CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Sob o medo e o abandono

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

A Rua da República, no Bairro do Varadouro, é, inegavelmente, uma das ruas mais antigas da capital paraibana. Ali, encontramos a Praça do Trabalho, hoje mais conhecida como a "Praça da Pedra", onde um monolítico de aproximadamente dois mil quilos, trazido de trem, no ano de 1932, do município de Bananeiras-PB. Foi ali colocado para homenagear o Presidente João Pessoa, sendo um patrimônio e um símbolo histórico da cidade.
Em tempos idos, quem chegava em João Pessoa, de ônibus, tinha que passar pela Rua da República, para ter acesso à antiga Estação Rodoviária, logradouro que abrigou a antiga fábrica Matarazzo e as casas onde morava boa parte de seus operários. Rua de muitas residências e incrível diversidade de lojas comerciais. Muitos costumam dizer que na República de tudo se encontra para comprar, e
com bom preço.
Mas o tempo passou. Quem sai da cidade baixa para o centro de João Pessoa, sobe contemplando a fábrica fechada, abandonada, além de visualizar seus casarios antigos, muitos desgastados pelo tempo, pela inércia e/ou pela ação do homem. Se vê inúmeras lojas comerciais, que lutam contra a impiedosa crise que assola o país, agravada pelo abandono e medo.
Quem por ali vive, trabalha ou transita, fica perplexo por assistir a cenas impactantes. De segunda a sexta-feira, a região amanhece com mulheres e homens, zumbis, jogados pelas calçadas, ou cambaleando, exaustos, pelo leito da rua. A prostituição reina no local. Sob o sol, eles começam a sair de cena, mas alguns ficam por ali. Quando a tarde cai, já depois das 16, é hora dos comerciantes fecharem as lojas e dos moradores se recolherem para suas casas, pois a prostituição e droga voltam a ditar o medo. Os zumbis disputam e consomem substâncias entorpecentes, além se prostituírem em plena via pública. Nos domingos, a rua é de desventura, uma verdadeira calamidade.
Uma tragédia com cenas tristes e não menos chocantes, que se repetem diariamente. O incrível é que todo mundo sabe disso, mas ninguém toma providências para resolver a situação. Sob o abandono e o medo, a centenária Rua da República pede socorro. Clama por ações que acabem com o crime e o sofrimento ali reinantes. Não há desculpa. É preciso agir. E logo.
*Onaldo Queiroga – Escritor e Juiz de Direito

onaldorqueiroga@gmail.com

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