CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Caminhos distintos

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

O Brasil entra no mês de agosto com posições bem claras em dois pontos básicos para nossa população. Por questões megalomaníacas forçamos a situação e fomos agraciados como sede das olimpíadas que começa oficialmente sexta-feira (05). Muitos países fogem desse compromisso pelos resultados negativos que decorrem do seu patrocínio, como somos diferenciados e pelo aforismo petista, onde tudo é possível custe o que custar, embreamos a mata virgem de vidas desconhecidas, quando muito de caráter duvidoso, quando muitos e prováveis agouros servem de pano de fundo para o espetáculo que se avizinha. Mesmo diante desses alarmes negativos nos propomos ao projeto de exposição mundial e os investimentos foram feitos com sacrifícios para todos nós, mesmo considerando um projeto arrojado e,
principalmente, para um país com sua situação financeira e econômica em estado falimentar como é o nosso caso.
Aos poucos fomos nos moldando ao clina da nova realidade, atletas e delegações começaram a chegar, com algumas dificuldades em acomodações, feitas exclusivamente para recepcionarmos nossos convidados e competidores; a correria foi grande, fizemos o possível para que sanássemos os problemas apresentados de última hora, mormente na infraestrutura mal acabada e construída a toca de caixa, sabendo-se que toda obra executada nesse frenesi a possibilidade de desacerto é muito grande, mesmo assim, corremos o risco e fomos ridicularizados em todo planeta.
Os ajustes foram resolvendo as situações desagradáveis e o tempo tratou de acomodar os fatos dentro do nosso prisma, assim os treinos para os desafios começaram a se intensificar de forma consciente e dentro da capacidade de cada delegação. O Brasil, como não podia ser diferente apresenta sua maior equipe de atletas, com 465 nomes escalados dentre os melhores nomes da Nação, visando, evidentemente, tentar ganhar o maior número de medalhas possível, principalmente por ser país sede e perdendo em número de atletas, apenas para os EUA, que sempre foi a delegação olímpica que mais se apresentou com números de atletas, e, por conseguinte, pela qualidade atlética, a que mais obteve sucesso em todos os jogos.
Muito embora as nossas dificuldades sejam enormes, somos tomados pelo espírito olímpico e nos engajamos definitivamente nesse clima de festa. Agora não há como retroceder e temos que torcer pelos nossos, afinal é coisa rara, e vivemos esse momento, compartilhar e viver o clima dos jogos olímpicos em nossa terra, não sabemos quando teremos uma nova oportunidade, certamente nossa geração não terá outro privilégio, por conta dessa façanha temos que nos dar as mãos, esquecer ressentimentos de ideologias ou facções políticas e partirmos para tentar uma participação honrosa nesses jogos realizados em nossa pátria.
No outro lado da moeda a vida continua a mesma, o mundo político não se resolve, fica cada vez mais emaranhado com a desídia dos seus atos para com o comprometimento da coisa séria. O processo de afastamento da Presidente afastada Dilma Rousseff, continua da mesma forma, o relator do processo, Senador Antônio Anastasia (PSDB/MG), na leitura do seu relatório, ontem (03), foi objetivo, pedindo sumariamente o afastamento em definitivo da Presidente em questão. Uma posição já esperada por todos, como também era sabido que os defensores de Dilma Rousseff apresentam votos em separados, mesmo sendo sabedores da dificuldade de ter respaldo na comissão.
A Nação brasileira precisa urgentemente sair desse marasmo político para poder ter sustentação Jurídica, criamos um grande impasse, depois de tantos descalabros temos um governo provisório que não transmite nenhuma segurança em todos os sentidos; a população ainda desconfiada, pois o atual Presidente provisório, Michel Temer, foi eleito na chapa do PT, mesmo sendo do PMDB, traz no seu cerne o vício e a cognição das barbáries cometidas pelo antigo governo. Agora, mesmo que o Presidente provisório tente se esforçar mostrando um lado mais positivo, querendo mudar o jeito de governança, ainda não conseguiu o apoio popular da população, a simpatia aos seus gestos ainda são inexpressíveis. Os investidores internos e externos começam a dar um sinal de crédito muito vagarosamente, essa fase só passará quando, efetivamente, o Senado resolver a questão, em definitivo, do afastamento da Presidente Dilma Rousseff.
Enquanto isso, vamos nos embalando na alegria da nossas possíveis vitórias nas olimpíadas e torcendo para que tenhamos um final político digno das nossas necessidades e premência.
*Escritor e Poeta

genival_dantas@hotmail.com

Nenhum comentário: