CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Corsários e Acossados

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Não faz muito tempo, a prática do corso foi abolida pela declaração de Paris, ano de 1856, sem o apoio de Estados Unidos, México, Espanha e Venezuela; na sequência , em 1907, Conferência de Haia prescreve as condições nas quais um navio mercante privado podia ser convertido para objetivos bélicos; e, definitivamente, a conferência de Haia de 1922/1923, numa declaração assinada conjuntamente pelos países signatários contra o uso de corsários na guerra aérea, quando esse setor começou a ser o perigo maior, principalmente, embasado no último conflito mundial e
suas consequências horrível, e anterior ao de 1945.
Os corsários eram beligerantes e pagos por nações que queriam atacar determinados povos sem que lhes fossem imputados os crimes de guerra, como uma verdadeira manobra de ataque, no uso, evidentemente, de brechas nas relações internacionais, como se usa hoje, dentro de um mesmo país nos furos da lei para se safar de uma situação de acusação ou defesa, tudo dependendo do tirocínio do advogado e sua visão holística.
Os acossados são sempre as minorias mais frágeis, os limitados e sem uma formação de sociedade equilibrada e constituída para defender seus membros dos ataques da maioria, normalmente destemperada, porém concatenados e unidos com fins específicos de eliminar os contrários aos seus pensamentos, não importando os meios, mas, os fins objetivados. Seguindo essa analogia, é bom dizer que numa nação com o poder concentrado no cume piramidal toda e qualquer iniciativa da sociedade, tais como: liberdade e responsabilidade fica sufocada nas amarras ditatoriais, exemplo específico do Brasil lulopetista. 
O momento brasileiro além de ser singular, depois de tantas mazelas e incongruências, o afastamento, mesmo que temporário, da Presidente Dilma Rousseff, foi como o desate do um nó obstruindo nossa garganta, e de repente, foi possível gritar forte e objetivamente toda nossa alegria pelo desfecho de um desejo ardente de tão desejado. Vários foram os filmes que passaram em nossa cabeça, nessas rememorações em preto e branco, lembrei-me dos Corsários que se sentindo poderosos abateram vários povos de regiões mais pobres e potencialmente fracos, sempre prevalecendo seu pensamento e sua fúria devastadora.
Fazer um resumo do processo de 13 anos de sucessos, desditas, mentiras, corrupção e apego incomensurável do poder não é muito fácil. No começo tudo parecia sorrir para o governo que se iniciava com a vitória do capo maior, Inácio Lula da Silva, sendo eleito presidente da República, e sustentado pela coalizão de forças, ancorada no maior partido político, PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), e seu próprio partido, PT (Partido dos Trabalhadores), coadjuvado por outros partidos menores, sem, entretanto, ter menos significado dentro da base criminosa de apoio. A sequência todos já sabe: continuação da política econômica do governo FHC; junção de projetos sociais dando a fusão no Projeto Bolsa Família, um projeto de uma única porta, a de entrada e sem saída, portanto, se encerrando em si, o que não é bom nem para o país e nem para o assistido, não se pode ter um projeto social como um objetivo de vida, há a necessidade fundamental que esse tipo de assistência tenha uma contrapartida para que a pessoa possa criar condições técnicas, educacionais e morais para retornar ao mercado de trabalho e viver do seu suor, nada mais digno para o ser humano e edificante que essa situação de recomeço.
Depois do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e a entrada em cena, no mesmo cargo, da Dilma Rousseff, a turbulência política administrativa foi tomando forma e as bases de fundamentos foram sendo desconstruídas na proporção que o tempo passava e as reservas financeiras iam sendo consumidas, principalmente no momento que as receitas se tornaram menores que as despesas, e essas não paravam de crescer, como se a desigualdade nas contas fosse apenas um hiato de pouco tempo e tudo voltasse ao normal, ou seja, receitas maiores que as despesas.
O milagre não aconteceu, por isso, depois da reeleição da Presidente Dilma Rousseff, o estelionato eleitoral veio à tona, tudo que ela apregoava que seria feito pelos seus oponentes, principalmente seu maior concorrente, Senador Aécio Neves (PSDB/MG), ela pôs em prática e conseguiu de forma absolutamente desastrosa ruir os fundamentos da nossa economia, sucateou a indústria, sem leva-la à concorrência internacional, frustrando o mercado interno com elevação de preços e dispensa em massa da mão de obra trabalhadora; chegamos ao fundo do poço quando elevamos os juros sem segurar a inflação que recrudesce em patamar elevadíssimo, sobrando produtos nos estoques das indústrias e no comercio atacadista e varejista.
Hoje somos motivos de chacota no mercado internacional, já não temos o mesmo crédito junto à comunidade financeira, somos maus pagadores, mesmo assim, conseguimos desembolsar R$500 bi de juros no decorrer do ano anterior (2015), um pouco mais teremos de pagar esse ano de (2016).
O novo governo que foi empossado dia 12 último, infelizmente, não tem a credibilidade necessária para assustar os fantasmas dos corredores dos palácios de Brasília, como na gestão anterior, os denunciados no Processo Lava Jato continuam no novo governo, em número menor, mas, há os citados, o próprio presidente em exercício, Michel temer é um dos arrolados. Mudamos de governo, entretanto continuamos com os mesmos problemas a nos atormentar. É preciso que o novo gestor provisório aponte os caminhos a serem seguidos dentro da forma mais cristalina e vistos a olho nu por todos os brasileiros, cortando gastos desnecessários à nação, cobrando a dívida ativa que não é pouca. eliminando os funcionários, tidos como de confiança, esses mesmos que atuam sem salas, sem mesas e sem endereço funcional, mais conhecido como fantasmas da ópera acabada.
É uma pena que eu tenha que continuar criticando, entretanto, nessa hora não sou partidário da direita ou da esquerda, sou um brasileiro que quer apenas o certo para o país, para que, não os meus filhos, já luto pelos netos, e que esses tenham no futuro o país do presente, coisa que a minha geração e as anteriores não tiveram. Tenho fé que toda esperança depositada na nova gestão seja de alguma forma recompensada, pelo menos que a corrupção seja vencida, mesmo que parcialmente, a inteligência humana seja capaz de por o país nos trilhos do caminho que esperamos. Não pedimos muito, queremos apenas um país com crédito, emprego, com saúde a altura das nossas necessidades, educação para todos e sem exclusão, e segurança para trabalharmos em paz e com absoluta dignidade.
*Escritor e Poeta

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