CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Uma semana decisiva e quase previsível

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Sinceramente, não sabia das vozes roucas das ruas, das invencionices inventadas em pleno decorrer da sessão da votação do impedimento da hoje Ex-Presidente Dilma Vana Rousseff, nem previa os números finais para seu afastamento, nem mesmo imaginei os espalhafatosos discursos situcionistas e contrários ao Presidente Michel Temer, muito menos as digitais de Renan Calheiros, Presidente do Congresso Nacional, no afago ao votar na permanência dos direitos políticos da presidente afastada, muito menos, a média do Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Levandovsk, ao fatiar o voto em duas partes distintas, salvaguardando de certa forma o desejo dos petistas e
seus assectas, colocando um ponto fora da curva ao menoscabar a Constituição brasileira.
A história nos relata fatos que fizeram o rumo das coisas tomarem destinos diferentes, por várias razões, dentre as quais, as paixões políticas, o ranço dos desditosos, a mágoa dos injustiçados, o contorcionismo dos perdedores e suas sequelas sempre marcadas na pele dos mais sensíveis, normalmente entrepostas entre a pele a alma dos mais açoitados, convalescentes e prostados, longamente acamados, autopiedade dos decepcionados e refugiados nos labirintos das masmorras fétidas e lúgubres, lugares só encontrados nas mentes dos autodeportados e condenados pela própria consciência, como castigo imposto pelo péssimo comportamento e a difícil aceitação do sucesso alheio.
Agosto tradicionalmente sempre foi tido como um mês de desgostos, e o próximo passado não foi diferente, para muita gente, fomos castigados pelos resultados negativos em vários setores da nossa sociedade, os números refletiram a condição desfavorável na nossa economia debastada pelo comportamento irresponsável dos que estavam manuseando nossos destinos, vamos ter que amargar por um longo período de noites de inverno, ousente de luzes, pelos descabidos e escabrosos projetos eneficientes e ineficazes que fomos submetidos.
A angustiante tragédia que se abateu sobre os brasileiros permanecerá por muitos longos anos a nos consumir pela nossa absoluta culpa, pois, nós nos permitimos essa possibilidade nefasta, mesmo porque, fomos nós os responsáveis por colocarmos essa gentalha que faziam o Partido dos Trabalhadores no comando dos nossos destinos, mal sabíamos do que estávamos fazendo, agora, temos que levantar a cabeça lutar para recuperarmos treze anos perdidos tanto no social como no econômico, além, evidentemente, do moral que ficamos mais arrasados que terras depois de terremotos de alto grau na sua escala.
O mais repugnante é perceber que os algozes do agora governo empossado não reconhecem suas desventuras, suas mazelas, seus tirocínios de malversação, sua tirania obsessiva. Os advogados da presidente afastada já recorreram ao STF tentando anular a sentença dada pelo Senado Federal, por afastamento em definitivo do cargo, mesmo mantendo os direitos políticos da ré, querendo que se mantenha a interinidade do Presidente Michel Temer. Enquanto isso, os apoiadores do atual presidente tentam anular o efeito dos direitos políticos da presidente destituida. Dessa forma, fica estabelecido que a sinecura em questão deve ser bem proveitoso e de rendosa aferição, e pelos ditames perseguidos, no final do percurso, muitos regozigos se converterão como prêmio aos contemplados.
Quando acreditávamos que estávamos com o assunto Dilma Rosseff, definitivamente resolvido, o assunto volta a mídia e a pauta política nacional, não há um recomeço de uma história mal resolvida, há sim, uma pendência que se esforça em não se acabar, um verbo que se julga não conjugado nas flexões de modo, tempo, pessoa, número e voz, seguindo uma ordem determinada. Nós brasileiros comuns, continuamos a conviver com a incapacidade dos políticos em se aceitarem, e trabalharem por um país democrático, com segurança Jurídica, definindo um norte a ser seguido, com um pretérito enterrado junto com suas vergonhas e façanhas inescrupulosas, rotina de uma nação tupiniquim que não se cansa de ser a mesma desaventura e maldita, senhora das desavenças e intrigas banais, uma bestialidade concreta. Para quem duvida, a vida continua em capítulos conforma a nuance dos ventos.
*Escritor e Poeta

genival_dantas@hotmail.com

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