CLEMILDO BRUNET DE SÁ

O Pessimismo que não passa

Genival Torres Dantas*

Conversando com uma amiga psicóloga, especialista em Recursos Humanos (RH), como é costumeira nesses nossos momentos de trocas de experiências, ela reclamou da minha tendência ao pessimismo, facilmente encontrado nos os, quando o assunto é política ou economia nacional.

Não fiquei desapontado com a colocação da minha amiga interlocutora, pessoa extremamente positiva, desejosa que o nosso país seja um projeto que efetivamente entre na rota do equilíbrio e

O olho da noite

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

           Era noite quando a Lua surgiu quebrando a escuridão e espalhando sua luz nas águas verdes do mar do Cabo Branco. Lua cheia, esplendorosa, nascendo lá no fim do horizonte, como se viesse de dentro do oceano, imensa e enigmática.
            De posse da câmera fotográfica, comecei a capturar imagens daquela Lua. Foram inúmeras fotos, até que algumas nuvens ficaram entre nós. De repente, as nuvens foram se dissipando e a Lua ficou ali, posicionada entre elas, numa formação que parecia um olho, um olho da noite a observar o mar, a terra e

MEU GINÁSIO DIOCESANO

Paulo Abrantes
Por Paulo Abrantes*

   Meu velho Ginásio Diocesano venho não de muito longe para rever-te. Já faz um pouco de tempo que contigo me encontrei. Era também numa Festa do Rosário como esta, eu estava mais jovem, esperançoso em pleno vigor, “com muito sangue nas veias” como dizia Machado de Assis. Deixei-te com saudade, mas comovido, vim de ti me despedir quando por aqui passei para o derradeiro banho no Piancó, à sombra das ingazeiras, que foi a arena mirim onde Antônio Alves (Cadaço) e Roberto Vilar (Bolas), amigos inseparáveis, demonstravam coragem nas horas difíceis. Com Antônio tive um feliz encontro, na última festa, mas Bolas, nunca mais nos vimos.
      Hoje, fico frente a frente ao meu velho Ginásio. È, meu velho amigo, este escrevinhador humilde que jamais, em tempo algum, te esqueceu, foi – digo sem nenhum constrangimento – o teu aluno mais irrequieto e

Começa a pavimentação das três vias prováveis ao planalto

Genival
Genival Torres Dantas*

Finalmente começa a corrida para o ano político no Brasil. Como se trata de uma nova eleição direta, a de número 7 depois do regime militar (1964/1985). Com a redemocratização assume a Presidência da República José Sarney de Araújo Costa (1985/1990), por eleição indireta e morte de Tancredo de Almeida Neves. De lá para cá tivemos seis eleições diretas, Fernando Affonso Collor de Mello 1990/1992, com o impeachment do Collor, assume num mandato tampão (1992/1995), como seu vice, Itamar Augusto Cautiero Franco; dois mandatos do Fernando Henrique Cardoso (1995/2003); dois mandatos do Luís Inácio Lula da Silva (2003/2011); o atual mandato da presidente Dilma Vana Rousseff, desde 2011, consolidando-se, portanto, seis mandatos por eleições diretas.

Sendo a próxima eleição a de número sete para presidência da república, governos estaduais e o legislativo, em termos de eleições diretas, e

Heroína

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

A história demonstra que o Nordeste brasileiro já vivenciou inúmeros períodos de seca. No Século XX, tivemos diversas estiagens que maltrataram, e muito, o sofrido povo nordestino. Pelo que consta, a primeira grande seca do Século XX foi a do ano de 1915, evento que, inclusive, baseou o romance intitulado “O Quinze”, de autoria da cearense Raquel de Queiroz, o qual foi publicado em 1930.

Mas, logo em seguida, em 1932, outra grande seca assolaria os sertões nordestino. Grande parcela da população do semiárido novamente ficou num estado de extrema pobreza, emergindo a

A INSENSIBILIDADE DO INSENSATO!

