CLEMILDO BRUNET DE SÁ

POMBAL: NOITES INSÓLITAS.

Francisco Vieira
FRANCISCO VIEIRA*.

            Numa dessas madrugadas bem recente, fui de minha casa até a Rodoviária Municipal, onde por instantes, aguardei minha irmã que chagava de viagem. O itinerário entre os dois pontos é curto, porém, o suficiente para observar os segredos noturnos. No percurso, diferenças evidentes me chamaram a atenção e nesse breve tempo confrontei as noites do passado com as do presente.
            A vida em Pombal, como cidade interiorana e estilo bucólico, sempre foi marcada pela simplicidade de seus habitantes, cujo povo não precisava de muito para ser feliz. Um trabalho digno para garantir o necessário, uma boa esposa para desfrutar o gosto de amar e uma família para viver em grupo era o bastante. Família, trabalho, igreja e

Arenas de tantos desperdícios

Genival Dantas
Genival Torres Dantas*

Desde que começou a competição da Copa do Mundo de Futebol, organizada pela FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado), com início em 1930, século passado, com 19 edições, em 16 países em 4 continentes diferentes, portanto, a desse ano será de número 20, com a composição de 32 países participantes, a ser realizada em nosso país, pela segunda vez,  ocorrida a primeira em 1950, cujo desfecho para nós foi lamentável e melancólico, pela derrota histórica que tivemos diante dos uruguaios que se consagraram campeões pela segunda vez.

O Brasil aprendeu, com o futebol, nesses longos 84 anos de competição, ser uma das poucas unanimidades nacionais, nesse esporte, e

O homem e seus mundos

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*
Cada cabeça, um mundo. Imaginem quantos mundos existem neste planeta? Muitos de nossos irmãos insistem em residir no fantástico e ilusório templo do materialismo, onde, viver bem pressupõe o vale tudo, onde o céu, ou mesmo o inferno, é o limite.
Pelo ter, atropelam sentimentos, amizade, gratidão, honestidade, sinceridade e dignidade. Há uma sistemática propaganda relacionando a felicidade aos bens de consumo. Viver bem, pelo conceito publicitário criado por uma grande parte da humanidade, é andar de carro importado, é viajar pelo mundo afora, é exibir joias, enfim ostentar um bom padrão de vida, independentemente do preço a ser pago. Sob a égide desse conceito banalizado, o homem vem caminhando por uma estrada movediça, até parece que ele resolveu rasgar do seu dicionário a página que consta o significado do vocábulo “ser”, e

POLIDEZ DE LINGUAGEM

Severino Coelho
Por Severino Coelho Viana

Os, grandes inventores tiveram as ideias na busca do bem, mas o homem sempre desvia a finalidade para o uso do mal. Por exemplo, os chineses inventaram a pólvora no século IX, a pólvora foi inventada para explosões de terrenos petrificados e exploração de minérios e depois passou a divertir as pessoas com seus pequenos foguetórios que riscavam o céu com suas luzes multicoloridas. É sabido que Alfred Nobel detestava prêmios. Se, por algum milagre, pudesse voltar à vida e, na sua qualidade de químico e inventor da dinamite, fosse indicado para receber o prêmio que leva o seu nome, ficaria, na certa, profundamente contrariado. Desdenhava qualquer tipo de honraria ou de publicidade. Quando lhe pediam dados biográficos ou fotos, respondia invariavelmente com a negativa, alegando, que “nestes tempos de publicidade gritante e

HISTÓRIAS DO RÁDIO EM POMBAL - LIVRO

Paulo Abrantes
CARTA ABERTA DE PAULO ABRANTES

Meu caro Clemildo:
    
   Antes meus versos e escritos não fossem tão raquíticos e insulsos, á semelhança das flores sem brilho e sem perfume, que desabrocham na aridez dos cerrados de minha terra pombal para uma vida efêmera e ignorada. É que, com uma pintura mais alegre e uma formação mais artística e avantajada, a preferência sobre eles seria muito grande, e o obscuro produtor seria saudado em vibrantes aplausos.
     
A verdade, entretanto, é que não gosto desses alvoroços consagratórios. Então, o que quero dizer realmente, é que, com as divulgação de seu trabalho que se propõe a lançar  no Dia da Imprensa, através desse trabalho mais inteligente e

NO TEMPO DAS LOUCEIRAS .......

Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*

Capítulo II

  
  A base econômica de Pombal esteve por muito tempo a mercê do setor agropecuário. A riqueza estava no campo, por conseguinte, a dinheirama que circulava na cidade, dependia da riqueza gerada neste importante setor de produção. A economia urbana pouco ou quase nada representava na formação do produto interno bruto do município.
 Em razão disso, o maior status que um cidadão podia apresentar, no âmbito da sociedade, era ser grande proprietário de terras. A posse da terra tornava as pessoas influentes, por conseguinte, dominadoras da situação política local.
 Era assim mesmo, os grandes fazendeiros, politicamente, exerciam o papel de representantes provincianos da aristocracia rural estadual, nacional há muito incrustada no poder através de acordo que permitiram a consolidação da hegemonia política de São Paulo e

Prenúncio de muita discussão

 
Genival Dantas
Genival Torres Dantas*

Sou de uma geração tida no nosso país como uma das mais importantes pela sua luta e participação política, com obstinação aos ditames democráticos. Atravessamos várias reformas econômicas e superamos sistemas administrativos que tipificaram devastadas ruínas, outras estiveram no linear das  cambulhadas e a insensatez. Poucas se sustentaram e se sustentam  por tanto tempo com tantos progressos e ganhos sociais, muito embora a sociedade tenha muito ainda a ganhar e ganharemos, pois somos recalcitrantes em nossos objetivos.

Tivemos oportunidade de ver a nossa juventude de cara pintada ganhar as ruas, juntar-se aos mais experientes,  reivindicar seus direitos e

Os tempos mudaram. E o homem?

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Os tempos mudaram, e como mudaram. Foi num ontem não muito distante que o interior brasileiro era sinônimo de sossego, tranquilidade, amizade e paz.
Não precisamos ter muita idade para recordações nos encaminharem para um mundo em que as praças interioranas serviam de palco para o encontro de jovens que ali, e no convívio diário, no bate papo sadio, na paquera e no passeio de mãos dadas com a pessoa amada encontravam momentos de intensa felicidade. A praça era templo de diálogos, entre jovens, velhos e entre jovens e velhos. Pelas calçadas e

SERÁ COMO A MANHÃ: 20 ANOS!

Clemildo Brunet*

“E a tua vida mais clara se levantará do que o meio dia; ainda que haja trevas, será como a manhã” Jó:11:17.

A manhã no sentido do surgimento de um dia radioso e não como referência ao dia seguinte. Tempo do nascimento do sol até o meio dia e no modo figurado: Início, princípio, começo, desabrochar; como diz Aurélio. Com este introito quero narrar um fato registrado na minha vida, que tem tudo a ver com a expressão que serve de título a este artigo.
Madrugada de 14 de fevereiro de 1994 – segunda feira de carnaval. Sou despertado por uma fadiga no corpo, me retiro da cama e

Um Congresso longe dos seus propósitos e ideais

Genival Dantas

Genival Torres Dantas*

Quando do inicio dos trabalhos legislativos (03), uma grande preocupação ressoou no ar num sentimento de perplexidade manifestada por grande parte dos brasileiros, na observação feita a um gesto de um deputado federal, André Vargas (PT/SP), 1° Vice-Presidente da Câmara dos Deputados, uma pessoa com total ausência de sabedoria. Digo isso pela infelicidade de sua conduta, numa hora errada, no lugar errado, na presença de uma pessoa que merece o respeito dos brasileiros pela respeitabilidade que o cargo que ele ocupa merece, refiro-me a Joaquim Benedito Barbosa Gomes, Presidente do STF (Supremo Tribunal Federal).

O cidadão pelo fato de carregar o título de deputado federal, eleito pelo povo de São Paulo ou qualquer outro Estado, não tem o direito de fazer o que bem entende, principalmente num ambiente que exige o máximo de respeito de todo brasileiro, que é

NO TEMPO DAS LOUCEIRAS

Capítulo I
Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*

            A Rua da Cruz era como se fosse uma extensão da Rua do Comércio. Era impossível não haver uma convivência harmoniosa entre as duas comunidades. Conheci palmo a palmo a república da Rua da Cruz. Convivi com os mais velhos, assim como os mais jovens, que faziam parte do meu círculo de amizade.
 Lembro-me de Bodinho e Sá Raquel, que carinhosamente me chamavam Naná. Bodinho sempre visitava as pessoas com as quais tinha boas relações de amizade. Lá em casa não fazia falta. Sentava-se com meu pai num banco postado à frente da casa, proseava e

SÍTIO RIACHO SECO: QUEM TE VIU NÃO QUER TE VÊ.

 
Francisco Vieira
Prof. Francisco Vieira*

            Num instante de saudade reabri o baú das reminiscências e num relance trouxe a tona fatos antigos, ainda evidentes na memória. De forma imaginária retroagi no tempo e percorri os caminhos do Sítio Riacho Seco, veredas que pisei no passado e que hoje não são as mesmas.
            Mesmo tendo nascido e vivido na cidade, sempre mantive fortes relações com a zona rural. Na infância e adolescência costumava visitar a passeio a residência de parentes mais próximos - tios e primos – nos Sítios Pedra Branca já relatada e Riacho Seco, sobre o qual, ora me reporto. A visita estabelecia grande ligação com o lugar e as pessoas. Há, entre nós, grande afinidade, já que nelas estão fincadas minhas raízes e