurável.
                Em síntese, a mais importante praça pública de Pombal. Tem como patrono Dr. José Ferreira de Queiroga, nome oficial que lhe foi dado em reconhecimento aos relevantes serviços prestados quando Prefeito Municipal. Entretanto, é popularmente chamada de Praça do Centenário desde 1962, quando das comemorações alusivas aos cem anos de elevação a categoria de cidade.
                A praça surgiu em 1938, com a construção do coreto, na gestão do então prefeito Francisco de Sá Cavalcanti, - primeiro eleito pelo voto – e concluído em 1940. Numa união perfeita, ao lado de outras construções monumentais como: Praça Getúlio Vargas, Coluna da Hora – hora sempre atrasada - Escola “João da Mata”, Cadeia Velha, Pombal Ideal Clube e Igreja do Rosário e mais recentemente a AEUP – Associação dos Estudantes Universitários de Pombal, formando o Largo do Centenário, um dos centros urbanos mais atraentes e fascinantes.
                Todo esse espaço, formado de casarões e plantas seculares, representa o sincronismo entre o Divino e o humano.  É a relação harmoniosa da natureza com a arte; perfeita parceria entre Deus e o homem, portanto, prova substancial de que a Fé e a Ciência podem sim, ter uma convivência amistosa e saudável. As duas se completam.
                Desde cedo acompanhei as atividades do Bar Centenário. É possível ainda vislumbrar em pensamento os fatos ali vividos. Ele foi palco de minhas travessuras de menino, de sonhos e irreverência de adolescente. Sinto o espírito renovado ao recordar o bate-bola, jogos de peão, castanha e bola de gude a sombra dos arvoredos. Fazia parte imitar Tarzan e suas aventuras saltando nos galhos robustos das árvores. E, numa maldade inconsequente, constantes atos de agressão à fauna, ali bem representada por diversas espécies de pássaros. Era uma perseguição desmedida aos voantes e sem nenhuma explicação convincente, senão, o simples prazer de matar ou arvorar-se da fama de bom atirador. Assim, com tiros certeiros de estilingue, tirávamos a vida de canários da terra, bem-te-vis, galos de campina e outras espécies que com cantos fascinantes formavam em sinfonia a orquestra da natureza. Tudo brincadeiras de crianças que acabavam quase sempre com brigas – sem ressentimento – ou sob a proibição dos guardas Bozó e Bené. Ambos nos imprimiam medo: Bozó pela fama de valentão que ostentava e as histórias a seu respeito. Provando seu heroísmo exibia com orgulho a barriga riscada de faca, resultado de ferrenha luta em sua terra de origem e Bené pelas suas ameaças e reações; a qualquer ofensa sacava sua enorme faca-peixeira – doze polegadas – intimidando severamente a todos.
                Na adolescência, fase de transição, de sonhos impossíveis e irreverência injustificável, “o centenário”, teve presença marcante em minha vida. Com certeza, o lugar mais frequentado da cidade, depois de nossas casas e locais de trabalho. Ouso até afirmar: não há sequer um só morador de Pombal que não tenha algo de sua vida a contar relacionado a este local.
                O Bar Centenário é mais que uma praça ou simples lugar de entretenimento urbano. A partir de bate papo de amigos, encontro de casais, shows, concentrações cívicas e políticas, enfim, acontecimentos de naturezas diversas, o lugar tornou-se uma referência e ponto de convergência da população nos grandes eventos públicos. Apropriada ao romantismo, o passeio noturno e a paquera se tornaram uma prática, principalmente nos finais de semana. Era uma rotina prazerosa. Enquanto rapazes degustavam cerveja, wisque, montilla ou baccardi – tipos de Ron da época – na parte superior externa do bar, moças em duplas ou grupos, giravam incansavelmente em volta trocando olhares. Aquele gesto seria o primeiro passo para um novo romance ou reconciliação de um relacionamento abalado. Muitos namoros ali começaram e tiveram fim. Já outros se perpetuaram, mesmo com a separação dos corpos após a morte. É que o amor é eterno, segundo os poetas. Orgulho-me em fazer parte desse rol: eu e minha esposa somos casal remanescente desse tempo em que o romantismo prevalecia como sentimento. E o centenário presenciou há uma quarentena de anos o início desse nosso romance que ainda permanece com o mesmo vigor – podes crer. Como era doce saborear os picolés e sorvetes de Bernardo. Quão maravilhoso! Casais em clima romântico trocando juras entre a beleza da praça e o clarão resplandecente das noites estreladas. Havia um clima de tranquilidade e paz, somente alterado na briga de ”Bajara” com Sargento Mota, que lhe custara alguns minutos de prisão: somente o tempo necessário para chegar ordem expressa de seu tio Cândido Queiroga pondo o sobrinho em plena liberdade. Era a confirmação do ditado popular: manda quem pode e obedece quem tem juízo. Ou pelo uso de sua autoridade de delegado proibindo qualquer manifestação contrária ao golpe militar de 64, utilizando-se de seu contingente – nada mais que seis policiais despreparados.
