CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Escamotear o erário fugazmente fez do ex-presidente Lula um atrabiliário

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Lavrar as determinações dos altos escalões da República numa velocidade impar tornou os membros da quadrilha implantada na cúpula governista uma ignomínia ao brasileiro de bem. Aquele que compra e paga suas contas com muito sacrifício e vive dentro da honradez e dos bons costumes, sem, em nenhum momento, se passar por vassalos do rei, ou tentar tirar vantagens espúrias que a República dos pixulecos oferece aos que convivem com a malandragem sob a sombra das muralhas dos palácios e
seus meandros escusos.
Depois que o Juiz Federal Sergio Moro pôs o dedo na ferida encontrando claros indícios das falcatruas praticadas pelo ex-presidente Lula e seus séquitos, nunca mais o Brasil foi o mesmo. Ele próprio, o Lula, bem disse em voz alta e em bom som, que ele é a única pessoa a tocar fogo no país. Esse gesto traduz todo o sentimento de desespero em que o ex-mandatário se encontra, muita coisa tem se falado a respeito das suas posições e postura diante dos fatos em curso. Claro que a possibilidade do Juiz Sergio Moro decretar sua prisão é um fato real, muito embora seus processos tenham sido encaminhados ao STF (Supremo Tribunal Federal), por solicitação do Ministro Teori Zavascki, do STF, de quem é a relatoria do Processo Lava jato, naquela instância. Tudo isso por força dos resultados alegados pela defesa do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, que não se conforma em não ter foro privilegiado. Esse caso tomou dimensão estratosférica depois que a presidente Dilma Rousseff tentou nomeá-lo Ministro Chefe da Casa Civil e o ato foi anulado pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, STF, Gilmar Mendes.
Agora que a situação se complicou há informações que o ex-presidente Lula contratou 21 advogados para defendê-lo junto ao Supremo, claro que à custa não é o que importa a essa altura da peleja, o que realmente interessa ao ex-presidente é ficar distante das ações do Juiz Sergio Moro, e em último caso, há informações diversas na mídia nacional, que já foi aventada a possibilidade do ex-presidente pedir asilo político, preferencialmente à Itália. Não tenho dúvidas que muita coisa ainda vai ser escrita e inventada pelos meios de comunicações, mormente aqueles que não se preocupam com a veracidade dos fatos e suas consequências sem previsibilidades reais.
É evidente que o momento é de extrema agonia, agora que o PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, anuncia seu quase certo desembarque do governo, confesso que não foi surpresa, em outras ocasiões o mesmo partido fez seu desembarque de outro governo bem antes do naufrágio geral. É uma posição previsível para quem conhece esse partido de outros tempos e outras cabeças bem mais privilegiadas. Pelo andar da carruagem não há mais consonância para que o governo Dilma e o partido de Michel Temer andem juntos para o futuro, estão em posições antagônicas, não há mais clima, o timing foi perdido, agora só o afastamento pode levar o PMDB a se achar na política. Já há um namoro muito próximo do PMDB e PSDB, ambos já atuaram juntos, numa situação favorável aos dois, ambos saíram ganhando, mas, não se pode dizer que, se feito o acordo para atuarem nessa ruptura que se avizinha no governo, com a queda do PT e aliados, seja algo de futuro, há estudos que indicam o comportamento do PMDB, ele está sempre do lado do governo, com raríssimas exceções, ou mesmo exceção, o poder sempre inebriou o partido do saudoso Wlysses Guimarães, tinha o epíteto de Sr. das Diretas, esse tinha moral e cabedal político.
Infelizmente não temos um líder político que possa aglutinar as forças que formam a república, temos forças desmilinguidas, sem fôlego para encarar a belicosa tropa do PT, esses mesmo estando no esboroamento político. Lembrando ainda que a claque petista tem o escopo de perverter a sequencia dos fatos sem se importar com o que possa vir em seguida, com eles não há desídia. Faz-se necessário que se tome bastante cuidado para não termos um levante popular por conta dessa barafunda, sabemos dos nossos controles emocionais, mas os adversários políticos, que não são inimigos, mas se colocam como tais podem atuar como verdadeiros bandos de loucos. Temos, portanto, de procurarmos agir dentro da legalidade e do consensual.  
*Escritor e Poeta

genival_dantas@hotmail.com

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