CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Adeus 2016

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Encerra-se mais um ano, mais um período de nossas vidas. É hora do adeus ao ano de 2016 e logo estarão adormecidos seus acontecimentos bons e ruins. Perdemos entes queridos que nos deixaram saudades, muitos sonhos também ficaram pelo caminho, mas alcançá-los todos de uma só vez não seria razoável, já que eles são combustíveis que impulsionam nossas vidas.
O fim de um ano marca o encerramento de um ciclo, de mais uma etapa de nossas vida, onde suportamos tristezas, perdas e

ERA UMA VEZ 2016, E NÓS AINDA POR AQUI

Jerdivan Nóbrega de Araújo
Jerdivan Nóbrega de Araújo*

Em 1968 foi lançado o filme Space Odyssey (2001 – Uma Odisseia no Espaço), dirigido e produzido por Stanley Kubrick, coescrito por Kubrick e Arthur C. Clarke e baseado no livro homônimo do Arthur C. Clarke.
No dia 20 de julho de 1969 três homens seguem em direção a lua, o que foi a maior aventura da humanidade, até então. São apenas duas aventuras que eu testemunhei, entre tantas que eu poderia citar, quando cruzava, pés descalços, meio moleque, as esquinas da minha urbe.
A Pombal dessa época ainda era uma pacata cidade interiorana, que aplaudia incrédula a chagada da televisão. Os jovens ainda eram jovens mesmo aos dezoito anos de idade, e os vagabundos, bêbados e loucos faziam parte da paisagem, com a naturalidade e

Natal do desabafo


Genival Torres Dantas*

Quantos natais se passaram, quantas lembranças tristes e boas, em cada canto do País uma história ouvida e interpretada de acordo com nossas emoções e em sintonia com nossos ideais, somos todos momentos, respondemos por nossas inspirações e nos lançamos contra tudo aquilo que vem de encontro aos desejos e sonhos acalantados, muito mais latente na idade da senilidade, dessa forma, e de conformidade com nossos brios vamos lutando em defesa das nossas teses e

PAULO E O OCIDENTE

Ignácio Tavares
Por Ignácio Tavares*

Saulo de Tarso foi um aluno laureado do mestre Gamaliel responsável pela formação de mestres e doutores focados na Lei judaica. Saulo tornou-se um fariseu atuante dotado de inteligencia incomum. Combatia ferozmente os adeptos da nova religião criada por seguidores de um tal Jesus que fora crucificado por ter cometido heresias contra a Lei Judaica.
Saulo não conheceu Jesus, mas assistiu ao julgamento de um seu seguidor conhecido por Estevão. Este foi condenado à morte por apedrejamento justo por não renunciar a Fé Cristã. Logo que consumado o assassinato a túnica de Estevão foi jogada aos pés de Saulo. Na sequencia Paulo pediu licença aos chefes do templo para viajar até Damasco a fim de prender e

O VERDADEIRO ESPÍRITO NATALINO

Francisco Vieira
Francisco Vieira*

Estamos em dezembro, mês que se celebra a vinda de Jesus Cristo – O Salvador.
O mundo está em festa. É o natal que chega ao som de badaladas de sinos e luzes incandescentes. Praças, ruas, avenidas, o comércio e residências iluminadas, revestem as noites de brilho para comemorar a vinda de Cristo.
            O natal relembra o nascimento de Jesus e deve ser comemorado com vigor espiritual, portanto, devemos festejar com a mesma singularidade de quem nasceu numa manjedoura de forma simples e humilde. Não se justifica tanta festa pomposa e

O lado triste do Natal

Hermes C. Fernandes
Por Hermes C. Fernandes*

Há algo perturbador no relato de natal feito por Mateus. Talvez muitos não tenham se detido ali, pois afinal, o nascimento de Jesus é de tal grandeza que acaba por ofuscar qualquer outro acontecimento periférico. Porém, trata-se de um genocídio perpetrado por um monarca furioso que se vê ameaçado pelo nascimento de uma criança.
Geralmente, consideramos Estêvão o primeiro mártir da fé cristã. Porém, muito antes de ele ser apedrejado, milhares de crianças de apenas dois anos para baixo, tiveram suas vidas ceifadas sem ao menos saberem pelo que morriam. Essas, sem dúvidas, poderiam ser consideradas os primeiros mártires da fé. Se eu fosse católico, sugeriria que o Papa promovesse a primeira canonização coletiva e

A Escola Contemporânea: um sonho transformador

Almiro Sá Ferreira
Almiro Sá Ferreira*

Ultimamente, por iniciativa do governo, ressurgem questionamentos sobre a urgência (provisória) de mais uma vez se reformar o Ensino Médio no Brasil. Um pensamento que ressurge das cinzas do malfadado Plano Nacional de Educação de sempre, e, talvez por isso mesmo, sem soluções estruturais para o atual modelo educacional. De partida, mais um passo em falso, lamentavelmente.
Quando se fala em reformar o ensino não se pode deixar ao largo toda uma discussão basilar sobre a permanência insistente e reacionária do atual modelo de “instituição escolar carcerária”, reportando-se aqui a lúcida perspectiva analítica do filósofo Michael Foucault (1926-1984).
A escola vigente é um carcomido modelo de organização escolar e de economia da aprendizagem que herdamos como síntese da confluência do iluminismo com a primeira e velha revolução industrial, paradigma de escola bissecular que não mais se presta ao modo de viver contemporâneo e futurista que ditam e

Longas noites de verão

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Finalmente a Primavera chega ao seu final com suas flores e temperaturas amenas, em todo Território Nacional uma saudade imensa começa a chegar e invadir o peito dos mais nostálgicos e românticos, afinal, é a despedida da mais sensível das Estações; é chegada a hora de começarmos a trocar o guarda roupa, tirando de circulação as roupas mais quentes e usando as de texturas leves e poros mais largos, com passagem de ventos mais suaves, permitindo a temperatura ambiente mais amena, com um toque sutil de permissão e

Dores cinzentas

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

A seca. Infelizmente volto a tocar nesse tema. Recentemente viajei ao sertão paraibano. Nunca vi uma estiagem tão violenta. Antes de chegar em Campina Grande já era visível a ausência de água e do verde.
Era noite quando desci a Serra de Santa Luzia. Observei o céu estrelado e lá bem no alto estava a Lua pendurada clareando toda região. Adentrar no grande sertão. Tentando sentir a suavidade do vento aracati, abri um o vidro do carro, mas o que experimentei foi um acanhado e

Delenda est Cartago, conclama Zé Dirceu!

João Costa
João Costa*

 Da prisão, Zé Dirceu, em carta ao jornalista e escritor Fernando Morais, recorre a Catão e conclama por uma reação política, agora sob uma nova bandeira: “Delenda Globo”. Escreve da prisão, pois quando teve a oportunidade, cometeu o erro da coexistência. Dilma, em entrevista a Al Jazeera , foi confrontada pelo repórter sobre a “frouxidão”  dela e da Nação diante do golpe, se quedou em apupos.
A Globo é Cartago. No Rio de Janeiro o pastor Marcelo Crivela descobriu e seus marqueteiros descobriram que as Organizações da famíglia Marinho, se confrontadas, em “determinadas circunstâncias de pressão e

Conciliação e Prudência

Genival Torres Dantas*

As intempéries provocadas pelas distorções e precipitações das nossas divergências e díspares seguem de uma forma truculenta e sem nenhum resquício de conformidade dentro dos próximos tempos, principalmente após as rusgas apresentadas nos meios dos comandos da Nação, mormente entre o Judiciário e o Poder Legislativo, numa posição de mostrar poderes superiores ficam adormecidos em berços esplêndidos, sem provar nada a ninguém, numa sorrateira linguagem de obelisco erigida aos ventos dos mares de no mínimo 1000 Km de distancia da base da ostentação.  
Seguimos destoante e distante daquilo que imaginávamos em busca do tempo perdido e com base em propostas honestas e compostas de adjetivos substantivados no mais absoluto termo de prevalência justiça e transparência sem opacidade. O que estamos conseguindo montar em termos de trabalho em prol dos objetivos traçados anterior ao poder assumido está muito distanciado ou nada foi produzido de real, considerando o tempo inicial, com quase 07 meses, e

