CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Terra, céu, deuses e Deus

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

      Há muito tempo a humanidade habita a Terra. O homem é considerado um ser racional e dotado de inteligência. Espalhado por todos os recantos do planeta, conta à história que ele tornou-se civilizado, organizando-se em sociedade.
    Tem a Terra como sua, sente-se soberano em relação aos demais seres e acredita ter o direito de aniquilar rios, mares, florestas e animais, entendendo, equivocadamente, que tudo pode e nada lhe atingirá.      Pobre homem! Das profundezas dos oceanos quase nada sabe. Olhando para o céu, mistérios e o infinito universo. É olhando para cima que o homem guarda em se seus medos, pois pouco conhece sobre a imensidão do azul firmamento. É também do céu que vem sua esperança e

NO TEMPO QUE SE VENDIA CULTURA NO MEIO DA RUA

Ignácio Tavares

Ignácio Tavares*

            Era um sábado qualquer no ano de 1944.  Estava sentado ao lado do meu pai e com o olhar firme, curioso, observava sua conversa animada com seus amigos, que costumeiramente freqüentavam o seu ambiente comercial nos dias de feira. Ouvia muito bem o que eles conversavam, entretanto nada entendia postos que, o meu pensamento estava lá fora bem perto do estabelecimento do meu pai.
          No momento, só pensava no Ceguinho rabequeiro, que estava preste a chegar. O seu horário já se havia vencido, aumentando assim cada vez mais a minha inquietação. Todos os sábados, o artista do povo marcava o seu território no mesmo local, próximo ao armazém do meu pai. Ouvir os improvisos do Ceguinho, sobretudo seus lamentos, ao som da rabeca, era para mim uma diversão e

Política externa reproduz o caos interno que vive o Brasil

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

          A intemperança do governo brasileiro na condução de suas políticas para com o trato da coisa pública tem levado a nação à um espanto generalizado pela sua absoluta falta de coerência, e determinação, em assuntos pontuais. Estamos mergulhados em desacertos por conta e risco de trapalhadas de gestão, e

Vergonha na cara

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*


“Mais difícil que explicar a corrupção de políticos, é explicar porque militantes e simpatizantes aceitam a corrupção" (Senador Cristovam Buarque)


No patropi, o modelo de sociedade pautada por um Estado patrimonialista está em crise. Não apenas pela ação dos políticos larápios e dos empresários cooptados por eles. O nosso modelo sócio- político-eleitoral entrou em parafuso por falta de sustentação axiológica, pela falência dos valores.
Pior: a crise vem de baixo, da grande massa das famílias. Isso ficou evidente em pesquisa recente efetuada pela Organização para a Cooperação e

O PRODUTIVO RETIRO CARNAVALESCO DE W. J. SOLHA

Evandro da Nóbrega
Por Evandro da Nóbrega*


Este Carnaval de 2015 (quer dizer, o retiro durante o tal Reinado de Momo) foi particularmente PRODUTIVO para o polímata W. J. Solha. 
Um sujeito com o brilho genial dele não pode ficar parado. Tem que estar sempre produzindo. Eis aqui nova prova disto. No decorrer desses dias sem folia, Solha — entre outras coisas — ideou pelo menos QUATRO arrasa-quarteirões, quer dizer, ENSAIOS ILUSTRADOS, a nova modalidade de escritos em que ele vem de há tempos se especializando.

NOTAS PARA A HISTÓRIA

Reunião de textos sobre o Nordeste e sua cultura ganha formato de livro e-book

Professor José Romero Cardoso: novo livro mostra diversidade da cultura nordestina. 

          Muitas ideias e um novo livro. Agora, distante das temáticas acadêmicas, o professor Romero Araújo, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), envereda pelos caminhos dos relatos culturais, desta vez, focados na cultura nordestina.

Carnaval sofrência

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

        No Brasil, dizem que o ano só começa após o carnaval. Bom, janeiro já se foi, fevereiro chegou, e, com ele, o carnaval passou por nossas vidas trazendo festejos, cachaça, samba, axé, frevo, maracatu, rock, brega e até uma a tal de "sofrência".
         Aliás, "sofrência" vai ser o que vem por aí. Depois da quarta-feira de cinzas, com muita ressaca, o povo vai ter que enfrentar os extremos de uma avenida chamada realidade. De um lado, a estiagem, e,

Economicidade não faz parte dos gestores ineptos

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

             Ante a grande dificuldade que temos em delinear alguma perspectiva de controle efetivo da economia nacional, somos obrigados a admitir que os nossos administradores econômicos são irremissíveis pela péssima gestão da coisa pública, deixando emascular um setor que vinha resistindo as intempéries mesmo com a bancarrota mundial, em decorrência da crise nos EUA, a partir de 2008/2009.
             Claro que a grande crise passou para o resto do mundo, no Brasil ficou um rasto de inconsequência, mais que uma marola, um tsunami, não advindo da crise externa, e