                Neste local fatos importantes fizeram a história da terrinha, a partir da tradicional Festa do Rosário, a maior manifestação de fé católica do sertão paraibano. Poucos lugares fizeram tanto quanto o Bar Centenário. Nele grandes artistas animaram festas inesquecíveis. O espaço foi ocupado por ícones da música como Luiz Gonzaga - Rei do Baião - e garoto propaganda do Fumo “Dubom” – “êta, fumo de cabra macho”, Marinês - Rainha do Xaxado – Genival Lacerda, Trio Nordestino, Jair Rodrigues e mais recentemente Fagner e Zé Ramalho. No campo político não foi diferente. Memoráveis comícios aconteceram onde grandes oradores robusteceram a imponência da praça. Sua beleza singular foi enaltecida pela eloquência de Raimundo Asfora, João Agripino, Argemiro de Figueiredo, Ronaldo Cunha Lima, Rui Carneiro – filho da terra - e outros de igual valia.
A Praça do Centenário reflete com evidência a beleza arquitetônica e a grandeza histórica da cidade. Em cada canto há um marco que se faz saudade, uma saudade que relembra um fato e um fato que se faz história. Na verdade uma recordação, um pouco do passado que ainda se faz presente. A Igreja do Rosário, monumento de valor imensurável, significado histórico e artístico se sobrepõe pomposa, para testemunhar com toque sagrado os acontecimentos em sua volta. Enquanto isso, na cadeia velha, os presos assistiam por entre as grades o que podia ser visto - um pouco do muito que desejavam ver. Por entre as janelas podiam conversar com as pessoas e se inteirar dos acontecimentos lá fora.  Podiam fitar a Igreja do Rosário e suplicar em prece silenciosa a Mãe de Deus para que a sonhada absolvição fosse em breve concretizada. Mesmo encarcerados sentiam ares de liberdade. No mínimo privilegiados. É que o pouco se torna muito quando não se tem direito a nada.
                Quem conhece sabe: este é o “Bar Centenário”, com toda sua riqueza e imponência: fascinante, majestoso, aconchegante e nostálgico. Não é elogio barato, exortação desmedida, mas, uma constatação que não deve ser vista como bairrismo. Sua influência na vida dos moradores é um fato. Raras são às vezes – se é que existem – uma conversa de amigos sem qualquer referência a este lugar. Quer na época dos Irmãos Venceslau – Nelson e Sales – Irmãos Solani e Solaniel, Bernardo Bandeira e agora Rau Galdino, o assunto vem sempre à tona.  Parece tema obrigatório entre os filhos da terra.
Assim como todas tem dois lados, a história do centenário tem duas faces. É que na trajetória da vida os bons e maus momentos se cruzam: os bons enaltecem e os maus formam as páginas negras ofuscando o brilho resplandecente da história. Mesmo assim fazem parte dela e omiti-las seria tentar em vão esconder o óbvio.
A praça que nasceu predestinada à glória, teve infelizmente seu momento de infortúnio. Sua história teria mais brilho se não tivesse lá ocorrido a morte de Severino de Oliveira Neri - “Pavão” – irmão de Nego Neri e Pacula – barbaramente assassinado no dia 03/01/1966, no início da tarde, a golpes de faca peixeira. Na verdade, um só golpe traspassando seu coração, fora o bastante para tirar-lhe a vida, isto depois de ter a testa cortada em forma de cruz. O fato,segundo seu irmão Messias, registra-se oficialmente como a primeira morte por assassinato naquele ano na Paraíba.
Quadro sinistro. Assisti junto com Ridney, Sidney, Mané Maluco, Manezinho de Deca, turminha de amigos que costumava diariamente nesse horário se reunir no local para curtir músicas dos anos 60, falar em futebol e lamentar os namoros acabados. A tragédia gerou na população um misto de dor, tristeza e revolta. A mim foi causa de inquietação e terror. Uma triste recordação que não gosto de lembrar e nem posso esquecer, por isso prefiro omitir os detalhes.
Isto posto, conclui-se que, a Praça do Centenário é um espaço multifuncional e de grande importância, não apenas pelo embelezamento urbano e conotação poética, mas, sobretudo, pelo contexto histórico.
Enfim, resgatando antigas histórias, lendas e personagens eis o meu tributo e melhor forma de preservar nossos bens históricos e culturais. Portanto, devemos tratá-la não como coisa alheia, mas como propriedade nossa. Afinal de contas: “a praça é do povo, assim como o céu é do avião”.