TRÊS DÉCADAS SEM O REI DO BAIÃO

Francisco Vieira
Francisco Vieira*

Após três décadas de seu falecimento, Luiz Gonzaga ainda vive. Sua história, as músicas e a voz inconfundível permanecem na lembrança dos brasileiros, principalmente dos nodestinos.            Nascido nos carrascais de Exu – Pe, em 13/12/1912, o filho de Seu Januário e Santana nasceu predestinado. Sua vida foi envolvida de misticismo a partir do nascimento. Como uma premonição, consta que ao nascer, seu pai, observou uma estrela cadente nos céus, que se apresentava como um aviso. Na verdade, um sonho profético que anunciava ser um menino iluminado. E, como se não bastasse, a mística aumentou com o prenúncio de uma cigana afirmando que aquela criança seria do mundo. A profecia se confirmou quando deixou seu pedaço de chão, pegou a estrada, como um andarilho e

A “botija” da pedreira

J. Romero Araújo Cardoso
José Romero Araújo Cardoso*

Figura ímpar e querida da geografia humana dix-septiense, Raimundo Rosado da Costa é um verdadeiro repositório de antigas histórias da pedreira, local onde nasceu e conviveu por longos anos quando a antiga mineração de gipsita representava um dos principais suportes econômicos mossoroenses.
Impossível definir a emoção que é ouvir o fraterno primo Raimundinho contar as façanhas do passado, verdadeiro retorno às emoções de uma vida cheia de encantos que remontam aos relatos de Severino Cruz Cardoso, meu saudoso genitor, quando este trabalhava e

Banalidades dos Podres Poderes

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Insólito é ver o atual estágio político em que nos encontramos e verificar nos anais da história da República brasileira que não há parâmetros para medirmos a gravidade reais dos fatos a que fomos submetidas. Não há precedente para nos basearmos e começarmos a discutir a extensão e as peculiaridades relativas a profundidade das mazelas que nos submeteram durante todo o decorrer do governo populista e enfadonho do petismo aloprado e desgovernado que praticaram por 13 longos anos de tortura cultural, alicerçado em manobras dilacerantes e

Show de cinismo no fim do mundo

Almiro de Sá Ferreira
Por Almiro de Sá Ferreira*

Assistindo as notícias sobre as últimas delações dos executivos da Odebrecht ficamos estarrecidos com as acusações e muito mais perplexos ainda ao emprestar a nossa sã audição para ouvir os “esclarecimentos” manjados que são prestados pelas partes envolvidas. Uma graça! Pelo menos não precisamos mais perder tempo e dinheiro pagando ingresso para assistir medíocres peças de humor.
Todos eles, sejam da esquerda, do centro ou da direita, recorrem as mesmas “pérolas” defensivas do tipo: “nada a declarar”; “só depois de tomar conhecimento oficial”; que “nunca tratei de pedidos ilícitos”; que “todas as doações foram legais”; que “só vou me pronunciar nos autos”; “que não sei de nada”.
Argumentos escolados que não são usados mais nem pelos narcotraficantes e

Justiça entre afogados e o parto é fórceps

João Costa
João Costa*

Justiça salomônica é como abraço de afogados e traduz bem a crise brasileira, em que o próprio vai para o holocausto, enquanto as elites chafurdam na lama iluminados por fogueiras de vaidades e ensandecidos. Um elefante de Alagoas adentrou o Supremo Tribunal Federal – e não tem como consertar cristais. A Suprema Corte, que é a mãe do golpe institucional e o parto é fórceps – o povo é um bebê deformado, que morram os pais!
É preciso reprisar que o estado já é de exceção, e a última coisa que precisávamos era a desmoralização por completa da Suprema Corte. Completa, pois o povo ainda põe fé e

