CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Duas honras esboroadas, dois destinos incongruentes

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Quando Eduardo Cunha se sentiu preterido pelo PT e colocado à boca dos lobos para ser trucidado pelos seus opositores na Câmara Federal, não teve outra alternativa se não a iniciativa de colocar em pauta, acolhendo, em retaliação, um, entre os 34 pedidos de impeachment contra a Presidente Dilma Rousseff, refluindo o processo que hoje atormenta não apenas as vidas de Dilma e Cunha, mas, a vida e o dia a dia de todos os brasileiros. Foi com essa atitude que surgiram as sequências, em forma de desdobramentos, da Operação Lava Jato, mostrando a face oculta dos políticos maquiavélicos encrostados nos corredores, pátios e
guetos da política nacional.
Não temos dúvidas, Eduardo Cunha antes de renunciar ao cargo de Presidente da Câmara Federal deu uma substancial colaboração à moralidade de nossa terra. Muito contribuiu para o afastamento, não só apenas da desacreditada Dilma Rousseff, com a sua torpe de auxiliares, tão incompetentes quanto à própria chefe, mas, alijando definitivamente da vida pública, o petismo, pelo menos nos próximos dois anos, claro, dando como certo o afastamento definitivo da presidente rejeitada pela grande maioria da população.
Ficou patente que a Dilma é o simulacro da própria mazela administrativa, não sendo um exemplo de gestão como nos foi vendido a ideia sacrossanta de um contorcionismo aloprado de uma algoz prosista encalacrado nos meios burocráticos, transformando um país de economia progressista e acreditada na comunidade internacional, numa provinciana e desmilinguida sociedade de fundo de quintais.
Infelizmente, por conta da megalomania petista, muito dinheiro investido pelo governo em projetos do setor público foi definitivamente perdido, em vez de resultar em aumento de capacidade produtiva, ou ainda, por conta da superavaliação das obras, até mesmo com desvios de recursos pontuais. Sem contar com outra parcela de obras desperdiçadas com suas paralizações, não obstante, algumas utilizáveis, mas, sem nenhum aproveitamento logístico.
Conta-se no meio desse devaneio, conforme levantamento do Jornal O Estado de São Paulo, mais de 5 mil obras paradas em todo país, dentre elas temos saneamento básico, ferrovias, rodovias, até mesmo conjuntos habitacionais por conta do programa Minha Casa Minha Vida, projeto tão necessário quanto oportuno, se desenvolvido fosse dentro das normas e procedimentos legais. A patifaria está em todos os níveis, desde o poder executivo municipal, estadual e federal, todos contaminados com o vírus da desconstrução nacional, com muitos partidos e políticos de várias ideologias devotos do alheio.
Esse tipo de comportamento nos deixa triste pelos prejuízos dados ao erário público, e o pior, sem termos nenhuma certeza que esses recursos desviados serão um dia retornados aos cofres públicos, ficando apenas como castigo, uma punição carcerária transformada posteriormente em prisão domiciliar adicionando aos culpados tornozeleiras eletrônica para que não possa se ausentar do ambiente previamente demarcado pela Justiça. Esse tipo de condenação é muito pouco para quem nos fez de verdadeiros idiotas, usando e abusando do voto de muitos inocentes para ludibriar a consciência de todos nós.
Depois da renúncia do Eduardo Cunha, com a consequente cassação do seu mandato de Deputado Federal, e o afastamento da Dilma Rousseff, nos deixa uma ponta de esperança que essa seja a ponta do iceberg que desponta no mar de lama da política nacional, que outros possam pagar pelos seus erros e desvios de comportamentos, que a justiça seja definitivamente aplicada aos devedores, não se escolhendo nomes, nem partidos, que todos sejam iguais perante a Lei, como sempre nos pregaram, que os justos sejam reconhecidos e reconduzidos ao seio das suas famílias e sua sociedade, só pedimos justiça para todos.
 *Poeta e escritor

www.genivaldantas.com

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