CLEMILDO BRUNET DE SÁ

O Brasil não serve de parâmetro na divisão Epistemológica de Japiassu

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*
            
        O Brasil é contrafatual, vai de encontro aos fatos e se distingue como um corpo estanho no universo da pluralidade, como um grande arrastão vai levando o que se encontra nas suas águas escuras, muitas vezes rasas, em outros momentos, profundas, mas, em todo tempo e por todo tempo turbulentas e pesadas, como quem não sabendo separar o material sólido do líquido, pelo seu longo tempo de poluição.
Somos uma nação de dualidade, temos dois presidentes, uma presidente afastada outro substituto conforme as Leis que regem nossa Carta Magna, portanto, peremptoriamente dentro das regras e
do contexto legal, mesmo assim, bradam que há um golpe em marcha, numa contenda mal resolvida, dessa forma, muitas queixas e queixumes nos caminhos e descaminhos dos brasileiros que já tem tantas malversações e histórias mal contadas a serem discutidas e desvendadas, para que o país possa seguir rumo em direção ao futuro, mesmo porque, o presente é um caso perdido por entre ações equivocadas e atitudes antidemocráticas, longe do republicanismo tão cantado em verso e prosa por aqueles que usaram a democracia para surrupiar o erário público, assaltando em plena luz do sol ou dos candelabros de bom gosto sob o teto dos corredores dos palácios da República, retirando dos escaninhos as joias e valores da mãe desalenta, e triste com seus filhos de Alto Coturno, que em nome dos mais pobres e oprimidos diziam-se defensores únicos dos desvalidos, e açodados que foram, deixaram rastros como que ratos fugindo dos seus perseguidores.
O Brasil das calendas gregas vive no “sine die”, o Congresso Nacional que era a atalaia do Governo Executivo, não passa de uma corporação a lutar para manter seus membros, muitos deles, longe das amarras por entre celas e sob o julgo das tornozeleiras eletrônicas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultado das cretinices praticadas pelos irresponsáveis que ocupam cargos naquele poder, para tristeza e vergonha dos que votaram naqueles torpes apresentados à sociedade como corruptos e malfeitores. Os partidos políticos são corporações voltados para o interesse próprio, tentando a subsistência a custa de apoios vergonhosos e falsos, apenas para sugar dinheiro de quem esteja no governo, não importando, para tanto, ideologias ou modelos de governo, sendo ou não da esquerda ou direta, a meta é sempre a mesma, sobreviver a tudo custo e custe o que custar.
Os números continuam a mostrar que o atual governo não é diferente do deposto, mesmo que interinamente, ambos não têm conceitos favoráveis, a Presidente Dilma tem alto índice de rejeição e não há nenhum contentamento que ela volte, enquanto o interino, Michel Temer, não inspira nenhuma confiança no povo brasileiro, enquanto isso, uma nova eleição é puro ilusionismo, pois, só poderá ocorres se ambos renunciarem, não há vontade política nas partes, por isso, não estamos vendo solução rápida e salutar para resolver o impasse criado. Temos os poderes batendo cabeça, um Executivo sem apoio popular, o Legislativo acossado pelo Judiciário, que diante do pedido de prisão para membros dos figurões do PMDB, incluindo-se aí o Presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, fica dividido entre aceitar o pedido ou ignora-lo, pelo menos por enquanto, até que o impedimento da presidente afastada seja definido no Legislativo.
Enquanto nada se resolva, a indefinição leva o brasileiro a ficar sem muita noção de como agir, pois, há uma descontinuada produção que apavora o empregador e o empregado, a elevação de preços que recrudesce e amarga à vida de todos nós, a taxa de juros foi reiterativa sinalizando as dificuldades que continuaremos a ter ainda nos próximos dias, um problema que o Ilan Goldfajn, como presidente do Banco Central terá que resolver a curtíssimo prazo. Nesse compasso de espera o PT tenta montar uma catilinária que possa justificar a sua história de golpe, credível apenas aos poucos que fazem parte desse partido desagregado e seus séquitos.
*Escritor e Poeta

genival_dantas@hotmail.com

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