POMBAL DOS ANOS CINCOENTA

Francisco Vieira
Francisco Vieira*

Quem me dera voltar a minha infância a partir do nascimento, numa casa simples da Horácio Bandeira que eu cresci chamando Rua Preta ou do Açougue, por onde passavam manadas de bois tangidos para o abate. Exitosa, a boiada parecia saber ser aquela a última viagem.
Ali vim ao mundo, em 08/07/1950, dia consagrado aos santos Procópio, Adriano e Eugênio, também dia da ciência, alegria e do padeiro. Enfim, o primeiro filho de Seu Antonio Vieira e D. Galvinha, que seria o quarto se gestações frustradas não tivessem adiado o sonho do casal. A demora só aumentou a ansiedade dos pais para o milagre da vida. Literalmente ainda ouço a voz de Maloura, a parteira, misturada ao meu choro, anunciar ser o rebento um menino, logo entregue a Liosa para o sublime papel de Mãe de Leite.
A época, marcada por conflitos e

Estranhos caminhos do desmoronamento

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

O Brasil desde o início, “ab initio”, tem seus sobas e cupinchas agregados ao histórico conceito agregador e desagregador em todos os segmentos sociais. Nos últimos dias fomos devastados por insólitos ventos, vindos de todas as direções e nos atingindo de forma absolutamente indiscriminado, cuja tentativa era só, e continua sendo, a de desfazer a construção secular das nossas estruturas marais, infelizmente edificadas em alicerces num deserto de areias movediças e sem uma argamassa confiável, cujos operários, em toda sua trajetória, vem pincelando por nódoas malfazejas, deixando impregnados, todas suas paredes e revestimentos, de uma acidez insuportável, e que vem sendo eternizado na proporção em que o tempo passa e não encontramos desvios ou variantes para alcançarmos um destino para uma conduta mais amena e

O lado místico do Rei

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Era madrugada, Januário sentado num tamborete, do terreiro de sua casa contemplava o estrelado céu do Araripe. Lá no alto uma enorme bela lua clareava o Sítio Caiçara. Era 13 dezembro de 1912. De repente Januário observa uma zelação, sim uma iluminada estrela candente cruza todo o céu Araripe, Pernambuco, como indicasse uma boa notícia ao velho sanfoneiro.
Januário se assusta, mas escuta a notícia vindo lá de dentro de sua casa: “Santana entrou em trabalho de parto”. Ele tratou de buscar a parteira, que ao chegar na Caiçara, cumpriu a missão e

NA REPUBLIQUETA DO PROPINISTÃO

Nonato Nunes
Por Nonato Nunes*

Houve um tempo – nem tão distante assim – que gestores públicos, especialmente prefeitos, andavam com talões de cheques do município no bolso. Com o dinheiro público pagavam despesas pessoais, quitavam contas em farras com correligionários ou mesmo com prostitutas, investiam em carrões e imóveis etc... etc... etc... Não havia investigação pela pura falta de mecanismos para conter esses abusos (aí, sim, abuso de autoridade...). 
Mas isso mudou nos últimos anos. Um Ministério Público composto por jovens antenados com as modernas tecnologias e conhecedores profundos dos mecanismos de controle está começando a pôr a casa em ordem. Juízes como Sérgio Moro, este um ícone da batalha contra os “coronéis de mandato”, estão pondo o Brasil na vanguarda do combate à corrupção. Mas isso não seria possível sem a atuação implacável de delegados e

Cuidamos bem dos nossos corruptos de estimação

João Costa
João Costa*

Se a história ensina alguma coisa sobre corrupção, é que toda e qualquer campanha de moralização embute o desejo de proteger castas, classes ou indivíduos. Até porque, no caso do Brasil, há corruptos de estimação descaradamente preservados – e eles são muitos. Centenas de milhares da base da pirâmide social até o topo.
E não há campanha anticorrupção sem vilões, que devam ser demonizados, e heróis da hora a serem exaltados; pois apresentados como imaculados. Se o Usurpador é preservado, está  incluso na categoria de estimação; os vilões da hora passam a ser o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Se o herói de ontem foi Joaquim Barbosa – devidamente descartado, o da hora tem passagem reservada para os Estados Unidos – talvez uma fuga anunciada diante do que vem por aí, em 2017.
A criminalização da política no Brasil encontra terreno fértil, porque feita por uma maioria criminosa. E

Apontamentos biográficos sobre o Dr. Francisco Freire de Andrade

Francisco Freire de Andrade, neto de Francisca Freire de Andrade, meio-sobrinho de Menandro José da Cruz. Fotografia datada de 1912, enviada à família em Pombal/PB. 
Detalhes
Nome: ANDRADE, Francisco Freire de
Nome Completo: ANDRADE, FRANCISCO FREIRE DE
Tipo: BIOGRAFICO
ANDRADE, Francisco Freire de
*Const. 1934; dep. fed.  PI 1935-1937.

