CLEMILDO BRUNET DE SÁ

O poeta de Carnaíba

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Médico e parceiro de Luiz Gonzaga, Zé Dantas nasceu no município de Carnaíba-PE. Era um jovem amante da terra onde nascera. A fazenda de sua pai era cortada pelo Riacho do Navio, por isso, sua mãe costumava chamá-la de “Navio”.
No início da década de 1940 migrou para Recife, onde passou a cursar Medicina. No ano de 1949 conheceu o seu grande amor, Iolanda. Conta a história que Iolanda aos 18 anos de idade começou a ensinar em Caiçarinha, Distrito de Serra Talhada, lugar próximo da fazenda do pai de Zé Dantas. Ali o jovem era conhecido de todas moças. Mas, apesar dele cursar medicina com uma irmã e
um cunhado de Iolanda (Ionese e Zé Leal), esta não o conhecia.
No dia 7 de setembro de 1949, convidado por Ionese, Zé Dantas vai a casa do pai de Iolanda. Chegou acompanhado do violão. Tocou e cantou as músicas que já fazia, além de declamar versos de sua autoria, sempre dirigindo olhares insinuantes para Iolanda. Foi um amor mútuo a primeira vista. Passado o feriado da Semana da Pátria, Iolanda voltou à Caiçarinha. Foi aí que o poeta fez sua primeira canção em homenagem a Iolanda - “Fulô Ingrata”, que veio a ser gravada no ano de 2008 por Dominguinhos.
No mês de dezembro de 1949, na celebração da missa de formatura do curso de Medicina, onde eram concluintes, sua irmã Ionese e Zé Dantas, Iolanda reencontrou os olhares poéticos da Carnaíba e não resistindo começou, enfim, o namoro na Igreja Madre de Deus. Em janeiro de 1950, Zé Dantas viajou para o Rio de Janeiro, deixando de pé o namoro. Distante do Pernambuco, do Riacho do Navio, do alpendre da fazenda, da cantiga dos vaqueiros e da sua paixão maior, Iolanda, Zé Dantas veio ao Recife e noivou, não permitindo que a moça retornasse ao interior para ensinar.
O noivado foi longo. Durante esse tempo eles se comunicaram por meio de cartas. Cada carta de Zé Dantas era uma página poética. No dia 26 de junho de 1954 se casaram. Iolanda passou a residir no Rio de Janeiro com Zé Dantas. Tempos depois ao retornar à Recife, ela procurou pelas cartas. Todas foram queimadas por sua mãe. Iolanda chorou muito. Perdidos os escritos poéticos, Iolanda e Zé Dantas retornam ao Rio, onde viveram um casamento feliz!
*Escritor pombalense e Juiz de Direito

onaldorqueiroga@gmail.com

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