CLEMILDO BRUNET DE SÁ

A síndrome de Rokitansky

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

O mundo é repleto de curiosidades e às vezes ficamos surpresos diante do aspecto insólito que circunda determinadas situações.
Recentemente uma notícia veiculada em diversos portais eletrônicos, como por exemplo o G1 e o portal da BBC, nos chamou atenção. Uma bela jovem, de nome Joanna Giannouli, de 27 anos relatava seus desafios de viver e
conviver com o preconceito brutal, por ser portadora de uma síndrome incomum, denominada de Rokitansky, que afeta nada mais, nada menos do que cerca de uma de cada cinco mil mulheres em todo o mundo.
Natural da Grécia, Joanna nasceu sem vagina e útero. Afirma na matéria jornalística que descobriu esse aspecto, ou seja, veio compreender sua situação quando tinha 16 anos, ocasião em que foi levada por seus pais para uma consulta médica. Sua mãe não aceitou bem a notícia e seu pai tentou demonstrar coragem para enfrentar a situação.
Nos cinco anos seguintes a ausência de diálogo com os pais fez com que Joanna passasse a se sentir intensamente fraca e destruída. Mas, continuou sua caminhada pela vida. Certo dia encontrou um jovem com quem passou a namorar, chegando até a noivar. Mas silenciou sobre sua síndrome, e aos 21 anos resolveu revelar seu segredo ao noivo. A dor foi incomensurável, pois terminou sendo abandonada pelo noivo e mais uma vez teve que encontrar forças para prosseguir pelas veredas e esquinas inóspitas da vida.
Após passar por uma cirurgia revolucionária para a construção de uma vargiana, a moça resolveu encarar um novo relacionamento, mesmo depois de ter tido vários namorados que a abusaram emocionalmente, provocando sentimentos de raiva, culpa e vergonha, obrigando-a a lutar contra depressão, ansiedade e ataques de pânico. Desta vez cientificou o parceiro sobre sua situação. Ele aceitou, inclusive, também o aspecto dela não poder engravidar.
Joanna demonstrou sua enorme vontade de ser mãe um dia. No seu caso pode ser de forma adotiva. Ora, mãe em muitas ocasiões não quem dá á luz, mas que cria. Relevou que era libertador poder falar sobre suas adversidades, pois assim ajudaria outras mulheres que sofrem do mesmo problema.
*Escritor e Juiz de Direito

 onaldorqueiroga@gmail.com

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