SE O POVO QUISER....


Por Rômulo C. Nóbrega*

Gente, infelizmente estamos passando por momentos deste agora, de nossa política, que já vem há séculos, sendo que aumentando cada vez mais. Não suportamos mais tanto disfarce, tanta ironia, fazendo uma coisa e dizendo que faz outra.
Está na hora de ESCOLHERMOS o próximo governador, senador e deputado.
Aí me perguntam: como, se ainda não chegou a campanha, se não sabemos quem são os candidatos? Ledo engano, minha gente!
Os próximos candidatos serão mais uma vez, esta mesma corja toda que está aí, que nós estamos os repudiando, criticando, falando deles, e

Vida de espectador, um desalento!

Almiro Sá Ferreira
Por Almiro Sá Ferreira*

Vendo o Brasil contemporâneo pela TV e lendo os posts da mídia informal penso que a "inteligência política nacional" sofreu uma espécie de sequestro ou abdução por parte de seres alienígenas. Fenômeno fácil de constatar quando assistimos os nossos "lideres" demonstrarem que estão totalmente desprovidos de neurônios e de uma ética mínima para viver numa sociedade pós-moderna. Sejam eles de "esquerda" ou de "direita", ou tudo misturado num "centrão" promíscuo, a maior parte dos nossos políticos continua a nos provocar asco e desprezo nos mínimos detalhes e

LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE “DORMIA” HÁ NOVE ANOS

Nonato Nunes
Nonato Nunes*

Este é mesmo o país do casuísmo e das maquinações. Um exemplo disso é a tal Lei de Abuso de Autoridade, proposta há nove (9) anos pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), mas que dormia em “berço esplêndido” até que fosse “despertada” pelo seu Frankenstein.
Por coincidência ou não, a propositura ressurge justo no momento em que o representante alagoano tem contra si nada menos de doze processos, um deles já aceito pelo ministro do STF, Édson Fachin. Fica a sensação de que a proposta funcionou como uma arma engatilhada, pronta para ser disparada ao

A questão hídrica atual do Nordeste seco! artigo de João Suassuna

João Suassuna
O setentrional nordestino, que há cinco anos vem enfrentando situações de seca, está em “estado de emergência” e muitos dos municípios da região, como o de Campina Grande, na Paraíba, que tem aproximadamente 355 mil habitantes, e Caruaru, em Pernambuco, com 300 mil habitantes, enfrentam problemas de abastecimento de água para o consumo de suas populações.
O maior problema da seca é que não há gestão dos recursos hídricos e, em muitos municípios, se não chover o volume esperado para este mês de novembro, “não há um plano B para o abastecimento do povo”. “Para se ter uma ideia dessa problemática, represas do porte de Boqueirão, na Paraíba, que abastece Campina Grande, está atuando com 6% da sua capacidade. Represas enormes no interior da Paraíba, como Coremas e Mãe D’Água, que juntas acumulam um bilhão e 200 milhões de metros cúbicos de água, hoje atuam, respectivamente, com 2% e 7% de suas capacidades. Uma delas (Coremas) já está em colapso, e a tendência é que até o final do ano, essas represas venham a secar” completamente. A represa de Sobradinho, na Bahia, que tem capacidade de armazenar 34,1 bilhões de metros cúbicos de água, e que há quatro meses atuava com 25% da sua capacidade, hoje atua com 5% e

A Caverna

Teófilo Júnior
Teófilo Júnior* 

Humberto Eco costumava afirmar que a “internet deu voz aos imbecis.” Para o filólogo e escritor as redes sociais oportunizaram aos “idiotas da aldeia” a estenderem suas “verdades” muito mais além das cercas da mesa de bar e de suas taças de vinhos.
De fato, hoje a coletividade virtual é exposta e até relativizada, via de regra, por modelos e exposições minúsculas de altercações sem profundidade, numa dialética pobre e