Clemildo
CLEMILDO BRUNET*

O vocábulo insensato segundo o dicionário significa: Não sensato, insano, contrário ao bom senso. Por sua vez, insensibilidade é: Falta de sensibilidade, apatia, indiferença.  A bíblia diz que os desígnios do insensato são pecado Pv. 24:9.

O insensato na sua insensibilidade vê as coisas pela aparência, censura de modo negativo sem sequer mover uma palha para dar solução ao que está sendo alvo de sua censura.

Os que se autodenominavam religiosos no tempo de Jesus censuraram o mestre e

O SÁBIO E O TOLO

Severino C. Viana
Por Severino Coelho Viana*

Segundo o pensamento de Platão que dizia: “um sábio fala porque tem alguma coisa a dizer; o tolo porque tem que dizer alguma coisa”.
Existem pessoas que carregam consigo um estigma que adquiriu quando criança no meio familiar ou ambiente em que viveu. Mas, depois que assimilam conhecimento ou tenham estudado na melhor universidade ou na Sorbonne, na vida prática, vez por outra aciona esta ferramenta da ignorância que estava alocado na parte mais sutil da mente e, de forma brusca, joga fora todo o resíduo, esquecendo a forma civilizada que fora amoldada no campo educacional.
“O mal da ignorância é que vai adquirindo confiança à medida que se prolonga.” (Autor desconhecido).
Atualmente, as facilidades criadas pelos meios de comunicação (jornal, revista, rádio, televisão, sites, blogs) as informações chegam rápido, logo retransmitidas para terceiros que não receberam diretamente, às vezes aumentando ou mal interpretando o conteúdo. Por conta dessas notícias, que se avolumam e

O Brasil que precisa ser difundido

Genival
Genival Torres Dantas*

Uma pessoa amiga me procurou no decorrer da semana, sabendo que gosto do tema relacionado a geopolítica brasileira, me questionou a respeito da separação da Região Sul, das terras do Brasil, me instigando até para que fizesse uma reflexão da época da Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha, 1835/1845, de caráter republicano, contra o sistema imperial brasileiro, quando também, e por extensão, foi instituído por um período de 24 de julho de 1839, perdurando até 15 de novembro do mesmo ano, a República Juliana, hoje o Estado de Santa Catarina.

Comecei a lembrar de rascunhos e discorrer que esses movimentos tinham como finalidade a separação do Sul do Brasil das outras Regiões e

A extinção do macho jurubeba

Teófilo Júnior

Indiscutivelmente que a sociedade patriarcal que imperou e ainda hoje impõe desmedida intervenção ao universo que cerca as mulheres vem sofrendo progressivo combate prático e ideológico. A verdade é que nos idos atuais as mulheres se emanciparam e resolveram sair de casa, tomaram as rédeas, alçaram degraus, obtiveram conquistas, fizeram surgir novos pensamentos, a exemplo do movimento feminista, de modo que a fêmea de hoje vem se distanciado da mulher de outrora, recatada e educada apenas para os afazeres da casa e do marido. A mulher moderna é de outro naipe, se modificou, sobretudo no tangente ao seu papel no lar e no competitivo mercado de trabalho.
De certo modo, vejo com bons olhos tudo isso. Merecidamente a mulher vem conquistando, diga-se, com afinco e competência, o seu verdadeiro espaço e

Caleidoscópio

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*
                  
             A infância é um período marcante na história de vida de qualquer ser humano. A criança tem o direito de ter uma infância saudável, adequada ao seu desenvolvimento normal como ser humano, mas, a realidade nem sempre se apresenta como a normalidade e a natureza deseja. Daí a existência de crianças que vivem nas esquinas da escuridão, ao relento dos cruzamentos a mendigar, nos lixões. Menores subprodutos de uma sociedade materialista e que no terceiro milênio ainda insiste em manter verdadeiras legiões de famintos que já nascem entregues a própria sorte. Nesse aspecto a infância é marcada por dores que repercutirão negativamente na formação e na caminhada de vida desses infortunados.
            Contudo, temos também o outro lado moeda, o da infância feliz, onde a criança vivencia um universo de sonhos, brincadeiras, fantasias, magias e

Digo que vou, mas...

Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*

 Eu tive um cachorro vira-lata legitimo que viveu dezesseis anos aqui na nossa casa. Era bastante querido em razão da sua docilidade e apego aos meninos. Enquanto novo era difícil prendê-lo em casa, porque saia com muita frequência, percorria dois, três quarteirões, mas na hora do almoço estava em casa.
 Atendia pelo nome de Neguinho e

Abrindo caminhos

O importante papel histórico desempenhado pelo DER-PB na economia, cultura e integração social é tema do livro do escritor Paulo Abrantes 

Guilherme Cabral 
guipb_jornalista@hotmail.com 

O Departamento de Estradas de Rodagem - autarquia vinculada à Secretaria da Infraes- trutura do Estado - vem contribuindo, ao longo das décadas, para - literalmente - abrir os caminhos para o desenvolvimento econômico, a integração social, além da cultural e política da Paraíba. 
Por causa dessa importância, o escritor e historiador paraibano Paulo Abrantes de Oliveira - que é funcionário do próprio órgão - lançou, no mês passado, o livro intitulado DER-PB Há 67 Anos Fazendo História ((Ideia Editora, 189 páginas, R$ 30). Apesar do pouco tempo no mercado, a primeira tiragem da obra - de 500 exemplares - já está quase esgotada, restando apenas cerca de 60 volumes. 
A boa receptividade foi uma surpresa para o autor. “Não esperava por isso. Foi um recorde de vendas”, confessou ele para o jornal A União. E

VELHOS DOMINGOS: PARECE QUE FOI ONTEM

Francisco Vieira
Prof. Francisco Vieira*

         É sabido que as pessoas unidas aos fatos fazem a história. Alguns acontecimentos são como brancas nuvens, passam rápido, caindo no rol do esquecimento, já outros, deixam marcas que o tempo não consegue destruir. Assim, são os domingos do meu passado em Pombal que de tão presentes na lembrança, parece até que foi ontem.
         O dia começava cedo. Com o lume dos primeiros raios de sol e

“A JOVEM GUARDA NÃO ERA APENAS UM PROGRAMA...”

Clemildo "A Voz da Cidade" (1966)
CLEMILDO BRUNET*

Gosto de lembrar as coisas boas do passado e quem não gosta? Recordemos, pois, aquele que foi o maior programa jovem de todos os tempos da televisão brasileira nas tardes de domingo, que entraria para nossa história como Movimento “Jovem Guarda”.

O Programa Jovem Guarda na TV Record em 1965 sob o comando do rei, Roberto Carlos, do Tremendão Erasmo Carlos e da ternurinha Wanderléia, ecoou não somente pela música; mas também pela política que era tema principal dos anos sessenta. A juventude estava dividida em duas alas:

A mais intelectualizada, que assistiam a programas como o fino da bossa de Elis Regina e

Triste realidade dos nossos municípios

Genival

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no último levantamento, apresentou números da realidade dos nossos municípios, em termos estatísticos, vindo a ratificar o que já esperávamos da dependência das administrações municipais junto ao governo federal, não na proporção de 92%, causando um verdadeiro espanto aos estudiosos dos problemas dos municípios brasileiros.

Os dados são de 2011, mas refletem uma situação bem próxima ao momento que estamos vivendo, de verdadeira penúria na administração pública dos 4.875 cidades que dependem de recursos vindos do governo central, as receitas geradas e

Meus bichinhos do mato..

Ignácio Tavares
Que tempo, quanta lida!!!
Que, o quê mais?
Ah, o encanto da natureza,
Quanta abundancia de vidas...
No alto, embaixo, em todo lugar
Sim, das cumeeiras, aos quintais

Era assim, assim mesmo,
Alguma coisa mudou...