*Professor, ex-Diretor da Escola Estadual João da Mata e ex-Secretário de administração do Município de Pombal.

Pombal, 08 de julho de 2012.

SESQUICENTENÁRIO DE POMBAL: "ARES DE IMORTALIDADE PARA O DESBRAVADOR DA NOSSA HISTÓRIA"


Clemildo Brunet*

Clemildo Brunet
A cidade de Pombal vive mais uma vez agora no mês de Julho, sua festa de Aniversário completando 150 anos de elevação à categoria de cidade. Portanto, seu sesquicentenário. Digo isso porque, por muitos anos a data de 21 de julho era citada como se fosse de emancipação política do Município.

Até mesmo, a quem vamos homenagear hoje nessa coluna, pensava assim, e escreveu o livro “O Velho Arraial de Piranhas” lançado por ocasião do Centenário de Pombal em 1962, como data de emancipação política do Município. Vero engano, baseado em outros historiadores que assim o afirmavam.

Wilson Nóbrega Seixas nasceu na cidade de Pombal sertão do Estado da Paraíba, a 15 de julho de 1916, e faleceu na capital do Estado em 11 de março de 2002. Filho de Newton Pordeus Rodrigues Seixas e Natália Nóbrega Seixas, importantes troncos de família sertaneja. Se vivo estivesse, neste domingo 15 de julho estaria completando 96 anos de idade. Como historiador resolveu pesquisar a nossa história e foi em busca de provas documentais chegando ao ponto de desmistificar “histórias tidas como oficiais”, amparadas pela Igreja Católica, como é o caso do Padre Manuel Otaviano, que por ser Sacerdote, deu uma conotação sem provas e sem documentos a religião que professava, referindo-se aos acontecimentos que antecederam a fundação da cidade de Pombal. O historiador Celso Mariz também bebeu dessa fonte.
Wilson Seixas, apesar de ter aceitado essa primeira versão do Padre Manuel Otaviano, através de correspondência fez contato com o Ultramarino em Portugal para buscar em documentos oficiais as provas que contariam de maneira correto a história da luta entre os índios confederados; panatis, Coremas e Ariús e os conquistadores.

Posteriormente, o desbravador da nossa história, em artigo publicado a respeito de suas novas pesquisas, chegou a admitir com muita propriedade, ter errado, quando das informações no seu livro “O Velho Arraial de Piranhas” em 1962, pela gráfica A Imprensa. Em outra ocasião pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba (IHGP), lançada nos quinhentos anos do descobrimento do Brasil, ele volta a tratar do assunto.

Mesmo tendo a saúde abalada, o desbravador da nossa história, grande estudioso, ficou cada vez mais fragilizado pegando em documentos de arquivos de cartórios e câmaras adquirindo para si fungos e o trabalho tornou-se árduo e cansativo já não atendendo a necessidade de seus anseios. Era da vontade de Wilson Seixas, reeditar “O Velho Arraial de Piranhas” e conseguiu resgatar esse inicio de história de Pombal, contando com seus amigos também escritores e historiadores: Verneck Abrantes, Evandro Nóbrega e Jerdivan Nóbrega de Araújo. E o livro foi reeditado numa edição revisada e atualizada como era do gosto de Wilson Seixas, porém não contou com a presença do seu autor no lançamento, pois já havia partido para eternidade.

Wilson da Nóbrega Seixas, o desbravador da nossa história, teve como o seu primeiro professor o seu pai Newton Seixas, autor da letra do Hino de Pombal. Demonstrando ambos os amores a nossa terra e a nossa gente, desbravando a cultura para o nosso povo. Wilson da Nóbrega Seixas com as pesquisas realizadas que o debilitou, conseguiu deixar este legado para a História de Pombal, fazendo com que a Câmara Municipal de nossa cidade mudasse o perfil da Lei Orgânica do Município, restabelecendo as datas mais importantes do município mais antigo do sertão Paraibano.

Hoje a população de Pombal é ciente de que, agora em julho, dia 21, não se trata da data de emancipação Política, e sim a data em que a vila de Pombal é elevada a Categoria de Cidade. Muitos políticos alheios a essa história, ainda repete em seus discursos hoje, ser essa data emancipação política.

As três datas importantes que marcam a história de Pombal, são essas: 04 de maio de 1772 a elevação do Arraial à categoria de Vila, com a denominação de Vila de Pombal, na mesma data também ocorre sua emancipação política. 27 de Julho de 1698- No sertão das Piranhas, lugar conhecido como Povoação do Piancó, Teodósio de Oliveira Lêdo fundou o Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó (Pombal). E 21 de Julho de 1862. A Vila de Pombal é elevada à categoria de cidade.
Praça Getúlio Vargas -Pombal de antigamente

Portanto, em 2012 Pombal Comemora: 314 Anos de Fundação; 240 anos de vila e emancipação política e 150 anos de sua elevação a status de cidade. (Livro: Um Olhar Sobre Pombal Antiga- 1906 a 1970 de Verneck Abrantes).
Certa feita, Wilson Seixas declarou: “Posso assegurar ter encontrado aqui em Pombal, uma fonte histórica que nos oferece campo vasto para as narrativas mais antigas da nossa colonização Sertaneja”.

No artigo, Edição definitiva para Seixas da revista UNIPÊ 2005 de João Pessoa, em um dos trechos diz o seguinte: “O livro que, em face da esmerada pesquisa documental, em fontes principais, permite exata visualização da ocupação do sertão paraibano e parte do nordestino, veio à luz enriquecido por vários textos de interpretação”; numa referencia ao Velho Arraial de Piranhas que teve a sua edição ampliada e revisada, cujo lançamento em Pombal foi feito em 09 de setembro de 2004, devido ao zelo e cuidado da viúva e colaboradora do autor, Sra. Zélia Carneiro Arnaud Seixas.

É difícil dimensionar o valor do desbravador da nossa história, pois em sua obra de historiador e escritor deixou os seguintes títulos: O Municipalismo e Seus Problemas, Os Pordeus no Rio do Peixe, Viagem Através da Província da Paraíba, o Velho Arraial de Piranhas (Pombal) e Odontologia na Paraíba. Este último define bem a sua especialidade na vida secular, pois era cirurgião dentista formado pela Faculdade de Odontologia do Recife.
O historiador paraibano, Professor José Otávio de Arruda Melo, referindo-se certa vez a Wilson Seixas disse assim: “Pombal possui uma estrela de primeira grandeza nos céus da literatura brasileira”.