DITADURAS COMPARADAS

Nonato Nunes
Nonato Nunes*

Em primeiro lugar é preciso dizer que a ditadura militar no Brasil teve uma duração de 21 anos. A de Cuba dura até hoje... Vale salientar ainda que por aqui, nesse período de pouco mais de duas décadas, o Brasil teve cinco presidentes. Em Cuba, apenas dois: os irmãos Fidel e Raúl Castro. Continuando... Na nossa republiqueta lusófona funcionaram, no período em que os militares estiveram no poder, uma significativa variedade de jornais, revistas, televisões, rádios etc. Até um jornal chamado “Pasquim” costumava tirar “sarro” da cara dos próprios militares... Na “democrática” Cuba dos Castros existia (e

Pacto Lula-FHC pode nos livrar do caos anunciado

João Costa
João Costa*

Em carta ao chefe da Junta Governativa, governadores da região Nordeste informam que não aceitam implantar o ajuste fiscal, e para tal assertiva, apresentam seus argumentos técnicos. Mas o fato é que não querem assumir o ônus de um governo ilegítimo, comprovadamente corrupto e natimorto.
Se, a Junta Governativa, que agora presta entrevistas coletivas no afã de transparecer unidade, afunda na ilegitimidade em razão do assalto ao poder, é visível o abraço de afogados com o Congresso e o Judiciário, avalistas desse golpe em curso, que é de lesa-pátria pelos negócios que patrocinam na entrega do patrimônio nacional à Chevron; pelo desmanche das empresas de infraestrutura, por mover de volta ao estado de miséria milhões de famílias; gerar desemprego ao tempo que suprime conquistas trabalhistas e

Cuba: de cassino a País. Brasil: de País a cassino

27 de Novembro de 2016

Marcelo Zero
Por Marcelo Zero*

Pouco antes da revolução cubana, Arthur M. Schlesinger, Jr., historiador, ganhador do Prêmio Pulitzer, foi encarregado pelo presidente Kennedy de fazer uma análise da situação na ilha.
Disse ele sobre Havana: “Me horrorizou a maneira como esta adorável cidade tinha se transformado desgraçadamente em um grande cassino e prostíbulo para os homens de negócios norte-americanos. Meus compatriotas caminhavam pelas ruas, se deitavam com garotas cubanas de 14 anos e jogavam fora moedas só pelo prazer de ver os homens chafurdando na sarjeta para recolhê-las”.
A conclusão da análise dizia simplesmente o seguinte: “A corrupção do governo, a brutalidade da polícia, a indiferença em relação às demandas da população por educação, saúde, habitação e por justiça social e

Eu nunca choro

Ricardo Ramalho
Ricardo Ramalho*

Início dos anos oitenta. Maceió me encorpava, mas, a Paraíba resistia e as emoções brigavam pelo que o coração queria. Que encruzilhada espiritual, que duelo de puros sentimentos. Trabalhava e estava nas Alagoas há mais de cinco anos, mas, os vínculos com minha terra natal continuavam firmes. Não conseguia me desprender daquela atração, daquela vontade de estar ao lado de um bem querer entranhado, fruto de convivência, de desejos, de vontades. A garota dos sonhos se distanciava, desaparecia aos poucos, escorria pelos dedos, pelos descaminhos da vida. Sentia esse processo, mas, me deixava levar por uma realidade que encobria esse cenário e

Governo em queda

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Com a prisão de dois ex-governadores do Rio de Janeiro, Antônio Garotinho (PR) e Sergio Cabral (PMDB), acompanhado de duas demissões de dois ministros do Governo Federal, o Ministro da Cultura, Marcelo Colero, e o Ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, vão transformando o Governo Michel Temer numa sequência desanimadora de fatos cruciantes para a manutenção do atual governo, que continua a promover graves sintomas de desajustes no núcleo administrativo, no total já são seis ministros demitidos ou demissionários, não favorecendo a estabilidade Política e Jurídica, anseio de toda comunidade que precisa de calma e ambiente de governabilidade concreta. O que, efetivamente, temos é uma clara boa intensão da equipe do Governo Federal tentando colocar ordem na casa, mas, com desajustes terríveis, com bate cabeças e