A Lei do desenvolvimento desigual e combinado e os contrastes regionais

J Romero Araújo Cardoso
José Romero Araújo Cardoso*

          Determinado alento econômico pode beneficiar certo espaço em detrimento de outro, o qual pode continuar atrasado e carente de perspectivas.
Quem constatou esse contraste e o esboçou em teoria foi León Trostky, revolucionário russo que defendeu a tese da revolução permanente.
Observando a sofisticação do processo de elaboração do espaço geográfico na região sudeste brasileira ou no norte italiano podemos notar contrastes gigantescos se comparamos, ambos, com o nordeste nacional e

Bestas do Apocalipse

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

          O discurso profano e claudicante do partido governista, tentando paliar a barafunda dos últimos tempos, gerada no núcleo da administração pública, movida, principalmente pela gestão temerária, pratica recorrente em vários escalões e de forma incisiva, não consegue disfarçar o odor da água suja que cobre a lama sobre a areia movediça resultante dos dejetos formados na lamuriosa situação levada a cabo pela diretoria destituída da principal empresa do nosso país, a Petrobras.
Por maior que seja o esforço feito para fugir do assunto em voga, e

Louvação e inúteis princípios

12/02/2015 | 08h54min
João Costa
João Costa*
          Justiça e democracia são princípios que muitos julgam básicos para uma sociedade moderna. Isso. Mas esses dois princípios não estão acima da economia. Todos os tribunais de justiça no Brasil são colossais. Deputados querem parlamentos modernos e confortáveis. Mas tudo isso é inútil se nas ruas há fome e desemprego. O judiciário ( no caso do Brasil) funciona em função de si mesmo. Os parlamentos, dos mirins ao Senado, idem. Ainda não debelamos a fome e

Vantagens do hábito de ler

J Romero Araújo Cardoso
Por José Romero Araújo Cardoso*

O hábito de ler proporciona descortinar horizontes que sem este estaríamos fadados à restrição no que tange à necessidade infinita, ilimitada de buscarmos galgar novas compreensões referentes a coisas e fatos, ao mundo sempre em construção, processo contínuo que vem embasando a dinâmica contínua dos dias atuais.
Ler permite novas estruturas de pensamento, enredando as exigências de um tempo cada vez mais condicionadas ao complexo e

Está só no começo: vai piorar

“Povo é a dimensão humana do Estado, o conjunto dos cidadãos de uma Nação”. (Hans Kelsen, jurista e filósofo austríaco

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*

        Entre 1930 e 1945, o Brasil enfrentou movimentos, como a Revolução Constitucionalista, em 1932; a Intentona Comunista, em 1935; a Intentona Integralista, em 1938; que levaram grande número de pessoas às ruas. Mas protestos ou tentativas de levantes não aconteceram apenas durante o governo de Vargas. Antes de seu primeiro mandato, homens pegaram em armas em São Paulo tentando derrubar as oligarquias que há anos vinham governando o país.
 Mais tarde, nos anos 1960, com a recessão econômica, inflação, desemprego e

Meus carnavais, minhas lembranças...

Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*

    O carnaval em Pombal - antes dos anos sessenta - acontecia em ambiente fechado de pouco acesso aos que desejavam participar. Acontecia no clube fechado da Brasil Oiticica onde os participantes eram convidados, conforme as relações sociais da diretoria da empresa com a sociedade local.
  Isso mesmo foi em 1960 quando foi construída uma palhoça nas mediações do Bar Centenário que houve uma abertura nas festividades carnavalescas facilitando assim uma maior participação da juventude. Durou pouco,

LORD AMPLIFICADOR E AS REMINISCÊNCIAS DO CARNAVAL

Clemildo Brunet de Sá
Clemildo Brunet*

          O carnaval - a maior festa do mundo, ninguém sabe ao certo quando começou. Historiadores e pesquisadores afirmam que não tem como provar quando nasceu o carnaval. Existe apenas uma estimativa que seu ponto inicial tenha sido durante o reinado de Pisistrato na Grécia entre 605 a 527 A.C. Várias histórias são contadas de povos diferentes, o que dificulta a descoberta de uma data exata.
O carnaval é marcado em nosso calendário pela Igreja Católica, que se baseia na data da páscoa. No início não houve aceitação do carnaval pelo cristianismo, que encontrou uma festa com características libertinas e pecaminosas. Desde 590 D.C. a Igreja adotou oficialmente esta festa, passando desde então a programar seu calendário. (Portal Terra)
Aqui no Brasil, o Carnaval é uma festa de âmbito nacional, adquirindo formas próprias e

PRINCESA-PB: MAIOR MANIFESTAÇÃO DE INSURGÊNCIA DO MANDONISMO LOCAL

Eita Pau Pereira que em Princesa já roncou, eita Paraíba mulher macho sim senhor, eita Pau Pereira meu bodoque não quebrou! (Paraíba – Humberto Teixeira/Luiz Gonzaga)

J. Romero Araujo Cardoso
Por José Romero Araújo Cardoso*

A indicação de Epitácio Pessoa para que o sobrinho do poderoso oligarca de nome João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque presidisse o Estado da Paraíba teve raízes na faina corrupta que grassou a unidade federativa quando o renomado político assumiu a gestão executiva brasileira entre os anos de 1919 a 1921.
O boom econômico originado com a demanda externa por matérias-primas após a primeira guerra mundial motivou a elaboração de
políticas públicas que tinham nas obras de açudagem o principal carro-chefe.