Não somente os historiadores paraibanos, mas também os mais destacados a nível nacional, mencionaram as obras literárias de Wilson Seixas como fonte autêntica. É isso que lhe dá ares de imortalidade e ser chamado o desbravador da nossa história.

Pombal, 13 de julho de 2012

*Radialista, Blogueiro, Colunista
Twitter @clemildobrunet e @brunetcomunica

MARINGÁ & NINA

Severino Coelho Viana
Por Severino Coelho Viana* 

No ano de 1989, precisamente, no dia 21 de julho, no momento da inauguração da “Casa da Cultura de Pombal”, lançamos o livro intitulado de “A Vida do Cel. Arruda, Cangaceirismo e Coluna Prestes”, tendo como fonte as próprias palavras do biografado, que pessoalmente vinha todas as noites na nossa casa, dava informações preciosas, com os anos de vida prolongada, tinha uma memória privilegiada e repetia os fatos que viveu, presenciou e foi protagonista. 

Os fatos narrados sobre a vida do Cel. Arruda estão reproduzidos, no setor de entrevista oral, no Núcleo de Documentos e Informática, no Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba, quanto foi entrevistado por Humberto Melo e Maria Antônia de Andrade, que confirmam perfeitamente o conteúdo do livro de nossa autoria acima mencionado. 

No dia 19 de maio de 2012, fizemos o lançamento do livro – MARINGÁ – O NOME VERDADEIRO, e, agora, através da mídia social, tivemos conhecimento de um artigo de autoria de Inácio Tavares de Araújo – ANA DANTAS MACIEL (NINA) – Á GUISA DE INFORMAÇÃO, dizendo que o filho da personagem considerou “uns fatos desagradáveis com versões desencontradas que em nada contribui para a preservação da memória da minha mãe”. Citou o autor do artigo. No entanto, não demonstrou o fato desagradável contido no livro. O artigo passou a historiar a vida e a projeção pessoal da família de ANA DANTAS DE ALENCAR – Nina. O conteúdo do livro não se propunha a este engrandecimento familiar, mas, simplesmente, citando ela como causa de inspiração da música Maringá, de Joubert de Carvalho, que deveria ter sido entendimento como um orgulho da família e não como um fato desagradável. 

Parece que a interpretação individual que levou José Renner Dantas Maciel, segundo Inácio Tavares, ele entendeu que o livro afirma que houve um namoro arrojado entre a mãe dele, envolvendo Ruy Carneiro e Manuel Arruda de Assis. Não existe nenhum indicativo desta assertiva no conteúdo do livro, mas um namorico entre os três, e isto é tão racional que ele confirmou este fato como sendo verdadeiro.

As palavras textuais do livro que a mãe do Cel. Arruda não queria o namoro porque ela achava que Nina era negra, foram palavras ditas pelo próprio Arruda que a mãe dele assim considerava. Mas, o próprio Arruda logo em seguida diz que Nina não era negra, mas um bela morena cor de canela. Até onde se conclui isto é um elogio. 

Na crônica literária de autoria da professora, Ivanil Salgado de Assis, publicada no ano de 1990, falando sobre o namoro de Nina e Arruda, assim ela se expressou: “Um casamento frustrado por, por oposição materna, obrigou a seguir a carreira das armas deixando no passado o amor de sua vida”. (p. 133, A Vida do Cel. Arruda, Cangaceirismo e Coluna Prestes; p. 66 – Maringá – O Nome Verdadeiro). O livro de nossa autoria – A VIDA DO CEL. ARRUDA, CANGACEIRISMO E COLUNA PRESTES – publicado em, 1989, traz umas referências espetaculares, com sustentáculo nas próprias palavras do Cel. Manuel Arruda de Assis, que posteriormente foram se confirmando por outras fontes, que passamos a reproduzir: 

“As fases esporádicas dos estudos o impediu de concluir o curso primário, misturando o primeiro romance, já rapaz, no esplendor da juventude nasce a sua grande paixão. Esta paixão teve um ponto decisivo e fundamental para a vida de MANUEL ARRUDA DE ASSIS. O seu amor verdadeiro chamava-se ANA DANTAS DE ALENCAR, conhecida na intimidade por Nina. As suas características: morena clara, olhos castanhos escuros, cabelos pretos grandes, altura mediana, onde ainda hoje retrata como uma mulher bonita. Desse romance, como se fosse um drama shakspeareano tornou-se impossível o matrimônio, devido à interferência da mãe do noivo, pois não consentia a realização do casório. Este foi um ponto de partida para a carreira militar. Justamente com 20 anos de idade, senta praça na Polícia. Entretanto, vale salientar, antes de sentar praça na Polícia, o seu destino seria ir embora para São Paulo, pois já tinha compromisso firmado e resolvido, queria casar-se, não admitia ser atropelado na sua decisão. E por força desse mesmo destino, sentia uma vocação para o militarismo. Entre a carreira de militar e o envolvimento do sentimento de amor contrariado, o seu divertimento era observar as armas de forças-volantes, olhando os desfiles, na Praça Pedro Américo, em João Pessoa, e tudo aquilo era uma maravilha de beleza. Por isso, desistiu de ir para São Paulo e sentar na praça na Polícia”. (fls. 22/23). 

