CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Eleições do bem comum – apenas para candidatos

João Costa
João Costa*

O que significam estas eleições municipais num momento da História em que os canais de pressão popular tornaram-se inúteis e a linha que separa a ilegalidade de tudo que é legal perdeu de há muito a nitidez? Se o principal postulado da política é bem comum, os candidatos falam do bem como se um mantra fosse – desde que comum a eles mesmos e seus partidos.
Os candidatos a prefeito de João Pessoa são mais da mesma coisa, e desconfio que a disputa na maioria dos municípios não seja diferente. O Guia Eleitoral de todos os partidos vende fragrâncias velhas ou novas em embalagens sofisticadas. Trocando os candidatos, basta comparar as campanhas eleitorais e seus guias na TV e rádio em todos os municípios. Principalmente nas capitais e
cidades de médio porte. Desconfio que as agências apenas rebobinaram programas de campanhas passadas.
           Os candidatos às câmaras de vereadores, com raríssimas exceções, são assustadores, àqueles que se apresentam em nome de Deus e da família, e os bizarros são de forte empatia popular. Restam uns poucos candidatos jovens que se insurgem contra essa maré fundamentalista religiosa, misógina  e indisfarçadamente demente.
Levando em conta que no Brasil de hoje a validade legal do voto é um engodo democrático  a  eleição tornou-se  extremamente judicializada, como se criminosa ela fosse. O Essencial da política é o crime.
O ensino médio – É médio por natureza e nunca levou a lugar algum, mas aprovar reformas por Medida Provisória, na base de primeiro vira lei, depois vê se cola foi demais – e com pleno apoio do relator da matéria na Câmara, o deputado Wilson Filho, o candidato a vice na chapa da professora Cida. Por isso que na essência, é a mesma sopa.
E eu não quero acreditar que o Usurpador que preside a Junta Governativa tenha dito a verdade nas Nações Unidas a respeito das motivações para o Golpe. Disse claramente que seguia orientação internacional, e que a Dilma Vana recusou o programa de governo “ponte para o futuro”, aquele que vai devolver o status de Republiqueta de Bananas ao Brasil nos próximos anos.
Bolso sem fundo - O golpe é profundo e o fundo está bem mais no fundo. A presidenta deposta não desmentiu nem apresentou sua versão. Ficou mal explicado, até porque, a própria Dilma ensaiou sua versão de “ponte para o futuro” – que significa a retirada de direitos trabalhistas e outros quejandos, quando iniciou seu segundo mandato nomeando o financista Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda.
Por fim, ou para início de novos-velhos tempos, pipocam manifestações pelo país. Ainda não são as forças que vão reverter o processo do nosso eterno retorno ao atraso das nações. Mas ouso apostar na juventude, ainda que ela reverbere palavras de ordem de entidades carcomidas como a CUT e dos partidos legalizados. Outras formas de lutas vão surgir. Tomara que não demore uma década.
E se no Brasil de hoje o Judiciário é ao mesmo tempo a casta dos novos sacerdotes e se, por conseguinte, privilegia métodos kafkianos, não é suficiente para constituir-se um momento de exceção, pois o tempo vai cobrar sua fatura. Mas até o ajuste, o fundamentalismo segue fagueiro, pois os holofotes da Famíglia Marinho os ilumina.  
E estas eleições não se constituem num marco democrático, nem seu voto uma arma de resistência, daí de plena inutilidade. Talvez eleger vereadores identificados com a luta popular, seja importante diante dos faunos que se apresentam para a Câmara.

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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