CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Minotauro apareceu, o que virá depois?

João Costa
João Costa*

Para sua consideração - Minotauro surge dos autos – A Nação assiste, como o Cristo crucificado entre dois ladrões, ao desmoronamento da política. Rapidamente os cristãos, durante séculos, na sua hipocrisia teológica, argumentava nos Evangelhos a existência de um “bom ladrão” e este, merecedor da salvação. Então, onde está o “bom ladrão” se há pedidos de encarceramento do presidente afastado da Câmara Federal, Eduardo Cunha; do Congresso Nacional e do Senado, Renan Calheiros e,
por tabela, os mastros do PMDB, José Sarney e Romero Jucá. Michael Temer – o usurpador da Presidência, está sendo poupado?
No passado, Carlos Lacerda e a antiga UDN (hoje PSDB/Dem) achavam que eliminando Getúlio Vargas, anos depois João Goulart, o caminho estaria aberto para ao que se chamava direita brasileira governar sem efeitos colaterais. O resultado todos conhecem: duas décadas de Ditadura Militar.
Além dos partidos legalmente constituídos e todos chafurdando na lama da corrupção, assistimos ao surgimento de um outro: o braço político associado Mídia Nativa-Judiciário. Que durante décadas criminalizaram a política, ao tempo em que se servia dela. Presos os líderes do PMDB e chefes do Legislativo, o que virá depois?
O esforço do Judiciário e da Mídia nativa em poupar, líderes do PSDB já ficou claro como a água, para usar um termo bem nosso. Entorpecida por um bombardeio de notícias seletivas, o jogo está ficando mais claro: de um lado, para encarcerar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai ser necessário mandar para a cadeia aqueles que fizeram o jogo sujo votando a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma, até agora honestíssima nesse processo político, presentemente alvo de uma campanha sórdida de difamação e calúnia de tamanho colossal.
A mão do interino na Presidência na corrupção foi denunciada e, aparentemente, relevada. A imprensa internacional, por meio do New York Times, em editorial, colocou o governo interino no pódio olímpico com Medalha de Ouro da corrupção. Seus ministros e líderes no Parlamento ficam com Prata e Bronze. O que falta?
As ruas e o povo. A não manifestação popular em defesa da  democracia ameaçada só pavimenta ruas e estradas para blindados sobre esteiras e fuzis numa quartelada, que está próxima, e é o objetivo final da direita que planeja recrudescer o estado policial, já em curso. O Minotauro colocou a cabeça do lado de fora do labirinto. Aguardemos.

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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