Somente agora é que o filho de Nina confirma que o avô dele era quem não queria o namoro. Bom! Ele sabe que o avô não queria, porém Arruda sabia que quem não queria era a mãe. Um detalhe importantíssimo, Arruda foi quem viveu a história. A geração do filho é outra completamente diferente dos envolvidos.

Os personagens verdadeiros dos fatos reais foram Nina, Arruda e Ruy Carneiro, ninguém queira tomar para si como dono da verdade histórica, uma época completamente diferente da nossa. Não podemos esconder que o preconceito não existia porque ainda hoje existe de forma atenuada. Cada um traz o preconceito dentro de si mesmo, hoje, somente hoje, esconde de forma camuflada para não ser tachado de uma pessoa ultrapassada. 

Isto implica dizer que, estes fatos desde o ano de 1989 estão inseridos no mercado literário, em forma de livro. O livro Maringá – O Nome Verdadeiro - não trouxe nenhuma novidade, apenas reproduziu de forma argumentativa com apoio noutros elementos probantes. Por que somente agora se chocaram pelo fato de narrar um episódio de ser chamada de origem afrodescendente a namorada de um filho, numa época altamente preconceituosa? Devia ter ficado enaltecido por considerá-la uma mulher bela e atraente, que é a melhor forma de inflar o ego de uma bonita mulher, como na verdade ela foi. 

O autor Inácio Tavares (A Cabocla Maringá Mito ou Realidade?) afirma categoricamente que Maringá NÃO existiu, no entanto, transmite uma informação preciosa sobre a única namorada de Ruy Carneiro na nossa cidade de Pombal: “Minha Mãe falou que a única paixão de Ruy, em Pombal, foi a sua prima Nina (Ana Dantas de Alencar), filha de Argemiro Liberato de Alencar. Outra não existiu.”

Mais adiante o mesmo autor esboça na sua narrativa: “Quando Ruy, até então estudante, vinha a Pombal, em gozo de férias, convidava Custódio Santana, José Venâncio, ambos excelentes violonistas e Júlio Benigno, que cantava maravilhosamente bem, para juntos fazerem serenata em frente à casa de NINA, nas românticas noites de luar”. 

Há tempo vinha analisando os artigos publicados sobre a existência da cabocla Maringá. No tocante aos dados pessoais foram fornecidos por Liberato que reside em Pombal, na qualidade sobrinho de Nina. Liberato que me deu os números de alguns telefones dos familiares, mas não consegui manter contato com nenhum deles. Como eu não estava escrevendo a biografia de Nina, considerei os dados suficientes para o meu intento, e foram tão suficientes que os parentes próximos já tomaram conhecimento do conteúdo do livro publicado. 

Não existe nenhuma palavra criada pelo o autor do livro, as informações foram prestadas diretamente pelo Cel. Arruda, que foi o personagem principal do enredo contracenando com Ruy Carneiro, que no cenário não se registrou nenhuma cena explícita. O namoro foi tão normal quanto à época assim exigia, nada e nada mais! 

Na verdade, o artigo de autoria de Inácio Tavares não apresentou que fatos desagradáveis foram esses, não há uma só letra do conteúdo do livro que atente contra a dignidade da pessoa humana. Nenhum autor pode alcançar os melindres de cada leitor, gostar ou não gostar da leitura de livro depende da reação emotiva de cada um. As cores são várias e os olores são diversos.

Segundo Inácio Tavares, Ruy Carneiro só teve uma namorada em Pombal, que se chamava Ana Dantas de Alencar, conhecida por Nina. Munuel Arruda de Assis só teve uma namorada em Pombal, que se chamava Ana Dantas de Alencar, conhecida por Nina. Como Maringá era filha de Pombal,

que foi uma namorada de Ruy Carneiro, então, é muito fácil de chegar à compreensão que ANA DANTAS DE ALENCAR é realmente MARINGÁ. Inlcusive, o filho de Nina, José Renner Dantas Maciel, no dizer de Inácio Tavares, confirmou que ela namorou a Ruy Carneiro e Manuel Arruda de Assis. 

Agora, se fizer uma leitura racional, colocando as peças no tabuleiro, inteligentemente, usando a lógica dos sensatos, percebe-se perfeitamente que a minha assertiva é verdadeira. 

João Pessoa, 12 de julho de 2012.

*Escritor pombalense, autor do livro "Maringá o Nome Verdadeiro". Promotor de Justiça em João Pessoa PB.
scoelho@globo.com

ANA DANTAS MACIEL - À GUISA DE INFORMAÇÃO


Ignácio Tavares

Ignácio Tavares *

O livro publicado recentemente de autoria do escritor Severino Coelho sobre a Cabocla Maringá, bem como a sua verdadeira identidade despertou interesse por parte de um dos filhos de Nina, José Renner Dantas Maciel. Preocupado com o que leu sobre a sua Mãe, telefonou pra mim a fim de obter informações sobre o autor do livro.  
  
Depois de uma longa conversa resolve esclarecer alguns fatos, com os quais não concorda posto que há muitos equívocos cometidos pelo escritor, relativos a sua Mãe. Acredita que os equívocos foram cometidos porque as fontes consultadas pelo autor não conheciam a verdadeira história da família da sua Mãe.
  
