CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Política e crime – irmãs gêmeas xifópagas

João Costa
João Costa*

Para sua consideração – Já li, em um livro de memórias, uma citação curiosa: “os maiores criminosos, capazes de violar túmulos, violentar freiras e degolar criancinhas, conservam sempre um limite moral”. Constato que tal assertiva não vale para se aplicar aos nossos políticos, num momento de acirramento de ânimos e sobrevivência.
“Inês é morta”, diz o ditado português, que também se aplica ao governo Dilma Vana sobre a inutilidade de certas ações do seu governo, de imensas oportunidades políticas perdidas. O PT foi governa por uma década e
um pouco mais, mas jamais foi poder, porque o compartilhou com os estamentos que seus eleitores combatiam. Lucro na política brasileira se traduz em cargos e favores. Simples, quando os lucros escasseiam, não há lealdade, pois esta só existe na vitória. Baleia, a cachorra de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, foi o único ser vivo no Brasil, que guardou lealdade. Coisa de romance dos anos 30.
As oportunidades perdidas foram muitas, a ponto de o país voltar ao seu ponto de equilíbrio secular: depositar no Parlamento a possibilidade de soluções que não passem por ruptura ou derramamento de sangue, algo que nunca ocorreu do ponto de vista da luta de classes – Canudos, a única guerra civil de fato que a Nação presenciou não conta.
Não precisa ser vidente para lançar prognóstico para um futuro político próximo. Criticar a OAB por aquilo que ela sempre mascarou não ser é infantil. Apontar um traidor é mais infantil ainda. E depositar confiança no Congresso, este sim, legitimamente representante da Nação, nos seus acertos e crimes. Afinal, a Nação pode até ser puritana, mas seu legado jamais foi deixado por puros. Ponto parágrafo.
Leio que o cantor Lobão escreveu um artigo em O Globo, pedindo desculpas a Chico Buarque, Caetano e Gil. Mesmo não tendo cabimento em elevar Lobão, ao patamar desses três poetas – digamos assim – é possível que muitos acreditem na sinceridade do roqueiro, useiro na pregação do ódio e intolerância, tanto quanto o pasquim que publicou seu mea culpa. Milhões, inclusive, acreditam que o combate à corrupção é sério.
No mundo todo, política e religião são gêmeas xifópagas, o Brasil aí diagnosticado. Toda é qualquer religião embute um dilema ético. Deus tem até o poder de perdoar pecados, jamais de mudar o que foi feito. Isso se aplica a Lobão, Temer, juízes e procuradores e criminosos da mídia nativa. Ah! O crime; ia esquecendo-me .
No filme “O Poderoso Chefão”, de Mario Puzo e Ford Copolla, tem um diálogo primoroso sobre ética e moral no âmago da máfia siciliana. O pistoleiro, se passando por traidor, adota um novo padrinho e lança um engodo.
- Não entendo de política, entendo de armas, diz o matador.
 - O crime e a políticos caminham juntos – política é saber a hora de puxar o gatilho, retruca no padrinho mafioso.
Mas fico com um diálogo bem brasileiro no falso confronto entre polícia e bandido.
- A casa caiu (eu ouvi isso de colegas de profissão), perdeu, você perdeu! – diria João Roberto Marinho para Dilma.  É um diálogo pobre, chulo até, mas bem brasileiro.

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br  

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