A IRMANDADE DOS NEGROS DO ROSÁRIO DE POMBAL

                                                A presença da mulher na Irmandade dos Negros do Rosário de Pombal

PARTE IV
Jerdivan
Jerdivan Nóbrega Araújo*
      
            A administração, ou governo da Irmandade dos Negros do Rosário de Pombal, é formado, estatutariamente,  por um grupo de homens e mulheres  escolhidos entre pessoas de bem e que se disponham  a  trabalhar pela confraria, seja na organização da Festa do Rosário, momento máximo ao qual se destina todos os esforços da confraria, seja na arrecadação de  fundos, o que é feito aos sábados entre  os feirantes ou nos dias da festas, angariando esmolas  em meio da multidão, bem  como na administração da  patrimônio da confraria, onde cada membro tem  a sua função  regulamentada no termos de dois compromissos: O  Civil e

2014

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

    Amanhece mais um dia, mais um ano e outra vez nos colocamos em reflexão. Olhamos para trás e vislumbramos 2013 plenamente adormecido, seus acontecimentos, bons e ruins, hoje já são fatos do passado. Perdemos entes queridos que nos deixaram saudades. Muitos sonhos também não foram alcançados, mas alcançá-los todos de uma só vez não seria razoável, já que eles são  combustíveis que impulsionam nossas vidas.
            O fim de um ano marca o encerramento de um ciclo, de mais uma etapa de nossas vida, onde suportamos tristezas, perdas e

A IRMANDADE DOS NEGROS DO ROSÁRIO DE POMBAL

A VIAGEM MANOEL ANTONIO DE MARIA CACHOEIRA A OLINDA:

PARTE III
Jerdivan
Jerdivan Nóbrega de Araujo*

Alguns outros autores chegaram a duvidar das três viagens a Olinda realizada por Manoel Maria Cachoeira e que é registrada pela tradição oral. Estes autores afirmam que na verdade trata-se de mais uma alegoria para reafirmar o seu heroísmo, transformando-o em mais um “conto folclórico”, ao narrar que este realizou “três tarefas impossíveis” para pessoas comuns antes de conseguir o seu intento.
Não faz nenhum sentido duvidar desta “façanha” de Manoel Maria Cachoeira, salvo se você de forma equivocada, comparar a cobertura desta distância como os meios disponíveis nos dias atuais, quando é possível fazê-la em apenas seis ou sete horas de viagem, a distância entre Pombal e

Novo Ano Velhas Decepções

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Após as festas do final do ano vem sempre a ressaca dos exageros e do descontrole emocional, junto com ela uma parada para a reflexão da realidade sempre medida dentro do calendário anual e referência a todos os segmentos da sociedade. Quando começamos nas projeções sempre usamos o resultado do período anterior para termos um parâmetro mais próximo daquilo que pretendemos.
 É normal procurarmos analisar o que deve ser melhorado naquilo que consideramos mais falho e

Cantor Nelson Ned morre aos 66 anos em São Paulo

Aos 66, morre cantor Nelson Ned
O músico estava internado em estado grave com pneumonia no Hospital Regional de Cotia.

Ele havia sido hospitalizado desde a tarde deste sábado (4). As informações são da assessoria de imprensa do hospital.

Pombal novamente

Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*

  Se alguém se predispuser estudar a história econômica de Pombal, num corte de tempo a partir dos anos trinta, com certeza reservará um capítulo pra Brasil Oiticica S/A. Esta empresa foi a única grande indústria de transformação que, por iniciativa do grupo dominante, digo sem a oferta de incentivos de qualquer ordem, resolveu instalar-se na nossa cidade.
 É Claro que a escolha deveu-se a diversos fatores, quais sejam, a existência de linha férrea que permitia exportar a produção através do porto de Fortaleza pra Europa e Estados Unidos, principalmente. Em certa medida a referida via podia ainda ser instrumento consolidação da indústria em razão da possibilidade de se formar um importante canal de comercialização, entre a fonte produtora e