Continuou: nós crescemos ouvindo relatos da Mãe sobre a sua vida em Pombal, enquanto adolescente. Pelo que li no livro do senhor Severino Coelho, pouco tem a ver com a vida real da minha saudosa genitora. O livro cita alguns fatos com versões desencontradas que em nada contribui para preservação da memória da minha Mãe.
  
Graças a Deus ela não está viva pra ler essas coisas desagradáveis envolvendo o seu nome, principalmente no momento mais sublime de sua vida: a adolescência. Com certeza ela ficaria muito triste porque o seu relacionamento com Ruy e Arruda, na sua juventude, não foi assim tão arrojado como faz transparecer o que está escrito no livro em questão. Vamos aos fatos:
  
Ana Dantas de Alencar, filha do Major Argemiro Liberato de Alencar e Ambrosina Dantas de Alencar nasceu na cidade de Pombal no dia quatro de março no ano de 1903. Veio ao mundo na mesma casa onde nasceu o saudoso Professor Celso Furtado, situada a Rua Coronel Jose Fernandes, pois, o imóvel na época pertencia ao seu pai. Faleceu em 1973, justo aos setenta  anos de idade. Veja foto de minha Mãe e meu Pai em 1932.
Fazia parte de uma família de cinco irmãos, dos quais três mulheres e dois homens quais sejam:Sandoval Dantas de Alencar, José Dantas de Alencar, Laura Dantas de Alencar, Maria Amélia Dantas de Alencar e a própria Ana Dantas de Alencar.
  
Nina e Laura nasceram com a diferença de um ano de uma para outra, portanto eram as mais velhas da irmandade. As duas, no decorrer do ano, dividiam o tempo entre a cidade e o Sitio Estrelo, propriedade da sua família. Em razão das atividades comerciais do pai eram obrigadas a passar maior parte do tempo na cidade. Apenas nos períodos de férias ficavam no sitio Estrelo. Veja foto da irmã Laura.
Nina era uma moça vistosa, de rara beleza de pele e olhos claros. Juntamente com sua irmã Laura, um ano mais nova, dividia as atenções dos rapazes da época. O seu pai, homem rico e poderoso acompanhava a vida das filhas com zelo e carinho. Era um homem de negócios, pois movimentava interesses comerciais nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, em parceria com os irmãos.
  
Nina era muito ligada a família. Na sua mocidade a melhor amiga era minha Mãe, que por muito tempo guardou saudosas lembranças dos bons tempos de jovens adolescentes. Estudaram na mesma escola e tiveram como colega de sala de aula os irmãos Ruy e Janduhy Carneiro. Veja foto de Argemiro Liberato e sua última esposa Maria Amorim Malfada de Alencar.
Como toda adolescente Nina era alegre e comunicativa. É verdade que na sua adolescência namorou Ruy Carneiro, por um breve espaço de tempo. Ruy muito cedo saiu de Pombal pra estudar fora, portanto não tinha como dar continuidade a um namoro com uma adolescente de treze pra quatorze anos cheia de vida e sonhos de projetos juvenis.


Em 1919, juntamente com sua irmã Laura foi completar seus estudos em Cajazeiras na casa de Sabino Alencar, (irmão de Wlisses Liberato) sobrinho do seu pai. Sabino, assim como seu irmão Wlisses era filho de Francisco Liberato de Alencar, próspero comerciante baseado no município de Sousa. Veja foto de Nina e Renato no ano de 1953.
No decorrer da nossa conversa vez por outra repetia: o meu avô Argemiro Liberado era rico poderoso, influente politicamente em Pombal, porem, muito dedicado a família. Pra se ter uma ideia, nas primeiras décadas do século passado os comerciantes Argemiro Liberato de Alencar assim como o seu irmão José Liberato de Alencar e o primo João Benigno Cardoso eram os mais prósperos comerciantes de Pombal.

Fundamentavam seus negócios na compra e venda de gado, algodão, couros, peles, sal, café em grãos, entre outras mercadorias de origem agrícola. Eram também produtores rurais. João Benigno possuía três propriedades bem próximas a cidade, tais como Nova Vida, Capim Verde e Genipapo onde criava e produzia muito algodão. As terras dos irmãos Liberato ficavam mais afastadas da cidade, mas da mesma forma criavam e produziam algodão.

Continuou Renner: a minha Mãe, bem como a sua irmã Laura, concluiu o primeiro grau em Cajazeiras de onde não retornou mais, pois, conheceu um rapaz de nome Renato Sousa Maciel com quem se casou em 1923. 
Em 1924 nasceu o  primeiro filho Rossivaldo, já falecido. Em seguida nasceram Ramon, falecido, Idilva, falecida, Renner, Irani e Ronaldo.

Não procede essa história de que minha Mãe foi objeto de disputa entre Ruy carneiro e Arruda. O namoro da minha Mãe com Ruy foi coisa de adolescente, por isso passageiro. Com Arruda foi um pouco mais demorado, mas, porem não mais do que um ano.
  
Da mesma forma não é verdade que a Mãe de Arruda não queria o seu namoro com Nina por conta da sua morenice. Isso nunca existiu porque Nina não era morena como supõe o autor do livro. Quem se opôs ao namoro de Nina com Arruda foi o meu avô Argemiro porque queria que as filhas mais velhas continuassem seus estudos em Cajazeiras, na época o melhor centro educacional do sertão paraibano.

