CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Retrato do Brasil via Bundas e a bala de prata

João Costa
João Costa*

Para consideração – Na estrada do Século XXI, estamos no ano da graça de 2016, de novo, assistindo o país conflagrado, desta feita, tal qual prospecção de petróleo, porque a Petrobras está no olho do furacão, em companhia de empreiteiras, financiadoras da bancarrota moral da Nação. No final de semana, aproveitei para reler algumas revistas do século passado, especialmente duas: Bundas (edições de 1999) e Retrato do Brasil (1983). Este acordão em curso no Brasil entre, mídia ativa/judiciário/ setores de estado/fundamentalistas evangélicos/Congresso, sinaliza ser o último das patranhas políticas da História.
Sobre a mídia nativa, vejam só um depoimento que encontrei de Mino Carta, sobre fatos de 1974 em relação à Editora Abril. Ao longo de uma entrevista à revista Bundas, esta do ano de 1999, disse ele: “procurei o Carlos Richbieter pra perguntar: quanto dinheiro a Abril queria levantar junto à Caixa Econômica Federal? USS 50  milhões? É isso mesmo?” E ele me disse: “É isso mesmo, e
acabaram recebendo”. Grana da ditadura militar irrigando tudo, como hoje através das verbas publicitárias do Governo Federal. Mino, dispensa comentários, foi o primeiro editor da revista Veja. Apenas um apetrecho da entrevista em que afirma ser a “grande  imprensa” brasileira uma “porcaria inominável”.
E o Karma da mídia nativa hoje como no passado recente, segue o mesmo: Lula. A entrevista com Mino é um papo entre ele, Ziraldo, Emir Sader e outros jornalistas. Sobre o impeachment de Collor, nos bastidores os jornalistas diziam assim: “na hora do risco, será como em 89: na hora em que o “sapo barbudo” surgiu no horizonte, se uniram todos em torno do “fio desencapado”,  porque no fundo não tinham o menor respeito por Collor”. A História parece se repetir em 2016.
Já na revista Retrato do Brasil, cujo exemplar custava Cr$ 2.000,00, tem lá uma edição com o último ditador na capa, sobre os presidentes do Brasil, e uma sentença cruel sobre o “papel secundário das eleições no Brasil”. Nesta edição, uma conclusão: “o mundo dos negócios paralelos também tem seu código de ética”, que mais ou menos se desfaz hoje com as famosas delações premiadas dos corruptores, que estão presos, mas com suas fortunas surrupiadas da Nação bem asseguradas no exterior e cumprindo sentenças em mansões à beira do mar. Muito seguem citados, e até agora o “sapo barbudo”, nem a presidenta afastada foram nominados, apesar de serem eles o tal “alvo duplo” da hora.
Na época do impeachment de Collor, eu editava o Caderno de Nacional do Jornal Correio da Paraíba, e tinha uma expressão recorrente: “ falta a bala de prata”, que seria o último recurso do ex-presidente Collor para evitar seu afastamento. O último cartucho de Collor seria... Tornar Lula seu superministro! Bem, essa “bala de prata” a Dilma Vana tentou usar, fracassou.
O retrato do Brasil neste século 21 parece ser mesmo o de uma imensa bunda. Por diversão, prefiro a revista.

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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