Falta muito chão

Rinaldo Barros


“Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela Natureza, nos Direitos Humanos universais, na Justiça econômica e numa Cultura da Paz”. (Carta da Terra, documento aprovado pela ONU, em 2002)

Rinaldo Barros*

Você já parou para pensar no que significa a palavra "progresso"? E

DE ESCRAVOS E DE SENHORES DE ENGENHO

Nonato Nunes
Nonato Nunes*

Nos livros escolares existia (ou existe?) uma pintura do francês Jean-Baptiste Debret (1768 - 1848) a qual, a meu ver, é a que melhor representa a sociedade brasileira desde que Pedro Álvares Cabral pôs os pés por aqui. É aquela em que um senhor de engenho é conduzido numa rede por dois escravos. Tal imagem é emblemática, sobretudo do ponto de vista sociológico, por sintetizar uma relação social toda ela baseada no compadrio entre os que mandam, e no servilismo dos que obedecem. Nas duas pontas da vara onde está armada a rede estão aqueles que representam o que realmente somos - escravos. No meio, deitado e obedecendo à lei do menor esforço, está o representante-mor da preguiça e do atraso – o senhor de engenho. Presentes até hoje na sociedade brasileira, esses homens sempre viram no trabalho e

Mais saudade! Há alguns anos escrevi uma crônica sobre saudade. E depois dessa crônica aconteceu muita coisa... “Uma saudade a mais”

Walter Medeiros
--- Walter Medeiros – walterm.nat@terra.com.br

A jornalista e professora Nadja Lyra, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Santa Catarina, localizada no conjunto que tem este mesmo nome, convidou-me para proferir a Aula da Saudade dos alunos do 5º ano e sugeriu que falasse sobre “Saudade”. Que coisa! Passei uma semana refletindo sobre esse tema tão fascinante, a partir de experiências próprias e versos dos poetas e

Avenidas de Cajazeiras: Engenheiro Carlos Pires de Sá

José Antonio Albuquerque
Por José Antonio Albuquerque*

O longo trecho desta avenida vai desde a Rua Tenente Arsênio, em frente da Cadeia Pública, até as proximidades do Bairro Santo Antonio, onde se inicia a Rua Romualdo Rolim.
Todo este percurso, demanda ao Ceará, que primitivamente era denominada de Rua da Rodagem, recebendo depois o nome de Rua São José, quando na década de 60 foi pavimentada a paralelepípedos, por decisão do Engenheiro Carlos Pires de Sá Ferreira, então Diretor do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem.
Foi sempre muito movimentada pelo tráfego de veículos que percorriam a

A crise em regime continuado

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

O momento que o Brasil atravessa é atípico e descomunal, não há na nossa história qualquer período que possamos traçar parâmetros e tentar fazer comparações trazendo luzes ao nosso atual momento, substituídas o governo por outro, devidamente credenciado pelo regime anterior, mesmo assim, não há a menor chance das correntes políticas se engajarem num plano de consenso e trabalharem pelo país, em busca de uma solução para as enormes encruzilhadas que nos encontramos e tem nos colocado em caminhos difusos ou maus pavimentos, numa tentativa inteligente e

O DIA AZIAGO DA SUPERSTIÇÃO SERTANEJA

J. Romero Araújo Cardoso
Por José Romero Araújo Cardoso

Pedro macambira acordou sobressaltado na alta madrugada sertaneja, despertado com o canto insistente e fora de hora do galo magricela que imperava célere no terreiro de sua tosca e humilde casinha de taipa, construída com material encontrado por ali mesmo, naqueles carrascais perdidos no meio da caatinga desolada e cinzenta devido à ação implacável da seca inclemente que há mais de dois anos castigava o semiárido, a qual, para infelicidade dos povos interioranos, tinha seus efeitos repercutidos em áreas antes relativamente livres das estiagens com as quais acostumara-se a enfrentar nesses cinquenta e dois anos de vida sofrida, quase dez ao lado da família que formara.
Aves noturnas contribuíram para fustigar mau presságio em seu imaginário sertanejo, pois bem no alto da tosca chaminé de onde saia a fumaça preta exalada do fogão à lenha, mantido aceso em fogo brando, pousou desafiante rasga-mortalha, a qual passou a emitir sons estridentes que imemorialmente causam arrepios no

ECOS DA LIBERDADE NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA!

