CLEMILDO BRUNET DE SÁ

As tesselas engrandecem a parvoíce nacional – Amém!

João Costa
João Costa*

Para sua consideração - Três sentimentos formam essa convicção messiânica que embala o Brasil: O ódio represado, o fundamentalismo religioso que domina o país, e a parvoíce geral. As elites nativas sabem que a Nação é capaz de aceitar qualquer insulto – a História prova isso.
Ainda que o espetáculo da apresentação da denúncia contra o ex-presidente Lula pelo agora famoso procurador Dallagnol tenha se revestido de pregação raivosa com chavões do tipo “comandante supremo”, a certeza que emerge é a visão de um grande mosaico onde as tesselas se encaixam num plano, não como arte decorativa milenar, mas de assustadora inquisição. Base do xadrez do tipo: as provas não contam, mas a convicção. Nada que um PowerPoint não resolva – já que transparência não serve. As tesselas se encaixam e
animam a parvoíce nacional.
O recurso PowerPoint parece ser o recurso predileto usado não só por advogados e docentes “modernos”, mas por militares, geralmente como recurso ilusionista. O procurador com o seu PowerPoint me fez lembrar o general Job Lorena – que serviu em João Pessoa –  e que apresentou o seu para provar que o atentado do Riocentro não fora uma um plano dos militares envolvidos com a repressão. Na sua exposição “convincente” a bomba que explodiu no momento de sua armação matando um dos militares, fora “plantada” por comunistas no colo dos militares naquela noite show de MPB.
Outro general, esse americano, chamado Colin Powell, foi até a ONU para apresentar seu PowerPoint para provar que Saddam Hussein tinha armas químicas, justificando assim a guerra no Iraque, guerra esta que ainda não acabou, mas o país deixou de existir. Saddam Hussein não fabricava armas químicas em 2003, assim ficou provado, mas outro Hussein e negro viria a ser presidente dos EUA doze anos depois. Nos dois casos, os generais tinham convicção.
Repetindo. Três sentimentos formam essa convicção messiânica que embala o Brasil: O ódio represado, o fundamentalismo religioso que domina o país, e a parvoíce geral. As elites nativas sabem que a Nação é capaz de aceitar qualquer insulto – a História prova isso.
O golpe político e institucional ainda não terminou, uma vez que o Minotauro segue circulando no labirinto em busca de uma saída; ora no Senado e na Câmara, ora no Supremo Tribunal Federal, cujo presidente  já presidiu a deposição da presidente Dilma Vana. E o Animus do país é o da normalidade, alterada apenas por um afogamento no Velho Chico. 
Nas empresas, faculdades e escolas ou na praça da alimentação, onde o ódio não se manifesta visível é o ressentimento; onde o fundamentalismo religioso é voz corrente; tolerância, e a demência geral dá lucro e faz prosperar a canalhice patriótica. Imaginem que nesta nossa democracia, provado está e não é convicção que o voto do cidadão nada vale. Ainda assim, teremos eleições municipais tranquilas para escolha dos grupos que lançarão mão do butim da aldeia. Esta crise institucional precisa de cadáveres!
Assim Caminha a Humanidade!

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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