CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Imagens

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Se há algo importante na existência da humanidade é o que chamamos de imagem. E aqui não referimos apenas a imagem que os nossos olhos podem alcançar, mas também aquela muitas vezes criada e idealizada por nós mesmos.
A imagem é algo forte, que impressiona, que mexe conosco e pode nos levar para a tristeza, como também para a alegria. A imagem nos conduz para a contemplação de belezas exuberantes, que nos silencia e acalma o espírito. É o caso de sentarmos nas areias de uma bela praia e ali direcionarmos nosso olhar para um imenso mar, de águas límpidas, ora verdes, ora azuis, que vem e
vão calmamente, de ondas imperceptíveis que formam cenário a tranquilizar a inquietude da alma.
Mas, existem outras imagens que terminam provocando olhares preconceituosos e injustos. Imaginemos um avião fazendo um voo noturno, lotado, com todos os passageiros entregues ao sono. De repente, um deles, que viaja numa poltrona junto a uma das janelas do avião, sente necessidade de ir ao banheiro. Para chegar ao corredor tem que levantar-se e passar por duas poltronas ocupadas por pessoas que estão dormindo, sendo que na do meio encontra-se sentada uma bela mulher. Para não incomodar, o passageiro resolve não acordar nenhum de seus vizinhos. Fica em pé e começa a passar cuidadosamente pela poltrona da bela mulher. De repente uma grande turbulência que o joga no colo da mulher, deixando sua boca colada na boca dela. As luzes se acendem. Todos olham para aquela cena. Espantados, os demais passageiros passam criar mil situações. O passageiro tenta justificar, mas a imagem é mais forte do que qualquer argumento.
Situações como essas que nos levam a examinar com cautela as imagens nos chegam. Outras, porém, nos deixam perplexo. Duas, recentemente, nos chamou atenção. Foi duro olhar em 2015 o pequeno corpo de Aylan Kurdi desfalecido nas areias de uma praia da Turquia. Ele, seu irmão e a mãe não sobreviveram à insanidade do poder. Agora, dia 17/7/2016, foi penoso, quando um louco passou com um caminhão por cima de uma multidão em Nice, matando 84 pessoas. No frio asfalto, o corpo de uma menina coberto e ao seu lado sua boneca. Deus nos ajude!
*Escritor pombalense e Juiz de Direito

onaldoqueiroga@gmail.com

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