Uma prova disso é que dois irmãos de Arruda, Elizeu e Juca arruda casaram com Maria e Odete Roque, ambas, da mesma família de Nina. Tem mais, a amizade da nossa família com a família de Arruda perpetuou-se no tempo. Era comum os familiares de Arruda visitarem Nina em João Pessoa. Algumas vezes hospedaram-se em nossa casa.
  
Como prova dessa aproximação cito outro fato marcante: meus pais tomaram Arruda como padrinho de um dos seus filhos. Este filho chama-se José Renner Dantas Maciel. Pois é, com muita honra Arruda é o meu padrinho com quem mantive uma relação de amizade até seus últimos dias de vida.

Acredito que se o escritor Severino Coelho tivesse nos procurado, com certeza daríamos as informações necessárias. Por outro lado, aconselhávamos afastar-se da ideia de que a minha Mãe foi à fonte de inspiração para a criação da letra da Cabocla Maringá. Ah, se fosse!!

Nunca ouvimos falar nessa história no seio da nossa família. Se fosse verdade seria uma honra pra todos nós, filhos de Nina. Mas, de qualquer maneira respeitamos a capacidade criativa. Pois a capacidade de criar é própria dos bons escritores, por isso não ignoramos essa capacidade do escritor Severino Coelho, não obstante alguns equívocos cometidos, os quais poderiam ser evitados se tivéssemos conversado sobre alguns fatos que envolvem o nome da nossa Mãe.

João Pessoa 11 de Julho de 2012

*Economista e escritor pombalense.

ADEUS AO POETA QUERIDO



Ronaldo e Maciel Gonzaga
Maciel Gonzaga*

Nesta semana a Paraíba chorou a partida do poeta Ronaldo Cunha Lima. Amigo dos amigos, um administrador competente, um amante da cultura popular que nos deixou um legado. Gostaria de dizer algo mais sobre Ronaldo, mas, reconheço, não tenho força e palavras para poder traduzir quem foi o nosso poeta.

O que mais me marcou entre todas as virtudes de Ronaldo Cunha Lima foi o seu amor à cultura popular. Pelo povo, Ronaldo jamais teria ido agora. A sua história de vida e a sua poesia retratam a sua própria pessoa.
Tive o prazer e a honra de ser, como jornalista, o primeiro e entrevistá-lo em 1981, quando ele acabava de cumprir o período de 10 anos de cassação de seus direitos políticos pela ditadura militar e retornava do Rio de Janeiro para Campina Grande disposto a ser candidato a Prefeito, o que aconteceu no pleito de 1982, enfrentando um valoroso adversário – o jurista Vital do Rego – em uma das campanhas mais memoráveis da história da cidade Rainha da Borborema. Na ocasião, nos encontramos na casa de sua mãe – Dona Nenzinha Cunha Lima – e  fiz uma entrevista com ele de página inteira publicada no jornal Gazeta do Sertão.

A partir daí, tanto eu como o meu irmão Massilon Gonzaga selamos uma grande amizade com o poeta. Fomos juntos trabalhar na sua administração. Eu, na Assessoria de Comunicação, onde tive a oportunidade de acompanhar como foi criado o maior São João do Mundo, e Massilon como locutor oficial da Prefeitura. Depois, também alçado à condição de locutor oficial de todas as campanhas políticas que o poeta disputou.
 A última vez que nos encontramos foi aqui em Natal, em 2009, quando ele veio receber o título de Cidadão Natalense. Nos cumprimentamos efusivamente.

Reconheço, não tenho palavras para retratar quem foi Ronaldo Cunha Lima, mas, deixo aqui uma poesia de autoria do mano Massilon que foi transformada em música, há alguns anos, intitulada “O Que é Que Ele Falta fazer Mais”. Essa música aproximou ainda mais o poeta Ronaldo, seu filho Cassio Cunha Lima, além do irmão do poeta – Roberto Cunha Lima - da nossa família. Vez por outra Massilon era intimado a ir à casa de Ronaldo para cantar, ao som da sanfona, a música em homenagem ao poeta. Isso lhe rendeu até uma sanfona novinha de presente que o poeta lhe doou.
Massilon Gonzaga Canta pra Ronaldo

O QUE É QUE ELE FALTA FAZER MAIS
 Letra e Música: Massilon Gonzaga

I
Batalhou foi garçom, vendeu jornal
Comandou o movimento estudantil
O primeiro causídico do Brasil
Campeão na TV nacional
Demonstrou seu valor sentimental
Em perguntas e respostas foi capaz
Para todos mostrou como se faz
Pra Campina tornar-se conhecida
São retalhos reais da sua vida
E o que é que lhe falta fazer mais.

II
Enfrentou em disputas de campanha
Pé-de-Chumbo e mais outros de valor
Como edil, deputado e senador
Descobriu das vitórias toda manha.
No placar dez a zero fez façanha
Botou gente famosa para trás.
Na coragem é forte e é sagaz
E na política é dono do pedaço
Em campanha até hoje é ele é cabaço
E o que é que lhe falta fazer mais.

