CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Um país em decadência

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*
Não é novidade para ninguém que faz 13 anos que estamos num processo de decadência que se não mudarmos alguns paradigmas comportamentais não vamos desacelerar o ritmo e a colisão com a tragédia total será inevitável. Tudo começou com o discurso mentiroso que se fundamentou o Partido dos Trabalhadores (PT), para conseguir o poder, aliado a outros partidos que lhe deram e dão sustentação na governança do Brasil. Muitas coisas foram prometidas tais como, reformas estruturantes e
estruturais nas políticas fiscais, previdenciárias e trabalhistas, principalmente nesse tripé, levando o brasileiro a acreditar num futuro mais alvissareiro, principalmente para as classes menos favorecidas e dependentes do poder público, tanto na saúde, educação, mobilidade urbana e segurança pública, além, evidentemente do trabalho mais estável e recrudescente, no sofrido mercado de trabalho, insipiente nas suas ofertas e diminuto na estabilidade que o emocional coletivo tanto exige num mercado mais procurado que ofertado.
Hoje constatamos, o Brasil vive tentando sair do seu marasmo mergulhado numa decadência moral e financeira sobejamente cantada em verso e prosa pelos analistas políticos que tem amor pela terra mãe e não abrem mão da sua dignidade e compromisso com a verdade dos fatos. Quando foi feita a promessa da terra prometida baseada em peças de marketing com objetivos escusos, porém, direcionadas ao objetivo de arrematar o poder de governança, quando esse fato foi detectado na mídia nacional muitas foram às crônicas apontando o caminho que apontava para o atual quadro de incongruência política e moral que estamos convivendo, numa verdadeira bancarrota financeira aonde chegamos ao quase fundo do poço.
Muitos são os exercícios e exemplos que nos mostram o atual estágio, e para chegarmos a esse descaminho muita desídia foi praticada, com a conjunção do opróbio e agruras. O ranking internacional nos aponta o 76°, uma queda de sete pontos percentuais, nessa fase do atual governo, está mais mal colocada que países Africanos como Namíbia e Botsuana. Não caímos por bestialidades apenas do governo central, estamos colhendo as tempestades plantadas pela absoluta falta de parcimônia dos nossos governantes, que sem nenhuma noção da administração pública, de modo sorrateiro foi jogando a nação no abismo da incompetência e imoralidade humana, local onde a justiça, a verdade e a vergonha são padrões esquecidos e não relevados. Lugar onde se exibe a maledicência, e ela são fartamente festejados desde que praticada contra os auditores do Estado.
Agora que o processo do Impeachment da presidente Dilma Rousseff, caminha para o seu desfecho, o maior partido do país, PMDB, da base aliada do governo, se sentiu no direito de se retirar de sua posição de apoiador dos desmandos praticados pelo mesmo governo Dilma, ostentando o título de defensor da honradez, como se assim fosse. Lamentavelmente, trata-se de um partido oportunista e aproveitador das benesses que o poder proporciona, independentemente de ideologia partidária, se importando apenas com o benefício dos seus, e suas oligarquias.
No momento o PMDB não representa nem uma fatia da oposição brasileira, mesmo que queira se infiltrar nela, a oposição, não tem méritos para tanto, diferentemente de outras épocas que realmente foi oposição e abraçou a causa de muitos brasileiros que freneticamente ficaram jubilosos pelos seus atos de bravura e brasilidade. Hoje é apenas um partido de 50 anos, mas, mergulhado na sua infantilidade e mesmice. Tendo ele, o partido o PMDB, em suas hastes i Vice-Presidente da República, Michel Temer, fica patenteado à ocupação do cargo por esse partido, caso haja vacância do cargo de Presidente da República. Nesse caso há de se perguntar o que acontecerá com o Brasil se o Vice-Presidente for impedido de ser empossado, pela sua participação na Operação Lava Jato, denunciado por mais de uma vez; depois, tanto o Presidente da Câmara como do Senado, Deputado Eduardo Cunha e Senador Renan Calheiros, respectivamente, e ambos pertencentes ao mesmo PMDB, também denunciados na Operação Lava Jato. Sobrará apenas o Judiciário a nos agasalhar do desconforto da improbidade administrativa que se espalhou por entre as sombras dos muros dos palácios dos poderes Executivo e Legislativo. Pobres brasileiros pobres!
*Escritor e poeta

genival_dantas@hotmail.com

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