Clemildo Brunet de Sá
Por Clemildo Brunet*

Liberdade é um dos maiores tesouros que o homem possui. Porém, nos relacionamentos com outros seres existe algo que a impede, provocando ansiedade em fases distintas da existência terrena. É verdade que temos liberdade de ir e vir. Contudo, a alma humana aspira e deseja uma liberdade plena.
Paulo na carta aos romanos fala do anseio dessa liberdade quando diz: “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora”. E contextualiza dizendo: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus”. Na verdade, a liberdade, em toda sua anuência está revelada na plenitude do que Cristo disse: “Conhecereis a verdade e

Hora do reset e pós-verdade. João Pereira virou ministro da Cultura

João Costa
João Costa*

A atual conjuntura nos aproxima do momento de acionar o reset no país. Agora surge o fenômeno “Pós Verdade” no cenário internacional e na vida política nacional.  Aceitar um “Pós Verdade” na imprensa, partidos, sindicados e movimentos sociais, pressupõe ter antes existido verdade e não meias-verdades e mentiras. O Brasil é um bordel, taberna ou caso ideal para Dr. Pinel? Evidente, natural, pois João Pereira agora é ministro da Cultura, responderia Macunaíma nosso herói sem nenhum caráter.
A semana começa com novos capítulos da nossa tragédia, “Traidores e traídos”. A que passou foi de histeria quase que coletiva; com imagens da TV Globo das prisões dos ex-governadores Anthony Garotinho (ex-PDT e atual PR) e Sérgio Cabral (ícone do PMDB). O populacho nos próximos dias vai ao êxtase com prisões em massa prometidas pelo novo Savonarola e

A última viagem de um maquinista do transporte férreo de passageiros

J.Romero Araújo Cardoso
José Romero Araújo Cardoso*

Parecia estar vivendo um pesadelo quando acionou o mecanismo que impulsionou velocidade à velha locomotiva, pois aquela seria sua última viagem conduzindo a composição férrea transportando passageiros, a qual, em verdade, passou a ser nos últimos vinte e três anos como um membro da família.
          Não era a aposentadoria que estava chegando e sim a desativação do ramal ferroviário que estava acontecendo, algo que considerava inamissível em um país dito civilizado, cuja economia dependia diretamente da viabilidade dos meios de transportes a fim de escoar a produção e

Inseparável monark

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Numa aurora inalcançável havia um menino que acordava ao som do apito da Brasil Oiticica e logo que pulava da rede, montava em sua Monark vermelha e pedalava pelo mundo dos sonhos. Subia e descia ruas, calçadas e praças, sentindo em seu rosto o vento das primeiras aventuras.
Da casa dos avós, guiava sua bicicleta para a Rua do Roque, onde parava na torrefação do Café Dácio. Pedia a bênção do avô Antônio Rocha, ganhava umas moedas e seguia em seu roteiro. Passava pela rua estreita e

Presidente João Pessoas...x..Adv. João Dantas../..Anayde Beiriz...x..Revolução de 1930.. Anayde Beiriz “olhos de pantera dormente”

Lidiana Justo
Por: Lidiana Justo*

Ao longo da história, vemos surgir grandes vultos femininos que deixaram seu legado de luta, de ruptura, de desafios à moral machista e burguesa. Seja na luta pelo voto feminino, num corte de cabelo, no uso de uma mini-saia ou por recusar-se a não se casar, ter filhos, enfim, atitudes aparentemente simples, mas que repercutiram no tempo delas.
Anayde Beiriz nasceu na Parahyba, no dia 18 de fevereiro de 1905. Terminou seus estudos na Escola Normal, e participou em 1925 de um concurso de beleza patrocinado pelo Correio da Manhã. Lecionou em Cabedelo numa aldeia de pescadores.
Foi uma mulher que quebrou tabus na provinciana cidade parahybana, professora, poetisa, uma mente brilhante e inquieta. Usava cabelos curtos a La garçonne, pintava suas madeixas,usava batom fumava, numa época em que as mulheres de recato não podiam sair às ruas, ela ousava e