III
A ação da mesquinha ditadura
Seu mandato legítimo arrebatou
Mas nos braços do povo retornou
Para o cargo maior da Prefeitura.
Fez o Parque do Povo pra Cultura
Fez Campina crescer, ganhar cartaz
Devolveu nosso orgulho e muito mais
A verdade é preciso que se exiba
E agora deu Cássio à Paraíba
E o que é que lhe falta fazer mais.

IV
Governou o Estado, foi brilhante
No poder não falou com arrogância
Aos setores deu força e importância
Cavou poço, abriu banco e mais adiante
Fez açude, escolas, foi gigante
Consertou as estradas principais
Botou luz pra bilhar nos arraiás
Para muito serviu de trampolim
Deu até um exemplo a cabra ruim
E o que é que lhe falta fazer mais.
Se o que fez até hoje ninguém faz.

V
Levantou multidões em oração
Deu um grito bem alto de alerta
O Congresso ficou de boca aberta
Pra ouvir o seu brado e com razão.
Defendeu os direitos da Nação
Evocando os poderes federais
Foi notícia e manchete de jornais
Mas seu fraco é o papo de boteco
Deu cambão em político cacareco.
E o que é que lhe falta fazer mais

VI
O que fez lhe valer um passaporte
Para o livro da imortalidade
Pra quem ama de mais uma cidade
Seu prestigio com Deus é muito forte
Terminou dominante a própria morte
Conversou com Jesus e pediu paz
Lá no Céu deu um beijo em seus pais
Visitou os parentes, viu Asfora
Fez uns versos pra Deus e veio embora.
E o que é que lhe falta fazer mais
Mas o que é que ele falta fazer mais
Se o que fez até hoje ninguém faz.

*Pombalense, Jornalista, Advogado e Professor. Natal - RN.

Embrulhos ou Pacotes



Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

A economia mundial passa por um processo de retração com um quadro de profunda instabilidade, tanto no setor produtivo como no comercial. 
Nos EUA a incerteza é generalizada, o atualpresidente, Barack Obama, tem se esforçado para que o atual panorama não reproduza efeitos devastadores iguais ou piores que os de 2008, naquele momento da bolha imobiliária, com desequilíbrio no mercado financeiro mundial e a conseqüente quebra de várias instituições financeiras.

Na Europa a situação é mais preocupante, países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia, alimentam a cadeia neurótica com aguda depressão coletiva provocada pela estagnação atual e a falta de perspectivas para o futuro, levando no arrasto outros países, principalmente os afetados e que fazem parte da zona do euro.

Os asiáticos já não andam tão eufóricos, com o consumo mundial em declínio, começa a faltar capacidade de compra no mercado externo, pior, internamente também, principalmente a China, desacelera suas importações de insumos industriais, automaticamente produzindo menos, com queda nas suas exportações.

Com os asiáticos em crise torna países exportadores, para aquele continente, afetados e vulneráveis. No caso específico do Brasil, um dos maiores exportadores de commodities para a China, sente sua balança comercial declinar. Pois, se as exportações vão mal, além da China, com desaceleração na produção, somos afetados ainda pelos baixos preços aplicados nas commodities, para outros países, lembrando, quando a oferta é maior que a procura esse fator de desequilíbrio é normal.

Esse fato aliado ao esgotamento da capacidade de endividamento das famílias brasileiras nos deixa no mínimo num estágio de alerta. Mesmo com a queda dos juros e a ampliação dos créditos, essa política não tem animado muitos os nossos consumidores que estão mais cautelosos.

O atual governo tem procurado manter nossa economia aquecida, tem se empenhado nesse sentido, seu intento está sendo conseguido até agora, muito embora as dificuldades estejam aumentando na proporção que avança a incerteza no nosso mercado interno.

O grande problema é que o governo tem tratado nossa economia por setores, como se fosse um paciente na UTI quando é dado um tratamento de choque procurando manter ou prorrogar a vida na tentativa de se achar, em seguida, um procedimento medicamentoso para a definitiva cura. Foi implantado alguns pacotes, um total de 8 (oito), no atual governo, com contornos de embrulhos, direcionados à determinados segmentos, nunca atingindo o todo. Isso privilegia alguns empresários, ou empresas, que são beneficiados naquele momento. Entretanto, cada intervenção do governo, resolve-se uma situação localizada, estourando outras situações emergenciais, em outros setores, e a necessidade de nova intervenção por parte do governo.

O último pacote, de R$8.4 bilhões, foi canalizado para a compra de caminhões, ônibus e carteiras escolares, e equipamentos para nossa força armada. Hoje já temos outros mercados carentes de recursos para não entrarem em crise profunda. A indústria de bens duráveis, máquinas e equipamentos industriais, é um exemplo, que no período de maio/2011 e maio/2012, teve um encolhimento de 12%, contribuindo para uma desaceleração de 4.5%, no mesmo período, em toda nossa produção industrial. Ao dólar foi debitado o insucesso do período pelo seu baixo preço, vinha mantendo um patamar de R$1,50 a R$1,60, entretanto, de fevereiro até maio último o dólar subiu 22%, mantendo-se num patamar alto, ou seja, em torno de R$2,00. Esse fato demonstra que o dólar não tem culpa da nossa crise setorial. O que realmente ocorre é a falta de uma política mais abrangente e coerente, na horizontal, fazendo o mercado mais competitivo e em crescimento, como um todo, e não segmentado.

*Escritor e Poeta