Para evitar fuga de divisas para os Estados vizinhos, Epitácio Pessoa pensou em dotar a capital paraibana de um porto com infraestrutura impecável que pudesse sanar velho problema que prejudicava inexoravelmente as finanças do Estado no qual expressava a figura maior do mandonismo local. Não conseguiu,

AVELINO E JARDINHEIRA


 
Severino Coelho Viana
Por Severino Coelho Viana*

Neste período carnavalesco que vivemos, trazemos conosco mentalmente a figura de um grande folião, não é o pierrô, arlequim, rei momo, mas de um folião nascido na Terra de Maringá, o Dr. Avelino Elias de Queiroga – um fanático pelo o molha-molha, o mela-mela do domingo de intrudo, fazendo no seu jipe, acoplado de um tambor de querosene cheio com as águas límpidas do rio Piancó, no trajeto que atravessava a cidade – Bairro dos Pereiros à Rua da Cruz.
Numa busca no you tube, localizamos a música de carnaval: “A Jardineira" é uma marchinha carnavalesca composta por Humberto Porto e Benedito Lacerda, em 1938, gravada por Orlando Silva no carnaval de 1939.
Vem um toque na nossa cabeça de um acontecimento político de nossa terra – Pombal – dentre tantos, no ano de 1968.
Em 1968, em vigor o biopartidarismo com sublegendas, mesmo assim não foi possível a união no seio da congregação política, houve o rompimento da ala avelinista e

Um recomeço sem ilusões

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*


O ano legislativo começa com a prática dos velhos discursos e novos interesses, com os céticos não apostando em qualquer mudança que venha melhorar o sentimento generalizado do brasileiro decepcionado, mesmo porque, não há mudanças em repetição de erros, no final o quadro é desalentador. O Congresso Nacional foi instalado com a eleição dos presidentes das duas casas, José Renan Vasconcelos Calheiros (PMDB/AL), se reelegendo para presidente do Senado;  na Câmara Federa é eleito Eduardo Cosentino da Cunha (PMDB/RJ), em tese, o que o governo federal menos esperava como contra ponto, mesmo sendo ele deputado da Base Aliada, sempre se manteve independente no enfrentamento ideológico, resistindo à muitas medidas provisórias, quando líder do seu partido, o  PMDB.
Essa talvez seja a mudança que possa trazer certo equilíbrio entre a força governista e

Descompromisso explica seca

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*

Em nosso tempo, a cidade amplia cada vez mais seus horizontes, integra-se ao mundo, universaliza-se, expande-se desordenadamente, rebela-se contra toda tentativa de ordenação do seu crescimento. Sem, contudo, deixar de ser o habitat do homem moderno, o espaço da vida, da cultura, da arte, do lazer, do desenvolvimento e

ESCRITORA POMBALENSE LANÇA LIVRO EM NOITE DE GALA

Francisco Vieira
Francisco Vieira*

A cidade de João Pessoa – PB, viveu nesta noite do dia 29 de janeiro último, um dos mais importantes acontecimentos culturais com o lançamento do livro NELSON GONÇALVES – A Voz do Boêmio - autoria da professora, jurista, intelectual e notável escritora pombalense Onélia Setúbal Rocha de Queiroga.
            As festividades ocorreram na ESMA – Escola Superior da Magistratura e

A seca de 1915

J. Romero Araújo Cardoso
Por José Romero Araújo Cardoso*

Profecias populares começaram a indicar que 1915 seria um ano fatídico, marcado por fenomenal catástrofe natural. Experientes quanto a utilização de técnicas tradicionais a fim de descobrir segredos da natureza, os sertanejos começaram a temer pelo pior naquele longínquo ano do século passado.
Não tardou para o nordeste seco se transformar em insuportável recinto no qual a sobrevivência humana, bem como de plantas e

Noite dos Mascarados

Ricardo Ramalho
Ricardo Ramalho*

                ¨Quem é você? “Advinha se gosta de mim!“. Dessa forma, começava a música que ouvi, pela primeira vez, a poucos dias do carnaval de 1969. Os dois mascarados se conheciam e se amavam idilicamente, naquele inesperado diálogo, em plena folia de momo, pela imaginação de Chico Buarque.
                Com a cena da canção, me vi no Pombal Ideal Clube e carreguei isso na espera ansiosa pelos quatro dias de festa, em minha cidade, há muitos quilômetros de Natal, onde me encontrava, cumprindo meus últimos dias de serviço militar na Marinha.
                Cheguei ao sábado e