CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Despersonalização

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Conversando com o amigo João Cláudio Moreno veio a percepção de que talvez vivamos hoje uma das piores fases da humanidade.
A história conta que o homem já passou por muitos momentos de turbulência, por batalhas e guerras mundiais, mas, o instante é diferente, pois o planeta corre sério risco, haja vista que vem sendo agredido impiedosamente  pelo ser humano, ao ponto de comprometer a sustentabilidade do nosso ecossistema e da própria existência humana. O homem mostra-se cada vez mais egoísta, desalmado, frio, sem apego a cultura de seu povo, sem compromisso com a história e
venerando o ter como o Deus supremo. É um processo de aniquilamento do humanismo. É o amor substituído pelo vil prazer, a fé pelo comércio, a solidariedade pela usurpação.
João me chamou atenção sobre o empobrecimento da nossa música. Ressaltou que música é algo divino, pois Deus quando criou a humanidade, fez a música antes de tudo. Canções são traços da personalidade de um povo. Permitir a desvalorização dessa musicalidade é despersonalizar  o próprio povo, deixando-o frágil e sujeito à dominação de qualquer um, principalmente dos espertos que vivem do lucro fácil e exterminam, por exemplo, a tradição religiosa, musical e alimentar desse povo.
Lembrou-me que é preciso resistir, pois a India só conseguiu se libertar da coroa inglesa porque agarrou-se as suas tradições e não permitiu sua despersonalização. No nosso caso, estamos diante de um Estado em fervoroso estágio de despersonalização. A saúde é precária, a educação capenga e a segurança inexistem. Aliás os cidadãos nem nos seus lares se sentem salvos. Como diz João, o Estado que devia prevenir, coibir, reprimir, punir e recuperar seus cidadãos, só faz recolher e levar o ser humano a qualidade de monstro, pois uma cela que comporta cinco pessoas e encontra-se  com cinquenta, quando aquela pessoa sai vais matar, degolar e praticar as maiores barbáries, pois perdeu qualquer referência de afeto e de amor.
Devemos lutar observando os ensinamentos de Deus, com a certeza de que mesmo se nos sentirmos pequenos, lembremos que a semente da mostarda quando cultivada torna-se grande.
*Escritor e Juiz de Direito

onaldorqueiroga@gmail.com

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