CLEMILDO BRUNET DE SÁ

A Paraíba no olho do furacão com Dilma Vana

João Costa e Dilma Vana
João Costa*

Pelas mãos de Jeová o deputado, e não do Divino, a Paraíba foi catapultada para dentro do olho do furacão com a audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa para discutir a agonia da democracia brasileira com Dilma Vana, a presidente afastada. Em 1930 a Paraíba balizou a Revolução contra o sistema da oligarquia dos coronéis e seus jagunços; em 2016 em rota de colisão se dá com as elites capitaneadas pela Fiesp e
a direita empedernida de espírito vira-lata com seus fâmulos.
Mérito para o deputado Jeová Campos, e referências para Adriano Galdino, presidente da Assembleia por corajosamente encampar a luta e respeito histórico para o governador Ricardo Vieira, que destemidamente não abandonou seu campo ideológico num momento político incerto e duvidoso que prenuncia o caos para a Nação.
A audiência pública de Jeová Campos com a Dilma Vana pode ser encarada como a aurora de uma reação em nível institucional contra esse “golpe parlamentar” contra o estado de direito. Institucional porque Jeová colocou a Assembleia no olho do furacão, num estado em que a maioria de suas bancadas no Senado e na Câmara se deixou seduzir pelo canto da sereia de um impeachment que seria rápido, indolor  e fácil de assimilação popular, por ter o aval de parte do Judiciário, braços do estado como o Ministério Público e a Polícia Federal, além de setores da sociedade civil como a OAB e sindicatos patronais.
O golpe se revelou um engodo e necessário para “estancar a sangria” de prisões de corruptos e corruptores, segundo seus próprios delatores.
A audiência virou um “Fora Temer” e um “Fora Cássio”, aprofundando ainda mais o fosso entre o governador da Paraíba e o governo provisório e entre Ricardo Vieira e o senador Cássio, líder do PSDB, por tabela, um dos líderes do golpe; golpe este que empurrou Ricardo de volta à esquerda democrática, e tangeu Cássio para os braços da direita golpista, garrote vil da plutocracia brasileira.
É neste fosso de um país com a presidenta afastada e que ainda respira politicamente, um presidente interino obscuro e mancomunado com corruptos e corruptores; um Senado pútrido com a prisão esperando pelo seu presidente e outros mais, da mesma forma que o presidente afastado da Câmara, apontado como chefe de uma máfia política, que a Paraíba se insere.
 E estamos só no começo do fim de uma República baseada na coalização de partidos que mais se assemelha uma malta de salteadores de recursos públicos e do orgulho da Pátria.

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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